O MEU RETORNO Autora: Emily Maybe E-mail: angela.m@uol.com.br Disclaimer: Esses personagens não pertencem a mim, os uso apenas por diversão. Não tenho fins lucrativos, mas ficarei muito feliz com um possível feedback. Categoria: Shipper Classificação: Livre Spoiler: Réquiem (Portanto cuidado, se não gosta de spoilers) Sinopse: Como seria o retorno de Mulder? Consideração: Esse fan fiction pode estar um pouco "água com açúcar" demais, não me critiquem por causa disso, mas é porque eu acredito que esse seria o modo em que o qual Mulder retornaria, teria que ser um momento muito emocionante. Talvez até demais. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Eu não sabia onde estava, nem há quanto tempo estava lá. Nem quanto tempo se passou desde a minha última lembrança. Poderiam ser dias, meses ou anos. Minha cabeça doía, e não sabia nem ao menos como me mexer, pois não me lembrava de ser tão pesado assim. Durante muito tempo eu não pude me mexer ou demonstrar vontade própria, mas não sabia o que aconteceu. Quando consegui abrir os meus olhos, por alguns instantes vi tudo muito confuso, como se estivesse nublado, minha visão estava entorpecida. Mas eu sentia um perfume muito familiar, que me transmitia tranqüilidade, e acredito que isso me ajudou a perseverar para conseguir distinguir o que tinha à minha volta. Consegui ver de onde exalava aquele perfume. Vi o que me manteve vivo por não sabia quanto tempo, através apenas da lembrança. Vi Scully. Ela estava com os olhos vermelhos de chorar, mas sorria. Eu tentei retribuir ao sorriso, mas não sabia como. Minha cabeça estava muito confusa, sabia quem eu era, quem era ela, mas não sabia me expressar. Scully continuou olhando para mim, e afagou os meus cabelos, em um jeito muito familiar. Eu me sentia bem naquele momento, retornando para casa, me sentia em casa. - Olá, Mulder. – foi a única coisa que ela me disse, ainda acariciando os meus cabelos de um modo muito terno. - Scul... – eu tentei falar seu nome, mas não consegui completar a fala. Ela sorriu para mim, demonstrando compreensão e carinho, depois de secar algumas lágrimas que caiam de seus olhos. Eu tinha muita coisa para perguntar, para saber. Estava ansioso, e fiquei um pouco agitado, tentando falar, mexendo os meus lábios sem sair realmente sílabas de minha boca. Scully percebeu que eu estava abalado, e como sempre, conseguiu me acalmar. - Calma, Mulder. – ela disse, olhando nos meus olhos – Sei que você deve estar querendo saber muita coisa, não é? Nesse momento eu consegui fazer um menear de cabeça, confirmando o que ela me perguntava. - Eu vou falar tudo o que você quiser, mas depois. Não se preocupe que eu estou ao seu lado. – ela concluiu depositando um beijo em minha testa. Ela ficou comigo por um bom tempo, sem dizer mais nada. Apenas me presenteou com sua confortante presença. E acredito que era tudo o que eu precisava naquele momento. E a imagem dela foi a minha última lembrança antes de adormecer. Quando acordei novamente, ela ainda estava ao meu lado, segurando a minha mão. Ela não disse nada, sabia que eu ficaria mais agitado. Tentei falar novamente, com mais calma, com a tranqüilidade que ela transmite quando está por perto. E consegui. - Scully? - Sim, Mulder. – ela respondeu, feliz. – Como se sente? - Bem. – eu consegui erguer minha mão e acariciar sua face. E fazer tal coisa foi como se tivesse ganhado alguma batalha. Não sabia quanto tivera sido a última fez que tinha feito isso. – O que aconteceu? Onde eu estou? – perguntei pausadamente. - Você apareceu em um hospital, em coma. Mas não tem nada de grave. Vai ficar bem. - Onde eu estava? – perguntei confuso. Sei que ela é quem deveria fazer tal pergunta, mas não pude evitar, meus pensamentos não estavam em ordem, queria perguntar muitas coisas ao mesmo tempo, mas para algumas perguntas ela não teria a resposta. - Não sei, Mulder. – Scully me respondeu com toda sinceridade – Mas acredito que isso não importa agora que está aqui. Nós poderemos investigar juntos, depois que sair deste hospital. - Quanto tempo eu fiquei fora? A última coisa de que me lembro é a de ter ido para o Oregon... Eu fui abduzido? – eu perguntei, já conseguindo ordenar melhor os meus pensamentos. Scully assentiu. Eu jamais poderia imaginar que Scully fosse concordar com tal coisa. - Quanto tempo? - Nove meses. – ela respondeu, calma – Estamos em Fevereiro de 2001. Fiquei pasmo com tal declaração. Descobri que tinha perdido nove meses da minha vida em algum lugar desconhecido. Antigamente pensava que se um dia eu fosse abduzido, ficaria sabendo de tudo o que sempre quis. Saberia a verdade que tanto procurei, mas quando finalmente isso aconteceu, não tive lembrança alguma, apenas a sensação de impotência que senti e a lembrança de não poder me mexer durante muito tempo. Scully ficou me olhando enquanto eu pensava no assunto, acreditei que ela teria alguma coisa para me contar. Ela parecia apreensiva com algo, mas não falou no momento. Nós fomos interrompidos por um médico que entrou em meu quarto, ele falou algumas coisas comigo, e depois chamou Scully para conversar em particular. Ela saiu com ele, e retornou após alguns minutos. Fiquei observando-a enquanto ela caminhava da porta até mim. Estava exatamente como eu me lembrava, e era reconfortante saber que mesmo depois de nove meses longe dela, Scully continuava a mesma, a mulher que eu amava, que sempre amei. - Amanhã você poderá voltar para casa, Mulder. Não tem nada de anormal no seu organismo. – ela falou, dando-me um beijo na testa, sabia que ela queria dizer alguma coisa mais. - Eu estou muito confuso. - É normal. Não sabemos o que aconteceu com você durante muito tempo. – Scully disse enquanto sentava novamente na poltrona ao lado de minha cama. - Tem mais alguma coisa, Scully? – perguntei, preocupado com a atitude dela. Ela parecia inibida comigo, sem saber o que fazer. Acho que exatamente como me senti quando ela retornou de sua abdução. Scully sorriu, mostrando serenidade. Acredito que ficou mais tranqüila ao saber que eu tinha notado sua inibição. - Eu não posso passar a noite aqui com você, Mulder. – ela falou um pouco triste, acredito que por querer ficar comigo do mesmo modo que eu queria ficar com ela – Eu tenho algumas coisas para fazer, eu realmente gostaria de ficar aqui, mas... Scully ficou inquieta, mas para tranqüilizá-la eu consegui sorrir, tentando mostrar a segurança que eu, na verdade, não sentia. Mas que ela gostaria que eu tivesse, e disse que estava cansado e que iria mesmo dormir. Antes de sair, Scully me deu um delicado beijo nos lábios. Durante todo o tempo em que fiquei com aquela sensação horrível de impotência, estando Deus sabe onde, a única coisa que manteve minha vida foi a lembrança dela. No dia seguinte, logo que acordei, Scully estava do meu lado. Sorri ao vê-la de novo, afinal eu estava bem, e iria voltar para casa logo. - Oi, Mulder. – ela falou, me saudando com um beijo na face – Eu falei com o médico, e ele disse que posso te levar embora daqui há pouco. Está menos confuso? - Eu sou confuso, Scully. – falei zombeteiro. Meu maior desejo era retomar a minha vida de onde havia sido interrompido, e acreditava que agir normalmente era a melhor maneira. Scully sorriu de sua maneira peculiar, mas daquela vez, tive certeza de que ela queria me falar algumas coisas. - Seu apartamento está do mesmo modo que você deixou. Mas nove meses é muito tempo, e... – ela parou de falar. - O que você quer dizer, Scully? – eu perguntei, apreensivo. Tive medo que ela me falasse que não tinha mais espaço para mim em sua vida, que sua vida tinha mudado. Ela andou em torno da minha cama, ainda pensando, mas depois respirou fundo e falou: - Aconteceu uma coisa durante o tempo em que você esteve fora... Ontem eu não pude ficar aqui com você porque minha mãe estava com ele, e... Eu achei tudo o que ela me falou muito confuso, mas me assustei quando Scully me falou a palavra "ele". Pensei que ela, talvez tivesse se apaixonado por outro homem enquanto eu estive fora, e senti um profundo medo por isso. - Ele...? – perguntei, cerrando meus olhos, com medo da resposta. Ela notou meu temor, e por isso quietou-se um pouco, e sentou na poltrona ao lado de minha cama. Pegou carinhosamente a minha mão. Eu puxei a sua para mim, e a beijei ternamente, enquanto ela acariciou a minha face com sua outra mão. Eu estava esperando pela resposta. - Ele... Chama-se Liam. Está na casa de minha mãe. Eu não consegui me conter, e derrubei algumas lágrimas ao ouvir aquilo, creio que porque estava abalado psicologicamente. Tinha entendido que Liam era alguém que tivera ocupado meu lugar com Scully, mas ela secou as minhas lágrimas e continuou falando. - Não é isso que está pensando, Mulder. – ela falou com sua expressão terna, derrubando também algumas lágrimas, mas sorrindo – Isso você não poderia imaginar. Eu mesma levei tempo para acreditar... Liam tem apenas dois meses de vida. Liam é o meu filho com você. Ele nasceu sete meses depois que você foi abduzido. Ele é o nosso bebê. Eu sorri, e chorei mais ainda. Fiquei assustado a principio e não sabia exatamente o que dizer. Consegui me erguer um pouco da cama e abraçar Scully. Estava muito feliz. Quando nos separamos do abraço, eu tinha mais coisas ainda para perguntar. Estava com uma sensação nunca antes sentida. Nunca soube como defini-la, só compreendo que foi o melhor sentimento da minha vida. - Obrigada. – foi a única coisa que consegui dizer. Tudo o que pudesse dizer seria pouco. - Foi você quem me deu o presente. Deixou um pouco de você comigo enquanto esteve fora. Por isso eu não fiquei com você ontem. Ele é muito novinho e não pode ficar muito longe de mim. - Ele está com a sua mãe? Quando eu posso vê-lo? Como ele é? – fiz todas as perguntas ao mesmo tempo. - Calma, Mulder. – ela falou também muito contente – Quando sairmos daqui. Nós trocamos um apaixonado beijo, mas um médico entrou, pedindo desculpas por ter interrompido. Logo depois, fizemos tudo o necessário para a minha saída do Hospital, e depois de me vestir, com certa dificuldade, não sabia muito bem me manter em minhas pernas por alguns minutos, mas depois me acostumei, e saí andando normalmente. Fomos no carro de Scully para a casa da mãe dela. Quando entrei no carro dela pude notar a pequenina cadeirinha de acomodar bebês e sorri, ela viu, me retribuiu o sorriso e me beijou nos lábios. - Você vai vê-lo. - Como aconteceu, Scully? Você não podia... – eu estava curioso, tive provas de que ela não poderia conceber filhos. - Não tem explicação científica. – ela falou, já dirigindo – Irônico, não é? Muitas coisas aconteceram na minha vida que não podem ser explicadas. Logo eu, que gosto de explicações e provas concretas para tudo... Mas por outro lado, Liam é uma prova concreta. Quando chegamos a casa da sra. Scully, trocamos um olhar cúmplice antes de sairmos do carro. E quando saímos, ela me ofereceu a mão, e fomos até a entrada de mãos dadas. Ela tocou a campainha, e após alguns instantes Margareth atendeu. Ela me recebeu com um grande sorriso, e me abraçou, creio que como a um filho. - Fox! Fiquei preocupada com você, querido. – ela falou, ainda abraçada a mim. - Obrigada, sra. Scully. – eu respondi, realmente feliz pela atitude dela. Enquanto fiquei abraçado a sra. Scully, não percebi que Dana saiu de perto de nós e foi buscar Liam, no andar de cima da casa. Margareth percebeu a minha ansiedade, e sorriu me dando conforto materno. Algum tempo depois, Scully apareceu com um bebezinho enrolado em uma mantinha branca. Parou em frente a mim, mostrando o bebê. - Esse é Liam Fox Mulder. – disse sorrindo como eu nunca tinha visto – Liam... – ela falou para o bebê – Esse é o seu papai. Vai gostar dele. Foi quando eu vi o meu filho com todos os detalhes, a pequenina face, as mãozinhas, os lindos olhos azuis, e era carequinha. Fiquei parado olhando o meu bebê, com algumas lágrimas que eu deixava cair sem qualquer receio, era o Meu momento. Eu queria guardar tudo para sempre em minha memória. - Quer segurar, papai Mulder? – Scully me perguntou. Eu assenti, e ela me ajudou e me ensinou a aconchegar Liam direito em meus braços. Nunca tinha sentido tal felicidade como naquele momento. Poder segurar meu filho e de Scully. Um filho que nunca imaginei ter, mas que foi muito bem-vindo, tenho certeza, que da parte dela, e da minha. Eu beijei a testinha, com todo o carinho, e olhei para Scully que olhava para nós, me encorajando. - Oi, Liam. É o papai. – eu disse, queria que ele conhecesse a minha voz, como conhecia a da mãe dele. Nos sentamos no sofá da casa de Margareth para conversar, e em todo o tempo fiquei com o meu filho nos braços, queria conhecê-lo. - Quando ele nasceu, Scully? – perguntei, segurando na pequenina mãozinha. - Em Dezembro, dia 12. – ela respondeu – Eu estou de licença no Bureau, mas fiquei lá quase até ele nascer. - Desculpe não estar com você. – Falei um pouco envergonhado, gostaria de ter estado com ela. - Não foi culpa sua, e além do mais o trabalho é todo da mulher! – Margareth disse, tentando me fazer sentir melhor. – Você precisava ver a minha cara quando Dana me contou que estava grávida. - Sabe o que a mamãe me disse, Mulder? "Até que enfim você e o Fox fizeram alguma coisa de útil! Já era a hora, depois de tantos!" – ela falou rindo – Agora é engraçado, mas na época não foi tanto. - Quem não deve ter gostado foi o Bill. – disse rindo também – Você não acha o tio Bill muito rabugento, Liam? - Eu não me importo com o Bill, Mulder. – Scully falou simplesmente – Mas ele não foi tão rude quanto eu pensava que fosse. Liam começou a chorar nos meus braços, e eu me assustei. Pensei que o estivesse machucando. Mas as duas mulheres a minha frente riram do meu espanto. - Ele está com fome, Mulder. – Scully disse pegando-o – Quer vir com a gente? Scully amamentou nosso filho, enquanto eu olhava as duas coisas mais preciosas que eu jamais pude imaginar ter. Ela e Liam. Depois de um tempo fomos para o apartamento de Scully, e ela me levou ao antigo quarto de hóspedes, que estava completamente mudado. Era um lindo quarto de bebê. Pintado de branco, com detalhes em papel de parede de bichinhos. Liam estava dormindo, e ela o colocou no berço e eu ainda o fiquei olhando. - Por que escolheu esse nome? - Bem, eu queria Fox. – ela falou zombeteira – Mas você iria querer me matar. Então eu coloquei Liam, o nome do meu avô irlandês. - Combina com ele. – eu disse, sinceramente. - Vem, Mulder. – ela disse me puxando pela mão – Você já fez esforço demais para quem acabou de sair de um hospital. Dei uma última olhada no berço e fomos ao quarto dela, e ela me entregou uma muda de roupas, tinha algumas coisas minhas lá. Ficamos juntos, sentindo um ao outro, como se fosse novamente a primeira vez. Lembro de todos os detalhes daquele dia. Do dia em que recebi uma vida completa. Uma vida que pensei que nunca teria. Assim foi o meu retorno. Sabia que tinha muita coisa ainda para descobrir, mas eu tinha todo o tempo do mundo, agora que estava de volta. Não sei se algum dia irei descobrir alguma coisa, mas sei que não estou mais sozinho, na verdade não estou desde 6 de março de 1992, quando a mãe de meu filho entrou no meu escritório sem que eu a quisesse por lá. Mas depois que entrou, eu não quis mais que ela saísse. Ela se tornou minha amiga, mas não era o bastante. Tornou-se minha amada. Mas também não foi o bastante. Tornou-se a mãe do meu filho. E ainda assim não é o bastante. FIM XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Melosinha, mas realmente não pude evitar. E sei que muitos gostam de fics assim. Eu sou uma deles. Muito obrigada por ler até aqui! Preciso de um feedback!!!! Para críticas, elogios, ou apenas para fazer amizade e falarmos sobre nossa série favorita, mensagens para angela.m@uol.com.br 1