Título: Just a Summer Day Autora: MiMulder E-mail: milenapaixao@hotmail.com Sinopse: Férias de verão de Mulder em 72. Fox encontra alguém especial... :) Disclaimer: Fox e Dana não são meus, e não há intenção minha em ganhar money em cima deles. Quero só escrever minhas idéias tortas em paz. :D Categoria: Vignette, MSF. Classificação: Livre Nota: Gente, please, mandem feedback :) Beijo pra Sunny, minha beta queridaaa.... valeu pelas palavras tão lindas, miga... Obrigada a todos que tomaram um pouquinho do seu tempo pra ler essa fic... ;) Just a Summer Day 1972- Cabo Cod, Massachussets Férias de verão. Descanso. Finalmente posso me despreocupar com a escola e deixar de lado os problemas de Matemática por um tempo. Posso ficar somente aqui... sentado sobre a areia morna da praia e sentindo a leve brisa do mar em meu rosto. Foi uma boa idéia de meus pais passarmos o dia na praia. O Sol está agradável e o mar simplesmente lindo. Daqui vejo minha irmã Samantha se divertindo nas ondas com meu pai. Ela é minha irmã caçula, e vivemos brigando por besteiras. Mas tudo sempre acaba em uma boa partida de Estratégia. Ela é minha grande companheira, afinal de contas. Vejo-a acenando da água para mim, me chamando para brincar também, mas não quero ir agora. Só quero ficar aqui pensando, observando. Escrevo meu nome na areia ao meu lado. Apago. Não gosto do meu nome, ele me rende aborrecimentos demais entre meus colegas de classe. Além disso, por que alguém escreveria "Fox" na areia da praia? Às vezes me pergunto por que diabos meus pais deram-me esse nome. Olho com muda indignação para minha mãe, tomando sol a alguns metros. Boa idéia. Vou perguntar. Ah, mas agora não... Trato de esquecer o assunto por enquanto e fixo o olhar numa branca gaivota sobrevoando a praia graciosamente. Sigo-a com os olhos e esvoaçantes cabelos vermelhos prendem minha atenção. Percebo que a uma certa distância há uma menina sentada na areia, com os cabelos mais ruivos que já vi. Daqui não posso ver seu rosto, mas ela parece estar olhando fixamente para o mar. Fico a observá-la por vários minutos, e pego-me refletindo sobre ela. Sobre o que estaria pensando? Parecia estar hipnotizada pela beleza do oceano. Tomo coragem e enfim me levanto. Limpo a areia do calção com as mãos e caminho devagar em direção à menina desconhecida. O coração batendo forte e um pensamento na cabeça: "Por que estou fazendo isso?" Não sei. Apenas preciso me aproximar, ver seu rosto. Vou chegando cada vez mais perto, sem nem mesmo ter algo em mente pra dizer. Quando volto à razão e decido retornar ao meu lugar na areia, é tarde demais. A garota notou minha presença, e está olhando diretamente em meus olhos. Depois de alguns segundos embaraçosos de silêncio, em que me perco em seus olhos incrivelmente azuis, pergunto apenas se poderia sentar-me ao seu lado. Ela não diz nada, e responde com um dos sorrisos mais lindos que já vi. Assim, me acomodo próximo a ela e, observando-a, percebo que parece ser mais jovem que eu. Ela está abraçada aos joelhos e continua a olhar para o mar. decido falar algo: _ Você parece gostar muito do mar, não? Ela sorri e olha pra mim. Noto que tem algumas sardas no nariz e bochechas, que lhe dão um ar de menina levada. Isso me faz sorrir também. _ Gosto muito. Meu pai ensinou-me a amá-lo. É nele que ele passa a maior parte do tempo, navegando. Antes eu achava que o mar leveva-o pra longe de mim, mas aprendi que, mais que tudo, ele nos aproxima. É só olhar pra ele que sinto papai por perto. Fico ouvindo essas palavras maravilhado. Que bela ligação ela tem com seu pai... O meu pai trabalha no governo. Está sempre ocupado, distraído... mas mesmo assim o amo. Olho para ele e minha irmã brincando e suspiro. Depois continuo a conversa com a menina ruiva. _ Eu também gosto muito do mar, principalmente nas férias de verão. Estou aproveitando o descanso, a 5ª série não foi fácil._ digo, tentando impressioná-la. Acho que consegui, pois ela ergue as sobrancelhas, surpresa. _ É? Eu vou para a 3ª série. Meu irmão Bill achou a 5ª série bem fácil... Ops, acho que passei a impressão errada. Fico vermelho e ela sorri do meu desconcerto. Mudo de assunto. _ Hum... e o que você quer ser quando crescer? Ela me responde prontamente: _ Quero ser médica. Ajudar as pessoas. E você? _ Eu quero ser astronauta. Pisar na Lua... pilotar uma nave como a Enterprise... usar armas a laser... Eu faço o barulho dos disparos e ela cai na gargalhada. Nós rimos muito e ela diz que cuidaria de mim se um Klingon me atacasse. Fico um pouco sem jeito, olhando pro rosto sorridente da menina que mal conheço. O mais estranho é que sinto como se a conhecesse... _ Sabe, minha mãe sempre me diz pra eu nunca desistir de meus sonhos. E que se a gente pedir com fé pra Deus, ele sempre nos ouve e nos ajuda. Um dia eu esqueci que tinha prova de Matemática na escola, e fiquei com muito medo de tirar nota baixa, mas orei com fé, e até que me saí muito bem! _ Eu não gosto de Matemática... _ é tudo o que consigo dizer. Em minha casa não se fala muito em religião. Mesmo assim, admiro minha nova amiga. Admiro a confiança dela. Sinto-me à vontade em perguntar sobre coisas em que estive pensando ultimamente: _ Você consegue se imaginar adulta? Sua vida, seus planos... Ela franze o nariz e responde: _ Mais ou menos... acho que vou me casar, ter filhos fofinhos... Ter uma vida calma. _ Você fala como minha irmã! Eu quero ter uma vida mais emocionante... _ Caçando monstros espaciais?_ ela pergunta, rindo. _ Ué, quem sabe...._ respondo, com um olhar sonhador. Ela ri novamente e volta a olhar para o mar. Ficamos assim por instantes. Os cabelos balançando ao vento. Olho pra ela novamente. Poderia ficar o dia inteiro assim, ao seu lado, conversando, admirando-a. Mas de repente uma menina, tão ruiva quanto minha amiga, porém mais velha, vem em nossa direção. Ela olha pra mim desconfiada e diz que minha amiga tem que ir. Fico triste. _ Então... a gente se vê por aí._ ela diz, com um raro sorriso. _ Sim, espero que sim._ eu respondo, fitando aqueles olhos que mais parecem pedaços do oceano. Com as mãos, ela amassa minha franja sobre a testa e diz: _Até mais, Spock... Eu sorrio e ela pega a mão de quem eu julgo ser sua irmã mais velha. As duas saem caminhando pela areia branca, os cabelos fulgidamente realçados ao sol. Fico observando-as se afastarem... Cada vez mais longe... Minha amiga indo embora. Nem dissemos adeus. Mas foi bom, porque assim fica o sentimento de que nos veremos novamente. Também nem sei seu nome. Tudo bem, pelo menos não precisei dizer o meu... Samantha, que estava nos olhando o tempo todo, não perde tempo para tirar sarro e fazer insinuações. Ô irmã chata, meu Deus! Eu nego tudo, claro, mas no fundo espero encontrar minha amiga novamente. Hum... e tenho a intuição de que isso irá acontecer. Não sei bem como, já que seguiremos caminhos tão diferentes. Eu, astronauta... Ela, médica... Mas mesmo assim acredito que vou encontrá-la. Mas, se nos encontrarmos num futuro muito longe, será que irei reconhecê-la? Será que lembrarei desse dia? Se ao menos soubesse seu nome.... De qualquer forma, espero ser mesmo atacado por um Klingon. Assim poderei ficar sob seus cuidados... Acabo de perdê-la de vista, lá longe.... e fico somente sentado aqui, sobre a areia morna, sentindo a brisa marinha em meu rosto, como antes. Só que agora ao meu lado na areia há marcas de alguém que amei por instantes. Nem sei se um pirralho de dez anos pode dizer isso, mas há algo muito especial naquela ruivinha. É engraçado como algumas pessoas passam por nossas vidas tão rápido, mas nos cativam tanto... dizem que o verão tem dessas coisas... Minhas férias já valeram a pena, e vou voltar pra casa com a certeza de que o mar agora tem um significado especial pra mim também. FIM xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxx