LEMBRANÇAS DE OUTRA VIDA Autora: Emily Maybe Disclaimer: esses personagens não pertencem a mim, os uso apenas para a diversão dos fãs, e a minha própria. Não tenho fins lucrativos. Mas ficarei muito recompensada se receber um feedback! E-mail: angela.m@uol.com.br (para críticas, elogios ou apenas para fazer amizade) Categoria: Shipper Classificação: Livre Sinopse: Mulder e Scully encontram um menino que possui lembranças de uma vida passada, que está ligado às vidas passadas dos dois agentes. Considerações: Eu gostei muito do episódio O Campo Onde eu Morri (apesar de ser totalmente anti-shipper) por causa do tema das vidas passadas, foi um dos meus preferidos. Como shipper, resolvi tentar fazer com que em nem todas as vidas passadas dos agentes, eles tenham sido apenas amigos, e sim amantes. E tentarei fazer com que não fuja ao que foi dito no episódio ao qual me referi. Quero fazer com que Scully seja a alma gêmea da Mulder, e não Melissa Riedel. Li um artigo a respeito de que existe um estudo que pesquisa crianças que possuem lembranças de vidas passadas. Que são claras, lúcidas e completas, inclusive com nomes e datas precisas de acontecimentos. E isso me deu a idéia para essa fic, e é por ele que eu me baseei para escrever algumas coisas. E algumas agem como a pessoa que alegam ter sido. Há mais ou menos três anos, eu mesma fiz Regressão de Vidas Passadas (não é bem como foi mostrado no citado episódio), e foi nela que eu me baseei, mais ou menos, para escrever a Regressão de Scully. XXX Sala dos Arquivos X 8h05AM Scully já estava a espera de Mulder, que estava atrasado. Ele entrou com algumas pastas debaixo do braço, e estava com a mesma expressão que mantinha quando encontrava algum caso interessante. Antes mesmo de cumprimenta-la ele já foi falando sobre o caso. - Temos um caso, Scully. Um homem foi morto misteriosamente, asfixiado. Mas não se sabe com o quê. Ele relatou os detalhes do caso, e falou que teriam que partir para Ohio interrogar a esposa da vítima. Scully não sabia o porquê, mas também estava empolgada com o caso, mas tentava não demonstrar, por não ter motivo concreto para isso. Daquela vez não contestou nem tentou dissuadir Mulder a não seguir aquele caso, queria ir a Ohio, mesmo sem saber o porquê. Columbus, Ohio Assim que chegaram a Ohio, foram à residência da viúva da vítima. Mulder já estava com todos os dados da mulher. Eles chegaram em uma casa tipicamente de subúrbio americano, de dois andares, e foram recebidos por uma mulher que estava com os olhos inchados de chorar. - Sra. Mary Hastings? – ele perguntou, após mostrar sua insígnia. A mulher afirmou, e eles entraram. – Sou Fox Mulder. Mulder ficou interrogando a senhora, que respondia prontamente suas perguntas. Mas Scully não prestava atenção no que eles conversavam, ela levantou-se do sofá em que havia sentado assim que entrara na casa, e foi observar algumas fotos que estavam sobre uma estante. Ficou olhando por alguns minutos a foto de um menino de mais ou menos três anos, loiro, e com os olhos azuis. A sra. Hastings percebeu o interesse de Scully na foto de seu filho, e disse. - É o meu filho, Kevin. Scully sobressaltou-se com o que a mulher disse, mas logo se recompôs e sorriu. No mesmo momento o menino que estava retratado na foto entrou na sala, correndo para o colo de sua mãe. Mas logo após ele ficou olhando fixamente para Scully. - Oi, Starbuck. – ele disse sorrindo. - Ahab?! – Scully disse antes mesmo de pensar qualquer coisa. Reconhecia aquele menino, mesmo sem nunca o ter visto antes. - Sim, sou eu. – o menino continuou sorrindo, e agia como se tivesse muito mais do que sua idade. Fazia uma expressão grave, como se fosse adulto – Mas eu tenho outra vida agora. – a partir daquele momento ele voltou a agir como criança e saiu correndo para o mesmo lugar de onde havia aparecido. Mulder ficou observando a cena pasmo. Ele sabia o que Starbuck e Ahab significavam para Scully. A sra. Hastings, por sua vez não entendia nada do que havia acontecido, porém seu filho sempre falava alguns nomes de pessoas e dizia que tinha outras vidas antes daquela. E ela acreditava em vidas passadas. - O que foi isso? – ela perguntou surpresa. – Ele te chamou de Starbuck? Scully olhou para Mulder, também assustada. Não sabia porque tinha dito aquilo. Não sabia o que ia responder. - Ele sempre falou essas coisas. – a sra. Hastings falou pensativa, tentando imaginar o que havia acontecido – Apesar de nunca termos lido Moby Dick para ele. Mas o que eu achei estranho foi o que você disse... agente? – Scully não tinha se apresentado quando entrara na casa, apenas Mulder. - Dana Scully. – ela respondeu. - Scully?! – a mulher repetiu assustada. - O que houve, sra. Hastings? – Mulder perguntou, curioso. E falou porque imaginava o que estava acontecendo. - Meu filho fala que foi um capitão da marinha, chamado Scully. – a mulher explicou, receosa. Não queria que os agentes do FBI pensassem que seu filho era louco. – Nós pensávamos que fosse algum amigo imaginário, ou coisa assim, mas continuou sempre, e ele sempre dizia que foi ele em outra vida. Meu marido e eu acreditamos em reencarnação, e por isso perguntamos mais coisas a ele, e Kevin sempre falou que tinha outras vidas. Várias, mas a última como o capitão Scully. – ela olhou para Scully, que estava pálida. – O que aconteceu aqui? - Eu não sei. – Scully respondeu num fio de voz – Eu não acredito... As três pessoas que estavam na sala permaneceram em silêncio por alguns minutos, todas absortas em seus próprios pensamentos, quando o menino novamente entrou. Mas ao invés de ir ao colo da mãe, foi em direção de Scully. Parou em frente a ela, a abraçou, e depois ficou olhando-a carinhosamente. - Desta vez estamos nos encontrando apenas de passagem, filha. Mas eu sinto falta de vocês. - Ai, meu Deus! – Scully exclamou, surpresa. – Não pode ser! - O que aconteceu, Kevin? – Mary aproximou-se dos dois – Ela foi sua filha, querido? - Foi, mamãe. Ela é a Starbuck. – o menino explicou, inocentemente. Mulder olhou para Scully, e assim ver sua reação. Ele não sabia como a parceira reagiria com aquela situação. Sabia que ela não devia acreditar em reencarnação. Mas ela mesma havia chamado o menino pelo apelido que chamava o pai. Ele percebeu que ela não estava confortável naquele momento, e resolveu intervir, e assim ajuda-la. - Sra. Hastings. – ele falou sério – O que a senhora acha que está acontecendo aqui? - Eu acredito que o meu filho conhece a sua parceira, de outra vida. - Eu também conheço ele, mamãe. – o menino interrompeu, apontando para Mulder – Mas não da minha última vida, mas de anteriores ainda. Na minha última nós não nos encontramos. - Você também me conhece, Kevin? – Mulder perguntou admirado. O menino confirmou com a cabeça, e depois disse para a mãe: - Eu quero ir dormir, mamãe. Mas depois eu queria conversar com eles. – ele concluiu apontando para Mulder e Scully. - Nós voltamos depois, sra. Hastings. – Scully apressou- se em dizer. Queria sair logo daquela casa, e colocar seus pensamentos em ordem. Mulder e Scully saíram da casa, e quando entraram no carro, ele disse. - Quer falar sobre isso, Scully? – ele perguntou, carinhoso e preocupado. - Eu não sei, Mulder. – ela respondeu confusa. – Eu não acredito em vidas passadas, mas esse menino... você viu como ele me chamou, e ele tem o olhar do meu pai... - Lembra-se daquele caso do Templo das Sete Estrelas? – ele perguntou, enquanto dirigia para irem para o necrotério, onde ela iria examinar o corpo do sr. Hastings. Como ela assentiu, ele continuou – Nós encontramos aquela mulher, Melissa Riedel. Lembra-se? - Oh, sim. Sua "alma gêmea". – Scully falou em um tom de sarcasmo. Mas não queria demonstrar. Mulder sorriu constrangido com o tom dela, e depois continuou. - Eu fiquei curioso a respeito de vidas passadas, e andei lendo muito a respeito... - Aonde você quer chegar com isso, Mulder? – ela interrompeu impaciente. - Posso continuar? Eu li sobre uma pesquisa que um psicólogo fez a respeito disso, e ele afirma que essas lembranças são mais comuns em crianças, as lembranças das vidas passadas. E se manifestam principalmente a partir dos dois até os quatro anos de idade, inclusive algumas crianças conseguem dar detalhes precisos sobre a vida anterior, adotando as vezes até certos maneirismos das pessoas que elas alegam ter sido. Entende onde quero chegar, Scully? – ele perguntou sério – Ele pode ser o seu pai. - Mulder, eu concordo que aquele menino agiu muito estranho. E me assustou muito. Ele sabia sobre mim... - E falou coisas sobre seu pai com a mãe dele. Ela mesma nos disse isso. – Mulder acrescentou. – Não está curiosa a respeito, Scully? Eu fiquei curioso quando encontrei Melissa Riedel. - Nós viemos aqui para um caso, Mulder. Não para saber a respeito de vidas passadas. – ela retrucou impaciente – Vamos terminar isso, depois eu vejo o que quero pensar a respeito de Kevin. Scully passou o resto da tarde fazendo a autópsia, e no fim descobriu que o senhor Hastings havia morrido asfixiado com um alimento, totalmente normal. - Morreu engasgado, Mulder. – ela disse com um certo ar de deboche – Não era um Arquivo X. - Engasgado?! – Mulder ficou sem jeito, daquela vez havia se enganado – Me disseram que ele havia simplesmente parado de respirar. - E parou. Mas porque estava engasgado! – Scully falou contendo um riso. – Vamos para casa, Mulder. No primeiro vôo de amanhã. Eles partiram para o hotel em que ficariam hospedados. Mas ela estava com vontade de ir até a casa dos Hastings para falar com Kevin. Estava receosa de falar sobre aquilo com Mulder, mas decidiu falar. - O que sentiu quando encontrou aquela mulher, Mulder? Melissa Riedel. - Você está curiosa, não é? – ele perguntou sorrindo. E ela assentiu – É estranho, Scully, mas eu realmente tenho certeza de que já estive com ela em outras vidas. Eu vi, na minha regressão. Aquele menino, Kevin, disse que queria falar com você. Acho que você deveria ver o que ele tem a dizer. Mal não irá fazer. Ele realmente acredita no que fala, não saberia mentir, é uma criança muito pequena para isso. Scully afirmou com a cabeça, decidida a falar com o menino no dia seguinte, e deixar a partida para depois. 10h00AM - Obrigada por vir aqui comigo, Mulder. – Scully falou assim que pararam na frente da casa da sra. Hastings. - Ele disse que também me conhecia, Scully. – ele retrucou – Você não lembra o que Melissa disse? Você já foi o meu pai, e meu sargento. Se estivemos sempre juntos, e ele esteve junto de você... esteve perto de mim também. – ele concluiu em um tom carinhoso. Os dois bateram à porta da casa, e viram novamente a sra. Hastings. - Bom dia, agentes. Então a morte do meu marido não teve nada de anormal? – ela parecia mais aliviada. - Sim, senhora Hastings. Houve um engano a respeito do delegado. Ele deveria mandar fazer uma autópsia antes de nos chamar. – Mulder explicou, um pouco contrariado. - Vocês vieram aqui para falar com o meu filho? Ele estava esperando por vocês. – ela fez uma pausa, pensando se deveria falar o que pensava. Por fim decidiu dizer – Eu sempre achei muito estranho isso do meu filho e as vidas passadas. No início me assustei, pensei que ele não fosse normal, mas quando percebi que eram lembranças de vidas passadas tudo ficou mais claro. As vezes ele não age como se tivesse três anos e meio, age como um adulto, fala coisas que me assustam. E fala muito de Willian. Narra tudo como se estivesse acontecendo nesse momento, e com palavras que uma criança jamais saberia sequer o significado. - Quando isso começou, sra. Hasings? – Mulder perguntou – Eu sou psicólogo, e já li sobre isso. - No início do ano, de lá até aqui ele já disse muitas coisas. O menino entrou na sala. Olhou para os agentes, e sorriu. - Oi, eu queria falar com vocês. - O que quer falar conosco, Kevin? – Mulder perguntou abaixando-se para ficar mais ou menos da altura do garoto. - Eu conheço vocês. Mas não de agora, já faz muito tempo que ficamos próximos. Principalmente de Dana. Eu tenho que contar uma coisa para vocês dois. – ele começou a falar como se fosse adulto, não mais como uma criança de três anos, falava tudo corretamente, e em uma entonação que Scully conhecia. – Eu fui Willian Scully, seu pai, Starbuck. Sempre estivemos juntos. Todos nós. Os agentes e a mãe do menino sentaram-se para ouvir o que ele tinha a dizer, e parecia que ele iria se prolongar. - O amor une as almas. – Mulder falou baixinho. – Sempre encontramos as mesmas pessoas vida após vida. Mas de maneira diferente. - Agora eu me lembro de muitas vidas. – Kevin continuou falando como capt. Scully – E sei o que tenho que fazer. Tenho que contar a vocês. Somente por isso nos encontramos agora. Para que eu consertasse o que eu fiz há muitas vidas atrás. Para fechar o ciclo que eu quebrei. Mulder, Scully e Mary ouviam tudo pasmos com o modo que Kevin agia. - Ele sempre age assim quando relata uma vida passada. Já fez isso diversas vezes esse ano. – Mary explicou, baixinho, para que o menino não ouvisse. Ela estava muito interessada em saber sobre aquele assunto. Desde que o filho começara a falar de suas outras vidas, ela estimulara-o a contar o que lembrava, e percebeu que naquele dia seria quando ele mais falaria. - O que aconteceu que você quer nos contar, Ahab? – Scully perguntou, interessada. Deixou momentaneamente de lado o seu ceticismo habitual. - Em 1720, nós morávamos na França. Seu nome não era Dana. Era Isabelle. Isabelle Dibouis. Eu fui seu pai nessa vida também. Ele... – Kevin apontou para Mulder – ...Chamava-se Maurice Anquie. Vocês saiam juntos, mas eu não queria ver minha filha casada com um simples pintor. Eu era dono de terras, minha filha deveria casar-se com um jovem rico, eu já tinha prometido sua mão. Mas você o amava muito, filha. Não queria aceitar outro noivo. Eu sabia que você estava disposta até a fugir para ficar com o seu amor. - Eu? – Mulder perguntou surpreso. Aquilo tudo contrariava o que Melissa Riedel havia dito. Mas ele preferia daquela maneira, preferia ser amado por Scully, era ela quem ele amava naquela vida atual. - Hoje eu sei que vocês ficaram juntos sempre nas vidas anteriores a aquela. Que vocês deveriam ficar sempre juntos. Mas naquela época eu não sabia, e queria separa-los. E fiz de tudo para isso. Não poderia ver minha família desonrada. - O que você fez? – Mary perguntou entusiasmada. - Eu destruí o amor que Isabelle sentia por Maurice de maneira vil. Eu a fiz pensar que ele estava apenas interessado em nosso dinheiro, que não a amava. - Mas eu a amava. – Mulder afirmou, com convicção. - Sim. Mas eu a fiz pensar que não. Eu a fiz pensar que você a traiu com uma outra mulher. Contratei uma cortesã para te embebedar e coloca-lo em uma cama de modo que Isabelle pensasse que vocês tivessem dormido juntos. Consegui. Ela acreditou que você estava apenas interessado no dinheiro, e nunca mais quis vê-lo. Chorou por dias, mas no fim concordou em casar com Jean Lourean, o noivo que eu havia prometido. - E eu? – Mulder perguntou interessado – O que aconteceu conosco depois disso. - Maurice casou-se também, com uma de suas modelos de pintura. Vocês ficaram juntos nas outras vidas após essa. Dana permaneceu próxima, mas não como amante. Suas almas foram separadas dessa maneira naquela época. E eu agora tenho que contar isso para que elas se juntem novamente, pois apenas quem as separou poderia juntar. – ele olhou carinhosamente para os dois – Desculpe, querida. Em todas as nossas vidas fomos próximos, e minha alma ama a sua. Eu não fiz por mal naquele tempo. Eu pensei que estivesse fazendo pelo seu bem. Mas eu não sabia o quão infelizes vocês seriam. Vocês têm que saber o que aconteceu na França em 1720. Mas tem coisas que eu não sei, precisam descobrir sozinhos. Eu apenas tinha que contar isso aos dois. - Como nós vamos saber? – Scully perguntou. Mas o menino não respondeu, voltou a expressão infantil. - Mamãe, eu quero brincar agora. – ele disse a mãe. Mulder e Scully deixaram a casa da sra. Hastings, ambos curiosos e surpresos com o que tinham visto. Acreditaram mesmo no que Kevin havia dito. - Regressão, Scully. – Mulder disse assim que saíram – Você deveria fazer uma. - O que, Mulder? – ela falou, admirada. - Você viu o que ele disse, Scully. – Mulder argumentou. – Ele disse que nós temos que descobrir o que aconteceu naquela vida. E não vá me dizer que não acreditou naquilo! Precisamos saber. - Tudo bem, Mulder. Ele falava como o meu pai, e não teria como uma criança fingir daquele modo. Pela primeira vez devo dizer que acredito. – Scully respondeu, decidida a fazer mesmo uma regressão. – Eu estou realmente curiosa. Mulder sorriu, feliz pela decisão que ela tinha tomado. Sabia que aquela regressão não seria somente ao passado dela, mas o dele também. Quando voltaram a Washington, Mulder ficou de marcar uma consulta com uma psicóloga especializada no assunto. E no dia seguinte ele iria acompanhar Scully na tal consulta, e assim ficar sabendo da sua vida anterior também. CONSULTÓRIO DA Dra. FÁTIMA DIA SEGUINTE 6:00PM Scully e Mulder entraram no consultório da dra. Fátima. E sentaram-se lado a lado, em um sofá que tinha no recinto. Ela sentou-se em uma poltrona em frente a eles. Conversaram sobre o que pretendiam com a regressão. Que Scully iria fazer, e como permitia, Mulder iria presenciar. Ela explicou tudo o que iria acontecer, e como iria agir naquela regressão. E depois disso ela mandou Scully deitar em um divã e começou a hipnotiza-la. - Dana, você está relaxada. Seus olhos estão pesados, pesados. Você vai fecha-los e não vai conseguir mais abri-los até eu mandar. Só irá ouvir a minha voz. E nada do que ver nessa regressão poderá te afetar. Qualquer coisa que ver será somente como espectadora, nada irá te machucar. Mas se sentir desconfortável, é só retornar a essa sala. Agora você está saindo dessa sala agora. E vai entrar em um corredor cheio de portas. Cada uma dessas portas é uma vida anterior. Escolha uma porta e abra. O que você vê? - Eu vejo uma enorme sala, com móveis maciços e alguns quadros nas paredes. Tem mais pessoas nessa sala, e estão vestidas com roupas antigas. E perucas. Parece que é o século XVIII. - Olhe para sua roupa, Dana. O que está vestindo? - Um enorme vestido, muito comprido e cheio de saias, é bem bufante. - Como você se sente? – a psicóloga perguntou. - Eu estou muito triste. Meu pai me mostrou que Maurice estava me traindo. Que estava apenas interessado no meu dinheiro. Mas eu o amava muito. - Quem é Maurice hoje, Dana? - Ele é o Mulder. – Dana respondeu, e depois continuou o seu relato, mas sem qualquer reação emocional – Eu vi Maurice com uma outra mulher. E meu pai me convenceu de que eu não deveria sofrer, deveria casar com outro homem e esquecer Maurice, mas não me rebaixar. Faze-lo pensar que eu o abandonei porque não queria ter uma vida simples com um pintor, e assim manter a minha dignidade. E eu fiz, escrevi uma carta dizendo tudo isso a ele, mas sofri por isso. - O que Maurice fez? Você soube? – Fátima perguntou. - Não. Mas anos depois de tudo, fiquei sabendo que ele casou com uma outra mulher. E ela era a mesma alma que Melissa Riedel. Eu acredito que ela o amava. - E você? - Eu me casei com o homem que meu pai queria, Jean Lourean. Mas eu o odiava, ele não era uma boa pessoa. Fui muito infeliz com ele. - Você conhece Jean Lourean nessa vida atual? Quem ele é, Dana? - Conheço, ele é Alex Krycek. – como a psicóloga mandou que ela continuasse, ela tornou a falar – Eu nunca mais vi Maurice. Mas todos os dias eu lembrava do dia em que o tinha visto com aquela outra mulher. E o culpava pela minha infelicidade com Jean, pois se ele não estivesse com aquela mulher eu poderia ter sido feliz. Feliz com ele. - Como você morreu nessa vida, Dana? - Tuberculose. Eu morri sozinha na casa de campo que foi de meu pai. Minha mãe, que na minha vida como Dana era minha irmã Melissa, já havia morrido, assim como o meu pai. Jean não se importava comigo, e eu sabia que ele estava com mais uma de suas amantes. Eu morri apenas com uma enfermeira cuidando de mim. - Tudo bem, Dana. – a psicóloga falou calmamente – Agora você retornou a aquele corredor com as portas, entre em uma outra. Outra vida. Você encontrou Maurice nessa vida também? - Encontrei. Mas apenas de passagem, na guerra da Secessão. Eu era o sargento dele. Nossas almas estavam muito feridas uma com a outra, por isso somente nos encontramos como amigos, nem como familiares. Porque eu morri odiando o que pensei que ele fez comigo quando eu era Isabelle e ele morreu odiando o que Isabelle fez com ele. Ele também a amava muito. Nesta vida, ele novamente encontrou a alma de Melissa Riedel. Eles foram novamente amantes, mas foram separados. As almas deles não estão destinadas uma para a outra. A alma dele está destinada a minha. Mulder sorriu ao ouvir aquilo. Ele queria que fosse daquela maneira. Sabia que certos "nós" que foram feitos no passado seriam desatados sabendo tudo sobre o que aconteceu. Agora eles sabiam que não foram apenas amigos em suas vidas anteriores, foram amantes até serem separados, e só porque morreram com mágoa um pelo outro foi que ele encontrou Melissa Riedel, que conheceu pela primeira vez em sua vida como Maurice, depois de ter perdido Isabelle. - Você morreu na guerra, Dana? – a psicóloga perguntou. - Morri. Mas eu não odiava mais a alma de Mulder ou Maurice. Nos tornamos amigos, mas minha alma não o tinha perdoado por completo. - Volte ao corredor e escolha outra porta, o que você vê? - Eu vejo ruas de um gueto, eu era o pai de Mulder. Ele era uma mulher, e estava preocupada com o marido que havia sido levado para um campo de concentração. Desta vez ele voltou como minha filha, para assim nos perdoarmos por completo. E foi o que fizemos, nos perdoamos, e ele novamente foi separado da alma de Melissa Riedel. - Como morreu nesta vida? - Eu morri assassinada por um oficial da Gestapo. Ele era a alma do Canceroso. - O que você descobriu com o que viu hoje, Dana? A que conclusões chegou? - Eu sempre estive com as mesmas pessoas nas minhas vidas passadas. Mesmo que de maneira diferente. Mas nas vidas posteriores a Isabelle Dubouis, foram para que eu pudesse encontrar Maurice, Mulder, de maneira diferente e aprendesse a amá- lo e perdoa-lo novamente. Mulder estava eufórico com o que ouvia. Sabia que era mesmo aquilo a verdade de sua alma. Que era para aquilo que ele retornara à vida como Fox Mulder. Ele acenou à psicóloga e pediu que ela perguntasse o porquê. - Para quê, Dana? – ela perguntou o que Mulder pediu. - Para que nós, agora como Fox Mulder e Dana Scully,l resgatarmos o que perdemos como Isabelle Dubouis e Maurice Anquie. - Pergunte sobre Melissa Riedel. – Mulder pediu novamente a psicóloga, já que Scully somente ouvia a voz dela. - E Melissa Riedel? - A alma de Melissa amou a alma de Mulder. E por isso eles se encontraram depois de Maurice. Mas ela escolheu morrer na vida atual, e não escolheu ficar junto de Mulder. O ciclo se fechou. Retornou como foi antes do que aconteceu com Isabelle e Maurice. - Tudo bem, Dana. Agora você vai retornar a essa sala, e se sentir muito bem. Vai começar a sentir o seu corpo, vai voltar a ouvir tudo a sua volta novamente e vai abrir os olhos. Quando Scully abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi Mulder sorrindo para ela. Ela retribuiu com um sorriso tímido. Lembrava-se de tudo como se tivesse presenciado naquele momento, e sabia que estava livre para amar como outrora Isabelle amou Maurice. Eles saíram do consultório da Dra. Fátima, e Mulder foi leva- la para casa. Não tocaram no assunto da regressão que Scully havia acabado de fazer. Ambos estavam pensando detalhadamente no que deveria falar. Quando chegaram ao apartamento de Scully ela o chamou para subir e conversar. Sabia que teria que fazer isso. APARTAMENTO DE SCULLY 8h15PM Os dois entraram no apartamento, e Mulder sentou no sofá, Scully sentou-se em uma poltrona na frente dele e disse: - Tudo naquela sessão foi bem real, Mulder. Eu realmente não posso negar isso. - Eu sei. Também fiz uma regressão. – Mulder falou retirando do bolso algumas sementes de girassol, estava nervoso e sempre fazia isso quando estava nervoso. - Mas... eu sou católica, Mulder. E não se admite reencarnação no catolicismo. – ela disse séria. - Eu sei. Mas as pessoas, inclusive católicas, acreditam. – Mulder disse sorrindo irônico – Como explicaria que eu, você, Melissa e aquele menino tenhamos as lembranças de um mesmo fato, mas de maneiras diferentes? Como seria realmente os relatos de um mesmo assunto dado por diversas pessoas. Acho que dessa vez você deveria acreditar, Scully. - O pior é que eu acho que acredito, Mulder. – Scully disse baixinho, um pouco envergonhada, mas sorrindo. Mulder retribuiu o sorriso, queria ouvir aquilo dela. Daquela vez queria que ela realmente acreditasse, e assim fazer o que ela mesma tinha dito quando estava sob hipnose. Recomeçar de onde Isabelle e Maurice foram interrompidos. Juntar novamente suas almas como amantes. - Eu vi tudo aquilo, e de alguma maneira eu sabia do que falava. – Scully explicou. – Realmente acredito no que falei. Acredito que existiram Isabelle e Maurice, e que eles se amavam. Mesmo magoada, Isabelle morreu amando Maurice. - Assim como eu amo você. – Mulder interrompeu o que ela estava falando, tinha que falar antes que perdesse a coragem. - E como a minha alma ama a sua. – Scully respondeu aproximando-se dele e olhando-o diretamente nos olhos. Os dois se beijaram apaixonadamente, e sorriram um para o outro assim que se separaram. - Nós vamos ficar juntos agora nessa vida, Scully? – Mulder perguntou como um menino. - Acho que sim, Mulder. Acredito que seja o nosso destino agora. O destino que embora tivesse sido interrompido na França, deve ser retomado agora. - O ciclo se fechou novamente, Scully. – Mulder disse, beijando-a em seguida novamente. – Estamos juntos agora. FIM XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Obrigada por ler até aqui! Por favor, preciso de Feedback!!!!! 1