Título: LAPSOS DE MEMÓRIA - 2a parte (para entender essa história, é imprescindível que se leia "Lapsos de Memória - 1a parte) Autora: Angel Scully Email: biscaglia@uol.com.br (a conta do zipmail está com problema) ICQ uin: 77089497 Disclaimer: Mulder, Scully, AX, enfim, a série em si é propriedade de CC, 1013, Fox e dos maravilhosos DD e GA. Todo mundo sabe disso e está cansado de ler a mesma coisa em todas as fics, mesmo assim, ainda reforço: Esta fic não tem objetivo nenhum de obter lucro, mas sim, proporcionar divertimento aos eXers, X-philers, X-philos..o que for, além de todos os shippers, categoria em que me enquadro perfeitamente Classificação: História, Mulder angst, Scully angst, shipper Resumo: Agentes do FBI passam a ter sensações e atitudes estranhas, as vezes perigosas. Mulder e Scully começam a investigar e nem percebem que eles mesmos estão sendo vítimas de uma conspiração governamental, colocando em perigo as suas vidas e também arriscando os sentimentos que um sente pelo outro. Continuação de Lapsos de Memória 1a parte. Spoiler: Pilot, Squeeze, Redux I e II, The End, Fight the Future, Unnatural. Se alguém notar algo de parecido com algum episódio da 7a temporada, por favor, contatem-me. Realmente, será sido mera coincidência, justamente por que não tive o privilégio de ver essa temporada ainda. Notas da Autora: Agradeço a todos, de coração, por terem lido a primeira parte e as pessoas que mandaram-me feedbacks. Gente, é muito importante, nem que seja para destoar a história! Um grande abraço a todos!! RECAPTULAÇÃO DOS ÚLTIMOS MOMENTOS DE "LAPSOS DE MEMÓRIA - 1a Parte" Mulder tomara outra ducha fria. Colocara sua calça pijama, e mesmo estando frio, não colocou camiseta. Enquanto estava na cozinha, vendo o que iria comer, ouviu um leve ruído em sua porta. Sentiu sua nuca arrepiar. Tateou-se à busca da arma, porém lembrou que havia deixado no sofá da sala, junto ao casaco. Empunhou uma faca de cozinha e ficou à espreita. Qual não foi seu alívio ao ver Scully. - " Ahh...Scully, você quase me mata de susto! O que veio fazer aqui?" Olhando-a melhor, pode ver a expressão presenciada por ele no dia anterior. Havia algo de errado com ela. Scully o olhava com os olhos estalados, sem piscar. Imediatamente pegou sua arma e apontou para ele. - " Não Scully!!!! Não faça isso! Por favor!!!" Ela parecia não lhe escutar. Estava a ponto de apertar o gatilho quando ouviu, muito distante uma voz....parecia de Mulder. - " Por favor Scully!!!!! Me ouça!!!! Não se deixe comandar por eles!! 0Scully! Eu te amo!! Você não pode fazer isso!! Eu quero viver minha vida com você, fazê-la feliz, nãooo!!!" Ela tinha que obedecer. Seu cérebro lhe dizia. Ouvia as súplicas de Mulder...o amava, mas precisava fazer. Seu dedo tremia no gatinho...uma lágrima escorreu pelo seu rosto, percorrendo curvas sinuosas. Mas não conseguia conter o comando...e atirou. LAPSOS DE MEMÓRIA - 2a PARTE - de Angel Scully LUGAR DESCONHECIDO O recinto estava escuro, e tinha um cheiro irreconhecível, desagradável. Um corpo jazia no chão gelado. Aos poucos Scully foi acordando. Sentia dores de cabeça fortíssimas, porém não lembrava do que acontecera. Tentava enxergar alguma coisa ali, mas era impossível, diante a tamanha escuridão. Tateou o chão. Parecia ser de piso, gélido e liso. As paredes eram acolchoadas. " Deve ser alguma sala antisom, ou um hospício...mas como vim parar aqui?" Fez um esforço para lembrar...recordou de seu apartamento, dos pensamentos em Mulder. - " 'Meu Deus!!!! A substância!" Em um resfolegar, ouviu , muito baixo, a voz de Mulder " Por favor Scully....nãooo.... " Ao lembrar da aflição contida nas palavras dele, o desespero lhe percorreu o corpo. Uma dor lancinante atingiu- lhe o peito. As lágrimas vieram aos borbotões. - " Mulder!!!!!! Não!! Eu não posso Ter fei..to isso...não possoo...." Mas ela sabia, ela sentia. O havia assassinado. Era sim que a substância agia. Primeiramente liberava os desejos das pessoas, abrindo o mais profundo de seus seres, para mais tarde tomar conta e dar-lhe ordens. A cólera amarga englobou seu frágil corpo, que expremia-se contra a parece. Chorava desesperadamente, sentindo a dor mais forte que presenciara em sua vida. Matara a pessoa que ela mais amava. Nem quando seu pai e sua irmã faleceram ela sentiu coisa igual. As últimas palavras de Mulder iam e vinham em sua cabeça como uma melodia macabra, aumentando ainda mais a dor enraizada, arrancando toda a força que lhe restava. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX ALEXANDRIA APARTAMENTO DE MULDER Antes As mãos pequenas empunhavam a fria e grosseira automática com tamanha força e certeza que Mulder cortou qualquer reação de defesa que seu cérebro lhe infringia sobre seus músculos. A expressão dura e inacessível de Scully o impedia de se mexer. Era como se Mulder estivesse sob hipnose. Ele simplesmente a fitava paralisado. Naquele momento, as sinapses químicas e elétricas entre os neurônios de Scully aconteciam descompassadamente, causando-lhe completa dissolução dos sentidos. O torpor tomava conta de todas as células de seu corpo, que agiam fora de sua vontade. Em algum lugar de si, Scully sabia o que lhe ocorria. Era como se estivesse possuída por uma segunda personalidade, na qual não controlava. Scully lutava contra si mesma. Não podia deixar que a substância regesse seu cérebro como bem entendesse. Fez um esforço sobre-humano, e conseguiu, em um fio de voz, falar: - " Saia..Mul..der.... " Imediatamente ele levantou-se, ao mesmo tempo que ela atirou no lugar onde ele estava, descarregando a arma completamente. Mulder a fitava assustado. Ela ainda continuava com a dura expressão, mas lágrimas percorriam em linhas sinuosas a pele imaculada. Passos no corredor denunciavam a presença de alguém. Vinham em direção ao apartamento. Mulder estava pronto para reagir quando Scully mais uma vez disse: - " Esconda-se...por fav..vor..." Ele queria impedir o que estava para acontecer, mas a força com que ela pronunciara aquelas palavras o fez estacar onde estava. Viu quando dois elementos entraram no apartamento. Ela encontrava-se na sala, em refuta espera. Eles a tomaram nos braços e a levaram. Mulder conseguiu sair do transe, porém a tontura ainda o constritava. A dor que lhe infringia as têmporas era fortíssima. Foi até a sala e avistou uma chave jogada sobre o sofá. Possivelmente seria do carro em que Scully viera. Vestiu-se rapidamente e saiu na direção dos homens. Ao chegar na rua, avistou um furgão arrancando rapidamente. Localizou o sedan azul que Scully dirigira e saiu atrás. Seguia a uma distância segura, evitando denunciar sua presença. O furgão dirigia-se para a auto-estrada. Havia movimento, por isso, estava fácil para Mulder camuflar-se por entre os carros. As luzes flamejantes em sua fronte o deixavam ainda mais tonto. Apareciam como raios , enevoando qualquer forma que vinha pela frente. Em um dado momento, pensou que fosse colidir com alguém, pois tinha a nítida sensação de que todos os veículos iam diretamente em sua direção. Quase perdeu o furgão de vista, diante as disformidades da estrada. Mas ele precisava continuar. Scully dependia disso. Seguiram por mais algumas horas...o céu estava sem lua, e uma fina garoa passou a cair, fazendo com que a já prejudicada visão de Mulder piorasse. Seus braços e pernas estavam dormentes e as pálpebras pesavam sobre os olhos. A dor de cabeça continuava, forte, deixando seus olhos vermelhos e inchados. Já quase não agüentava mais..... Era madrugada, a estrava ainda apresentava certo movimento. Em determinado momento, um sedan azul invadiu várias pistas vizinhas. Os carros tentaram desviar enlouquecidos. O barulho era infernal..buzinas tocavam sem parar, freadas bruscas...o carro girou sobre si mesmo, quando começou a rolar no ar, batendo várias vezes no chão e em outros carros..acabando por cair ladeira abaixo, ainda rolando, parando dezenas de metros sob a estrada. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX ALGUNS DIAS DEPOIS... " Nãooo Samantha....oi..meu nome é Dana Katherine Scully....se for chá, é amor...Mulder!! Pare com com essa impulsividade.....a verdade...de onde você a conhece...oi Diana...esta é minha parceira, Dana Scully....eu te devo tudo...você não me deve nada...não quero continuar sozinho...se eu desistir agora, eles vencem...eu te amo...Ai meu Deus....o câncer...primeiro os quadris, Scully...." Os pensamentos iam e vinham na cabeça de Mulder como em um filme. O ritmo frenético das imagens era nauseante, tanto que seus olhos reviravam-se em um frenesi crescente...sentia cada músculo de seu corpo teso, dando-lhe cãibras insuportáveis, como pequenas facas afiadíssimas cortando-lhe a carne nua lentamente...os folículos pilosos estavam eriçados, só que a mistura de sensações era tamanha que não sabia se era frio ou calor...as sensações que seu próprio cérebro lhe proporcionava eram agoniantes...ele matara sua irmã...seu pai..agora destruíra a vida de sua parceira...o sentimento de culpa era tão grande, que ele quase não suportava.. O grito veio sôfrego , arranhando-lhe as cordas vocais enfraquecidas. Abriu os olhos no mesmo instante, porém, a claridade os feriu tal como uma rajada de areia. Todo o seu corpo ardia. Mulder queria levantar-se, mas alguma coisa o impedia. Era como se não comandasse mais as suas pernas, os seus braços. Entornou o rosto para o lado e, lentamente abria os olhos para acostumar-se com a luminosidade do local. Ainda não enxergava muito bem, mas pode constatar que estava em uma sala ampla. Com dificuldade, pode avistar várias camas, todas enfileiradas, ocupando completamente o recinto. Tentou levantar-se, mas seu esforço o desequilibrou, fazendo-o cair da cama. Quando bateu no chão, todas as suas articulações estalaram, respondendo a dureza do piso. Encolheu-se, na tentativa de fazer a dor passar. Asteou-se com dificuldade , apoiando-se na cama e passou a observar a sala em que encontrava-se. Aquilo parecia um hospital. Mas havia algo estranho por ali. Cambaleante, foi até uma das camas. Todas estavam cobertas por finos lençóis brancos. Qual não foi a sua surpresa a testificar que ali jaziam pessoas . As tezes eram de uma palidez assombrosa. Verificou os sinais vitais e aliviou-se. Ainda viviam. Foi até as outras camas e pode ver que todos os indivíduos dormiam profundamente. Olhou novamente a sala. Não haviam janelas e a única saída era a grande porta hermeticamente fechada. Era impossível passar por ali. Mulder fechou os olhos na tentativa de recordar os últimos instantes....lembrava-se da estrada..Scully! Tudo passou novamente por sua mente. Scully encontrava-se sob o efeito da toxina e quase o matou. Então ele era o alvo, ou pelo menos um deles. Mas a resposta lhe parecia infundada. Precisava sair dali e ir atrás dela. Com certeza estava em perigo. O silêncio foi quebrado por sons metálicos. Mulder sobressaltou-se, e ficou a escutar de onde vinham. Aproximavam-se cada vez mais. Instintivamente, foi até a porta e encostou-se à espreita. Alguém parou diante da sala. A pesada porta de titânio abriu-se vagarosamente, e um homem entrou sem o enxergar. Ele vestia trajes anticontaminação. Mulder estranhou a vestimenta. Aquilo com certeza não era um hospital. O homem olhou para as camas e em umas delas o lençol estava remexido. Virou-se e viu alguém o atacar. Mulder tentava em vão acertar o rosto do homem, que estava protegido pela máscara. Pôs-se a socar-lhe violentamente o estômago, tanto que o homem gritava de dor, já sem conseguir respirar. Conseguiu por fim tirar o capacete e desferiu um golpe seco, fazendo o indivíduo desmaiar imediatamente. Mulder, mesmo atordoado com os golpes que levara, conseguiu retirar a roupa do homem e vesti-la. Ficara um pouco apertada, pois ele era bem maior. Colocou-o na cama em que estava. Verificou que nos bolsos da roupa haviam vários cartões, possivelmente cartões de acesso. Saiu a passos lentos, espreitando o local. O corredor era escuro, as paredes eram de uma forma estranha, levemente arqueadas. Passou por várias portas e pode constatar que eram salas como a que ele estava.." O que estão fazendo com essas pessoas?? " Direcionou o olhar para frente e viu outro homem, vestido como ele, saindo de um elevador. Apressou o passo e entrou. A porta era grande e pesada, como as das salas e tinha um pequena janela de vidro muito espesso e não haviam botões. Avistou um dispositivo eletrônico e resolveu tentar com um dos cartões que tinha no bolso. Haviam 5. Analisava um por um. Eram metálicos, e neles estavam gravados números e letras, além do nome do nível de acesso. Pegou o cartão "Level 5" e passou. Uma luz verde acendeu. O elevador começou a movimentar-se para baixo. Conforme ia descendo, Mulder observava abismado o que passava lentamente pela pequena janela. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully agora estava imersa em sua mente. Toda a sua vida transparecia diante de seus olhos, mas a procura de algo que não sabia o que. Lembrou-se de coisas que pensava não mais existir em sua memória. De seus olhos lágrimas escorriam. O turbilhão de imagens que lhe passava pela cabeça era enlouquecedor. Vinham tão rapidamente agora que embaralhavam- se umas às outras, deturpando a já atordoada mente de Scully. Sentia-se nua e frágil, e algo parecia tomar-lhe posse como grandes e insalubres asas negras . O desespero tomou conta de todo o seu ser, e ela não podia mais controlar o que lhe ocorria. De sua garganta vinha o gosto do mais pútrido fel, dando-lhe náuseas inconjugáveis. A última imagem que pode ver foi a de um homem...ela o conhecia..aos poucos foi reconhecendo as feições..Mulder...e o barulho de um tiro.." Scully..eu te amo..nãoooo!!!" Homens que trabalhavam no laboratório ouviram os gritos enlouquecidos. Dirigiram-se para o local e puderam ver assustados o corpo que pulava da cama em espasmos musculares incontroláveis . XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder agora encontrava-se em um imenso laboratório , algo que ele nunca vira...várias pessoas trabalhavam, todas com vestimentas anticontaminação. Olhava tudo com atenção. Pareciam estar sintetizando alguma coisa...a toxina!! Passava por entre balcões repletos de tubos e pipetas, com algo passando por entre elas. Vários computadores ocupavam a periferia da sala. Seus olhos percorriam lentamente o recinto, até estacarem em um ponto. Em um dos quadrantes , pode ver vários tubos, enormes, com seres pequenos e acizentados dentro. Aproximou-se sorrateiramente, evitando chamar atenção e observou melhor. Não eram muito diferentes dos outros extraterrestres. Cinzas, olhos negros, cabeça desproporcionalmente grande com relação ao corpo..só que com algumas diferenças. Haviam membranas por entre os dedos da mão e pés...além de estarem imersos em um líquido. De repente sentiu uma fisgada na nuca e ouviu um zumbido fortíssimo. Seus olhos pareciam querer saltar-lhe das órbitas. Mulder colocava as mãos sobre a máscara, tentando em vão tapar os ouvidos , mas aquilo penetrava-lhe os sentidos de outra forma...algo extrasensorial... direcionou o olhar para a criatura e viu que ela agitava-se dentro do tubo, fitando-o estranhamente. O zumbido aumentava cada vez mais, dando-lhe a sensação que seu cérebro fosse liqüefazer. A cena chamou atenção dos outros homens que trabalhavam concentrados. Foram até Mulder e viram fios de sangue escorrer de seus ouvidos e nariz. Não entendiam o que estava acontecendo. Mulder tremia em convulsões espasmódicas e gemia de dor. Olharam para a criatura nervosa dentro do tubo. Apertaram um dos vários botões sobre uma pequena estante ao lado e em segundos esta adormeceu. Aos poucos Mulder foi recuperando os sentidos. Pode avistar várias sombras sobre ele, uma delas injetando-lhe alguma coisa... - " Hei, o que é isso?" O Homem estranhou a pergunta. Porém viu a confusão no olhar de Mulder e constatou ser apenas perca de memória. - " O seu traje está rasgado..você foi exposto...temos que descontaminá-lo.. sua reação foi estranha...vamos levá-lo à infermaria, está sangrando." - " Não, tudo bem. Eu sei onde é, deixe que vou sozinho...." Mulder estranhou a frieza dos indivíduos ao seu redor. Fitavam-no com a expressão parada e serena. Levantou-se e decidiu sair dali. Entretanto, antes de o fazer, avistou um armário, também lacrado eletronicamente, com várias seringas, aparentemente com o material que lhe haviam injetado. Olhou ao seu redor e constatou que todos haviam voltado à suas funções calmamente. Foi até lá, pegou várias e colocou em um dos bolsos. Direcionou a vista para a criatura. Esta parecia morta agora. Olhou melhor e viu algo que pareciam finos canos saindo do tubo, direcionados para uma máquina computadorizada, totalmente desconhecida. Porém, não havia mais tempo. Precisava achar Scully antes que o localizassem. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully dormia profundamente. Vários homens estavam aos seu redor, monitorando suas funções vitais. Um deles remexia-se nervosamente, sentindo a falta da nicotina. - " Ela lembra..." - " Não...ela não é um deles." - " Foi constatado que suas lembranças são apenas residuais. Normais em qualquer ser humano exposto à toxina." - " Mas ela é um dos espécimes que foram a teste. Contaminamos vários, e suas reações foram levemente diferentes do que em humanos normais. Esperávamos por isso. Suas funções neurológicas tornaram-se mais apuradas depois do implante." - " Bom, mas o nosso objetivo principal é estudar como se processa o cérebro dos nossos alvos. Sabe-se que suas funções neurológicas estão muito a frente...processam-se de outra forma, mais eficiente...além de serem imunes a praticamente tudo.." - " Certo...já estamos providenciando os exames. Reuniremos todos os espécimes principais para estudo..não temos muito tempo. A nova raça deve perpetuar o mais rápido possível. Só assim obteremos a salvação." Saíram a passos sincronizados e deixaram a sala. XXXXXXXXXXXXX Mulder subia rapidamente de um nível a outro. Era impossível examinar todas as salas. O prédio, ou seja lá o que for, era enorme. Estranhou o fato de não enxergar janelas. O tempo parecia escassar. Quando o elevador parou no 3o nível, Mulder pressentiu. Scully estava perto. Não entendia como, mas sabia. Caminhava rapidamente, sem olhar para as portas que passavam, apenas seguindo a vibração que pairava pesada no ar. Parou de repente , diante de uma pesada porta, com o mesmos dispositivos eletrônicos de identificação. Alcançou o cartão "Level 3" e passou. A porta abriu-se lentamente, revelando as mesmas camas que havia visto de onde acordara. Só a cor dos lençóis mudara. Eram azuis. Como previsto, haviam vários corpos por debaixo dos panos. Mulder foi olhando um por um, até encontrá-la. Scully estava tão ou mais pálida que os outros, e Mulder preocupou-se com isso. Aliviou-se ao sentir o coração dela pulsar normalmente. O problema é como a tiraria dali, sem que o vissem ou intercedessem. Precisava de outro traje, assim, sairiam despercebidos. Parou por alguns minutos contemplando o lindo rosto da parceira. Sentiu uma necessidade enorme de tira-la dali, nem que fosse preciso sacrificar sua própria vida. Inclinou-se e beijou suavemente os lábios adormecidos de Scully. Tirou o traje e ficou somente com as roupas que tirara do homem. Pretendia vesti-la com o mesmo , pois estava nua, assim como as outras pessoas. Foi até ela na tentativa de acordá-la. - " Scully? Acorde...Scully..." Era em vão. Retirou o lençol e colocou-a no chão. Para sua surpresa ela mexeu-se um pouco. - " Scully?" - " Mulder....Scully estava confusa..parecera ouvir a voz do parceiro...mas isso seria impossível...ele estava morto.." Ela abriu os olhos lentamente. Não enxergava direito, apenas um borrão. Mas o cheiro e a voz eram-lhe inconfundíveis. - " Não é possível.....você..." - " Calma, já iremos sair daqui. Apenas me ajude vestindo isto." " Mulder..!! Meu Deus, eu pensei que você estivesse morto! Mas eu atirei..." Scully tateava nervosa o rosto e corpo dele. Aquilo parecia um sonho...ela tinha certeza que o tinha matado...." Mulder...você não sabe o que sofri...eu jurava que você.... " Ela o abraçou com força, uma força que Mulder pensou que não fosse possível sair daquele pequenino e frágil corpo. Scully encontrava-se fragilizada, possivelmente dopada. Mulder sentiu a garganta embargar e os olhos pesarem. Scully, ainda não acreditava no que estava vendo. Enlaçou o rosto de Mulder entre as pequenas mãos e deu-lhe um beijo sôfrego, nervoso, desesperado. Mulder sentiu a ânsia quente que vinha daquele momento, ela parecia querer sugá-lo para si. - " Calma Sc..Scully..assim você me tira o fôlego...precisamos sair daqui imediatamente." - " Estou com frio Mulder..." Mulder agilmente vestiu-a e ergueu-a . - " Vamos Scully...faz um esforço...eu sei que você consegue..." Mulder a apoiou em seus ombros. Caminharam rapidamente até o elevador e ele passou o cartão "level 1". Chegando ao 1o nível, o desespero o acertou. Agora podia ver onde estavam. Haviam várias janelas. Aproximou-se de uma e olhou. Somente água ao redor. Era o oceano. O imensa construção era submersa. Scully, agora mais desperta, conseguia locomover-se sozinha. - " Aonde estamos Mulder? Como viemos parar aqui?" - " Não é hora para perguntas Scully . Daqui a pouco estarão como cachorros atrás de duas raposas.." - " Não seria uma raposa, Fox?" - " Scully, agora não é hora para brincadeiras. Se você visse o que eu vi, gostaria de estar longe daqui. Precisaria averiguar melhor, mas em nossas condições, isso seria muito arriscado..." Mulder pode ver várias pessoas transitando pelo corredor que seguia-se à frente. Com Scully não teria problemas, pois estava com o traje. Ele é que estava em perigo agora. - " Scully...acredito que aqui seja o último nível. Devem haver salas de descontaminação, com trajes como esse. Você precisa procurar. Eu ficarei aqui no elevador. O corredor é escuro, passará despercebida." - "Certo..mas não saia daí...não quero perdê-lo de novo...não agüentaria duas vezes..." - "Isso não irá acontecer Scully...ele deu-lhe um beijo carinhoso...você não irá livrar-se de mim tão cedo. Agora vá." Scully seguiu caminhando pausadamente, tentando não demonstrar o nervosismo. O traje lhe ficara muito grande, e ela torcia para que não percebessem . Pode ver alguns laboratórios, pessoas transitando. Ninguém a parou, nem ao menos a olharam. - "Tudo isso é muito estranho.." Olhou para trás e ainda podia ver o elevador, com Mulder olhando pelo pequeno vidro. No mesmo instante, este começou a descer, e Scully sentiu a pontada de pânico. Correu até lá, mas não mais adiantava. Agora Mulder estava realmente em perigo. Os cartões de acesso estavam com ela. Ele não teria como voltar. XXXXXXXXXXXXXXXX "Level 10", a voz metálica anunciava. Mulder suava frio , esperando pelo que vinha. Se o descobrissem, a chance de escapar seria em vão. A porta abriu e Mulder, encostado em um das paredes, esperava pelo ataque. Nada. Passou os olhos pela porta e a única coisa que entrava por ali era a escuridão. O silêncio era tamanho que lhe dava a impressão de ouvir dezenas de sussurros. Decidiu que não ficaria parado ali, esperando. A curiosidade tomou-lhe conta e ele saiu a passos lentos e controlados. O corredor era largo e parecia não Ter fim. Apesar do breu, conseguia distinguir as formas bizarras do que poderiam ser as paredes...pareciam costelas gigantescas. A sensação era de total desconforto. Não mais avistava portas, mas somente aquele túnel incompreensível. Continuava andando. Era em vão. Vários minutos haviam passado, quem sabe até horas e aquilo não acabava. Decidiu voltar. Ao tempo que girava os calcanhares para trás, novamente a fisgada na nuca. Só que desta vez de leve. O zumbido que ouvira no laboratório voltara, porém, mais ordenado, em estranha sincronia. Mulder seguiu em frente, e ao passo que avançava, mais forte o zumbido tornava-se. Agora o túnel adquirira coloração azulada. Chegou até o limite. Seus olhos não mais piscavam, paralisados pelo que via. Sentia-se flutuando, como se seu corpo físico não mais existisse. Vários sons agora lhe penetravam a mente, mas não eram audíveis, e sim, telepáticos. Diante de si, uma lâmina d'água sustentava-se verticalmente ao chão, como um espelho vivo e ululante. Do outro lado, dezenas de seres como aqueles que ele vira nos tubos no laboratório do nível 5. O estavam chamando. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully, imersa em pânico crescente, tentava em vão fazer o elevador subir. Só conseguiria quando este parasse. Mas parecia não mais voltar. Algo o havia travado. - " Devem haver outros por aqui..." Saiu apressadamente sem direção definida. Passava por corredores que intercalavam-se. " Isso aqui é um labirinto.." pensava. Finalmente encontrou outro. Não estava disponível, vinha subindo. Scully esperava atônita." Esse negócio deve Ter vários andares...como demora...e onde estará Mulder.." Colocou as mãos nos bolsos do traje para pegar os cartões de acesso e descobriu, para sua surpresa, a presença de várias seringas contendo um líquido azul brilhante "...O que é isso? " Scully recompôs-se quando a porta do elevador abriu. Não havia ninguém." O que está acontecendo aqui? Isso subiu sozinho..." Entrou e imediatamente sentiu-o descer, sem comando algum. Não estava entendendo. Passou os cartões várias vezes mas esses não surtiam efeito nenhum sobre a máquina. Aquilo parecia não ter fim. De repente parou. A voz metálica anunciou "Level 10" e a porta abriu-se. Scully não enxergava nada em sua frente, apenas a escuridão. Ficou alguns minutos imóvel. Passou todos os cartões que possuía mas nada aconteceu. Estava diante do desconhecido. Foi assim que Scully sentiu-se quando designaram o primeiro caso para ela e Mulder...o desconhecido. Não poderia desistir. Em passos decididos, entrou convalescente no escuro corredor, porém sentia o medo invadir todas as células de seu corpo como um vírus mortal. A princípio, caminhava cautelosamente, tentando avistar o imprevisível. A estranha estrutura da parece chamava-lhe a atenção. O túnel parecia estreitar- se cada vez mais, dando-lhe a aflitiva sensação claustrofóbica. Parou um pouco e voltou o olhar para trás. O elevador desaparecera de seu campo de visão. . Scully sentia o medo crescer-lhe por entre as entranhas. Porém decidiu continuar. Sua intuição a mandava em frente. ....Scully.... Scully estacou. Ouvia Mulder a chamar. Tentava direcionar o rosto na direção do som, porém estava confusa. Ouvia, muito de longe, a voz de Mulder..mas esta vinha de todos os lugares, parecia envolver- lhe como um dobo. Scully percebeu que seus sentidos estavam levemente alterados...parecia ouvir com olhos... as paredes não mais eram assustadoras , mas sim, quase translúcidas, emitindo uma luz azul brilhante. Com os olhos fechados podia sentir o cheiro das flores, quando brincava com sua irmã Melissa ao início da primavera. Pensamentos e lembranças tomaram-lhe novamente, e Scully embargava- se com bons momentos. Porém, novamente o estampido do tiro e as súplicas de Mulder lhe vieram a tona, a morte de sua irmã e seu pai... Scully gritou, tirando o capacete de proteção para respirar. Ao abrir os olhos, percebeu ainda estar no escuro "biotúnel". Ouviu novamente Mulder a chamar, mas telepaticamente.." Isso é impossível..o cérebro humano não é passível de tão alta função mental.." Corria , sem saber onde aquilo iria dar. Avistou algo mais a frente. Deu mais alguns passos e avistou assustada um corpo jogado no chão... - " Mulder!!!!" Ela chegou mais perto e encostou a mão em seu pescoço. Estava gelado. Scully tateou a carótida do parceiro, que batia tão lentamente que ela quase não conseguia sentir. Mulder estava hipotérmico, em estado de letargia cardíaca , praticamente morrendo. Scully o puxou para si . Sua pele era de uma palidez cadavérica, os lábios estavam ressequidos e a área ao redor dos olhos , arroxeada. Todo o seu corpo estava frio, com completa ausência de calor corpóreo. Em total desespero, Scully o abraçou com toda força, tentando em vão tirá- lo do estranho estado catatônico. Ainda abraçada a ele, pegou uma das seringas com o estranho líquido azul. Teria que fazer alguma coisa. Ele estava morrendo em seus braços, seus batimentos cardíacos estavam cada vez mais lentos. Não sabia o que havia naquelas seringas, mas se não fizesse algo, seu parceiro sucumbiria do mesmo jeito. Tateou-lhe o braço e injetou-lhe lentamente o estranho conteúdo. Imediatamente, Mulder soltou um soluço. Aos poucos a pele foi retomando a coloração rósea e a temperatura foi-se estabilizando. Scully o envolvia com os braços, acariciando- lhe o rosto. Após alguns minutos, Mulder recobrou a consciência. Sentia dores no corpo, e forte cefaléia. - " Scully..como veio parar aqui?" - " Sinceramente, eu não sei Mulder...e você? O que lhe aconteceu?" - " Precisamos sair daqui agora..ponha a máscara de proteção.." - " Porque? O que tem nessas seringas?" - " É algum tipo de vacina contra o que nos contaminou..mas aqui a substância também está no ar...a intoxicação não levará muito tempo para atingir-lhe." - " Mulder...o que lhe aconteceu? Você estava morrendo a pouco aqui..." - " Scully..o que vi aqui não teria explicação...você não acreditaria..a verdade foi posta a minha frente...." - " Mas o que você viu?" Antes dele explicar-lhe, um forte estrondo invadiu o local. O chão passou a tremer e um som estridente e ensurdecedor ecoou. - "Precisamos sair daqui agora...não perca essas seringas...elas são a chave de tudo.." Correram avidamente pelo corredor. Demoraram um pouco até chegar ao elevador, que parecia estranhamente à espera. Entraram e imediatamente este passou a subir. - " O que é isso? Os elevadores deveriam estar travados!" - " São eles.." - " Eles quem Mulder?" - " Eles...." O cacofonia de sons a impedia de ouvir as palavras de Mulder. O elevador seguia, até parar. Estranhamente, ali não ouvia-se mais nada. A porta abriu-se e eles se viram diante a milhares de prateleiras enfileiradas. Mulder e Scully seguiram em frente e resolveram verificar o que continha dentro das caixas empilhadas. - " Dèja Vú...." - " O que Mulder?" - " Eu já vi isso....em algum prédio do governo" - " O que tem nessas caixas?" - " Tudo...toda a verdade." - " Como pode ter certeza disso?" - " Olhe com os próprios olhos." Scully foi em direção à umas das caixas. Tinha um número na frente. Puxou- a e olhou. Papéis amarelados pelo tempo apareceram a sua fronte, junto à fotos igualmente envelhecidas. Datavam de 1925. - " Meu Deus Mulder....olhe a data... Mulder...isso é um relatório de autópsia...ao que parece..em um..." - " Extraterrestre? Scully, o que eu preciso te mostrar para você acreditar! Já basta você ter sido abduzida, contaminada por um vírus alienígena e o seu parceiro maluco ser totalmente estranho, à busca de uma verdade que parece infundada?" - " Podem ser forjados..." - " Qual é Scully? Bom, não temos tempo para olhar o passado..precisamos encontrar registros do que se passa agora, no hoje." Caminharam impacientemente por entre as várias fileiras. O lugar parecia não ter fim, tal como o túnel em que estiveram. - " Scully...achei alguma coisa aqui...data de 1998....são relatórios sobre uma substância.." Scully foi ao encontro do parceiro e constatou ser mesmo um relatório sobre a possível substância que estaria contaminando o FBI. Mas porque? - " Mulder!! Aqui tem dados detalhados sobre essa toxina...como sintetizá- la..os efeitos sobre o cérebro humano...espere...tem algo mais aqui também...precisamos levar isso conosco!" - " Olhe...tem alguma coisa aqui ainda...parece ser um pequeno CD..." - " Sim, aqui deve Ter mais informações...vamos...não temos muito tempo" Voltaram rapidamente ao elevador e entraram. Este passou a subir novamente sem comando algum. - " Mulder, o que está acontecendo aqui? Máquinas não se movem sozinhas! Alguém está intercedendo!" O tremor e o barulho ensurdecedor novamente adentrou pelo recinto. Pela pequena janela, Mulder e Scully puderam ver o que acontecia. Toda a imensa construção parecera entrar em pane. Pessoas corriam de um lado a outro. Havia fumaça pelos laboratórios. A porta do elevador abriu-se no nível 1. Os dois correram como puderam. Procuravam aflitos uma possível saída, mas tudo era um maldito labirinto. - " Scully...não sei como viemos parar aqui...e nem imagino onde seja a saída.." - " Vamos Mulder...nós a encontraremos...já passamos por tanta coisa juntos...não será dessa vez que seremos derrotados.." As palavras convictas ditas por Scully o confortaram. Mulder sentia-se estranhamente inseguro, frágil, como ela mesma fora com ele anteriormente. " Deve ser o efeito do ar contaminado.." Ainda procuravam, mas nada acharam. De repente, deparam- se com um batalhão de homens à sua procura, devidamente armados. A angústia, precedida pelo medo eminente embargava a ambos, em sintonia. - " Espere Scully....estou sentindo algo.." - " O que é Mulder!! Não me venha com mediunidade agora..." - " Venha..." - " Mas, espere! Você sabe para onde está indo?" - " Me acompanhe Scully...não discuta." Mulder quase arrastava Scully pelos corredores infinitos. Suas pernas curtas quase não acompanhavam o ritmo das longas e fortes pernas de Mulder. Ela estava praticamente sem fôlego, não conseguindo acompanhá-lo, mesmo acostumada às corridas diárias. - " Calma Mulder...não consigo respirar.." Ele imediatamente parou e, com uma agilidade fora do comum, a colocou sobre um dos ombros. Continuava no mesmo ritmo, e Scully perguntava-se como ele conseguira fazer aquilo. A carregava como se fosse uma pena, pois parecia não sentir o peso dela sobre si. Passaram por várias salas. Podiam ouvir passos acelerados vindo atrás. Precisavam correr..suas vidas dependiam disso... - " Mulder...solte-me..assim não conseguiremos.." - " Estamos chegando Scully..." Ainda correndo, Mulder avistou uma luz azul vindo de uma imensa porta. Ao chegar diante da mesma, soltou Scully. Ela o fitava sem entender o que ocorria. Ele estava com os olhos fechados, parecendo concentrar-se. Scully, em sua praticidade, pegou o cartão de acesso ao nível 1 e passou na porta. Não funcionava. Sentia seus músculos tremerem diante à possibilidade de serem pegos. Passava insistentemente o cartão, mas apenas a luz vermelha acendia. Os passos aproximavam-se cada vez mais, denunciando a ira dos homens. - " Mulder! Me ajude aqui...por favor!" Ele continuava com a face inexpressiva. Scully agora o olhava com raiva e desespero, diante a tal atitude. - " Mulder!!! O que há com você!" No mesmo instante ele elevou às mãos o colocou-as paralelas à porta, porém sem tocá-la. Imediatamente esta acendeu a luz verde e abriu- se. - " Mas o que...? " Scully não entendia mais nada. Aquilo estava fora de suas crenças médicas. Mulder parecia ter desenvolvidos capacidades telecinéticas ...não isso era impossível..coisa de ficção científica.. - " Calma Scully...explico depois..agora vamos." Ela continuava encarando-o incrédula, a sobrancelha direita mais arqueada do que o normal. - " Scully...você quer que eu a carregue novamente?" Ela não respondeu e foi atrás dele. O recinto era enorme. Ali realmente era a saída. Haviam vários minisubmarinos diante à uma grande piscina com acesso ao oceano. O alívio percorreu-lhes a espinha, mais ainda sentiam a descarga descontrolada de noradrenalina, fazendo os corações pulsarem em ritmo descompassado. Dirigiam-se para um dos minisubmarinos quando um estampido ecoou no local. Imediatamente pararam, diante a vozes ruidosas. - " Virem-se! Alguém ordenava friamente." Lentamente dirigiram o olhar para a massa de homens que adentrara o local, todos empunhando armas pesadas, apontadas para eles. Mulder imediatamente reconheceu um dos homens que estava ali... - " Seu inexcrupuloso! Eu sabia! Você sempre está por detrás de tudo!!!" - " Ag. Mulder...você não está em condições de fazer exigências..não queríamos isso..mas se o deixarmos ir e a sua parceira, nosso projeto...´ - " Pois não toquem em um fio do cabelo dela!!!! Mulder encontrava-se em tamanho estado de desespero e cólera que Scully sentia a angústia sair em ondas do corpo dele, envolvendo-a por completo. " - " Sem discussões Ag. Mulder..." Mulder fitou Scully com uma expressão que ela nunca vira. Os olhos verde azulados brilhavam quase incandescentes, porém o medo e recentimento eram vistos claramente. Ele envolveu uma de suas mãos no rosto dela e acariciou-lhe a face. Aquele olhar a impregnou de dor...parecia ser a última visão que teria dele...aquilo a fez sentir falta de ar..sua garganta embargou e os olhos azuis encherem-se de lágrimas sofríveis. Ele continuava fitando-a com o olhar penetrante" ...Scully...eu quero que você saiba...você é a minha vida, a razão da minha existência...o ar que eu respiro, é o que me alimenta.... eu te amo..sempre te amei..e continuarei amando..acredite, não acabará aqui..." Ela ouvira. Os pensamentos de Mulder pareceram ser uma mensagem...ela ouviu claramente. Scully arregalou os olhos diante da revelação telepática, sem conseguir acreditar..." isso é impossível.." ela pensava. " Não é, acredite Scully..." Os homens raivosos, o barulhoso ensurdecedor do alarme e o tremor não eram mais percebidos por ela, que conversava maravilhava em pensamentos com Mulder. Aquilo era surreal..um momento único..e isso confortou a ambos..não sentiam mais medo ...pareciam não mais sentir dor alguma, o lugar não era mais ameaçador, e sim aconchegante...algo os envolvia totalmente, tão suave, que não perceberam os olhares em pânico dos homens tomados pela água que adentrava o local violentamente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX DOIS MESES DEPOIS HOSPITAL GERAL DE WASHINGTON - " Eles estão assim desde que chegaram...ocorreram leves melhoras, mas nada significativo. Era Langly quem falava." - " Alias, nem soubemos como foram parar naquela praia. Ninguém soube. Byers demostrava certo cansaço nas vistas." - " Pelo menos estão curados...e trouxeram a cura para o mal que estava atingindo o FBI..só precisamos saber como....e onde conseguiram. Também não sabemos se ficarão com seqüelas, devido ao alto grau de contaminação em que se encontravam." Frohike olhava preocupado para os dois agentes deitados nas camas rodeados de aparelhos. Nesse momento, quase toda a família de Scully entrava na sala. Estavam aflitos desde quando Scully e Mulder apareceram como mortos nas areias de uma praia quase deserta do México. Nativos do local ficaram alguns dias com os dois inertes, até contatarem as autoridades americanas. Encontravam-se em coma profundo. Scully estava com trajes anticontaminação rasgados, e dentro dos bolsos haviam seringas com um conteúdo inexpecífico e um pequeno disk laser. Foram levados imediatamente para a Unidade de Tratamento Intensivo. Todos os exames foram feitos e foi constatado uma quantidade anormal, altíssima da substância no cérebro dos dois, principalmente em Mulder. As seringas e o disk laser foram examinados, e descobriram realmente ser a cura. No pequeno disco haviam informações da síntese e efeitos da toxina. As seringas eram a própria vacina contra o mal. Apenas não entendiam onde Mulder e Scully estiveram e como tiveram acesso à substância. As investigações sobre o caso continuaram, mas nada de novo apareceu. A esperança se tinha nos dois. XXXXXXXXXXXXXXX UMA SEMANA DEPOIS Substância...Scully...água...Mulder vagava por entre lembranças e pensamentos perdidos. Ouvia perfeitamente as vozes que entravam na sala e falavam com eles...eles... quem estaria junto dele? Gostaria de responder a quem lhe perguntava...sentia o cansaço e a frustração contida nas vozes...o que acontecera com ele? Porque não conseguia enxergar as pessoas nem falar, apenas ouvi-las? Skinner e Diana Fowley os observavam. Era deprimente o estado em que os dois se encontravam. Haviam emagrecido, mesmo com o tratamento intensivo administrado. Diana passava delicadamente por entre os dedos os sedosos fios castanhos da franja de Mulder. Sentia vontade de tirá-lo dali. Olhava de revesgueio para Scully, mas não a julgava, afinal, a cura viera com ela. E com isso ela estava curada...e Mulder também. Olhava para o rosto lindo e masculino dele.. a tez pálida...isso a fez sentir-se levemente insegura. Skinner tentava em vão não olhar para os gestos carinhosos de Fowley em Mulder. Ele queria estar fazendo o mesmo em Scully, porém continha-se. A ética entre os agentes era impenetrável, ainda mais ele sendo superior. Scully estava igualmente pálida, mas isso não lhe tirava a beleza do rosto delicado. Como em sincronia, ambos revolveram-se nas camas. Skinner e Diana sobressaltaram-se com o movimento. Mulder aos poucos foi abrindo os olhos. A visão estava embaçada, mas ele conseguiu perceber os vultos a sua frente. Virou o rosto para o lado e enxergou uma cama ao seu lado, bem próxima. Sabia instintivamente quem estava ali. Esticou o braço enfraquecido até a guarda da outra cama. Com um pouco de esforço, tocou o braço de Scully. - ....Scully.. Diana ainda olhava paralisada. Skinner saíra da sala para chamar os médicos. Ao toque de Mulder, Scully pareceu acordar. Mexeu-se um pouco, abriu os olhos com dificuldade e direcionou o olhar para o lado. Mesmo sem enxergar direito, sabia quem a tocava. De seus lábios um sorriso de conforto apareceu, assim como em Mulder. Ela esticou o braço para tocar na mão que a despertara novamente para a vida. Tocavam-se carinhosamente, entrelaçando os dedos, um sentindo o calor do outro, ignorando a presença e os olhares ciumentos da Ag. Fowley, que olhava-os sem dizer nada. Várias pessoas adentraram a sala para averiguar o que acontecia. Estacaram quando viram a cena. Era quase impossível acordar de um coma profundo tão rapidamente, e ainda mais os dois ao mesmo tempo. Diana Fowley deixou a sala expressando raiva e frustração. Não agüentaria olhar aquilo por mais tempo. Os médicos foram imediatamente averiguar os aparelhos, que nada acusaram de anormal. - " Precisamos agora fazer outros exames para verificar possíveis seqüelas." - " Vocês estão bem? Eram os pistoleiros que perguntavam." - " Byers.., Langly.., Frohike..." - " Tudo bem doutor...ele está bem. Lembrou da gente." - " E você Scully?" - " Acho que estou bem Frohike...apenas levemente dolorida." - " Como viemos parar aqui? Mulder questionava com o semblante confuso." - " Vocês não lembram? Skinner perguntava" - " Não...e você Scully?" - " Também não Mulder... que aconteceu conosco?" - " Bom....Skinner resitava....é um pouco difícil de dizer..vocês foram encontrados jogados nas areias de uma praia do México...Scully estava vestida com trajes anticontaminação e tinha nos bolsos a "cura" para a desconhecida substância. Isso foi a dois meses." - " No México??? A dois meses? Como??? Scully estava descrente." Mulder ouvia quieto o relato, pensativo, mantendo os olhos fechados. - " Mulder...? Alguma lembrança?" - " Eu não sei...agora que você falou, trajes anticontaminação...algo me veio, mas nada concreto." - " O que você lembra? Skinner denotava aflição" - " Dor de cabeça...um zumbido.....e um lugar escuro. Só." - " E você Scully?" - " Nada senhor, nada." - " Bom, deixaremos vocês descansarem um pouco...quem sabe lembram de algo juntos." Saíram da sala calmamente e os deixaram a sós. Agora fitavam-se inquisidoramente. - " Scully....você lembra de alguma coisa?" - " Apenas de uma Mulder..." - " Poderia me falar...?" - " Depois..não agora. Isso terá que ser em outro lugar, em outra ocasião." Mais uma vez deram as mãos e sorriram. Sabiam que estavam seguros agora. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX 3 SEMANAS DEPOIS SALA DO PORÃO Mulder olhava atarefado os relatórios sobre o caso em que ele e Scully também foram vítimas. Ali estava tudo sobre a substância. Ela realmente agia como Scully prescrevera, e até ele mesmo. A suposta "cura" encontrada nas seringas que misteriosamente estavam com Scully não eram um mistério. Eram bactérias sintetizadas em laboratório, modificadas a partir de simples bactérias cianófitas. Sua ação sobre a substância ainda é desconhecida, não detectada pelos exames possíveis, porém, fazia a substância desaparecer rapidamente, e caso houvesse reincidência de contaminação, a substância não teria efeito. As bactérias modificadas ainda vagavam pelo organismo deles, aparentemente não causando mal algum. Estava tudo no pequeno disk laser que viera com Scully. Mas ele queria saber qual o motivo do ataque ao FBI, das percas de memória...Nas várias semanas que se passaram, Mulder teve flashbacks , do possível local em que ele e Scully estiveram...enxergou salas iluminadas, ambientes escuros..Scully..mas nada que lhe desse alguma solução. Matutava , esforçava-se para lembrar, mas era em vão. Assim como o Agente Steve Burking e Diana Fowley, e mais todos os Agentes atingidos, ele não lembrava. Scully nesse momento entrava na sala, interrompendo os pensamentos de Mulder. Faziam dias que não a via. Cada um estava trabalhando separadamente, com outros pequenos casos. - " Mulder...Skinner deu alguns dias de folga a nós dois. Reconheceu que não estamos em condições de desenvolver um bom trabalho." - " Scully..eu preciso resolver esse caso!! Como saberemos se não atacarão novamente?" - " Mas a cura está aí Mulder!" - " Sim...mas há mais coisa! Não é tão simples assim....eu lembro pouco, mas com o tempo talvez recorde de mais detalhes...alias, não me disse desde aquele dia no hospital o que você lembrava..poderá ser importante...poderia me contar?" O rosto de Scully ruborizou levemente, e ela teve certo receio de falar. Mulder estava nervoso ultimamente, esforçando-se muito no caso. Não queria aborrecê-lo mais ainda. - " Err..Mulder..aqui não. Você precisa relaxar. Já é tarde. Venha que eu te levo." Enquanto dirigiam-se para o carro, conversavam sobre o que lembravam antes da experiência. - " O que você lembra antes de tudo isso Scully?" - " Bom...deixa ver...faz tempo...ah, de um pic nic no parque de Washington.. Scully não queria falar, mas lembrava perfeitamente quando entrara no apartamento dele o pegara seminu. As sensações sentidas ao enxergar Mulder suado ainda persistiam, mas ela censurava-se. Sentia-se uma adolescente pensando naquilo tudo.." Que bobagem.." - " Claro!!! Foi onde tudo começou! E depois?" - " Humm, lembro quando questionei o Ag. Burking e a....Scully engoliu em seco...Diana Fowley. Deixe-me perguntar agora. E você?" - " O pic nic, claro, de você no hospital....lembra da sua reação?" Scully novamente sentia as bochechas vermelhas. - " Sim...vagamente..mas eu estava sobre o efeito da toxina...deixe isso para lá Mulder...vamos que eu já estou com fome." No carro, decidiram ir para o apartamento de Scully. Seria mais aconchegante, ainda mais na gélida noite de inverno. Quando chegaram, Mulder foi até o sofá e se jogou. Sentia-se estranhamente em casa no metódico e arrumado apartamento da parceira. - " Mulder...não estou nem um pouco afim de bancar a dona de casa cozinheira....farei uma sopa, é simples e rápido." Ao ouvir isso, Mulder teve um estalo. Tinha a nítida sensação de que aquilo já acontecera antes. " Deve ser impressão Minha." Depois de alguns minutos, Scully dirigiu-se até a sala e encontrou Mulder adormecido. A cena era estranhamente familiar. Sentou-se ao lado dele. Passava os dedos de leve sobre os lábios de Mulder. Ela lhe contaria o que lembrou no hospital. Não saberia como ele reagiria, mas estava pronta. Mulder sentiu o toque suave e acordou. Espreguiçou-se, e de instante, deu um beijo estalado na testa dela. - " Sabe Scully...estou muito feliz!" - " Nota-se! Agora vamos comer. Onde você quer? Lá na cozinha? Não, melhor aqui na sala. A gente liga a TV e aproveita para desanuviar a cabeça!" - " Scully....estou tendo a sensação de Dèja Vú desde que entramos aqui..." - " Não lhe tiro a palavra...senti o mesmo. Bom, não há de ser nada. Vamos, me ajude!" - " Certo, estou indo..." Serviram-se e foram para a sala. Scully pegou um cobertor e sobrepujou-o sobre eles. - " Pronto...assim a gente se esquenta mais...está tão frio hoje!" Enquanto comiam, Mulder questionava-se se era a hora para perguntar a Scully sobre o que ela lembrava...ele não agüentava mais esperar..estava curioso.. - " Scully..." - " Fala Mulder" - " Bom...lembra do que você disse....alguma coisa que lembra...poderia me falar agora?" Scully quase engasgou com a sopa. Estaria preparada? Só saberia se falasse. - " Calma Scully! Se não quiser falar, não sinta-se forçada! Apenas perguntei." - " Você quer mesmo ouvir Mulder?" - " O que há de tão pernicioso nisso Scully?" - " Bom, deixe-me falar então....lembro-me de estar com você em algum lugar amplo...havia água. Estávamos com medo...eu sentia-me levemente assustada com você...agora não lembro o porque...foi daí que lembro de uma coisa muito estranha..." - " Vamos Scully...desse jeito você me mata!!!" - " Bem assim...você me olhava de um jeito que eu nunca vi...aí eu escutei você me dizer algo..mas não falava..era em pensamento.." - " ....??? Scully?? Em pensamento?? Mas você não acredita nisso!! Agora me pergunto se aquelas seringas eram realmente a cura...." Mulder fitava-a incrédulo com as palavras que saíam dela como se fossem dele próprio. - " E continuo não acreditando...talvez isso seja um sonho..mas te contarei como lembro.." - " O que eu te falei??" Scully tremia a colher em uma das mãos e Mulder percebeu. Seu coração pulava descompassado. Arrependia-se de ter começado a conversa, mas precisava acabar. - " Foi bem isso....Scully...eu quero que você saiba....você é a minha vida, a razão da minha existência...o ar que eu respiro, é o que me alimenta...eu te amo..sempre te amei..e continuarei te amando..acredite, não acabará aqui..." Scully queria um buraco para se enterrar...nunca sentira-se tão embaraçada quanto agora. Ao passo que ouviu as palavras de Scully, Mulder fechou os olhos e toda a imagem presenciada a partir do que ela contou apareceu lívida em sua mente. Apenas não lembrava como conseguira fazer aquilo, mas realmente a tinha falado em pensamento. Mulder a fitava agora, mas Scully não o olhava, envergonhada com suas próprias palavras. Ele a tomou nos braços e em um fio de voz, falou: - " Eu lembro Scully..." Scully tremia diante do que estava para acontecer. Não mais sentia frio, e sim uma onda de calor a lhe invadir o corpo. Queria que aquilo acontecesse, mas tinha receio ao mesmo tempo. Não sabia se estava preparada para colocar todo o sentimento latente para fora, tudo de uma vez. O conteve por tantos anos... Mulder sentia a fragilidade irromper na parede sólida que Scully construíra como sua própria imagem. Ele percebeu o receio, mas sentia o desejo nos olhos azuis brilhantes que tanto admirava. Queria colocar tudo para fora, mostrar todo o amor lancinante que sentia por ela, pedir-lhe desculpas pelas vezes que a magoou. O respeito entre eles era muito grande, por isso ele teria que ir com calma, justamente para não assustá-la...mesmo sentindo que Scully, em seu pequeno corpo, escondia uma face explosiva e ardente...ele tinha lembranças vagas disso, só que não sabia se eram sonhos ou acontecimentos reais esquecidos. Mulder agora beijava de leve os lábios de Scully. Ela sentia que algo iria implodir por dentro, mas sua racionalidade lhe impedia de avançar mais. Apenas sentia o toque eletrizante e aveludado dos lábios dele sobre os dela. Porém, o desejo tomou-lhe conta de tal forma, que tudo o que ela considerava ético não lhe valia mais. Ela precisava de Mulder, queria senti-lo. Scully puxou delicadamente com os lábios o lábio inferior de Mulder, passando a língua por ele. Sentia a respiração acelerada dele, o cheiro inesquecível. Começaram o beijo de leve, apenas sentindo o toque dos lábios. Mas aos poucos foi-se intensificando, tornara-se quente, molhado, apaixonado. Scully agora sentia o gosto do homem que tanto desejava...porém, parecia já conhecer. A perfeita sincronia de lábios e línguas demonstrava que não era a primeira vez, ou se amavam tanto que eram capazes de serem perfeitos um para outro. Mulder também sentia a reciprocidade do beijo. Conhecia perfeitamente o gosto de Scully, apesar de não lembrar ao certo. Ficaram assim, um sentindo o outro por vários minutos, como se fosse para compensar tanto tempo perdido. Scully tinha uma das mãos por debaixo do suéter de Mulder, apenas sentindo o desenho dos músculos definidos do abdômen. As pontas dos dedos de Scully ainda estavam frios, devido à baixa temperatura do ambiente, e isso provocava uma sensação incrível em Mulder, que sentia todos os seus folículos pilosos arrepiarem-se..ela sentia os músculos contraírem-se com o toque e ouvia os pequenos gemidos que ele abafava no beijo. - " Não faz isso comigo Scully...." O momento único foi quebrado pelo toque da campainha. Mulder e Scully sobressaltaram-se. Fitaram-se assustados. Scully levantou-se num pulo, recobrando a consciência. - " Mulder! Tem alguém lá fora.." Ajeitou-se como pode e atendeu a porta levemente ofegante, sentindo o rosto vermelho. Era a sua mãe. - " Dana querida, tudo bom! " Ela pode notar a expressão de surpresa na face da filha. " Tem alguém com você? Desculpe se atrapalhei!" - " Capaz mãe, entre.." A voz de Scully saiu levemente alterada, devido à respiração difícil. - " Oi Fox!! Como você está..." ela sentiu o que estava ocorrendo ali. Podia notar as maçãs do rosto de Mulder avermelhadas, enquanto ele disfarçava tomar a sopa. - " Oi Sra. Scully! Que surpresa! Se soubéssemos que viria, faríamos algo mais preparado." Mulder estava visivelmente embaraçado. - " Não, capaz..vim aqui só para ver como a Dana estava...vi que está em ótima companhia..." Margaret soltou uma piscadinha maliciosa para Mulder, que o fez ruborizar ainda mais. - " Não mãe, fique!" - " Filha....você é parte de mim, a criei..passamos muitos momentos juntos...Fox já não teve tantas oportunidades..vocês estão tão bem juntos...era só para ver como você estava mesmo..eu vou indo, outro dia apareço..ah, vai ter uma janta lá em casa daqui a quatro dias! Fox, você está convidado! Não aceito um não de resposta!" - " Certo Sra. Scully, pode ter certeza que irei..." Mulder não tinha tanta certeza do que falava. Margaret despediu-se e saiu. Scully ainda olhava atordoada para Mulder. - " Será que ela percebeu? " Mulder franzia o cenho em preocupação. - " Não sei...mas seja o que for, ela gostou...sabe, as vezes não entendo a minha mãe...bom.." Scully encaminhou-se até Mulder , sentou-se no sofá e o abraçou. As fortes mãos a envolviam com carinho. Mulder acariciava seus cabelos com os lábios. Aquele abraço lhe proporcionava a segurança que muitas vezes ela tanto procurara....No FBI, formara uma imagem quase antisocial, fria. Talvez por ser mulher, instintivamente tinha de se mostrar forte, segura, inteligente e formal, muitas vezes até mais que os homens. Conseguira o respeito de todos, e apesar de ser parceira do conhecido "Spooky", ninguém atrevia-se a desrespeita-la. No início, antes de conhecer Mulder, quando a designaram como parceira dele, o imaginara mais um agente machista e preconceituoso. Como ela se enganara! Desde o primeiro encontro, naquele fatídico dia a 7 longos anos atrás, Mulder mostrara-se diferente. A sensibilidade estampada nos lindos olhos verde azulados era encantadora. Apesar das opiniões divergentes, ele tinha uma maneira gentil de revogá-las, impondo idéias superficialmente absurdas, mas que sempre iriam de encontro às suposições científicas dela, resolvendo os casos escusos que lhe eram infringidos. A união de crença e racionalidade era perfeita. E era justamente isso que a instigava a acompanhá- lo. Depois de tanto tempo trabalhando juntos, o que ela considerava intransponível acontecera. Scully praticamente abdicara de sua vida pessoal para juntar-se a ele, em busca de sua verdade. E Scully não mais sentia raiva ou remorso por tal atitude. A felicidade de Mulder era também a dela. Faria de um tudo para encontrar a verdade que ele almejava encontrar. E por amá-lo tanto, não importava-se em deixá-lo seguir sua vida sem ela, se isso fosse necessário para sua felicidade. Caso isso realmente acontece, a dor seria tamanha que talvez Scully não suportasse, mas agüentaria por Mulder. Sentia-se tão ligada à ele, que mesmo comportando-se como parceiros no dia a dia, toda vez que entrava na sala do porão e o via, o imediato alívio lhe entorpecia o corpo, como se todas as noites que ela passava longe dele fossem separá- los...Scully temia que algo lhe acontecesse, afinal, Mulder era de uma impulsividade emergente. Não fora uma vez que ele sumira atrás de alguma coisa que descobrira de imediato, sem avisá-la, deixando-a praticamente em pânico. Ela era capaz de adivinhar o que se passava com ele apenas pelo olhar. Outras vezes parecia sentir Mulder em perigo, mesmo estando longe. E Mulder também sabia tantas vezes o que se passava com ela...seu sentimento por ele era tão intenso, que ultrapassava as barreiras puramente físicas...o respeito que havia entre os dois era enorme, transformando esse sentimento em algo muito maior...acima de qualquer coisa...amor não era a palavra correta pelo o que sentia por ele...era um muito maior do que "simplesmente" amor...Scully agora recordava que de todos os homens que se relacionara,e nenhum penetrara sua mente, seu corpo, seu coração e sua alma com tamanha intensidade como Mulder, mesmo sem nunca tê-lo fisicamente por inteiro. Ele a conhecia como ninguém, talvez mais do que ela própria. Muitas vezes tinha a necessidade de tê-lo em seus braços, principalmente quando alguém ameaçava abalar esse sentimento. Porém, os toques, os gestos de carinhos e os bons momentos passados juntos, mesmo poucos, já era suficiente para mostrar a ela mesma o quanto Mulder lhe era importante. Ele era a sua vida. O beijo a pouco acontecido fez Scully sentir toda imensidão sentimental aflorar de corpo como ondas. As sensações obtidas apenas com um simples toque dele eram quase impronunciáveis. Sentia seu corpo amolecer, sua força se esvair, o suor frio lhe escorrer pelas têmporas, o sangue ferver. Porém, o medo do desconhecido também despertava. Conviveram mais de 7 anos juntos, sempre demonstrando carinho e apreensão, porém, nunca quebraram o respeito. Ela já ouvira declarações de Mulder, mas não conseguira acreditar, pois em uma das vezes ele estava delirando e outra vez, aquela maldita abelha os interrompeu. Ainda perguntava-se como não havia tocado no assunto depois do ocorrido naquele corredor.... Isso já fazia 2 anos. E agora o medo lhe atingia, pois não sabia se uma relação mais íntima e carnal abalaria tão perfeita sintonia. Ela o queria, mas tinha receio do que aconteceria depois. Todo o desenrolar de memórias e pensamentos fez Scully distrair-se, enquanto Mulder pensava no que havia acontecido. As lembranças desde o primeiro dia que a vira...Scully o desafiara...e isso mexeu com ele no mais profundo de seu ser. Sabia que a partir daquele dia não teria mais tranqüilas noites de sono...tentou até lutar contra o sentimento que a cada dia crescia, mais e mais, até tomá-lo por completo, sufocando-o muitas vezes...não achava- se digno dela..tão perfeita....fingia muitas vezes não importar-se com ela, quando em seu interior fervia, principalmente de ciúme, quando alguém lhe tomava a frente..Scully mostrava-se muitas vezes imparcial e fria, mas ele sentia que aquela imagem escondia a verdadeira Scully...e ele sabia disso...a cada sorriso dela, a cada toque....Mulder sentia-se vivo, completo..ele queria ser tão perfeito quanto ela era com ele...Scully tornara-se algo tão importante para Mulder, mais do que ele próprio...morreria do modo mais cruel e doloroso por ela, a protegeria para o resto de sua vida. Ela era única e intransponível. Descobrira que seu sentimento era muito maior que amor, atingindo-lhe todos os campos possíveis de seu ser, embargando-lhe o corpo, a mente, seu coração, sua alma...todas as suas células pediam por Scully, precisavam dela. Porém, mantinha todo esse sentimento em segredo. Algumas vezes não agüentara e falara, mas Scully, em sua racionalidade, não acreditara...ele não sabia se uma revelação tão intensa não iria abalar a integridade dela...ainda mais depois de tantos anos .... Queria pedir perdão pelas vezes que a magoara, e outras tantas que a deixara preocupada..ele sabia o que seria sua vida sem ela, já sentira isso uma vez...Ele não acreditava na felicidade longe de sua Scully.....sua.....Mulder continuava querendo descobrir a verdade, encontrar sua irmã..mas não o faria sem Scully. Scully para ele era tudo, sua vida, seu ar, seu alimento. Sem ela morreria. - "Mulder...apenas fique aqui comigo....não vá.." - "Não se preocupe Scully..nunca a deixarei...acredite..aquelas palavras que você ouviu são o mais puro aflorar de meus sentimentos por você.." Continuaram abraçados, apenas sentindo o calor misturar- se, tornando-os um só ser. Sabiam das conseqüências desses atos, mas estavam dispostos a enfrentar tudo pelo sentimento que sentiam. Perderam tantos anos ...precisavam recuperar o tempo perdido....queriam mais do que tudo uma vida normal, juntos...mesmo sabendo que isso seria quase impossível... No lustre da sala, um quase microscópico microfone acoplado à uma câmera gravava tudo... Nas imediações do prédio, um furgão calmamente esperava. - "Por enquanto estamos seguros...não lembram de fatos importantes...ainda." Um homem com as expressões marcadas por fundos sulcos olhava pelo pequeno monitor.. - " A primeira parte do projeto falhou...a primeira parte...já estamos desenvolvendo outro método...não tardaremos a colocá-lo em prática ...precisamos contatar a base.." XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX BASE SUBMERSA OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO A preocupação era visível nos rostos presentes na fria sala. A atmosfera estava pesada. O acidente ocorrido na base submersa do Atlântico fizera o rumo dos acontecimentos mudar completamente. Os testes foram interrompidos, uma das curas fora exposta. Uma delas. O tilintar do telefone desperta-os dos devaneios. - "Senhor...eles não lembram de nada significativo...o que aconteceu na base do Atlântico estava fora de nossas possibilidades...entretanto os fatos ainda estão do nosso lado...só precisamos mantê-los do jeito que estão, senão..." - "Isso não será problema na maioria dos casos...o conteúdo contido nas seringas administradas os manterá com a memória estável, não lembrarão de nada significativo. Apenas não sabemos se conseguirá manter a mente do Ag. Mulder quieta...ele estabelecera comunicação com eles...isso é uma prova de sua capacidade...Mulder está em fase intermediária..tem a fraqueza dos humanos, mas a alta atividade cerebral deles..." - "Caso isso aconteça, teremos como sanar..ele está sendo monitorado 24 horas por dia, assim como sua parceira..." - "Espero que nada aconteça fora do previsto novamente..." Todos olhavam abismados para o monitor que mostrava a gravação do acidente...Mulder conseguira desenvolver parcialmente a capacidade de manipular a água tal como os seres estudados...talvez por influência da substância e pelos próprios seres.. Ao lado, outro pequeno monitor captava com alguns minutos de atraso as imagens vindas da sala do apartamento de Scully...no momento Mulder e Scully beijavam-se apaixonadamente...A cena chamou atenção dos homens. - "Interessante.....muito interessante.." FIM XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX E aí pessoal? Bom, eu dou novamente os parabéns para quem leu a história inteira. Críticas, elogios e sugestões são necessários! Por isso, Feedback, please! Ah, para quem leu a primeira parte, e por acaso me mandou email pela conta do zipmail (ange_scully@zipmail.com.br) , desculpem-me se não houve resposta..como eu já disse, essa conta apresentou problemas, não consigo olhar a minha caixa de entrada..por isso, peço encarecidamente que mandem-me os emails para biscaglia@uol.com.br. 1000 beijos Angel Scully (Carla Biscaglia)