Título: O AMOR Autora: ANNA PAULLA FERREIRA Spoilers: Não há Classificação: SHIPPER (Se você não é "shipper", não leia.) Censura: 18 anos (As cenas são leves, mas há sexo. Ler ou não ler? A escolha é sua.) Palavras-chave: Sentimento, relacionamento, sexo. Resumo: Mulder e Scully tomam uma importante decisão sobre seu relacionamento pessoal. Esclarecimentos: Nesta estória fujo um pouco ao comportamento habitual de nossos agentes preferidos, afinal, não conhecemos a fundo qual a reação de ambos frente a situação descrita, ou seja, em relação ao amor sexual (e não ao fraterno, como já vimos inúmeras vezes nos episódios de ARQUIVO X). De qualquer maneira, tento manter o máximo possível a proximidade da narrativa com o que acredito ser a personalidade dos dois. Disclaimer: Os personagens Mulder e Scully são de propriedade da "Twentieth Century Fox Television" e da "Ten Thirteen Productions". Esta estória foi escrita única e exclusivamente para o divertimento dos fãs, não tendo fins comerciais ou lucrativos. Feedback: Entre em contato comigo; diga o que achou; gostaria muito de receber sugestões para as próximas fanfictions que ainda pretendo escrever. Mande sua opinião para: danafanficx@yahoo.com.br ATENÇÃO: Esta fanfiction pode ser publicada em qualquer Site, desde que MANTIDA NA ÍNTEGRA (sem cortes ou acréscimos) e que eu seja avisada através de e-mail para que possa visitar o Site em questão. O Amor POR ANNA PAULLA FERREIRA A CURIOSIDADE Mulder e Scully estavam voltando à sede do FBI, em Washington, quando viram uma limosine estacionar em frente a uma floricultura. O luxuoso carro não teria chamado a atenção da agente se não fosse pelo fato de ter uma discreta plaquinha ao lado de sua logomarca. Scully divertiu-se com o fato, contudo, sua sobriedade permitiu-lhe apenas apontar ao parceiro o motivo de sua parada. Ele observou o pequeno artefato com olhar clínico. Nele se podia ver uma paisagem azulada com um disco voador pairando no ar e se ler: "Eu quero acreditar". Mulder, então, resolveu entrar na floricultura e ver se descobria quem era o responsável pelo automóvel, sendo seguido pela agente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX O DESPERTAR Ao entrarem na loja, soou uma delicada campainha e logo o homem de camisa colorida virou-se para fitá-los. ATENDENTE: O que desejam? MULDER: Gostaríamos de saber de quem é aquela limosine estacionada aqui na frente. ATENDENTE: Desculpem, mas não vejo nenhuma limosine. SCULLY: Mulder! Sumiu! MULDER: O que?! ATENDENTE: Acho que se enganaram. SCULLY: Não! Um homem de terno azul desceu dela e entrou aqui. ATENDENTE: Vocês foram os primeiros aqui (Pausa) nos últimos 30 minutos. Bem, se me dão licença, preciso atender aquela senhora que acabou de entrar. Os dois se olharam sem entender o que acontecera e já estavam indo embora quando a senhora chamou-lhes a atenção com seu riso sonoro e ritmado; depois, pareceu entrar numa espécie de transe acordado. SENHORA: (Sussurrando) Eu quero acreditar... ATENDENTE: O que disse senhora? Como num estalo, a idosa mulher voltou ao normal. SENHORA: Eu disse que desejo uma dúzia de rosas brancas. ATENDENTE: Arranjo simples ou especial? SENHORA: Especialíssimo. E não se esqueça da rosa vermelha no centro. ATENDENTE: Como quiser. MULDER: Por que? SENHORA: Por que o que? MULDER: Por que a rosa vermelha no centro? SENHORA: Ora rapaz! Esta é uma antiga tradição. Não a conhece? Estou lhe dando meu coração. MULDER: Como?! SENHORA: Meu marido está fazendo aniversário hoje. Foram anos e anos juntos, lutando pela sobrevivência... O mínimo que posso lhe oferecer é meu coração. (Suspiro) Tenho esperança de que possa ficar bem. Sabe, ele está internado. Desenvolveu um câncer maligno a alguns anos e a um mês sofre num leito de hospital. Não sei se ainda posso suportar isso... MULDER: Sinto muito. Scully, que ouvia calada, deixou lhe escapar pela face uma lágrima furtiva. Ela sabia o que era aquilo. Sabia quanto sofria uma pessoa internada: Os montes de exames, as dúvidas, a dor, o desespero. SENHORA: Você tem uma linda esposa rapaz. E tão delicada. Cuide bem dela. (Desconsoladamente) Nunca pude demonstrar o suficiente o quanto amava e ainda amo meu marido... E nem ele conseguiu... (Pensativa) O orgulho e o medo tornam o verdadeiro amor intangível. Nós perdemos tanto na tentativa de não nos expormos... O trabalho consumia todo nosso tempo e acreditávamos que isso era o suficiente. Agora ele está desse jeito, inconsciente, a beira da morte. Preciso dizer que meu coração pertence a ele. Essa, talvez, seja minha última chance. Espero que ainda haja tempo... Quero que haja. (Suspiro) Bem, não quero cansá-los com minha conversa. Preciso ir. MULDER: A senhora vai conseguir... SCULLY: Boa sorte. SENHORA: Obrigada. (Olhando para Scully) Dê flores a seu marido. (Virando- se para Mulder) Diga a sua esposa o que sente. (Voltando-se para os dois) Não percam seu tempo. Vocês formam um lindo casal. (Pausa) Um dos mais bonitos que já vi... A senhora saiu deixando os dois agentes estarrecidos, sem fala. E, quando olharam de novo, ela estava entrando numa limosine. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A DÚVIDA Mulder e Scully entraram em sua sala ainda calados. Não sabiam o que dizer, como agir, ou o que fazer. Mergulharam no trabalho fugindo à conversa que deveriam ter. Passaram-se horas e chegara o momento de irem para casa descansar e recuperar o fôlego para o dia seguinte, que provavelmente seria exaustivo, pois haviam inúmeras evidências a serem checadas e montes de assuntos a serem discutidos sobre o caso que estavam investigando. MULDER: Scully... Ahhhnnn... SCULLY: O que foi Mulder? MULDER: Nada. Deixa para lá. SCULLY: Estou exausta! MULDER: Eu também. SCULLY: Mesmo assim, gostaria de conversar com você. MULDER: Agora? SCULLY: Sim. Poderíamos ir jantar. O que acha? MULDER: Aonde? SCULLY: Não sei. O que sugere? MULDER: O que acha de irmos ao meu apartamento? Eu preparo o jantar. SCULLY: Não sabia que cozinhava. MULDER: Irei preparar minha especialidade. SCULLY: Que especialidade? MULDER: Espere e verá. SCULLY: (Fazendo "cara" de medo) Ai meu Deus... Espero que não seja nada paranormal. MULDER: Muito engraçada. SCULLY: OK. A que horas? MULDER: Às nove está bom? SCULLY: Está. O clima de descontração era apenas um disfarce para a difícil situação que enfrentariam. Conheciam-se tanto, sabiam como um e outro reagiria a determinadas situações, quase liam o pensamento um do outro, fariam qualquer coisa para protegerem um ao outro, entretanto, não podiam admitir que se amavam. O medo de ambos era o mesmo, não queriam que uma amizade tão sincera e significativa fosse abalada por sentimentos passageiros. Sabiam, também, que esta conversa afetaria muito seu relacionamento, mas a dúvida era enlouquecedora e eles precisavam, enfim, discutir aquilo que a muito adiavam. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A CONVERSA MULDER: Pontualidade Britânica Scully. SCULLY: (Com meio sorriso) Como vai nosso jantar? MULDER: Está quase pronto. SCULLY: Estou curiosa. Será que finalmente poderei saber o que comeremos? MULDER: Venha ver. SCULLY: Huuummm, parece delicioso. MULDER: Parece normal o suficiente para você? SCULLY: Mulder! MULDER: (Sorrindo) Sente-se Scully. SCULLY: Obrigada. O clima continuou bastante descontraído durante todo o jantar, contudo, depois da sobremesa o semblante de ambos tornou-se sério e a conversa tomou outro rumo. SCULLY: Bem, por onde começamos? MULDER: Não sei; estou confuso. SCULLY: Eu também. (Pausa) Acredito que devemos ser honestos, não? MULDER: Sempre fomos, não acha? Você faz idéia do que houve? Quem será aquela senhora? De onde veio? SCULLY: Uma pergunta de cada vez... Não faço a mínima idéia de onde veio aquela senhora, mesmo porque, vimos um homem entrar na floricultura... (Franzindo a testa) Para onde será que ele foi? MULDER: Não sei. Mas essa não é a pergunta de 5 milhões de dólares Scully. SCULLY: E qual é então? MULDER: O que ela pretendia com tudo que nos disse? SCULLY: Talvez estivesse apenas frustada. MULDER: É, talvez. Mas acho que era mais do que isso. SCULLY: Quer ir direto ao assunto Mulder? O que está tentando me dizer? MULDER: Que estou ensimesmado com o que ela disse. Toda essa estória de medo, orgulho, am... SCULLY: Continue. MULDER: Scully... você acha que o medo pode afastar de nós aqueles que amamos? SCULLY: Não sei. Esse é o seu medo? Medo de sentir medo? MULDER: Não. Não é isso. Você me acha orgulhoso? SCULLY: Às vezes, mas não com relação a mim. Comigo você só é provocador. MULDER: Você é que me provoca. SCULLY: Tenho medo também. Scully fez uma pausa, suspirou, olhou para o homem à sua frente. Mulder também a olhava, queria falar, mas não podia; além do mais, sua parceira precisava terminar seu raciocínio. MULDER: De que tem medo Scully? SCULLY: De amar e não ser correspondida. De arriscar um relacionamento sólido. De apostar no número errado. MULDER: Como assim? De quem está falando? Você está apaixonada por alguém? Mulder empalideceu ao perguntar, mas precisava de uma resposta. Não sabia qual seria sua reação se ela dissesse que amava outro. Scully sentiu-se encurralada, contudo, acreditava que aquela senhora estava com a razão. Não podia mais esconder o que sentia. Tinha a impressão de que se esperasse mais um minuto para revelar o seu tão bem guardado segredo, iria explodir. SCULLY: (Suspirando) Sim estou. MULDER: E-eu o conheço? SCULLY: Conhece. MULDER: (Com os olhos marejados) Espero que ele a ame e a faça muito feliz. (Engolindo em seco) Você é especial e merece alguém especial. Torço por você. Scully ficou desorientada. Como assim? Por que ele havia dito que torcia por ela ao invés de dizer que também a amava? Será que ela tinha se enganado? Mas ele pareceu olhá-la de maneira tão especial enquanto aquela senhora falava... Bem, já havia chegado até aqui e o melhor era terminar logo com essa estória. Se ele dissesse que não gostava dela como mulher, ficaria arrasada, mas pelo menos sofreria de uma vez. Além disso, era melhor sofrer pela certeza, do que pela dúvida. SCULLY: Sei que gosta de mim Mulder. E se preocupa com meu bem estar. Eu também gosto e me preocupo com você. (Pausa) Não sei exatamente o que sente mas... E-eu... (Engasgando) Tenho medo de dizer, não sei qual será sua reação. É engraçado, não? Conheço você tão bem e não posso prever sua reação quanto a este assunto. (Pensativa) Isso é tão delicado. Como posso dizer? MULDER: Diga logo Scully. Quem é o cara? Mulder nunca se sentiu tão arrependido. Por que nunca dissera a ela o que deveria? Por que a deixou escapar por entre seus dedos? Por que não deixava transparecer seus sentimentos mais puros e sinceros? O que havia feito???!!! Agora ela estava apaixonada. O que seria dele? O que faria com todo aquele sentimento armazenado em seu coração durante tanto tempo? Lembrou-se daquela senhora da floricultura; será que ela havia conseguido, finalmente, dizer ao marido o quanto o amava? Será que tinha dado tempo? Será que ela era real? Seus pensamentos iam longe, quando foi interrompido. SCULLY: Mulder? Você está bem? MULDER: Sim. Acho que sim. Desculpe-me; continue. SCULLY: (De uma só vez) Eu amo você Mulder. MULDER: O que???!!! SCULLY: (Pesarosamente) Me desculpe. Não queria decepcioná- lo. Não precisa ficar constrangido, jamais exigirei o mesmo de você. Sabe disso. Mas eu precisava falar. (Suspiro) Não podia mais conviver com esse segredo. Estava enlouquecendo. Espero que isso não abale nossa amizade, coisa que prezo imensamente. MULDER: Eeeu... estou surpreso Scully. Não esperava isso. De verdade, não esperava... SCULLY: (Com os olhos cheios d'água) Não se preocupe. Só quero estar perto de você. Não vou pressioná-lo ou qualquer coisa assim. MULDER: Não é isso Scully. Estou surpreso com o destino; se não tivéssemos entrado naquela floricultura, talvez nunca chegássemos aqui. SCULLY: (Ainda constrangida) O que exatamente você quer dizer? MULDER: Quero dizer que se não tivéssemos ouvido aquela velhinha, talvez nunca soubéssemos que nos amávamos. SCULLY: O que???!!! MULDER: (Sorrindo e chorando ao mesmo tempo) É isso mesmo Scully, eu também a amo. Você não sabe o quanto estou aliviado e feliz por saber que você sente o mesmo por mim. Os dois entreolharam-se. Sabiam que precisavam tomar uma decisão muito importante. O primeiro passo estava dado, mas... E agora? XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A DECISÃO Depois da conversa na noite anterior, Mulder e Scully estavam inseguros e um pouco confusos. Ainda não tinham se tornado um casal, tudo ficara meio no ar. Tinham que pensar e decidir que rumo tomariam. Mulder despedira-se de Scully com um beijo na testa e agora, ao entrar na sala do porão, sorriu para ela meio sem graça, como uma criança que fizera algo errado e temia as conseqüências. SCULLY: Bom dia. MULDER: Bom dia Scully. Dormiu bem? SCULLY: Sim. E você? MULDER: Também. SCULLY: Temos que terminar de investigar este caso. Encontrei novas evidências; veja. MULDER: Huuummm... Parece que estamos no caminho certo. SCULLY: Ainda precisamos interrogar a Sra. Wyler. MULDER: Que tal fazer isso agora? Depois passamos no laboratório de análises para pegar o resultado das amostras e... Mulder fez uma pausa bastante longa e Scully o ficou observando, tentando entender o que retardara o restante da fala do parceiro. MULDER: ... Podemos almoçar juntos. SCULLY: É... O.K., vamos. Os dois agentes, então, deixaram o porão, indo em direção a casa da Sra. Wyler. Interrogaram-na e, no caminho para o laboratório, foram discutindo as informações que haviam acabado de obter. Assim que pegaram os resultados, decidiram ir ao restaurante mais próximo, pois já passava das duas e eles não queriam correr o risco de não almoçar. Não naquele dia tão atribulado, em que estavam exaustos com o final de mais um caso e sabendo que tinham um enorme relatório pela frente. Além disso, precisavam conversar. Sabiam que não podiam mais adiar isso. Chegando ao restaurante, o garçom os levou a uma mesa disponível e lhes entregou o cardápio. Eles escolheram e ficaram conversando sobre "amenidades" enquanto esperavam pelo pedido. MULDER: Esta comida veio em boa hora. Estou morrendo de fome. SCULLY: Também estou faminta. MULDER: Você acha que os resultados da análise condizem com o que a Sr. Wyler nos disse? SCULLY: Sim. O que nos leva direto ao nosso principal suspeito... MULDER: Tem razão. Ele é o assassino. Não há mais dúvidas. SCULLY: Mais um caso encerrado. MULDER: É. SCULLY: Nossa! Acho que passei dos limites. Comi demais. MULDER: Quer dizer que não vai sequer experimentar a sobremesa? SCULLY: Qual delas? Scully pegou o cardápio e mostrou a Mulder como quem diz: "Não é tão óbvio, temos várias opções". Ele viu na atitude dela uma "deixa" para brincar e, talvez, retomar o assunto inacabado na noite anterior. MULDER: Esta aqui. Dizendo isso, ele levou os dedos aos lábios e a olhou fixamente, aproximando-se do rosto dela e insinuando que um beijo seria uma boa opção de sobremesa. Ela ficou sem jeito e deixou escapar um leve sorriso, o que o encorajou. SCULLY: Huuummm... Deliciosa. Acho que vou pedir mais ao garçom. MULDER: Você está muito gulosa, Doutora Scully. Scully e Mulder sorriram e olharam-se. Não imaginavam que um dia poderiam "brincar" assim um com o outro. Mas sabiam que este seria o melhor momento... MULDER: Falando sério Scully, o que vamos fazer a esse respeito? SCULLY: Bem, não podemos ignorar o fato de estarmos a cada instante mais próximos um do outro, não é? Mas não sei como lidar com esta situação... MULDER: Isso é muito irônico. Como chegamos a esse ponto? Por que não sabemos o que fazer? Não acha que somos um caso perdido, acha? SCULLY: Seria triste... (Pausa) Acho melhor não abrirmos os olhos. E se tudo não passar de um sonho? MULDER: Seria o melhor que já tive. (Pensativo e sorrindo) Nem me importaria de acordar agora. (Pausa) Mas prefiro acreditar nessa realidade maravilhosa que podemos viver. Basta uma palavra sua Scully; a minha decisão já está tomada. Eu aceito correr o risco, pois sei que mesmo alguma coisa saindo errada, não perderei o respeito e admiração que tenho por você. Além disso, acho que conseguiríamos superar e continuar amigos. SCULLY: Não quero mais ser sua amiga Mulder. Já o fui por muito tempo. Quero mais desse relacionamento. O "platonismo" não é meu forte, embora o tenha vivido por todos esses anos. Eu quero VOCÊ. Jantamos hoje em meu apartamento? MULDER: (Ironicamente) Como quiser meu amor. SCULLY: Engraçadinho. A que horas? MULDER: As oito e meia? SCULLY: OK. Mas agora acho melhor voltarmos ao Bureau. MULDER: Antes que o Skinner note nossa ausência. SCULLY: Vamos. A decisão estava tomada. Eles correriam o risco... A tarde fora interminável. Por mais que estivessem ocupados terminado o relatório do caso que haviam acabado de encerrar, o tempo parecia não passar, os ponteiros do relógio pareciam marcar sempre a mesma hora... Quando finalmente puderam sair, os dois se olharam ternamente, esperando uma espécie de confirmação do que fora combinado. O sorriso era inevitável nos lábios de ambos. Faltava pouco afinal... XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX O AMOR Mulder chegou no apartamento de Scully com quinze minutos de atraso e a encontrou ansiosa, tão ansiosa quanto ele próprio. A decisão que haviam tomado era bastante relevante e ambos temiam o resultado de tudo aquilo. SCULLY: Está atrasado. MULDER: Só um pouquinho, senhorita perfeição. Scully fez um gesto para que Mulder entrasse e o levou até a sala, onde o sofá o esperava... SCULLY: É verdade, eu é que estava impaciente. MULDER: Eu também. Já estava enlouquecendo com aquele trânsito horrível. Houve uma batida aqui perto. SCULLY: Alguém se feriu gravemente? MULDER: Não. Mas a briga era interminável. Os dois motoristas queriam ter razão. SCULLY: É sempre assim. Bom... O que acha de jantarmos agora? Mulder deu de ombros e continuou sentado. MULDER: Não é engraçado? SCULLY: O que? MULDER: Estarmos aqui; assim; sem sabermos o que fazer; como dois adolesc... O que foi? O que está olhando? SCULLY: O quanto você é lindo. E charmoso quando fica embaraçado com alguma coisa. Mulder a olhou, tímido, o que a fez sentar-se ao lado dele. Era estranho vê-lo assim, estava acostumada com as decisões rápidas e impulsivas do parceiro. Achou graça do modo como reagira. SCULLY: Não precisa ficar constrangido, foi apenas uma observação. Aliás, acho que demoramos demais para tomar essa decisão, não acha? MULDER: Acho que tudo tem seu tempo. Se não aconteceu antes é porque não seria bom. Agora já amadurecemos muito nosso relacionamento e tudo será melhor. SCULLY: Você tem razão. Mas acho que sempre amei você, até na época em que não admitia para mim mesma. MULDER: Eu fui um tolo. Hoje sei que sempre a amei. Foi uma pena não termos percebido isso antes. Perdemos um tempo precioso... SCULLY: Mas como você mesmo disse, tudo tem seu tempo. Nesse momento Mulder acariciou a delicada e sorridente face de Scully e a olhou com tanta doçura e desejo que a fez ruborizar-se, ao mesmo tempo em que abaixava a cabeça. Então, ele segurou a ponta de seu queixo, levantando aquele rosto que sempre o encantara. Olhando fixamente para seus lábios, ela se aproximou do homem que tanto desejava, beijando-o com a mesma intensidade em que era retribuída. Mulder estava sentado na frente do abajur e a luz que o objeto emanava, contornava o corpo dele, tornando-o mais atraente que o normal. Ela tocou seu tórax e fez menção de desabotoar sua camisa. O sorriso dele brotou instantaneamente, incontrolável, como o de um menino que descobria o amor. Nunca havia se sentido tão bem. O carinho e o respeito que sentia por Scully eram tão grandes... Ele tomaria cuidado, não faria nada que a pudesse magoar ou ferir. Devido a reação dele, ela continuou o que havia começado e, finalmente, chegou ao último botão, podendo assim, abrir e tirar a camisa que escondia a parte superior do corpo de Mulder. Ela iria devagar, não queria assustá- lo. Sentia cada toque das mãos dele como uma chama que compunha a fogueira que estava por se formar. Ele se livrou da blusa que ela usava, vendo seu sutiã e as curvas perfeitas de seu corpo. Ela era linda. E quente. Sentia seus lábios tocando seu peito e a cada novo beijo, seu sangue fervia ainda mais. O desejo consumia todos os seus sentidos, já não podia pensar direito. Scully sorriu quando ele a beijou entre seus seios. Os lábios dele eram macios e ágeis; ela podia, também, sentir a respiração ofegante dele, o que a arrepiava inteira. A sensação daquelas mãos fortes percorrendo seu corpo provocavam-lhe uma leve tontura. E seu impulso seguinte foi o de abrir o botão e o zíper da calça de Mulder para poder arrancá-la. O perfume de Scully o fazia enlouquecer. Ela estava sorrindo, provocante e bela. A luz das estrelas a iluminava, destacando cada parte de seu corpo, que agora estava coberto apenas pelas roupas íntimas que a tornavam ainda mais sexy. A respiração dela era profunda e ritmada, mostrando a ele todo o desejo que sentia e o fazendo trazê-la cada vez para mais perto dele. A força da masculinidade de Mulder a fez derreter-se, não podia mais conter seu impulso, queria que os dedos dele a tocassem, queria sentir aquele amor desabrochar e isso a fez ajudá-lo a desabotoar seu sutiã. Então, beijou seu tórax, cada músculo dele, sentia-se como uma divindade, tamanho o respeito, misturado ao desejo, que Mulder demonstrava naquele momento íntimo. Ao ver Scully tão selvagem, sentiu-se pronto a entregar-se de todo o coração. Sua alma já estava entregue. Soltou um leve gemido ao sentir as mãos dela em sua cintura, encaminhando-se para o tecido que ainda insistia em cobrir seu corpo. Ela também o respeitava, em todos os movimentos que fazia procurava saber se o estava agradando. Ele sentia isso e retribuía da mesma forma, acariciando o corpo delicado da mulher que amava, com cuidado. Percepção era o que não faltava a ele. Sabia disso pela reação dele ao ficar totalmente nu diante dela. Sabia que ele estava se expondo tanto quanto ela. E o toque das mãos fortes de Mulder mais uma vez a fez gemer. Sua respiração estava ofegante, mas quando sentiu sua calcinha sendo doce e lentamente retirada, pensou que ia desmaiar, o ar parecia estar faltando, por um breve instante parou de respirar e sorriu para ele. Agora ela também estava totalmente nua. Linda. A suavidade de sua expressão o encantava. Beijou-a inteira. Os pequenos gemidos que soltava o excitavam ainda mais. Seus seios haviam aumentado de tamanho, estavam rijos e ele podia sentir o mesmo prazer que sabia que ela sentia. Seus corpos estavam em completa sintonia e se desejavam ardentemente. Porém, o desconforto do sofá o fez empurrar a mesinha de centro e jogar-se ao chão, puxando Scully com ele. Mas o chão estava frio, então, ele levantou-se devagar, sem soltar-se dela, a pegou no colo e a levou para o quarto, colocando-a na cama, delicadamente. Esta era macia e confortável, convidativa; e o corpo perfeito dele por cima do dela faziam todos os seus sentidos entorpecerem-se. Ela podia sentir o desejo de Mulder naquele momento. Podia sentir os músculos dele se contraindo e se relaxando, alternadamente, assim como os dela. Sentia-se completamente envolvida. Soltou um grito de prazer quando sentiu seu corpo sendo invadido pelo dele. Seu sentimento era indescritível naquele momento, sua alma e seu corpo precisavam de Mulder, cada vez mais... Ele gritou junto com Scully nesse instante. Sentia-se como os antigos Reis Celtas ao possuírem as sacerdotisas virgens, donzelas guardadas para eles até a época de Beltane. Era um momento sagrado, onde as forças masculina e feminina se encontravam e se entregavam à intensidade dos instintos mais naturais; e necessários à vida. Era o início de um novo ciclo. Eles pertenciam um ao outro. Ela sentia novamente uma onda elétrica a lhe percorrer o corpo, gerada pelos movimentos ritmados e intensos de Mulder e dela própria. Arranhava as costas dele como se quisesse uma proximidade ainda maior. Puxava-o para si, fazendo-o aumentar a velocidade de sua ação. Sua respiração perdera o compasso, estava irregular e seu corpo ávido pelo dele. Como era lindo aquele homem! Meu Deus, como o desejava! Seu corpo arqueado sob o dele o fazia sentir calafrios, que percorriam toda sua espinha, excitando-o cada vez mais. A cada toque das mãos da mulher que tanto queria e de quem tanto precisava, ele perdia mais um pouco da razão. Sua mente só conseguia pensar em satisfazê-la e satisfazer- se. Entregou-se completamente a seus instintos, tocando-lhe os seios, fazendo-a gemer e apertá-lo contra si com uma força que ele jamais imaginou ser possível. Seus corpos estavam quentes e úmidos, seus corações repletos de felicidade e ele podia ver a luz das estrelas pela janela, mas não a podia distinguir, a única coisa que conseguia ver com nitidez era o rosto de Scully, sua doce Scully. Os músculos de Mulder colados a seu corpo a deixavam sem nenhuma defesa, na verdade, a deixavam mais selvagem do que no início, quando o inocente toque do homem que amava a fizera delirar. Mas a inocência deu lugar ao desejo e este, ao prazer que sentiam agora. Delicadamente ela se virou, fazendo-o virar-se também e, nesse breve movimento, suas posições inverteram-se, aumentando o fogo que os consumia. Ela sentia cada vez mais a intensidade do corpo de Mulder desejando o seu. Ele estava rígido e sua respiração também perdera o compasso, tornando-se ofegante, irregular. O corpo de Scully sobre o dele havia derrubado as últimas barreiras entre os dois, se é que elas ainda existiam. O movimento regular e cada vez mais rápido dela o faziam delirar, ele olhava profundamente para a imensidão daqueles olhos azuis que diziam tanta coisa, deixando os lábios dela livres para beijá-lo; e a cada beijo ele sentia-se mais forte, mais decidido a fazê-la feliz. Ele estava feliz. Scully despertara nele sentimentos e ações que há muito estavam adormecidas, ou melhor, que nunca pensou existirem em seu âmago. As mãos dele em seus quadris a forçavam gentilmente para baixo, reforçando seus movimentos e unindo-os ainda mais. Os olhos verdes, transparentes e sinceros, a faziam sorrir; sentia ainda mais prazer ao experimentar a profundidade do olhar que a observava com tamanha intensidade. Abaixou-se um pouco sobre ele, que beijou seus seios, seu pescoço e sua boca. A língua dele era quente, tão quente quanto seu corpo sob o dela e isso a fazia ver uma imensidão de formas distorcidas, onde a única coisa que podia distinguir era o rosto sorridente e suado voltado para ela. O amor que sentiam era puro, sincero e intenso. Assim como seus movimentos nesse momento tão íntimo e agradável. Ambos suavam, sorriam, ofegavam, numa simples demonstração das sensações que tinham naquele instante mágico. Os corpos ardiam mais e mais e as labaredas daquela fogueira que se acendera estavam muito altas, fazendo a temperatura ultrapassar os limites das forças que os unia, tornando os dois corpos um só, levando-os do êxtase ao ápice do ato que praticavam. Lentamente a respiração de ambos foi voltando ao normal, seu sangue já não fervia como a pouco, seus corpos experimentavam, nesse instante, a suavidade e a doçura do amor satisfeito, da realização de seus sonhos... Sabiam o significado de tudo aquilo que acabara de acontecer. Tinham traçado um caminho sem volta; um caminho, por sorte e merecimento, de Luz, Amor e Paz. E a Lua iluminava o quarto, envolvendo-os totalmente, num gesto de aprovação ao ato praticado, que finalizara um ciclo e iniciara outro... FIM XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX "Trazem notícias abençoadas, Do inverno se faz a primavera, Essa é a verdade que cantamos. Agora, na hora sagrada, o verbo do poder foi dito; e o medo termina..." Trecho retirado do livro "A Senhora de Avalon" de Marion Zimmer Bradley XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Feedback: Entre em contato comigo; diga o que achou; gostaria muito de receber sugestões para as próximas fanfictions que ainda pretendo escrever. Mande sua opinião para: danafanficx@yahoo.com.br 1