DESAFIO DE FANFICS Título: Mortal Destiny Autora: Angel Scully (Carla Biscaglia) Email: biscaglia@uol.com.br ICQ uin: 77089497 Disclaimer: Arquivo X, Mulder, Scully, são tudo propriedade da FOX, 1013, Chris Carter, David Duchovny e Gillian Anderson. Esta história não tem objetivo nenhum de obter lucro, mas sim, proporcionar divertimento aos eXcers de plantão, como eu. Classificação: série, Scully angst, Mulder angst, shipper, UST. Resumo: O súbito aparecimento de corpos em diversas cidades dos EUA compila para mais um caso. Mulder e Scully são designados para resolvê-lo. Porém, Scully some e Mulder começa uma desesperara busca pela parceira, envolvendo-se em mais uma intriga maligna, que mais tarde terá como desfecho final uma importante escolha para Mulder: eles ou a humanidade? _____________________________________________________________ _________________ ____ PRÓLOGO A sensação de leve dormência atingia-lhe as extremidades dos dedos. O pavor crescente ia tomando conta de seu ser, a cada novo sintoma revelado. A substância desconhecida percorria sua corrente sangüínea rapidamente, e não tardaria a penetrar-lhe todas as células de seu corpo, que as poucos eram tomadas pelas proteínas desconhecidas. O nervosismo era tamanho, que ele quase não controlava mais suas funções motoras. Seus músculos tilintavam involuntariamente, revelando a descarga anormal de noradrenalina. Teria de ser rápido. As horas que lhe foram ministradas passariam rapidamente, definindo o seu desfecho final mortal. __________________________________________ "MORTAL DESTINY", de Angel Scully WASHINGTON D.C. TERÇA FEIRA - 9:30 PM PRÉDIO J. EDGAR HOOVER SALA DOS ARQUIVOS X - O recear das folhas espalhava-se pelo recinto. O ar pesado, a balbúrdia espalhada, o ambiente escuro e desorganizado não o incomodavam. Alguns fios de cabelo teimosos caíam sobre a testa ampla. Absorto em sua leitura, não percebeu a presença feminina que entrava na sala. __ Mulder....já é tarde. Vamos para casa. - Scully transparecia a estafa. Procurava o olhar verde azulado perscrutante do parceiro, mas só encontrava desilusão e transtorno. Os olhos que sempre lhe embargavam de carinho e segurança pareceram adquirir uma coloração acizentada, sem vida. A transparência que lhe era notória havia desaparecido. Scully não entendia o que se passava com ele, que relutava a contar-lhe. Algo o ferira profundamente, e Mulder parecia Ter-se fechado novamente para o mundo ao seu redor. __ Mulder..- a voz dela era quase em súplica - você não vem? __ Scully.. - a entonação era levemente aborrecida - deixe- me..eu preciso fazer mais alguns relatórios e revisar outros tantos.. __ Mulder, você não dorme a quase 40 horas. Precisa descansar um pouco. Afinal, o que há com você? A alguns dias que venho notando seu comportamento esquivo para comigo! __ Você não entenderia Scully.. __ Mas então ao menos me conte! Sempre confiamos um no outro, sempre contamos tudo - Scully engoliu em seco e pensou "quase tudo"-. Por que essa frieza! Você nunca foi assim! Fale-me o que tanto o aflige! Neste mesmo instante, um homem alto, de aparência distinta e elegante, entrava na sala. Os cabelos castanhos lembravam os de Mulder, o formato dos olhos, igualmente parecido, porém, de um tom mel esfuziante. __ Dana querida, não vens? Scully ainda olhava para Mulder, esperando uma resposta. Neste momento, ele lançou-lhe um olhar quase perfurante, mostrando a tamanha frustração no verde azulado profundo. A dor e a decepção foram percebidas claramente por ela. Então era ela o problema. Ou seria o homem que a acompanhava? Mulder novamente tinha as vistas para os papeis espalhados sobre a mesa. __ Vamos Jeff...Mulder quer ficar mais um pouco. Saíram a passos lentos e coordenados. Mulder ouvia os estalidos dos sapatos de Scully espalharem-se pelo corredor. Quando o som extinguiu- se, sentiu sua garganta embargar e os olhos encherem-se d'água. Mulder poucas vezes sentira-se assim, com tamanha angústia....lembrando dos fatos, acabou correlacionando seu temor sempre a Scully. Quando fora abduzida, o câncer que quase a matou, o vírus alienígena que...as lembranças mórbidas fizeram-no sentir-se inseguro, solitário, carente... Como poderia Scully não perceber o óbvio? Será que sua racionalidade lhe cegava os olhos? E quem é esse Jeff Howding? Por que apareceu assim, do nada! Quais seriam suas intenções com Scully? Mulder, em seus devaneios, passou a lembrar do dia em que decidira quebrar toda a barreira que havia se criado entre eles. Estava em seu apartamento, deitado no sofá de couro, pensando no que havia feito de sua vida nesses últimos anos. Desde que conhecera Scully, o rumo dos acontecimentos mudara completamente. Sabia que aquela linda mulher fora designada para desbancar seu trabalho, mas sua personalidade forte e correta acabaram por torná-la sua parceira inseparável. As suposições científicas dela iam contra as suas , mas sempre acabavam por resolver os casos infringidos pelos Arquivos X. De início, comportavam-se apenas como parceiros, evitando qualquer contato mais íntimo. Mas conforme os anos foram passando, a amizade tornara-se tão forte, tão intensa, que Mulder não mais sabia que o que os envolvia seria apenas amizade. A mistura disto, mais respeito, temor, zelo , cumplicidade e principalmente, amor, os uniram de tal forma que não conseguiam mais viver um longe do outro. Amor......seria esse sentimento tão forte e puro que a simples menção em expô-lo lhes infringia insegurança, dando-lhes a sensação de separação eminente? Mulder muitas vezes não conseguiu contê-lo para si, mas a reação de Scully nunca fora o esperado por ele. Pensava se ela realmente o queria apenas como parceiro e amigo e não como um homem apaixonado, disposto a tudo por ela. __Chega Mulder, isto não vai resolver nada. Mortificação não me leva a lugar algum. - Decidido, Mulder levantou-se, colocou sua capa e saiu. _______________________________________________ GEORGETOWN 10:00 PM As mãos trêmulas jaziam por entre as pernas. Os cabelos acobreados roçavam-lhe o rosto. Pensamentos perdidos tomavam-lhe conta. "Isto não está certo", pensava. __ Dana, você está bem? A súbita pergunta de Jeff a despertou repentinamente. Ele a fitava carinhosamente. __ O que faz sentada nesse sofá olhando para o nada Dana? Algo a aflige? Scully queria falar, mas o receio imperava sobre a coragem. Gostava de Jeff, mas algo lhe dizia que ele não deveria estar ali com ela. __ Jeff...acho melhor você voltar para o hotel...não estou muito bem hoje..preciso ficar sozinha um pouco. O trabalho tem consumido toda a minha energia, preciso descansar. Me desculpe , não quero magoá-lo por isto, mas acho que é o melhor a fazer. Ele deu de ombros. Franziu o cenho, transparencendo preocupação. Chegou junto a ela, beijou-lhe a testa e despediu-se. Scully sorriu sem graça. _______________________________________ ALEXANDRIA HEGAL PLACE - Apartamento 42 QUARTA FEIRA - 3:30 AM O silêncio inquietante pairava. O único ruído que sobressaía-se era o som surdo que vinha do quarto. Mulder remexia-se na cama. Não conseguira pegar no sono. Sentia-se cansado, os músculos doíam, porém , seu cérebro trabalhava insistente. Não foram poucas as vezes que se pegara pensando em Scully, mas agora, a imagem dela sobressaía-se sobre qualquer outra"......Scully..." e logo a figura imponente de Jeff Howdins vinha a perturbar-lhe os sentidos... O tilintar estridente do telefone o tirou de suas divagações. __ Mulder. O que se viu somente foi Mulder quase jogar o aparelho longe. Sons estridentes e desconexos invadiram-lhe os tímpanos com tamanha violência que ele sentiu-se tonto a ponto do desmaio. Colocou o fone no gancho rapidamente. Resolveu que verificaria a origem da ligação no Bureau amanhã. Mas algo lhe dizia que não deveria esperar tanto. Sabia onde encontrar ajuda em situações como essa. __________________________________ O som irritante do telefone acordara os três. " Quem será a essa hora?" __ ...Aloh.... __ Langly! Preciso de um favor! __ Mulder? - A voz estava sonolenta e entrecortada - O que você quer a essa hora ? Realmente preza o apelido que tem. __ Quem é Langly? Frohike o fitava com os olhos apertados. __ Advinha... __ Ah há....o que foi desta vez? TOMOU DETERGENTE MULDER? ESTÁ COM DIARRÉIA? Mulder ouviu os resmungos de Frohike, mas não estava para brincadeiras. __ Langly, quero que você rastreie meu telefone e tente ver de onde veio a última ligação. Deixe monitorando a noite inteira. Langly preferiu não perguntar. Já estava acostumado com os hábitos incomuns de Mulder. Alias, o seus próprios e de Frohike não eram fadados a um estilo de vida por se dizer "correto". Apenas Byers escapava um pouco da maluquice dos três. __ Certo então, me dê alguns minutos. __ Ah, espere, chame o Frohike. Quero falar com ele. Langly olhou de soslaio para o amigo, que fez uma careta cômica. __ Fala Spooky. __ Frohike, eu não te pedi isso antes porque... __ Por acaso quer saber quem é Jeff Howdins? __ Depois a Scully me diz que telepatia é muito para o cérebro humano..- Mulder sempre tentava disfarçar o nervosismo com comentários sarcásticos. __ Eu fiz isso desde o dia que esse homem deu as caras..- Frohike resitou um pouco - ao que parece, foi colega de faculdade dela e.. __ E o que homem? - A voz de Mulder saiu quebrada. __ Ele foi um ex dela... Frohike parecera ouvir os estalos da articulação temporo- mandibular de Mulder. Ouve um longo silêncio. Finalmente Mulder falou. A voz era quase afônica. __ Certo...desculpe o incômodo..e desligou. Byers olhava crítico para Frohike, que encolhia os ombros. __ Ele não gostou nem um pouco... __ Eu falei, mas você e sua obsessão pela Scully...não se meta nesse terreno Frohike..ele é do Mulder. E você o conhece muito bem. Não subestime a impulsividade dos instintos dele. __ Ei, ele desligou? Queria falar o resultado do rastreamento... O coração de Mulder batia tão acelerado que ele sentia o corpo todo pulsar em conjunto. Seus músculos estavam tesos, gotas de suor formaram-se na testa. Mantinha os dedos das mãos cerrados com tanta força que enxergou a pele avermelhar-se, junto com a dor cortante. Entretanto, a real dor que sentia por dentro era infinitamente maior. O chão parecia ruir a seus pés. Sua confiança esvaía- se em ondas esparsas. Sentia-se fraco e impotente. Como a simples menção de um "possível alguém" entre ele e Scully o transtornava. Mas não a culpava. Já tivera tantas oportunidades de abrir seus sentimentos, apenas não o fizera por respeito a ela. Quando dera-se conta, lágrimas abundantes delineavam-lhe o rosto , até despencarem preguiçosas no vazio do quarto. Ao mesmo tempo, uma estranha sensação invadiu-lhe a mente. "Não é só isso". Não era a simples presença do homem que o preocupava. Uma premonição. Talvez por sentir-se responsável pela segurança de Scully, seu sentimento de proteção ficara tão grande que ele simplesmente previa o perigo. E pelas pontadas que o afligiram nos últimos dias, ele sabia: Scully estava em perigo. Alcançou o telefone com tamanha rapidez que quase estatelou o aparelho no chão. Seus braços tremiam. Discou frenético o número da parceira e esperou. A cada chamada não atendida, Mulder sentia seu coração apertar- se.."Por favor, atende Scully...". __ ...Scully... - a voz embargada em sono. __ Scully!!! Me..eu Deus! Você está bem? __ ..Mulder...o que você quer? São quase 4 da manhã! Estou bem sim, porque? __ Eu senti....queria saber se você estava bem. Está sozinha? O receio na voz dele foi claramente percebido por ela. __ Sim, porque? Mulder, dá-me paciência...quero dormir. Amanhã a gente conversa. O simples ressonar da voz dela em seus ouvidos o acalmaram. Mas ele ainda sentia-se desconfortável. "O que há comigo?". Pegou uma de suas revistas e deitou- se na cama. Logo o sono veio e ele entregou-se. _________________________________ QUARTA FEIRA - 7:00 AM __ Mulder, acorda! Mulder! O som metálico que vinha da secretária eletrônica parecia incomodar Mulder em seus sonhos. Ouvia distante o chamado insistente. "Mas que diabo.." __ Mulder, atende de uma vez! Mulder sentou na cama preguiçoso, esfregando o rosto com as mãos. Estendeu o braço até o fone com um gesto débil e lacrimoso. __ O que é Langly? __ Primeiro escute a fita da secretária eletrônica. E me ligue depois. Mulder obedeceu. Enquanto rebobinava a fita, viu que obteve várias ligações. Apertou play e voltou os ouvidos para o aparelho. A cacofonia de sons assustadores sobressaltou Mulder. __ Mas o que é isso? AS ligações eram curtas, de mais ou menos 40 segundos cada. Todas com o mesmo padrão de som. Mulder vestiu-se rapidamente, empunhou a fita e saiu. _____________________________________ QG DOS PISTOLEIROS SOLITÁRIOS 7:20 AM Mulder ouvia Frohike abrir a quantidade absurda de fechaduras. Segundos depois, estava imerso na bagunça dos três. Sentia-se em casa. __ O que você quer me contar Langly? Olhei a minha secretária eletrônica. Várias mensagens, todas com o mesmo padrão distorcido de sons. Não sei se conseguiremos achar algum nexo aqui...eu trouxe a fita.. __ Apenas olhe aqui. Langly apontou para a tela do computador. __ Não sei o que houve, mas o rastreamento não funcionou como deveria. Não temos a localização exata. Só podemos dizer que veio de Kansas, ou de Nebrasca. __ Isto me diz alguma coisa? __ Por enquanto, absolutamente nada. __ Langly, você e o resto dêem uma olhada nesta fita...tenho a leve impressão que esses sons não são aleatórios ou interferência..deve ser alguma mensagem decodificada, algo assim. __ Certo...mas porque logo para o seu apartamento? __ Há coisas que não são explicadas Langly...é o que eu terei de descobrir. _____________________________________________ SEDE DO FBI SALA DOS ARQUIVO X 8:30 AM Mulder esperava ansiado por Scully. Ela não era de se atrasar. Tamborilava os dedos sobre a mesa. Passava nervosamente as mãos pelos cabelos, denunciando a preocupação. Seus pensamentos estavam longe. __ Mulder, acordou cedo hoje! __ Scully? – Ele levantou-se, foi até ela e a abraçou. Scully estranhou a atitude repentina do parceiro. Sentia as emanações que saíam dele, que tinha o rosto franzido em expressão preocupada. __ O que há com você Mulder? Ontem, uma pedra de gelo. Hoje, um docinho de coco! Eu estou bem! Ele se afastou lentamente. A fitava com os supercílios contraídos. A típica expressão de cachorrinho abandonado. __ Para com isso Mulder... __ Desculpe Scully. Apenas tive uma sensação estranha ontem. Ah, quero te falar uma coisa que me aconteceu, mas antes... – ele tomou fôlego – quem é Jeff Howdins? Ela riu diante a cara que ele lhe fez ao perguntar. Contou que era um antigo colega de faculdade, que formara-se médico, e especializou-se em uma área avançada: biologia molecular, com doutorado em neurologia e genética. Estava em Washington para um congresso de Medicina, quando a encontrou correndo pelo parque da cidade. __ Mas....vocês.... – Mulder não tinha coragem para perguntar. __ Ah, Mulder!! A minha relação com ele é a mesma de você com a Diana Fowley, quer dizer, pelo menos de minha parte. Nenhum sentimento maior, mas apenas afeto. Uma pessoa boa, lembranças boas, por assim dizer. Mulder ainda continuava com olhar levemente contrariado. Scully olhava diretamente para os olhos verde azulados brilhantes, um pouco apertados. Sentia que Mulder queria lhe falar mais, mas não forçaria, pois também passara por situações iguais inúmeras vezes. __ E aí, o que você tem para me contar? Mulder relatou a experiência com o telefonema, os sons da fita e a ida aos pistoleiros. __ Estranho Mulder...todas com o mesmo padrão? Quero ouvir essa fita depois. __ Claro, mais tarde iremos juntos até lá para ver os resultados. O tilintar baixo do celular de Mulder desconcentrou-os. __ Mulder. __ Ag. Mulder, aqui é Skinner. Tenho um caso novo para vocês. Escabroso. A Ag. Scully está com você? __ Sim Senhor. O que devemos fazer? __ Venham imediatamente ao Memorial Hospital de Washington. Os espero na recepção. _____________________________________________ WASHINGTON MEMORIAL HOSPITAL 9:00 AM Skinner avistou os dois agentes vindo apressados em sua direção. Expressões equivalentes. __ Ag. Scully, acompanhe-me à sala de autópsias. Ag. Mulder, não fale nada, apenas me escute. Enquanto encaminhavam-se para o referido local, Skinner esclareceu o ocorrido. O hospital recebera de madrugada o corpo aparentemente morto de um homem, nas portas da emergência. Não sabiam como havia aparecido ali. A pele pálida e fria demonstrava morte, mas quando tentaram uma última tentativa de ressucitação, descobriram que o homem estava vivo. Os batimentos estavam tão fracos que eram praticamente imperceptíveis. Depois de 2 horas compilando, o indivíduo desfaleceu. Durante todo o tempo, gritava sons estranhos e revirava os olhos. A autópsia ainda não fora feita. __ Isto é quase impossível Senhor! - Scully franzia as sobrancelhas em desacordo. __ Não desacredite em tudo o que ouve Scully... - Mulder respondia. __ Ag, Scully, também estou achando isto muito estranho. Bom, não tiraremos conclusões antes da autópsia. Na sala, Scully vestia o avental, a máscara e as luvas. Skinner e Mulder observavam. Retirando o lençol, Scully avistou o corpo. Haviam fios de sangue que haviam escorrido do nariz e ouvidos. Ela voltou os olhos confusos para os dois. __ Quando o corpo foi deixado aqui, ele estava assim? __ Assim como, Ag. Scully? __ Olhe. Sangue escorreu pelas narinas e ouvidos. Ainda está quente. Isto não deveria acontecer. A quanto tempo se deu a morte? __ Foi às 6:00 AM. Agora são 9:16 AM. Mais de 3 horas. __ Impossível.... - Scully continuava olhando para o sangue vivo contrastante na tez cadavérica. - Terei que abrir a caixa craniana também. Mulder olhou para Skinner com expressão refuta. Skinner rebateu, com nojo. Resolveram deixar Scully em companhia de seus cadáveres, sozinha. __ Scully, irei discutir melhor com Skinner aqui fora..boa sorte aí. __ Homens...se acham a raça forte, mas no fundo são fracos e medrosos. ____________________________________ 40 minutos depois.. Mulder esperava aflito. Scully não demoraria tanto p/ examinar um morto. Mas não queria entrar. Isto poderia quebrar sua concentração. Mastigava nervoso suas sementes de girassol, diante ao olhar confuso de Skinner. "Como é que ele consegue comer comida de ramsters..". A súbita entrada de Scully no corredor sobressaltou-os. Ela tinha o olhar estalado, os lábios entreabertos. "Essa é a expressão de pânico dela.." pensou Mulder. __ O que houve Scully? __ Mulder... - Ela desabou ao seu lado no banco. - Meu Deus... __ Acalme-se.. - Mulder a abraçou, ignorando os olhares inquisidores de Skinner sobre eles. __ O que vi foi.. - ela parecia assustada - o cérebro...não havia mais...só uma espécie de líquido viscoso sanguinolento. __ O que? O cara estava sem cérebro? Como? Você examinou os órgãos também? __ Sim, sim, estavam liqüefeitos, como que atacados por alguma febre hemorrágica. Você precisa ver Mulder. - Ela levantou-se e o puxava pelo braço. __ Não Scully, eu acredito em você. Recolheu o material para análise? __ Sim, vou passar no laboratório de patologia forense agora. ___________________________________________ PRÉDIO J. EDGAR HOOVER SALA DO PORÃO 11:00 AM Mulder esperava Scully voltar do hospital. Ele fora encarregado de descobrir quem era o pobre indivíduo. Mas não encontrara nada. O homem estava sem documentos, e, estranhamente, não tinha impressões digitais. Ouviu, ao longe, os estalidos dos sapatos dela apressados no assoalho frio do corredor. __ Mulder, saíram os resultados daquela substância. __ Porque não me ligou Scully? __ Preferi vir até aqui para te contar pessoalmente. E o carro está comigo. Olhe só: aquele plasma viscoso que encontrei na caixa craniana do corpo.. - ela tomou fôlego - são neurônios liqüefeitos. __ Quer dizer que o cérebro dele implodiu? Mulder não conseguia conter o sarcasmo. __ Não brinque Mulder! Qual é o seu problema? Tudo bem, temos somente um corpo. Mas as condições da morte enviam-se para um possível Arquivo X. Mulder assentiu com os ombros. Nesse momento o celular dela toca. __ Scully. Mulder ouvia desconfiado a conversa. No instante em que atendera, Scully afastou-se dele, e gaguejou um pouco, sinal de que queria esconder alguma coisa . __ Certo Mãe, já passo aí. __ Quem era Scully? Pequenos sulcos formaram-se na testa dele. __ Ah, era a minha Mãe. Está com problemas em casa. Bill deixou as crianças lá e ela não está conseguindo controlá-las. __ Sei....e, você vai para lá, eu suponho... __ Isso mesmo. __ Scully, você está se contradizendo! E o suposto caso em mãos? Vai sumir logo agora? Esta história de ir ajudar sua mãe não cola Scully! Quantas vezes a chamei quando estava em almoços de família, e você nunca recusou de vir! A face dela ruborizou e seus olhos azuis faiscaram. __ Pois não acho que lhe devo satisfações da minha vida Ag. Fox Willian Mulder! Saiu apressada da sala, esvoaçando a capa que vestia. Ele permaneceu intrigado por alguns segundos. Resolveu segui-la. Sabia que ela mentira, o que não era de seu feitio. Realmente não gostava de Ter que invadir a privacidade da parceira, porém sentia ser necessário. Seguia Scully a uma distância segura, em um taxi. O sedan azul parou em frente a uma cafeteria. Mulder pagou o motorista e saiu sorrateiro. Qual não foi a sua surpresa ao ver Jeff Howdins esperando-a. __ Esse cara de novo! Ele não estava disposto a aborrecer-se mais ainda. Não iria resultar em nada além de desavenças com ela. E Scully tinha razão: a vida particular dela não lhe era permissiva de um guarda costas lunático. Resolveu falar com os pistoleiros. Quem sabe não descobriram algo mais sobre as misteriosas ligações. _________________________________ A mulher o fitava com tristeza e apreensão. Tocava seu rosto com as mãos delicadas, porém gélidas. O ar estava pesado, quase irrespirável. Ele não sentia mais as extremidades. Ela agora distanciava-se cada vez mais. Diante deles, uma luz forte arrefeceu. Silhuetas magras e esguias eram vistas contra a claridade faiscante. Podia-se notar uma imensa sombra, logo acima da luz. Na lateral, muito nebulosa, o homem avistou as palavras IN GENEC. Toda a sua atenção vinha de encontro às figuras fantasmagóricas que aproximavam-se. Ele voltou os olhos ao seu redor, mas a mulher não estava mais ao seu lado. A dor lancinante infringiu-se em seu peito, e ele pode avistar ela ser levada para junto da luz. Queria gritar, com toda força, mas não conseguia. Queria mover-se, correr até ela, mas suas pernas estavam coladas ao chão etéreo. Não se podia mais fazer nada. Apenas olhava em pânico a mulher esvair-se por entre as nuvens nebulosas e luzes cegantes, com a face contorcida em desespero e dor. __ Nãooooooo!!!! Mulder sobressaltou-se com o próprio grito. Estava encharcado em suor. Sua respiração era difícil, o coração batia descompassado. Ainda podia avistar o rosto da mulher..o rosto de Scully. Pulou da cama apressado, pegou um pedaço de papel e escreveu "IN GENEC". "O que isto significa?" Olhou para o rádio relógio: 5:45 AM. O Sol despontava aos poucos, iluminando o céu com nuances arroxeadas. Resolveu ligar para Scully, mesmo sabendo a reação da parceira diante a um novo telefonema inoportuno. __ Aqui é Dana Scully, não posso atender agora. Deixe seu recado após o bip. Scully não atendera. Mulder sentiu uma fisgada abaixo do estômago. Tentou de novo. Nada, novamente a voz metálica da secretária. O pânico tomou conta de seu corpo, que tremia em espasmos musculares involuntários. Tropeçou nos sapatos e caiu no chão duro. Levantou-se tão rapidamente que cãibras afligiram suas pernas. Enquanto esperava a dor passar, pensava no sonho. Decidiu ir a casa de Scully o mais rápido possível. ___________________________ GEORGETOWN QUINTA FEIRA 6:00 AM Naquela hora da manhã Mulder pode perceber que Washington era uma cidade que pouco dormia. Era estranho ver as ruas apinhadas aquela hora da manhã. Chegou no apartamento de Scully e bateu na porta. Mesmo tendo a chave, tinha o costume de bater primeiro, assim como ela. Não houve resposta. Tirou do bolso a chave e abriu a porta. Seus olhos correram lacrimejantes pelo apartamento. Tudo no lugar. Mulder correu até o quarto, na esperança de a ver dormindo solene na cama, que não atendera aos seus chamados por estar em sono profundo. Logo a desilusão veio. A cama estava arrumada, nenhum sinal dela. Mulder ainda revistou cada peça do lugar, na esperança de achá-la. Nada. Foi até a secretária eletrônica. Algumas mensagens da Sra. Scully, e as últimas de Jeff Howdins. A última mensagem ele prestou melhor atenção. " Dana, por favor atenda. Preciso me encontrar com você. Tenho uma descoberta científica que ..."e a ligação foi cortada. Provavelmente ela atendera, pois o tempo da mensagem não havia extinguido. Sentiu o torpor subir pelas pernas, até invadir o corpo todo. A sensação de pânico novamente lhe embargava a mente. Teria de achá-la. "Ela pode Ter-se encontrado com ele e.. não, não é isso". Pegou o celular na mão e novamente ligou para os pistoleiros. Pediu o endereço de Jeff Howdins. Em minutos encontrava-se no imponente hotel Plaza de Washington. Chegando a recepção, perguntou por Jeff, e a resposta que obteve fora a que tenciona ouvir: "Ele partiu ontem a noite Senhor". Sem mais respostas. _________________________________________________ 30 HORAS DEPOIS Novos corpos haviam aparecido, tanto em Washington, como em outras cidades do país: New Orleans, El paso, Salt Lake City e Minneapolis. Não havia nenhuma correlação com as cidades. Mulder analisava os poucos dados advindos, mas não conseguira nada de concreto. E Scully continuava desaparecida. Olhava desolado para a sala do porão, sem a presença organizada dela. Sentia-se tolo. A localização de Jeff Howdins não era exata. Vivera em Los Angeles, por algum tempo, mas misteriosamente, ninguém mais sabia seu paradeiro. "Como? Um geneticista famoso desaparecer assim?" Haveria a hipótese de seqüestro, mas Mulder sentia que não. E as ligações que pedira para os pistoleiros analisarem, realmente não tinham nexo. Mulder estava com os pés e mãos amarradas. " IN GENEC". Escrevia a palavra repetidas vezes sobre folhas de papel amareladas. Procurara em arquivos, internet, tudo, mas não encontrara nada a respeito de "In Genec". Olhou para o mapa dos EUA colocado em uma das paredes. De repente seus olhos brilharam. Alcançou uma caneta e régua e diante do mapa, traçou linhas. Pensava se a descoberta não eram devaneios seus. "Não, não pode ser coincidência". Rapidamente pegou suas coisas e saiu. _____________________________ SEXTA-FEIRA - 5:20 PM KANSAS CITY, KANSAS O celular tocava em som abafado. Mulder alcançou o aparelho e atendeu. Era Langly. __ Onde você anda Mulder? __ Kansas City. __ Mulder, o Skinner não vai gostar disto. Você avisou? __ Liguei e deixei mensagem. __ O que está fazendo aí? __ Não me pergunte Langly, mas eu sinto que sei. Primeiro, pegue o mapa político dos EUA. Não pergunte porque. Assinale as cidades de Washington, New Orleans, El Paso, Salt Lake City e Minneapolis. Traçe linhas cruzadas entre elas, como uma estrela de cinco pontas. Agora veja o ponto de correlação. __ Bom, Kansas City é o centro entre essas cidades. Mas esse raciocínio é quase infantil Mulder. __ Espere..lembra que eu te falei da palavra que vi em meus sonhos? IN GENEC? Não sei como , mas meu cérebro elaborou um estúpido anagrama. Trata-se de GENE. INC., uma potência mundial em pesquisas médicas avançadas. Antes passei em casa e procurei na internet a empresa. O que vi apenas veio de encontro com as minhas hipóteses. __ O logotipo da empresa é uma estrela de cinco pontas estilizada.. - Langly ouvia estupefado, correlacionando a possível localização das ligações estranhas. Vieram do centro do país, possivelmente do Estado do Kansas. - Certo, mas o que pensa que irá fazer aí? __ Encontrar Scully. Mulder chamou um taxi e disse ao motorista a direção em que queria ir. O homem olhou de soslaio para ele, apertando os lábios. Mulder viu a expressão estranha, quis perguntar, mas o homem antecipou-se. __ Gene. Inc....essa empresa é uma potência..e também assustadora. Mulder ouviu o comentário, e direcionou o corpo para frente para ouvir melhor. __ Como assim? __ As pessoas falam que essa empresa faz experiências com mutantes...mas tudo isso é crendice popular. Isto porque a empresa mantém suas experiências guardadas a sete chaves. Ninguém entra lá sem ser convidado ou ter autorização. O governo tem altas bancas por lá. O Taxi começou a se afastar do movimento da cidade e, em pouco tempo, encontrava-se quase fora do perímetro urbano. De longe Mulder pode ver a suntuosa construção futurista, iluminada por fortes refletores. A arquitetura era estranha, como se o prédio estivesse perfurado por enormes estacas metálicas, mas era fascinante. No gramado impecável, uma grande estrela estilizada com o nome da empresa GENE. INC. em formas pomposas. Tudo levava a crer a intimidação do povo. Mulder pagou o motorista, que saiu rapidamente, parecendo demonstrar receio pelo lugar. Caminhou até um aglomerado de árvores e ficou a observar o local. Não seria fácil de entrar. Todo o perímetro era protegido por cercas eletrificas a 10.000 voltz, e podia-se ver claramente homens fortemente armados na entrada do prédio. Perguntou-se se Scully tinha razão sobre sua impulsividade. Estava tão concentrado nas descobertas que não arquitetara um plano para conseguir entrar lá. "Estúpido.." pensou. O som de pedras quebrando-se no chão o fez voltar os olhos para a estrada. Um Bentley preto aproximava-se lentamente. Parou. Enquanto um homem saía do carro, indo até o portão, Mulder correu até o veículo. Tentou o porta malas. Aberto. Entrou rapidamente, sem trancar a porta. Sentiu o carro se mover lentamente. Pronto. Estava feito. Agora teria que agir rapidamente, antes que o descobrissem. ____________________________________________ LUGAR DESCONHECIDO A sala estava em meia luz, delineando formas fantasmagóricas nos homens ali presentes. Tinham nos rostos expressões preocupadas e resitantes. Um deles era jovem, não muito alto, com olhos verdes desafiadores. Vestia- se informalmente, sobrepujando aos homens olhares inquisidores. __ O que está acontecendo? Os corpos não poderiam ter aparecido nas cidades satélites. Nenhum deles deveria aparecer. __ Pois existe alguém infiltrado na corporação que está colocando nossos planos a perder. - Era o jovem homem que falava. Todos se fitaram desconfiados. __ O FBI está novamente nas investigações. O caso foi parar nos Arquivos X, devido ao tipo de morte. __ Enquanto a isto, ainda temos controle. A parceira de Mulder foi retirada. Sem ela, Mulder perde o curso da investigação e passa a procurá- la. Neste meio tempo, conseguiremos concertar o estrago e achar o traidor. - Os olhos verdes fulguravam. __ Não subestimem Mulder...sabemos o que aconteceu daquela vez em que a retiramos dela. - A voz mansa e pausada vinha de um dos membros da sala, que com o sorriso enigmático, realçava-lhe os fundos sulcos do rosto. Soltava longas baforadas enquanto fumava um cigarro após o outro. - Mulder não encontra-se mais em Washington. Todos voltaram os rostos para o homem, que ainda tinha um leve sorriso nos lábios ressequidos. __ Um informante o seguiu. Está em Kansas City. ___________________________________________ Mulder agora encontrava-se no estacionamento interno do prédio. Saiu sorrateiro da mala e caminhou até uma pesada porta metálica. Observou. Não havia ninguém. Tentou a porta. Trancada. Não conseguiria entrar sem um cartão de identificação. "Droga..". Foi até uma das paredes obscuras do estacionamento e sentou. Tinha de pensar em como entrar no prédio. Ou esperar que algum funcionário entrasse para ele abordá-lo. Passada meia hora, Mulder já havia verificado meticulosamente o local. A única saída era o portão dos carros, que só abria com o comando do guarda que se encontrava na rua. A entrada para o prédio era a fatídica porta. Estava cansado de esperar. O ruído do portão sobressaltou Mulder, que escondeu-se atrás de um dos carros. Um Mercedes entrava silencioso no estacionamento. Mulder pode ver que apenas uma pessoa dirigia. "É agora". Caminhou agachado até perto de onde o carro estacionara. Um homem baixinho e atarracado, rosto redondo, cabelos grisalhos e ralos, denunciando a calvície, com expressão estressada saiu do veículo. Caminhava apressado, sem perceber o homem alto e esguio que o seguia. Mulder não queria fazer, mas era preciso. Deu uma coronhada na nuca do homem, que desmaiou imediatamente. Carregou-o com facilidade para o dentro do magnífico Mercedes. Revistou o carro. Não encontrou nada. Achou o cartão e os documentos no bolso do casado. "Jason Creig". Mulder ainda vestia as roupas do FBI. "Pelo menos isso." Pegou o cartão e os documentos de Jason e foi em direção à porta. ________________________________________ Scully olhava perplexa a movimentação frenética que vinha pela soleira da porta. A sala em que se encontrava estava um breu total. Não havia nada ali, a não ser ela. As últimas lembranças que tinha era de estar jantando com Jeff. Depois, o vazio. "Não, não foi Jeff. Algo aconteceu com nós dois." De repente, a porta se abre em um rompante, revelando a sombra de um homem enorme. Mais outros dois homens aparecem diante dela. __ Ela precisa falar. __ Certo, você sabe o que fazer. O homens saíram e apenas o maior ficou a fitá-la. Scully sentia a noradrenalina percorrer os receptores do seu corpo de uma maneira tal que seus músculos tremiam , prontos para a defesa. A porta fechou-se, e novamente a escuridão envolvia a sala. Scully tinha a respiração entrecortada, os olhos arregalados a fitar o nada. Encolheu-se em uma das paredes, ouvindo os passos ameaçadores vindos em sua direção, a raiva saindo em ondas do corpo musculoso do homem. Ela não poderia fazer nada, a não ser esperar o inevitável. ________________________________________ Mulder olhava absorto o grande montante de pessoas que trabalhavam no prédio. Não parecia nada de anormal por ali. "Por que fazem tanto mistério". Viu um dos elevadores se abrirem e dois homens saírem. Entrou e este passou a descer. O elevador parou em uma saleta, não muito grande. Haviam vários trajes azuis pendurados. Mulder entrou e vestiu um deles. Quando voltou ao elevador, este emitiu uma luz verde e passou a descer novamente. "Interessante..". A porta se abriu e Mulder deparou-se com um longo corredor bem iluminado. Haviam várias portas. Caminhava pausadamente, passando os olhos pelos vidros das entradas. Laboratórios e mais laboratórios. "O que fazem por aqui?" resolveu entrar em um deles. A peça era grande, bem aos moldes de laboratórios médicos que ele já vira em hospitais avançados, junto de Scully. Mas haviam máquinas desconhecidas para ele. Caminhou até avistar outra porta, esta grande e pesada, com dispositivo de identificação. Passou o cartão e a porta abriu-se lentamente. Os olhos verde azulados secaram, não conseguindo piscar. Mulder sentiu a garganta seca, o estômago revirar. Firmou os braços nos joelhos, procurando equilibrar-se. A sala era digna de um livro kafkaniano ou um terror de Stephen King. Vários tubos enormes, unidos em fileiras simétricas, que iam do chão ao teto ocupavam a sala. Dentro dos mesmos, criaturas incomensuráveis. Mulder entrou resitante, expressando o horror que enxergava. Animais misturados, com vários olhos e patas, outros com as vísceras aparentes. Caminhando por entre os tubos, segurando a boca com uma das mãos, Mulder olhava apavorado. Mais ao fundo, deparou-se com tubos separados dos outros. Dentro deles, algo que pareciam seres humanos, em situações parecidas com os animais dos tubos anteriores. " O que é isso?" Ouviu novamente a porta abrir. Dois homens entraram. Mulder encostou em uma das paredes e, deslizando pela periferia da sala, chegou até a porta antes que fechasse, passando despercebido pelos dois homens. _________________________________________ A dor que lhe atingia um dos ombros era pungente. Ao abrir o olhos, viu-se em uma sala de paredes alvas. Sentiu uma das omoplatas quebrada, e talvez algumas costelas. Tentou se mover, mas percebeu estar amarrada a cama. Não tinha campo de visão além do teto do recinto. O silêncio imperava. Fechou os olhos e recordou o que acontecera. Estava em uma sala escura, quando um homem gigantesco a espancou. Perguntava-lhe sobre o que sabia, sobre o que Jeff teria contado a ela. Mas ela não sabia de nada. Lembrava que Jeff queria lhe contar algo, mas não teve tempo. Mas lhe contar o que? Ouviu a porta se abrir e passos aproximarem-se dela. Novamente o pânico a tomou. Gritos desesperados ecoaram pela sala, pedindo por socorro. O homem simplesmente ignorou-os. Trazia em uma das mãos uma seringa. Tateou o braço dela, que tentava em vão debater-se. Ao passo que injetou o líquido, Scully sentiu seus sentidos embaralharem, a visão turvar e o estômago revirar. _______________________________ Mulder passara por outros laboratórios, e não encontrara nada que pudesse remeter à Scully. "Ela não está aqui". Entrou novamente no elevador, tirou a roupa de proteção e subiu ao andar térreo. Os laboratórios eram subterrâneos. Todo o prédio era uma fachada diante a experiências tenebrosas que faziam ali. Andou por dezenas de corredores, tentando evitar os guardas e pessoas. Não encontrara nem vestígio dela. "Qual a ligação? Porque as ligações partiram daqui? E como?" Mulder tinha muitas perguntas, mas nenhuma resposta. Começou a cogitar que tudo era uma cilada, para distraí-lo, enquanto levavam Scully para outro lugar. Ou não? Mulder sentia-se confuso. Seu celular tocou, e ele apressou-se a atender. Correu até a garagem, para evitar ser interpelado. __ Mulder __ Ag. Mulder, o que você está fazendo em Kansas City? - A voz de Skinner estava ríspida. __ Senhor, descobri algumas coisas aqui, sobre a empresa Gene. Inc. __ Gene. Inc.? Mulder, essa é uma das maiores empresas médicas do mundo, de alta tecnologia. __ Sim, só que essa tecnologia está sendo usada de forma errada! Senhor, não tenho certeza se a linha é segura, não posso falar mais. Mulder desligou o telefone e colocou-o no bolso. Tinha vontade de sair dali, mas alguma coisa dizia-lhe para ficar. Entrou novamente e passou a esquadrinhar o primeiro andar. Passou pelo elevador que havia entrado anteriormente. Assim como a fachada, o prédio, interiormente, era igualmente fascinante. A modernidade estampada em cada milímetro do lugar deslumbrava até o cientista mais sisudo. Mas Mulder não poderia ater-se aos detalhes arquitetônicos. Caminhou até outro elevador e desceu. Novamente, este parou em outra saleta de vestimentas. Só que desta vez haviam máscaras e luvas, além do avental e protetor de sapatos. Entrou no elevador e acionou o último andar. Em determinado andar, o elevador parou e uma voz metálica ressoou: Acesso Negado. A porta abriu. Os andares abaixo não eram permitidos. Teria que verificar por ali mesmo. Entrou e olhou. O corredor estava vazio, não ouvia-se um murmúrio sequer. Caminhou até uma das portas e entrou. A sala tinha o aspecto de necrotério. As paredes eram os típicos refrigeradores. Foi até um e abriu. Divisou um corpo humano como o que Scully analisara. __ Mas o que está acontecendo por aqui? Que tipo de experiências estão fazendo? Mulder fechou a gaveta e saiu. Observou as outras portas, mas não viu nada de significativo. Sentia estar perdendo tempo. Scully não estava ali. "Mas e a correlação das ligações, as cidades? " Mulder repensava se toda a sua descoberta não estaria errada, toda a sua procura, em vão. Correu até o elevador e entrou apressado. Retirou a roupa, passou pela descontaminação, e retornava para o primeiro andar. "Isto tudo está muito conveniente, muito fácil". Ajeitou seu casaco e camisa, enquanto esperava a porta abrir. Olhava pensativo para o chão, matutando sobre suas idéias. Quando deu o impulso para sair alguém o empurrou para dentro do recinto novamente, enquanto a porta fechava-se. __ Mas o que.... __ Desculpe-me Ag. Mulder. Mas é preciso. Mulder direcionou seus olhos surpresos para a entonação conhecida. O homem mantinha o mesmo sorriso enigmático que lhe era notório, emoldurando o rosto marcado pelos anos em convívio com a nicotina. __ Você!! Seu verme! - Os olhos verdes faiscavam de repulsa, enquanto Mulder empurrou o homem contra uma das paredes do elevador, pressionando o frio cano da arma contra a têmpora flácida do oponente. __ Calma Ag. Mulder....se me matar, nunca encontrará sua parceira...além do mais que não sairá vivo daqui...ou você pensa que passou despercebido? __ Onde está a Scully?? O que vocês fizeram com ela de novo? Já não bastasse esterelizá-la pelo resto da vida, provocar um câncer para angariar testes escusos para seu governo sujo e contaminá-la com vírus alienígena? O que pretendem fazer desta vez, ãh? Canceroso apenas o fitava inquisidor, enquanto tragava profundamente, soltando a baforada cancerígena nos olhos de Mulder, que afastou o rosto quando os sentiu arder. Sabia que atitudes como aquela provocavam ainda mais a ira de Mulder. E ele gostava disso. __ Quer saber onde a sua parceira está Ag. Mulder... __ A troco de que irá me ajudar em seu rato sujo! __ Preciso de uma coisa sua.... Mulder voltou-se, apoiando o corpo com o braço em uma das paredes, em quanto o outro, ainda com a arma em punho, passava por sua nuca em sinal de reprovação. Novamente apontou a arma para Canceroso, que continuava com a mesma expressão. __ De jeito nenhum. Canceroso tragou novamente, apertando os olhos em direção aos de Mulder. Não disse uma palavra. Quando destravou o elevador e a porta abriu, saiu calmamente, a passos lentos. Mulder o fitava atônito. Não poderia ficar assim. __ Espere... __ Está disposto a conversar Ag. Mulder? Mulder deu de ombros. Dirigiram-se para o estacionamento. __________________________________________________ LONDRES 3 DIAS DEPOIS SEGUNDA-FEIRA - 8:00 AM O Sol matutino despertava a bela cidade museu, tão conhecida. Parques como o Hyde Park, o mais famoso e imponente, junto com Regents, Greenwich, Battersea, Wlimbledon, Richmond, Kew Gardens, Hampton Court e Hampstead coloriam a cidade com fulgurantes cores outonais, que iam do amarelo ocre ao vermelho vivo. A grande mistura arquitetônica, que misturava a arte romana, passando por gótica, barroca, normanda, neogótica, art nouveau, chegando ao High Tech futurista do século XXI dava à cidade um aspecto de impressionante altivez. As ruas largas, arborizadas, os impressionantes museus que a caracterizavam, nada disso chamava-lhe a atenção. O sedan preto passava rapidamente pelas ruas, ignorando as belezas naturais de Londres. A expressão de angústia, misturada ao medo, escondia-lhe as belas feições do rosto. Bagas de suor escorriam pelas têmporas e testa, molhando os finos fios castanhos que caíam displicentes. A sensação de leve dormência atingia-lhe as extremidades dos dedos. O pavor crescente ia tomando conta de seu ser, a cada novo sintoma revelado. A substância desconhecida percorria sua corrente sangüínea rapidamente, e não tardaria a penetrar-lhe todas as células de seu corpo, que as poucos eram tomadas pelas proteínas desconhecidas. O nervosismo era tamanho, que ele quase não controlava mais suas funções motoras. Seus músculos tilintavam involuntariamente, revelando a descarga anormal de noradrenalina. Teria de ser rápido. As horas que lhe foram ministradas passariam rapidamente, definindo o seu desfecho final mortal. Logo que saíra do prédio da Gene. Inc., acompanhado pelo Canceroso, Mulder estava disposto a aceitar a oferta que o homem lhe oferecera: deveria resgatar alguma coisa que ele não sabia o que, em troca de Scully. Mulder pensara muito naquela noite, e resolvera que correria qualquer risco para salvá-la, mesmo sabendo ser arriscado demais. No outro dia, procurara Canceroso no local indicado: um prédio antigo na periferia de Kansas City, parecendo ser abandonado. Com a arma em punho, entrou cautelosamente, entreabrindo a porta enfraquecida pelo tempo. Mas antes mesmo de reagir, sua visão escureceu e ele não viu mais nada. Acordou em uma sala branca pequena, onde as únicas coisas ali presentes eram a cama de ferro e ele. Ouvia os sons dos aparelhos interligados à seu corpo. Sentia estar levemente dopado, pois não tinha completo controle de seus movimentos. Depois de esperar alguns minutos, percebeu a presença de alguém na sala, mas não conseguiu enxergar. Apenas sentiu a picada em seu braço, e logo seus sentidos embaralharam, junto com a sensação nauseante e incipiente. Mais tarde, novamente acordava do entorpecimento induzido. Desta vez, estava em uma sala de finamente decorada. A sua frente, o homem responsável por tudo o que havia acontecido. Sua conhecida expressão calma e inquisidora já era suficiente para despertar em Mulder as mais refutas sensações. Ele sentia-se estranhamente entorpecido. __ Ag. Mulder, quero que escute com atenção. A medida que Canceroso expunha o plano calmamente, Mulder estarrecia-se com as palavras assustadoras do homem. Ele esclarecia todas as perguntas que Mulder queria encontrar no caso. O que era de se desconfiar. Os corpos encontrados nas diversas cidades americanas, o que não deveria Ter acontecido, foram submetidos à um novo vírus, um retrovírus, descoberto recentemente pela organização. A empresa contratara os melhores geneticistas para descobrir a seqüência de bases do RNA viral, que agia com a conhecida transcriptase reversa, ligando-se ao DNA celular e mudando sua configuração para a produção de proteínas desconhecidas. Depois de decorrida a primeira fase, o vírus acabava por ativar o gene alienígena inativo, existente em todo ser humano. Este era realmente o objetivo da empresa, porém, algo de inesperado aconteceu: o gene ativo, completamente sem controle, impedia o vírus de produzir suas proteínas necessárias. Mas ao invés do vírus sucumbir, este ativava o sistema imunológico do infectado de uma maneira tal que acabava por atacar as suas próprias células. Depois de instalada a guerra metabólica, em trinta horas o corpo desvanecia. E Mulder fora infectado. Junto com Scully. __ O seu objetivo Ag. Mulder, é conseguir uma substância que uma grande empresa londrina sintetizou. Com ela, conseguiríamos controlar o ataque do vírus, assim como o gene alienígena. __ Por que? Para vocês produzirem mais rápido os híbridos e iniciarem a colonização? Negativo! __ Possui raciocínio rápido Ag. Mulder...a escolha é sua...morrer lentamente com dores horrendas, sentindo seus órgãos desmancharem-se, ou lutar por sua cura e de sua parceira. Lembre, os tecidos dela estão mais infectados que os seus...o tempo está correndo... __ E deixar que a colonização inicie?? Todos nós morreríamos! Não vejo vantagem alguma! - Mulder tentava esconder a agonia que sentia por dizer aquelas palavras. Se fosse assim, deixaria Scully morrer, assim como ele. E ele não poderia fazer isto. Porém, a humanidade dependia de sua escolha. E isso parecia causar-lhe mais dor e temor do que o vírus mortal que espalhava-se por suas entranhas. Mas ele já sabia a sua escolha. _____________________________________________ A mente entorpecida por dores pungentes tirava a atenção do movimento intenso ao seu redor. A luminosidade de onde encontrava-se era tamanha que feria os seus olhos. Agulhadas percorriam as terminações nervosas de todo o seu corpo, dando-lhe a sensação de estar envolta em milhares de agulhas enormes que perfuravam-lhe a pele. Seu sistema digestório estava revolto, e náuseas inconjugáveis atingiam-lhe por completo. O gosto de fel vinha-lhe à boca continuamente, torturando-a com espasmos involuntários de seu estômago. Todas essas sensações lacrimosas atingiam Scully de uma só vez. Ela não entendia o que lhe ocorria. Sua mente racional tentava achar uma explicação plausível para o turbilhão se sensações angustiantes e terrivelmente dolorosas. Pensava estar sofrendo de alguma septicemia grave, mas não estaria consciente caso isto realmente acontecesse. Não sentia mais as extremidades de seu corpo. Seus braços e pernas estavam em permanente parestesia, quase insuportável. Scully apenas tinha em mente o que acontecera, pois não lembrava de coisa alguma. "Por favor..Mulder...onde você está..?" ______________________________ _____________________________________________ O carro passava pelas ruas movimentadas do centro londrino. Turistas e pessoas alegres tiravam fotos e conversavam animadas. Mulder avistou a construção que deveria invadir: o suntuoso e impressionante império Jankforth Enterprises. Os 5 prédios , em forma de pirâmides rombas, eram totalmente espelhados. O primeiro, era mais baixo, com cerca de 30 andares, e também com base mais larga. O segundo, mais alto e com base menor, e assim sucessivamente, até chegar ao quinto prédio, com mais de cem andares, altíssimo e perigosamente estreito. A forma na qual estavam dispostos ao chão era um deleite a mais para se observar: os prédios formavam uma espiral irregular, vista de cima, interligada pelas pontes aéreas que passavam de um prédio à outro. O símbolo da Empresa. Mulder olhava, impressionado com a ousadia arquitetônica. Perguntava-se como entraria ali. Com as informações que Canceroso lhe enviara, ele soube que os dois primeiros prédios eram passíveis de visitação. Os outros três, principalmente o mais alto, não tinham acesso pelo chão, mas sim pelas pontes, e seria quase impossível penetrar pela segurança. A identificação era feita pela retina. Ele não poderia se passar por algum funcionário. Voltou os olhos para as pontes, imponentes e igualmente futuristas, de estrutura metálica e espelhos, tal como os prédios. Observou melhor e estrutura. No mesmo instante, sua mente clareou, e ele soube como entrar. ___________________________________ JANKFORTH ENTERPRISES 5:30 PM __ Observem a estrutura dos laboratórios, que contam com o que há de mais avançado para a produção de medicamentos...agora entraremos na ala de pesquisas sobre os princípios ativos... A voz suave e sedutora da recepcionista guia ressoava pelas instalações do segundo prédio. Um grupo de mais ou menos 20 pessoas, vestidas adequadamente, acompanhavam com olhos curiosos e gravadores em mãos o que a mulher dizia. Entre o grupo, um homem alto e atlético, vestindo um terno preto, camisa branca, gravata de cores escuras e uma capa preta encontrava-se alheio às explicações da mulher. Seus olhos verde azulados, emoldurados com leves manchas escuras ao redor das pálpebras inferiores, perscrutavam a porta que dirigia-se às escadas. Em dado momento, seguiu até lá e entrou despercebido. Mulder desceu rapidamente os lances até chegar à garagem. Teria de encontrar a porta de acesso à subestação das pontes. Era onde instalavam luzes de decoração, e também por onde passavam tubulações. Sentiu a vibração do telefone e atendeu. __ Mulder. __ Ag. Mulder... - a voz imediatamente reconhecida o aborreceu. - decidimos ajudá- lo a encontrar o que queremos. __ Não estou gostando disto... __ Não tem escolha Ag. Mulder. É matar ou morrer. Obtivemos a planta dos prédios, a alguns códigos de acesso. Precisará saber por onde está indo..aliás, como pretende entrar? __ Já entrei. Estou no segundo prédio. Pretendia entrar nos outros pela subestação das pontes. Só preciso encontrar a entrada para as tubulações. Escutando as informações, Mulder voltou pela entrada da escada e olhou na pequena ante-sala antes de entrar no primeiro andar. Avistou a entrada metálica, com acesso por senha. __ Encontrei. Mulder digitou a senha rapidamente, enquanto tamborilava nervoso os dedos sobre a porta. Quase não os sentia mais. Avistou uma estreita escada paralela à parede. Não enxergava o fim da mesma. O sol desaparecera no horizonte e a noite pairava aos poucos na cidade. Ele começou a subir, e sentiu uma leve vertigem. Continuou, até chegar em frente a uma pequena abertura, também trancada a senha. Levou vários minutos para transpor todo o caminho, descansando em intervalos para retomar o fôlego. __ Não terás problema de chegar até o quinto prédio. O problema será passar pelo sistema em que se encontra, pois este está separado das instalações, justamente para evitar que eventuais técnicos consigam livre acesso às informações secretas. Mulder digitou outra senha e abriu a portinhola. O vento gritante atingiu- lhe a face como facas cortantes. Estava a quase trinta andares do chão. Olhou em frente e divisou apenas um corredor estreito, com estrutura de aço, recoberto intercaladamente por vidros espelhados. Não poderia tocar nos vidros, que estilhaçariam com o seu peso. Deveria tomar cuidado apenas em tocar nas finas astes que sustentavam a estrutura. Sentiu forte vertigem na metade do caminho. Estava a quase trinta andares acima do chão. E isso seria apenas o começo. Nos 90 minutos decorrentes, Mulder atravessou as duas pontes, chegando na terceira e última, do quinto prédio. Mal enxergava o brilhos das luzes dos carros que passavam como formigas para ele. A cada prédio que atravessava, mais vertigem sentia, junto com fortes náuseas e cefaléia. Passava agora pelos corredores estreitos das tubulações , procurando uma possível entrada. Porém, não encontrou nenhuma. O lugar estava hermeticamente fechado. "Tem que ter uma entrada....de onde vem o ar que respiro?" Logo avistou a fatídica entrada de ar. Era estreito, mas Mulder calculou que poderia passar. " Pelo menos as corridas diárias me adiantam de alguma coisa". Com certa dificuldade, tirou o tampo de proteção e entrou. Arrastou-se como pode. Enxergou a claridade a alguns metros a frente. Tinha a nítida sensação de que entalaria ali dentro. A sensação claustrofóbica começa a despontar, e Mulder apressou-se em chegar ao final do túnel desconfortável. Empurrou com as mãos dormentes o outro tampo. O túnel alargou-se um pouco e ele pode se agachar. __ Droga.... Encontrou-se em um imenso túnel vertical, de subia desde o chão até o último andar do prédio. O ar batia violento em seu rosto, revirando seus cabelos. Conseguiu avistar várias outras entradas de ar, acima e abaixo de sua cabeça. Ao mesmo nível que se encontrava, tinham mais 3 entradas. Encontravam-se relativamente perto de sua entrada. __ Eu estou muito velho para isso... Evitou olhar para baixo, onde apenas o vazio da escuridão era percebido. Pendurou-se na extremidade do túnel, segurando-se com apenas uma das mãos. Empulsionou o corpo e conseguiu agarrar a outra entrada. Colocou as duas mãos na beirada da entrada. Tencionou os músculos enfraquecidos ao máximo que pode, trazendo o corpo para cima. Parecia sentir as fibras musculares esqueléticas arrebentando-se, tamanho o esforço que fez, junto com a dor advinda. Rezava para que aquele túnel fosse terminar em alguma sala , e não novamente na área das tubulações. Deveria encontrar-se na metade do prédio. Ainda teria que passar por quase cinqüenta andares despercebido. __________________________________________ O toque leve e carinhoso a despertou se seus pesadelos. Alguém a salvara, mas ela não divisava muito bem a silhueta a sua frente. __ Mulder? O homem baixou os olhos desapontado. Sentia-se culpado por tudo o que tinha feito. Expôs pessoas inocentes. Expôs Scully. Nunca perdoaria-se por isso. Conforme seus olhos ajustavam-se à luz, Scully percebeu o olhar sofrido do homem. Ele a fitava como se fosse pela última vez. __ Jeff? O que aconteceu? Onde está Mulder? - Sua voz era quase inaudível. __ Dana.... não sei como começar... Jeff Howding contou-lhe todos os acontecimentos advindos nos últimos dias: os corpos encontrados, o vírus, o interesse do governo sobre a substância que contrabalançaria os efeitos do gene contra o vírus. Scully escutava abismada o relato daquele homem. Ela acreditava que Jeff fosse tão racional quanto ela. Ele parecia Mulder lhe contando suas versões infundadas dos casos. Scully sorriu nervosa. __ Por favor Jeff...fale-me a verdade...não acredito nessas suposições improváveis... Jeff esticou o braço e alcançou uma série de pastas, entregando-a. __ o que é isto? __ Provas científicas. Não é isto que queria encontrar? O baque provocado pela precisão dos testes aos olhos dela fora percebido por ele. A expressão de pânico tomou conta do lindo rosto. Ela apenas voltou os olhos marejados de lágrimas em direção aos dele, que a fitavam em desespero. Com a voz embargada, conseguiu dizer: __ Aqui diz que este vírus ativa um suposto gene no corpo humano, que acaba por tentar defender-se do mesmo, atacando as suas próprias células....por isso o cérebro e os órgãos liqüefeitos....esses corpos...como foram parar nos hospitais? __ Foram retirados estrategicamente e deixados em hospitais das cidades satélites para barrar o impulso destrutivo de uma organização que prevê o fim da raça humana, criando uma totalmente nova. No começo não acreditei, mas acabei me envolvendo tanto nas intrigas, que agora não posso mais sair. Foi eu quem deportou os corpos. E eles descobriram. Apenas não me mataram porque sou importante para as pesquisas e testes. __ Eu... - a voz dela saiu entrecortada - eu fui infectada, porque pensaram que você tivesse me contado esta história...e... - lágrimas abundantes escorriam de seus olhos -...Mulder também. Mas porque ele Jeff? __ Eu não sei Dana, não me forneceram mais nenhuma informação. Ele pensam que eu estou monitorando-a, não podem saber do que lhe contei. __ Jeff... - Scully percebeu o sofrimento dele - ...esse vírus...não há cura? Jeff engoliu em seco. Teria de revelar que a cura talvez existisse, mas estava fora de alcance. Não conseguia encará-la. Scully não precisou de palavras para obter sua resposta. Mulder e ela não teriam muito tempo de vida. Os sintomas que a pouco afligiam seu frágil corpo com dores pungentes era prova que seu destino estava selado, assim como o de Mulder. Mas onde estaria ele? Resolvendo o caso? Saberia de sua contaminação? E como foi contaminado? Scully tinha tantas perguntas sondando sua cabeça, e queria respostas imediatas. Voltou os olhos para a direção onde Jeff se encontrava, mas ela estava novamente sozinha. Sentiu seu coração espremer-se entre os pulmões, tamanho era o desespero que lhe invadia. Queria fazer alguma coisa, mas não tinha chance. Nem ao menos possuía forças para levantar- se, muito menos para sondar o lugar onde encontrava-se. Teria de ficar na refuta espera de suas últimas horas. ___________________________________________ A cintilância do líquido dentro dos pequenos frascos selados fizeram-no sorrir. Estavam dentro de uma pasta , e não teria como removê-los dali. Alcançou duas seringas que comprara antes, e encheu-as, posteriormente colocando-as de volta ao bolso interno do casaco. A exorbitância da sala era temerável a qualquer pessoa que entrasse ali. Várias prateleiras repletas de conteúdos inexpecíficos para ele exalavam o conhecido cheiro adocicado repunante dos hospitais. Poderiam ser a cura para diversas doenças, mas que continuavam trancadas no cofre secreto da empresa, esperando por boas ofertas. __ Canalhas... A subida até o 120o Andar fora relativamente fácil. Mulder não encontrara resistência em nenhuma das salas, além das portas estarem estrategicamente abertas. E era justamente isto que o apavorava. Imaginava que fora enganado, para entregar a preciosa e perigosa substância ao Canceroso, que o deixaria esvair-se lentamente, sem entregar-lhe Scully, e muito menos dando-lhe a cura. Dores mais fortes atingiam-lhe internamente, além de agora seus braços e pernas ficarem dormentes. Pegou uma das seringas e injetou-se o líquido. Saiu do recinto secreto e voltou à pequena mas impressionante sala de reuniões, localizada ao lado de um imenso laboratório, dividida apenas pelo vidro. As paredes estavam recobertas por painéis vítreos, separados verticalmente em gomos. E justamente um desses gomos era a porta que dava para a sala secreta. __ Deve existir muitas outras neste estilo por aqui... Entrou no laboratório, dirigindo-se pela porta que havia entrado. Ao abrir a porta, viu-se cercado por 3 homens fortemente armados, apontando as M-16 diretamente para a sua cabeça. Em segundo plano, divisou mais três homens, vestindo ternos. Sobre um deles, a fumaça subia em ondas difusas. __ Seu verme...eu sabia que estava muito fácil... __ Calma Ag. Mulder. Assim como você, subimos por onde passou. Estamos na labuta aqui também. Não encontrou nenhum segurança neste prédio porque provocamos alguns percalços nos 3 primeiros prédios. Eles estarão por demais ocupados, não nos darão atenção por aqui. Agora, mova-se. Desceram alguns andares, até trancarem Mulder em uma sala escura. __ Quem está aí? A voz feminina relutante ressoou na sala. __ Scully!! __ Mulder!!! Mulder encontrou o interruptor e acendeu a luz. Scully estava deitada na cama, com grandes olheiras. Viu o rosto dela esplandecer de alegria e alívio. __ Meu Deus...Mulder..onde você estava? __ Scully... - Mulder foi até ela e a abraçou. Scully parecia estar menor do que era. A fragilidade era notória. Sentiu seu ombro umedecer pelas lágrimas dela. __ Mulder...eu sei o que nos aconteceu...o retrovírus... __ Scully...não posso te contar agora, mas consegui algo que talvez seja a cura. - Mulder alcançou a seringa e Scully observava controversa. __ O que é isto Mulder? __ A cura...talvez. __ Pode ser perigoso... __ Perigoso ou não, me apliquei uma dose. Até agora não percebi efeitos colaterais. É a nossa última chance. Scully o fitou novamente. Pegou a seringa das mãos dele. __ Deixe que eu faço isso. Abraçaram-se mais uma vez. Mulder sentia Scully estremecer em seus braços. Seu coração batia descompassado. O imenso alívio inundou seu corpo com golfadas, e ele relaxou envolto ao braços dela. Scully perguntava-se porque ele se arriscava tanto. Sua impulsividade, que muitas vezes a irritava, também era responsável por suas vidas. Se não fosse ele, talvez não estivesse viva. Agora, abraçada a ele, sabia que palavras não eram necessárias. Um adivinhava o que o outro sentia. Era algo quase extrasensorial, conquistado depois de tantos anos de preocupações e sentimentos reclusos, que relutavam ainda em esconder. Mulder segurou o rosto magro dela entre suas mãos e a fitou. Seu olhar não escondia o que sentia por ela. Scully recebia daqueles olhos verdes que tanto amava tudo o que necessitava naquela hora. O beijo veio silencioso, embargado de carinho e afeição. A perfeita sincronia de lábios e línguas embargou-os em sensações a tanto tempo não sentidas. Pareciam conhecer-se mais do que qualquer outra pessoa. __ Scully.. - Mulder ofegou - ..precisamos sair daqui. __ Como? Eu não encontrei saída alguma. Aliás, sinto-me muito fraca. Mulder voltou os olhos para a sala. Deveria Ter não mais do que 10 metros quadrados. Avistou a entrada de ar, bem acima, em um dos quadrantes das paredes. __ Por ali Scully..... _____________________________________________________ WASHINGTON D.C. PRÉDIO J. EDGAR HOOVER SALA DOS ARQUIVOS X 2 Semanas depois Mulder tamborilava freneticamente os dedos no teclado do microcomputador, que quase não acompanhavam a velocidade de seu raciocínio. Ele e Scully não apresentaram mais sintomas, voltando ao estado de normalidade. Quando conseguiram escapar, espreitando-se pelas pontes dos cinco prédios, Scully mal tinha forças para andar, sobrepujando a Mulder a maior força. A empresa Gene. Inc. fora revistada, porém, não encontraram corpo algum, nem ao menos as aberrações que Mulder divisara. O complexo da Jankforth Enterprises também fora revistado, e novamente, nada fora encontrado. __ Encobriram tudo..droga.. Os telefonemas que Mulder recebera continuavam sem explicação. Formulou-se a teoria de que alguém correlacionado à trama não estava disposto a seguir com o projeto. Jeff Howding continuava desaparecido. Scully entrou rapidamente na sala, com os olhos sobre pastas amarelas. __ Mulder, saiu o resultado de nossos exames... __ Scully.. encobriram tudo de novo! Voltamos a estaca zero! - o semblante mostrava aborrecimento. __ Mulder... me escute um minuto. Não há traços de vírus algum em nosso organismo, muito menos de alguma substância estranha. __ O que? Como Scully? Se até o doutorzinho lhe falou sobre o vírus.. __ Não falte com respeito Mulder... Jeff continua desaparecido. Ou está foragido, ou... - Scully engoliu em seco. __ Sabe Scully... por um ponto estou aliviado. Essa substância que eu retirei da sala secreta do 5o prédio da Jankforth, realmente nos curou, mas não como Eles queriam. Provavelmente matou o vírus, o que ocasionaria a desativação do gene, não tornando-nos.. __ Chega Mulder.. - Scully deu de ombros e saiu da sala. Mulder apenas olhou, com um sorriso maroto nos lábios. _____________________________________________ ANGERS, FRANÇA Vários homens sentados à grande mesa de madeira nobre olhavam-se pensativos. Esperavam a entrada de um deles, com novos resultados. __ Nous n'avions pas les résultats attendus. - o homem de finos traços e nariz alongado fitou-os com expressão relutante. __ Espere... ainda estamos em novos testes. O som fino do telefone tirou-os a atenção. __ Oui?... certo, merci. O homem voltou-se aos outros e fitou-os com segurança. __ Obtivemos as imagens...estamos com alguns minutos de atraso, mas nosso correspondente agiu bem. Em um canto da sala, monitores projetaram em um telão a imagem em preto e branco de uma sala desorganizada. Estava um pouco distorcida na periferia, devido ao ângulo. Duas pessoas conversavam, um homem e uma mulher. O microfone foi ligado e quase no mesmo instante, a voz metálica do homem saía diante ao minúsculo aparelho. __ Sabe Scully... por um ponto estou aliviado. Essa substância que eu retirei da sala secreta do 5o prédio da Jankforth, realmente nos curou, mas não como Eles queriam. Provavelmente mataram o vírus, o que ocasionaria a desativação do gene, não tornando-nos... Um dos homens tinha os olhos sobre a mesa, e no instante que ouviu, voltou-os assustados para a tela. __ Eu te amo Scully... A imagem do homem bem apessoado, sozinho na sala, fez brilhar os olhos inquisidores dos sete homens presentes no recinto. Os rostos tornaram-se lívidos, pensativos. Trabalhavam para produzir mais substâncias a comando do governo americano. Teriam um grande encalço pela frente. Mas isso era apenas uma questão de tempo. THE END ____________________________________________________________ Pessoal, desculpem-me os possíveis erros de concordância e gramática.(As revisões foram póstumas, mas sempre alguma coisa escapa) Mais uma vez, dou- lhes os parabéns por terem chegado até o final. Caso ainda tenham força de vontade, e quiserem dar suas opiniões, críticas, sugestões, o que seja, feedback-me please! É o nosso único salário, além de que fazemos estas histórias pensando em vocês. 10000 beijos Carla Biscaglia (Angel Scully)