"Os personagens desta história são de propriedade de seus respectivos criadores e empresas e não há intenção alguma de obter lucro através deste conto e que se destina unicamente à diversão dos fãs." Autora - WANILDA VALE E-mail - wladmirv@ruralrj.com.br SINOPSE Esta história refere-se à uma fantasiosa imaginação minha a respeito do episódio "Como os fantasmas estragam o Natal". É a continuação que Chris Carter deveria ter dado ao episódio, após Scully ter chegado ao apartamento de Mulder e terem eles amavelmente, trocado presentes. Lembram-se? Um Natal em êXtase No pequeno e desarrumado apartamento, algumas horas atrás tão triste onde grassara a solidão, agora o riso e a conversa do casal ecoa entre as paredes dando vida, animação, bem estar e aconchego ao ambiente. Para Mulder, sempre tão solitário e entediado diante de um aparelho de TV quando do momento de voltar ao seu refúgio após horas de exaustivo trabalho, a sua moradia tornara-se "inexplicavelmente acolhedora, simpática, aconchegante..." – pensa, com seus botões. "Mas inexplicavelmente, por que? Quando será que vou ter entendimento de que Scully, a minha parceira no trabalho, colega de há cinco anos faz falta na minha vida? Até que ponto vou querer levar à frente meu ceticismo quanto ao amor, aquele verdadeiro amor, que quando assola o coração e a mente da gente, nos faz inatingível aos problemas rotineiros e profundamente feliz? É isso que tenho que entender. Eu quero Scully para mim. Eu a desejo, tenho que tê-la sempre ao meu lado; desejo ter sempre seus olhos azuis dirigidos para mim, como numa perene indagação. Eu amo Scully! Essa é a realidade da qual não posso me descartar tão facilmente. Minha vida livre de solteiro independente? Dono do meu nariz? Isso já não tem tanto interesse para mim, porque Scully é a essência da minha vida; a qual eu devo a ela por várias vezes em certos momentos pelos quais passei nas missões perigosas que ambos enfrentamos sempre." - Mulder... você não parece estar gostando da minha companhia... de repente emudeceu! Ele desperta de sua meditação. Dana Scully, que invade os seus pensamentos está ali à sua frente, atingível, palpável! - Scully, querida... - ele nem sabe como conseguiu tratá-la assim - não é isso... eu estava com meus pensamentos inteiramente voltados... - Pra quem Mulder? - ela franze o cenho e os lábios, preocupada com a resposta que viria dele. - Ah... é uma criatura doce, maravilhosa, sincera - muda o tom de voz, sussurrando - e ao mesmo tempo valente, batalhadora. Ele conclui seu pensamento olhando o copo em sua mão. Não tem coragem de fitar aquela que é o objeto da sua entusiasmada frase. Scully levanta-se do sofá com o copo na mão. Sente uma espécie de frustração. - Scully, - ele aproxima-se dela - agora pergunto eu: o que houve? Está preocupada com alguma coisa? - Eu? Claro que não, Mulder... aliás, acho que sim... hoje sendo uma noite festiva as ruas poderão estar perigosas e eu não devo demorar aqui. - O que, Scully? Já está pensando em ir embora? Ah, nada disso! - segura-lhe o braço - Na hora em que quiser ir, eu a levo em casa. - Nem pensar, Mulder! Eu sempre fui muito independente e não é necessário que ninguém tome conta de mim, realmente. - Scully, Scully...! - ele a repreende com doçura, enquanto a fita com os olhos inquisidores - Você está muito malcriada, Scully e hoje é noite de Natal... de confraternização. Num súbito gesto ela agarra-se ao corpo viril de Mulder. Aninha-se entre seus braços; sente-se frágil nesse instante, qual uma criança carente. - Mulder, me perdoe... eu estou um pouco tensa... - Algum problema? - Não... isto é... sim! Mas nem dá pra desabafar com você. Em seguida tenta soltar-se dos braços dele para afastar-se, porem ele força-a a permanecer ali. - Não.. não se afaste. Fique assim. Ele a mantém presa entre seus braços e encosta os lábios em seus cabelos, como já pôde fazer em outras ocasiões. " Mas agora é diferente - pensa - eu sinto necessidade do corpo dela junto ao meu!" - Mulder? - Sim, Scully? - Obrigada, Mulder por ser tão terno comigo. - ela diz com a cabeça repousada sobre o peito dele. - Não tem que usar essa palavra, Scully; tudo que faço por você, pra você e com você é feito com toda a sinceridade, pode crer. Ele levanta-lhe a cabeça com as duas mãos enfiadas entre seus cabelos. Aproximam-se os rostos, os lábios... O telefone sobre a mesa toca estridente, destruindo aquele momento de extrema sensibilidade. Mulder quer continuar como está, segurando-a entre seus braços, porem Scully afasta-se. - Vá atender, Mulder. - diz com um profundo suspiro. - Agente Mulder. - ele atende o aparelho, colocando o copo na mesa. - Fox? Como vai? - Ah, você...? Tudo bem. - Quero lhe desejar uma feliz noite de Natal pessoalmente! - fala Diana Fowley. - Ahnn... me desculpe, estou de saída... fui convidado a passar as festas com uns amigos... - Com uns amigos? Ah, que pena Fox! Eu sinto necessidade de vê-lo! - fala como num gemido. - Ah sim, pode até ver-me no Bureau, mas não hoje, ok? Uma bela noite de Natal, pra você! Coloca, num gesto decidido, o telefone no gancho. - Mulder? - arrisca - Por que mentiu? - Mentiu o que? - Você disse que estava saindo... ouvi perfeitamente! - É... falei sim, pra não esticar muito a conversa. - Era aquela sua "ex", não era? Mulder já havia retomado o copo de vinho e o bebia aos goles. Dá uma risada. - Mas afinal, por que a discriminação em chamá-la assim? É nossa colega de trabalho! Scully rapidamente prepara-se para sair. Sente intimamente, novamente, o tal sentimento de derrota. - Por que não disse a verdade, Mulder? Tem medo ou vergonha de dizer que está comigo? Mulder segura-lhe as mãos e tenta explicar: - Olhe, Scully, você tem que me desculpar, mas sabe de uma coisa? Você é tão importante pra mim, que não admito que ninguém, - enfatiza - NIN-GUEM saiba porque, como, onde ou quando estou com você fora das horas de trabalho. Ela solta as mãos que estavam presas às dele. Aproxima-se da janela e põe-se a olhar para fora, enquanto fala: - Mulder, você sempre me surpreende. É verdade que pra você eu sou tão importante? Ele chega para perto dela. - É... é sim, Scully. Os dois estão voltados para o que vêem lá fora. Uma infinidade de luzinhas coloridas e brilhantes está cortando a escuridão, piscando em dezenas de janelas e árvores. O céu escuro com as estrelinhas lá no alto, parece um estojo de veludo negro com milhões de diamantes pousados sobre ele. - Scully...? - Sim, Mulder? - Eu gostaria de ser mais desinibido, mais franco... - Você? - ela ri - Mas você já é o suficiente, Mulder... - conserta - pra certos assuntos. - Scully, eu tenho que dizer uma coisa: me sinto cada vez mais ligado a você, sabia? Ela nada responde. Apenas lança para ele o brilho dos imensos olhos azuis. Ele segura-a pelos ombros. - Scully, tem que me acreditar... Os olhares de ambos penetram-se intimamente. Os apertados e inquisidores olhos verdes transparentes dele fazem com que Scully sinta vibrar seu corpo pelo calor da emoção do momento. Ela resolve tomar a iniciativa. Puxa-o pelo rosto, segurando- o com ambas as mãos e faz menção de beijá-lo na testa com carinho... Novamente o telefone toca sobre a mesa. Desta vez Mulder sofre um tremendo impacto com o susto, como se tivesse levado uma bofetada. Indignado, dirige-se para o aparelho e retira o fone, pousando-o sobre a mesa. - Vai ficar assim. - Não, Mulder, não! - ela aproxima-se e sem pestanejar toma o fone e coloca-o no ouvido. - Alô! - atende. - A...alô! - gagueja do outro lado do fio novamente Diana Fowley. - Olá Diana! Deseja MAIS alguma coisa? - Agente Dana Scully? - Ela mesma. - frisa com íntima satisfação. - Ah... eu quero falar com o Fox... - O Fox está ocupado no momento. Ele... foi ao banheiro. - Ele disse que ia sair com amigos. - diz a outra. - É verdade, vamos sim, com um grupo de amigos. - Obrigada. - fala sem nenhuma emoção na voz. - Feliz Natal Diana! - enfatiza Scully. Ela pousa lentamente o telefone na base; olha para o rosto de Mulder que está com um ar maroto; assim estivera assistindo todo o tempo a conversa de Scully ao telefone. Ambos deixam escapar uma gargalhada pelo acontecido. - Há muito tempo não me divertia tanto! - diz ela entre risos. - Pra mim foi magnífica sua atitude. - Jura, Mulder? - ainda ri - Acho que é por ser uma noite como essas que me enchi de coragem. - Coragem? Por que coragem? Você apenas atendeu o telefone! Scully não queria dar os detalhes do porquê da coragem, para que ele não pudesse perceber seus sentimentos. - Bom, - diz ele - vamos fazer o seguinte: comprar alguma coisa para completarmos nossa ceia, concorda? - Claro, Mulder! Saem do apartamento. XxXxXxXxXxXxXxXxX Na rua é grande o burburinho pela agitação das pessoas que caminham. Músicas natalinas espalham-se pelo ar, transformando as ruas antes tão inóspitas em fantástico e alegre lugar para caminhar. Um atraente Papai Noel badalando seus sininhos dourados chama a atenção das crianças, que num alarido amontoa-se ao redor do homem de roupa vermelha, o qual sob a grande barba branca mostra um sorriso e fala palavras carinhosas às crianças. As vitrines expõem seus produtos numa efusão de brilho e beleza com suas árvores de Natal resplandecentes lindamente enfeitadas num incessante pisca-pisca de luzinhas e bolas coloridas. - Venha, Scully Mulder toma-lhe a mão auxiliando-a a tomar a direção entre a grande quantidade de transeuntes na calçada. Scully tem até impressão neste instante de estar a andar apressada, correndo contra o tempo a fim de cumprir alguma missão importante do seu trabalho diário, tal como sempre faz junto a Mulder. Solta um suspiro de alívio ao ter a exatidão da certeza de que apenas estão curtindo umas horas de lazer. Uma grande confeitaria apresenta-se diante de seus olhos. - Huuumm... estou faminto! - exclama Mulder. - Então capriche na escolha! - sugere Scully. Ele aperta mais fortemente a mão dela e separa-se para fazer as compras. - Mulder, vamos comprar essas cerejas? - ela aponta na vitrine - E essas tâmaras também? Ele concorda, meneando a cabeça. Saem da confeitaria carregando embrulhos pequenos e grandes, pacotes, sacolas, uma infinidade de coisas. Mulder, com seus longos braços consegue espaço para tudo carregar de um só lado, para deixar o outro livre. - Quer ir andando mesmo ou pegamos um taxi? - Claro que andando, Mulder! Está gostosa demais esta noite. - olha para o amontoado de pacotes em seu braço - Por que não me deixa levar alguma coisa? - Deixe-me ser um cavalheiro pelo menos uma vez, Scully. Com o braço livre passa a mão sobre os ombros da amiga, que aconchega-se ao corpo dele, abrasada de calor interior, pois a atmosfera nas ruas estava quase congelante. "Ah, meu Deus! Como é bom estar junto dele assim! É gostoso demais! E eu o amo tanto! Queria poder transformar em milhares de outras esta noite de maravilhas." - Scully, veja! - ele aponta. Um grande trenó brilhante, com falsas renas que não se movem, arrasta-se carregando outro alegre e efusivo Papai Noel. - É Natal, Mulder! E tão lindo! - faz uma pausa enquanto param para ver a passagem do trenó - Mulder... eu amo tudo isso... - E eu amo você... A frase fora pronunciada tão repentinamente que Scully não tem tempo para captar nos seus sentidos o que ouvira. Ela mantém-se estática, fitando o seu amigo. Não sabe o que responder. Mulder nota a reação de surpresa de sua parceira. - Scully... eu amo você. A única reação dela é balançar a cabeça positivamente, concordando. Sussurra: - Eu também, Mulder, amo você. O abraço trocado pelos dois ali na rua parece nem causar nenhum impacto aos passantes, que ocupados em seus afazeres, dão encontrões uns nos outros, cruzam as ruas, atravessam-nas, caminham rápidos como bólidos cortando as largas e agitadas calçadas e sequer reparam naquele emocionado casal de uma singular desconformidade: ele alto, abraçando-a com o queixo apoiado sobre os ruivos cabelos dela, enquanto ela sumida entre os braços fortes dele no grosso agasalho, assemelha-se a uma frágil boneca. Toda a cena extremamente romântica é quebrada por três pacotes que vão ao chão pela displicência de Mulder ao segurá-los durante o longo abraço. - Droga! Caiu tudo no chão. - ele reclama. Scully vai abaixar-se para apanhar os três pacotes, porem somente dois deles ela consegue resgatar da calçada, pois os pézinhos irrequietos de duas crianças que passam correndo pisam o pacote, amassando-o inteiramente, tornando-o uma coisa disforme no chão. - Isso era uma torta de nozes, Scully. Ambos olham com resignação o que fôra um caprichado embrulho, completamente pisoteado e grudado às pedras da calçada. XxXxXxXxXxXxXxXxX Retornam finalmente ao apartamento 42. Com a mão nos bolsos, vasculhando em qual deles teria colocado as chaves, Mulder está totalmente embaralhado com as sacolas e pacotes. A cena faz Scully divertir-se e com segurança, calmamente tira suas próprias chaves e abre a porta. - Já temos algo em comum para morar juntos. As chaves. – exclama Mulder. Scully esboça um sorriso sem graça. - Nunca me diverti tanto, Mulder! - ela ri, lembrando a cena na rua. - É mais seguro estar dentro de casa, comendo girassol, não acha? Ela tira das mãos dele todos os pacotes e dirige-se para a pequena cozinha. - Mulder, se não tivesse tentado bancar o cavalheiro, não teríamos perdido nossa torta de nozes. - Você não sabe o segredo, Scully. - Que segredo? - inquire-o intrigada. - Isso é o truque para você não perder as linhas desse seu corpinho... tentador. - Mulder! - ela protesta, porem sentindo-se grata pelo elogio. Scully anda de um lado para o outro, arrumando a melhor maneira de preparar um lugar para a ceia de ambos, naquela tão despreparada cozinha. Mulder senta-se no sofá e tomando o controle remoto liga a TV. Logo, porem, levanta-se. Vai para junto de Scully. - Quer ajuda? - Hum, hum. - responde anuindo. XxXxXxXxXxXxXxXxX Scully já está à frente de Mulder, numa arranjada mesa composta para a ceia de Natal. Ambos estão servindo-se das iguarias contidas nos vasilhames pousados diante de si. A TV ligada exibe uma programação variada de músicas e cenas natalinas, que não lhes atrai a atenção. Mulder, sentado em direção contrária que não dá para ter boa visão para a tela da TV, sai do lugar, aproximando-se de onde está Scully. - Prefiro sentar aqui junto de você. - faz uma pausa enquanto se ajeita - Está feliz? - Hum, hum. - Você me passa uma cereja dessas? - pede. Scully toma uma das frutinhas do prato e leva-a em direção à boca de Mulder. Coloca-a em sua boca. Ele mastiga a fruta denotando prazer. Agora é a vez dele entregar-lhe uma tâmara para comer. Toma a fruta e coloca-a na boca de Scully que segura-a entre os dentes. Ele olha-a divertido. - Mastigue, vamos! Scully dá uma risada. - E o caroço, Mulder? Ambos riem-se do acontecido. Ela retira a semente e come a polpa da fruta. Mulder toma uma cereja. Coloca-a entre os lábios de Scully. Os olhos de ambos estão fixos um no outro. - Dá para confundir... - ele murmura. - O que? - A cereja e sua boca. É um momento de tensão para os dois. - Mulder...? - murmura. - Ahn? - ele está a esquadrinhar as linhas dos lábios dela. - Quer provar? - O que? - Esta cereja? Ambos sussurram as frases, sentindo em seus corpos a vibração do amor que sentem um pelo outro. Ele aproxima os lábios dos de Scully, que estão segurando a vermelha e brilhante frutinha. - Você deixa? - Hum, hum. - consente. - Vou provar. - fala tão perto que ela sente seu hálito quente. Ele morde a fruta e ela sente o toque dos lábios dele sobre os dela. Primeiro tateantes, como que experimentando sua maciez e em seguida mais inflamado, mais quente, mais penetrante. Ela sente com voluptuosidade o sabor do homem que há tanto tempo ama e que somente agora consegue realmente conhecer. A cereja é amassada, esmagada, vira nada entre aquelas duas bocas ávidas de se conhecerem uma a outra. Um longo, infindo beijo é trocado neste instante. Cada vez mais intenso e devorador. Cada vez mais querendo a integração de seus corpos cheios da emoção da paixão. - Scully... - sussurra arfante - eu preciso de você. - E eu de você, Mulder. Novamente suas bocas se encontram na ânsia de exteriorizarem aquele sentimento reprimido por longo tempo. Um toque na campainha os faz tomar um grande susto. - Mas o que é isto? Quem pode ser? - salta Mulder esbravejando. Uma languidez toma conta de todas as fibras do corpo de Scully. Suspira profundamente. Um enorme prazer transita como uma corrente por todas as células de sua carne, fazendo-a vibrar de paixão. "Mas quem, a essa hora, vem fazer uma coisa dessas com a gente?" pensa, sentindo-se infinitamente incomodada. Mulder passa a mão na cabeça contrafeito e dirige-se para a porta, não sem antes dar uma olhada para Scully, que também com olhos indagantes quer entender do que se trata. Mulder abre a porta - Feliz Natal!!! Um alegre grupo está diante dele, saudando-o; quase todos trazem copos à mão e alguns usam toucas vermelhas com pele branca à volta, como o gorro do Bom Velhinho. A maioria do grupo canta: Jingle Bells, Jingle Bells... Uma das mulheres que o cumprimentam dá risadas olhando para Mulder, apontando-o aos demais companheiros do grupo: - Olhem para ele! Todos dão gargalhadas olhando em direção a ele. - É isso aí, rapaz! - diz um homem em tom jocoso. Um outro chega próximo a Mulder e dá-lhe um tapinha na barriga: - Não perde tempo, hein? Feliz Natal! Mulder está boquiaberto, sem entender nada, nada, do que está se passando, nem o porquê daquelas frases trocistas. Passa para o lado de dentro e bate a porta com estrépito, enquanto o grupo dirige-se aos outros apartamentos. Seu semblante está enraivecido com a insolência dos seus vizinhos. - É a primeira vez Scully, que esses meus vizinhos resolvem me cumprimentar no Natal. E logo... - pára a olhar o rosto de Scully e vê que ela ri, tapando a boca para que ele não a veja fazer zombaria da situação. - Mulder, não acredito! - ela continua a rir, pondo a mão à boca - Você está engraçadíssimo! Por isso é que eles... - O que você quer dizer? Ela o segura pelo braço para encaminha-lo até um espelho, fazendo com que ele se olhe. Mulder mira-se no espelho, insatisfeito. Ali, diante dele, está sua imagem um tanto embaraçosa. Sua boca, em toda a volta, totalmente borrada com o baton que Scully tinha nos lábios. O espelho levemente revela em sua fisionomia tal qual um palhaço que não tivera tempo para maquiar-se com esmero. Mulder toca com os dedos ao redor de sua boca, vendo-a com as manchas espalhadas do baton. - Eu comi cerejas... saborosas. - comenta com meio sorriso. Os dois divertem-se com a situação e abraçam-se amorosamente. Subitamente, nos vidros da janela uma forte luz reflete-se, encandeando- lhes inteiramente a visão. - O que é isso, Mulder? - grita Scully, atordoada. - Shiiiiii! - ele faz-lhe sinal com o dedo na boca para que ela se cale. Ambos abaixam-se indo para distante da janela. O foco de luz branco e brilhante, transforma-se em um facho colorido intenso de várias tonalidades, que gira ininterruptamente de um lado para o outro. Mulder vai levantando-se devagarinho. Aproxima-se aos poucos para olhar através da janela aberta. Logo esboça um sorriso e chama Scully para acompanhar com ele a inusitada cena. - Não é um OVNI, Scully. Abraçados, vêem algo diferente lá fora, contra a escuridão do espaço. Uma espécie de dirigível, equipado com grandes e possantes holofotes, despeja jatos de luz sobre a cidade, refletindo sobre os vidros das janelas dos edifícios, das vitrines, de tudo. Um grande e luminoso letreiro pisca sob a cara sorridente de um Papai Noel: FELIZ NATAL! FIM - 1 -