Título: Milagre de Natal Autora: Alice J. Foster (Fe) Disclaimer: Não são meus, nunca foram, e infelizmente, nunca serão... Resumo: Deixe-me ver... eu sou péssima nisso... Ok, é o diário da filha do Mulder. Acho que é o melhor resumo que eu posso fazer. Classificação: Shipper. Teor médio a alto de glicose, mas nada descritivo, afinal estou escrevendo do ponto de vista de uma garota de DOZE anos (está bem, eu assumo, eu nem era tão ingênua assim com doze, mas minha beta Cris achou uma frase, que era leve, meio pesada para ela então eu desisti de fazer qualquer outra menção...) Agradecimentos: Minha beta Cris. Cris, muitíssimo obrigado por betar essa fic, adorei! Te adoro, irmãzinha! Um super beijo especial para todas às minhas irmãs ADAS e para a tia Sky pelo review que me emocionou. Feedback: eu imploro! alice_j_foster@hotmail.com *-*-*-*-*-* 20/12/2013 Querido Diário. Não. Isso ficou infantil, eu não sou mais criança. Meu pai, que diz ter feito faculdade de psicologia, disse para eu escrever em um diário, pois isso me ajudaria a desabafar. Mas de vez em quando ele tem umas recaídas e diz que não é psicólogo... vai entender. Acho que só minha mãe o entende. E agora que eles brigaram, como eu fico? Bem, diário, é a primeira vez que eu escrevo te contando as coisas, então acho melhor começar do começo. Meu nome é Hope Faith Scully- Mulder. Minhas colegas brincam e tiram sarro do meu nome mas foi minha mãe que escolheu durante um período difícil, então acho que ela fez uma ótima escolha. Eu nasci no dia 14/02/2001. Tenho doze aninhos agora. Mas todo mundo acha que sou mais velha. Talvez seja porquê eu não converso com o pessoal da minha idade. Tanta gente legal para conversar, você acha que eu vou conversar com aquelas garotas idiotas da minha classe? Eu tenho o tio Frohike, o tio Langly, o tio Byers e o tio Skinner. Eles são muito mais legais. Garanto que nenhuma menina da minha classe sabe entrar nos arquivos do Pentágono. Ou da Área 51. Aliás, a maioria nem sabe o que é a Área 51. Às vezes eu fico chateada por não ter ninguém para conversar, mas meu pai diz que na época dele, também era assim. Ele tinha até apelido: Estranho. Coitado, meu pai sempre sofreu muito. Até conhecer minha mãe. Quando ele conta da vida dele, ele sempre fica triste depois da parte que a tia Samantha foi embora. Mas os olhos dele voltam a brilhar quando chega a parte em que ele conheceu a mamãe. Agora eu estou preocupada. O que vai acontecer? E se os olhos dele nunca mais brilharem? Ele dizem para eu não me preocupar, que isso não vai me atingir. Mas isso está atingindo-os. Dá para ver claramente. Ok, novamente eu explico tudo calmamente. Há quase um mês, meus pais brigaram. Eu nunca tinha visto os dois brigarem. Quer dizer, eu já os tinha visto discutir, mas era sempre algo por causa do trabalho. Eles nunca tinham brigado na minha frente daquele jeito. Primeiro eu achei que fosse apenas porquê o papai estava triste por causa da tia Samantha. Ela foi levada dia 27/11/1973, então ele sempre fica triste no final de Novembro. Ação de Graças aqui em casa sempre foi difícil, mas ele sempre se alegra quando eu chego perto dele. Ele diz que eu pareço a tia Samantha, mas tenho os olhos da mamãe. Desde que eu voltei a morar com eles, quando eu tinha uns três anos, ele fica triste nessa época. Eu só pude morar com eles quando eu tinha três anos pois antes não era seguro. Eu nunca entendi direito essa história e acho melhor não perguntar. Como em todas as famílias, existem coisas que não devem ser perguntadas na nossa. Ele geralmente se alegra quando a mamãe conversa com ele. Mas dessa vez foi diferente. Dessa vez ele ficou bravo quando a mamãe foi falar com ele. A mamãe também ficou brava e quando eu vi ele estava arrumando as malas e dizendo que ia passar uns tempos com os tios Frohike, Langly e Byers. Eu não sei como eles conseguem. Eles ainda estão trabalhando juntos, mas brigados. Tio Skinner não está feliz com essa briga. Eu o ouvi falando para a mamãe que ele quer se aposentar vendo os agentes dele felizes. Minha mãe disse que estava bem, mas eu sei que ela não estava. Aliás, se o tio Skinner começa a vir aqui muito é sinal de problema. Eu ouvia palavra transferência saindo da boca da minha mãe e eu gelei, mas o tio Skinner a convenceu a esperar mais um pouco. É estranho o papai não vir me dar um beijo de boa noite como ele sempre faz. Eu sei que estou velha demais para isso e já disse isso para ele, mas ele diz que gosta de fazer isso. Acho que ele quer ter certeza de que eu não fui abduzida... Eu gostaria de saber porquê eles brigaram. Mas não tenho coragem de perguntar. Eu sei que a minha mãe é ciumenta e meu pai não fica muito atrás, mas tenho certeza de que eles não brigaram por isso. Acho que eu vou procurar saber o porquê da briga deles. Vou tomar coragem e assim que eu descobrir o porquê, eu te conto, diário. *-*-*-*-*-*-*-*-*-*-* 21/12/2013 Como já estou de férias devido ao Natal, tive o dia inteiro para tentar descobrir o porquê eles brigaram. Comecei perguntando ao tio Skinner. Ele simplesmente me disse que não poderia me dizer nada, que eu deveria perguntar aos meus pais. Mas eu tenho medo. Eles não estão nem se falando a não ser profissionalmente e eu tenho medo de perguntar e eles ficarem chateados. Papai ainda está no QG dos Pistoleiros. Mamãe fica achando coisa para limpar na casa. Nossa casa nunca esteve tão limpa. Eles não choram. Isso eu posso ver. Eles nunca choram. Eu também não. Fico triste, mas não consigo chorar. Não vou gastar tempo me lamentando enquanto eu preciso juntar os dois de novo. Eu sei que algumas pessoas não se sentem bem juntas e chega um momento em que precisam se separar para serem felizes, mas eles são diferentes. Não é porque são meus pais, mas é que com eles é diferente. Tem uma menina na minha classe, que já está no terceiro padrasto. Eu não consigo ver meus pais separados. Uma vez meu pai me disse que ele teve que ficar três meses sem minha mãe e minha mãe teve que ficar seis meses sem ele. Ele quase morreu, ele disse. Minha mãe teve que ser forte pois estava grávida de mim, mas ainda assim ela ficou muito triste. Ela disse que eu também ficava triste, que ela "sentia". Não consigo imaginar minha mãe, a "enigmática Dra. Scully", como meu pai brinca com ela às vezes, "sentindo" alguma coisa. Ela precisa de provas. Mas parece que durante a minha gravidez foi diferente. Infelizmente eu não me lembro de nada e tenho certeza de que se lembrasse, não seria algo legal, toda aquela gosma em volta de mim, comendo pelo umbigo, eca! Se eles não conseguem viver um sem o outro, como eles estão conseguindo viver assim, separados? Amanhã eu vou passar o dia com eles. Vou para o FBI com eles. Parece que como está na época do Natal, ninguém vai ligar. Eu adoro aquele porão. Minha mãe reclama, mas sei que ela gosta também. Eu às vezes fico na sala do tio Skinner também. Mas eu prefiro o porão. Às vezes fico mexendo no computador do meu pai. Ele acha que eu não consigo adivinhar a senha dele... coitado, já tem dois anos que ele não muda aquela senha. Será que amanhã eu consigo descobrir alguma coisa? Espero, estou já com muita saudade dele e da minha mãe juntos. Agora eu estou aqui, escrevendo em cima do telhado, mesmo estando com frio. Minha mãe está lá embaixo, olhando para as estrelas, sentada no balanço que meu pai instalou. Não sei porquê, mas tenho a sensação de que meu pai está olhando para a mesma estrela em algum lugar. *-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-* 22/12/2013 Hoje eu saí cedo com a minha mãe. Ela perguntou se eu realmente queria ir, e que se eu não quisesse, ela ligaria para o tio Skinner e pediria um dia de folga. Eu prontamente respondi que queria e fiz uma genuína imitação (se isso é possível) do olhar do papai. Ela não resistiu, como sempre. Eu tento dizer para esse povo que eu tenho doze anos e não cinco, mas ninguém me escuta. Ela segurou minha mão o tempo todo. Quando entramos no porão, o papai estava de óculos e senti a mão da mamãe começar a tremer. Ele também ficou olhando para ela e só depois de algum tempo, ele olhou para mim. Eu não me importei. Ele veio e me pegou no colo e como sempre, reclamou que eu estava pesada demais. Ele não espera que eu pese sempre 40 kg, não é? Eu já estou quase da mesma altura que a minha mãe, mas ela estava com um daqueles sapatos de salto que a deixa na altura do queixo do papai pelo menos. O clima no escritório estava pesado. Mamãe sentou na mesinha (ou escrivaninha dela) por um bom tempo e ficou preenchendo uns papéis. Acho que ela não percebeu, mas o papai não tirava os olhos dela. Eles sempre pareceram mais adolescentes que eu. Parecem eternamente um casal de namorados. Às vezes eu digo que eles devem parecer mais com um casal de adultos e eles apenas me ignoram. Mas isso não me incomoda. O que me incomoda é vê-los assim, distantes. Hoje eu tive a certeza mais que absoluta de que eles ainda se amam. Seja no modo como o papai colocou as mãos nas costas da mamãe quando estávamos saindo, ou como ela rebateu algumas teorias dele. Às vezes eu gosto de ficar encolhidinha num canto enquanto eles brigam. Eles discutem por horas a fio e às vezes até esquecem que eu estou lá. Eu adoro isso. Não que eu goste de ser ignorada, mas eu gosto de ver essa interação deles. Só preciso descobrir ainda porquê eles brigaram. Amanhã eu vou de novo para o escritório. Vamos ver se dessa vez eu tenho coragem de perguntar o que está acontecendo. *-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-* 23/12/2013 Hoje o dia saiu melhor do que eu esperava e pior do que meus pais esperavam. Quando estávamos saindo, o carro da mamãe quebrou. Relutantemente, ela ligou e papai veio nos buscar, mas começou uma nevasca e tivemos que ficar presos aqui o dia inteiro. Papai estava com algumas pastas de casos e eles ficaram revisando alguns. Enquanto faziam isso, parecia que nada havia acontecido no último mês. Mas aí eles pararam de trabalhar e ela foi para o escritório e ele foi para a cozinha preparar chocolate quente para nós dois. Ele me colocou sentada no balcão da cozinha e ficou conversando comigo, como ele sempre faz. Enquanto tomávamos o chocolate, ele começou a contar alguns casos do passado. Ele começou a contar de quando ele ficou doente, com um problema no cérebro e fizeram uma cirurgia nele. Ele começou a contar que a mamãe ficara na África procurando algo para ajudá-lo. E que quando ela voltou ele ficou feliz que podia ler os pensamentos dela. Ele ficou feliz, pois ele nunca tinha sentido tanta felicidade e amor antes. Ele não sabia, mas a mamãe escutou toda a história, pois ela estava parada na porta da cozinha. Eu vi quando os olhos dela encheram de lágrimas e ela fez sinal pedindo que eu não dissesse nada e subiu. A nevasca acabou, mas o papai continuou conversando comigo. Em vários momentos percebi mamãe ouvindo de longe. Depois ele me disse para ir para cama e foi lá me dar um beijo e a mamãe também foi lá. Eles fecharam a porta e começaram a conversar, mas não conseguia escutar exatamente sobre o quê. Só sei que quando saí para beber água, ele estava dormindo no sofá. Não é perfeito, mas é um começo. *-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-* 24/12/2013 Acordei de madrugada com os passos do meu pai. Ele me viu e disse que mamãe estava tendo um pesadelo. Hoje de manhã ele não estava mais no sofá. A mamãe tem muitos pesadelos. Papai os tem mais ainda. Eu nunca vi alguém que pudesse me confortar tão bem após pesadelos como eles. Acho que eles sabem meio que instintivamente quando o outro está tendo pesadelos. Às vezes eu acordo de um pesadelo e eles já estão lá na beira da minha cama para me consolar. Acho que funciona do mesmo jeito para eles, talvez mais forte. Eu apenas desci e liguei a TV e o rádio baixinho e fiquei ouvindo e assistindo ambos. A campainha tocou e eu corri para atender. Eram o tio Frohike, o tio Langly e o tio Byers, parece que tinham vindo terminar a decoração de Natal da casa. Mamãe e papai devem ter acordado com o barulho e desceram logo. Minha mãe desceu de roupão e meu pai desceu com a mesma roupa do dia anterior. Ele estava com cara de quem não dormiu nada, mas por incrível que pareça, estava parecendo mais feliz do que das últimas vezes que eu o vi no último mês. Meus três tios Patetas ficaram envergonhados, mas logo todo mundo começou a montar árvore de natal, pendurar enfeites, fazer comida, etc. Vovó foi para a casa do tio Bill esse ano e eu pedi à minha mãe que não fôssemos, que ficássemos aqui, para alívio meu e do meu pai. Aquele Matthew é um chato, só porquê é mais velho. O pai dele é pior ainda. Minha mãe diz que tenho que agüentá-lo pois é da família, mas eu prefiro ficar em casa com minha verdadeira família. Tio Skinner chegou à tarde, a careca dele cheia de neve. Papai ia fazer algum comentário engraçado, mas mamãe pisou no pé dele. Eu ri do mesmo jeito. O dia passou bem, mas percebi, em um momento que eles ficaram sozinhos na cozinha, que não estava tudo bem ainda. Mamãe estava cortando alguns legumes quando papai começou a falar alguma coisa com ela. Ela ficou brava e largou tudo lá. Não consegui ouvir a conversa pois tio Langly tinha colocado uma música no último volume na sala. Papai também ficou chateado e saiu para o quintal. Eu peguei um casaco para ele e vesti o meu, e fui para lá, atrás dele. Finalmente tomei coragem e perguntei o que tinha acontecido. Coloquei o casaco sobre os ombros dele, mas ele nem se moveu. Ele estava com um graveto na mão desenhando símbolos irreconhecíveis na terra do jardim da mamãe. Ou melhor, aonde ele conseguia encontrar terra embaixo da neve. As plantas da mamãe estavam protegidas em um lugar à parte, como ela fazia todo inverno. Ele olhou para mim e ficou em silêncio por alguns instantes. Então ele disse que não tinha nada a ver comigo, que eu poderia ficar sossegada. Eu disse que só ficaria sossegada quando alguém me desse motivo para ficar sossegada. Eu disse também que não agüentava mais vê-los infelizes. Parece que isso mereceu a atenção dele e ele me puxou para sentar no colo dele. Eu me sentei e coloquei a cabeça no ombro dele. Ele disse que esse era o único jeito para eu poder parar de chorar quando eu era bebê, antes de eu ter que ir embora por aqueles anos, era assim, com a cabeça no ombro dele. Eu perguntei novamente, por quê eles tinham brigado. Ele olhou para o horizonte e respirou fundo, provavelmente procurando as palavras. Ele então me disse que a mamãe e eu éramos as pessoas mais importantes na vida dele e que nada mudaria isso. Ele convivia o dia todo com ela e nunca quis mudar isso, porém ele não conseguia mais separar ambas as coisas. A mamãe também não e por isso eles tinham brigado. A conversa terminou por aí. Sei que teve muita coisa que ele não me contou, mas é tão difícil para ele se abrir, que eu não quis forçar a barra. Nós voltamos para dentro da casa e eu não conseguia ver a mamãe. Perguntei ao tio Skinner e ele disse que ela estava no escritório. Eu fui até lá e bati na porta. Entrei logo em seguida e vi que ela guardava um porta-retratos. Eu não precisava ver de perto para saber que era a foto da "cerimônia" de casamento deles. Eu sei que eles nunca casaram de verdade e até hoje meus pais não são casados no papel, mas isso não me incomoda. Essa cerimônia foi realizada num lugar que eu não sei bem onde fica, minha mãe me segurou no colo o tempo todo enquanto meu pai procurava as alianças. Na foto estamos nós três, eu tinha alguns meses, também foi antes de eu ir embora. Meu pai me contou essa história várias vezes. Eu sempre adoro escutá-la. Mamãe olhou para mim e sorriu. Às vezes ela faz isso. Olha para mim e fica sorrindo como besta por vários minutos. Eu fui até ela e sentei-me na mesa, na frente dela. Ela odeia que eu sente na mesa, mas dessa vez ela não falou nada. Ela pegou em minhas mãos e perguntou se eu estava bem, pois eu estava gelada. Eu disse que estava lá fora com papai, conversando. Disse então que precisava conversar com ela também. Fui direto ao assunto e perguntei o que estava acontecendo. Ela olhou nos meus olhos e disse que eles estavam com alguns problemas. Que todos os casais brigavam às vezes. O tempo todo ela mexia em sua aliança. Eu perguntei qual fora o motivo da briga e ela não soube me dizer exatamente. Ela me disse que meu pai e ela eram tão especiais um para o outro que eles se conheciam muito bem. Bem até demais. E isso tanto podia ser uma fraqueza como podia ser fortalecedor. E no momento tinha se tornado uma fraqueza. Eu não converso tanto com minha mãe, afinal meu pai conta melhor histórias, mas quando nós começamos a conversar, nós podemos fazê-lo horas a fio. E talvez tivéssemos, se papai não tivesse interrompido. Ele dizia que os outros "convidados" estavam procurando por nós. Eles iam levantar-se, mas eu disse que queria conversar com os dois. Papai olhou para mamãe, procurando respostas, mas ela também não entendeu nada. Nem eu sabia o que eu ia falar, só sabia que precisava tomar uma atitude imediata. Papai se posicionou atrás de mamãe e pôs a mão no ombro dela. Ela fechou os olhos por alguns instantes e depois os abriu novamente. Ambos olhavam para mim esperando uma explicação. Nem lembro o que disse, só sei que falei tudo o que sentia. Falei que não entendia por quê eles estavam agindo daquela maneira, como os dois poderiam se amar tanto e ficar tão distantes assim e mais um monte de coisas, emoções e conclusões às quais eu tinha chegado nesses últimos dias Falei tudo o que me deu vontade na hora. Me senti leve depois daquilo. Eles então me disseram que eu não poderia entender. Eles disseram que eles iriam achar um jeito de contornar essa situação, mas que nem todos poderiam ficariam felizes com a decisão. Voltamos todos à sala, onde os meus "tios" já tinham feito a maior bagunça e eu já sentia o cheiro de comida vindo da cozinha. Mamãe foi até lá ver o que o tio Frohike estava aprontando e papai foi conversar com o tio Skinner. Eu subi e fiquei aqui, escrevendo no diário. Por enquanto eu paro por aqui, mas talvez eu ainda escreva mais alguma novidade hoje. *-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-* 24/12/2013 Eu "aprontei" mais uma. Consegui achar, junto com o tio Byers, um pouco de visco e coloquei no batente da porta da cozinha. Nós ceiamos e ficamos conversando à mesa, até que foi ficando tarde e mamãe começou a tirar os pratos da mesa. Papai levantou-se e foi ajudar. Quando eles levaram a última leva de pratos, na volta, ambos ficaram embaixo do visco. Todos os "tios" começaram a gritar: Beija! Eu sei que foi algo infantil, mas eu não tenho culpa. Tive que usar de todos os artifícios possíveis para juntar esses dois novamente. Eu sei que eles disseram que eu não deveria me envolver, mas acho que isso é genético, é só dizer para eu não me envolver que eu quero me envolver. Enfim, eles se beijaram. E o beijo se prolongou mais do que esperávamos. Todos começaram a ficar envergonhados, eu olhei mais um pouquinho e virei também. Claro que ninguém gosta de pensar nos pais dessa maneira, mas eu gostaria de achar alguém que me beijasse assim. Os dois pareciam que tinham esquecido o mundo à sua volta. Tio Skinner estava quase roxo de vergonha. Ele era quem menos estava acostumado a ver mamãe e papai assim. Parece que meu plano funcionou. Estou agora de pijama pronta para dormir e sei que nada se resolveu instantaneamente, mas sei que eles estão agora conversando no quarto deles. E estou feliz por isso. Agora vou dormir, pois, apesar de não acreditar em Papai Noel, nunca se sabe, não é? *-*-*-*-*-*-*-*-*-* 25/12/2013 Como sempre fui a primeira a acordar e desci correndo as escadas. Acordei todo mundo ligando o rádio e logo começou a sair gente do quarto de hóspedes e levantar gente do sofá. Logo meu pai e minha mãe desceram juntos e ambos de roupão. Eu quase pulei de felicidade, mas me controlei. Corri para a árvore de Natal e procurei algum presente com meu nome. Todos mandaram me afastar e tio Skinner foi quem sentou-se próximo à árvore e começou a distribuir presentes. Ganhei vários presentes - nessas horas eu amo ter vários "tios" - e trio maravilha parecia mais criança que eu. Então algo inédito aconteceu. Começou a tocar "Have Yourself a Merry Little Christmas" no rádio e meu pai olhou ternamente para minha mãe. Ele a chamou para dançar e ela foi. Eu nunca tinha visto os dois dançando e eu adorei. A minha mãe colocou a cabeça embaixo do queixo do meu pai e ele colocou a mão sobre as costas dela, segurando-a próxima ao seu corpo. Eles dançavam em ritmo com a música e logo me puxaram para dançar também. Dancei pisando no pé do tio Skinner e os tios patetas ficaram só olhando. Tio Skinner me rodopiava no ar e eu me sentia com cinco anos de idade. Tio Skinner logo parou reclamando de dor nas juntas e eu continuei olhando para meu pai e minha mãe. E então eu entendi o significado daquela briga. Eu entendi que eles ainda brigarão muito. Mas eles se amam e me amam e juntos eles podem suportar tudo. Por enquanto acho bom apenas me contentar em vê-los juntos, o maior presente que alguém poderia me dar nesse natal. Meu milagre de natal. Mesmo que eles sempre precisem de uma forcinha de vez em quando, seja minha ou do Destino... Hoje eu fico por aqui, diário. Espero que logo possa voltar com notícias boas para você. *-*-*-*-*-*-*-*- Melosa, não? Eu estava precisando de um pouco de açúcar. Quero ver me acusarem de half depois disso... por favor, mandem opiniões, hein, ADAS? Beijos, Fe Feedback: alice_j_foster@hotmail.com