Título: Talvez não haja um amanhã 2/2 Autora: DK Scully (dkatherinescully@yahoo.com) Categoria: NC 17 Observação: Fox Mulder, Dana Scully, Diana Fowley, Skinner pertencem a Chris Carter, Fox Network, 1013. Time Line: Depois de Fight the Future e antes de The Beginning Spoilers: FTF Feedback para: dkatherinescully@yahoo.com Resumo: Scully resolve dizer a Mulder como ela se sente, mas as coisas não terminam muito bem. Data inicial: 04/10/99 -----------XXX----------- Mulder nem ao menos me deixou dizer a verdade. Ele simplesmente virou-se e foi embora. Não pude fazer nada a não ser olhá-lo ir. Não sei por que não corri atrás dele. Apenas deixei-o ir. Fiquei parada estaticamente olhando-o andar de costas para mim. Sua cabeça estava baixa e eu pude ver que lágrimas vieram a seus olhos antes que ele se virasse. Ele estava simplesmente lindo. Seus olhos brilharam ao me ver. E senti que ele desmorou ao saber da notícia que acabara de dar a ele. Se ele não fosse tão impulsivo, talvez soubesse da verdade ali naquele momento. Talvez soubesse que eu não iria realmente me casar. Jeff havia somente me pedido em casamento e eu havia aceitado. Nada que não houvesse acontecido antes. Eu já havia sido pedida. Inclusive já havia aceitado os pedidos. No entanto, eu nunca me casei. Nunca realmente achei minha alma gêmea. Quer dizer, pelo menos não até agora. O que quero dizer com agora são cinco anos. Assim que conheci Mulder, sabia que ele era o homem pra mim. Não teria aguentado todos esses anos se não o amasse. Minha mãe estava absolutamente certa sobre isso. Eu realmente o amo. Mais do que minha própria vida. E agora confirmei que ele também sente o mesmo por mim, afinal ele veio até a Europa somente para dizer que quer ficar comigo. Realmente me senti lisonjeada. Até chocada. Agora devo acabar com tudo isso por aqui. Não pertenço a este lugar. Não pertenço a Jeff. Sei que vai ficar magoado. Mas é melhor agora que depois. Tenho certeza que serei infeliz se ficar. Agora posso fazer tudo o que meu coração mandar, pois já sei o que Mulder sente por mim. Não posso ficar aqui esperando alguma coisa acontecer. Tenho que voltar. -----------XXX----------- "Mulder?" Na esperança de ser Scully, mesmo sabendo que aquela não era sua voz, ele olhou em direção à porta com toda esperança em seu olhar. Era Diana. Novamente Diana. A mesma Diana que o fez perder Scully. A mesma Diana que tanto o irritou em Chicago. Novamente a mesma Diana que tirou Scully dele. "O que você quer?" Ele precisou ser ríspido com ela. Não queria sua companhia. Estava cansado dela. "Gostaria de saber se quer o relatório que fizeram em cima do nosso relatório?" "Realmente não estou muito interessado em ouvir nada agora." Ele estava com as costas totalmente encostadas na cadeira e suas pernas em sua mesa. Estava tentando relaxar, mas não conseguia. Principalmente agora, com Diana parada diante de seus olhos. Estava vestido com uma blusa azul clara e gravata e calça azul escura. Seus cabelos estavam meio desordenados, o que deixou Diana um pouco excitada. Numa tentativa de animá-lo, ela se arriscou a chamá-lo para um bar. "Muito obrigada. Mas não estou muito empolgado no momento. E não acho que seria uma boa companhia." Ela continuou parada de frente para ele. Seus olhos estavam direcionados para outro lugar e talvez por isso, não percebeu quando ela chegou mais perto dele. Seus olhos se levantaram de uma vez por causa do susto ao vê-la tão perto. Ela se inclinou e o beijou levemente nos lábios. O gosto dela era amargo. Não parecia nada com o gosto que queria sentir. Sentiu repulsa por aquele gesto, no entanto não iria ferir seus sentimentos assim. Não era necessário. Entretanto, era óbvio que, mesmo após todos os anos separados, Diana ainda sentia algo muito forte por Mulder. Algo que ela não conseguia mais esconder. Mas que ele teria que fazer algo a respeito. Mesmo não podendo ter Scully em seus braços como sempre sonhara, não queria mais Diana. Não a amava mais. Se é que algum dia a amou. Ele não era mais o mesmo homem. Scully o havia mudado. Mudado para melhor. Ela o havia feito um homem de verdade. "Não acho que devemos ir além disto, Diana." Ela recuou. Seu rosto demonstrava um certo desapontamento. Mas ela sabia. Sabia que no fundo, nunca teria de volta aquele homem que conhecera há alguns anos. O homem que conhecera antes de Scully. Agora ele pertencia a ela. Não havia como negar isto. Não havia mais o que fazer. "Eu sei." Ela virou-se e caminhou em direção à porta. Porém, antes de sair, voltou- se em direção a ele e disse. "Acho que você deve fazer o que deve fazer. Se é que me entende." Ela não esperou resposta. Simplesmente saiu. Ela sabe. Ela sabe do que eu sinto pela Scully. E inclusive ela me disse que devo fazer algo a respeito. Mas o que fazer? Ela vai se casar. Vai me esquecer. E eu ficarei aqui. Sentado. Esperando. E ocasionalmente, morrendo. Não há nada a ser feito. O que tinha de fazer, já fiz. O que resta agora é continuar no meu trabalho. Tão monótono agora. Não tenho com quem discutir idéias. Não tenho com quem argumentar minhas idéias malucas. Não tenho quem me ouvir. Não tenho Scully. -----------XXX----------- Ligo para seu celular, mas sua secretária eletrônica atende. Ligo para sua casa e também quem atende é a secretária. Devo ir até sua casa? Não. Acho melhor não. E se ele estiver acompanhado? Uma súbita raiva subiu por sua espinha ao imaginar essa situação. Pior ainda, e se ele estivesse com Diana? Acho que não aguentaria ver novamente os dois juntos. Já fazia um tempo que não vinha até minha casa. Tenho que admitir que senti saudades, mesmo não ficando muito tempo por aqui. Estava tudo exatamente da mesma maneira como deixei. As almofadas. O sofá. Um prato sujo na pia. A toalha no banheiro. O cesto de roupas. A penteadeira. A cama. Peraí! Minha cama não está como a deixei. Não a deixei assim tão desarrumada. Sempre a deixo arrumada. Quem pode ter passado por aqui? Ela sentiu medo. E se alguém estava a espionando? E se toda a conspiração já havia voltado toda de volta ao lugar de sempre? Num súbito pensamento, que nem ela mesma acreditou estar tendo, imaginou que Mulder estivesse estado ali. Que ele havia ido para sentir seu cheiro, seu perfume, suas roupas. Minhas roupas? Corri para abrir meu guarda-roupa e qual não foi minha surpresa ao ver que realmente as roupas estavam remexidas. Senti um alívio. Não havia sido os homens do Canceroso. Havia sido Mulder. Ele havia sentido minha falta e havia ido até minha casa para tentar ficar o mais próximo possível de mim. Senti minha pele ficar vermelha só com o pensamento dele deitado na minha cama. Não haviam sido muitas as oportunidades que tive de colocá-lo ali. Gostaria de ter estado aqui quando ele apareceu. Por que não esperou que lhe contasse a verdade? Por que não o impedi de sair? Acho que fiquei demasiadamente feliz com a situação e quis que ele sofresse o que sofri ao vê-lo com Diana. Agora sei que nada aconteceu. Mas como poderia saber na época? Faz pouco mais de duas semanas que não o vejo. Estou muito ansiosa. Pareço uma adolescente indo a seu primeiro encontro. Não sei o que vou fazer quando o vir. Devo beijá-lo? Devo abraçá-lo? Devo deixá-lo dar o primeiro passo? Realmente estou muito confusa. Gostaria que estivesse aqui comigo agora. Nesse exato momento, ouvi o barulho de chave abrindo a porta. Corri e peguei minha arma em cima da mesa do corredor. Decidi me esconder no banheiro. Deixei somente uma fresta aberta. O choque. Era ele. Mulder. Como era lindo? Como era sexy? Como era tão charmoso? Como ela iria perder tudo isso? Vestia calça jeans e camiseta cinza. A mesma blusa que vestira quando tiveram a conversa mais importante de suas vidas no corredor do seu apartamento. A conversa que terminaria em algum lugar provavelmente maravilhoso, não fosse pela abelha. Um momento de raiva paira sobre mim. Mas ao vê-lo vindo em direção ao quarto, faz com que eu esqueça qualquer outro pensamento. Sua barba está por fazer. E ele está lindo. Como consegue me deixar tão excitada assim? Nunca ficava excitada somente ao olhar para um homem antes de conhecê-lo. Agora sempre que o olhava ficava assim. Ele está com uma cara de desconfiado. Acho que nem percebeu que alguém esteve e está por aqui. Observando-o. Ele pára na direção da porta do quarto. Por um momento acho que percebeu minha presença. Mas logo percebo que ele está somente inalando. Inalando todo o perfume que consegue captar do quarto. De repente, ele começa novamente a andar e se deita na cama de barriga para cima. Fica a olhar para o teto. De repente, começa a desabotoar suas calças. Tenho que me conter para não virar os olhos. É uma reação não espontânea. Claro que vou olhar. Mas fico um pouco envergonhada e não sei se devia ficar aqui olhando-o nesse momento tão íntimo. Decido olhar. Ele já está todo para fora e duro. Nunca vi tamanha rigidez. E também nunca vi um tão grande. Já havia imaginado algo assim, mas nunca havia visto um. Suas mãos estão se movendo. Lentamente. Um pouco mais rápido. Até que começa um movimento extremamente rápido. Ele está gemendo. E está chamando meu nome. Meu nome. Era eu quem ele queria que estivesse ali agora. Era eu quem deveria estar massageando-o daquela maneira. Como poderia ficar aqui parada somente olhando? Já estava me sentindo bastante molhada quando decidi também retirar a parte de baixo da minha roupa. Comecei a massagear minhas coxas e depois direcionei minhas mãos para o que estava entre elas. "S.. cu…lly….." Ele gemia sem parar. Acredito que estava por vir a qualquer momento. Inclusive eu. Cada vez que ele gritava meu nome eu ficava mais e mais excitada. Tinha vontade de juntar-me a ele, mas não me sentia no direito de invadir sua privacidade dessa maneira. Eu finalmente cheguei ao ponto máximo de prazer, mas tive de me conter para não gritar. Ele soltou um último gemido e parou. Descançou suas mãos ao lado do corpo e começou a chorar. "Por que você não está aqui, Scully? Por que decidiu me abandonar? Eu preciso tanto de você aqui comigo. Eu não sou ninguém sem você." Seu choro era desesperador. Mas mesmo assim não tive coragem de sair do banheiro. Ele agarrou-se a um de meus travesseiros e chorou por longos minutos até que levantou-se e foi embora. Somente nesse momento tive coragem de sair do banheiro. Ainda não acreditava no que havia visto. Mulder foi até meu apartamento para se masturbar. Deitou em minha cama e se masturbou gritando por mim. Mal conseguia ficar em pé. Decidi deitar em minha cama e sentir seu cheiro. Seu perfume sempre fora muito bom. Decidi tomar um banho. Ligo a torneira da banheira quando meu telefone toca. Resolvo deixar a secretária eletrônica atender. Não sinto vontade de falar com ninguém agora. "Oi, sou Dana Scully. Deixe seu recado." "Scully? Você está aí? Não sei se deveria estar ligando para você. Principalmente sabendo que não está aí. Mas queria pelo menos fingir que está. Sabe, estive aí hoje. Pensei muito em você. Cheguei a praticamente sentir sua presença. Era como se estivesse ali comigo." Após uma longa pausa, ele continuou. "Não sei porque você foi embora. Estou sentindo muito sua falta. Gostaria muito que voltasse. Estou sentado num bar perto do meu apartamento. Não tenho vontade de ir para casa. Você não está lá. Sei que não morava lá comigo, mas estava sempre junto. Eu sempre sentia seu perfume em minha casa. Ele estava sempre sendo renovado. Agora o que resta é o perfume do desamor. Já estou até ficando brega, está percebendo? Brega e doido. Falando com uma máquina e sabendo que você nunca irá ouvir este recado. Sei de tudo o que você passou por mim. E também sei que você é tudo pra mim. Eu não posso viver sem você, Scully. Eu te a…" O tempo necessário para gravações terminou no momento que ele iria dizer as três palavras. Liga de novo, Mulder. Por favor. "Oi, sou Dana Scully. Deixe seu recado." "Scully? Não sei porque pergunto se sei que não está aí. Bem, o que ia dizer era algo que já devia ter dito há muito tempo, desde que comecei a senti-lo, ou seja, desde o nosso primeiro caso, logo quando nos conhecemos, Scully. EU TE AMO. EU TE AMO. Sei que você não está aí, mas quero fingir que está. Então, se der dá uma passadinha aqui no meu apartamento para conversarmos. Estou com saudades de quando ficávamos por aqui…" Ele desligou. Ele disse as palavras. Ele realmente me ama. Esse telefonema foi muito importante. Já desconfiava que ele gostava de mim, mas acho que não queria acreditar. Era mais fácil negar tudo do que admitir. Depois de tantos anos juntos, não conseguia mesmo assim acreditar que ele a amava. Mulder não era muito de demonstrar seus sentimentos. Ainda mais para ela. Além do mais, também não me sinto muito confortável em conversar coisas íntimas com ele. Tanto que mesmo cheia de desejo, não tive coragem de deitar-me junto dele naquela noite. No entanto, com certeza vou até seu apartamento. Só preciso decidir quando e como irei aparecer. Tantas dúvidas passam pela minha cabeça nesse momento. Será que devo me vestir com uma roupa especial? Será que devo ligar antes? Não, acho melhor não. Afinal, ele pediu que eu fosse até lá. Depois de tantos pensamentos, entro finalmente na banheira e me entrego ao banho. É um momento de relaxamento que me permite pensar sobre tudo o que está acontecendo na minha vida. Na verdade, não penso muito em outras coisas a não ser nas três palavras que o homem que eu amo me disse. Sei que ele pensou que não estivesse aqui, mas ele deve ter em mente que em algum dia iria ouvir este recado. Cedo ou tarde eu saberia da verdade. Ainda bem que foi cedo. Após um considerável tempo deitada na banheira acho que está na hora de arrumar-me. Decido por uma calça preta e uma blusa verde escuro, com um decote em V que, acredito eu, Mulder acha sexy. Coloco também um blaser por cima por causa do frio que posso, por ventura, sentir. Meus cabelos estão um pouco molhados, mas quero que eles estejam perfeitos quando o encontrar. Melhor secá-los. Estou nervosa. Muito nervosa. Não sei o que irei dizer quando chegar lá. Espero que ele faça todo o trabalho de falar, pois não sei se terei voz suficiente para isso. Espero ansiosamente por um beijo, por um abraço. Quero sentir seu corpo perto do meu, dentro de mim. Quero senti-lo por completo. Quero que ele me complete fisicamente. Psicologicamente ele já me completa. Já cheguei a essa conclusão há algum tempo. Apesar de sempre discordarmos dos fatos, é assim que as coisas funcionam entre nós dois. Meus cabelos estão finalmente secos. Tenho que sair. Mais uma vez sinto uma dor nem sei onde de tanto nervosismo. Nos quarenta e poucos minutos que separam meu apartamento do dele, tento pensar em outras coisas para que meu nervosismo passe. Mas é impossível. A cada metro que chego mais perto, mais meu coração dispara. Cheguei. Consigo olhar pela janela e vejo que a luz da sala de estar, onde Mulder sempre dorme, está acesa. Também consigo ver que a televisão está ligada. Sei que não quer dizer muito, visto que ele sempre dorme no sofá, com a luz e a televisão acesa. Pelo menos ele mora no quarto andar. Assim sobra mais tempo para pensar e talvez desistir de tudo. Sinceramente não sei por que estou com tanto medo. Ele já disse o que sentia por mim. Mas e se for só por saudade das nossas discussões a respeito de trabalho. BING. Quarto andar. Chego a hesitar em sair do elevador. Mas tenho que sair. Saio. Percebo que comecei a suar. Tomara que não estrague o cheiro do meu perfume. Estou parada em frente à sua porta. Por que não bato? Bati. Uma vez apenas. Nada. Ninguém atende. Não vou bater mais. Vou pegar minhas chaves e entrar. Talvez ele nem esteja em casa mesmo. Assim vou pelo menos poder desligar a televisão e as luzes. Ao abrir a porta vagarosamente, também não sei por que fiz isso, vejo que ele está deitado de costas no sofá. Está roncando. Deve estar muito cansado. Provavelmente por causa do que fez hoje em meu apartamento. Um leve sorriso de vitória vem até meus lábios sem que eu possa impedi-lo. Fecho a porta lentamente a fim de não fazer barulho para não acordá-lo. Ele está vestido somente com cuecas samba-canção. Por um momento imagino se está ou não vestindo verdadeiras cuecas por baixo daquelas. Esse pensamento me faz arrepiar. Sento em sua mesa de centro e fico a observá-lo. Ele está lindo. Acho que já disse isso várias vezes. Mas não me canso de admirá-lo. Ele é tão rico. Tão cheio de vida, de projetos. Sinto que está um pouco vulnerável agora. Talvez por sentir minha falta. Talvez por que realmente precise de mim por perto. Ele já havia me dito tudo isso, mas não acreditei realmente. Não sei se havia dito aquilo por que disse que estava pedindo demissão. Ele se moveu. Mas não acordou. Que bom! Não sei ainda se estou preparada para encará-lo. "Scully…" Ele está falando enquanto dorme. É ótimo ver que ele sonha comigo. Seu braço está se movendo em minha direção. Parece até que está me vendo de tão rápido e certeiro que é seu movimento. Ele está pegando a minha mão. "Casa comigo?" "Não? Por que não? Por que foi casar com aquele idiota?" Scully não podia acreditar no que ouvia. Ele estava sonhando com o que realmente aconteceu. Ele devia estar muito só naquele momento. Seu aperto de mão se tornou mais forte e ele se virou completamente para o seu lado. Abriu um pouco os olhos. E pensou consigo mesmo. "Acho que já estou ficando meio doido… Estou até vendo a Scully aqui. Deve ser um sonho… Mas bem que eu queria que fosse realidade." Apertei sua mão, percebendo o que se passava em sua cabeça e disse. "É realidade, Mulder. Estou realmente aqui." -----------XXX----------- Ele levantou as costas do sofá e se apoiou com seu braço esquerdo. Ficou fitando-a por alguns segundos que pareceram uma eternidade. Scully, no entanto, nada falara. Gostaria que ele se manifestasse. Ela já estava ali, parada diante do homem que amava. Esperando que ele a perdoasse por ter mentido, por não ter impedido que ele fosse embora naquele dia em Paris. Esperava também que ele nem tocasse nesse assunto. Infelizmente não foi exatamente assim que aconteceu. "O que você está fazendo aqui?" Ele parecia primeiramente surpreso, mas depois um pouco preocupado. "Onde está seu marido?" Um pouco de raiva Scully percebeu ao ouvi-lo falar a palavra marido. Scully olhou carinhosamente para ele, pegou em sua mão e disse. "Mulder, estou aqui. Não era isso que você queria?" Não foi exatamente o que ela tinha em mente para falar, mas se foi o que ela conseguiu, não havia como mudar agora. "Não quero você casada." Ele foi curto e grosso. Se levantou repentinamente e sentou-se no sofá. "Eu não estou casada, Mulder." Ela juntou-se a ele no sofá. "Não tem nem uma semana e você já deu o fora no seu marido, Scully." Ele levantou- se bruscamente e foi à cozinha. Não estava sequer conseguindo ficar ao lado dela sem poder tocá-la ou beijá-la. Scully permaneceu sentada no sofá esperando que ele voltasse logo. Após alguns angustiosos minutos, ela decidiu encontrá-lo. Ele estava sentado na cadeira de sua mesa. O rosto enterrado nas duas mãos e Scully podia jurar que ele estava chorando. "O que você veio fazer aqui, Scully?" Ele perguntou de supetão. Surpresa, Scully respondeu. "Achei que você me quisesse, Mulder. Não foi por isso que foi até Paris?" Ele levantou-se e se dirigiu à geladeira, pegando duas latas de Diet Coke. Ofereceu uma a ela e ficou com a outra. "Foi. Mas não queria que você desmanchasse o seu casamento por minha causa." Seus olhos estavam vazios. Scully levantou-se e ficou de pé, em frente a ele. Pegou em seu queixo carinhosamente com as duas mãos e direcionou seu olhar para o dela antes de começar a falar. "Eu não casei, Mulder." "O quê? Mas…" "Você não me esperou contar toda a história naquele dia. Jeff somente me pediu em casamento." Ele levantou-se e praticamente gritou. "Então quer dizer que você me fez parecer um palhaço?" Seus olhos estavam denotando a raiva que estava sentindo. "Ai, Mulder. Você entendeu tudo errado. Por que você não me deixa explicar?" Ela chamou-o novamente para sentar-se à mesa. Ele atendeu ao seu pedido. "Eu não esperava que você me dissesse tudo aquilo." Ele ia começar a falar novamente, mas ela o impediu, tocando levemente seus suaves dedos pela sua boca. "Continuando. Sempre quis que você sentisse por mim o mesmo que sinto por você desde que nos conhecemos. Mas não acreditava que você pudesse. Afinal, estava sempre tão obstinado a obter respostas. Enfim, cheguei a um ponto onde não podia mais esperar. Não tenho mais vinte anos, Mulder. E também não podia te esperar pra sempre. Sem saber sequer se ainda nesta vida você iria se decidir. Então, quando o ouvi dizendo que não queria ser mais somente um amigo, fiquei sem fala. Feliz, mas sem fala. Principalmente porque havia acabado de ser pedida em casamento e estava disposta a aceitar. Mesmo sabendo que dificilmente o veria novamente." Ela fez uma pausa e sentou-se na cadeira ao lado de Mulder. Agora totalmente atento ao discurso de sua parceira. "Também senti uma pequena vontade de me vingar." Ela admitiu sentido um pouco de vergonha. Finalmente ele falou. "Vingar?" "Me vingar de você por ter me feito fazer papel de palhaça em Chicago. Queria também que sentisse o gostinho de ver quem você ama com outra pessoa." "E você acha que nunca senti isso antes desse tal de Jeff não sei o quê?" Ela fez que não com a cabeça. "Pois eu senti, sim. Com aquele detetive dentuço, que até de chamou de Dana. Com Eddie VanBlundt. Com Ed Jerse, por ter dormido com você. E por último, com Padgett. Ou você acha que não sei que dormiria com ele se eu não tivesse chegado?" Scully realmente nunca imaginara que Mulder pudesse ter sentido ciúmes seus. Pelo menos ele nunca a havia visto beijando ninguém. Apesar de um súbito constrangimento por Mulder saber de tantos detalhes pessoais seus. "E como você acha que me senti quando eu vi você beijando Phoebe Green? Ou quando via o modo como olhava para Diana?" Mulder falou suavemente. "Você sabe muito bem como me sinto com relação a Phoebe. Eu sou homem de uma mulher só." Scully sorriu com aquela declaração. Ele havia contado a ela o que Phoebe Green havia feito a ele quando os dois ainda saíam juntos. Quanto a isso, Mulder não precisaria se preocupar, Scully também era mulher de um homem só. "Quanto a Diana, ela é passado. Não sei o que passou pela minha cabeça quando a vi novamente. No entanto, em nenhum momento me esqueci de você, Scully. Nunca." "Eu também não, Mulder. É óbvio que não. Mas no momento que o vi com Diana, pensei que havia perdido espaço e que talvez você preferisse voltar aos velhos tempos, quando ainda não me conhecia. Poderia então trabalhar com alguém que compartilhasse da mesma opinião que você a respeito do que investigamos." Ela fez uma pausa e respirou profundamente. Ele aproveitou, chegou mais perto dela e falou calmamente. "Você realmente acha que prefiro trabalhar com alguém parecido comigo?" Ela concordou com a cabeça. "Scully..." Ele deslizou seus dedos pela linha do rosto dela. "Eu só consegui chegar onde cheguei, descobrir tudo o que descobri, por sua causa. Se você não tivesse sido designada para trabalhar comigo ou não tivesse aceito trabalhar com Spooky Mulder, eu provavelmente estaria morto ou louco num abrigo qualquer. Eu já disse isso pra você uma vez, mas vou repetir. Você me tornou uma pessoa completa, Scully. Íntegro. Honesto. Sem você eu não sei o que seria de mim." Ele baixou seu rosto e deu um beijo nos lábios molhados de lágrimas de sua parceira. Ela levantou-se, colocou os braços em seu pescoço e disse. "Então você me perdoa?" "Claro. Só não sei se perdoaria se você tivesse me trocado por alguém chamado Jeff." "Porquê? Você tem algum problema com esse nome?" "Claro que tenho." Sabendo que as chances de encontrar alguém chamado Fox eram quase nulas para Scully, ele disse. "Você só poderia se casar com alguém chamado Fox." -----------XXX----------- Fim Sei que estou meio que implorando, mas por favor, enviem um feedback!!!