O MILAGRE Autora: Nanda Starbuck e-mail:nandinha007@globo.com Disclaimer: Fox Mulder e Dana Scully pertencem a Chris Carter, 1013 Productions e Fox Network Spoiler: Per Manum Nota da autora: Gente, eu amei Per Manum. Mesmo que não tivesse o desafio, eu escreveria uma fic. Tudo que está aqui é o que eu realmente queria que tivesse acontecido. Para isso servem as fics, né? O MILAGRE Fox Mulder estava cochilando no sofá do apartamento de Scully, esperando a parceira voltar. Não estava necessariamente sonhando, mas a esperança de que a inseminação artifial desse certo estava habitando até o seu incosciente. Ele realmente queria que aquilo desse certo. Ver o sonho da parceira realizado era tudo que ele mais queria. Scully poder gerar uma criança, um bebê que a chamasse de "Mãe" e que ele, discretamente, queria que o chamasse de "pai", dava forma aos sentimentos que há muito nutria por aquela bela ruiva. Scully abriu a porta, entrou em seu apartamento e não se surpreendeu em encontrar Mulder lá. Estava muito abalada e a prensença dele ali era crucial para que ela se restabelecesse. Seu semblante já indicava o que havia acontecido e Mulder presumiu o que ocorrerra. "Não fertilizou, né?" perguntou já sabendo a resposta. "Acho que era esperar muito, Mulder." disse Scully já permitindo que as lágrimas rolassem da face alva e destacassem mais o profundo azul de seus olhos. Mulder abraçou Scully, num ato de compaixão, amor e conforto. Sabia que a batalha interna que Scully estava enfrentando era terrível e avassaladora. Por mais que imaginasse o sofrimento da parceira, não podia entender o que significava para uma mulher não poder ter filhos. Mesmo assim queria confortá-la, diminuir um pouco a sua dor e demonstrar, mesmo que por alguns minutos, todo o amor que sentia por ela. O abraço foi calmo, mas reconfortante. Fez Scully sentir mais protegida e pode finalmente render-se as emoções. "Era minha última chance." disse entre lágrimas que corriam livremente de seus olhos. Eles se afastaram e Mulder a beijou carinhosamente na testa. Scully sentiu-se mais calma e teve a certeza que Mulder estava sofrendo junto com ela. "Nunca desista de um milagre." foram as palavras dele. A proximidade entre os dois era tremenda e, por um instante, Scully pensou em render-se. Seus lábios tão próximos aos dele, suas respirações quentes se encontrando e o momento era extremamente vulnerável para ambos. Se aproximaram e Scully não teve coragem. Desviou rapidamente o rosto e beijou timidamente a bochecha de Mulder. Estreitaram outro abraço e permaneceram assim, juntos, tentando esquecer a realidade. Após essas lembranças, Scully tocou sua barriga, que aos poucos começava a despontar. Sozinha naquele quarto de hospital, estava também só com seus pensamentos. Aquelas lembranças, Mulder, o bebê, tudo isso estava fazendo-a reviver cada momento com a mesma intensidade. Com a mão em seu ventre, pode sentir que uma vida crescia dentro dela, milagrosamente. As palavras de Mulder ficaram gravadas em sua mente e agora tomavam forma. Sua gravidez era um milagre. O milagre que ela tanto relutou em acreditar. Isso erá utópico demais para Dana Scully, a cética Dr. Scully, absolutamente ciente das suas condições e da inviabilidade de ter um filho. Mesmo que quissesse, acreditar em um milagre era se agarrar a falsas esperanças e ter uma decepção muito maior no futuro. Não queria isso para ela e nem para Mulder. Continou sozinha, absorta em seus pensamentos. Os acontecimentos daquele dia começaram a voltar em sua cabeça. Ela fechou os olhos e se entregou as lembranças. Ainda chorava quando se separaram. Mulder olhou profundamente em seus olhos e ela se sentiu confortada. Talvez não desistisse do milagre, mesmo que não acreditasse, não desistiria de nada se Mulder estivesse ao seu lado. O amor que sentia por ele a preenchia, mesmo que não demonstrassem, sabia que a força do amor entre eles era recíproca. Tantas e tantas vezes e eles estiveram a ponto de declarar. Então, por que não haviam o feito? "Eu não quero que você sofra mais, Scully." ele disse enquanto se afastavam do aconchegante abraço. "Eu já esperava por isso, Mulder. Sonhei alto demais, voei para longe da realidade. Talvez tenha sido melhor assim. Melhor para mim, para a criança que eu colocaria no mundo e... para você" "Não, Scully. Eu queria ser o pai dessa criança. Eu queria poder ver você tão perfeita no papel de mãe. Queria que fossemos felizes para sempre. Queria não, Scully! Ainda quero." Após ouvir essas palavras, Scully sentiu seu corpo estremecer. Não podia ser verdade, era bom demais para ser real. Ele, tão lindo e gentil, Mulder, confirmando o que ela já tinha praticamente certeza. Ele a amava tanto quanto ela o amava. "Tem certeza que ainda quer, Mulder?" perguntou Scully com lágrimas teimando a cair dos expressivos olhos azuis. "Tenho, Scully. Tenho mais certeza do que tive em toda minha vida. Mais certeza do que minha determinação na jornada em busca de verdade. Eu quero viver isso com você. Nesses 7 anos eu... eu queria... quer dizer... Eu te amo!" Ao ouvir isso, o coração de Scully e começou a bater descompassadamente. Ela não teve reação, não foi preciso. Mulder alisou seu rosto com os polegares, como já havia feito a alguns anos, e lentamente foi se aproximando. Seus lábios se tocaram calmamente, num beijo quase fraternal. Por um instante, Scully ficou absolutamente inerte e Mulder se afastou. Ele olhou demoradamente para ela, esperando qualquer reação. O olhar se prolongou por mais algum tempo até que ela se recuperasse do choque e dissesse aquilo que Mulder mais queria ouvir. "Eu te amo, Mulder" disse simplesmente. Se aproximaram novamente e desta vez trocaram um longo e apaixonado beijo. A exploração de suas bocas era feita minunciosamente, como se estivessem querendo recuperar todo o tempo perdido. As carícias aconteceram naturalmente, como se seus corpos já se conhecessem e soubessem exatamente o que fazer. O jogo de sedução foi iniciado e provavelmente não teria fim. Mesmo no estado de convalescência em que se encontrava, Scully abriu os olhos e um pequeno sorrisso de satisfação soltou-se do seu lábio. Olhou em volta, para os aparelhos, o quarto ainda vazio, o hospital ainda em silêncio, e fechou novamente os olhos. Mulder acordou suavemente e alisou os cabelos ruivos que repousavam sobre seu peito. Scully despertou e não tinha mais a aparência sofrida da noite anterior. Ainda estava triste com o fato de não poder ser mãe, mas a felicidade que tivera em consumar o seu amor por Mulder era maior do que sua dor. Ele olhou carinhosamente e lhe deu um suave beijo na testa. Scully recostou novamente sua cabeça sobre o peito de Mulder e fechou os olhos. Veio-lhe a mente a frase que ele dissera e que tanto a perturbava. Pensou se realmente um milagre não poderia acontecer, devido a força do amor que os unia. Voltou novamente a realidade e viu que um milagre não aconteceria. Não se ela não estivesse determinada a alcança- lo. Virou-se novamente para o parceiro, agora muito mais do que isso, e filtou-lhe os olhos verdes. "Eu não vou desistir, Mulder. Não enquanto você estiver ao meu lado." "Eu sempre estarei ao seu lado. Mesmo quando eu não estiver mais aqui, vou estar no seu pensamento e no seu coração. Estarei ao seu lado de todas as formas, para sempre, aconteça o que acontecer." "Eu te amo, Mulder. Cada vez mais, incodicionalmente, para sempre, aconteça o que acontecer." "Eu te amo, Scully. Cada vez mais, incondicionalmente, para sempre, aconteça o que acontecer." Após trocada a jura de amor eterno, outro beijo aconteceu. As carícias recomeçaram e novamente a chama do amor se acendeu. Quente, sensual, apaixonada, selvagem. Scully sentiu leve. As lembranças alegraram-na um pouco, apesar de saber que Mulder não estava mais junto dela. Ou melhor, estava. Através do milagre que ele havia profeciado e que realmente acontecera. Tocou novamente na barriga e ficou a acariciá-la, lembrando-se de Mulder. Ele estava ali com ela, no seu pensamento, no seu coração e... no seu ventre. Ela estava carregando uma parte dele, a parte que representava o fruto do amor que sentiam. Representava o milagre. O milagre do amor. FIM