DISCLAIMER: OS PERSONAGENS DE ARQUIVO X E ROSWELL PERTENCEM A SEUS CRIADORES. ESTA FANFICTION NÃO PRETENDE VIOLAR NENHUM DIREITO AUTORAL E É TOTALMENTE SEM FINS LUCRATIVOS. AUTORA: SILVIA HELENA PENHALBEL E-MAIL: silviapenhalbel@uol.com.br FEEDBACK: SERÁ SEMPRE LIDO COM CARINHO CATEGORIA: CROSSOVER (MAS É SHIPPER!) AGRADECIMENTO: À MINHA QUERIDA AMIGA KÉSSIA NINA QUE FOI BETA-READER DESTA FIC E PARTILHA COMIGO O AMOR POR ESTA SÉRIE INCRÍVEL QUE É ROSWELL. MULDER E SCULLY INVESTIGAM TRÊS ADOLESCENTES QUE PODEM SER ALIENÍGENAS. MAS MULDER VAI DESCOBRIR QUE EXISTEM COISAS MAIS IMPORTANTES QUE A VERDADE. MILAGRES QUARTEL GENERAL DO FBI WASHINGTON DC 7:00AM Scully entrou na sala e encontrou Mulder absorto na leitura de vários papéis. _ Bom dia Mulder! Novidades? Algum caso novo? Você me pediu que chegasse cedo... Ele endireitou-se na cadeira mas continuou com os olhos nos documentos que lia. _ Talvez seja um caso novo Scully. Muito interessante por sinal. Ele a olhou e percebeu a curiosidade estampada no rosto da parceira por isso continuou _ O xerife de uma cidade no Novo México me procurou com informações muito interessantes sobre três adolescentes que vivem lá. _ Adolescentes Mulder? Envolvimento com drogas ou armas? Isso não é de nossa alçada. _ Não Scully. Nem drogas, nem armas. O xerife de Roswell desconfia que esses três jovens são alienígenas. Scully suspirou impaciente. _ Mulder, como pode acreditar neste tipo de coisa? Três alienígenas? O que eles fazem? Andam pela cidade apontando o dedo iluminado e pedindo " telefonar para casa?" Mulder sorriu. Já estava mais do que acostumado com o cepticismo da parceira. Mas ele sabia que ela o seguiria nesta investigação. Mesmo que fosse para provar e ele que estava errado e ela certa. Ele gostava disso. O fazia sentir- se vivo. Pegando o paletó no encosto da cadeira ele se dirigiu à saída puxando-a consigo _ Vamos Scully, coloco você a par de tudo no caminho. Precisamos tomar um avião em uma hora. Scully saiu praticamente arrastada do sala balançando a cabeça em desaprovação à impulsividade do parceiro. ARREDORES DE ROSWELL NOVO MÉXICO 9:00AM Mulder dirigia com cuidado o carro alugado no aeroporto de Albuquerque pela estrada deserta. Scully havia usado todos os argumentos possíveis para refutar as suspeitas do xerife de Roswell mas Mulder não se dera por vencido. Ele sempre tinha uma resposta na ponta da língua a cada frase que ela formava. Por fim, Scully desistiu e concentrou-se no caminho até a cidade. Estacionaram em frente à delegacia e ela notou que vários transeuntes os observavam com indisfarçável interesse para os dois. Era difícil para um forasteiro passar despercebido em uma cidade pequena e Roswell era uma cidade pequena. Excetuando-se os períodos de festivais e convenções ufológicas que reuniam pessoas de todos os cantos do país, todos se conheciam ao menos pelos nomes das famílias. Depois da conversa com o xerife Valenti, Scully tinha certeza de que seu parceiro era uma pessoa normal. Três adolescentes? Não podia ser apenas um? Não! O xerife tinha três suspeitos. _ Mulder, será que você não consegue ver que este homem não é normal? Ele acredita que três crianças da cidade são alienígenas perigosos. Isso é demais até mesmo para Fox Mulder. Uma conspiração de adolescentes. O que ele acha que três adolescentes de uma cidade destas poderiam fazer? Colonizar a terra? Nós já temos nossa cota de invasores e até onde eu sei, eles não se parecem com garotos nem freqüentam a escola local. Ela não acreditava no que ouvira de Valenti. Um garoto que supostamente tinha o poder de curar com as mãos e que ele suspeitava ter salvo a vida de uma colega de escola atingida no estômago por uma bala perdida. Ela já estava ficando impaciente com o caso. Afinal, se o rapaz salvara a vida da colega, porque o xerife o perseguia? Deveriam dar-lhe uma medalha! Ela realmente não estava com paciência para aturar outro Fox Mulder nos seus ouvidos. _ Scully, acalme – se e vamos até a escola. Eu gostaria de dar uma olhada nestes garotos. E também nos amigos deles que segundo Valenti os ajudam. _ Ajudam em que Mulder? Estamos perdendo nosso tempo e o dinheiro dos contribuintes. Mulder ignorou a parceira e entrou no carro. Vendo que ficaria a pé se não o acompanhasse, ela suspirou impaciente e acomodou-se no banco. Mulder conseguia ser irritante às vezes. Às vezes? Ela era mesmo generosa pensando assim! ROSWELL HIGH SCHOOL 10:00AM A porta do armário se fechou com força enquanto Maria reclamava furiosa. _ Assim não dá Liz! Eu não posso mais continuar esse relacionamento maluco com o Michael. Um dia ele está amoroso e dedicado e logo no dia seguinte fica agressivo e insuportável. Não agüento mais o temperamento instável desse ali.... _ Maria! Liz arregalou os olhos interrompendo a amiga antes que ela falasse algo que não devia. _ Será que você não vai aprender nunca? Não podemos deixar para conversar sobre o Michael mais tarde? _ Você não entende Liz! Você não passa por isso com o Max . Maria pretendia continuar falando mas então percebeu a direção do olhar da amiga e entendeu que estava "sobrando". _ Oi Max! E até mais tarde Max. Estou de saída. Nenhum dos dois jovens sequer percebeu que a garota tinha se afastado. Estavam perdidos um nos olhos do outro. O amor que sentiam era quase palpável e teriam ficado horas ali apenas se olhando se não estivessem no meio do corredor da escola e uma voz conhecida interrompesse o devaneio dos dois. _ Oi Liz. O sorriso desapareceu do rosto de Max e Liz engoliu uma resposta mal educada para o ex-namorado. Afinal, ele apenas a cumprimentara. _ Oi Kyle. O rapaz ignorou Max que não se importou e um silêncio incômodo se fez até que Liz encerrou o encontro constrangedor. _ Ah... Kyle, Max e eu estamos indo até o pátio tomar um refrigerante, você quer vir conosco? _ Não , obrigado eu-eu preciso correr, estou atrasado para um compromisso. _ Tá, então até mais tarde. Venha Max Kyle ficou parado um instante observando Liz se afastar com o rapaz que odiava. Liz terminara o namoro entre eles quando os amigos de Kyle do time de basquete deram uma surra em Max. Kyle não havia tido nada a ver com a iniciativa dos amigos mas quando Liz exigira que ele se afastasse dos companheiros ele se recusara e ela terminara tudo com ele. Kyle odiava Max Evans e havia jurado destruí-lo. Seu pai, o xerife, desconfiava de alguma coisa suja que Max devia estar aprontando e mesmo não sabendo o que era, ele torcia para que seu pai descobrisse e o livrasse da presença do único cara da escola que fazia o olhar de Liz brilhar. Ele viu de longe os dois saírem para o pátio e quando se virou deu de encontro com duas pessoas que entravam na escola. Kyle deu dois passos para trás assustado com os estranhos. _ Ops! Desculpem! _ Tudo bem, o homem alto respondeu e perguntou onde ficava o gabinete do diretor. Kyle indicou o local e se afastou curioso. Mulder e Scully não tiveram dificuldades em conseguir a colaboração do diretor para para conversarem com os alunos envolvidos. O diretor era falante e ajudou muito os agentes pois enquanto elogiava seus alunos ele deixava escapar informações interessantes. Os irmãos Evans e Michael Guerrin eram adotados. O diretor elogiou muito Max, Isabele e Liz . Excelentes alunos segundo ele. Alex Whitman também recebeu muitos elogios mas quando falou sobre Michael, ambos notaram que ele hesitava um pouco. Scully percebeu que o diretor desconfiava que o padrasto de Michael o machucava e isso prejudicava seu desempenho na escola. Ela espantou-se que os Evans fossem adotados e apresentassem um comportamento tão estável na escola. Perfis como o de Michael Guerrin eram mais comuns em crianças adotadas. Mas Mulder não estava interessado em nada disso. Ele queria falar pessoalmente com os garotos mas como estavam no intervalo, teriam que aguardar o retorno dos alunos para as salas. Scully tentava conter sua impaciência com aquele caso que em sua opinião não era em absoluto um caso. Mas Mulder não pedira sua opinião. Ela suspirou pesadamente e recostou-se na cadeira pensando em uma maneira de matar seu parceiro em meio a muita dor e sofrimento. 10:30 AM Max já estava sentado e com seu livro aberto quando o diretor em pessoa veio chamá-lo à sua sala. Ele seguiu o diretor e sua espinha gelou quando a porta do gabinete foi aberta e um casal esperava por ele. O homem alto identificou- se e à parceira como os agentes Mulder e Scully do FBI. Ele estremeceu ao ouvir o nome da agência federal mas conseguiu manter uma expressão neutra no rosto. O agente pediu ao diretor que os deixassem sozinhos e o homem saiu prontamente. Mulder encarou o adolescente sério sentado à sua frente por alguns minutos tentando quebrar a resistência dele mas o rapaz se mostrou um oponente à altura. Scully imaginou se o inferno congelaria antes que um dos dois perdesse a calma naquela sala. Por fim o rapaz baixou os olhos e perguntou timidamente _ Eu fiz alguma coisa errada Agente Mulder? _ Acha que fez Max? Ele balançou a cabeça negando _ Mas talvez vocês achem que eu tenha feito já que vieram até aqui. Mulder pegou a pasta com os arquivos sobre o tiroteio. _ Estava neste local no dia deste incidente não estava? _ Max pensou em negar mas percebeu que os agentes já deviam ter conversado com Valenti _ Estava sim. _ Viu o que aconteceu? _ Não senhor. Eu sai assim que ouvi o tiro. Fiquei assustado. _ Não se preocupou com as pessoas que estavam lá? Não se preocupou em verificar se alguém estava ferido? _ Por que? Eu deveria? O que eu podia fazer. Havia muitos adultos lá que poderiam ajudar muito mais do que eu. Mulder recostou-se na cadeira sorrindo. O rapaz era esperto. _ Muito obrigado por sua atenção Sr. Evans, manteremos contato. O rapaz balançou a cabeça e saiu da sala. Scully o olhava com a expressão de desagrado no rosto bonito. _ Mulder, você está agindo contra a lei. Ele é menor! Precisava da autorização dos pais dele para conversarem. _ Os pais estão viajando Scully. Ele e a irmã estão sozinhos em casa. Ele pensou por um momento. _ Tem alguma coisa estranha com este garoto Scully e eu vou descobrir o que é. Scully saiu exasperada da sala, ansiosa por um pouco de ar fresco. Mulder acabaria matando-a de tanto nervoso. Ela não podia acreditar no que ele estava fazendo. Seguiu impaciente pelo corredor sem ao menos despedir-se do diretor da escola que aguardava próximo à porta. 06:12 PM O homem caminhava nervoso de um lado para o outro na pequena sala. À sua frente, imóveis como estátuas, três homens aguardavam instruções. Sentada em uma cadeira a um canto a agente ouvia atentamente o desabafo do chefe. _ O Arquivo X não poderia ter sido envolvido. Deveríamos ter desacreditado Valenti logo de início. O agente Mulder não tem uma reputação a manter, conheço os antecedentes dele, nada o deterá. E se ele por as mãos em alguma prova concreta estamos ferrados. Mulder desbaratou O Projeto e atrapalhou imensamente os negócios de muitos de nós. A presença dele em Roswell só vai atrapalhar tudo. _ Porque não capturamos logo os garotos e acabamos com isso? _ Você é mesmo louca Topowsky! Os pais dos garotos colocariam toda a polícia atrás dos seqüestradores. Além disso, graças à sua incompetência, Whitman e Parker sabem que você é agente do FBI e provavelmente já contaram aos outros garotos. Se os Evans desaparecessem eles colocariam a boca no mundo. Topowsky engoliu a resposta malcriada e fez silêncio. _ Vamos dar um aviso a eles. Vocês três, encontrem-se com Donaldson na base aérea. Ele terá as instruções. E não falhem! Os homens saíram apressados e ele sentou-se um pouco mais calmo. _ O que pretende fazer senhor? _ Mandar-lhes um recado para manterem-se afastados de Roswell. Um recado que este agente Mulder nunca esquecerá. 01:35 AM Estavam todos sentados nas mesas do Crashdown Café. Michael, Max, Isabele, Maria, Liz e Alex. As portas haviam sido trancadas depois da saída do último cliente e todos estavam um pouco aflitos. Os agentes do FBI haviam chamado todos eles no gabinete do diretor e feito perguntas sobre o tiroteio. Isabele e Alex realmente não estavam no local e Michael mentiu descaradamente aos agentes. Ele e Mulder se enfrentaram em uma batalha de vontades na qual Mike saiu vitorioso. Os agentes ainda tinham ido aquela tarde ao Crashdown e fizeram mais perguntas a Liz. Ela conseguira manter o sangue frio mas o agente Mulder não parecia querer desistir. _ O que vamos fazer? Era Maria que se desesperava com muita facilidade. _ Nada. Continuamos como estamos. Eles não podem provar nada sobre aquele dia. Se pudessem já teriam me prendido. _ Max, estou com medo. Valenti pegou pesado desta vez. Ele quer acabar com a gente. Depois do incêndio na cozinha de casa, ele ficou ainda mais desconfiado de você. Max sabia disso. Valenti havia colocado suspeitas na cabeça de sua mãe e ele quase perdera a confiança dela. Mas felizmente sua mãe provara que o amava acima de tudo. Só que Valenti não desistia. E agora havia dois agentes federais xeretando sobre eles. Max deu graças a Deus por seus pais estarem viajando juntos desta vez. _ Calma Isabele, eles não vão fazer nada conosco. Não poderiam nem mesmo estar nos interrogando sem a presença ou autorização de nossos responsáveis. _ Então porque não falamos isso a eles? _ Porque eles conseguirão estas autorizações Maria e será pior se nossas mães e pais se envolverem nessa história. _ A Liz está certa Maria. Devemos resolver isso sozinhos. _ Esperem um pouco pessoal. Somos adolescentes. Como vocês esperam que enfrentemos agentes federais sem a ajuda de um adulto? _ Se está com medo Alex, não precisa se envolver. Pode ir embora. _ Já estou envolvido Isabele, lembra? Foi o meu sangue que evitou que descobrissem sobre o Max no hospital. Queira ou não estou envolvido. _ Pessoal, vamos tentar manter a calma, não adianta começarmos a brigar entre nós. Max falava com tranqüilidade passando calma para os amigos. _ Só temos que agüentar até eles desistirem e irem embora. Os suspiros altos ecoaram pelo salão vazio. Os seis jovens estavam sozinhos. Só podiam contar uns com os outros. Uma batida forte na porta fez todos pularem sobressaltados. Liz viu apavorada o agente federal na porta e olhou aflita para Max. Ele lhe fez um sinal com a cabeça e ela abriu a porta tentando controlar o tremor das mãos. Mulder entrou no café e observou satisfeito que seu palpite estava certo. Se os Evans e Guerrin eram mesmo alienígenas, os outros três sabiam e os acobertavam. _ Boa noite garotos. Nenhuma resposta. Os seis jovens o olhavam com evidente hostilidade. Mulder não pôde deixar de sorrir. _ Seus pais sabem que ficam na rua até tão tarde? _ E o senhor agente Mulder? Não sabe que os ares noturnos fazem mal à saúde dos idosos? A resposta ácida de Michael deixou os amigos apavorados mas Mulder apenas riu. _ Caminhar me faz bem. Eu vi movimento aqui dentro e pensei que pudesse ser um ladrão mas não creio que a senhorita Parker iria roubar seu próprio estabelecimento não é mesmo ? Ele sorriu sedutor e Liz não pôde evitar retribuir com um sorriso nervoso. _ Como pode ver, estamos todos bem. Não precisa se preocupar conosco. Aliás, eu e Maria já estávamos de saída Michael estendeu o braço para Maria que praticamente se atirou de encontro ao rapaz. Mulder havia percebido que poderia tirar algo daquela garota mas não com Michael Guerrin colado a ela daquele jeito. Ele sorriu e viu os jovens se afastarem. Alex Whitman também se levantou e quando despediu-se, Max pediu que ele levasse Isabele para casa. Mulder notou que a irmã não queria deixá-lo mas ele lhe fez um sinal com a cabeça e ela saiu resignada. Então o garoto queria enfrentá-lo sozinho. Pior para ele. Mulder havia estudado cuidadosamente todas as evidência e pistas que o xerife lhe entregara e já estava preparado para Max Evans. 01:48AM Os três homens estavam na sala de controle aguardando as informações. Alguém entregou um papel a um deles. Ele dirigiu-se aos outros dois. Um deles saiu para avisar o informante pelo rádio e o que parecia ser o líder falou com o piloto. _ Não podemos nos arriscar fazer isso na cidade. Teremos que aguardar que os agentes se afastem de lá. O piloto assentiu e eles continuaram sua paciente espera. 02:00AM Mulder caminhava pelo salão escuro calmamente. Sabia que o rapaz tinha um excelente auto controle. Não adiantaria pressioná-lo. Mas se ele arriscou seu segredo para salvar a garota que estava a seu lado podia significar que ele faria qualquer coisa para protegê-la. Ele havia lido as informações sobre um incêndio na casa dos Evans que tinha sido controlado pelo rapaz. Segundo Valenti, fogo em gordura não pode ser apagado com água como Max alegara ter feito. Mulder ficara intrigado com isso e decidira que descobriria o segredo de Max Evans naquela noite. Ele iria se arriscar muito mas seu instinto lhe dizia que Valenti não era lunático. Ele não avisara a parceira de que estaria ali. Ela jamais concordaria que ele pressionasse o adolescente. Mas se seu palpite estivesse certo, o rapaz não contaria a ninguém. Ele não podia. Tinha um segredo que não podia ser exposto de modo algum. Mulder parou perto do balcão e virou-se para encarar os dois jovens que permaneciam em silêncio observando - o. _ Vocês são namorados? A pergunta casual pegou os jovens desprevenidos e eles se viram gaguejando até Max conseguir dizer que sim. _Então você deve ter ficado muito assustado no dia do tiroteio não é, quer dizer, com a segurança dela e tudo mais. Max assentiu, não conseguia falar. _ Então Sr. Evans pode me explicar porque saiu correndo do local quando ela caiu no chão aparentemente atingida por uma bala perdida? Liz arregalou os olhos desesperada e Max não articulou nenhuma palavra. _ Sr. Evans, segundo me contou, assustou-se com o tiro e fugiu mas se são namorados o correto seria correr para ela e ajudá-la, tentar protegê-la não concorda? _ Max e eu não éramos namorados na época agente Mulder. Liz estava visivelmente apavorada Mulder sentiu pena do desespero dos dois mas não ia recuar, não agora que estava tão perto da verdade. _ Mas começaram a namorar logo depois então. _ Agente Mulder, porque está fazendo isso? Por que é tão importante para você este tiroteio em uma cidade perdida no deserto? Mulder riu _ Você nem imagina o que isso significa para mim garoto. Não é o tiroteio, é você. O que você é. De onde você vem. Eu procuro respostas Sr. Evans... _ Pois não vai encontrá-las comigo agente Mulder. _ Talvez não com você mas em você. Mulder aproximou-se dos dois devagar e parou bem perto de Max que não podia recuar pois estava apoiado na mesa. Liz afastou-se deles e ficou perto da porta. Ela não queria que o agente federal visse como estava tremendo. _ O que aconteceria se eu conseguisse um mandato para mantê- lo sob minha custódia Sr. Evans? O que eu descobriria mandando fazer um simples exame de sangue ou mesmo de suas células? Mulder percebeu que atingira o alvo pois o rapaz ficou pálido. Nesse instante ele percebeu que seria atacado. Os olhos de Max se arregalaram ao mesmo tempo em que ele gritava _ Liz, não! Mulder virou-se e assistiu estarrecido uma cadeira voar das mãos pequenas de Liz Parker para o chão ao lado deles. Ele voltou-se para o adolescente e viu a mão espalmada de Max mover-se em sua direção. O rapaz não o tocou mas ele sentiu que uma força o empurrava para trás. Mulder desequilibrou-se e os dois jovens saíram correndo do restaurante. Liz estava desesperada _ Meu Deus Max! O que eu fiz! Agora aquele agente vai ter um motivo para nos prender. Max continuava correndo, puxando Liz pela mão _ Esquece isso Liz, ele estava nos pressionando. Vamos depressa! Precisamos chegar em casa e avisar Isabele antes que ele venha atrás de nós. Mulder levou alguns minutos para se recompor. Ele levantou-se furioso consigo mesmo por subestimar os adolescentes. Saiu em direção a seu carro. Se estivesse certo, os jovens iriam alertar os amigos. Mulder tinha quase certeza que Max Evans procuraria sua irmã em primeiro lugar. Entrou no carro alugado e deu a partida. 02:30 AM Isabele estava mais calma depois da conversa que tivera com Alex. Ele lhe transmitia um pouco de confiança. Só um pouco. Por causa do que era, ela se acostumara a contar apenas com Max e Michael. Era difícil confiar nos humanos mesmo que fossem adolescentes como ela. Ela estava sentada no sofá esperando Max quando o ouviu chegar correndo com Liz e assustou-se. _ Max! O que aconteceu! _ Precisamos sair daqui Isabele, rápido! Você e Liz vão buscar Michael, depressa. Ele já deve estar em casa. Leve o jipe Isabele e cuidado para que ninguém veja vocês. _ E você Max? O que vai fazer? Ele respirou fundo antes de encarar a irmã e a namorada _ Vou distrair o agente Mulder para que tenham tempo de fugir. Ele ouviu o grito das duas ao mesmo tempo e sentiu os braços das duas rodearem seu pescoço também ao mesmo tempo. Abraçou-as com força mas continuou firme em sua decisão. Viu-as partir no jipe. Ambas chorando por ele mas sabia que não tinha escolha. Ao menos o amigo e a irmã estariam longe quando o agente federal descobrisse que ele não era humano. Michael cuidaria de Isabele, ele tinha certeza. Ele não teve tempo sequer de entrar em casa e o carro do agente federal já estava na sua porta. Max saiu correndo e sabendo que não tinha mais nada a perder, saltou o portão dos fundos de sua casa deixando Mulder boquiaberto por um segundo antes de atirar no cadeado e seguir o rapaz. Max sentiu o agente se aproximando e sentiu um impulso quase incontrolável de enfrentá-lo mas desistiu. Ele não era assim. Não machucaria o agente federal nem mesmo para salvar sua vida. Deixou que o algemasse e foi levado sem resistência à delegacia. 02:55 AM Michael mal havia entrado em casa quando ouviu o barulho do jipe de Max. Saiu silencioso e preocupou-se quando viu Isabele e Liz chorando. _ O que aconteceu? Onde está o Max? Isabele abraçou-o chorando. _ O agente Mulder o pegou! Max o distraiu para que pudéssemos fugir. Michael pegou Isabele pelos braços e tentou acalmá-la. _ Isabele, pare de chorar. Eu vou buscar o Max na delegacia. Mas antes vou levar você para algum lugar seguro. _A reserva! Michael, podemos deixar Isabele na reserva! Tenho certeza que River Dog poderá escondê-la na caverna onde Nacedo vivia. Michael lembrou-se da caverna onde o velho índio e os amigos o tinham curado de uma doença contraída durante uma cerimônia indígena. Nacedo era o alienígena que vivera entre os índios depois da queda do OVNI em 47. A caverna era bem protegida e Isabele estaria segura lá até que ele tirasse Max das mãos dos federais. _ Está certo Liz, vamos até lá. Depois você volta comigo e avisa Maria e Alex para não se envolverem. Liz assentiu e os três partiram no jipe em direção à reserva indígena. 03:03 AM Valenti não podia acreditar que seu sonho estivesse se tornando realidade. O jovem Evans estava preso e Mulder deixara ordens expressas de que ele deveria ficar algemado na cela e vigiado o tempo todo. Aquilo era totalmente irregular mas não seria ele quem impediria o agente federal, pelo contrário, com os pais do garoto fora da cidade ele não teria a quem recorrer por algum tempo. O agente federal não respondera a nenhuma pergunta de Valenti mas ele tinha certeza de que o homem não só acreditava nele como também acreditava que Max Evans era um alienígena. Mulder pedira ao xerife que não comentasse com ninguém. Ele ainda precisava confirmar algumas suspeitas e solicitar alguns mandatos. Valenti concordara e havia designado um policial para ficar vigiando o rapaz a noite toda. Ele não cabia em si de felicidade. Finalmente iria provar ao mundo que seu pai não era um lunático. Mulder estava preocupado. Nunca tinha feito algo assim antes. Aquilo era totalmente contra a lei mas ele não podia perder aquela oportunidade. Scully o mataria quando soubesse mas ele não podia recuar agora. Estava perto das respostas e pretendia quebrar todas as leis que existiam no mundo para conseguí-las. 04:04 AM Mulder havia acordado Scully e lhe contado tudo o que acontecera. Como previra, ela não havia ficado nem um pouco satisfeita. Na verdade ficara furiosa pelo que ele havia feito com o rapaz. Mesmo assim, havia saído com o parceiro atrás dos garotos que fugiram. Ela acreditava que devolveria a razão a Mulder no momento em que tivessem os outros adolescentes sob custódia. Ela sabia que Mulder estava fora de si. Ele costumava ficar assim quando se aproximava de provas concretas da existência de alienígenas. Pelo que ele contara, o rapaz deveria ter algum poder mas ela ainda não acreditava que fosse extraterrestre. Já haviam lidado com tantos casos bizarros. Por que justamente três crianças trariam a seu parceiro as respostas que tanto procurava? As marcas do jipe na casa de Michael Guerrin se dirigiam para a estrada deserta e foi para lá que eles foram. Scully encontrou a reserva indígena assinalada em seu mapa e seguiram para lá. Os palpites de Mulder não costumavam estar errados mesmo que ela os contestasse, mais por hábito que por convicção. O palpite foi acertado. Chegaram minutos depois dos adolescentes que conversavam agitados com um índio jovem que aparentemente se recusava a ajudar. Mulder parou o carro e ambos desceram armados. Michael ameaçou resistir mas Isabele implorou que ele não fizesse nada. Mulder aproximou-se do rapaz voluntarioso reconhecendo um pouco de si mesmo nele. Não apenas na aparência física mas também em seu olhar determinado e sua petulância em enfrentá-lo olhos nos olhos. Talvez o rapaz percebesse também o quanto eram parecidos e por isso mesmo desistiu de enfrentar o adulto à sua frente pois algo em seu íntimo lhe dizia que ele apertaria o gatilho pois tinha certeza de quem ele era. Com os olhos claros brilhando de raiva, ele levantou as mãos. Mulder virou o rapaz de costas e algemou-o. _ Mulder, isso não é necessário. Scully estava furiosa com o parceiro mas ele não se incomodou com isso. _ Scully, acredite em mim, este rapaz é mais perigoso do que um assassino armado. Quando chegaram de volta ao carro, este estava com os quatro pneus murchos. Obviamente uma cortesia dos índios da reserva que não estavam satisfeitos com o tumulto. Mulder decidiu então que iriam no jipe. Ele colocou o rapaz na frente com ele e Scully foi atrás com as duas moças. Os primeiros raios de sol derramavam sua luz sobre o deserto do Novo México quando o jipe partiu deixando um rastro de poeira atrás de si. 04:30AM O homem acenou com a cabeça concordando assim que terminou de ler o papel. Chamou seu homens e o piloto. _ É agora senhores. Eles estão no deserto. É o local ideal para o agente Mulder receber seu aviso. Ele saiu seguido dos outros homens já devidamente armados de fuzis de longo alcance. 04:58AM O silêncio incômodo imperava no veículo que os levava para sua destruição. Liz queria chorar mas não conseguia. A dor em seu peito era grande demais para lágrimas. Ela iria perder Max para sempre. Eles perderiam sua liberdade e provavelmente suas vidas nas mãos do governo. A estrada começava a clarear e ela olhou para Michael que fitava a estrada impassível. Como ele podia estar tão calmo? Ela não compreendia! Então ela percebeu que ele havia aberto as algemas. Deus! Ele vai tentar fugir! Ela estava apavorada com o que ele poderia fazer aos agentes federais para conseguir escapar. Foi então que o ruído de um helicóptero chamou a atenção de todos. Ele estava perigosamente próximo do veículo e Mulder precisou parar. Ele logo percebeu que corriam perigo pois avistara dois homens armados. Olhando em volta ele percebera que não havia onde se esconder mas ficar no veículo seria ainda mais perigoso. Se os homens atirassem no tanque de combustível... Mulder desceu rapidamente do jipe e gritou para que as mulheres descessem. Quando pensou em ajudar o rapaz algemado percebeu que ele já estava solto e protegia as duas jovens com seu corpo. Ele e Scully sacaram suas armas e começaram a atirar inutilmente contra seus atacantes. As balas passavam raspando por eles e logo ficou claro quem era o alvo. Dando um grito, Mulder correu em direção à sua parceira para protegê-la mas parou horrorizado ao perceber o sangue manchar a blusa branca na altura do peito. O helicóptero se afastou rapidamente e Mulder não conseguiu distinguir o rosto dos atiradores. Ele correu para ela e a segurou a tempo. Abaixou-se cuidadosamente no chão e acariciou os cabelos molhados de suor ternamente. _ Estou aqui Scully. Por favor fique comigo, olhe pra mim Scully. Precisa ficar acordada. PRECISO DE AJUDA!! Ele gritou desesperado para os três jovens que o observavam atônitos. Mesmo que não estivessem a quilômetros do hospital mais próximo, os adolescentes percebiam que não havia tempo para isso. A mulher estava morrendo. Mulder chorava apertando Scully em seus braços. Ele podia sentir a vida se esvaindo pelo sangue que escorria como um rio em suas mãos. Ele rezava. Implorava a Deus que não a tirasse dele. Ele não suportaria perdê-la. Michael e Isabele assistiam à cena impassíveis. Aqueles agentes haviam destruído suas vidas. Aos dois nada mais importava a não ser recuperarem Max e desaparecerem de Roswell para sempre. Michael sentiu as mãos delicadas de Liz o pegarem pelos braços e o virarem de frente para ela. Seus olhos traíam seu desespero. _ Michael, pelo amor de Deus! Você precisa ajudá-la. Eu sei que pode. Sei que pode fazer a mesma coisa que Max fez comigo. Os olhos claros de Michael era frios como gelo._ E por que eu deveria ajudar as pessoas que tiraram Max de nós? Ele estava pronto para se desvencilhar das mãos de Liz quando ouviu a voz de Isabele às suas costas _ Por que é o que Max iria querer Michael. Ele faria isso se estivesse aqui. Você sabe que ele faria. Ele soltou-se de Liz e virou-se para o casal no chão. O agente do FBI permanecia abraçado à mulher. O corpo dele era sacudido por soluços e ele tinha a cabeça encostada nos cabelos vermelhos que brilhavam ao sol da manhã. Mulder não continha mais o desespero. Ele sabia que ainda estavam a quilômetros de qualquer coisa civilizada e Scully não resistiria à viagem. Então ele sentiu um pressão em seu ombro e adivinhou ser o rapaz, Michael. Ele levantou o rosto coberto de lágrimas e a expressão fria do jovem pareceu suavizar-se ao falar com ele. _ Por favor agente Mulder, se quiser que ela viva precisa se afastar. Mulder não pretendia soltar Scully nem por um segundo mas a pressão em seu ombro aumentou e ele se viu obrigado a deixar a parceira no chão e levantar- se. Michael se abaixou e rapidamente abriu a blusa ensopada de sangue expondo a pela clara manchada de vermelho. Ele a segurou pela nuca e falou suavemente com ela _ Agente Scully, abra os olhos. Precisa olhar para mim. Agente Scully, por favor, olhe nos meus olhos. Scully já estava perdendo a consciência de tudo à sua volta. Ela podia ouvir vagamente Mulder falando com ela mas depois percebeu que não era voz de Mulder. Era outra pessoa. Ela abriu os olhos com dificuldade e os focalizou em um rosto jovem que a fitava sério. Ela se lembrava daquele rosto mas não conseguia pensar direito. Seu peito doía e ela estava ficando com muito frio. Os braços e pernas estavam entorpecidos e ela queria dormir. Apenas dormir e fazer a dor parar. Então o rapaz sacudiu sua cabeça e ela abriu novamente os olhos, fixando-os nos olhos esverdeados que a fitavam com intensidade. Michael percebeu que não tinha muito tempo. Quando a mulher abriu os olhos ele rapidamente colocou sua mão entre os seios dela bem em cima do buraco da bala e imediatamente sentiu um choque que percorreu todo seu corpo. Ele nunca havia sentido nada como o que sentiu. Na verdade nunca tinha feito algo assim. Já havia curado seus próprios ferimentos e também uma vez o tornozelo quebrado de River Dog mas só isso. Max já havia feito isso e lhe contara a respeito da sensação mas mesmo assim Michael não estava preparado para o que aconteceu depois. Ele pôde ver em sua mente lembranças antigas daquela mulher. Flashes de uma menininha ruiva brincando em uma calçada. Ele sentiu uma confusão de emoções e viu muitas imagens desconexas que passaram pela mente dela naquele momento. Em várias daquelas imagens, o homem alto que era seu parceiro estava presente e Michael baixou sua guarda por um momento quando sentiu o quanto aquela mulher amava aquele homem. Nesse momento Scully pôde captar em sua mente imagens vindas do garoto que a olhava tão intensamente. Ela viu três crianças assustadas, perdidas e desorientadas. Sentiu a amizade e carinho que unia os três adolescentes alienígenas. E por um instante, a imagem de um homem esbofeteando Michael cruzou a mente de Scully. As emoções de Michael a assustaram e emocionaram. Ele estava apenas procurando seu lugar no mundo. Como todos os seres humanos faziam. Eles não eram diferentes dos humanos. Queriam apenas seu direito de viver em paz. De repente Scully percebeu que não sentia mais frio. Nem dor. O sangue havia parado de correr pra fora de seu corpo. O ferimento não existia mais. Michael a apoiou delicadamente e a ajudou a sentar-se. Mulder ficara parado ao lado das duas meninas, atordoado demais para se mover. Assistira chocado Michael Guerrin tocar o ferimento no peito de sua parceira e o sangue parar de correr. Ele não podia acreditar no que estava vendo. De repente seu cérebro voltou a comandar seu corpo e ele correu para Scully apertando-a em seus braços. Ele chorava mas agora suas lágrimas eram de alívio. Num impulso segurou o rosto dela em suas mãos e a beijou ternamente. _ Graças a Deus você está bem! Ele sussurrou sorrindo depois que afastou seus lábios dos dela. _ Graças a Michael ela está viva agente Mulder. A voz de Isabele soou cortante em suas costas. _ Não acha que deveria considerar isso? Mulder e Scully fitaram um ao outro por um segundo e em sua comunicação muda concordaram que deveriam ajudar os adolescentes de alguma maneira. Mulder levantou-se e amparou delicadamente a parceira. Dirigiu-se ao jipe para acomodá-la no banco de trás mas parou de frente para os três adolescentes que o encaravam. Afastando-se um passo de sua parceira ele perguntou ao rapaz que o encarava desafiante. _ Por que a salvou? O rapaz deu de ombros indiferente. _ Elas pediram. Além do mais, se Max estivesse aqui, é o que ele faria. Ele abriu a boca para falar algo mas sentiu a mão de Scully em seu ombro. _ Me deixa falar com ele Mulder. Ele olhou para a parceira mas ela tinha o olhar fixo no rapaz que ficou subitamente tímido, abaixando o olhar, evitando o dela. Mulder se afastou e sentou-se no jipe ao lado de Liz Parker e Isabele Evans. Os três ficaram em silêncio observando Scully frente a frente com Michael. Ele permaneceu quieto, quase adivinhando o que ela iria lhe dizer. Ao baixar a guarda, ele havia inadvertidamente passado para ela segredos seus guardados em segurança por tanto tempo. Ele não queria olhar nos olhos dela e ver piedade. Michael era orgulhoso demais para aceitar esse sentimento. Num impulso Scully estendeu a mão para o rosto dele que deu um salto para trás assustado. Ela recolheu a mão imediatamente e ele finalmente a olhou nos olhos. _ Eu...eu não pretendia machucá-lo. Só queria agradecer o que fez por mim. Você salvou minha vida mesmo depois de termos destruído a sua. Por que fez isso? Michael queria parecer indiferente como havia feito com o parceiro dela mas não podia. Ele guardava em sua mente a imagem da menininha inocente brincando em uma calçada. Com certeza ela guardaria na dela a imagem dele apanhando do padrasto. Como se tivesse lido sua mente, Scully falou. _ Eu lamento que sua vida tenha sido desse jeito Michael, lamento de verdade. Ele a encarou e sorriu amargamente. _ O que vocês sabem sobre minha vida agente Scully? O que sabem sobre nós? Querem nos estudar como espécimes raros. E quando não servirmos mais o que farão? Nos matarão? Seu governo nos considera uma ameaça. Sabemos disso. Eu salvei sua vida mas não vou ser levado preso como Max. Se não conseguir tirá-lo das mãos do xerife Valenti, eu vou embora com Isabele para sempre. Scully percebeu a emoção na voz do rapaz quando mencionou o amigo. Ele não iria embora enquanto não tirasse Max da custódia da lei. E pelo poder que ela testemunhara, tinha certeza que ele poderia matar com a mesma facilidade com que salvara sua vida. Michael sentiu a mão dela segurar seu braço enquanto a outra tocava sua face. Desta vez ele não se afastou mas fechou os olhos que se encheram de lágrimas ao sentir o toque suave da mão feminina. Scully sorriu docemente ao perceber que tinha diante de si apenas um garoto assustado e sofrido com o passado violento e com medo do futuro incerto que se desenhava diante de si. Ela o puxou para si e o abraçou. Michael se agarrou a ela como um homem que está se afogando se agarra à uma madeira que flutua no mar incerto. Isabele e Liz estavam boquiabertas. Nunca haviam visto o amigo se portar daquela forma. Ele sempre fora o mais frio dos três alienígenas e o único sentimento mais terno que o viram manifestar foi quando se interessou por Maria. Mesmo assim, ele sempre expressava seu carinho de maneira um pouco estranha. Mulder ficou observando sua parceira com aquele garoto e tomou uma decisão. Uma decisão que lhe custaria muito mas faria Scully feliz. E ele estava disposto a fazer qualquer coisa para ver sua parceira feliz. Aproximando-se dos dois ele pediu Scully que esperasse no jipe e encarou Michael. O rapaz se recompôs rapidamente e encarou o agente federal com a maior frieza possível. Mulder sorriu ao perceber o quanto aquele jovem se parecia com ele, em todos os aspectos. _ Michael, eu quero lhe propor um acordo. Como agradecimento pelo que fez por minha parceira, eu vou tirar Max da delegacia. Não houve nenhuma denúncia formal e vocês poderão continuar na cidade como se nada houvesse acontecido. Michael balançou a cabeça negando. _ Não agente Mulder. O Xerife Valenti já estava de olho em nós há algum tempo. Agora que ele tem Max, não vai querer soltá-lo. Vocês lhe deram este poder e ele vai usá-lo. Mulder sorriu para o rapaz. _ Você não imagina o quanto uma insígnia do FBI pode ajudar em uma situação destas rapaz. Seu xerife pode ser a autoridade por aqui mas não pode ir contra uma autoridade federal. Além disso tenho um trunfo que seu xerife desconhece, deixe comigo. Michael não fazia idéia do que seria este trunfo mas seguiu o agente até o jipe e acomodou-se entre Liz e Isabele enquanto Mulder retornava à cidade. Durante todo o trajeto o silêncio predominou e mesmo depois de Mulder estacionar o jipe em frente à delegacia e entrar seguido por sua parceira nenhum dos adolescentes tinha coragem de falar nada. Cada um deles a seu modo rezava para que o agente conseguisse cumprir o prometido e libertar Max. Scully havia vestido o blazer sobre a camisa branca manchada de sangue e abotoado todos os botões e por isso transpirava muito ao entrar na delegacia. Mesmo assim ela se sentia bem. Maravilhosamente viva e devia sua vida a um alienígena. Mesmo em seus piores pesadelos ela nunca imaginara que isso aconteceria com ela. Mas havia acontecido e ela agradecia a Deus pela nova chance de viver que estava tendo. E sabia que o rapaz que salvara sua vida merecia ter o amigo de volta são e salvo e ela faria o que fosse preciso para tirá-lo de lá mesmo que tivesse que apontar sua arma para o xerife e seu assistente. Mas olhando o brilho nos olhos de Mulder ela desconfiava que não precisaria tomar nenhuma atitude drástica. Perdida em seus pensamentos ela só percebeu que já estavam sentados no escritório do xerife quando o ouviu gritar. _ O QUÊ? O que está dizendo agente Mulder? Mulder suspirou com fingida impaciência _ Estou dizendo xerife que o seu alienígena é um adolescente normal. O senhor se enganou. Valenti levantou-se e se inclinou sobre a mesa em direção ao agente federal. _ Isso não é possível! Havia uma outra unidade do FBI trabalhando neste caso. Eu o chamei porque pela sua fama sabia que acreditaria em mim. Mulder cruzou a perna fazendo uma expressão de enfado _ E acreditei mesmo xerife. Sabe, tenho a mente completamente aberta para esses assuntos mas nesse caso, posso afirmar-lhe com certeza: Não há alienígenas nessa história. O jovem Evans é um rapaz normal como seu próprio filho. Por isso gostaria muito que liberasse o garoto que mantém preso neste distrito. Valenti não se conformava _ Não! Não vou fazer isso agente Mulder. Eu finalmente o tenho nas mãos e não vou libertá-lo. Mulder levantou-se e dominou a pequena sala com sua altura _ E vai manter o rapaz preso sob que acusação xerife? Eu pretendo colocar em meu relatório que não existe nenhuma evidência de presença alienígena nesta área. Depois disso, manter o rapaz preso pode lhe causar muitos problemas com o serviço social. Max Evans é um aluno exemplar e não cria problemas. E também é menor de idade. Acho que os pais dele não ficarão nada satisfeitos com o que aconteceu quando retornarem de viagem. Além do mais xerife, posso lhe garantir que ninguém vai acreditar em suas afirmações, principalmente depois delas terem sido desconsideradas por alguém como eu. Scully só faltou aplaudir seu parceiro de pé. A julgar pela palidez do xerife ela percebeu que ele sabia que se o "estranho Mulder" não acreditava em seus "homenzinhos verdes", ele seria ridicularizado e desacreditado por todos. Se o Arquivo X do FBI não pretendia continuar as investigações, ele não poderia fazer mais nada. Ela permaneceu impassível enquanto Valenti ia até a porta e ordenava que trouxessem o prisioneiro Evans até a sala. Enquanto os segundos se escoavam, Mulder voltara a sentar-se calmamente. Scully o olhava feliz e orgulhosa. Ele havia visto, tinha provas concretas em suas mãos. E havia desistido de provar a verdade por ela. Scully desconfiava que o coração do parceiro não resistira e sucumbira ao sentimento de proteção em relação aos adolescentes. A porta se abriu e Max Evans entrou algemado. Sério, ele olhou para os agentes e para o xerife com o rosto impassível. Max estava apavorado pois não sabia o que havia acontecido a Mike e Isabele e ninguém naquela sala lhe daria nenhuma informação. Para sua surpresa, Valenti soltou as algemas e entregou-lhe um saco de papel com seus pertences dentro. O agente federal lhe falou algo sobre pedido formal de desculpas por parte do FBI, engano, mal entendido mas Max já não prestava atenção. Aquele homem na sua frente havia visto o que ele podia fazer. Sabia que ele não era humano. Então porque todo aquele falatório sobre enganos e desculpas? De repente Max percebeu que estava livre os agentes o acompanhavam para fora da delegacia sob o olhar furioso de Valenti. A primeira imagem que a mente de Max registrou quando saiu para a luz do sol foi Michael, Isabele e Liz parados do outro lado da rua, sorrindo. Até mesmo Michael estava sorrindo. Ele olhou para os agentes que sorriam também e Mulder fez um gesto de assentimento com a cabeça incentivando-o a ir encontrar os amigos. Max caminhou lentamente até eles e Isabele pulou em seus braços rindo e chorando. Sem soltar Isabele, Max puxou Michael para si abraçando o amigo. Nenhum deles falou nenhuma palavra, isso não era necessário entre eles. Liz ficara atrás observando a cena com lágrimas nos olhos e um sorriso na boca. Max soltou a irmã e o amigo e aproximou-se dela. Ela sentiu a mão dele acariciar seu rosto e segurar sua nuca, puxando-a para perto dele. Suas bocas se uniram em um beijo suave. Quando se separaram, Liz conseguiu murmurar _ É bom ter você de novo com a gente Max. _ É bom estar com todos vocês. Alex e Maria chegaram um segundo depois. Maria correndo e gritando, abraçando os amigos e olhando desconfiada para os agentes federais. Liz contou aos dois que os agentes haviam ajudado Max e os outros e Mulder foi presenteado com um olhar de verdadeira adoração por parte da impulsiva adolescente. Michael falou rapidamente com o amigo e Max aproximou-se de Mulder com a expressão desconfiada _ Por que nos ajudou agente Mulder? _Vocês me ajudaram primeiro. Devolveram minha vida acrescentou sorrindo enquanto abraçava a parceira protetoramente. Max sorriu para os agentes feliz por seus amigos terem confiado nos adultos certos. Agora eles tinham um amigo. Depois de alugarem outro carro para seguirem viagem, Mulder e Scully partiram de Roswell. O silêncio estava ficando incômodo. Ainda faltava uma boa distância até Albuquerque e nenhum dos dois tinha coragem de iniciar a conversa. Scully mal acreditava em tudo o que presenciara. Estava viva graças a um alienígena adolescente e Mulder havia confessado que a amava. Claro que não usara a palavra amor exatamente mas deixara claro por suas atitudes que era amor. Ou será que ela queria tanto que ele a amasse que estava imaginando coisas? Estava com medo de falar com ele e descobrir que a preocupação dele era apenas a de um colega com sua parceira. Ela suspirou pesadamente o que fez com que ele parasse o carro bruscamente, saindo da estrada com violência para a areia do deserto. _ O que foi Scully? Está sentindo alguma dor? Alguma coisa? Precisa de alguma coisa? Ele estava inclinado em direção ao banco do passageiro encarando-a com o semblante genuinamente preocupado. Ela sorriu. _ Não Mulder, está tudo bem, eu juro. Não estou sentindo nada. Ela o viu fechar os olhos aliviado e sentiu os braços fortes a puxando para junto dele. De repente ele a soltou e saiu do carro apressado. Ela ficou observando enquanto ele encostava-se no capô do veículo e passava as mãos pelos cabelos em um gesto que ela conhecia bem e que sinalizava que ele estava confuso e angustiado. Com um suspiro triste, ela abriu a porta e desceu aproximando-se dele. CRASHDOWN CAFÉ Ainda era cedo mas nenhum deles havia conseguido ir para a escola. Estavam todos no vestiário do Crashdown. Felizmente, os pais de Liz estavam participando de um mutirão e haviam passado a noite com outros vizinhos na pequena propriedade de amigos os quais estavam ajudando. Os seis adolescentes estavam em silêncio, apenas saboreando a companhia uns dos outros. Companhia que descobriram ser preciosa e que poderiam ser privados dela a qualquer momento. Isso era assustador. Mas eles não queriam pensar nisso. Não queriam se preocupar com uma futura separação. Estavam juntos agora e era isso o que importava. Max prendeu os olhos de Michael nos seus. Ele sabia que Michael havia sentido algo em seu breve contato com a agente federal e estava curioso pois o amigo parecia incomodado com aquilo. _ O que aconteceu Michael? O que você viu? Os outros o olharam curiosos e ele decidiu que não haveria mal algum os amigos saberem. _ A agente ruiva é perdidamente apaixonada pelo parceiro dela. Max estava espantado _ Estranho, ela parecia muito contrariada com ele quando estavam me interrogando. Tenho certeza de que ela não concordava com o que o agente Mulder estava fazendo. _ E mesmo assim estava aqui com ele. Acredite Max, eu sei o que vi e o que senti. Foi uma experiência impressionante. E sei que ela o ama. _ Ele também a ama... a voz de Liz soou baixa mas todos se voltaram para ela. _ Dava para sentir o desespero dele no deserto. Se ela morresse, ele morreria com ela, tenho certeza. Max sorriu e a puxou para si abraçando-a com força. Ele não lhe diria mas morreria se algo acontecesse a Liz. Felizmente o amor não conhecia barreiras e o amor do agente Mulder por sua parceira havia salvo todos eles. Eles continuaram em silêncio. Estavam juntos e a salvo por enquanto. Não havia nada mais importante que isso. Mulder estava de olhos fechados mas podia sentir o calor do corpo dela ao seu lado que o aquecia mais que o sol forte do deserto do Novo México. Ela tocou o braço dele e sentiu-o estremecer. _ Mulder, o que foi? Ele não resistiu mais e virando-se abraçou-a com força. Ela fechou os olhos, adorando aquele contato. Ele chegou os lábios bem perto do ouvido dela e sussurrou _ Eu não sei o que faria se perdesse você. Acho que morreria também. Ele a soltou e olhou-a nos olhos. _ Está arrependido por ter deixados os garotos livres? Ele negou sorrindo. _ Claro que não! Eu faria qualquer coisa por eles depois do que fizeram por nós. Foi um preço muito baixo pela vida da mulher que amo. Scully arregalou os olhos. Não queria acreditar no que havia escutado. _ Mulder... mas ele a interrompeu _ Scully, eu não posso mais continuar fingindo que somos apenas grandes amigos. Eu amo você. Mais do que a minha vida. Mais do que as minhas convicções. Você é a única coisa que me importa no mundo. Minha irmã está morta e a verdade está longe de ser absoluta. A verdade está dentro de cada um de nós e eu já encontrei a minha. É estar ao seu lado...para sempre. Um sorriso iluminou o rosto dela que abraçou-o com mais força, desejando que o tempo parasse e eles pudessem ficar ali para sempre. _Eu também amo você Mulder. E há muito tempo que nada, nem mesmo minha própria vida é mais importante para mim do que você. Mas hoje eu descobri que não quero morrer. Quero poder estar ao seu lado, hoje e sempre. Nada mais importa. Feliz por constatar que seu amor era correspondido, Mulder beijou a mulher em seus braços tendo a certeza de que finalmente sua busca havia terminado.