FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Triste SPOILER : This is nothing happening SINOPSE : Scully finalmente está sozinha. OBSERVAÇÕES : Essa fic tem morte de personagem, mas a culpa não é minha. Como diz a Claudia Modell, a culpa é toda da Fox. Espero um feedback, por favor. NUNCA DESISTA DE UM MILAGRE Resistência era algo que vinha sendo minado lentamente de seu corpo e de sua mente. Saber notícias do parceiro era tudo o que ela vinha esperando nos últimos meses. A razão pela qual se levantava todos os dias e enfrentava o olhar de desdém ou desaprovação daqueles que se haviam encarregado de encontrar Mulder. Mas aquilo era algo muito maior do que sua capacidade de suportar. Sabia que os laços que mantinham os abduzidos eram frágeis, mas imaginar que eles fossem devolvidos apenas com um último suspiro de vida, parecia insuportável. Ela precisava seguir adiante, de qualquer maneira. Sentia que havia mais coisas por trás daqueles súbitos reaparecimentos. Encarar Thereza, no entanto, foi a gota d'água para ruir suas resistências. Ao fitar seu semblante desfigurado e ouvir as explicações do médico sobre o tratamento que ela havia recebido, Scully sentiu com se estivesse diante de Mulder e suas forças sucumbiram através dos olhos. Seria insuportável. Tentava de todas as maneiras manter-se equilibrada, mesmo durante a autópsia que se sentiu na obrigação de executar. Mesmo quando identificou Jeremias Smith naquela fita de vídeo e viu suas esperanças começarem a surgir, tímidas, quando comprovou o restabelecimento de Thereza. Mas foi tudo um miserável engano. Tudo uma tremenda perda de tempo, sonhos e esperanças. Ele estava morto. Mulder. Seu parceiro. Nunca mais poderia fitar seus olhos curiosos e seu sorriso de menino. A dor penetrava cada centímetro de seu cérebro, escurecendo-lhe a visão, enfraquecendo seus passos, até que caiu de joelhos sob a luz que levara sua última esperança de cura. Ela viu a movimentação ao seu redor, mas era como se fosse mera expectadora. Sentiu os braços de alguém a colocá-la em pé e seus olhos encontraram os de Doggett. _ Missão cumprida _ ela sussurrou com voz dolorida _ Resta- lhe apenas um relatório a fazer_ terminou, desvencilhando-se de seu abraço e, ignorando seu semblante mortificado, saiu correndo pela porta, encontrando refúgio entre as árvores, sob as estrelas que Mulder dissera ser a habitação das almas. Precisa acreditar nisso. Ele teria que estar ali entre elas. Sua obstinação, seu olhar resoluto... sua segurança...seus braços fortes...seu cabelo caído sobre a testa...seu humor sarcástico... suas piadas estúpidas...seu sorriso acolhedor...sua sede de justiça...seus passos firmes...sua fala mansa e rouca...sua memória fotográfica. Ah Deus ! Como gostaria de ter a memória dele nesse momento, para se recordar das inúmeras vezes em que ambos foram advertidos sobre esse final trágico. Pra se recordar, em detalhes, de todas as vezes em que ele lhe sorriu...a estreitou num abraço...a fez rir...chorar...sonhar e viver. Isso não era real. Não poderia estar acontecendo. Após oito anos, acreditava ser impossível que alguém viesse a separá-los. Eles tinham que estar juntos, precisavam tanto um do outro. E as lágrimas correram em grossas ondas pelo seu rosto. Skinner se aproximara cauteloso. Não disse nada. Não a tocou. Apenas permaneceu ao seu lado. Demonstrando através de sua presença e de suas lágrimas, o quanto lamentava a morte do agente que aprendera a admirar. Tentando tomar as rédeas de seu destino, Scully ergueu os olhos e fitou o amigo que lhe estendia a mão. _ Isto não está acontecendo, não é ? _ ela sussurrou. _ Precisa ser forte, Dana _ Skinner respondeu, passando os braços sobre os ombros dela. Scully sorriu com amargura. _ É só o que eu tenho feito nos últimos oito anos, senhor. Tentado ser forte. Mas acho que não vou conseguir agüentar. Tudo parecia menos difícil quando ele estava aqui... _ Não estou pedindo que não sofra, Scully. Mas há mais alguém com quem se preocupar... Scully baixou os olhos para seu ventre e o tocou de leve. _ Não sei como ele tem suportado...foram tantas coisas. _ Ele deve ter herdado a resistência dos pais não é ? _ Skinner murmurou carinhoso _ Vamos, você precisa descansar _ continuou com ar paternal. E ela se deixou conduzir de volta à cidade. Ia silenciosa ao lado dos outros três agentes. Ela não via, mas podia sentir os olhos de Doggett em suas costas e imaginou que devia tê-lo ferido profundamente com suas palavras. Mas ela se sentia, pela primeira vez desde que começaram a investigar o desaparecimento do parceiro, com o direito de dizer-lhe exatamente o que pensava sobre a força tarefa organizada para a missão. Eles pouco se importavam se Mulder fosse encontrado com vida ou não. Designar agentes para tal trabalho havia sido apenas para justificar-se perante as pessoas que cobrariam tal atitude. Mas eles não estavam interessados em ter êxito. Ela suspirou. Estava sendo injusta. Embora seus métodos fossem muito acadêmicos e formais, apesar de sua postura fria e desdenhosa, Doggett esforçara-se para obter sucesso em sua missão. Tentara inúmeras vezes se aproximar dela. Protegera-a da denúncia sobre o relatório falso e se mostrara incansável na busca de informações, mesmo que as erradas. Porém, a única coisa que se mostrava concreta era o corpo sem vida do homem com quem ela dividira seus melhores e piores momentos durante oito anos. E parecia toda uma existência. Tudo o que se passara antes disso, soava distante, perdido entre as brumas da insignificância e do passado. E ela temia que essas brumas envolvessem o seu futuro. Não conseguia imaginar com seria dali para a frente sem ele. A realidade tomou-a de assombro novamente, arrancando-a de seus tristes pensamentos. Viu a movimentação no hospital e um enorme mal estar começou a rondar-lhe sorrateiro. De repente, ela percebeu o que era. Deixando a companhia dos agentes à sua volta, ela saiu em disparada pelos corredores, até atingir a sala de autópsias. Seus olhos se abriram desmesuradamente quando viu o corpo do parceiro e o médico ao lado dele. _ O que está fazendo ? _ gritou ao entrar na sala. O homem virou-se para ela surpreso e, em poucos minutos, Skinner, Doggett e a nova agente encontravam-se ao lado dela. _ Esse corpo foi trazido há alguns minutos _ o homem respondeu confuso_ Pediram-me que eu realizasse a autópsia... _ Saia daqui _ ela continuou, sendo interrompida por Skinner. _ Scully, o que está fazendo ? _ ele perguntou segurando-a pelo braço. Mas a mulher se livrou dele com um repelão e cercou-se da mesa aonde se estendia o ex-parceiro. _ Ninguém vai tocá-lo..._ ela cortou determinada. _ Quem é essa mulher ? _ O médico perguntou virando-se para o agente de olhos azuis ao seu lado, que fitava a cena com ar perplexo.A resposta, no entanto, saiu dos lábios de Skinner. _ A única pessoa que ele tinha. Pode sair. Eu assumo as responsabilidades. O homem deu de ombros e se retirou. Mas era uma cena dolorosa demais para se manter por tempo indeterminado. Ver a mulher ruiva, com os olhos úmidos pelas lágrimas que desciam sem constrangimento, era algo que Skinner jamais teria concebido. Ela era forte, tão ou mais do que o homem estendido ao lado dela e vê-la tão indefesa era de cortar o coração de qualquer criatura. _ Dana _ ele começou _ Você não vai fazer isso, não é ? Scully demorou a responder, não havia assimilado totalmente a pergunta. Ergueu os olhos confusos para ele. _ Não vai proceder ...os...exames. Os olhos dela se abriram com assombro e ela balançou a cabeça negando. _ Eu... nunca...jamais poderia _ balbuciou. _ Então _ Skinner acercou-se dela _ Vamos sair daqui, ok ? Você precisa de ar...de descanso...precisa se acalmar. Ela manteve-se teimosamente no lugar. _ Eu não quero que o toquem. Não quero mais testes, exames, nada. Não posso deixá-lo sozinho _ falou olhando para o corpo de Mulder _ Eu fiz isso e... Skinner foi obrigado a usar um pouco de força. _ Você não o deixou sozinho, Scully. Eu estava com ele. Fui até lá porque você me pediu. Nós não poderíamos evitar... Por favor, vamos sair daqui. Ela olhou relutante para ele. _ E se eles voltarem para pegá-lo ?_ ela perguntou com olhar torturado_ Eles vão querer eliminar as provas... _ O agente Doggett vai providenciar para que isso não ocorra _ Skinner falou determinado _ Ele ficará aqui até irmos embora. Doggett apenas olhou para os dois sem dizer nada. _ Ele não tem obrigação de ficar aqui, senhor. O Diretor Kersh pode chamá-lo de volta a qualquer momento e... _ Este caso está encerrado, Scully. Mulder foi encontrado e o agente Doggett já cumpriu sua missão. Agora ele está nos Arquivos X e eles ainda estão sob o meu comando. Scully pareceu aceitar e encarou o agente à sua frente. _ Por favor _ ela murmurou com voz embargada. _ Vá descansar, agente Scully _ Doggett falou tocando-a no ombro _ Eu ficarei aqui. Dou minha garantia pessoal de que ninguém mais vai machucá- lo. Scully seguiu com Skinner para fora da sala e desabou logo após transpor a soleira. O Diretor providenciou o socorro e internação dela, mas não havia muito a fazer. Após um período tão extenso de provações e tensões, era até natural que o corpo frágil não resistisse. E ainda havia a criança que se debatia para sobreviver dentro dela. Realmente, ela difícil imaginar como o bebê estava suportando tantos problemas. Um calmante e algum descanso seriam providenciais para ambos. "Sinto-me tão inútil nesse momento. É terrível imaginar que não há mais nada a ser feito. Que finalmente sua busca terminou, ou antes, ela foi tragicamente anulada. Posso imaginar o quão doloroso foi esse período para você... as marcas em seu corpo...e meu coração e minha mente se rebelam. Imagino que já está no momento de parar de lutar. De entregar as armas e tentar viver o tempo que me resta com alguma tranqüilidade. Mas sei que você não faria isso. Embora tenha tentado inutilmente pensar como você, adivinhar suas atitudes, falhei miseravelmente. Porém, tenho certeza de que você jamais desistiria. Que encontraria os culpados por tanto sofrimento e os levaria à justiça. Em nome disso, eu continuarei lutando, embora perdida, sem saber exatamente por onde começar. Eu abracei sua cruzada quando me contou sobre sua irmã e segui com você com o único objetivo de devolver-lhe o que lhe haviam roubado. Agora, no entanto, sua cruzada é a minha e meu único objetivo é punir aqueles que me roubaram você. Minha meta será deter essas criaturas , quer sejam humanos ou alienígenas e impedir que elas causem a alguém o mesmo sofrimento que deram a mim e a você... " _ Há mais Scully _ ela ouviu, o murmúrio familiar que a havia amparado durante tanto tempo. _ Mulder ? _ ela sussurrou entorpecida. _ Shiiiii A resposta veio através do toque em seus lábios e ela abriu os olhos imediatamente. _ Tenha calma, parceira. Precisa de toda a serenidade possível para seguir em frente. Os olhos dela encheram-se de lágrimas e ela não acreditava que estava vendo-o diante de seus olhos. Sorrindo. Aquele seu sorriso lindo. Os cabelos despenteados, o andar casual, os olhos brilhantes... _ Não é possível _ ela murmurou _ Diga-me que é mesmo você. Ele sentou-se ao lado dela e tomou-lhe as mãos entre as suas, levando-as aos lábios. _ Eu preciso de sua força, Scully. De sua fé. Talvez eu nunca mais possa vê-la e isso é o que mais me tortura, mas...Você está gravada em mim, para aonde quer que eu vá. Eu estarei esperando por você. Mas não agora...Não quero que você se arrisque. Que mergulhe no mesmo abismo que eu. Há mais alguém agora _ ele interrompeu-se para tocar-lhe o ventre, acariciando-o suavemente _ Ele vai precisar de você, tanto ou mais do que eu preciso, então...tome cuidado. Faça justiça, mas não deixe de viver. Não cometa o mesmo erro que eu. Nosso bebê precisa de você e eu sei que não haverá mãe melhor para ele. _ Vai ser tão difícil sem você _ ela choramingou. _ Eu vou estar aqui _ ele sorriu, tocando-lhe os lábios _ Nunca desista de um milagre. Mulder apertou-a forte nos braços e Scully, finalmente adormeceu. Seria uma longa jornada até se reencontrarem. FIM