Título: La pietra preziosa (A pedra preciosa) Autora: Tayana Classificação: half-shipper Censura: - Spoiler: - Sinopse: Um agente interpõe-se entre Mulder e Scully, fragilizando a relação. A situação fica ainda pior quando Mulder descobre que ele não é um agente e que sua parceira corre sérios riscos de vida. Disclaimer: As personagens presentes nessa fanfic são de propriedade de CC, da 1013 Productions e da Fox Network. Utilizados apenas com o intuito de divertir os milhões de fãs. Sem fins lucrativos. Considerações: Ainda estou aprendendo a fazer Fics. Por isso considerem maiores problemas nas situações e diálogos... Nota: Fanfic baseada no longa metragem Armadilha com Sean Connery e Katharina Zeta Jones. (Todos os direitos reservados, sem fins lucrativos) Feedbacks: tay.fm@bol.com.br. Por favor, escrevam falando bem ou mal. La pietra preziosa Washington D.C. Prédio J. Edgar Hoover – Sede do F.B.I. 12/08/00 – Quarta–feira - 8:45 a.m. Sala do Diretor Assistente Skinner "Bom-dia." – Mulder entrou, fechando a porta atrás de si – "Desculpe o atraso, senhor." "Deixe-me apresentá-lo ao Agente Especial Steve Howkie." – disse Skinner seriamente – "Ele é do departamento anti- sequestro de Chicago." "Muito prazer" – cumprimentou Mulder apertando a mão do agente. Steve Howkie tinha os cabelos loiros e os olhos azuis. Alto como Mulder, mas bem mais forte. "Eu apresentava à Scully o material que Howkie nos trouxe." – começou Skinner, enquanto Mulder trocava um olhar de Bom-dia com Scully, e permanecia de pé olhando para Howkie que ocupava o lugar que de costume era seu. – "Temos um problema, um sequestro, que envolve um técnico da USAF (United States Air Force)..." "O sequestrado é um cientista de extrema importância. Está desenvolvendo um projeto para extinguir o consumo de combustível dos aviões, uma técnica cara, no início, mas revolucionária." – continuou Howkie, explicando aos agentes o principais detalhes do caso. Especialmente à Scully que parecia interessadíssima. – "O problema começou quando Brian Lucky, o cientista, encomendou o material e, ao invés de chegar as peças pedidas, o que veio foi um aviso." "Que é este?" – concluiu Scully, passando uma xerox a Mulder. "Exatamente." – ele confirmou olhando-a nos olhos, cena que não passou despercebida para Mulder – "Aí diz que, a menos que o Dr. quisesse morrer e perder sua família, ele deveria entregar a peça principal do projeto a um grupo não identificado. E mais, ninguém poderia ficar sabendo das ameaças." "E que peça é essa?" – perguntou Scully passando a pasta do caso a Mulder, sem tirar os olhos do agente italianão. "Nós não sabemos. Quando o Dr. no avisou nós tratamos de providenciar máxima vigilância a ele, mas quando chegamos à sua casa, não havia nem sinal de Brian ou do projeto." "Brian?" – perguntou Mulder com uma pontinha de ironia... "Sim... Dr. Lucky..." – o agente respondeu um pouco tristemente. "Eram íntimos?" – Mulder inqueriu desconfiado... "Era um velho amigo, desde que prestamos o exército, que nós eramos grandes amigos." – Howkie explicou melancolicamente. "Sinto muito" – Scully disse tentando apoiar o agente. "Foi por isso que me envolvi tanto no caso. Lucky é um grande amigo...Bem, como ele estava desenvolvendo tudo sozinho, sem uma equipe, não conseguimos descobrir que peça seria essa. A única coisa que sabemos é que era muito cara." "E porque não perguntam à empresa que o Dr. fez as compras qual era o material?" – Skinner perguntou. "Porque não sabemos qual a empresa que foi contratada, esse serviço ficava todo nas mãos de Lucky e seu pai. O governo costuma liberar o dinheiro no final do projeto e pagar todas as despesas, aí sim é que os dois prestavam contas de nomes e números." "E o que o pai dele tem a ver com isso?" – perguntou Mulder. "Trabalhavam juntos. O Dr. Kevin Lucky era um excelente físico, mas sumiu, um dia antes de Brian." "Onde era a base em que trabalhavam?" – Scully perguntou, enquanto levantava-se . "Ao sul de Indiana. "Agentes eu espero que resolvam este caso, agora eu peço licença pois tenho uma reunião." – disse Skinner levantando-se, não dando tempo aos protestos de Mulder. Os três se retiram e Mulder observou a parceira caminhando ao lado do agente com sotaque italiano. Eles pareciam se conhecer a um certo tempo principalmente porque o agente tratava Scully pelo primeiro nome. "E Louise, como ela está?" – perguntou Scully. "Ah, não vejo Louise há quase 5 anos, Dana. Se lembra do nosso inverno no campus de treinamento?" "Lembro, claro. Foi quando eu e Louise saimos de Quântico, nosso último inverno juntas depois de dois anos de amizade..." "Louise sentiu muito sua falta quando fomos para Oregon, ficamos juntos até o final de 94, mas algum tempo depois, eu já estava na divisão anti- sequestro de Chicago, e fui designado para o caso do sumiço de Rob." – ele comentou se lembrando de boas épocas. "Lembro-me bem como foi, de como Louise amava o irmão, como fazia tudo por ele... Eu fiquei sabendo do sequestro." "Sim, ela nunca mais foi a mesma. Saiu do F.B.I., foi internada, com problemas no coração, depois casou-se. Sofreu muito quando Rob foi morto." "É uma pena, ela era uma ótima pessoa." – Scully sorriu, triste pelas lembranças. Mulder sentia-se cada vez pior com o assunto tão íntimo dos dois. Saiu do elevador e encaminhou-se para sua sala, seguido por Scully, que indicava a sala ao agente Howkie que iria até seu carro buscar algumas coisas. Ele entrou. Ligou seu computador, e virando-se para Scully, surpreendeu-a num belo sorriso. "O que há, Scully?" "Nada, por que pergunta, Mulder?" – ela sobrepôs a indagação da parceiro mal-humorado. "Conhece-o de onde?" – ele perguntou por sua vez. "De Quântico. Era namorado de uma grande amiga, uma relação secreta, por causa das proibições, e era lindo, saíamos todos juntos, passavamos férias juntos... Louise foi o amor da vida de Howkie." "Ah..." – Mulder fez um gesto meio de desprezo, de desinteresse – "Ele é italiano?" "Sou." – repondeu Steve entrando na sala e encarando Mulder – "Nasci na Itália, mas estou aqui desde os dois anos. Minha família é toda italiana." "Ah..." – Mulder repetiu o gesto que havia feito há pouco. "Já tenho as passagens, Dana." – ele virou-se para a agente. – "Com destino à Indianápolis. A Base fica em seus arredores." Base da USAF – proximidades de Indianápolis 13/08/00 – Quinta-feira - 3:40 p.m. Mulder e Scully estavam na base aérea desde cedo, mas não haviam encontrado nada de relevante. O clima era estranho. Mulder demonstrava um mal-humor incomum, e Scully estava sorridende, de uma maneira incomum, também. Claro estava, para Mulder, que sua parceira e Steve haviam retomado uma antiga amizade, e que isso de alguma forma representava perigo. A única coisa que teve certeza foi que o caso nada tinha de Arquivo X, logo, nada a ver com eles, mas Scully nem se deu ao trabalho de discutir, apenas disse que fariam o que deveria ser feito e voltariam para casa. Nenhuma prova substancial foi achada. Tanto Brian como o pai haviam sumido sem deixar rastros, o bilhete não apresentava nenhum tipo de marca que pudesse levar ao tal grupo, o projeto havia sumido, não havia nenhuma anotação, rascunho, ou programa, nem em cadernos, nem nos computadores. Ninguém sabia qual era a tal peça, e não foi identificada nenhuma chamada telefônica suspeita. Mulder foi até o quarto onde Scully estava alojada para discutir o caso com ela e surpreendeu-se ao entrar no quarto e encontar Steve Howkie sentado na poltrona conversando, animadamente, com Scully que estava sentada em frente à escrivaninha, fazendo anotações. "Atrapalho?" – perguntou quando entrou e percebeu que não foi notado. "Mulder! Entre! Discutia com Steve o caso." – ela disse levantando-se e mostrando algumas anotações a Mulder – "Steve me deu o endereço do Dr. Brian Lucky fora da base, no subúrbio de Indianápolis." "Pretendem ir lá?" – Mulder inqueriu, engolindo em seco, ressentido por sua parceira, que sempre discutia, primeiramente, o caso com ele, estar apresentando suas teorias a um agente estranho. "Vamos agora mesmo, Steve nos leva. Estaremos de volta antes da meia- noite." – ela concluiu apanhando seu sobretudo. Subúrbio de Indianápolis Casa do Dr. Brian Lucky 13/08/00 – Quinta-feira - 7:55 p.m. Scully vasculhava com finas luvas de silicone, as gavetas do quarto do Dr. Lucky, enquanto Howkie vistoriava o banheiro. "Já fizemos essas buscas, Dana. É perda de tempo." – dizia Steve incomodado com a meticulosidade das buscas de Scully. "Não custa olharmos mais uma vez, Steve. Algum rastro ele tem que ter deixado..." – ela disse abaixando-se e deitando no chão para olhar sob a cama. Howkie sorriu maliciosamente quando a saia de Scully subiu e revelou parte das pernas da agente que, destraída, remexia nas almofadas embaixo da cama. Ele, grosseiramente, posicionou-se atrás dela e ficou analisando as formas da ruiva. Mas voltou ao banheiro assim que ela começou a levantar-se. Enquanto isso, Mulder, que já havia revirado a cozinha, agora procurava indícios na sala. Levantou o telefone e encontrou sob o aparelho, alguns números anotados. Leu-os e arrancando uma folha de uma cadernetinha, escreveu apressadamente um endereço: "Dad: Fourty Street, n. 132, apt. 35, NavyTown, Indianápolis." Scully desce acompanhada de Howkie, ligeiramente séria. "Infelizmente não achamos nada, Mulder. E você?" "Menos ainda" – mentiu. – "E o pai de Brian? Onde morava, Howkie?" "Ambos passavam a maior parte do tempo na Base." – Howkie apressou-se em dizer, sentindo um certo risco na pergunta de Mulder. – "Raramente vinham pra cá. O Dr. Lucky vinha bem menos do que Brian, gostava muito do seu trabalho, mas quando vinham, ficavam sempre nesta casa." "Ok..." – Mulder disse, fingindo-se convencido. – "O que acha de irmos embora?" "Por mim tudo bem, estou cansado, e essa busca é inútil, já vasculhamos tudo por aqui, duas vezes, inclusive coordenei a primeira das buscas." – O Agente Howkie explicou. "Bem, já que eu vim com o meu carro, vou aproveitar para visitar um amigo no centro da cidade, encontro vocês mais tarde, na Base." – Mulder avisou dirigindo-se ao portão. "Onde vai Mulder?" – perguntou Scully estranhando o parceiro. "Visitar o Agente Blaves, lembra-se dele, Scully?" – perguntou Mulder abrindo seu carro e encarando Scully nos olhos. "Ele não havia se mudado para Detroit, Mulder?" – ela perguntou sem entender o estranho olhar do parceiro. "Indianápolis, Scully. Indianápolis. Poderia levar Scully para a Base, Agente Howkie?" – indagou Mulder entrando no carro, e ligando-o. "Com todo o prazer." – respondeu Steve malicioso diante do sorriso de Dana. Mulder não quis esperar para ouvir os gracejos dos dois e partiu para NavyTown cantando pneus. NavyTown, Indianápolis Fourty Street, n. 132, apt. 35 Silenciosamente, Mulder arrombou a porta e entrou mantendo as luzes apagadas. Era um apartamento simples e esquisito, como todo o bairro. Acendeu sua lanterna e começou a vasculhar tudo o que podia nos três cômodos no apartamento. Arrombou uma gaveta, fechada a chave, de uma escrivaninha, e dentro achou um caderno com muitas anotações. Sorriu. "Bingo!" – disse abrindo-o e lendo uma das folhas com o título: "Método de abastacimento do computador central de Caça F-17". Retirou-se cautelosamente, observando atentamente qualquer movimento suspeito, entrou em seu carro tendo certeza de que não havia sido seguido. Base da USAF – proximidades de Indianápolis 14/08/00 – Sexta-feira - 8:25 a.m. Estavam todos no refeitório, tomando o café, Scully acompanhada de Howkie, quando Mulder chegou e debruçou-se sobre a mesa encarando os agentes. "Novidades, parceiros?" – sorriu. "Nenhuma..." – respondeu Steve fingindo um certo mal-humor. "Como foi a noite, Mulder?" – perguntou Scully, séria diante da alegria do parceiro. "Boa... Blaves está ótimo. Mandou-lhe lembranças." "Chegou tarde, não é?" – ela perguntou com segundas intenções, muito séria. "Estava me vigiando, Scully?" – ele respondeu aumentando o sorriso. "Estava acordada, quando ouvi você chegar, antes de amanhecer... Acho que precisamos conversar, Mulder. Com licença, Steve." – ela disse sorrindo para o agente e fazendo menção de levantar-se. "Não, não se preocupe. Pode ficar. Eu estou de saída. Há um colega ali, me chamando, e parece ter novidades. Com licença, Dana." – disse retirando-se e ignorando Mulder. "Que há, Scully? Aparentemente você estava de bom humor, reencontrou uma velho amigo, ainda tem motivos para zangar-se?" – perguntou, cheio de ironia, à parceira. "Você está me escondendo algo. O que foi que você não me disse, Mulder?" "Não sei do que está falando, Scully." – ela se levantou impaciente – "Mas vou lhe dizer uma coisa. Não gosto do Agente Howkie, ele está escondendo alguma coisa, e mais, ele..." "Mulder, você nunca gosta de ninguém!" – ela aproximou-se do parceiro. – "Sempre desconfia de todos. Pare com essa paranóia de sempre achar que todos ocultam alguma coisa de você. Steve é uma ótima pessoa, eu gosto muito dele... e sei que você também poderia gostar, se não fosse assim, tão obsecado. Pare com isso. Tente tratar as pessoas como gostaria de ser tratado. Dê um pouco e receba um pouco, Agente Mulder." – e afastou-se com raiva incontida. "Scully..." – ele virou-se para ela. – "Eu estive pensando... Será que o pai do Dr. Brian não tinha anotações em algum lugar... Talvez uma casa, ou um quarto, em que ele ficasse quando estivesse fora da Base?..." "Tem algo a me dizer, Mulder?" – ela perguntou desconfiada. Ele sacudiu a cabeça, negando. Ela virou-se e seguiu para a saída do refeitório. Mulder pegou seu carro e foi a Indianápolis, onde contactou os Pistoleiros Solitários: "Frohike? Sou eu." "Mulder? Onde está?" – o amigo perguntou. "Indianápolis, em um telefone público. Estou meio preocupado, podem estar interceptando as chamadas feitas dentro da Base da USAF." – o agente explicou. "Algum problema?" "Quero que procure tudo o que puder sobre estes três nomes: Steve Howkie, Agente do F.B.I., departamento anti-sequestro de Chicago, Dr. Brian e Dr. Kevin Lucky, pai e filho, físicos da USAF, provável residência em Indianápolis. Certo?" "Mais alguma coisa?" "Ligo no fim do dia." Base da USAF – proximidades de Indianápolis 14/08/00 – Sexta-feira - 3:01p.m. Entrando em seu quarto, Mulder constatou que suas coisas haviam sido reviradas, foi direto a uma escrivaninha, onde descobriu que o caderno de anotações do Dr. Kevin havia desaparecido. "Merda!" – praquejou baixinho enquanto se dirigia à sua mala. "Procurando por isso, Agente Fox Mulder?" – perguntou Steve Howkie, da porta, segurando o velho caderno, acompanhado de Scully que encarava seriamente o parceiro. Estavam todos em um gabinete, dentro da Base, Mulder sentado em uma cadeira, escoltado por dois soldados armados. Scully sentada em um sofá, escutava três oficiais e os agentes que acompanhavam Howkie, de cabeça baixa. Ela por fim acenou afirmativamente e se retirou sem olhar para o parceiro. "Scully! Scully!" "Agente Mulder, nós temos alguns assuntos a tratar..." – começou um alto oficial da Base, acompanhado de Howkie que o olhava cheio de prazer. – "Gostaria de começar a nos explicar como este caderno foi parar em suas mãos?" "Eu o achei na casa do Dr. Kevin." – ele respondeu prontamente. "Isso nós já sabemos. O que não sabíamos era que o Dr. Kevin tinha uma casa, ou melhor, um quarto alugado. E também não sabíamos que o senhor conhecia o endereço." – explicou o velho oficial. "Achei o endereço na casa do Dr. Brian, ontem à noite." – ele respondeu, prevendo grandes problemas. "E porque foi que não compartilhou seus achados com seus parceiros? Porque mentiu sobre onde iria? Porque ocultou as provas? Porque leu documentos de projetos secretos?" – inqueriu o oficial apoiado por Howkie, que sacudia a cabeça com um meio sorriso. – "Tentava obstruir as investigações, Agente Mulder?" "Não, senhor. Apenas resolvi ir sozinho ao tal endereço, para ver se minhas suspeitas tinham fundamentos e lá encontrei o caderno." – dizia sem muita convicção, pois a todo tempo imaginava o que Scully estaria pensando, ou fazendo, nesse exato momento. – "Eu... Eu... li o caderno para ver se continham as informações procuradas e se podiam ajudar em algo, eu levaria o caderno até os senhores quando confirmasse minhas suspeitas..." "Sabe que não são esses os procedimentos utilizados pelo Bureau nas investigações." – começou o Agente Howkie, encarando-o cinicamente nos olhos – "Traiu a mim e a Agente Scully, que também procurávamos pelas pistas, e seus atos são, além de tudo, suspeitos. O que me leva a acreditar que, talvez, você quisesse encobrir as provas... me levando a supor que tenha alguma ligação com o sequestro dos Drs. Br..." Mulder levantou-se da cadeira e partiu em direção a Steve, pronto para matá-lo diante das acusações que fazia. Nesse exato momento Scully entrou e se deparou com a cena da quase agressão de Mulder. Ele parou antes de acertar o Agente Howkie e olhou para Scully, que o encarava, séria e magoada. Ele baixou a mão e foi puxado de encontro a uma poltrona onde os soldados o mantiveram sob a mira de suas armas. Ela dirigiu seu olhar a Steve e fez um sinal com a cabeça chamando-o, e ele fez menção de acompanhá-la quando Mulder começou a gritar. "Scully! Scully, você sabe que não é nada disso, Scully, me escuta, liga pro..." Scully entrou no quarto do agente Howkie, acompanhada por ele e sentou-se na cadeira em frente à escrivaninha. "Já contactei o Diretor Assistente Skinner como você me pediu" – ela disse chateada. "Escute, Dana. Afastar Mulder do caso é a melhor coisa que fazemos. Eu bem que tentei dizer isso a ele mas ele partiu para a agressão e não me deixou concluir..." – dizia, eximindo-se de toda culpa. – "Se ele permanecer aqui pode até mesmo ser acusado de estar encobrindo as provas, o que criaria uma série de problemas para ele, até mesmo a demissão do Bureau. Contactando Skinner, ele volta para Washington, enquanto nós terminamos o caso, e tudo ficará bem. Nós já temos o caderno, podemos seguir com as investigações, certo?" – concluiu sorrindo. "Não entendo porque Mulder ocultou o caderno, obstruiu as buscas" – ela dizia apática – "não é do gênero dele, eu..." "Talvez você não conheça realmente o seu parceiro, Dana." – disse ele aproximando-se lentamente da agente que, com a cabeça abaixada, não percebeu a aproximação intencional do amigo. Quando levantou os olhos foi que percebeu o quão perto estavam seus lábios. Ela ainda sentiu o leve toque da boca de Steve, mas afastou-se rapidamente, sem encará-lo. "Desculpe, Dana. Não pude me controlar..." – ele alegou fingindo-se envergonhado. "Tudo bem. Eu... eu... preciso..." – ela não sabia o que fazer. "Dana." – ele puxou-a pelo braço – "Espero que não tenha lhe magoado. Foi um impulso. Apenas preocupo-me com você. E sempre soube o que realmente sinto, desde que nos conhecemos." "Eu sei. Mas eu não podia, hãm..., Louise, você sabe, e era naquela época, mas ag..." Foram interrompidos por um soldado que, batendo na porta, entrou trazendo um fax. "Senhor? Fax de Washington." – avisou, entregando o papel e retirando-se. "É a ordem de suspensão, Scully. Quer entregar?" – ele perguntou, mostrando-lhe o papel "Não. Eu vou com os outros agentes a Indianápolis." – ela terminou, saindo do quarto. Base da USAF – proximidades de Indianápolis 14/08/00 – Sexta-feira - 9:25 p.m. Mulder entrou em seu quarto escoltado por dois soldados que o trancaram do lado de dentro e permaneceram toda a noite vigiando a porta de seu quarto. Ele sentou-se em sua cama profundamente abatido. Durante todo o dia havia pensado em Scully. Como será que ela estava? O que será que estava pensando sobre ele? Onde ela estaria? Porque evitou a todo custo encará-lo? Porque não quis ouvir suas explicações? Releu o fax que havia chegado durante a tarde ordenando que ele fosse suspenso do caso e retornasse no dia seguinte à Washington e se apresentasse ao Diretor Assistente Skinner, para devida punição pelo desrespeito à Conduta Padrão de Investigação do F.B.I.. Antes da meia-noite, pode perceber o silêncio que pairou sobre a base. Cautelosamente foi até sua mala, tirou todas as roupas, e abriu o fundo falso que continha um saco plástico com dezenas de folhas xerocadas. Sorriu. As medidas que tomou para o caso de perder as provas, haviam sido providentes. Agora ele também tinha as provas daquele sequestro mal explicado e do estranho envolvimento do Agente Howkie em tudo aquilo. Aeroporto de Indianápolis 15/08/00 – Sábado - 10:25 a.m. "Byers? Sou eu, Mulder." – disse ele assim que o telefone foi atendido. "Mulder! Temos poucas informações pra você. Frohike foi atrás de alguns antigos documentos pois tem uma suspeita... São coisas que você precisará ver." – o Pistoleiros Solitário iniciou as explicações. "Byers, escute. Estou em Indianápolis, pegando um avião para Washington, caí numa cilada de um agentezinho desgraçado e fui suspenso do caso. Tanto que estou escoltado por dois soldados. Quando chegar ainda tenho que ir ao Bureau resolver umas complicações. Quem sabe até o fim da noite eu já esteja livre, então irei até aí. Tenho um projeto, não posso falar muito, mas quero que analisem... é sobre um novo tipo de energia para propulsão de aviões." "Certo, temos um bom programa de estudos de caças, acho que vai gostar. Podemos conseguir alguma coisa na central da USAF... "Pode ser, mas muito cuidado porque tem algo podre em tudo isso..." Washington D.C. Prédio J. Edgar Hoover – Sede do F.B.I. 15/08/00 – Sábado - 4:12 p.m. "Decepcionado, Agente Mulder." – dizia Skinner. – "Extremamente decepcionado. Não encontro explicações para suas atitudes. Você nem ao menos se defendeu das acusações dos oficiais. Eu só pude livrá-lo, porque aleguei que você e a Agente Scully foram requisitados para o caso, logo você não teria como ter alguma ligação prévia com o sequestro. Não poderia estar envolvido. Eu garanti que o puniria com suspensão sem pagamento e eles resolveram deixar por minha conta. Mas será que poderia fazer-me o favor de explicar-se?" "Senhor, aquele Agente, Steve Howkie, ele está envolvido nisso tudo. Só pode estar. Tem algumas atitudes suspeitas. Como é possível não saberem da casa do Dr. Kevin? Como é possível desconhecerem completamente o projeto? E porque foi que ele mandou que me seguissem, se eu tinha dito que iria ver um amigo? Como foi que eles descobriram que eu estava de posse do caderno?" – ele perguntava indignado. - "Não gosto desse cara, ele não me cheira bem." "Mas porque foi que ocultou as provas de Scully?" – perguntou Skinner desconfiado. "Ela não me daria razão, contaria ao amiguinho dela. Scully não enxerga o mal que Howkie está representando. Eu bem que lhe disse, mas ela, como sempre, permaneceu de olhos fechados." – dizia com raiva incontida. "Entendo." – sorriu disfarçadamente Skinner. Estava claro que o problema todo era aquela ligação que ele tinha com a parceira que estava sendo abalada pela intromissão de outro agente. – "Mulder, vá pra casa. Eu não vou puni-lo. Mas não arranje mais problemas, certo?" Washington D.C. – Alexandria 15/08/00 – Sábado - 6:12 p.m. Apartamento do Agente Fox Mulder Mulder estava há horas no computador quando seu telefone tocou. "Mulder." – ele atendeu rapidamente. "Sou eu, Frohike." – respondeu o amigo. "Ah... oi." – respondeu ligeiramente desapontado. "O que é? Quem esperava? A Scully?" – brincou o pistoleiro, sorrindo. Mas diante do silêncio do amigo, tornou-se sério e perguntou. – "Problemas com ela?" "Ela deve estar muito bem." – respondeu rispidamente. – "Ficou na Base com o amiguinho dela." "Ah... entendi." – disse Frohike sorrindo malicioso. – "Temos coisas interessantíssimas pra você. É melhor vir dar uma olhada e rápido." "Eu vou daqui há uma hora. Estou terminando de acessar o relatório final do caso de Indianápolis. Scully enviou-o ao Skinner e eu estou interceptando. Levo pra vocês os documentos, ok?" "Ok. Traga pizza pra nós, sim? Não comemos nada desde o café da manhã." Q.G. dos Pistoleiros Solitários – local exato desconhecido 15/08/00 – Sábado - 7:27 p.m. Depois de jantarem as pizzas que Mulder havia levado, os quatro colocaram-se a frente dos computadores. Todos perceberam o visível estado de tristeza de Mulder, mas era quase impossível arrancar-lhe qualquer coisa, principalmente quando se tratava de Scully. Mulder explicou todo o caso aos companheiros e depois leu o relatório enviado pela parceira, com a conclusão das investigações. "Conclui-se que a peça principal, alvo da ambição dos sequestradores, é o diamante utilizado no sistema de produção de energia". – iniciou Mulder em voz alta, mas parou. – "Esperem. Vamos ler o projeto dos Drs. primeiro, depois lemos a conclusão: O sistema de produção de energia, construído dentro de uma cápsula de chumbo 8mm, constituiría-se de uma amostra de material radioativo envolto por lâmina de chumbo de 8mm, um pequeno orifício por onde sairia a radioatividade e duas placas, uma em cima, outra embaixo, uma positiva e outra negativa,respectivamente. Uma lâmina de chumbo 1mm que reteria radiações alfa e beta, permitindo a passagem da radiação gama, que penetraria em um diamante e seria refletida por todas as suas faces em direção a um transformador, que converteria a energia dos raios gama em energia térmica, que em outro transformador originaria energia elétrica, podendo-se carregar baterias específicas, para completo funcionamento de aviões, notadamente caças F- 17 e Mirage." "Bem, pelo que pudemos ver é um projeto revolucionário." – concluiu Langly. "É, mas extremamente caro de início, pois há a necessidade de um diamante." – teorizou Byers. "Vejam." – apontou Langly – "Pelo que podemos ver de acordo com esse programa de energia atômica, o diamante teria que ter quase 2cm de diâmetro para ser utilizado para tais propósitos. "2cm? Quanto sairia um diamante desse tamanho?" – perguntou Mulder. "Alguns mil dólares." – concluiu Frohike. "É por isso que Scully disse aqui que a peça alvo dos sequestradores era o diamante... Vamos ver o que mais Scully descobriu" – disse Mulder voltando ao relatório da parceira. – "A empresa contratada para fornecer a pedra era a 'Blue Gold Mining', empresa que fornece, costumeiramente, todos os tipos de minérios necessários a USAF. A BGM alega ter recebido um cheque, assinado pelo Dr. Brian Lucky, em nome da USAF, e que no dia 12/08/00, a mercadoria foi entregue ao Dr. Lucky, dentro da sede da empresa, em Nova York, e que ele estava acompanhado do Senhor David Loley Jr., o qual apresentou-se como sub-secretário geral da USAF em Nova York, com devida documentação. Mas não há em toda USAF um só empregado que se chame David Loley Jr. e o nome não foi identificado como válido em nenhuma parte dos E.U.A.. A BGM forneceu os vídeos de segurança com as cenas da transação, mas mesmo assim o citado não foi identificado. O caso continua em aberto.Ass.: Agente Especial Dana Katherine Scully" "Scully deve estar furiosa." – disse Langly preocupado com o estado de Mulder depois de constatar que a parceira tinha assinado o caso sozinha, sem ele. – "O que está havendo, Mulder?" – mas o agente permaneceu em silêncio olhando para a tela de um dos computadores no fundo da sala sobre uma grande mesa bagunçada. "Onde conseguiram aquela foto de Steve Howkie?" – ele perguntou levantando-se e dirigindo-se a tal mesa, sem responder a L.angly "Também notou a semelhança?" – perguntou Byers sorrindo, enquanto, com um olhar, repreendia Langly pela pergunta indiscreta. – "Você explica Frohike?" "É uma longa história. Quando nos pediu que procurássemos pelo tal Agente Howkie, nós achamos pouca coisa. Mas teve uma foto dele que me fez lembrar alguém. Quando li a ficha do cara percebi que ele é um profissional e tanto. Veio da Itália quando pequeno, foi batizado aqui, com nome americano, mas não há referências do pai ou da mãe, que nós podemos supor que tenham o sobrenome Howkie. Bem, ia constantemente a terra natal, entrou para o Bureau a 10 anos, depois de 3 anos na Itália. Nunca casou-se. Entrou para Quântico em 90, e aqui uma foto do campus de treinamento em 1991, olha só." – disse apontando uma foto de dezenas de agentes, todos devidamente posicionados, sorrindo, despedindo-se do mês de treinamento. Ao lado de Steve estava uma mulher loira, sorridente, bonita, identificada como Louise Melvin Clews e ao lado dela Scully, de cabelos compridos e roupa clara. "Dana Katherine Scully." – repetiu Mulder, lendo as identificações no rodapé da página, enquanto passava carinhosamente o dedo sobre a tela, pensando na amiga, na foto. "Bem, em 93 ele foi movido para o departamento anti-sequestro no Oregon." – continuou Frohike, quebrando o clima que havia se formado. – "E em 95 pediu transferência para Chicago, onde está até hoje, como Diretor Assistente do departamento, apesar de continuar com o título de Agente Especial, pois está em ação. Mas o que me chamou a atenção, foi a semelhança dele com alguém conhecido. Eu fui até a biblioteca remexer em uns jornais velhos. E... Bingo!" – disse clicando na próxima página onde haviam duas fotos de Steve. – "Essa foto é de 88, de um jornal italiano, a matéria anuncia a morte de Fabiano Bonazza, filho de Carlos Bonazza, mas que estranhamente, doze anos depois é visto com o nome de Steve Howkie, trabalhando para o Bureau. O que é que este nome te lembra?" "Bonazza..." – repetiu Mulder forçando a memória. – "Eu já ouvi esse nome quando trabalhava na Seção de Crimes Violentos... Eu me lembro... A máfia. É... a máfia italiana em Nova York. Família Bonazza, claro que sim. Sequestro de homens ricos e roubos de jóias em conexão com o restante da família que agia na Europa." "Isso mesmo. Carlos e o filho Fabiano foram mortos em Roma" – relembrou Byers – "em 1988, apesar de muitos crimes terem sido atribuídos a eles, após a "morte" de pai e filho. Algumas coisas permaneceram sem explicação nesse caso. Mas entramos com um programa de simetria e constatamos que o rosto de Fabiano Bonazza e Steve Howkie são os mesmos, apesar da mudança da cor e do comprimento do cabelo, mais curto e escuro agora, e bem mais forte." "Então quer dizer que o desgraçado é um mafioso?" – perguntou Mulder ligando os acontecimentos. "Mas não é só isso, amigo." – falou Langly. – "Resolvemos conectá-lo a todos os grandes crimes que foram atribuídos à família Bonazza. Investigamos, também, alguns sequestros e roubos, que não foram solucionados. Temos aqui uma lista grandinha de casos interessantes que acho que vai querer ler." – disse, passando-lhe um maço de folhas impressas. – "Mas há um caso, especialmente interessante." "Robert Donel Clews Jr.," - Frohike iniciou a leitura – "historiador e arqueólogo, sequestrado em 3 de julho de 1995 após retornar de uma viagem de trabalho à América Central e América do Sul, onde descobriu uma série de peças astecas, inclusive um Deus de Ouro, ornado com jades brutas e dezenas de pedras preciosas, avaliado em cerca de 5 milhões de dólares. Sua irmã, Louise Sally Clews, Agente do F.B.I. no Estado de Oregon, do departamento anti-sequestro, negou-se a participar das investigações, desaparecendo no dia seguinte. Posteriormente, a peça asteca desapareceu de um cofre. Em 14 de setembro de 1995, Louise reapareceu, e prestou depoimento onde dizia que havia sido sequestrada e levada para local desconhecido, junto com o irmão, servindo de objeto de chantagem para que Robert entregasse o segredo do cofre onde a peça estava guardada. Posteriormente, assistiu ao assassinato do irmão, e então foi devolvida a sua família, uma vez que os sequestradores já estavam de posse da peça valiosa. Ela retirou-se do F.B.I. e internou-se com problemas no coração." – concluiu Frohike. "Louise..." – repetiu Mulder olhando a foto dos agentes do campus de treinamento de 1991. – Scully e Howkie falavam dela, foram colegas em Quântico... " "E Louise, como ela está?" – perguntou Scully. "Ah, não vejo Louise há quase 5 anos, Dana. Se lembra do nosso inverno no campus de treinamento?" "Lembro, claro. Foi quando eu e Louise saimos de Quântico, nosso último inverno juntas depois de dois anos de amizade, nós sempre íamos ao campus para os treinamentos anuais...". "Louise sentiu muito sua falta quando fomos para Oregon, ficamos juntos até o final de 94, mas algum tempo depois, eu já estava na divisão anti- sequestro de Chicago, e fui designado para o caso do sumiço de Rob, em 95." – ele comentou se lembrando de boas épocas. "Lembro-me bem como foi, de como Louise amava o irmão, como fazia tudo por ele... Eu fiquei sabendo do sequestro." "Sim, ela nunca mais foi a mesma. Saiu do F.B.I., foi internada, com problemas no coração, depois casou-se. Sofreu muito quando Rob foi morto." "É uma pena, ela era uma ótima pessoa" – Scully sorriu, triste pelas lembranças"... – Mulder lembrava-se do diálogo. – "E quais as provas que temos que ele está ligado ao tal sequestro?" "A tal peça asteca foi achada na casa de um rico, e corrupto, empresário japonês. Notadamente as jades brutas foram substituídas por outras pedras preciosas lapidadas. Ele se matou depois que descobriram seus podres, mas deixou uma carta denunciando uma série de coisas, inclusive que tinha comprado a peça de Guilherme Bonazza, o caçula da família. – sorriu Byers com a simplicidade das coisas." "E nada foi feito?" – perguntou Mulder indignado. "Nem mesmo a CIA ousa interferir na máfia italiana, Mulder." – disse Frohike, impondo um pesado silêncio sobre a sala. Depois de certo tempo, Mulder assustou os colegas, quando repentinamente chamou pelo nome da parceira. "Scully!" – disse apanhando seu celular e apertando a tecla de memória. – "Ela está com Howkie. Não sei quando é o vôo. Quanto tempo ainda vai ficar lá. Ela pode estar correndo perigo." "Celular desligado ou fora de área" – foi tudo o que ouviu do outro lado da linha. "Está desligado..." – disse discando outro número. "Scully não costuma desligar o celular, Mulder." – observou Frohike, percebendo algo de errado. "Ela está me evitando, desde que fui suspenso do caso." – explicou sem encarar os amigos, que trocaram um olhar de entendimento. Agora sabiam o porque da apatia de Mulder. – "Senhor! Sou eu, Mulder." "O que quer, Agente Mulder? Estou no aeroporto, tenho um vôo para uma convenção em Atlantic City, agora não posso falar." – atendeu Skinner. "Senhor, preciso saber para quando estava marcado o vôo da Agente Scully, eu creio que ela corre perigo." "Mulder..." – Skinner cortou-o bruscamente – "não tente se envolver no caso. E pare com suas paranóias. A Agente Scully sabe se cuidar." "Mas senhor..." – ele tentou continuar. "O vôo dela é amanhã cedo, Agente Mulder. Eu conversei com ela há cerca de duas horas. O caso foi concluído. Ela está bem. Agora preocupe-se apenas com as explicações que dará a ela amanhã, diante da burrada que você cometeu na Base. Eu tenho que desligar. Boa-noite." – finalizou Skinner, desligando. "Só amanhã de manhã." – disse Mulder suspirando, voltando-se para seus amigos. Nordeste de Indianápolis Restaurante Carpe Diem 15/08/00 – Sábado - 8:37 p.m. "Dana, não sabe o prazer que me deu jantando comigo." – sorriu Steve enquanto servia mais vinho a Scully. – "Gostou do restaurante?" "Muito agradável, discreto. E a comida é ótima." – ela completou, desviando os olhos do olhar sedutor de Steve. – "Mas estou um pouco cansada. Meu vôo é amanhã de manhã. Precisamos voltar para Base." "Dana... antes quero lhe dizer que foi um prazer trabalhar com você." – e apanhou as mãos de Scully que estavam sobre a mesa. – "E que está mais linda do que nunca." – sorriu, procurando os olhos dela. – "Se eu lhe pedir para ficar, ou para ir comigo para Chicago, aceitaria?" "Ah... eu..... eu sinto muito, mas... tenho o meu trabalho em Washington e..." – ela, estranhamente não podia, ou não queria livrar-se daquele homem. "Dana. Se está pensando em Fox Mulder, eu só lhe digo que ele não merece toda a confiança e carinho que deposita nele. Eu mesmo me senti magoado, com a traição dele. Imagino como você deve ter ficado. Escute" – disse olhando-a profundamente nos olhos – "sabe o que eu sinto. Se trabalharmos juntos podemos formar uma parceria extraordinária. Conheço suas habilidades de tiro, de luta e principalmente sua técnica de trabalho, sua ciência. Tenho bons cargos pra você... Venha comigo, Dana. Por favor." "Eu...eu... não sei... eu vou pensar. Eu... vou ao banheiro." – e levantou-se bruscamente. Ele acompanhou-a com os olhos, perscrutando cada centímetro das formas da ruiva com um sorriso malicioso. Quando ela sumiu por trás de uma porta, discou, rapidamente, um número e esperou ser atendido, enquanto retirava um pequeno vidrinho do bolso interno do palitó. "Joe? Podemos começar." – disse sorrindo e desligou. "Bons sonhos, querida Dana." – murmurou enquanto derramava o conteúdo líquido do frasquinho, no cálice de Scully. Era uma praia escura de início. Ele não podia ver nada. Primeiro olhou para o céu, uma cúpula negra sobre sua cabeça, nenhuma estrela, uma lua imensa, que agora iluminava mar e areia. As ondas revoltas, explodiam na praia e transformavam-se em deliciosas espumas, que brilhavam como diamantes sob os raios da lua. A areia brilhava de tão prateada e se estendia por quilômetros. Ele pôs-se a andar, a calça branca, dobrada no joelho, estava inteiramente molhada e a camisa azul aberta no peito sacudia ao sabor do vento. Não sabia há quanto tempo andava pela areia quando encontrou- a. Dormia, placidamente, sobre a areia fria, nun leve vestido branco que cobria-lhe toda a perna e ia até os pés. Num simples decote, os braços de fora, abraçada ao vento úmido que vinha do oceano. Tomou-lhe a pulsação. Estava viva. Pousou as mãos sobre o tronco dela. Respirava normalmente. Ficou ali, ajoelhado ao seu lado, embebido pela doçura de sua expressão. Ela abriu levemente os olhos e encarou-o. Não sorriu, mas também não se afastou do leve toque daquele belo homem em seu rosto. Ele teve a sensação de estar fitando duas pedras preciosas, duas Águas-Marinhas, quando perderam-se um nos olhos do outro. Eles contemplaram-se até que perceberam a presença de mais alguém... Era um homem, trajando sobretudo negro. Apanhou-a no colo, e podia- se perceber que, apesar de ela estar viva, nada podia fazer contra àquele ato, não podia gritar, não podia debater-se. Dependia, tão somente, da ajuda dele. Mas Mulder permaneceu ali, ajoelhado, vendo Scully ser levada por Howkie, que caminhava decidido em direção ao mar. Um grito brotou-lhe da garganta: "Scully!". Mas ela nada podia fazer e em poucos segundos as águas quentes do mar cobriam-lhe a cabeça, e em poucos segundos era Howkie quem desaparecia sob as águas arrastando-a para o fundo. O desespero aumentava, Mulder sentia o coração disparar a respiração acelerada, tinha que fazer algo por ela, mas não conseguia mover-se. De repente, Steve Howkie surgiu das águas, seco e sozinho. Nem sequer olhou para Mulder. Abandonou-o entregue a sua culpa e ao seu desespero, que o fizeram atirar-se n'água gritando o nome dela. "Scully!" – levantou-se suado, arfando, repetindo, em sua cabeça, o nome da parceira. Levantou-se e calçou os sapatos, mas Frohike acendia a luz, enquanto Byers empurrava-o de volta ao sofá. "Acalme-se Mulder... O que está havendo?" – apoiou-o Byers. "Não sei. Scully ligou? Sabem onde ela está? Que horas são?" – perguntava atordoado, tentando levantar-se. "Mulder! Calma! Foi um pesadelo." – disse Frohike meio impaciente. – "São 5:56 da manhã. Ela ainda não saiu da Base." "Está aí gemendo e contorcendo-se há um bom tempo. Achei que fosse um sonho bom." – sorriu Byers, malicioso. "Scully está correndo perigo." – insistiu, sem ouvir os amigos. "Escute. Volte para cama. Ela deve estar dormindo. Está cercada de oficiais e soldados da USAF. Acha que poderia correr algum risco?" – lembrou-lhe Frohike. Mulder encarou-o seriamente e atormentado deitou-se dando as costas aos olhares de preocupação dos dois pistoleiros. Rodovia inter-estadual Nova Jersey à Nova York. 16/08/00 – Domingo - 5:56 a.m. "Fabiano?! Ela está acordando." – disse Joe, que estava sentado no banco do passageiro, virado para trás. "Tome cuidado com ela." – advertiu Steve Howkie, ou melhor Fabiano Bonazza, olhando pelo retrovisor os primeiros movimentos de sua refém. Scully acordou devagar mas não demorou a entender que estava amarrada no banco de trás de um carro e que tinha dormido a noite toda ali, na mesma posição. Também não demorou a notar a arma que apontavam em sua direção. "Steve, o que está havendo?" – perguntou confusa. "Bom-dia, Dana." – dizia Fabiano sorrindo pelo retrovisor. – "Quero lhe apresentar meu primo Joe." "Acho que vai ser melhor trabalhar com ela do que com os Drs. Lucky, Fabiano." – sorriu Joe com um forte sotaque italiano. "O que está havendo Steve?" – perguntou Scully, cada vez mais desnorteada. "Primeiramente não é Steve. É Fabiano. Fabiano Bonazza. Em segundo lugar, este é o seu sequestro, Dana." – ele sorriu diante das feições de Scully, que permaneceu em silêncio por um bom tempo, olhando para o rosto de Steve, ou Fabiano, como quer que se chamasse, enquanto tentava raciocinar. "Entendo sua reação, Dana. Mas vou explicar-lhe tudo perfeitamente, se me prometer que não criará problemas e não obrigará Joe a usar sua pistola. Certo?" – perguntou em Italiano. Scully acenou afirmativamente e ele iniciou as explicações: - "Eu, Joe e Leonard, que está na casa de Nova York e você logo irá conhecer, somos primos. Todos da Família Bonazza. Tenho certeza que esse nome lhe diz algo, não?" – e como ela apenas o encarasse, sem responder, ele continuou. – "O resto da família age na Itália. Trabalhamos há décadas, com um sistema muito simples de sequestro-roubo.Funciona da seguinte forma: sequestramos um parente, ou um ente querido de determinada pessoa, sendo que esta tem acesso, ou possui determinada jóia, ou peça valiosa, ou pedra preciosa, que são os objetos que nos apetecem. Então nós a chantageamos para conseguir a pedra. Depois que conseguimos, cuidamos para que a nossa família não seja delatada, capisce?" – ela estampava o puro terror na face, os olhos extremamente abertos, a respiração acelerada. Ele sorriu com prazer. – "Si calmi! Eu não pretendo fazer isso com você. Nossos planos são outros para aproveitar suas habilidades. Você agradará papà.Agora deite-se e fique quieta, não tente nada. Conversaremos mais quando chegarmos à nossa vila em Nova York." "O sequestro do Dr. Lucky...?" – ela perguntou, deitando-se. "Io, Dana! Papà queria diamantes, Brian havia me dito que tinha um projeto com diamantes, há muito tempo atrás. Eu encorajei-o a pô-lo em prática. E então, utilizando o pai de Brian, consegui 3 belas pedras de 2 cm cada uma, para presentear papà em seu aniversárioque que foi ontem, mas só estarei com ele amanhã. Você gostará dele, Dana." "O que pretende fazer comigo?" – perguntou, intrigada. "Você verá. É algo complexo, mas se habituará... teremos tempo. E isso pode ser melhor, só basta você querer. Capisce?" – e sorriu maliciosamente. "E o que o leva a pensar que compactuarei com a sua família?" "Não se esqueça que a partir de agora você não tem vontade própria, não tem exigências, não pensa, não ameaça...Lembre-se bem disso, Dana." Q.G. dos Pistoleiros Solitários – local exato desconhecido 16/08/00 – Domingo - 9:05 a.m. Mulder andava há mais de meia hora de um lado pra outro, preso ao telefone. Havia ligado para a Base as sete da manhã, mas os soldados recusaram-se a informar qualquer coisa. A situação ficou ainda pior quando ele xingou todas as gerações do desgraçado que o atendia. Os pistoleiros acessaram todas as listas de passageiros dos vôos que partiam de Indiana naquela manhã, e descobriram o nome de Scully no último horário da manhã. O que fez Mulder ficar com mais raiva ainda, pois só poderia colocar-se em contato com ela depois das duas da tarde. O celular da parceira era dado como desligado. O que fez com que ele amaldiçoasse a teimosia dela. Frohike olhou-o repreendendo-o. "Mulder. Você está insuportável. Acalme-se. Façamos o seguinte. Você nos ajuda a fazer os relatórios e juntar as provas contra Steve Howkie que é coisa que vai consumir-nos o dia inteiro. Depois das duas você liga pra ela, ou faz o que tiver que ser feito, mas com as provas nas mão. Do contrário, pelo que nos contou, ela não irá, nem sequer, olhar na tua cara. "Você está certo. Vamos terminar com isso." – ele suspirou pondo-se a frente de um dos computadores. Vila del Mare II – Subúrbio de Nova York – local exato desconhecido 16/08/00 – Domingo - 9:45 a.m. Quando Scully chegou à mansão, foi conduzida à uma grande sala e teve que aguardar até que Fabiano se dispusesse a acomodá-la. Esperou sob a mira da pistola de Joe, que parecia não se cansar de empunhá-la. A mansão era estranha. Além dos móveis, nenhum enfeite ou objeto, nenhum livro, tudo muito impessoal. Era a melhor forma de despistar qualquer um que entrasse na casa. Sem provas que levasse aos criminosos. Fabiano sentou-se a frente dela e pôs-se a falar. "Dana. Temos um serviço para você. Papà quer uma jóia, valiosíssima. Mas cansou de expor a família aos perigos. Por isso temos você a partir de agora. Iremos todos para Itália, lá planejaremos extamente como será o caso. Será algo fantástico, pois Milene tem uma mente brilhante e sabe como driblar os melhores métodos de segurança. Ah, sim. Milene é minha irmã. Mas mora na Itália. Você fará algo como entrar em um museu, ou em uma mansão durante uma exposição e trazer-nos a jóia que completará nossa coleção de preciosidades." "Sabe que não farei isso... Estaria colocando minha vida em risco. Peça o meu resgate ao F.B.I., eles pagarão e não se fala mais nisso." – ela arriscava o que podia para ver-se livre da situação. "Não, não. Você não está entendendo. Vou ser mais claro... venha comigo." – e levantou-se seguido por Scully e Joe. Abriu uma porta e desceu uma escadaria estreita que levava ao que parecia ser uma adega. – "Me entende agora?" – perguntou apontando para o interior de uma pequena cela, no fundo do porão. Scully dirigiu-se para lá, apoiou-se nas barras e esperou a vista acostumar-se à penumbra. Em poucos segundos reconheceu a mulher que estava amarrada a uma maca. "Mamãe! O que fez a ela desgraçado?" – disse virando-se para Fabiano e partindo, cheia de ódio, em direção a ele. Mas parou quando ouviu o barulho das seis pistolas sendo engatilhadas. Ali estava o tal Leonard e mais 3 capangas mirando-a na cabeça. "Percebe agora, Dana. Não há escapatória. Você é minha, a menos que queira ver a morte da Dona Margareth..." – ele sorria satisfeito. – "Este é Leonard." – apontou para um homem mais novo que ele, mas com os mesmos olhos azuis. – "Estes são Teodore, Marcio e Bonie. Trabalham conosco. E então... colaborará?" Scully viu-se sem saída. Sua mãe sobre uma maca, amarrada, encarcerada, sabe-se lá em que estado de saúde. Podia, de onde estava, ver ferimentos no rosto dela. Aqueles homens haviam espancado um senhora. Não. Não poupariam suas vidas, caso ela recusasse o serviço. Mulder! Sim. Ele era sua salvação... teria que avisá-lo. Haveria uma forma. Por enquanto cuidaria pra que tudo fica-se bem para Meg. "Eu aceito. Só peço que não machuquem minha mãe. É uma senhora e nada tem a ver com meu trabalho." "Só dependerá de você, querida. Leonard! Joe! Levem-nas para o quarto. Ela é médica. Dêem a ela os medicamentos necessários para os ferimentos e ela saberá o que fazer pela mãe." – concluiu e retirou-se. Era um quarto grande, com a janela gradeada, dando para o muro alto que cercava a vila. Leonard deitou Meg na cama e saiu, trancando- as. Scully sentou-se ao lado da mãe tomando-lhe a pulsação. Depois cuidou de seu ferimentos e pode perceber pela moleza do corpo da mãe que ela estava sob efeito de soníferos. Acomodou-a e deitou-se ao seu lado. Meg não tardaria a acordar. Cerca de 40 minutos depois ela dava os primeiros sinais do fim do efeito da droga, e quando reconheceu a filha ao seu lado, abraçou-se a ela, emocionada. "Dana, querida. Como temi por você. Como está?" "Bem, mamãe. Preocupada com seu estado. Bateram-lhe muito?" "Eu estou bem. Vai ficar tudo bem. Onde estamos?" "Na vila em Nova York, troxeram-nos pra este quarto." "Dana. Preste atenção. Não deixem que te chantageiem por minha causa. Vamos agir racionalmente." "Mãe. A situação é séria. Eles nos tem sob controle. Nos levarão para Itália. Têm um serviço pra mim. E eles são capazes de qualquer coisa para conseguir as jóias deles." "Um deles me esclareceu tudo, me tiraram de casa ontem, antes das 9 da noite e me truxeram até aqui, contando-me que o Agente que estava com você era o mandante. Imagina como fiquei, não? Mas imaginei que Mulder talvez dificultasse ou até impedisse a ação. O que fizeram a ele?" "Nada. É uma longa história. Ele foi suspenso do caso. A culpa foi minha, eu estava cega, achando que Steve não pudesse fazer-me mal... afinal éramos amigos... e no entanto..." "Se conseguir colocar-se em contato com Mulder..." "Impossível. A situação é pior que imagina. Estamos isoladas, vigiadas, ameaçadas... porque fiz tudo aquilo à Mulder?... Ele deve estar chateado." – ela disse deitando-se nos braços da mãe. "Não se culpe, Dana. Tudo ficará bem." – e, abraçando-a, deitaram-se e dormiram. Q.G. dos Pistoleiros Solitários – local exato desconhecido 16/08/00 – Domingo - 3:15 p.m. "Nem no celular, nem em casa." – disse Langly, desligando o telefone. "Nem no escritório." – completou Byers, desligando em outra linha "Nada na casa de Margareth." – finalizou Frohike "Meu Deus... Ela sumiu." – Mulder estava em desespero. – "Skinner também não atende. Deve estar na tal convenção. Deixaram recados em todas as secretárias eletrônicas." "Deixamos. É melhor ir até a casa dela, Mulder. Enquanto isso verificamos as listas de embarque e desembarque, certo?" – propôs Langly. "Eu estou no celular." – Mulder respondeu abrindo as trancas da porta. Mas durante toda tarde, Mulder revirou Washington. Do apartamento de Scully à igreja, do outro lado da cidade, que uma vez ela havia comentado que gostava do ambiente de paz de lá. Procurou também por Steve ou por ela no departamento do F.B.I. em Chicago. Ninguém sabia de nada. Ele pediu que ligassem na Base para verificar se eles estariam lá, mas recusaram-se. Era Domingo, não havia ninguém que pudesse socorrê-lo no Bureau. Sentia-se realmente desnorteado, quando seu celular tocou. "Mulder." "Sou eu." – respondeu Frohike do outro lado da linha. – "Tenho péssimas notícias. Scully nem sequer embarcou." "Não estaria em outro vôo?" – perguntou encostando-se no carro observando o céu escuro que formava-se tentando conter o desespero que lhe consumia. "Não. Nem antes, nem depois. Nem na lista de embarque nem de desembarque." "Oh Deus! Perdi Scully!...." Pista de pouso e decolagem A. Lincoln – Arredores de Nova York 16/08/00 – Domingo - 7:14 p.m. Assim que a escuridão desceu sobre a cidade de Nova York, Scully e Margareth foram levadas num grande carro até o pequeno aeroporto. Caminharam pela pista até um pequeno avião com capacidade para vinte pessoas. Eram escoltadas pelos seis homens que mantinham suas armas apontadas para Meg, para o caso de qualquer reação precipitada de Scully. Embarcaram em silêncio, mãe e filha juntas, Fabiano em frente, sem tirar- lhes os olhos de cima. Levantaram vôo. Destino: Itália. A cada metro que distanciavam-se do chão, Scully tinha mais certeza de que nunca mais veria Mulder. Georgetown – Washington D.C. 16/08/00 – Domingo - 7:15 p.m. Apartamento da Agente Dana Scully Mulder estava deitado há mais de meia hora na cama de Scully, olhando fixamente para janela, nada na cabeça, além da imagem da parceira encarando-o, magoada, na Base, ao lado de Howkie. O sono invadia-lhe vagarosamente, quando seu celular tocou. Atendeu. "Mulder." "Onde está?" – perguntou Frohike. – "Estamos preocupados. Não achou nada?" "Nada... Não sei o que fazer...Não sei onde ir.... por onde começar..." "Venha pra cá. Pegue uma caneta e um papel. Anote o número que vou te dar. É onde Skinner e outros agentes estão hospedados. Temos que preparar as provas contra a família Bonazza. Temos que achar Scully o mais rápido possível. Não fique parado que a cada segundo perdemos mais e mais a pista dela. Procure também..." Q.G. dos Pistoleiros Solitários – local exato desconhecido 16/08/00 – Domingo - 10:03 p.m. Os quatro amigos jantaram rapidamente e voltaram às pesquisas. Byers havia ligado para casa de Bill Jr. e Charles, mas, aparentemente, nada havia de anormal, e nenhum deles parecia saber de nada. Mulder ligou para o hotel em Atlantic City e deixou um recado urgente para Skinner e agora aguardava retorno. 15 minutos depois o celular de Mulder tocou. "Mulder." "Agente Mulder. Sou eu. O que houve?" – perguntou Skinner "Senhor, temos sérios problemas. Scully não chegou. Ou melhor, nem embarcou, não está em casa, ou no celular. Na Base não informam nada e no escritório de Chicago não sabem dela ou de Howkie." "Mulder, talvez ela esteja com a mãe, ou em outro lugar. Hoje é Domingo, ela não tem que prestar contas de onde está..." – disse impaciente. "Senhor." – cortou-o Mulder. – "Temos outro problema. O Agente Steve Howkie não é quem o Senhor pensa. Esse não é o verdadeiro nome dele, e mais: ele faz parte da máfia Novaiorquina. E..." "Agente Mulder. Tem noção do que está dizendo?" – perguntou furioso. "Tenho sim, Senhor. E tenho provas de tudo que estou dizendo. Provas concretas para levar Steve Howkie e sua família à prisão." – formou-se um silêncio pesado. – "Senhor. Ele está com Scully e com a mãe dela." "O que foi que informaram na Base?" "Não consegui ter acesso à Base, Senhor." "Eu retorno a ligação em alguns minutos, Mulder." Depois de 10 minutos Skinner voltou a ligar. Na Base informaram que os agentes tinham saído na noite anterior e não foram mais vistos, e que os quartos que ocupavam estavam limpos, sem seus pertences. Depois das 6 da tarde, nenhum dos 5 agentes do F.B.I., incluíndo "a" Agente, foram vistos. Skinner, de posse dessa informação, garantiu a Mulder que estaria em Washington na manhã seguinte, antes das oito da manhã. E que ele o encontrasse em seu escritório, com todas as provas contra o Agente Steve Howkie. Mulder e os pistoleiros atravessaram a noite pesquisando jornais, artigos e boletins de ocorrência. Tudo que pudesse estar ligado a sequestros inexplicados, roubos de jóias e pedras e até mesmo comércio de armas e drogas. Langly passou a noite tentando localizar o carro de Howkie, pois obteve a placa e as características. Frohike e Mulder preenchiam a lista de crimes da família Bonazza que vinha se tornando gigantesca. Foi quando Byers fez uma observação. "Eu estive percebendo. A gana da família são as pedras preciosas. Notadamente as pedras não polidas, ainda em estado bruto... me entendem? Não estão atrás de colares, coroas, objetos de arte. O que realmente lhes atrai são as pedras. Eu reuni todos os casos, em todos eles uma pedra diferente é mencionada, por exemplo: ametista, roubada na Espanha, numa exposição em 1978. Turquesa, retirada de um pequeno museu de peças brutas no Arizona em 1981. Quartzos no Museu das Pedras Preciosas de Virgínia, em 1980. Azurita e Malaquita, roubadas do Santuário da Virgem no México em 1985. A famosa Lápis-lazuli, ou lazurita, que desapareceu do Centro de Pesquisas no Chile, em 1978. E assim vai... Uma lista de mais de 100 pedras diferentes, sem repetir nenhuma." – concluiu Byers, percebendo a atenção que lhe era prestada. "E você conseguiria fazer uma lista, Byers? Por data, ou melhor, por ordem alfabética?" – perguntou Mulder, maquinando alguma coisa. "O que pretende, Mulder?" – perguntou Frohike. "Veja se consegue uma lista de pedras preciosas. Gemas, como os técnicos chamam. Vamos ver se conseguimos relacionar os crimes por data, ou por local, ou por ordem alfabética, ou... sei lá. Talvez tenha alguma relação e possamos descobrir qual é a pedra que querem de Scully..." "Mulder..." – chamou-lhe Langly. – "Porque Scully? Ela possui alguma pedra? Tem ligação com alguma gema? Dona Margareth tem, em algum lugar, uma pedra preciosa?" "Não que eu saiba, Langly. Mas talvez essa lista nos leve a algum lugar. Veja o que encontra pra mim sim, Byers.... Eu preciso de um banho." Washington D.C. Prédio J. Edgar Hoover – Sede do F.B.I. 17/08/00 – Segunda-feira - 8:45 a.m. Logo cedo, reuniram-se no escritório, Mulder, os Pistoleiros Solitários, Skinner e cinco agentes. Assim que o Diretor Assistente deu início a leitura das provas trazidas pelos quatro amigos, percebeu que realmente sua Agente Especial corria sério perigo. Em pouco tempo, 3 equipes foram movidas. A primeira, em Chicago, que alegou não saber do paradeiro de seu Agente Steve Howkie. Os 3 agentes de Chicago que também tinham estado na Base, afirmaram que, no dia 15, às 6 da tarde, eles despediram-se de Howkie e Scully, que iam no carro do agente, em direção a Indianápolis, onde jantariam. Depois disso não mais viram nenhum dos dois. A segunda, em Indianápolis, que procurou por informações dos agentes na cidade e na Base, sem nenhuma novidade. E a terceira, que revistou a casa de Margareth Scully, em busca de pistas como arrombamento ou sangue, mas nada foi encontrado. Bill foi contactado e alegou não saber de nada, prometendo que avisaria o irmão e iriam imediatamente para Washington, ajudar no que fosse possível. Fiumicino - Roma – Itália Aeroporto Leonardo da Vinci 17/08/00 – Segunda-feira - 6:58 p.m. Depois de quase 24h de vôo, o pequeno avião procedente de Nova York, pousava em uma pista secundária do movimentado aeroporto italiano. O avião foi levado a um angar particular, e fechado por dentro, onde os passageiros aguardaram até que escurecesse completamente. O calor era insuportável desde que amanhecera e, finalmente, com o cair da noite, Scully podia respirar aliviada diante do clima mediterrâneo. Preocupava- se com Meg que havia estado calada durante quase toda a viagem, não reclamava, não conversava, mal comentava as poucas palavras da filha. Dalí, foram levadas em um belo carro preto, durante 40 minutos, até um incrível mansão. Quando chegaram, Fabiano desceu do outro carro e veio abrir-lhes a porta. Logo começou as explicações. "Esta é nossa Vila del Mare I." – o que fez Dana lembrar-se do nome da casa de Nova York. – "A praia fica ali." – apontou a imensidão escura, destacada pela abertura do portão. – "Ficarão aqui, por um bom tempo. Vou-lhes apresentar minha família. Venham comigo." – e apanhou o braço de Meg para conduzí-la até a varanda. Lá estavam três senhores, o mais velho, gordo, sorridente e careca, recebeu Fabiano de braços abertos: "Figlio mio! Quantas saudades de ti!" – abraçava-o firmemente. – "Signora!" – e cumprimentou educadamente Margareth que se permitiu um sorriso. Dana permaneceu atrás, estudando a grande família. Ali estava Carlos Bonazza, o patriarca dos mafiosos. Mais parecia uma típica reunião italiana que Fabiano apresentou-lhe: Seu irmão do meio Guilherme, loiro como Fabiano, sua irmã mais nova, Milene, 19 anos, olhar inteligente, sério, malicioso. Os dois irmãos de Carlos, Fabrízio e Giacomo, cada um com suas esposas, claramente, do segundo casamento, e três crianças pequenas que não demoraram a rodear Dana, pedindo colo. O que espantou Dana é que toda a família tinha os mais belos olhos azuis que ela já tinha visto. Todos acolheram-na, e a sua mãe, como se ela fosse uma integrante da família. Conduziram cada uma a um grande quarto, no terceiro andar, da bela mansão. Uma gorda senhora que parecia ser a governanta da casa sorria-lhe todo tempo, e dava-lhe instruções num inglês carregado de expressões italianas. Mostrou-lhe um grande closet com dezenas de roupas, mas nenhuma era como as que vestia em Washington, tudo muito leve, colorido, provavelmente a moda das moças da casa. E aparentemente um ou dois números menores do que usava habitualmente. "É tudo seu". Dizia, para pô-la a vontade. Dana sorria até que Fabiano entrou no quarto e beijando sonoramente as faces da gorda, disse que cuidaria do resto. A senhora retirou-se falando rapidamente em italiano. Dana sentiu-se desconfortável por estar sozinha com ele. "Dana. Jantaremos em meia hora. Todos querem conhecê-la melhor, saber de suas habilidades." – ele olhava-a no fundo dos olhos enquanto enlaçava-a pela cintura. – "Acho que todos gostariam que ficasse conosco..." – mas foi empurrado antes que pudesse beijá-la. "Farei o que tiver que ser feito, mas pela segurança de minha mãe. Por mais nada. Farei o serviço que querem que eu faça, mas espero nunca mais ver a sua cara nojenta depois disso." "Não tem escolhas." – ameaçou-a apertando seu braço. – "Quero-a, em meia hora, na sala de jantar. E comporte-se, para não complicar as coisas." – e dirigiu-se a porta. "Porco." – ela murmurou baixinho. Ele voltou-se para ela. "Caso tenha que dar cabo de Meg, aviso-lhe que sei onde mora Bill Jr., e sei que ele tem esposa e filho." – ele sorria vendo-a empalhidecer. – "ciao! caríssima". Scully dirigiu-se ao banheiro e tomou um longo banho, enquanto pensava em como agir. Restava-lha apenas obedecer e preservar ao máximo a amizade e paciência da família. Quem sabe assim não dariam cabo de suas vidas. Pôs-se a pensar em Mulder , enquanto constatava que, realmente, nenhuma daquelas roupas eram de seu agrado. Parecia uma adolescente vestindo-se com saias curtas de lesie, blusinhas de algodão, e sandalinhas de dedo. Ao passar pelo quarto da mãe, ao lado do seu, entendeu que apenas ela desceria para o tal jantar, pois a mãe comia no quarto, uma grande variedade de frutos do mar. Meg sorriu-lhe quando reparou nos trajes da filha. "Vai colher flores no campo, Dana?" "Ora, mamãe... Isso é ridículo. Só tenho roupas assim." "Meu guarda-roupa é quase igual ao seu. Talvez um pouco mais compridas." – sorriu apontando o tamanho da saia. "Mamãe. Estive pensando. Vamos acostumar-nos a esta casa, sim? Tente viver como se nada estivesse acontecendo. Não se preocupe comigo. Eles precisam de mim para o tal roubo. Não me farão nada." – e diante da afirmativa da mãe, beijou-lhe e desceu para o jantar. Tudo transcorreu normalmente, ela era tratada como uma amiga, e não falou-se de negócio em nenhum momento. Aparentemente, a única que não gostava dela era Milene, que encarava-a a todo tempo. Cara feia. Quando o jantar terminou, Carlos conduziu-a a um belo escritório. "Entre querida." – e indicou-lhe uma poltrona. – "Me acompanha em alguma bebida?" – Dana negou com a cabeça, e ele serviu-se de uma dose de licor de cerejas, sentando-se a frente dela. –"E então? Fabiano já deve ter iniciado a conversa com você, não?" "Não, senhor." – ela encarava-o nos olhos. "Pois bem. Serei claro porque vejo que é inteligente. Estamos esperando a exposição de uma pedra preciosa belíssima, semi-lapidada, em um museu ainda não definido. Talvez o saibamos amanhã ou depois, quando muito. Só que não trabalhamos mais por nós mesmos. São sempre nossos capangas que fazem o trabalho. Eu nunca me envolvo. Ou melhor, desde que fui dado como morto é que afastei-me da prática. Acho que percebe que somos uma família normal, temos crianças, mulheres. Tudo aqui corre bem. Só nos envolvemos quando a pedra chega em nossas mãos. Nós realizamos esse trabalho com pedras desde 77, tenho quase todas, de acordo com os maiores gemólogos da Europa. Falta-me uma. E é essa que você trará pra mim. Fabiano vem se envolvendo incrivelmente com os roubos nos E.U.A. desde que entrou para o F.B.I.. A partir de agora eu o proibí. Ele disse que então traria para mim alguém que fizesse o nosso último serviço. Me trouxe você. Fez-me um relatório completo sobre suas habilidades, sua vida, etc, então, apoiados em Milene, que traça todos os nossos planos de assalto, drible de segurança e fuga, armaremos o modo perfeito de termos essaa pedra. Milene entende tudo de computação, sistemas de alarme, equipamentos e sistemas eletrônicos, com auxílio de satélites, radares e armas. Sei que gostará de trabalhar conosco, Dana. Somos extremamente profissionais, se é que me entende. E caso Fabiano tente algo fora dos planos, ou qualquer um dos garotos, quero que me avise, sem medo. Quero que entenda que nada acontecerá, nem a você, nem a sua madre.Sejamos amigos, sim?" – e sorriu- lhe abertamente. Scully permaneceu séria, encarando-o. Depois acenou levemente e sorriu. "Sejamos. Posso lhe pedir uma coisa?" "Sicuro!" "Não faça nada a minha mãe, por favor. Eu farei o que quiserem e depois iremos embora. Não tocaremos mais no assunto. Esqueceremos tudo. E vocês nos esquecem..." "Dana..." – sorriu benevolente. – "Sabe que não será assim. Sabe que quando sair daqui colocará todo o F.B.I. atrás de nós... Mas sairemos daqui assim que você cumprir o acordo. Não nos verá nunca mais, nem ouvirá falar de nós. Cuidaremos de nossas vidas a partir de então." "Porque fazem isso?" – perguntou após uns segundos de intenso silêncio. – "Porque não levam uma vida normal, aproveitando sua riqueza, tirando as crianças dessa vida insegura?..." "Querida... Já pensei sobre isso várias vezes. Mas é uma compulsão. Acho que entende disso já que é médica e tem um parceiro psicólogo." – e sorriu ao ver a expressão de espanto dela. – "Sim, eu sei de tudo. Bem, mas como dizia, é mais ou menos assim, você começa roubando um chocolate, quando percebe está roubando um banco. Você pode se arrepender, mas não pode ser perdoado, não pode voltar atrás. E quando percebe, toda sua família tomou o mesmo caminho, e então seu irmão morre, sua cunhada morre, seu sobrinho, sua afilhada, e assim vai... A culpa é grande demais para parar. Mas esse é o último. Depois mandarei minha família pelo mundo para viverem suas vidas. Espero que você entenda um velho homem que se arrependeu e quer recomeçar. E principalmente, um velho que entendeu que seus netos e parentes não são culpados pelos erros de sua vida. A culpa é algo terível, Agente Scully." Washington D.C. Q.G. dos Pistoleiros Solitários – local exato desconhecido 17/08/00 – Segunda-feira - 9:02 p.m. "Aqui Mulder!" – Langly chamou-lhe a atenção. "Sim...?" – Mulder tinha olheiras profundas e a barba por fazer como todos ali. "A lista das gemas por ordem alfabética." "Ótimo! Byers, traga a lista das pedras roubadas... vamos ver o que conseguimos. São quantas pedras na lista oficial, Langly?" "108. Algumas delas tem variedades de cores, mas não são contadas." "Certo, vam..." "Achei!" – gritou Frohike, de um dos computadores. – "Achei Mulder. O desgraçado tá em Nova York!" "Como conseguiu? Como sabe?" – Mulder correu até o amigo. "O Scènic preto, placa KWA-1215 – Chicago, encontrado no estacionamento da pista A. Lincoln, no subúrbio de Nova York. Ao lado do angar 5b." "Obrigado, Frohike. Vou mover a equipe pra lá. Langly descubra qual a ligação das gemas das duas listas... veja o que consegue para mim, certo? Eu estarei no celular." – dizia enquanto discava um número. – "Senhor, é o Agente Mulder..." Escritório do F.B.I. - Prédio Federal Quinta Avenida – Nova York. 18/08/00 – Segunda-feira - 1: 13 a.m. Mulder, Skinner e mais 5 agentes chegaram ao escritório do F.B.I. em Nova York e foram postos a par de tudo. O Scènic realmente estava estacionado ao lado do angar 5b, angar este pertencente a Daniel Lemington. Que não foi encontrado no local estabelecido pelo contrato como sua residência. No local havia um grande terreno baldio, usado como aterro sanitário. O carro estava realmente em nome de Steve Howkie, mas a caminhonete alugada que estava dentro do angar, apesar de também estar em Nome de D. Lemington, possuia um número de telefone diferente do utilizado no contrato do aeroporto. Rastreado, foi descoberto um celular, pertencente a uma prostituta de luxo no Brooklyn, que estava sob interrogatório. Na torre de controle do aeroporto as informações que foram conseguidas foi que o avião decolara às 7:14 p.m. do dia 16/08, após passar por uma manutenção rigorosa e ter seu tanque cheio para suportar uma viagem de quase um dia e que, além da tripulação, cerca de 8 pessoas embarcaram. Quando perguntados se alguma mulher teria embarcado a resposta foi "Talvez". Antes das duas da manhã, um agente chegou com uma boa notícia. O celular havia sido dado à prostituta pelo namorado, chamado Leonard Bonazza. Foi então que Mulder respirou aliviado. Agora tinham uma pista que poderia levar a Scully. A prostituta levou-os até uma gigantesca mansão, nos limites da cidade de Nova York, com uma discreta placa azul sobre o portão "Vila del Mare II". Numa perfeita operação, a casa foi invadida, mas nada foi encontrado, além de uma maca em uma cela no porão, algumas cordas. Num dos quartos encontraram algodões e bandagens que haviam sido utilizadas. A cama estava desfeita. O local foi revistado em busca de impressões digitais e fios de cabelo. Skinner mandou que Mulder voltasse a Washington com ele, pois as investigações continuariam fora dos E.U.A.. De acordo com o material encontrado pelos pistoleiros e com os dados conseguidos no aeroporto, as buscas levavam à Itália. Que Mulder fosse descançar e arrumar as malas. O Bureau cuidaria das passagens para aquele dia mesmo. Mulder chegou algumas horas após o amanhecer ao Q.G. dos Pistoleiros. Eles, como o agente, não haviam dormido, e o melhor, haviam acabado de descobrir uma pista incrível. Mulder colucou-os a par de tudo. E eles concordaram que o destino agora era Itália. Mostraram ao amigo o que haviam conseguido. Trabalharam com a lista de pedras e a lista de crimes e chegaram a conclusão de que duas pedras falatavam: hematita e água- marinha. Nenhuma das duas constavam na lista de roubos. "E como isso pode nos ajudar?" – perguntou Mulder, sem muitas esperanças. "Até uma hora atrás não ajudaria em nada. Mas olha só o que achamos na internet, no site do jornal italiano "La Matina" de hoje." – e apontou- lhe o título da edição em inglês: "Confirmada a exposição das pedras semi-lapidadas no Palazzo del Sole, de hoje a Sexta."... "... a principal atração é a àgua-marinha brasileira com mais de 5cm de diâmetro..." – sorriu Frohike. - "É lá que a família Bonazza vai agir." Às 4: 30 p.m., do dia 18, o Boing da American Airlines, com destino a Roma, decolava, levando a bordo 15 agentes, o Agente Mulder e o Diretor Assistente Skinner. Com um mandato de prisão e autorização de livre movimento na Itália, assinado pelo embaixador Italiano em acordo com o embaixador Americano. O apoio da polícia da Itália já estava garantido e o Palazzo del Sole devidamente vigiado. Itália Vila del Mare I – proximidades de Óstia Marina. 18/08/00 – Terça-feira - 5:13 p.m. Durante todo dia Scully passou treinando para seu serviço. Inspecionada por Leonard, Joe, Guilherme e Fabiano, ela passou cerca de cinco horas no subsolo da casa, devidamente equipado para treinos, afinando sua mira. Obteve as melhores explicações no ramo, com Guilherme, que demonstrava suas habilidades de tiro. Lá conheceu todos os tipos de revólveres, pistolas, fuzis, e até metralhadoras. Aprendeu a manejar bombas e granadas. Quando o sol diminui um pouco, os cinco foram para praia e Scully teve que correr cerca de 2km, acompanhada de seus "guarda-costas". Cristina, esposa de Fabrízio, deu-lhe um maiô preto antes de sair de casa, pois Fabiano garantiu que a natação seria necessária. Ela nadou durante mais duas horas, e, quando escureceu, foi levada de volta a vila. O calor estava insuportável, e Scully extremamente queimada, pois correra sob o sol. A mãe foi até seu quarto. "Dana, querida, como está?" – disse apanhando-lhe o creme das mãos e passando levemente nos ombros vermelhos da filha. "Ardida, mamãe. Sabe, foi um dia diferente. Me tratam como se fossem meus treinadores e em momento algum me ameaçaram. Foi interessante. A praia é linda, o mar delicioso..." – ela sorria. "Está gostando Dana?" "Não mamãe, não é isso. É que podia ser realmente pior. Podiamos estar sendo mal-tratadas, torturadas. E não. Tratam-nos bem. Por um momento, vejo algo mais do que mafiosos nessa casa, vejo uma família." – ficou em silêncio, observando sua cor. – "Como foi seu dia?" "Muito bom. Cristina e Mônica tem só 22 anos cada uma, sabia? E Cris já tem dois filhos. Aliás, são uns anjos. Nós passamos todo o dia na beira da piscina, conversando. Mônica é Siciliana e Cristina é de Nápoles..." "Mamãe." – a mãe fitou-a placidamente. – "Eu vou cometer um crime. Vou roubar uma jóia." – os olhos de Scully encheram-se de lágrimas. – "Não poderei conviver comigo mesma depois disso... Eu... não.. Eu..." "Dana, Dana." – e acolheu-a em seus braços sentindo as lágrimas quentes molharem seu colo. – "Não há o que pensar. Nào há o que discutir. Você está lutando pela nossa sobrevivência. Não é culpada de nada.Tudo ficará bem." O jantar foi animado, tipicamente italiano, mas o calor era tão grande, que ela pouco comeu. Depois todos foram a varanda. Sentaram- se no chão e nas cadeiras de palha ao redor de Sr. Bonazza, que, incitado pelos netos, contou as histórias de seu avô nas plantações de uva do século XIX, ao sul da península. Scully sentia como se ouvisse seu avô contar-lhe as histórias sobre a Irlanda e sobre algumas guerras européias. Tão animado estava que, regados a vinho, foram deitar-se somente depois das 3 da manhã. Scully trocou-se, colocando um robe leve e foi deitar-se no chão da varanda, que dava para praia, pois as costas ardiam-lhe muito, a ponto de não poder deitar-se sobre os lençóis. Não demorou, um único pensamento veio a sua cabeça. Mulder. A situação estava se tornando complicada... E se ele nem sequer tivesse dado a falta dela? E se Fabiano houvesse armado a coisa de tal modo, que todos pensassem que eles estariam juntos e bem, por vontade dela? E se ninguém houvesse pensado na possibilidade de sequestro? Como iriam ligar o Agente Steve Howkie, exemplar, 10 anos de F.B.I., ao sequestro de uma Agente? Mulder talvez estivesse tão magoado que não iria querer vê-la por um bom tempo... Então porque se daria ao trabalho de vir socorrê-la? Foi assimque Dana Scully adormeceu sobre o piso da varanda, banhada pela brisa do Mar Tirreno, afogada em suas dúvidas e culpas. 19/08/00 – Quarta-feira- 7:02 a.m. No dia seguinte, o treinamento começou cedo. Assim que tomou o café foi levada até Sr. Bonazza, que a acomodou num grande sofá e dispôs-se a explicar o plano. Lá estavam Milene, com seu laptop, Fabiano, Joe e Leonard. "Dana, querida.... Já tive minha conversa com todos eles e já está tudo determinado. Milene trabalhará da melhor forma possível para não colocar a ação em risco, e muito menos você. O plano é simples mas a preparação é complexa. Creio que terá quase todo o dia de hoje com Mili, que explicará o funcionamento de todo o equipamento utilizado e, assim, poderá constatar que estamos muito bem desenvolvidos em termos tecnológicos." – Dana dirigiu um leve olhar a Milene que mantinha-se com a mesma expressão de desprezo. "Já sabe qual a pedra e qual o local?" – ela perguntou, voltando-se ao Sr. Bonazza. "Sim. Venha, vou levá-la até nossa sala dos tesouros, antes que ela comece a ser empacotada." – e conduziu-a pelo braço pelo corredor. "Empacotada? "Exatamente, querida. Como lhe disse, assim que tiver minha pedra nas mãos, iremos todos embora. Não são todos que sabem disso, ainda. Portanto peço que não comente, certo?" – e abriu-lhe a última porta do corredor, dando-lhe a passagem. Scully não conteve-se. Era maravilhoso. Uma sala todinha de prateleiras de vidro, forradas de pedras brutas de todas as formas, cores e tamanhos, catalagodas pelos seus respectivos nomes, em ordem alfabética. Ela rodeou a sala, estampando um belo sorriso, pois via a variedade de peças que ali existiam. "Como conseguiu?" – perguntou em êxtase. Mas diante do silêncio triste do velho, deu-se conta da ingenuidade da pergunta e apagou o sorriso dos lábios. – "Realmente é um tesouro. Mas nenhuma delas aqui é sua." – fez um silêncio pesado diante da expressão de culpa do homem. – "Mas já conversamos sobre isso. Cabe a você decidir. Porque falta uma peça, ali?" "É a sua. É a que irá trazer-me." "E qual é?" "Esta." – e indicou-lhe o jornal da manhã anterior. – "A água-marinha brasileira no Palazzo del Sole." – E pôde notar a tristeza nos olhos da moça, que devolvendo-lhe o jornal, retirou-se cabisbaixa. Ela e Milene foram a um grande escritório. Mili abriu seu laptop e, com incríveis programas de computação gráfica, iniciou as explicações dos prováveis sistemas de segurança utilizados na exposição e que Scully deveria estar apta para desarmar, seja qual fosse. "Esse é o sistema mais usado." – mostrou-lhe uma planta básica de uma sala de exposições em 3D. – "Um sensor colocado nos cantos do recinto, acionado quando não há mais ninguém. Ele detecta o menor toque no solo e transmite ao computador central a imagem. Por exemplo: se uma mosca pousar, ele desenha na tela da central o inseto e dá características como temperatura, tamanho e peso. Logo, um humano seria detectado logo que pisasse. Para isso temos um sistema para o qual você será treinada e devidamente equipada. Vê a entrada de ar?" – e apontou-lhe na planta básica, um pequeno quadrado com cerca de 1m², a mais de 3m do chão. – "É aqui que tudo começa. Com aquele material que está ali naquela mesa, você poderá percorrer o salão sem tocar o chão. Com devida aparelhagem, você calcula onde ele irá se fixar, e será uma corda paralela ao chão, numa distância de cerca de 3 metros. Com seus treinamentos do F.B.I., temos certeza de que não terá maiores problemas para deslizar pelo cabo, certo?" – e sem dar-lhe tempo para responder, continuou. – "Quando chegar sobre a redoma de vidro que cerca cada uma dessas peças, você terá este cartão, e este aparelho." – e entregou-lhes. – "Eles burlam qualquer código de segurança e desligam os alarmes. Assim você abrirá um buraco no vidro, com aquilo ali" – e apontou-lhe mais um objeto. – "e, sem mexer na posição da redoma, pois não temos o equipamento necessário para desativar o alarme que está sob ela, você irá apanhar a pedra. Mas há um alarme sob ela." – Milene ignorava a expressão de espanto de Scully. – "Pra ela ser retirada, algo deve estar pressionando o local, senão soa um sinal terrível nos computadores centrais. Bem, essa coisa que eles utilizam, funciona com o peso. Mas já estudamos bem essa parte, e chegamos a conclusão de que um pedra falsa que temos tem a mesma massa que a água- marinha do Brasil. É só manter o suporte pressionado com uma das mãos, guardar a pedra em local seguro com a outra mão, apanhar a pedra falsa, e retirar a pressão com a outra das mãos. Depois é só voltar pelo mesmo caminho." "Eu..." – Scully não saía de seu assombro. "Ah.... tem mais uma coisa. Muito importante. Há um sensor de calor." – e diante da expressão de ignorância da Agente, Milene explicitou. – "Um sensor que detecta as variações de temperatura na sala. Você, como estará em atividade, representará um grande aumento na temperatura da sala. Aí o alarme soa. Aí ciao! Pra isso você estará com uma roupa própria, uma malha aderente, um isolante térmico e impermeável. Mas ela tem um probleminha. Não permite a troca de calor do seu corpo com o meio. Logo, você esquenta e sua. E se suar, e alguma gota pingar no chão o detector de solo acusará sua presença.... Você está menstruada?" – Dana negou, perplexa com a pergunta. – "Melhor assim. Se estivesse a temperatura de seu corpo seria ainda maior. Bem, vou lhe ensinar a mexer nos equipamentos... alguma pergunta?" "Pergunta? – Scully continuava assombrada. – "Vocês não precisam de mim... Precisam de um robô, que não precisa de treinamentos, que não respira, não sua e que não morre a balaços. Estão loucos. Se eu chegar até a pedra, o que é improvável, não conseguirei voltar. Tem noção do que quer que eu faça? Se vo..." "Escute." – Milene cortou-a, não contendo seu desprezo. – "Você não tem escolha. Se quer ver por esse lado, então é assim: ou morre, ou morre. Caríssima! Tente fazer a coisa do modo mais agradável, já que é obrigada a fazer. Se acha que eu concordo com tudo isso, não concordo! Mas quero terminar de qualquer jeito e ver-me livre desse erro todo da minha família. Vai cooperar ou quer que eu deixe por sua conta para realizar a s vontades de meu pai?" "Está bem, terminemos com isso." – respondeu Scully depois de muito pensar. "Bem, essas são as ventosas e os ganchos do cabo... Quanto pesa?" – perguntou bruscamente. "52 kg. Porque?" "Oh Dio!" – e correu até a porta. – "Cris?! Cris?! Venga Qui! Digiuno! Teremos que cuidar de você." – disse encarando Scully. "O que há de errado?" "O cabo suporta só 50 kg. Você ainda portará equipamento e a pedra... Teremos que fazer um regime..." "Regime? "– perguntava cada vez mais impressionada. "Cris?! Ah... um regime, pra ela." – disse dirigindo-se a tia. – "Tem prática nisso, non? Preste atenção. Sabe dos exercícios que ela está fazendo, sabe como será o esquema até o dia. Ela tem que perder pelo menos 4kg. Mas tem que ser algo que sutente e mantenha a força dela. Capisce?" "Capisco! Vou preparar algo delicioso para suas refeiçoes, Dana! Tem problemas com algum tipo de verdura e frutos do mar?" – e diante da negativa de Scully, retirou-se dando ordens em italiano à governanta. "Bem, vamos continuar. Esse cabo funciona da seguinte forma..." Durante toda amanhã e início da tarde, Scully aprendeu como funcionava cada um dos objetos que utilizaria. Os cabos, as garras, os grampos, os minicomputadores que mediam a distância, a mira, e a oscilação da corda. Como utilizar o cartão de acesso, os diferentes tipos de alarme, como desativá-los, como utilizar a faca de vidro, e como retirar a pedra de seu suporte. Depois do leve almoço, e dos últimos esclarecimentos de Mili, Scully foi levada por Fabiano ao quintal, onde um verdadeiro campo de treinamento havia sido armado. Principalmente cordas e barras pois ela teria que sustentar-se toda em braços e pernas. Quando a tarde caiu, ela, Fabiano e Leonard voltaram a praia e correram, nadaram e fizeram flexões. Scully sentia-se como se fosse um soldado na guerra. Quando a noite chegou. Scully foi para casa e negou-se a jantar, tomou seu banho, e dormiu profundamente, enquanto a mãe massageava- lhe as costas com cremes refrescantes, preocupada com as queimaduras de sol. Antes de dormir, ela desabafou com a mãe a sua grande preocupação: "Quando eu terminar, não sei o que será feito de nós mamãe. Não posso garantir-lhe segurança..." – tinha uma enorme vontade de chorar. "Mas eu posso." – Meg sorriu-lhe e encarou-a profundamente. – "Só cumpra o que tem a fazer." – e acariciou os cabelos dela até que dormisse. Roma - Itália Albergo Campo di Oro 19/08/00 – Quarta-feira - 6:45 p.m. Todos os dezessete agentes foram instalados nun hotel simples e confortável, próximo ao centro romano, que era onde ficava o velho prédio do departamento de polícia e investigações federais. Seguiram imediatamente para lá e puseram-se a trabalhar. Mulder coordenava os trabalhos. Ficou-lhe claro que nenhum dos crimes cometidos até hoje pela família Bonazza foram realmente esclarecidos, logo não podiam prender ninguém. A localização da tal vila em que eles moravam não seria possível em um ou dois dias, já que não tinham nenhuma informação mais concreta, e, geralmente, as mansões ficavam em grandes condomínios, onde a polícia não ousava entrar, ou criaria uma verdadeira guerra. Foram informados da estrutura da exposição, e utilizando-se uma planta do local, foi explicado aos americanos que não haveria modo da "água-marinha do Brasil" ser retirada sem ninguém perceber. Mulder explicou, por sua vez, que eles estavam de posse de duas mulheres, uma senhora e uma agente do F.B.I., e que de maneira alguma a vida delas deveria ser posta em perigo. Reunidos, americanos e italianos, decidiram que a melhor solução era que a operação de roubo deveria ser concluída com êxito. Então seguiriam o ladrão e chegariam até o local, ou a pessoa, que levaria-os às duas mulheres. Naquele dia, 9 agentes revesaram-se entre o hotel e a polícia romana, nas buscas por pistas. Os outros 8 agentes, incluindo Mulder e Skinner, visitaram, à paisana, a tal exposição no Palácio do Sol, e ali ficaram durante toda a noite, e a manhã do dia seguinte, de tocaia, para descobrir algo suspeito. O que mostrou ser um trabalho infrutífero. Vila del Mare I – proximidades de Óstia Marina 20/08/00 – Quinta-feira – 7:15 a.m. Scully foi acordada logo cedo e desceu para tomar um café da manhã nutritivo, mas muito magro e sem calorias, ao contrário do resto da família que também estava à mesa e comeu ovos, bacon, pães, queijos, bolos e leite. Ela foi informada de que as fotos tiradas por Joe, no dia anterior haviam sido reveladas, e tudo estava pronto para ela começar. "Fotos? Que fotos?" – perguntou. "Joe foi até a exposição e bateu dezenas de poses do salão das pedras com uma microcâmera. Ficaram ótimas. Estão aqui para você dar uma olhada." – e estendeu-lhe uma pilha de fotografias. – "Joe troxe-nos também a planta do palácio, a planta do sistema de ventilação.... e mais uma surpresinha: os tipos de alarmes utilizados! Meraviglia ragazzo!" "Não fiz uma pergunta..." – Scully cortou os elogios do Sr. Bonazza ao sobrinho. – "Quando será a operação?" "Domani, figlia mia!..." "Domani...Amanhã quer dizer?" – e diante da afirmativa do velho, Scully explodiu. – "É louco? Arma um assalto em dois dias e quer que eu ainda faça a pior parte do serviço. Quer que eu morra ou que eu seja presa? Nunca que vou participar dessa loucura!" – mas calou-se com o violento tapa que levou de Fabiano. "Fabiano! Non faccia questo!" – e extremamente enraivecido, Carlos Bonazza, deu um sonoro tapa no filho. – "Lei non è mio figlio! Esca! Esca! Maledetto! Joe, traga gelo!" – e voltando-se para Scully que estava surpresa com o tapa dado em Fabiano, e que havia saído da sala com raiva, encarou o velho que amparava-a preocupado – "Dói? Perdoe-o, por favor. Sempre foi tão agressivo, explosivo, não consigo controlá- lo.... Talvez a culpa seja minha." "Entenda.... não posso fazer isso. Não posso ir lá amanhã e pegar a pedra." "Sinto, querida. Mas terá que fazê-lo, ou o acordo sobre sua mãe será cumprido, até que nos traga a pedra." Palazzo del Sole - Roma 20/08/00 – Quinta-feira – 2:20 p.m. Mulder havia passado toda a noite e toda a manhã vigiando os movimentos do palácio. Negou-se a ir para o hotel descançar. Tudo que Skinner conseguiu, foi que ele voltasse para comer alguma coisa e tomar um banho, já que dormira a viagem toda dos E.U.A. a Itália. Mas, logo no começo da tarde, lá estava ele, pronto para coordenar as operações durante aquele dia. Ficou no local até as 4 da manhã da Sexta-feira, até que, exausto e preocupado, resolveu ir para o hotel descançar. Vila del Mare I – proximidades de Óstia Marina 20/08/00 – Quinta-feira – 2:04 p.m. Sem escolhas, Scully passou a estudar as plantas e as fotografias e testar os equipamentos. Novamente o dia foi preenchido com exercícios pesados, natação e corrida. Scully sentia-se cada vez mais exausta, e evitava, a todo custo, sequer trocar uma palavra com Fabiano, que, com remorsos, passou a tratá-la bem. Naquela noite, reuniram-se para decidir as últimas coisas. Na sala estavam Scully, Sr. Carlos, Fabiano, Joe, Leonard e Milene. A primeira medida foi checar todo o equipamento. A Segunda medida foi verificar a malha isolante e impermeável que Scully experimentou. Depois, ela foi pesada portando todo o equipamento em seu cinto, uma faca, e a pedra falsa. Tudo deu, exatamente, 49 kg e 800 gramas. Tudo estava em perfeitas condições e os objetos foram ensacados e postos num dos carros que os levariam ao palácio, no dia seguinte. Depois o plano foi revisto, eles iriam como convidados a festa. Toda a família. Durante o encerramento, Scully deveria conhecer o salão e estudar, discretamente, a posição da redoma que continha a pedra. No final da noite, toda a família seria levada para um local desconhecido para Scully, menos ela, Fabiano e Joe que ficariam nas proximidades do Palazzo. Alí a operação teria início e como combinado, Fabiano estaria esperando na margem do Rio Tibre com um barco inflável com um pequeno motor, e auxiliando a operação por meio de rádio e computador. O rio ficava a cerca de 200 metros da saída por onde Dana se moveria. Enquanto isso Joe estaria em determinado lugar com Margareth, que seria libertada, ao mesmo tempo que Dana, em pontos diferentes da cidade. Tudo ficou certo, e todos se retiraram para descançar. Antes de Scully sair dirigiu-se ao Signore. "Qual é a garantia que me dá de que, farei o serviço, e eu e minha mãe escaparemos ilesas?" – perguntou encarando-o profundamente nos olhos. "A minha palavra." – disse perdendo-se nos olhos dela. Vila del Mare I – proximidades de Óstia Marina 21/08/00 – Sexta-feira – 8:05 a.m. Scully descansou tudo o que precisava, recebeu um café leve e diferente na cama, levado pela governanta que expressou todo seu carinho pela moça. Os exercícios continuaram como em todos os dias, até a hora do almoço quando Milene, Cris e Mônica convidaram-lhe para ir a Roma, fazer compras e aranjar um vestido para a festa de logo mais, a noite. Ela espantou-se com o convite e espantou-se mais ainda com o consentimento de Sr. Carlos, que alegou que ela necessitaria de um belo vestido para passar-se por acompanhante de Fabiano. Disse ainda que ela não se preocupasse com o preço e escolhesse o que lhe agradasse. Finalizou encarando-a: "Sei que não fará nada digno de reprovação, pois Meg ficará em casa." Scully assentiu e subiu para arrumar-se. Roma - Itália Palazzo del Sole 21/08/00 – Sexta-feira – 7:40 p.m. A festa de encerramento havia sido marcada para as 7 da noite. A família Bonazza, distribuída em 5 carros, chegou com mais de meia hora de atraso, mas foi muito bem recebida, e Scully pode concluir que, ou todos ali os respeitavam por ser mafiosos, ou desconheciam a real atividade da família, o que era meio impossível. Scully havia comprado durante a tarde um belo vestido numa loja chiquérrima do centro romano. O que mais elogiou-a foi o Sr. Bonazza. Que lhe disse que além do vestido combinar com seus olhos, era, exatamente, da cor da "Água-Marinha do Brasil". Ela foi apresentada, a todos que iam ter com a família, como Miss Scully, e escutou algo que entendeu como se fosse a tutora de Milene. Fabiano, em nenhum momento largava seu braço, e as pessoas já os olhavam como um casal. Dana foi levada a sala de exposições e Fabiano orientou-lhe detalhadamente como proceder logo mais. Apontou-lhe a bela pedra, semi- lapidada. Scully entendeu o porque da ambição pela peça. Era, realmente, maravilhosa. O palácio era gigantesco e a quantidade de pessoas era enorme. Talvez 4 ou 5.000 pessoas. Mulder, devidamente trajado num smoking, estava à paisana, vigiando atentamente, qualquer movimento suspeito próximo ao salão, que tinha 4 entradas, e em cada uma delas dois agentes foram destacados e vigiariam, consequentemente, a ala correspondente. Os outros agentes estavam nos jardins. Foi antes da queima de fogos, às 11 horas, que Fabiano levou Dana para o segundo andar, para mostrar-lhe, uma provável saída, caso houvesse alguma complicação. Quando subiram as escadarias, Scully, por um segundo, olhou em direção ao salão, e a única coisa que viu foi os olhos verdes do parceiro, que acabava de descobrí-la no meio da festa, de braço dado com um mafioso. A troca de olhares durou uma fração, tempo suficiente, para que Dana subisse mais um degrau e Mulder saísse de seu campo de visão. Ela arfou com a expectativa do F.B.I. estar lá, e quase desmaiou, imaginando a possibilidade de eles impedirem o roubo, e, consequentemente, Meg ser morta. Fabiano notou a mudança de expressão nela, e, apoiando-a para que não caísse, perguntou-lhe o que havia acontecido, desconfiando. Mas Scully soube safar-se, e disse- lhe que a pouca alimentação e o excesso de serviço tinham deixado-a fraca. Mulder, sem raciocinar, lançou-se pelo salão, desesperado, pensando somente no olhar de surpresa que a parceira havia lhe dirigido. Mas assim que alcançou a escada, foi barrado por um segurança. "Signore, spiacente..." – começou em italiano o segurança. "Eu não falo italiano, e sou da polícia, tenho que subir." – disse empurrando-o e subindo o primeiro degrau. Mas foi bruscamente interrompido por Skinner. "Não suba." "Ela está lá em cima." – disse tentando soltar-se. "Eu a vi. Mas está acompanhada dos Bonazza. Se for até ela botará tudo a perder. O plano não é esse. Podem matá-la e matar a mãe. Já estão fechando a exposição. Vamos sair daqui, a queima de fogos já vai começar." – ordenou arrastando-o para fora. A queima foi maravilhosa, mas Mulder, em momento algum, olhou para o céu, ele procurava incessantemente, no meio da multidão, os olhos azuis de Scully. Dana foi conduzida por Fabiano até o estacionamente e de lá saíram, com um carro importado, pelos arredores do palácio, entraram em um beco escuro e abandonado que dava na margem do Rio Tibre. Enquanto o homem descarregava o bote e o motor, Dana trocava-se, tirando toda a sua roupa de festa e vestindo a malha isolante e impermeável. Fabiano veio ajudar- lhe, passando-lhe o cinto pelo quadril e prendendo ali tudo que Scully precisaria. Deu-lhe, também, as luvas e a sapatilha, ambas do mesmo material que a roupa. Colocou-lhe o pequeno fone de ouvido do lado direito e depois a toca. Colou em sua nuca a pequena antena que captava os sinais do rádio dele." "É só preesionar que eu escuto sua voz. Quando soltar poderá me ouvir. Não deixe a toca escapar porque o fone não pode ser molhado." – ele dizia, enquanto checava o rádio. Quando ela estava pronta, ele deu-lhe a pedra falsa que foi guardada no cinto. E o pequeno alicate que ela usaria para cortar os arames. Ela finalmente mergulhou nas águas do rio. "Dana, não deixe o cartão molhar. Ele está na bolsa da direita, junto com os outros acessórios eletrônicos, e o cabo está preso atrás do cinto." – ele falava demonstrado toda a sua ansiedade. "Faça a sua parte que eu faço a minha, e por favor, não me deixe nervosa." – e então afundou, perdendo-se nas águas. Nem sua sombra podia ser vista pois sua pele, agora, era da cor da noite. Ela nadou até a outra margem, e saiu do rio escondendo-se nas pilastras de sustentação da ponte. Caminhou, sorrateiramente, os 50 metros até o muro que circundava o palácio. "Estou no muro, vou começar." – disse pressionando o ouvido. Ela sacou as ventosas da bolsa esquerda e prendeu-as nos pulsos e nos joelhos. Assim começou a lenta escalada no muro de quase 4 metros. Ao chegar no topo ficou alguns segundos esperando a voz de Fabiano surgir. "O computador não acusa nenhum policial ou corpo quente rondando a área, você tem 20 segundos de total segurança. Estou com você na tela." – ele informou. Scully, descolando uma das mãos, apanhou, em seu cinto, um pequeno objeto com um teclado numérico e uma tela. Colocou-o em contato com o arame e passou o cartão na abertura própria da maquininha. Em poucos segundos surgiu na tela o número da senha de segurança que desligava a eletricidade da cerca. Apertando o ouvido com o ombro, passou o número a Fabiano que em poucos segundos entrou com a senha no computador central da segurança do palácio. 20 segundos depois deu o sinal de "ok" a ela. Ela puxou os arames farpados da cerca no alto do muro e amarrou-os com um cordão, de modo que pudesse passar pela abertura que sobrou. Apanhou a maquininha e o cartão. Guardou-os. Com a ajuda das ventosas, desceu o muro. "Pode reativar." – disse orientando Fabiano a religar o sistema. "Ok. Religado. Os óculos agora, Dana." – respondeu. Scully apanhou em seu cinto um óculos escuro e colocou-o, pois com ele poderia ver os raios infra-vermelhos e emissões de calor, percebendo, então, a movitação de pessoas. Escondendo-se entre as moitas e árvores do jardim, rodeou o palácio e chegou aos fundos. Foi até uma das portas que ali havia. "Certo. Estou na dispensa." – disse enquanto voltava a apanhar a máquina e o cartão e, com o auxílio de um fio que foi introduzido na fechadura, pôde desativar o alarme e destravar a porta. "Colocou o fio?" – perguntou Fabiano. "Estou passando o cartão..." – e aguardou a resposta "Digite: A V D 8 2 1 4 7." – ele informou e iniciou a contagem para destravamento. – "5, 4, 3, 2, abra!" – E Scully girou a maçaneta, entrou e fechou a porta atrás de si. – "Perfeito, Dana. Religando trava e alarme da porta da dispensa." Scully caminhou entre a bagunça do quarto e chegou à parede da extrema direita. Subiu em uma mesa e desparafusou a tela que cobria a abertura de cerca de 1m² da passagem de ar. Entrou rastejando pela passagem e passou a percorrer o pequeno túnel. "Fabiano? Bifurcação. Direita, para frente e esquerda." – ela informou- lhe. "Esquerda. E siga reto." Ela caminhou mais alguns metros. "Mais uma. Esquerda e direita." – e aguardou informe. "Direita. Aí siga em frente e não toque na tela, certo? Já será a saída de ar do salão." – ele avisou-lhe. Scully quebrou à direita e rastejou-se mais alguns metros até chegar ao final do túnel. Ainda deitada, retirou a máquina e o cartão e repetiu o processo de decifrar o código. Fabiano cantou-lhe os números. "Digite: B N U 1 9 9 4 6 3." – Dana repetiu vagarosamente o que ele havia lhe ditado. Parou no 6. – "Você terá 5 minutos para a operação. Aguarde meu aviso para digitar o 3." – Scully aguardou pacientemente. – "Em 25 segundos será a troca do turno dos guardas, e eu desligarei as câmeras do salão, então terá 5 minutos. Boa sorte." – e iniciou a contagem. – "4, 3, 2, vai!" Ela digitou o número 3 que faltava e ele avisou-lhe que o alarme havia sido desligado. Então com a ajuda da faca que portava, arrebentou, rapidamente, todo o trançado da tela de proteção e diante dela estava todo o salão mergulhado numa leve penumbra, se não fosse pelos óculos que usava e que mostrava-lhe todo o chão a sua frente num vermelho vivo, devido aos raios infra-vermelhos do alarme de solo, como Milene havia explicado. Imediatamente, apanhou um pequeno propulsor acoplado a um pequeno computador que Milene chamava de C.C. ou Controle de Cabo. Acoplou a ele o cabo que trazia na cintura. O computador calculou a distância e o impulso necessários para lançar o cabo. Ela digitou o enter e o cabo foi lançado a uma grande velocidade, até a parede do outro lado a cerca de 10 metros de distância, fixando-se por meio de ventosas e garras nas pedras que adornavam a parede. Ela acomodou o gancho em seu cinto, verificou se realmente estava seguro e rastejando-se sobre o fino cabo, deitou-se sobre ele. Com uma das mãos prendeu o gancho, e girou no eixo do cabo, de modo que ficou olhando para o teto, de costas para o chão. A partir daí, movimentou-se, vagarosamente, como um mico num galho, ouvindo as informações de Fabiano. "1 metro completo. Tensão do cabo em 55%. Ok, continue. 1,5 metro completo. Tensão em 57%. 2,5 metro. Tensão 58%. Você tem 4 minutos para finalizar a operação, Dana. 3,5m. Tensão 62%. Dana, é melhor ir mais devagar. 4,5m. 67%. Não deixe atingir 75%. Dana, você está no meio do caminho, a tensão está muito alta, 71%. Dana, 73%. 74. 75. 76%. Você está balançando demais." Ela parou por um segundos até sentir que o cabo não mais oscilava. Respirou profundamente. "Ok. Tensão 68%. 64%. 59%. Continue. 5,5m, tensão 63%. 6,5m, 63%. 7m, 62%. Não balance, não corra. Você tem 3 minutos e 15 segundos. 8m, 62%. 9m, 63%. Não corra. Falta meio metro. Tensão, ok. Dana, você está sobre ela. Tensão 62%. 59%. 58%. Estabilizado. Pode iniciar". Scully, utilizando-se dos braços e das pernas, girou e ficou deitada sobre o cabo, de frente para o chão, de costas para o teto. Sob ela a grande redoma de vidro que continha a "Água-Marinha do Brasil". Sem perder tempo, apanhou em seu cinto a máquina e o cartão, colocou-os sobre o vidro e passou o cartão, enquanto pressionava o ouvido com o ombro. "Passei o cartão na redoma." "Ok. Digite: H J K 2 3 6 4 7 1. Você tem 2 minutos e 37 segundos." – ditou ele enquanto ela digitava. – "ok. Alarme desligado. 40 segundos para detecção de defeito no sistema pelo alarme central." Ela apanhou no cinto o estranho compasso que cortaria o vidro. Rapidamente abriu um grande buraco onde pudesse enfiar as duas mãos. E logo pode tocar a pedra. Com a mão esquerda pegou-a e com a direita manejou a faca para pressionar o botão do alarme sob a pedra. "Dana, cuidado a tensão está aumentando. 62%, 63, 65, 67. Não está estabilizando. O que você está fazendo? 70%! 72%. Dana, o que está havendo?" Enquanto pressionava a faca, ela retirava, vagarosamente, a mão com a pedra e levava-a ao pescoço, enfiando a pedra pela gola da malha e acomodando-a entre os seios. Mas o fato de portar as duas pedras, a verdadeira e a falsa, fez com que seu peso aumentasse alguns gramas e, assim, o cabo começasse a ceder. Fabiano começava a desesperar-se. "74%. 76%. 78%. Não pode ultrapassar 90 ou arrebenta. Desfaça-se dessa maldita pedra, rápido. Você tem 15 segundos para religar o sistema da redoma. Dana! Está me ouvindo." Ela sentia o suor brotar-lhe nas têmporas e a cabeça latejar. Apanhou a pedra falsa em seu cinto e esticou o braço esquerdo, colocando, onde estava a pedra azul, uma grotesca pedra vermelha. Antes de concluir o movimento, Fabiano avisou-lhe: "Tensão 80%. Tensão 83%. Tensão 85%. 87%, 88%, 89 %." Finalmente ela desfez-se da pedra e recolheu os braços para junto do cabo. Suspirando profundamente. "Droga, Dana! O que pensa que esta fazendo? Se cair daí, põe tudo a perder! Tensão caindo em 70%. 69%.Tem 10 segundos para religar o sistema, senão o alarme dispara." "Ok. Passando o cartão." – ela falou pressionando o fone com o ombro. "Digite: H J K 2 3 6 4 7 1. Você tem 4 segundos..." Scully digitou o número e retirou a máquina e o cartão, colocando-os no cinto. "Ok. Perfeito!" – ele dizia aliviado. – "A troca de turno vai ser concluída em exato 1 minuto e 46 segundos e então você terá que estar na entrada de ar. Volte com calma." Ela, agora, voltava a posição inicial, pendurada por pernas, braços e um gancho, ao cabo, de costas para o chão. Seguiu, aproximando- se do duto de ar. "7m para o duto. Tensão 65%. 6m e tensão em 70%. 5m e tensão em 72%. Devagar, ou vai balançar. Devagar. 4m e 74%. Você tá no meio da corda, a tensão é maior, vai com calma... 3m, 72%, 1 minuto. 2m, 70%. 1m, 68%. 50 segundos. Já pode sentir a entrada." Scully apoiou os pés na entrada e rastejou-se para dentro. Antes que pudesse recolher a cabeça, suspirou profundamente e uma gota de suor caiu de sua testa direto no chão e ela pôde perceber a oscilação no infra- vermelho. E assim que começou a digitar os comandos necessários para o recolhimento do cabo, ouviu: "Alguma coisa aconteceu, Dana. O infra-vermelho do solo detectou algo. O que aconteceu? Responda, o que aconteceu?" – e diante do silêncio dela, informou-lhe: - "Você tem 40 segundos até que o computador central detecte e forme a imagem do que caiu no chão." O cabo foi recolhido, ela prendeu-o no cinto, tocou o peito a procura da pedra, e sentiu-a ali. Revirou-se dentro do pequeno espaço e pôs-se a engatinhar pelo túnel. Apertou o fone. "Me dê minha direção." "Esquerda. Em frente. Direita. Você tem 20 segundos." Ela chegou a sala e desceu do duto sobre a mesa, e sem preocupar-se em fechar a saída, correu até a porta e, novamente, utilizou-se da máquina e do cartão. Na sala de controle estavam dois seguranças e Skinner, portando um rádio que o mantinha em comunicação com os dezesseis agentes do F.B.I. e os 5 policiais italianos que estavam participando da operação. Quando a imagem formou-se na tela do computador central, constataram que era suor e, no segundo seguinte, descobriram que o sistema de segurança dos dutos de ar tinha sido cortado. Tentaram religar, mas havia falha no sistema. Mulder, três agentes e dois policiais dirigiram-se para o salão de exposições e foram surpreendidos por uma entrada de ar arrombada, uma redoma de vidro com um grande buraco e uma estranha pedra vermelha no local da água- marinha. Dana entrou em contato com Fabiano quando acoplou o fio à fechadura e passou o cartão. "A senha. Qual é a senha?" – ela dizia arfando. "A V D 8 2 1 4 7. Prepare para a contagem: 4, 3, 2, abra." Ela abriu a porta, arrancou o fio, e saiu correndo. Mas assim que pisou o calçamento do jardim, escutou o estridente alarme soando. Mulder descia correndo, sacando sua arma e seu rádio e entrando em contato com Skinner. "Senhor? Estou indo para o jardim, os agentes estão buscando por todo o palácio." "Certo. Lembre-se do plano. Siga-o mas não deixe que ele perceba. Não atire. Temos que descobrir aonde vai para podermos achar Scully. Me mantenha informado." Scully corria, desesperadamente, entre as árvores ouvindo Fabiano apressar-lhe. "Dana! Corra! Tem a pedra? Me avise quando se aproximar do muro..." Corria sem preocupar-se em esconder-se. Suava e tinha uma vontade enorme de chorar. O medo consumia-lhe. Escutou, vindo de algum lugar, lá atrás, longe, gritos. As pernas fraquejavam e tremiam. Ela sentia que cairia a qualquer instante. Tirou da bolsinha as ventosas que utilizaria no muro e prendeu-as nos joelhos. Apanhou o outro par. Mulder corria em direção ao rio. "Senhor. Achei o ladrão. Está correndo em direção ao muro, a 100 metros da ponte." "Ok, Mulder. Estou enviando os agentes praí. Não o perca." Ela prendia as ventosas no pulso. Antes de chagar ao muro, pressionou o ouvido. "Fabiano, desative a cerca. Rápido." "5 segundos para desativar, Dana." Mulder viu o vulto negro, alguns metros adiante, preparando- se para subir pelo muro. "Parado aí! F.B.I.!" Dana subia utilizando-se das ventosas, mas sabia que era um alvo perfeito ali, aderida ao muro, percebeu, a alguns metros atrás de si, os gritos. "Cerca desativada." "Estou sendo perseguida, estão gritando algo." "Já tenho o barco esperando-a na margem. Apresse-se." Ela já estava no alto do muro, quando Mulder contactou Skinner. "Senhor, não poderei segui-lo. Vou perdê-lo." "Então atire. Mas não o mate. Estamos chegando." Ele apontou a arma, mas o vulto já estava do outro lado. Subiu o muro aproveitando as reetrâncias. Scully conseguiu fixar-se no primeiro metro de descida, mas uma forte tontura invadiu-lhe e ela despencou os últimos metros. Foi o tempo exato para que Mulder chegasse ao topo. Ela levantou- se e correu em direção ao rio onde estava o pequeno bote. Mulder apontou a arma e engatilhou. "Não se mova! F.B.I.!" E nesse exato momento Scully parou reconhecendo a voz do parceiro, e, percebendo que ele atiraria, gritou-lhe. "Mulder!" Durante 2 ou 3 segundos eles encararam-se, sem acreditar que estavam frente a frente, mas em lados opostos, depois de quase uma semana, e ele apontava uma arma para ela, e ela estava de acordo com mafiosos. O mundo parou, nenhum dos dois respirou, e Mulder baixou, vagarosamente sua arma. "Dana!" – Fabiano gritava-lhe. Ela deu meia volta e correu em direção ao barco, entrando no rio e perdendo-se na escuridão. Mulder continuou ali, a arma pendendo nas mãos, e uma confusão incrível a dominar-lhe. Fabiano estendeu as mãos, indicando as bolsas. "A pedra. Me dê a pedra." "Não. Só quando chegarmos onde minha mãe está." "Então desfaça-se do cinto, prepare-se para quando precisar descer." E desceram o rio por cerca de 20 minutos, ambos em silêncio. Mulder estremeceu com a voz de Skinner. "Mulder, responda!" "Sim, senhor." – ele respondeu, apático, o chamado no rádio. "Pegou-o?" "Não senhor. Ela... ele fugiu pelo rio, com um cúmplice." "Certo. Volte para a entrada do palácio. Estamos mandando uma equipe descer o rio." "Ok." "Ou melhor, dirija-se para o primeiro beco ao lado da ponte. Parece que acharam algo." "Sim senhor." Ao chegar ao tal beco, um belo carro esporte estava sendo revistado. "O que acha disso, Mulder?" – perguntou Skinner, estendendo- lhe um saco plástico com algo dentro. "É um vestido?" – perguntou, já sabendo a reposta. E diante da afirmativa de Skinner, continuou. – "Era o que Scully usava, há pouco, no baile." "E há utensílios suspeitos." "Há alguma pista que leve a ela?" "Nada. É melhor voltar ao hotel e aguardar. Eu fico aqui vendo se conseguimos algo no rio." Fabiano, finalmente encostou o bote, embaixo de uma ponte, e orientou Scully. "Me dê a pedra. É aqui." Scully tirou a pedra de entre os seios e entregou. "Vê aquele beco?" - ele apontou, depois de analizar a peça. – "Suba por ele e encontrará uma rua larga, calçada com pedras. Vá pela direita. Suba até uma pequena praça circular. Lá haverá uma capela. Margareth estará atrás dela". Scully desceu do barco e entrou na água até a cintura. "Adeus, Dana." Ela nadou para a margem, ignorando-o. Quando chegou ao beco, olhou para o rio. Não havia nada nem ninguém lá. A malha protegia-a da leva brisa e do banho que havia tomado. Então, correu beco acima, pensando somente em encontrar sua mãe. Cerca de 15 minuto depois chegava a tal praça. Avistou, do outro lado, a linda capela do século XVIII. Contornou-a e chamou pela mãe. "Mamãe?" O silêncio era total. Não havia ninguém ali. Ela tremia diante da perspectiva de ter sido enganada e agora Meg estar morta. Sentou-se no chão a ponto de chorar quando ouviu alguém chamar-lhe. "Dana?" Levantou-se e correu aflita em direção a mãe, abraçando-a. "Filha, você está bem? Não machucaram-lhe?" "Não, mamãe, eu estou bem e você, como está?" "Bem, estou bem." "Vamos sair daqui, precisamos achar a polícia, ou então um telefone público." Andaram cerca de uma hora, em direção aos sons e à iluminação de onde, provavelmente, seria o centro da cidade. Caminharam por bairros pobres e violentos. Às 4:15 da manhã, Dana sentou a mãe em um batente, e discou o número da emergência em um orelhão. Foi atendida em italiano. Mas, utilizando-se do inglês, a ligação teve que ser passada a um superior. "Meu nome é Dana Scully. Sou agente do F.B.I., eu e minha mãe fomos sequestradas nos Estados Unidos. Acho que deve saber do que se trata." "Onde se encontra, agente?" "Não sei. Não conheço Roma. Não sei onde estou." "Certo, aguarde um minuto que ordenarei que rastreiem a ligação." – após alguns minutos. – "Certo, localizaremos a chamada e mandaremos uma viatura." Pouco antes de amanhecer, um carro de polícia parou ao lado do telefone e Scully surgiu de detrás de um muro, apoiando a mãe. Foram levadas na viatura até o departamento de polícia. Quando entraram no carro, um dos policiais avisou, pelo rádio, que o pedido de socorro era real e que a mulher era realmente a agente do F.B.I.. E que então o Diretor Assitente do Bureau poderia ser avisado. Margareth podia perceber o estado de choque em que sua filha havia entrado. Dana respirava profundamente e tremia algumas vezes, e fechava os olhos, recordando-se dos momentos de tensão vividos nos últimos dias. Mas quando chegaram ao antigo prédio da polícia, com sua imensa escadaria que levava até a porta principal, Margareth pôde sorrir ao ver quem estava ali, a esperar pela filha. Mulder andava de um lado para outro aguardando a chegada da parceira preocupado com o estado dela. Uma viatura estacionou. Um policial desceu e abriu a porta traseira, ajudando Meg a sair e conduzindo-a escada acima. Mulder desceu as escadarias e aproximou-se de Meg, sem saber o que dizer. "Ah.... é....." – ele começou. "Nós estamos bem, filho. Ela está bem." – Meg completou, indicando, com a cabeça, a filha, que descia da viatura, vestida numa estranha malha negra, aderente ao corpo. "Scully." – ele murmurou baixinho, descendo o restante da escada. Ela olhou-o envergonhada, e não pôde encará-lo. Ele parou em frente a parceira sem saber como poderia reagir. "Scully?..." "Eu..." – ela mantinha os olhos fixos no chão. Os olhos inundados. – "Eu...." – ele aproximou-se dela sem saber como tocá-la. Ela tremeu e suspirou profundamente, como se ainda quisesse dominar o choro. – "Me desculpe..." – soltou antes de soluçar. Ele olhou-a ali, pequena, chorosa, os cabelos úmidos, o orgulho deixado de lado para assumir um erro que há dias ele nem sequer lembrava-se. "Scully..." – não sabia o que dizer. Tomou o rosto dela em suas mãos e percebeu que ela chorava em silêncio, de cabeça baixa, e podia sentir o calor de suas lágrimas em seus dedos. Não conteve-se com a angústia da parceira e puxou-a para seus braços, contendo as lágrimas que queriam fluir há dias. Ela finalmente permitiu o choro, e soluçou como uma criança, escondendo o rosto no peito de Mulder. Ele acariciou-lhe os cabelos e deixou que ela desabafasse toda sua tensão, ouvindo-a pronunciar repetidamente: "Me desculpe... Me desculpe, eu não... não podia... não sabia, eu..." – e chorava cada vez mais. "Está tudo bem agora. Estamos juntos... estamos todos juntos. Nada mais vai acontecer." – e permaneceu ali, sem poder soltá-la, temendo que ela pudesse ser levada, temendo que ela pudesse fugir, contendo suas lágrimas diante do alívio que experimenteva. – "Tudo vai ficar bem..." – e, enlaçando-a pelos ombros, conduziu-a, escada acima. Washington D.C. – E.U.A. Alexandria 30/08/00 – Domingo - 7:15 p.m. Apartamento do Agente Fox Mulder Mulder sentou-se em seu sofá tomando uma garrafa de cerveja. Ficou ali, olhando para a televisão que exibia um desenho antigo. Lembrou-se, então, dos últimos dias. Scully havia prestado depoimento e ajudado nas buscas, durante três dias, Sábado, Domingo e Segunda. Ela, mais do que a polícia italiana, tinha uma verdadeira necessidade de encontrar seus sequestradores, mas, infelizmente, muito pouco pôde ser descoberto, além de uma mansão vazia e um carro esporte. A família Bonazza havia evaporado. Na Terça, antes de embarcarem para os Estados Unidos, quando Scully finalmente relaxou e preocupou-se consigo mesma, foi que perceberam que algo acontecia com ela. Mas por decisão própria, deixaria para consultar um médico quando chegasse a Washington. Ela passou toda a viagem ocupando-se com um relatório perfeito, meticuloso, sobre os acontecimentos. No dia que chegaram, Margareth e Scully foram ao médico e fizeram uma série de exames. Scully passou dois dias internada, com início de desidratação, anemia e resfriado. No Sábado já estava em casa. Voltaria a trabalhar na Segunda-feira. Mulder não falava com a parceira desde que chegaram da Itália, ficara sabendo da internação por meio de Margareth, mas não pôde ir vê-la pois teve que ir a Chicago, a mando de Skinner, verificar alguns detalhes sobre o trabalho de Steve Howkie no departamento anti- sequestro. Foi no meio de seus pensamentos que bateram na porta e ele levantou vagarosamente, pensando em ligar para Scully, e saber de seu estado. Qual foi a sua surpresa quando abriu a porta e lá estava ela, com um tímido sorriso nos lábios. "Olá, Mulder." – e olhou para dentro do apartamento. "Entra, Scully." – ele sorriu por vê-la. – "Senta, quer beber alguma coisa? Cerveja, água...?" – ele estava realmente sem jeito. Ela negou com a cabeça e acomodou-se na ponta do sofá. Ele sentou ao seu lado. Mulder, eu queria te dizer... eu, tenho que agradecer, e.... tenho que me desculpar.... porque, eu sei, eu não podia saber, mas eu, o Steve, eh, o Fabiano, ele não..." – e sentia uma enorme dificuldade em abrir-se com o parceiro. "Scully..." – e pegou nas mãos da parceira que estavam pousadas sobre as pernas. – "Você não precisa me agradecer. Precisa, menos ainda, sentir-se culpada. Ele a enganou como algumas pessoas vem nos enganando nos últimos anos. O que eu posso lhe dizer é que não pense que eu a trairia, e o que fiz na Base, foi por pura certeza de que ele não prestava e que estava te enganando." – ele parecia aflito em dizer-lhe tudo o que pensava. – "Se fosse você, no meu lugar, tenho certeza que faria o mesmo." "Eu achei que não fosse voltar. Que eles matariam minha mãe, e depois Bill e Charles, e poderiam me chantagear por muito tempo, até que eu não servisse mais aos propósitos deles." – ela estava sendo sincera, desabafando seu desepero, aproveitando-se da compreensão do parceiro. Ficou uns segundos calada. – "Achei que não fossemos nos ver nunca mais. Era o certo, uma vez que eu errei com você e não havia motivos para que você desse pela minha falta..." "Eu dei por sua falta assim que saí da Base..." – falou, cortando-a, e em seguida arrependeu-se. – "Eu já sabia que ele era perigoso, só fiz comprovar minhas suspeitas. Sabia que você corria risco." – completou, quandoa parceira levantou a cabeça e encarou-o nos olhos pela primeira vez desde que começaram a conversar. "Obrigada.... Obrigada por tudo que tem feito por mim. Não sei se ainda poderia se não fosse com você." – e deitou a cabeça no ombro de Mulder, que afagou seus cabelos. "Não agradeça. Eu também não sei se poderia, se não fosse com você." – e permaneceram ali, pensando até quando teriam que lutar um pela vida do outro, pois disso dependiam suas vidas.