Título: Lapsos de Memória - 1a parte Autora: Angel Scully Email: angel_scully@zipmail.com.br ICQ Uin: 77089497 Disclaimer: Mulder, Scully, enfim, todos os personagens, assim como a série Arquivo X são propriedades da Fox , 1013 e de CC, além dos maravilhosos David Duchovny e Gilliam Anderson (quem dera que fossem meus). Essa estória não tem objetivo nenhum de obter lucro, mas sim, proporcionar divertimento e acalento aos shippers de plantão, como eu. Noromos, estão liberados para ler, porém não me responsabilizo por possíveis aborrecimentos. Resumo: Agentes do FBI passam a ter sensações e atitudes estranhas, as vezes perigosas. Mulder e Scully começam a investigar e nem percebem que eles mesmos estão sendo vítimas de uma conspiração governamental, colocando em perigo as suas vidas e também arriscando os sentimentos que um sente pelo outro. Fic Shipper Spoiler: Citações de "S.R. 819 e Biogenesis(que não vi ainda)". Além dos personagens da série, existem personagens e lugares fictícios. Classificação: História, MSR, muita UST, Shipper!!!!!(Tem uma parte que é NC-17) Feedbacks: É NECESSÁRIO!!!! Sejam eles críticas, elogios ou sugestões. É a maior fonte de motivação e inspiração que existe. Por isso pessoal, mandem, mandem, mandem!!!Eu suplico! Faz bem ao coração!!! Notas da Autora: Infelizmente, eu não tenho a Fox aqui em casa. Por isso, o meu atraso com os episódios em relação ao resto de vocês é muito grande (tenho que assistir na Record). Portanto, peço paciência a todos que lerem as minhas fics, pois poderão aparecer cenas que eu ainda não vi e que já apareceram em alguns episódios. LAPSOS DE MEMÓRIA - de Angel Scully WASHINGTON D.C. SEGUNDA FEIRA - 8:35 PM ALEXANDRIA APARTAMENTO DE MULDER Mulder tomara uma ducha fria. Colocara sua calça pijama, e mesmo estando frio, não colocou camiseta. Enquanto estava na cozinha, vendo o que iria comer, ouviu um leve ruído na porta do apartamento. Sentiu sua nuca arrepiar. Tateou-se à busca da arma, porém lembrou que havia deixado no sofá da sala, junto ao casaco. Empunhou uma faca de cozinha e ficou à espreita. Qual não foi seu alívio ao ver Scully. - 'Ahh...Scully, você quase me mata de susto! O que veio fazer aqui?' Olhando-a melhor, pode ver a expressão presenciada por ele no dia anterior. Havia algo de errado com ela. Scully o olhava com os olhos estalados, sem piscar. Imediatamente pegou sua arma e apontou para ele. - 'Não Scully!!!! Não faça isso! Por favor!!!' Ela tinha que obedecer. Seu cérebro lhe dizia. Ouvia baixo, muito longe as súplicas de Mulder..., mas precisava fazer. Seu dedo tremia no gatilho...uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Mas não conseguia conter o comando...e atirou. 35 HORAS ANTES DOMINGO 9:30 AM Washington encontrava-se em pleno outono. A brisa leve fazia o frio surdir. Apesar da temperatura, o sol aparecia aos poucos no céu azul, deixando o dia muito convidativo. As pessoas passeavam pelas ruas alegremente. Em um parque , Frank Stavros esperava o colega que a tempos não via. Já haviam trabalhado juntos , só que em decorrência de uma transferência, separaram-se. Para perpetuar a amizade, encontravam-se de vez em quando, para desanuviar a cabeça e colocar os assuntos em dia. Perto dali, um homem andava a passos largos e firmes. Por onde passava chamava a atenção, pois além de suar muito, exibia uma expressão estranha, com os olhos vidrados e encovados. Frank avistou o amigo vindo em sua direção e acenou. Ao enxergá-lo mais de perto, pode perceber a expressão rude. Conhecia-o bem: era extrovertido, dava-se com todo mundo. Nunca teve acessos de raiva, sempre descontraía o ambiente carregado do trabalho. Antes mesmo de Frank lhe cumprimentar, o homem sacou a arma e disparou até descarregá-la completamente. Os estampidos ecoaram pelo local, provocando pânico e histeria. Quase que imediatamente, o assassino sentiu-se tonto. Tudo ao seu redor começou a girar e ele caiu desfalecido. Nas imediações do acontecido, uma sombra observava, soltando grandes baforadas de fumaça. Sua expressão era de satisfação. Tudo aconteceu como previsto. GEORGETOWN - mesmo dia APARTAMENTO DE SCULLY 8:00 AM Os fracos raios de sol que entravam pelas janelas encontravam nas cortinas uma barreira, mas assim mesmo , clareavam, pouco a pouco, o escuro apartamento. No quarto, Scully tinha um sono agitado. Remexia-se muito na cama e soltava gemidos e expressões incompreensíveis. Acordou de repente, chamando por Mulder. Sentou-se na cama e recordou o que sonhara. O sonho realmente era com Mulder, mas não fora pesadelo. Ao lembrar- se dos detalhes, arregalou os grandes olhos azuis, que agora brilhavam, numa mistura de prazer e sensura. Podia notar as conseqüências da "noite virtual" em seu corpo: estava suando em bicas, sentindo um calor imenso emanar por todos os seus poros. Não é possível...outra vez ....pensava. Já era a segunda noite que acontecia. Não podia acreditar que se seu cérebro fosse capaz de criar algo tão , tão...pecaminoso. Depois de 7 anos trabalhando juntos, quase não conseguia esconder seus sentimentos por Mulder. O amava deliberadamente, profundamente, completamente. Mas junto a toda essa imensidão sentimental que lhe corroía por dentro, vinha o respeito, e esse respeito que talvez fosse o elo de união entre eles, porque que mesmo sendo tão diferentes, não conseguiam separar-se um do outro. Morreria por Mulder, faria qualquer coisa por ele. E talvez por amá-lo tanto é que não expressava-se . Apesar de sentir que Mulder também a amava, pensava se não era sua imaginação, se não era seu amor excessivo que os envolvia. Resolveu tomar uma ducha fria, para tirar de si o suor. No chuveiro, não conseguia parar de pensar nas sensações sentidas em seu sonho. Todas as cenas presenciadas em sua cabeça durante a noite ainda viviam, plenas, fazendo-a repreender-se ainda mais. Não admitia tais pensamentos. Precisava controlar- se . Nunca agira por impulso. Essa era a especialidade de Mulder. Em meio a devaneios de memória, lembrou que havia combinado um pic nic matinal com o parceiro. Isso a fez estremecer. Conseguiria controlar-se ao vê-lo? Que pergunta idiota! Isso não irá acontecer. Saiu imediatamente do banho, vestiu uma calça jeans, blusa de lã e um tênnis. Ajeitou os cabelos e pegou a cesta preparada. ALEXANDRIA APARTAMENTO DO MULDER Minutos antes A luminosidade começava a despontar pela janela. O corpo mal ajeitado sobre o sofá de couro preto percebeu as primeiras emanações do dia que nascia. Uma fina lâmina de luz solar incidiu diretamente sobre os olhos verdes de Mulder. Ao mover-se, sentiu no corpo a noite mal dormida. Apesar da baixa temperatura, Mulder estava completamente banhado em suor. Também sonhara, com Scully. No sonho, mostrava a ela todo o sentimento latente que existia em seu peito, tão forte, que muitas vezes sentia o coração prestes a explodir. Entretanto, segurava-se. Não sabia se Scully, na sua racionalidade, o aceitaria não apenas como parceiro ou amigo, mas como um homem apaixonado, disposto a tudo por ela. Quando conheceram-se , sentiu a atração estantânea, afinal, Scully é belíssima, como um imã, atraindo a todos ao seu redor. Com o passar do tempo, tornaram-se amigos inseparáveis. Porém, Mulder passou a sentir por Scully algo muito maior do que somente amizade. Ele sempre foi tido como o "Spooky" do FBI. Os outros agentes até o evitavam. Quando percebeu que ela conseguia conviver com ele, mesmo tendo opiniões tão diferentes das suas, aquilo que pensava ser um amor fraternal explodiu como um sentimento tão grandioso que o sufocava. Porém não o expunha. Restringia- se a protegê-la com zelo fora do comum, dando sua vida por ela, quando preciso fosse. Scully lhe completava. Era a razão de sua existência. Seus pensamentos foram interrompidos pelas batidas na porta. Percebeu que estava sem a camisa, porém ainda vestia a calça jeans do dia anterior. - 'Mulder, sou eu.' Ao atender a porta, Mulder sorriu, mostrando a felicidade que sentia ao vê-la. Quando olhou para a cesta nas mãos dela, lembrou do combinado. - 'Bah Scully, me desculpe! Esqueci mesmo! Ontem cheguei em casa e fui ler uns relatórios e...' - 'Normal....' Scully nem acabara de desenvolver a frase. Enquanto Mulder pegava a camiseta que estava jogada no chão para enxugar o suor do rosto, ela o observava boquiaberta. O sol que adentrava pela janela refletia sobre a pele molhada , ressaltando ainda mais sua musculatura rígida e definida. A calça justa delineava-lhe as nádegas e pernas fortes, bem feitas. Ele era perfeito. A sensação presenciada em seus sonhos começava a despontar novamente... - 'Scully?' Ela não ouvia. Apenas olhava, vidrada. Mulder percebeu a expressão abobada e incomum da parceira e foi em sua direção. - 'Scully? Scully! Em que planeta você anda?' - 'Ah...ãh..Mulder! Errr.. me desculpe, distraí-me por uns instantes.' - 'Pensando em que Scully...' - 'no..no..pic nic! Mulder, você sempre esquece! Tomei a decisão certa quando decidi que eu deveria comprar as coisas.' - 'Não desvia o assunto Scully! Você estava distante....e me olhava de uma maneira....' - 'Deixa de ser convencido Mulder...Scully apresentava um leve rubor na face...também, olha a maneira como se apresenta! Vá tomar um banho! Daqui a pouco será tarde demais e nosso pic nic virará almoço!' - 'Certo...' Mulder preferiu não insistir. Sabia que Scully não dava o braço a torcer. E hoje era dia de folga. Não queria brigas, ainda mais com ela. As vezes gostava de provocá-la, só para ter o prazer de vê-la irritada. Mas hoje não. Queria um dia maravilhoso, só ele e ela, sem homenzinhos verdes, cinzas, monstros, Ovnis e afins. Resumindo, queria um dia normal. Enquanto Mulder banhava-se, Scully denotava preocupação. Não entendia o que lhe ocorria, o porque de seus atos impensados. Estava agindo por impulso, deixando seus mais profundos instintos aflorarem. Será que de tanto amá-lo, e também de conviver com ele por tanto tempo, deixei-me influenciar, pegando seu modo de agir? Não, isso não é normal...não seria da noite para o dia... De tão absorta que estava, não viu Mulder passar por ela calmamente e vestir- se. - 'Vamos Scully....ei Scully!' - 'O que...Mulder? Você já saiu do banho?' - 'Não sei o que está acontecendo com você Scully. Está relapsa, nem me enxergou quando passei nu por você.' - 'N..Nu??? Ahh...' Ao ouvir sua resposta, Mulder pode ver várias expressões passarem por seu rosto, de surpresa, excitação, alegria, e por último, um leve desapontamento. - 'Pois é Scully, como vim ao mundo! - ele brincava - antes de sair do banheiro, olhei para ver onde você estava, e senti que sua mente estava longe.....daí aproveitei! Faço isso sempre! Mulder não conseguiu conter o riso ao ver novamente a face confusa de Scully. Ela realmente não estava em seu estado normal. Até gaguejava para falar algumas palavras! Scully gaguejando! Isso é um típico caso de Arquivo X! Ele vestira calça jeans, pulôver e tennis. Scully olhava para suas roupas. O pulôver era cinza, e acentuava-lhe a cor verde acizentada brilhante dos olhos. Era coincidência, mas estavam vestidos praticamente iguais. Com certeza Mulder nem percebera isso, pois não parecia ater-se à detalhes estéticos, principalmente com relação à vestimenta. Foram raras as vezes que a elogiara. E ela sentia falta disso. Em compensação, Mulder sempre vestia a mesma roupa no FBI: terno, camisa, gravata e sobretudo. Só variava as cores das camisas e gravatas. Mas as roupas formais caíam como uma luva em seu corpo esguio e atlético. Ficava extremamente atraente, e Scully sempre sentia sua nuca arrepiar quando o via vestido daquele modo. Alias, tudo nele a inebriava. Sua voz rouca e arrastada, sensual, seu modo de andar, balançando levemente os quadris e jogando os pés.....Não entendia, porque simplesmente o enxergava todos os dias, mas sempre acontecia. Sentia-se a própria adolescente descobrindo o amor e o sexo....'sexo???' Ela pensava confusa . Mulder percebeu o frio, e resolveu pegar o sobretudo, só para prevenir. Saíram do apartamento 42 em silêncio. Mulder sabia, quase que instintivamente, o que se passara na cabeça de Scully quando ela o enxergara semi nu. Ao pensar isso, a olhou de soslaio , esboçando nos lábios um enigmático sorriso. - 'Mulder...que sorrisinho é esse? - 'Esse, por enquanto, é meu sorriso ...quando chegarmos no parque, estarei sorrindo de orelha à orelha!' Dessa vez Scully não agüentou e caiu na risada. Mulder sempre dizia algo para descontrair o clima carregado que as vezes teimava em formar-se entre eles. Sem pensar, deu um tapinha na bunda do parceiro, que arregalou os lindos olhos verdes, de uma transparência absurda, nunca vista , fitando-a dentro de seus próprios. Isso a fez ruborizar novamente, desviando-lhe o olhar e arrependendo-se do ato impulsivo. - 'Scully....eu dirijo . Você está levemente alterada...distante..não quero arriscar a sua vida.' - 'Porque isso agora Mulder? Não estou distante...apenas me distraí um pouco.' - 'Por isso mesmo. Distrações não são atitudes da racional e céptica Dr. Dana K. Scully que conheço.' Ouvindo as palavras de Mulder, Scully confirmava sua estranheza. Até Mulder notara! Ele que sempre parecera tão ligado aos casos que lhe eram infringidos, não prestando muita atenção nela, pelo menos aparentemente. Rodavam pelas ruas de Whashington, procurando um lugar adequado para o pic nic. Agora era Mulder que pensava com seus botões. Só de imaginar que passaria algumas horas com a pessoa que mais amava, sem compromisso de trabalho, sentia-se completo, vivo, como se tudo o que havia passado antes não tivesse importância alguma. Quem sabe, do Universo inteiro. Esboçava um lindo sorriso, sem perceber que Scully o observava. Apesar de estranhar as atitudes "pouco ortodoxas" da parceira, afinal, ela parecia agir como ele próprio, estava gostando. Aquilo revelava outra Scully que ele pouco conhecia, mais sensível, mas feminina, mais frágil....isso o fazia sentir-se mais à vontade. - 'Você tem razão Mulder. Aquele sorriso de "orelha a orelha" apareceu. Aliás, posso dizer-lhe uma coisa?' - 'Claro!' - 'Você está muito bonito hoje! Parece muito feliz!' No mesmo instante, Scully levou a mão à boca, como que quisesse "impedir-se" de falar mais. Já estava a ponto de pedir a ele para deixá-la em casa. Isso está demais! O que está me ocorrendo! - 'Você acha Scully?' Ao dizer isso, fez a carinha de cachorrinho abandonado que tanto a afetava . Por que ele fazia isso? Sabia que eu não resistia por muito tempo, pensava ela. Mas logo outro sorriso, ainda mais bonito que o outro, apareceu. Só que, desta vez ele sorria com o corpo todo, exalando a felicidade que sentia. - 'Scully...você nem imagina o quanto estou feliz.' Colocou a mão em sua nuca, enroscando-lhe os finos fios ruivos que não estavam presos, acarinhando-a, quando inclinou-se e deu um beijinho carinhoso em sua face. Scully suspirou em voz alta naquele momento, sentindo uma corrente elétrica passar por todas as terminações nervosas de seu corpo. - 'Olhe Scully, aquele ali está bom.' Avistaram um lindo parque florido e arborizado. Algumas pessoas caminhavam, outras brincavam com os filhos no play ground e algumas apenas curtiam o sol acolhedor. Pararam o carro. Mulder saiu primeiro, e antes que Scully fizesse o mesmo, ele abria a porta para ela, no mais puro gesto de cavalheirismo. Scully surpreendeu-se com essa atitude. - 'Mulder, eu posso estar fora das minhas faculdades mentais normais, mas você não fica longe! Não estou lhe reconhecendo!' - 'Dana, quero apenas ser gentil. É nosso dia de folga. A muito tempo que não sabemos o que essa palavra significa, por isso, hoje vai ser especial, um dia para lembrar-mos como um dos mais felizes...e normais.' Ele tocou o rosto dela com a palma da mão, acariciando-lhe a pele da maçã do rosto com o polegar. Scully correspondeu colocando sua mão sobre a dele, inclinando um pouco a cabeça para sentir melhor o toque quente e macio do parceiro. Mulder a tocava, e isso a fez encher os olhos d'água. Percebeu que ele a encarava, silencioso, sentindo a magia do momento, mas ela desviou-lhe o olhar novamente , temendo mostrar as lágrimas quase eminentes. - 'Eu pego a cesta, disse ela.' - 'Deixe isso comigo. Ah, e o que você trouxe? Eu estou faminto, e suponho que também estejas.' - 'Pode deixar Mulder, vai dar para matar a fome e ainda deixar a gula tomar conta.' Saíram caminhando em direção ao parque. Escolheram um lugar ao sol, pois a brisa, mesmo branda, gelava. Mulder abriu a cesta, tirando a tradicional toalha xadrez. - 'Você pensa em tudo Scully! Estou me sentindo em família, apesar de ser apenas você e eu.' Scully agora retirava da cesta os "mantimentos". Havia 2 tipos de pão, brioches, manteiga de amendoim, margarina, geléias, mel, frutas de vários tipos, leite, suco de laranja , cereais e, claro, café. - 'Cruzes Scully! Isso dá para alimentar 6 pessoas! Você esqueceu da sua dieta enfadonha hein!!!' - 'Hoje eu quero aproveitar Mulder! Afinal, como você disse, será um dia especial.' - 'Com certeza, minha querida Dana !' Como ela adorava quando ele a chamava pelo nome. Era um jeito de dizer que gostava muito dela, mesmo não sendo as palavras exatas. - 'Nossa Scully! Não sabia que estava tão frio. Eu acordei com calor hoje e não percebi...' - 'Pois é..! Ela cruzou os braços e encolheu-se um pouco.' - 'Com essa blusinha de lã fininha.. deves estar com frio! Espere que eu vou lá no carro pegar meu sobretudo.' Enquanto Mulder corria em direção ao carro, Scully o acompanhava com os olhos Como gostaria de unir-se a ele pelo resto de sua vida. Era ele que ela queria. Pensava nele dias e noites, a anos, mas sem coragem de abrir-se. De volta, Mulder vestiu o casaco e sentou-se no chão, à espera dela. - 'Vem aqui Scully. Sente-se ao meu lado. Assim você não passará frio.' Ela sentou-se e imediatamente ele a abraçou, passando o casaco por suas costas , aninhando-a por entre os ombros largos. Scully pode sentir o calor de seu corpo, seu cheiro, os batimentos acelerados. Abraçou-o com vontade. Ela sumia perto dele, que era bem maior do que ela. Mulder sentiu-se tocado com o abraço carinhoso da parceira. Nisso ela levanta o rosto e beija sua bochecha carinhosamente, passando uma das mãos em sua franja charmosa, que balançava ao sabor da brisa. - 'Não sei o que faria sem você Fox....' Essas palavras soaram para Mulder como recitações poéticas. Scully precisava dele. Ela estava muito sensível, ele sentia. E isso a fazia frágil, pequena, necessitando de sua proteção. Teve vontade de abraça-la para sempre, não deixá-la mais ficar longe de seus braços. - 'Bom Scully, vamos comer, senão daqui a pouco eu é que estarei verde.' Scully pegou as duas térmicas que havia trazido, uma com café quente e outra com leite. Serviu –se . Enquanto ela pegava pão e geleia, olhou para ele, que a fitava com uma expressão doce. - 'Você não vai se servir Mulder?' - 'Agora eu só tenho um braço Scully. O outro faz parte de você.' Ele por nada tiraria seu braço ao redor dela. Precisava protegê-la, mesmo sendo apenas do frio. - 'Então vou servi-lo...o que você quer? Pão? Frutas? Cereais?' - 'Me dá aquela pequena maçã.' Enquanto Scully pegava a fruta, ele se perguntava se ela havia percebido o porque da escolha. - 'Tome...'Ela o fitou e ele a olhava divertido, com os lábios semi abertos, apontando com o dedo indicador a sua boca. A sobrancelha direita dela arqueou-se, mas ela dispo-se a fazer o que ele queria. Levou delicamente a fruta em direção aos lábios dele, que a mordeu devagar, fazendo-a estalar. Scully gelou. Não queria que fosse a maçã que estivesse lá. Enquanto ele comia, soltou o típico "hummm" , e logo a olhava, perguntando se queria também. - 'Coma também Scully...está suculenta, doce, muito boa.' Ela não pensou duas vezes. Levou a fruta à boca imediatamente. Ao mordê- la, teve a nítida sensação de estar sentindo o gosto de Mulder. Fechou os olhos para sentir melhor a onda prazerosa que lhe invadia o corpo. - 'Está boa né! Bom, agora, pelo menos em termos químicos, a gente já se beijou!' Ela levantou o rosto e franziu o cenho, fitando-o com os olhos azuis brilhantes. Imediatamente, ele começou a rir, fazendo-a quase engasgar com a fruta, quando não resistiu às gostosas gargalhadas dele, entrando na brincadeira. Continuaram comendo, com ele sempre abraçado a ela. Rolaram brincadeiras e beijinhos amorosos, mas nada além disso. Pensavam em sincronia sobre revelar o que sentiam naquele momento, mas novamente não tinham coragem. O momento íntimo estava tão bom, tão cúmplice, que não queriam estragá-lo, um temendo a reação do outro. - 'Dana...' - 'Fala Mulder' - 'É que...sabe...' - 'Anda Fox!' - 'Eu não lhe perguntei ainda se você quer...nas poderia passar o dia comigo hoje? É que está tão bom aqui, e pensei se não poderíamos prolongar esse momento.' - 'Claro. Gostaria de ter feito isso a muito tempo, mas tempo é o que a gente não tem. Por isso, vamos aproveitar o dia para fazer coisas que nunca realizamos juntos, como este pic nic,e depois, quem sabe, arrumar a casa ou assistir TV, por exemplo.' Mulder demonstrou alívio ao ouvir a resposta. Ela ajeitou-se melhor , encostando a cabeça no colo dele. Ele beijou sua testa mais uma vez, enquanto fazia um gostoso cafuné em sua cabeça, passando os dedos de leve por seus cabelos. 'Por que ele não desce esses lábios que eu tanto almejo mais um pouco', ela pensava. Como telepatia, ela olhou em direção a ele e somente viu os olhos verdes, que haviam passado a quase azuis, muito claros, com o brilho flamejante denunciando o desejo. Como ele era lindo. Seus rostos começaram a se aproximar lentamente. Ela levou uma de suas mãos à nuca dele, acariciando os sedosos fios curtos. Ao mero toque dos lábios, um estampido foi escutado, seguido pela gritaria . Ele levantou o rosto imediatamente, interrompendo o momento tão esperado por ambos. Dessa vez foi ele que interrompeu...não haviam abelhas.. pensava ela, mostrando a face irritada pelo beijo que não acontecera mais uma vez. - 'O que foi desta vez Mulder! Já bastava aquela abel...' - 'Scully..algo está acontecendo mais adiante. Há pessoas correndo, gritando, e eu ouvi algo que me pareceu um tiro.' - 'Não, na nossa folga não. Deixa Mulder, não há de ser nada.' - 'Não Scully, aconteceu algo e precisamos ver o que é.' Ela levantou-se contrariada, quase magoada pelo que havia perdido de novo. Parecia que sempre alguma coisa atrapalhava. Em todos os momentos que tiveram oportunidade de declararem-se, algo os interrompia. Seria uma premissa dizendo que não seriam felizes juntos? Não, Não. Ela não acreditava em destino. Seus pensamentos foram interrompidos por Mulder, que a puxava e corria em direção ao local. - 'Vamos Scully!' - 'Espere, não podemos deixar as coisas aqui! Podem roubar e...' - 'Deixa...depois a gente recolhe...' Scully teve um pouco de dificuldade para correr, afinal estava com o estômago cheio. Mulder também, mas mesmo assim não perdia a agilidade que seu corpo atlético lhe proporcionava. Atravessaram o parque, que era bem grande, quando viram o tumulto. Mulder corria rápido, deixando Scully bem atrás. Novamente a impulsividade dele falava mais alto. Ao chegar no local, Mulder passou afastar a massa de pessoas , tentando avistar o que havia no centro dela. - 'Agente especial Fox Mulder, FBI. Abram espaço, abram es...' Ninguém o ouvia. O barulho era infernal. Colocou as mãos no bolso do sobretudo e constatou que sua carteira, com a insígnia do FBI, estava no casaco. Pegou e levantou o braço o mais alto que pode e gritou com toda força: - 'Agente especial Fox Mulder, FBI! FBI! Afastem-se!' As poucos a multidão começou a se dispersar, revelando o que havia por debaixo do aglomerado humano. Foi aí que Mulder pode avistar o corpo de um homem, crivado à balas e outro ao seu lado. Tentou verificar os sinais vitais dos dois, e percebeu que um ainda vivia. Nesse momento Scully chegava e viu a cena. - 'Liguem para 911! Tem um homem baleado e outro desfalecido!' Nesse instante, ouviu a sirene da ambulância do hospital chegando ao local. Alguém com certeza já havia chamado. - 'Mulder! O que aconteceu aqui!' Enquanto Scully perguntava, Mulder procurava nos bolsos do casaco do homem com a arma. Achou a carteira e foi grande a sua surpresa ao constatar que ele era Agente do FBI , da sede em Chicago. Passou a procurar algo no outro homem, que estava irreconhecível. Havia levado pelo menos 3 tiros no rosto. Também encontrou a carteira, e para seu espanto maior, o homem era Agente, e de Washingtown! - 'Scully! É Frank Stavros! Nosso colega no Bureau! E esse homem ao seu lado também é Agente, só que da sede em Chicago! Seu nome é Steve Burking.' - 'Meu Deus! Mas o que foi que aconteceu aqui! Pelo que vejo, o Ag. Burking descarregou a arma no Ag. Stavros.. mas porque ele está aí...por acaso desmaiou??' - 'É o que parece...' Antes de tomarem suas conclusões, os enfermeiros e médicos levaram os dois homens corrido para o hospital. - 'Vamos Scully, há algo errado por aqui! Precisamos ir imediatamente ao Bureau avisar Skinner e logo depois partiremos para o hospital levantar provas.' - 'Como tem tanta certeza do que fala Mulder! ' - 'Confie em mim Scully. Saberás que estou certo.' Quando Mulder falava assim, Scully sempre o desafiava, impondo outras maneiras de avaliar o caso. Mas preferiu não discutir dessa vez. Depois de anos de convivência, sabia que Mulder tinha um "terceiro olho", que dava respostas certeiras, imediatas, mesmo sem averiguar. Não acreditava muito, pois para ela tudo tinha que ser comprovado cientificamente, porém, tinha que admitir: Mulder nunca errara. Suas suposições infundadas , sem o mínimo de cabimento, sempre encaixavam-se perfeitamente aos casos, muitas vezes solucionando-os. Era difícil para ela aceitar, mas essa irracionalidade e paixão em lidar com os Arquivos X já haviam salvado a sua vida. Ao chegarem no local do pic nic, viram que haviam levado tudo, não deixando uma migalha para contar história. - 'Viu Mulder! Eu não falei! Levaram tudo! Da próxima vez..' - 'Deixa Scully, da próxima vez eu arco com as despesas, se é que isso a incomoda.' - 'Não é isso Mulder..' - 'Vamos Scully, não temos tempo para lero lero. Precisamos resolver isso.' Entraram no carro e Mulder fincou o pé no acelerador, fazendo cantar os pneus. Dirigia em alta velocidade, dando certo medo em Scully. - 'Calma Mulder....assim você me assusta.' - 'Não se preocupe Scully '– ele tocava novamente o rosto dela com carinho – 'não faria nada que arriscasse sua vida. Aliás, ponha o cinto.' Aquele gesto simples, acompanhado de palavras doces, a acalmaram. Ele precisava dela. Acompanharia ele sem pestanejar. Sua expressão, antes chateada, passou a interessada e preocupada, clonando a de Mulder. Ao chegarem à sede do FBI, foram apressados ao escritório do diretor Assistente Walter Skinner, para esclarecer os fatos. Quando entraram na sala, perceberam que Skinner os esperava. - 'Ag. Mulder, Ag. Scully, pelo que vejo, já ficaram a par dos fatos.' - 'É..as notícias correm. Nós pensavamos que o senhor não soubesse ainda. Mulder é quem falava' - 'Bom, quero vocês dois no hospital levantando ocorrências. O caso está meio dissoluto, pois o Ag. Burking ainda não acordou. Está em um "pré coma", se é que me entendem. ' HOSPITAL GERAL DE WASHINGTOWN 11:00 AM Já fazia uma hora e meia que Mulder e Scully estavam no hospital. Ele conseguira reunir um bom número de testemunhas, para interrogatório, enquanto ela fazia perguntas aos legistas e médicos. Encontraram-se em um corredor. - 'Mulder, o que conseguiu com as testemunhas?' - 'Não muita coisa, mas algo de significativo. Interroguei várias pessoas que passavam ou estavam no local do crime. Um pouco antes dos dois se encontrarem, viram o Ag. Steve Burking na calçada, indo em direção ao parque. Disseram que tinha uma expressão no rosto, no mínimo, estranha.' - 'Estranha como Mulder?' - Ao que parece ele suava muito e seus olhos....estavam encovados e vidrados.' Ao falar isso, Mulder sentiu certo recentimento ao lembrar da cena em seu apartamento, quando Scully o olhava, justamente com a tal expressão "vidrada". - 'O que mais Mulder?' - 'Bom, ninguém ateu-se a observar os dois, mas relataram que o Ag. Frank Stavros parecia feliz em vê-lo.' - 'Feliz? 'A sobrancelha direita dela arqueou-se novamente. - 'Eles foram colegas, e eram amigos. Continuando.., antes de falarem qualquer coisa um com o outro, o Ag. Burking sacou a arma e atirou, assim, no mais. Aí que vem a parte interessante: logo depois, caiu no chão feito fruta madura. Sem ter levado nenhuma pancada ou qualquer outra coisa. Apenas caiu.' - 'Tem certeza que não mentiram, ou pelo menos omitiram nada de você Mulder?' - 'Olha Scully, isso até pode ter acontecido, mas é a única base que temos por enquanto, ainda mais que o agressor não fugiu. Ninguém mata uma pessoa e fica no local do crime !' - 'Mas ele não ficou, e sim desmaiou! Não se consegue evitar um fenômeno fisiológico como esse Mulder. Apenas acontece! Só que precisamos saber o porque!' - 'Scully, escute o que vou lhe dizer: isso não foi obra de vingança, loucura, ou coisa parecida. Tem alguma coisa por trás disso tudo! Aposto que são os mesmos responsáveis pela abdução de Samantha, pelo seu câncer, e os mesmos que quase a mataram com aquele vírus alienígena, no qual a salvei a tempo....' - 'Pára Mulder! Que mania que você tem de julgar algo que nem tem base para ser analizado ainda! Está certo, você acertou das outras vezes, mas ainda me recuso a aceitar um absurdo desses! Pense nas bobagens que você fala! Não haja assim, totalmente por impulso! Você perde a noção da realidade!' - 'Pois foram essas bobagens que me salvaram e a salvaram muitas vezes, Ag. Scully!' Aquilo soara para ela como uma bofetada. Ele realmente tinha razão, nesse ponto. Ela o tinha salvado inúmeras vezes, mas ele também não ficava atrás. As suas provas científicas vinham apenas a confirmar o que ele dizia muito antes. Era duro, porém, inconfundível. - 'Certo Mulder. O que quer que eu faça.' - 'Você sabe o que fazer Scully. Use suas habilidades médicas achando o porque do desmaio do Ag. de Chicago. Algo me diz que não é próprio do organismo dele. Mas verifique para ter certeza.' - 'Você não pode afirmar isso Muld..' Ele nem ouvia mais. Saía apressado pelo corredor, tomando um rumo desconhecido. Scully não teve outra opção. Começou a pesquisar o real motivo do desmaio. Não havia conseguido nada antes, apenas as afirmações de morte por perfuração à bala do Ag. Frank Stavros e do desmaio do Ag. Steve Burking. Pediu os relatórios médicos. Ainda eram superficiais, os exames completos estavam em andamento. Mas aparentemente estava tudo normal. O agente permanecia em seu sono, rodeado de aparelhos, que mediam todas as funções vitais. Enquanto Scully olhava para os papeis, alguém entrou no quarto. - 'Ag. Dana Scully? FBI? Prazer, eu sou o Dr. George Makenzie.' - 'Dr. Makenzie? Já fizeram análise do sangue do paciente?' - 'Ainda estamos esperando os resultados dos exames, Ag. Scully. Fizemos desde contagem de células sangüíneas, até ressonância magnética do cérebro.' Devido à urgência, não haverão de demorar. - 'Certo...irei esperar os resultados.' PRÉDIO J. EDGAR HOOVER SALA DO PORÃO Neste instante, Mulder procurava apressado no armário dos Arquixo X alguma coisa, qualquer coisa que fosse semelhante ao caso que se estabelecera. Não encontrou nada. A frustação tomava conta de seu corpo e mente. Mas sua intuição lhe dizia que algo estava para acontecer. Encostou-se na cadeira, colocando os pés sobre a mesa. Seu corpo estava dolorido, tenso. Como Scully um dia dissera, os casos as vezes lhe davam efeitos colaterais. Realmente, quando desconfiva que tinham algo haver com o sumiço de Samantha, não ouvia mais nada. Tornava-se uma obsessão a procura pela verdade. Esquecia de viver. E isso lhe fazia realmente mal. Espreguiçou-se , esticando os músculos doloridos. Nem percebera que Diana Fowley o observava sem piscar. - 'Diana...? O que faz aqui?' Assim como Scully, ela não ouvia. Apenas fitava-o com um olhar estalado. - 'Não...de nov.., Diana! Você está me ouvindo!' Ela não respondeu e, veio em sua direção rapidamente. - 'Fox.....você é meu, todo meu. Ela não o terá, nunca.' - 'O que é is..so! Pare Dian...' Ele não conseguia entender o que estava se passando. Ela atirou-se em cima dele, prendendo-o na cadeira com as pernas, usando de uma força descomunal, impedindo-o de se mover. Imediatamente começou a despi-lo, e a si própria. Beijou-o violentamente. Ele tentava esquivar-se, mas não conseguia. - 'O que está acontecendo aqui? Era Skinner, que havia decido à sala de Mulder para discutirem o caso. ' Mulder, Fowley, contenham- se!' Skinner, depois de alguns segundos, percebeu que aquilo não era normal. Mulder debatia-se por debaixo dela. Ela o agarrava com força, arranhando-o e mordendo-o. - 'Sk...Skin..ner.. me ajuda aqui..tira ela d..de cima de m.im....' Imediatamente, ele foi em direção dos dois, e começou a puxá-la pelos braços. Mas ela parecia não sentir. Skinner fazia toda a força que podia, mas não adiantava. Em súbito, Diana Fowley parou. Seu olhar subitamente tornara- se vazio. Mulder a olhava assustado. De repente, ela caiu por cima dele. Havia desmaiado. Mulder empurrou-a enraivecido. Estava todo lanhado ,com a camisa rasgada, os cabelos desgrenhados. Havia sangue em seus lábios, devido às mordidas dela. - 'Vamos para o hospital agora. Você e ela precisam de atendimentos médicos. Skinner olhava para ele incrédulo...Ag. Mulder, mais parece que um caminhão o atropelou! ' HOSPITAL GERAL DE WASHINGTON 11:36 AM Enquanto Scully conversava com o médico, o agente Steve despertou repentinamente. Scully e o Dr. Makenzie entreolhara-se , assustados. - 'Onde estou.....Frank..' O Dr. imediatamente olhou para os aparelhos, preocupado, mas acalmou-se quando viu que estava tudo normal. - 'Ag. Steve Burking?' - 'Quem é você? E onde está Frank?' - 'Sou a Ag. Especial Dana Scully, FBI, aqui de Washington. Gostaria de explicar o que aconteceu, mas primeiro lhe pergunto se está em condições de responder algumas perguntas.' - 'O que aconteceu? Como vim parar aqui?' Scully fez um sinal para o Dr. dizendo que gostaria de conversar a sós com o paciente. Se algo acontece, ela teria como sanar, afinal, era médica, e também o chamaria, caso acontecesse algo mais grave. - 'Ag. Steve Burking, o que tenho para lhe falar...' - 'Já ouvi falar de você Ag. Scully....és parceira do "spooky" Mulder, estou certo?' Scully não gostou da observação do colega, mas deteve-se ao objetivo da conversa. - 'Sim... Agente Burking..' - 'Pode me chamar de Steve' - 'Certo, Steve...não lembras como veio parar aqui?' - 'Não!' - 'Qual é a sua última lembrança?' - 'Bom, lembro-me de ter combinado passar o dia com Frank Stavros, que aliás, é seu colega aqui. Fazia tempo que não o via. As vezes nos encontrávamos para conversar, colocar os assuntos em dia, sabe, essas coisas de amizade. A última coisa que lembro é de ter sentido uma dor de cabeça forte, repentina, quando estava indo para o local combinado. Depois não lembro de mais nada.' - 'Nada?' - 'Absolutamente nada.' - 'Teve algum desentendimento com o Ag. Stavros ultimamente, Ag. Steve?' - 'Desentendimento? Ag. Scully, não me ouviu? Éramos amigos, como irmãos! Nunca brigamos, nem quando éramos parceiros!' - 'Por acaso ele teria algo a revelar, de muita importância?' - 'Como assim..??' - 'Algo...comprometedor....contra algo..ou alguém...' - 'Que eu saiba, nada. Frank sempre foi tão aberto. Não fazia mistério, nunca esconderia alguma coisa de mim.' Scully percebia que a conversa não estava ajudando em nada. Precisava de dados, imediatamente. - 'Ag. Scully! Por que todo esse interrogatório? Onde está o Frank?' - 'Steve...creio que o que lhe direi soe desagradável para você....' - 'Pelo amor de Deus! Aconteceu algo que eu não saiba? O Frank está bem? Alguém o feriu? Fale!' - 'O lugar que vocês combinaram foi um parque municipal de Washington, certo?' - 'Sim!' - 'Bom, quando os encontramos...' - 'Eu estive com ele????' - 'Deixe-me continuar...quando os encontramos, Frank já ..já havia falecido. Você estava ao seu lado, desmaiado, com a arma na mão ainda quente, porém descarregada.' - 'O que....voc..você quer dizer...com isso?' - O Ag. Frank Stavros morreu baleado com um pente inteiro de sua arma, Ag. Steve. E pelos laudos, foi você quem atirou.' Steve Burking não conseguiu mais falar . Seus olhos encheram-se de desespero e agonia, temor e sofrimento. Scully percebeu serem sentimentos verdadeiros. O Agente não agüentou o peso da notícia e desmaiara novamente. Apesar de Scully ver que fora apenas um desmaio, chamou a equipe médica para averiguar melhor seu estado. Concluíram que fora só um desmaio mesmo. - 'O que aconteceu aqui Ag. Scully?' - 'Apenas fiz algumas perguntas e...contei a ele o ocorrido lá no parque.' - 'Pois não deveria, devido ao seu estado debilitado!' - 'Sim, eu sei disso...mas precisava de informações. E não consegui praticamente nada decisivo. Ele não lembra de nada.' - 'Há a possibilidade da mentira, Ag. Scully' - ' Que há, há. Mas vi em seus olhos o sofrimento, a verdade ali dita. Até poderemos usar o detetor de mentiras, mas sei que ele não mentiu.' Skinner entrou abruptamente na sala, interrompendo a discussão dos dois - 'Ag. Scully, aconteceu outro caso semelhante. A Ag. Fowley atacou o Ag. Mulder em sua sala no porão. Assim como todos os outros, depois de o ter atacado, ela desmaiou.' Scully escutava atentamente. Quando ouviu os nomes citados, sentiu medo e raiva ao mesmo tempo. O que ela teria feito com ele? Sua face contorceu-se num semblante apavorado. - 'Mulder!!!! O que ela fez com ele? Onde ele está?? Como isso foi acontecer??' - 'Calma Ag. Scully! O Ag. Mulder está relativamente bem. Me preocupo com a situação da Ag. Fowley.' Ela ignorou completamente a terceira frase dita por ele. Precisava ver Mulder. - 'Me leve até ele senhor!' Quando Skinner apontou para o quarto onde seu parceiro estava, ela correu em direção à porta. Ao entrar, pode ver Mulder sentado na cama, ainda sem a camisa, com vários ferimentos e curativos espalhados pelo peito, costas, braços e rosto. - 'Meu Deus Mulder! O que aconteceu com você? O que aquela vac...a Fowley te fez!' - 'A Diana me atacou.' Mulder falava levemente contrariado, receoso com o efeito daquelas palavras sobre Scully. - 'Te atacou como? Scully denotava preocupação e raiva em seu belo rosto.' - 'Bom.. eu estava em minha sala, revendo alguns relatórios quando ela veio para cima de mim. Nem a vi entrar. Sua "ação" foi tão rápida que não consegui me defender. Ela prendeu-me na cadeira e depois começou a....' - 'Começou...o que Mulder..? Scully queria saber, mas estava receosa pela resposta.' - 'Primeiro a me..beijar..depois a me morder.' - 'Ah ..há...' De preocupada, Scully passou a desgostosa, deixando exalar o ciúme. Mulder percebeu de imediato, mas preferiu não comentar nada...' Bem, pelo que vejo, não estás tão mal assim.. 'suas palavras foram interrompidas quando o Dr. Maquenzie adentrou pela porta. - 'Ag. Scully, os resultados dos exames chegaram.' ALEXANDRIA APARTAMENTO 42 Mulder esperou por Scully a tarde inteira. Ela pediu para que ele voltasse para casa enquanto ela olhava os resultados dos exames feitos no Ag. Burking. Diana Fowley também passou por uma bateria de exames, mas estes ainda não estavam prontos. Estava faminto, pois a única refeição que havia feito fora o pic nic. Scully com certeza também estava. Começou a recordar os últimos instantes antes do disparo....quase haviam se beijado outra vez...estava tudo tão perfeito...mas sempre alguma coisa os interrompia. Até parecia carma! O barulho da fechadura o despertou dos pensamentos e fez com que seu coração pulasse. Era Scully. Mas ela sempre batia na porta... - 'Mulder..tenho revelações bombásticas..' Ao ouvir a voz de Scully, Mulder sentiu novamente o coração pular adoidado em seu peito. - 'Bom, falarei com calma, pois as coisas que descobri lá também irão te surpreender.' - 'Vamos Scully, assim você me deixa nervoso.' - 'Bom, comecei olhando o exame de sangue. Ali mesmo, os médicos e eu já encontramos algo, no mínimo, estranho..' - 'O que..?' - 'Aparentemente, o sangue era normal. Porém, o exame toxicológico acusou uma substância desconhecida. Quando visto em microscopia eletrônica, pudemos contatar a presença de....algo parecido com células estreladas. Mas não eram "células" humanas e nem de qualquer outro tipo de vida. Não era orgânico, mas sim, algum "material" totalmente desconhecido! Poderá ser algum tipo de toxina.' - 'Scully! Lembra daquela vez que contaminaram o Skinner com nanorobôs que entupiram suas veias e artérias, quase matando-o? Só pode ser algo parecido, mas com outro propósito...' - 'Espere Mulder, deixe-me terminar! Em todos os exames de fluídos corpóreos, como urina ,fezes, e secreções glandulares constatamos a presença dessa substância. E ainda mais! No exame de ressonância, encontramos resíduos em todo o cérebro, mas com maior concentração em regiões que comandam a função motora, o comportamento, a memória e, possivelmente, os sentimentos, como o cerebelo, lobo frontal, córtex , hipotálamo e glândula pineal. - 'Scully...estamos lidando com algo mais poderoso do que imaginamos...isso com certeza não é tecnologia terrena...mas sim extraterrestre!' Scully estava a ponto de fazer a sua expressão desaprovadora, quando o telefone de Mulder tocou. - 'Mulder.' - 'Ag. Mulder? A Ag. Scully está com você?' - 'Sim Diretor Skinner, porq...' - 'Venham agora para o Bureau.' Enquanto dirigiam-se ao prédio, permaneceram calados. Estavam com as mentes ocupadas demais, processando as informações recém recebidas. Nem haviam percebido que alguém os seguira o dia inteiro. Ao chegarem na sala de Skinner, Mulder foi logo dizendo: - 'Senhor, temos revelações quentes sobre o caso Steve Burking..' - Primeiro escute-me Ag. Mulder! Novos casos parecidos com esses estão aparecendo em todo país.' - 'Que..como.??' - 'É isso mesmo que você ouviu Ag. Mulder. E não são poucos. Todos envolvendo agentes do FBI. Nem tenho como dar relatos detalhados, pois são vários casos. Alguns bem, como eu diria, antiéticos, como um agente atacar o outro sexualmente...em pleno público...como a Ag. Fowley fez com você. ' Scully nesse mesmo momento arregalou os enormes olhos azuis em direção à Mulder, que também fez o mesmo, rebatendo com uma piscadinha. - '....Outros mais graves – continuava Skinner, sem ver a reação dos dois frente ao seu relato - como agressão, violência, ameaças, e inclusive alguns assassinatos, entre outros. E todos, impreterivelmente, desmaiaram logo depois. Aliás, o que vocês tem para me relatar?' - 'Bom, Skinner, para começar, o que lhe falaremos é um pouco surrealista, mas você já sentiu na própria pele algo parecido.' - 'Do que está falando Ag. Mulder?' - 'Não começa Mulder..... 'Scully irritou-se com o adiantamento impulsivo do parceiro - 'Lembra de quando lhe contaminaram com aqueles nanorobôs? - 'Claro...até hoje penso se não irão me fazer outro atentado...mas o que isso tem haver?' - 'Pois nos deparamos com algo parecido... a Scully..' - 'Deixa que eu explico Mulder. Encontramos algo no sangue e nos tecidos do Ag. Steve Burking, alguma substância que age no em todo o cérebro, porém abrangendo algumas áreas específicas, como comportamento, memória e função motora e emoções.' - 'Bom trabalho Ag. Scully e Ag. Mulder. Mas preciso de algo mais plausível, entendem...' - 'Sei, preciso averiguar melhor o que essa toxina, se é que posso chamá-la assim, faz no cérebro das vítimas Skinner. Voltarei imediatamente ao hospital para fazer mais testes e ...' - 'Não Scully. Você e Mulder estão cansados. Pelo que vi, não se alimentaram o dia inteiro. Vão para casa, durmam bem e recomecem amanhã.' - 'Mas senhor...' - 'Isso é uma ordem Ag. Scully. Para você também Ag. Mulder.' Saíram abatidos do Bureau. Realmente estavam um bagaço. Precisavam se alimentar e descansar. - 'Quem diria hein Scully...o nosso dia perfeito...acabar assim...' Scully o fitou e constatou seu estado deplorável: os olhos haviam perdido o brilho, a pele estava sem viço e as olheiras estavam marcadas... sentiu apreensão de deixá-lo sozinho e decidiu que seria melhor ele dormir em seu apartamento. - 'Vamos para o meu apartamento Mulder. Você precisa de um trato. O trabalho lhe sugou todas as energias. Ela também percebeu que não estava bem. ' - 'Obrigada Scully...' GEORGETOWN APARTAMENTO DA SCULLY 10:15 PM Ao entrar no apartamento, Mulder literalmente jogou-se no sofá, estafado. Scully estava muito cansada também, mas foi direto à cozinha para preparar algo para comerem. - 'Mulder, vou fazer alguma coisa para gente comer, OK?' - 'Certo Scully. Antes de dormir, preciso comer algo, se não amanhã serei apenas mais um corpo em investigações.' Enquanto Scully preparava uma sopa, que realmente, era ideal para um dia como aquele, Mulder foi até seu quarto e deitou-se na cama. Como era bom sentir o perfume da mulher que amava impregnado em todo recinto. Nos lençóis, nas cortinas, no ar.... tudo cheirava a Scully. Ele pegou um travesseiro e o apertou, sentindo como se estivesse abraçando-a. Como gostaria de falar para ela o que realmente sentia. Novamente, pela manhã, algo estragara o clima maravilhoso entre eles. Chegou a sentir a maciez dos lábios delas sobre os seus, aquele toque aveludado e eletrizante, mas que por causa de um tiro, fora estragado. E por que ele levantou-se tão repentinamente! Notara e expressão de desapontamento nela quando ele partia em direção ao tumulto. Ela queria ficar ali com ele! Tê-lo em seus braços! Apreciar seu gosto, sentir seu cheiro e o calor de seu corpo. Mas não, tinha de ir atrás do barulho, da desordem. Agora pensava e culpava-se. Caso não tivesse corrido, estariam agora, felizes, juntos, com seus íntimos revelados, curtindo o dia mais maravilhoso de suas vidas. Ou talvez não.... Na cozinha, Scully pensava. Por que Mulder tinha que agir tão impulsivamente! Estava tão carinhoso esta manhã! Passava mais tempo tocando-a e acariciando-a do que conversando. Ela sabia o que iria acontecer se aquele beijo fosse efetuado. Ela chegou a sentir os lábios dele sobre os dela e o calor que emanava deles. Aqueles lábios grossos que ela tanto desejava tê-los para si. Tinha estragado um momento único, só deles, por causa de um tiro. Está certo que houve um assassinato, mas se eles não estivessem ido naquele parque, justo aquele, estariam, com certeza, em algum lugar bem mais aconchegante. Enquanto picava uma cenoura, novamente os pensamentos perniciosos lhe invadiam a cabeça. Mordeu os lábios, sentindo a excitação aumentar. Não, preciso me controlar...Mulder e eu não estamos em condições de fazer nada além de levantar o braço para levar uma colherada de sopa à boca. Controle-se Dana! Depois de ter picado tudo e posto p/ ferver, resolveu ver onde Mulder se encontrava. Ela procurou pela sala e não o encontrou. Só pode estar....Ai meu Deus...Entrou na ponta dos pés em seu quarto. E lá estava ele, lindo e sereno, dormindo. A tranqüilidade estampada em seu rosto fez Scully sentir uma compaixão enorme. Sentou na beirada da cama. Mulder estava de bruços, firmemente abraçado em seu travesseiro. Havia retirado o sobretudo, por isso deveria estar com frio. Como ela o admirava! Observava seu corpo bem feito e atlético sob as roupas..a curvatura das nádegas perfeitas , as pernas, os braços, as costas largas, o rosto lindo e másculo... Não haveria mulher nesse mundo que não senti-se desejo por ele. Só que ela sentia algo muito mais grandioso, um amor maior do que ela jamais sentira. Elevou de leve sua delicada mão, e ao tocar seus cabelos, percebeu que seu corpo e sua alma imploravam sofríveis por ele. Não agüentava mais disfarçar, morrer de ciúme quando a Diana Fowley dava em cima dele..e depois de desvencilhá-lo dela, deixar por isso mesmo! Ela deveria beijá-lo naquelas horas! Enquanto mexia com os sedosos cabelos de Mulder, ele sonhava. Um sonho maravilhoso, que era o puro reflexo do que iria acontecer depois...Ao poucos foi acordando, sentindo a mão delicada em seus cabelos, seu rosto, passar por seus lábios. Quando Mulder abriu seus olhos verdes transparentes, Scully o fitava com doçura. Continuou a acaricia-lo com as mãos. Ele colocou sua mão sobre a dela, exatamente como ela tinha feito antes, lá no parque. - 'Scully...como é bom acordar e sentir que não estou sozinho....' - 'Você nunca está sozinho Mulder....'Quando você não está comigo, penso como se estivesse, você não sai da minha cabeça, não consigo mais viver um segundo sem sentir sua presença, ou pelo menos, pensar em você.. era isso que ela realmente queria ter dito.. - 'Hum....que cheirinho delicioso....meu estômago está pronunciando-se para esse aroma...' Ele fechou os olhos, expressando prazer. - 'É a minha sopa. Vamos lá, acho que está quase pronta.' Enquanto dirigiam-se para a cozinha, ambos refletiam sobre os acontecimentos do dia, desde a manhã romântica ao tumulto e correria da tarde. Precisavam solucionar o caso, mas não estavam nem um pouco dispostos a conversar sobre isso naquela hora. Serviram-se e resolveram comer na sala, olhando TV, abafados pelo cobertor. Sentaram-se juntos, e Mulder a abraçou como tinha feito lá no parque, só que não permaneceu nessa posição por muito tempo, pois tinha que segurar o prato e a colher. - 'Espere Mulder, tenho uma idéia!' Scully foi até um armário da cozinha e tirou de lá uma daquelas mesinhas de servir café na cama. - 'Boa idéia Scully! Assim colocamos os pratos aí em cima e eu posso te abraçar para nos esquentarmos!' Ele nem imaginava como ela tinha adorado a sua idéia. Era exatamente isso que ela queria dele. Apoiaram a mesa entre suas pernas. Tinham que ficar quase espremidos um contra o outro, por que a mesa não era comprida o suficiente para os deixarem folgados. Entretanto não provocou desconforto, mas sim, os aproximou ainda mais, justamente o que queriam. - 'Meu Deus Scully! Como eu precisava disso! Está delicioso! Mulder falava enquanto sorvia o líquido quente e o sentia descer pela garganta.' - 'É, de vez em quando a cozinheira "baixa" em mim, e acabo fazendo coisas gostosas.' - '"baixa"? Ele olhou-a divertido.' - 'Viu Mulder! Isso é de tanto conviver com você!' Ele riu e a beijou na bochecha, enquanto continuava abraçado a ela. Ela ruborizou novamente, e Mulder adorou ver isso. - 'Você fica linda, vermelhinha desse jeito! Combina com seus cabelos e seus lábios. Dessa vez era ele quem olhava, vidrado para a sua boca em forma de coração.' Ela percebeu o que estava para acontecer. Mulder envolveu o rosto de Scully em suas grandes e quentes mãos, fitando-a com os olhos embebidos de desejo. Seus rostos de aproximaram lentamente. Chegaram tão perto um do outro, que podiam sentir o hálito, o cheiro da pele, a respiração acelerada. Mulder tocava seus lábios nos dela, passando a língua de leve por eles, mas não a beijava. Estava provocando-a. Scully sentia seu sangue ferver, tentou beijá-lo, mas ele desviava, apenas sentindo o fogo crescer por dentro dela. Mulder Passou seus lábios por todo rosto e pescoço dela, sentindo sua respiração ofegante. Ela apenas gemia seu nome baixinho – Mul...der..- Chegou ao lóbulo da orelha, e mordeu de leve, sentindo a pulsação violenta pelas artérias do pescoço dela. Até que ele mesmo não agüentou mais e a beijou. Seus lábios movimentavam-se em sincronia, lentamente. Suas línguas passaram a se tocar , experimentando o primeiro toque, explorando um a boca do outro, sentindo cada centímetro, provando-se mutuamente. Tiveram que se desvencilhar para afastar a mesinha com os pratos, que estava prestes a cair sobre eles. Imediatamente, Mulder sentou no sofá e Scully sobre ele. Ela podia sentir, mesmo por debaixo das roupas, a virilidade que despontava no homem que tanto amava. Recomeçaram o beijo, dessa vez mais intenso, apaixonado, quente. Ela tinha umas das mãos entre seus cabelos e a outra envolvia a sua nuca. Ele passava as mãos sobre uma de suas coxas e outra agarrava-lhe a cintura. Perceberam que ainda estavam vestidos. Mulder a pegou no colo e foram para o quarto. Lá, desvencilham-se rapidamente das roupas. Scully , quase que violentamente, empurrou Mulder para a cama. A visão dele, completamente nu, a sua mercê, era irresistível. Tal como uma gata, foi deslizando seu corpo no dele, tocando-o de leve com os mamilos enrijecidos. Mulder sentia, cada vez mais, algo para implodir dentro dele. Mas deteve-se. Queria sentir cada centímetro daquela pele imaculada, de formas tão perfeitas, que o faziam delirar. Scully devotava toda a sua atenção a ele, distribuindo beijos em seu rosto, descendo pelo pescoço. Passou a acariciar os parcos pelos que espalhavam-se em seu peito, beijando o abdomem definido. Mulder gemia devagar, sentindo o maravilhoso toque daqueles lábios. Scully sentou-se sobre ele. Ambos olhavam um ao outro com carinho, mas embargados de desejo e aflição. Ficaram alguns segundos assim, um curtindo a expressão ansiosa do outro. - 'Scully....' Mulder falava com dificuldade....'sempre pensei em contar-lhe o que assolava meu coração e meu corpo durante todos esses anos....mas sempre tive receio de sua resposta...' - 'Mulder...só você mesmo para não enxergar o que já estava descrito em meus olhos... sempre o amei..no começo pensava que era só amizade...mas depois percebi que o amava tanto a ponto de não falar-lhe, também receando a sua reação.. - 'Ahh..Scul..ly...você sabia dos meus reais sentimentos por você! Já havia te falado, mais de uma vez alias....mas você sempre parecera não acreditar... ..Scully..eu te amo mais do que eu mesmo... ' Scully precisava dele imediatamente! Seus olhos estavam marejados de lágrimas. Colocou de leve sua pequena mão sobre os lábios de Mulder, fazendo- o calar. - 'Mulder....eu quero você agora...mas devagar...quero senti-lo minuciosamente...' Na medida que sentia toda a imensidão adentrar-lhe, Scully agora tinha a certeza que Mulder era o amor de sua vida . Nunca sentira algo assim antes. Já havia feito amor com outros homens, mas nunca com tamanha paixão. Percebeu que das outras vezes faltara alguma coisa. E agora não. Estava completo. Seu coração pulava descompassado, dando-lhe a impressão de que saltaria peito afora. Mulder sentia lentamente a maciez da parceira. Aquilo era uma dádiva dos Deuses. Ver Scully ali, servindo-se dele como bem entendesse, era extasiante. Podia ver em seu rosto o prazer, misturado a dor e satisfação enquanto scully soluçava e gemia, fazendo lentos movimentos circulatórios . Tocava os seios perfeitos delicamente, apreciando a sensação de tê-los pela primeira vez. Como ela era linda! E agora seria dele, para sempre. Quase não conseguia mais pensar, pois a onda prazerosa que lhe invadia as carnes crescia a cada movimento de Scully. Aos poucos, ambos sentiam que o clímax chegava. Scully não mais gemia, quase gritava. Uma de suas mãos estava enlaçada com a de Mulder e ele sentia a força com que ela lhe apertava os dedos. Estavam totalmente encharcados, tamanho esforço físico. Mulder elevou o tronco, apoiando-se na cama com um dos braços, enquanto o outro perdia-se por entre as nádegas de Scully, tracionando-as contra seu corpo. Beijava-a avidamente, abafando os gemidos intensos nos lábios dela. Até que o momento maior chegou, explodindo em tamanha sensação que Scully quase pulava sobre ele, enquanto Mulder contorcia-se sob ela. Mulder estava fervendo, quase febril, e Scully mal conseguia respirar. Aos poucos foram deixando a maravilhosa sensação de relaxamento invadir-lhe os corpos. Permaneciam ainda enlaçados. Ele a abraçava ternamente, deixando a cabeça pousar delicadamente entre os seios dela, enquanto ela envolvia seu rosto e mãos nos sedosos cabelos dele. Continuaram abraçados assim por alguns minutos, curtindo o momento único. Quando iam desvencilhar-se, uma repentina dor de cabeça afetou . Sentiu- se tonta, e tudo ao seu redor começou a girar. - 'Mulder....está acontecendo alguma cois..a comigo...estou tonta...' Antes mesmo de acabar de falar, ela desmaiou em seus braços. Mulder não teve tempo nem de socorrê-la, pois também começou a sentir a mesma coisa que ela, não levando segundos para cair desfalecido. GEORGETOWN - APARTAMENTO 35 SEGUNDA-FEIRA - 2:00 PM - O tilintar infernal do telefone foi aos poucos tirando Mulder de seu sono pesado. Ouvia o barulho muito baixo, bem longe, incomodando-o em seus sonhos. O ruído inconveniente parou, e ele quase voltou a dormir, até que percebeu a claridade do dia. Antes de abrir os olhos, recordou o sonho. Novamente fora com Scully, só que dessa vez, eles haviam ido até o final. 'Até o final....só eu mesmo para imaginar isso...mas foi tão real..' Enquanto pensava, parecia ainda sentir o peso dela sobre seu corpo, o cheiro inebriante que exalava de sua pele macia. Ao abrir os olhos, olhou para o teto e não reconheceu ser o de seu apartamento. Tentou levantar-se, mas foi daí que viu realmente que Scully estava deitada sobre ele, com as pernas ao redor de seu quadril, os seios comprimidos em seu peito ,o belo rosto encostado em seu pescoço e as delicadas mãos envoltas em seus cabelos. Meu Deus! O que estou fazendo aqui?? E ela nua, por cima de mim! Mas foi apenas um sonho Mulder, você ainda está sonhando... Ele não conseguia acreditar no que via. Ela parecia estar na posição em que eles....Não pense besteira Mulder.. Nesse momento sentiu-a se mexer. Ela está acordando...o que farei agora? Scully começou a despertar, e logo sentiu dores nos joelhos, como se tivesse dormido com as pernas dobradas. As poucos foi acordando, mas logo teve uma sensação estranha, como se alguém estivesse por debaixo dela. Sentia algo que pareciam cabelos entre os dedos e o cheiro de Mulder era forte perto de suas narinas. Em súbito abre os olhos azuis e depara-se novamente com os lindos olhos verdes, agora assustados de Mulder. - 'Mulder!!!!!' - 'Scully!!' - 'O que você está fazendo em baixo de mim!' Ao falar isso, percebeu que estava nua, e ele também. Sentiu algo entre suas pernas e ruborizou intensamente. - 'Meu Deus Mulder! O que aconteceu aqui!!' - 'Não me pergunte Scully por que eu não sei! A última coisa que me lembro é de estar tomando a sua sopa!' - 'A sopa? Ah , claro.. mas e depois? Minhas lembranças vão até aí. - Scully...por favor..eu já estou com o corpo dormente... - Mulder! Não se mecha!! Aos poucos ela foi se afastando, tentando evitar de olhá-lo, pois a vergonha que sentia era enorme. Arrastava-se por cima dele, para que Mulder não enxerga-se mais do que seu rosto. Quando chegou na beirada da cama, desequilibrou e caiu. O estrondo fez Mulder se assustar, mas antes dele se mover em sua direção, ela falou: - Mulder, se você se mexer eu te mato hein! Fique aí! Eu estou bem, apenas me desequilibrei! Ela se ajoelhou na beirada da cama, bem encostada, com as mãos sobre o colchão. Fitava-o nos olhos, evitando de olhar para o seu corpo, imóvel, como ela pedira. Mas não conseguia. Mulder era perfeito, era difícil não apreciar aquela escultura sobre sua cama. - 'Mulder...eu vou sair daqui, bem devagar e você não vai me olhar! Melhor, Deita de bruços!' - 'Você pediu para eu não me mexer..' - 'De bruços, anda!' Enquanto ele virava-se, ela desviou o olhar. Agora ele jazia com as costas para cima. Para Scully! Pare de olhar para ele...para aquela bunda maravilhosa..para!! Ela pensava. - 'Ok Mulder, coloque o travesseiro em cima de sua cabeça.' - 'Qual é Scully! Já te vi nua! Para de bobagens! Agora já está demais!' Realmente ele estava certo. Ela estava sendo infantil. Mas a vergonha que ela sentia era tamanha que não conseguia conter as palavras. - 'Certo..então eu vou ao banheiro rapidamente. Enquanto isso, vista-se.' Quando ela levantou-se , ele não pode evitar de olhar para aquele corpo em forma de violão, de coxas grossas, bumbum farto e redondo , cintura marcada e seios perfeitos e simétricos. Scully não era o biotipo na mulher americana, geralmente alta, com seios enormes ,quadris estreitos e pernas finas e compridas. Ela era diferente, com um corpo mais feminino, macio, inebriante, exalando fertilidade - que lhe fora roubada. Por que haviam feito isso com ela? Minha Scully! Tão linda! Ele pensava, com o olhar entristecido. Quando ouviu a porta do banheiro bater , levantou-se, a procura de suas roupas. Foi aí que viu a "baderna" em que estava o quarto dela. A cama estava revirada, as roupas espalhadas pelo chão..Parece o meu quarto...Ah Scully.... Vestiu-se e foi para a cozinha. Tinha que pensar no que iria dizer a ela, afinal, o sonho dele foi exatamente, ou pelo menos, parecido com o que "aparentemente" ocorrera ali. No banheiro, Scully decidiu tomar um banho rápido. Não entendeu o que acontecera naquele quarto, naquela noite que parecia ter passado em branco para ela. Não lembrava de nada. Absolutamente nada. Foi daí que teve um estalo: Os casos...os desmaios...a perda de memória...o ataque da Fowley...Meu Deus! Aconteceu conosco! Apressou-se, para contar o que pensava a Mulder. - 'Mulder?' - 'Estou na cozinha Scully.' - 'Eu sei o que aconteceu! Percebi isso agora! Fomos vítimas da substância!' - 'Os casos? Como Scully? Está certo que não lembro direito, mas sonhei com o que aconteceu ontem a noite..' - 'Como assim..., sonhou? Novamente ela arqueava a charmosa sobrancelha direita.' - 'Errr...você quer mesmo saber? A expressão dele denotava receio. Bom, pelo meu sonho, depois da sopa...nós fomos para o seu quarto e..' - 'Poupe-me dos detalhes Mulder...ela sentia as bochechas cheias de sangue quente. Quer dizer que você lembra? - 'Não lembro Scully. Eu sonhei com isso. Quando acordei, percebi que não havia sido somente sonho...só se alguém nos colocou naquela posição...' - 'Mas como? De todos os casos, ninguém lembrou-se de nada! Nem ao menos sonhou! Precisamos ir ao hospital imediatamente fazer exames....temos que saber se aquela substância está em nosso corpo...' EM ALGUM LUGAR DESCONHECIDO.... A sala estava escura. Haviam muitos homens ali. A reunião havia sido marcada depois dos acontecimentos. Realmente tudo havia ocorrido como previsto. A nuvem fumarenta que exalava de um deles incomodava os outros, mas os protestos não adiantavam. Fumava um cigarro após o outro. Seu rosto denunciava o vício: era marcado por vincos e rugas profundas, demonstrando o estrago do mau hábito sobre sua pele. - 'Tudo está ocorrendo como o planejado....um dos homens dizia.' - 'Realmente, ainda estamos na fase experimental. O real motivo é o controle total da mente dos agentes...' - 'Eles ainda agem liberando seus instintos, seus mais profundos desejos... nosso "material" está funcionando como o previsto. Testamos sua função real em um dos agentes, e o resultado foi o esperado.. era o fumante quem falava.' - 'Pois acho que devíamos tomar mais cuidado....A Ag. Scully, um de nossos alvos já está pesquisando sobre os ataques..' - 'Não se preocupe. Quando atingirmos a dosagem adequada, ela estará em nosso completo controle. Igualmente como o Ag. Mulder, nosso alvo principal.' - 'Temos que ter cuidado com Mulder...nunca devemos subestimar seus instintos....são mais fortes do que pensávamos...já sobreviveu a fatos quase impensáveis...e seu organismo poderá reagir de outra forma... - 'O fato da substância ser eliminada pelo corpo está a nosso favor. As provas facilmente serão perdidas, sem tempo para maiores estudos. - 'Ainda temos tempo...a essas horas o primeiro sintoma já os deve ter afetado...não demorará muito para que aconteça o ataque final...apenas temos que os manter contaminados... HOSPITAL GERAL DE WHASHINGTON 2:40 PM Mulder e Scully haviam acabado de fazer os exames. Como demoraria um pouco para saírem os resultados, resolveram checar como estavam o Ag. Steve e a Ag. Fowley. O Ag. Steve Burking estava completamente recuperado. Ainda havia resquícios da substância em seu corpo, mas provavelmente não causaria nenhum dano. Continuava não lembrando de nada. A Ag. Fowley estava melhor e, novamente, não lembrava do acontecido. - 'Fox..o que aconteceu comigo?' - 'Diana Fowley - era Scully quem falava, exprimindo o tom ácido - você atacou o Mulder na sala do porão.' - 'Ataquei? Como?' - 'Não iremos entrar em detalhes. Apenas fez um leve "estrago", como pode ver. ' Diana nesse momento olhou para os arranhões no rosto e para o pequeno corte nos lábios de Mulder. - 'Eu fiz isso com você Fox? Ela continuava querendo receber uma resposta dele.' - 'Pois é Diana, você se botou em cima de mim... o Skinner teve que intervir, tentando livrar-me de você..' - 'O Skinner??' - 'Sim, ele viu a cena toda'. - 'Você lembra de alguma coisa, Ag. Fowley?' Scully queria acabar com aquela conversa entre eles. Ela ainda perguntava-se se Mulder não percebia como isso a incomodava. - 'Não...não me recordo de absolutamente nada. Alias, a última coisa que estava fazendo era ir à sala do Fox para perguntar sobre o caso. Queria ajudá-lo, pois as minhas opiniões batem com as dele..' - 'Não estamos interessados nisso Ag. Fowley - Scully parecia largar fagulhas mortais em direção à Diana. Seus olhos faiscavam de ódio.' - 'Deixe-me continuar Scully! Você está alterada! Mulder...a última coisa que lembro foi a de estar caminhando em direção à sua sala. Depois tudo apagou.' Scully estava a ponto de lançar-se em cima daquela mulher, aquela ameaça entre ela e Mulder. Não agüentava aquele tom de voz insinuante, aquele rosto que lhe provocava náuseas ..Agora percebia que ainda não estava normal. Teve que sair da sala, porque não agüentaria por muito tempo.. - 'Scully..aonde você vai?' - 'Preciso tomar ar puro Mulder. O atmosfera aqui dentro está muito pesada.' - 'Deixe Fox....fique aqui e converse comigo.' Falava justamente naquele tom que Scully tanto detestava. Me conte o que aconteceu....me fale...preciso saber..' - 'Agora não Diana. Preciso falar com a Scully..ela definitivamente não está bem..' - 'Mas sou eu que estou nessa cama de hospital Fox! ' - 'Me espere, já volto..'E saía apressado na direção em que Scully tomara. Scully caminhava rápido, e tinha uma das mãos sobre a cabeça. Não entendia o porque de tanta angústia ao ver Mulder com Diana. Sentiu sua garganta fechar e os olhos encheram-se d'água. Não sabia o porque de tal reação, ela que sempre fora tão forte, controlada. Não gostava de mostrar seus sentimentos. Quase nunca chorara na frente de Mulder. Foram raríssimas as vezes que isso acontecera. Já vira Mulder chorar várias vezes. Não que fosse fraco, longe disso. É que Mulder agia muito por sentimento, era sensível o bastante para perceber o "oculto". Tinha um sexto sentido fortíssimo, mais forte do que qualquer mulher. Scully, absorta em seus pensamentos, nem percebeu Mulder chamá-la. - 'Scully....espera.. Scully..' A essa hora ela já estava do lado de fora do prédio. Mulder correu e a alcançou. Ao virar-se para ela, viu os olhos vermelhos, a expressão dolorida. - 'O que ouve Dana? Nunca a vi assim!' - 'Ahh..Mulder..' Sua voz estava embargada... Mulder a abraçou carinhosamente. Enquanto alisava seus cabelos, falava palavras doces, de acalento, tal como faria com uma criança. Scully agarrou- se ao abraço com toda força, como se fosse perdê-lo ao soltá- lo. Mulder percebeu o desespero dela, sem saber o porque, mas queria acalmá-la a todo custo. - 'Calma Dana...eu estou aqui...não se preocupe...nunca a deixarei.' Como ele era magnífico! Ele pronunciara aquilo que era queria ouvir. Seu talento para "adivinhar" o que as outras pessoas pensavam o faziam mais do que especial. Nesse momento Scully não pode conter as lágrimas e começou a chorar, abraçada a ele. O desespero dela o deixava confuso, mas igualmente desconcertado. - 'Me conta o que te aflige Scully...assim você me deixa preocupado! O que tanto a atormenta? - 'Mulder...acho que é essa substância que está fazendo isso comigo...eu não sei.....é como se tudo o que eu guardei em meu peito durante esses anos todos estivesse aflorando de uma maneira tal que eu não posso controlar!' - 'Eu sei Scully...tenho estado esquisito também....agora é que eu me sinto um Spooky mesmo.... - 'Aii Mulder....Ela riu, em meio às lágrimas. - 'Calma, tudo vai acabar bem. Nós precisamos descobrir quem está contaminando o FBI e porque. E eu preciso de você nisso. Não só no caso, mas porque você me tira o vazio que tenho aqui Scully' - ele pegou a pequena mão dela e a colocou sobre seu peito - 'te falei tantas vezes o que sinto...mas você nunca acreditou...quem sabe agora essa "coisa" em você abra os seus olhos!' - 'Mulder...não sei o que faria sem você...eu te a... A declaração súbita de Scully foi interrompida pelo Dr. Makenzie, que trazia o resultado dos exames. - 'Ag. Mulder e Scully, preciso falar-lhes.' Foram até a sala do Dr. que explicou que eles foram contaminados pela "substância" misteriosa. Pelos exames, Mulder estava com uma quantidade muito maior do que Scully, só que os efeitos em seu corpo não foram tão evidentes e fortes quanto no dela. Era como se o corpo de Mulder conseguisse atenuar os efeitos da substância, que o afetava levemente, mas não a ponto de perder a consciência. - 'Talvez seja por causa dos hormônios...quem sabe essa substância tem efeito mais devastador em hormônios femininos, enquanto em um homem o efeito é menor. - 'Sua teoria poderia estar certa, Ag. Scully, apenas por um detalhe: O Ag. Burking tinha a mesma quantidade de substância que você apresentou em seu corpo. Quer dizer, muito inferior ao do Ag. Mulder. E isso não o impediu de fazer o que fez. Scully olhava incrédula para Mulder. - 'Mulder! Você realmente não é desse planeta.' Ou seria porque...daquela vez que você adoeceu.... - 'Quem sabe Scully...já fizeram tantas coisas comigo, que talvez meu organismo tenha mutado para um estado intermediário e...' - 'Mulder..por favor...cale a boca...' Ela sabia que ele falara aquilo só para ela irrompê-lo... Dr. Makenzie..pelos exames, sabe-se agora que a substância age no cérebro, especificamente em determinadas áreas. Como age sobre nosso comportamento, e em áreas que regem a memória e os sentimentos, pode-se dizer que ela faz com que as pessoas afetadas liberem seus mais profundos instintos, não conseguindo conter-se. Por isso os ataques pouco comuns, como o da Ag. Fowley...Scully olhou para Mulder com cinismo. - 'Então Scully, esse "negócio" age liberando os nossos mais profundos instintos, desejos e fantasias, fazendo com que as pessoas os realizem sem conseguir contê-los.... - nessa hora olhou para ela e piscou maliciosamente - Mas , mesmo quase tendo certeza disso, lhe pergunto: Como o Ag. Burking matou o Ag. Stavros se eles eram amigos de longa data e se davam muito bem? Isso não tem a ver com instinto Scully.... Ela ficara sem ação. Não sabia como responder aquela pergunta, tão óbvia. É claro que o que afetou o Ag. Burking foi a tal substância, mas de um modo diferente. Sabia que ele não mentira quando falara sobre sua amizade com o Agente morto. - 'Por favor Doutor, preciso falar com a minha parceira a sós. - 'Claro...estarei monitorando os dois agentes...qualquer coisa me chamem. Eles ficaram sozinhos na sala do médico. Scully sentia- se novamente insegura de seus atos. Mas Mulder parecia totalmente seguro de suas atitudes. - 'Scully....isso está me cheirando a conspiração...Essa substância não está se disseminando a troco de nada...O que eu quero dizer que esta "coisa" foi planejada..um meio de nos controlar.. inspecionar nosso trabalho, não só o nosso como o de todo FBI..Querem saber o que fazemos...no começo, nos testam vendo o que essa droga faz em nosso organismo...depois, que não sei dizer como, fazem com que ela nos comande, apagando nossa memória. Nos tornamos apenas marionetes de um jogo pernicioso e altamente confidencial..uma maneira de esconder os segredos que guardam nos mais profundos arquivos governamentais... Scully escutava boquiaberta as palavras de Mulder. De onde ele tirava tantas conclusões? Realmente seu cérebro trabalhava muito a frente, extraindo explicações precipitadas e totalmente sem fundamento, mas que encaixavam-se perfeitamente nos arquivos X. - 'Mulder...você pode Ter razão.' Dessa vez foi Mulder que olhou para ela confuso. Scully aceitando sua teoria sem interromper-lhe, chamar-lhe de impulsivo, dizer que o que fala é impossível de ser provado.... - 'Scully? Você está bem? - 'Por que Mulder?' - 'Não..é que..você sempre refutou minhas hipóteses...o que a fez aceitar desta vez?' - 'Não sei Mulder...algo dentro de mim me fala para acreditar em você...' Ele limitou-se a sorrir. Apesar de estranhar, estava gostando das atitudes dela. Scully estava mais aberta, se expondo mais. Sentia uma compaixão enorme, mas ao mesmo tempo, receio. Isso poderia a por em perigo. O médico entrou, cortando o assunto dos dois. Sugeriu passarem a noite no hospital, para maior segurança. Ambos preferiram não. Tinham que trabalhar ainda, e depois, estavam cansados. Preferiram passar a noite em seus respectivos apartamentos. GEORGETOWN APARTAMENTO 35 8:30 PM Depois de investigarem o dia todo, entre hospitais, testemunhas, no Bureau revendo relatórios, Scully e Mulder chegaram a conclusão que os agentes do FBI estavam sendo alvos de um plano secreto para esconder segredos do governo. Não possuíam provas conclusivas, mas apenas fatos. Scully até aquele momento se perguntava como havia acreditado em Mulder de imediato. Nunca fizera aquilo. Mas ela sentia tão próxima a ele que aceitou suas palavras sem discutir. Ainda precisavam descobrir como estavam sendo contaminados. Quando o Dr. Mazenzie perguntara se eles iriam passar a noite do hospital, quase que ela soltava novamente uma atitude impensada. Quase abrira a boca para falar que passaria a noite com Mulder. Mas conteve-se a tempo. Sugeriu daí cada um dormir em sua casa. E se acontecesse de novo? Até isso não teria problema. O problema é que não lembraria de nada. Dana Scully! Olha o que você está pensando!! Que cérebro pernicioso! Esses pensamentos libidinosos estão causando danos em minha cabeça...posso ficar com seqüelas... Resolveu tomar outra ducha fria. Estava suando muito. No chuveiro, sentia a sensação gostosa da água gelada caindo sobre sua pele quente.... pareciam pequenos canivetes lhe cortando a carne..Agora virei masoquista....que isso.... Começou a imaginar o que teria feito com Mulder na noite anterior....Lembrou da manhã de domingo, em que vira ele somente com aquela calça jeans justa, sem camisa e suado . Mulder tinha um sex appel incrível, que talvez nem ele mesmo percebesse. O corpo másculo o viril dele lhe provocava frios na barriga e sua nuca arrepiava-se. Sentia o desejo novamente invadir-lhe as entranhas, estagnando na parte inferior de seu corpo.. Meu Deus...aquele corpo...aqueles olhos...aquela boca que tanto quero.... Para Dana!!! Você precisa parar com isso! Eu estou enlouquecendo! Saiu apressada do chuveiro e vestiu o pijama e o chambre. Percebeu que estava com muita sede. E também precisava apagar o fogo que sentia por dentro. Foi a até a cozinha, abriu a geladeira e bebeu água na jarra mesmo. Dava grandes goles, deixando algumas gotas escorrerem pelo pescoço. Aquilo a fez tremer novamente. Não conseguia parar de pensar em Mulder um segundo sequer. Isso a estava torturando. Colocou a jarra de volta à geladeira e a fechou. Agora precisaria pensar no que iria comer. Um sanduíche natural com suco de laranja...é, isso mesmo. Enquanto preparava o lanche, uma dor lancinante e repentina lhe invadiu a cabeça, apertando-a como uma prensa. A única coisa que conseguiu dizer antes de cair foi: - 'É a água.....' ALEXANDRIA APARTAMENTO 42 8:35 PM Mulder estava cansado e abatido. O dia novamente havia lhe sido fatigante. Scully tinha razão quando dizia que ele era obcecado demais pelos casos, esquecendo de viver. Scully.... A lembrança do sonho lhe invadia a mente novamente. Aquilo o fez queimar por dentro. As imagens permaneciam nítidas e lívidas, como num filme. Scully se entregando a ele, confessando seu amor por ele, dizendo que o queria...lembrava de sua expressão quando atingira o clímax...nunca esqueceria daquilo. Fora um dos sonhos mais reais que havia tido. Sonho? Mas como! Ela acordou ainda enlaçada a mim....e depois a visão daquele corpo que tanto desejo totalmente junto do meu..pele com pele..Ainda podia sentir o perfume de seus cabelos. Enquanto tirava as roupas para tomar um banho, sua mente viajava, lembrando do que havia acontecido. Não sabia como podia lembrar, pois todos os agentes afetados pela droga não lembraram de nada..até Scully.. Do lado de fora do prédio, um homem observava o apartamento de Mulder dentro do carro. Pegou o telefone e ligou. - 'É agora....' ALGUNS MINUTOS MAIS TARDE Mulder tomara outra ducha fria. Colocara sua calça pijama, e mesmo estando frio, não colocou camiseta. Enquanto estava na cozinha, vendo o que iria comer, ouviu um leve ruído em sua porta. Sentiu sua nuca arrepiar. Tateou-se à busca da arma, porém lembrou que havia deixado no sofá da sala, junto ao casaco. Empunhou uma faca de cozinha e ficou à espreita. Qual não foi seu alívio ao ver Scully. - 'Ahh...Scully, você quase me mata de susto! O que veio fazer aqui?' Olhando-a melhor, pode ver a expressão presenciada por ele no dia anterior. Havia algo de errado com ela. Scully o olhava com os olhos estalados, sem piscar. Imediatamente pegou sua arma e apontou para ele. - 'Não Scully!!!! Não faça isso! Por favor!!!' Ela parecia não lhe escutar. Estava a ponto de apertar o gatilho quando ouviu, muito distante uma voz....parecia de Mulder. - 'Por favor Scully!!!!! Me ouça!!!! Não se deixe comandar por eles!! 0Scully! Eu te amo!! Você não pode fazer isso!! Eu quero viver minha vida com você, fazê-la feliz, nãooo!!!' Ela tinha que obedecer. Seu cérebro lhe dizia. Ouvia as súplicas de Mulder...o amava, mas precisava fazer. Seu dedo tremia no gatinho...uma lágrima escorreu pelo seu olho direito. Mas não conseguia conter o comando...e atirou. CONTINUA............ _____________________________________________________________ ________________ _____ Se vocês chegaram até aqui, parabéns! Espero que tenham gostado! Iria fazer tudo em uma só, mas ficaria muito grande....além do mais que deixá-los com água na boca...... FEEDBACK PLEEEEEEAAAASSSSE!!!! PRECISO SABER O QUE VOCÊS ACHAM!!