A lua, as estrelas, o mar AUTORA: Kessia Nina E-MAIL: shipperx@gmx.net DISCLAIMER: 1013 e Fox Network são os donos de Arquivo X e seus personagens. SPOILERS: Acho que nenhum!!! CATEGORIA: MSR FEEDBACK: Sempre bem-vindo! NOTA DA AUTORA: Todas as minhas histórias estão no meu site: http://go.to/shipperx/ RESUMO: Mulder e Scully olhando a lua, as estrelas, o mar ----------xxx-------------- A lua está tão brilhante que não lembro de tê-la visto assim em toda minha vida. As estrelas quase não aparecem por causa do seu brilho. Eu gosto da lua, tenho um certo fascínio por ela. Especialmente agora, nesse exato momento. Não sei como nós nos perdemos no caminho e acabamos nessa cidadezinha litorânea. Mas o que mais me impressiona mesmo é como nunca soubemos nem viemos aqui. Tão perto de nossas casas. A brisa está suave e ao bater no meu rosto me refresca e me faz pensar o motivo de estar sentada nesse exato momento esperando meu parceiro chegar com nossas bebidas. É incrível como nós podemos ficar simplesmente parados, sentados um do lado do outro sem falar nada, mas ao mesmo nos comunicando tão perfeitamente. O que me impressiona mais, no entanto, é o medo que domina nossos corpos, em especial o meu, de falarmos tudo o que sentimos um pelo outro. Eu amo Fox Mulder mais do que minha própria vida e não consigo dizer isso a ele. Já tentei. Sem dúvida nenhuma já tentei, mas devo ter sido tão sutil que ele nem percebeu. Ou se percebeu, fingiu que não. O que não acredito. Meu parceiro tem uma capacidade muito grande de saber o que as pessoas estão dizendo ou às vezes somente pensando só de olhar para seus rostos. Ele provavelmente sabe o que sinto. Mas me ama o suficiente para entender que essas coisas não são tão fáceis pra mim. Eu tenho que zelar pelo meu lugar. Não posso simplesmente ficar me declarando apaixonada aos quatro cantos do mundo. Tenho que batalhar como sempre batalhei e pelo menos tentar alcançar todos os meus objetivos. Um deles, obviamente, é de dizer a Mulder como me sinto. Dizer o quanto o amo e como eu preciso dele para viver. Já o estou avistando vindo em minha direção com dois copos enormes de refrigerante nas mãos. Como ele tem um andar fabuloso! Aposto que todas as mulheres o ficam observando quando ele vai a algum bar ou cinema. Seu sorriso, então? É tão bom saber que ele está sempre sorrindo para mim, mesmo nas situações mais difíceis. "Esse é seu." "Por que o menor é meu?" Perguntei ao mesmo tempo que o olhava sentar-se ao meu lado. Nossas pernas se juntaram sem razão aparente, visto que o banco era grande o suficiente para abrigar ambos sem maiores problemas. "Porque você é menor, Scully. Você não pode tomar tudo isso aqui de refrigerante." Respondeu mostrando o tamanho do seu copo. "E então, em que você estava pensando?" Fui pega de surpresa por essa pergunta. Nunca imaginaria que Mulder pudesse me perguntar isso. Na verdade, ele nunca pergunta, eu é que falo de uma vez. "Na lua, nas estrelas, no mar. Em como as coisas são perfeitas na natureza." "Pensamentos Profundos de Dana Katherine Scully. Dava um livro." Ele sorriu e pude reparar ainda mais em seu rosto. Pequenas rugas já estavam se formando em seu rosto, mas elas o deixavam ainda mais bonito. Eram as experiências aquelas rugas. Pude ver também mais de perto seus lábios, especialmente o inferior, mais avantajado que o superior. Confesso que achei tudo o que tinha acabado de pensar uma baboseira e minha vontade era de jogá-la fora e beijá-lo ali mesmo. "Mas será que alguém iria comprar?" Perguntei de supetão fazendo-o tremer de susto. "Eu." Esse único e pequeno pronome que falara disse mais do que muitas palavras poderiam. Disse, o que já sabia, que ele estaria sempre ali para mim. Até para comprar um suposto livro qualquer. Sempre estaria ali do meu lado. O que quer que acontecesse conosco. "Eu também compraria um seu." "Sério? Mesmo que fosse sobre homenzinhos cinzas?" Seu rosto estava iluminado por seu sorriso e ele estava ainda mais bonito. E mais uma vez sua pergunta não era tão simples de ser respondida. Não era sobre um livro qualquer de homenzinhos verdes, mas sobre ele próprio. Senti que foi a maneira que ele achou de perguntar, quer dizer, confirmar o que já sabia. "Até dos verdes eu compraria, se você o houvesse escrito." Ele sorriu timidamente com a cabeça baixa, mas sempre olhando no fundo dos meus olhos. Pegou o canudo e colocou em sua boca, sugando rapidamente seu conteúdo. Entendeu perfeitamente o que eu quis dizer, mas como sempre, deixara para mim, a oportunidade para falar o que sinto. O que não fiz. "Que tal um cineminha?" Apesar da proposta ser tentadora, não quero estragar esse momento tão mágico que estou sentindo agora. Liberdade e ao mesmo tempo estou me sentindo presa ao homem sentado ao meu lado. Ao homem que tanto conheço e que tanto amo. Respondo a ele com um aceno negativo de cabeça. "Tudo bem. Vamos ficar aqui somente olhando a lua e as estrelas." "E o mar." Completo. --------- xxx ------------ O que será que ela está pensando? Ao pararmos aqui não tinha idéia que ela gostava tanto assim de praias e lua. Agora que a estou vendo observar, fico imaginando o quanto eu não sei a respeito da minha parceira e melhor amiga. Decidi deixá-la sozinha. Para que aprecie a seu modo tudo o que quiser enquanto não volto com nossos refrigerantes. Para ela um menor, óbvio. Vou caminhando calmamente observando todos os seus poucos movimentos. Ela parece estar feliz. Simplesmente feliz. Foram tão raros os momentos nos nossos sete anos de convivência que a vi realmente alegre e feliz. Quer dizer, tirando os momentos em que ela faz ou tenta fazer pouco das minhas malucas teorias. Mas como sempre, ela está comigo onde quer que eu vá. Ela acabou de olhar em minha direção. De certa forma, sinto como se ela estivesse me admirando. Afinal é somente nesse momento, quando estou longe do seu alcance, ela pode fazer isso. E mesmo assim eu ainda percebo. Mas eu a amo por causa disso. Por cada olhar que me dá. Por cada toque que sinto de suas mãos no meu corpo. Por cada barulho de sua respiração que ouço. Por cada passo que escuto quando ela está chegando. Tantos anos que até já sei diferenciar os passos alegres dos tristes ou temerosos. Ao chegar, entrego o refrigerante a ela e sento bem próximo. Nossas pernas chegam a encostar. Sinto que ela se arrepia com o toque mas não fala nada. Só reclama da diferença de tamanho do nossos refrigerantes. O que eu acho incrível, porque essa a minha Scully. Aquela que não quer ser diferenciada por nada nem ninguém. Arrisco perguntar em que ela estava pensando enquanto estava sozinha. Tudo que ouvi foi: "Na lua, nas estrelas, no mar. Em como as coisas são perfeitas na natureza." Ela sempre tem as frases certas para os momentos certos. Até hoje lembro, apesar de não cumprir, do que me disse quando estava no hospital há alguns anos: "Nada acontece em contradição à natureza. Mas em contradição ao que sabemos dela." Está certíssima. Mas eu não consigo agir assim. E ela sabe disso. Mesmo assim está comigo há sete anos. Comento que o que ela disse dava para fazer um livro e dou até o nome de "Pensamentos Profundos de Dana Katherine Scully" Após um período em silêncio, o que achei que ela poderia estar me achando ridículo, ela falou. "Mas será que alguém iria comprar?" Como é que ela pode fazer uma pergunta tão boba? Obviamente muita gente iria comprar. Eu seria o primeiro. Além do mais, seria um livro dela e não meu por exemplo. Nesse momento ela falou que compraria um livro meu também. Fiquei admirado por termos pensado exatamente a mesma coisa ao mesmo tempo. Como eu admiro essa mulher. Como ela consegue ser assim comigo depois de tudo o que passou por minha causa? Abduções, sofrimentos, tantas coisas. Eu quero confirmar o que ela acabou de falar. "Mesmo se fosse sobre homenzinhos cinzas?" "Até dos verdes eu compraria, se você o houvesse escrito." Sei que não deveria ler nas entrelinhas, mas o meu relacionamento com Scully é baseado nas entrelinhas. Ou seja, na minha cabeça, o que eu ouvi foi que ela faria qualquer coisa por mim. A primeira vez que ela me falou isso, eu fiquei embasbacado. Nos conhecíamos há menos de um ano e ela já falou como se sentia pra mim. Não consegui nem falar nada a respeito, somente fazer uma das minhas típicas piadinhas de tão surpreso que estava. O incrível é que sempre que ela me diz como se sente, eu não faço nada. Sempre desejo que esses momentos cheguem, mas quando eles estão ao meu alcance, eu não aproveito. "Que tal um cinema?" É tudo o que pergunto. Mesmo sabendo que ela provavelmente não vai aceitar porque percebi que ela gostou desse lugar e está bastante à vontade aqui. Como esperado, ela simplesmente acenou negativamente com a cabeça. Então continuei ao seu lado observando a lua, as estrelas e o mar. --------- xxx ------------ De fato, tudo o que os dois queriam era paz. Há muito tempo não sabiam o que era isso. E naquele momento, ouvindo o barulho da brisa do mar e sentindo-a em seus rostos, era o que eles estava obtendo. Tirando o fato de estarem ambos nervosos, estavam também calmos porque sabiam que enquanto estivessem juntos, estariam em casa e nada poderia separá-los. Alguns minutos depois, Scully tremeu de frio. À medida que a noite avançava, a brisa ficava mais forte e mais gélida. Seu parceiro, instintivamente, tirou seu paletó e o colocou em volta dela. O cheiro dele a fez estremecer mais ainda. Agora podia também sentir seu calor. Era como se estivesse sendo abraçada pela próprio Fox Mulder. Era o que ela desejava. "Sabe, Mulder, são nesses momentos em que eu realmente paro para pensar na minha vida. Na nossa vida." Ela falou olhando fixamente para o mar e realmente não esperando que ele dissesse nada, somente ouvisse. Como fazia tantas vezes. Apesar de sentir que ele ficou tenso subitamente ao ouvi-la falar em "nossa vida", ele deixou que ela continuasse. "Tantos anos. E nós não alcançamos nada de palpável. Você não encontrou sua irmã. Eu não encontrei... E então? O que eu encontrei ou não encontrei? Nada. Eu tomei a sua cruzada, a sua busca como minha. Ou seja, também não consegui alcançar nenhum dos nossos objetivos. Foi por isso que mencionei nossa vida. Me desculpe se te deixei desconfortável." "Scully, há muito tempo eu considero esta como nossa vida." Timidamente ela concordou com a cabeça. Olhando agora para ele e notando que algumas lágrimas teimosas enchiam os olhos de ambos. Levantou sua mão e tocou o rosto do seu parceiro. Seu lindo parceiro. Tão honesto e tão sofredor. Tudo o que queria era a verdade, mas até hoje, não a havia encontrado. Olhava para ele com ternura. Amava aquele homem. Mais que sua própria vida como vivia repetindo para si mesma. Agora, ao olhar para ele, sabia que também ele se sentia da mesma forma que ela. Sua mão roçava carinhosamente o rosto dele quando ela decidiu que já perdera tempo demais e que aquele momento era único e perfeito para que os dois se unissem como nunca antes. Aproximou seu rosto do dele e pôde finalmente encostar seus lábios nos outros tão desejados por ela por tantos anos. Num primeiro momento, eles ficaram somente parados com os lábios se tocando e sentindo a respiração um do outro. Quente e rápida. Alguns segundos mais tarde, a respiração se tornara mais fraca, demonstrando calma e uma sensação de estar finalmente no lugar certo e na hora certa. O beijo enfim começou. Vagarosa e apaixonadamente. Ao sentirem suas línguas se encontrando, ambos suspiraram e soltaram pequenos gemidos abafados. Os dois continuaram como estavam no início. Não queriam mover seus corpos de forma que tudo poderia acabar. Ela com sua cabeça inclinada um pouco para trás e ele encontrando-a perfeitamente. O fim foi doloroso. Não podiam dizer como tudo continuaria após aquele beijo tão esperado pelos dois. Apesar de esperarem poder fazê-lo pelo resto de suas vidas. Mulder a fitava com seus olhos verdes demonstrando tudo o que queria e desejando que ela tomasse mais uma iniciativa de falar. "Desculpe." "O quê?" Perguntou frustrado. "Desculpe por ter beijado você. Não queria que se sentisse constrangido. Eu só... precisava fazer isso." Ela sabia que ele também sentira muitas coisas naquele beijo, mas como sempre, não queria demonstrar tanto seus sentimentos assim e se mostrar fraca perante seu parceiro. "Scully, será que algum dia você vai ter coragem de ser totalmente honesta comigo?" Ela se espantou pela pergunta nada calma e tranqüila do parceiro. O que ele poderia estar querendo dizer com aquilo? Ela fazia o máximo para demonstrar tudo o que sentia e ele ainda vinha com isso? Acabara de beijá-lo. Tudo bem que se desculpou por algo que não deveria, mas essa era ela. E não poderia mudar tão rapidamente. "Por que não consegue agir normalmente após me beijar? Acha que eu não gostei?" "Não é isso, é que..." "Scully, você é tudo pra mim. Acho que já sabe disso há um bom tempo, não? Eu já falei que te amo. Você não acreditou na época, mas deve ter pensado sobre o assunto." "Pensei. Mas não é tão fácil pra mim falar isso. Não é fácil nem admitir." "Por que? Por que é tão difícil para você?" "Eu não sei. Mas acho que você deveria, já que me conhece tão bem." Ele balançou a cabeça negativamente. "Sinceramente, Mulder, eu não sei. Mas estou aliviada por estarmos conversando. Há muito tempo queria ter essa conversa com você e também beijá-lo. Hoje, ao ver essa paisagem tão bonita, percebi que perdemos tempo demais em nossas vidas sem alcançar nada. Nenhum objetivo. Foi isso que me motivou. Saber que estaremos sempre juntos e que um beijo só faria nosso relacionamento crescer mais ainda e talvez fazer com que almejemos um novo objetivo. Totalmente juntos." Ele sorriu e colocou seu braço envolta dela, que agora não estava mais com frio, mas sim aquecida pelo que parecia ser para o resto da sua vida. "Vamos ficar só aqui, está bem?" Falou ele em tom inquisitório. "Por que?" "Vamos ficar aqui somente olhando a lua, as estrelas, o mar." ----------- The End ------------ E então? O que acharam??? Me digam!!! Escrevam para shipperx@gmx.net