Nome - Nós Queremos Acreditar!! Autora - Wanilda Vale Categoria - Shipper E-mail - wanshipper@yahoo.com.br Data - 01.10.2001 Sinopse - Comemorando o aniversário de Mulder juntamente com Scully, vários eXcers brasileiros realizam os seus desejos ao encontrarem-se frente a frente com os dois queridos Agentes. PRÓLOGO "Arquivo-X é muito mais que um simples Seriado de ficção científica. Ele é o elo de ligação entre milhões de pessoas ao redor do mundo." - Luzimary Dedicada aos meus amigos eXcers e ao meu filho Wladmir, citados como personagens nesta narrativa , esta fanfic foi elaborada com as suas inspirações, idéias e sugestões, de modo que pude criar esta despretenciosa história, baseando-me no que aconteceria a cada um desses fãs e que atitude tomariam ao depararem-se com os Agentes Especiais do FBI, Fox Mulder e Dana Scully, num dia fictício de nossa fértil e criativa imaginação. Agradeço, portanto, de todo o meu coração, a colaboração dos meus amigos abaixo relacionados, cujos nomes estão por ordem de apresentação na fanfic, aos quais espero ter agradado no desenvolvimento desta minha narrativa : Alessandra, Wladmir Vale (Wlad), Debora Costa, Ana Lucia Ferreira, Mariana Lima, Lara Zenga (One), Luana Mulder, Helena Venâncio, Maria Aparecida (Cida), Therezinha Tucci, Cristiane S. Silva (CrisX), Ivny Polliana (Atenais), Gislaine Ferreira (Gisa), Camila Fernanda, Marcos Ludder, Luzimary Oliveira (Luzy), Rosa Orofino, Sanmya Santos (Sami), Vinicius Lourenzi, Lilly Mulder, Inês Rolim, Carlos Alberto Sartoratto, Edna Barros (Vancouver), Camila Anderson Mulder (C. Casarolli) , Jennifer Patricia, Ana Carol (Melissa), Gabriela Beltrand (Sculderexcs), Alli Invisigoth, Audrey Fischer, Marcio Coelho. "Para lutar contra a realidade, só dispomos de uma arma : a imaginação." Jules de Gaultier A azafama no aeroporto está atordoante. Uma infinidade de pessoas atravancando-se no grande saguão. Parentes e amigos, ali reunidos estão, para a partida dos viajantes que encontram-se ansiosos pela chegada da hora do embarque. - Ei pessoal!! - grita Wanilda, alvoroçada - Em mais dez minutos iremos embarcar! - Ai, eu estou entusiasmada demais com essa viagem! - fala a Edna - Tenho que me controlar! - E eu que nem acredito nessa promoção da Companhia de Aviação...! Esses preços nos tentaram, não acha? - por sua vez fala a Rosa. - E vieram bem a calhar! - comenta a Inês. Lilly, abraçada à mãe, fala feliz: - Me belisca! Me belisca, que eu não estou acreditando! Estou sonhando! Debora está absorta em seus pensamentos. De repente Luana a vê assim. - O que aconteceu? - É que estou pensando aqui com meus botões: e se essa nossa ida não der certo? - Vira essa boca pra lá! - Luana fica irritada. - É... realmente não devemos pensar negativo. Tem que dar certo! - comenta Debora, convicta. - Tem que dar certo!! - confirma Luana. - Gente, eu não sei como vocês estão se sentindo... só sei que minhas batidas cardíacas estão aceleradas! - comenta Therezinha, chegando mais perto . Com duas valises às mãos, Alessandra aproxima-se. - E aí, galera? Tudo na mais perfeita ordem? - Esteja certa disso! Está tudo até ordenado demais! Preciso de agitação, porque eu estou tinindo! - responde a Camila, deliciando-se com um sorvete. A Melissa está esfregando as mãos, ansiosa: - Nossa! Essa hora de embarcar não chega nunca!! Já se pode ouvir o ruído rompante das turbinas do avião, lá fora, na pista. - Gente, cadê a Luzimary? - quer saber a Wan. - Estava aqui agora mesmo! - responde a Alli, olhando à sua volta. - Olha lá, olha lá! - exclama Debora, agarrada à mão da Melissa. - O que você está vendo? Que doideira é essa? - repreende-a Luana. Wan acha graça, divertida: - É que ela deve estar achando aquele rapaz parecido com ele! - E é mesmo! - confirma Therezinha - Olha só: nariz longo, bem feito, olhos pequenos. . . - Só falta mesmo andar jogando os pés... - diz a Wan. - Por acaso há um clone brasileiro dele? Rosa fala, por sua vez. O tilintar de um telefone celular é ouvido. - Acho que é o seu, Rosa. - a Alli chama a atenção da amiga. A outra pega seu aparelho e fala, por alguns instantes. Fecha o telefone, em seguida, com lágrimas nos olhos. - O que foi? - pergunta a Alli, um tanto preocupada. - A minha filhinha diz que já está com saudade. - fala a Rosa, chorosa. - Ah, amiga... logo, logo nós voltaremos. É só um dia lá! - Debora, chega aqui. - a Wan puxa o braço da outra, falando-lhe ao ouvido - Quero falar a você sobre o rapaz que você viu lá adiante. Quando a gente aprecia alguém do jeito que nós fazemos com o nosso predileto, passamos a observar as outras pessoas nos maiores detalhes, procurando aqui e ali algo que lembre o nosso querido... - Ah, qual é? Vocês parecem birutas! Só enxergam a figura do cara e nem dão bola pro seu valor profissional, pro que ele faz! - reclama o Eduardo. - Quer parar? - fala a Melissa. - Toca aqui, cara! Estou contigo! - diz o Wlad, erguendo a mão para que o amigo bata contra ela, concordando com Eduardo. - Meninas, será que dá pra vocês não ficarem enxergando a cara do cara em todo canto? - protesta novamente Eduardo. - Português bem variado o seu, hein? - ironiza a Melissa - "A cara do cara..." humpf! - irrita-se. - Tiete é mesmo um caso sério! - comenta o Wlad. O Marcio limita-se a apenas rir, vendo a cena dos seus amigos. - Atenção senhores passageiros para o vôo TREZE. Por favor dirijam-se ao portão de embarque e boa viagem! A voz do anunciador, no alto-falante, ressoa no saguão do Aeroporto. O ruído de vozes aumenta, causado pelo movimento das pessoas a embarcar. - Mãe, pode deixar que eu me cuido! - diz uma, abraçando sua genitora. - Diga ao pessoal que não se preocupe, porque vou estar bem. Estou feliz. - despede-se outra. - Um abraço! Fique com Deus! - fala mais outra, nos braços de um senhor. E as despedidas continuam a acontecer entre o grande número de pessoas até o momento do embarque. * * * - Olha a cidade lá em baixo, Helena! - mostra Cristiane. - Que linda! - responde ela, que chama a atenção de outra garota na poltrona próxima - Você já viu? - aponta lá em baixo. - É... eu estava olhando. - diz a One e toca no braço da outra ao seu lado - Está cochilando? - Não... não! Eu estava apenas pensando! - explica a Aparecida. - Em que? - Menina... e se eles não forem exatamente do jeito que pensamos? - Como?! O que está imaginando? - Ora, a gente os imagina pessoas super legais, gentis, etc... - Ah, pera aí! - protesta alto a Debora, da poltrona ao lado - Estou ouvindo o papo aí de vocês e não concordo! - Não concorda com o que? - quer saber Gislaine, que lhe faz companhia na poltrona contígua. - Estou falando ali, com aquelas duas... - justifica- se ela. - Ei, vocês já estão sonhando acordadas como eu? - diz Ana Lucia, passando pelo corredor da aeronave. A Atenais olha atônita a amiga: - O que está fazendo andando aí? - Vou ao banheiro. É proibido? - responde Ana. - Ah, desculpe. - diz Atenais, sem jeito. - Ei guria! Não vai fazer avenida do corredor aí não, hein?. - brinca a Gisa. - Nós estamos é sonhando desde já! - suspira Sanmya do lugar onde se encontra. - É verdade! - confirma a Melissa, com um longo suspiro, esticando-se na poltrona. Alli, ao lado de Melissa nas confortáveis poltronas do avião, de olhos fechados, conversa em voz baixa, à parte das falas em bom som de suas amigas. E a viagem transcorre tranqüila o resto do tempo. * * * - Nossa! Que hotel hein, Wan ? - pergunta Rosa, com as mãos à cintura. - Bom, não é aquela maravilha, mas já quebra um galho! - opina a Alli. - Eu também acho. - diz a Inês, desfazendo uma mala - Tá bom pro gasto. - Eu acho que se a gente não tem rios de dinheiro, um hotel como esse está muito bom mesmo! - confirma a Ana Lucia. - Boa comida, boa dormida... legal! - diz Mariana, por sua vez, suspirando. - Vamos agora até o quarto das outras meninas ? - convida Rosa. - Claro. Vamos sim. - concorda a Wan. As duas afastam-se. Num quarto ao lado, outras garotas conversam. - É hoje à tarde... - suspira - ... será que o meu pobre coração vai resistir? - diz Alessandra, com ar sonhador. - Ai... eu nem sei se o meu vai ...! - fala a Cida, com ar deslumbrado. - Sabe o que ouvi comentarem? - conta Camila Fernanda, agitada. - O que? - Audrey quer saber. - Que as meninas vão organizar um concurso de beijo! - sussurra, em tom confidencial. - Ca - ram - ba!! - é verdade isso!? - gritam a Lilly e a Audrey, pulando de mãos dadas. Todas dão risadas, numa verdadeira alucinação. - Gente, não é possível que seja verdade! Eu não acredito! - diz a Cida. - Claro que eu acredito! Aquele cantor não faz isso com as fãs dele? - Jennifer fala, escovando os cabelos. - Mas é um cantor brasileiro, não um cara cujo trabalho é da maior seriedade possível! E dentro do FBI dos Estados Unidos! - Camila Fernanda fala, por sua vez. - Mas é uma festa em homenagem a ele!! - retruca a Cida. - E numa festa vale tudo! - opina Alessandra. - E ela... vai deixar? - pergunta por sua vez a Sami. - Eu acho isso o fim! Mas já que é para o bem da nação shipper... concordo. - fala Alessandra , entusiasmada. - Pessoal, é tudo brincadeirinha! - fala Camila Fernanda, sorridente por ter conseguido engana-las. - Ah, é!!?? - exclamam as outras ao mesmo tempo, frustradas. - Que peninha!! - queixa-se Jennifer. - Pois saibam vocês de uma coisa: que eu vou realizar o meu desejo, ah, isso eu vou! - fala Cida, meneando a cabeça, decididamente. - Podemos saber qual é o seu desejo? - pergunta a Sami, lançando um olhar curioso para a amiga. Cida apenas olha para a outra. Lança um sorriso enigmático. Gisa, Lilly e Audrey estão sentadas, a confabular a respeito da sua estada no local. - Eu estou super nervosa, Gisa ! - E eu também. Lilly; você acha que eles virão mesmo, atendendo ao nosso chamado? Gisa, soprando as unhas recém pintadas: - Claro que sim! Adivinha com quem a Wan falou ainda há pouco por telefone? - Com ele?? - Não, com ela!! - Aaah! E ela...? - Galera, nem conto! Não é bom! - O que é que há? - quer saber Melissa, por sua vez. - Bah, guria! O que há é que eles não vão ficar aqui!. - Gisa avisa. - O que?! - falam as outras ao mesmo tempo. - É verdade, gente! Vocês nem imaginam! - Ah, você está brincando! - reclama a Lilly, levantando-se - Ah, eu quero que fiquem! Eu quero que fiquem! Eu quero que fiquem! - grita, dando pulinhos. - Eu também! Aaaah, eu também! Eu também! - grita a Audrey, por sua vez, levantando-se e também dando pulinhos. A Lilly chega mais perto da Audrey. Abaixa a voz para falar: - Audrey, cuidado para não exagerar nos pulos. Olha o joelho machucado! - avisa. - Tá. Pode deixar. - ela responde; aquieta-se e senta-se em seguida. A porta é estrepitosamente batida neste momento. A Wan entra, eufórica. - Turma, vocês precisam ver como a moçada está animada! - Verdade? - pergunta a Gisa, ainda soprando as unhas. - Vai ser um show!! - confirma a Alli, que entrara junto com a Wan. * * * O casal, acompanhado por outras pessoas, entra no salão de mãos dadas. Silêncio profundo. Pode-se ouvir até o zumbir de uma mosca no ambiente. Nada de gritinhos histéricos, nem risos. Apenas discretos suspiros de emoção é o que embala aquelas dezenas de corações neste momento. Ela, na sua frágil figura, sorridente, e com amabilidade nos gestos e no olhar profundamente azul, admira-se com a discrição do lugar. Ele, por sua vez, no seu altivo e imponente porte, pode vislumbrar aquela porção de homens e mulheres curiosos ali, diante de seus olhos. Ambos caminham a passos lentos. Param em dado momento. Mais silêncio ainda. As pessoas aguardando-os, parecem estar num transe hipnótico. Suas mentes parecem ainda não conseguir captar a realidade. Ele espalma as mãos, como quem deseja entender o que deve ser feito. - Bem... estamos aqui! Fox Mulder ... - anuncia, e estendendo a mão em direção da moça - ... e Dana Scully. Súbito... - Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!! Um grito lancinante é ouvido em meio às pessoas que ali estão. - Meu Deus!! - O que houve? - Nossa! - O que é isso? - O que está acontecendo? Todos se perguntam, sem obter uma pronta resposta. De imediato parece-lhes até ser algum desses mais misteriosos "teasers" do Seriado. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * ARQUIVO-X ATIVIDADE PRA LÁ DE ANORMAL A REALIDADE NEGA TER CONHECIMENTO A VERDADE ESTÁ MAIS QUE "POR FORA" NÓS QUEREMOS ACREDITAR!! Ali, entre os demais, caída ao chão, uma jovem com feições demonstrando um delírio de prazer apesar de desmaiada, deixa estupefatos Mulder e Scully. - O que será que houve com ela? - diz a Alli, enquanto dá tapinhas no rosto da desmaiada. - Deixem-me vê-la. Sou médica. - explica Scully. - Todos sabemos disso! - confirma a Luana. Scully a olha surpresa por alguns segundos e, em seguida, abaixa- se para ter acesso à pessoa caída. - E então? - tenta que a moça fale - Está me ouvindo? - volta-se para os demais - Como é o nome dela? - Alessandra. - informa a Wan, não muito preocupada. Scully chama a moça várias vezes pelo nome e volta-se para as outras, novamente. - Ela está bem. É apenas um desmaio. Ela... tem sempre isso? - Não! Ela... bem... eu acho que sim... ou ... - titubeia a Wan, tentando explicar, porém no íntimo, sabendo do que se trata. Mulder, fitando bem a Alessandra, abaixa-se para ajuda-la a erguer- se e toma-a nos braços. - Scully, isso é apenas uma reação emocional. - ele explica. Alessandra abre os olhos e, languidamente, num ar de deslumbramento, fala, com um sorriso de felicidade nos lábios: - Eu não acredito que estou falando com vocês... e... - Pois tem que acreditar. - retruca Mulder. - Mulder, eu quero acreditar.! - ela murmura, com ênfase . - Claro! Eu não a estou ajudando? Alessandra continua em atitude lânguida, com o olhar penetrando os olhos de Mulder, que, vendo-a em atitude tão largada, segura-a com mais força. - Ai... que coisa boa! - cochicha no ouvido dele. Este, sem saber o que dizer e meio sem jeito, coloca-a de pé, em segurança, com um leve sorrir. - Ai gente, que emoção! - geme Alessandra ao ficar de pé. - Está tudo bem, agora? - pergunta Scully, sem nada desconfiar. - Tudo bem. E Alessandra, por fim, tem que crer que fôra, realmente, erguida do chão pelos fortes braços de Mulder. - Por favor, acomodem-se! - sugere a Wan - Desculpem o incidente, mas sabem... é a emoção...! - Obrigada. - Dana Scully agradece, sentando-se no sofá, juntamente com Mulder. Lilly coloca ambas as mãos no rosto afogueado para dizer: - Eu ainda não acredito! São vocês mesmo?! - Pois é, né? Parece que sim... - responde Scully, fazendo ironia e cruzando os braços. - Espero que tenham gostado de vir até aqui. - Mulder diz. - Imagina!! - exclama a One, empolgada - Era o nosso sonho conhecê-los! Wlad aproxima-se, dirigindo-se ao casal: - Cara, é um prazer te ver pessoalmente! E você, também, Scully! - fala, estendendo a mão, a fim de cumprimentar o casal e continua - Olha gente, vocês são quase uma ficção, uma fantasia... somente personagens de nossa imaginação...! Nem dá pra acreditar que estamos aqui, junto de vocês. Então vocês são mesmo David Duchovny e Gillian Anderson?! - Quem?? - os dois perguntam ao mesmo tempo. - Ah, claro que são vocês, quem mais seriam? Muito prazer! - Rapaz, eu sou Fox Mulder, Agente Especial do FBI - retira do bolso da roupa suas credenciais, mostrando-as, e aponta a moça ao seu lado - E esta é a Agente Especial Dana Scully. - É, cara... a TV faz as coisas perfeitas! Parece real! - insiste o Wlad na sua teoria. - TV?! Mas que TV? Nós não somos atores! - insiste Scully. - Pega leve, cara! - aconselha o Marcio ao Wlad, falando baixinho - Esses aí não são os atores...! - Deixa comigo, Marcio. Sei que algo estranho está se passando aqui. Mulder, mais uma vez, quer provar ao Wlad quem verdadeiramente é. Mete a mão no bolso e mostra suas sementes de girassol na palma da mão aberta. - Somente eu tenho esse hábito de comer estas sementes. - De fato... de tanto fazer o mesmo personagem, viciou! - Wlad fala, impassível em suas teimosas convicções. Mulder demonstra estar nervoso e impaciente com a teimosia do rapaz em entender: - Mas que é isso, cara? Não sou esse aí que você está falando! - Me convença! Há controvérsias sobre isso. - teima o Wlad. - Que quer dizer? - pergunta Dana. - Vocês tem aí uma amostra de óleo negro ou então daquela substância verde que sai dos corpos dos alienígenas? - insiste Wlad na prova. - Bem, você está tentando me enrolar! - Mulder já está quase irritado. - Se vocês não são os atores que estou pensando, então me provem de alguma forma! - Só se chamar o Chris Carter aqui para nos dizer a verdade. - sugere o Marcos. - É sim! Você não diz sempre que a "verdade está lá fora?" Está com ele! - opina o Carlos Alberto. Os olhos de Mulder e Scully, muito abertos, denotam incredulidade e espanto. Imaginam estar no meio de muita gente de mente paranóica. - Chris Carter?? Quem é? - quer saber Mulder. - Ah, deixa pra lá! - o Wladmir desiste - Cara, não leva a mal não! Eu sou assim mesmo, meio insistente nas minhas convicções. De qualquer forma é um prazer conhecer vocês. Podem me desculpar? - Sem problemas. - Dana fala, suspirando e cruzando os braços. Mulder passa a mão pelos cabelos e morde os lábios, intrigado. Não está entendendo o porquê desse pessoal que diz-se seus admiradores, estar a lhe perturbar dessa maneira. Resolve continuar, a fim de convence-los. - Afinal, estamos aqui ao vivo e a cores! - segura a pele de seu próprio braço - Carne e osso de verdade! - ele conclui. - Aliás, mais carne do que osso! - diz, num sussurro, a Mariana, que está junto de Ana Lucia, absorta a seu lado. Esta nem fala. Está pasma pela beleza e simpatia do casal. - Sabe de uma coisa? - volta a falar o Wlad, sentando-se próximo a Mulder e Scully - Eu, assim como outras milhares de pessoas, escrevo histórias baseadas na vida de vocês. - Ah, já soubemos que muitos fazem isso. E achamos maravilhoso! - fala Scully. - A nossa vida profissional dá inspiração a muita gente, não é? - Mulder pergunta. - E a sentimental também! - comenta a Luana junto deles. - Verdade? - quer saber Scully, intrigada, não entendendo. - Com certeza! - explica a Ana Lucia sorridente e chama - Wan, conta aí pra eles sobre os seus Devaneios! - Devaneios?! Raving?? Frenzy?? - quer saber Mulder, já curioso. - Não... deixa isso pra lá...! - responde sem jeito a Wan - Não se preocupem! É uma bobagem o que a Ana Lucia está falando. - Ah, bobagem nada! - aponta outra amiga - Essa menina ali é que faz histórias maravilhosas com vocês! A One! - One?? - pergunta o casal ao mesmo tempo. - Por que One? - Sei lá porque, Mulder, mas apesar de ter um nome bonito, ela gosta de ser chamada assim. - explica a Ana Lucia. - Muito bem, One, então você escreve histórias lindíssimas? - quer saber Scully. - Qual nada! Boas mesmo são as histórias deste rapaz aqui! - diz One apontando o Marcos, demonstrando uma certa timidez. E assim Marcos vai apontando a Luana, que por sua vez mostra a Edna e esta apresenta a Rosa, e assim, sucessivamente. Scully acompanha com o olhar cada um deles ir jogando para os outros as palavras de elogios. Mulder, percebendo que aquilo iria passar de um por um entre aquela gente toda, resolve cortar logo o jogo de empurra: - Está bom, está bom. Já vimos que, afinal, todos escrevem muito bem, baseados no que nós fazemos! - fala Mulder, acalmando os ânimos - Mas o negócio é que eu tenho uma surpresa pra vocês, meus amigos. - Surpresa?! - exclamam quase todos de uma só vez. - É... - dirige-se à Dana - ... conta pro pessoal, Scully. - Amigos, é o seguinte: eu e o Mulder vamos leva-los até uma casa fora da cidade, que pertenceu à família dele. Temos um ônibus fretado só pra isso. - Verdade? - Lilly fala lá de trás, juntando as mãos, satisfeita, sacudindo a cabeleira repleta de pequeninas flores, que lhe servem de ornamento. - Já está tudo no esquema. Só esperamos que vocês gostem. - arremata Mulder. A CrisX adianta-se. Bem próximo ao casal, pergunta: - O bebezinho de vocês... nós... poderíamos vê-lo? - Ah, claro! Lá pra onde nós vamos, vocês o poderão ver. - E como ele está? - quer saber a Atenais. - Está Liiiindo! - responde Dana, empolgada. - Como os lindinhos? - pergunta Ana Lucia. Dana Scully não entende a sutileza da pergunta. Afinal, ela não lê os Devaneios...e ninguém vai explicar-lhe, claro! - Será que posso colocar a foto do seu bebê no meu jornal? - pergunta a CriX. - Você tem um... Jornal?! - quer saber Scully, admirada. - Sim, o meu Jornalzinho Excer. Meu e de umas amigas legais. - Nossa! Isso é fantástico! - comenta Scully, mais uma vez. - Esse aqui, Scully, - aponta para o Marcio - tem um site dedicado a vocês e seus trabalhos. - Verdade? - ela fala em tom de dúvida - Ainda não estou entendendo bem o que, realmente, vocês fazem a nosso respeito. - Aguarde, que nós lhes explicaremos. - adianta o Vinicius. * * * O ônibus lotado vai percorrendo as pistas, seguindo o carro à sua frente, onde se encontra Mulder e Scully. A estonteante beleza da paisagem se descortina diante dos olhos dos viajantes. De uma beleza sem par, a natureza faz mostrar sua presença magnífica ante os olhos atônitos daqueles que avistam o local pela primeira vez em suas vidas. É um início de tarde maravilhoso, com seu clima tépido e claro. Uma agradável brisa percorre a região, enquanto nuvens transparentes espalham-se, desenhando-se no azul do céu. Neste momento o veículo vai penetrando num terreno, seguindo o carro que por ali já entrara; um caminho de pedras cercado por altíssimos pés de eucalipto, cuja extensão leva até a uma enorme casa de dois andares. O ônibus pára e todos começam a descer do veículo, em direção à casa. - Magnífica! - exclama a Luzy , olhando em direção da casa à sua frente. - Você sabia que o Mulder possui essa bela propriedade? - pergunta a Therezinha. - Sabia sim. Apenas não imaginava que fosse tão bela. - ela responde. - A Scully está bem de vida...! - comenta a Alli, maliciosamente sorridente - Além desta, possui mais outras, ainda.. As outras dão risadas com a frase da amiga. - Vamos entrando! - chama a dona da casa - Vamos entrando, gente! E fiquem à vontade. Uns entram na casa, outros quedam-se a contemplar a beleza do lugar do lado de fora. - Quero que vejam o que preparamos para vocês! - Dana anuncia, encaminhando o grupo para a sala contígua de onde estão. Um grande salão aparece. Além de ser todo decorado, possui sancas nas paredes e no teto. Apliques trabalhados nos quatro lados e ao centro um lindo lustre de cristal. Uma enorme mesa num canto da sala tem sobre si muitos pratos, taças e talheres. Muitas e confortáveis cadeiras e belíssimas e esplendorosas plantas fazem parte da decoração. Tudo muito bem organizado. - Vocês não fazem idéia de como foi difícil convencer o Mulder a aceitar fazer esta comemoração. Do jeito que ele é discreto e não gosta de badalações...! Mas eu o convenci, dizendo que vocês viriam de muito longe pra nos conhecer. - O fabuloso nisso tudo é que nós, que deveríamos homenagear o Mulder, é que seremos homenageados. - comenta o Marcos. - Nossa! Isso não está acontecendo! - exclama a Debora, deslumbrada. - E na verdade, pessoal, acho que o Mulder gostaria mesmo é de estar comemorando alguma coisa ao lado de ... extraterrestres... - fala Dana, sorrindo. - Mas, por outro lado, vocês estão comemorando ao lado de eXtrangeiros!! - diz o Vinicius. A risadaria é geral neste momento. * * * A Rosa está parada, estática; parece sonhar. Mariana segura-a pelo braço para perguntar: - Você está vendo o que eu estou? - O Mulder? - É. - Estou vendo... - suspira - ... o caminhar balançado jogando os pés... essas atitudes displicentes, completamente sem afetações, nem vaidade, e quando olha para a Scully...! Nossa! É demais! - Mesmo! Nós precisávamos, na realidade vir conhece-los de perto. São exatamente aquilo que imaginávamos que fossem! Bárbaros! A Inês está junto das duas amigas. - Vocês viram como os olhos da Fluffy são infinitamente azuis? Da cor do céu? - E os dele? Parecem uma campina verdejante em dia de sol pleno! - a Rosa afirma. - Quanta poesia! - ironiza a Helena, próximo às outras . - É, meninas, não dá nem pra descrever o que deve ser reparado neles. São, realmente, encantadores! - comenta a Inês, suspirando com um sorriso. A Audrey chega esbaforida: - Recado da Wan: preparem-se logo! - Para o quê? - quer saber o Vinicius , que está prestando atenção nas palavras das garotas . - Mulder e Scully vão agora responder a todas as perguntas que lhes fizermos. - Tem certeza? - pergunta o Marcos, que está próximo, em tom de dúvida. - Oba! Que bom! Tô nessa! - exclama a Melissa, entusiasmada. - Mulder disse que, antes de qualquer comemoração, vai atender a todos aqueles que os querem conhecer, para um bate-papo bem agradável e amigo. - Geeeente! Mas isso é muito bom! - exclama a Atenais. Todos procuram acomodar-se da melhor maneira, a fim de acompanhar as palavras do casal. Dana Scully, simpaticamente, ajeita as cadeiras na sala, juntamente com a Wan e a Ana Lucia , para que seus novos amigos possam sentar-se confortavelmente. Ela, de pé, resolve falar: - Bem meus amigos, quero dizer a vocês que, a partir deste momento... - ... antes do bolo? - a Lilly, meio escondida entre os demais, corta a fala da dona da casa. - Sim, antes do bolo que cortaremos mais tarde, se é que vocês nos permitem, já que é um presente de vocês. - responde ela, com indagação no olhar, querendo saber se concordam. - Claaaaro!! - gritam todos, a uma só voz. - Pois bem, a partir deste momento estamos prontos aqui para responder a tudo que nos perguntarem ou prontos a ouvir o que têm a nos dizer. Mulder está sentado, relaxadamente, numa das confortáveis cadeiras, de frente para todas as pessoas, pernas cruzadas, cotovelos repousados nos braços do móvel, dedos colocados acima dos lábios, numa atitude bem típica de sua personalidade, prestando atenção às palavras de Dana. - Nós hoje estamos aqui sem horários, sem nada mais a fazer, do que dar atenção a vocês, conversarmos, nos distrair, enfim. Não queremos permitir que a viagem tão longa de vocês tenha sido em vão. - ela conclui Todos agradecem as suas palavras gentis. Alli, sorridente, como lhe é peculiar e com seu jeito simpático, dirige-se a todos que ali se encontram: - Bem pessoal, quem se habilita a iniciar essa palestra? Silêncio absoluto. Ninguém manifesta seu desejo de começar. Scully franze os lábios, reparando todos aqueles desencorajados à sua frente. Ensaia um sorriso. A Debora pigarreia um pouco, enche os pulmões de ar e adianta-se, sem mais nada esperar. Apresenta ao casal uma caixa que tem em suas mãos. - Quero oferecer-lhes uma coisa boa que eu trouxe da minha terra. É uma torta de maracujá. - Ma...ra...cu...já?? - pronuncia Scully, admirando-se com a iniciativa da jovem. - É uma fruta típica da minha terra, Scully. E eu achei que agradaria a vocês. Mulder passa a língua ao redor dos lábios, fingindo saborear a fruta. - Huuum...! - ele faz - Pode deixar só pra mim... a Scully só gosta mesmo é de arroz gelado integral, sem gordura! Os demais presentes riem das palavras dele. Debora respira fundo e prepara-se para falar: - Mulder... Scully... bem... antes que alguém inicie qualquer palavra a vocês, quero dizer-lhes muito obrigada mesmo! Sabem por que eu lhes agradeço? Porque vocês tornam nossas vidas um pouco diferentes, mostrando-nos que às vezes as coisas podem dar certo. É só perseverarmos, insistirmos em nossos ideais. Quero lhes agradecer por nos dar a oportunidade de ter uma realidade diferente e de não termos que dispor em nossas vidas única e exclusivamente, apenas dessa que nós podemos viver. Vocês nos preenchem a vida com sua forma plena e justa de viver, nos enchem de coragem e incentivam-nos para que possamos sempre ter um ideal e acima de tudo, conquistar esse ideal. - faz uma pausa para falar em bom som - DIE WARHEIT IST INGERDWO DA DRAUBEN!! Mulder ri. - O que você disse? É alemão? - Sim, Mulder. Ela quis dizer: A Verdade Está Lá Fora! - responde Scully, prontamente. Debora olha, em seguida, para Ana Lucia, incitando-a a ser a próxima a conversar com o casal. - Eu?! - exclama a Ana - Não! Eu falo depois! - Aaaah, vá Ana! - retruca a Wan - Fala logo aquilo que você me disse que ia perguntar! Ana Lucia perde toda a timidez momentânea: - Bom, o que eu desejo falar é que vocês dois, certamente preferem ficar a sós para comemorar esse aniversário, e não com esse montão de gente aqui, é lógico! Mulder sorri, com o seu jeito de menino e volta-se para Dana, dizendo: - Você tem toda a razão em pensar isso, porque essa é, justamente a realidade. - Viu como eu acertei? Viram vocês todos? - entusiasmada, está voltada para todos o seus amigos a Ana Lucia. - Bem pessoal, é claro que sempre queremos estar a sós, mas este momento também é importante! E nós estamos gostando de estar com vocês, aqui, agora. - fala Dana, por sua vez, sem sorrir, porém. - Além do mais, - continua Ana Lucia - eu sei que esta casa pertence a vocês, podem sentir até conforto ao estar nela... mas será que não gostariam de ir a outro lugar? - Outro lugar?! - vários fazem a pergunta neste momento, juntamente com os olhares indagadores de Mulder e Scully. - Sim! Um mais romântico pra eles! - conclui Ana Lucia, respondendo aos outros. Mulder toma a mão de Dana, olhando-a com o seu famoso olhar perscrutador, esquadrinhador, naquele verde transparente dentro das pálpebras apertadas. Dana envolve o seu amado com o seu olhar infinitamente azul, indagador e esperançoso. - Você gostaria de ir aonde, Scully? - ele pergunta. Ela sorri, num ar embevecido, mas demonstrando certa timidez. - Eu não sei, Mulder...! - Pois me deixem ajuda-los, porque eu sei onde os posso levar. - explica Ana Lucia. - É mesmo?! - pergunta Mulder, levantando as sobrancelhas, com ar irônico. - Bem vamos pensar no caso depois da festa. - conclui Scully, franzindo os lábios, com um pouco de incredulidade. - Ok, ok. - concorda Ana Lucia - Mas eu só poderia leva-los em um lugar belíssimo lá na minha terra! Mulder passa um braço pela cintura de Dana, que, acanhadamente, evita que ele a abrace. Mulder, porém, finge nem perceber e achega-a para si, apesar de sua resistência ao gesto dele. Apoia o queixo em seus cabelos ruivos: - Quer fazer uma viagem até o Brasil, conhecer a terra da Ana Lucia, hum? - ele pergunta numa voz suave. - Hum, hum. - ela confirma, cheia de ternura, fitando-o, porém tenta afasta-lo de si. A Wan observa junto com a Helena, a cena entre os dois. - Gente, quando o azul do céu dos olhos da Scully se derrama e reflete na campina verde dos olhos do Mulder, é de matar!! - ela comenta. - Que modo poético de citar os olhos deles! - exclama a Mariana, que achega-se às outras duas amigas. A Wan suspira: - São os meus Devaneios...! - Posso só falar mais uma coisinha? - está dizendo a Ana Lucia para a Scully. - Claro! Pode falar! - Eu, no ano passado saí da minha cidade, São Paulo, a muitos quilômetros de outra, o Rio de Janeiro, só para assistir um filme no qual a atriz era a sua cara!! - É mesmo? E qual é esse filme? - The House of Mirth. - A Ana Lucia responde - O nome da atriz é Gillian Anderson. Dana faz um trejeito engraçado: - Está aí porque o Wladmir me confundiu com a atriz! - diz, sorridente - Tomara que seja bonita! - conclui. Mulder volta a dirigir-se às pessoas ao seu lado: - Nós aceitaremos seu convite de ir à seu País. Tenha certeza. Um dia. - confirma Mulder, para a Ana Lucia. - Ok, Mulder. Obrigada por aceitarem minha proposta. - faz um gesto de que vai sair de perto deles - Fui!! Mariana toma a frente, disposta a já dizer suas palavras ao casal. - Quando vocês forem ao meu País, eu os levarei a tomar um aconchegante café, de preferência em algum lugar perto do mar ou de muitas flores...um lugar onde vocês poderão curtir um cenário bem maravilhoso para seu amor. - Nossa! Que palavras bonitas pra nós, Mariana! Obrigada! - fala Dana. - Eu e a minha amiga aqui, - volta a falar, apontando a Ana Lucia - criamos um site, onde falamos sobre vocês. - Um site?! - Sim. Só dedicado a vocês. - A nós?! Que bom! - olha para Mulder - Viu? Nós realmente somos muito queridos por todo esse pessoal que está aqui! - Sim, é verdade, Scully. - confirma Mariana - Agora, vou aproveitar a oportunidade, para, se puderem, discutir com vocês centenas de questões sobre as quais tenho imenso desejo de saber . Pode ser? Dá pra satisfazerem a minha curiosidade? - Esteja à vontade. - propõe Mulder, descruzando as pernas e relaxando o corpo num modo mais atento, a fim de conversar. A partir deste momento Mariana está ao dispor de Mulder e Scully. Senta-se mais perto deles e começa sua palestra. Põe para fora tudo aquilo que deseja falar ao casal. Para ela, este momento é a mais pura realização de uma das melhores discussões existenciais de sua vida. * * * Um movimento toma conta de todos no ambiente. Acham formidável a disposição do casal mais famoso que existe em todo o mundo atualmente, em atender com tanta amabilidade todos os que estão ali, à sua frente, ansiosos por lhe dirigir uma palavra. O Wlad adianta-se, aumentando o tom da voz, para falar com os dois. - Olha Mulder, - será que você pode me conseguir uma coisa? Mulder chega o corpo para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, pronto para ouvir o rapaz. - Diga, pois verei o que posso fazer. - Eu gostaria de ver todos os casos bizarros, estranhos e paranormais do Arquivo-X, no qual você trabalha. Poderia? - Para que finalidade? - quer saber Mulder, curioso. - Ah, eu gosto muito de escrever sobre ficção científica e, sobretudo, acho legal o trabalho de vocês, que me inspira a escrever e criar minhas histórias. Inclusive já ganhei diversos prêmios com esses escritos sobre o que vocês fazem no seu trabalho diário. - conta, satisfeito. - É... podemos leva-lo a conhecer nossos arquivos, sim, sem dúvida, como você gostaria. E, naturalmente, você terá muitos mais temas para seus contos. - Esses contos chamam-se fanfictions ou fanfics. - o Wlad explica. - Fanfics? - surpreende-se Mulder. - Exato. São exatamente os contos de ficção elaborados pelos fãs. - fala o Marcos. - E vocês são nossos... fãs?! - pergunta Dana, num suave sorriso de simpatia. Apresenta-se neste instante a One, ofegante e apressadamente, para falar: - Se somos seus fãs?! Mas que dúvida! Adoramos vocês, gente! E se eu.. - está hesitante - fizesse um pedido muito do coração, vocês me atenderiam? - dirige-se a Dana. - O que você quer nos pedir? - ela pergunta. - Vocês não vão me levar a mal? - Ei! Não estou entendendo o que é tão sério que você vai pedir! - diz Mulder, zombeteiro. - Não... bem... sabe o que é...? - titubeia a One, meio nervosa - É que eu corro o risco de passar por doida... posso ser algemada por vocês e me mandarem para um sanatório... mas... - Nossa!! - exclama Scully, um pouco assustada, ainda sorridente, porém. - Bah, guria!! O que está havendo? Fala logo o que você quer pedir! - diz a Gisa, já impaciente com a amiga. - Calma, calma, Gisa! - a One espalma as mãos, pedindo paciência - Mulder... Scully, eu quero pedir que vocês... beijem- se aqui diante da gente, agora! - Como?! - o casal exclama em uníssono, tomado de surpresa. - É isso mesmo! Não sou de meias palavras. O que eu quero ver é um beijo de vocês aqui, mas daqueles bem gostosos, diante desta platéia de gente que só quer bem a vocês dois. Nós todos amamos vocês! Scully dá uma risadinha, meio sem graça. Mulder leva a cabeça para trás, divertindo-se numa boa risada. - Sem problemas! - ele confirma - Mas nem somos artistas, nem nada! Até estamos parecendo atores de Hollywood diante dos fãs! Numa só voz os espectadores do famoso casal começam uma torcida: - Beija! Beija! Beija! Mulder passa o braço sobre os ombros de Scully, segura-lhe o belo rosto. - Mulder... espera! - ela pede, embaraçada, diante das pessoas e desvencilha-se das mãos dele, com amabilidade. Ele lhe sorri ternamente. Entende que Dana não deseja expor seus sentimentos a público. A One faz um ar de queixume: - Ai, gente, me perdoa! Mas é uma coisa que eu não queria ir embora daqui sem ver! Olha, vocês podem até, depois disso me mandarem pra um sanatório! Eu não me importo! De verdade! Mulder olha para Scully, discreta, mas firmemente. Ela o olha de soslaio. Em seguida levanta-se para dizer: - Olha, pessoal, nós não somos atores de rádio, cinema ou televisão; portanto, tentem entender que nossa vida particular deve ficar... - Beija! Beija! Beija! Insiste a turma shipper. - Ah, qual é Scully? Todo mundo já sabe que vocês se amam, e vocês até já tem um filho...! Por que esconder o que todo mundo já está cansado de ver? - diz a One. - Ver?! - ela, como sempre admira-se. - Ah, desculpe, - volta a falar a One, olhando para todos à sua volta e pedindo ajuda, para sair da gafe que cometera por ter falado o que não devia. - Scully, - começa Mulder - não tem nada demais nós trocarmos um beijinho... - Ah, pára, Mulder! - ela sorri, desajeitada - Depois a gente conversa. A Wan toma parte, aproximando-se mais: - Olha, Scully, é o seguinte: nós viemos de muito longe para estar aqui junto de vocês e querendo retornar à nossa terra extremamente felizes, e somente conseguiremos isso vendo que tudo está às mil maravilhas entre vocês dois. E um beijo que você troque com o seu amado não é que vai fazer o mundo cair. É só uma troca de carinho entre duas pessoas que se amam! - Ei! Eu não... - ela ensaia falar - Espere! - a Wan espalma as mãos - Espere eu falar, por favor! Faça isso por nós e para mostrar ao Mulder que você o ama de verdade seja onde estiver e em que circunstância for! E ele não tem também porque não demonstrar diante de qualquer pessoa os sentimentos que sente por você, porque ele só quer a você, mais ninguém... portanto... Mulder fita a Wan, agradecido pelas suas palavras. A Inês, do lugar onde está, sentada um pouco afastada, e quebrantando a timidez, aumentando o tom de voz e preocupada, desejando que chegue ao fim o mal-estar que Scully sente no momento, quer expor sua opinião: - Scully, nós todos sabemos que temos que entender perfeitamente o seu ponto de vista. Não se preocupe com a opinião das pessoas à sua volta. Faça somente o que pedir seu coração. Dana escuta a voz da Inês, que continua afastada, sem querer fazer-se notar; abaixa a cabeça, olhos fitos no chão. Parece meditar. Com semblante sério, olha primeiramente as pessoas ao seu redor. Olha de soslaio para Mulder junto dela. Mulder toma-lhe a mão. Scully volta a sentar-se. - Tudo bem, Scully? - pergunta suavemente, aguardando uma resposta. - Tudo bem, Mulder. - não levanta ainda o olhar para fita-lo, com as mãos agarradas uma à outra, demonstrando um certo nervosismo . Ele senta-se novamente, achega-se, devagarinho. Coloca os lábios sobre os dela. Provam-se primeiramente, como que desejando sentir o gosto um do outro. Em seguida, bem mais quente vai se tornando o beijo, que leva alguns segundos. Todos à volta do casal aplaudem, cheios de satisfação, pelo desejo realizado não somente pela One, mas por todos os eXcers shippers que ali estão. Algumas outras pessoas encontram-se ali, diante dos dois, estáticas, sem graça. Não querem tomar parte da alegria, entusiasmo e amor de todos aqueles que adoram ver Mulder e Scully se tocando, apaixonados. São pessoas que só tem senso crítico para comentarem uns com os outros aquilo que faz a alegria dos shippers. Essa minoria crítica são os noromos. Porém os outros eXcers, no entusiasmo de sua alegria por assistir seus amados personagens felizes, sequer prestam atenção nas atitudes sem graça daqueles. - Vê aí, cara, - diz um - essas pessoas nem se preocupam em procurar saber a qualidade do tipo de investigação que Mulder e Scully tão bem executam, sua capacidade de trabalho, sua seriedade no que fazem! - Sim! Nem ligam pras situações tenebrosas que atraem a nossa total atenção...! - fala outro. - É mesmo. Esse pessoal shipper somente preocupa-se com abracinhos, beijinhos, palavrinhas doces, olhares... sei lá mais o que! - É isso aí! - diz uma terceira pessoa - Mas tiete é assim mesmo! Só aprecia o que não deve. Não dá valor à seriedade das coisas pelas quais esse casal de Agentes passa . Cada caso tão importante que eles resolvem, sem contar os perigos...! - Por eles, os shippers, Mulder e Scully somente resolveriam casos como em Arcadia, All Things, Hollywood A D... essas bobagens "light". - Olha cara, os shippers não sabem nem que foi no último episódio do primeiro ano que o Garganta morreu...! - Mas sabem de cor cada olhada de um pro outro ou cada toque de mão dos dois em todas as demais temporadas, acredita? - Estão por fora mesmo do verdadeiro sentido do Arquivo-X! - volta a falar a outra. - Olha aqui, gente ! - a Wan toca no ombro da pessoa que acaba de falar e que está sentada ao seu lado - Nem devo comentar alguma coisa sobre a opinião de vocês, porque segundo minha experiência de vida, todas as pessoas têm livre arbítrio para pensar. Só quero dizer que meus sentimentos shippers recusam-se a aceitar, aqui entre nós, neste momento em que viemos só com o propósito de conhecer Mulder e Scully pessoalmente, qualquer tipo de reação de vocês. Por favor, contenham-se, no ro mos!! - pronuncia com ênfase. Suas palavras embora em voz discreta, chama a atenção de Mulder e Scully. Dirigem o olhar para a Wan, que, por sua vez, os fita com toda simpatia. - Se não se importam, eu peço a minha vez para falar. - argumenta ela. - Sim! Esteja à vontade. - fala Mulder. - Em primeiro lugar, devo dizer que tenho por vocês um carinho tão grande, que não dá pra comparar com coisa alguma deste mundo os meus sentimentos. É algo assim, especial. Tenho-os como se fossem mais que meus parentes, meus próprios filhos; sinto por vocês um amor no qual desejo vê-los para sempre felizes, um ao lado do outro, sem restrições, nem barreiras, sem atropelos e sem que ninguém interponha-se em seu caminho. Que seja um amor para sempre, mesmo que de algum tempo adiante, suas vidas possam sofrer divisões, ameaças de separação... mas enfrentem tudo com garra... não desistam de perseguir a felicidade, porque vocês a merecem e que possam realizar tudo aquilo que mais desejam, que suas vidas jamais sejam perturbadas por alguém que queira destruir o seu amor, a sua união. E mais desejo ainda: que essa vida que levam agora possa estender-se para a realidade e não fique apenas nesse sonho... Wan nota que nos olhos de Dana brilha uma lágrima que aflora, ao ouvir as suas palavras, incentivando o seu amor tão difícil, tão sofrido, tão demorado para ser realizado. A Luana já faz sinais para entrar na conversa: - Scully! - chama ela. - Diga. - fala a Agente. - Desejo, antes de mais nada, abraça-los. Levanta-se e abraça Scully e em seguida Mulder. Dirige-se aos dois: quero, neste momento, desejar a vocês toda a felicidade do mundo... eu amo vocês dois de todo o meu coração e também peço a Deus que os abençoe e além do mais, eu gostaria de contar a vocês uma coisa...importante. - Importante? - Mulder quer saber. - É. É sobre os planos do Canceroso e... - ...e...? - Mulder a interrompe; seus olhos brilham de curiosidade. - ... também onde os membros do Consórcio se encontram. Mal Luana termina de falar e já Mulder a olha com imenso interesse, ávido pelas informações, fitando-a com seus olhos esquadrinhadores. - Falaremos depois, han? - ele quer saber. - Tudo bem. - responde Luana. - Mas... sem falta? - ele insiste. - Sem falta. - Luana sorri, satisfeita com a curiosidade que havia plantado na mente e coração de Mulder. Ela chega junto aos dois. Fala com os olhos radiantes de alegria: - Olha, eu desejo pra vocês toda a felicidade do mundo! Eu os amo muito! De todo o meu coração. - beija-os ternamente na face - E Deus esteja sempre com vocês. - diz. O casal agradece. - Mulder...? - chama Luana a atenção dele. - Diga. - Eu tenho muita raiva de uma pessoa que parece muito com você! - É mesmo...? Mas é só porque parece comigo? - Lógico que não, Mulder!!! É que é um ator, e é bem ranzinza com os milhões de fãs que possui! - Por que pensa assim? - Não somente eu, mas todos os demais eXcers! Ele maltrata o coração dos fãs! - Maltrata?! Verdade? - Siiiiiiim!!! - respondem todos os outros a uma só voz. - Nossa! Eu não queria estar na pele desse cara! Nada como ser benquisto, não é? Todos riem, prazerosos. O burburinho de vozes agita o ambiente. Cada um dos eXcers deseja fazer uma pergunta, falar algo ao casal de Agentes. A Helena toca no braço da Wan: - Você acha que eles vão ficar zangados com o que eu vou perguntar? - E o que você vai perguntar? Olha lá, hein? - Não... não é nada demais! - Mas o que é? - quer saber a Melissa, curiosa ao escutar a conversa das duas. - Ah, não posso falar pra vocês. Só quero perguntar a eles... - Helena, anda logo, pergunta! É a sua vez! - propõe a Wan. Ela pigarreia, nervosa. - Scully, quero perguntar a vocês uma coisa... - Sim? - fala Mulder, incentivando-a a prosseguir. - Quando é que vocês vão se casar? Helena solta a frase num ímpeto, como se quisesse livrar-se logo de uma terrível incumbência. Scully dá uma risadinha e Mulder a olha, achando engraçada a pergunta. - Todo mundo está esperando ver esse acontecimento! - conclui Helena. - Todo mundo?! - indaga Scully zombeteira, achando a frase exagerada. - Todo o mundo, isto é, o mundo inteiro! - confirma a Mariana. - O que quer dizer com isso? - pergunta Mulder. - É verdade! O mundo inteiro sabe a vida de vocês dois! - explica o Carlos Alberto , por sua vez. - Mas... como pode isso? - exclama Scully sem acreditar. - Como é que é?? - Mulder quer saber. - Porque vocês já fazem parte da vida de milhões de pessoas que lhes tem tanto amor quanto aos seus próprios entes queridos. - explica a Camila Fernanda. - Entendo, - diz Dana - mas como acontece isso? - Será possível que o próprio FBI está divulgando a nossa vida de trabalho e até mesmo ... ? - tenta Mulder encontrar a resposta. - ... sua vida pessoal, também. - Carlos Alberto termina sua frase. - Mas, como?! - Dana está indignada. - É certo sim, Scully, e pessoas há que exibem a público seu trabalho mais confidencial e sua vida particular. - explica o Marcos. - E também a... íntima? - Dana está um tanto amedrontada com a resposta. - Também. - confirma a Gisa. - Mulder!! - ela fala, raivosa - Mas isso é intolerável! Não podemos admitir tal coisa! - Eu concordo, Scully, não podemos e nem devemos! Mulder volta-se para as pessoas em frente a eles. Seu semblante está empalidecido, demonstrando raiva. - Simplesmente estamos sendo grampeados... - ele recomeça, franzindo o cenho. - ... ou esse... chip na minha nuca permite ao Sindicato... - admite Dana, imaginando mil coisas em sua mente. - E algum de vocês sabe quem é o autor dessa... dessa coisa? - Mulder indaga. - Sabeeemos!! - dizem quase todos ao mesmo tempo, com convicção. - Sabem?! - o casal exclama, incrédulo. - É uma organização que exibe a vida de vocês, todo o seu trabalho, seu dia-a-dia, sua vida íntima em fitas e filmes nas TV's do mundo inteiro. - esclarece o Vinicius. Mulder e Scully levantam-se, indignados: - De quem se trata? Digam, por favor! - pede Scully. O Marcos aproxima-se dos dois e fala em tom um pouco baixo: - O nome da organização é Fox. - O que?! Fox??!! - surpreende-se Mulder - Por que o meu nome? - Não sabemos, Mulder - adianta-se a Wan. E é por causa da Fox que estamos todos aqui, em busca de falar pessoalmente com vocês, vê-los, tocá-los, sentir todos juntos as mesmas emoções com vocês... tudo porque a Fox nos deu essa facilidade; nos fez conhecer o casal mais maravilhoso, corajoso, destemido, lutador, honesto, decente e justo deste mundo. Se algo acontecer com vocês, metade do mundo vai sentir, podem estar certos. O casal olha para quem lhes está dando as explicações, com o semblante estarrecido; aos poucos, no entanto, suas faces ficam desanuviadas. Agora há um ar de gratidão, de paz e serenidade em seus rostos. - Por causa da... Fox...? Nós somos o casal mais maravilhoso do... mundo? - gagueja Scully, a meia voz. - É sim. Por isso vocês não devem ficar irados, assim. Afinal o Chris Carter é um homem admirável que criou vocês e os fez tornarem-se essas pessoas que são os mais queridos desta década, e quem sabe de muitas outras ainda, pois ficarão na memória de todos, por longo tempo!! - é o que fala a Luana, em seguida. - Mas, afinal de contas, quem é esse Chris Carter que vocês sempre citam? - Ah, o Chris Carter é o homem que criou vocês. Claro que o conhecem! - explica o Marcio, afastado dos Agentes. - Eu não sabia que alguém me havia criado... - fala Dana - e você, Mulder? - Também não. - é só o que responde, apertando os lábios e franzindo a testa. - Bem, talvez ele tenha sempre desejado estar incógnito em suas vidas, mas é ele quem entrega à Fox as filmagens que faz de vocês e o mundo inteiro os assiste e os ama. - explica a Atenais. - E o Chris Carter dá plenos poderes à Fox para exibir tudo o que diz respeito a vocês. - completa a Ana Lucia. Os dois olham-se mutuamente, boquiabertos: - Nosso próprio criador!! - exclamam juntos. - E vocês ainda estão com raiva deles por isso? - quer saber a CrisX. - N... não! - fala Mulder - Eu nem sei o que dizer... e você Scully? - Eu? Bem... já que somos tão queridos por vocês e por milhões de pessoas, acho que só temos é que agradecer, não é? - Claro, Scully! - arremata Mulder . No entanto, dentro da mente de Mulder uma idéia vai se tornando fortalecida pela suspeita. "Nossas vidas publicadas em TV's e tudo quanto é meio de divulgação... essa organização chamada Fox... esse Chris Carter, um sujeito que nunca vimos... o que pode haver de verdade nas palavras dessa gente que está aqui? Será isso um jogo? Uma espécie de brincadeira ou o que? Eu tenho que tirar a limpo a verdade dessa situação... preciso falar com Scully sobre isso... ela, por vezes, pode usar de ingenuidade para pensar que somos apenas... amados! Amados?! Mas como e por que? Vou continuar seguindo o joguinho deles e ver até onde vão." Marcos bate as palmas das mãos uma contra a outra: - Bem, bem, então já que tudo está esclarecido, vamos continuar nosso bate-papo informal, mas proveitoso? - sugere, a fim de descontrair os dois Agentes. Dana Scully solta um longo suspiro. Cruza os braços. Mulder morde os lábios, mais uma vez, levantando a mão: - Eu concordo. - diz ele. - Ai, que bom! - entusiasma-se a Alli, fazendo sinal positivo para Ana Lucia. - Será que alguém quer tomar um refrigerante, alguma bebida, antes de prosseguirmos? - propõe Mulder. - Ah, eu gostaria... obrigada. - responde rapidamente, a Cida, levantando a mão. - Pois venha! - convida-a Mulder. Ele levanta-se e ela o segue. Nota que nenhuma outra pessoa os acompanha. Cida sente o coração palpitando fora do normal. Dentro do seu ser uma brilhante idéia manifesta-se: "É agora a oportunidade!" - pensa, entusiasmada. Enquanto caminham, passando para uma sala contígua ao enorme ambiente em que estavam, conversam: - Vocês todos moram na mesma cidade, lá no Brasil? - Que nada, Mulder! São pessoas de várias Cidades, do norte ao sul do País. - Ora, mas que interessante! Os dois aproximam-se de um lugar onde a penumbra torna-se um recanto ideal para um surpreendente gesto, segundo o coração da Cida. - Qual é o seu nome? - ele pergunta. - Maria Aparecida, mas pode me chamar só Cida. - responde ofegante e ansiosa. - O que prefere? - mostra várias bebidas ali expostas. - Eu só quero... água. - Água? - ele ri - Ora, está com sede mesmo? - E muita... - aproxima o máximo o seu rosto do dele, levantando o corpo na ponta dos pés - ... muita sede... de... E, num gesto surpreendentemente rápido, Cida alcança os lábios de Mulder e neles coloca sua boca ávida por um beijo daquele homem tão desejado por milhões de mulheres. Mulder vê-se agarrado pelos braços da garota em seu pescoço e nada mais pode fazer. Apenas. . . "E ele está me retribuindo o beijo! Ai, como estou feliz! Como estou feliz!" - pensa ela, doidamente - Consegui dar esse super, hiper, mega beijaço nessa boca maravilhosa!" Ainda ofegante, retira os braços do pescoço de Mulder. - Ai Mulder, me desculpe! Eu não pude resistir... faz muito tempo que sinto esse desejo...! Ele faz um gesto com a mão, mantendo um leve sorriso nos lábios: - Tudo bem. Tudo bem. - é só o que diz, com uma ponta de ironia no olhar. - Mulder, eu agradeço, mas não precisa me dar a água não, tá? Eu só queria... - Tudo certo. Eu entendo. - ele fala rapidamente, a sorrir. Encaminham-se para a grande sala, onde estão os outros amigos da Cida. Cida sente parecer estar caminhando sobre nuvens. Está completamente no ar. "Por que fiz isso? Mas... por que não o faria? Meu coração estava pedindo isso! Tenho que me recompor, porque preciso falar também com a Scully. Eu preciso... ela merece umas palavras de carinho...!" - pensa, um tanto desnorteada. Aproximam-se do grupo na outra sala. Cida, aparentando calma, senta-se e, olhando para Dana, engole em seco e fala, no maior esforço: - Scully, eu amo muito você... saiba que a admiro muito... e a respeito também... - nesse ponto pára um pouco, no íntimo pedindo perdão a Deus por sua falha - ... ...eu gostaria de ser como você... forte, corajosa, inteligente, amiga, companheira, feminina, liiiiinda e, resumindo, especial. Coloca a mão no agitado coração. Scully sorri. Nos seus olhos, mais uma vez, brilham lágrimas de emoção. Mulder, por sua vez, discretamente observa as palavras da surpreendente e estratégica moça diante deles. Cida afasta-se um pouco e vai sentar-se bem atrás, de onde apenas pode continuar a usufruir das emoções contidas que lhe haviam causado aquele beijo... - Olha, Mulder. - diz Scully, mostrando uma revista - Tem até nossa foto aqui. - Como se fossemos artistas! - ele acrescenta. - É exatamente como se fossem! - confirma a Therezinha - E Scully... nós amamos vocês demais e vivemos todos nós querendo ficar sempre a par do que ocorre com vocês, sempre que estão nas suas investigações. Ficamos preocupados como se fossem um ente querido nosso... - ela coloca a mão no peito - e Scully... já que você é médica, será que você tem aí um remédio chamado Coramina? - Co-ra-mi-na? - ela pronuncia engraçado a palavra. - É. Um remédio calmante para o coração. - explica Therezinha. Eu não estou passando muito bem. Scully segura-a pelo pulso. Therezinha está pálida, quase inerte em seu lugar. - O que está sentindo? - Uma taquicardia forte...! - Calma, não se agite. Pena que não tenho aqui meu estetoscópio... - N... não... precisa... - geme a Therezinha, ainda sem forças. Scully massageia seus pulsos, a fim de agitar-lhe o sangue. - Não se preocupe. É apenas o seu sistema nervoso... uma frequência rápida das batidas do coração, que pode ser causada por exercício, emoção, ansiedade... - Ah... obri...obrigada, Scully. - fala ofegante - eu estou ... melhorando... sabe Scully, - respira fundo - na verdade há horas que estou numa enorme ansiedade, porque vocês dois são muito amados, não só por nós, mas por milhões de outras pessoas que os apreciam. E como sou uma mulher experiente, lhes peço permissão pra falar algo mais sério: vocês nunca deverão se separar, mesmo que alguma coisa lhes façam ficar longe um do outro, mesmo assim, vocês deverão ser sempre fieis às suas convicções e nunca... mas nunca mesmo deixem de se amar. Neste ponto, mais uma vez coloca a mão sobre o seu agitado coração. - Olhem, o amor é o sentimento mais puro criado por Deus e, quem tem a felicidade de senti-lo em sua plenitude, como é em seu caso, jamais deverão deixa-lo fenecer. Scully levanta-se para abraçar a Therezinha, emocionada. Mulder também levanta-se e abraça-se às duas ao mesmo tempo, também sentindo-se deliciado com as palavras de pessoa para eles desconhecida, mas ao mesmo tempo tão amiga! A CrisX levanta-se da cadeira. - Vocês não reparem se eu sentar no tapete? É bem mais gostoso! - Sim, é bem melhor mesmo! - concorda a Rosa, que, com mais outros, sentam-se no tapete também. Enquanto isso, os noromos estão torpedeando Mulder e Scully com perguntas a respeito dos monstros que o casal já defrontou-se, as aberrações da natureza com as quais inúmeras vezes se depararam, os assassinos frios e sanguinários que os dois já conseguiram derrotar, etc. etc. etc. - Nossa! Mas que pessoal mais cansativo! - reclama alguém em alto som, fazendo-se ouvir por todos. Quem pronunciara a frase havia sido a Audrey, irritada. - Ora, não nos importamos! - fala Mulder. A Wan aproveita a chance para comentar: - Esse grupo só gosta mesmo é de ver vocês dois se degladiando em qualquer situação; em palavras ou em gestos; só querem é ver vocês correndo atrás de monstros ou serem perseguidos por terríveis bandidos! - São do GCS. - conta, a Ana Lucia, por sua vez. - GCS? - Scully indaga - O que quer dizer? - Grupo Contra a Shipperia. - explica a Debora. - Shipperia? - pergunta Mulder. - É uma expressão importante para nós que apreciamos vocês dois. - explica, sem desejar entrar em detalhes sobre a tal palavra. Scully levanta-se neste instante: - Atenção! Agora nós vamos para a mesa! - Oba!! - gritam alguns. - Não, Scully; prefiro que deixemos o pessoal passear aí pelo jardim e depois cuidaremos disso. Ela levanta as mãos, jogando os braços contra o próprio corpo, desanimada: - Está bem, Mulder! Está bem! - concorda. Caminham Mulder e Scully com algumas pessoas até o jardim. Outros permanecem em seus lugares, a conversar. A CrisX, lado a lado com o casal, começa a falar, com semblante feliz: - Mulder... Scully... quero dizer a vocês uma coisa importante: continuem sendo essas pessoas maravilhosas, cheias de força e garra... nunca desistam de vocês mesmos e... Scully - volta-se para ela - você me dá licença para falar algo para o Mulder? - Sim, claro! Por que não? Enquanto Scully continua a caminhar com os outros, a CrisX fala com Mulder: - Desculpe Mulder, me meter na vida de vocês, mas é o seguinte: olha, se abra totalmente com a Scully, diga a ela todo o sentimento latente que bate no seu coração, sempre, ok? - Mas não resta dúvida! - rebate ele - Se assim não fosse, como teríamos até um filho agora? - Sei, mas você nunca disse tudo realmente como deveria para ela! Parece que algo o trava na hora de falar. - faz uma pausa e o fita firmemente - Olha, outra coisa também: nunca se deixe abalar quando o chamarem de Spooky, pois você sabe a verdade e precisa sempre acreditar nessa verdade, que está dentro do seu coração. - Tudo bem. Entendo... A CrisX faz um gesto com a mão: - Espere... tem mais... só pra lhe dizer como se nota o orgulho que a Scully tem de você e o admira por tudo que você é. Dá pra se notar no olhar dela. É tão simples...! Ambos param de caminhar. Mulder estende-lhe a mão. - Obrigado, Cristiane; são muito importantes suas palavras pra mim. Dá pra perceber o carinho que você tem por nós. - Eu é que agradeço, Mulder, por tudo que vocês nos dão de bom. Na mente de Mulder, novamente os pensamentos de dúvida o fazem querer saber o quanto há de verdade nisso tudo que a garota acabara de falar sobre ele. "Por que tanta adulação? O que há, na realidade, dentro desses corações e mentes?" Os dois recomeçam a caminhar e juntam-se aos outros. A metade do grupo havia sentado no imenso gramado. O restante estava de pé, conversando com Scully. - Pois é, - fala Vinicius - dizem que você e Mulder vão entrar numa nova investigação, a qual será uma outra grande aventura! - Como assim? - Ah, como vocês fizeram naquela grande viagem à Antartica, onde você quase morreu congelada lá naquele bloco de gelo... - ... e quase foi vítima dos extraterrestres... - acrescenta Marcos. - ... e, felizmente, o Mulder chegou a tempo de me salvar! - completa Dana. - Exato Scully! Foi extraordinariamente maravilhosa aquela aventura. - Bem, pra mim, ou melhor, pra nós dois, não foi somente uma aventura! Foi sofrimento também. - Dana rebate. - É lógico que sabemos disso. Nós chamamos aventura, porque não participamos dela; apenas assistimos. - Como assistiram?! - pergunta admirada. - Ah, Scully, nós já lhe explicamos... - diz o Wlad, fazendo-a lembrar-se. - Oooooh, claro! Desculpem-me! Eu havia esquecido! - sorri. - Você teve muita raiva daquela abelha, Scully? - pergunta a Ana Lucia. - Como não poderia deixar de ter? Odeio todas elas até hoje! - dá uma risada, contendo-se, em seguida, culpando-se intimamente por sentir-se muito à vontade com aquelas pessoas à sua volta. - E a próxima longa investigação que vocês farão, quando vai acontecer? Ainda não tem data marcada? Mulder, que já se aproximara, observa, muito atentamente, o modo inteiramente descontraído com que Dana está se portando diante daquelas pessoas estranhas para eles. Ouvindo a pergunta , proferida por Carlos Alberto, olha para ela, sorrindo: - Esse pessoal sabe mais de coisas nossas que nós mesmos, Scully! - volta-se para os demais - Ainda não sabemos quando terá início. Só sabemos que dará tanto trabalho quanto aquele na Antartica! Nesse momento a CrisX dirige a palavra à Scully, puxando-a pelo braço, chegando-a bem para si: - Scully, olha, acho vocês espetaculares; nunca desistam do que fazem, continuem sendo essas pessoas maravilhosas; admiro a força de vontade que vocês têm, mas sabe... vocês precisam de vida pessoal... não devem ficar ligados só no trabalho...! - Sem dúvida. Nós ...ahn... já estamos vivendo uma nova vida, Cristiane. - mostra um semblante um pouco sem jeito, mas resolve falar convicta - Vivemos o amor. - Ah, Scully, que bom! Lindo você dizer isso! Olha, eu tenho inveja pela mulher segura e decidida que você é... e veja bem, todos nós caímos um dia e você... ah, desculpe dizer, mas você tem que abrir a guarda e deixar de lado essa coisa de ser imponente... - Eu, imponente?! - ela ri, curiosa pela audácia da moça. - É sim... achar que não depende de ninguém, que se cair e o Mulder lhe der a mão você vai achar que é fraca, mas pense bem, você não é; todo mundo desmorona algum dia, por mais forte que seja! Scully ouve as palavras de olhos baixos. Sua pele muito branca está ruborizada, mas não se sente à vontade em ser chamada atenção por uma desconhecida. - Você me desculpe, tá? Mas é de todo coração que lhe falo isso. - completa a CrisX. - Olha, pessoal! Alguém chama a todos neste momento. Voltam-se para ver o que se trata. Uma pequena fonte no grande e bem tratado jardim é lindo recanto para atrair os pássaros que voam pelo local. Um leve vento carrega, mansamente, o manto de folhas que cairam ao solo, como se algo invisível lhe desse aquele movimento. - Que lindo! - dizem Lilly e a Audrey, batendo palmas, entusiasmadas como crianças. Mulder continua caminhando sobre a grama, acompanhado pelos amigos. - Olhem só. - mostra Mulder um buraco no chão de terra. - O que é isso? - pergunta a Atenais. Mulder está agachado junto ao buraco no chão. - É formado por uma tartaruga - ele explica. - E tartarugas cavam buracos? - ela pergunta. - Sem dúvida! Escondem-se embaixo da terra! Mulder começa a escavar a terra úmida, pegajosa e escura ao redor do buraco. A Atenais chega perto, colocando a mão no ombro de Mulder. - Mulder, posso fazer um pedido? - Pois não. Diga. - olha-a, apoiando o pulso com a mão suja de terra no joelho, querendo saber. - Quer parar de colocar a mão em nojeiras que você nem sabe o que é? Mulder expande no rosto o seu sorriso de menino ingênuo. - Mas eu sei o que é isso! - justifica-se. - Sim, sim ... mas o que me refiro é que sempre, nas suas investigações, você faz isso e pode um dia pegar uma doença! - É mesmo? - pergunta, ainda sorrindo. - Claro! Você põe a mão em tudo que vê e às vezes até prova pra ver o gosto!! Que nojo!! Os outros ao lado concordam com a Atenais. Mulder apenas diverte-se com as teorias dos outros. Ri e levanta-se, fingindo ameaçar, com a mão que está suja, aqueles que estão à sua volta. A meninada põe-se a correr com a ameaça de Mulder, que caminha, ainda, com a mão suja esticada à frente do corpo, a fim de toca-los, enquanto que a Atenais, disparada à frente dos demais, ri, sem parar, enquanto corre. Após alguns segundos, tudo volta ao normal. A turma recomeça a caminhar, desfrutando o prazer de ver o extenso e verdejante gramado diante de seus olhos. Dana tem Gisa e a Therezinha ao seu lado, um pouco distante de onde estão Mulder e os outros. Sobre o solo coberto de pedras arredondadas, Dana sofre um leve tropeço, quando é segura pela mão ágil da Gisa. - Obrigada, amiga. - diz Dana - Eu quase caí! - Não tem de que, Scully! - sorri - Quando eu voltar à minha terra, ninguém vai acreditar que estive com vocês. - Mas você veio porque tem bastante tempo pra uma viagem assim, não? - Negativo, Scully! Você nem sabe, mas nós todos aqui, sem exceção, viemos só Deus sabe como, largando família, filhos, casa, trabalho, tudo só para estar com vocês, nessas poucas horas de prazer. - antecipa-se, informando, a Therezinha. - Inacreditável! - exclama Dana. - Mas é verdade mesmo o que ela está falando! - confirma Gisa - Olha, Scully, deixa eu aproveitar para falar a você que os amo de paixão, vocês são muito inteligentes, mas queria saber uma coisa... - O que? - pergunta Dana, solícita. - Como vocês fazem, você e o Mulder, para sobreviver às situações sobre-humanas, às quais são constantemente submetidos? Scully ri, divertindo-se com a pergunta. - Vou chamar o Mulder para que ele lhe responda, porque eu mesma não sei. - grita para ele que está lá, mais adiante - Mulder!! Este vem até Dana. - Mulder, - diz ela - esta nossa amiga aqui, a Gislaine... - ... ou então me chame Gisa, se quiser. - ela interrompe. - Bem... a Gisa... ahn... me fez uma pergunta que eu não sei responder. - É mesmo? - fala Mulder - E qual é? A Gisa faz a pergunta a Mulder, que fica a ouvir, fazendo um bico com os lábios e franzindo o cenho. Após ouvir o que a moça acaba de dizer, responde: - Olha Gisa, eu não posso responder com palavras exatas, mas tenho minhas teorias. Eu ajo muito e sempre através do plano espiritual e acho que isso ajuda, pois nem sempre no plano físico podemos resolver muita coisa. Eu procuro explicações além dos limites da realidade, e uso muito a intuição. E assim ajudo a Scully também e seguimos em frente, procurando nos livrar de terríveis situações. Respondido? A Gisa faz um meneio, concordando, embora não tenha ficado plenamente satisfeita com a resposta vinda dele. - Mulder e... Scully... - recomeça ela. - Sim? - fala Dana. - Sabe que vocês nunca me enganaram? Eu sempre imaginei que vocês tinham algo por debaixo dos panos! O casal ri muito, olha-se ternamente e Mulder abraça Scully firmemente, enquanto ela tenta, com as mãos, mante-lo um pouco à distância, por sentir-se embaraçada na presença das pessoas. Wlad e Marcos aproximam-se. - Bonita a sua casa, hein? - aprecia o Marcos, comentando para o Mulder. - Obrigado. Foi construída há uns quinze anos atrás. - É de muita importância ter-se uma casa assim. A vida em apartamentos nos dá uma sensação de encarcerados e nos priva das belezas da natureza. - fala o Wlad. Onde estão caminhando há uma longa escada de madeira, que está encostada sobre o beiral no alto da casa. Mulder vai atravessando por baixo da escada, quando, rapidamente uma pessoa impede seu gesto. - Não faça isso, Mulder! Ele volta-se, imediatamente, até assustado com o chamado do outro: - O que houve? - pergunta. - Ia passar por baixo da escada!! - fala o Eduardo em voz alta. Mulder sorri. Scully vê a cena e fica perplexa. Não entende. O grupo está continuando sua palestra, andando através do jardim. Vários insetos aparecem em uma pequena toca no meio da grama. - Um formigueiro! - alguém fala. - Mulder! - chama a Camila Fernanda. Ele pára, a fim de atende-la. - Vendo isso aí... - ela aponta para o chão - ... lembro que queria lhe fazer um pedido. - Qual? - ele quer saber. - Será que eu posso resolver esse Arquivo-X sobre as Aranhas Assassinas que você vai investigar dentro de alguns dias? - Como você sabe disso? - ele pergunta. - Como sabe?! - outra pessoa quer dar opinião - Nós eXcers, sabemos tudo! Mulder olha-o, prende os polegares na cintura: - Já vi vocês falarem em eXcers. O que significa? É um grupo, uma seita, uma sociedade, uma religião ou o que? - Ah, Mulder... é bem complicado explicar. Você não entenderia. - fala o Wlad. Novamente a suspeita bate à mente de Mulder. "Como é possível eles saberem sempre tudo que nós fazemos?" - Tá bom. - resolve falar, conformado - Mas, voltando ao caso das aranhas, por que você gostaria de nos ajudar? - pergunta à Camila Fernanda. - É pelo seguinte: - ela explica - é para tirar de mim um terrível medo que sinto por esses insetos e eu quero colocar em xeque esse meu medo. - Você sofre de... - ... aracnofobia. - ela completa - E com a sua ajuda, Mulder, já que você é um psicólogo, pode fazer com que eu possa dar um basta nesse meu medo. - É verdade. Eu quero ajuda-la, sim. - E como você vai fazer para auxiliar-nos? - pergunta Dana. - Eu devo vir para cá. É só me dizer o dia em que tenho que estar junto de vocês. - Determinada a garota, hein? - comenta Mulder, surpreso. - Ah, não tenha dúvida; - diz Camila Fernanda - eu largo a família, a Faculdade, tudo o mais, só pra vir aqui ficar lado a lado com vocês nessa investigação. Mulder coloca a mão no ombro dela, com um sorriso ameno: - Combinado. - fala. Neste momento um gato preto atravessa, correndo, o caminho dos passantes. - Cruzes!! Um gato preto! - grita alguém lá atrás, no grupo. - Nossa! - Mulder exclama - Quanta superstição! Esses gatos são criados aqui na casa. Não tem perigo! - Mas, em geral, as pessoas são supersticiosas. - cita Marcos. Uma mesa de pedra com bancos ao redor é avistada por alguns, que neles se acomodam. Os rapazes, juntamente com Scully e Mulder também ali resolvem parar e sentar-se. - Vamos ficar um pouco aqui. - alguém sugere. Dana encara as pessoas, depois abaixa o olhar num ponto fixo sobre o tampo da mesa para falar: - Superstição... ahn... não há uma explicação plausível para isso... só que é o sentimento que se funda no medo ou na ignorância e que leva ao conhecimento de falsos deveres... - ... ao receio de ações sobrenaturais... - ajuda Mulder. Dana sorri para ele, continuando: - ... e à confiança... ahn... em coisas ineficazes; é crendice... - ... e preconceito. - Mulder conclui. Eduardo pigarreia para falar: - Mas desde os tempos de nossos bisavós essa... essa crendice já existe em nosso meio. - Fala-se que no antigo Egito, o gato era considerado animal sagrado e mata-lo significava sacrilégio. - inicia Marcos. - Exatamente! ! - Mulder reinicia - Acredita-se que um gato preto e um gato branco cruzando nosso caminho significa boa sorte. Um gato preto cruzando o nosso caminho nos causará má sorte antes que nossa jornada termine. Se isso ocorrer, temos que dar doze passos para trás, para anular a má sorte. Todos riem, imaginando a situação que as pessoas teriam que passar, praticando tal gesto. - Também conta-se - ele recomeça - que o folclore por trás do gato preto começou na Idade Média, quando eles eram associados às bruxas. E como o gato era o animal de estimação de algumas mulheres acusadas de bruxaria, daí começaram rumores de que as pessoas desconfiavam de que os gatos pretos conseguiam mudar de forma e ajudavam as bruxas a lançar feitiços. Desde então eles são associados com a sorte boa ou má. - E sobre passar embaixo de escadas? - entra Wlad na conversa - Por que existe essa superstição? - faz uma pausa e ri - Eu acho é que se a pessoa estiver passando embaixo de uma escada e alguém estiver em cima dela com um galão de tinta, ou um martelo, uma marreta... sei lá, aí sim, pode-se correr o risco de levar uma tacada na cabeça! - É... realmente um risco! - concorda o Vinicius. - Mas existe uma origem no Cristianismo... - conta Mulder. - É mesmo? - pergunta o Marcos. - Sim... originou-se essa superstição acreditando-se que uma escada repousada sobre uma parede formava um triângulo no chão. As pessoas nunca deveriam violar a Sagrada Trindade, andando através de um triângulo. Outros acreditam que essa crendice surgiu na Europa Medieval e por conta dos ataques aos castelos. Quando um castelo era atacado, a ponte era recolhida. Um dos únicos meios de invadir, era usar escadas ... - ... e mandar a tropa castelo adentro. - completa Scully. - Certo, Scully... e uma das defesas para esse tipo de ataque era derramar óleo fervendo ou passar piche nos muros do castelo para repelir os invasores. Os desafortunados que eram obrigados a segurar as escadas, geralmente recebiam um banho mortal. Logo ficou claro que era melhor segurar a escada pela frente, pois segura-la por debaixo significava má sorte. - Marcos... - Dana olha para ele, chamando sua atenção. - Diga, Scully. - Eu noto que vocês, brasileiros, parecem ser muito supersticiosos. - Por que diz isso? - ele pergunta. - Dá pra notar que muitas coisas vocês evitam, com receio do que pode vir a acontecer e... isso não é bom, afinal... - Scully... é muito engraçado ouvir isso de alguém que nasceu num País onde os prédios não têm o décimo terceiro andar! - Marcos fala, com convicção. Mulder e Dana olham-se mutuamente, um significativo olhar de cumplicidade, entendendo a realidade das palavras do rapaz. A frase decidida de Marcos causa um impacto nos Agentes, necessitando uma resposta, que, no entanto, para seu alívio, é interrompida, pois neste momento a Lilly toca no braço de Dana, para avisa-la: - A Wan está lhe chamando lá dentro da casa. Dana faz um sinal para Mulder. - Vou lá dentro mandar ver alguma coisa que precisa, ok? - Tudo bem, Scully. Ela afasta-se. Por todo o extenso gramado várias pessoas estão sentadas, conversando, naquele intervalo. Outras passam a caminhar ao lado de Mulder. Eduardo, parado, junto a uma grande e frondosa árvore, observa os passos de Dana. Ela entra na casa. O rapaz prossegue em seus passos. Alcança Dana logo após ela haver atravessado a porta da grande varanda envidraçada. - Oi? - fala com ela. - Oi, tudo ok? - ela quer saber. - Tudo ótimo. Nós todos aqui estamos muito satisfeitos em ter vindo conhece-los. - Ah, que bom; obrigada, Eduardo. - De nada. - fita-a, firmemente. Dana abaixa o olhar, quase ruborizada com a intensidade do olhar do rapaz. Ela recomeça a caminhar para entrar na sala onde haverá os festejos. Ele a acompanha. - Houve alguma coisa? - ela pergunta. - Não... nada. Apenas... - ... sim? Eduardo abre a boca para falar algo. Mas seu gesto permanece. Nada consegue dizer. Dana dá uma pequena risada, enquanto resolve ajeitar algo sobre a mesa arrumada com pratos, taças e talheres. - Nem tem como se iniciar a falar algo pra você... - ele começa a falar. - Como? - não entende. - Você é inteiramente maravilhosa! Doce! Linda! - faz uma pausa - O rosto, os olhos, a boca... Scully pára o que está fazendo. - O que é isso? - ela sente que ele a está assediando descaradamente. - Há muita sensualidade em você, Scully! - ele murmura. - Por favor, Eduardo, espero que você esteja brincando... - ... brincando? Estou falando sério! Você é um conjunto ideal de mulher bonita, Scully! Sempre foi o meu grande sonho vê-la, estar assim bem perto de você. Adoro esse seu jeito de ser...! Ela faz um gesto de que vai em direção à porta, para sair. Eduardo segura-a pelo braço. - Scully, você não entende? Isto não é um assédio! É a adoração que eu tenho por você! - Sei. - tenta desvencilhar-se - Eu tenho que sair, agora. O rapaz continua segurando-lhe o braço. - Olhe, por favor, não pense que lhe farei algum mal. É que estou deslumbrado em poder vê-la tão junto de mim! É só o que lhe peço: deixar que eu a contemple por alguns minutos. Só isso. Não quero nem mais tocar em você... a minha deusa...! Scully o fita. O olhar de Eduardo é intensamente adorador. - Scully!! A voz da Wan soa perto do local. Eduardo afasta-se de Dana, porém antes move os lábios murmurantes, para dizer: - Obrigado Scully, por me deixar contempla-la. O rapaz deixa o recinto. Dana permanece por alguns segundos estática, desejando compreender tanta adoração aquele rapaz pode sentir por ela. E as outras pessoas, homens e mulheres, como podem abrir para ela e Mulder seus corações, confessando que, na realidade, os veneram com a mais pura sinceridade. De onde adviria tanta afeição, tanto amor? - põe-se a imaginar. A Wan aproxima-se, gesticulando: - Você me permite que eu comece a pedir para arrumarem a mesa? - É lógico! - Dana, mais calma agora, é toda sorrisos. Por dentro sente-se feliz. Sabe e sente que tem mais é que tratar muito bem essas pessoas que tanto os adoram! A Wan começa a realizar a arrumação, ajudada por mais outras pessoas. O grande bolo, colocado numa pequena mesa redonda coberta por uma toalha que vai até o chão, já aparece imponente. As demais iguarias vão sendo distribuídas sobre a superfície da grande mesa perto da menor. - Será que você pode me ajudar aqui? - pede Dana à Luzimary. - Você... falou co... migo? - balbucia a Luzy, gaguejante. - Sim. Pra me ajudar a arrumar isso. - fala, segurando uma pesada pilha de pratos numa das mãos e uma garrafa de champanhe na outra. Subitamente... - Alguém ajude aqui!! - grita Scully, alarmada. A Luzy, emocionada por Dana lhe ter dirigido a palavra, sente entorpecer seus sentidos, revira os olhos nas órbitas e segura-se no espaldar de uma cadeira, para não desabar no chão, desmaiada. - Alguém me ajude! - pede novamente Scully, com as mãos ocupadas, aflita. A Rosa acode, ajudando a segurar a Luzy. - O que foi que houve? - pergunta ela à amiga. Luzy deixa à mostra toda a sua emoção. As lágrimas rolam pelas suas faces. Deseja pronunciar alguma palavra, porém elas não lhe saem da garganta. - Um copo d'água, por favor! - pede a Inês, também acudindo a amiga. Rapidamente alguém sai para providenciar o pedido. - O que você está sentindo? - pergunta Dana. - Gente... é uma emoção tão grande...! Estou feliz por estar aqui... e não estou sonhando...! - Claro que não, sua tola! - confirma a Inês, num murmúrio para ela, assegurando-lhe da verdade dos fatos. Luzy, recompondo-se e enxugando os olhos, retira uma máquina fotográfica de dentro da bolsa. - Eu gostaria de tirar ... uma foto com vocês... - diz, ainda emocionada. - Está melhor agora? - Dana pergunta, segurando-lhe um ombro. - Sim, passou mais... a emoção. - Então vamos tirar a foto. - diz Scully, com um timbre amigo na voz. Preparam-se e fazem pose, enquanto a Sami propõe-se a operar a máquina Polaroid. Mulder entra neste exato momento, seguido por Marcos, Wlad, Eduardo e mais outras pessoas. Luzy acena, já bastante refeita de seu estado emocional: - Vem aqui, Mulder! Tira uma foto com a gente! E recomeça toda a sessão de fotografias. Após alguns minutos, várias fotos já haviam sido tiradas. - Agora eu quero pedir o autógrafo de vocês nestas fotos, tá? - pede a Luzy. - Certo. - concorda Mulder, já empunhando a caneta que a moça lhe entregara - Prepare-se, Scully, a partir de agora somos tão famosos quanto astros de cinema! Luzy, agora bastante animada, propõe: - Now, I want to speak in English, in order to train the language, ok? - Ooooooh, yeeeees!! - exclamam Scully e Mulder ao mesmo tempo, sorridentes. - Mas antes eu desejo lhes fazer um convite especial. - Sim, e qual é? - Quero que vocês vão um dia conhecer a minha casa, minha família e meus amigos, principalmente aqueles com quem me correspondo, pois são seus admiradores. - Também eles? - Mulder admira-se. - Também, sim. - Iremos com prazer à sua terra... um dia. - promete Mulder, olhando para Dana e segurando-lhe a mão. E Mulder e Scully, com a entusiasmada Luzy diante de si, ocupam- se a conversar o máximo de minutos que podem com sua realizada admiradora. * * * Muita falação, muito movimento, no grande salão repleto de eXcers provenientes de muitas cidades do Brasil. As iguarias sobre a mesa vão sendo devoradas com gosto pelos comensais. Dana Scully, a pedido de três moças, vai leva-las até um dos toaletes ali próximo. Mulder continua rodeado de homens e mulheres, seus apreciadores, conversando animadamente. - Que tal estão achando o cardápio? - ele interroga a Debora. - Excelente, Mulder, sem nenhuma dúvida. Rosa aproxima-se para colocar em seu prato uma iguaria. Pede licença a Mulder e serve-se. A Debora já havia se servido e afasta-se para trocar idéias com outros amigos. Rosa sorri para Mulder e continua a servir seu prato, afastando-se um pouco da mesa. Mulder também serve-se no momento. Os olhos atentos da Rosa percebem um belo e vistoso prato com apetitosos palmitos, uma de suas iguarias preferidas. Retorna os passos e volta-se para trás. Na indecisão de pegar a comida que lhe agrada, e, num gesto brusco, faz com que o prato que está em suas mãos vá ao chão, batendo no braço de Mulder, que, num pulo para trás, tenta livrar-se de uma enxurrada de molho vinagrete que, embora sua inútil tentativa, esparrama-se em sua calça jeans. Simultaneamente, Rosa e Mulder abaixam-se para apanhar do chão o conteúdo do prato que havia caído. Os dois ficam abaixados, tendo suas cabeças levemente encobertas pela beirada da branca toalha de linho bordado que decora a grande mesa. - Desculpe-me. - pede Mulder. - Eu é que peço desculpas pelo estrago. Sou uma estabanada mesmo! - diz ela e faz um muxoxo, desgostosa. Rosa nem consegue levantar o rosto, envergonhada. Sente, porém, que Mulder a encara, insistentemente. - Olhe, será que não nos conhecemos de algum lugar? - ele pergunta. Ela, finalmente, levanta o rosto para falar: - Certamente que não. - responde, assustada. - Novamente lhe peço desculpas, mas não se trata de nenhuma "cantada". Eu sinto que já a conheço de algum lugar. Continuam os dois agachados, enquanto ela tenta retirar toda a sujeira que encontra-se no assoalho, agitadamente. - Não é provável que me conheça, porque nunca eu estive aqui. Esta é a primeira vez. - Ok. - ele diz, enquanto continua fitando-a, havendo uma indagação em seu olhar. Na mente de Rosa, um tanto perturbada pela emoção, se desenrola, como num filme, as lembranças de um sonho que tivera tempos atrás, um sonho absurdo, mas incrivelmente real. "Numa rua desconhecida eu me encontrava, vendo Scully à minha frente a alguns metros de mim e Mulder, indubitavelmente presente, eu sentia, estava ali, às minhas costas. Percebi, então, estar entre eles dois. E Mulder estava tão próximo a mim, que eu podia sentir a sua respiração e até o toque da aba do seu sobretudo às minhas costas. Eu podia ver Scully, mesmo naquela penumbra em que nos encontrávamos, com uma de suas sobrancelhas arqueada, tentando entender o porquê da minha presença ali, entre eles. E eu lhe devolvia o olhar indagador, porque também eu não estava entendendo minha própria presença naquele lugar. A presença de Mulder atrás de mim era tão forte, tão marcante, que uma força estranha me fez voltar para trás e em fração de segundos, um beijo aconteceu. Meus lábios sentiram os de Mulder tocando-os e eu sentia-lhe, além do prazer, o sabor daquele inesperado beijo." Neste ponto Rosa lembra do beijo, do contato de seus lábios nos dele tão terno, e, ao mesmo tempo, tão intenso. Rosa sente o rosto enrubescer e, como fogo, percebe a quentura aflorar em sua pele e isto fá-la voltar à realidade, ao constatar que Mulder ainda estava a olha-la, insistente e estranhamente, como que esperando uma resposta. Rosa nota-lhe os lábios bem desenhados entreabertos, na boca sensual, como se já ele tivesse adivinhado seus pensamentos ou como se até já lembrasse de onde a conhecia. Apesar do mal-estar que sente, Rosa não consegue desviar o olhar do dele. E, ainda ajoelhados no chão, aproximam-se, ignorando a tudo e a todos à sua volta e tocam os lábios, tal e qual naquele sonho deveras maluco que tivera. Esse toque dura alguns segundos. Mulder levanta-se e, fazendo menção de afastar-se dali, com um olhar irônico, dirige a ela mais uma vez a palavra: - Como tudo de estranho que acontece comigo, eu tenho a certeza agora que estivemos juntos no mesmo sonho. As palavras proferidas por Mulder ficam martelando na mente de Rosa. Ela continua com o olhar vago no espaço sob a mesa, quase como inconsciente, estática, muda. - Ei, Rosa! O que você está fazendo aí embaixo, olhando pro nada?! Num segundo aquele breve sonho delirante se desfaz e ela desperta, ao ouvir a voz da Wan. - Oh, meu Deus! - exclama ela. - O que aconteceu? - a amiga pergunta. - Foi tudo tão real, como naquele sonho...! - ela murmura para si mesma. - O que? - a outra insiste em querer entender. Ela ainda permanece por um instante pensativa, lutando consigo mesma, desejando saber o que acontecera segundos atrás. Imaginação... realidade? Jamais teria uma resposta. Após essa reflexão, usando a maior rapidez possível, junta logo os resíduos de alimento do chão, levanta-se, coloca o prato na mesa e afasta-se, ofegante. Não sabe nem qual direção tomar neste momento. Dirige-se, rápidamente, para um local bem distante da mesa. Lá adiante pode ver Mulder a conversar animadamente com outras pessoas. * * * - Você já comeu dessa delícia de bolo? - pergunta Gisa à Sami. - Não, ainda nem cheguei perto da mesa. - Mas, ora essa! Por que? - Aaah, eu não sei se tenho coragem de falar com os dois! - Está brincando, guria! Eu não acredito que você está falando sério! - Por que não acredita? Olha as minhas mãos! A outra examina-lhe as mãos frias e trêmulas: - Mas como pode ficar tão emocionada assim? Bem... é claro que eu fiquei gelada, trêmula, perdi a fala, mas depois recuperei tudo isso! Você tem que enfrentar a situação, Sami, senão vai embora daqui e nem chega perto deles!! Não acredito que vá deixar escapar esta única oportunidade! - puxa a outra pelo braço - Vamos lá, vamos lá! A Scully é um doce e o Mulder... o Mulder... bem, eu sou suspeita em falar alguma coisa. Vamos lá! - Não, não! Vou depois! - recua, amedrontada. - Ah, Sami, por favor! Eu agora não saio do seu pé se não vier comigo! A Sami dá alguns passos à frente. - Tá... eu vou. Me acompanha, então...? - Bah, guria, não somos amigas? Não é atoa que nos entendemos tão bem! Amiga é pra essas coisas! Se quiser, posso chamar a Cida também pra nos acompanhar. - Não... deixa ela. - baixa a voz - Aliás, não sei o que houve que ela está tão calada! Já notou? - Sim, notei. Mas estou certa de que alguma palavra grosseira ela não ouviu de jeito nenhum do Mulder e nem da Scully... - ... porque somente uma coisa assim poderia deprimir uma de nós. - murmura - Mas o que terá havido, hein? - Não sei! - puxa-a, novamente - Mas não me enrola, não. Vamos lá, falar com eles! E as duas dirigem-se para onde estão Mulder e Scully. A Sami não sabe se ri ou chora, tamanha a sua felicidade. Segura firmemente a mão da Gisa, procurando força. - Oi? - Dana cumprimenta, ao vê-las bem perto de si. - O...oi? - responde a Sami, titubeante. - Scully, a Sami quer falar alguma coisa pra você também. - explica a Gisa. - Diga. É um prazer ouvir vocês todos. Mas a Sami está estática. Muda. Impassível. Sem ação. Somente seus olhos demonstram vida neste momento, pela intensidade de seu brilho. Abraça-se a Dana. Com tal emoção, que Dana também deixa-se levar pela ternura da garota. O abraço dura muitos minutos. Ao deixar os braços de Dana, Sami volta-se para Mulder e o abraça com toda força e intensidade. Sente-se a mais feliz das mortais ali, naquele instante. Nada fala, ainda. Mulder sente que ela afrouxa seus braços e, por fim, termina o longo abraço. Com os olhos úmidos, pigarreia um pouco, para fazer com que sua garganta lhe permita dizer aos dois o que lhe vem do coração: - Olha gente, adoro tanto vocês, que tomo a liberdade de lhes dizer uma coisa e peço que me perdoem falar assim, mas acho que vocês foram muito bestas, não acreditando logo no que sentiam um pelo outro! E a gente torcia tanto pelo amor de vocês! Sempre! - diz, enfim. - Não se preocupe em nos ofender, Sami, porque nós dois sabemos, aliás sempre soubemos que fomos, durante muito tempo, exatamente isso que você falou: duas bestas! - fala Mulder, sorrindo. Dana Scully apenas ri, divertida com as palavras dos dois. Sami, já completamente refeita de toda emoção, decide-se a falar algo que está lhe atiçando a mente. Chama Scully para mais perto e, num tom de voz brando e confidencial, diz: - Scully, tome cuidado ou então calmante, pra poder agüentar o tanto de tarada que deve vir atrás do amor do seu amado Mulder!!! Os grandes e belos olhos azuis de Dana arregalam-se, surpresos: - É mesmo? E é alguma dessas garotas que estão aqui com a gente? - Nãaaaao Scully! A mais perigosa de todas é alguém que está bem longe de nós todos do Brasil, mas muito perto de você. Só vou dizer as iniciais: TL . - Aaaah...! - é só o que pronuncia Dana, com ar preocupado, meneando a cabeça, demonstrando entender. Mulder, neste instante, lembra-se de algo. Levanta-se e procura com o olhar, entre todos aqueles dentro do grande salão, a pessoa que está interessado em encontrar. - Onde está aquela moça? - ele pergunta à Scully. - Quem, Mulder? - ela responde. Subitamente ele vê Luana sentada bem atrás, distraída, folheando uma revista. - Ei, você!! - ele a chama. As outras ao lado tocam o braço dela, chamando-lhe a atenção. Luana olha para ver Mulder, que lhe faz acenos. - Luana, não esqueça que depois temos que conversar!! - Mulder lhe diz. - Falou. Não esqueço. Pode deixar. Luana sorri e consigo mesma pensa, feliz: "Consegui implantar uma tremenda curiosidade no Mulder, sobre a história do Canceroso e o Sindicato. Que ótimo!!" O Vinicius está de pé, recostado ao umbral de uma porta. Seus olhos observam todos os passos de Dana ali dentro do salão. Nota que, num dado momento, ela permanece só. Fala com alguém num telefone colocado sobre uma pequena mesa, dentro do recinto. Vinicius aproxima-se dela, aos poucos, em passos decididos. Dana havia terminado sua conversa no aparelho telefônico. - Oi, Scully, tudo bem? - cumprimenta-a, estendendo a mão e inclinando-se para beija-la nas faces. - Oi! - ela responde, com um leve sorriso e recebendo seu cumprimento. - Olha, é um grande prazer conhece-la pessoalmente! - Agradecida. - estende a mão para cumprimentá-lo. - Sabe, há bem pouco tempo é que a conheço e também ao Mulder, seu parceiro. - Sim? Por que há pouco tempo? - Bem, acho que por sugestão da minha amiga Gisa, que você já conhece. Eu nem sabia do trabalho importante de vocês no FBI, nesses casos um tanto fora do comum... - ele continua segurando-lhe a mão. - Pois é, e já lá se vão oito longos anos...! - Bem, nós todos viemos até aqui para vê-los de bem perto e cada pessoa alimentava o desejo de lhes falar ou tocar... - É verdade. - Quanto a mim, Scully, só desejo dizer-lhe uma coisa... - Pode falar. - ela aguarda suas palavras. - Só dizer-lhe que a admiro. E para confirmar o que já me haviam falado. Você é mesmo uma gata! - diz, com ênfase, apertando-lhe a mão com ardor. Dana ri, agradecida pelo lisonjeio e divertindo-se com a frase do seu admirador. Dois rapazes desconhecidos a haviam elogiado num só dia. Isso faz-lhe muito bem. * * * A Alessandra puxa a Lilly pelo braço, arrastando-a até onde está o Mulder, que continua conversando animadamente com mais outros eXcers. - Vem, Lilly! Anda! - O que você quer fazer? - Te levar pra dar um abração no Mulder, claro! - Não dá! Eu vou ficar sem jeito! - Que sem jeito, que nada! Qual é, Lilly? Nem eu que até já desmaiei, não sinto mais nervoso por isso!! - Agora fala aqui uma coisa pra mim: - diz em seu ouvido - Aquilo foi um ... desmaio mesmo ou...? - Foi tudo ao mesmo tempo! Alegria, medo, nervoso, principalmente tesão...! - Aaaah! Logo vi! Alessandra volta a puxa-la pelo braço: - Vem logo! Daqui a pouco é hora de ir embora e aí... - Aaaaah, Ale, eu não quero ir agora! Não quero! Não quero! - fala, agitada, mas sorridente. - E daí? Não tem jeito mesmo! Temos que viajar logo mais à noite! - Então eu tenho mesmo que dar um abraço neles antes que a chance acabe! - Lógico, garota. Vamos. As duas encaminham-se para perto do Mulder. - Mulder... - a Lilly está indecisa - ... eu quero... - Pode falar! Diga! - ele lhe atende, delicadamente. - Eu quero... A Alessandra dá um pequeno beliscão na coxa da amiga, para desperta-la do torpor. - Eu quero lhe dar um abraço! - diz, por fim, entusiasmada a Lilly. Ele estende os longos braços, sorridente: - Pois venha cá! Dê-me um abraço! - afaga-lhe os cabelos lisos e longos - É como se estivesse abraçando minha saudosa irmãzinha! Essas palavras proferidas por Mulder deixam a Lilly sem graça. "Como, sua irmãzinha?!" - é o pensamento dela - Isso é coisa que se imagine?! Eu sou sua fã ardorosa, não uma fãzinha, irmãzinha, simplesmente, ora essa!" Pensa assim, porém em seguida sonha de olhos abertos: "Ooooooooh! Que maravilha! Pude sentir as sensações que a Scully tem quando ele a abraça! Iupi i i i i i i i i i i!!" A garota sente-se agraciada por esse momento fabuloso em que pode abraçar um homem desejado e amado por milhões de outras garotas. Afasta-se de Mulder entre quase sorrindo e chorando, nervosamente. Outras moças chegam para perto dele. Alessandra afasta a Lilly do lugar. - E então? Foi bom? - quer saber. - Ahn...? - Estou perguntando se você gostou. - Ahn...? Alessandra observa-a, mais atentamente. Ela está com os olhos fitos no espaço, aparentemente sem nada enxergar. * * * Lá, do outro lado do salão, Dana Scully está rodeada por várias pessoas. Nem sabe para que lado deve olhar ou atender aos chamados dos que lhe falam. - Eu vou passar um longo tempo lembrando desses momentos muito felizes que tivemos juntos aqui. - ela fala, feliz. - Nós também. Com toda a certeza. - confirma a Rosa, suspirando. A Lilly se aproxima. Quer abraçar também a Scully. - Quero lhe dar um abraço, Scully. - ela diz, sentindo que perdera a timidez. Dana abraça-a, carinhosamente. - Como é bom poder estar assim tão perto de quem se gosta tanto! - diz a Lilly. - Você também escreve histórias sobre a minha vida? - Também escrevo. E tenho a maior satisfação! E escrevo sempre histórias shippers. - Shiipers?! - admira-se novamente com a palavra ouvida. - Pode deixar, Scully. - a Lilly explica - Um dia você saberá bem o que significa, ok? - Ok. - diz Dana, compreensivamente, para a garota. A Inês, colocando um prato com iguarias na mesa, chega perto da Wan: - Escuta aqui. Será que alguém vai ter a infelicidade de sair daqui sem dar uma palavrinha direta para Mulder e Scully? - Eu acredito que não, Inês. Inclusive acho que todos já falaram com eles. A Inês dá uma risada: - Engana-se, cara amiga; eu mesma ainda não lhes dirigi uma só palavra! - informa, com ênfase. - Como?! Mas que coisa! Você acabaria ficando chateada, não é? - Não é bem pelo fato de ficar chateada, mas é que viemos aqui, com tanto trabalho, e não posso ter esse tempo desperdiçado... não é? Pois acredite, amiga! Estou esperando a minha melhor oportunidade para dizer ao Foxy e à Fluffy que eles moram dentro do meu coração. - Tão engraçado como vocês os chama! - É... eles são os meus queridinhos! Aliás, terei a satisfação de dizer-lhes isso, pessoalmente. - Vai lá agora, então? - Aguarde, amiga; você vai ver esta sua amiga aqui lançar frente a eles tudo que está dentro do seu shipper coração! A Wan sorri, concordando, com um meneio. - Aproveita agora, Inês! Os dois estão sem ninguém ao redor neste momento. Aproveita! - É verdade. - estufa o peito e respira fundo - Vou lá, decidida e destemida! E com passos seguros, encaminha-se para onde o casal de Agentes se encontra em um rápido e raro momento a sós, na festa. - Meus amores! - ela exclama ao chegar junto a eles - Esse pessoal nem lembrou de cantar os parabéns pra você, Foxy! Que gente esquecida! Ele apura os ouvidos: - Como foi que me chamou? - olha-a simpaticamente. - Eu o chamei de Foxy! É mais terno, combina mais com o que eu penso de você! - volta-se para Dana - Aliás, Scully, você também é a minha queridinha... a minha Fluffy! Os dois riem-se, prazerosos com a ternura da Inês. Convidam-na a sentar-se junto a eles. A Inês senta-se. Cruza as pernas. Medita por um momento. - Mas diga, deseja falar-nos também alguma coisa? - quer saber o Mulder. - Sim, desejo. Muito obrigada pelas inúmeras alegrias e pelas poucas tristezas. Vocês me ensinaram a acreditar que ainda existem no mundo a integridade e o idealismo. A retidão e a coragem. E, principalmente, me lembraram outra vez que o amor depende menos de sexo que de lealdade, confiança e dedicação. - Agradecemos de coração. - diz Dana. - E novamente eu digo: vocês são os meus queridos Foxy e Fluffy! Eu amo vocês! Os três levantam-se simultaneamente, para abraçarem-se, com calor. * * * A animação toma conta de todas as pessoas no salão. Mulder está segurando uma taça de champanhe, assim como também Eduardo, enquanto Marcos, Vinicius, Marcio e Wlad estão a seu lado, muito ocupados, ouvindo o Carlos Alberto falar sobre o assunto-chave dos eXcers: discos voadores e assuntos concernentes. - O que você acha, Mulder? - pergunta o Wlad. - Como posso responder às suas dúvidas? Eu sou suspeito em falar, já que vivi e convivi com alienígenas durante algum tempo. - Mulder, o que você pensa sobre tudo isso que aconteceu com você? - pergunta o Carlos Alberto. - Como assim tudo? - Sim, os planos alienígenas, os do Sindicato, do Canceroso, e como você vê hoje o seqüestro de sua irmã? - Vou lhe falar o que penso, sim, mas após trocar umas idéias com aquela moça que está lá adiante, conversando com a Scully... a Luana. O Carlos Alberto olha para onde Mulder aponta. - Ah, sei... mas escuta, quero saber também sobre quais seus planos para enfrentar tudo isso. - Certo, certo. Tudo poderemos conversar. Vou satisfazer sua curiosidade. - Mais uma coisa, Mulder: por que tem que esperar falar com a Luana? - o Carlos Alberto insiste. - Ah, porque ela prometeu-me esclarecer algo importante que tem a ver com esse nosso assunto. - Tudo bem, Mulder. O Marcos dá sua opinião: - Cara, você está com toda razão. São assuntos importantes esses que você lembrou de perguntar! Lembrou bem! - Concordo. - fala o Vinicius. Mas Carlos empina bem o peito, e olhando Mulder firmemente, joga mais uma pergunta para que o outro a apare: - Bem... Mulder... é... eu gostaria de lhe perguntar se... bem... se você é, realmente, o ... pai do filho da Scully? O rapaz havia jogado a frase audaciosa e aguarda um tanto cauteloso pela resposta que vai ouvir. Mulder o olha, aperta os lábios e passa um dedo sob o nariz. - Algum de vocês tem alguma dúvida sobre isso? - Claro que não! - diz o Wlad, dando uma risadinha, desajeitado. - Não! - responde convicto o Vinicius. Marcos e o Marcio apenas balançam a cabeça, negativamente. Carlos Alberto bate no ombro de Mulder: - Não leva a mal, minha pergunta, Mulder. Desculpa. Olha cara, vai em frente, ela te ama! - Estou certo disso. - fala Mulder, circunspecto. - Eu gostaria de perguntar mais uma coisa. - fala o Carlos Alberto. - Se é sobre minha vida íntima... eu... - ... não, não! Com certeza não! - desculpa-se - É o seguinte: pode me dizer como é um disco voador por dentro? - Ah, essa eu também quero saber! - o Wlad fala, entusiasmado. - Então combinado, rapazes! Depois desse negócio aí de bolos e comidas, a gente se reúne na sala de estar para trocarmos idéias, ok? - Ok!! - todos concordam. O Carlos Alberto estende a mão: - Obrigado, Mulder. Mais uma vez o Agente vê-se tomado por pensamentos negativos. "Há tanto interesse nessa rapaziada em saber detalhes sobre nossa vida...! Principalmente sobre meu filho, não gosto de palpites." Carlos Alberto sai de junto dos outros, então, dirigindo-se para a varanda que leva ao jardim. Floridas roseiras desabrocham suas flores em belas tonalidades, ao redor do baixo muro do parapeito recoberto por mármore. O rapaz colhe uma rosa. Encaminha-se para o lado da varanda onde está avistando Dana recompondo seu batom, num quadro espelhado preso à parede. Com passos cautelosos, vai chegando bem perto de onde está Dana, sem que ela perceba que ele está às suas costas. Oi Scully! - chama, muito próximo ao ouvido dela. Dana volta-se para olhar e o gesto de quem a está chamando é tão rápido, que ela não consegue desviar do beijo que a boca ávida do rapaz experimenta, nos seus lábios rubros e carnudos. Por alguns segundos sente-se dominada por essa sensação. Não pode considera-la de pânico, mas sente-se atordoada. - Você... é louco!! - ela balbucia, após o beijo, entontecida pela surpresa. - Oh, yes... but you're wonderful! - ele diz, fitando-a, maravilhado. Dana nem sabe que atitude tomar. Permanece estática por alguns segundos. - Não se aborreça, Scully! Será essa única vez e nunca mais você me verá. É somente um desejo que tive que realizar, está certo? - O... ok. - murmura, meio sem jeito, limpando os lábios, discretamente. - Não manchou seu batom, não. Pode deixar. - ele ri - Desculpe, Scully. - entrega-lhe a rosa - Para você. - faz uma pausa - Olha, eu só queria entender por que alguém que vê homenzinhos cabeçudos passando à sua frente, naves decolando, homens que mudam de cara e outras coisas bizarras como você vê, e não acredita em nada??!! Dana o fita, franzindo os lábios e levantando uma das sobrancelhas. Sabe que nada há a fazer com esse admirador tão audacioso. - Desejo lhe fazer uma pergunta. Posso? - ele fala. Ela não responde. Olha-o, de soslaio, com um leve sorriso irônico desenhado no semblante. - Scully, o Mulder é o pai do seu bebê? Agora ela o fita intensamente. Há um brilho no olhar azul: - O que você acha? - responde, quase irada. - Vai deixar por minha conta a resposta, mas tudo bem. Você... percebe o quanto ele te ama? E já deu-se conta do quanto você também o ama? Então está esperando o quê, criatura??? Neste exato momento aproximam-se a Camila Fernanda e a Edna, que vêem Dana com a rosa na mão. - Nossa! Adoramos as lindas roseiras que tem aqui! Um espetáculo! - diz a Camila Fernanda. Sorriem para o rapaz, que faz menção de afastar-se. - Tchau, Scully. - ele despede-se. Ela responde, sem entusiasmo. Dana bate levemente, com nervosismo, o talo da rosa na palma da mão, observando o rapaz, enquanto o vê afastar-se. Dentro de sua mente corre célere o pensamento: "Dá pra notar que no Brasil os homens são bem quentes e audaciosos!" - Scully... - diz a Camila Fernanda - ... esta aqui é minha amiga Edna, que deseja dar uma palavrinha com você. - apresenta. A Edna está calada. As palavras não lhe saem da boca travada. Sente-se timidamente bloqueada de qualquer ação neste instante de intensa emoção para ela. - Oi... muito prazer... - O prazer é todo meu, Edna! Como vai? - Bem... - passa os dedos no nariz. Voltam-se as três para quem se aproxima. É Mulder, trazendo o celular, para entregar a Dana. - Telefone pra você. Dana atende à chamada, por alguns minutos. - Mulder, esta é a Edna. - apresenta a Camila Fernanda - Eu, ela e outras pessoas que estamos aqui, somos do Rio de Janeiro, aquela cidade onde está situado o ... - ... Pão de Açucar!! - conclui Mulder. - Exatamente. - confirma a Edna, conseguindo sorrir, agora. Dana já havia falado ao telefone e entrega o aparelho a Mulder, que o guarda. - Eu... bem... eu queria dizer uma coisa pra vocês. - começa a Edna a falar. - Já dissemos que estamos aqui pra ouvir a todos! - diz Mulder, gentilmente. - É que eu quero dizer-lhes de toda a minha gratidão por vocês terem nos dado momentos tão especiais e que nunca serão esquecidos por nós, eXcers! Vocês serão eternos. Nunca, jamais morrerão em nossos corações... Mulder e Scully abrem a boca para agradecer, porem a Edna os impede, principalmente porque agora havia tomado coragem e sente fluir a todo vapor a impetuosidade da emoção e, assim, as palavras vêm-lhe à boca com facilidade. - Não precisam agradecer. Falo de todo coração. Ela entrega a Mulder uma caixa de presente. Ele agradece. Abre a caixa. - Veja, Scully! - está entusiasmado, retirando da caixa uma gravata com minúsculos discos voadores estampados nela. Dana o olha, contrafeita. A Edna percebe o azul olhar da Agente, como se estivesse dizendo claramente: "Só sobre o meu cadáver!" Edna começa a sorrir, entendendo o olhar de censura de Dana. - Scully, - recomeça - não se preocupe porque essa gravata que eu dei ao Mulder irá se auto destruir dentro de uma semana. Dana sorri, sarcásticamente: - Tudo bem, tudo bem. - volta-se para ele - Mulder, pode usar a gravata daqui a duas semanas, no casamento do meu irmão Charles. Mulder lança para Scully o seu sorriso de menino, satisfeito com o presente, porém intrigado com a determinação de Scully. Ele aproxima-se da Edna, beijando-a na face, agradecido. A Edna vibra de emoção. Porém continua impassível de olhos fixos nos dois. Dentro do seu ser, porém, mil pensamentos e emoções desabrocham, sentindo em sua pele o indescritível toque daquele homem, um mito. Camila Fernanda lança para ela um olhar, entendendo suas emoções. - Mulder, - fala Dana - a minha mãe vai mandar a babá trazer o nosso filhinho até aqui. - Certo, Scully. - volta-se para as moças - Dão-me licença? - ele pede, afastando-se. Neste mesmo instante entra a babá, carregando o pequeno Will. - Aaaaah!!! - faz a Camila Fernanda - Que lindo! - logo pede - Posso segurá-lo? - Claro! - responde, passando o bebê aos braços da jovem. - Edna entrega outra caixa à Dana - Isto é um presente para ele. - Presente? Mais? Obrigada! - recebe e abre a caixa. - Mas que fofinhos! - exclama a Camila Fernanda ao vê-los Dana Scully tem nas mãos um mobile de discos voadores para colocar no quarto da criança. Ela observa o mobile detidamente. Não sorri. Apenas agradece o presente, formalmente. Edna e a Camila Fernanda deliciam-se, olhando o bebê. Estão maravilhadas pelo fruto de um tão grande e difícil relacionamento amoroso entre Mulder e Scully. - Ah, mas é muito lindo! - exclama a Camila Fernanda, acariciando-o. Dana sorri, satisfeita com os elogios ao seu filho. Logo em seguida, movida por um sentimento de cuidados, toma-o de volta em seus braços. - Que Deus o abençoe muito mesmo. - diz a Edna. Dana agradece. Edna observa, carinhosamente, a criancinha. Desejaria muito poder segurá-lo, porém teme que Dana rejeite seu pedido. - Bem, meninas, preciso leva-lo para mostrar aos outros. Sai dali, levando o pequeno Will num braço e a caixa do presente na outra mão. A Edna cutuca o braço da amiga: - Você acha , de verdade, que ela gostou do presente? - E eu sei? - ri a outra - Na verdade, você quer saber? - O que? - Eu jamais, nem sequer mencionaria sobre discos voadores para os dois Agentes! Acho que não é uma lembrança muito grata! - Você acha que fui inconveniente? - Claro que não, amiga! Você só quis agradá-la! Só isso!! - anima-a. * * * Dana entra com a criancinha nos braços. Um murmúrio geral de elogios à criança. Empolgada, ela mostra a um por um seu filhinho. - Scully, ele é lindo! - Scully, que bebê fofinho! - Scully, você está muito feliz, não é? - Scully, ele é a cara do pai! E um sem fim de frases são lançadas a respeito da criança, que, nos braços da mãe, movimenta os olhinhos espertos de um lado para o outro, observando tanta gente desconhecida à sua volta. * * * A Camila, CrisX, One, Ana Lucia, Gisa e Sami ajeitam os cabelos no grande espelho de um toalete. - Camila, você parece que está um tanto assim... como que fora do ar...! - repara a CrisX. - Eu?! Imagina!! Não sei porque diz isso! - É que eu acho que você parece sonhar. - puxa-a pelo braço para traze-la para mais perto de si - Conta aqui pra mim, se não é a pura verdade. - Como sonhar?! Simplesmente estou deslumbrada! - Ah, bem que acertei! - baixa a voz - É o Mulder, não é? Hein? Fala! - Você sabe que é. Sempre fui vidrada naquele pedaço de mau caminho! - E quem é que não é, amiga? - suspira - Planeja alguma coisa? - Como é? - espanta-se. - Pode ser sincera pra mim. Deixa eu te contar uma coisa. - Pode contar. - É o seguinte: sabe a Cida? Conseguiu uma coisa impressionante! - Sobre o que você está falando? - Sobre o Mulder, sua boba! - E daí? - Daí que eu vi quando ela beijou o Mulder. - Ora, mas qualquer uma pode fazer isso aqui. - Na boca?! - Como é que é??? - Não estou inventando não! Eu vi! Mas olha aqui, ela não sabe. - Ah, não sabe? - põe as mãos à cintura em atitude crítica. - Não sabe, claro! E nem ninguém nunca saberá que eu vi! - Ah, ah, ah! - finge gargalhar - Assim como está me contando, também contará às outras, tenho certeza! No mínimo estará comentando o fato no seu Jornalzinho. - Mas o que é isso, Camila? Você acha que eu sou disso? - Desculpa, tá? - Tudo bem. - fica em silêncio por instantes, olhando para o chão, talvez meditando sobre a tal descoberta. - Meninas, vocês acham que estou bem, assim? - olha-se ao espelho a Sami, chamando a atenção das outras. - Se não fosse por esse batom tão vermelho, estaria melhor! - fala a Ana Lucia. A Sami, chega bem perto dos ouvidos da amiga: - É para impressionar o Mulder! - confidencia. - Ei! Vocês não são fáceis! Não estão vendo que a Scully está no pé dele? - a One chama a atenção. - E você acha que a Scully também não está sendo assediada aí pela rapaziada? - diz, por sua vez a CrisX. - Gente, - diz a Camila - todos vão considerar a nós, brasileiros, uma turma de assediadores! Mas... cá pra nós... quem pode resistir? - Tá vendo? Tá vendo? Eu sabia que você estava planejando alguma coisa! - lembra a CrisX. - Não...! Não...! - responde Camila, indiferente - Tenho mais no que pensar. Tchau, garotas! Despede-se das amigas e sai do recinto. Camila está vendo adiante um grupo de rapazes e moças. Mulder, conversando com eles ao seu lado, continua fascinado, e ao mesmo tempo cismado, em poder saber de tudo o que os eXcers lhes procuram mostrar e contar a seu próprio respeito, por assistirem tudo o que os Agentes fazem em seu trabalho e mesmo em sua vida particular. Ao mesmo tempo em que Camila nota Mulder muito entusiasmado com a presença daquela gente ali, vê que, também, há uma mistura de dúvida e suspeita no seu olhar, quando o dirige para algum participante de sua festa de aniversário. Só que a moça não consegue entender o porquê dessa hesitação que há no semblante dele. Percebe-o muito contrariado. A Camila toma uma resolução e aproxima-se do grupo. Seus passos seguem em frente, porém seu olhar está fixado em Mulder, no meio dos outros. Ela fica parada em seu lugar, apreciando a animada conversa. Em dado momento nota que Mulder já havia notado sua presença ali, pois seu olhar, de vez em quando fixa-se nela, que já chegara bem perto do grupo. Na sua maioria, todos estão com muita atenção às palavras de Mulder sobre variados assuntos de seu trabalho no Arquivo-X. Perguntas e respostas são trocadas por todos. "Se uma garota já se aproximou o bastante de Mulder, por que não eu também? Eu posso, claro! Só preciso de uma oportunidade." - são estes os pensamentos da Camila. - Que tal a gente ir conversar agora sobre aqueles casos, Mulder? - pergunta o Carlos Alberto, ansioso pelas respostas do Agente. - Isso é bom. Dentro de poucos minutos vamos fazer isso. Já até podem ir pra lá, que eu já estou indo, certo? - responde. - Combinado. - concorda o Vinicius. Toda a moçada afasta-se do local, encaminhando-se para a sala ao lado. Mulder já vai dar uns passos para sair também, quando estaca, vendo a garota, que continua parada em seu lugar. - Oi...? - ele a cumprimenta. - Oi, Mulder. - Já sei que você ainda não falou comigo, verdade? - Verdade. - Tudo bem. Vamos conversar? Como é seu nome? - Eu sou a Camila. - A sua amiguinha que tem medo de aranhas também é Camila. - ele sorri para ela. Camila está simplesmente deslumbrada com aquele sorriso de menino ingênuo bem diante de si, ali, tão ao seu alcance! - Eu sou a Camila Anderson Mulder. - Mul... Mulder...? - É... Ela está respondendo evasivamente. - Será minha... parenta? Será que tenho parentes no Brasil? - Esse é o meu nickname. - Nickname...?! - S...sim. - ela está completamente absorta. - E o que significa isso pra vocês, Camila? - A grande maioria dos eXcers usa nicknames. - Ah, sei! Os eXcers...! - ele passa o dedo sob o nariz e prende os polegares na cintura. - Pois é. A Camila sustenta o olhar curioso de Mulder sobre si. - Mulder...? - O que? - Alguém já disse que você é... - Sou o que? - ele sorri, parecendo ingênuo e ao mesmo tempo sarcástico. - ...inteligente? - Agradeço. Fazem uma pausa. Continuam fitando-se. Na mente da Camila um sem fim de xingamentos para si mesma estão acontecendo: "Por que tú não falas logo o que acha, verdadeiramente, dele, sua boba?" - Mulder, eu também queria dizer a você... - recomeça. - Sim...? - ... que eu acho você... - O que? - Um homem... - . . .? - ele esquadrinha-lhe o olhar, com ar maroto. - ... destemido. - Mais uma vez agradeço. - continua sorrindo para ela. "Nossa! Essa minha boca não é facil! Meu cérebro não consegue comandá-la!" Ela aperta as mãos, olha para o chão, enquanto a mente trabalha positivo. - Se eu pedisse uma coisa ... você... faria... me daria? - ela reinicia. - Uma coisa? É importante pra você? - E como! - Não tem problemas. Os olhos da Camila brilham de ansiedade: - Você me daria mesmo? - Não tenha dúvida. - ele fala num tom de voz muito terno. - Jura? O coração da Camila dispara, descompassadamente. Sente as mãos como duas pedras de gelo. O corpo todo treme. Os pensamentos em sua mente passam com extrema rapidez. "Eu tenho que pedir! Se não for agora, nunca mais haverá uma oportunidade! E ele está aqui, diante de mim, ao meu alcance! Esses olhos esquadrinhadores, apertadinhos, essa boca sensual, bem desenhada, chamativa, cheia de sensualidade... essa bolinha no queixo... essa voz sussurrante e sem igual... é só eu perder neste momento a timidez, abrir a boca e falar...e pedir..." - Mulder...? - O que? - Você me dá...? - Diga. - ... um autógrafo? Mulder abre os lábios num sorriso franco. Seu instinto masculino percebe que aquela garota ali, diante dele, está extremamente nervosa por alguma ansiedade que está implantada dentro do seu coração feminino, cheio ainda de ilusões, esperanças e promessas. Ele abaixa-se para alcançar a altura da Camila e depõe um beijo terno e doce em sua face, bem juntinho aos lábios desejosos da garota. A Camila fecha os olhos. Está caminhando no céu, entre nuvens diáfanas, que desenham milhares de pequenos corações no espaço azul. A matéria fluida do seu corpo vai flutuando entre aquelas nuvens. Um pequenino coração vermelho, brilhante e palpitante, o único no meio daqueles milhares, feitos de nuvens brancas, aproxima-se... aproxima-se... aproxima-se... e bem junto ao seu rosto desfaz -se em mil fragmentos, que lhe tomam o corpo, a face... Camila abre os olhos. O sonho de segundos havia-se desfeito. Aquele beijo terno de Mulder a havia feito ir até o céu, mas despedaçara-lhe o seu jovem e esfuziante coração. Mas restara-lhe a lembrança da cena. E essa iria ficar para sempre. Mulder continua fitando-a, carinhosamente. Passa as mãos em seus cabelos, acarinhando-a e afasta-se em passos largos. "Ele me beijou! Me acariciou! Nunca mais serei a mesma! Eu vou sempre sonhar com esse momento!" - é o que pensa, com infinito prazer. - Oi Camila!!! - é Jennifer ao seu lado, chamando-a Camila fita a amiga. - O que está se passando com você? - Jennifer, minha amiga, ainda estou no céu! - Está aonde? - Eu estive, há segundos atrás, no céu azul ... e nuvenzinhas brancas em formato de corações voavam... Jennifer faz gestos acenando com as mãos, diante dos olhos da outra: - Ei! Vê se acorda! O que aconteceu pra você ficar assim? - Uma coisa... maravilhosa...! - Oba! Quero saber! - Tá louca! Acha mesmo que eu vou contar? - baixa a voz - Bem...na verdade mesmo... acho é que bebi um pouco... é isso! - Aaaaah! Vê lá, menina! Não exagera! - a outra acredita. - Escuta, a Wan já sabe a hora do nosso embarque. - Embarque?! - É, menina! - sacode-a - Ei! Acorda! Nós temos que viajar de madrugada! Esqueceu? - convida - Vamos até ali, ver o jardim? - Ahn...? - continua num ar sonhador. - Ah, esquece amiga. Tchau! Jennifer larga a outra ali, ainda deslumbrada. "É ... acho que ela exagerou mesmo na bebida...!" - pensa, meio preocupada. Ela vê que confortáveis cadeiras de ferro trabalhado e pintadas de branco, estão dispostas na grande varanda. Um momento de relaxamento não lhe faria mal. Procura um lugar onde possa estar com o olhar preso à natureza verde diante de seus olhos. A grama, os canteiros de lindas flores, o canto dos pássaros, as folhas das altas palmeiras balançando, o manto de folhas amarelas no chão, sendo carregadas pela brisa que sopra... Senta-se, pensativa. "As coisas de Deus são perfeitas! Sempre houve uma forma de ligação espiritual muito forte entre Mulder e Scully e, embora ela tenha sido por longos anos, uma criatura tão céptica, hoje sabe que tudo aquilo que Mulder pensava ou fazia era o certo, o correto, pois ele, dentro de sua alta espiritualidade ensinou-a que nem tudo pode ser feito aqui na Terra, usando só a parte material, a nossa parte física." Na sua mente vários pensamentos conhecidos no mundo literário surgem: "Os únicos bens verdadeiros são os do espírito." "Ter espírito é revelar o dom de penetrar as coisas sem enredar-se nelas." Ah, Mulder e Scully são sensacionais! Como são simpáticos! Como todos nós os amamos de coração! "Os que não amam seus semelhantes têm uma vida estéril." - a mente a faz lembrar. E são eles tão simples! Tão gente! Eu gostaria muito de poder ir até a eles agora, neste mesmo momento, abraça-los longamente, sentir nossos corações baterem em uníssono! Mas não tenho coragem! "Muitos talentos se perdem por falta de um pouco de coragem." - novamente um pensamento toma sua mente. Minha timidez não me permite arredar o pé, sequer, para estar junto dos dois. Conversar com eles, como o fazem os meus amigos... apesar de que... "Confessar que se é tímido é já cessar de sê-lo." - pensa, mais uma vez. Mas, mesmo me esforçando, não consigo... e assim eu fico aqui..." Ela sente que pessoas haviam chegado perto e sentado-se muito próximos. Volta o olhar para ver quais os amigos que ali estão. Vira a cabeça para olhar novamente em direção ao jardim. Retorna o olhar para conferir as pessoas ao seu lado. Não acredita no que vê. - Vo . . . cês?! - balbucia, atordoada. Mulder e Scully, calmamente, haviam-se instalado naquele lugar para um merecido descanso de poucos minutos. - Oi? - cumprimenta-a Scully. Jennifer não responde. "Como posso responder? Tenho mais é que ficar muda, passada, pasma!" - pensa. - Oi. - agora é Mulder quem a cumprimenta, com simpatia. - Já a conhecemos? - quer saber Dana. Jennifer está com o olhar preso aos dois, dirigindo-o ora para a esquerda, ora para a direita. "Um, dois, três, quatro, cinco, seis. Seis botões tem a camisa dele. Que recobre esse peito forte, quente... que a Scully tem o privilégio de abraçar a hora que quiser...!" - sua mente entra em devaneios. - Oi, garota, tudo bem? - é Mulder quem fala, sorrindo para ela. "A cor rosa bem suave desse esmalte fica muito bem nas unhas de Scully. E com essas mãos ela pode afagá-lo todo... acaricia-lo..." É só o que sua mente consegue captar. Continua atordoada. O casal olha-se, entendendo que a jovem está completamente travada pela timidez. "Eles estão se olhando! Como sempre! Lindo vê-los assim!" - ela continua no seu torpor emocional. - E aí, está tudo bem com você? - insiste Dana, vendo que a garota está boquiaberta, como se não estivesse entendendo o que se passa à sua volta. Somente os olhos movem-se, de um lado para outro. - Tudo bem? - agora é Mulder perguntando. - . . . Mulder e Scully trocam olhares profundamente compreensíveis. "Olharam-se novamente. Olhares de compreensão e doçura. Lindo, lindo, lindo!" - trabalha a mente de Jennifer. - Você mora em que cidade do Brasil? - Mulder indaga. - . . . - Você nada tem a nos perguntar, como os outros o fizeram? - . . . - Bem, desculpe, você não está com desejo de conversar... - fala Dana. Prosseguem os pensamentos da jovem: "Mulder está olhando, novamente, para Scully. Scully está olhando para Mulder. Como fazem sempre! Um... dois... três... quatro... cinco segundos!! É demais a troca de olhares deles! Esses olhares são diálogos de amor!" - ela divaga em sua mente. Neste exato momento aquele torpor sai da mente da garota: - Ai, meu Deus! Desculpa gente! Eu estou divagando! - enfim Jennifer desperta. - A gente entende. - diz Mulder, com ar compreensivo. - Mulder... Scully, eu... realmente nem sei bem o que dizer, assim emocionada, com o coração palpitando, acelerado, por estar aqui diante de vocês... só tenho... ai meu Deus... para dizer que sempre achei que a forma que Deus usou para mante-los sempre unidos foi essa de lutar juntos pelas boas causas, os sentimentos que se fundem num mesmo coração... - Agradecemos de coração. - afirma Dana. - Podem crer que, por minutos, eu permaneci completamente hipnotizada pela emoção de vê-los tão próximos, falando comigo! - Por um momento pensamos que você... - ... não! Eu estava realmente fora do ar! Acreditem! Mas estou feliz! - Nós também. - fala Mulder. - Bem, já vamos entrar novamente. O pessoal está sempre à nossa espera. - diz Dana, sorridente. - Não tenha dúvidas disso. Todos amamos vocês! Dana beija-a nas faces, agradecida, e caminha adiante para sair dali. Mulder aproxima-se para também beija-la na face. Neste momento Jennifer segura-o por um braço e o faz permanecer por alguns instantes mais junto a si. Ele a beija, enfim, na face, com carinho. Jennifer o vê afastar-se em seguida. Ele olha para trás. Esboça um vago sorriso. A jovem joga, com as pontas dos dedos um beijo para ele. Mulder afasta-se totalmente. Jennifer sorri. Sente-se feliz. Roda sobre os calcanhares, levanta os braços e rodopia, satisfeita. Há uma esfuziante alegria no seu coração. Vai embora para sua terra, seu País natal, porém levará uma linda recordação daquela cena, da qual fôra a feliz protagonista. * * * Helena fala com a Rosa, em tom amuado: - Você viu naquela hora? Eles nem responderam à minha pergunta! - Ah, não liga não, Helena! É assim mesmo. E cá pra nós, acho que não estão preocupando-se nem um pouco com isso. - Acha mesmo? - Não acho. Tenho certeza. Nós, os fãs, é que nada poderemos fazer para os convencer a casar. Só nos resta é aguardar os acontecimentos. - Acho que todos vocês querem isso, não é verdade? - Mas é claro! Nós queremos tanto bem a eles dois, que sempre desejamos o melhor para o casal. Mas que seja o melhor mesmo, não uma enganação do destino. - Rosa, que tal você acha se todos tomássemos um cafezinho quentinho, agora, depois de tantos comes e bebes? - Ah, claro, que todos gostariam! Pergunta a Wan se ela não adoraria! Claro que sim, só que não sei se isso está no programa deles, servir cafezinho para os convidados...! - E eu me prontifico a fazer o cafezinho. Que acha? Não é uma boa? A Rosa dá uma risada, divertida. - Não esqueça que não estamos em nossa casa, não! Estamos aqui, nos Estados Unidos, na casa de Mulder e Scully. Tem que acreditar nisso! - E eu quero mesmo acreditar. - Todos nós queremos!! - diz a Rosa, com convicção. * * * Gisa, Sami, Cida, Luana e Audrey passeiam pelo largo salão, distantes de todos os outros, conversando: - A Wan já sabe a hora certa em que vamos viajar. Agora é pra valer. - informa a Gisa. - Já?? Ah, que pena! - exclama a Cida, chateada. - Ora, por que reclama? Já aproveitamos bastante. - fala a Sami. - Só que eu queria poder sentir novamente aquela sensação... - fala a Cida, quase para si mesma. - Sensação? Que sensação? - as três amigas admiram-se. - Sabem, galerinha, eu sinto ainda até o gosto...! - Do que? Do que? Conta logo! - as outras estão super curiosas. - Ah, vou contar nada! Nem pensar! - Nossa! Não somos suas amigas? Não conversamos diariamente no nosso Grupo Devaneios? - Luana a faz relembrar. - Gente, mas é que é uma coisa muito pessoal! - Bah, guria, você atiçou a nossa curiosidade. Fala logo! - diz a Gisa. - Sobre o que? - faz-se desentendida. - O gosto que você ainda está sentindo...! É do que? - Sami faz uma pausa - Garota, será o que eu estou pensando? Você, há algumas horas atrás estava muito estranha! Fala logo pra gente, anda! - É... ainda sinto na minha boca... - O que?? - as duas outras falam juntas. - ... o gosto do delicioso e embriagador vinho que eu tomei! - conclui, com ar sonhador. - Aaaaah! Eu bem estava pensando outra coisa! - reclama a Sami. - Eu também! - fala a Audrey, quase desiludida. - Vocês todas têm uma mente muito... erótica... é isso! - a Cida completa. - Gente, eu estou achando que muitas garotas estão bebendo demais aqui nesta festa! - comenta Gisa, com ar preocupado. * *