Autora - Wanilda Vale Categoria - Shipper E-mail - wanshipper@yahoo.com.br Data - 17.08.2001 Sinopse - Após sofrer tormentosas horas de horror, Scully e Mulder, por fim, podem usufruir momentos de paz com seu filhinho recém-nascido. Este é o capítulo n-º 77 do Folhetim Devaneios. Se você gostou e deseja ler os posteriores e mesmo os capítulos anteriores a este, visite nosso site http://wladv.cjb.net/ O PRAZER DE UMA VINDA "Devemos procurar o prazer na felicidade e não a felicidade no prazer." R. Guillon Neste momento, dentro da casa estranha, embora agora mais ou menos limpa e arrumada pela sua dedicada colega Agente Reyes, que mesmo sem ter acesso a água encanada no interior da habitação, fôra até o poço apanhar o precioso líquido para a limpeza, Dana, com o seu corpo pesado, mente cansada, abatida, reflete sobre os acontecimentos das últimas horas. E enquanto encontra-se nesse desconfortável lugar, longe de sua casa ou de um hospital, sua mente divaga pelas lembranças do acontecido. Quanta louca correria passara com Mulder fugindo, fugindo... sempre fugindo ou então sempre perseguindo o perigo para suas vidas. A cada minuto percebe o quanto é preciosa a vida; muitas vezes até já havia deixado de aperceber-se disso. E Mulder... o seu Mulder, quanto esforço para livrá-la das garras de seus perseguidores! E até quando poderá lutar contra isso? Sempre o fazia em situações normais, por achar que aquilo era parte de seu trabalho, mas agora, com essa nova vida dentro de si, sua alma clama por paz, segurança e principalmente sossego. Até fôra bem agradável a reunião das amigas no seu "chá de bebê"; estivera feliz por algumas horas, excetuando o fato de a maldita mulher desconhecida haver mexido em seus medicamentos no armário do banheiro. Qual a maligna finalidade desse gesto? Esse fato a tornara apreensiva, como havia confessado à Maggie, sua mãe. Está refletindo neste instante no que poderia ter-lhe causado se qualquer coisa negativa ocorresse para prejudicar o nascimento de seu bebê. "O meu bebê amado...!" - pensa. Sente que uma leve dor manifesta-se em seu útero tenso e enrijecido. Sente que, aos poucos, conforme passam-se os minutos, a dor vai aumentando de intensidade. Uma dor cansada, que lhe enfraquece as pernas e lhe faz pesar o baixo ventre. E sente receio. Um receio imenso. - Mulder! – chama em voz baixa, só para si. Ela está certa de que o momento esperado durante nove meses é, enfim, chegado. - Mulder! - repete. Sente escorrer pelas pernas o líquido morno da bolsa em que se encontra seu bebê e que acabara de se romper neste instante. Imediatamente passa por sua mente a idéia de que há a necessidade premente de ser levada para um hospital. "O cordão umbilical... o bebê corre o risco de que o cordão o envolva e ele... meu Deus! Preciso ter o máximo cuidado... não posso movimentar-me bruscamente... meu Deus, preciso de ajuda! Estou sentindo que a hora é chegada. Meu bebê já está vindo! E se ele for... e se ele..." - sacode a cabeça, tentando arrancar os maus pensamentos - ... ele já está pra nascer... assim como eu, Mulder também está apreensivo, ambos sabemos... meu Deus, me socorre! Preciso ter o meu bebê sem riscos, longe da maldade, que nos persegue a mim e ao pai dele..." Cambaleante, ela apoia-se para ir até ao banheiro. Sabe que a hora é chegada. Já sente em seus pés a quentura do líquido que continua escorrendo por suas pernas. Só não sabe daqui para frente quanto tempo poderá levar até a exata hora do nascimento da criança. Seu instinto percebe a necessidade de algo mais seguro. Estar neste lugar... sem nada que a socorra... sente extrema necessidade de ser levada a um hospital. Precisa. Necessita. Mas como? Não pode! É uma fugitiva! Está lutando pelas vidas sua e de seu precioso filho! Os alienígenas... os malditos alienígenas querem pegá-lo! E Dana aflige-se. Seu corpo pena. Sua alma sofre. Seu coração estraçalha-se na dor. * * * * * Dana, arfante, aflita, não quer deixar a Agente Reyes em pânico, mas estando há já algum tempo nessa situação, tem que avisa-la de que está prestes a dar a luz. - Mulder! – exclama baixinho, olhos fechados, esgotada em suas forças, arfante – Por que não pôde estar agora comigo aqui, neste lugar estranho, longe de tudo e de todos, desconhecido... ? Mulder!! - grita agora, como se o estivesse vendo ali próximo. Dana vê o vulto da Agente Reyes aproximando-se rápida, no ambiente lúgubre, escuro, iluminado apenas pelas chamas serenas das velas acesas. - O que houve, Dana? - N... não... nada! Eu pensei ter... A Agente Reyes chega para falar bem próximo. - Nós vamos conseguir sair daqui bem com seu bebê, tenha certeza. - Eu preciso ter... mas essa louca correria, essa tensão pela qual eu e Mulder passamos nas últimas horas fugindo da maldade contra nós, está me deixando sem forças, Monica. Não aguento mais! Estou me sentindo fraca! - Não... Dana, nada disso! Você sempre foi forte, nunca deixou-se levar pelas dificuldades da vida, como já me contou, então não há porque temer! - Eu e o Mulder estamos sendo muito castigados, Monica! - exclama chorando, com as mãos sobre o rosto. - Eu sei... eu sei. - E agora estou aqui nessa situação, neste lugar, sabendo que ele também está em perigo! A Agente Reyes baixa os olhos, pensativa. Como poderia negar à colega esse fato, se a sua própria vida também estava correndo risco? Sente-se até um pouco infeliz por nada poder fazer, a não ser contar com a sorte. - Monica! - chama arfante. - Sim, Dana. - Estou sentindo que já está na hora.... estou sentindo... as contrações. * * * * * Frohike, Langly e Byers, os fiéis amigos, contemplam embevecidos a obra primorosa da natureza nos braços de Dana. A criancinha emite como um pequeno gemido um leve chôro. - Scully... ele está... - começa Frohike. - ... querendo ir... – interrompe Langly. - ... pro berço? - conclui Byers. Dana sorri meigamente, afagando o rostinho do seu bebê. - É claro que não, rapazes! Um bebezinho só deseja mesmo é estar nos braços quentes da mãe. Byers adianta-se: - É verdade, Scully... eu já até quase me havia esquecido do tempo em que... – pára, repentinamente, ao relembrar seu passado e a família que já possuira tempos atrás. Dana fita-o, percebendo o drama que envolve os pensamentos do fiel amigo neste instante. - Bem... bem, Scully, precisamos ir agora... e Scully, nós... - recomeça Frohike. - ... nós estamos... - interrompe Langly, agitando sua vasta cabeleira loura. - ... muito felizes por você. - conclui Byers, circunspecto. Ela agradece com um meneio e um leve e amável sorriso. Os três homens deixam o quarto, levando em seus rostos a felicidade pela vinda do bebê que havia chegado para encher de prazer o coração de todos. O filho que Dana Scully tanto havia desejado. Dana olha o filhinho em seus braços. Pega-lhe as diminutas mãozinhas perfeitas, os pezinhos aquecidos dentro dos sapatinhos de lã. Afaga-lhe a cabecinha quase desprovida de fios de cabelo. Tão pequenino ser! Tão frágil! O seu filhinho amado. Carne de sua carne. Sangue do seu sangue. Aguarda ansiosa a chegada de Mulder para vê-lo. O pai de seu bebê! O seu amado! O prazer que a vinda desse filho lhe trouxera é tão forte, que, embora Dana esteja lutando contra o cansaço, o desânimo, o mal-estar provocado pelo parto atribulado e cheio de riscos que sofrera, seu desejo é de propagar aos quatro ventos sua felicidade. A felicidade pelo prazer de uma vinda aguardada com ansiedade e muito amor. Sente-se ditosa, feliz, neste momento, apesar da tribulação pela qual tivera que passar nos momentos do nascimento de seu filho e que havia forçado Mulder a separar-se dela e da criança prestes a nascer. "Por que temos que sempre sofrer perseguições? Seriamos mais felizes se pudéssemos ser pessoas comuns..." – pensa com tristeza. Um profundo suspiro de alívio sai de dentro de seu peito. Havia ido embora o medo, o desespero pela tensão pela qual passara. Tudo está bem. Ela e o bebê. Após tanto sofrimento ela pode, então, desfrutar momentos de paz e segurança. Mulder entra no quarto. Os olhos azuis de Dana parecem faiscantes de puro encantamento e amor. Ali está, diante de si, o homem responsável por essa pequena vida que acaba de vir conhecer o mundo. Esse mundo difícil, frio, atormentado e cruel. Mas a sua criança está ali e seus pais cheios de regozijo por sua presença. Neste momento vendo Mulder, parece a Dana sentir estar entrando junto com ele, de braços dados, a felicidade e a paz com que Deus os havia presenteado. - Mulder! - ela murmura em êxtase. E seu reencontro foi de murmúrios e olhares de ternura, sentindo todo o amor que emana de seus apaixonados corações. Dana coloca nos braços jeitosos de Mulder, o seu filhinho. O ambiente leve, acolhedor e amoroso os faz sentirem-se extasiados pela paixão. Trocam frases cheias de ternura. Mulder procura os lábios de Dana e em sua boca coloca o que os seus próprios lábios não precisam pronunciar. Beijam-se ternamente. Suas bocas unidas, sentindo o recíproco gosto, a tontura do desejo, o prazer da ternura, o calor das carnes, a felicidade de estarem ali juntos, desfrutando de toda e plena ventura do seu sofrido amor. Mulder, com a criancinha nos braços, continua sentindo a quentura dos dois corpos junto ao seu: a do seu filho, pequenino ser amado, recém- chegado aos seus braços e ao seu amor de pai e o de sua mulher, a forte e determinada Scully, agora assim tão frágil e pequena, mas na qual havia sido gerado um ser vivente. Que crescerá e ficará forte, determinado, céptico, honesto, puro e fiel como sua mãe ou então herdará do seu pai a credulidade às coisas mais intrigantes deste mundo, sendo impetuoso, porem sensível. - Scully... é tão lindo ele...! - ele continua com o bebê em seus braços. - Não é maravilhoso estarmos com o fruto do nosso amor aqui nos nossos braços? - Sem dúvida, lindinha! – olha a fisionomia pequenina e perfeita do seu filhinho. Dana envolve-o com os dois braços com mais calor. - Ai que felicidade sentir vocês dois assim... juntinho de mim... sabe Mulder...? - O que? - Eu queria que esse momento mágico não terminasse nunca! Ele sorri. Procura os lábios dela mais uma vez. Sorvem-se. Degustam-se. Prazerosos. É muita felicidade. Nem acreditam. O bebê faz um trejeito, movendo as pernas e braços, inquieto. Enquanto choraminga baixinho. Desprendem os lábios. - O que ele tem, Scully? - Uma coisa importante para os bebês. - O que? - Fome, Mulder. Mulder coloca a criancinha nos braços de Dana. - Toma ele. Mas deixa o resto comigo. - O resto...? - Sim... deixa. Mulder abre o decote do robe de Dana, fazendo aparecer o seio farto dela. Ela acompanha ternamente os gestos do jeitoso pai. - Pronto. Sirva-se, filhinho. - diz ele, encostando o rostinho da criança ao seio dela. Dana sorri meigamente: - Ah, Mulder, você nem parece um pai! Tem que ajudar o bebê assim! – toma o bico do seio e o coloca na diminuta boca de seu filho. - É... realmente sou um marinheiro de primeira viagem... E enquanto o seu filhinho alimenta-se com apetite, Mulder desliza, levemente, os dedos na cabecinha dele. Aperta Dana contra si. Sente-se feliz. Os dois são um pedaço de sua própria vida. Apertada entre os braços mornos de Mulder, Dana sente-se no céu. Aspira com prazer o perfume da loção de barba no queixo que ela adora dar pequenas mordidas, com paixão. Permanecem quietos, apenas sentindo-se, carne contra carne, sabendo que nem as dificuldades e os perigos passados há horas atrás, haviam conseguido tira-los dos seus sonhadores pensamentos. - Obrigado, Scully. – ele fala, repentinamente. - De que, Mulder? - Por ter-me dado esse filho, Scully. Eu te adoro. E a ele também Adoro vocês! Olhe, Scully, a verdade sobre como aconteceu em você poder conceber essa criança, nós não sabemos, mas a verdade sobre como nós quisemos nosso filho e nós o fizemos, somente nós dois conhecemos, como eu já lhe disse, e como foi sempre nosso desejo, para completar nossa felicidade. E pode o mundo acabar, pode até algo nos separar, nunca, no entanto, estaremos definitivamente desunidos, pois mesmo que nossos corpos se separem, nossos espíritos estarão juntos para sempre. Dana enche seu coração de regozijo pelas palavras de Mulder. Ele sussurra-lhe nos ouvidos. - Vocês são as coisas mais especiais que tenho na vida! - Coisas...? - ela sussurra, zombeteira. - Sim, minha coisa lindinha e amada...! Corre-lhe com os lábios por sobre a testa, deslizando até o queixo de Dana, ardoroso. - Nunca duvide das minhas palavras de amor, Dana! - replica, com semblante sério. - É mesmo somente num dia especial como este pra me chamar por meu nome! - ela admira-se. - Espera... - mete a mão no bolso do casaco, dele retirando um objeto embrulhado. - Um presente? - Abre. - Espera... ahn... Mulder... - senta-se na beira da cama, ajeitando-se - ... parece um...um CD! - exclama, admirada. - É. Gostou? Ela tenta ler o nome na capa: - Não consigo é ler este idioma, Mulder! Português? - Sim. Um amigo o trouxe do Brasil. Ela novamente tenta soletrar o título do CD. - Pro Nenê Naná - Canções de Ninar. - O que significa? Só sei que é algo infantil. - Exatamente, Scully. - senta-se ao seu lado - É uma seleção de canções para ninar os bebês. - Aaaah, Mulder! Que lindinho! - Não, Scully. Você é que é lindinha! - beija-a nos lábios, suavemente - Gostou da capinha do CD? Ela a examina com atenção. Uma pequenina janela, em cujo vidro aparece uma estrelinha amarela, é o que simboliza ser o quarto de um ursinho bebê estilizado, dormindo pacificamente em sua confortável caminha. - Pra você não ter que assustar o bebê com a sua desafinada voz, foi que lhe trouxe este CD. É só colocar e deixar o nosso filhinho ouvir. - Obrigada pelo elogio...! - Não é um elogio! Eu procuro sempre usar a sinceridade! - Muldeeer!! - ela reclama em alta voz e aperta-se nos braços dele, o que faz com que seu filhinho tremule os pequenos punhos fechados, incomodado - Mulder...? - O que é? - diz, falando com a boca entre os cabelos ruivos dela. - Por que temos que sempre passar por tão terríveis sofrimentos? - Pra podermos ver que após a tempestade sempre vem a bonança... e Scully...? - O que? - A ajuda da Agente Reyes foi importante, não? Os olhares trocados falam toda a paixão que existe nos seus corações. - É lógico que foi! Ajuda preciosa! E Mulder... - ... sim? - ... foi a mão de Deus a me proteger naquele lugar sem nenhum amparo, escuro, sem conforto, sem nenhum auxílio da medicina... eu... eu... não quero mais nem pensar nisso...a dor pela vida do meu filho... a perseguição terrível que sofremos... tudo me deixou horrivelmente angustiada e sofrida. Quero tirar isso tudo do meu pensamento... não quero mais pensar...! - E não deve! Agora você está aqui, sã e salva e feliz com seu filho. - Mulder... eu tenho a certeza de que... de que Deus procura nos mostrar sempre que, apesar de tormentos e amarguras, nunca estamos sozinhos... a mão Dele está sempre a nos proteger, mesmo que estejamos até caídos num abismo de problemas... "Deus fez abismos para que o homem compreendesse as montanhas."