Fan Fiction Autora: Virgínia (xvivifiles) E-½: vfmota@uol.com.br Disclaimer: Eles não são meus... que pena... Categoria: Shipper Sinopse: Misteriosos assassinatos levam a tona um grande segredo de Scully Obs: Essa é minha primeira Fic, então, espero que gostem e mandem feedbacks -----------xx------------------xx OLHARES... Rio Missouri Pierre 11:21 pm A garota mergulhava em um lago vestida apenas com uma túnica preta com detalhes prateados, acompanhada de mais duas pessoas. Ela parecia em meio a um transe: seus olhos vermelhos e fixos em algum ponto distante, sua cabeça entrava e saia da água fazendo com que esta se movimenta-se. — Tragam o croong! – disse uma das duas pessoas. Era um garoto, devia estar lá pelos seus 18 anos. Vestia uma túnica preta, assim como a garota, mas com detalhes dourados. Ele parecia o chefe. A segunda pessoa, que também parecia em transe, trouxe ao mestre uma estranha gaiola com um pequeno animalzinho bem esquisito. Ele devia ter 10 cm, sua pele era enrugada e negra, soltava um líquido roxo e viscoso da boca. A garota de repente parou e fitou o estranho animal. Começou a cantar um tipo de mantra dizendo: "croong, croong, venha a mim, me entregue o seu poder, croong, croong" Em meio ao canto, o estranho croong começou a debater na jaula. O mestre o soltou no lago junto a garota. O líquido roxo do animal, ao entrar em contato com a água, fez com que esta começasse a ferver, e a garota fechou os olhos jogando a água em seu rosto, que ia ficando cada vez mais vermelho, enquanto isto o mestre pensava: "Seus olhos agora me pertencem e com eles poderei viver eternamente..." A segunda pessoa pareceu do nada sair do seu estado de transe. Começou a gritar arrancando a túnica e mostrando sua roupa por baixo; uma calça jeans, uma blusa branca e uma jaqueta de couro preta. O mestre lançou-lhe um olhar de raiva juntamente com a garota. — Por que fez isto? Está estragando tudo... Está tudo dando errado de novo – disse o mestre nervoso levantando um pedaço de tronco que estava perto de seus pés para acertar a cabeça do garoto. Mas antes que fizesse isso, a garota deu um grito assustando-o. — Pare com isso!! Não podemos deixar mais assustado o povo desta cidade. Procuraremos por novos seguidores e este aí será a nossa finalização por aqui. Dito isso ela pôs-se a cantar novamente o mantra: "croong, croong, esqueça agora o que peço, trouxemos pra você alimento, coma croong, coma croong". Então, o mestre, que agora parecia mais um súdito, começou a cantar: "coma croong, coma croong" O garoto quis sair correndo, mas já era tarde. A criaturinha já havia o pegado."Como uma coisinha desta tinha tanto poder?". Não pôde responder ao seu pensamento, pois antes disto, já não sentia mais nada, não conseguia se mover, o sangue jorrava de seu rosto, e não via nada, mais nada. Sede do FBI Washington d.c Escritório de Mulder Mulder estava com seu slide show revendo as fotos de seu mais recente caso quando Scully bateu a porta. — Scully? Sabe que aqui as portas estão sempre abertas para você... Entre – disse Mulder com ironia — Eu sei... – disse Scully em tom malicioso O agente não entendeu o tom dela, mas então reparou em como ela estava diferente. Com o seu cabelo vermelho molhado, deixando uma pequena mexa sobre seus olhos, seu "tailler" mostrando todas as suas curvas, e suas lindas pernas. Espera! O que ele estava pensando? É exatamente assim que ela estava todos os dias... A única coisa que a estava mudando era o olhar do observador. — Mulder você ouviu o que eu disse? Acorda!! – falou Scully, interrompendo os pensamentos do parceiro que no meio de suas divagações não havia escutado uma só palavra do que ela havia dito — Ah... Desculpe... Eu...é... Ah! O que você disse? — Eu estava te perguntando sobre as fotos que você estava vendo no slide e sobre o caso que me fez vir até aqui. – disse a agente não deixando de reparar no olhar de seu parceiro para ela. Não queria admitir, mas sempre sentiu atração por ele. Aqueles olhos amendoados que pareciam chamá-la... — Ah sim! O caso... Bem, foi encontrado um corpo na cidade de Pierre. Scully não havia entendido. E daí? Um corpo como qualquer outro... Até que viu as fotos. O garoto estava com uma calça jeans, uma blusa branca e uma jaqueta de couro rasgada ao seu lado. Sua blusa branca, além das marcas de garras, estava completamente ensangüentada. Mas o que chamou mais a sua atenção foi o rosto: estava sem os olhos. — E aí Scully? O que acha? — Pelo menos ele não vai precisar gastar dinheiro com óculos ou lentes de contato – respondeu ironicamente — OK! Chega de brincadeiras... Este já é o quarto corpo encontrado sem os olhos, mas nenhum perto de Pierre. O primeiro foi encontrado em Wichita, o segundo em Albuquerque e o terceiro em Salt lake city. — E o que vamos fazer? Ir a todas essas cidades, ver os corpos e investigar os suspeitos? –Falou Scully mostrando desinteresse- Mulder disse apenas que não, que eles precisavam seguir a trilha desta seita. Ao dizer seita Scully se surpreendeu: — Seita? Você não disse nada sobre seitas? Foram encontrados por acaso altares ou coisas deste tipo? — Não – respondeu Mulder – Mas de algum modo estas mortes estão interligadas e mostram algum caminho. Todas os corpos foram encontrado pertos de rios, sem os olhos... Tem que haver ligações entre essas cidades... Uma história antiga... Scully estava começando a se interessar pelo caso... Olhos... Isto a fez lembrar de uma coisinha antiga... E a disse para Mulder: — Nos seus olhos encontrarei conforto, nos seus olhos encontrarei amor, nos seus olhos encontrarei a vida eterna... Os céus te esperam, o inferno te chama... Seus olhos agora me pertencem e com eles poderei viver eternamente... Eles agora são as portas do caminho para seguir contigo dentro de seu olhar... Mulder ficou surpreso com a profundidade do que Scully havia dito, e se realmente isto tivesse a ver com as mortes? — Uau, parceira!! Não pensei que fosse tão poética... — Obrigado, mas, sabe? Não consigo me lembrar onde li isto... 6 horas depois Apartamento de Mulder Mulder havia ligado pra Scully pra dizer sua grande descoberta... Ela chegaria a qualquer momento... Enquanto isso ele estava pensando nos olhos dela... Quantas vezes já havia o fitado? Quantas vezes eles haviam derramado lágrimas por ele? E apenas uma vez eles haviam se fechado para que seus lábios se tocassem por um momento na passagem de ano. A campainha tocou, como já era de se esperar, era Scully. Ele a deixou entrar e começou a contar a descoberta: — Já sei onde devemos ir... Precisamos ir a Denver tudo aponta para lá. Dizendo isto o agente mostrou um mapa dos EUA, com as cidades, onde haviam encontrado os corpos, circuladas de vermelho. — Denver é a próxima cidade... Repare, ela está no centro de todas as outras ... Scully não pareceu surpresa, aliás, ela também havia descoberto algo. Pegou a caneta vermelha mais próxima e uniu as cidades fazendo um X. — Na verdade, Mulder. Denver é o centro do X... Eu lembrei onde havia lido aquilo que recitei, é o trecho da obra de Lúcifer quando ele se reúne a uma mulher para que ela lhe ceda os olhos, e ele possa viver eternamente... O X é o símbolo de Lúcifer. Com isso Mulder pareceu surpreso. Scully dizendo coisas sobre o diabo com tanta convicção... como se acreditasse em tudo o que disse... Ela percebeu o brilho no olhar de Mulder que significava : "Vamos desvendar este Arquivo X", e então disse: — Acha que devemos ir pra Denver? – era mais uma afirmação do que uma pergunta. Proximidades de Denver 6:00 am Mulder e Scully estavam no carro a caminho de Denver. Estavam exaustos, não viam a hora de chegar a um lugar onde pudessem dormir. — Scully – Mulder começou a puxar papo- Se esta seita está realmente ligada a Lúcifer, como são apenas quatro morte e nesta cidade deve haver a quinta, se o número dele é 666 ou 6? Sua parceira o fitou com um olhar de desdém, era muito simples e ele com toda a sua genialidade não havia descoberto — É simples: Não haverá apenas uma morte aqui e sim 2. — Estou gostando de ver, colega – disse Mulder abrindo um grande sorriso enquanto prestava atenção na estrada – Nunca vi você tão interessada em um caso... Por acaso você não é Lúcifer, é?- disse com ironia Ela ficou calada, queria deixa-lo em dúvida, é lógico que ela não era o Senhor das trevas, mas adorava quando ele ficava com aquele olhar pra ela, ao mesmo tempo duvidoso, irônico e surpreso. Ao chegarem ao primeiro Motel que avistaram, foram direto a recepção. — Gostaríamos de dois quartos, por favor – pediu Mulder — Desculpe, só temos um – respondeu a senhora de cabelos brancos atrás do balcão. Neste instante, Scully pegou as chaves da mão da senhora dizendo somente: "Ficamos com ele" Mulder fez uma cara de surpresa, mas ao mesmo tempo de alegria. — Scully, se quiser eu posso dormir no sofá... — Você é quem sabe, eu estou com muito sono e dormiria em qualquer lugar... – disse apenas Trocaram de roupa. Scully estava com uma camisola de seda preta. Ao olhar de Mulder, ela estava completamente deslumbrante. Mulder estava com seus boxers e uma camiseta. Ao olhar de Scully, ele estava lindo e o que ela mais queria é que ele tirasse aquela camiseta e se deitasse ao seu lado. A agente dormiu, mas inquieta. Imagens estranhas vinham a sua mente. Uma garota acompanhada de um homem horrível que arrancou seus olhos. A garota era ela! E o homem era o Lú... Mulder acordou de repente com o grito da parceira. — O que houve? -disse ele em tom suave acariciando seu rosto. Lágrimas começavam a se formar nos olhos dela e a rolar pelo suas bochechas rosadas... — Me abraça, por favor, me abraça – ela disse chorando enquanto o abraçava com força. — Calma... Foi só um pesadelo... Eu estou aqui, ao seu lado, não deixarei que nada de mal aconteça a você. Scully começou a contar seu sonho, e enquanto isso mais e mais lágrimas brotavam de seus olhos e caíam sobre os ombros de Mulder. Ele sentia as lágrimas quentes escorrendo por suas costas. Ele a deitou acariciando seus cabelos e dizendo: — Não chore tanto... Você está comigo não está sozinha, ao menos que queira estar. Ela no mesmo instante se acalmou e parou de chorar. — Não Mulder, eu quero ficar contigo... – ambos abriram um longo sorriso. Scully dormiu em seguida, mas seu parceiro ainda a ficou observando por um longo tempo, imaginando seus lábios se tocando novamente, seus olhares se encontrando novamente... 10:30 am Os agentes já haviam acordado e se trocado. O dia seria longo, havia muitas coisas para investigarem. Scully estava mais calma, não pensava mais no sonho. Eles se dirigiram a delegacia para falar com o responsável do caso do garoto encontrado sem os olhos. — Então vocês tem que falar com o delegado Joshua Frederick, mas já vou avisando, ele não está muito bem, aquele garoto era o único filho dele – disse a recepcionista, alta e negra. Mulder foi a frente seguido de Scully, bateram a porta do escritório, mas ninguém atendeu. — Sr. Frederick, somos os agentes Mulder e Scully do FBI. Estamos investigando o caso, que acredito, ser o mesmo que o seu. – Mulder disse em voz alta Mas ninguém respondia. O silêncio era sepulcral. O agente então resolveu arrombar a porta, mas a recepcionista o impediu. — Por favor, não faça isto – disse entregando uma chave a ele —Seja mais delicado, Mulder – disse em tom sarcástico Scully A visão que tiveram era horrível. Joshua estava pendurado com uma corda ao redor do pescoço no ventilador de seu escritório todo ensangüentado. — Oh meu Deus! – disse a mulher alta e negra desabando em lágrimas e saindo correndo do lugar Scully começou. — Bem, é uma testemunha a menos. Parece ter sido suicídio, o pai perdeu seu único filho, entrou em depressão e se matou. Mulder concordou, mas havia algo de estranho naquela sala, ele não poderia simplesmente se enforcar e cortar a garganta. — Será que ele deixou algum bi... Sua fala foi interrompida quando uma mulher desesperada em prantos chegou na sala. Era a mulher do delegado, Melinda Frederick. — Eu sabia que ele não devia ter ficado encarregado de casos de outras cidades... Principalmente com a chegada de forasteiros estranhos... — Desculpe, senhora, mas somos agentes do FBI... –disse Scully não escondendo seu ar irritação — Não estou falando de vocês. –disse Melinda soluçando – São um garoto e uma garota que chegaram ninguém sabe de onde... Meu marido resolveu pegar o caso, mesmo não sendo daqui de Denver, queria ajudar principalmente por ter sido o nosso filho a morrer, e bem neste dia chegaram esses dois... A mulher parou, não conseguia falar mais nada em meio aos soluços. Scully tentou consola-la. Enquanto isto, Mulder estava com aquele olhar pensativo, elaborando uma teoria. "Será que a seita era deste garoto e desta garota? Será que o delegado realmente suicidou ou será que ele foi morto para encobrir a verdade?" — Sra. Frederick, por que chama esses garotos de estranhos desde que eles chegaram? Ela pegou todas as suas forças para falar tudo o que sabia: — A primeira coisa que fizeram ao chegar a esta cidade foi procurar meu marido e dizer : "Seus olhos agora me pertencem e com eles poderei viver eternamente...". Scully e Mulder se entreolharam. Era o pedaço do trecho da obra de Lúcifer. A mulher continuou. — Meu marido não me contou mais... Desde a morte de nosso filho e a chegada dos forasteiros ele estava muito diferente, até que... A mulher não agüentou e voltou a chorar. A agente Scully então perguntou calmamente: — Até que o quê? — Até que hoje de manhã ele me disse: "Vou punir as pessoas que fizeram isto com meu filho e se eu não voltar querida..." E foi embora... Era tudo que Mulder precisava ouvir para acabar de formular sua teoria, e além do mais, a senhora já estava muito abalada com o suposto suicídio do marido. Scully também não queria mais pressionar a mulher, ela já estava sofrendo demais. Mulder foi até a porta e Scully o seguiu. — Quero que veja todas as evidencias e provas que possa encontrar na sala – disse Mulder com autoridade — E você? O que vai fazer? — Vou encontrar os tais forasteiros estranhos... — Mulder – Scully falou em tom de preocupação – Tenha cuidado Antes de sair o agente disse pra eles se encontrarem no Motel em 3 horas. Bairro afastado 11:57 am Após muito perguntar e procurar, Mulder chegou a um bairro bem afastado do centro de Denver, numa vila pequena com apenas seis casas,mas ao que parecia apenas uma, a mais afastada e misteriosa, estava com moradores. A casa parecia ter uns 50 anos, estava quase em ruínas, janelas com vidros quebrados... Bateu na porta e esta se abriu sozinha, gritou perguntando se havia alguém na casa, mas nada de respostas. Ele pisou em uma coisa viscosa, olhou e percebeu que era um líquido roxo nunca visto antes. Recolheu um pouco e colocou dentro de um frasquinho onde ele colocava as pistas. Olhou em volta, teias de aranha por toda parte, e então viu uma escada. Começou a subi-la, porém ao chegar no terceiro degrau, ouviu uma espécie de mantra: "Croong, croong, não conseguimos ainda, croong, croong, já demos seu alimento, croong, croong, com estes olhos você renascerá e viverá eternamente, croong, croong" Parou, sentiu um frio na barriga. Deu meia volta e correu em direção a porta, mas essa se fechou. Ele sentiu o medo tomar conta de todos os seus músculos. Ouviu uma conversa vinda do andar de cima entre uma garota e um garoto. A garota dizia: "Abra a porta, croong, deixe-nos ir" E o garoto: "Croong, abra esta porta, não podemos nos trancar simplesmente" Mulder sentiu um alívio, afinal, não era dele que estavam falando, nem sabiam que ele estava ali. Tentou abrir a porta, e desta vez conseguiu. Correu até o carro e foi para o Motel para esperar Scully. A única coisa que tinha na cabeça era a palavra croong e uma estranha sensação de estar sendo observado. 3 horas depois Scully chegou ao quarto de Motel bem depois de Mulder, mas ainda via a sua cara de assustado. Mulder começou a contar tudo que viu, ou melhor, ouviu. — Croong? – Scully ergueu as sombracelhas – Este é o nome dado a Lúcifer quando ele está em sua forma de animal quase inofensivo. — Falando assim, Scully, nem parece a "menininha católica" que conheço... – disse Mulder ironizando — Você não me conheceu como "menininha católica"... – disse em tom malicioso Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Mulder se lembrou do líquido roxo que encontrou na "casa estranha" e o entregou a Scully. — É o mesmo que encontrei na sala do delegado Frederick – ela não estava muito surpresa – Não tive tempo de examina-lo, mas nunca vi nada parecido. Ah! Mais uma coisa interessante – falou entregando algumas fotos do corpo delegado Joshua Frederick – ele estava sem os olhos... Mulder acho que estamos perdendo tempo demais... precisamos descobrir onde será a próxima morte ou se não... — Se não o que, Scully? – seu parceiro parecia preocupado — Lúcifer pode voltar a reinar sobre este mundo... Mulder não agüentou e caiu na gargalhada. A sua parceira sempre tão racional falando uma coisa dessa? Scully o fitou triste. — Desculpe, Dana... Não quis te ofender... Mas é que você falando assim... – Mulder disse com uma voz suave levantando o rosto da parceira — Dana? Você me chamando de Dana? Obrigada, Fox – ele disse em um tom apaixonante. Não podiam negar, eles se gostavam, e muito. Trocaram olhares e os olhos de Scully se encheram de um brilho intenso, mas não era alegria, eram lágrimas que iam se formando. – Mulder, vou te contar uma coisa que ninguém sabe, apenas eu, e mesmo assim ainda não consigo acreditar. Mulder a olhou tão intensamente que ela não conseguia desviar o olhar. Ele já havia virado o seu confidente... Eram mais que simples amigos. — Eu tinha uns 12 anos e estava estudando no colégio católico, minhas amigas queriam entrar na biblioteca para pegar um livro que as freiras não deixavam de maneira alguma as alunas pegarem, ela dizia que podia trazer as forças do mal. Ninguém acreditava, mas ninguém também tinha coragem de pegar o livro – neste instante Scully derramou mais lágrimas e apertou suas mãos uma contra outra como se estivesse rezando – Então um dia entramos escondidas na biblioteca e fomos até o livro. Éramos 6 garotas... A medida que íamos chegando perto da prateleira uma ou outra garota ia desistindo, até que sobrou apenas eu e Clara... Scully escondeu o rosto atrás das mãos para que Mulder não a visse chorando, mas ele pegou as suas mãos entrelaçando seus dedos com os dela. — Clara e eu éramos muito amigas até este dia. Pegamos o livro e ela leu "Obras de Lúcifer". Eu abri em uma página qualquer e comecei a ler: "Nos seus olhos encontrarei conforto, nos seus olhos encontrarei amor, nos seus olhos encontrarei a vida eterna... Os céus te esperam, o inferno te chama..." Não terminei... Olhei para Clara e ela não estava mais lá – a agente estava aflita, não sabia como dizer o que viu – olhei para o livro novamente e lá estava ela... deitada no chão sem os olhos... – não pôde dizer mais nada Mulder a confortou em seus braços, desculpou-se por não ter entendido o quanto aquele caso significava pra ela. — Scully, se eu soubesse nunca teria vindo aqui com você... – seus olhos brilhavam ao ver os da parceira — Não se lamente por isso... Eu posso estar perto da verdade sobre o que aconteceu a minha amiga... E devo isto a você, por me trazer aqui – abriu um sorriso maroto assim como Mulder. Ele limpou as lágrimas do rosto dela e então deu-lhe um longo beijo na testa. Scully começou a imaginar como seria bom se aquele beijo não tivesse sido na testa... Enquanto fechava os olhos, Mulder pensou a mesma coisa e afastou levantando o rosto de Scully fazendo com que seus lábios se tocassem. Scully afastou-se, estava constrangida, não conseguia fitá-lo novamente, mas ele sim, a olhava com tanta intensidade, tanto amor... — Vamos descobrir a verdade, parceira... Nós vamos... E eu queria lhe dizer uma coisa... Mas foi interrompido por um barulho ensurdecedor, uma espécie de grunhido. Eles caminharam até a porta, mas não viram nada. Scully se recompôs. — Qual é o rio que passa por aqui? – ela disse - — O rio Arkansas... Quer ir até lá? – ele perguntou- — Tenho um pressentimento que a próxima morte não está longe. Rio Arkansas Denver 6:36 pm Chegaram a beira do rio. Não parecia haver ninguém exceto pelo grunhido que estava cada vez mais forte. Foram indo em direção ao som, mas a cada passo que dava, parecia que o ar ficava mais pesado e com um cheiro estranho de enxofre. Chegaram a um local onde havia várias pedras formando um X e fogo em volta delas. Ficaram afastados, alguém parecia estar chegando. Eram os forasteiros, trajados com uma túnica preta e trazendo uma gaiola com uma criaturinha. "Devia ser o croong" pensaram os agentes. Os jovens passaram pelo fogo sem dano algum, colocaram a criaturinha no centro do X, e a soltaram. Os dois começaram a cantar o mantra: "Croong, croong, já conseguimos o que queria, aqui está o 6º par, croong, croong". Eles entregaram a ele os olhos. O croong os pegou, os envolveu num líquido viscoso roxo e os engoliu. — Este é o tal líquido que encontramos – sussurrou Scully Mas não adiantou o sussurro, a criatura havia escutado e agora as chamas em volta do X estavam mais fortes. A criaturinha então disse em uma voz sinistra: "Nos seus olhos encontrarei conforto, nos seus olhos encontrarei amor, nos seus olhos encontrarei a vida eterna... Os céus te esperam, o inferno te chama... Seus olhos agora me pertencem e com eles poderei viver eternamente... Eles agora são as portas do caminho para seguir contigo dentro de seu olhar..." Se transformando numa criatura grande e horrenda, igual ao do sonho de Scully. Os dois jovens caíram no chão, Lúcifer não precisava mais deles. A chama abaixou e Lúcifer levantando as mãos fazendo com que Scully e Mulder ficassem de pé disse: — Eis aqui a garota curiosa que prendeu sua amiga em um livro... Que coisa feia... Você traiu a sua amiga... Neste instante os agentes estavam cara a cara com o senhor das trevas. Scully começou a chorar e Mulder tentou abraça-la pra consola-la, mas a besta em um só movimento o jogou no chão e trouxe Scully que aos soluços dizia: — Não foi minha culpa, não queria que aquilo tivesse acontecido, não sabia do poder daquele livro... Mulder tentava se levantar, mas apenas com a mente, Lúcifer fazia com que ficasse no chão. Scully suplicava para que ele deixasse o parceiro em paz. Mas ao invés disto, o diabo trouxe Clara de volta. Scully a olhou assustada, estava exatamente como havia visto no livro, sem os olhos, e ainda com uns 12 anos. — Dana, nunca pensei que pudesse fazer isto comigo – dizia ela – Agora você irá pagar. De repente a garota desapareceu e em seu lugar Mulder ficou de pé com os olhos fechados. Temendo que o pior acontecesse, Scully tentou correr até ele, mesmo sabendo que todo seu esforço seria inútil. Então tentou pensar no que Mulder faria se tivesse em seu lugar, olhou para ele, para Lúcifer, para Mulder novamente... Era isso... A besta se alimentava do ódio e sofrimento que via... então, se ela não visse... Mais que depressa, Scully gritou para que Mulder abrisse os olhos por que nada aconteceria com ele, e todo amor que tinha no coração seria capaz de salva-lo. Lúcifer se virou para a agente e esta pegou um pedaço de pau que estava a seus pés e furou os olhos dele. A chama acabou... os jovens desapareceram... Mulder caiu no chão... Scully correu até ele e o abraçou forte. 2 dia depois Washington d.c. Apartamento de Mulder Mulder e Scully estavam sentados na cama pensando sobre o caso que haviam presenciado. Lúcifer na frente deles. Olhos que levam a eternidade. Muitas coisas estranhas aconteceram. — Scully, você acredita que todo o amor pode estar em um olhar? – disse Mulder a fitando. Scully o olhou maliciosa e disse em um tom mais malicioso ainda: — Do que vale a beleza dos olhos se quando os lábios se tocam eles se fecham? Mulder não acreditou que ela tivesse dito aquilo, mas quando foi pensar em alguma coisa pra falar, já era tarde. Eles já estavam caídos na cama se beijando e se abraçando... Estarem vestidos, ainda, era um mero detalhe... Fim