TÍTULO: Monstro do Lago Autora: Vancouver Categoria: Um pouquinho shipper Classificação: Livre Resumo: Mulder insiste em ir atrás de um monstro. Scully não vai e deixa ele ir atrás de "outra bobagem" sozinho, mas, felizmente, por pouco tempo. Spoilers: Nenhum Disclaime: Os personagens desta história não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, FOX. Essa fic é somente para diversão dos fãs. Nota da autora: É a minha nona fic. Tomara que vocês gostem. Se quiserem ler as outras, é só avisar que eu mando pra vocês. e-mail: ednabarros@uol.com.br Classificação: Livre Spoilers: Nenhum * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Prólogo Lago Okobogi - Minessota 6:45 da manhã - Quinta -feira Mark Hais assobiou quando sentiu a linha ficar tensa. Estava pescando há dois dias e somente um pequeno peixe tinha mordido a isca. Agora era diferente. O que estava do outro lado era grande, tamanha a força que fazia para puxar a linha, quase arrebentando-a. Mas ele não ia desistir. Não podia voltar com um lambarizinho. E pelo jeito, esse seria merecedor de um troféu. Continuou a luta, até que a linha arrebentou. __ Ih, cara! Você perdeu essa, hein? Seu colega esta em outro bote alugado, vendo a luta do colega. __ Perdi uma ova, espere só e você vai ver, Andrew. Rapidamente preparou outra linha, para não perder o peixão. Enquanto isso, algo atingiu o bote, virando-o. Antes que ele pudesse raciocinar o que tinha atacado, ele sentiu algo morder a sua perna, afundando-o. Somente seu grito foi escutado, antes de mergulhar e não mais subir. __ Mark? Onde você está? Quando uma mancha vermelha subiu até a superfície da água, rapidamente Andrew pegou o remo e fugiu do local. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * A caminho de Washington – pequena cidade 01h05 p.m - sexta-feira Enquanto ele e a parceira comiam os sanduíches, Mulder lia a manchete do jornal sensacionalista. Eles estavam voltando para Washington depois de resolver um caso de assassinato e estavam almoçando antes de pegar um vôo das 04 horas para Washington. Scully estava cansada e doida para chegar em casa. Oito autópsias em dois dias eram o bastante para acabar com qualquer um. Dessa maneira ela realmente estava desfrutando bastante o silêncio à mesa ---até Mulder dizer: " Ei, Scully, olhe para isto !" Ele mostrou a página do jornal onde podia ser vista uma fotografia multo mal tirada e uma manchete: "Mais um ataque do monstro do pântano" Scully suspirou. " Você sabe melhor do que eu que esse tipo de publicação é somente pra vender jornal." Esse pessoal faz de tudo pra ganhar dinheiro, até inventar histórias." "Às vezes sim" Mulder admitiu, " mas eles têm muitas entrevistas sobre esse assunto." Nós podemos chegar ao local em duas horas. Diz aqui que o jornalista que escreveu isto também mora por perto. O nome dele é Sam Right" Scully o encarou friamente e mordeu outro pedaço do sanduíche. "Com certeza eu não vou atrás de monstros do pântano, Mulder", ela o informou, "e nem Skinner. Você sabe que ele está esperando o nosso relatório sobre o caso que acabamos de solucionar, e eu tenho certeza que ele não vai aprovar as despesas." Mulder encolheu os ombros. "Bem, eu usarei algum tempo das minhas férias. Venha, Scully". Ele lhe deu o seu sorriso mais encantador, mas ela estava resoluta. Imagina se ela ia pro meio do nada, caçar monstros, enquanto sua cama a estava esperando. "Não adianta, Mulder. Eu não vou". "Eu vou sozinho então". Tirando seu celular, ele cancelou seu vôo e marcou outro para o local dos crimes. Mulder terminou a chamada e observou Scully. Ela o olhava com desaprovação. "Scully, venha comigo. Será divertido ". Scully balançou negativamente a cabeça. "Eu tenho planos para quando chegar em Washington. Vamos comemorar o aniversário de mamãe no domingo e teremos churrasco preparado por Bill. Charlie também vai estar lá. Ela o convidou também, Mulder." Mulder fez careta. " Uh, não, obrigado. Eu e Bill não podemos ficar na mesma cidade, você sabe disso. Imagina no mesmo quintal." Ele ainda olhou com fome para a metade do sanduíche de Scully, intocado no prato. "Você ainda vai comer isso?" Scully lhe deu um meio-sorriso e empurrou o prato para ele. Ele pegou o sanduíche com vontade, devorando-o rapidamente. "Me prometa uma coisa então: não entre sozinho no pântano ou lago, que seja, ok?" ela disse de repente. "Sabe como você tende a entrar em dificuldade quando eu não estou por perto." Ela disse isso com um meio sorriso, mas era evidente que estava preocupada. "Se você viesse comigo, eu não estaria só" . "Sem chance, Mulder" * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * "Última chamada para o vôo 24 para Washington D.C. " veio o anúncio em cima do alto-falante. "Você não quer mudar de idéia, Scully, e ver o monstro?" Mulder não queria ir sozinho, pois ficar um fim de semana longe dela não era o que ele queria. Scully sorriu e respondeu, "Você não quer mudar de idéia e ir lá pro churrasco?" " Francamente, prefiro encontrar o monstro do pântano do que encontrar o Bill." Ela riu, então olhou para ele: "Tchau" Mulder se abaixou e a beijou ligeiramente nos lábios. "Tchau" Ele começou a virar para ir, mas ela o agarrou pela gravata e o baixou para um beijo mais fundo. "Não se esqueça onde é a minha casa, está bem?" "Sem chance. Te ligo amanhã à noite, Scully. Faça boa viagem." "Mulder, eu sei que você não vai encontrar nada, mas, mesmo assim: cuidado. Não faça nenhuma bobagem." "Pode deixar que eu cuido de mim, só pra você" Scully riu, e finalmente partiu. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Local do Crime Centro da Cidade 6:10 p.m. – sexta-feira Mulder já tinha se instalado no hotelzinho e foi em busca da redação do jornal local, em busca do jornalista que escreveu a reportagem. Encontrou uma jovem loira, alta e com belíssimos olhos verdes. Mas ele queria saber do monstro. "Você é Sam Right?" Ele perguntou diretamente. "Sim, mas pode me chamar de Samantha. E você, quem é?" Ela tinha reparado no homem atraente que tinha entrado na velha redação. Alto, esguio, com belos olhos verdes e bem vestido, é claro que ficou contente em ver que ele a estava procurando. Estendeu a mão, que foi apertada com firmeza, e sentiu um calor subindo pelo corpo. "Nossa! Que homem!" Mulder lembrou-se da irmã, mas não fez nenhum comentário. Foi direto ao assunto. "Fox Mulder, agente do FBI. Gostaria de saber sobre o desaparecimento de um pescador ontem, aqui perto. Foi você quem escreveu a história, correto?" "Sim, fui eu quem escrevi a história. Ontem, aconteceu novamente. A polícia vem, investiga, não encontra nada e arquiva o caso. E é só. Por que o FBI está interessado?" "Tudo que não é resolvido pela polícia, o FBI procura resolver". Ele não quis dar detalhes, mas queria mais informações. "Eu posso te dar mais informações e lhe mostrar o local do desaparecimento. Mas só amanhã, porque de noite é impossível irmos até lá." Ela levantou-se, e odiou estar com uma roupa comum. Mulder não se desapontou. "Tudo bem. A que horas você pode me levar até lá?" "Pela sua pressa, acho que 06h é muito tarde." Ela sorriu. Ele também sorriu, sem notar o interesse da jovem mulher atraente. "Não, seis horas está ótimo" E despediram-se. ***************************************** 06h00 a.m – sábado Ambos se encontraram no pequeno restaurante 24 horas, e seguiram adiante. Na polícia ele também descobriu que outros dois pescadores foram atacados acima do rio, e estavam no hospital. Mulder pegou os depoimentos junto com a polícia, mas os dois estavam nervosos e feridos, por isso não ajudaram muito. Foram até o local do acidente, mas não viram nada. Mulder perguntou para Samantha: "Quem estava com ele, de acordo com a sua reportagem, era Andrew Building, certo?" "Sim, ele mora numa cabana próxima daqui." Não quis mais pescar, desde então." Ela estava fascinada com aquele homem. Parecia estar sempre alerta, com a cabeça funcionando a pleno vapor. Sabia que ele já tinha ido à polícia para saber detalhes dos outros casos e principalmente deste, e não esperava vê-lo tão bem disposto. Entrevistaram o homem, que estava bastante nervoso. Ele não parava de falar que Mark havia sido puxado por um grande peixe que ele não tinha conseguido pescar. Mulder viu que dali também não sairia nenhuma informação importante, e o único meio para obter a pista que ele precisava seria pescar no meio do lago, para ver de perto como foi e onde foi o acidente. "Agente Mulder, já ficamos o dia inteiro andando e já está anoitecendo. Melhor voltarmos para a cidade, comermos algo e amanhã a gente começa a investigação. O que você acha?" Ele suspirou , pois não queria parar. Lembrou-se de Scully, que sempre falava que ele era um dínamo humano, que quando começava um caso de seu interesse não parava até concluí-lo, e ela não conseguia acompanha-lo. Sorriu à lembrança. "Agente Mulder, está me ouvindo?" Ela gostaria de saber quais os pensamentos que estavam levando-o a sorrir com tanta doçura. "Sim, você está certa, Samantha. Amanhã nós voltaremos." "Vamos então jantar, Fox?" Ela tentou chama-lo mais intimamente. "Fox não. Mulder. Nem meus pais me chamam assim." "Ok, então. Samantha ficou sem jeito, mas mesmo assim não iria desistiu de chamar sua atenção. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Restaurante local 09h30 p.m. - sábado Mulder pegou outro bolinho e colocou-o dentro do molho para depois morder com muita vontade. "Ei, isso aqui é realmente muito bom! O que é isso?" ele perguntou entusiasticamente. " Lingüiça, temperos e arroz em uma massa e fritados em óleo quente." Samantha tomou um gole da cerveja dela e apoiou-se com os cotovelos na mesa. Novamente ela pensou que deveria estar usando uma roupa mais provocante, mas talvez Mulder gostasse mais do que via agora do que viu ontem. Infelizmente, o objeto do interesse dele parecia ser a comida dele. Mesmo quando a garçonete parou perto da mesa, um morena bem esperta, por sinal, e se insinuou pra ele, ele somente pediu outra porção de bolinhos, para alívio de Samantha. Parecia que era totalmente alienado quanto ao poder atraente que possuía em relação às mulheres. Talvez ele fosse tímido, ela pensou. Mulder parecia o tipo de homem que precisava de uma mulher forte perto dele, nada de meninas saídas da escola. Samantha se considerava essa mulher, e ela tentaria, com certeza, fisga-lo. "Há quanto tempo você está no FBI, Mulder?" ela perguntou, enquanto começava com os olhares subjetivos. "Treze anos. Farei 14 este ano.".Ele não pareça inclinado para falar sobre o trabalho dele, mas como não tinham nada em comum para dizer, então, que seja. "Eu aposto que você é realmente bom no seu trabalho. Eu estou certa que sua família está muito orgulhosa". Ela não percebeu a mudança no olhar de Mulder. "Não tenho família." "Bingo!" Pensou Samantha: ela se sentia cada vez mais a mulher que ele precisava." Colocando a mão sobre a dele, ela se desculpou. " Eu sinto muito, eu não pretendia..., desculpe." Ele lhe deu um sorriso perdoando e encolheu os ombros. "Você não teria como saber. Eu não tenho família de sangue, mas tenho Scully, que trabalha comigo, e é como família para mim." "Estou certa que vocês são como irmãos. Ele entrou no FBI junto com você?" Mulder riu. "Dr. Dana Scully é uma mulher. Ela é uma médica e patologista forense brilhante e uma investigadora perfeita! Nós somos como um time. E dos bons. E respondendo sua pergunta, não, eu sou mais antigo no FBI do que a Scully, mas somos parceiros há muitos anos." Ele ficou com um ar distante nos olhos dele que Samantha não teve como não perceber. Este sujeito era atraente, era óbvio pela ausência de anel que não era casado, mas pelos comentários e principalmente pelo olhar lançado, sabia que tinha alguma coisa que não estava conseguindo pescar. " Oh! Isso me lembra. Eu tenho que ligar pra ela." Ele tirou o telefone celular dele e apertou um número, e Samantha suspirou intimamente quando percebeu a ansiedade dele, aguardando que a ligação completasse. Então ele sorriu, e ela só poderia presumir que Scully tinha respondido. Samantha não era boba; pela expressão de Mulder e o tom ansioso da voz dele, estava claro que havia mais que uma relação de trabalho entre os dois agentes. "Eu tenho um Arquivo X, aqui, Scully!" Passei o dia inteiro atrás de provas, e é só uma questão de tempo. Amanhã Samantha e eu vamos pescar e ir atrás do monstro." Ele parecia escutar durante alguns instantes. "Samantha ? Ora, ela é a repórter é que escreveu aquele artigo que eu mostrei pra você." Ele ficou calado novamente. "Não, Sam é diminutivo. Ela vendeu o artigo para aquele jornal. Hmmm? Não, ela é jovem, deve ter uns 30 anos. O que?" Ele escutava Scully ao telefone. "Eu não sei, mas é uma boa pergunta." Ele pôs a mão dele em cima do bocal do telefone e se dirigiu à Samantha. "Diga, seu marido não vai ficar chateado enquanto eu pego toda a sua atenção? Depois eu não quero um vaqueiro nem pescador atrás de mim." ele sorriu. Samantha lhe deu o melhor de seus sorrisos "Não sou casada. Nem compromissada. Estou toda livre para este caso." "Ela não tem ninguém, Scully." Ele esperou. "Você não tem que fazer isso, Scully, eu posso resolver tudo aqui. Você tem aquele churrasco de família... bem claro que, eu adoraria que você estivesse aqui, mas não é... sim, há duas vítimas no hospital, mas eles estão sendo bem cuidados." O sorriso dele cresceu mais ainda. " Bem, se você realmente quiser me ajudar, pode pegar o primeiro vôo pra cá . Eu sempre posso usar sua ajuda, Scully, você sabe disso. Você vem? Ótimo, eu estava esperando que dissesse isso. Obrigado, Scully, Eu te devo uma! Me ligue amanhã avisando quando seu vôo chega. Tente voar pela rota alternativa. Eles têm um aeroporto comercial. OK. Eu te vejo amanhã. Sim?" Mulder deu um grande sorriso e falou mais baixo. "Eu também, Scully" Ele desligou sem dizer adeus, mas Samantha sabia que não tinha chance depois de ouvir aquele "eu também" Mulder guardou o telefone. "Você está pronta pra ir?" " Eu preciso ter uma boa noite de sono." Ela suspirou em decepção e acenou com a cabeça. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Domingo 09h00 - a.m. Samantha bateu na porta do quarto de hotel de Mulder depois de se olhar no espelho e conferir a maquiagem. " Quem é "? ela ouviu Mulder chamar. " É Samantha. Você está pronto para ver as testemunhas?" A porta abriu e Mulder saiu, vestindo uma camisa pólo preta e calça cáqui. Ele percebeu o olhar de Samantha, examinando-o. " Eu achei que colocar uma roupa mais informal por aqui. Estou chamado muita atenção. E depois, a gente vai pro rio, não é?" Samantha riu. " Você tem razão sobre isso. Seria difícil pegar monstros com terno Armani. "Mas primeiro vamos ver as testemunhas novamente, e depois passar no aeroporto para pegar Scully. Ela já me ligou e avisou que estava chegando" Samantha não gostou da idéia. * * * * * * * * * * * * * * 11h00 – domingo "Você acredita nesses dois pescadores? Você só pode estar brincando." Tenho certeza que inventaram isso. Mulder virou para Samantha, sem dar importância ao comentário. "Já acabei por aqui. Vamos embora?" Ele olhava pro relógio. Aliás, foi o que mais fez durante toda a manhã. *************************************** Aeroporto comercial da cidade 12h00 – domingo Samantha viu a ansiedade palpável em Mulder, enquanto ele, com sua altura privilegiada, procurava pela "Scully". "Cruzes, isso lá é nome de mulher?" Ela desdenhava. Ela não conhecia Scully, mas percebeu quando ela chegou, pela expressão de pura alegria que Mulder fez. Ela virou-se e viu quando uma mulher pequena, ruiva, saía do avião. Ela estava com as roupas amarrotadas e com aparência de puro cansaço, e Samantha se sentiu contente por estar com a roupa em melhor estado que a da outra, e com a maquiagem perfeita. Ela viu quando a ruivinha chegou perto de Mulder, pois ele já tinha andando em direção a ela. Mas deu pra ouvir nitidamente a conversa dos dois. Interessante era a expressão dos dois: a de Mulder, como um garoto que recebeu o presente que queria, e a de Scully, como uma... bem, não era uma expressão agradável. "Grande idéia Mulder: __ Pegue a rota alternativa, Scully" ela disse sarcasticamente. " Se eu tivesse pousado em Houston eu poderia vir num vôo decente. Eu poderia ter comido no avião. Eu poderia ter chegado aqui em três horas em vez de seis, e principalmente, poderia ter vindo direto, em vez de passar por duas cidades." Samantha ficou pasmada com tanta reclamação, e olhou para Mulder, que não parava de sorrir, e ficou mais surpresa ainda com a resposta que ele deu: "Estou contente de ver você também, Scully" ele sorria, ignorando sua explosão. Ele apanhou a bolsa que tinha deslizado pelo ombro de Scully e colocou sem esforço no próprio ombro. "Esta é Samantha, a repórter que escreveu a história. Samantha, minha parceira, Dana Scully ". As duas mulheres se mediram, e apertaram as mãos. Samantha pensou que ainda tinha chances, lembrando da conversa de Mulder ao telefone e convencendo-se que ainda tinha chances. Mas estava se tornando crescente o fato de que ela estava perdendo tempo. Scully estava amarrotada, mal-humorada e com ar de cansada por ter viajado a noite toda, enquanto ela, Samantha, estava linda e maravilhosa, mas Mulder só tinha olhos para a exausta parceira dele. Depois de cumprimentar Samantha, Scully se virou para o homem alto atrás dela. "Que caso é esse?" ela levantou uma sombrancelha, delicadamente. "Depois eu te conto. Você precisa descansar." Mulder andou até o carro, e abriu a porta para Scully sentar no banco da frente. Fez o mesmo para Samantha, mas para ela sentar no banco de trás. "Enquanto nós almoçamos, eu conto tudo pra você." "Só preciso de uma xícara de café." "Com certeza." Mulder disse, sorrindo. Samantha percebeu que existia uma ligação grande entre eles, pois começaram a conversar, e pareciam pouco atentos à sua existência. Logo eles estavam sentados a uma mesa e Samantha assistiu em silêncio enquanto a agente Scully sofria uma transformação, enquanto se tornava mais humana a cada gole de café. "Então, é isso Scully". Mulder olhava para sua parceira, esperando um comentário. Sabia que ela não ia reclamar, pois com certeza não ia deixa-lo ir sozinho através do rio. "Depois que instalarmos você, Scully, vamos subir além do rio." "Mulder, essa área é o pantanal, " Scully mostrou suavemente. " Parece mais provável pra mim que seu monstro nada mais é que um grande jacaré. "Não era um jacaré, " Samantha cortou " Isto era o Bitred . Todo o mundo ao redor do rio e da área sabe sobre isto. " "Como ninguém falou disso pra mim?" Mulder olhou para Samantha, interrogando-a. "Bem, agente Mulder, ter um monstro no local não ajuda no comércio, sabe? Ninguém fala sobre isso, e todos sabemos ser apenas uma lenda. Desculpe não ter contado antes" ela descansou a mão dela no braço de Mulder, e viu os olhos de Scully possessivamente em cima de Mulder, de modo que retirou-a rapidamente. "Assim, me fale sobre isso, então." Scully convidou, e Samantha começou a contar mais o que sabia. Queria uma história que a tirasse do ostracismo, daquela cidadezinha. E achar esse monstro, e ter um furo de reportagem, faria isso. * * * * * * * * * * * * * * * * 13h00 – domingo Mulder deixou Samantha no escritório dela, então levou Scully para o hotel e a hospedou num quarto em frente ao dele. Ele entrou com ela, se sentou na cama dela, enquanto separava as anotações de toda a investigação, que não tinha muita coisa. Sabia que tinha que ir a campo, e agora com Scully ali, podia ir sem receios. Ela estava tomando banho, e quando saiu, estava de toalha. Mas não pareceu sem jeito por estar assim na presença do parceiro. "Mulder, gostaria de ir para o seu quarto?" Ela o olhava, esperando a resposta. "Scully, sei que você vai me odiar, mas precisamos ir hoje atrás do Bitred." Ele atacou dois dias diretos, e pode atacar hoje." "E nós seremos o prato principal." Ela disse, sem rodeios, e separando algumas roupas. "Ora, Scully. Você gosta tanto de água e um passeio no rio não vai fazer mal a você." "A Samantha também vai?" Ela perguntou, desconfiada. "Sim. Ela conhece a região, e além disso, foi por causa dela que viemos." "Você veio, Mulder. Eu vim por sua causa." Ele se levantou e a abraçou, mesmo ela ainda de toalha. "Eu sei, Scully. E é por isso que te amo." Ele a beijou, suavemente, e depois intensificou o beijo."Não sei onde estava com a cabeça por vir aqui sem você. Não agüentei ficar um dia sem te ver." Ele fechou os olhos ao dizer isso. "Eu também, Mulder. Eu também. Agora, deixa eu trocar de roupa para podermos logo sair atrás do seu monstro." Ele sorriu e ficou deitado na cama, olhando pra ela. Ela sorriu também e trocou de roupa. *********************************** 15h00 pm – domingo Todos estavam no barco bem no começo do rio, subindo ainda mais, contra a correnteza. Scully coordenava o barco (já tinha velejado muito com o seu pai, Capitão da Marinha) e Samantha e Mulder a ajudavam, pois ambos nada sabiam a respeito de embarcações. Samantha até que respeitou mais a ruivinha, pois ela sabia o que fazia. Já tinha se resignado com o fato de que Mulder não olharia pra ela. Aliás, não olharia para nenhuma mulher enquanto ele tivesse Scully. Ali estava a mulher que ele precisava. Continuaram, e quando estava anoitecendo, decidiram voltar. Ao fazerem o retorno, algo bateu no barco. "O que foi isto?" Mulder olhava para Scully, que não tirava os olhos da água. "Batemos em alguma coisa". Ela disse "Alguma coisa bateu em nós." Samantha observou, tendo uma expressão de apreensão. O que quer que fosse, investiu novamente. Dava para ver as ondas enquanto o que quer que fosse estava tentando afunda- los. Desta vez, o barco começou a fazer água. "Ele abriu um buraco no casco!" Samantha disse, cada vez mais nervosa. O que faremos?" "Vamos levar o barco até a margem." Scully disse e foi colocando em prática, enquanto a coisa continuava a investir contra eles. Já estava escuro e não dava pra ver nada além do barco. Mulder tentava focalizar o monstro com a lanterna, e estava perigosamente na beira do barco. "Mulder, saia daí" Antes que Scully pudesse terminar a frase, a coisa atingiu novamente o barco, desta vez, virando-o. Todos caíram na água. Mulder e Samantha, que estavam na beirada, caíram logo. Scully estava no leme, dirigindo o barco, não cai logo na água, e o barco virou por cima dela. "Scully!!!!" Mulder procurava Scully na água escura, e viu um movimento. Foi até lá e era Samatnha. "Mulder, me ajude aqui". Ele não sabia o que fazer. Mesmo assim, ajudou Samantha a ir até a margem. Continuou gritando por Scully, e a ausência de resposta o estava assustando mais do que o monstro. Ambos chegaram à margem, e Mulder voltou para a água. "Scully!!!! Vamos, responda!!!!" Scully" Ele foi chegando perto do barco e mergulhou. Entrou por dentro do casco e viu, sob a bolsa de ar criada pelo bote virado, que Scully estava boiando. "Graças a Deus" Ele ficou aliviado, mas o alívio não durou muito tempo. Ele chegou perto e viu sua parceira de olhos fechados. "Scully? Scully, está me ouvindo?" Ele segurou o rosto molhado dela, e quando virou para ele, viu uma mancha vermelha descer pelo lado direito do rosto da parceira. Ficou apavorado. "Calma, Mulder, Calma. Você tem de tira-la daqui." Mais uma vez, o barco foi sacudido, e Mulder, segurando Scully, se apoiou como pôde. Sabia que na próxima o monstro iria acabar com eles, então não tinha muito tempo. Ele segurou Scully e ambos mergulharam. Subiram à superfície fora do barco e Mulder nadou em direção à margem. Mas não sabia que lado era a margem. "Samantha!!!!" "Por aqui, Mulder" Ele se guiou pela voz dela, e rapidamente chegou à margem. Quando alcançou pé, e se virou para pegar Scully desmaiada na água, o monstro apareceu. Ele tirou a arma rapidamente e atirou contra a criatura. Um, dois, três... descarregou a arma no monstro. Ele caiu. Seguiu-se um silêncio sepulcral, e Mulder agiu primeiro. Tirou Scully da água e levou-a até o seco. Que se dane o bicho! Tinha que ver Scully primeiro. Samantha chegou perto dele e quando viu Scully, não conteve uma expressão de horror. A cabeça de Scully sangrava abundantemente, e ela estava com uma cor além da pálida. Seus lábios estavam roxos e ela parecia que não respirava. "Ela está..." Samantha não teve tempo de concluir, pois Mulder já tinha começado a agir. "Não!!!!!" "Ela não está morta!" Mulder começou com os procedimentos de salvamento, enquanto fazia massagem no tórax de Scully. Começou a ficar desesperado ao notar que não tinha nenhuma resposta. "Scully, por favor, não faça isso comigo. Você não pode me deixar!" E continuou, ainda mais forte, com o salvamento, com respiração e massagem. Samantha chorava. Não gostava de Scully, mas também não queria que ela morresse. Ainda mais sabendo que não teria nenhuma chance com Mulder, pois era óbvio que ele a amava. O desespero dele naquele momento era indescritível. Ele praticamente estava quebrando as costelas da agente, na urgência de faze-la respirar. Samantha colocou a mão em seu ombro. "Mulder, não tem mais jeito. Deixa ela ir" Mulder ficou sem ação. Estava com aquela expressão de pânico. "Não!!!!" "Eu não vou deixar!!!" Ele continuou, cada vez mais forte. Samantha não queria mais ver a atitude cega de Mulder, e virou-se. Mas escutou um chiado e logo uma tosse sofrida. Era Scully que estava voltando. Mulder parou e olhou para Scully: "Isso, Scully!!! Reaja!!! Ele a ajudou, segurando o rosto para o lado, para que ela soltasse toda a água. "Mulder?" Ela disse fracamente. "Sim, Scully?" Ele disse alegremente. "Meu peito dói." Samantha e Mulder riram com essa observação. "Que bom, Scully. É um bom sinal" Mulder não sabia o que dizer, tamanha a alegria que estava sentindo. Ela tentou se sentar. Mulder a ajudou. "Estou sentindo dor na cabeça também" Ela colocou a mão na cabeça e sentiu o líquido quente. Abaixou as mãos e viu sangue. "Estou sangrando?" "Sim. Acho que é só um corte." "Precisamos limpar a minha cabeça, pra sabermos se não há nada mais." "Mulder..." "Sim, Scully" "Não estou me sentindo bem. Minha respiração está difícil" Novamente desmaiou. Mulder ficou aflito. "O que será que houve?" Samantha tentou conforta-lo. "Deixe-a descansar. Não podemos sair daqui até o amanhecer, e já matamos o monstro. Ele não vai poder nos atacar. Mulder tirou o casaco e limpou a cabeça de Scully. Parecia ser um corte superficial, sem buracos. Menos mal. Posicionou-a para descansar sua cabeça no colo dele, e Samantha se recostou numa árvore. "Ah, Scully, por que eu trouxe você aqui? Não vou me perdoar se algo acontecer a você" Agora era esperar, e rezar. ********************************** 06:00 - segunda-feira Mulder não pregou o olho a noite toda. Ficou vigiando o sono de Scully. Várias vezes ela ficava alterada, e era só falar no ouvido dela: "Sou eu, Scully. Mulder. Está tudo bem." que ela se acalmava. Foi uma noite difícil para ambos. Pela manhã. Mulder se levantou para ver o monstro: Scully estava certa mais uma vez- era um jacaré. Na verdade, um crocodilo, que tinha aproximadamente cinco metros! A explicação científica para tamanho crescimento Mulder gostaria de saber, mas precisava tirar Scully dali, e rápido. Samantha já tinha acordado e estava perto de Scully, observando-a. "A cor dela está boa, Mulder, e o sangramento parou. Não entendo porque ela não acorda." Mulder chegou perto e sacudiu-a levemente. "Scully, Scully, precisamos sair daqui. Você precisa acordar! Ele a sacudiu mais um pouco, e ela abriu os olhos. "Vamos, Scully, consegue ficar de pé?" Ela somente acenou. Respirava com dificuldade. "Vamos logo sair daqui. Você precisa de um hospital." Mulder estava preocupado. Scully não tinha respondido nada. Mas a pressa de sair dali era tão grande que ele não queria se demorar no fato. Tinham andando somente uma hora à margem do rio, e viram quando um barco passou, e eles acenaram. Chegaram rapidamente à cidade. Mulder estava aliviado. A medida que o tempo passava, mais pálida Scully ficava. E não dizia nada. Ele perguntava se ela estava bem, e ela respondia que sim com a cabeça. Quando chegaram no hospital, Scully foi logo examinada e levada para a cirurgia. Mulder, mesmo molhado e todo sujo, ficou na sala de espera. Samantha ficou com ele. "Calma, Mulder. Vai dar tudo bem." Ela dizia para acalma-lo. Tratava-o como um amigo, agora. Seu coração já tinha uma dona, e era ela quem o deixava desesperado assim. Na verdade, desde o telefonema no restaurante que ela sabia que não teria como reverter isso. Eles parecem que tem uma ligação única. São como almas gêmeas. O médico chegou. Mulder levantou-se : "Como ela está?" "Calma, Agente Mulder. A agente Scully perdeu um pouco de sangue, devido a um corte na cabeça, mas já foi tratado. O que mais nos deu trabalho foi que ela estava com duas costelas quebradas e uma perfurou o pulmão esquerdo. Incrível como ela não estava colocando sangue pela boca. Mas a cirurgia foi um sucesso e ela já está no quarto, repousando." Dito isso, saiu pelo corredor. Mulder sentou-se e colocou as mãos na cabeça. "Duas costelas quebradas! Fui eu quem fez isso!" Samantha tentou conforta-lo: "Mulder, você a salvou! Se você não tivesse feito aquilo, ela teria morrido afogada!" "Ela só tinha um corte na cabeça. Quem quebrou as costelas dela fui eu.! Por isso ela estava tão quieta no percurso. Se abrisse a boca com certeza iria sair sangue em profusão. Que estúpido eu fui!" Ele não se perdoava pelo que tinha feito. Além de não ter monstro nenhum, Scully quase morre por causa dele! Como ele poderia suportar isso tudo? "Por que você não vai pro hotel tomar um banho, dormir um pouco e depois volta pra cá? Ela vai dormir por um tempo e até lá você também descansa." "De jeito nenhum. Não saio daqui enquanto não falar com ela." "Agente Mulder?" Uma enfermeira chegou perto dele. "A agente Scully acordou e está perguntando pelo senhor." Rapidamente ele se levantou e entrou no quarto. Scully parecia tão pequena nos lençóis, e toda envolvida para evitar abertura de pontos, e Mulder chegou perto da cama. "Oi... como você está?" Mulder perguntou, pegando uma de suas mãos. Ela olhou para ele, adivinhando o que ele estava pensando. "Mulder, não foi culpa sua." Ela ainda falava com dificuldade. "Eu sabia que tinha quebrado algumas costelas, e sabia que tinha sido você, tentando me salvar do afogamento, pois em alguns momentos eu te ouvi gritando o meu nome, me amassando também. " Ela sorriu de leve, chamando-o pra perto dela. Ele chegou seu rosto bem próximo e ela o beijou. Se olharam profundamente e ela disse bem baixinho: "eu te amo." e dormiu. Mulder continuou na mesma posição. Samantha a tudo via da porta, e despediu-se silenciosamente, sabendo que perdera a história que queria e perdera um possível amor. "Foi bom te conhecer, Mulder." Ela falou baixinho e saiu, deixando o hospital. +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ E aí? Gostaram? Então, e-mail-me!