Título: Origin - Parte 3 Autora: Kessia Nina (shipperx@gmx.net) Disclaimer: Os Arquivos X e seus personagens pertecem a Chris Carter, Fox Network e outros (os quais não lembro agora) Se eles pertencessem a mim, eu nunca iria trazer Diana Fowley para a história!!! Spoilers: Biogenesis Categoria: MSR (Mulder and Scully romance), Friendship Todas as minhas histórias constam no meu site: http://go.to/shipperx/ Resumo: Continuação de Origin 02 -------XXX------- A luz era muito branca e forte. O chão começou a tremer. Ninguém tinha mais consciência do que estava acontecendo. Todos estavam tentando se proteger, mas não havia como. Aquela força era maior que qualquer outra. -------XXX------- "Mulder?" Scully estava deitada no chão em frente ao motel onde estavam hospedados. Mulder estava ao seu lado, jogado no chão, como se tivesse sido carregado e deixado cair pela força da gravidade. "Mulder! Você está bem? Acorde se estiver me ouvindo." Ela olhou ao seu redor e não havia mais ninguém lá.. Todos aqueles homens que vieram para pegá-los haviam desaparecido durante a luz e o terremoto. Mas como? Como alguém poderia escapar de tamanha força. "Scully..." Mulder mal podia falar. Estava muito ferido por causa da possível queda. Não conseguia se mexer. "Você está bem?" Ele acenou que sim. "Mas o que está acontecendo, Scully? O que aconteceu com todos eles?" "Eu não sei. Acordei e vi a mesma cena que você. Ninguém." Com o mesmo olhar de descoberta, surpresa e felicidade, Mulder levantou e comentou. "Foi a luz, Scully. Foi ela que os levou." Ele olhou no relógio e viu que eram 11h05. "Scully, você acreditaria em mim se eu dissesse que assim que vi a luz olhei as horas?" "O que você está querendo dizer, Mulder?" "Eram 11h05." "E daí? No meu relógio são 11h05 também." "Mas o relógio do motel acusa 11h16." Scully olhou para Mulder e percebeu o que ele quisera dizer. Nove minutos de tempo se perderam. E novamente eles testemunharam essa perda. -------XXX------- "Agente Scully. Agente Mulder." Skinner estava em sua sala. Havia chamado Mulder e Scully para uma séria conversa após todo o acontecido. "Senhor." "Estou aqui para dizer pra vocês que estou deixando o FBI." Os dois se olharam com espanto e surpresa. Ambos estavam chocados com a declaração e queriam muito saber por quê. Seus olhares eram tão instigadores que Skinner tratou logo de responder. "Já vi muitas coisas por aqui. Principalmente com vocês. Não quero mais fazer parte de nenhum jogo sujo. Sugiro ainda que façam o mesmo." Ele veio para a frente de sua mesa e sentou-se na ponta dela. "Quando recebi a missão de ser chefe do Mulder, não pensei que fosse ser tão difícil, visto que sou um agente do governo e preciso zelar pelo meu país. Mas como vocês sabem, Mulder não é muito calmo." Todos riram da afirmação. Sabiam que queria dizer que Mulder era inquieto e que não acomodaria enquanto não descobrisse a verdade, a qual agora estava muito mais perto do que nunca. "Mas..." "Deixe-me terminar, Mulder. Enfim, eles colocaram Scully para atrapalhar as investigações dos Arquivos X, mas obviamente não conseguiram. Scully sempre conseguiu uma maneira de provar as teorias, por mais malucas que parecessem. Claramente, eles não foram felizes na escolha de alguém que fosse aliada deles. Não conseguindo o que queriam, trouxeram Diana Fowley da Europa. Ela também estava no plano maior, mas queriam alguém em quem Mulder confiasse para que ele pudesse ser mais facilmente manipulado." Os dois não podiam crer no que estavam ouvindo. Tudo era parte de um plano maior. Os dois eram como marionetes para esses homens. Não haviam morrido ainda por pura sorte. "No início deu certo, pelo menos em parte. Mulder confiava em Fowley, mas Scully não. Você sabia, Scully, desde o início que ela era uma traidora." O interfone tocou nesse exato minuto. Skinner se levantou e foi atender. "Sim. Já estou indo." Skinner olhou para os dois como um olhar de tristeza, mas ao mesmo tempo contente por ter desabafado toda aquela história. Havia escrito um texto onde contava tudo o que sabia, mas ninguém sabia onde estava esse texto. No entanto, deixou pistas de onde poderia estar. "Tudo está na minha casa. Tenho que ir." "Senhor, muito obrigada por ter confiado em nós." Mulder somente olhou para Skinner enquanto ele saía. Ele não sabia se aquilo era verdade ou não. -------XXX------- Depois do episódio da luz em frente ao motel, Mulder não tinha mais a habilidade de ler a mente das pessoas. Eles não sabiam por quê. Ele simplesmente não conseguia mais. Um barulho de tiro foi ouvido. Todos correram para o corredor. Ao virarem para o elevador, viram sangue escorrendo pela porta. Correram para abri-la a força e quando viram era Skinner. Os olhos de Scully se encheram de lágrimas. Ela, em choque, disse a Mulder: "É, Mulder. Acho que ele estava dizendo a verdade." Ela não conseguia mais ficar ali. Por que todos os que diziam a verdade eram mortos? Ela não queria morrer. Não podia dizer a verdade a ninguém e nem podia permitir que Mulder o fizesse. Ela deu um passo para trás e saiu. Sozinha. Andou pelos corredores do FBI até encontrar a saída. Queria entender, mas não conseguia. "Scully, você está bem?" Mulder, como sempre, muito carinhoso. Ele parecia não estar tão chocado com aquela situação. "Por que você está tão calmo, Mulder? Como consegue?" "Era o risco que ele estava correndo, Scully. Ele preferiu assim. Ele sabia que ia morrer se nos contasse tudo. Tanto que nos disse onde guardou tudo o que escreveu. Por isso temos que chegar logo à casa dele." Ele a puxou em direção ao carro. Scully ainda não acreditava e agora estava com medo. Um medo que nunca havia sentido antes. Medo de morrer, medo de perder Mulder, medo de perder sua mãe, suas coisas, tantos anos de trabalho. Aquilo era muito para ela. Ao mesmo tempo que sentia tudo isso, queria encontrar todos os homens que fizeram isso e dar o troco. Nem mais nem menos. Exatamente o que fizeram com ela e com tantas outras pessoas. E foi essa vontade, mais forte do que ela própria, que a fez querer continuar na busca. -------XXX------- Já na casa de Skinner, Mulder começou a revirar tudo. Scully não estava com ele. Ela realmente tinha ficado abalada pela morte de seu chefe. Mas não Mulder. Ele já havia compreendido o poder daqueles que supostamente eram para defender seu povo. Depois de mexer em quase tudo e não encontrar nada, Mulder sentou no sofá, ergueu os braços para se espreguiçar e deitou a cabeça no encosto, foi quando viu uma pequena protuberância no teto do apartamento. Imediatamente pegou uma cadeira e uma faca para rasgar o que provavelmente era somente papel recobrindo o que quer que fosse que estivesse escondido ali. Mulder conseguiu pegar o objeto. Era um livro que de tão grosso parecia uma bíblia. Ele desceu da cadeira e se sentou no sofá novamente. Havia logo no início do livro a seguinte inscrição: "Mulder e Scully. Somente vocês terão acesso a este pequeno diário onde escrevo tudo o que acontece conosco. No entanto, se estiverem lendo-o agora, é porque estou morto. Arrependo-me profundamente de não tê-los ajudados antes, mas não podia. Era sempre monitorado a não me envolver e nem a dar muitas pistas a vocês. Peço que me desculpem. Quero que saibam também que sempre acreditei em vocês. Skinner." Ele sabia de tudo e nunca contou. Mulder sentiu resignação por aquilo. Como pôde Skinner não contar para os dois sobre tudo o que estava acontecendo? Ele poderia ter dado um jeito, arrumado alguma solução. Agora não tinha mais jeito, ele estava morto. E Mulder e Scully tinham de continuar sua busca. Tinham que descobrir o que acontecera com o Canceroso, Diana Fowley e as outras pessoas que estavam no motel atrás deles. -------XXX------- Scully estava em sua cama, olhando para o alto e pensando no rumo que sua vida tomou. Lembrou do momento em que passou junto de Mulder no motel e gostaria de ter ido até o fim. Mas aquelas malditos pessoas haviam chegado e atrapalhado todo o momento. Um momento que ela sonhou por muitos anos até tornar-se realidade. Agora não saberia como reagir quando visse Mulder. Foram à sala de Skinner juntos, mas não era hora e nem havia clima para comentar o que aconteceu. Mas e agora? Será que ele ainda queria ficar com ela? Será que ela ainda queria ficar com ele? O medo tomou conta dela. Não sabia se queria aquela situação. Era melhor ignorar tudo e nem tocar no assunto. A campainha tocou e Scully levantou de supetão de sua cama assustada. Pegou sua arma e foi caminhando silenciosamente até a porta. Olhou o olho mágico e viu que era Mulder. E agora? Pensou. "Olhe o que havia no apartamento de Skinner." Mulder entregou a ela o livro. "Mas o que é isso, Mulder?" "É uma espécie de diário que Skinner escrevia. Tudo está escrito aí." Enquanto Scully passava os olhos no livro, Mulder a observava. Ela estava vestindo calça jeans e blusa preta. Estava linda, mas com o rosto muito triste. Ele lembrava dos momentos em que passaram no motel, mas tinha medo de trazê-lo à tona e Scully ficar com raiva por ele pensar naquilo num momento como esse. Mas depois de tantos anos desejando alguém, como ele poderia esquecer que aquilo aconteceu? Quer dizer, nada efetivamente aconteceu. Eles apenas se viram nus numa situação tranqüila e não resolvendo um caso. Nesse momento ele não se conteve e sorriu lembrando de toda aquela situação. "Por que está rindo? Isso é engraçado?" "Me desculpe. Estava lembrando de umas coisas." O olhar dele deixou claro do que ele estava lembrando. Scully ficou um pouco vermelha, mas tratou de continuar a folhear o diário. Ela foi ficando com a aparência séria até que olhou para Mulder. "É falso, Mulder." "O quê?" "Está tudo muito claro. Você não acha mesmo que o Canceroso iria permitir que Skinner escrevesse um diário, acha?" Mulder estava sem palavras. Como ela poderia não acreditar? "Mas não foi pela 'claridade' que percebi que este diário não é de Skinner e que ele mentiu para nós." "O que foi então?" A voz dele era de sarcasmo. "Há aqui as datas das impressões destas folhas, você está vendo?" "Pra mim estão todas certas." "Aparentemente sim, mas se reparar melhor, verá que as folhas são muito novas para terem sido impressas há tanto tempo." "Talvez somente a data tenha ficado errada." "Talvez, mas então porque esta data de impressão se refere a uma hora e meia depois da sua morte?" "O quê?" Como ele não tinha percebido antes? Era tudo uma farsa então. Continuava sendo tudo um plano. Um plano para tirar ele e Scully da jogada. "Era tudo um plano, Scully. Queriam que acreditássemos que essa era a verdade para deixá-los em paz. Para que fizessem seus trabalhos sujos." Scully concordou com ele. Viu que sua fisionomia havia mudado. Ele estava com raiva de ter sido enganado mais uma vez. "O que faremos agora, Mulder?" "O que sempre fizemos: tentar achar a verdade! Tentar achar o artefato e o pessoal que sumiu no motel." -------XXX------- Dois meses depois, Mulder estava no hospital. As dores no ouvido e seu poder de ouvir pensamentos havia voltado de repente. A dor foi tanta que ele desmaiou nos braços de Scully. Novamente ela estava sozinha, mas já havia achado todas as peças do artefato, havia juntado todas elas, mas a cura não estava ali. Estava faltando algum detalhe que ela não percebera. Um detalhe que estava bem à sua frente, mas que ela por ser tão céptica não via. Precisava abrir sua mente para que visse a resposta. Mulder estava deitado agora. Ele estava um pouco mais calmo devido à quantidade enorme de medicação que havia tomado. Ela não sabia como ele agüentava tudo aquilo. Normalmente uma pessoa entraria em coma, mas ele não. Às vezes ficava mais agitado ainda com os remédios. Somente quando ela estava perto dele é que se acalmava. Tudo ainda estava na mesma. Durante os dois meses que se passaram nenhum dos dois havia tocado no assunto do motel. Haviam trabalhado feito loucos. Pelo que Scully pudera contar, achava que somente havia dormido seis horas por noite apenas uma vez, todas as outras foram de três a quatro horas de sono. Ela tinha agora que descobrir como usar aquele artefato, mas para isso precisa lê-lo. "É isso!" Scully falou em voz alta que chegou a acordar Mulder. "O que foi?" Ela deu um pequeno beijo em seus lábios e disse. "Acabei de descobrir sua cura, Mulder." Ele apenas sorriu e a viu saindo do quarto. -------XXX------- Quatro anos depois, Mulder estava sentado no sofá da sua sala escrevendo. "O que você está escrevendo, Mulder?" "Um diário. Mas desta vez é verdadeiro." Ambos riram e lembraram de tudo o que aconteceu. Agora Scully estava casada com ele. Ela era dele. Estavam juntos há três anos. Ainda precisou de um ano inteiro para que ela percebesse que o amava. Mas quando o fez, foi a melhor coisa que aconteceu aos dois. Agora haviam se mudado definitivamente para um outro apartamento. Era um apartamento deles e não de cada um individualmente. Os dois se amavam. Continuavam a trabalhar juntos e nos Arquivos X, afinal, apesar de toda a verdade da conspiração governamental ter sido revelada, ainda havia muitos casos inexplicáveis a serem resolvidos e não havia ninguém melhor do que os dois para esse tipo de serviço. -------XXX------- Epílogo Enquanto Mulder foi tomar banho, Scully aproveitou para dar uma olhadinha no que estava escrevendo. "Scully era a chave de tudo. Exatamente como o senhor Antony havia dito a ela. Ela precisaria descobrir o resto sozinha e foi o que ela fez. Pensou, pensou e finalmente conseguiu descobrir. Tudo o que precisava era acreditar. E foi o que ela fez. Foi o que me curou. Naquele artefato estava escrito tudo o que aconteceu e tudo o que acontecerá. Era o verdadeiro Código da Bíblia. Ali estava a chave de tudo e foi a minha Scully quem descobriu. Ela, que sempre foi tão descrente, foi a única capaz de acreditar e fazer as coisas acontecerem. Agora que está tudo mais calmo, ela está aqui comigo para sempre. Haviam colocado nela a capacidade de mudar o rumo das coisas, mas pelo fato de ser tão céptica, acharam que ela nunca iria conseguir, de alma e de coração, acreditar em toda aquela história. Bem, eles estavam terrivelmente enganados." -------XXX------- Fim de Origin 3 Adorei esta história!!! Espero que vocês também gostem!!! Escrevam-me: shipperx@gmx.net