Marionete parte II SEDE DO FBI. 3 SEMANAS DEPOIS. Mulder está em seu escritório quando Scully chega, com ar de cansada. - Ué, Scully... caiu da cama esta manhã? Você está com uma cara... - brincou Mulder tentando animar sua parceira. - Mulder, poupe-me de seus sarcasmos! Tive uma péssima noite de sono e não estou de muito bom humor! - disse Scully enquanto se sentava. - Péssimo humor, eu diria... o que foi, Scully? - perguntou Mulder preocupado. Ele se lembra perfeitamente do que aconteceu na última vez em que Scully chegou assim pra trabalhar, embora preferisse esquecer o ocorrido. Scully ficou sentada com as mãos no rosto por alguns segundos e disse: - Calma Mulder. Só não dormi direito. Não vi nenhuma luz ou coisa parecida no meu apartamento, fique tranqüilo. Ela sabia perfeitamente no que Mulder estava pensando... no alienígena que queria retirar seus órgãos reprodutores para experiências genéticas, mais precisamente para criar híbridos humano-alienígenas. - Tem certeza de que está tudo bem mesmo, Scully? Este não é o seu normal e isso me preocupa, sabia? - pergunta Mulder visivelmente preocupado. Ele sente um carinho especial pela sua parceira. Um carinho que vai além de uma simples amizade de trabalho, e Scully percebe isso, pois se sente da mesma forma em relação a Mulder, embora seja mais durona e não deixe transparecer com tanta facilidade quanto ele. Scully olha para seu parceiro sorrindo e diz: - Fique tranqüilo, Mulder. Estou bem, de verdade! Eu sei no que você está pensando, e posso te garantir que foi só uma péssima noite de sono mesmo! Acho que eu fiquei mais assustada com tudo o que aconteceu do que você, estou certa? Era a minha vida que estava em jogo! E se isso acontecer de novo você não acha que será o primeiro a saber? Só confio em você para me defender, Mulder! O que Scully acabara de dizer fez com que Mulder sorrisse e se sentisse imensamente feliz. Depois que viu que poderia perdê-la para sempre, ele percebeu o quanto ela era importante na vida dele. Ouvindo essas frases da boca de Scully ele agora sente que seus sentimentos são correspondidos, por mais que ela negue o fato, como é de costume. Saber que ela confia nele... só nele para defendê-la é uma grande honra para Mulder. Scully retira Mulder de seus pensamentos com um estalar de dedos. - Mulder... Você ouviu o que eu disse? Mulder! Estou falando com você! - Ah, sim Scully... ouvi sim. Desculpe, comecei a viajar nos meus pensamentos e acho que te deixei falando sozinha! Scully sabia que o incidente os havia aproximado mais, mas ficou espantada quando percebeu o que havia acabado de dizer. Ainda mais pela reação de seu parceiro, que ficou visivelmente abalado com isso. Será que ele estaria gostando ou simplesmente pensando numa maneira de dizer a ela que o que ele fez por ela não foi mais que obrigação, pois a vida de uma agente do governo estava sendo ameaçada? Essa dúvida com certeza tortura Scully, mas ela prefere deixar que o tempo responda isso a ela. O telefone na mesa de Mulder toca. É Skinner convocando os dois agentes a se apresentarem em seu escritório imediatamente. - Será mais um arquivo X ou o Skinner quer pegar no nosso pé mais uma vez por estarmos gastando demais? – pergunta Mulder lançando um sorriso sarcástico para Scully, que corresponde com outro sorriso. Os dois agentes saem dos porões do FBI rumo ao escritório do diretor assistente Walter Skinner, que os está esperando com um semblante ao mesmo tempo sério e preocupado. - Qual é, Skinner! Vai dizer que também teve uma péssima noite de sono? Será que estão todos assim hoje? – indaga Mulder de maneira sarcástica, mas ao perceber que Skinner não aceitou bem a brincadeira, entrou e se sentou na frente da mesa dele. - O que tenho aqui para vocês não é algo muito agradável, agentes. Temos outro caso de uma mulher encontrada morta sem seus órgãos reprodutores. Só que desta vez foi em São Francisco. O caso parece o mesmo que vocês investigaram há 3 semanas, e do qual a agente Scully também foi uma vítima. Scully arregala os olhos em direção a Mulder que está muito apreensivo. Skinner observa calado a troca de olhares dos dois agentes enquanto entrega a pasta sobre o caso para Mulder. Ele pega a pasta e começa a correr os olhos sobre as fotos e o laudo do legista. Não há dúvidas de que o corpo se encontra nas mesmas condições que os casos anteriores. Scully também olha a tudo com atenção, embora esteja visivelmente nervosa. Se o alienígena está atacando novamente, ela não demorará a ser a próxima vítima. Ele prometeu que voltaria, e que ela não se safaria tão fácil como da última vez. - Preciso que vocês vão até São Francisco coletar informações antes de tomarem qualquer decisão precipitada, agentes! – Skinner quebra o silêncio. Mulder olha para seu superior com os olhos meio que mareados de lágrimas e pede para que Scully fique fora do caso, e que Skinner a vigie enquanto ele vai até São Francisco. Scully fica emocionada com a atitude de Mulder, mas diz que não vai deixar Mulder sozinho no caso. Que se o alienígena quiser vir atrás dela, o fará estando ela onde estiver e estando ou não na companhia de Mulder. Skinner diz que os dois precisam trabalhar juntos, pois são os agentes mais indicados para o caso. Quer que Scully repita a necrópsia no corpo da mulher, para ter uma opinião mais segura sobre o caso. Mulder e Scully saem do escritório de Skinner e voltam para o porão do bureau. Chegando lá, Scully pergunta a Mulder porque ele a queria fora do caso. - Você viu o que quase acontecer da última vez, Scully. Ele está atrás de você e prometeu voltar para buscá-la! Não posso deixar que isso aconteça! Não quero perder você! – diz Mulder com lágrimas nos olhos. Os olhos de Scully também se enchem de lágrimas, e ela o abraça ternamente. Os dois ficam abraçados por um bom tempo até que Scully diz: - Também não quero perder você, Mulder... – é só o que consegue dizer antes de começar a chorar compulsivamente. Mulder segura o rosto de Scully e olha fixamente nos olhos dela, tentando impedir que as lágrimas lhe percorram a face. Carinhosamente ele lhe dá um longo beijo na face direita e a abraça novamente dizendo: - Vamos trabalhar juntos então, Dana! Vamos vencer esse alienígena, e você ficará bem! Não vou te perder, não agora! Não depois de tudo o que passamos juntos... Você é muito mais especial para mim do que você pensa, Dana! Scully ficou emocionada ao ouvir Mulder chamá-la pelo seu primeiro nome. Ele nunca havia feito isso antes... talvez porque ela nunca o havia permitido. Ela teve finalmente a tão esperada resposta da pergunta que há anos a atormentava. Ela então comprovou que ele tem por ela um sentimento que vai além de uma simples amizade de trabalho! DELEGACIA DE POLÍCIA DE SÃO FRANCISCO. 10:32 AM. Os agentes se apresentam ao delegado de polícia de São Francisco mostrando suas insígnias e se desculpando pelo atraso, pois deveriam estar ali há mais de uma hora. O delegado então lhes deu todas as informações que havia reunido sobre o caso e disse que espera que eles possam lhe explicar o ocorrido. - Pelo que o FBI me informou vocês dois são os agentes mais indicados para esse tipo de caso. Vocês costumam trabalhar com essas coisas bizarras, não? – perguntou o delegado com ar de deboche. - Essa coisa... "bizarra" a que você se refere, delegado, é apenas mais um caso dos arquivos X. Tivemos dois casos iguais a este 3 semanas atrás. – revida Mulder. Ele não gosta que debochem do seu trabalho, o qual leva muito a sério. Scully ficou só olhando. Ela conhece Mulder muito bem, e sabe que ele ficou extremamente aborrecido com o comentário do delegado. Para quebrar esse clima incômodo, ela perguntou se o corpo estava no necrotério e pediu permissão para refazer a necrópsia. O delegado autoriza que os agentes tenham acesso ao corpo e lhes indica o caminho para o necrotério. Mulder e Scully saem da delegacia e entram no Ford Taurus alugado rumo ao necrotério. - Como você está, Scully? – pergunta Mulder enquanto dirige. Ele percebe que a parceira está um pouco distante. - Estou bem, Mulder. Obrigada por perguntar. – mente Scully. Ela não está nada bem. Está sentindo a presença daquele ser, mas não consegue vê-lo, ou ouvi-lo. Mulder continua dirigindo, mas sua atenção está toda em Scully. Não quer alarmá-la, mas ele sabe que o alienígena aparecerá mais cedo ou mais tarde. O que ele não sabe é que desta vez será diferente. O alienígena tem outra estratégia para conseguir o que quer, diferente da última que falhou, esta não falhará. Ninguém irá vê-lo, só vão perceber a falta de Scully, até encontrar seu corpo abandonado em um matagal qualquer. NECROTÉRIO MUNICIPAL DE SÃO FRANCISCO. 11:47 AM. Mulder estaciona o carro na frente do necrotério e eles descem, apresentando-se como agentes federais autorizados a realizar investigações. Ao entrarem o celular de Mulder toca. Ele pede licença e avisa Scully que vai atender e logo irá encontrá-la na sala de necrópsias. - Mulder. – ele atende. - Agente Mulder? Preciso encontrá-lo imediatamente! Tenho informações que talvez possam ajudá-lo no seu novo, mas familiar, caso. - Como você sabe disso, seu desgraçado? – Mulder conhece essa voz. Uma voz repugnante de uma pessoa não menos repugnante: o Canceroso! - Ora, agente Mulder! Não temos tempo para isso, você sabe muito bem onde consigo esse tipo de informação. E sabe ainda que sei como ajudá-lo! Admita que precisa de ajuda, Mulder! Ou do contrário, vai perdê-la, é isso o que você quer? Mulder sabe que apesar de ele ser uma pessoa a quem gostaria de ter matado há muito tempo ele realmente sabe como ajudar. Ele tem envolvimento com conspirações alienígenas desde muito antes de Mulder nascer. Por causa dele, perdeu sua irmã e seu pai. Não pode se dar ao luxo de perder também Scully, seu eterno e secreto amor. - OK, onde? – Mulder morde os lábios ao perguntar. - Eu sei onde você está, irei ao seu encontro. Estarei aí em 10 minutos. Espere-me na entrada. Ah, e haja o que houver, não deixe que Scully tenha contato com o corpo da vítima! – dito isso a asquerosa figura desligou o telefone. Mulder entrou correndo no necrotério e Scully estava terminando de colocar a máscara cirúrgica. Ele sabe que pode ser o novo método escolhido pelo alienígena para atacar Scully. Se ela entrar em contato com a vítima, ele a encontrará mais facilmente. Mulder só não entendia como isso seria possível, visto que da última vez ele abordou Scully em seu apartamento, antes de eles receberem o caso para investigar, mas era a única coisa em que conseguiu pensar no momento. Scully se assusta com a repentina aparição de Mulder, que estava mais pálido que um fantasma! - Mulder, o que foi? Quase me mata de susto! - Scully, não entre aí! - Por que não Mulder? Tenho que realizar essa necrópsia para podermos ir embora daqui o mais rápido possível! - Eu sei, Scully! Mas era o "fumacinha" ao telefone e ele está vindo pra cá. Disse que tem informações que podem nos ajudar e pediu para que você não tivesse contato com o corpo da vítima! - E você mais uma vez acreditou nele, Mulder? Você viu o que aconteceu da última vez que você confiou nele? Ele quase me matou! Além do mais, já tive contato com o corpo, Mulder... Precisei conferir se ainda estava aqui, pois nem isso souberam me informar por aqui. - Para quem você pediu informação, Scully? – perguntou Mulder com os olhos arregalados segurando sua parceira pelos ombros. - Ora, para o médico legista daqui, Mulder! Por que isso agora? - Você sabe onde ele está agora? – indaga Mulder já sacando a sua pistola 9 mm. - Está na sala dele, Mulder! – Diz Scully apontando a direção - MULDER!!! O que você vai fazer? MULDER!!! – Scully grita em vão, pois Mulder já saiu correndo na direção indicada por Scully. Não lhe resta outra saída a não ser correr atrás dele, mas algo a impede. Um par de braços fortes a segura por trás, com uma das mãos sobre sua boca, abafando seus gritos desesperados. Mulder chuta a porta da sala do legista, mas ele não está lá. Ele corre de volta e percebe a máscara de Scully jogada no chão. Ele corre para fora o mais rápido que suas longas pernas conseguem, mas não vê ninguém. Ele começa a procurar insistentemente pelo Canceroso, até que detectou sua presença pelo rastro de fumaça que o asqueroso indivíduo deixa por onde passa. - O que você fez com ela, seu desgraçado? – grita Mulder enquanto o segura pelo colarinho, fazendo com que seu Morley caia ao chão. - Não vá perder a cabeça, Mulder! Eu não fiz nada! Por que você sempre acha que sou culpado de tudo? Eu não tenho nada a ver com isso! – o Canceroso grita enquanto se livra das fortes mãos de Mulder que começavam a asfixiá-lo. - Eu sei que você tem muito mais a ver do que deixa transparecer! Pelo amor de Deus, onde está Scully? – bufa Mulder desesperado. - Pelo que vejo ela teve contato com a vítima. Temos que agir com sabedoria, agente Mulder. Ou do contrário você nunca mais a verá. Você terá que confiar em mim desta vez, não tem outra escolha! - Mas o que tem a ver ela ter tido contato com o corpo? Não foi assim que aconteceu da última vez! Não faz sentido! – Mulder está andando de um lado para outro, visivelmente agitado. - Ora, ora, agente... Você sabe muito bem que os alienígenas são espertos. E não medem esforços para terem o que querem. É claro que não iam utilizar o mesmo método de abordagem que utilizaram anteriormente, concorda? Seria muito fácil de serem derrotados. - E o que o corpo desta pobre moça tem a ver com a Scully? – Mulder está muito confuso. - É meio que uma regra desta raça em particular, agente. Uma vez abordada uma pessoa, eles só podem abordá-la novamente sob certas condições... diferentes para cada tipo de vítima. No caso de Scully, aparentemente eles acharam que seria mais fácil fazer outra vítima para que Scully, como agente do governo e médica, tivesse algum tipo de contato. Mulder olha para o Canceroso com raiva nos olhos. O desgraçado sabia de tudo e mesmo assim deixou que levassem Scully. Com certeza para salvar a própria pele, como sempre. O alienígena o deve ter ameaçado para conseguir pegar Scully. Virou uma questão de honra visto que fracassou na última tentativa. - Para onde ele a levou? Me diga ou eu te mato! – bradou Mulder com a arma em punho. Não é a primeira vez que ele aponta uma arma para o Canceroso, mas desta vez está disposto a disparar. Para vingar Scully. - Você não vai atirar em mim, agente Mulder. Você precisa de mim para ter Scully de volta. Se me matar nunca irá se perdoar por ter perdido a chance de tê-la em seus braços novamente. O Canceroso sabia como lidar com Mulder. Já passou por situações parecidas com Mulder querendo matá-lo, mas ele nunca o fez. E nunca o fará. - Temos que trabalhar juntos se quiser ter sua amada novamente, agente Mulder. – disse o Canceroso depois de uma longa tragada em seu Morley. Mulder se surpreende pela forma como o Canceroso se referiu a Scully... Sua amada... Estavam tão evidente assim os sentimentos de Mulder por Scully que até aquele homem repugnante os percebeu? Mas não havia tempo a perder pensando em explicações: tinham que encontrar Scully e salvá-la! Mulder resolve confiar mais uma vez no Canceroso, e entra no carro dele, deixando que ele o conduza a Scully. Se é que ele realmente sabe como resgatá-la. Em meio a uma tragada e outra o Canceroso segue pela costa oeste dos Estados Unidos. De São Francisco em direção a Los Angeles. Mulder está quieto e pensativo. Só quer ter Scully de volta a salvo custe o que custar! Depois de rodarem uns 15 quilômetros o Canceroso para o carro perto de uma praia muito pequena e deserta. - Siga o seu coração, agente Mulder. E ele o levará até Scully. – diz o Canceroso com um sorriso malicioso no rosto. - O que você quer dizer com isso? Que ela está aqui? Nesta praia? Não faz sentido! Não tem nada aqui! – reluta Mulder. - Eu falei que você terá que confiar em mim, Mulder. Ao final da orla de areia tem uma cabana em meio a umas rochas. Você encontrará Scully lá. Mas você tem que ser rápido, deixar de besteiras e ir para lá imediatamente, Mulder! Ele realizará a remoção dos órgãos dela logo. Mulder salta do carro e começa a correr. Não se conforma por ter acreditado naquele homem, mas sente que Scully pode estar realmente ali. Está com sua arma na mão, disposto a matar o alienígena e quem quer que esteja com ele para ter Scully de volta. Ele ainda não teve a oportunidade de dizer abertamente que a ama mais que tudo no mundo, e isso o está atormentando. O medo de não ter outra chance é enorme. Mulder então avista a cabana a qual o Canceroso se referiu. Até aí ele dizia a verdade. Restava saber se o resto também era verdade: se Scully está mesmo lá dentro ou se ele só estava tentando despistá-lo do caminho do alienígena. Afinal, aquele homem asqueroso não ganha nada ajudando Mulder, muito pelo contrário... Tem tudo a perder em função de suas relações com estes seres de outros planetas. Sorrateiramente Mulder caminha ao redor da pequena cabana de madeira. Ele avista uma janela e dá uma leve espiada dentro. Está muito escuro lá dentro, e se ele acender a lanterna com certeza chamará a atenção, e isso poderia ser o fim dos dois agentes. Ele resolve procurar outra janela, e quando a encontra percebe que está quebrada, facilitando a visualização do interior da cabana. Tem alguém lá dentro, deitado em um colchonete no chão. Seria Scully? Ou mais um dos truques do Canceroso? Mulder não pensou duas vezes e arrombou a porta da cabana com um chute forte, e apontando a arma, constatou não haver mais ninguém ali dentro, além da pessoa deitada. Correu para ver quem era. Era Scully. Estava toda amarrada e desmaiada. Mulder ainda tentou acordá-la, mas foi em vão. Ela parecia sedada, mas viva. Mulder então a pegou nos braços e quando iam sair de lá o alienígena entrou pela porta, impedindo a passagem de Mulder. - Eu vou levá-la comigo, você não poderá me impedir! – diz Mulder. O alienígena apenas sorri para Mulder enquanto aponta para o peito do agente. Depois disso ele desaparece num raio de luz. Mulder sai da cabana desconcertado. Por que o alienígena iria raptar Scully para não abduzí-la como queria fazer da outra vez? Por que ele a manteve viva? Por que ele esperou que Mulder a encontrasse para depois desaparecer? E por que apontou para o peito do agente e sorriu? Essas e outras perguntas atormentaram Mulder enquanto voltava para o carro do Canceroso com sua amada desmaiada nos braços. Chegando no carro do Canceroso, Mulder acomodou Scully no banco traseiro, com a cabeça apoiada em suas pernas e ordenou para que ele os levasse até o hospital mais próximo, pois queria ter certeza de que ela estava bem. - Alguém aqui tem que me dar algumas explicações... – suspira Mulder. - Ora, agente Mulder! Você a queria de volta, não? Ela está aí, e eu lhe garanto que está bem, você não tem com o que se preocupar, só está desmaiada. - Como é que você pode ter tanta certeza? Você só pode ter alguma ligação com estes alienígenas! Isso se não for um deles, não? – Mulder está revoltado! – Já que se julga tão esperto senhor "Fumacinha", por que não responde às minhas perguntas, hein? Por que a levaram para as "experiências genéticas" já que era pra isso que tentaram levá-la da outra vez e é o mesmo motivo pelo qual a levaram de novo? - Você é curioso, agente Mulder. Mas você sabe a resposta, mas se recusa a aceitá-la. – responde o Canceroso com um sorriso malicioso nos lábios. - E qual seria essa resposta? – pergunta Mulder impaciente. - Ouça seu coração, agente Mulder... E você terá a resposta. – finalizou o Canceroso ao deixar os agentes na entrada do hospital. Mulder desce do carro bufando de raiva. Não entendeu bem o que o Canceroso quis dizer com "ouça seu coração". Mas no momento o mais importante era verificar se Scully estava bem, depois ele pensaria nisso com a cabeça mais fria. HOSPITAL GERAL DE SÃO FRANCISCO. 8:32 PM. Os médicos afirmam que Scully está bem, mas que está sob efeito de algum sedativo, mas que irá acordar assim que o efeito passar. Mulder está sentado numa poltrona observando sua parceira adormecida na cama do hospital. Está tão tranqüila... Tão bela. Estava pensando nas palavras do Canceroso. Será que ele estava se referindo ao amor secreto de Mulder por Scully? Será que Mulder estava finalmente deixando transparecer seus verdadeiros sentimentos por aquela mulher? Estava confuso... Não conseguia entender o repentino desinteresse dos alienígenas depois de finalmente conseguirem pegá-la... Só estava feliz pelo fato de ela estar viva e bem. Não conseguia imaginar como seria sua vida sem sua amada. Tudo perderia o sentido. Enquanto Mulder está mergulhado nesses pensamentos, Scully acorda. Scully estava deitada em uma cama quando Mulder entrou com algumas flores nas mãos. - Como você está, Scully? – disse Mulder ao se aproximar dela e lhe entregar as flores. - Estou ótima, Mulder. Obrigada, são lindas! – disse Scully colocando as flores ao lado da cama e sentando-se para poder conversar com seu parceiro. - O que foi, Mulder? Que cara é essa? – pergunta Scully franzindo as sobrancelhas depois de um longo silêncio e uma troca de olhares. - Nada, Scully. Só estou feliz que esteja bem. – suspira Mulder ao segurar-lhe as mãos. – Ah, Scully... Tenho uma coisa muito importante para lhe dizer... - Eu também, Mulder... Mas fale você primeiro. - Não, não, agora fiquei curioso, fale você primeiro! - Não, Mulder! Você falou primeiro, diga você! Depois de discutirem um tempo sobre quem ia falar primeiro, os dois acabaram por falarem juntos: - Eu te amo! Os dois ficaram se olhando por alguns instantes antes de ficarem corados e explodirem em uma gargalhada. Mulder explicou que o alienígena lhe aconselhou a falar isso para Scully, e ela lhe falou a mesma coisa! - Ora, ora... Será que este alienígena é mesmo romântico ou sabe das coisas, hein Scully? – Mulder está meio envergonhado com a situação embaraçosa em que se encontram. - Não sei, Mulder... Acho que somos meras marionetes nas mãos destes seres... Eles sempre conseguem que façamos o que eles querem, não é mesmo? – brinca Scully na tentativa de amenizar a situação tão constrangedora para ambos. - Marionete ou não eu sei que te amo, independente de ter sido aconselhado por um ser de outro planeta a te dizer isso. Sempre te amei, mas só me dei conta quando estive à beira de te perder. Não sei o que seria de mim sem você, Dana! - Eu também sempre te amei, Mulder. Só me recusava a acreditar. – diz Scully com lágrimas nos olhos. Mas antes que pudesse continuar se declarando Mulder a impediu de falar com um longo e apaixonado beijo. Os dois agora se sentem como marionetes. Mas não nas mãos de alienígenas, e sim nas asas de uma imensa paixão. Mulder ainda comenta de maneira sarcástica que desde que esteja sempre ao lado de Scully ele será a marionete mais feliz do universo!