A ORDEM DAS FIC´S CAPÍTULO I: A DIGITO COGNOSCITUR LEO CAPÍTULO II: COELIBES ESSE PROHIBENDO CAPÍTULO III: ALTER EGO – PARTE 1 CAPÍTULO IV: ALTER EGO – PARTE 2 CAPÍTULO V: PASSIONE CAPÍTULO VI: A MONTANHA REAL CAPÍTULO VII: A MISSÃO – PARTE 1 CAPÍTULO VIII: A MISSÃO – PARTE 2 CAPÍTULO IX: O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 1 CAPÍTULO X: O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 2 CAPÍTULO XI: UMA AMEAÇA IMINENTE CAPÍTULO XII: NINGUÉM VIVE PARA SEMPRE – PARTE 1 CAPÍTULO XIII: NINGUÉM VIVE PARA SEMPRE – PARTE 2 TÍTULO: A DIGITO COGNOSCITUR LEO ( Pelo dedo se conhece o leão) CAPÍTULO I AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder é acusado injustamente e conta, não só com a ajuda de Scully, mas de uma pessoa que não vê há muito tempo... Aparentemente, representa uma ameaça iminente à sua parceira. DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a minha primeira fic. AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. AGRADECIMENTO ESPECIAL: A minha beta Sky que me premiou com sua paciência e benevolência ao ler com carinho essa fic enorme. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. Acima, eu coloquei um quadro que mostra a ordem em que elas vão ser postadas. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. SEDE DO FBI WASHINGTON DC 08:40 H Mulder abriu a porta de sua sala e encontrou Scully preocupada e curiosa diante desse atraso. Scully: Skinner quer falar conosco, disse que tem um caso que precisa de nossa investigação. Por que demorou, Mulder? Mulder: Tive um pesadelo e dormi demais - respondeu fazendo careta - Vamos, Scully - e estendeu a mão para ela, ajudando-a levantar-se da cadeira. 08:50 H Eles estavam sentados a frente de seu chefe. Skinner tirou os óculos e cruzou as mãos sobre a mesa: Skinner: Agentes, precisarão tirar 15 dias de folga. Mulder: Qual o motivo? - perguntou com uma expressão surpresa. Skinner: Há forças maiores que pretendem fazer com que vocês saiam não só dos Arquivos X, como também do FBI. Scully: Quem? Skinner: Não sei quem são, mas... O certo é que vocês precisam afastar-se daqui por um tempo. Não sei se isso irá evitar os acontecimentos, mas pelo menos tentaremos. Mulder: Mas senhor, temos que cumprir nosso trabalho - e olhando para Scully a seu lado, de pernas cruzadas - Eu e a Agente Scully recebemos informações de envolvimento da máfia italiana no Sindicato. Skinner ficou calado um momento. Levantou-se com as mãos na cintura. Skinner: Mulder, não posso dizer mais nada. Só peço que confie em mim e afaste-se... para sua própria segurança. Scully: Eu posso ficar, senhor? Skinner olhou com ternura aquela agente em que aprendeu a admirar, encostou-se na mesa e falou com voz suave. Skinner: Não, você também tem que se afastar. Para atingir Mulder, eles poderão usar você. Scully apenas assentiu. Skinner: É melhor afastarem-se por duas semanas do que para a vida inteira – ele preveniu. Contrariado, Mulder assentiu e levantou-se. Mulder: Chame-nos quando precisar, então, senhor. Skinner: Chamarei quando sentir que está mais seguro - cautelou. Scully levantou-se e seguiu o seu parceiro. Do lado de fora da sala de Skinner, ela perguntou: Scully: Acha que é verdade o que ele falou? Mulder: Porque não seria, Scully?! Scully: Não sei... Caminharam de volta ao porão e Mulder perguntou: Mulder: O que vai fazer nestas duas semanas? Scully: Não sei, não pensei à respeito. Talvez fique em casa dormindo. Mulder: Vamos para Las Vegas?! Scully: Fazer o quê? Mulder: Ora, Scully, jogar cartas, roleta, etc. - respondeu zombeteiro - Vamos nos divertir. Scully: Não, Mulder. Não trago boas recordações de lá - falou impulsivamente para arrepender-se imediatamente do que falara. Mulder não sabia do seu comportamento na última que vez em que esteve lá. Apesar de não se recordar, os pistoleiros solitários descreveram um, que não sentia nenhum orgulho. Em sã consciência jamais agiria de uma forma tão leviana quanto aquela. Mulder: Do que está falando? - perguntou curioso. Scully: Nada, esqueça! Saíram da sala e dirigiram-se a garagem do FBI. Despediram-se e seguiram para seus respectivos carros. ARLINGTON 18:30 H Mulder dormira a tarde inteira. Sentia-se inútil. Ficaria duas semanas longe de seu trabalho. As coisas aconteceriam, o Canceroso agiria livremente para afastar Scully e ele da verdade... Só aceitara esses dias de "folga" por causa dela. Admitia que Skinner tinha razão: se ele estava ameaçando tanto a alta cúpula do governo, era porque estava perto de descobrir a verdade. E não falava mais de sua irmã, pois no que dizia respeito à ela já sabia o que ocorrera. Falava em provar que alienígenas existiam, que o nosso governo sabia disso há muito tempo e que escondia dos cidadãos, não só da América, mas sim do mundo inteiro. Para que ele parasse, freasse a sua busca por tais provas, sabia que o Canceroso ameaçaria Scully. Uma batida na porta o fez despertar de seus devaneios. Mulder: Quem é? - Polícia, abra! Curioso, ele atendeu. Mulder: O que houve? O que aconteceu? Cinco policiais, ignorando-o, invadiram a sua casa e passaram a revirar tudo o que encontravam pela frente, procurando algo. Mulder: O que está acontecendo? O que querem? Eles não lhe deram ouvidos e após alguns minutos, a busca terminou com um deles segurando um pacote de tamanho mediano. - Agente Mulder, está preso por porte ilegal de narcóticos - comunicou enquanto o algemava. Mulder: O quê? - ele gritou, incrédulo - É impossível, isso não é meu. Deve estar havendo algum engano! O policial não lhe deu atenção e começou a ler os seus direitos. Ele foi levado para fora do apartamento e colocado em um carro da polícia. DELEGACIA DE WASHINGTON 19:30 H Scully chegou a recepção da delegacia, ansiosa para ver o seu parceiro. Dirigiu-se a uma policial na recepção. Scully: Sou a Agente Dana Scully, do FBI - identifica-se - Estou procurando pelo Agente Fox Mulder, ele foi trazido para cá. Ela conferiu a sua identificação e nem precisou procurar na lista de entradas, pois só havia um agente federal preso ali. Indicou a sala do delegado. Mulder ainda não acreditava no que acontecera. A expressão denotava a sua incredulidade. Mãos apoiadas no queixo, cotovelos apoiados sobre os joelhos, ele estava inconformado e revoltado com o que acontecera. Levantou-se imediatamente ao vê-la e contemplaram-se mutuamente. Scully: Podemos ficar a sós? - pediu ao delegado sem desviar os olhos de Mulder. - Tudo bem. Agente Mulder, daqui à 10 minutos o procurador do FBI virá vê-lo - informou-lhe. Mulder ignorou o delegado seguindo os movimentos da parceira. Ela sentou- se a seu lado na cama. Scully: Como está? Mulder: Como você estaria? - respondeu desanimado - Estão tentando nos afastar dos Arquivos X, Scully. Acho que estamos perto de conseguir provar a existência "deles". Somos uma ameaça muito mais preocupante, colocando em risco a imagem de pessoas influentes de nosso governo. Scully: A polícia encontrou 1,5 Kg de cocaína pura em seu apartamento. Acha que o Canceroso está por trás disso? Mulder levantou-se impaciente e passou a andar de um lado para o outro. Mulder: É claro que foi ele, quem mais poderia ser? Esse desgraçado! Scully: Calma, vou dar um jeito de tirá-lo daqui. Mulder: Como, Scully? Não seja boba, foi flagrante! Quem fez isso, fez muito bem para que eu não escapasse. Scully: Irei depor à seu favor, falarei com qualquer pessoa que possa ajudá-lo, contrataremos o melhor advogado do país... - ela, nervosamente, falava sem parar – Forjaremos provas, se preciso for... Você não fez nada! – disse, inconformada e triste. Ele sentou-se a seu lado, tapou-lhe delicadamente os lábios, preocupado com o que ela falara e que poderia comprometê-la. Segurou-lhe a sua mão. Ela aproximou o rosto do dele e sussurrou. Scully: Não importa que eu tenha que subornar o mundo para tirá-lo daqui – concluiu. Ele lançou-lhe um lindo sorriso, um dos mais bonitos que já vira. "Foi o mais perto de uma declaração de amor", pensou ele. "E é um prêmio considerando que vem de uma pessoa com dificuldades em expressar os seus sentimentos". O ambiente estava carregado de tensão. Mulder continuava a olhá-la, mas agora mais intensamente. Um olhar que misturava admiração, alívio, agradecimento... amor. Mulder: Você está sempre comigo, nunca me abandonou. Obrigado por tudo! Scully: Você também está sempre comigo e só me abandona quando sente que minha vida corre perigo. Você é uma pessoa rara, Mulder! O encanto daquele momento foi quebrado por um agente carcerário que abriu a porta para dar passagem ao procurador... uma mulher! Mulder desviou o seu olhar de Scully quando ouviu a cela se abrindo. A procuradora parou na entrada da cela e o guarda trancou-a atrás de si. Mulder levantou lentamente os olhos e percorreu o corpo todo da mulher. Desde os pés, calçados em escarpins bem femininos, até o rosto, pálido e etéreo. Ficou estático ao reconhecer esse rosto. Não, não poderia ser! Ele não acreditava no que via. A mulher que já era pálida, ficou transparente ao ver o homem sentado. Seus olhos ficaram vermelhos e seus lábios entreabriram-se de incredulidade. Ela mal conseguia pronunciar o seu nome. - Fox Mulder?! – murmurou. Ele levantou-se e caminhou lentamente em sua direção, como se estivesse diante de uma aparição. Mulder: Jessie?! Aproximaram-se um do outro, contemplando-se. Passado o susto inicial, ela já recompora-se e seus olhos apenas demonstravam surpresa, não mais as lágrimas que ameaçaram cair, mas que ela não permitiu. Ficaram a se olhar por algum tempo mais, querendo certificar- se do que estavam vendo. E, então, ela o abraçou e ele retribuiu-lhe um abraço firme e forte. Jessie: Mulder, é você mesmo! - ela segurou o rosto dele entre as mãos, enquanto o examinava atentamente. Ele segurou os pulsos dela e a afastou para olhá-la melhor. Mulder: Como você cresceu. Continua linda! - o elogio arrancou-lhe um sorriso jovial. Jessie: Você está mais charmoso ainda! Abraçaram-se novamente, relutantes em se afastarem. Scully, que assistia a toda a cena curiosa para saber quem era aquela mulher e enciumada, levantou-se bruscamente intuindo ir embora, mas Mulder a impediu. Mulder: Aonde vai? Scully: A procuradora chegou, não precisa mais de mim - falou baixinho para que só ele escutasse. Mulder: Não vá. Fique aqui, por favor! - ele suplicou-lhe segurando delicadamente o seu braço. Jessie ficou calada assistindo a tudo. "Parece que Mulder continua arrasando corações", pensou. "Mas agora é diferente, ele está apaixonado. Mais que isso, parece ter encontrado o amor. Essa moça é bonita e aparenta ter bons sentimentos. Principalmente por ele". Os olhos perspicazes captavam tudo, mesmo em poucos segundos. Ela sorriu e adiantou o passo em direção a eles. Jessie: Mulder, seu mal-educado. Não vai apresentar-me a sua amiga?! - repreendeu-o carinhosamente. Mulder sorriu timidamente e fez as apresentações. Mulder: Scully, essa é Jessie Eileen Arby. Além de minha amiga, é uma das mulheres que mais amo na vida - dizendo isso, ele tomou uma atitude incomum aos olhos de Scully ao beijar o rosto de Jessie e com um carinho quase paternal. Scully: Muito prazer! – respondeu, hostil e desanimada. Mulder: Jessie, essa é Dana Scully, minha parceira no FBI. Jessie: O prazer é todo meu, Agente Scully. Jessie percebeu o desapontamento dela e ansiava por desfazer o mal entendido que formara-se na cabeça de Scully. Faltaria pouco para ela começar a ter "idéias"! Jessie: Sentem-se, por favor. Agente Scully, não vá embora. Fique conosco! - pediu ao ver que ela ainda não havia desistido da idéia de fazê-lo. Assentindo incerta, Scully sentou-se ao lado de Mulder na cama da cela enquanto Jessie permaneceu em pé, apresentando as ordens que recebera: deveria defendê-lo, provar que o narcótico encontrado não era dele, que era inocente. Tarefa difícil, considerando as circunstâncias. Jessie: Estranhei um pouco quando recebi esse caso, pois você deve saber que a minha função, oficialmente, é defender o Bureau e não a seus funcionários. E agora, vendo que é você o meu cliente, trabalharei ainda mais para reunir provas e ratificar a sua inocência. Sei que você não tem nada a ver com isso, nem me passa pela cabeça duvidar de sua inocência. Mulder: Estão tentando me desmoralizar, desacreditar-me. Assim teriam motivos mais que suficientes para fechar de vez os Arquivos X e afastar- me do Bureau. Jessie: Eu percebi isso e não permitirei que o façam - ele a olhou incrédulo. Ainda não conhecia a grande influência que ela possuía - Agente, Scully... - ela continuou, ignorando a incredulidade de seus olhos - ... vou precisar que me ajude. Scully: É claro - prontificou-se - Como vai conseguir que o inocente? Jessie: Tentaremos reunir provas, investigaremos. Precisamos saber em que horário entraram em seu apartamento, qual era a aparência do sujeito, checar as digitais... Encontraram o pacote na gaveta da mesa de seu computador, não foi? Mulder: Sim. E não havia nada lá quando saí de manhã para o FBI. Jessie: Bom, tenho que ir agora, mas volto para vê-lo amanhã. Mulder sorriu e retribuiu, terno, o abraço que recebeu dela. Ela pegou o seu celular - um Motorola baby - e discou o número do rádio táxi. Jessie: Vou chamar um táxi. Scully: Eu levo você. Jessie: Eu agradeço. Scully virou-se para Mulder. Scully: Vejo você amanhã - ela apertou a sua mão e saiu. ARLINGTON 22:00 H Scully e Jessie, com aparelhos infravermelhos, procuravam digitais na casa. Jessie encontrou no puxador da gaveta. Jessie: Scully, venha ver. Scully: Não há digitais na maçaneta da porta - comunicou-lhe enquanto caminhava em direção a ela. Jessie: Mas aqui tem, olhe! - Scully pegou o aparelho que estava em suas mãos e mirou na gaveta. Jessie: Scully, precisa resgatar aquela caixa, tirar as impressões dela. Scully: Ela está com a polícia. Posso ir lá agora! Jessie: Faça isso! - disse pegando o celular - Vou ligar para casa e pedir que tragam o meu carro - comunicou-lhe. Scully assentiu e saiu apressada enquanto Jessie falava ao telefone. DELEGACIA 22:45 H Scully pedira ao delegado que a deixasse tirar as impressões digitais da caixa ao que, prontamente, ele permitiu. Eufórica com a perspectiva de ver seu parceiro fora da cadeia, ela o fez e voltou para casa. ARLINGTON 22:55 H Jessie acabara de fazer a inspeção na casa. De repente, ouviu um barulho na fechadura da porta de entrada. Sabia que não poderia ser Scully, pois saíra há pouco tempo para já ter voltado. Nem tampouco Mulder, é claro! Olhou em volta e encontrou uma porta branca. Sem pensar duas vezes, abriu e tudo o que estava dentro dela caiu. Praguejando baixinho, ela nem pensou em arrumar tudo aquilo, enfiou-se dentro, fazendo malabarismos para conseguir se manter equilibrada em cima daqueles entulhos. Encostou a porta e ficou à espreita pela fresta. Viu dois homens entrando e um deles parecia conhecer Mulder pelo modo familiar como falava dele. Jessie pegou a mini-câmera no bolso de seu casaco e tirou fotos dos dois, ao mesmo tempo em que ligou o gravador de bolso para registrar a conversa dos homens. Num dado momento, eles aproximaram-se da porta em que estava escondida. Ela calmamente aninhou-se num canto escuro e respirou mais devagar. - Olhe! - disse um dos homens ao pegar várias revistas espalhadas pelo chão - É por isso que Mulder tem os braços musculosos. Tanto exercício... - sua voz era irônica. O homem mais novo disse: - Mulder... Irá passar o resto de sua vida preso. - ele gargalhou prazerosamente. - Será? Ele pagará fiança e ficará livre - respondeu o mais velho arrancando um sorriso sarcástico do outro. - Ele não conseguirá. A quantidade de cocaína que colocamos aqui foi tão grande que nem se ele fosse o Superintendente do FBI, conseguiria pagar a alta multa que a justiça irá estipular - Virou-se para o acompanhante, fazendo um sinal com a cabeça para irem embora. Quando a porta fechou-se, Jessie sorriu triunfante. "Tolos. Mulder está solto!", pensou. Seu rosto logo tornou-se sombrio e uma desconfiança tomou conta de seus pensamentos. GEORGETOWN 23:45 H Scully pensou em ligar para a Procuradora, mas não o fez. Apesar de Mulder a conhecer e do desejo dela em vê-lo solto, não significava que era totalmente confiável. Eles já foram enganados tantas vezes, por pessoas que pareciam amigas... Qual o interesse voraz que a Dra. Jessie Arby tinha em provar a inocência dele? Será que ela era uma ex-namorada? Ela é muito bonita. Não seria de se estranhar que alguém ficasse atraído por uma mulher de longos e lisos cabelos vermelhos - como os dela - olhos verdes-água, que iluminavam-se no escuro, ficando quase transparentes; alta e um corpo escultural. Ela deveria ter menos de 30 anos, Scully imaginou. Seu rosto era um misto de inocência e sensualidade que nunca vira em ninguém antes. Imaginava que Mulder se envolvera com uma mocinha, então. De todas as suas ex-namoradas que conhecia, ela era a mais linda e a que o afetou mais. Esses pensamentos a entristeceram. O telefone tocou interrompendo os seus devaneios. Ela o atendeu. Jessie: Sou eu, Agente Scully... A Dra. Jessie - Scully desconcertou-se. Pensara tanto nela, e de repente, ela liga... - Agente Scully, está aí? - ela a chamou ao não obter resposta. Engolindo em seco, respondeu que sim. Jessie: Conseguiu as impressões digitais? Relutante, Scully disse que sim. Jessie percebeu a desconfiança dela e mais uma vez convencera-se que precisava esclarecer logo esse assunto antes que Scully começasse a imaginar ainda mais do que já havia imaginado. Jessie: Preciso que venha comigo até o FBI. Precisamos procurar as digitais de algumas pessoas nos arquivos eletrônicos. Scully: Como sabe que é gente do governo? - perguntou ainda desconfiada. Jessie: Quando chegarmos lá, eu conto pra você. Scully desligou, pegou o seu casaco e saiu. SEDE DO FBI WASHINGTON DC 00:10 H As duas moças estavam na frente do computador, comparando as digitais. Jessie: Vamos colocar cinco digitais na parte inferior, e a que encontramos na parte superior da tela. Scully: Como eram os dois homens que você viu na casa de Mulder? Jessie: Um era jovem, mais ou menos uns 36 anos, corpo em forma, e o outro um pouco mais velho. O jovem tinha olhos claros. Scully digeriu aquelas informações por um momento e bruscamente falou- lhe. Scully: Procure o nome de Kricek. Jessie assentiu. Digitou o nome no computador, mas ele não encontrou. Scully praguejou e Jessie ficou olhando por alguns minutos a tela. Por fim, tirou da pasta que trouxera um cd-rom. Scully: O que é isso? Jessie: É o meu detetive particular. Totalmente extra-oficial - lançou- lhe um sorriso Ela introduziu no drive e após um comando, milhões de letras apareceram sem ordem na tela até que finalmente parou e a foto do homem com as informações profissionais e sua digital apareceram diante delas. Imediatamente a digital que haviam encontrado começou a piscar. Jessie: Scully, você conseguiu! Elas sorriram e, curiosa, Jessie perguntou quem era o homem. Scully olhou para Jessie sem responder a pergunta ainda não confiando nela. Jessie, por sua vez, percebeu que era uma boa oportunidade para esclarecer a sua relação com Mulder. Jessie: Agente Scully, conheço Mulder há muito tempo. Na verdade, desde que nasci. Scully desviou o olhar tentando esconder a sua tristeza. Scully: Não precisa justificar-se, não a questionei. Jessie: Não diretamente, mas seus olhos e pensamentos mostram o contrário. Ajeitando-se na cadeira, Jessie pediu-lhe: Jessie: Por favor, acomode-se melhor que a história é longa - ela falou- lhe com um meio sorriso nos lábios e continuou - Me chamo Jessie Eileen Arby, tenho 25 anos e sou Bacharel em Direito pela Universidade de Oxford. Sou procuradora do FBI há 3 anos. Ingressei no Bureau com 20 anos, primeiro no posto de agente, assim que me formei. Fui designada para defender um agente que envolvera-se com narcóticos, após um pedido do Diretor-Assistente Skinner à bancada jurídica. Conheço Fox Mulder desde que nasci, como disse antes. Meu pai e minha mãe trabalharam aqui, nos Arquivos X e eles conheciam a família de Mulder. Ele, inclusive, é meu padrinho de batismo, brincava comigo quando eu era criança, tomava conta de mim. Meus pais trabalhavam muito e diversas vezes eu ficava em sua casa. Meus pais conheceram-se aqui, no FBI. Inicialmente designados para trabalhar nos Arquivos X e, após 3 anos, casados. Meu pai era sociólogo e minha mãe era médica, como você, só que especializada em Genética. Eles o colocaram juntos pelo mesmo motivo que, imagino, colocaram vocês dois. Só não contavam que eles pudessem se apaixonar. Casaram-se escondidos e com pouco tempo minha mãe ficou grávida. O bebê não fora planejado e ela não queria filhos, pois sabia que não poderia dar a atenção que uma criança precisa e merece, além é claro de não querer deixar meu pai sozinho nas investigações, expondo-os a todos do Bureau, mas mesmo assim, eu nasci. Bom, eu sei que Mulder tentava diminuir a sua dor pela perda de Samantha. Ela desaparecera 2 anos antes do meu nascimento. Ainda estava muito recente. Scully: Como sabe que sou médica? Jessie: O Diretor Skinner pôs-me a par dos fatos. Falou-me de você. Mas não especificou quem era o agente que eu deveria defender. Como Scully parecia satisfeita com a resposta, ela continuou. Jessie: Meus pais faleceram quando eu tinha 5 anos. Meu avô, que morava em Londres, nunca gostou do fato de minha mãe ter se casado com um homem tão diverso de sua linhagem, com um homem que não possuía tradição familiar. Ele entrou com o pedido da guarda alegando que minha mãe não tinha condições de prover o meu bem-estar, que o trabalho no FBI era mais importante que cuidar de um bebê. Com essa alegação ele conseguiu a definitivamente, pouco antes de minha mãe falecer. Estudei em Oxford e ingressei no posto do FBI em Londres. A Agente mais nova a ingressar na carreira de toda a história do Bureau. Scully: Como seus pais faleceram? Nesse momento, os olhos dela escureceram assumindo um tom verde-musgo, tonalidade esta só peculiar quando enfurecia-se ou entristecia-se. Jessie: Minha mãe faleceu em circunstâncias que, até agora, nunca foram muito bem explicadas. Suspeito que meu pai tenha encontrado algo mais do que esperava encontrar... - ela falava não demonstrando nenhuma emoção exterior, mas no íntimo não sentindo-se bem por tocar nesse assunto - Consumido pela tristeza, meu pai, que antes nunca havia apreciado a bebida, passou a basear a sua vida nela. E como não estava acostumado, bastava um pouco para vir à tona seu descontrole emocional. Sendo assim, ele faleceu 5 meses depois, em um acidente de carro. Scully estava emocionada com o que ouvira. Sempre soube que ela e Mulder corriam risco de vida, mas a cada dia esse cenário se tornava mais grandioso e assustador. Scully: Sabe quem assassinou a sua mãe, não é?! Ela assumiu uma expressão tão séria e ameaçadora que Scully arrependeu-se de perguntar, mas logo recuperou a postura calma e serena que sempre tinha. Consultando o relógio, percebeu que já era bem tarde. Jessie: Vamos embora - convidou, levantando-se da cadeira e ignorando a pergunta feita - Já são 01:40 h da madrugada. Saíram do corredor e Scully só pensava que não conseguiria dormir ao imaginar que Mulder dormiria naquela cela desconfortável e sendo tratado como um criminoso. O que a aliviava era saber que logo, logo, ele estaria solto. Jessie: Mulder sairá logo, portanto, nem pense em ficar acordada essa noite - repreendeu-a levemente. Scully boquiaberta, lançou-lhe um olhar de surpresa. "Como ela adivinhara os meus pensamentos? Será que estava tão evidente assim?", pensou. Jessie ignorou esta expressão e continuou. Jessie: Vejo você daqui há algumas horas. - despediu-se seguindo para o seu carro. SEXTA-FEIRA DELEGACIA 08:30 H Mulder não dormira bem à noite. Seu rosto iluminou-se ao ver as duas mulheres, lindas, entrando na cela. Jessie: Bom dia, Mulder. Como você está? – depositou um leve e carinhoso beijo em sua têmpora - Ansioso, não? Scully: Está bem? - ela sentou-se a seu lado. Mulder: Não mereço um beijo também, Scully?!- ele, debochado, cobrou com uma expressão de abandono em seu rosto. Scully sorriu e beijou-lhe a testa. Jessie caminhou até sua frente e encostou-se no frigobar, em um canto da cela. Jessie: O juiz marcou a audiência para às 17:00 h de hoje. Venho buscá-lo logo mais. Mulder assentiu. Estava muito feliz em saber que havia quem se preocupasse com o seu bem-estar. Mulder: E então? O que conseguiram? - inquiriu olhando de uma à outra. Jessie: A Agente Scully dirá a você. Eu preciso organizar-me para a audiência – dirigiu-se para a entrada da cela, onde um agente prisional veio imediatamente abri-la - Até mais tarde – despediu-se e saiu. Mulder: Obrigado por tudo – gritou, levantando-se junto a grade - Não vou deixá-la escapar de novo! Jessie não parou. Apenas sorriu agradecida ante a advertência carinhosa. Jessie: Não estou pensando em escapar - respondeu quase chegando a porta de saída do corredor. Voltou-se para Scully com um olhar diferente, agradecido e extremamente feliz. Ela, sem perceber, começou a relatar o que conseguira com Jessie. Mulder: Kricek? Desgraçado! - ele passou as mãos nos cabelos desalinhados numa atitude nervosa - Já conseguiram prendê-lo? Scully: Não, está desaparecido. Mas isso não é mais tarefa nossa - disse de imediato tentando apaziguar qualquer idéia dele em ir atrás de Kricek – A polícia se encarregará disso. Mulder deu longo suspiro e voltou a sentar-se. Mulder: E você? Está bem? Scully: Sim, estou. Jessie gosta muito de você, não é?! Insinuou-se em seu rosto um sorriso rejuvenescedor. Mulder: Também gosto muito dela. Sabia que a conheço desde bebê?! Ela representa muito pra mim. Ela não teceu nenhum comentário mais e levantou-se para ir embora. Scully: Preciso ir. Mulder: Por que? – inquiriu com uma expressão triste. Scully: O horário de visitas acaba em 5 minutos - disse, consultando o relógio - Além disso, não quero me atrasar para a audiência. Mulder: Fique esses 5 minutos - suplicou-lhe, levantando-se também e acariciando o seu rosto com as pontas dos dedos. O toque a fez estremecer e ela fechou os olhos. Estava confusa e desnorteada. Reuniu o pouco de lucidez que lhe restara. Scully: Até mais tarde, Mulder - e num impulso, ela o abraçou esbarrando o seu corpo nele. O corpo dele parecia queimar quando a sentiu roçar no abraço. Sorriu meio desconcertado e a viu partir... para voltar. SEXTA-FEIRA CASA DE JESSIE 20:40 H O julgamento transcorrera tranqüilamente. Jessie fez uma defesa brilhante e conseguira abafá-lo tanto da mídia quanto do próprio FBI. Pouca gente sabia do ocorrido. A tentativa de desmoralizá-lo, pelo menos dessa vez, falhara. Sentados a sua frente, na sala de tevê, os dois agentes participavam da conversa, muito à vontade. Bebericavam vinho e petiscos. Scully usava um vestido simples em seda, de alças finas, comprimento até seus joelhos, cor de vinho e que realçava, discretamente, suas belas formas; Mulder, de calça social preta e camisa pólo mostarda que o deixavam extremamente charmoso. Jessie estava com um vestido também de alças bem finas, verde- água, realçando a cor de seus olhos. Seus cabelos estavam presos num coque alto e um pouco frouxo. Morgan, o mordomo da casa, veio entregar-lhe o telefone. Jessie, após combinar com a pessoa do outro lado da linha, desligou satisfeita e informou aos dois. Jessie: Maurice e Isabelle estão vindo. Vocês gostarão deles, são legais. David também. Mulder: Quem é David? Jessie: É um amigo de longa data e que trabalha na minha fazenda. É Agrônomo. Sem demora o casal chegou. Ambos morenos, charmosos e... franceses! David chegou 5 minutos depois. Jessie: Mulder, Scully, estes são Maurice e Isabelle - os dois casais cumprimentaram-se - E este é David. David cumprimentou-os educadamente, mas deteve a sua atenção em Scully. Ela percebeu e corou. Diante disso, David, que nem bem havia chegado, propôs logo de início uma brincadeira. Mulder: E como é essa brincadeira? Jessie: David, não. Quer assustar os meus convidados?! - disse com uma expressão zombeteira. David: Porque não?! É assim: sortearemos um número para cada um. Esse número é segredo, cada um de nós terá o seu, e aí, pedimos que tipo de cumprimento queremos dar, abraço ou beijo na boca. Este último pode ser japonês ou francês. Escolhemos um número e concretizaremos o nosso pedido feito. Mulder: Legal, e seu eu tirar Maurice ou você e ter pedido um beijo francês?! – perguntou, sarcástico. David: Isso não será possível, pois os homens são ímpares e as mulheres, pares. Scully: Não tenho mais idade pra isso - falou debochada. David: Ninguém aqui tem - devolveu - Ora, vamos. É só uma brincadeira! Mulder: O que você acha, Jessie? Jessie: Não sei - respondeu incerta para depois dar de ombros - É só uma brincadeira! Maurice e Isabelle mostravam-se ansiosos para começar a brincadeira. Principalmente Isabelle. "Minha nossa, não acredito que estou pensando em aceitar!", pensou, Scully "Eu não tomei tanto vinho assim. Na verdade só... Oh, Meu Deus, cinco copos". Ela caminhou até o tapete e sentou-se nele. Mulder olhou surpreso, mas nada disse limitando-se a sentar-se do seu lado. CONTINUA... TÍTULO: COELIBES ESSE PROHIBENTO (Sejam proibidos os celibatos) CAPÍTULO II CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO I : "A DIGITO COGNOSCITUR LEO" AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Proibida para menores de 18 anos. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder, Scully... seus instintos e sentimentos... Mas a traição real é bem diferente. DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. AGRADECIMENTO ESPECIAL: A minha beta Sky que me premiou com sua paciência e benevolência ao ler com carinho essa fic enorme. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. Acima, eu coloquei um quadro que mostra a ordem em que elas vão ser postadas. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. SEXTA-FEIRA CASA DE JESSIE 21:00 H Jessie começa a brincadeira pedindo um "beijo japonês" e escolhe o número de David. Seus lábios encostam leve em um beijo rápido. Todos riem. Mulder fecha os olhos, pede um abraço e, escondendo seu desapontamento, percebe que a dona do número é Scully. Eles trocam um abraço longo e suave, seus corpos quase não se tocam, mas ofegam discretamente. "Deus, que abraço! Que sentimento é esse? Um abraço demorando mais que o normal... E esse olhar... tão... intenso, apaixonado, avassalador. Cada vez que os flagro assim... não sei... é como se eles fossem fazer amor onde estivessem. Um sentimento reprimido pelo medo, pela insegurança... mas o desejo está sempre latente". Jessie perdeu-se em devaneios, que não notou mais nada. Nem quando todos contemplavam o seu olhar distante. David quebrou a tensão. Mostrava-se muito interessado na Agente do FBI e não fazia questão de esconder isso. Isabelle pediu um beijo e lançou um olhar de contentamento ao tirar o número de Mulder que, reservado, procurou não esboçar nenhuma reação. Ela aproximou-se dele, ronronando como uma gata e o beijou. A princípio Mulder não correspondeu, porém a língua dela o invadiu exigindo uma resposta. Diante disso, ele retribuiu suavemente, como se com isso quisesse acalmar a sua exigência. Mas ela não parecia disposta a parar nem em se acalmar. Ao contrário, devorava seus lábios cada vez mais. Scully mal conseguia esconder o seu incômodo com aquela situação, principalmente à julgar pela ousadia da moça. Atenta a tudo isto, Jessie decidiu interromper com uma piadinha leve. Jessie: Isabelle, já chega. Guarde o seu fôlego para o resto da brincadeira e não assuste o meu amigo! – repreendeu, sorrindo numa tentativa clara de descontrair o ambiente. Relutante, mas com um charmoso sorriso, ela afastou-se. David também pediu um beijo e ficou mais do que contente ao ver quem tirara. Ele virou-se a seu lado e a beijou. Primeiramente, suave, mas intensificando a medida em que seus braços enlaçavam a fina cintura, apertando-a contra o seu corpo. Ela espalmou as mãos em seus ombros tentando gentilmente cessar o beijo, mas foi em vão. Ele a incentivava a corresponder cada vez mais e ela cedeu. Mulder levantou-se bruscamente, pegou uma garrafa de uísque e encheu o copo, bebendo-o de um só gole, puro e sem gelo. Nem se incomodou quando o líquido de fogo "rasgou" a sua garganta. Ao virar-se, Scully já não mais beijava o rapaz. Estava com o copo de vinho novamente cheio e tomava a doce bebida sem hesitação. Jessie: Ei, você ainda tem que dirigir hoje! - alertou-a próxima de Mulder e retirando gentilmente o copo de suas mãos. Mulder: Quero ir embora! Jessie: Nas suas condições é melhor dormir aqui. Posso pedir para prepararem os quartos de hóspedes para vocês. Mulder olhou fixamente para Scully e, posteriormente, desviou a sua atenção para Jessie. Mulder: Não, obrigado - lançou-lhe um leve sorriso - Vou pra casa mesmo. De onde estavam, ambos olharam para Scully, sentada no sofá com as pernas cruzadas e muito desconcertada pela atenção especial que David dispensava-lhe. Jessie retornou a sua atenção para ele e percebeu a irritação crescendo em seu semblante. Jessie: Cuidado, não faça nem diga nada de que se arrependa depois! – o alertou - Vou pedir para Morgan levar vocês. Mulder desviou-se para ela e tocou levemente o seu rosto. Mulder: Não se preocupe, estou bem - depositou um leve beijo em sua testa – Scully vai dirigir. Jessie: Tudo bem, então. Ela está mais sóbria que você. Ele caminhou até Scully, mas antes que dissesse que iriam embora, David interrompeu a sua intenção sem perceber e perguntou à Jessie. David: Jess, onde está a sua máquina fotográfica?! No carro, Scully dirigia preocupada com o silêncio pesado e constrangedor instaurado entre eles. Afinal, desde que haviam saído da casa de Jessie, ele não fizera nem um comentário, não falara nada. Permanecia assim o tempo todo. Havia feito diversas tentativas de animá-lo, de iniciar um diálogo... perguntou se estava bem, se algo o preocupava, mas sem sucesso nas respostas... Tudo o que conseguira fora monossílabos "não, sim, hum...". Diante disso, resolveu ficar calada também. Mulder: O que você achou do tal David? - perguntou de repente, surpreendendo-a. Scully: Bom... é gentil, educado, divertido... Mulder: Bonito? - inquiriu sarcástico. Ela deu uma pausa antes de responder, mostrando-se desinteressada. Scully: Sim, bonito. Mulder: Quantos anos ele tem, Scully? - ele continuou irônico. Scully: Vinte e nove, eu acho - respondeu ignorando o seu sarcasmo – Por que? Mulder: Porque eu o acho muito jovem pra você – respondeu, ríspido. Eles aproximavam-se do apartamento dele. Ela parou o carro já em frente do prédio e virou-se para ele. Scully: Não estou entendendo! Ele não lhe deu ouvidos. Desceu do carro decidido a não dar nenhuma explicação, seguindo para o elevador. Ela, porém, o seguiu. Scully: Você está bem? Bebeu um pouco além da conta, Mulder... Aliás, nós dois nos excedemos. Mulder: É, mas você se excedeu mais ainda - respondeu de maus modos, apertando o botão do elevador. Ela ignorou novamente o comentário sarcástico, acompanhando o mostrador com os números do andar iluminarem-se crescentemente. Scully: Quer que eu o ajude a deitar? - não obteve resposta. A porta do elevador abriu, ele saiu na frente retirando as chaves do bolso, tentando realizar a "difícil" tarefa de introduzi-la na fechadura. Scully tomou as chaves de sua mão e abriu a porta. Scully: Quer que eu o ajude a deitar, Mulder? - insistiu. Mulder: Sim, mamãe, não sei me deitar direito – novamente a ironia, agora imitando voz de criança. Ao entrar, ele livrou-se da blusa, foi para a cozinha, abriu a geladeira e apanhou uma garrafa de suco. Scully, de onde estava, na sala, o seguiu com os olhos. Scully: O que há com você, Mulder? - perguntou quando ele já voltava a sala, inconformada, vendo-o sentar-se no sofá e esticar as pernas em cima da cadeira a sua frente. Determinada, ela insistiu - Mulder, estou falando com você – aumentou um pouco o tom de voz, irritando- se em ser ignorada. Ele finalmente deu-lhe atenção e lançou-lhe um olhar acusador e sarcástico. Mulder: Scully, você revelou um lado seu que eu desconhecia. Scully: Do quê está falando? - ela sentou-se à seu lado, numa postura inquisitória. Mulder apenas sorriu. Ele não conseguia disfarçar a raiva. Ela deu um profundo suspiro, buscando um último "fio" de paciência que ainda restava-lhe. Scully: Mulder, são duas horas da madrugada... que tal me dizer o que está havendo? Mulder: Beijou um completo estranho com tamanha intimidade - ele explodiu - Conversou com ele na mesma proporção a noite inteira... e até se deixou fotografar. O que ele disse mesmo?! Ah, "vou guardar a foto desta ruiva linda para sempre...". Que romântico! Scully mordeu o lábio inferior. Embora não entendesse porque ele estava tão incomodado, sentia vergonha de si mesma. Não sabia o que dizer, mas lembrou-se da francesa Isabelle e de sua ousadia. Scully: E você? Percebi que não gostou de ser beijado essa noite. Você não estava nem um pouco empolgado, não é?! - usou o mesmo tom acusatório que recebera. Mulder: Não tanto quanto você, é claro! Scully: Era só uma brincadeira, aceitamos participar dela! - ela fez uma pausa - Está bêbado. Descanse, durma um pouco. Vai se sentir melhor amanhã. Ela levantou-se para ir embora, mas ele deu um salto do sofá recuperando rapidinho a sobriedade, a tempo de segurá-la rudemente pelo pulso, bater a porta com violência e fazê-la voltar para o centro da sala. Scully: Mulder, o que está fazendo?! – inquiriu perplexa com o seu modo brusco e segurou o pulso dolorido. Mulder: Não faça isso novamente - ele a advertiu em voz alta. Scully: Fazer o quê?! - ela devolveu, enfrentando-o com o mesmo tom de voz, querendo entender o porquê de estarem discutindo. Ele a olhou por um momento, intensamente; puxou-a para junto de si e devorou seus lábios, esmagando-os com sua raiva, frustração. O ciúme tomara conta de sua razão. Uma punição pela dor que, inadvertidamente, ela o fizera sentir. Ele enlaçou-lhe a cintura apertando-a fortemente contra seu corpo, comprimindo-o contra o seu. Scully sentia um misto de dor e prazer. Mal conseguia respirar diante do abraço sufocante, mas extremamente prazeroso, que recebia. Após o que, para ela, pareceu uma eternidade, ele a soltou. Seu peito arfava e ela ofegava, assim como ele também. Sentia os lábios inchados ante a violência do beijo. Mulder olhava fixo para ela. Estava assustada e confusa e, ao notar isso, arrependeu-se do modo como fez. Ele a puxou novamente, agora gentilmente, porém firme, e tornou a beijá-la, um beijo lento e carinhoso que explorava os contornos de seus lábios, provando-os. Deslizou as mãos pelas costas dela, mas ela ainda estava assustada e não o retribuiu. Ele a apertou um pouco, incentivando-a a retribuir. E foi com um contentamento que sentiu os braços delicados envolverem o seu pescoço e o corpo colar ao seu, fazendo-o sufocar um gemido. Ajoelharam-se sem interromper o beijo. Ele deslizou suas mãos para as coxas pálidas, acariciando-as, deliciando-se com os gemidos que ela também tentava sufocar. Segurou suas mãos, entrelaçando os dedos nos dela. Ergueu os seus braços, soltou suas mãos, percorrendo o caminho até alcançar o barra do vestido e suspendê-lo lentamente, desnudando-lhe. Seus olhos brilharam em admiração contemplando o corpo perfeito e tanto desejado. Deteve-se na calcinha de veludo e renda italianas da mesma cor do vestido. Ele a abraçou e a beijou intensamente, louco de desejo. E a respiração descompassada dela, os lábios, entreabertos, vermelhos e inchados por causa de seus beijos; o peito arfando, fazendo com que os seios roçassem o seu peito, numa carícia erótica, aumentavam o seu tesão. Novamente a abraçou, apertando-a contra si, suplicando para que esse gesto involuntário parasse. E a beijou com sofreguidão. Scully se deu conta de que estava ajoelhada na sala de Mulder, seminua em seus braços, quase totalmente entregue a ele. Interrompeu de forma brusca o beijo, levantou-se, pegando o vestido do chão e rapidamente cobriu os seios. Sob seu olhar espantado e incrédulo, virou-se de costas e o vestiu num só gesto. Emprestou as chaves do carro dele e saiu sem dizer nada. Mulder ainda ficou estático, olhando para a porta fechada. Estava espantado com o seu comportamento: sentira ciúmes dela. Mais ainda, a machucara! A raiva era tão grande que perdera o bom senso, e depois suas mãos pareciam ter ganho vida própria ao despi-la, acariciá- la, beijá-la tão sensualmente. Tantos anos de privação o estavam deixando louco, concluiu. "Será que os vídeos para adultos não me satisfazem mais?", perguntou-se. Na verdade, nunca o satisfizeram, mas pelo menos seus hormônios ficavam controlados. Scully tinha razão, havia bebido demais... Além da conta, ele diria. No entanto, não pôde negar o contentamento, a admiração, o prazer ao vê-la somente de calcinha, ajoelhada à sua frente, o corpo estremecendo com suas carícias, entregando-se à ele. A pele era pálida, mas gostosa e perfumada; o corpo, pequeno, mas perfeito, com curvas sensuais; e os lábios, carnudos e macios. Ele deitou-se no sofá com essa imagem gravada na mente e, ali mesmo, adormeceu. Dirigindo, Scully tinha os pensamentos voltados para Mulder. Como pudera ir tão longe? Como pudera ser tão leviana? O que ele pensaria dela? Não se reconhecia. Seu corpo reagira instantâneamente às carícias que ele fizera, correspondera aos seus beijos com ardor, mas nada justificava o seu comportamento leviano. Tantos anos se dedicando exclusivamente ao trabalho sem se envolver com ninguém, estavam mexendo com seus hormônios. Sentia que precisava dividir melhor o seu tempo e dedicar-se às coisas simples da vida como visitar a mãe com mais freqüência, sair à noite e quem sabe... relacionar-se com alguém. O problema era que não se imaginava assim e nem tinha vontade de relacionar-se com ninguém. Aliás, tinha sim, mas só com uma pessoa. Sorriu maliciosa, mas suas bochechas ficaram vermelhas, ele percebera o quanto ela estava carente. ARLINGTON SÁBADO 09:30 H Jessie bateu insistentemente na porta. Mulder deveria estar num estado deplorável, pensou; mais emocionalmente que fisicamente. Estava quase desistindo quando ele veio abri-la, sonolento. Jessie: Como você está? Desculpe se o acordei! – disse, recebendo um leve negativo meneio de cabeça. Mulder fechou a porta e dirigiu-se para o banheiro. Jessie o seguiu e encostou-se na porta. Enquanto falava, ele a olhava através do espelho ao mesmo tempo em que escovava os dentes. Jessie caminhou até a janela. Ela usava uma calça jeans tipo pantolona de cós baixo e blusa de malha, cor de ferrugem com um profundo decote canoa que deixava parte de seus ombros à mostra. Seus cabelos estavam soltos e caíam por suas costas como uma cascata de rio vermelho. Nos pés, sapatilhas negras. Ele não pôde deixar de admirá-la. Como ela havia crescido e transformado-se em uma linda mulher. Doce, corajosa, elegante, linda! Tudo nela denotava elegância e requinte: seu porte esguio, seus traços finos; demonstrava a origem rica e tradicional de sua família e a quê ela fora acostumada. Mulder a puxou pela mão, sentou no sofá fazendo-a sentar-se a seu lado. Ele a abraçou e afundou o rosto em seus cabelos. Jessie notou-lhe a tristeza e, carinhosa, alisou seus cabelos com a mão. Jessie: O que houve? Mulder: O quê? Estou cansado! - fingiu não entender mantendo rosto escondido em seu pescoço. Jessie: Você está triste - e colocou os dedos nos lábios dele, quando ele levantou o rosto, silenciando-o - E não adianta negar. Eu conheço você. Diante do silêncio dele, ela resolveu questionar. Jessie: O que foi? Mulder: Fiz uma coisa horrível ontem? - disse abaixando a cabeça envergonhado. Jessie: O quê? Mulder: Comportei-me mal com uma pessoa. Jessie: Ah, sei... com Scully! Mulder ficou calado sem olhá-la. Ela examinou seu rosto e deu um longo suspiro. Jessie: Mulder, há quanto tempo você não... – questionou incerta. Mulder: Não, o quê? - voltou a fitá-la. Jessie: Você sabe. Não faz amor com uma mulher?! Ele ficou em silêncio. Jessie: Você sempre foi um rapaz cobiçado. Lembro quando eu mentia que você tinha uma namorada e que ela era uma fera. Uma vez falei que você não gostava de mulher – confessou, rindo muito da expressão incrédula e divertida dele - Sim, eu me lembro, era pequena, mas me lembro. Mulder: Ei, não sabia disso. Mas que... Jessie, você não fez isso?! Ela levantou-se e continuou. Jessie: Amanda Ellen era pegajosa demais, Renata Ranes, muito ciumenta, Fiona Reeves, arrogante... - ambos riram, divertindo-se mutuamente. Foram interrompidos por batidas na porta. Mulder levantou-se para atender e deparou-se com uma Scully desconcertada, parada à sua frente. Ela usava seu costumeiro tailleur azul-marinho e salto alto. Em nada lembrava a Scully descontraída e sensualíssima da noite anterior. Esticou o braço escancarando a porta para que ela entrasse. Scully: Encontraram Gibson Praise - ela disse ao entrar. Mulder: Gibson? Onde?! Scully: Está em um hospital, em Nevada. Mulder: Nevada? Scully: Sim Só então ela percebeu a presença de Jessie. Scully: Dra. Jessie? Desculpe, não a vi - estava ruborizada sem saber o porquê. Jessie: Não me surpreende - ela sussurrou para si mesma. Scully: O quê? Jessie: Eu disse que não se desculpasse - disfarçou com um sorriso. Scully: Não vamos lá, Mulder?! – girou o corpo, voltando-se para ele. Mulder: Sim, vamos. Vem conosco? – perguntou à Jessie. Jessie o olhou surpresa. Jessie: Eu?! Mulder: Gostaria que fosse. Jessie olhou pra ele e Scully. Não via motivo algum para ir junto, mas não custaria nada acompanhá-los. Jessie: Está bem, eu vou. Antes que saíssem, o telefone tocou e Mulder voltou para atendê-lo. Diana: Fox, é Diana. Encontraram Gibson Praise, está em um armazém em Nevada - ele imediatamente virou-se para Scully. Mulder: Eu sei, mas... ele não está em um hospital?! Diana: Não, não está. Quem lhe deu essa informação? - indagou ao que Mulder não respondeu. Mulder: Onde fica o armazém? Após anotar o endereço e escutar mais algumas informações, ele saiu com as duas moças. Scully: Quem era? - perguntou antes que chegassem ao carro. Mulder: Uma pessoa de confiança que disse que Gibson está em um armazém em Nevada. Scully: Quem? A pessoa que me deu essa informação também não pode ser subestimada. Mulder: E quem foi? Scully: Skinner – respondeu e o segurou pelo braço, detendo-o - Vamos para o hospital, Mulder. Jessie apenas assistia a tudo sem se manifestar. Mulder: Tá legal. Jessie, você vai para o hospital conferir a informação e Scully e eu vamos para o armazém. Jessie: Tudo bem – assentiu e encaminhou-se para seu carro, uma Grand Cherokee que chamava menos atenção que a BMW grafite que costumava usar lá no Bureau. HOSPITAL MEMORIAL DE NEVADA 10:30 H Jessie andava pelos corredores do hospital, cautelosa. Ao avistar um balcão de recepção, pediu informações sobre um paciente supostamente internado ali, Gibson. Notou a relutância da jovem enfermeira em ceder tais informações e inventou que fazia parte da equipe médica responsável pelo garoto e que fora chamada para atendê-lo. A pequena mentira funcionou e ela seguiu até o quarto. ARMAZÉM DE NEVADA 10:45 H O armazém era um pouco distante da cidade. Scully e Mulder, de armas em punho, adentraram o local. Passaram muitos minutos procurando o paradeiro de Gibson ou, pelo menos, indícios, pistas de seu paradeiro. Subiram e desceram escadas, entraram em pequenas "saletas"... Pregadas na parede, Mulder reconheceu máscaras indicando que ali costumavam manusear substâncias químicas. RUA EXERTER 208 11:30 H Jessie literalmente voava. Precisava chegar a tempo de alcançá-los antes que algo acontecesse. Havia encontrado Gibson em estado gravíssimo na UTI do hospital. Mesmo estando muito mal, ele conseguira alertá- la sobre a cilada armada para Mulder e Scully. Ao longe, ela finalmente avistou o armazém, numa estradinha de terra. ARMAZÉM DE NEVADA 11:31 H Scully: Mulder, não há nada aqui. Vamos embora - ela já estava irritada em investigar o nada. Um barulho ecoou pelo armazém, chamando a atenção de ambos. Porém, Scully voltou-se para ele, insistindo na mesma questão. Scully: Mulder, quem lhe deu essa informação? Porque não confia em mim? Ignorando-a, ele abriu uma pesada porta de ferro e entrou em outra "sala" pequena, local de onde o barulho, supostamente, teria vindo. Scully exasperada, o seguiu. De repente, um chiado, e uma fumaça branca tomou conta do ambiente. Imediatamente eles começaram a tossir. Scully caiu de joelhos não agüentando o ar que sufocava-lhe. Mulder a chamou, ofegante e fazendo um enorme esforço para ser ouvido. Cambaleando, tateou no escuro a procura das máscaras que avistara, porém não as encontrou. Jessie, armada, chutou a grande porta de madeira, entrou e gritou por eles. Ouviu um fraco barulho de tosse e uma fumaça branca quase tomando conta do ambiente. Correu seguindo ao local de onde tinha vindo o barulho e os encontrou, Scully, caída no chão, sufocada, e Mulder de joelhos ao lado dela fazendo um esforço enorme para levantar-se e trazê- la consigo. Em pouco minutos, o armazém inteiro estava tomado pela fumaça. Urgentemente, ela procurou por algo que os protegesse e acabou encontrando apenas uma máscara caída no chão, na entrada do armazém. A pegou e colocou em Mulder. Jessie: Tome, Mulder. Respire - ele mais que depressa obedeceu sentindo um alívio. Jessie olhou para Scully ofegando bastante a ponto de desmaiar. Mulder puxou Scully para si e colocou-lhe a máscara. Levantou-se e a trouxe junto. Colocou novamente nele e devolveu a ela, alternando para que os dois pudessem respirar. Preocupado em fazer com que ela acordasse, ele a chamava, a sacudia insistentemente. Ela abriu lentamente os olhos, mas estava muito fraca. Percebeu que não conseguiria sair com ela sozinho dali, Jessie ajudou e ambos envolveram-na em seus braços e saíram. Do lado de fora, ela colocou Scully pra sentar dentro do carro de Mulder. Em poucos segundo, ela desmaiou novamente. Ele, encostou-se na lataria. Ainda tossia bastante, mas começava a melhorar. Jessie: Está melhor? Mulder: Sim. O que era isso? Jessie: É um tipo de gás, não sei. Parece-se com o Sarin. Ele a fitou dando-se conta do perigo que correram e o quanto fora irresponsável. Jessie: Poderia tê-los matado em poucos minutos. Fico feliz de ter chegado à tempo. Sua respiração ainda estava alterada, seu peito arfava como se tivesse encerrado uma maratona de longa distância. Seguiu até a porta, abrindo-a para ver Scully, suada e desacordada, sua respiração estava bem mais alterada que a dele. Mulder: Temos que levá-la a um hospital - disse ele, acariciando os seus cabelos. Jessie: Sim, vamos cuidar disso - e diante da preocupação dele tratou de tranqüilizá-lo - Ela ficará bem, não se preocupe. HOSPITAL MEMORIAL DE WASHINGTON 16:00 H Após ser examinado, Mulder foi ao encontro de Jessie no quarto onde Scully estava. Abriu a porta sem fazer barulho, encontrou Jessie sentada em uma cadeira ao lado da cama onde a parceira estava adormecida, com a aparência de um anjo, como se nada daquilo que haviam passado tivesse sido real. Sua respiração já estava normal e possuía uma aparência mais calma agora. Jessie levantou-se assim que o viu aproximar-se da cama. Jessie: Ela receberá alta amanhã. Está bem e sem nenhuma seqüela. Ele olhava a parceira sem desviar sua atenção para ela, apenas ouvindo-a com atenção. Jessie tocou-lhe levemente o ombro. Jessie: Quem foi que lhe deu aquela informação? Ele não queria falar no assunto. Estava mal por ter colocado a vida de Scully mais uma vez em risco. Percebeu o mal-estar que o assunto lhe causava, mas assim mesmo, insistiu. Jessie: Quem foi, Mulder? Ele não respondeu. Jessie: Percebeu o que houve, não?! – insistiu. Ele desviou rapidamente seu olhar para ela, para depois voltar-se à Scully, é claro que percebera. Não conseguia acreditar que Diana havia feito aquilo. E de fato, não acreditava nesse fato sem que houvesse uma coação por trás, uma ameaça. Mulder: Como soube? - inquiriu virando a cabeça de lado, mas mantendo-se de frente para a cama - Sobre Gibson? Jessie: Encontrei o garoto no hospital. Li o laudo, seu estado é grave, os médicos não têm muitas esperanças... Era óbvio que tratava-se de uma cilada estando ele no hospital, não?! Mulder sentiu-se pior ainda porque percebera que Scully tivera razão. Skinner não os enganara e em seu íntimo, praguejava contra si mesmo. Jessie o abraçou e depositou um beijo fraternal em sua testa. Jessie: Vou para casa agora, tomar um banho. Se quiser que eu venha à noite, se precisar, ligue, por favor que eu estarei aqui. Ele assentiu com a cabeça e antes de sair, ela ainda fez um comentário. Jessie: Mulder, amo você do jeito que é, mas você colocou em risco a vida de uma pessoa que o ama muito. 19:00 H Scully acordou e viu Mulder a seu lado, sentado em uma cadeira bem próxima de sua cama. Ele, por sua vez, ao vê-la despertar, lançou-lhe um leve sorriso que logo morreu em seus lábios ao notar que ela não retribuiu, limitando-se a olhá-lo. Mulder: Como você está? - perguntou tomando sua mão. Scully: Melhor, obrigada - respondeu, seca. Alguns minutos de silêncio - Quem telefonou para você hoje de manhã? - desta vez estava determinada a não adiar mais o assunto. Não obteve resposta e o viu desviar o olhar para o chão. Scully: Foi Diana Fowley, não foi? - ela retirou a mão que ele segurava. Ele apenas balançou a cabeça. Diante da resposta, ela baixou a sua, lágrimas teimosas, brotando em seus olhos que, à muito custo, foram contidas. Ao perceber a luta que ela travava contra elas, não conseguiu conter as suas. Principalmente após dizer que Jessie havia encontrado o garoto. Scully: Você não confiou em mim - ela acusou. Mulder: Eu sempre confiei em você. Foi em Skinner... – sua voz foi interrompida pela choro baixinho que ele tentava disfarçar. Os olhos dela avermelharam-se e uma expressão decepcionada moldava-lhe a face. Scully: Mas você nunca duvidou dele. Eu é que sempre o fazia. Acho que você deve voltar a trabalhar com a Agente Fowley. Ele a olhou incrédulo disposto a refutar, mas ela não permitiu. Scully: É preciso confiança para duas pessoas trabalharem juntas, para desenvolverem um bom trabalho, entre outras coisas. Será melhor para nós. Mulder tomou novamente a mão dela entre as suas, levando-a até seus lábios, depositando um beijo terno. Mulder: Não faça isso, por favor! - suplicou, contraindo as têmporas - Como pode saber se isso é o melhor?! Scully gentilmente retirou a mão e voltou a deitar, embora de costas, mas com o rosto virado para o lado oposto ao do parceiro dando a conversa por encerrada. CONTINUA... TÍTULO: Alter ego (Um outro eu) CAPÍTULO III CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO II : " COELIBES ESSE PROHIBENTO " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper CLASSIFICAÇÃO: Livre SPOILERS: "A Colônia", "Fight the Future" RESUMO: Mulder e Scully estão na casa de Jessie. Ele está mais aberto com relação à seus sentimentos. Jessie prova que está disposta a tudo para vê-lo feliz. DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá...Mas Jessie, o mordomo, o caçador e David, são criações minhas. FEEDBACK: Infinitamente grata! AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. AGRADECIMENTO ESPECIAL: A minha beta Sky que me premiou com sua paciência e benevolência ao ler com carinho essa fic enorme. OBSERVAÇÕES: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente, terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN 19:00 H Scully adormecera novamente. Mulder aproveitou para ligar à Jessie e pedir que ficasse com ela esta noite. Ao desligar, ele lembrou-se de um detalhe que somente deixara escapar por causa de sua preocupação maior naquele momento ser Scully. Mas, agora, dava-se conta de que Jessie não usara máscara de oxigênio para proteger-se do gás. Quando ela entrou no armazém, sem proteção alguma, não parecia preocupada em saber que o gás poderia afetá-la. Decidiu que, assim que a oportunidade surgisse, questionaria o fato. E tentaria criar logo tal oportunidade. 19:20 H Jessie abriu a porta, preocupada em não fazer barulho. Scully estava acordada e a televisão ligada, porém, ela não prestava a mínima atenção no que passava. Seu olhar estava perdido e não notou a sua presença. Aproximou-se da cama e a tocou levemente no ombro. Jessie: Oi, como você está? - mantinha um sorriso nos lábios. Scully tomou um leve susto e finalmente prestou atenção à ela. Scully: Estou bem. O que faz aqui? - estava curiosa ao vê-la com uma pequena valise e um edredom em seu braço. Jessie: Vim ficar com você essa noite - declarou colocando a sacola e o edredom em cima de um sofá-cama no canto do quarto. Sentou-se na cadeira ao lado da cama. Scully decidira não comunicar nada à família, uma vez que seria desnecessário preocupar sua mãe, pois ficaria menos de um dia no hospital. Scully: Não precisava, Dra. Arby. Jessie: Não é incômodo algum - refutou e recebeu um leve sorriso. Scully: Pode me chamar de Scully. Ou Dana, se quiser. Jessie: Só se você prometer que vai me chamar de Jessie! Scully: Certo - ela retribuiu o sorriso que recebera. Ficaram um momento em silêncio até que Scully foi a primeira a falar. Scully: Conhece a Agente Diana Fowley? - perguntou, tentando esconder o seu grande interesse na resposta. Percebera que um assunto envolvendo o nome da agente, era delicado, e tratou de responder com cuidado, mas sem distorcer a sua real opinião. Jessie: Sim, conheço. Scully: Há muito tempo? Jessie: Não. Sei que ela trabalha no FBI. Por quê? Scully: Ela nos traiu - declarou, lembrando-se com tristeza que Mulder não hesitava em confiar nela - O que acha dela? Jessie: Mulder parece não concordar com a sua opinião, não?! - ela arqueou as sobrancelhas - Eu a acho muito ambiciosa e não sei até onde ela pode retribuir a confiança que ele deposita nela. Scully: Está dizendo que ela faria qualquer coisa para... - fez uma pausa - ... ascender? Jessie: "Os fins justificam os meios", além do mais... - ela deu de ombros - ... isso não é garantia que consiga e muito menos que ele a siga. Ou talvez ela haja conforme as suas próprias crenças. Scully, apesar de conhecê-la há pouco tempo, sentia como se já a conhecesse há anos. De alguma forma, que não soube explicar, sentia-se assim. Scully: "Os fins justificam os meios"? Isso quer dizer que você sabe de algo, não?! Jessie: Não sei de nada - ela levantou-se, encerrando o assunto. Nesse momento, o celular tocou, interrompendo-as. Ela o atendeu, entregando-o à Scully logo depois, que a olhou surpresa. Jessie: Para você... É David! - estendeu a mão ao que ela o apanhou. Scully: Alô... David: Oi, Dana. Como está? - ele já a chamava pelo primeiro nome, notou. Scully: Estou bem, obrigada - respondeu desanimada. Queria que fosse outra pessoa. David: Você vai sair amanhã, não vai? Scully: Vou, sim. David: A que horas? Scully: Às 9:30H, eu acho. David: Posso ir buscá-la? Scully: Não é necessário, eu irei com Jessie - ela respondeu olhando na direção dela, que estava atenta à TV. David: Tem certeza? Scully: Tenho sim, não precisa se incomodar. David: Não seria incômodo e sim, prazer. Scully apenas sorriu. Jessie pôde sentir o interesse de seu amigo e a distância que ela tentava manter. Seria muito bom que ele não tivesse tantas esperanças. Scully: Mesmo assim, obrigada - respondeu tentando ser o mais delicada possível. David: Então, tá bom. Quando a vejo novamente? Scully: Não sei - disse sem saber o quê responder. David: Vai pra casa? Scully: Provavelmente. David: Então, farei uma visita, se não se importar. Scully: Claro que não. Ao despedir-se, ele falou tão suavemente, que era quase um sussurro. David: Um beijo, Dana, e durma bem. Ela não retribuiu e despediu-se normalmente. Entregou o telefone à Jessie. Jessie: É, parece que você conquistou um coração! Ela limitou-se a sorrir, mas sua expressão era triste. Jessie sabia que seu coração já estava rendido e não teria espaço para outro. Ficou feliz por saber quem era o sortudo, mas triste por David. Apesar de bem intencionado, acabaria se magoando. Nunca o vira tão interessado em uma mulher antes. Ele sempre fora o cobiçado. Com os cabelos castanhos claros, quase loiros, olhos verdes e um corpo bonito, possuía todos os atributos para enlouquecer as representantes do sexo oposto. Mas agora, vendo-o babar por aquela ruiva, compadecia-se. David estava apaixonado! DOMINGO 9:00 H Jessie: Está pronta, Scully? Scully: Estou - disse lá do banheiro, ajeitando-se na calça jeans azul- escuro e arrumando a twin-set verde água, no corpo. Jessie: Então, vamos - ela pegou a pequena valise onde trouxera roupa para si, outra para Scully, e saíram. CASA DE JESSIE 9:40 H Jessie deixara Scully em casa, e agora, relaxava em um banho, imersa em sua banheira de mármore rosa e torneiras douradas, combinando com toda a decoração do banheiro de mesma cor. O branco telefone, em pé na borda da banheira, tocou e ela esticou o braço para atendê-lo. Mulder: Jess, sou eu. Como está Scully? - ele perguntou ansioso. Jessie: Porque não pergunta a ela? - ela sugeriu procurando incentivá-lo à procurá-la. Mulder silenciou. Jessie: Mulder, ela pode estar magoada, mas gosta, e muito, de você. Não tenha medo de tentar. Mulder: Eu sei - ele deu um longo suspiro - E você? Está bem? Jessie: Sim. Mulder: Então, até amanhã. Jessie: Até... SEDE DO FBI WASHINGTON D.C SEGUNDA-FEIRA 07:57 H Jessie estacionou a sua BMW grafite. Abriu a porta, colocando suas longas e torneadas pernas para fora. Ao fechar a porta do carro, o susto a fez saltar levemente quando olhou casualmente pelo retrovisor do veículo e viu o Alien, caçador de recompensas, parado, observando-a. Ele a estava vigiando e isso era um mau sinal, pois estando a serviço da Seção, queria dizer que ela logo, logo, voltaria ao seu mais temível pesadelo. - Está ajudando Fox Mulder? Informarei ao comando de operações sobre essa sua nova atividade. Jessie: Não acho que a minha vida lhe interesse. - A mim, talvez não, mas à Seção, com certeza. Afaste-se dele. Será melhor para você. Jessie: Eu sei o que é melhor pra mim - ela o desafiou. - Não, não sabe. Precisamos que volte. Jessie: Nunca. Só morta eu irei. - Morta você não servirá para nada. Jessie: Exatamente, essa é a minha real intenção. - Não fuja de seu destino. Jessie: Não me diga o que fazer. Ela girou o corpo e saiu. GEORGETOWN 08:30 H Scully atendeu à porta. Esperava que fosse Mulder, e desapontada viu que não era. David sorriu ao vê-la, escondendo um grande buquê atrás de si. Ela ficou um pouco constrangida com a sua visita, principalmente por estar sozinha, apesar do pijama de cetim vermelho esconder todo o seu corpo... Mas o cumprimentou e o convidou a entrar. David: Dormiu bem? – perguntou, entregando-lhe o buquê com rosas brancas. Scully: Oh... David, são lindas. Obrigada! David: E então? Dormiu bem? Scully: Sim, dormi - sua aparência abatida denotava a péssima noite que ela tivera, contradizendo o que dissera. Porém, mesmo notando, ele preferiu não comentar nada. Após voltar da cozinha onde colocara as flores em um vaso com água, ela sentou-se à sua frente no sofá. David: Dana, vim perguntar-lhe se não quer passar esse resto da licença médica na fazenda... comigo. Você relaxaria e ficaria longe de preocupações. Scully: Obrigada, mas não quero sair daqui - para ela, naquele momento, o aconchego de sua casa oferecia-lhe mais segurança. David: Acho que só lhe faria bem. Sabe cavalgar? Já bebeu leite de vaca? Scully: Não - ela respondeu com sorriso desanimador. David: Eu poderia ensiná-la! - prontificou-se ao que ela apenas sorriu. O toque do telefone os interrompeu. Jessie: Oi, sou eu. Como você está? Scully: Oi, Jessie. Estou bem - olhando para David, que fazia um sinal de que queria falar com ela. Scully: Vou colocar no viva-voz. David quer falar com você. Do outro lado da linha, um sorriso insinuou-se em seus lábios, mas havia também uma certa preocupação em seu semblante, pois sabia que Scully não retribuiria a paixão que David estava sentindo. David: Olá, Jess! Jessie: Oi. David: Estava sugerindo à Dana que fosse passar alguns dias lá na fazenda. Eu a ensinaria a montar a cavalo, pescar... O que acha? Jessie: É uma boa idéia, assim ela se distrai! SEDE DO FBI WASHINGTON D.C 09:05 H Jessie desligou o telefone, despedindo-se dos dois, e ficou a divagar. Após o encontro com o caçador, ela começara a cogitar se não seria uma ótima idéia afastar Scully e Mulder da cidade, por questão de segurança. Imaginava que não só o caçador, mas outra provável ameaça com certeza viria encontrá-la, os usariam para chegar até ela. De início pensara que seria preciso um bom argumento para convencer Mulder, mas agora, analisando a situação, Mulder não permitiria que Scully fosse sozinha à fazenda com David. Tirou os óculos, colocando-os em cima da mesa. Recostada na cadeira em seu escritório, ela pensava que só poderia sobreviver um nesse duelo. Teria que matar o caçador, pois não podia e nem mesmo iria ficar fugindo de nada. A entrada de sua secretária na sala, despertou-a de suas divagações. - Dra. Jessie, chegaram mais processos para despachar - disse colocando uma pilha de pastas em cima de uma mesa lateral, disposta para acomodá- los - Eis os dossiês que a Srta. pediu - entregou-lhe duas pastas cinzas. Ela permanecia em silêncio, apenas assentindo com um leve meneio de cabeça. - Dra. Jessie?! - chamou-a ao que ela apenas levantou a cabeça em sua direção – Estará presente na comemoração de confraternização do FBI, no dia 15 de dezembro? Jessie: Acho que sim, porque? - Por nenhum motivo especial. É que a Srta. Não foi nos dois anos anteriores... Jessie: Houveram uns contratempos que me impediram de ter comparecido - respondeu, vaga, concentrada na redação que fazia. Deixe-me só. Preciso de muita concentração para analisar esse processo complicado. A secretária assentiu e saiu sem perder tempo da sala. 19:30 H O dia havia sido longo. Após analisar e despachar vários processos, estava muito cansada e precisava de um bom banho. Sua casa era muito grande, grande demais para ela e não sentia-se bem. O seu trabalho, entre outros motivos, era o que a prendia lá. As portas da mansão eram de vidro pintadas a mão com graciosos arabescos brancos. A sala era ampla e conjugava sala de estar e jantar. Os sofás, beges com detalhes marrons, combinando com a tapeçaria verde- musgo. A sala de jantar possuía ampla mesa com tampo de vidro fumê. O mordomo Morgan veio abrir a porta para ela. Jessie: Boa noite, Morgan. - Boa noite, Srta., servirei o jantar daqui à meia hora, pode ser?! Jessie: Tudo bem, preciso de um banho antes. - A Sra. Morgan vai preparar o seu banho. À propósito, Srta., o Sr. David a está esperando na sala com uma moça. Caminhou em direção a sala, o salto de seus sapatos ecoavam pelo chão de granito. Encontrou-os sentados no sofá, um ao lado do outro. David estava visivelmente apaixonado, mas Scully não demonstrava estar disposta a retribuir, como já previra. Jessie: Scully, não foi à fazenda?! - fingiu surpresa. Scully: Oi, Jessie - ela levantou-se e a abraçou timidamente - Não, não fui. David: Não consegui convencê-la - ele respondeu, levantando- se também para cumprimentá-la. Jessie: Onde está Mulder? - perguntou procurando ao redor. David: Acabou de ligar e disse que está vindo pra cá - respondeu exasperado. Jessie: O que é isso? Alguma reunião? - disse com um meio sorriso nos lábios. O ruído de seus cães, vindo do quintal, chamou-lhe a atenção e o seu sorriso morreu. Eles, estranhamente, começaram a latir sem parar fazendo- a ficar alerta. Sua expressão mudou e um arrepio percorreu a sua espinha. David percebeu que ela empalidecera. David: O que foi? Está bem? – aproximou-se dela, preocupado. Ela balançou a cabeça, afugentando os pensamentos ruins e sorriu, disfarçando a sua preocupação. Os latidos haviam diminuído e os cachorros acalmaram-se. Jessie: Está tudo bem - ela o tranqüilizou. Ruído da campainha, o mordomo foi atender e Mulder adentrou na sala. Jessie foi em direção a ele e o abraçou. Precisava de segurança e ele estava ali. Aprendera a não ter medo por si, nem por ninguém, mas por ele sentia um temor que chegava a ser irracional. Não permitiria que nada lhe acontecesse. Mulder: Oi, está bem? - perguntou estranhando tal atitude e acariciando os seus cabelos após notar que ela o abraçara mais fortemente que o normal, como se pedisse conforto. Jessie: Sim, estou bem. E você? Mulder não lhe respondeu, adquirindo uma expressão séria ao ver Scully ao lado de David. E ela o olhava desconcertada. Jessie tentou distraí-lo para desviar-lhe a atenção. Jessie: Mulder, você já viu os meus "filhos". Tenho cães, uma onça, um leão e dois lobos. Mulder: Nossa, é um zoológico! - ele brincou arrancando sorrisos dela, desviando a grande custo os olhos da parceira. Jessie: Quase... Quando você for a minha casa, na Argélia, vai ver o que é zoológico. Lá eles andam soltos; aqui, não. Mulder voltou o seu olhar para Scully. Estava disposto a atrapalhar o máximo que pudesse um possível relacionamento dos dois. Ele não daria espaço e decidiu que lutaria até o fim para reconquistar a confiança dela. Mulder: Vamos ver, Scully - ele estendeu a mão agarrando a dela, o que não era exatamente um convite, com o claro intuito de afastá- la de David. E ela o acompanhou. David, contrariado, acompanhou-os. Jessie apenas assistia divertida à todo aquela cena, mesmo lamentando por David. Ela trocou de roupa, agasalhando-se ao máximo para a noite fria com ameaça de chuva. Porém, Mulder e Scully notaram o fato de ela estar se protegendo mais que o normal. A noite estava fria sim, mas não estavam no Canadá para agasalharem-se tanto. Ela usava uma calça de couro vinho, botas, dois pulôveres de lã e um casacão bem grosso por cima. Eles andaram por um caminho de pedras que circundava a mansão terminando nos fundos. Scully ficou extasiada ao ver o bosque lindo que escondia-se atrás. Jessie sorriu ao ver a expressão dela. Jessie: É o meu paraíso na capital - explicou. Scully: É lindo! - elogiou hipnotizada com a paisagem. O bosque, formado por árvores singelas, parecia sombrio à noite, mas extremamente belo. Jessie pediu para que eles permanecessem onde estavam, enquanto ela aproximava-se mais ainda do bosque. Assobiou e, após alguns segundos, surgiram os dois lobos, com olhos brilhantes contrastando com o lençol escuro que tomara lugar, na fria noite. Scully e Mulder ficaram estáticos ao ver que eles aceitavam os carinhos dela como se fossem simplesmente dois cães domesticados, inclusive roçando no chão enquanto ela os acariciava na barriga. David percebeu que, no momento em que Scully vira os animais, instintivamente estendera a mão à Mulder procurando a dele como segurança, mas disfarçou e não falou nada, contemplando as mãos fortes segurarem as delas, ofertando-lhe tal segurança. Scully não acreditava no que via e Mulder olhava para Jessie com um sorriso deliciando-se com a aquela imagem. Eles olharam para David que estava em pé ao lado e em silêncio. Jessie ouviu um ruído estranho vindo do bosque onde os cães recomeçaram a latir sem parar. Ela avistou dois dos quatro que possuía, mas continuava a ouvir o rosnar de todos os animais, inclusive dos lobos a seu lado. Virou-se para os três parados a cerca de duzentos metros atrás dela e aumentou o tom de voz para se fazer ouvir. Jessie: Voltem para dentro, vou ver o que aconteceu. Mulder soltou-se de Scully e foi em direção à ela onde, rapidamente, os animais que estavam deitados à seus pés levantaram-se, ficando em posição defensiva. Scully o chamou para voltar e ele parou no meio do caminho. Jessie pediu que entrassem. David: Jess, o que vai fazer? Jessie: David, entre. Vou ver se está tudo bem, só isso. David: Não precisa entrar no bosque sozinha, chame-os somente. Assentiu e os chamou, mas sem sucesso. Após várias tentativas, ela já estava mais que decidida a entrar. Passou pelos dois lobos que estavam perto, acariciou-os e seguiu para o bosque. Imediatamente os animais voltaram a se agitar. David, preocupado, chamou-a novamente. Não obtendo resposta, ele a seguiu com Mulder e Scully atrás de si. Ela estava na entrada do bosque e virou- se para eles suplicando que entrassem. David: Não vai entrar lá sozinha. Os animais estão agitados. Algo passou atrás dela com tamanha rapidez e arrancou-lhe o seu casaco. Embora não tivesse visto, sabia do que se tratava. Seus olhos estreitaram-se e assumiram uma tonalidade escura. Mulder correu em sua direção. Jessie: Mulder, entre por favor! Mulder: O que foi isso? - ele ignorou o seu apelo. Jessie: Não foi nada. Mulder: Nada? Arrancou o seu casaco! E eu nem vi o que era. Jessie: David, vá pegar a arma, rápido! - ele obedeceu e disparou para dentro da casa. Mulder: O que está acontecendo? - inquiriu colocando as mãos na cintura ao que ela ignorou a pergunta. Jessie: Volte para perto de Scully. Não a deixe só. - pediu vendo-a parada atrás deles à mais ou menos uns 50 metros - Ela está bastante vulnerável. Mulder: Vamos, então - estendeu a mão para ela numa teimosia sem igual. Jessie: Mulder, não a deixe só, por favor! - ignorou a mão estendida - Ela precisa muito mais de você do que eu. Ele virou-se e caminhou para junto de Scully. Avistou David aproximando- se com uma arma de grosso calibre nas mãos. Entregou à ela que pediu novamente para afastarem-se, embora ele dissesse que não se afastaria, apenas ficaria à distância e alerta para quando precisasse. Ele segurava uma arma um pouco menor e retirou seu casaco, cavalheiro e atencioso, entregou-o à ela. Jessie aceitou e o vestiu. Sabia que, com o frio cortante que fazia, se ela estivesse desaquecida, não teria a mínima chance de ao menos enfrentar a ameaça. David voltou para junto deles e educadamente empurrou-os para um pouco mais longe de Jessie. Ele colocou-se a um passo a frente de Scully e observou os movimentos da amiga. Jessie segurava com as duas mãos a pesada arma. Olhava para o bosque inteiro, para cima, para baixo, para os lados... mas não conseguia encontrá-lo. "Ele está aqui, sim. Eu o vi. Está disfarçando-se, tornando- se invisível". Não conseguiria vê-lo no bosque, pois esconderia-se entre as árvores e folhagens, mudando a composição de seu corpo para confundi-la com o objeto que estivesse próximo. Tinha que ir para o campo. No descampado, teria mais chance de vê-lo. Mulder estava impaciente e voltou-se para David exigindo uma explicação. Mulder: O que está havendo? David: Não sei - foi a resposta pouco convincente. Mulder: Como assim "não sabe"? Ele não respondeu e passou o braço pelos ombros de Scully, carinhoso. David: Vá para dentro. Assim é melhor - pediu gentilmente. Scully: Não vou entrar – recusou-se, determinada. Mulder apenas a olhou e voltou sua atenção para Jessie que retornava até eles. David: Está tudo certo?! - perguntou aproximando-se dela. Jessie: Não sei. Não vejo e nem ouço mais nada - respondeu, colocando as mãos na cintura e examinando o bosque. David segurou a mão dela e estendeu a outra para Scully. David: Vamos entrar, então! Jessie olhou mais uma vez para o bosque antes de acompanhá- los. O caçador, com uma incrível velocidade a esbofeteou no rosto, arremessando-a à cerca de dez metros de distância. A rapidez de seus golpes era tamanha que uma pessoa com reflexos normais não conseguiria defender-se. Ela ainda possuía um grande inimigo contra e não era apenas o caçador, mas sim, o frio. Ele parecia saber disso, essa era a sua desvantagem. Levantou-se do chão e apontou a arma. Olhou a sua volta e não viu nada. Virou-se e, de costas para o bosque, inquiriu a David e Scully se estavam bem. Caminhou em direção ao bosque, mas não viu nada. Rumou para a casa. De repente, sentiu algo às suas costas e, antes que fosse atacá-la, ela virou-se e atirou. Três tiros. Isto se passou em fração de segundos. Mulder gritou e foi em sua direção. O caçador mostrou as garras, girou o corpo para cravá-las na costela dele, afastando-o de Jessie. Ela e Scully gritaram, apavoradas vendo a roupa manchando de vermelho. Scully tentou correr em sua direção, mas David a impediu. Scully: Solte-me, Mulder está ferido! - pediu, sem sucesso, debatendo-se entre os braços que tentavam segurá-la - David, solte-me! – gritou e o empurrou. Correu em direção a ele, segurando a sua cabeça no colo. Jessie colocou-se à frente deles, numa atitude protetora, no momento em que Scully abaixara-se para examinar o parceiro e ampará-lo. A chuva resolveu participar da situação e começou a cair forte e intensamente. Não demorou nada para que todos estivessem ensopados. David: Jessie, vamos entrar, por favor! - ele estava preocupadíssimo com ela. Jessie prestava atenção em Mulder, caído a seus pés com Scully sentada à seu lado e as pernas dobradas onde amparava-lhe a cabeça. O caçador aproximou-se e acertou Jessie mais uma vez, derrubando-a. David disparou a arma na direção em que vira o vulto, tentando em vão acertá- lo. Ela levantou-se e correu para o bosque. David: Não, Jessie, não entre lá. - gritou em vão, pois ela continuou a correr, não lhe dando ouvidos. Jessie entrou e as árvores tomaram conta, ao seu redor. O caçador tentou investir mais uma vez contra ela, mas desta vez, ela conseguiu ser mais rápida e atirou nele. O sangue verde-claro, no escuro da noite, brilhava nas folhas das árvores. Ela o viu subir em uma árvore e desaparecer mais uma vez. Ficou em alerta, olhando em volta novamente. Estava completamente molhada e seu corpo doía com o frio. Teria que acabar logo com aquilo ou ela própria estaria morta sem que o caçador se desse ao trabalho de fazê-lo. Estava ofegante o que mostrava sua dificuldade em respirar. Olhou para a direção deles e viu Scully e o próprio David ajudando Mulder a levantar-se. Mesmo ferido, ele mantinha os olhos fixos nela, o rosto emoldurado por uma expressão de dor alternando caretas. A grossa blusa de lã, possuía cinco rasgos e uma grande mancha de sangue. Scully sussurrava palavras de incentivo em seu ouvido e ele a abraçava forte. O caçador saltou de uma árvore para cima dela e ambos caíram no chão. Com o impacto ela largou a arma longe. Ele a encarou fixamente, mantendo o rosto à poucos centímetros de distância. Era um ser biológico muito feio e nojento. Ele segurou o braço esquerdo dela, esticando-o acima de seu corpo, levantou-lhe a blusa, desprotegendo o seu tórax. Fechou os punhos pronto para acertá-la. David soltou Mulder e de onde estava concentrou-se para mirar a sua arma e atirar com sucesso, acertando-o. Não fez grande efeito, porém, ele olhou fixamente para a sua arma que foi mudando de cor, até ficar intensamente alaranjada. Ele urrou de dor, largou a arma no chão e contemplou a mão com terríveis queimaduras. Aproveitando-se da distração do caçador, Jessie acertou-lhe um soco no queixo que o fez cair a seu lado. Levantou-se e correu em direção à David. Olhou em volta procurando o caçador. Manter-se de pé, tornara-se uma tarefa árdua para ela, que cambaleava, sentindo o corpo congelar. Procurou por sua arma, mas estava longe. Ele disfarçara-se novamente, transformando o seu corpo em um contorno invisível. Apenas quando movimentava-se longe de objetos sólidos é que tornava-se um pouco mais visível, mas apenas pessoas muito atentas perceberiam a sua presença. Voltou-se para Mulder. Jessie: Tem um lenço? Mulder: Sim, tenho. - respondeu com dificuldade. Jessie: Empreste-me. Ele tentou colocar a mão no bolso de trás da calça. Seu ferimento ardeu ainda mais com o brusco movimento o quê o fez gemer. Jessie: Scully, tire o lenço. Scully enfiou a mão no bolso dele traseiro e retirou um lenço azul, entregando-o a ela. Jessie vendou seus olhos. Mulder: O que está fazendo? – perguntou, incrédulo. Jessie: Afaste-se, sei o que estou fazendo - assegurou. Scully começara a tremer com o frio que se intensificara. Ao perceber o seu tremor, Mulder a abraçou, mas manteve os olhos fixos no que Jessie pretendia fazer. Jessie segurou um galho de ponta extremamente afiada que estava no chão. Com a venda nos olhos, a sua única defesa, além do galho, era a excelente audição e treinamento. Caminhou lentamente para perto do bosque. O caçador, que a observava de cima das árvores, investiu contra ela. Jessie teve um rápido reflexo e cravou o galho no peito do alienígena. Seu corpo caiu ajoelhado antes de estirar-se ao chão, morto. Ela caiu ao lado dele, não agüentando mais de frio. David correu em sua direção e ajoelhou-se a seu lado, amparando-a. Ao vê- lo com as mãos queimadas, tomou-as entre as suas. As queimaduras, imediatamente desapareceram e ela desmaiou. David a carregou no colo e disse à Scully e Mulder para entrarem também. David colocou Jessie na cama e voltou-se para Scully que colocara Mulder sentado em uma poltrona próxima à cama no quarto de Jessie, já que ele insistira em subir. David: Tire as roupas molhadas dela. Hesitante em deixar Mulder, ela obedeceu, deixando-a apenas de calcinha. David a carregou e a colocou na banheira com água quente. Scully: Você vai queimá-la! - segurou o seu braço para impedi-lo de colocá-la na água quente demais para uma pessoa suportar. David: Não vou, não - refutou, ajoelhando-se para deitá-la na banheira. Morgan chamou Mulder para acompanhá-lo, mas ele teimava em ficar. David: Vá com ele, Mulder. Ele fará um curativo aí - disse apontando para o ferimento e vendo que ele estava pronto para recusar novamente. Scully: Por favor, Mulder. Faça o que ele está dizendo! Ele assentiu e acompanhou Morgan. Scully acariciava o rosto dela enquanto David colocava mais água quente na banheira. Num instante, ela começou a se mexer. Tremia muito ainda e seus lábios estavam arroxeados. David a chamou. Ela abriu os olhos e balbuciou algo para ele. Ele não entendeu e Scully aproximou o rosto de seus lábios para escutá-la. Scully: Ela quer falar com Mulder - comunicou para David. David: Então, vá chamá-lo - pediu com extrema ternura. Mulder estava sentado em uma mesa, na área de serviço da casa. Morgan terminara no instante em que Scully aproximava-se. O curativo ficara bom, concluiu após examiná-lo. Scully: Como você está? Mulder: Estou bem. E Jessie? Scully: Está voltando a si. Quer vê-lo. Mulder: Vamos lá - desceu da mesa com cuidado, ajudado por Morgan. Segurou no braço que Scully ofereceu-lhe. Dirigiram-se para a escada luminosamente branca, localizada no centro do ambiente. De repente, ele parou no meio dela, fazendo com que ela o encarasse. Mulder: À propósito, obrigado por não me deixar sozinho. Scully: Não foi nada! - agradeceu com um sorriso tímido nos lábios. Ele lançou-lhe um sorriso jovial. Ela beijou-lhe o rosto e prosseguiram subindo as escadas, amparando-se. Todo o mal-entendido entre eles se dissipou naquele momento. Jessie ainda encontrava-se na banheira. Seus lábios estavam voltando a cor normal e ela estava mais consciente. Viu Mulder entrar e abaixar-se a seu lado. Mulder: Você está bem? - tocou o seu rosto. Jessie: Mulder! Esticou o braço e levantou a lã branca. Colocou a mão em cima do curativo sem tocá-lo. Mulder sentiu o ferimento esquentar-se e uma agradável sensação de bem- estar. Abaixou a cabeça, retirou o curativo e com espanto viu que os ferimentos haviam desaparecido. Ele devolveu-lhe um olhar assustado, assim como Scully. David: Vamos retirá-la da banheira - falou com naturalidade nem um pouco espantado com o que testemunhara - Consegue levantar-se sozinha? Scully poderá enxugá-la e vesti-la. Chamou Mulder para fora do banheiro e desceram para a sala. Scully a enxugou e a ajudou a vestir-se com um grosso pijama de flanela. Estava muito perturbada com tudo o que acontecera. O aquecedor estava ligado no máximo. Ela já começava a suar. Jessie percebeu e apertou um botão no telefone que estava no banheiro. Pediu a Morgan que diminuísse a temperatura, insistindo que já estava bem ante a relutância do fiel mordomo. Desligou e voltou sua atenção para uma Scully curiosa. Scully: Não precisa diminuir a temperatura. Não se preocupe comigo. Jessie: Tudo bem, já não estou com tanto frio como estava antes. Scully: Não entendi uma coisa - ela recebeu um olhar despreocupado de Jessie - Porque só você teve esse choque com o frio? Jessie ignorou e, amparada, voltou para o quarto. Mas ela insistia em perguntar. Scully: Quem era... o que era... "aquilo"? - perguntou confusa e temerosa com o que vira. Jessie desconversou iniciando outro assunto para despistar a sua curiosidade. Jessie: Dia movimentado, hoje, não?! Típico de uma segunda- feira. Pretendem ir a festa de confraternização do Bureau?! Scully notara que ela tentava mudar de assunto, porém prometeu a si mesma que iria investigar o que ficara obscuro essa noite. Mulder sentou-se no sofá e o mordomo entregou-lhe um copo de suco de Kiwi, uma ótima fonte de vitamina C, segundo o próprio. Mulder aceitou e agradeceu. David viu nessa hora a oportunidade que esperava. Sentou-se no lado oposto onde ele estava. David: Senti medo esta noite - confessou. Mulder que concentrava-se no suco, voltou-se para ele, porém continuou em silêncio. David: Pensei que fosse perder Jessie - declarou, passando as mãos nervosamente pelos cabelos aloirados. Mulder: Você gosta dela, não?! Impaciente, ele levantou-se e foi até a janela. A chuva continuava a cair, mas agora mais branda. David: Sim, gosto muito dela. Eu a conheci na Inglaterra, há muito tempo atrás. Sempre fico a seu lado, protegendo-a, e ela a mim. É a única família que tenho - um sorriso triste insinuou-se em seus lábios, o olhar perdeu-se na paisagem vislumbrada fora da janela - Quando você está perdido, é muito bom ter um amigo ao lado, sempre amparando-o quando você acha que vai enlouquecer. Mulder: É sim, é muito bom - ele sorriu, seus pensamentos voltados para uma só pessoa. David percebeu um brilho no olhar dele. Pôs as mãos nos bolsos da calça e voltou-se em sua direção. David: Mais do que uma amiga, ter uma pessoa que entenda você, saiba o que sente e do que precisa, sem ao menos você precisar falar, é um tesouro que poucos privilegiados o detém - fez uma pausa vendo o olhar contemplativo dele - Eu jamais me apaixonei por mulher alguma, nunca quis prender-me a uma só pessoa, até que chegou o dia em que eu percebi que sentia falta de uma pessoa que pudesse ser ao mesmo tempo amiga, companheira... amante... - ele fez nova pausa, perscrutando as feições de Mulder que, tenso, remexia-se no sofá – Isso sim, seria para mim a idéia de felicidade. Mulder meneou levemente a cabeça, mantendo seu silêncio. David sentou-se novamente e olhou fixamente para ele. David: Se eu tivesse uma mulher assim, jamais a deixaria só, nem a faria chorar, ou sofrer, ou sentir medo. Eu estaria sempre à seu lado, apoiando-a e amparando-a. O ser humano só percebe o valor do que é seu, quando o perde - David estava entrando em terreno perigoso e Mulder já se colocara na defensiva. Mulder: Porque está me dizendo isso? Scully: São só divagações. Se tiverem alguma importância para você, bom. Para mim, elas têm. Mulder: Você não me conhece! - ele levantou-se nervoso e subiu. No quarto, Jessie estava na ampla cama, com as costas apoiadas em travesseiros. Seus cabelos ainda estavam molhados e mechas de um vermelho escuro desciam por seus ombros, tórax, repousando nas pernas cobertas pelo edredom. Os olhos estavam luminosos e Mulder a contemplou admirando a belíssima mulher. Ela afastou-se um pouco, convidando-o a sentar-se à seu lado, na cama. Jessie: Não tive tempo de agradecer ainda, por ter me ajudado. Mulder: Sabe que sempre gostei de protegê-la. Scully apenas assistia a tudo e, por um momento, imaginou se Mulder não estivesse apaixonado por Jessie e não se desse conta disso. Apesar de saber que ele era um homem livre, isso trouxe um aperto em seu coração. Jessie olhou para ela e um arremedo de sorriso passou por seus lábios. Jessie: Não interprete mal o que vê, Scully. Me preocupa quando os seus pensamentos começam a voar assim - o comentário a deixou desconcertada. Sem perceber a íntima comunicação entre elas, e como num estalo, Mulder lembrou-se do caçador e olhou para Jessie que lhe devia muitas explicações. Mulder: Quem era aquele - fez uma pausa tentando procurar alguma palavra que descrevesse o que vira - bicho, alien... sei lá! Jessie: Era um caçador - seus olhos examinavam os dele, atentos. Mulder: Como assim? Ele sentou-se na poltrona disposto a somente sair dali quando esclarecesse tudo o que havia acontecido naquela noite. Jessie: Mulder, já passa da meia-noite. Precisamos descansar - desconversou. Mulder: Após contar-me tudo - refutou, determinado. Ela sabia de sua teimosia, portanto, teria que contar. Receava que, ao fazer isso, pudesse colocar a vida dos dois em perigo. Por isso, só contaria o que fosse inofensivo para ele saber. Jessie: Tudo bem. Aquele alien que viu, era um caçador. Mulder: Você já disse isso. Scully: Você disse que era um alienígena?! - perguntou incrédula. Jessie: Também não acreditei que fosse um, Scully. Eu sempre desconfiei que não estamos sós nesse universo, mas daí a acreditar que estão nos visitando, é outra história. Mas não se pode negar que é um... Você mesma o viu. Scully: Baseada em quê, você afirma isso? Jessie: Ele é um caçador e foi enviado aqui para me matar por estar ajudando vocês. É uma história complicada. Mulder levantou-se da poltrona permitindo que Scully sentasse e acomodou- se no braço da poltrona. Mulder: E aquele outro alien, que também é caçador?! Jessie: Aquele está ligado diretamente à uma outra organização. Mulder: Que organização? Jessie: Eu não sei – mentiu. Scully: Então, como sabe que ele veio para matar você? Jessie: Porque ele deixou isso bem claro da última vez em que nos encontramos. Scully: Encontrou-se com ele?! - ela arregalou os olhos, incrédula. Jessie: Sim, no estacionamento do Bureau. Scully: Mas você ainda está... - contemplou o seu corpo todo, procurando por algum sinal de ferimento - ... inteira. Ele não a machucou? Há anos atrás, quando encontrara-se com ele, Scully lembrava- se bem que não havia sido nada agradável. Pensando ser Mulder, ela o deixara entrar no quarto do motel onde estava. Havia sido tão espancada que até hoje seu corpo tremia só com a possibilidade de reencontrá-lo. Jessie: Não. Mas sei que ele é capaz disso - ela desviou seu olhar para Mulder - E temo que para chegar até a mim ele use você, Mulder... Ou você, Scully. Scully: Como consegue ler mentes? Antecipar o que vamos dizer? Jessie: Adquiri após um programa experimental de lavagem cerebral e controle de mentes. Mulder: Você foi abduzida? Jessie: Não, esse programa é diferente e não tem nada a ver com abduções e alienígenas. Scully levantou-se confusa. Jessie: O que houve? Scully: Não sei. Tudo é muito confuso pra mim. É alienígena nos visitando, abduções, humanos ficando grávidos de aliens... Impossível - ela balançou a cabeça, confusa - E hoje, porque teve essa crise? Jessie olhou para David, pedindo socorro. David: Isso foi resultado da experiência, também. Durante muito tempo, ela precisou de remédios para diminuir as constantes dores de cabeça e estados de letargia. Também ficou sabendo de sua vulnerabilidade ao frio quando, num dia comum, tomou acidentalmente uma chuva forte indo internar-se na UTI de um hospital em Londres. Adquiriu também uma força física fora do comum, muito grande para os padrões de uma pessoa normal. O seu corpo se ressente dessa experiência e perdeu boa parte da capacidade de manter-se aquecido quando em contato com o frio. Mulder e Scully entreolhavam-se, digerindo as informações recebidas. Jessie: Outros aliens-caçadores com certeza aparecerão para me matar. E por mim, não fugirei. Mas não depende só da minha vida. Mulder: Você não vai, eu não deixarei - ele aproximou-se dela e segurou delicadamente o seu braço, porém com firmeza - Você não pode enfrentá-lo de novo, não pode. Jessie: Gostaria que vocês dois ficassem juntos e que fossem para a minha fazenda, só até eu conseguir me livrar do alien. Mulder: A Scully pode ir, eu não vou à lugar algum. O que há? Quer ficar sozinha aqui, é?! Jessie: Mulder, não se atreva a tentar me defender. Sei muito bem fazer isso sozinha. Sempre foi assim... Exceto por David - ela lançou um olhar de condescendência para o amigo. Mulder: Isso aconteceu porque eu não estava perto de você, porque fomos separados, mas não vai acontecer novamente. A Scully vai para a fazenda, contrataremos seguranças para ficar com ela o dia todo, enquanto eu fico aqui com você - Jessie o olhou comovida e acariciou levemente o seu rosto. Scully: Mulder, eu não vou pra uma fazenda enquanto você fica aqui sozinho, lidando com algo que não sabemos o que é, nem como enfrentar! - ela refutou com veemência e recebeu um olhar terno e preocupado de Mulder. Jessie: Quando fizeram os experimentos da lavagem cerebral, para não me deixar dominar, eu sempre pensava em algo que gostava muito. E como foram poucos os prazeres que tive em 25 anos de vida, o mais significativo foi você. Por isso não me tornei o zumbi que eles esperavam, sem emoções e facilmente manipulável. Sempre pensei em você e nos melhores anos que passei em minha vida, de minha infância – ela recebeu um sorriso indulgente. Scully: E você quer me deixar de fora novamente, quer que eu fique só, quer resolver tudo sozinho - ela levantou-se, ignorando-os e aumentando o tom de voz, irritada. Mulder: É para sua própria segurança, Scully! – ele voltou-se para ela, levantando-se. Apesar da irritação dela, manteve um tom baixo ao dirigir- lhe a palavra. Scully: Eu decido sobre a minha segurança, Mulder - estava ofegante pela raiva - E já disse que não vou sair daqui! Ele viu a determinação nos lindos olhos verdes e, sem importar-se com o fato de que não estavam sós, foi até ela e a abraçou forte. Scully ficou em princípio desconcertada, mas retribuiu o abraço. Os segundos passavam como se fosse uma eternidade. Ela tentou soltar-se, mas ele a segurava firme, não disposto a isso. David saiu do quarto sem nada dizer. Jessie faria tudo para vê-los felizes, mataria o Canceroso, afastaria Diana... tudo! Para não quebrar aquele momento, deitou-se devagar na cama, cobriu-se com o edredom e rapidamente foi vencida pelo sono. Mulder a afastou gentilmente, olhou para a cama e encontrou Jessie já adormecida. Ele também viu David voltar ao quarto e comunicar que velaria o sono de Jessie a noite inteira, para protegê-la. Ofereceu- lhes os dois quartos de hóspedes para passarem a noite. 2:00 H A suíte era ampla e a mobília em tons de bege e caramelo. A cama também era bastante ampla e estava coberta com finos lençóis de seda em tons pardos, combinando com a decoração. Tudo ali era de um extremo bom gosto e requinte. Voltou-se para Mulder que entrava no quarto. Scully: Não tenho roupa para trocar – disse, vendo-o sentar- se em uma poltrona a frente da cama - Não vai para o seu quarto? Mulder: Se está pensando em ir para a sua casa, pode esquecer - ele respondeu ignorando a segunda pergunta. Scully: O seu quarto já está preparado, Mulder? - ela insistiu. Mulder: Vou dormir aqui - ele disse, tentando ser o mais natural possível. Scully: Onde vai dormir? Mulder: Nessa poltrona confortável - respondeu divertido, esparramando-se na nela. Mulder apertou um botão lateral na poltrona e o encosto cedeu. Ele ajeitou-se e cruzou os braços. Mulder: David vai ficar com Jessie a noite inteira, protegendo-a. Eu ficarei aqui a noite inteira protegendo você – comunicou-lhe. Scully nada disse, foi até o banheiro, levando o lençol de seda. Escovou os dentes com uma escova intacta que encontrou no armário, despiu-se e, apenas de calcinha, enrolou-se no lençol e voltou ao quarto. Mulder ligara a TV - uma tela de cristal líquido presa a parede como se fosse um quadro - e assistia à um programa qualquer. Desligou-a e não pôde deixar de admirá-la. Enquanto ela caminhava, o lençol moldava-se em seu corpo, revelando as curvas sensuais que ele tivera a oportunidade de admirar naquela noite em seu apartamento. Disfarçou para que ela não percebesse, desligou a luz direta e deixou acesa apenas a luz indireta que iluminava fracamente o ambiente, acomodou-se melhor na confortável poltrona e notou que ela remexia-se o tempo todo na cama sem conseguir dormir. Scully: Mulder? - ela o chamou meio hesitante, virada de costas pra ele. Mulder: O quê? - ele permaneceu com a cabeça recostada na poltrona. Scully: Tudo faz sentido, agora. Mulder: O quê faz sentido? - levantou a cabeça para olhá-la. Scully: Jessie sempre conseguia saber o que eu estava pensando, antecipava as minhas perguntas, e percebi que realmente só uma pessoa com uma força descomunal conseguiria matar aquele caçador. Mulder: hum, hum - ele concordou movimentando a cabeça. Scully: Lembro quando eu estava naquele quarto de motel, quando aquela mulher, que disse ser sua irmã, apareceu. Eu deixei entrar esse caçador pensando tratar-se de você... - ela hesitou um pouco com a voz embargada antes de falar - Ele me esbofeteou. A pancada foi tão forte que eu arrebentei os meus lábios na parede oposta - Mulder sentou na poltrona - Depois ele me levantou pela gola da camisa e me jogou em cima de uma mesa de vidro - ela virou-se e ele viu seu rosto molhado pelas lágrimas - Se ele entrar aqui, como vou saber que não é você, hein?! Mulder: Vem cá - ele abriu os braços num convite, mesmo temendo ser rejeitado. Mas para sua surpresa, ela enrolou-se no fino lençol e correu para aninhar-se em seus braços, o seu refúgio, sua segurança. Por isso não quis ir sozinha à fazenda. Mesmo que fossem contratados os melhores seguranças do país, nunca se sentiria tão segura quanto como se sentia com ele por perto. Mulder a envolveu protetor. Depositou um beijo em sua testa e outro nas lágrimas que, agora, caíam copiosamente, sentindo o gosto salgado em seus lábios. O corpo dela tremia e ele apertou o abraço. Ela não conseguia controlar mais o medo e ele precisava protegê-la. Mulder ouvia os soluços baixinhos e a respiração ofegante. Mulder: Está tudo bem, eu estou aqui - ele acariciou os cabelos dela - E você sabe quem eu sou. Scully: Não quero que ele venha até aqui - disse com a voz entrecortada. Mulder: Eu sei o que está sentindo e pode ter certeza que eu sinto o mesmo - sussurrou em seu ouvido, percebendo o quanto ela estava fragilizada. Scully: Ele usará você, Mulder, para chegar até ela, ele usará você. Mulder: Temo mais que ele use você, alvo mais fácil, para chegar até nós dois. Scully: Estou tão cansada! - ela levou a mão à boca, cobrindo um bocejo. Mulder: Durma, Scully - ele aconchegou-a mais a si. Ela adormeceu em questão de segundos e Mulder ficou à admirá- la, mas estava extremamente perturbado. Os seios encostavam-se em seu peito sob o fino lençol e faziam um movimento tentador ritmados por sua respiração regular. Ele queria ficar a noite inteira assim, juntinho dela. Tentou levantar-se com ela em seus braços para depositá-la novamente na cama, mas ela murmurou algo e franziu a testa, agarrando-se mais a ele. Com isso, ele voltou a deitar-se e a abraçá-la. Scully mexeu levemente a cabeça, balbuciando palavras à princípio desconexas. Ele aproximou mais o seu ouvido dos lábios dela. "Mulder, não... Por favor, não. Olhou para ela, terno, afastou uma mecha de cabelo caída em sua testa, afundou o rosto em seus cabelos aspirando o perfume suave, apertou novamente o seu abraço e adormeceu. TERÇA-FEIRA 07:30 H Jessie bateu levemente na porta da suíte. Achou estranho que, aquela hora da manhã, Mulder e Scully ainda não estivessem de pé. Como não obteve resposta, tomou a liberdade de abrir devagar a porta. Encontrou-os dormindo um nos braços do outro, na poltrona. Sorriu. David apareceu atrás dela e também viu. Jessie o puxou pela mão e fechou a porta. Jessie: Você encontrará a mulher certa David, pode ter certeza. Ele sorriu tristemente. David: Vai mesmo trabalhar hoje? Jessie: Hum, hum... Vou sim. Não estou de folga e há muita coisa lá que requer a minha atenção - disse, passando as mãos pelo chemisiê de linho salmão de corte clássico, os cabelos resos em um coque no alto da cabeça e o rosto com uma leve maquiagem terracota. Os sapatos brancos combinavam com a bolsa. 08:35 H Scully despertou ainda por cima de Mulder. Percebeu que dormira assim a noite toda. Ele continuava abraçando-a sem a mínima intenção de soltá-la. Como conseguira dormir tanto, não saberia responder. Levantou-se devagar, para não acordá-lo, livrando-se do abraço, foi até o banheiro banhar-se e vestir-se. O problema era com o quê? Não tinha o que vestir já que nem estava em sua casa. 08:50 H Mulder espreguiçou-se lânguido. Percebeu que jamais em toda a sua vida dormira tão bem. Ouviu um barulho de porta abrindo e Scully surgiu no quarto, vestida com um roupão bege de seda. Outro fino tecido que marcava o seu corpo, insinuando curvas bem feitas. Scully estava desconcertada e na defensiva, mas mesmo assim conseguiu ser um pouco mais natural. Scully: Bom dia! Mulder: Bom dia! Scully: Não tenho roupa para trocar. Vou ter que ir em casa. Mulder: Esqueça! Scully: Mulder, tenho que ir até lá. Não posso ficar de roupão o dia todo - disse apontando para o dito roupão. Os olhos dele fizeram um passeio por seu corpo, deixando-a corada. Mulder: Eu vou até sua casa e trago roupas para você, está bem assim?! – disfarçou o desejo interior. Scully: Você trazendo roupas pra mim? E o que vai ser? Um bermudão dos Lakers?! - disse com uma expressão divertida. Mulder: Não me subestime, Scully - sorriu enigmático. GEORGETOWN 10:00 H Mulder carregava uma sacola e mentalmente tentava lembrar de todas as instruções que ela anotara num pequeno papel. Sorriu ao recordar-se de como ficara constrangida ao ensiná-lo onde encontrar as lingeries. Aliás, foi a primeira gaveta de seu guarda-roupa que abriu. Como se elas o queimassem, colocou com dificuldade algumas dentro da valise, mas não resistiu e constrangido, pegou uma entre os dedos. Era pequena e delicada, como Scully. Estava desconfortável, suas mãos estremeciam, hesitantes. Será que era o seu subconsciente que desejava tanto senti-la? Afastou esses pensamentos da mente e pôs-se a procurar as outras peças anotadas no papel. MANSÃO DE JESSIE 10:05 H Scully, preguiçosa, esticou as pernas na poltrona. Nunca acordara tão tarde. Pelo menos, não se lembrava de tê-lo feito alguma vez desde que entrara para o FBI. Sorriu. Perguntou-se quando teria na vida outro amigo como Mulder, carinhoso, atencioso, mesmo que fosse um pouco diferente das outras pessoas? Nunca, era a resposta. Além disso, ele não é diferente em tudo, não. Não para ela. Ele gosta de atenção, é carinhoso, divertido, às vezes, como poucas pessoas. Também é teimoso, desligado e impulsivo. O modo como a confortou noite passada, não deixou dúvidas de que ele era leal e generoso. Nunca sentira-se tão segura em toda a sua vida. Jessie, sempre tão carinhosa e atenciosa com ele, a única que poderia substituí-la se algo lhe acontecesse. Morgan a despertou de suas divagações, com batidas leves na porta. Scully: Entre. - Srta. Scully, telefone - estendeu-o à ela. Scully: Obrigada. Jessie: Oi, sou eu. Scully: Oi, Jessie. Jessie: Como está? Scully: Bem. Veio a mente de Jessie a cena linda que presenciara essa manhã. Jessie: Dormiu bem? - lançou um sorriso insinuante que, se Scully pudesse ver, ficaria constrangida. Scully: Dormi sim, obrigada. ARLINGTON 10:15 H Mulder decidira ir até o seu apartamento. Precisava apanhar algumas roupas, já que decidira ficar pelo resto de sua licença, na casa de Jessie. Calças, tênis, mocassim, camisetas, cuecas... sementes... ele passava essa lista em sua mente tentando certificar-se de que não esquecera nada. Scully tinha razão, só mesmo ele achava alguma coisa naquela bagunça generalizada que era a sua casa. Sorriu ao lembrar-se de tal comentário. Finalmente deixou o apartamento algumas horas depois. SEDE DO FBI WASHIGTON DC 11:40 H Jessie consultou o relógio e notou que já estava quase na hora do almoço. Precisaria ir em casa. Sempre almoçava sozinha, pois David ficava a maior parte do tempo na fazenda e raramente vinha à capital federal. Em contrapartida, passara esses últimos dias nela movido não só por sua preocupação com ela, Jessie, mas também por um interesse pessoal. No entanto, agora, desiludido, só restaria um motivo para ficar aqui e assim que sentisse que Jessie estaria segura, voltaria para a fazenda. Despachou os últimos processos que havia em sua mesa e arrumou-se para sair. Pegou alguns processos que teria de entregar até sexta- feira, jogou a bolsa nos ombros, saiu da sala comunicando a sua secretária que não mais retornaria durante aquela semana, exceto na sexta. Nos corredores do FBI, o movimento era muito grande. Pessoas andavam de um lado à outro, apressadas. Por vezes, respondeu polidamente aos cumprimentos dos diversos colegas. CONTINUA... TÍTULO: Alter ego - parte 2 (Um outro eu) CAPÍTULO IV CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO III : " ALTER EGO " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper CLASSIFICAÇÃO: 16 anos SPOILERS: "A COLÔNIA", "TRIÂNGULO", "O INCENDIÁRIO" DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá..., mas Jessie e David são criações minhas. RESUMO: Scully e Jessie premiadas pelo FBI?! Bem, mas não é exatamente o prêmio que elas poderiam querer. E Mulder, lutando para revelar os seus sentimentos e com mais ciúme do que nunca. FEEDBACK: Por favor, é a minha 1º fic. AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. SEDE DO FBI WASHIGTON DC 12:15 H Após tomar o elevador, procurou apertar o passo até o carro, pois aquelas pastas estavam mal-ajeitadas em seus braços e ameaçavam cair à qualquer momento. Ela as colocou no capô da BMW, retirou as chaves da bolsa e abriu a porta. Ao pegá-las, deixou-as cair ao chão. Preparava-se para juntá-las quando fixou o olhar numa silhueta que aproximava- se. O alien caminhou lentamente em sua direção. - Você insiste em estar perto deles? Afaste-se se realmente quer protegê- los - ele a alertou - Sabe onde é o seu lugar. Jessie: Não insita em me seguir - ela ordenou, mantendo uma aparência calma e serena Ele lançou-lhe um sorriso sarcástico. - Você não percebe que é inevitável?! Volte para o seu lugar. Jessie: O meu lugar é aqui. - Posso fazê-la mudar de idéia se isso implicar em sacrificar algumas vidas que, acredito, para você sejam mais importantes que a sua própria. Os olhos dela escureceram-se. Abaixou-se para juntar as pastas e colocou- as no banco traseiro do veículo. Antes de entrar, o caçador a interceptou. - Não tente lutar contra o inevitável - fez o alerta, o qual ela ignorou por completo. Levantando um pouco mais a cabeça, ela fixou novamente o olhar em seus olhos. Jessie: Não ouse em prejudicá-los. Se fizer, o matarei. E pode ter certeza que não sentirei remorso algum - dizendo isso, girou o corpo, entrou no carro e saiu. CASA DE JESSIE TERÇA-FEIRA 12:30 H Ela chegou fatigada. Seus nervos estavam em frangalhos. Tudo o que queria era um banho. Nem estava mais com fome. O Caçador realmente conseguira tirar-lhe o apetite. Estava ciente que só teria uma saída para protegê- los: afastá-los de si. Mas, sabia que Mulder não aceitaria e, pior, indagaria sobre o motivo. Sendo assim, vislumbrava outra saída, mas não gostara muito da idéia. Teria que manter Mulder e Scully sempre por perto sem que percebessem, o que era um trabalho de Hércules, difícil não fazê- los perceber. Principalmente considerando que Mulder, apesar de anos separados, ainda a conhecia, e muito bem. Mas protegeria-os incondicionalmente. Mulder: Perdoe-me, Scully. Eu não poderia ter esquecido - ele implorava docemente, como uma criança. Scully: Tudo bem, Mulder. Eu é quem devia ter lembrado você. Ou melhor, ido até lá. Jessie tentou cruzar a sala sem fazer barulho para não ser notada e interromper aquele diálogo, mas ele a viu. Mulder: Jessie?! Que bom que chegou. Vamos almoçar - ele a abraçou, sempre carinhoso. Jessie: Não precisavam ter me esperado para almoçar - disse e consultou o relógio - Afinal, já são quase 13:00 h. Mulder: Eu queria que almoçássemos todos juntos - olhando para Scully que assentiu com um sorriso. Jessie: Então, podem ir almoçando logo que ainda vou tomar um banho – desvencilhou-se do abraço. Seguiu para a escada, mas parou de repente, lembrando-se da discussão, e resolveu perguntar. Jessie: À propósito, sobre o quê discutiam? Algum problema? Scully: É que... bem... - balbuciava completamente constrangida. Mulder: Eu esqueci de trazer os sutiãs da Agente Dana Scully – ironizou. Jessie: Bom, se quiser tem alguns intactos em uma das gavetas do meu quarto. Faço-lhe uma doação - ofereceu com um meio sorriso nos lábios – Algum deles, com certeza servirão em você. Scully: Eu agradeço, mas não será preciso. Posso ir em casa buscá-los - recusou de forma gentil. Jessie: Bom, tudo bem! - assentiu e retirou-se. 20:35 h Jessie já pedira para preparar a outra suíte para Mulder. Em uma certa ocasião, ele inquirira sobre a quantidade de quartos que aquela casa possuía. Jessie: São oito suítes, no total. Sem contar com a minha, é claro! Em comparação com outras desse tipo, ela nem é tão grande. A outra, na Inglaterra, é muito maior que esta. Mulder olhou em volta. Se já achava esta casa grande, imagine como seria a de lá. Jessie: Sim, é muito grande – confirmou em muda comunicação - Esta mesma é grande demais para mim. Só moro nela por dois motivos: ela oferece um sossego maior já que é afastada do centro da cidade e o meu avô gostava muito dela. Sempre hospedava-se aqui quando vinha para a América. Sem mais para dizer, eles almoçaram calados, cada um concentrado em sua própria refeição. Bem, Jessie até que estava tentando. SUÍTE DE SCULLY 02:30 h Scully deitara-se na macia cama. Estava com um pijama branco de seda e numa cama extremamente confortável, mas não conseguia dormir de jeito nenhum. Embora fosse difícil admitir, sentia imensamente a falta do calor dos braços de Mulder. Na noite passada, apesar do medo, dormira muito bem. Até acordara tarde, para quem estava acostumada a levantar cedo! As horas passavam e nada. Não dormia. Resolveu descer e tomar um copo de leite quente. Quem sabe assim, o sono viria. SUÍTE DE MULDER 02:30 h Ele permanecia assistindo a TV desde que chegara. Estava tão cansado e com sono, mas não dormia de jeito nenhum. Parecia que o seu corpo não conseguia relaxar como se algo o incomodasse. A sua mente vislumbrava, de longe, o motivo pelo qual sentia-se assim. Ele sorriu. A noite passada fora uma das poucas em que conseguira dormir bem e acordar tarde. Também não poderia estar melhor acompanhado. Apesar da proximidade do corpo de Scully junto ao seu ter-lhe provocado arrepios e perturbado a sua noite, foi quando finalmente conseguiu relaxar e adormecer. Dava-lhe muito prazer oferecer carinho e segurança à ela. Desligou a TV e levantou-se. Procuraria algo que o fizesse dormir. Mulder desceu as escadas e rumou para a cozinha. 02:35 h Scully ouviu alguém aproximando-se. Depositou o copo de leite sobre a mesa da pia e, assustada, empunhou-se de uma faca. Escondeu- se atrás de uma parede próxima a entrada. Alerta, esperou que os passos aproximassem- se ainda mais quando virou e investiu contra o que julgava ser um invasor. Com um rápido reflexo, Mulder segurou o pulso do agressor, apertando-o. À princípio, ele não conseguira ver quem era tal a rapidez da investida e a penumbra em que a cozinha encontrava-se, mas ao ouvir um gemido feminino, ele puxou seu agressor para a fraca luz lunar que invadia parte do ambiente e com espanto viu que era Scully. Mulder: Scully... O que está fazendo?! Scully: Mulder! - constatou aliviada que tratava-se de seu parceiro - Desculpe, eu pensei que... Mulder: ...fosse o caçador - completou. Scully: Sim - concordou e balançou a cabeça tentando afugentar a indesejada figura do ET - Estou assustada demais e sem razão para tanta histeria - repreendeu-se. Mulder: Talvez não, considerando o que ele a fez passar anos atrás. O que faz acordada? Scully: Não estava conseguindo dormir. Mulder: Hum... – assentiu e olhou para o copo que ela voltara a segurar - O que está tomando? Scully: Leite morno. Ajuda no sono - explicou-lhe. Ele estendeu a mão e tomou o copo das mãos delas, sorvendo um pouco do líquido morno. Mulder: Está bom - concluiu. Scully sorriu e recusou o copo que ele estendia de volta a ela. Scully: Pode tomar, eu já bebi o suficiente. Ele devolveu-lhe o sorriso e tomou o restante do leite, depositando-o dentro da pia branca de mármore. Mulder: Já que não conseguimos dormir, que tal sentarmos um pouco para conversar?! Era uma boa desculpa para ficar mais tempo com ela, pois a verdade era que não queria voltar a passar a noite sozinho. Scully concordou e encaminhava-se para a sala, quando ele a interceptou. Mulder: Na sala, não. Vamos para o jardim. Scully: É tarde, Mulder. Além disso, deve estar bastante frio lá fora. Mulder: Se você sentir muito frio, nós entramos, está bem?! A noite, apesar de fria, estava bastante estrelada. A lua, como se tivesse sido feita para aquele momento, encontrava-se grande, cheia e etérea, iluminando a água verde da piscina que eriçava-se pela brisa leve, mesma brisa que acariciava graciosamente os cabelos dela. Eles sentaram-se num balanço de jardim. Scully fechou o robe para proteger-se do frio enquanto ele parecia estar contente com a calça de pijama e a camiseta de mangas curtas. Ficaram em silêncio num primeiro momento, até ele quebrar. Mulder: Estou gostando dessa folga. Passar esses dias com Jessie, estando descontraído, é maravilhoso. Até você parece mais leve! - ele a fitou com um olhar intenso e um sorriso de pura felicidade no semblante. Ela retribuiu o olhar por um momento, mas desviou em seguida, baixando a cabeça. Scully: Gosta muito dela, não é? Mulder: De quem? - perguntou vago completamente enfeitiçado pelo movimento que seus lábios faziam ao pronunciar as palavras. Ela não percebia que isso fazia os seus hormônios se ativarem. Scully: Jessie... gosta muito dela! - repetiu. Mulder: Jessie?! - por um momento, ele nem se lembrava mais sobre o assunto que conversavam, mas caiu em si - Ah, sim... claro... lógico! - estava parecendo um tolo. Respirou fundo para que sua voz saísse firme - É, gosto muito dela. É uma pessoa maravilhosa a minha afilhada, não concorda?! Aliás, é a primeira pessoa que eu apresento a você e gosta dela. Scully: Não é verdade - ela protestou - Gosto do Langly, Byers e Frohike. Mulder: Não refiro-me a eles. Você não gostou de Phoebe Green quando ela esteve aqui, lembra-se?! E não gosta da Diana. Como ela poderia esquecer da ousada Phoebe Green. A moça que não perdia uma única oportunidade em demonstrar todo o seu desejo por ele. E Diana? Essa jamais esqueceria... Parecia uma sombra! Ajudava o Canceroso, e ainda assim, Mulder acreditava sempre no que ela dizia. Alheio ao que ela estava pensando, ele continuou. Mulder: E, pensando bem, você jamais simpatizou com as minhas ex- namoradas. Scully: Também, você arranja cada uma! Mulder: E você? Lembra aquele ex-namorado em que você ajudou a prender um assaltante de bancos? Em uma hora você o ajudou, em outro momento a amante dele apareceu e seqüestrou você. Isso sem mencionar que ele ainda lhe apontou uma arma - falou em tom de brincadeira, mas havia seriedade sob as suas palavras. Scully fechou os olhos por um momento, tentando afastar de sua mente aquela lembrança e, percebendo, Mulder amaldiçoou-se por ter sido tão impertinente. Mulder: Desculpe, Scully. Não tive intenção de magoá-la - tocou levemente a sua face. Ela abriu os olhos como se o toque a queimasse e insinuou-se um sorriso nervoso em seus lábios. Afungentou os pensamentos da mente. Scully: Não, está tudo bem, Mulder! Mulder sustentou o olhar intenso e sensual que lançara outrora e a viu estremecer. Em resposta, ela abraçou o próprio corpo. Tentava não só conter o frio, que agora aumentara, mas principalmente as batidas de seu coração, que ameaçava saltar do peito. Por ele, ficaria a noite inteira junto dela. Aproximou-se lentamente, seu braço enlaçou-lhe a cintura, aproximou o rosto, prestes à beijá-la. Scully frustrou as suas expectativas ao levantar-se bruscamente e encaminhar-se para dentro da mansão. Mulder não teve outra alternativa a não ser segui-la. Ele queria falar o que estava sentindo. Pegara-se inúmeras vezes, literalmente ensaiando na frente do espelho. Como diria, o que diria e quando diria à ela, eram dúvidas constantes em sua mente. Scully também não colaborava. E dessa vez não foi diferente. Ela despediu- se na porta do quarto sem dar-lhe a mínima chance de, ao menos, começar a falar. Só restava a ele, passar mais uma noite mal dormida e solitária. Mulder passou o resto da madrugada assistindo à TV a cabo. Sintonizou em um canal adulto e não soube dizer quantos filmes viu pelo resto da madrugada. Recriminava-se por ser tão estúpido e passivo, por não conseguir uma coisa que, aparentemente, era simples: falar sobre os seus sentimentos, falar à Scully. Mas, e se falasse? Qual seria a sua reação? Será que acreditaria nele? Será que ela o esbofetearia como a Scully de 1939? Dúvidas e mais dúvidas. Sua mente finalmente deixou-se vencer pelas súplicas de seu corpo e adormeceu. QUARTA-FEIRA 06:15 h Scully não dormira quase nada. Apenas 1 hora para ser mais específica. Desceu sentindo-se fatigada. Seus sentimentos viviam tão bem guardados e quase cedera a tentativa dele em beijá-la novamente. Pensou que talvez Mulder estivesse sentindo-se tão sozinho que deveria estar confundindo as coisas. Ter um amigo leal, carinhoso, era coisa rara nos dias de hoje. E não queria perder a amizade de seu parceiro. Mas a verdade é que adoraria que fosse algo mais. Poderia esconder esse desejo de todos, menos de si mesma. Levantou-se, tomou banho e desceu. Ao passar pelas suítes dos dois, notou que Jessie e Mulder já haviam levantado-se também. Scully os encontrou na cozinha e juntou-se a eles no desjejum. Jessie fizera um suco de acerola e, havia em cima da mesa, uma cesta de torradas. Jessie: Mulder, quando irá levar-me para ver a sua mãe? Será que vai me reconhecer? - perguntou, entusiasmada. A expressão de Mulder modificou-se ficando tensa, sombria e triste. Seguiu-se um pesado silêncio Jessie: O que foi? – perguntou, estranhando o silêncio repentino. Scully olhou para Mulder, com a cabeça baixa, e continuou calada. Jessie: E então? - ela cobrou - O que houve? Scully: Ela faleceu - falou finalmente, intercedendo pelo parceiro. Jessie ficou chocada e sua expressão não escondeu isso. Jessie: Teena Mulder? - perguntou como se precisasse ter certeza de que falavam da mesma pessoa. Scully balançou a cabeça, afirmativamente. Ela olhou para Mulder e tocou levemente o seu braço. Jessie: Sinto muito, Mulder - Desviou o seu olhar para Scully - Como aconteceu? Scully: Suicídio. Jessie resolveu dar a conversa por encerrada e mudou de assunto. Se já era difícil para um filho que não teve muito contato com os pais, como ela, conviver com a sua perda, imagine para Mulder, que sempre teve, ao modo dela, carinho. Principal