Autor: Dana @}---- E-mail: danaxscully@zipmail.com.nr Disclaimer: Os personagens aqui apresentados não pertencem a mim e sim a CC e a Fox, portanto, viso exclusivamente à diversão dos fãs dessa serie maravilhosa que é Arquivo X. Categoria: Shipper/um pouquinho de suspense Classificação: Livre Sinopse:Mulder e Scully enfrentam um caso no longínquo e paradisíaco Havaí. Será que forças sobre humanas podem ser mais fortes do que o amor?? Descubra nesta romântica e misteriosa história. O Amor que leva à Morte Sede do FBI, Washington Terça-feira, 8:30 am Mulder saía apressado do elevador que acabara de descer até o porão do edifício; tinha uma reunião com Skinner e já estava meia hora atrasado. Dirigiu-se para sua sala e espantou-se ao não ver Scully lá: "Ela nunca faz isso, por onde será que anda??" Distraiu-se com o toque do telefone: - Mulder......sim, senhor.......não...ainda não......estaremos aí assim que possível. Ele preocupo-se, Scully nunca se atrasaria, ainda mais quando tinha uma reunião convocada às pressas por Skinner. Ligou para sua casa, mas estava na secretária eletrônica, tentou o celular e este estava "desligado ou fora de área"....por onde diabos ela estava??? O que teria acontecido??? 9:30 am Scully entrou correndo na sala do porão, assustando Mulder. - Desculpe o atraso!!! - O que foi que aconteceu??? Você não está com uma cara muito boa!!! - Logo depois que Skinner ligou, às sete da manhã, recebi um telefonema de um hospital onde minha mãe havia dando entrada, fui correndo para lá. Ela caiu da escada e quebrou uma perna. - Mas ela está bem??? - Está....já voltou para casa. Desculpe, Mulder, é que fiquei tão preocupada que esqueci de ligar o celular. O que Skinner queria??? - Não sei, ainda não tivemos a reunião. Estava te esperando. - Obrigada, Mulder. Vamos então?? - Claro. Após uma rápida explicação a Skinner, Scully e Mulder puderam saber o que seu diretor tinha de tão urgente para lhes dizer. - Este é o décimo caso de desaparecimento no Havaí durante dez meses. Os casais recém-casados foram para lá passar a lua-de- mel e não voltaram mais para suas casas. A polícia local não consegue encontrar uma ligação, a não ser o hotel, que foi o mesmo utilizado por todos os casais. - Mas não fizeram uma busca pelo hotel??-perguntou Scully - Fizeram, mas nenhum corpo foi encontrado por lá, além do que as contas foram encerradas pelos casais antes de seus desaparecimentos. Resumindo, vinte pessoas desapareceram misteriosamente numa ilha havaiana e não há nenhum suspeito até agora. Quero que vão para lá e descubram o que está havendo. - Lá vamos nós a caminho do paradisíaco arquipélago!!-disse Mulder entusiasmado. - Há mais uma coisa, agentes, vocês ficarão no mesmo hotel que os outros casais, como um casal em lua-de-mel. Aqui estão suas identidades: Sam e Annie Doringer e as alianças. O vôo sai em três horas. - Lá vamos nós outra vez, Mulder.-disse Scully com um meio sorriso. - Boa sorte, agentes, e boa viagem. Mulder e Scully voltaram para o porão e foram para seus apartamentos arrumar as malas. Scully ligou para sua mãe para saber como ela estava e Meg disse a ela que poderia viajar tranqüila. Pegaram o avião ao meio dia e meia, depois de quase dez horas de vôo e cinco fusos horários, chegaram em Honolulu às 5: 45 pm. Em seguida, pegaram um barco, dirigiram-se à ilha Kauai e, finalmente, chegaram ao Paradisiac Sea Hotel, na cidade de Koloa, às 7:30 pm. O hotel era magnífico: luxuoso em sua simplicidade e elegância. Mulder dirigiu-se ao balcão: - Olá, temos uma reserva aqui. - Qual o nome??-perguntou o atendente - Doringer, Sam e Annie. - Oh, sim. Estão no quarto 1013, no terceiro andar. O carregador mostrará o caminho, esperamos que tenham uma ótima estada em nosso hotel. Sejam muito bem-vindos. - Obrigado. Scully e Mulder seguiram o carregador que aparentava ter uns 45 anos, mas sua disposição era invejável. Ele deixou a bagagem no quarto e avisou que o jantar seria servido às 8:00h, saindo logo depois. - Mulder....isso é maravilhoso!!! Venha ver......temos uma ótima vista para a praia!! Realmente é o paraíso!!! - Nossa, Scully, nunca a vi tão radiante!!! É você mesma?? - Claro, Mulder....é que sempre quis conhecer o Havaí, e apesar de estarmos aqui a trabalho, acho que poderemos aproveitar um pouquinho desse sonho....não acha??? - Você é quem manda.-ele sorriu despreocupadamente. Dirigiu-se para a sacada e constatou que Scully não estava exagerando: estavam em um quarto privilegiado, com uma bela vista e muito conforto. O quarto era grande, em tons de areia, com cortinas e o carpete em vinho; uma salinha com algumas poltronas, uma mesinha de centro e dois abajures; o banheiro com todo o conforto possível: banheira de hidromassagem, ducha com várias temperaturas e intensidades, tudo em tons claros; e, no quarto propriamente dito, uma grande cômoda, na parede da esquerda, com vasos e mais alguns enfeites, duas poltronas ao lado dela, um móvel para a televisão e o aparelho de som e o frigobar; na parede do lado direito, centralizada, a enorme cama de casal com colcha de cetim e crochê e duas mesinhas de cabeceira. A porta ao final do quarto levava à varanda onde podia se encontrar, em um dos lados, uma mesinha branca de ferro e duas cadeiras, além de uma rede do outro lado. - Acho que quer tomar um banho antes de descermos para jantar, não é??? - Já está lendo meus pensamentos, não é, Mulder??? - O que queria, depois de sete anos trabalhando juntos?? - Tem razão!!! Não vou demorar no banho.....prometo. - Está bem. Então, ela foi para seu banho, enquanto ele passou os olhos no relatório pela enésima vez. Scully realmente cumpriu sua palavra e depois de quinze minutos saiu do banheiro, mas não ouviu nenhuma brincadeirinha de Mulder, olhou para a cama e o encontrou dormindo sobre o relatório."Oh, Deus, como ele é lindo!!Parece um anjo dormindo. Como eu queria encontra-lo todas as manhãs dormindo assim.....do meu lado......" Quando deu por si já estava sentada ao seu lado. Passou os dedos de leve em seu rosto para acorda-lo: - Mulder!!!! Vamos, acorde!!!! Mulder......-sua voz era doce - Quem me chama, a cotovia ou o rouxinol??? - Nenhum dos dois......sou eu, Scully. Ele sorriu. - Seria ótimo acordar todos os dias com essa voz suave e não com aquele apito insuportável do despertador.-ele já estava sentado na cama e, ao perceber o que tinha dito, ficou encabulado, tinha exposto seus sentimentos sem querer. Notou que Scully também se acanhou. - Vou tomar meu banho. Serei rápido também. Ela assentiu com a cabeça, ainda perdida nas emoções que a haviam invadido após as palavras dele."Será que estou sonhando??? Não pode ser.....ele disse que queria acordar ao som da minha voz. O que isso significa??? O que está acontecendo comigo???? Com ele??? Com nós dois???" Deixou-se pensar mais um pouco, mas lembrou-se de se trocar enquanto Mulder ainda estava no banho. Como o clima estava relativamente quente, colocou um vestido leve, estampado com pequenas flores e foi para a sacada. Enquanto isso, Mulder analisava o que havia feito:"como fui falar aquilo???não consegui me controlar!!! Sua voz suave falando meu nome, aqueles dedos macios tocando meu rosto....não poderia agüentar mesmo. Ah, como te amo, Scully.preciso contar para ela....talvez ela já saiba....talvez ela também me ame, talvez não...eu preciso saber.....preciso acabar com essa dúvida.....deveria ter perguntado isso para aquela gênia, ao invés de pedir paz na Terra....." Quando ele saiu do banheiro, viu que ela estava na sacada, aproximou-se e disse que iria fechar a cortina para se trocar. Imediatamente, Scully começou a imaginar o corpo de Mulder......conhecia bem os detalhes físicos do parceiro, já o havia visto seminu várias vezes, mas naquele momento algo estava diferente, ela não sabia explicar bem, mas ficou toda arrepiada quando virou a cabeça em direção ao quarto e viu, através da cortina razoavelmente espessa, a silhueta de Mulder. Instintivamente mordiscou o lábio inferior e cerrou os olhos, mas virou- se para frente quando percebeu que ele se aproximava. - Estou pronto, vamos descer?? - Claro Sam. Os dois olharam simultaneamente para suas mãos esquerdas e desejaram, secretamente, que um dia aquilo se tornasse realidade. Não havia muitas pessoas no restaurante, apenas cinco casais entre 55 e 75 anos de idade e dois casais com seus filhos. Sentaram-se numa mesa perto das janelas que davam para a praia. Escolheram um prato à base de peixe e ganharam uma garrafa de champanhe do gerente, como presente de casamento. Uma das senhoras, que estava mais próxima da mesa deles, fez um aceno e um comentário que não pôde se compreendido. Os dois jantaram e logo depois resolveram subir para descansar e começar, no dia seguinte, as investigações. Scully foi para o banheiro, se trocou e passou seus cremes de hidratação, o que foi motivo para Mulder fazer uma brincadeirinha. Enquanto ele estava no banheiro, ela tirou o penhoar e deitou-se na cama, apesar de tantos anos juntos, ainda não tinham intimidade suficiente para que ele a visse de camisola. Ele saiu do banheiro trajando um short e uma camiseta. Como a situação era um pouco constrangedora, ele disse: - Se quiser, posso dormir no chão......não me incomodo. - Deixe disso, Mulder. Nos conhecemos há tanto tempo....não há problema algum em dividirmos a mesma cama. - É, tem razão, já enfrentamos situações bem piores do que esta. Ele deitou-se na cama e apagou o abajur, cobrindo-se apenas com o lençol. Desejaram um tímido "boa noite" e viraram, cada um, para um lado. Tentaram dormir, mas não conseguiam nem lembrar o que era sono; seus pensamentos, sentidos e desejos estavam voltados exclusivamente para a pessoa deitada aos seus lados. Como aquilo poderia estar acontecendo com ela???Scully sempre fora tão segura de suas emoções e, de uns tempos para cá, tinha desejos cada vez mais fortes e sentimentos cada vez mais intensos quando o assunto era Mulder. Ele era tudo para ela, a única coisa de valor que ainda possuía, que não lhe havia sido roubada. Temia pensar que algo pudesse acontecer a ele, pois sabia que não suportaria continuar sem aquela pessoa que a conhecia pelo olhar, pelo simples brilho do olhar. Dormir seria impossível.Ele, por sua vez, sabia o que estava acontecendo com seu coração: amava Scully. Já tinha dito isso a ela, mas ela não acreditara, ou fingira não acreditar, mas desde aquela época, em que beijou a Scully de 1939, tinha certeza de que a amava e que era a pessoa mais importante em toda a sua vida. Como poderia dormir tendo ao seu lado o objeto de seus sonhos, a mulher que amava?? Sabia que aquela noite seria muito, muito comprida. Paradisiac Sea Hotel, Havaí Quarta-feira, 7:30 am Scully acordou com a claridade entrando pela porta, jurava ter fechado a cortina antes de deitar. Ela virou o rosto para o lado oposto à porta e deparou-se com a cama vazia: "Onde será que ele está??" Mas suas preocupações foram cessadas quando, ao sentar-se na cama, percebeu a silhueta de Mulder na varanda. - Bom dia, dorminhoca!!! Sabia que já são sete e meia da manhã?? - Bom dia, Mulder. O que faz acordado tão cedo?? - Vim apreciar o nascer do sol!!! É maravilhoso, você estava certa, temos uma vista linda desse quarto!! - Ainda devo estar dormindo!! Você, falando em nascer do sol e tudo o mais!!! - Ah, Scully, esse é um lado que você ainda não conhece!! Ela pensou em retrucar a insinuação, mas decidiu não continuar com aquele joguinho, apesar de acha-lo maravilhoso. - Vamos descer?? Temos que começar nossas investigações. - Claro, Mulder. Espere só um pouco, está bem!! - Claro. Ele se voltou para a praia novamente e continuou a observar as ondas quebrando na areia branca. Branca como a pele de Scully, aliás, todo aquele amanhecer lembrava Scully: a areia branca sendo tocada levemente pela água, emoldurada pelo céu que possuía apenas tonalidades avermelhadas, era a descrição de Scully. Despertou de seus sonhos com o suave toque daquelas mãos delicadas em seu ombro, estremeceu. - Onde está?? Estou te chamando a horas!! - Estava interpretando um quadro.....um belíssimo quadro. Foram para o restaurante e encontraram apenas os cinco simpáticos casais da noite anterior. Sentaram-se numa das mesas próximas à janela e tomaram seu café. Foi quando a mesma senhora que havia acenado na noite anterior aproximou-se, seguida pelas outras quatro mulheres. - Bom dia, espero que tenham tido uma ótima noite. - Bom dia. Sim, realmente dormimos bem.-disse Scully - Desculpe, não me apresentei, sou Dora Gilbert, meu marido é aquele – e acenou para um velhinho simpático – George, dono do hotel. - Prazer em conhece-la, senhora Gilbert.-disse Mulder - Ora,me chame de Dora, por favor. Qualquer coisa de que precisem é só falar comigo. - Obrigada, sou Annie, e esse é meu marido, Sam. - Oh, o casal Doringer. Parabéns pelo casamento. - Obrigado.-agradeceu Mulder. Dora afastou-se com as amigas, deixando Mulder e Scully sozinhos. - Simpáticas, não?? - Realmente, muito simpáticas, diria que até demais. - O que quer dizer com isso, Mulder?? - Não sei, Scully, mas algo me diz que essas adoráveis senhoras não são tão adoráveis assim. - Não está achando que elas mataram os outros casais, está?? - Claro que não, mas há algo aqui, Scully, e nós vamos descobrir o que é. Terminaram o café e decidiram dar uma volta pelo hotel, para conhece-lo e tentar encontrar qualquer evidência dos casais desaparecidos. Como não havia muitos hóspedes, aliás, eles e os cinco casais eram os únicos, não tiveram muito problema para entrar nas dependências do edifício, contudo, nada de anormal fora encontrado, a não ser uma única porta que não conseguiram abrir, no porão do hotel. Mulder tentou todas as estratégias que conhecia para arrombar a porta, mas nada adiantou. - Provavelmente é aqui que se esconde o mistério, Scully. - Por que acha isso?? Só por que não conseguimos abrir a porta?? - Acha pouco?? - Honestamente??? Acho. Pode ser um depósito ou até mesmo um cofre. - Talvez tenha razão, mas vou dar um jeito de entrar nessa sala. Ouviram passos e tiveram que se esconder, mas não correram nenhum perigo. Decidiram voltar para a parte social do hotel. Ao chegar ao saguão, Mulder foi até o balcão. - Bom dia, será que eu poderia dar uma olhadinha na planta do hotel?? - Por que, senhor?? - É que sou arquiteto, e fiquei muito interessado na estrutura do prédio. - Vou falar com o senhor Gilbert, aguarde um momento. O rapaz saiu e logo em seguida apareceu o simpático velhinho visto pela manhã. - Sr. Doringer, meu diretor disse que gostaria de olhar a planta do hotel?? - Sam, me chame de Sam. É, sou arquiteto. Fiquei encantado com a estrutura. - Mas você não está em lua-de-mel??-perguntou olhando para Scully - Estamos sim, mas Sam não consegue esquecer o trabalho. Ainda bem que já me acostumei a isso. - Então acho que se sentiria melhor se ficasse comigo - disse Dora- posso lhe fazer companhia enquanto seu marido "trabalha". - Ótima idéia. Sam, querido, vou tomar um pouco de sol. Não demore, está bem?? - Claro, Annie. Só quero conhecer o hotel. Não vou conseguir ficar muito tempo longe de você. E fizeram a única coisa esperada diante das circunstâncias: beijaram-se. Os dois fizeram o que mais desejavam nos últimos meses, mas não eram eles e sim os personagens que representavam: Annie e Sam. Lamentaram-se, interiormente, por não serem Fox e Dana. - Há quanto tempo se conhecem??-perguntou Dora - Há mais de sete anos. - Nossa!! E só agora foram se casar?? - É...demoramos um pouco até percebermos que nos amávamos.- ela disse isso pensando em seus sentimentos e em quanto tempo já havia perdido por não ter certeza de que Mulder a amava. - Bem, mas acho que não foi um tempo perdido, dá para perceber como se amam apenas olhando em seus olhos.....acredite, minha cara, o brilho do olhar dos amantes é inconfundível!!! É a única reação do corpo que não se pode simular. Por isso aquele ditado: "Os olhos nunca mentem!". Scully sorriu e pensou que o que aquela senhora falava era mesmo verdade, e começou a acreditar que, talvez, Mulder também pudesse ama-la como ela o amava. Deitou na esteira para bronzear-se quando as amigas de Dora apareceram. - Annie, quero que conheça minhas amigas, nos conhecemos desde a mocidade, o que já faz muito tempo. Esta é Shirley, Sophie, Demmi e Jéssica. - Muito prazer em conhece-las. Sou Annie. Iniciaram, então, uma animada conversa, a qual foi interrompida um pouco mais tarde por Mulder. - Olá, Annie, espero não estar incomodando as fofocas!!-disse Mulder aproximando e dando um beijo na bochecha de Scully. - Claro que não, Sam!! E aí, encontrou algo interessante nos alicerces do hotel??- perguntou segurando as mãos do parceiro. - Não.....apenas queria inteirar-me de suas estruturas, afinal, é um prédio bem antigo. Quer dar uma volta pela praia comigo?? - Claro. Até mais meninas!!! - Bom passeio, minha querida.-disse Jéssica. Após os dois se afastarem um pouco Dora disse para as amigas: - Minhas queridas, eles são perfeitos. É a fonte mais abundante que já encontramos em toda nossa existência.- E ficou em silêncio, com um sorriso levemente macabro nos lábios. Caminharam um pouco pela areia até que estivessem em um local seguro: Scully sabia que Mulder havia encontrado algo na planta. - E então, o que foi que descobriu??? - Sabe aquela sala que não conseguimos entrar?? Pois bem, há uma sauna logo acima dela, no térreo; e pude perceber que elas se comunicam, ou pelo menos se comunicavam antes de acontecer uma reforma, cerca de dez anos atrás. - Acha que pode haver algo escondido lá?? - Sim. Mas não sei exatamente o que procurar. Ah, mais uma coisa, sabia que o sr. Gilbert tem 75 anos?? - Nossa, Mulder. Ele aparenta ter bem menos. - Pois é, e o que é mais interessante ainda, é que ele tem uma agilidade de um homem de 40 anos, pelo menos. - Não sei como explicar isso, Mulder, não mesmo. - E você, conseguiu descobrir alguma coisa, ou só ficou fofocando?? - Mulder!! Sabe que não sou de perder tempo!!! - Desculpe, só estava brincando....e aí, o que conseguiu?? - Bem, fui me aproximando de cada uma delas e descobri que todas conheciam os casais desaparecidos, se conheceram aqui, no hotel e após alguns dias já eram todos amigos inseparáveis, até o dia em que foram embora do hotel e depois desapareceram. Ah, mais uma coisa, em todos os casos, não houve registro de mais nenhum casal jovem no hotel durante uma semanda, apenas os desaparecidos e esses cinco casais de amigos. - Você está querendo me dizer que nesses últimos dez meses, em que ocorreram os sumiços, eles eram os únicos hóspedes do hotel, com exceção dos casais que sumiram?? - Exatamente. - Scully, precisamos entrar naquela sala. Deve haver algo por lá que nos ajude a encaixar as peças desse quebra-cabeça. - Mas como faremos isso?? Não conseguimos abrir a porta!! - Acho que vamos visitar a sauna!!! Paradisiac Sea Hotel, sauna Quarta-feira, 11:45 am Mulder e Scully entraram na sauna, que não estava funcionando, e começaram a analisar todo o local: era uma sala grande, toda em madeira, com quatro degraus. Procuravam por qualquer indício de alguma passagem secreta, mas nada estava à mostra. - Tem certeza de que havia uma passagem, Mulder?? - Claro Scully!! Não ia me confundir com uma planta de hotel!! - Ah, é, desculpe, esqueci que você é arquiteto!!! Ele a encarou com desdém, mas logo esboçou um largo sorriso. Não conseguia mais deixar de sorrir para ela, estava encantado, hipnotizado, apaixonado. Continuaram a procurar algo que indicasse a passagem, até que encontraram, em um dos degraus junto da parede, uma pequena saliência. Scully cogitou a possibilidade de ser apenas defeito da madeira, mas Mulder forçou a estrutura e uma entrada foi descoberta. - Não falei...aqui está a passagem. - Tudo bem, tudo bem....vamos descobrir o que há de tão importante para ficar protegido por uma passagem secreta. Desceram, então, pela escura escada, chegaram a um corredor aparentemente muito comprido e escuro. O cheiro de mofo era muito forte, as paredes e o chão estavam escorregadiços devido ao lodo acumulado; poderiam cair a qualquer momento. Caminharam por alguns minutos até encontrarem uma porta de madeira que não estava trancada, para surpresa de ambos. Ao entrarem encontraram uma sala ampla, com todas as paredes cobertas com o que parecia ser geladeira de necrotério. Scully abriu uma das portas e se deparou com um corpo. - Deus!! Mulder, veja isso!! Ele olhou e se surpreendeu com o que viu: o corpo de uma mulher jovem com um ferimento gravíssimo no peito: o coração havia sido arrancado e envolta do ferimento, havia algumas marcas. Scully pediu que ele a ajudasse a remover o corpo, queria examina-lo melhor. - Não tenho como prever a hora da morte, mas não tenho dúvida quanto à causa mortis. - O que é isso, ao redor da abertura?? - Não sei bem, mas parece queimadura, ou melhor, uma cauterização.- ela olhou para ele, que estava com a expressão interrogativa- foi provocado por algo muito quente. - Um ferro em brasa, ou algo do tipo?? - Não.....algo como um raio. - Um raio?? Como nossos amigos assassinos fariam isso, e por que o coração?? - Não sei, Mulder. Mas talvez o coração simbolizasse alguma espécie de troféu!! - Mas por que justamente o coração, Scully, e não um outro órgão qualquer?? Entreolharam-se por algum tempo, Scully parecia ouvir os cérebro de Mulder trabalhando, ela adorava vê-lo em ação. - Vamos reunir as informações que temos até agora: dez casais desaparecidos misteriosamente sem deixar qualquer rastro, vinte corpos escondidos no subsolo do hotel que foi cenário da lua-de-mel de todos os casais e vinte corpos com os corações arrancados. - O coração é o símbolo do amor, então os assassinos ou não gostam de ver pessoas apaixonadas, ou isso é uma compulsão que os leva a querer para si todo o sentimento, representado pelo coração dos amantes. - Exatamente. Eles matam os casais para obterem a personificação do sentimento, mas o que fazem com o coração?? Guardam em caixinhas?? - Não, acho mais provável que ele ingiram o coração para conquistar o amor, da mesma forma que guerreiros canibais comiam a carne do inimigo para obterem sua energia. Estamos lidando com uma espécie de antropofagismo, Mulder. - Isso poderia explicar a vitalidade deles?? - Talvez, já que o coração é um músculo, e por isso, contém muita proteína. - Vamos falar com Skinner, acabamos de resolver o caso: assassinato motivado por uma crença em transferência de energia, ou no caso, de um sentimento. Saíram da sala em direção à entrada pela sauna, mas não perceberam o vulto que os acompanhava a certa distância. Assim que passaram pela porta secreta no degrau da sauna, ouviram um barulho de trinco e perceberam que alguém havia trancado a passagem pelo lado de dentro. Dirigiram-se á porta da sauna, mas uma parede de metal desceu do teto, impedindo-os de sair. - Hei,abram aqui, queremos sair!!!-gritava Scully - Deixem-nos sair!!- ordenava Mulder, mas de nada adiantava, estavam trancados na sauna. - Não acredito nisso, Mulder!! Estamos presos aqui. Eles devem ter nos ouvido. - E provavelmente vão querer nos matar também.Se ao menos estivéssemos com nossas armas.....ou um celular.... - O que vamos fazer??? Estamos presos num hotel no meio do Pacífico, cercados por um bando de canibais... Entreolharam-se apenas, sabiam que estavam de mãos atadas naquele momento. Deveria estar perto da hora do almoço, mas com tamanho desespero, não tinham tempo de pensar em comida, queriam apenas, descobrir uma maneira de saírem dali. Passaram algum tempo em silêncio. - Nossa, como está quente aqui!! - Tem razão.....oh, não, era só o que faltava, eles ligaram a sauna!! - Mulder, vamos morrer cozinhados se ficarmos muito tempo aqui. Ele correu até a porta metálica e voltou a dar pontapés e gritar por ajuda, mas no fundo sabia que ninguém estaria ali para ajuda-los. A temperatura já estava bem elevada, então Scully decidiu desfazer-se de sua saída de banho. Ao vê-la somente de biquíni, Mulder estremeceu e arrepiou-se, apesar do calor insuportável."O que está fazendo, Scully??? Quer me enlouquecer?? O ambiente já está quente, e você ainda quer por mais lenha na fogueira?? Desse jeito não vou agüentar!!!" A temperatura de seu corpo subia mais a cada instante, então também decidiu tirar a camiseta, ficando apenas de bermuda. Dessa vez foi Scully quem se arrepiou: " Não faz isso Mulder!! Não é hora para vir me tentar!! Estamos sozinhos nessa sauna, quase nus, e você resolve tirar essa camiseta e deixar à mostra todos esses seus contornos perfeitos??? Isso é demais para mim, daqui a pouco não me responsabilizo pelos meus atos." A situação era realmente complicada, estavam trancados em uma sauna ligada, sendo mantidos como reféns de um grupo de sugadores de sentimentos, prestes a morrerem e loucos de desejo um pelo outro. Enquanto isso, no saguão do hotel, George Gilbert fala com Skinner ao telefone; este lhe pergunta sobre o casal e o proprietário diz que eles foram embora pela manhã. Do outro lado da linha, Skinner sente que algo está muito errado. - Prontos, já despistamos esse amigo inoportuno, agora é só esperar até que estejam prontos para serem sacrificados em nosso benefício.-disse George para Dora. Paradisiac Sea Hotel, sauna Quarta-feira, 4:12 pm Mulder e Scully estão,ambos, sentados no chão da sauna, onde a temperatura é minimamente inferior, de frente um para o outro. Scully aconselhou Mulder a não se mover muito, a fim de evitar um aquecimento extremo em seu organismo. Já estavam demonstrando os primeiros sintomas provocados pela excessiva desidratação, quando a temperatura começou a abaixar. - O que está havendo?? - Desligaram a sauna, Scully, nem acredito!! - O que vai acontecer agora?? Vão entrar por essa porta com um raio armazenado e arrancar nossos corações para servir na janta?? - Sinceramente espero que isso não aconteça, não agora. Scully nada respondeu, apenas devolveu a Mulder o olhar que ele lhe dirigia, o qual expressava exatamente tudo o que ele sentia e tudo o que ela desejava encontrar. Esperaram atenciosos, mas nenhum sinal dos velhinhos; notaram, apenas, que a temperatura continuava a cair. Scully voltou a colocar sua saída de banho e Mulder, a camiseta. - Primeiro quase nos matam de calor, e agora querem nos congelar?? Eles podiam se decidir!! - Estão querendo desnaturar nossas enzimas, Mulder, como acontece com o leite, para matar bactérias e outros microorganismos. - Venha, Scully.-ele a convidou com os braços - se ficarmos juntos, poderemos nos aquecer por um tempo maior. Ela se aninhou no peito de Mulder, que a protegia com seus braços. - Mulder? - Sim? - Dessa vez.......não vamos escapar......não é?? - Não diga isso, sempre conseguimos sobreviver!! - Preciso te dizer uma coisa. - O que é?? - Eu.......eu......eu te amo, Mulder. Desde....acho que desde aquela vez, no Oregon, há sete anos, quando achei que tinha aquelas marcas e fui até seu quarto. Mas só de uns tempos pra cá, fui entender esse sentimento... Ele a interrompeu, colocando os dedos sobre seus lábios e olhando firmemente para aquele par de olhos tão azuis quanto o mar que os cercava. Passou o polegar em seu rosto, contornados aqueles traços delicados e a beijou terna e apaixonadamente. - Eu também te amo, Scully, já te disse isso, mas você não quis acreditar. Mas dessa vez sei que vai ser diferente, sei que vai acreditar em mim. Eu te amo!! Não puderam dizer mais nada. A emoção era forte demais para permitir palavras, eles não precisavam delas. Beijaram-se mais uma vez, o carinho e ternura foram substituídos pelo desejo que estavam sentindo; nem percebiam mais o frio que os rodeava, seus corpos estavam em brasas que ardiam de paixão, de amor. Finalmente, cederam àquela tensão que pedia para ser aniquilada e dar lugar ao sentimento mais profundo, misterioso e belo do universo: o amor. Adormeceram felizes pois haviam concretizado seus desejos mais verdadeiros. Subsolo do Hotel Quarta-feira, 9:30 pm Mulder acordou assustado ao não sentir Scully perto de si; quando recobrou totalmente a lucidez, percebeu que estava imobilizado por correntes, com os braços estendidos em forma de cruz. Olhou ao redor e encontrou Scully, a aproximadamente três metros de si, na mesma posição. Ela acordou logo em seguida. - Você está bem, Scully?? - Acho que sim, e você?? - Não, estou longe de você. Ela esboçou um sorriso em meio à preocupação. Ouviram, então, passos e vozes indo em suas direções; logo Dora, seu marido e o restantes dos casais estavam diante deles. - Até que enfim acordaram!! - Tire-nos daqui, sabemos o que são e o que fazem.-disse Scully - Claro, minha querida, depois que retirar seu coração, que aliás, não poderia estar mais apetitoso. - Somos agentes federais, se nos matarem, estarão muito encrencados!!-disse Mulder - E quem vai procurar por vocês nesse fim de mundo?? Scully e Mulder se entreolharam, Dora estava certa, Skinner não sabia que corriam perigo e até ele perceber que algo poderia estar errado, já seria tarde demais. Dessa vez eles não tinham escapatória. Os velhinhos, que já não tinham uma aparência humana, mas sim pareciam com lagartos bípedes com enormes línguas, trocaram um sinal e separaram-se: as "fêmeas" foram para o lado de Mulder, enquanto os "machos" afastavam- se. Scully percebeu o que aconteceria a seguir e desesperou-se, não poderia salvar Mulder, seu Mulder, que agora ela sabia corresponder aos seus sentimentos. Dora aproximou-se dele e lançou-lhe a língua, que se encaixou no peito, sobre o coração, enquanto as outras se conectavam a líder. Mulder começou a gritar de dor e desespero, olhou para Scully, na tentativa de encontrar um fio de esperança, mas só encontrou o olhar apavorado e impotente de sua amada. O que aconteceu em seguida foi inacreditável: Skinner entrou na sala de arma em punho, seguido por mais quatro agentes federais. Ao ver o que se passava, não hesitou e atirou nas dez criaturas, que caíram mortas, não chão, novamente com aparência humana. Dirigiu-se, então, para o lado de Scully, enquanto os outros iam soltar Mulder, que estava aparentemente sem vida. - Não faça isso comigo, não agora, Mulder!!-lágrimas brotavam de seus olhos Mas, de repente, ele abriu aqueles olhos verdes profundos e abraçou-se a Scully: estavam juntos novamente. Sede do FBI Sexta-feira, 9:30 am - Os dez corpos foram examinados e nada de anormal foi encontrado em suas estruturas. Não há indícios de que fossem lagartos humanizados, nem que sugavam nada de mingúem, como você expõe em seu relatório, agente Mulder. - Mas o senhor viu o que nós vimos.-alegou Scully - O que vi, agente Scully, foram de pessoas tentando matar dois agentes federais. Somente isso. - Você os viu, Skinner, só não quer admitir. - Agentes, vocês fizeram um ótimo trabalho no Havaí, desvendando um caso puro e simples de assassinato e canibalismo. Não há nenhum indício de fenômenos estranhos envolvidos nesse trabalho, que já está encerrado. Mulder e Scully levantaram-se e caminhavam para porta, quando Skinner completou; - Por causa disso, o governo havaiano resolveu presenteá-los com uma semana de hospedagem em um hotel em Honolulu. Cortesia do estado do Havaí. Boas férias, agentes, vejo-os em uma semana. Eles saíram da sala de Skinner e foram para o porão; - Nós vamos voltar para o Havaí?? Ai, Deus, chega de mutantes por uma semana, só uma semaninha!! - Relaxa, Scully, é a nossa chance de termos uma lua-de-mel decente. Praia de Kailua, Honolulu Domingo, 6:30 pm Mulder está sentado na areia, olhando para o por do sol no mar: os tons avermelhados do crepúsculo faziam com que se lembrasse do amanhecer que havia presenciado dias atrás. - O que está olhando, Mulder??-ela perguntou sentando ao seu lado - Estou admirando um quadro, um belo quadro.- e olhou para ela- mas nem a mais bela das pinturas consegue superar a beleza de uma certa obra- prima, que está bem na minha frente agora. Ela apenas sorriu e beijou-lhe os lábios; ficaram, então, juntinhos, curtindo o cenário que emoldurava a história de amor de um casal muito apaixonado. Fim XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX É isso aí, espero que tenham gostado. Ah, e não se esqueçam do feedback (danaxscully@zipmail.com.br) por favor!!!! Um beijão Dana @}---