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One
1)
Diga-me algo sobre voce.
Legal a pergunta. Aproveito para esclarecer que não sou o One do fórum do site do
Márcio. Sou a One. Sou mulher.
Não gosto muito de falar sobre mim mesma. Não sou uma pessoa normal, tenho hábitos
estranhos e por gostar da solidão já perdi vários amigos. Elas se afastam de mim,
porque não gosto de locais públicos, de festas e de sair de casa. Minha profissão já
exige isso. Sou formada em relações públicas e ainda estou batalhando algum
trampo,
aqui no RS está difícil para a profissão. Moro em Canoas, cidade industrial que fica ao
lado de POA.
Tenho 28 anos, sou capricorniana (31/12) com ascendente em gêmeos. Gosto de rock, de ler,
de filosofia, de misticismo, de estudar ficção científica e ufologia. Pretendo fazer um
mestrado para lecionar na universidade. Meu maior sonho é trabalhar nos bastidores da
televisão, produção, pesquisa, roteiro, sei lá. Mas longe das câmeras!!!
Moro no sótão da casa, sou solteira, troco o dia pela noite, tóco violão, gosto de
filmes de ação e terror, odeio injustiça, não tenho partido político, religião, nem
time de futebol. Todos eles me traíram!!! É tudo o que posso dizer. O Fumacinha pode
estar na rede...
2) você sempre escreveu fanfic/outro tipo de historia ou Arquivo X inspirou você a
comecar a escrever?
Pra dizer a verdade, escrevo desde os 13 anos de idade. Eu matava a aula para escrever.
Escrevi 5 novelas, crônicas, roteiros de mini-séries, letras de músicas e um livro
inacabado sobre ficção científica, derivado do meu trabalho de conclusão da faculdade.
Me lembro de ter escrito um episódio do saudoso McGyver e da Gata e o Rato, há uns 12
anos atrás. Agora sei que aquilo se chamava fic. Na época, não sabia.
3) Quando você nao esta escrevendo fanfic ou assistindo a Arquivo X, o que você
gosta de fazer?
Dormir. Adoro dormir. Ou subir no telhado e ver as estrelas. Ou ver as estrelas dormir no
telhado. Ou ver filmes e comer pipoca.
4) Como você começou a escrever fanfic? E por quê?
Estava no último ano da faculdade quando conheci a Weird Girl. Então, não me lembro
bem... Mas parece que ela viu a Sci-fi News sobre minha classe e havia algo sobre A.X. Ela
veio conversar, porque eu não dava assunto, eu tinha medo de fazer amizades. Mas
começamos a nos entender. Um dia ela chegou pra mim e disse: você tem que escrever uma
fic. O que é isso? Aí ela me explicou. Prometi, embromei por meses... Eu estava cansada
de escrever e não ter meu trabalho reconhecido. Ainda por cima desisti de uma faculdade
de jornalismo, que eu amava, porque meu professor disse que eu não sabia escrever, que eu
não poderia ser jornalista. Eu acreditei! Fiquei por anos frustrada e joguei as novelas e
crônicas na gaveta. O resto no lixo. Montei uma banda de rock com meus amigos e canalizei
minha raiva naquilo. Não deu certo, minha banda me traiu, roubaram minhas letras e
continuaram tocando. Mas a Weird, me devolveu a fé no meu trabalho, a vontade de escrever
e até me devolveu a fé nas pessoas. Me encheu tanto que fiz uma fic. Aí gostei e fiz a
segunda. Daí, não deu mais pra parar. Então, ela criou uma página pra mim. Minha
amiga. Amiga é pouco pra designar essa alma maravilhosa que me devolveu a vida. Porque
ela sabe que meu sonho sempre foi escrever. E ela conseguiu me puxar do fundo do poço.
5) Como você classifica o seu trabalho?
Ah, eu não classifico. As pessoas que lêem minhas fics são quem deve classificá-las.
Eu sou muito crítica comigo mesmo e releio cada fic mais de 5 vezes. E quando não gosto,
não gosto mesmo. Tenho mania de perfeição. Se já com essa mania as coisas às vezes
não dão certo...
6) Diga-me alguma coisa a respeito da primeira fanfic de AX que você escreveu?
Eu estava assistindo um filme chamado 'O Barbeiro de Londres'. Era sobre canibalismo.
Então parti daí, achei o assunto interessante. Canibalismo é uma coisa que assusta. Mas
quando leio meu primeiro fic, acho que faltou muita coisa.
7) Qual foi a primeira fanfic que você leu?
Refúgio de Sedução, da Weird Girl, que há quase dois anos, ainda continua inacabada.
(Quero ler o final!!!) Li algumas fics da Weird, da Késsia, da Tissa e da
Fabi, da
Cláudia Model, da Erika Scully em parceria coma Sabryna ... Não me lembro, mas li
muitas.
8) De onde você tira suas idéias?
De qualquer coisa. Sempre fui fascinada pela paranormalidade. Até dos sonhos que tenho e
de algumas coisas estranhas que acontecem. Quando você gosta e procura alguma coisa,
você encontra. E nem sempre está preparada para o que vai ver.
Mas a regra básica é: entre na cabeça do personagem. Viva-o e respire-o. Sinta o que
ele sente. É meio assustador no início, você fica perturbado, mas funciona.
9) você começa com uma única idéia e aumenta a partir daí ou você já sabe de
toda a história antes de começar?
Agora você me pegou. Não tem regra. Algumas vezes pinta a idéia e o resto é
conseqüência. Outras vezes, o fic sai pronto da cabeça. Às vezes imagino uma cena e
dali faço um fic inteiro. Não existem regras para imaginar, para criar.
10) você tem algum tipo de ritual para escrever as histórias?
Ritual... Bem, eu desenho um pentagrama no chão, acendo 7 velas e mato uma galinha...
Não, pra dizer a verdade eu pego algo pra beber, cigarros, dicionários, material de
pesquisa, enciclopédia, inseticida (se os mosquitos perturbarem), uma pilha de cd's,
aspirinas (estou com um problema sério na musculatura dos olhos que me causa dor de
cabeça)...
11) Descreva fisicamente o ambiente e o que você usa para escrever.
Bem eu uso uma coisa pra escrever chamada 486 DX4 -100MHz, 8mb de memória, ' uma
manivela' e um livro de exorcismo! Com sorte, ele não empaca. Por isso não posso entrar
na rede ainda. Minha escrivaninha parece mais um depósito de lixo. Você encontra toda a
sorte de coisas, como os presentes de pelúcia da Weird: raposinha e abelhinha. Moro no
sótão. Era o depósito da mercearia dos meus pais, mas depois eu tomei conta. Quero meu
espaço! Tenho posters de Arquivo X nas paredes, alguns murais com matérias interessantes
sobre misticismo e ufologia. Um mural com o Bryan Adams (I love this man!) , o
Freakazóide, Antônio Banderas, Bruce Willis, George
O'Clooney... O planeta Terra
pendurado sobre minha cabeça ao lado de miniaturas de discos voadores... Um teto de
isopor, que a Weird e o Dark X furaram jogando lápis. Eles pensam que meu sótão é o
porão do FBI! E que meu sofá é o sofá do Mulder. Chegam aqui e se instalam. Ficam
mexendo nos meus Ets, na minha caveira de estimação (o Freud, que usa um boné do FBI) e
comendo sementes de girassol, atirando as cascas um nos outros. Nos reunimos sempre para
ver episódios antigos e fazer bagunça. Na verdade é uma peça sem divisórias, onde
serve de escritório, sala e quarto. Só a cozinha e banheiro eu construí depois,
divididos. Gosto de coisas simples e não tenho nada de luxo por aqui. Quem quiser um
lugar pra ficar quando vier ao Sul, seja bem vindo.
12) Como você age quando dá aquela travada na hora de escrever?
Sinceramente, vou dormir. Fecho os olhos e até pegar no sono, já tive idéias. Às vezes
sonho com fics. Tenho experiências estranhas com essa coisa de dormir. Sou
espiritualista. E já tive muitas idéias em outro plano astral, conversando com pessoas
que não conheço. Até tem um fic, que ainda não escrevi, muito estranho mesmo. Num
sonho, eu estava ali presente, acompanhando tudo, onde Mulder e Scully investigavam um
caso num hotel fantasma.
13) Quão importante é o feedback pra você?
Tudo. As pessoas que escrevem, mesmo que seja para criticar, me dão a sensação de que
mexi com algo nelas. Isso é bom, você sabe que provoca alguma reação. Pelo menos sabe
que não está morto. Isso te dá forças, é o incentivo. Se não fossem por elas, eu
não estaria aqui falando com você hoje. Não haveria porque escrever. Eu sempre penso
que escrever é uma terapia que serve para os dois lados: para o leitor, é um momento de
descontração, de fuga, de ler coisas que gostaria de ver na série. Para o escritor, é
uma necessidade de dar isso ao leitor, de instigá-lo. É uma terapia anti-depressiva
também.
14) Diga-me seus escritores favoritos de fanfic e também algumas histórias que
goste.
Puxa, isso é difícil. Não tenho escritores preferidos. Mas confesso, achei muito legal
a fic "La Raposita, I e II" do Ramiro. Puxa, eu ri à beça. E uma fic que foi
escrita em pedaços pelo pessoal da brfiles, lista que a Weird frequenta na Internet. Tem
uma parte, a do Vlad, onde o Barry White é alienígena. Gente, eu tive um ataque. A
imagem do Barry White ficou na minha cabeça e fiquei por dias rindo disso. Uma fic que eu
fiquei fascinada foi a da Erika Scully e da Sabryna. Puxa, eu invejei aquilo. Queria ter o
dom da Sabryna! O modo como descreveu o erotismo entre Mulder e Scully foi... sublime.
Completamente sublime. Mas tenho uma pilha de fics aqui pra ler. Espero ler todas.
15) Dentre seu trabalho, qual sua história preferida?
Isso é sacanagem! Você está mandando a mãe escolher um dos filhos!
... Sei lá. Eu brinco tanto entre drama e comédia, que fica difícil escolher uma...
Não sei, não sei mesmo.
16) Qual é o maior problema que você encontra para escrever?
Minha mãe, "Teena 2: a revanche". Quando ela chega do trabalho, fica me
pentelhando com coisas fúteis, eu acabo me estressando. Até voltar ao mundo fictício,
leva tempo. E as quartas-feiras à noite também são um problema. Não há expediente
nesse dia. Por que será?
17) O que você mais ganhou nesses anos (ou meses) de convivência com outros eXcers e
escritores de fanfic?
Amigos. E eu que me achava estranha... tem mais maluco por aí do que eu pensava. Isso é
bom. Muito bom mesmo. Se o mundo estivesse nas mãos dos loucos, a coisa andava.
18) Sua família sabe das suas fanfics? O que ela pensa a respeito?
Ah, Késsia, essa foi fundo. Família. Existe isso? Bom, minha mãe até se mostra
entusiasmada, porque com isso eu não fico depressiva. Minha irmã odeia Arquivo X, porque
acha o 'tema de abertura assustador'. Meu irmão nem sabe o que é isso. Meu pai, que
prefiro denominar como 'doador de esperma', está bem longe e nem sabe da minha vida.
Graças à Deus!
19) você tem algum conselho em especial para novos escritores de fanfic?
Acreditem em si mesmos e nunca dêem ouvidos às pessoas! As pessoas podem ser invejosas!
Em frente, acreditem em si. Cada pessoa é única neste imenso universo, e todas, até as
más, sempre tem algo pra dizer e que fará diferença. Falem! Escrevam! Sintam!
Rebelem-se! Porque a cultura faz pensar, faz estudar, faz entender. O mundo precisa de
pessoas que se importem! Por isso faz questão de oprimir o pensamento! Einstein foi
considerado burro demais pra ir à escola, então não preciso dizer mais nada!
20) Há alguma frase ou momento especial em alguma fic que você deseja compartilhar
conosco?
Não há frases, mas um momento: quando mostrei uma Scully menos comportadinha. Ainda leio
críticas sobre isso, muitos não entenderam, outros se chocaram. O Mulder era o tarado
ali! Tá, e daí? Ela não pode ser tarada também? Ela tem direitos! Ela é fantástica!
Aposto que quem critica são as mesmas pessoas que gostariam de fazer coisas piores com o
Duchovny! Mas cão que ladra não morde e as aparências enganam. Eu gosto de mostrar essa
Scully entre quatro paredes, uma Scully irracional e completamente apaixonada. Penso que
ela é isso, há evidências disso. Ela é uma romântica, livre, uma mulher que não tem
rodeios. Torna o relacionamento deles divertido.
21) Algum autor em especial influenciou seu modo de escrever? Ou o inspirou de alguma
forma?
Eu sou um vampiro, sugo todas as influências que posso. Poderia te dizer que fui
influenciada desde Sílvio de Abreu à Luís Fernando Veríssimo.
22) Quanto tempo, em média, você leva para escrever uma fic?
Varia muito. Duas madrugadas... Mitológicos, pelo amor de Deus, é quase uma semana!!! Me
desgastam muito, mas eu sou masoquista mesmo!
23) Qual é o seu personagem preferido? Por quê?
De novo, Késsia? Acho que nem preciso dizer com quem me identifico nessa série. Aliás,
pra dizer a verdade, eu comecei a gostar da série porque via ali o meu retrato... Pra bom
entendedor, meia frase basta.
24) Se você pudesse mudar alguma coisa em Arquivo X, o que seria?
Ahá! Adivinha? Se eu pudesse mudar algo em Arquivo X, se eu tivesse escrito a série,
Mulder e Scully já teriam netos!
25) Como você define o relacionamento de Mulder e Scully?
Complexo. Temos dois amigos, que sentem alguma coisa a mais. Mas e o medo de que isso
possa afetar a amizade? E o medo de perder um ao outro?
Mulder, é uma
pessoa perturbada. Carrega culpas imaginárias. Uma criança crescida, alguém que nunca
teve alguém que se importasse com ele. É um problema sério. Já Scully, tem uma vida
normal, raízes familiares profundas. Ela sabe se defender, ela tem força. Temos
novamente aí a oposição entre eles. Mulder é yin. Scully é yang. Acredito que eles se
completam e que estão construindo algo muito sólido, aos poucos, passo a passo. Não
acredito que se algum dia revelassem seus sentimentos, tudo aconteceria de uma vez. Não,
seria perturbador, aconteceria aos poucos. Novas descobertas. Porque até agora eles se
conhecem como amigos. Mas não sabem como cada um deles é na intimidade. Acho que Mulder
não é o que parece. A Scully sim é mais determinada pra tudo, até pra questões mais
íntimas (lembra do episódio Nunca Mais?). Mulder tem medo de se entregar, gente! Scully
não. Scully é ousada! Mulder se esconde atrás da pose de galã, de um tarado, mas ele
é tímido! Scully se esconde atrás de uma falsa puritana. Está nas entrelinhas.
Acho que é um amor
verdadeiro, na mais pura das concepções. Porque amor implica confiança e isso eles já
têm. Quando você cria alguma coisa, os personagens vão criando vida! Talvez eles já
pré-existam! Você é um mero médium entre o mundo real e a ficção. Quando se pega,
percebe que não é você quem está falando aquelas coisas no roteiro e nem agindo
daquele jeito. São os personagens! E num determinado momento, eles assumem o controle da
situação. Retardar o envolvimento deles é atrasar o inevitável. Agora, penso que o
Carter não tem nada a ver se eles quiserem ir pra cama. Perdeu sua autonomia. Quem manda
ali são seus personagens.
Parem e pensem: Se você encontra alguém que confia em você, se importa com você, te
salva, está ali quando precisa, você passa a considerar a pessoa. Considerando, torna-se
amigo. E aquilo vai ficando cada vez mais forte, porque a cada dia você tem a certeza de
que a pessoa está ali, mostrando que suas atitudes com você são verdadeiras. Qual é o
sonho que se tem a respeito da pessoa amada? O que se espera dela? Não buscamos alguém
que se preocupe, que se importe, em quem se confie? Qual é o instinto entre um homem e
uma mulher nessas condições, que se vêem um nos olhos do outro? Até invejo aqueles
dois! Ah, Carter, me desculpe, mas você está mentindo pra si mesmo.
Eu sou shipper. Quando
vi a série pela primeira vez, em fita de vídeo, assisti Anasazi, que não é nada
shipper. Mas eu achei que eles tinham alguma coisa. E achei que aquele filme ali era
estranho, deveria ser uma série. Daí descobri outras fitas. E continuei achando que os
dois tinham algo. Procurava isso em cada cena. Eles eram tão engraçadinhos pra não ter
nada. Um casal bonito. Então, descobri onde poderia achar a série. Assinei a Net por
isso. Percebi que a série não tinha nada explícito entre eles, mas eu continuei achando
que tinha. Até que descobri que eles não tinham envolvimento amoroso na série. Fiquei
chocada! Mas eu continuava achando que eles tinham. Até tinha vergonha de comentar isso
com outras pessoas que curtiam a série. Mas um dia, a Weird me disse que haviam pessoas
que defendiam essa tese. Então não era só eu que via coisas ali. Que alívio! Então,
sou shipper desde o início. Se a coisa não descambar pra esse lado, terei tido a maior
frustração da vida!
Eles se amam profundamente, se respeitam e confiam plenamente um nooutro. E eles sabem o
que o outro sente também, a culpa de não se declararem é do titio Chris Carter.
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