Título: Manhã de Sábado Autor: Deep Anderson E-mail: deepanderson@ig.com.br Categoria: Shipper Classificação: Livre Disclaimer: Os personagens dessa fanfic não pertencem a mim, mas a 20th Century Fox, a 1013 Production, a seu criador Chris Carter e principalmente aos maravilhosos atores David Duchovny e Gillian Anderson, que encarnando Fox Mulder e Dana Scully conseguem a cada semana nos passar estórias inesquecíveis. Feedbacks, Comentários : Esperados e bem vindos. Sinopse: O que Mulder e Scully farão quando tiverem um dia de folga? Nota do Autor: Esta é minha primeira fanfic. Por isso, gostaria imensamente de receber feedbacks das pessoas que porventura tenham tido o azar de lê- la, elogiando ou criticando, pois gostaria de escrever outras futuramente. Aproveitem a estória. Obrigado. Manhã de Sábado O relógio a desperta às 9:30, horário improvável para ainda se estar na cama, mesmo em um Sábado. Scully levanta-se, lava o rosto, escova os dentes apressadamente e prepara algo para comer, quando só então percebe que não havia nenhum serviço pendente, nenhum relatório ou investigação à concluir. Estava tão acostumada com a rotina neurótica dos Arquivos-X que já acordava em estado de alerta, agitada, tensa. Seria um Sábado diferente dos últimos que tivera. Quando não ia ao Bureau, sempre trazia algo para fazer em casa que ocupava quase todo o seu tempo. Isso quando não estava em viagem. Mas hoje não. Espreguiça-se e vagarosamente termina de preparar seu café da manhã. "Finalmente terei um fim de semana todo livre, meu", suspira. No apartamento 42, Mulder acorda de sobressalto, assustado. Procura pelo relógio. Vê a hora, ficando por um segundo confuso, até lembrar-se de que nada tinha para fazer naquela manhã. Semana sem casos novos no FBI. Dia de folga. Poderia dormir até mais tarde. Tenta voltar a cochilar, mas suas costas doem. Dormir no sofá da sala era uma rotina para ele, assim como acordar todo dolorido. Como de costume também, a cena à sua volta se repetia: tevê ligada, sementes de girassol espalhadas pelo carpete e uma mesa de centro onde podia- se encontrar de tudo um pouco, desde reportagens com fotos de "legítimos" OVNIs e pastas com possíveis casos a serem analisados até um pacote aberto de bolachas e fitas de conteúdo adulto. Como o desconforto era grande, desistiu de ficar deitado e levantou-se. Caminhou até o banheiro e preguisosamente começou a escovar os dentes, enquanto tentava lembrar se tinha tomado banho ou não na noite anterior. Pela roupa que vestia concluiu que não. Voltando ao sofá, desligou a tevê e pegou algumas bolachas do pacote rasgado sobre a mesa. Estavam horríveis. Olhou em volta, a luz do dia entrando timidamente pelas frestas da veneziana da janela, a sala desarrumada, o cheiro de mofo no ar, com sua mente ainda atordoada pela noite mal dormida, tentando fixar algum pensamento. Scully acabara de comer e tinha trocado de roupa. Muito diferente de seu traje habitual, usava uma calça de tecido leve e confortável, de cor creme, e uma blusa fina, branca. "Estou cansada de preto. Preciso mudar meu guarda- roupa. Quem me vê todo dia saindo de casa ou pensa que o preto é uniforme para as agentes do FBI ou que eu só tenho uma roupa, que o salário do FBI talvez não seja essa maravilha. Bem, ...", parou por aí. Pensar em seu contra- cheque traria a imagem de seus pais lhe dizendo como seria muito melhor voltar para sua profissão de origem. Voltou ao instante presente. Dia livre. Fim de semana livre. A questão era decidir o que fazer. Sempre planejara várias atividades para quando tivesse mais tempo sobrando. Visitar sua mãe, sair de Washington a passeio, organizar a casa, ler um bom livro, fazer compras. Tudo isso passou pela sua cabeça, mas agora não conseguia decidir. Nada a empolgava. Ligou a tevê e passou o olhar rapidamente por alguns canais. Desligou, entediada. Normalmente não assistia televisão. Indecisão. Aquela situação indefinida, mal resolvida, começou a incomodá-la. Odiava não saber o que fazer. Ficar parada. De súbito, instintivamente, dirige- se à sala. Ele corre para atender. Mas quando tira o fone do gancho só houve o barulho do sinal da linha. Tinham desligado. "Que ótimo!!", resmunga. O que estava fazendo? Ligar para Mulder? Não havia nada do trabalho para ser resolvido. "Deve ser o hábito", analisa . "Sempre faço isso quando estou de serviço, seja para falar sobre um caso em particular ou para checar alguma novidade que Mulder tenha descoberto. É isso mesmo", conclui para si, procurando esquecer-se do fato. Quem ligaria hoje, a essa hora? Seria alguma forma de contato? Provavelmente não. Não estava trabalhando em nada de especial. Sua mãe também não era, pois senão teria ligado novamente. Quem, então? Checou o aparelho. Olhou para fora. Nada. Tudo aparentemente normal. Conhecia seu modo de agir. Se começasse a preocupar-se ficaria o dia inteiro imaginando mil hipóteses . Não valia a pena. Não nesse caso. Deveria ter sido só um engano mesmo. Ou um trote. "Aproveite o dia, idiota", ordenou-se . Ela estava terminando de organizar sua estante de livros. Imaginou que encontraria algo interessante. Um livro que ficara para ser terminado, algum assunto para passar o tempo. Nada. Voltou, frustada, para a cama, onde sentou- se. O travesseiro levantado para apoiar-lhe as costas. Olha pela janela o dia claro, mas levemente frio. Manhã de outono. Clima que adorava. Aconchegante. Procura pelo despertador. 11:21am. Sentado no chão, encostado na poltrona, Mulder lia uma reportagem intitulada 'O Monstro do Esgoto de Long Island'. "Que tolice". Fechou a revista, certo de que a estória era absurda por demais para receber algum crédito. Mesmo o dele. "O que Scully estaria fazendo agora?". A pergunta veio-lhe à mente num estalo. A essa hora, provavelmente, já estaria almoçando, depois de uma manhã bem movimentada. Scully nunca perdia seu tempo. Disciplinada como ela, já deveria ter feito cooper, organizado seus relatórios, enfim, muita coisa. "Scully...". "Por que diabos não planejei nada para hoje?". Lembrou-se da noite anterior. Tinha ficado até tarde no FBI, mas conseguira terminar o seu relatório. À princípio, pensara que iria precisar do Sábado também. Chegara exausta em casa, só pensando em dormir um pouco mais na manhã seguinte. Se fosse um Domingo, teria tempo apenas para descansar e recompor-se para mais uma semana estafante , ou no máximo realizar pequenas atividades, somente as mais necessárias e inadiáveis. Mas era Sábado. Agora estava ali, ociosa. Seus pensamentos tomam então um outro rumo. Provavelmente o telefonema o acordara. Imaginou-o levantando-se apressadamente do sofá, correndo ao telefone e sua irritação posterior por ninguém estar na linha. Quase podia ver a expressão em seu rosto. Sentiu graça da cena. Depois uma ponta de remorso. Conhecia-o bem demais. Convivendo durante todo esse tempo em que trabalham juntos, sabia como se sentia a cada momento, em cada situação. Sua franqueza quase infantil possilitou-a entender suas emoções. Percebia quando estava preocupado, e o que o preocupava. Do que tinha medo, o que o irritava. Mas mesmo assim isso não a poupava de surpreender-se constantemente com algumas de suas atitudes. Se alguém lhe trouxesse um caso vago, obscuro, uma estória mal contada sobre luzes pairando no céu de madrugada , mas que por um motivo qualquer despertasse sua atenção, largaria de imediato tudo o que estava fazendo e entregaria-se com afinco à nova investigação. Pouco adiantaria ela tentar argumentar. Muitas vezes torna-se ausente, distante, entretido em seu particular mundo de conspirações e casos insolúveis. Nem nota a sua presença. Desleixado, pouco se importa com questões que para ele são insignificantes, como o que está vestindo ou quando alimentar-se. Tirando, é claro, suas imprescindíveis sementinhas de girassol, que consome compulsivamente. Faz apenas o que sente vontade. Mas o faz com toda a força que tem. Por convicção. Porque acredita. É o que ela mais admira nele. Sua paixão. Dana Katherine Scully. Essa era a pessoa com quem mais convivia, diariamente, pela manhã , à tarde, por vezes até altas horas da noite. Quando viajavam à trabalho, então, estavam juntos 24 horas. No entanto, por vezes achava que ainda não a conhecia totalmente. Obviamente conhecia muito mais sobre ela que qualquer outra pessoa . Conhecia com detalhes sua personalidade forte e sincera . Seu profissionalismo no trabalho era notório. Seu inabalável racionalismo científico também. Não apreciava a rotina, mas gostava das situações planejadas, organizadas, claras e sempre bem definidas. Sabia o quanto ela confiava nele, muito, que gostava de sua companhia. Ele também. Conversar, discutir com alguém que se não concordava com tudo o que ele dizia, com certeza respeitava suas opiniões, ouvia- o. Uma pessoa inteligente, muito mais que todos os burocratas que infestam o FBI. Por quantas situações ela já não tinha passado. Abdução, sequestros, câncer. Tudo pelos Arquivos-X. Enfim, por culpa dele. Conhecia suas reações, suas inconfundíveis ( e adoráveis ) expressões de surpresa, reprovação, perplexidade. Mas a forma contida de Scully revelar ( ou, muitas vezes,esconder ) suas emoções o deixava inseguro. Havia, por vezes, um quê de dúvida para ele. Como realmente estaria se sentindo? O que esconderia seu rosto frio, enigmático? Podia estar confusa, abalada, apavorada, mas se ele perguntasse algo viria com aquele maldito "Eu estou bem, Mulder!". Por quantas vezes a ouviu dizer isso? Como era angustiante ouví-la pronunciar essa frase! Scully ainda pensou em sair para correr, mas não estava disposta. Comprar algo para a casa? Também não. Não havia nada faltando. Cinema? Nem tinha idéia do que estava em cartaz. E seu vídeo era praticamente uma decoração na estante da sala. "Acho que estou tanto tempo no FBI que não sei fazer mais nada", desabafou . Era um dia lindo, com todo aquele tempo disponível, e lá estava ela pensando no trabalho. Nos Arquivo-X. Em... O som do telefone ecoa novamente . À contragosto, Mulder se movimenta lentamente até o aparelho sobre a mesa. - Mulder. - Mulder? Sou eu. - Scully? Oi! Porque está ligando? Scully reflete por um instante, antes de responder. - Nada em especial. Pensei...pensei em saber se gostaria de almoçar comigo. - Almoçar? - Mulder tinha acordado tarde. Estava sem fome. Claro. Onde? - Poderia ser aqui em casa mesmo. Ou prefere um restaurante? - Na sua casa está ótimo. O que vamos comer, 'chef ' Scully? - Saberá quando chegar. Às duas horas, tudo bem? - Claro. - Então fico esperando por você. - Scully! Só uma pergunta. - Sim? - Você ligou pra cá à pouco? Uma hora atrás? - Eu? Não. Porque? - Por nada. Até às duas, então. - Adeus, Mulder. Boa pergunta, a de Mulder. Ia precisar preparar algo rápido. Pensou que seria mais confortável almoçar em sua casa do que em um restaurante. Teria de ajeitar a casa. Trocar de roupa. Mas por que estava tão preocupada? "É só o Mulder". Relaxou. Seria legal almoçar com Scully. Passar o dia nesse apartamento imundo e fedorento não era a melhor opção para um Sábado de folga. Decidiu tomar aquele banho. Após intensa e árdua procura, achou em seu guarda-roupa algo que estivesse em condições de ser utilizado. E que não fosse seus ternos do dia-a- dia de FBI. Saiu a caminho da casa dela. O trajeto ele já conhecia bem. Estaria lá em 20 minutos. 01:40pm . "Assim tão cedo?". Scully vai atender a porta. Pelo olho mágico reconhece aquele que toca a campainha. - Oi, Scully. - Olá, Mulder. Veio rápido, hein? - Estava curioso para saber como você cozinha. - Vai ter de matar sua curiosidade em outra ocasião, Mulder. Comprei algo pronto. - Ahh... Entra, vai - diz ela, um contido sorriso nos lábios. Mulder senta-se. "Que sofá mais macio. Será que é bom para dormir? Vou comprar um desses para mim", pensa. - Espere um pouco até eu terminar de arrumar a mesa. - Você é quem manda. Mulder acompanha com os olhos Scully dirigindo-se para a sala de jantar. Era até estranho vê-la vestida de modo diferente, mais despojada. Mas ainda assim Impecável como sempre. Após alguns minutos, a mesa está posta. - Espero que goste. O dono da rotisseria me recomendou. - diz Scully. - Guarde o nome dele. Poderemos precisar. Os dois sentam-se à mesa para o almoço. - O que fez pela manhã, Scully? - pergunta Mulder. - Nada muito produtivo. Você? - Também nada. Acordei tarde. É estranho, não é, Scully? Ficar um fim- de- semana inteiro sem um Arquivo-X para investigar. Sem conspirações, monstros, fenômenos inexplicáveis ( faz as aspas com as mãos ) para se preocupar. - É. E o mais estranho é perceber que você sente falta disso. - Por que? - Como porque? Deveria haver algo mais do que os Arquivos-X em nossas vidas. Outras preocupações, ambições. Uma vida normal. Não acha? - Eu não. Scully sorri novamente. Fica a observar a pessoa que despreocupadamente devora o prato à sua frente. Terminam o prato principal. - E então, o que achou? Posso confiar nessa rotisseria? - inqueri Scully. - Bom. Não tanto se você tivesse me preparado, mas estava bom. Mas vamos ver a sobremesa, antes de decidir. Após apreciarem o pudim ( só Mulder, na verdade, prova. Scully já tinha comido demais para sua rigorosa dieta ), acomodam-se na sala. Scully em uma poltrona e Mulder no sofá. Conversam algum tempo sobre detalhes do último caso em que trabalharam, amenidades, até que o assunto se esgota. Silêncio. As palavras não vêm à mente. Não conseguem imaginar algo lógico, apropriado para dizerem . Procuram não cruzar olhares. Nem era preciso. Sentir a presença do outro ali era suficiente . Confortante, tranquilizador, bom. Mas, também, constrangedor . Os segundos passando. Só os dois ali, sentados naquela sala, sem trocar palavras. Mulder finalmente interrompe: - Scully? - diz, olhando para ela. - Sim, Mulder? - Tem algo para fazer agora à tarde? - Talvez. Rever alguns relatórios no computador, limpar minha arma... - pensa em algo mais para dizer. - É que, se você puder deixar isso para depois, eu gostaria de te levar a ... - Aonde? Estranhas luzes foram vistas em algum lugar próximo daqui? - Calma. É um lugar não muito longe, aonde eu vou às vezes para andar, espairar. Se quiser respirar um pouco de ar fresco, andar ao lado de seu parceiro maluco... - Pensei que você espairava a cabeça brincando com os lápis ( faz um gesto imitando o atirar dos lápis de Mulder para o teto). Ou vendo vídeos, digamos, alternativos. - Quer ir ou não? - pergunta um Mulder contrariado. - Hum...não sei. Limpar minha arma parece-me tão estimulante... Scully percebe um sinal de desapontamento no rosto de Mulder. - Mas tudo bem. Vou perder mais algum tempo com você. Dê-me uns10 minutos para trocar de roupa. - Legal!! Scully sai para o quarto. Mulder alegra-se por ela ter aceito. Não queria passar o Sábado sozinho. Sem ela. À muito queria levá-la lá. O telefone toca. Uma. Duas. Três vezes. - Scully! Scully! O telefone!! Ela não responde. Não devia estar ouvindo com a porta fechada. Mulder decide atender. - Alô? - Alô. Quem fala? - É da residência de Dana Scully. Deseja falar com ela? - Fox? - Sim. Quem fala? - É a mãe da Dana, Margareth. - Sra. Scully, como vai? Não a reconheci pela voz. - Estou bem. Mas o que faz aí hoje, em pleno Sábado? - Eu..., nós... estamos analisando um caso. A senhora sabe, Arquivo-X, muito trabalho... - Ah...sim. Claro. Posso falar com Dana? - Só um momento. - Obrigada. Mulder bate na porta do quarto de Scully e a avisa do telefonema. - Espero você no carro - diz, procurando deixar Scully sozinha para conversar com sua mãe. Passados dez minutos, Scully entra no carro de Mulder. Dirigem-se para o lado oeste da cidade. Em pouco tempo estão saindo do perímetro urbano. - Mulder, você não disse que era perto? - Sim. Mais umas duas horas por essa estrada e estaremos chegando. - O que? Duas horas? Mulder, assim... - Calma, Scully. Mais uns vinte minutinhos. O dia, que amanhecera claro e sem nuvens, agora aparecia com outra feição. Nuvens cobriam o céu e o vento gelado soprava mais intensamente. Scully pensou em falar para Mulder que aquele passeio poderia ficar para amanhã, devido à mudança no tempo, mas resolveu esperar. Estavam "quase" no lugar, pela afirmação dele. Após mais alguns quilômetros, o veículo entra numa estrada de terra. Esta acaba em um enorme e velho portão de madeira. Mulder sai do carro, abre o portão com a chave que tira de seu casaco e coloca o carro para dentro do sítio, descrito na placa afixada na cerca próxima como "Propriedade dos Gilligan". Percorrem a trilha que os leva à sede da propriedade. Uma típica casa em estilo colonial. - De quem é a propriedade, Mulder? - De um amigo de infância, Vince. Ele ganhou como herança, mas como mora na costa oeste deixou a chave comigo, para eu poder utilizar às vezes. Venha, a propriedade é enorme e muito bonita. Caminham para detrás da casa-sede. Vastas colinas podiam ser vistas dali, já que estavam na parte mais alta do terreno. Mulder aponta para um solitário carvalho localizado ao longe, isolado no meio da planície. Eles se dirigem para lá. A distância não era pequena, apesar da enorme árvore poder ser vista ao longe. No meio do caminho, a chuva que ameaçava cair desde que chegaram veio finalmente, forçando Mulder e Scully a correr. Abrigados sob a protetora sombra , eles se deitam no gramado, lado a lado, olhando a chuva, que caia forte, molhar os campos à sua volta. - É uma visão maravilhosa, Mulder. Veja. - Você não podia imaginar que estaria aqui quando levantou pela manhã, não é, Scully? - Não mesmo. Mas vindo de você eu não me surpreendo com mais nada. Mulder toma coragem e vira o rosto em direção ao dela. - Scully, eu... - Sim? - Eu... - Fale, Mulder. Está me deixando preocupada. - Scully, eu gostaria de aproveitar esse momento para dizer o quanto sou agradecido à você pelos últimos anos que passamos juntos, nos Arquivos-X. Sempre estive sozinho na procura para saber o que aconteceu de fato com minha irmã, mesmo quando trabalhava com outros ou outras parceiras. Mas desde que começamos a trabalhar sinto que posso confiar em você, como nunca confiei em mais ninguém. Totalmente. Mulder faz uma pausa. Scully ouve tudo atentamente, assustada com o discurso inesperado. - Por minha culpa, você foi abduzida, quase morreu. Perdeu sua única irmã. Novamente esteve em perigo, quando teve câncer. Escapou por pouco, um milagre. Além disso, salvou-me a vida nem sei por quantas vezes. Coloquei-a no meio de uma batalha que não era sua, sem avisar-lhe dos perigos que iria enfrentar. Mas mesmo assim você nunca reclamou de mim. Suas idéias, suas opiniões divergentes em nada me atrapalharam. Pelo contrário. Faziam- me refletir sobre o que estava fazendo e optar pelo melhor caminho. E eu nunca a agradeci nesses anos todos... - Não precisa me agradecer, Mulder. Estou aqui porque escolhi. Se não sabia aonde estava entrando antes, agora sei. E não vou desistir. Desde a minha abdução e da morte de minha irmã, esta batalha não é só mais sua. É minha também. - Eu...eu não sei para onde os Arquivos-X vão nos levar, agora que estamos tão próximos da verdade, mas eu sei que não estaria aqui sem você e quero que esteja comigo quando tudo for finalmente revelado. Para mim, você é muito mais do uma parceira, do que uma amiga. É algo muito mais importante... - diz um Mulder emocionado, não conseguindo completar a frase. Com lágrimas escorrendo em seu rosto, Scully sussura: - Para mim também, Mulder. Eles ficam ali, olhando um para o outro como nunca tinham tido coragem de fazer. Os rostos se aproximam lentamente e o momento pelo qual os dois jamais pensaram que um dia pudesse acontecer, mas que à muito desejavam, chega. Um beijo. O mais doce e intenso que jamais tiveram. Os lábios por fim se separam e eles ficam novamente a observar um ao outro, sem saberem ao certo o que pensar, dizer, fazer. Não importava mais. Estavam certos de que a partir dali tudo seria diferente.