Título - Nada dura para sempre Autora - « Mel X » E-mail - juliana@plisnet.com.br Categoria - Aventura / Shipper Disclaimer - Os personagens dessa fanfic pertencem a Chris Carter e a Fox Produções. Resumo - Acho que não tem como resumir. Vai ter que ler, hehe!!! Parque florestal de Boston 12 de Agosto de 1976 13:12 PM Era uma tarde ensolarada de domingo. Josh era um garoto de doze anos de idade, que adorava sair aos fins de semana, para caçar com seu pai, e não se contentava, enquanto não voltava para casa, com o jantar debaixo do braço, mas naquela tarde, aquilo não aconteceria. O pai de Josh, Robert, estava colocando as duas primeiras balas na espingarda, para poder atirar no primeiro pardal que visse pela frente, e Josh, tirava as folhas do chão, aonde os dois iriam sentar para tomar o lanche das três horas. Robert havia acabado de engatilhar a arma, e já estava fazendo mira no galho de uma árvore, para ver se a espingarda funcionava, quando escutou um tiro. Ele parou assustado, pois sabia que não tinha sido a sua arma que disparara. Aonde estava Josh? Ele saiu correndo à procura do filho, até chegar numa árvore. Cansado, ele começou a gritar por Josh, que nada respondia. Ele respirou fundo para recolher suas últimas forças, e correu mais um pouco, mas ao avistar um casal na sua frente, ele não via mais nada, somente o sangue que escorria pelo seu corpo, até fechar os olhos, e morrer. Josh também tinha ouvido os tiros, e correu para ver o que tinha acontecido, quando se deparou com o corpo de seu pai, embainhado em sangue, estirado no chão. Ele se ajoelhou do lado do cadáver, e começou a chorar. Olhou mais ao longe, e ainda pôde avistar, o casal que tinha tirado seu pai dele, correndo, para fora da floresta. Josh, ainda em prantos, puxou o corpo do pai para debaixo de uma árvore, cobriu com a toalha que tinham trazido, e resolveu chamar a polícia, mas quando foi pegar o celular, ele olhou novamente para o corpo do pai, e somente uma palavra veio na sua cabeça: Vingança. Sim, vingança, ele tinha que se vingar de quem tinha feito aquilo com seu pai, e era isso que ele ia fazer, nem que levasse sua vida toda, mas ele vingaria a morte de seu pai. Sede do FBI Washington DC 13 de Janeiro de 2000 Mulder pega o telefone e liga para Scully. _ Scully. _ Scully, sou eu. _ O que foi Mulder? Eu já estou indo, só estou acabando de tomar o meu café. _ Não é sobre isso que eu quero falar. _ Então sobre o que é? _ A secretária do Skinner me ligou, e disse, que ele chegou tão contente hoje, que disse para ela, que abriria uma lista, e os dois primeiros nomes que saíssem, ele daria uma semana de férias, e adivinha quais foram os nomes que saíram. _ Jeffrey Spender e Diana Fowley? _ Não, Fox Mulder e Dana Scully. _ Está brincando né? _ Não estou não, temos férias por uma semana. _ Puxa, mas que bom, então eu nem preciso ir pro Bureau hoje né? _ Não. _ Então está bem, te vejo daqui uma semana Mulder, boas férias. Scully já pensava em desligar, quando Mulder gritou: _ Scully! _ O que? _ Sempre fizemos de tudo juntos né? _ É. _ Mas tem uma coisa que ainda não fizemos. _ O que? _ Nunca passamos férias juntos. _ Mulder, você quer passar as férias comigo? _ Quero. _ Por que? _ Ora Scully, você é minha melhor amiga, e eu sinto muito a sua falta quando estamos separados. _ Também sinto muito sua falta Mulder, mas não consigo imaginar nenhum lugar que nós dois gostemos de ficar por uma semana. _ Que tal Boston? _ Boston? Por que Boston? _ Lá tem um parque florestal muito bonito, podemos acampar. _ Acampar? _ É. Credo, você está parecendo um máquina de fazer perguntas, fala alguma afirmação. _ Está bem, vamos para Boston, o que eu tenho que levar? _ Um monte de coisas, vamos fazer o seguinte, passo aí daqui meia hora tá bom? _ Pra que? _ Pra combinarmos tudo, tá? _ Tá bom. _ Até daqui meia hora. _ Até. Mulder desligou o telefone e sorriu. Finalmente ele iria conseguir o que tanto queria. Levantou, vestiu seu paletó, e saiu, em direção ao seu carro. Apartamento da Scully 9:03 AM Scully estava na cozinha, lavando as xícaras de café, quando sua campainha tocou. Ela enxugou as mãos, e abriu a porta. Mulder estava parado em frente dela, com um buque de flores, e um sorriso que ia de uma orelha a outra. _ Ó Mulder, não precisava. - agradeceu ela. _ Você merece Scully, está se oferecendo pra passar uma semana com o homem mais louco do FBI. _ Você não é louco. _ Claro que não, sou só estranho. _ Sente-se. Mulder sentou no sofá da sala, e ficou assistindo ao programa que passava na televisão. _ Desde quando gosta de ver programas de culinária? - perguntou ele rindo. _ Não tinha nada que prestasse na televisão, foi a única coisa que eu achei, que fizesse algum barulho. Quer café? _ Não obrigado, já tomei no Bureau, quer que eu te ajude a fazer sua mala? _ Por que? _ Já foi acampar alguma vez? _ Não. _ Então, não deve ter a mínima idéia do que se leva para um acampamento. Scully sorriu, e fez sinal para Mulder seguí-la até o seu quarto. Lá, ela abriu o guarda-roupa, e ele pôde ver várias vestimentas, todas do mesmo estilo, terninhos femininos, e sobretudos. _ Não gosta de saia? - perguntou ele. _ Gosto, tem algumas ali embaixo. _ Tem shorts? _ Não. _ Para se fazer um acampamento, tem que estar de shorts. _ Pra que? _ Nossa Scully, você está burra hoje hein. _ Não é que eu estou burra, é que eu não sei nada sobre sair e passar sete dias e sete noites no meio do mato. _ Se usar saias, não vai poder abaixar, para acender a fogueira, e outras coisas mais, e se estiver de calças, vai morrer de calor no primeiro dia. _ Tem um shorts pra me emprestar? _ Tenho sim. Você tem uma barraca? _ Claro que não, pensei que você tivesse. _ E tenho, mas você não vai querer dormir na mesma barraca que eu. _ Claro que vou, numa hora como essas, temos que fazer sacrifícios. _ Então vamos começar a organização. Mulder tirou a mala dela do armário, e abriu. Depois, voltou para o guarda roupa, e pegou somente blusinhas, nenhum paletó ou sobretudo. Tirou dois shorts que estava na mala dele, e colocou na dela, depois, colocou tênis esportivos, e tiaras de cabelo. _ Não prendo o cabelo. - disse ela. _ Mas vai querer prender, quando vir os pedaços de árvore caindo neles. Ele terminou, e fechou a mala. _ Ficou boa. - elogiou ela. _ Obrigado, vamos? _ Vamos. Ela pegou a mala, e saiu atrás de Mulder. Eles foram até o apartamento dele, e pegaram a barraca, um esopor cheio de refrigerantes, outro só com comida, toalhas, travesseiros, e fósforos. Mulder colocou tudo no porta malas, e sentou no volante. Scully estava lendo um roteiro de viagens. _ Não prefere ver quadrinhos? - riu ele. _ Estou vendo os bons lugares que poderíamos ir, sem ser no acampamento. _ Se não quiser, podemos tirar tudo. _ Não, agora que você já teve todo esse trabalho, vamos. Ele deu a partida, e saíram, em direção a Boston. Parque Florestal de Boston 13:45 PM Foram cinco horas cansativas de viagem. Eles desceram no parque, e enquanto Mulder fazia as fichas, Scully olhava se não tinham esquecido nada. Depois, eles foram até o lado do lago, que cortava a floresta. _ Gosta do ar puro Scully? - perguntou Mulder. _ É relaxante. _ Vai adorar esse lugar. _ Já veio aqui antes? _ Não, mas quem veio, me falou tão bem daqui, que conseguiu me convencer. Scully apontou um lugar embaixo de uma árvore e disse: _ Acho que aqui está bom. _ Vamos parar. Mulder parou o carro, e começou a tirar tudo de lá de dentro, enquanto Scully colocava a mão na água. _ O que está fazendo? - perguntou ele. _ Vendo se a água está boa para nadar mais tarde. _ Vai nadar sem roupa? _ Não, coloquei um biquíni dentro da minha mala, enquanto você pegava um shorts na sua. Mulder terminou de armar a barraca, e olhou para o céu. _ O sol está bem no meio do céu, já devem ser três horas. - disse ele. _ Por que não trouxe um relógio? _ Ora Scully, viemos aqui, para esquecermos das coisas modernas, e relógios são coisas modernas. _ Entendo. Trouxe salsichas, para assarmos a noite na fogueira? _ Trouxe. Está com sede? _ Um pouco. _ Tem coca-cola naquele esopor amarelo. _ Tá bom. Scully virou para pegar a coca, e quando voltou, Mulder estava sem camisa. _ O que foi, nunca viu um homem sem camisa? - perguntou ele. _ Já vi sim, mas por que tirou a camisa? _ Se você ainda não percebeu, está um calor dos infernos aqui, e eu estou derretendo. Por que não tira a camisa também? _ Ah Mulder, dá um tempo. _ Por que não? _ Mulder, eu sou mulher. _ E daí? _ Nem te conto. Ela abriu a latinha, e começou a tomar, mas quase cuspiu o refrigerante, quando Mulder começou a desabotoar o cinto. _ Está fazendo streptease? - perguntou ela sem graça. _ Vou nadar. _ De cueca? _ Claro, você queria que eu nadasse de terno? _ Não trouxe uma sunga? _ Não tenho sunga. _ Por que não? _ Ai, pelo amor de Deus, chega de porquês, já estou ficando seriamente nervoso, e posso fazer algum refém. Ela riu, e terminou de beber o refrigerante. Tentava disfarçar, mas não tirava o olho de Mulder. Ele tinha um corpo muito bonito, não fazia muitos exercícios, mas tinha músculos bem formados, e alguns pelinhos no peito que a deixavam arrepiada. Ele mergulhava e saltava pelas ondas do lago, sem nem se importar com os olhares dela. Ele sabia que a parceira estava observando-o, mas ele gostava disso. Quando ficou cansado, ele parou na margem, e viu que Scully tinha pegado no sono, embaixo de uma árvore. Ele, só para assustá-la, pegou uma caneca que tinha trazido, encheu de água, e jogou nela. _ Socorro! - gritou ela assustada com o banho que tinha levado - Mulder o que é isso!? _ Só pra te acordar. _ Ah é? Vem cá, que eu te mostro quem vai acordar. Scully saltou em cima dele, como se fosse enche-lo de socos, mas Mulder, muito mais rápido e forte, saltou dentro do lago. Scully, não queria perder a luta, e pulou dentro da água com roupa e tudo. Eles começaram a jogar água um no rosto do outro, a dar pequenos tapas nas costas um do outro, como crianças, brincando no lago. Duas horas depois, eles estavam cansados da folia, decidiram sair da água. Mulder se secou, e depois deu a toalha para Scully. Ele vestiu somente um shorts preto que estava na mala, e Scully colocou outro shorts, e uma camisa bem larga e fresca. _ Está com fome? - perguntou Mulder. _ Bastante. _ Vamos assar as salsichas agora? _ Melhor esperar anoitecer, fica mais legal. _ Concordo, vou fazer um lanche, quer também? _ Quero. _ Com queijo ou molho? _ Muito queijo e muito molho. _ Não sei como você não engorda. _ Nem eu. Mulder entrou na barraca, e começou a procurar o esopor dos alimentos. A barraca era de lona, mas era bem grande, pouca coisa maior que o carro deles, dava para dormir, e até dançar lá dentro. Scully, pegou vários gravetos do chão, e colocou num canto, pois já ia escurecer, e era melhor eles já ficarem prevenidos. Mulder terminou os lanches, e levou pra ela. _ Hum, ótimo cozinheiro. - disse Scully. _ Obrigado. Eles terminaram de comer, e olharam para o sol. Ele já tinha se escondido, e a escuridão já descia sobre a floresta. _ Aonde está o fósforo Mulder? - perguntou Scully. _ Lá dentro. _ Eu vou ou você vai buscar? _ Vai você. _ Preguiçoso. _ Já fiz os lanches. _ Já peguei os gravetos. _ Tá bom, eu vou. Mulder levantou e entrou na barraca. Scully olhava para a lua que já tinha aparecido, e sorria. Ela estava mais feliz do que nunca, estava com o homem que ela amava, no meio do nada, na escuridão, e ela sabia bem o que poderia acontecer durante aquela semana que eles ficariam ali. Ela pensava isso, quando ouviu passos, e resolveu avisar Mulder. _ Mulder! - chamou ela. _ O que foi? _ Já achou os fósforos? _ Quase, minha mala está toda bagunçada. _ Estou ouvindo passos aqui. _ Deve ser alguma fera selvagem que quer te comer. _ Mulder, não brinque com isso. _ Não se preocupe Scully, quando acendermos a fogueira, se for um animal, vai embora sem nos incomodar. _ Espero que sim. Scully voltou a olhar para o céu, e se desligou dos sons que tinham a sua volta, enquanto Mulder ainda procurava desesperadamente, pela caixa de fósforos, que ele tinha esquecido no carro, mas não sabia. Parque Florestal de Boston 20:03 PM Josh estava ali, desde cedo. Ele ia lá todos os dias, para visitar o local, aonde tinha enterrado o corpo do pai. Nunca ninguém acampava na margem do lago, e portanto, ele podia ficar ali o dia todo, sem ser incomodado, mas naquele dia, ele já tinha ouvido vozes de alegria, ruídos de quem pulava sem parar dentro da água, e depois, a luz de uma fogueira, do outro lado do lago. Não sabia o que fazer, mas resolveu atravessar o canal, e ir ver as pessoas que estavam acampando ali. Ele pegou sua moto, e andou por cerca de dois quilômetros, até chegar numa ponte, quase fora do parque. Atravessou a ponte, e andou até um ponto lamacento, aonde, se ele colocasse os pneus da moto ali, ficaria entalado. Resolveu continuar o trajeto a pé. Andou por cerca de meia hora, até enxergar a luz da barraca, e da fogueira, e dois vultos se mexendo. Ele se aproximou mais, e ficou olhando por detrás de uma árvore, e quase não pôde se conter de raiva. Na frente dele, estava um homem alto, com cabelos castanhos, e uma mulher de estatura média, com cabelos ruivos. Eram os assassinos de seu pai, ele não tinha visto o rosto deles naquele dia, mas tinha visto-os por trás, e o cabelos dos dois, e a altura, não o enganava, só era incrível, o fato deles parecerem ainda jovens, desde aquele dia, que já havia passado há vinte e quatro anos. Resolveu, que esperaria até os dois adormecerem, e enfim, ele poderia fazer a vingança pela qual sempre tinha esperado. Parque Florestal de Boston 22:47 PM Mulder e Scully estavam cantando ao lado da fogueira. Cada um segurava um espeto, com salsichas sendo assadas no fogo. Eles sorriam, e de vez em quando, pegavam na mão um do outro, mas logo depois, soltavam. Estavam apaixonados, qualquer um podia ver aquilo, mas não faziam nada, além de ser comportarem como velhos amigos. _ Mulder? - chamou Scully. _ Fala. _ Lembra daquele caso que eu resolvi, da boneca que matava as pessoas? _ Lembro sim, como poderia me esquecer. Você ficou o fim de semana todo longe de mim, e aquilo me deixou muito chateado. _ Você não parecia chateado quando eu voltei. _ Sei disfarçar bem. Mas por que tocou no assunto? _ Adorei você ter me chamado de lindinha. _ Mas você é mesmo lindinha. _ Ah Mulder, para com isso, você me deixa sem graça. Mulder não respondeu, olhou para Scully, e mais uma vez, pegou na mão dela, só que dessa vez, ao invés de só segurar, ele puxou a mão dela, e beijou. Scully riu e disse: _ Meu príncipe encantado. Ele sorriu também e respondeu: _ Minha princesa. Os rostos deles se aproximaram, eles iam se beijar, quando tudo ficou escuro. _ O que houve? - perguntou ela assustada. _ A fogueira apagou. _ Mas como? Ele ia responder, quando ambos sentiram seus corpos molhados. A tensão daquele momento, tinha sido tanta, que eles nem haviam reparado que estava chovendo. Mulder puxou Scully pelo braço, e entraram na barraca. Lá, ela fechou a lona, e acendeu o lampião. _ Aqui está quentinho. - disse Mulder. _ Agora sim. Não acredito que nós nem percebemos que estava chovendo. _ Nem eu. _ Que horas devem ser? _ Onze e meia. _ Como você sabe? _ Eu não agüentei, e trouxe um relógio. _ Está com sono? _ Bastante. _ Então boa noite Mulder. _ Scully? _ O que? _ Gostei de você ter me chamado de príncipe. _ Também gostei de você ter me chamado de princesa. _ Boa noite. _ Boa noite. Scully virou de lado, e se cobriu com dois lençóis. Estava calor dentro da barraca, mas durante a madrugada, ela sabia que iria esfriar. Mulder vestiu uma camisa de manga comprida, e deitou sem se cobrir. Ele estava com calor também, e sabia que a barraca tinha aquecedor, então eles não sentiriam frio durante a noite. No pensamento de ambos, eles estavam juntos, mas a única coisa que separava seus corpos, eram duas camas de metal. Scully pensava em Mulder, e ele nela. Eles tinham vontade de se declarar, mas não tinham coragem. Decidiram dormir, e esquecer o que aconteceu naquela noite, ao lado da fogueira. Parque Florestal 00:05 AM Josh observava a barraca por detrás das árvores. Ele estava ensopado, a chuva já tinha parado, mas ele não tinha encontrado lugar para se abrigar dela. As luzes da barraca estavam apagadas, e com certeza as duas pessoas que estavam nela, já teriam dormido. Ele tirou cuidadosamente de dentro do paletó, uma arma, e decidiu que a mulher seria a primeira. Normalmente as mulheres tinham o sono mais leve, e ela acordaria com um simples ruído fora da barraca. Ele se aproximou do local, e pisou nos gravetos molhados da fogueira, que estavam no chão, mas estes, como estavam úmidos, não fizeram barulho. Então, ele tentou outra coisa. Pegou um canivete, e rasgou um pedaço da barraca, fazendo um barulho leve, mas suficiente para acordá-la. Ao ouvir o barulho de alguém se levantando lá dentro, ele correu para detrás da árvore mais próxima, para se proteger, caso fosse o homem que tivesse levantado. Esperou alguns segundos, e a mulher apareceu na frente da barraca, olhando para todos os lados. Ele estava com a arma em punho, agora, era só mirar, e sua vingança estaria parcialmente completa. Parque Florestal 00:22 Scully havia ouvido um barulho. Levantou a cabeça, e viu que tinha um buraco na lona da barraca. Ela cutucou Mulder e chamou: _ Mulder? Ele ainda com sono, disse apenas uma palavra: _ Hum. _ Ouvi um barulho estranho. _ Deve ser um bicho. _ Mas era barulho de alguma coisa rasgando, e tem um buraco na lona da barraca. _ Deve estar chovendo granizos Scully, não se preocupe, a barraca é forte, vá dormir. _ Mas Mulder... _ Vá dormir. Ela resolveu deixá-lo em paz, e ela mesma iria ver o que tinha sido o barulho. Levantou cuidadosamente, e abriu o zíper da lona. Ao sair lá fora, ela viu que a chuva já tinha parado. Os gravetos que antes formavam a fogueira, estavam quebrados. Ela andou mais alguns passos para fora, e ouviu um ruído vindo das árvores, como um revólver sendo engatilhado. Ela olhou para uma das árvores, e seguiu até lá, mas antes mesmo que pudesse ver alguma coisa, foi alvejada, com um tiro no estômago. Mulder, ouviu o barulho do tiro, e olhou para a cama de Scully, mas ela não estava lá. Ele ficou preocupado, e saiu da barraca gritando por ela. Ao ver Mulder, Josh engatilhou novamente a pistola e pensou: Agora estará tudo pronto. Mulder andou para fora, e pisou em alguma coisa no chão. Abaixou-se e pegou o objeto. Era a pulseira que Scully estava usando. Ele andou mais um pouco, e viu o corpo dela, ainda com a respiração fraca, no chão. Ele abaixou e pegou-a no colo perguntando: _ Scully, você está me ouvindo? Ela respirou fundo, esperou uns segundos e respondeu: _ Estou Mulder. _ Quem fez isso com você? _ Está atrás daquela árvore. Mulder olhou para a árvore, mas não viu ninguém, pois o tempo estava escuro como breu. Ele já estava levando Scully para dentro da barraca, quando escutou o barulho de uma arma engatilhando. Mulder, quase que instintivamente, tirou sua arma da camisa, e atirou na direção da árvore, e pôde ouvir, um gemido de dor. Ele levou Scully até a barraca, e resolveu ficar cuidando dela, pois, quem quer que fosse que tivesse levado o tiro, na altura que ele atirou, já estaria morto até o amanhecer, e ele não podia deixar Scully morrer. Ele desabotoou, a camisa dela, e colocou um pano úmido, para o corpo dela não ficar em choque. Depois, passou a noite toda, fazendo curativos no ferimento, de modo a conter o sangue, até ele poder levá-la para um hospital. Parque Florestal 6:12 AM O dia amanheceu. Mulder colocou Scully dentro do carro, e saiu, deixando a barraca e os outros pertences lá. Quando passou pela portaria, ele avisou o guarda do ocorrido, e este prometeu chamar a polícia para verificar o corpo do atirador, e cuidar das coisas dos dois agentes. Quando chegou em Washington, Scully estava inconsciente. Ele levou-a até o hospital geral, e ela permaneceu internada lá. Mulder sentou na sala de espera, e começou a fazer uma coisa que ele nunca tinha feito. Rezar pela vida dela. As lágrimas já teimavam em escorrer pelo seu rosto, quando o médico se aproximou e disse: _ O tiro foi leve, ela já recobrou a consciência, e ficará boa. Mulder agradeceu muito ele, e rezou mais ainda, agradecendo a Deus pela graça alcançada. Duas horas depois, ele estava cochilando no sofá, pois havia passado a noite toda acordado, quando seu celular tocou. _ Mulder. _ Senhor Mulder, é o guarda do parque Florestal, daqui de Boston. _ Sim, pode falar. _ Encontramos o corpo do homem atrás de uma árvore, e dois quilômetros depois, a moto dele. Suas coisas estão guardadas na minha cabine, assim que puder, pode vir buscá-las. _ Claro, muito obrigado. _ A senhorita Scully está bem? _ Graças a Deus sim. _ Melhoras a ela. _ Obrigado, até mais. _ Até. Mulder desligou o celular e sorriu. Tudo tinha acabado bem. Ele poderia finalmente declarar seu amor por Scully, assim que entrasse no quarto dela, o homem que havia tentado matá-la, estava morto, e as coisas dele estavam em segurança. Ele pensava isso, quando o médico veio novamente até ele, e disse: _ Senhor Mulder, pode entrar para vê-la. _ Obrigado. Mulder entrou pé por pé no quarto, para não acordar Scully, mas esta já estava acordada. _ Oi. - disse ela sussurrando. _ Oi. - respondeu ele com um sorriso que a fez se animar um pouco. _ Você está bem? _ Eu é que tenho que perguntar isso Scully, você está bem? _ Sim. E o nosso acampamento? _ Não se preocupe com isso, assim que você melhorar, vou pedir mais uma semana de férias pro Skinner, e faremos o nosso acampamento, mas dessa vez, sem atiradores. Ela riu, e Mulder pegou na mão dela dizendo: _ Aquele momento do lado da fogueira, foi especial pra mim. _ Pra mim também. _ Scully? _ O que? _ Eu te amo. _ Eu também te amo, Mulder. Eles se aproximaram e se beijaram. No final do dia, os dois namoravam alegremente, quando Scully perguntou: _ Mulder, o que aquele homem queria, atirando em mim? _ Vingança. _ Mas eu não fiz nada pra ele. _ Claro que não. Parecemos com o casal que matou o pai dele, segundo a foto dos criminosos que eu vi. Ele não sabia que a polícia já tinha pego os assassinos, porque, depois de dois anos da morte do pai, ele fugiu, e se escondeu na floresta, e ficou morando lá. _ E ninguém sabia disso? _ Ninguém. _ Mas a sede de vingança dele, não durou pra sempre né? _ Nada dura para sempre Scully, nada. _ Só o nosso amor. _ É, só o nosso amor. Eles se beijaram, e continuaram abraçados, assistindo o documentário sobre vida animal, que passava na televisão. FIM