Título: Nada acontece por acaso Autora: Clarisse Scully (clarissescully@aol.com) Sinopse: O que Scully estava pensando ao sair do quarto de Mulder em "todas as coisas"? Classificação: MSR/shipper Considerações da autora: Está é minha primeira fanfic. E o que me levou a escrevê-la? Bem, eu sempre quis escrever uma fanfic, tinha várias idéias mas não conseguia passá-las para o papel, ou melhor para a tela do computador. Mas depois de ver "todas as coisas" (que simplesmente adorei, já considero um dos melhores episódios de todos os tempos) eu fiquei intrigada com a atitude de Scully ao sair da casa de Mulder. Ela me pareceu preocupada e eu fiquei imaginando porquê. E felizmente dessa vez consegui transformar minhas idéias em palavras! Gostaria de pedir a você que resolveu ler: por favor, escreva-me dizendo o que você achou. Estou aberta a tudo: críticas ferrenhas, construtivas, sugestões, qualquer coisa que você queira me dizer. E mesmo que você não queira dizer nada mande um e-mail para que eu saiba que você leu a história. Agradeço desde já! ? Ah! É claro que Mulder e Scully não me pertencem legalmente. Serei para sempre grata a Cris Carter por ter um dia possibilitado que eu viesse conhecer eles e todos os outros personagens (que para mim são mais do que isso) de Arquivo X. Tenho certeza de que hoje não seria a mesma pessoa! Nada acontece por acaso... É nessa frase que estou pensando desde que acordei. Estou tentando entender o que aconteceu essa noite. Estou tentando aceitar o que aconteceu, mas não sei como. Sei o que gostaria que fosse... Sei o que pareceu ser, ou pelo menos o parte de mim quer acreditar que tenha sido. E sei também que não me arrependo nem um pouco... É fácil admitir que amo Mulder, sei isso desde o início. Foi o que me fez continuar quando tudo e todos pareciam estar contra mim, contra nós, principalmente nos primeiros anos. Os Arquivos X só se tornaram importantes mais tarde e mesmo assim ele sempre foi mais importante. Também consigo admitir que estou apaixonada por ele. E como não poderia, se até os outros já perceberam? Diana, Padjet, que Deus os tenha, creio que até os rapazes já sabem. E já faz tanto tempo... Eu lembro de quando comecei a desconfiar que isso estava acontecendo. Lembro-me claramente da minha felicidade ao ver Mulder vivo, caminhando naquela sala do Senado, de volta da Rússia. Nunca antes eu havia ficado tão feliz em vê-lo. Todas as outras vezes quando ele voltava, ou quando eu tinha de ir à procura dele, eu ficava aliviada, por ele estar bem, e com raiva, por ele não ter me avisado sobre o que iria fazer. Dessa vez tudo em que pensava era no quanto queria tê-lo em meus braços, ter certeza de que ele estava ali, comigo. Mas logo resolvi que seria melhor não pensar no assunto. Assim poderia evitar que momentos de tristeza me fizessem encontrar outros "Ed Jerses" pelo caminho. Eu não tinha porque alimentar a idéia, quase absurda, de que Mulder poderia estar apaixonado por mim. Sabia que ele se preocupava, me amava, da mesma forma que o amei, desde o início, apesar de nossos pontos de vista tão diferentes, ou talvez até por causa deles. Mas amar nem sempre é sinônimo de estar apaixonado, de desejar alguém, de saber que você seria capaz de passar o resto de sua vida ao lado de uma certa pessoa, se necessário até renunciar a tudo e a todos por causa dela. E o nosso amor sempre pareceu ser mais fraternal do que apaixonado... Cada vez que pensava nessa possibilidade eu me lembrava daquela jovem chamada Melissa e da sessão de regressão pela qual Mulder passou e eu testemunhei. Eu não acreditava naquilo, eu não queria acreditar naquilo, mas algo dentro de mim teimava em perguntar "e se for verdade?". "E se for verdade que aquela mulher era a alma gêmea dele e você é "apenas" a amiga, a pessoa que o protege, às vezes até dele mesmo?" Eu não queria pensar nisso, até porque acabava questionando todas as minhas escolhas anteriores. Terminava sempre duvidando se não teria sido melhor continuar na Medicina como queria minha família, ficar com Daniel e nunca conhecer Fox Mulder. Hoje tenho certeza de que fiz a escolha certa, de que na verdade nem havia outra escolha a fazer, simplesmente esse era, e é, meu destino, mas há 3 anos tudo o que tinha eram dúvidas... Depois veio o câncer e me vi obrigada a parar de pensar nisso. A possibilidade da morte, de deixar toda a vida que tinha aqui já era dolorosa demais para que ainda ficasse me martirizando com essas dúvidas. Felizmente, e graças à Deus, continuei viva. E resolvi valer-me da vida que tinha da melhor forma, sem ficar questionando se ela poderia ser melhor ou pior. Apenas aproveitá-la do jeito que era, aproveitar minha amizade com Mulder, meu trabalho nos Arquivos X, minha família. Pena que às vezes o tempo que temos seja curto demais, como foi o meu com Emily... E pouco depois surgiu Diana Fowley... A desconfiança e o ciúme que senti foram tão fortes que não tinha como negar ou ignorá-los. E com eles voltaram todas as dúvidas que tentara esquecer... Ao mesmo tempo, parecia que algo estava mudando em Mulder. Aquela conversa no corredor do prédio dele, depois de eu ter dito que ia deixar os Arquivos X, foi... intensa. Pela primeira vez tive certeza de que Mulder me olhou com outros olhos. Os mesmos olhos que, apesar de entorpecidos, me fizeram duvidar que aquela declaração de amor em uma cama de hospital fosse apenas um delírio causado por remédios; os mesmos olhos que vi no primeiro instante desse ano, antes e depois do beijo que parecia pairar sobre nós, esperando para acontecer, desde aquele dia no corredor; e ainda os mesmos que me desejaram e me amaram esta noite... Mas o que havia, o que há, por trás desses olhos? Desejo apenas? Paixão? Ou algo ainda mais profundo, talvez até "transcendental"? Não sei... Sei o que gostaria, do fundo do meu coração, da minha alma, que fosse... E sei o que minha mente racional acha que foi. Mas não tenho certeza alguma... E o que acontece agora? Isso creio que sei. Tenho certeza de que agiremos como se nada tivesse acontecido. Nós dois somos bons nesse jogo de ignorar acontecimentos e sentimentos. Talvez seja graças a isso que continuamos vivos e juntos nos Arquivos X. Mas eu não sei até quando serei capaz de continuar jogando... De qualquer forma, nada acontece por acaso... ------------------------------------------------------------- ----------------- ------------------------------------------------------- Quase Sem Querer (Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha) "Tenho andado distraído, / impaciente e indeciso, / e ainda estou confuso. / Só que agora é diferente: / Estou tão tranqüilo / E tão contente. Quantas chances desperdicei / Quando o que eu mais queria / Era provar pra todo mundo / Que eu não precisava / Provar nada pra ninguém. Me fiz em mil pedaços / Pra você juntar / E queria sempre achar / Explicação pro que eu sentia. / Como um anjo caído / Fiz questão de esquecer / Que mentir pra si mesmo / É sempre a pior mentira. Mas não sou mais / Tão criança a ponto de saber / Tudo. Já não me preocupo / Se eu não sei porquê / Às vezes o que eu vejo / Quase ninguém vê / E eu sei que você sabe / Quase sem querer / Que eu vejo o mesmo que você. Tão correto e tão bonito: / O infinito é realmente / Um dos deuses mais lindos. / Sei que às vezes uso / Palavras repetidas / Mas quais são as palavras / Que nunca são ditas? Me disseram que você estava chorando / E foi então que percebi / Como lhe quero tanto. Já não me preocupo / Se eu não sei porquê / Às vezes o que eu vejo / Quase ninguém vê / E eu sei que você sabe / Quase sem querer / Que eu quero o mesmo que você" Essa música sempre me lembrou mais o Mulder, mas ao ouvi-la depois de ter visto "todas as coisas" achei que ela tem muito a ver com o atual momento de mudanças e auto-descobertas da Scully.