NOTHING Fanfic de Lucas Zago. Categoria: Pós-"all things"/MSR/Shipper/Mulder Angst Nota: É shipper. Já avisei! (claro...) Feedback please!!!!!! luxfiles@hotmail.com Categoria: Vignette Classificação: livre. Disclaimer: ah, todo mundo já sabe da lengalenga... eles não são meus! Quem me dera que fossem... Nota: Esta fanfic se passa exatamente depois da última cena do episódio escrito e dirigido por Gillian Anderson. "E se todos os caminhos levassem a um só? E se todas a s nossas escolhas fossem erradas, mas o erro maior foi estarmos aqui...? Ou as outras escolhas foram erradas, mas o único acerto foi quando escolhemos seguir este caminho?" X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X- X-X-X-X-X-X-X-X- X-X-X-X-X-X NOTHING Naquela noite... Os pés apoiados sobre a mesa mostravam a meia-calça que ela usava e o sapato, jogado ao chão, mostrava que estava à vontade. Dormia feito um anjo. Suas pálpebras, juntadas, traziam a ele um ar de serenidade que abrandava seu interior com o simples olhar a ela. Ele já não suportava mais tanto sufoco. Estava preso, mas necessitava ser libertado. Precisava sair daquele casulo de dúvidas, de indagações... precisava amar. Para muitos, o amor pode parecer tolo, mas para quem ama é a coisa mas racional do mundo. É... a melhor coisa do mundo. E ele queria ter esta sensação de êxtase, um bem-estar prolongado por sua presença. Lágrimas teimosas surgiam em seus olhos e umedeciam-nos num instante fugaz. Elas perpetuavam a paixão, adocicavam, sua vida com seu gosto salgado. Ele pôde sentir o gosto das lágrimas caindo em sua boca. Queria-as mais e mais. Queria findá-las. Não queria mais embebedar-se daquelas gotículas sagradas que provinham de seus próprios olhos. Para tanto, forçava-as a saírem de uma vez por todas. Cerrava os olhos e, ao abri-los novamente, enxergava uma negridão total. Limpava-os com a mão e voltava a ver nitidamente o que o rodeava. Mas sentia que havia ainda uma lágrima impertinente que residia em seus olhos, já calejados e vermelhos... estavam feridos. Mas ele forçava-a a sair e... _Aaaahhhh!!!!!! E Mulder regozijava da sensação de estar livre. Liberto daquela água cristalina que pingava sem parar, mas que agora não pingava mais... já não escorria-lhe a dor, já não escorria-lhe a ferida maior de não ter ninguém... Estava tudo cessado. Era o fim. Ao observar aquela figura feminina à sua frente, percebeu que o motivo de sua liberdade era ela própria, com sua presença marcante, que o limpava das sujeiras, sanava-o, acolhia-o... e sem um único toque. Somente com aquela ternura explícita, aquele piscar e olhos lascivo. Aquela boca sensual e ao mesmo tempo única... era ela que o fazia... Ela o fazia.. O fazia... Fazia... Morrer. Ele morria por dentro por não poder tocar aqueles lábios com os seus próprios. Por não poder abraçá-la com todo seu carinho... não podia nem ao menos olhá-la. Não parecia justo. Nada parecia justo. Nada. Tudo era uma droga. Era uma droga de vida! Que romance era aquele em que os amantes nem ao menos demonstravam seu amor? Era recíproco, mas a insegurança também era. Eles estavam com medo. Ela ali, coberta e sonhando com ele, dormindo. E ele ali, desnudo de seu abraço, sonhando com ela, acordado. Eles queriam um ao outro. Ela o queria. Por inteiro. Só para si. E mais ninguém. E ele a queria, agora mais do que nunca. Agora que ela estava aberta a novas possibilidades, agora que havia percebido que todas as escolhas que havia tomado foram as corretas... agora que agradecia ao destino por estarem juntos. Agora... que ele estava morrendo. Ao observá-la, sentiu um surto dentro de si. Perdia lentamente os sentidos. Perdia sua integridade. Perdia a vida. Caía. Suas pernas, trêmulas, não mais suportavam o peso de seu corpo, até agora ileso a tudo. Seus olhos fechavam-se para nunca mais abrirem-se. Sua boca tentava murmurar algo, mas era impossível. Era tarde demais. A vida que outrora o acolhera, agora dava espaço à morte que o engolia por inteiro. Ele sucumbia. Estava farto, já não tinha mais força. Já não tinha mais nada... Nada dentro de si. Nada. Estava vazio. Ali, caído, tremia como se estivesse tendo um ataque epiléptico. E batia contra o chão incessantemente sua cabeça, ecoando por todo o local. Ela ouvira. A ressonância era perceptível e ela acordava vagarosamente. Abria os olhos, sem compreender de onde vinha aquele barulho perturbador. Até que notou... E levantou-se sem hesitar, seguindo até o parceiro ali, deitado no chão, ainda com um fio de vida. O tremor era um movimento involuntário. E ele já não podia lutar contra o inevitável. _Mulder! Mulder! Meu Deus, Mulder!... Acorde, por favor!! Ele ainda munia um resto de voz para sussurrar ao seu ouvido algo. Ela não conseguia decifrar o que ele dizia. _Mulder!!! Pelo amor de Deus, Mulder, acorda!! Não faça isso comigo! Não agora... Ele ouvia tudo, atônito, ainda buscando dizer algo à amada, que fora tomada pela avassaladora tristeza de súbito, emitindo um som contínuo: era o choro, que vinha junto das lágrimas. _Mulder!!!!! Acorda!!!!!!! VOCÊ NÃO PODE MORRER!!!! Ela estava aturdida, inconformada com o que presenciava, até que... Silêncio. A batida incessante cessara. O tremor cedia lugar para a quietude. O ruído periódico era substituído pelo silêncio fatal. Ela percebeu que aquele estado silente era letal. Literalmente, fatal. Mulder já não possuía vontade de lutar contra o que parecia mais forte que qualquer coisa. Mais forte que todas as coisas. Mas para ela não era nada. Ela sabia como reanimá-lo. Sabia como trazê- lo de volta à vida para dar continuidade à busca infindável pela Verdade. Era isso que queria. E, mais que tudo, desejava. Não queria mais nada. Exatamente nada, somente ouvir novamente a respiração do parceiro. Ela olhou fixamente para seus olhos e levou lentamente a face à face de seu companheiro. Não sentia nada que proviesse de Mulder. O ar exalado já dava lugar à sensação mórbida de que havia ali um cadáver. Mas ela não desistira. Tinha certeza que havia algum sinal de vida ali. Como podia ser? Como poderia Mulder se render assim tão facilmente? Ela se aproximou aos poucos. E logo, encostara seu nariz ao nariz de Mulder. E continuou o movimento, chegando a sentir com os seus lábios os lábios daquele homem que se mostrava tão frágil, ali, à sua frente, que morria. Talvez até já estivesse morto... De súbito, um clarão parecia ter iluminado a sala. Seria somente impressão ou uma cena real que ali acabara de suceder? Ela beijava docemente a boca do sujeito mais estranho do mundo, por quem daria tudo e não deixaria nada (ou se preciso, tudo, se assim ele quisesse), e ele retribuía, estático, sem movimento. Mas agora a sensação de frieza naquele corpo imóvel cedia lugar ao calor iminente, à paixão que lhe tomava conta dos corpos. Era a vida que incendiava o corpo e a alma de Mulder. Aquele beijo fora o estopim para que sua força fosse retomada, e agora ele vivia novamente. Beijava com todo seu amor aqueles lábios carnudos e sentia a lágrima da mulher à sua frente que escorria até tocar seus olhos. Os olhos se abriram. Observavam a imagem símil àquela que via antes de desmaiar. Ele a via e contemplava a perfeita e magnífica imagem feminina à sua frente. Scully, que se derramava toda aos prantos por ele, aliviou-se e agradeceu a Deus pelo retorno de seu mais que parceiro. _Mulder...? Graças a Deus você está vivo!!!_ ela sorria, feliz por rever aqueles olhos brilhantes como os de outrora. _Não agradeça a Ele Scully... Se há alguém que me salvou, esse alguém foi você mesma. Ela não entendia: _Eu? Por que eu? Não fiz nada, como poderia ter trazido você de volta à vida? _Fez, sim. Você me mostrou que não há nada entre nós de que devamos ter medo, pois o que sentimos é a coisa mais linda do mundo... Por isso, não a nada nem ninguém que me faça hesitar em dizer o que tenho para dizer. _E o que você tem pra dizer? _Eu... eu amo você. Ele segurou-a com carinho e levou seus lábios aos dela, podendo ainda ouvir a frase: _Eu também. _e a retribuição do ato tão carinhoso. E ele explicou que estava com medo, medo de que ela estivesse apaixonada por aquele sujeito. Mas não, seu coração pertencia a ele e ninguém mais. Ela era dele. E ele, dela. Agora, não havia mais nada a ser exposto. Estava tudo ali, pronto para que eles realizassem algo que almejavam tanto. E o destino não podia fazer nada contra o que sucedia ali, que era a mais pura demonstração de amor recíproco, mútuo. Não podia fazer nada... Exatamente nada. X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X- X-X-X-X-X-X-X-X- X-X-X-X-X-X NOTA DO AUTOR: O que vocês acharam? Digam-me! Feedback para luxfiles@hotmail.com ok? O título da fic, "Nothing" (Nada) é uma antítese, o contrário de "All Things". Achei que ficaria legal um título assim, numa alusão ao episódio. Não escrevi muitas continuações de episódios, mas senti-me movido a escrever sobre o tema proposto no Desafio Relâmpago do site da Késsia Nina. Lucas Zago.