O primeiro Natal AUTORA: Késsia Nina EMAIL: shipperx@gmx.net SITE: http://www.shipperx.com Notas: Mon, muito obrigada pela betagem super rápida!!!! Adorei!!! Esta fic foi escrita em uns 40 minutos mais ou menos do dia 12/12/2001. Faz praticamente 2 anos que eu escrevi a minha última fic de Natal. Se quiserem ler a antiga, ela se chama Últimos Minutos e está no meu site! :) SPOILERS: Esta fic foi escrita tomando como base uma idéia que eu tive há muito tempo, antes mesmo de assistir à Existence. De qualquer forma, a fic vai até Existence e tem a minha idéia que está mais ou menos batendo com o que está acontecendo na série, mas não se preocupe, não é nada demais! Sério mesmo! Bom, vamos à estória, né? Que enrolação! ;) O P R I M E I R O N A T A L A árvore estava impecável. Da mesma forma que todos os anos, ela arrumou sua árvore em primeiro de dezembro. Diziam que dava sorte, mas não acreditava nisso. No fundo, somente a arrumava nessa data porque a fazia relembrar os tempos em que celebrava os Natais em família. _ Dana, volte aqui com a estrela! _ gritava Melissa enquanto tentava alcançar a irmã. _ A mamãe falou que este ano era a minha vez. _ Você falou certo, Melissa, era! _ ela dava gargalhadas enquanto corria em direção ao seu quarto para fugir da irmã. _ Quando eu te pegar, Dana... Você vai ver só! _ Melissa então correu para a sala tentando convencer sua mãe a chamar Dana. _ Mãe, a Dana... _ Deixe-a se divertir um pouco, Melissa. Você sabe que você é quem vai colocar a estrela. Emburrada, Melissa sentou-se no sofá e observou o que sua mãe estava fazendo. Era incrível como aquela época era boa e sensível. Todos perdoavam todos, todos estavam felizes, inclusive ela. Sorriu ao prever que no futuro, quando tivesse seus filhos e seus sobrinhos, todos voltariam ao mesmo lugar que estavam hoje. Seus pensamentos foram cortados pela voz rouca de tanto gritar de Dana. _ Melissa, você está aqui? A brincadeira perdeu a graça. _ ela falou tristemente enquanto sentava-se no sofá. Melissa passou os braços pelas costas da irmã e a abraçou. Dana sorriu e retribuiu o abraço. _ Pode colocar a estrela, Dana. Eu não me importo. Tanto Dana quanto a Sra. Scully se entreolharam. Razão suficiente para que Melissa se explicasse. _ Na verdade, o que eu gosto são das nossas brincadeiras juntos nesta época do ano. Sempre sinto tanta falta do papai e no Natal estamos sempre juntos. Por isso não me importo. Sentindo-se um pouco culpada por não ter tido pensamentos tão bonitos, afinal, estava somente brincando mesmo, Dana levantou- se do sofá e segurou a mão de Melissa. _ Vamos colocar juntas. E então, finalmente, a estrela estava no alto da árvore e representava o início de uma grande amizade entre duas irmãs. Scully sentiu saudades. Muitas saudades dos tempos em que todos estavam juntos e felizes. Dos tempos em que não precisava se preocupar com nada a não ser os estudos. Hoje era outro dia. Um outro dia muito distante daqueles que ela tanto venerava. Lembrou-se então que a sua irmã, a partir daquele primeiro de dezembro, se tornou outra pessoa. Naquele instante ela se tornou extremamente espiritual e, além de católica como a família, ela também acreditava em forças um pouco mais diferentes das habituais. E, apesar da relutância da família em acreditar nela, Scully sempre a apoiou. E no final de tudo, Melissa morrera em seu lugar. Um pequeno arrepio percorreu suas costas ao se lembrar da sensação de vazio extremo ao saber da notícia da morte da irmã. Não sabia o que seria dela sem Mulder por perto, sem a ajuda de sua mãe. Do sofá ouviu o pequeno sino da árvore tocar. _ Dana, _ Melissa começou a falar calmamente e com um tom de voz bastante suave. _ você tem que acreditar nisso. Anjos fazem parte da vida de Deus. _ Eu sei, mas eu não acredito nos seus anjos. _ Quem falou que são meus anjos? _ Somente os seus tocariam um sino para que as pessoas se assustassem. _ Mas o objetivo não é assustar as pessoas. _ sua voz ficava ainda mais suave, porém firme. _ O objetivo é mostrar que pessoas que te amam estão ali presentes junto com você naquele momento. _ Eu não sei se quero sentir pessoas mortas perto de mim, Melissa. _ Claro que quer, Dana. Todos queremos. Por enquanto, você não tem noção disso ainda porque ninguém que você ama morreu, mas quando isto acontecer, vai querer sim. Eu tenho certeza. De fato, Melissa estava certa. Ao ouvir o sino tocar, pôde sentir a presença da irmã consigo e sorriu ao imaginar que talvez ela estivesse ali, vendo todos os seus passos e entendendo o motivo de tudo o que fez na vida. Desde a sua entrada no FBI, o seu envolvimento profissional e afetivo com Mulder, tudo. Lembrou-se de uma conversa que tivera com a irmã um pouco antes de ela ser assassinada. _ Você gosta dele, não gosta, Dana? _ Em uma coisa você não mudou, sempre querendo saber da minha vida amorosa! _ Eu não falei nada sobre amor, perguntei se você gosta dele. _ ela sorriu e desmentiu o que acabara de falar. _ tudo bem, eu admito, quero saber se você gosta dele como um homem ou como um colega de trabalho somente. Após uma longa pausa, seguiu-se a resposta: _ Eu não sei. Talvez eu tenha me deixado levar pela forma como ele trabalha, como ele age. Sempre com tanta paixão, com tanta seriedade. A forma como ele me trata naquele Bureau, de igual para igual. Ele sabe das minhas capacidades e acredita nelas. Eu não sei se conheci alguém que tivesse tamanha fé em mim. Alguém que depositasse a vida nas minhas mãos dessa forma. _ Seus olhos se tornavam distantes à medida que falava do parceiro. _ E também nunca conheci alguém em que eu pudesse confiar tanto e também deixar minha vida em suas mãos. Melissa nada comentou. Fitou a irmã e percebeu que palavras não cabiam naquele momento. Ela sabia da verdade e sua irmã também. Ninguém precisava falar mais nada. Sete meses haviam se passado desde que Mulder se fora e somente agora, em frente à sua árvore de Natal, ela se permitia pensar nele daquela forma. A relação que tinham era mais profunda do que ela sequer poderia imaginar e, com a separação, ela preferia deixar para pensar nele somente em ocasiões especiais. Era sua forma de se proteger da dor. E qual a melhor forma que encontrara a não ser pensando no que sua irmã a perguntara há tantos anos, antes mesmo que ela própria soubesse definir o que sentia por Mulder. Se é que poderia definir com palavras seus sentimentos. Ouviu ao longe a mensagem de que havia mensagens de e-mail em seu computador. Levantou-se lentamente e quando chegou próximo ao computador, seu coração se acelerou e um sorriso aflorou em seus lábios. Era Mulder. Era uma mensagem dele. "Scully, a vida nos trás tantas surpresas. Estava aqui pensando em vários dos nossos momentos juntos durante os oito anos que nos conhecemos e cheguei à triste conclusão que passamos somente um Natal juntos. Lembra-se? Eu lembro perfeitamente do meu plano para não ter que ficar sozinho mais uma vez numa noite que é para ser celebrada com a família. E quem melhor do que você para passar? Fiquei aqui pensando em tudo isso e tive que escrever. Você não tem idéia de como está sendo difícil ficar longe de você pela primeira vez. Sem ao menos poder te ver. Não é nada bom e tenho certeza que também não é nada bom pra você. Este seria nosso primeiro Natal como uma família normal... Esta é só uma pequena mensagem para você e para o nosso filho." Com o coração ainda querendo rasgar seu peito, ela correu para atender a porta, cuja campainha tocava insistentemente. _ Já chegou, mãe? _ Perguntou antes de sequer olhar quem estava na porta. Ao focalizar a pessoa parada em sua frente, a única reação que teve foi abraçá-lo e ela o fez. Sem dizer uma palavra, seus braços circularam seu pescoço e ela pôde sentir mais uma vez o perfume que tanto imaginava sentir ao longo dos últimos sete meses. Sem querer acabar com aquele momento, mas querendo falar alguma coisa, Scully perguntou o que ele estava fazendo ali. _ Eu vim te ver. Não recebeu minha mensagem? _ Recebi, mas ela não dizia que você estava vindo. E por que fez isso? É perigoso. _ Quer que eu volte? _ Nunca. _ Ela sorriu. Os dois então entraram no apartamento e Scully guiou Mulder em direção ao quarto do filho. _ Eu sei que você quer vê-lo. Foi tudo o que disse. Já no quarto, ambos ficaram perto do berço apreciando o bebê que dormia tranqüilamente. O silêncio no apartamento era grande, mas o amor preenchia qualquer silêncio, qualquer coisa. Finalmente seu Natal estava completo. Não sabia até quando duraria, por isso precisava aproveitar. Lembrou-se de Melissa falando para que ela aproveitasse a vida como se fosse morrer naquele mesmo dia e que fizesse tudo o que tinha vontade, dissesse tudo o que tinha vontade. De nada adiantava morrer sem dizer e mostrar àqueles que amava o quanto eles significavam para ela. Mas será que realmente precisava expressar tanto com palavras quanto com gestos seus sentimentos? Valia a pena? _ Feliz Natal, Mulder. E... Eu te amo. Como resposta recebeu um sorriso iluminado do parceiro. Um sorriso que ela nunca vira antes. Um sorriso que ela guardaria para sempre em sua memória e seu coração e que seria capaz de livrá-la de qualquer sofrimento. De fato, valia a pena se expressar, principalmente no Natal. ------- XXX --------- Bom, pessoal, é isso! Esta fic foi escrita num momento único de inspiração depois de meses e meses de abstinência de textos. A idéia poderia ter sido melhor explorada, mas preferi escrever tudo rapidamente com medo de que não conseguisse terminar depois, como todas as minhas outras fics... Ela está super melosa mesmo e o objetivo era exatamente esse. Eu ia fazer uma fic triste, mas não agüento mais ver tanta tristeza. Queria ver algo mais alegre e que nos fizesse sorrir! Espero que você tenha sorrido quando leu! :) Mais uma vez, muito obrigada à Mônica por ter betado a história e me dado força! :) E agora, aguardo feedback de todos, hein? Todo mundo estava na seca de fics, agora tem e eu quero feed!!!!!! Mandem meu salarinho e o seu sorriso para shipperx@gmx.net