Título: Luz e Escuridão Autora: Alice J. Foster (Fe) ! ! ! ! ! ! ! ! Spoilers: !!!!!REQUIEM!!!! ! ! Disclaimer: Não são meus... ! ! Feedback: alice_j_foster@hotmail.com ! ! Notas da autora: Gente, essa é minha primeira tentativa em MulderAngst. Eu sou Scullyista até a alma. Porém, essa teoria me surgiu há algumas semanas e vem me assombrando, então resolvi escrevê-la e desenvolver algo a partir daí. Tentei fazer uma pequena ligação entre essa fic e a minha outra fic, Conexão, mas é completamente sutil. Eu dedico essa fic à Késsia, ela sabe porquê... thank you, Kes! ! ! ! Categoria: Mulder abduzido, ponto de vista dele. +++++++ Eu achei que fosse uma boa idéia. Eu realmente acreditei naquele crápula. Aliás, eu fiz a besteira de acreditar em ambos os crápulas. Krycek e aquele que diz ser meu pai. Agora, neste exato momento, ele poderia dizer que era minha mãe que eu apenas o ignoraria. Eu olho ao meu redor. Nunca achei que pudesse desenvolver claustrofobia, mas descobri que é possível. Paredes brancas me cercam. A porta é tão discreta que nem a vejo. Apenas pode ser aberta pelo lado de fora. Não tenho cama ou nenhum outro luxo. Não vejo comida há quatro meses. Tudo é intravenoso. Não confio nos médicos aqui. Só confio em uma pessoa. E estou afastado dela. Por uma escolha que fiz. Como eu já disse, eu achei que seria uma boa idéia. Veja bem, o crápula fumacinha me ofereceu algo que não pude negar. Eu poderia, mas sei que se eu recusasse eu nunca me perdoaria. Não que eu me perdoarei por ter aceitado. Ele disse que se eu concordasse em fazer testes, em ser mantido prisioneiro por alguns dias, ele poderia realizar o maior desejo dela. E o meu também. Mas eu tive medo. Tive medo que ela descobrisse. Ele disse que quando eu voltasse ela ficaria grávida. Eu suspeitei que ele já tinha começado os experimentos muito antes do combinado quando ela começou a sentir as tonturas. Então eu precisava cumprir com a minha parte, pois tive medo de que a levariam ou à criança se eu recusasse. Por isso eu tinha que tirá-la de Bellefleur. Eu não sabia onde seria minha "abdução" até que Krycek apareceu. Então eu soube. E ela não poderia estar presente. Não sei se tomei a escolha certa. Ou melhor, eu tenho a certeza de que tomei a escolha errada. Eu tive essa certeza quando ao chegar aqui, um dos homens a mando do fumacinha, CGB, o diabo a quatro, disse que eles não tiveram nada a ver com a gravidez de Scully. Então eu duvidei que ela estivesse grávida. Mas eu sinto que ela está. Quando eu consigo dormir e não ter pesadelos, eu vivo pelos olhos dela. Eu vejo o mundo como ela o vê. E a mente dela é tão mais bonita que a minha, é tão mais clara. Eu sempre ouvi que opostos se atraem. Nunca acreditei. Afinal como eu poderia amar Diana e Phoebe? Eram tão parecidas comigo. Então quando eu vi aquela novata entrando no porão do FBI eu mudei a minha perspectiva. Eu nunca amei Phoebe ou Diana. Não de verdade. Eu e Scully somos completamente o oposto um do outro. Yin e Yang. Luz e Escuridão. Claro que eu sou escuridão. Eu sonho para que ela não esteja vendo o mundo pelos meus olhos. Eu tenho dó de qualquer pessoa que tente entrar em minha mente. É um lugar escuro que nem eu mesmo gosto de explorar. Sempre tentei me manter afastado dela. Não queria que ela se aproximasse demais. Minha alma, mente, coração, o que fosse, estavam ocupados demais com Samantha. E eu lutei. Lutei muito. Não queria que ela ocupasse sequer um lugar dentro de mim. Mas a luta foi em vão. Talvez ela seja como câncer. Lembro-me das palavras que ela escreveu naquele diário em Allentown, que o câncer chega sem aviso, invadindo. Ela foi como um câncer. E por muito tempo eu quis erradicá-la desses locais dentro do meu ser. Mas não pude. Depois de um tempo, não quis. Após algum tempo, eu não achava que ela era uma invasora. Eu fiquei dependente dela. Eu precisava dela para viver dia após dia. Quando quase a perdi para o câncer, contemplei me matar. Contemplei acabar com aquela dor. Mas fico feliz que não o tenha feito. Os próximos anos revelariam tantas surpresas. Desgraças e alegrias. Eu descobri então que poderia passar por tudo, desde que ela estivesse ao meu lado. Acho que é a única razão pela qual ainda estou vivo. Pois sinto ela comigo. Novamente as palavras do diário vêm à minha mente e compreendo o que ela quis dizer com "...sinto você perto..". Acho que ambos nos alimentamos dessa proximidade. Dessa ligação. Quando penso nela, desisto de qualquer besteira que eu possa fazer. Desisto de tentar fugir desse local. Escuto a voz racional dela em minha mente: "a hora chegará. Você só irá se arriscar tentando sair daí." Eu não quero morrer. Não posso. Ela precisa de mim. E eu preciso dela. Uma vez eu li sobre uma ligação tão forte que quando uma pessoa morria, a outra morria logo depois. A morte era física e mental. Clyde Bruckman pode dizer o que ele quiser, mas eu tenho medo por mim e por ela. Todos meus planos aqui foram por água abaixo. Aparentemente os "negócios" foram passados para outra pessoa e meu "acordo" não valeu nada. Aliás, se eles não interferiram na gravidez de Scully, eu nem deveria estar aqui. Mas agora é tarde demais. Eu só preciso esperar. Sei que ela me salvará. Não sei quem "ela" é. A Verdade? Scully? Talvez minha verdade nunca tenha sido Samantha. Talvez ela sempre tenha sido Scully. Não sei. Só sei que preciso voltar para ela. Para eles, melhor dizendo. Outra coisa que me manteve vivo esses meses é saber que eu tenho um ser humano me esperando. Uma obra minha e de Scully. Alguém para me manter são quando eu considerar largar tudo. Alguém para me manter forte quando tentarem mais uma vez nos destruírem. Alguém para eu amar e que me amará incondicionalmente. Mas agora eu quero parar. Parar de visitar a escuridão. Dormir em mais uma tentativa de ver luz. E vendo luz, ganhar força para enfrentar mais um dia. ++++++ Feedback: alice_j_foster@hotmail.com