A ORDEM DAS FIC´S CAPÍTULO I: A DIGITO COGNOSCITUR LEO CAPÍTULO II: COELIBES ESSE PROHIBENDO CAPÍTULO III: ALTER EGO – PARTE 1 CAPÍTULO IV: ALTER EGO – PARTE 2 CAPÍTULO V: PASSIONE CAPÍTULO VI: A MONTANHA REAL CAPÍTULO VII: A MISSÃO – PARTE 1 CAPÍTULO VIII: A MISSÃO – PARTE 2 CAPÍTULO IX: O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 1 CAPÍTULO X: O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 2 CAPÍTULO XI: UMA AMEAÇA IMINENTE CAPÍTULO XII: NINGUÉM VIVE PARA SEMPRE – PARTE 1 CAPÍTULO XIII: NINGUÉM VIVE PARA SEMPRE – PARTE 2 TÍTULO: A DIGITO COGNOSCITUR LEO ( Pelo dedo se conhece o leão) CAPÍTULO I AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder é acusado injustamente e conta, não só com a ajuda de Scully, mas de uma pessoa que não vê há muito tempo... Aparentemente, representa uma ameaça iminente à sua parceira. DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a minha primeira fic. AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. AGRADECIMENTO ESPECIAL: A minha beta Sky que me premiou com sua paciência e benevolência ao ler com carinho essa fic enorme. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. Acima, eu coloquei um quadro que mostra a ordem em que elas vão ser postadas. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. SEDE DO FBI WASHINGTON DC 08:40 H Mulder abriu a porta de sua sala e encontrou Scully preocupada e curiosa diante desse atraso. Scully: Skinner quer falar conosco, disse que tem um caso que precisa de nossa investigação. Por que demorou, Mulder? Mulder: Tive um pesadelo e dormi demais - respondeu fazendo careta - Vamos, Scully - e estendeu a mão para ela, ajudando-a levantar-se da cadeira. 08:50 H Eles estavam sentados a frente de seu chefe. Skinner tirou os óculos e cruzou as mãos sobre a mesa: Skinner: Agentes, precisarão tirar 15 dias de folga. Mulder: Qual o motivo? - perguntou com uma expressão surpresa. Skinner: Há forças maiores que pretendem fazer com que vocês saiam não só dos Arquivos X, como também do FBI. Scully: Quem? Skinner: Não sei quem são, mas... O certo é que vocês precisam afastar-se daqui por um tempo. Não sei se isso irá evitar os acontecimentos, mas pelo menos tentaremos. Mulder: Mas senhor, temos que cumprir nosso trabalho - e olhando para Scully a seu lado, de pernas cruzadas - Eu e a Agente Scully recebemos informações de envolvimento da máfia italiana no Sindicato. Skinner ficou calado um momento. Levantou-se com as mãos na cintura. Skinner: Mulder, não posso dizer mais nada. Só peço que confie em mim e afaste-se... para sua própria segurança. Scully: Eu posso ficar, senhor? Skinner olhou com ternura aquela agente em que aprendeu a admirar, encostou-se na mesa e falou com voz suave. Skinner: Não, você também tem que se afastar. Para atingir Mulder, eles poderão usar você. Scully apenas assentiu. Skinner: É melhor afastarem-se por duas semanas do que para a vida inteira – ele preveniu. Contrariado, Mulder assentiu e levantou-se. Mulder: Chame-nos quando precisar, então, senhor. Skinner: Chamarei quando sentir que está mais seguro - cautelou. Scully levantou-se e seguiu o seu parceiro. Do lado de fora da sala de Skinner, ela perguntou: Scully: Acha que é verdade o que ele falou? Mulder: Porque não seria, Scully?! Scully: Não sei... Caminharam de volta ao porão e Mulder perguntou: Mulder: O que vai fazer nestas duas semanas? Scully: Não sei, não pensei à respeito. Talvez fique em casa dormindo. Mulder: Vamos para Las Vegas?! Scully: Fazer o quê? Mulder: Ora, Scully, jogar cartas, roleta, etc. - respondeu zombeteiro - Vamos nos divertir. Scully: Não, Mulder. Não trago boas recordações de lá - falou impulsivamente para arrepender-se imediatamente do que falara. Mulder não sabia do seu comportamento na última que vez em que esteve lá. Apesar de não se recordar, os pistoleiros solitários descreveram um, que não sentia nenhum orgulho. Em sã consciência jamais agiria de uma forma tão leviana quanto aquela. Mulder: Do que está falando? - perguntou curioso. Scully: Nada, esqueça! Saíram da sala e dirigiram-se a garagem do FBI. Despediram-se e seguiram para seus respectivos carros. ARLINGTON 18:30 H Mulder dormira a tarde inteira. Sentia-se inútil. Ficaria duas semanas longe de seu trabalho. As coisas aconteceriam, o Canceroso agiria livremente para afastar Scully e ele da verdade... Só aceitara esses dias de "folga" por causa dela. Admitia que Skinner tinha razão: se ele estava ameaçando tanto a alta cúpula do governo, era porque estava perto de descobrir a verdade. E não falava mais de sua irmã, pois no que dizia respeito à ela já sabia o que ocorrera. Falava em provar que alienígenas existiam, que o nosso governo sabia disso há muito tempo e que escondia dos cidadãos, não só da América, mas sim do mundo inteiro. Para que ele parasse, freasse a sua busca por tais provas, sabia que o Canceroso ameaçaria Scully. Uma batida na porta o fez despertar de seus devaneios. Mulder: Quem é? - Polícia, abra! Curioso, ele atendeu. Mulder: O que houve? O que aconteceu? Cinco policiais, ignorando-o, invadiram a sua casa e passaram a revirar tudo o que encontravam pela frente, procurando algo. Mulder: O que está acontecendo? O que querem? Eles não lhe deram ouvidos e após alguns minutos, a busca terminou com um deles segurando um pacote de tamanho mediano. - Agente Mulder, está preso por porte ilegal de narcóticos - comunicou enquanto o algemava. Mulder: O quê? - ele gritou, incrédulo - É impossível, isso não é meu. Deve estar havendo algum engano! O policial não lhe deu atenção e começou a ler os seus direitos. Ele foi levado para fora do apartamento e colocado em um carro da polícia. DELEGACIA DE WASHINGTON 19:30 H Scully chegou a recepção da delegacia, ansiosa para ver o seu parceiro. Dirigiu-se a uma policial na recepção. Scully: Sou a Agente Dana Scully, do FBI - identifica-se - Estou procurando pelo Agente Fox Mulder, ele foi trazido para cá. Ela conferiu a sua identificação e nem precisou procurar na lista de entradas, pois só havia um agente federal preso ali. Indicou a sala do delegado. Mulder ainda não acreditava no que acontecera. A expressão denotava a sua incredulidade. Mãos apoiadas no queixo, cotovelos apoiados sobre os joelhos, ele estava inconformado e revoltado com o que acontecera. Levantou-se imediatamente ao vê-la e contemplaram-se mutuamente. Scully: Podemos ficar a sós? - pediu ao delegado sem desviar os olhos de Mulder. - Tudo bem. Agente Mulder, daqui à 10 minutos o procurador do FBI virá vê-lo - informou-lhe. Mulder ignorou o delegado seguindo os movimentos da parceira. Ela sentou- se a seu lado na cama. Scully: Como está? Mulder: Como você estaria? - respondeu desanimado - Estão tentando nos afastar dos Arquivos X, Scully. Acho que estamos perto de conseguir provar a existência "deles". Somos uma ameaça muito mais preocupante, colocando em risco a imagem de pessoas influentes de nosso governo. Scully: A polícia encontrou 1,5 Kg de cocaína pura em seu apartamento. Acha que o Canceroso está por trás disso? Mulder levantou-se impaciente e passou a andar de um lado para o outro. Mulder: É claro que foi ele, quem mais poderia ser? Esse desgraçado! Scully: Calma, vou dar um jeito de tirá-lo daqui. Mulder: Como, Scully? Não seja boba, foi flagrante! Quem fez isso, fez muito bem para que eu não escapasse. Scully: Irei depor à seu favor, falarei com qualquer pessoa que possa ajudá-lo, contrataremos o melhor advogado do país... - ela, nervosamente, falava sem parar – Forjaremos provas, se preciso for... Você não fez nada! – disse, inconformada e triste. Ele sentou-se a seu lado, tapou-lhe delicadamente os lábios, preocupado com o que ela falara e que poderia comprometê-la. Segurou-lhe a sua mão. Ela aproximou o rosto do dele e sussurrou. Scully: Não importa que eu tenha que subornar o mundo para tirá-lo daqui – concluiu. Ele lançou-lhe um lindo sorriso, um dos mais bonitos que já vira. "Foi o mais perto de uma declaração de amor", pensou ele. "E é um prêmio considerando que vem de uma pessoa com dificuldades em expressar os seus sentimentos". O ambiente estava carregado de tensão. Mulder continuava a olhá-la, mas agora mais intensamente. Um olhar que misturava admiração, alívio, agradecimento... amor. Mulder: Você está sempre comigo, nunca me abandonou. Obrigado por tudo! Scully: Você também está sempre comigo e só me abandona quando sente que minha vida corre perigo. Você é uma pessoa rara, Mulder! O encanto daquele momento foi quebrado por um agente carcerário que abriu a porta para dar passagem ao procurador... uma mulher! Mulder desviou o seu olhar de Scully quando ouviu a cela se abrindo. A procuradora parou na entrada da cela e o guarda trancou-a atrás de si. Mulder levantou lentamente os olhos e percorreu o corpo todo da mulher. Desde os pés, calçados em escarpins bem femininos, até o rosto, pálido e etéreo. Ficou estático ao reconhecer esse rosto. Não, não poderia ser! Ele não acreditava no que via. A mulher que já era pálida, ficou transparente ao ver o homem sentado. Seus olhos ficaram vermelhos e seus lábios entreabriram-se de incredulidade. Ela mal conseguia pronunciar o seu nome. - Fox Mulder?! – murmurou. Ele levantou-se e caminhou lentamente em sua direção, como se estivesse diante de uma aparição. Mulder: Jessie?! Aproximaram-se um do outro, contemplando-se. Passado o susto inicial, ela já recompora-se e seus olhos apenas demonstravam surpresa, não mais as lágrimas que ameaçaram cair, mas que ela não permitiu. Ficaram a se olhar por algum tempo mais, querendo certificar- se do que estavam vendo. E, então, ela o abraçou e ele retribuiu-lhe um abraço firme e forte. Jessie: Mulder, é você mesmo! - ela segurou o rosto dele entre as mãos, enquanto o examinava atentamente. Ele segurou os pulsos dela e a afastou para olhá-la melhor. Mulder: Como você cresceu. Continua linda! - o elogio arrancou-lhe um sorriso jovial. Jessie: Você está mais charmoso ainda! Abraçaram-se novamente, relutantes em se afastarem. Scully, que assistia a toda a cena curiosa para saber quem era aquela mulher e enciumada, levantou-se bruscamente intuindo ir embora, mas Mulder a impediu. Mulder: Aonde vai? Scully: A procuradora chegou, não precisa mais de mim - falou baixinho para que só ele escutasse. Mulder: Não vá. Fique aqui, por favor! - ele suplicou-lhe segurando delicadamente o seu braço. Jessie ficou calada assistindo a tudo. "Parece que Mulder continua arrasando corações", pensou. "Mas agora é diferente, ele está apaixonado. Mais que isso, parece ter encontrado o amor. Essa moça é bonita e aparenta ter bons sentimentos. Principalmente por ele". Os olhos perspicazes captavam tudo, mesmo em poucos segundos. Ela sorriu e adiantou o passo em direção a eles. Jessie: Mulder, seu mal-educado. Não vai apresentar-me a sua amiga?! - repreendeu-o carinhosamente. Mulder sorriu timidamente e fez as apresentações. Mulder: Scully, essa é Jessie Eileen Arby. Além de minha amiga, é uma das mulheres que mais amo na vida - dizendo isso, ele tomou uma atitude incomum aos olhos de Scully ao beijar o rosto de Jessie e com um carinho quase paternal. Scully: Muito prazer! – respondeu, hostil e desanimada. Mulder: Jessie, essa é Dana Scully, minha parceira no FBI. Jessie: O prazer é todo meu, Agente Scully. Jessie percebeu o desapontamento dela e ansiava por desfazer o mal entendido que formara-se na cabeça de Scully. Faltaria pouco para ela começar a ter "idéias"! Jessie: Sentem-se, por favor. Agente Scully, não vá embora. Fique conosco! - pediu ao ver que ela ainda não havia desistido da idéia de fazê-lo. Assentindo incerta, Scully sentou-se ao lado de Mulder na cama da cela enquanto Jessie permaneceu em pé, apresentando as ordens que recebera: deveria defendê-lo, provar que o narcótico encontrado não era dele, que era inocente. Tarefa difícil, considerando as circunstâncias. Jessie: Estranhei um pouco quando recebi esse caso, pois você deve saber que a minha função, oficialmente, é defender o Bureau e não a seus funcionários. E agora, vendo que é você o meu cliente, trabalharei ainda mais para reunir provas e ratificar a sua inocência. Sei que você não tem nada a ver com isso, nem me passa pela cabeça duvidar de sua inocência. Mulder: Estão tentando me desmoralizar, desacreditar-me. Assim teriam motivos mais que suficientes para fechar de vez os Arquivos X e afastar- me do Bureau. Jessie: Eu percebi isso e não permitirei que o façam - ele a olhou incrédulo. Ainda não conhecia a grande influência que ela possuía - Agente, Scully... - ela continuou, ignorando a incredulidade de seus olhos - ... vou precisar que me ajude. Scully: É claro - prontificou-se - Como vai conseguir que o inocente? Jessie: Tentaremos reunir provas, investigaremos. Precisamos saber em que horário entraram em seu apartamento, qual era a aparência do sujeito, checar as digitais... Encontraram o pacote na gaveta da mesa de seu computador, não foi? Mulder: Sim. E não havia nada lá quando saí de manhã para o FBI. Jessie: Bom, tenho que ir agora, mas volto para vê-lo amanhã. Mulder sorriu e retribuiu, terno, o abraço que recebeu dela. Ela pegou o seu celular - um Motorola baby - e discou o número do rádio táxi. Jessie: Vou chamar um táxi. Scully: Eu levo você. Jessie: Eu agradeço. Scully virou-se para Mulder. Scully: Vejo você amanhã - ela apertou a sua mão e saiu. ARLINGTON 22:00 H Scully e Jessie, com aparelhos infravermelhos, procuravam digitais na casa. Jessie encontrou no puxador da gaveta. Jessie: Scully, venha ver. Scully: Não há digitais na maçaneta da porta - comunicou-lhe enquanto caminhava em direção a ela. Jessie: Mas aqui tem, olhe! - Scully pegou o aparelho que estava em suas mãos e mirou na gaveta. Jessie: Scully, precisa resgatar aquela caixa, tirar as impressões dela. Scully: Ela está com a polícia. Posso ir lá agora! Jessie: Faça isso! - disse pegando o celular - Vou ligar para casa e pedir que tragam o meu carro - comunicou-lhe. Scully assentiu e saiu apressada enquanto Jessie falava ao telefone. DELEGACIA 22:45 H Scully pedira ao delegado que a deixasse tirar as impressões digitais da caixa ao que, prontamente, ele permitiu. Eufórica com a perspectiva de ver seu parceiro fora da cadeia, ela o fez e voltou para casa. ARLINGTON 22:55 H Jessie acabara de fazer a inspeção na casa. De repente, ouviu um barulho na fechadura da porta de entrada. Sabia que não poderia ser Scully, pois saíra há pouco tempo para já ter voltado. Nem tampouco Mulder, é claro! Olhou em volta e encontrou uma porta branca. Sem pensar duas vezes, abriu e tudo o que estava dentro dela caiu. Praguejando baixinho, ela nem pensou em arrumar tudo aquilo, enfiou-se dentro, fazendo malabarismos para conseguir se manter equilibrada em cima daqueles entulhos. Encostou a porta e ficou à espreita pela fresta. Viu dois homens entrando e um deles parecia conhecer Mulder pelo modo familiar como falava dele. Jessie pegou a mini-câmera no bolso de seu casaco e tirou fotos dos dois, ao mesmo tempo em que ligou o gravador de bolso para registrar a conversa dos homens. Num dado momento, eles aproximaram-se da porta em que estava escondida. Ela calmamente aninhou-se num canto escuro e respirou mais devagar. - Olhe! - disse um dos homens ao pegar várias revistas espalhadas pelo chão - É por isso que Mulder tem os braços musculosos. Tanto exercício... - sua voz era irônica. O homem mais novo disse: - Mulder... Irá passar o resto de sua vida preso. - ele gargalhou prazerosamente. - Será? Ele pagará fiança e ficará livre - respondeu o mais velho arrancando um sorriso sarcástico do outro. - Ele não conseguirá. A quantidade de cocaína que colocamos aqui foi tão grande que nem se ele fosse o Superintendente do FBI, conseguiria pagar a alta multa que a justiça irá estipular - Virou-se para o acompanhante, fazendo um sinal com a cabeça para irem embora. Quando a porta fechou-se, Jessie sorriu triunfante. "Tolos. Mulder está solto!", pensou. Seu rosto logo tornou-se sombrio e uma desconfiança tomou conta de seus pensamentos. GEORGETOWN 23:45 H Scully pensou em ligar para a Procuradora, mas não o fez. Apesar de Mulder a conhecer e do desejo dela em vê-lo solto, não significava que era totalmente confiável. Eles já foram enganados tantas vezes, por pessoas que pareciam amigas... Qual o interesse voraz que a Dra. Jessie Arby tinha em provar a inocência dele? Será que ela era uma ex-namorada? Ela é muito bonita. Não seria de se estranhar que alguém ficasse atraído por uma mulher de longos e lisos cabelos vermelhos - como os dela - olhos verdes-água, que iluminavam-se no escuro, ficando quase transparentes; alta e um corpo escultural. Ela deveria ter menos de 30 anos, Scully imaginou. Seu rosto era um misto de inocência e sensualidade que nunca vira em ninguém antes. Imaginava que Mulder se envolvera com uma mocinha, então. De todas as suas ex-namoradas que conhecia, ela era a mais linda e a que o afetou mais. Esses pensamentos a entristeceram. O telefone tocou interrompendo os seus devaneios. Ela o atendeu. Jessie: Sou eu, Agente Scully... A Dra. Jessie - Scully desconcertou-se. Pensara tanto nela, e de repente, ela liga... - Agente Scully, está aí? - ela a chamou ao não obter resposta. Engolindo em seco, respondeu que sim. Jessie: Conseguiu as impressões digitais? Relutante, Scully disse que sim. Jessie percebeu a desconfiança dela e mais uma vez convencera-se que precisava esclarecer logo esse assunto antes que Scully começasse a imaginar ainda mais do que já havia imaginado. Jessie: Preciso que venha comigo até o FBI. Precisamos procurar as digitais de algumas pessoas nos arquivos eletrônicos. Scully: Como sabe que é gente do governo? - perguntou ainda desconfiada. Jessie: Quando chegarmos lá, eu conto pra você. Scully desligou, pegou o seu casaco e saiu. SEDE DO FBI WASHINGTON DC 00:10 H As duas moças estavam na frente do computador, comparando as digitais. Jessie: Vamos colocar cinco digitais na parte inferior, e a que encontramos na parte superior da tela. Scully: Como eram os dois homens que você viu na casa de Mulder? Jessie: Um era jovem, mais ou menos uns 36 anos, corpo em forma, e o outro um pouco mais velho. O jovem tinha olhos claros. Scully digeriu aquelas informações por um momento e bruscamente falou- lhe. Scully: Procure o nome de Kricek. Jessie assentiu. Digitou o nome no computador, mas ele não encontrou. Scully praguejou e Jessie ficou olhando por alguns minutos a tela. Por fim, tirou da pasta que trouxera um cd-rom. Scully: O que é isso? Jessie: É o meu detetive particular. Totalmente extra-oficial - lançou- lhe um sorriso Ela introduziu no drive e após um comando, milhões de letras apareceram sem ordem na tela até que finalmente parou e a foto do homem com as informações profissionais e sua digital apareceram diante delas. Imediatamente a digital que haviam encontrado começou a piscar. Jessie: Scully, você conseguiu! Elas sorriram e, curiosa, Jessie perguntou quem era o homem. Scully olhou para Jessie sem responder a pergunta ainda não confiando nela. Jessie, por sua vez, percebeu que era uma boa oportunidade para esclarecer a sua relação com Mulder. Jessie: Agente Scully, conheço Mulder há muito tempo. Na verdade, desde que nasci. Scully desviou o olhar tentando esconder a sua tristeza. Scully: Não precisa justificar-se, não a questionei. Jessie: Não diretamente, mas seus olhos e pensamentos mostram o contrário. Ajeitando-se na cadeira, Jessie pediu-lhe: Jessie: Por favor, acomode-se melhor que a história é longa - ela falou- lhe com um meio sorriso nos lábios e continuou - Me chamo Jessie Eileen Arby, tenho 25 anos e sou Bacharel em Direito pela Universidade de Oxford. Sou procuradora do FBI há 3 anos. Ingressei no Bureau com 20 anos, primeiro no posto de agente, assim que me formei. Fui designada para defender um agente que envolvera-se com narcóticos, após um pedido do Diretor-Assistente Skinner à bancada jurídica. Conheço Fox Mulder desde que nasci, como disse antes. Meu pai e minha mãe trabalharam aqui, nos Arquivos X e eles conheciam a família de Mulder. Ele, inclusive, é meu padrinho de batismo, brincava comigo quando eu era criança, tomava conta de mim. Meus pais trabalhavam muito e diversas vezes eu ficava em sua casa. Meus pais conheceram-se aqui, no FBI. Inicialmente designados para trabalhar nos Arquivos X e, após 3 anos, casados. Meu pai era sociólogo e minha mãe era médica, como você, só que especializada em Genética. Eles o colocaram juntos pelo mesmo motivo que, imagino, colocaram vocês dois. Só não contavam que eles pudessem se apaixonar. Casaram-se escondidos e com pouco tempo minha mãe ficou grávida. O bebê não fora planejado e ela não queria filhos, pois sabia que não poderia dar a atenção que uma criança precisa e merece, além é claro de não querer deixar meu pai sozinho nas investigações, expondo-os a todos do Bureau, mas mesmo assim, eu nasci. Bom, eu sei que Mulder tentava diminuir a sua dor pela perda de Samantha. Ela desaparecera 2 anos antes do meu nascimento. Ainda estava muito recente. Scully: Como sabe que sou médica? Jessie: O Diretor Skinner pôs-me a par dos fatos. Falou-me de você. Mas não especificou quem era o agente que eu deveria defender. Como Scully parecia satisfeita com a resposta, ela continuou. Jessie: Meus pais faleceram quando eu tinha 5 anos. Meu avô, que morava em Londres, nunca gostou do fato de minha mãe ter se casado com um homem tão diverso de sua linhagem, com um homem que não possuía tradição familiar. Ele entrou com o pedido da guarda alegando que minha mãe não tinha condições de prover o meu bem-estar, que o trabalho no FBI era mais importante que cuidar de um bebê. Com essa alegação ele conseguiu a definitivamente, pouco antes de minha mãe falecer. Estudei em Oxford e ingressei no posto do FBI em Londres. A Agente mais nova a ingressar na carreira de toda a história do Bureau. Scully: Como seus pais faleceram? Nesse momento, os olhos dela escureceram assumindo um tom verde-musgo, tonalidade esta só peculiar quando enfurecia-se ou entristecia-se. Jessie: Minha mãe faleceu em circunstâncias que, até agora, nunca foram muito bem explicadas. Suspeito que meu pai tenha encontrado algo mais do que esperava encontrar... - ela falava não demonstrando nenhuma emoção exterior, mas no íntimo não sentindo-se bem por tocar nesse assunto - Consumido pela tristeza, meu pai, que antes nunca havia apreciado a bebida, passou a basear a sua vida nela. E como não estava acostumado, bastava um pouco para vir à tona seu descontrole emocional. Sendo assim, ele faleceu 5 meses depois, em um acidente de carro. Scully estava emocionada com o que ouvira. Sempre soube que ela e Mulder corriam risco de vida, mas a cada dia esse cenário se tornava mais grandioso e assustador. Scully: Sabe quem assassinou a sua mãe, não é?! Ela assumiu uma expressão tão séria e ameaçadora que Scully arrependeu-se de perguntar, mas logo recuperou a postura calma e serena que sempre tinha. Consultando o relógio, percebeu que já era bem tarde. Jessie: Vamos embora - convidou, levantando-se da cadeira e ignorando a pergunta feita - Já são 01:40 h da madrugada. Saíram do corredor e Scully só pensava que não conseguiria dormir ao imaginar que Mulder dormiria naquela cela desconfortável e sendo tratado como um criminoso. O que a aliviava era saber que logo, logo, ele estaria solto. Jessie: Mulder sairá logo, portanto, nem pense em ficar acordada essa noite - repreendeu-a levemente. Scully boquiaberta, lançou-lhe um olhar de surpresa. "Como ela adivinhara os meus pensamentos? Será que estava tão evidente assim?", pensou. Jessie ignorou esta expressão e continuou. Jessie: Vejo você daqui há algumas horas. - despediu-se seguindo para o seu carro. SEXTA-FEIRA DELEGACIA 08:30 H Mulder não dormira bem à noite. Seu rosto iluminou-se ao ver as duas mulheres, lindas, entrando na cela. Jessie: Bom dia, Mulder. Como você está? – depositou um leve e carinhoso beijo em sua têmpora - Ansioso, não? Scully: Está bem? - ela sentou-se a seu lado. Mulder: Não mereço um beijo também, Scully?!- ele, debochado, cobrou com uma expressão de abandono em seu rosto. Scully sorriu e beijou-lhe a testa. Jessie caminhou até sua frente e encostou-se no frigobar, em um canto da cela. Jessie: O juiz marcou a audiência para às 17:00 h de hoje. Venho buscá-lo logo mais. Mulder assentiu. Estava muito feliz em saber que havia quem se preocupasse com o seu bem-estar. Mulder: E então? O que conseguiram? - inquiriu olhando de uma à outra. Jessie: A Agente Scully dirá a você. Eu preciso organizar-me para a audiência – dirigiu-se para a entrada da cela, onde um agente prisional veio imediatamente abri-la - Até mais tarde – despediu-se e saiu. Mulder: Obrigado por tudo – gritou, levantando-se junto a grade - Não vou deixá-la escapar de novo! Jessie não parou. Apenas sorriu agradecida ante a advertência carinhosa. Jessie: Não estou pensando em escapar - respondeu quase chegando a porta de saída do corredor. Voltou-se para Scully com um olhar diferente, agradecido e extremamente feliz. Ela, sem perceber, começou a relatar o que conseguira com Jessie. Mulder: Kricek? Desgraçado! - ele passou as mãos nos cabelos desalinhados numa atitude nervosa - Já conseguiram prendê-lo? Scully: Não, está desaparecido. Mas isso não é mais tarefa nossa - disse de imediato tentando apaziguar qualquer idéia dele em ir atrás de Kricek – A polícia se encarregará disso. Mulder deu longo suspiro e voltou a sentar-se. Mulder: E você? Está bem? Scully: Sim, estou. Jessie gosta muito de você, não é?! Insinuou-se em seu rosto um sorriso rejuvenescedor. Mulder: Também gosto muito dela. Sabia que a conheço desde bebê?! Ela representa muito pra mim. Ela não teceu nenhum comentário mais e levantou-se para ir embora. Scully: Preciso ir. Mulder: Por que? – inquiriu com uma expressão triste. Scully: O horário de visitas acaba em 5 minutos - disse, consultando o relógio - Além disso, não quero me atrasar para a audiência. Mulder: Fique esses 5 minutos - suplicou-lhe, levantando-se também e acariciando o seu rosto com as pontas dos dedos. O toque a fez estremecer e ela fechou os olhos. Estava confusa e desnorteada. Reuniu o pouco de lucidez que lhe restara. Scully: Até mais tarde, Mulder - e num impulso, ela o abraçou esbarrando o seu corpo nele. O corpo dele parecia queimar quando a sentiu roçar no abraço. Sorriu meio desconcertado e a viu partir... para voltar. SEXTA-FEIRA CASA DE JESSIE 20:40 H O julgamento transcorrera tranqüilamente. Jessie fez uma defesa brilhante e conseguira abafá-lo tanto da mídia quanto do próprio FBI. Pouca gente sabia do ocorrido. A tentativa de desmoralizá-lo, pelo menos dessa vez, falhara. Sentados a sua frente, na sala de tevê, os dois agentes participavam da conversa, muito à vontade. Bebericavam vinho e petiscos. Scully usava um vestido simples em seda, de alças finas, comprimento até seus joelhos, cor de vinho e que realçava, discretamente, suas belas formas; Mulder, de calça social preta e camisa pólo mostarda que o deixavam extremamente charmoso. Jessie estava com um vestido também de alças bem finas, verde- água, realçando a cor de seus olhos. Seus cabelos estavam presos num coque alto e um pouco frouxo. Morgan, o mordomo da casa, veio entregar-lhe o telefone. Jessie, após combinar com a pessoa do outro lado da linha, desligou satisfeita e informou aos dois. Jessie: Maurice e Isabelle estão vindo. Vocês gostarão deles, são legais. David também. Mulder: Quem é David? Jessie: É um amigo de longa data e que trabalha na minha fazenda. É Agrônomo. Sem demora o casal chegou. Ambos morenos, charmosos e... franceses! David chegou 5 minutos depois. Jessie: Mulder, Scully, estes são Maurice e Isabelle - os dois casais cumprimentaram-se - E este é David. David cumprimentou-os educadamente, mas deteve a sua atenção em Scully. Ela percebeu e corou. Diante disso, David, que nem bem havia chegado, propôs logo de início uma brincadeira. Mulder: E como é essa brincadeira? Jessie: David, não. Quer assustar os meus convidados?! - disse com uma expressão zombeteira. David: Porque não?! É assim: sortearemos um número para cada um. Esse número é segredo, cada um de nós terá o seu, e aí, pedimos que tipo de cumprimento queremos dar, abraço ou beijo na boca. Este último pode ser japonês ou francês. Escolhemos um número e concretizaremos o nosso pedido feito. Mulder: Legal, e seu eu tirar Maurice ou você e ter pedido um beijo francês?! – perguntou, sarcástico. David: Isso não será possível, pois os homens são ímpares e as mulheres, pares. Scully: Não tenho mais idade pra isso - falou debochada. David: Ninguém aqui tem - devolveu - Ora, vamos. É só uma brincadeira! Mulder: O que você acha, Jessie? Jessie: Não sei - respondeu incerta para depois dar de ombros - É só uma brincadeira! Maurice e Isabelle mostravam-se ansiosos para começar a brincadeira. Principalmente Isabelle. "Minha nossa, não acredito que estou pensando em aceitar!", pensou, Scully "Eu não tomei tanto vinho assim. Na verdade só... Oh, Meu Deus, cinco copos". Ela caminhou até o tapete e sentou-se nele. Mulder olhou surpreso, mas nada disse limitando-se a sentar-se do seu lado. CONTINUA... TÍTULO: COELIBES ESSE PROHIBENTO (Sejam proibidos os celibatos) CAPÍTULO II CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO I : "A DIGITO COGNOSCITUR LEO" AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Proibida para menores de 18 anos. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder, Scully... seus instintos e sentimentos... Mas a traição real é bem diferente. DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. AGRADECIMENTO ESPECIAL: A minha beta Sky que me premiou com sua paciência e benevolência ao ler com carinho essa fic enorme. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. Acima, eu coloquei um quadro que mostra a ordem em que elas vão ser postadas. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. SEXTA-FEIRA CASA DE JESSIE 21:00 H Jessie começa a brincadeira pedindo um "beijo japonês" e escolhe o número de David. Seus lábios encostam leve em um beijo rápido. Todos riem. Mulder fecha os olhos, pede um abraço e, escondendo seu desapontamento, percebe que a dona do número é Scully. Eles trocam um abraço longo e suave, seus corpos quase não se tocam, mas ofegam discretamente. "Deus, que abraço! Que sentimento é esse? Um abraço demorando mais que o normal... E esse olhar... tão... intenso, apaixonado, avassalador. Cada vez que os flagro assim... não sei... é como se eles fossem fazer amor onde estivessem. Um sentimento reprimido pelo medo, pela insegurança... mas o desejo está sempre latente". Jessie perdeu-se em devaneios, que não notou mais nada. Nem quando todos contemplavam o seu olhar distante. David quebrou a tensão. Mostrava-se muito interessado na Agente do FBI e não fazia questão de esconder isso. Isabelle pediu um beijo e lançou um olhar de contentamento ao tirar o número de Mulder que, reservado, procurou não esboçar nenhuma reação. Ela aproximou-se dele, ronronando como uma gata e o beijou. A princípio Mulder não correspondeu, porém a língua dela o invadiu exigindo uma resposta. Diante disso, ele retribuiu suavemente, como se com isso quisesse acalmar a sua exigência. Mas ela não parecia disposta a parar nem em se acalmar. Ao contrário, devorava seus lábios cada vez mais. Scully mal conseguia esconder o seu incômodo com aquela situação, principalmente à julgar pela ousadia da moça. Atenta a tudo isto, Jessie decidiu interromper com uma piadinha leve. Jessie: Isabelle, já chega. Guarde o seu fôlego para o resto da brincadeira e não assuste o meu amigo! – repreendeu, sorrindo numa tentativa clara de descontrair o ambiente. Relutante, mas com um charmoso sorriso, ela afastou-se. David também pediu um beijo e ficou mais do que contente ao ver quem tirara. Ele virou-se a seu lado e a beijou. Primeiramente, suave, mas intensificando a medida em que seus braços enlaçavam a fina cintura, apertando-a contra o seu corpo. Ela espalmou as mãos em seus ombros tentando gentilmente cessar o beijo, mas foi em vão. Ele a incentivava a corresponder cada vez mais e ela cedeu. Mulder levantou-se bruscamente, pegou uma garrafa de uísque e encheu o copo, bebendo-o de um só gole, puro e sem gelo. Nem se incomodou quando o líquido de fogo "rasgou" a sua garganta. Ao virar-se, Scully já não mais beijava o rapaz. Estava com o copo de vinho novamente cheio e tomava a doce bebida sem hesitação. Jessie: Ei, você ainda tem que dirigir hoje! - alertou-a próxima de Mulder e retirando gentilmente o copo de suas mãos. Mulder: Quero ir embora! Jessie: Nas suas condições é melhor dormir aqui. Posso pedir para prepararem os quartos de hóspedes para vocês. Mulder olhou fixamente para Scully e, posteriormente, desviou a sua atenção para Jessie. Mulder: Não, obrigado - lançou-lhe um leve sorriso - Vou pra casa mesmo. De onde estavam, ambos olharam para Scully, sentada no sofá com as pernas cruzadas e muito desconcertada pela atenção especial que David dispensava-lhe. Jessie retornou a sua atenção para ele e percebeu a irritação crescendo em seu semblante. Jessie: Cuidado, não faça nem diga nada de que se arrependa depois! – o alertou - Vou pedir para Morgan levar vocês. Mulder desviou-se para ela e tocou levemente o seu rosto. Mulder: Não se preocupe, estou bem - depositou um leve beijo em sua testa – Scully vai dirigir. Jessie: Tudo bem, então. Ela está mais sóbria que você. Ele caminhou até Scully, mas antes que dissesse que iriam embora, David interrompeu a sua intenção sem perceber e perguntou à Jessie. David: Jess, onde está a sua máquina fotográfica?! No carro, Scully dirigia preocupada com o silêncio pesado e constrangedor instaurado entre eles. Afinal, desde que haviam saído da casa de Jessie, ele não fizera nem um comentário, não falara nada. Permanecia assim o tempo todo. Havia feito diversas tentativas de animá-lo, de iniciar um diálogo... perguntou se estava bem, se algo o preocupava, mas sem sucesso nas respostas... Tudo o que conseguira fora monossílabos "não, sim, hum...". Diante disso, resolveu ficar calada também. Mulder: O que você achou do tal David? - perguntou de repente, surpreendendo-a. Scully: Bom... é gentil, educado, divertido... Mulder: Bonito? - inquiriu sarcástico. Ela deu uma pausa antes de responder, mostrando-se desinteressada. Scully: Sim, bonito. Mulder: Quantos anos ele tem, Scully? - ele continuou irônico. Scully: Vinte e nove, eu acho - respondeu ignorando o seu sarcasmo – Por que? Mulder: Porque eu o acho muito jovem pra você – respondeu, ríspido. Eles aproximavam-se do apartamento dele. Ela parou o carro já em frente do prédio e virou-se para ele. Scully: Não estou entendendo! Ele não lhe deu ouvidos. Desceu do carro decidido a não dar nenhuma explicação, seguindo para o elevador. Ela, porém, o seguiu. Scully: Você está bem? Bebeu um pouco além da conta, Mulder... Aliás, nós dois nos excedemos. Mulder: É, mas você se excedeu mais ainda - respondeu de maus modos, apertando o botão do elevador. Ela ignorou novamente o comentário sarcástico, acompanhando o mostrador com os números do andar iluminarem-se crescentemente. Scully: Quer que eu o ajude a deitar? - não obteve resposta. A porta do elevador abriu, ele saiu na frente retirando as chaves do bolso, tentando realizar a "difícil" tarefa de introduzi-la na fechadura. Scully tomou as chaves de sua mão e abriu a porta. Scully: Quer que eu o ajude a deitar, Mulder? - insistiu. Mulder: Sim, mamãe, não sei me deitar direito – novamente a ironia, agora imitando voz de criança. Ao entrar, ele livrou-se da blusa, foi para a cozinha, abriu a geladeira e apanhou uma garrafa de suco. Scully, de onde estava, na sala, o seguiu com os olhos. Scully: O que há com você, Mulder? - perguntou quando ele já voltava a sala, inconformada, vendo-o sentar-se no sofá e esticar as pernas em cima da cadeira a sua frente. Determinada, ela insistiu - Mulder, estou falando com você – aumentou um pouco o tom de voz, irritando- se em ser ignorada. Ele finalmente deu-lhe atenção e lançou-lhe um olhar acusador e sarcástico. Mulder: Scully, você revelou um lado seu que eu desconhecia. Scully: Do quê está falando? - ela sentou-se à seu lado, numa postura inquisitória. Mulder apenas sorriu. Ele não conseguia disfarçar a raiva. Ela deu um profundo suspiro, buscando um último "fio" de paciência que ainda restava-lhe. Scully: Mulder, são duas horas da madrugada... que tal me dizer o que está havendo? Mulder: Beijou um completo estranho com tamanha intimidade - ele explodiu - Conversou com ele na mesma proporção a noite inteira... e até se deixou fotografar. O que ele disse mesmo?! Ah, "vou guardar a foto desta ruiva linda para sempre...". Que romântico! Scully mordeu o lábio inferior. Embora não entendesse porque ele estava tão incomodado, sentia vergonha de si mesma. Não sabia o que dizer, mas lembrou-se da francesa Isabelle e de sua ousadia. Scully: E você? Percebi que não gostou de ser beijado essa noite. Você não estava nem um pouco empolgado, não é?! - usou o mesmo tom acusatório que recebera. Mulder: Não tanto quanto você, é claro! Scully: Era só uma brincadeira, aceitamos participar dela! - ela fez uma pausa - Está bêbado. Descanse, durma um pouco. Vai se sentir melhor amanhã. Ela levantou-se para ir embora, mas ele deu um salto do sofá recuperando rapidinho a sobriedade, a tempo de segurá-la rudemente pelo pulso, bater a porta com violência e fazê-la voltar para o centro da sala. Scully: Mulder, o que está fazendo?! – inquiriu perplexa com o seu modo brusco e segurou o pulso dolorido. Mulder: Não faça isso novamente - ele a advertiu em voz alta. Scully: Fazer o quê?! - ela devolveu, enfrentando-o com o mesmo tom de voz, querendo entender o porquê de estarem discutindo. Ele a olhou por um momento, intensamente; puxou-a para junto de si e devorou seus lábios, esmagando-os com sua raiva, frustração. O ciúme tomara conta de sua razão. Uma punição pela dor que, inadvertidamente, ela o fizera sentir. Ele enlaçou-lhe a cintura apertando-a fortemente contra seu corpo, comprimindo-o contra o seu. Scully sentia um misto de dor e prazer. Mal conseguia respirar diante do abraço sufocante, mas extremamente prazeroso, que recebia. Após o que, para ela, pareceu uma eternidade, ele a soltou. Seu peito arfava e ela ofegava, assim como ele também. Sentia os lábios inchados ante a violência do beijo. Mulder olhava fixo para ela. Estava assustada e confusa e, ao notar isso, arrependeu-se do modo como fez. Ele a puxou novamente, agora gentilmente, porém firme, e tornou a beijá-la, um beijo lento e carinhoso que explorava os contornos de seus lábios, provando-os. Deslizou as mãos pelas costas dela, mas ela ainda estava assustada e não o retribuiu. Ele a apertou um pouco, incentivando-a a retribuir. E foi com um contentamento que sentiu os braços delicados envolverem o seu pescoço e o corpo colar ao seu, fazendo-o sufocar um gemido. Ajoelharam-se sem interromper o beijo. Ele deslizou suas mãos para as coxas pálidas, acariciando-as, deliciando-se com os gemidos que ela também tentava sufocar. Segurou suas mãos, entrelaçando os dedos nos dela. Ergueu os seus braços, soltou suas mãos, percorrendo o caminho até alcançar o barra do vestido e suspendê-lo lentamente, desnudando-lhe. Seus olhos brilharam em admiração contemplando o corpo perfeito e tanto desejado. Deteve-se na calcinha de veludo e renda italianas da mesma cor do vestido. Ele a abraçou e a beijou intensamente, louco de desejo. E a respiração descompassada dela, os lábios, entreabertos, vermelhos e inchados por causa de seus beijos; o peito arfando, fazendo com que os seios roçassem o seu peito, numa carícia erótica, aumentavam o seu tesão. Novamente a abraçou, apertando-a contra si, suplicando para que esse gesto involuntário parasse. E a beijou com sofreguidão. Scully se deu conta de que estava ajoelhada na sala de Mulder, seminua em seus braços, quase totalmente entregue a ele. Interrompeu de forma brusca o beijo, levantou-se, pegando o vestido do chão e rapidamente cobriu os seios. Sob seu olhar espantado e incrédulo, virou-se de costas e o vestiu num só gesto. Emprestou as chaves do carro dele e saiu sem dizer nada. Mulder ainda ficou estático, olhando para a porta fechada. Estava espantado com o seu comportamento: sentira ciúmes dela. Mais ainda, a machucara! A raiva era tão grande que perdera o bom senso, e depois suas mãos pareciam ter ganho vida própria ao despi-la, acariciá- la, beijá-la tão sensualmente. Tantos anos de privação o estavam deixando louco, concluiu. "Será que os vídeos para adultos não me satisfazem mais?", perguntou-se. Na verdade, nunca o satisfizeram, mas pelo menos seus hormônios ficavam controlados. Scully tinha razão, havia bebido demais... Além da conta, ele diria. No entanto, não pôde negar o contentamento, a admiração, o prazer ao vê-la somente de calcinha, ajoelhada à sua frente, o corpo estremecendo com suas carícias, entregando-se à ele. A pele era pálida, mas gostosa e perfumada; o corpo, pequeno, mas perfeito, com curvas sensuais; e os lábios, carnudos e macios. Ele deitou-se no sofá com essa imagem gravada na mente e, ali mesmo, adormeceu. Dirigindo, Scully tinha os pensamentos voltados para Mulder. Como pudera ir tão longe? Como pudera ser tão leviana? O que ele pensaria dela? Não se reconhecia. Seu corpo reagira instantâneamente às carícias que ele fizera, correspondera aos seus beijos com ardor, mas nada justificava o seu comportamento leviano. Tantos anos se dedicando exclusivamente ao trabalho sem se envolver com ninguém, estavam mexendo com seus hormônios. Sentia que precisava dividir melhor o seu tempo e dedicar-se às coisas simples da vida como visitar a mãe com mais freqüência, sair à noite e quem sabe... relacionar-se com alguém. O problema era que não se imaginava assim e nem tinha vontade de relacionar-se com ninguém. Aliás, tinha sim, mas só com uma pessoa. Sorriu maliciosa, mas suas bochechas ficaram vermelhas, ele percebera o quanto ela estava carente. ARLINGTON SÁBADO 09:30 H Jessie bateu insistentemente na porta. Mulder deveria estar num estado deplorável, pensou; mais emocionalmente que fisicamente. Estava quase desistindo quando ele veio abri-la, sonolento. Jessie: Como você está? Desculpe se o acordei! – disse, recebendo um leve negativo meneio de cabeça. Mulder fechou a porta e dirigiu-se para o banheiro. Jessie o seguiu e encostou-se na porta. Enquanto falava, ele a olhava através do espelho ao mesmo tempo em que escovava os dentes. Jessie caminhou até a janela. Ela usava uma calça jeans tipo pantolona de cós baixo e blusa de malha, cor de ferrugem com um profundo decote canoa que deixava parte de seus ombros à mostra. Seus cabelos estavam soltos e caíam por suas costas como uma cascata de rio vermelho. Nos pés, sapatilhas negras. Ele não pôde deixar de admirá-la. Como ela havia crescido e transformado-se em uma linda mulher. Doce, corajosa, elegante, linda! Tudo nela denotava elegância e requinte: seu porte esguio, seus traços finos; demonstrava a origem rica e tradicional de sua família e a quê ela fora acostumada. Mulder a puxou pela mão, sentou no sofá fazendo-a sentar-se a seu lado. Ele a abraçou e afundou o rosto em seus cabelos. Jessie notou-lhe a tristeza e, carinhosa, alisou seus cabelos com a mão. Jessie: O que houve? Mulder: O quê? Estou cansado! - fingiu não entender mantendo rosto escondido em seu pescoço. Jessie: Você está triste - e colocou os dedos nos lábios dele, quando ele levantou o rosto, silenciando-o - E não adianta negar. Eu conheço você. Diante do silêncio dele, ela resolveu questionar. Jessie: O que foi? Mulder: Fiz uma coisa horrível ontem? - disse abaixando a cabeça envergonhado. Jessie: O quê? Mulder: Comportei-me mal com uma pessoa. Jessie: Ah, sei... com Scully! Mulder ficou calado sem olhá-la. Ela examinou seu rosto e deu um longo suspiro. Jessie: Mulder, há quanto tempo você não... – questionou incerta. Mulder: Não, o quê? - voltou a fitá-la. Jessie: Você sabe. Não faz amor com uma mulher?! Ele ficou em silêncio. Jessie: Você sempre foi um rapaz cobiçado. Lembro quando eu mentia que você tinha uma namorada e que ela era uma fera. Uma vez falei que você não gostava de mulher – confessou, rindo muito da expressão incrédula e divertida dele - Sim, eu me lembro, era pequena, mas me lembro. Mulder: Ei, não sabia disso. Mas que... Jessie, você não fez isso?! Ela levantou-se e continuou. Jessie: Amanda Ellen era pegajosa demais, Renata Ranes, muito ciumenta, Fiona Reeves, arrogante... - ambos riram, divertindo-se mutuamente. Foram interrompidos por batidas na porta. Mulder levantou-se para atender e deparou-se com uma Scully desconcertada, parada à sua frente. Ela usava seu costumeiro tailleur azul-marinho e salto alto. Em nada lembrava a Scully descontraída e sensualíssima da noite anterior. Esticou o braço escancarando a porta para que ela entrasse. Scully: Encontraram Gibson Praise - ela disse ao entrar. Mulder: Gibson? Onde?! Scully: Está em um hospital, em Nevada. Mulder: Nevada? Scully: Sim Só então ela percebeu a presença de Jessie. Scully: Dra. Jessie? Desculpe, não a vi - estava ruborizada sem saber o porquê. Jessie: Não me surpreende - ela sussurrou para si mesma. Scully: O quê? Jessie: Eu disse que não se desculpasse - disfarçou com um sorriso. Scully: Não vamos lá, Mulder?! – girou o corpo, voltando-se para ele. Mulder: Sim, vamos. Vem conosco? – perguntou à Jessie. Jessie o olhou surpresa. Jessie: Eu?! Mulder: Gostaria que fosse. Jessie olhou pra ele e Scully. Não via motivo algum para ir junto, mas não custaria nada acompanhá-los. Jessie: Está bem, eu vou. Antes que saíssem, o telefone tocou e Mulder voltou para atendê-lo. Diana: Fox, é Diana. Encontraram Gibson Praise, está em um armazém em Nevada - ele imediatamente virou-se para Scully. Mulder: Eu sei, mas... ele não está em um hospital?! Diana: Não, não está. Quem lhe deu essa informação? - indagou ao que Mulder não respondeu. Mulder: Onde fica o armazém? Após anotar o endereço e escutar mais algumas informações, ele saiu com as duas moças. Scully: Quem era? - perguntou antes que chegassem ao carro. Mulder: Uma pessoa de confiança que disse que Gibson está em um armazém em Nevada. Scully: Quem? A pessoa que me deu essa informação também não pode ser subestimada. Mulder: E quem foi? Scully: Skinner – respondeu e o segurou pelo braço, detendo-o - Vamos para o hospital, Mulder. Jessie apenas assistia a tudo sem se manifestar. Mulder: Tá legal. Jessie, você vai para o hospital conferir a informação e Scully e eu vamos para o armazém. Jessie: Tudo bem – assentiu e encaminhou-se para seu carro, uma Grand Cherokee que chamava menos atenção que a BMW grafite que costumava usar lá no Bureau. HOSPITAL MEMORIAL DE NEVADA 10:30 H Jessie andava pelos corredores do hospital, cautelosa. Ao avistar um balcão de recepção, pediu informações sobre um paciente supostamente internado ali, Gibson. Notou a relutância da jovem enfermeira em ceder tais informações e inventou que fazia parte da equipe médica responsável pelo garoto e que fora chamada para atendê-lo. A pequena mentira funcionou e ela seguiu até o quarto. ARMAZÉM DE NEVADA 10:45 H O armazém era um pouco distante da cidade. Scully e Mulder, de armas em punho, adentraram o local. Passaram muitos minutos procurando o paradeiro de Gibson ou, pelo menos, indícios, pistas de seu paradeiro. Subiram e desceram escadas, entraram em pequenas "saletas"... Pregadas na parede, Mulder reconheceu máscaras indicando que ali costumavam manusear substâncias químicas. RUA EXERTER 208 11:30 H Jessie literalmente voava. Precisava chegar a tempo de alcançá-los antes que algo acontecesse. Havia encontrado Gibson em estado gravíssimo na UTI do hospital. Mesmo estando muito mal, ele conseguira alertá- la sobre a cilada armada para Mulder e Scully. Ao longe, ela finalmente avistou o armazém, numa estradinha de terra. ARMAZÉM DE NEVADA 11:31 H Scully: Mulder, não há nada aqui. Vamos embora - ela já estava irritada em investigar o nada. Um barulho ecoou pelo armazém, chamando a atenção de ambos. Porém, Scully voltou-se para ele, insistindo na mesma questão. Scully: Mulder, quem lhe deu essa informação? Porque não confia em mim? Ignorando-a, ele abriu uma pesada porta de ferro e entrou em outra "sala" pequena, local de onde o barulho, supostamente, teria vindo. Scully exasperada, o seguiu. De repente, um chiado, e uma fumaça branca tomou conta do ambiente. Imediatamente eles começaram a tossir. Scully caiu de joelhos não agüentando o ar que sufocava-lhe. Mulder a chamou, ofegante e fazendo um enorme esforço para ser ouvido. Cambaleando, tateou no escuro a procura das máscaras que avistara, porém não as encontrou. Jessie, armada, chutou a grande porta de madeira, entrou e gritou por eles. Ouviu um fraco barulho de tosse e uma fumaça branca quase tomando conta do ambiente. Correu seguindo ao local de onde tinha vindo o barulho e os encontrou, Scully, caída no chão, sufocada, e Mulder de joelhos ao lado dela fazendo um esforço enorme para levantar-se e trazê- la consigo. Em pouco minutos, o armazém inteiro estava tomado pela fumaça. Urgentemente, ela procurou por algo que os protegesse e acabou encontrando apenas uma máscara caída no chão, na entrada do armazém. A pegou e colocou em Mulder. Jessie: Tome, Mulder. Respire - ele mais que depressa obedeceu sentindo um alívio. Jessie olhou para Scully ofegando bastante a ponto de desmaiar. Mulder puxou Scully para si e colocou-lhe a máscara. Levantou-se e a trouxe junto. Colocou novamente nele e devolveu a ela, alternando para que os dois pudessem respirar. Preocupado em fazer com que ela acordasse, ele a chamava, a sacudia insistentemente. Ela abriu lentamente os olhos, mas estava muito fraca. Percebeu que não conseguiria sair com ela sozinho dali, Jessie ajudou e ambos envolveram-na em seus braços e saíram. Do lado de fora, ela colocou Scully pra sentar dentro do carro de Mulder. Em poucos segundo, ela desmaiou novamente. Ele, encostou-se na lataria. Ainda tossia bastante, mas começava a melhorar. Jessie: Está melhor? Mulder: Sim. O que era isso? Jessie: É um tipo de gás, não sei. Parece-se com o Sarin. Ele a fitou dando-se conta do perigo que correram e o quanto fora irresponsável. Jessie: Poderia tê-los matado em poucos minutos. Fico feliz de ter chegado à tempo. Sua respiração ainda estava alterada, seu peito arfava como se tivesse encerrado uma maratona de longa distância. Seguiu até a porta, abrindo-a para ver Scully, suada e desacordada, sua respiração estava bem mais alterada que a dele. Mulder: Temos que levá-la a um hospital - disse ele, acariciando os seus cabelos. Jessie: Sim, vamos cuidar disso - e diante da preocupação dele tratou de tranqüilizá-lo - Ela ficará bem, não se preocupe. HOSPITAL MEMORIAL DE WASHINGTON 16:00 H Após ser examinado, Mulder foi ao encontro de Jessie no quarto onde Scully estava. Abriu a porta sem fazer barulho, encontrou Jessie sentada em uma cadeira ao lado da cama onde a parceira estava adormecida, com a aparência de um anjo, como se nada daquilo que haviam passado tivesse sido real. Sua respiração já estava normal e possuía uma aparência mais calma agora. Jessie levantou-se assim que o viu aproximar-se da cama. Jessie: Ela receberá alta amanhã. Está bem e sem nenhuma seqüela. Ele olhava a parceira sem desviar sua atenção para ela, apenas ouvindo-a com atenção. Jessie tocou-lhe levemente o ombro. Jessie: Quem foi que lhe deu aquela informação? Ele não queria falar no assunto. Estava mal por ter colocado a vida de Scully mais uma vez em risco. Percebeu o mal-estar que o assunto lhe causava, mas assim mesmo, insistiu. Jessie: Quem foi, Mulder? Ele não respondeu. Jessie: Percebeu o que houve, não?! – insistiu. Ele desviou rapidamente seu olhar para ela, para depois voltar-se à Scully, é claro que percebera. Não conseguia acreditar que Diana havia feito aquilo. E de fato, não acreditava nesse fato sem que houvesse uma coação por trás, uma ameaça. Mulder: Como soube? - inquiriu virando a cabeça de lado, mas mantendo-se de frente para a cama - Sobre Gibson? Jessie: Encontrei o garoto no hospital. Li o laudo, seu estado é grave, os médicos não têm muitas esperanças... Era óbvio que tratava-se de uma cilada estando ele no hospital, não?! Mulder sentiu-se pior ainda porque percebera que Scully tivera razão. Skinner não os enganara e em seu íntimo, praguejava contra si mesmo. Jessie o abraçou e depositou um beijo fraternal em sua testa. Jessie: Vou para casa agora, tomar um banho. Se quiser que eu venha à noite, se precisar, ligue, por favor que eu estarei aqui. Ele assentiu com a cabeça e antes de sair, ela ainda fez um comentário. Jessie: Mulder, amo você do jeito que é, mas você colocou em risco a vida de uma pessoa que o ama muito. 19:00 H Scully acordou e viu Mulder a seu lado, sentado em uma cadeira bem próxima de sua cama. Ele, por sua vez, ao vê-la despertar, lançou-lhe um leve sorriso que logo morreu em seus lábios ao notar que ela não retribuiu, limitando-se a olhá-lo. Mulder: Como você está? - perguntou tomando sua mão. Scully: Melhor, obrigada - respondeu, seca. Alguns minutos de silêncio - Quem telefonou para você hoje de manhã? - desta vez estava determinada a não adiar mais o assunto. Não obteve resposta e o viu desviar o olhar para o chão. Scully: Foi Diana Fowley, não foi? - ela retirou a mão que ele segurava. Ele apenas balançou a cabeça. Diante da resposta, ela baixou a sua, lágrimas teimosas, brotando em seus olhos que, à muito custo, foram contidas. Ao perceber a luta que ela travava contra elas, não conseguiu conter as suas. Principalmente após dizer que Jessie havia encontrado o garoto. Scully: Você não confiou em mim - ela acusou. Mulder: Eu sempre confiei em você. Foi em Skinner... – sua voz foi interrompida pela choro baixinho que ele tentava disfarçar. Os olhos dela avermelharam-se e uma expressão decepcionada moldava-lhe a face. Scully: Mas você nunca duvidou dele. Eu é que sempre o fazia. Acho que você deve voltar a trabalhar com a Agente Fowley. Ele a olhou incrédulo disposto a refutar, mas ela não permitiu. Scully: É preciso confiança para duas pessoas trabalharem juntas, para desenvolverem um bom trabalho, entre outras coisas. Será melhor para nós. Mulder tomou novamente a mão dela entre as suas, levando-a até seus lábios, depositando um beijo terno. Mulder: Não faça isso, por favor! - suplicou, contraindo as têmporas - Como pode saber se isso é o melhor?! Scully gentilmente retirou a mão e voltou a deitar, embora de costas, mas com o rosto virado para o lado oposto ao do parceiro dando a conversa por encerrada. CONTINUA... TÍTULO: Alter ego (Um outro eu) CAPÍTULO III CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO II : " COELIBES ESSE PROHIBENTO " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper CLASSIFICAÇÃO: Livre SPOILERS: "A Colônia", "Fight the Future" RESUMO: Mulder e Scully estão na casa de Jessie. Ele está mais aberto com relação à seus sentimentos. Jessie prova que está disposta a tudo para vê-lo feliz. DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá...Mas Jessie, o mordomo, o caçador e David, são criações minhas. FEEDBACK: Infinitamente grata! AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. AGRADECIMENTO ESPECIAL: A minha beta Sky que me premiou com sua paciência e benevolência ao ler com carinho essa fic enorme. OBSERVAÇÕES: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente, terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN 19:00 H Scully adormecera novamente. Mulder aproveitou para ligar à Jessie e pedir que ficasse com ela esta noite. Ao desligar, ele lembrou-se de um detalhe que somente deixara escapar por causa de sua preocupação maior naquele momento ser Scully. Mas, agora, dava-se conta de que Jessie não usara máscara de oxigênio para proteger-se do gás. Quando ela entrou no armazém, sem proteção alguma, não parecia preocupada em saber que o gás poderia afetá-la. Decidiu que, assim que a oportunidade surgisse, questionaria o fato. E tentaria criar logo tal oportunidade. 19:20 H Jessie abriu a porta, preocupada em não fazer barulho. Scully estava acordada e a televisão ligada, porém, ela não prestava a mínima atenção no que passava. Seu olhar estava perdido e não notou a sua presença. Aproximou-se da cama e a tocou levemente no ombro. Jessie: Oi, como você está? - mantinha um sorriso nos lábios. Scully tomou um leve susto e finalmente prestou atenção à ela. Scully: Estou bem. O que faz aqui? - estava curiosa ao vê-la com uma pequena valise e um edredom em seu braço. Jessie: Vim ficar com você essa noite - declarou colocando a sacola e o edredom em cima de um sofá-cama no canto do quarto. Sentou-se na cadeira ao lado da cama. Scully decidira não comunicar nada à família, uma vez que seria desnecessário preocupar sua mãe, pois ficaria menos de um dia no hospital. Scully: Não precisava, Dra. Arby. Jessie: Não é incômodo algum - refutou e recebeu um leve sorriso. Scully: Pode me chamar de Scully. Ou Dana, se quiser. Jessie: Só se você prometer que vai me chamar de Jessie! Scully: Certo - ela retribuiu o sorriso que recebera. Ficaram um momento em silêncio até que Scully foi a primeira a falar. Scully: Conhece a Agente Diana Fowley? - perguntou, tentando esconder o seu grande interesse na resposta. Percebera que um assunto envolvendo o nome da agente, era delicado, e tratou de responder com cuidado, mas sem distorcer a sua real opinião. Jessie: Sim, conheço. Scully: Há muito tempo? Jessie: Não. Sei que ela trabalha no FBI. Por quê? Scully: Ela nos traiu - declarou, lembrando-se com tristeza que Mulder não hesitava em confiar nela - O que acha dela? Jessie: Mulder parece não concordar com a sua opinião, não?! - ela arqueou as sobrancelhas - Eu a acho muito ambiciosa e não sei até onde ela pode retribuir a confiança que ele deposita nela. Scully: Está dizendo que ela faria qualquer coisa para... - fez uma pausa - ... ascender? Jessie: "Os fins justificam os meios", além do mais... - ela deu de ombros - ... isso não é garantia que consiga e muito menos que ele a siga. Ou talvez ela haja conforme as suas próprias crenças. Scully, apesar de conhecê-la há pouco tempo, sentia como se já a conhecesse há anos. De alguma forma, que não soube explicar, sentia-se assim. Scully: "Os fins justificam os meios"? Isso quer dizer que você sabe de algo, não?! Jessie: Não sei de nada - ela levantou-se, encerrando o assunto. Nesse momento, o celular tocou, interrompendo-as. Ela o atendeu, entregando-o à Scully logo depois, que a olhou surpresa. Jessie: Para você... É David! - estendeu a mão ao que ela o apanhou. Scully: Alô... David: Oi, Dana. Como está? - ele já a chamava pelo primeiro nome, notou. Scully: Estou bem, obrigada - respondeu desanimada. Queria que fosse outra pessoa. David: Você vai sair amanhã, não vai? Scully: Vou, sim. David: A que horas? Scully: Às 9:30H, eu acho. David: Posso ir buscá-la? Scully: Não é necessário, eu irei com Jessie - ela respondeu olhando na direção dela, que estava atenta à TV. David: Tem certeza? Scully: Tenho sim, não precisa se incomodar. David: Não seria incômodo e sim, prazer. Scully apenas sorriu. Jessie pôde sentir o interesse de seu amigo e a distância que ela tentava manter. Seria muito bom que ele não tivesse tantas esperanças. Scully: Mesmo assim, obrigada - respondeu tentando ser o mais delicada possível. David: Então, tá bom. Quando a vejo novamente? Scully: Não sei - disse sem saber o quê responder. David: Vai pra casa? Scully: Provavelmente. David: Então, farei uma visita, se não se importar. Scully: Claro que não. Ao despedir-se, ele falou tão suavemente, que era quase um sussurro. David: Um beijo, Dana, e durma bem. Ela não retribuiu e despediu-se normalmente. Entregou o telefone à Jessie. Jessie: É, parece que você conquistou um coração! Ela limitou-se a sorrir, mas sua expressão era triste. Jessie sabia que seu coração já estava rendido e não teria espaço para outro. Ficou feliz por saber quem era o sortudo, mas triste por David. Apesar de bem intencionado, acabaria se magoando. Nunca o vira tão interessado em uma mulher antes. Ele sempre fora o cobiçado. Com os cabelos castanhos claros, quase loiros, olhos verdes e um corpo bonito, possuía todos os atributos para enlouquecer as representantes do sexo oposto. Mas agora, vendo-o babar por aquela ruiva, compadecia-se. David estava apaixonado! DOMINGO 9:00 H Jessie: Está pronta, Scully? Scully: Estou - disse lá do banheiro, ajeitando-se na calça jeans azul- escuro e arrumando a twin-set verde água, no corpo. Jessie: Então, vamos - ela pegou a pequena valise onde trouxera roupa para si, outra para Scully, e saíram. CASA DE JESSIE 9:40 H Jessie deixara Scully em casa, e agora, relaxava em um banho, imersa em sua banheira de mármore rosa e torneiras douradas, combinando com toda a decoração do banheiro de mesma cor. O branco telefone, em pé na borda da banheira, tocou e ela esticou o braço para atendê-lo. Mulder: Jess, sou eu. Como está Scully? - ele perguntou ansioso. Jessie: Porque não pergunta a ela? - ela sugeriu procurando incentivá-lo à procurá-la. Mulder silenciou. Jessie: Mulder, ela pode estar magoada, mas gosta, e muito, de você. Não tenha medo de tentar. Mulder: Eu sei - ele deu um longo suspiro - E você? Está bem? Jessie: Sim. Mulder: Então, até amanhã. Jessie: Até... SEDE DO FBI WASHINGTON D.C SEGUNDA-FEIRA 07:57 H Jessie estacionou a sua BMW grafite. Abriu a porta, colocando suas longas e torneadas pernas para fora. Ao fechar a porta do carro, o susto a fez saltar levemente quando olhou casualmente pelo retrovisor do veículo e viu o Alien, caçador de recompensas, parado, observando-a. Ele a estava vigiando e isso era um mau sinal, pois estando a serviço da Seção, queria dizer que ela logo, logo, voltaria ao seu mais temível pesadelo. - Está ajudando Fox Mulder? Informarei ao comando de operações sobre essa sua nova atividade. Jessie: Não acho que a minha vida lhe interesse. - A mim, talvez não, mas à Seção, com certeza. Afaste-se dele. Será melhor para você. Jessie: Eu sei o que é melhor pra mim - ela o desafiou. - Não, não sabe. Precisamos que volte. Jessie: Nunca. Só morta eu irei. - Morta você não servirá para nada. Jessie: Exatamente, essa é a minha real intenção. - Não fuja de seu destino. Jessie: Não me diga o que fazer. Ela girou o corpo e saiu. GEORGETOWN 08:30 H Scully atendeu à porta. Esperava que fosse Mulder, e desapontada viu que não era. David sorriu ao vê-la, escondendo um grande buquê atrás de si. Ela ficou um pouco constrangida com a sua visita, principalmente por estar sozinha, apesar do pijama de cetim vermelho esconder todo o seu corpo... Mas o cumprimentou e o convidou a entrar. David: Dormiu bem? – perguntou, entregando-lhe o buquê com rosas brancas. Scully: Oh... David, são lindas. Obrigada! David: E então? Dormiu bem? Scully: Sim, dormi - sua aparência abatida denotava a péssima noite que ela tivera, contradizendo o que dissera. Porém, mesmo notando, ele preferiu não comentar nada. Após voltar da cozinha onde colocara as flores em um vaso com água, ela sentou-se à sua frente no sofá. David: Dana, vim perguntar-lhe se não quer passar esse resto da licença médica na fazenda... comigo. Você relaxaria e ficaria longe de preocupações. Scully: Obrigada, mas não quero sair daqui - para ela, naquele momento, o aconchego de sua casa oferecia-lhe mais segurança. David: Acho que só lhe faria bem. Sabe cavalgar? Já bebeu leite de vaca? Scully: Não - ela respondeu com sorriso desanimador. David: Eu poderia ensiná-la! - prontificou-se ao que ela apenas sorriu. O toque do telefone os interrompeu. Jessie: Oi, sou eu. Como você está? Scully: Oi, Jessie. Estou bem - olhando para David, que fazia um sinal de que queria falar com ela. Scully: Vou colocar no viva-voz. David quer falar com você. Do outro lado da linha, um sorriso insinuou-se em seus lábios, mas havia também uma certa preocupação em seu semblante, pois sabia que Scully não retribuiria a paixão que David estava sentindo. David: Olá, Jess! Jessie: Oi. David: Estava sugerindo à Dana que fosse passar alguns dias lá na fazenda. Eu a ensinaria a montar a cavalo, pescar... O que acha? Jessie: É uma boa idéia, assim ela se distrai! SEDE DO FBI WASHINGTON D.C 09:05 H Jessie desligou o telefone, despedindo-se dos dois, e ficou a divagar. Após o encontro com o caçador, ela começara a cogitar se não seria uma ótima idéia afastar Scully e Mulder da cidade, por questão de segurança. Imaginava que não só o caçador, mas outra provável ameaça com certeza viria encontrá-la, os usariam para chegar até ela. De início pensara que seria preciso um bom argumento para convencer Mulder, mas agora, analisando a situação, Mulder não permitiria que Scully fosse sozinha à fazenda com David. Tirou os óculos, colocando-os em cima da mesa. Recostada na cadeira em seu escritório, ela pensava que só poderia sobreviver um nesse duelo. Teria que matar o caçador, pois não podia e nem mesmo iria ficar fugindo de nada. A entrada de sua secretária na sala, despertou-a de suas divagações. - Dra. Jessie, chegaram mais processos para despachar - disse colocando uma pilha de pastas em cima de uma mesa lateral, disposta para acomodá- los - Eis os dossiês que a Srta. pediu - entregou-lhe duas pastas cinzas. Ela permanecia em silêncio, apenas assentindo com um leve meneio de cabeça. - Dra. Jessie?! - chamou-a ao que ela apenas levantou a cabeça em sua direção – Estará presente na comemoração de confraternização do FBI, no dia 15 de dezembro? Jessie: Acho que sim, porque? - Por nenhum motivo especial. É que a Srta. Não foi nos dois anos anteriores... Jessie: Houveram uns contratempos que me impediram de ter comparecido - respondeu, vaga, concentrada na redação que fazia. Deixe-me só. Preciso de muita concentração para analisar esse processo complicado. A secretária assentiu e saiu sem perder tempo da sala. 19:30 H O dia havia sido longo. Após analisar e despachar vários processos, estava muito cansada e precisava de um bom banho. Sua casa era muito grande, grande demais para ela e não sentia-se bem. O seu trabalho, entre outros motivos, era o que a prendia lá. As portas da mansão eram de vidro pintadas a mão com graciosos arabescos brancos. A sala era ampla e conjugava sala de estar e jantar. Os sofás, beges com detalhes marrons, combinando com a tapeçaria verde- musgo. A sala de jantar possuía ampla mesa com tampo de vidro fumê. O mordomo Morgan veio abrir a porta para ela. Jessie: Boa noite, Morgan. - Boa noite, Srta., servirei o jantar daqui à meia hora, pode ser?! Jessie: Tudo bem, preciso de um banho antes. - A Sra. Morgan vai preparar o seu banho. À propósito, Srta., o Sr. David a está esperando na sala com uma moça. Caminhou em direção a sala, o salto de seus sapatos ecoavam pelo chão de granito. Encontrou-os sentados no sofá, um ao lado do outro. David estava visivelmente apaixonado, mas Scully não demonstrava estar disposta a retribuir, como já previra. Jessie: Scully, não foi à fazenda?! - fingiu surpresa. Scully: Oi, Jessie - ela levantou-se e a abraçou timidamente - Não, não fui. David: Não consegui convencê-la - ele respondeu, levantando- se também para cumprimentá-la. Jessie: Onde está Mulder? - perguntou procurando ao redor. David: Acabou de ligar e disse que está vindo pra cá - respondeu exasperado. Jessie: O que é isso? Alguma reunião? - disse com um meio sorriso nos lábios. O ruído de seus cães, vindo do quintal, chamou-lhe a atenção e o seu sorriso morreu. Eles, estranhamente, começaram a latir sem parar fazendo- a ficar alerta. Sua expressão mudou e um arrepio percorreu a sua espinha. David percebeu que ela empalidecera. David: O que foi? Está bem? – aproximou-se dela, preocupado. Ela balançou a cabeça, afugentando os pensamentos ruins e sorriu, disfarçando a sua preocupação. Os latidos haviam diminuído e os cachorros acalmaram-se. Jessie: Está tudo bem - ela o tranqüilizou. Ruído da campainha, o mordomo foi atender e Mulder adentrou na sala. Jessie foi em direção a ele e o abraçou. Precisava de segurança e ele estava ali. Aprendera a não ter medo por si, nem por ninguém, mas por ele sentia um temor que chegava a ser irracional. Não permitiria que nada lhe acontecesse. Mulder: Oi, está bem? - perguntou estranhando tal atitude e acariciando os seus cabelos após notar que ela o abraçara mais fortemente que o normal, como se pedisse conforto. Jessie: Sim, estou bem. E você? Mulder não lhe respondeu, adquirindo uma expressão séria ao ver Scully ao lado de David. E ela o olhava desconcertada. Jessie tentou distraí-lo para desviar-lhe a atenção. Jessie: Mulder, você já viu os meus "filhos". Tenho cães, uma onça, um leão e dois lobos. Mulder: Nossa, é um zoológico! - ele brincou arrancando sorrisos dela, desviando a grande custo os olhos da parceira. Jessie: Quase... Quando você for a minha casa, na Argélia, vai ver o que é zoológico. Lá eles andam soltos; aqui, não. Mulder voltou o seu olhar para Scully. Estava disposto a atrapalhar o máximo que pudesse um possível relacionamento dos dois. Ele não daria espaço e decidiu que lutaria até o fim para reconquistar a confiança dela. Mulder: Vamos ver, Scully - ele estendeu a mão agarrando a dela, o que não era exatamente um convite, com o claro intuito de afastá- la de David. E ela o acompanhou. David, contrariado, acompanhou-os. Jessie apenas assistia divertida à todo aquela cena, mesmo lamentando por David. Ela trocou de roupa, agasalhando-se ao máximo para a noite fria com ameaça de chuva. Porém, Mulder e Scully notaram o fato de ela estar se protegendo mais que o normal. A noite estava fria sim, mas não estavam no Canadá para agasalharem-se tanto. Ela usava uma calça de couro vinho, botas, dois pulôveres de lã e um casacão bem grosso por cima. Eles andaram por um caminho de pedras que circundava a mansão terminando nos fundos. Scully ficou extasiada ao ver o bosque lindo que escondia-se atrás. Jessie sorriu ao ver a expressão dela. Jessie: É o meu paraíso na capital - explicou. Scully: É lindo! - elogiou hipnotizada com a paisagem. O bosque, formado por árvores singelas, parecia sombrio à noite, mas extremamente belo. Jessie pediu para que eles permanecessem onde estavam, enquanto ela aproximava-se mais ainda do bosque. Assobiou e, após alguns segundos, surgiram os dois lobos, com olhos brilhantes contrastando com o lençol escuro que tomara lugar, na fria noite. Scully e Mulder ficaram estáticos ao ver que eles aceitavam os carinhos dela como se fossem simplesmente dois cães domesticados, inclusive roçando no chão enquanto ela os acariciava na barriga. David percebeu que, no momento em que Scully vira os animais, instintivamente estendera a mão à Mulder procurando a dele como segurança, mas disfarçou e não falou nada, contemplando as mãos fortes segurarem as delas, ofertando-lhe tal segurança. Scully não acreditava no que via e Mulder olhava para Jessie com um sorriso deliciando-se com a aquela imagem. Eles olharam para David que estava em pé ao lado e em silêncio. Jessie ouviu um ruído estranho vindo do bosque onde os cães recomeçaram a latir sem parar. Ela avistou dois dos quatro que possuía, mas continuava a ouvir o rosnar de todos os animais, inclusive dos lobos a seu lado. Virou-se para os três parados a cerca de duzentos metros atrás dela e aumentou o tom de voz para se fazer ouvir. Jessie: Voltem para dentro, vou ver o que aconteceu. Mulder soltou-se de Scully e foi em direção à ela onde, rapidamente, os animais que estavam deitados à seus pés levantaram-se, ficando em posição defensiva. Scully o chamou para voltar e ele parou no meio do caminho. Jessie pediu que entrassem. David: Jess, o que vai fazer? Jessie: David, entre. Vou ver se está tudo bem, só isso. David: Não precisa entrar no bosque sozinha, chame-os somente. Assentiu e os chamou, mas sem sucesso. Após várias tentativas, ela já estava mais que decidida a entrar. Passou pelos dois lobos que estavam perto, acariciou-os e seguiu para o bosque. Imediatamente os animais voltaram a se agitar. David, preocupado, chamou-a novamente. Não obtendo resposta, ele a seguiu com Mulder e Scully atrás de si. Ela estava na entrada do bosque e virou- se para eles suplicando que entrassem. David: Não vai entrar lá sozinha. Os animais estão agitados. Algo passou atrás dela com tamanha rapidez e arrancou-lhe o seu casaco. Embora não tivesse visto, sabia do que se tratava. Seus olhos estreitaram-se e assumiram uma tonalidade escura. Mulder correu em sua direção. Jessie: Mulder, entre por favor! Mulder: O que foi isso? - ele ignorou o seu apelo. Jessie: Não foi nada. Mulder: Nada? Arrancou o seu casaco! E eu nem vi o que era. Jessie: David, vá pegar a arma, rápido! - ele obedeceu e disparou para dentro da casa. Mulder: O que está acontecendo? - inquiriu colocando as mãos na cintura ao que ela ignorou a pergunta. Jessie: Volte para perto de Scully. Não a deixe só. - pediu vendo-a parada atrás deles à mais ou menos uns 50 metros - Ela está bastante vulnerável. Mulder: Vamos, então - estendeu a mão para ela numa teimosia sem igual. Jessie: Mulder, não a deixe só, por favor! - ignorou a mão estendida - Ela precisa muito mais de você do que eu. Ele virou-se e caminhou para junto de Scully. Avistou David aproximando- se com uma arma de grosso calibre nas mãos. Entregou à ela que pediu novamente para afastarem-se, embora ele dissesse que não se afastaria, apenas ficaria à distância e alerta para quando precisasse. Ele segurava uma arma um pouco menor e retirou seu casaco, cavalheiro e atencioso, entregou-o à ela. Jessie aceitou e o vestiu. Sabia que, com o frio cortante que fazia, se ela estivesse desaquecida, não teria a mínima chance de ao menos enfrentar a ameaça. David voltou para junto deles e educadamente empurrou-os para um pouco mais longe de Jessie. Ele colocou-se a um passo a frente de Scully e observou os movimentos da amiga. Jessie segurava com as duas mãos a pesada arma. Olhava para o bosque inteiro, para cima, para baixo, para os lados... mas não conseguia encontrá-lo. "Ele está aqui, sim. Eu o vi. Está disfarçando-se, tornando- se invisível". Não conseguiria vê-lo no bosque, pois esconderia-se entre as árvores e folhagens, mudando a composição de seu corpo para confundi-la com o objeto que estivesse próximo. Tinha que ir para o campo. No descampado, teria mais chance de vê-lo. Mulder estava impaciente e voltou-se para David exigindo uma explicação. Mulder: O que está havendo? David: Não sei - foi a resposta pouco convincente. Mulder: Como assim "não sabe"? Ele não respondeu e passou o braço pelos ombros de Scully, carinhoso. David: Vá para dentro. Assim é melhor - pediu gentilmente. Scully: Não vou entrar – recusou-se, determinada. Mulder apenas a olhou e voltou sua atenção para Jessie que retornava até eles. David: Está tudo certo?! - perguntou aproximando-se dela. Jessie: Não sei. Não vejo e nem ouço mais nada - respondeu, colocando as mãos na cintura e examinando o bosque. David segurou a mão dela e estendeu a outra para Scully. David: Vamos entrar, então! Jessie olhou mais uma vez para o bosque antes de acompanhá- los. O caçador, com uma incrível velocidade a esbofeteou no rosto, arremessando-a à cerca de dez metros de distância. A rapidez de seus golpes era tamanha que uma pessoa com reflexos normais não conseguiria defender-se. Ela ainda possuía um grande inimigo contra e não era apenas o caçador, mas sim, o frio. Ele parecia saber disso, essa era a sua desvantagem. Levantou-se do chão e apontou a arma. Olhou a sua volta e não viu nada. Virou-se e, de costas para o bosque, inquiriu a David e Scully se estavam bem. Caminhou em direção ao bosque, mas não viu nada. Rumou para a casa. De repente, sentiu algo às suas costas e, antes que fosse atacá-la, ela virou-se e atirou. Três tiros. Isto se passou em fração de segundos. Mulder gritou e foi em sua direção. O caçador mostrou as garras, girou o corpo para cravá-las na costela dele, afastando-o de Jessie. Ela e Scully gritaram, apavoradas vendo a roupa manchando de vermelho. Scully tentou correr em sua direção, mas David a impediu. Scully: Solte-me, Mulder está ferido! - pediu, sem sucesso, debatendo-se entre os braços que tentavam segurá-la - David, solte-me! – gritou e o empurrou. Correu em direção a ele, segurando a sua cabeça no colo. Jessie colocou-se à frente deles, numa atitude protetora, no momento em que Scully abaixara-se para examinar o parceiro e ampará-lo. A chuva resolveu participar da situação e começou a cair forte e intensamente. Não demorou nada para que todos estivessem ensopados. David: Jessie, vamos entrar, por favor! - ele estava preocupadíssimo com ela. Jessie prestava atenção em Mulder, caído a seus pés com Scully sentada à seu lado e as pernas dobradas onde amparava-lhe a cabeça. O caçador aproximou-se e acertou Jessie mais uma vez, derrubando-a. David disparou a arma na direção em que vira o vulto, tentando em vão acertá- lo. Ela levantou-se e correu para o bosque. David: Não, Jessie, não entre lá. - gritou em vão, pois ela continuou a correr, não lhe dando ouvidos. Jessie entrou e as árvores tomaram conta, ao seu redor. O caçador tentou investir mais uma vez contra ela, mas desta vez, ela conseguiu ser mais rápida e atirou nele. O sangue verde-claro, no escuro da noite, brilhava nas folhas das árvores. Ela o viu subir em uma árvore e desaparecer mais uma vez. Ficou em alerta, olhando em volta novamente. Estava completamente molhada e seu corpo doía com o frio. Teria que acabar logo com aquilo ou ela própria estaria morta sem que o caçador se desse ao trabalho de fazê-lo. Estava ofegante o que mostrava sua dificuldade em respirar. Olhou para a direção deles e viu Scully e o próprio David ajudando Mulder a levantar-se. Mesmo ferido, ele mantinha os olhos fixos nela, o rosto emoldurado por uma expressão de dor alternando caretas. A grossa blusa de lã, possuía cinco rasgos e uma grande mancha de sangue. Scully sussurrava palavras de incentivo em seu ouvido e ele a abraçava forte. O caçador saltou de uma árvore para cima dela e ambos caíram no chão. Com o impacto ela largou a arma longe. Ele a encarou fixamente, mantendo o rosto à poucos centímetros de distância. Era um ser biológico muito feio e nojento. Ele segurou o braço esquerdo dela, esticando-o acima de seu corpo, levantou-lhe a blusa, desprotegendo o seu tórax. Fechou os punhos pronto para acertá-la. David soltou Mulder e de onde estava concentrou-se para mirar a sua arma e atirar com sucesso, acertando-o. Não fez grande efeito, porém, ele olhou fixamente para a sua arma que foi mudando de cor, até ficar intensamente alaranjada. Ele urrou de dor, largou a arma no chão e contemplou a mão com terríveis queimaduras. Aproveitando-se da distração do caçador, Jessie acertou-lhe um soco no queixo que o fez cair a seu lado. Levantou-se e correu em direção à David. Olhou em volta procurando o caçador. Manter-se de pé, tornara-se uma tarefa árdua para ela, que cambaleava, sentindo o corpo congelar. Procurou por sua arma, mas estava longe. Ele disfarçara-se novamente, transformando o seu corpo em um contorno invisível. Apenas quando movimentava-se longe de objetos sólidos é que tornava-se um pouco mais visível, mas apenas pessoas muito atentas perceberiam a sua presença. Voltou-se para Mulder. Jessie: Tem um lenço? Mulder: Sim, tenho. - respondeu com dificuldade. Jessie: Empreste-me. Ele tentou colocar a mão no bolso de trás da calça. Seu ferimento ardeu ainda mais com o brusco movimento o quê o fez gemer. Jessie: Scully, tire o lenço. Scully enfiou a mão no bolso dele traseiro e retirou um lenço azul, entregando-o a ela. Jessie vendou seus olhos. Mulder: O que está fazendo? – perguntou, incrédulo. Jessie: Afaste-se, sei o que estou fazendo - assegurou. Scully começara a tremer com o frio que se intensificara. Ao perceber o seu tremor, Mulder a abraçou, mas manteve os olhos fixos no que Jessie pretendia fazer. Jessie segurou um galho de ponta extremamente afiada que estava no chão. Com a venda nos olhos, a sua única defesa, além do galho, era a excelente audição e treinamento. Caminhou lentamente para perto do bosque. O caçador, que a observava de cima das árvores, investiu contra ela. Jessie teve um rápido reflexo e cravou o galho no peito do alienígena. Seu corpo caiu ajoelhado antes de estirar-se ao chão, morto. Ela caiu ao lado dele, não agüentando mais de frio. David correu em sua direção e ajoelhou-se a seu lado, amparando-a. Ao vê- lo com as mãos queimadas, tomou-as entre as suas. As queimaduras, imediatamente desapareceram e ela desmaiou. David a carregou no colo e disse à Scully e Mulder para entrarem também. David colocou Jessie na cama e voltou-se para Scully que colocara Mulder sentado em uma poltrona próxima à cama no quarto de Jessie, já que ele insistira em subir. David: Tire as roupas molhadas dela. Hesitante em deixar Mulder, ela obedeceu, deixando-a apenas de calcinha. David a carregou e a colocou na banheira com água quente. Scully: Você vai queimá-la! - segurou o seu braço para impedi-lo de colocá-la na água quente demais para uma pessoa suportar. David: Não vou, não - refutou, ajoelhando-se para deitá-la na banheira. Morgan chamou Mulder para acompanhá-lo, mas ele teimava em ficar. David: Vá com ele, Mulder. Ele fará um curativo aí - disse apontando para o ferimento e vendo que ele estava pronto para recusar novamente. Scully: Por favor, Mulder. Faça o que ele está dizendo! Ele assentiu e acompanhou Morgan. Scully acariciava o rosto dela enquanto David colocava mais água quente na banheira. Num instante, ela começou a se mexer. Tremia muito ainda e seus lábios estavam arroxeados. David a chamou. Ela abriu os olhos e balbuciou algo para ele. Ele não entendeu e Scully aproximou o rosto de seus lábios para escutá-la. Scully: Ela quer falar com Mulder - comunicou para David. David: Então, vá chamá-lo - pediu com extrema ternura. Mulder estava sentado em uma mesa, na área de serviço da casa. Morgan terminara no instante em que Scully aproximava-se. O curativo ficara bom, concluiu após examiná-lo. Scully: Como você está? Mulder: Estou bem. E Jessie? Scully: Está voltando a si. Quer vê-lo. Mulder: Vamos lá - desceu da mesa com cuidado, ajudado por Morgan. Segurou no braço que Scully ofereceu-lhe. Dirigiram-se para a escada luminosamente branca, localizada no centro do ambiente. De repente, ele parou no meio dela, fazendo com que ela o encarasse. Mulder: À propósito, obrigado por não me deixar sozinho. Scully: Não foi nada! - agradeceu com um sorriso tímido nos lábios. Ele lançou-lhe um sorriso jovial. Ela beijou-lhe o rosto e prosseguiram subindo as escadas, amparando-se. Todo o mal-entendido entre eles se dissipou naquele momento. Jessie ainda encontrava-se na banheira. Seus lábios estavam voltando a cor normal e ela estava mais consciente. Viu Mulder entrar e abaixar-se a seu lado. Mulder: Você está bem? - tocou o seu rosto. Jessie: Mulder! Esticou o braço e levantou a lã branca. Colocou a mão em cima do curativo sem tocá-lo. Mulder sentiu o ferimento esquentar-se e uma agradável sensação de bem- estar. Abaixou a cabeça, retirou o curativo e com espanto viu que os ferimentos haviam desaparecido. Ele devolveu-lhe um olhar assustado, assim como Scully. David: Vamos retirá-la da banheira - falou com naturalidade nem um pouco espantado com o que testemunhara - Consegue levantar-se sozinha? Scully poderá enxugá-la e vesti-la. Chamou Mulder para fora do banheiro e desceram para a sala. Scully a enxugou e a ajudou a vestir-se com um grosso pijama de flanela. Estava muito perturbada com tudo o que acontecera. O aquecedor estava ligado no máximo. Ela já começava a suar. Jessie percebeu e apertou um botão no telefone que estava no banheiro. Pediu a Morgan que diminuísse a temperatura, insistindo que já estava bem ante a relutância do fiel mordomo. Desligou e voltou sua atenção para uma Scully curiosa. Scully: Não precisa diminuir a temperatura. Não se preocupe comigo. Jessie: Tudo bem, já não estou com tanto frio como estava antes. Scully: Não entendi uma coisa - ela recebeu um olhar despreocupado de Jessie - Porque só você teve esse choque com o frio? Jessie ignorou e, amparada, voltou para o quarto. Mas ela insistia em perguntar. Scully: Quem era... o que era... "aquilo"? - perguntou confusa e temerosa com o que vira. Jessie desconversou iniciando outro assunto para despistar a sua curiosidade. Jessie: Dia movimentado, hoje, não?! Típico de uma segunda- feira. Pretendem ir a festa de confraternização do Bureau?! Scully notara que ela tentava mudar de assunto, porém prometeu a si mesma que iria investigar o que ficara obscuro essa noite. Mulder sentou-se no sofá e o mordomo entregou-lhe um copo de suco de Kiwi, uma ótima fonte de vitamina C, segundo o próprio. Mulder aceitou e agradeceu. David viu nessa hora a oportunidade que esperava. Sentou-se no lado oposto onde ele estava. David: Senti medo esta noite - confessou. Mulder que concentrava-se no suco, voltou-se para ele, porém continuou em silêncio. David: Pensei que fosse perder Jessie - declarou, passando as mãos nervosamente pelos cabelos aloirados. Mulder: Você gosta dela, não?! Impaciente, ele levantou-se e foi até a janela. A chuva continuava a cair, mas agora mais branda. David: Sim, gosto muito dela. Eu a conheci na Inglaterra, há muito tempo atrás. Sempre fico a seu lado, protegendo-a, e ela a mim. É a única família que tenho - um sorriso triste insinuou-se em seus lábios, o olhar perdeu-se na paisagem vislumbrada fora da janela - Quando você está perdido, é muito bom ter um amigo ao lado, sempre amparando-o quando você acha que vai enlouquecer. Mulder: É sim, é muito bom - ele sorriu, seus pensamentos voltados para uma só pessoa. David percebeu um brilho no olhar dele. Pôs as mãos nos bolsos da calça e voltou-se em sua direção. David: Mais do que uma amiga, ter uma pessoa que entenda você, saiba o que sente e do que precisa, sem ao menos você precisar falar, é um tesouro que poucos privilegiados o detém - fez uma pausa vendo o olhar contemplativo dele - Eu jamais me apaixonei por mulher alguma, nunca quis prender-me a uma só pessoa, até que chegou o dia em que eu percebi que sentia falta de uma pessoa que pudesse ser ao mesmo tempo amiga, companheira... amante... - ele fez nova pausa, perscrutando as feições de Mulder que, tenso, remexia-se no sofá – Isso sim, seria para mim a idéia de felicidade. Mulder meneou levemente a cabeça, mantendo seu silêncio. David sentou-se novamente e olhou fixamente para ele. David: Se eu tivesse uma mulher assim, jamais a deixaria só, nem a faria chorar, ou sofrer, ou sentir medo. Eu estaria sempre à seu lado, apoiando-a e amparando-a. O ser humano só percebe o valor do que é seu, quando o perde - David estava entrando em terreno perigoso e Mulder já se colocara na defensiva. Mulder: Porque está me dizendo isso? Scully: São só divagações. Se tiverem alguma importância para você, bom. Para mim, elas têm. Mulder: Você não me conhece! - ele levantou-se nervoso e subiu. No quarto, Jessie estava na ampla cama, com as costas apoiadas em travesseiros. Seus cabelos ainda estavam molhados e mechas de um vermelho escuro desciam por seus ombros, tórax, repousando nas pernas cobertas pelo edredom. Os olhos estavam luminosos e Mulder a contemplou admirando a belíssima mulher. Ela afastou-se um pouco, convidando-o a sentar-se à seu lado, na cama. Jessie: Não tive tempo de agradecer ainda, por ter me ajudado. Mulder: Sabe que sempre gostei de protegê-la. Scully apenas assistia a tudo e, por um momento, imaginou se Mulder não estivesse apaixonado por Jessie e não se desse conta disso. Apesar de saber que ele era um homem livre, isso trouxe um aperto em seu coração. Jessie olhou para ela e um arremedo de sorriso passou por seus lábios. Jessie: Não interprete mal o que vê, Scully. Me preocupa quando os seus pensamentos começam a voar assim - o comentário a deixou desconcertada. Sem perceber a íntima comunicação entre elas, e como num estalo, Mulder lembrou-se do caçador e olhou para Jessie que lhe devia muitas explicações. Mulder: Quem era aquele - fez uma pausa tentando procurar alguma palavra que descrevesse o que vira - bicho, alien... sei lá! Jessie: Era um caçador - seus olhos examinavam os dele, atentos. Mulder: Como assim? Ele sentou-se na poltrona disposto a somente sair dali quando esclarecesse tudo o que havia acontecido naquela noite. Jessie: Mulder, já passa da meia-noite. Precisamos descansar - desconversou. Mulder: Após contar-me tudo - refutou, determinado. Ela sabia de sua teimosia, portanto, teria que contar. Receava que, ao fazer isso, pudesse colocar a vida dos dois em perigo. Por isso, só contaria o que fosse inofensivo para ele saber. Jessie: Tudo bem. Aquele alien que viu, era um caçador. Mulder: Você já disse isso. Scully: Você disse que era um alienígena?! - perguntou incrédula. Jessie: Também não acreditei que fosse um, Scully. Eu sempre desconfiei que não estamos sós nesse universo, mas daí a acreditar que estão nos visitando, é outra história. Mas não se pode negar que é um... Você mesma o viu. Scully: Baseada em quê, você afirma isso? Jessie: Ele é um caçador e foi enviado aqui para me matar por estar ajudando vocês. É uma história complicada. Mulder levantou-se da poltrona permitindo que Scully sentasse e acomodou- se no braço da poltrona. Mulder: E aquele outro alien, que também é caçador?! Jessie: Aquele está ligado diretamente à uma outra organização. Mulder: Que organização? Jessie: Eu não sei – mentiu. Scully: Então, como sabe que ele veio para matar você? Jessie: Porque ele deixou isso bem claro da última vez em que nos encontramos. Scully: Encontrou-se com ele?! - ela arregalou os olhos, incrédula. Jessie: Sim, no estacionamento do Bureau. Scully: Mas você ainda está... - contemplou o seu corpo todo, procurando por algum sinal de ferimento - ... inteira. Ele não a machucou? Há anos atrás, quando encontrara-se com ele, Scully lembrava- se bem que não havia sido nada agradável. Pensando ser Mulder, ela o deixara entrar no quarto do motel onde estava. Havia sido tão espancada que até hoje seu corpo tremia só com a possibilidade de reencontrá-lo. Jessie: Não. Mas sei que ele é capaz disso - ela desviou seu olhar para Mulder - E temo que para chegar até a mim ele use você, Mulder... Ou você, Scully. Scully: Como consegue ler mentes? Antecipar o que vamos dizer? Jessie: Adquiri após um programa experimental de lavagem cerebral e controle de mentes. Mulder: Você foi abduzida? Jessie: Não, esse programa é diferente e não tem nada a ver com abduções e alienígenas. Scully levantou-se confusa. Jessie: O que houve? Scully: Não sei. Tudo é muito confuso pra mim. É alienígena nos visitando, abduções, humanos ficando grávidos de aliens... Impossível - ela balançou a cabeça, confusa - E hoje, porque teve essa crise? Jessie olhou para David, pedindo socorro. David: Isso foi resultado da experiência, também. Durante muito tempo, ela precisou de remédios para diminuir as constantes dores de cabeça e estados de letargia. Também ficou sabendo de sua vulnerabilidade ao frio quando, num dia comum, tomou acidentalmente uma chuva forte indo internar-se na UTI de um hospital em Londres. Adquiriu também uma força física fora do comum, muito grande para os padrões de uma pessoa normal. O seu corpo se ressente dessa experiência e perdeu boa parte da capacidade de manter-se aquecido quando em contato com o frio. Mulder e Scully entreolhavam-se, digerindo as informações recebidas. Jessie: Outros aliens-caçadores com certeza aparecerão para me matar. E por mim, não fugirei. Mas não depende só da minha vida. Mulder: Você não vai, eu não deixarei - ele aproximou-se dela e segurou delicadamente o seu braço, porém com firmeza - Você não pode enfrentá-lo de novo, não pode. Jessie: Gostaria que vocês dois ficassem juntos e que fossem para a minha fazenda, só até eu conseguir me livrar do alien. Mulder: A Scully pode ir, eu não vou à lugar algum. O que há? Quer ficar sozinha aqui, é?! Jessie: Mulder, não se atreva a tentar me defender. Sei muito bem fazer isso sozinha. Sempre foi assim... Exceto por David - ela lançou um olhar de condescendência para o amigo. Mulder: Isso aconteceu porque eu não estava perto de você, porque fomos separados, mas não vai acontecer novamente. A Scully vai para a fazenda, contrataremos seguranças para ficar com ela o dia todo, enquanto eu fico aqui com você - Jessie o olhou comovida e acariciou levemente o seu rosto. Scully: Mulder, eu não vou pra uma fazenda enquanto você fica aqui sozinho, lidando com algo que não sabemos o que é, nem como enfrentar! - ela refutou com veemência e recebeu um olhar terno e preocupado de Mulder. Jessie: Quando fizeram os experimentos da lavagem cerebral, para não me deixar dominar, eu sempre pensava em algo que gostava muito. E como foram poucos os prazeres que tive em 25 anos de vida, o mais significativo foi você. Por isso não me tornei o zumbi que eles esperavam, sem emoções e facilmente manipulável. Sempre pensei em você e nos melhores anos que passei em minha vida, de minha infância – ela recebeu um sorriso indulgente. Scully: E você quer me deixar de fora novamente, quer que eu fique só, quer resolver tudo sozinho - ela levantou-se, ignorando-os e aumentando o tom de voz, irritada. Mulder: É para sua própria segurança, Scully! – ele voltou-se para ela, levantando-se. Apesar da irritação dela, manteve um tom baixo ao dirigir- lhe a palavra. Scully: Eu decido sobre a minha segurança, Mulder - estava ofegante pela raiva - E já disse que não vou sair daqui! Ele viu a determinação nos lindos olhos verdes e, sem importar-se com o fato de que não estavam sós, foi até ela e a abraçou forte. Scully ficou em princípio desconcertada, mas retribuiu o abraço. Os segundos passavam como se fosse uma eternidade. Ela tentou soltar-se, mas ele a segurava firme, não disposto a isso. David saiu do quarto sem nada dizer. Jessie faria tudo para vê-los felizes, mataria o Canceroso, afastaria Diana... tudo! Para não quebrar aquele momento, deitou-se devagar na cama, cobriu-se com o edredom e rapidamente foi vencida pelo sono. Mulder a afastou gentilmente, olhou para a cama e encontrou Jessie já adormecida. Ele também viu David voltar ao quarto e comunicar que velaria o sono de Jessie a noite inteira, para protegê-la. Ofereceu- lhes os dois quartos de hóspedes para passarem a noite. 2:00 H A suíte era ampla e a mobília em tons de bege e caramelo. A cama também era bastante ampla e estava coberta com finos lençóis de seda em tons pardos, combinando com a decoração. Tudo ali era de um extremo bom gosto e requinte. Voltou-se para Mulder que entrava no quarto. Scully: Não tenho roupa para trocar – disse, vendo-o sentar- se em uma poltrona a frente da cama - Não vai para o seu quarto? Mulder: Se está pensando em ir para a sua casa, pode esquecer - ele respondeu ignorando a segunda pergunta. Scully: O seu quarto já está preparado, Mulder? - ela insistiu. Mulder: Vou dormir aqui - ele disse, tentando ser o mais natural possível. Scully: Onde vai dormir? Mulder: Nessa poltrona confortável - respondeu divertido, esparramando-se na nela. Mulder apertou um botão lateral na poltrona e o encosto cedeu. Ele ajeitou-se e cruzou os braços. Mulder: David vai ficar com Jessie a noite inteira, protegendo-a. Eu ficarei aqui a noite inteira protegendo você – comunicou-lhe. Scully nada disse, foi até o banheiro, levando o lençol de seda. Escovou os dentes com uma escova intacta que encontrou no armário, despiu-se e, apenas de calcinha, enrolou-se no lençol e voltou ao quarto. Mulder ligara a TV - uma tela de cristal líquido presa a parede como se fosse um quadro - e assistia à um programa qualquer. Desligou-a e não pôde deixar de admirá-la. Enquanto ela caminhava, o lençol moldava-se em seu corpo, revelando as curvas sensuais que ele tivera a oportunidade de admirar naquela noite em seu apartamento. Disfarçou para que ela não percebesse, desligou a luz direta e deixou acesa apenas a luz indireta que iluminava fracamente o ambiente, acomodou-se melhor na confortável poltrona e notou que ela remexia-se o tempo todo na cama sem conseguir dormir. Scully: Mulder? - ela o chamou meio hesitante, virada de costas pra ele. Mulder: O quê? - ele permaneceu com a cabeça recostada na poltrona. Scully: Tudo faz sentido, agora. Mulder: O quê faz sentido? - levantou a cabeça para olhá-la. Scully: Jessie sempre conseguia saber o que eu estava pensando, antecipava as minhas perguntas, e percebi que realmente só uma pessoa com uma força descomunal conseguiria matar aquele caçador. Mulder: hum, hum - ele concordou movimentando a cabeça. Scully: Lembro quando eu estava naquele quarto de motel, quando aquela mulher, que disse ser sua irmã, apareceu. Eu deixei entrar esse caçador pensando tratar-se de você... - ela hesitou um pouco com a voz embargada antes de falar - Ele me esbofeteou. A pancada foi tão forte que eu arrebentei os meus lábios na parede oposta - Mulder sentou na poltrona - Depois ele me levantou pela gola da camisa e me jogou em cima de uma mesa de vidro - ela virou-se e ele viu seu rosto molhado pelas lágrimas - Se ele entrar aqui, como vou saber que não é você, hein?! Mulder: Vem cá - ele abriu os braços num convite, mesmo temendo ser rejeitado. Mas para sua surpresa, ela enrolou-se no fino lençol e correu para aninhar-se em seus braços, o seu refúgio, sua segurança. Por isso não quis ir sozinha à fazenda. Mesmo que fossem contratados os melhores seguranças do país, nunca se sentiria tão segura quanto como se sentia com ele por perto. Mulder a envolveu protetor. Depositou um beijo em sua testa e outro nas lágrimas que, agora, caíam copiosamente, sentindo o gosto salgado em seus lábios. O corpo dela tremia e ele apertou o abraço. Ela não conseguia controlar mais o medo e ele precisava protegê-la. Mulder ouvia os soluços baixinhos e a respiração ofegante. Mulder: Está tudo bem, eu estou aqui - ele acariciou os cabelos dela - E você sabe quem eu sou. Scully: Não quero que ele venha até aqui - disse com a voz entrecortada. Mulder: Eu sei o que está sentindo e pode ter certeza que eu sinto o mesmo - sussurrou em seu ouvido, percebendo o quanto ela estava fragilizada. Scully: Ele usará você, Mulder, para chegar até ela, ele usará você. Mulder: Temo mais que ele use você, alvo mais fácil, para chegar até nós dois. Scully: Estou tão cansada! - ela levou a mão à boca, cobrindo um bocejo. Mulder: Durma, Scully - ele aconchegou-a mais a si. Ela adormeceu em questão de segundos e Mulder ficou à admirá- la, mas estava extremamente perturbado. Os seios encostavam-se em seu peito sob o fino lençol e faziam um movimento tentador ritmados por sua respiração regular. Ele queria ficar a noite inteira assim, juntinho dela. Tentou levantar-se com ela em seus braços para depositá-la novamente na cama, mas ela murmurou algo e franziu a testa, agarrando-se mais a ele. Com isso, ele voltou a deitar-se e a abraçá-la. Scully mexeu levemente a cabeça, balbuciando palavras à princípio desconexas. Ele aproximou mais o seu ouvido dos lábios dela. "Mulder, não... Por favor, não. Olhou para ela, terno, afastou uma mecha de cabelo caída em sua testa, afundou o rosto em seus cabelos aspirando o perfume suave, apertou novamente o seu abraço e adormeceu. TERÇA-FEIRA 07:30 H Jessie bateu levemente na porta da suíte. Achou estranho que, aquela hora da manhã, Mulder e Scully ainda não estivessem de pé. Como não obteve resposta, tomou a liberdade de abrir devagar a porta. Encontrou-os dormindo um nos braços do outro, na poltrona. Sorriu. David apareceu atrás dela e também viu. Jessie o puxou pela mão e fechou a porta. Jessie: Você encontrará a mulher certa David, pode ter certeza. Ele sorriu tristemente. David: Vai mesmo trabalhar hoje? Jessie: Hum, hum... Vou sim. Não estou de folga e há muita coisa lá que requer a minha atenção - disse, passando as mãos pelo chemisiê de linho salmão de corte clássico, os cabelos resos em um coque no alto da cabeça e o rosto com uma leve maquiagem terracota. Os sapatos brancos combinavam com a bolsa. 08:35 H Scully despertou ainda por cima de Mulder. Percebeu que dormira assim a noite toda. Ele continuava abraçando-a sem a mínima intenção de soltá-la. Como conseguira dormir tanto, não saberia responder. Levantou-se devagar, para não acordá-lo, livrando-se do abraço, foi até o banheiro banhar-se e vestir-se. O problema era com o quê? Não tinha o que vestir já que nem estava em sua casa. 08:50 H Mulder espreguiçou-se lânguido. Percebeu que jamais em toda a sua vida dormira tão bem. Ouviu um barulho de porta abrindo e Scully surgiu no quarto, vestida com um roupão bege de seda. Outro fino tecido que marcava o seu corpo, insinuando curvas bem feitas. Scully estava desconcertada e na defensiva, mas mesmo assim conseguiu ser um pouco mais natural. Scully: Bom dia! Mulder: Bom dia! Scully: Não tenho roupa para trocar. Vou ter que ir em casa. Mulder: Esqueça! Scully: Mulder, tenho que ir até lá. Não posso ficar de roupão o dia todo - disse apontando para o dito roupão. Os olhos dele fizeram um passeio por seu corpo, deixando-a corada. Mulder: Eu vou até sua casa e trago roupas para você, está bem assim?! – disfarçou o desejo interior. Scully: Você trazendo roupas pra mim? E o que vai ser? Um bermudão dos Lakers?! - disse com uma expressão divertida. Mulder: Não me subestime, Scully - sorriu enigmático. GEORGETOWN 10:00 H Mulder carregava uma sacola e mentalmente tentava lembrar de todas as instruções que ela anotara num pequeno papel. Sorriu ao recordar-se de como ficara constrangida ao ensiná-lo onde encontrar as lingeries. Aliás, foi a primeira gaveta de seu guarda-roupa que abriu. Como se elas o queimassem, colocou com dificuldade algumas dentro da valise, mas não resistiu e constrangido, pegou uma entre os dedos. Era pequena e delicada, como Scully. Estava desconfortável, suas mãos estremeciam, hesitantes. Será que era o seu subconsciente que desejava tanto senti-la? Afastou esses pensamentos da mente e pôs-se a procurar as outras peças anotadas no papel. MANSÃO DE JESSIE 10:05 H Scully, preguiçosa, esticou as pernas na poltrona. Nunca acordara tão tarde. Pelo menos, não se lembrava de tê-lo feito alguma vez desde que entrara para o FBI. Sorriu. Perguntou-se quando teria na vida outro amigo como Mulder, carinhoso, atencioso, mesmo que fosse um pouco diferente das outras pessoas? Nunca, era a resposta. Além disso, ele não é diferente em tudo, não. Não para ela. Ele gosta de atenção, é carinhoso, divertido, às vezes, como poucas pessoas. Também é teimoso, desligado e impulsivo. O modo como a confortou noite passada, não deixou dúvidas de que ele era leal e generoso. Nunca sentira-se tão segura em toda a sua vida. Jessie, sempre tão carinhosa e atenciosa com ele, a única que poderia substituí-la se algo lhe acontecesse. Morgan a despertou de suas divagações, com batidas leves na porta. Scully: Entre. - Srta. Scully, telefone - estendeu-o à ela. Scully: Obrigada. Jessie: Oi, sou eu. Scully: Oi, Jessie. Jessie: Como está? Scully: Bem. Veio a mente de Jessie a cena linda que presenciara essa manhã. Jessie: Dormiu bem? - lançou um sorriso insinuante que, se Scully pudesse ver, ficaria constrangida. Scully: Dormi sim, obrigada. ARLINGTON 10:15 H Mulder decidira ir até o seu apartamento. Precisava apanhar algumas roupas, já que decidira ficar pelo resto de sua licença, na casa de Jessie. Calças, tênis, mocassim, camisetas, cuecas... sementes... ele passava essa lista em sua mente tentando certificar-se de que não esquecera nada. Scully tinha razão, só mesmo ele achava alguma coisa naquela bagunça generalizada que era a sua casa. Sorriu ao lembrar-se de tal comentário. Finalmente deixou o apartamento algumas horas depois. SEDE DO FBI WASHIGTON DC 11:40 H Jessie consultou o relógio e notou que já estava quase na hora do almoço. Precisaria ir em casa. Sempre almoçava sozinha, pois David ficava a maior parte do tempo na fazenda e raramente vinha à capital federal. Em contrapartida, passara esses últimos dias nela movido não só por sua preocupação com ela, Jessie, mas também por um interesse pessoal. No entanto, agora, desiludido, só restaria um motivo para ficar aqui e assim que sentisse que Jessie estaria segura, voltaria para a fazenda. Despachou os últimos processos que havia em sua mesa e arrumou-se para sair. Pegou alguns processos que teria de entregar até sexta- feira, jogou a bolsa nos ombros, saiu da sala comunicando a sua secretária que não mais retornaria durante aquela semana, exceto na sexta. Nos corredores do FBI, o movimento era muito grande. Pessoas andavam de um lado à outro, apressadas. Por vezes, respondeu polidamente aos cumprimentos dos diversos colegas. CONTINUA... TÍTULO: Alter ego - parte 2 (Um outro eu) CAPÍTULO IV CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO III : " ALTER EGO " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper CLASSIFICAÇÃO: 16 anos SPOILERS: "A COLÔNIA", "TRIÂNGULO", "O INCENDIÁRIO" DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá..., mas Jessie e David são criações minhas. RESUMO: Scully e Jessie premiadas pelo FBI?! Bem, mas não é exatamente o prêmio que elas poderiam querer. E Mulder, lutando para revelar os seus sentimentos e com mais ciúme do que nunca. FEEDBACK: Por favor, é a minha 1º fic. AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) e Mica que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. SEDE DO FBI WASHIGTON DC 12:15 H Após tomar o elevador, procurou apertar o passo até o carro, pois aquelas pastas estavam mal-ajeitadas em seus braços e ameaçavam cair à qualquer momento. Ela as colocou no capô da BMW, retirou as chaves da bolsa e abriu a porta. Ao pegá-las, deixou-as cair ao chão. Preparava-se para juntá-las quando fixou o olhar numa silhueta que aproximava- se. O alien caminhou lentamente em sua direção. - Você insiste em estar perto deles? Afaste-se se realmente quer protegê- los - ele a alertou - Sabe onde é o seu lugar. Jessie: Não insita em me seguir - ela ordenou, mantendo uma aparência calma e serena Ele lançou-lhe um sorriso sarcástico. - Você não percebe que é inevitável?! Volte para o seu lugar. Jessie: O meu lugar é aqui. - Posso fazê-la mudar de idéia se isso implicar em sacrificar algumas vidas que, acredito, para você sejam mais importantes que a sua própria. Os olhos dela escureceram-se. Abaixou-se para juntar as pastas e colocou- as no banco traseiro do veículo. Antes de entrar, o caçador a interceptou. - Não tente lutar contra o inevitável - fez o alerta, o qual ela ignorou por completo. Levantando um pouco mais a cabeça, ela fixou novamente o olhar em seus olhos. Jessie: Não ouse em prejudicá-los. Se fizer, o matarei. E pode ter certeza que não sentirei remorso algum - dizendo isso, girou o corpo, entrou no carro e saiu. CASA DE JESSIE TERÇA-FEIRA 12:30 H Ela chegou fatigada. Seus nervos estavam em frangalhos. Tudo o que queria era um banho. Nem estava mais com fome. O Caçador realmente conseguira tirar-lhe o apetite. Estava ciente que só teria uma saída para protegê- los: afastá-los de si. Mas, sabia que Mulder não aceitaria e, pior, indagaria sobre o motivo. Sendo assim, vislumbrava outra saída, mas não gostara muito da idéia. Teria que manter Mulder e Scully sempre por perto sem que percebessem, o que era um trabalho de Hércules, difícil não fazê- los perceber. Principalmente considerando que Mulder, apesar de anos separados, ainda a conhecia, e muito bem. Mas protegeria-os incondicionalmente. Mulder: Perdoe-me, Scully. Eu não poderia ter esquecido - ele implorava docemente, como uma criança. Scully: Tudo bem, Mulder. Eu é quem devia ter lembrado você. Ou melhor, ido até lá. Jessie tentou cruzar a sala sem fazer barulho para não ser notada e interromper aquele diálogo, mas ele a viu. Mulder: Jessie?! Que bom que chegou. Vamos almoçar - ele a abraçou, sempre carinhoso. Jessie: Não precisavam ter me esperado para almoçar - disse e consultou o relógio - Afinal, já são quase 13:00 h. Mulder: Eu queria que almoçássemos todos juntos - olhando para Scully que assentiu com um sorriso. Jessie: Então, podem ir almoçando logo que ainda vou tomar um banho – desvencilhou-se do abraço. Seguiu para a escada, mas parou de repente, lembrando-se da discussão, e resolveu perguntar. Jessie: À propósito, sobre o quê discutiam? Algum problema? Scully: É que... bem... - balbuciava completamente constrangida. Mulder: Eu esqueci de trazer os sutiãs da Agente Dana Scully – ironizou. Jessie: Bom, se quiser tem alguns intactos em uma das gavetas do meu quarto. Faço-lhe uma doação - ofereceu com um meio sorriso nos lábios – Algum deles, com certeza servirão em você. Scully: Eu agradeço, mas não será preciso. Posso ir em casa buscá-los - recusou de forma gentil. Jessie: Bom, tudo bem! - assentiu e retirou-se. 20:35 h Jessie já pedira para preparar a outra suíte para Mulder. Em uma certa ocasião, ele inquirira sobre a quantidade de quartos que aquela casa possuía. Jessie: São oito suítes, no total. Sem contar com a minha, é claro! Em comparação com outras desse tipo, ela nem é tão grande. A outra, na Inglaterra, é muito maior que esta. Mulder olhou em volta. Se já achava esta casa grande, imagine como seria a de lá. Jessie: Sim, é muito grande – confirmou em muda comunicação - Esta mesma é grande demais para mim. Só moro nela por dois motivos: ela oferece um sossego maior já que é afastada do centro da cidade e o meu avô gostava muito dela. Sempre hospedava-se aqui quando vinha para a América. Sem mais para dizer, eles almoçaram calados, cada um concentrado em sua própria refeição. Bem, Jessie até que estava tentando. SUÍTE DE SCULLY 02:30 h Scully deitara-se na macia cama. Estava com um pijama branco de seda e numa cama extremamente confortável, mas não conseguia dormir de jeito nenhum. Embora fosse difícil admitir, sentia imensamente a falta do calor dos braços de Mulder. Na noite passada, apesar do medo, dormira muito bem. Até acordara tarde, para quem estava acostumada a levantar cedo! As horas passavam e nada. Não dormia. Resolveu descer e tomar um copo de leite quente. Quem sabe assim, o sono viria. SUÍTE DE MULDER 02:30 h Ele permanecia assistindo a TV desde que chegara. Estava tão cansado e com sono, mas não dormia de jeito nenhum. Parecia que o seu corpo não conseguia relaxar como se algo o incomodasse. A sua mente vislumbrava, de longe, o motivo pelo qual sentia-se assim. Ele sorriu. A noite passada fora uma das poucas em que conseguira dormir bem e acordar tarde. Também não poderia estar melhor acompanhado. Apesar da proximidade do corpo de Scully junto ao seu ter-lhe provocado arrepios e perturbado a sua noite, foi quando finalmente conseguiu relaxar e adormecer. Dava-lhe muito prazer oferecer carinho e segurança à ela. Desligou a TV e levantou-se. Procuraria algo que o fizesse dormir. Mulder desceu as escadas e rumou para a cozinha. 02:35 h Scully ouviu alguém aproximando-se. Depositou o copo de leite sobre a mesa da pia e, assustada, empunhou-se de uma faca. Escondeu- se atrás de uma parede próxima a entrada. Alerta, esperou que os passos aproximassem- se ainda mais quando virou e investiu contra o que julgava ser um invasor. Com um rápido reflexo, Mulder segurou o pulso do agressor, apertando-o. À princípio, ele não conseguira ver quem era tal a rapidez da investida e a penumbra em que a cozinha encontrava-se, mas ao ouvir um gemido feminino, ele puxou seu agressor para a fraca luz lunar que invadia parte do ambiente e com espanto viu que era Scully. Mulder: Scully... O que está fazendo?! Scully: Mulder! - constatou aliviada que tratava-se de seu parceiro - Desculpe, eu pensei que... Mulder: ...fosse o caçador - completou. Scully: Sim - concordou e balançou a cabeça tentando afugentar a indesejada figura do ET - Estou assustada demais e sem razão para tanta histeria - repreendeu-se. Mulder: Talvez não, considerando o que ele a fez passar anos atrás. O que faz acordada? Scully: Não estava conseguindo dormir. Mulder: Hum... – assentiu e olhou para o copo que ela voltara a segurar - O que está tomando? Scully: Leite morno. Ajuda no sono - explicou-lhe. Ele estendeu a mão e tomou o copo das mãos delas, sorvendo um pouco do líquido morno. Mulder: Está bom - concluiu. Scully sorriu e recusou o copo que ele estendia de volta a ela. Scully: Pode tomar, eu já bebi o suficiente. Ele devolveu-lhe o sorriso e tomou o restante do leite, depositando-o dentro da pia branca de mármore. Mulder: Já que não conseguimos dormir, que tal sentarmos um pouco para conversar?! Era uma boa desculpa para ficar mais tempo com ela, pois a verdade era que não queria voltar a passar a noite sozinho. Scully concordou e encaminhava-se para a sala, quando ele a interceptou. Mulder: Na sala, não. Vamos para o jardim. Scully: É tarde, Mulder. Além disso, deve estar bastante frio lá fora. Mulder: Se você sentir muito frio, nós entramos, está bem?! A noite, apesar de fria, estava bastante estrelada. A lua, como se tivesse sido feita para aquele momento, encontrava-se grande, cheia e etérea, iluminando a água verde da piscina que eriçava-se pela brisa leve, mesma brisa que acariciava graciosamente os cabelos dela. Eles sentaram-se num balanço de jardim. Scully fechou o robe para proteger-se do frio enquanto ele parecia estar contente com a calça de pijama e a camiseta de mangas curtas. Ficaram em silêncio num primeiro momento, até ele quebrar. Mulder: Estou gostando dessa folga. Passar esses dias com Jessie, estando descontraído, é maravilhoso. Até você parece mais leve! - ele a fitou com um olhar intenso e um sorriso de pura felicidade no semblante. Ela retribuiu o olhar por um momento, mas desviou em seguida, baixando a cabeça. Scully: Gosta muito dela, não é? Mulder: De quem? - perguntou vago completamente enfeitiçado pelo movimento que seus lábios faziam ao pronunciar as palavras. Ela não percebia que isso fazia os seus hormônios se ativarem. Scully: Jessie... gosta muito dela! - repetiu. Mulder: Jessie?! - por um momento, ele nem se lembrava mais sobre o assunto que conversavam, mas caiu em si - Ah, sim... claro... lógico! - estava parecendo um tolo. Respirou fundo para que sua voz saísse firme - É, gosto muito dela. É uma pessoa maravilhosa a minha afilhada, não concorda?! Aliás, é a primeira pessoa que eu apresento a você e gosta dela. Scully: Não é verdade - ela protestou - Gosto do Langly, Byers e Frohike. Mulder: Não refiro-me a eles. Você não gostou de Phoebe Green quando ela esteve aqui, lembra-se?! E não gosta da Diana. Como ela poderia esquecer da ousada Phoebe Green. A moça que não perdia uma única oportunidade em demonstrar todo o seu desejo por ele. E Diana? Essa jamais esqueceria... Parecia uma sombra! Ajudava o Canceroso, e ainda assim, Mulder acreditava sempre no que ela dizia. Alheio ao que ela estava pensando, ele continuou. Mulder: E, pensando bem, você jamais simpatizou com as minhas ex- namoradas. Scully: Também, você arranja cada uma! Mulder: E você? Lembra aquele ex-namorado em que você ajudou a prender um assaltante de bancos? Em uma hora você o ajudou, em outro momento a amante dele apareceu e seqüestrou você. Isso sem mencionar que ele ainda lhe apontou uma arma - falou em tom de brincadeira, mas havia seriedade sob as suas palavras. Scully fechou os olhos por um momento, tentando afastar de sua mente aquela lembrança e, percebendo, Mulder amaldiçoou-se por ter sido tão impertinente. Mulder: Desculpe, Scully. Não tive intenção de magoá-la - tocou levemente a sua face. Ela abriu os olhos como se o toque a queimasse e insinuou-se um sorriso nervoso em seus lábios. Afungentou os pensamentos da mente. Scully: Não, está tudo bem, Mulder! Mulder sustentou o olhar intenso e sensual que lançara outrora e a viu estremecer. Em resposta, ela abraçou o próprio corpo. Tentava não só conter o frio, que agora aumentara, mas principalmente as batidas de seu coração, que ameaçava saltar do peito. Por ele, ficaria a noite inteira junto dela. Aproximou-se lentamente, seu braço enlaçou-lhe a cintura, aproximou o rosto, prestes à beijá-la. Scully frustrou as suas expectativas ao levantar-se bruscamente e encaminhar-se para dentro da mansão. Mulder não teve outra alternativa a não ser segui-la. Ele queria falar o que estava sentindo. Pegara-se inúmeras vezes, literalmente ensaiando na frente do espelho. Como diria, o que diria e quando diria à ela, eram dúvidas constantes em sua mente. Scully também não colaborava. E dessa vez não foi diferente. Ela despediu- se na porta do quarto sem dar-lhe a mínima chance de, ao menos, começar a falar. Só restava a ele, passar mais uma noite mal dormida e solitária. Mulder passou o resto da madrugada assistindo à TV a cabo. Sintonizou em um canal adulto e não soube dizer quantos filmes viu pelo resto da madrugada. Recriminava-se por ser tão estúpido e passivo, por não conseguir uma coisa que, aparentemente, era simples: falar sobre os seus sentimentos, falar à Scully. Mas, e se falasse? Qual seria a sua reação? Será que acreditaria nele? Será que ela o esbofetearia como a Scully de 1939? Dúvidas e mais dúvidas. Sua mente finalmente deixou-se vencer pelas súplicas de seu corpo e adormeceu. QUARTA-FEIRA 06:15 h Scully não dormira quase nada. Apenas 1 hora para ser mais específica. Desceu sentindo-se fatigada. Seus sentimentos viviam tão bem guardados e quase cedera a tentativa dele em beijá-la novamente. Pensou que talvez Mulder estivesse sentindo-se tão sozinho que deveria estar confundindo as coisas. Ter um amigo leal, carinhoso, era coisa rara nos dias de hoje. E não queria perder a amizade de seu parceiro. Mas a verdade é que adoraria que fosse algo mais. Poderia esconder esse desejo de todos, menos de si mesma. Levantou-se, tomou banho e desceu. Ao passar pelas suítes dos dois, notou que Jessie e Mulder já haviam levantado-se também. Scully os encontrou na cozinha e juntou-se a eles no desjejum. Jessie fizera um suco de acerola e, havia em cima da mesa, uma cesta de torradas. Jessie: Mulder, quando irá levar-me para ver a sua mãe? Será que vai me reconhecer? - perguntou, entusiasmada. A expressão de Mulder modificou-se ficando tensa, sombria e triste. Seguiu-se um pesado silêncio Jessie: O que foi? – perguntou, estranhando o silêncio repentino. Scully olhou para Mulder, com a cabeça baixa, e continuou calada. Jessie: E então? - ela cobrou - O que houve? Scully: Ela faleceu - falou finalmente, intercedendo pelo parceiro. Jessie ficou chocada e sua expressão não escondeu isso. Jessie: Teena Mulder? - perguntou como se precisasse ter certeza de que falavam da mesma pessoa. Scully balançou a cabeça, afirmativamente. Ela olhou para Mulder e tocou levemente o seu braço. Jessie: Sinto muito, Mulder - Desviou o seu olhar para Scully - Como aconteceu? Scully: Suicídio. Jessie resolveu dar a conversa por encerrada e mudou de assunto. Se já era difícil para um filho que não teve muito contato com os pais, como ela, conviver com a sua perda, imagine para Mulder, que sempre teve, ao modo dela, carinho. Principalmente, após a abdução de Samantha, onde Teena ficara com apenas um filho. Jessie: Bom, agora vou trabalhar. Mulder: Você disse que não ia trabalhar essa semana - protestou. Jessie: Não no Bureau, mas tem um monte de processos me esperando no meu escritório. SEXTA-FEIRA 22:45 h A semana transcorrera sem transtornos. Mulder, por mais incrível que podia aparecer, não estava tão ansioso para voltar ao trabalho. Estava gostando tanto de ficar perto de Jessie e dividir um dia-a- dia com Scully que relutava em voltar. Finalmente havia chegado a sexta-feira, e ele as esperava no centro da sala a tempo para chegarem ao salão de um badalado hotel cinco estrelas da capital, local da confraternização do Bureau. Estava entediado, sentado no sofá, afinal, esperava que elas descessem há quase duas horas! Consultava mais uma vez o relógio quando viu Jessie descer, elegantemente bela. Usava um vestido dourado, contrastando com a cor de seus cabelos que estavam presos em um rabo de cavalo com delicados cachos, envolto por tranças, dando-lhe um aspecto sofisticado e que balançava ao menor movimento de sua cabeça. O arremate final ficava por conta de uma tiara composta de 3 finos fios de ouro. Aliás, somado ao bracelete e aos brincos, eram as únicas jóias que usava. Calçava sandálias de um discreto dourado e de saltos altos, condizentes com a ocasião. E isso a fazia ficar mais alta que Mulder. Logo em seguida, Scully descia, sem pressa, as escadas e Mulder ficou estupefato. Ela estava linda. O vestido de seda pura, rosa pálido, formava uma frente única, cobrindo totalmente o seu colo. Mas era atrás que revelava-se a ousadia: suas as costas estavam completamente nuas. A ousadia número dois era a grande fenda na saia levemente pareô que desnudava parte de sua coxa ao caminhar. Nos pés, sandálias brancas de salto bem alto combinando com a sua bolsa de mão. Seus cabelos estavam presos em um charmoso e sofisticado coque e alguns poucos fios caíam displicentemente, emoldurando-lhe o rosto. Ele não conseguia falar, hipnotizado que estava com aquela visão. E igualmente, não conseguia disfarçar. Scully tentou demonstrar que aquele olhar não a estava afetando, mas denunciou-se quando seu corpo estremeceu ao sentir o leve toque dele em sua cintura ao conduzi-la para a porta de saída. Mulder: Acho que vou ter muito trabalho com vocês duas, esta noite - brincou, fingindo uma expressão preocupada para descontrair o ambiente - Aonde vai? - perguntou para Jessie ao ver que ela afastara-se deles. Jessie: Pedi que trouxessem o meu carro - comunicou, aumentando um pouco o tom de voz para se fazer ouvir. Mulder assentiu e, como um perfeito cavalheiro que se dispusera a ser durante toda aquela noite, abriu a porta do carro para Scully e contornou o veículo tomando a posição do motorista. Mulder se perguntava como conseguia dirigir. Scully cruzara as pernas bem torneadas e a fenda do vestido desnudou uma delas. Ele apertava com força o volante e não sabia o que dizer nem o que fazer para desviar a atenção delas. Scully notou que Mulder ficara calado durante todo o trajeto, o que a deixara um pouco incomodada. Será que ele estava bem? Havia algo errado? Diante disso, fixou o olhar para fora do automóvel, tentando não se preocupar com o comportamento do parceiro. No entanto, ao chegarem à seu destino, não pode conter a curiosidade. Scully: Mulder, está bem? - perguntou com uma expressão preocupada. Mulder: Estou ótimo, Scully, por quê? Scully: Ficou calado durante todo o trajeto para cá. Algo o preocupa? Mulder: Não. Como explicar a ela que fizera um monumental esforço para não beijá-la, despi-la, amá-la, ali mesmo, dentro do carro? Como dizer a ela que estava difícil coordenar as idéias com uma pessoa tão linda e encantadora a seu lado? Que fizera um enorme esforço para conter os seus hormônios? Se não tivesse se controlado, tinha certeza que a noite estaria arruinada. Ela, provavelmente, o rejeitaria dessa vez. Scully escondia tão bem os seus sentimentos que não poderia adivinhar a reação à uma investida sua. Estava muito confuso. Ela continuava contemplando-o com olhos curiosos, mas aceitou a resposta. Dois manobristas levaram os carros de Mulder e Jessie, que chegara em seguida. Mulder: Meninas, quero vê-las bem comportadas hoje, viu?! Senão, não responderei por mim - continuou fazendo piada numa tentativa clara de descontrair o ambiente entre eles dois. E não foi muito difícil, pois Jessie entrou na brincadeira. Jessie: Sim, papai, prometo não dançar com ninguém hoje - imitou voz de criança e lançou um olhar para Scully - E não deixar a mamãe fazer o mesmo. Mulder: Você pode, com certas restrições. Mas a mamãe só dança com o papai - olhou para Scully com um misto de divertimento e seriedade, e notou que ela corara – Vamos! - convidou-as a dirigir-se ao salão. A festa estava lotada. Todo os funcionários do Bureau estavam lá. Mulder arrancou suspiros das suas colegas de trabalho. Estava muito charmoso em seu smoking. Mas o que mais lhe incomodou foram os olhares que as suas duas acompanhantes receberam assim que entraram. Principalmente, Scully. Escolheram a mesa que ficava próximo a uma grande janela. O salão era amplo, todo branco e com paredes de vidro. Estava ornado com flores champagne e fitas douradas. Ao sentar-se, passou o braço por trás de Scully, num típico gesto de posse. Scully empertigou-se quando sentiu o braço de Mulder roçando levemente as suas costas nuas e fez um esforço monumental para manter-se serena. Skinner avistou o trio e aproximou-se da mesa. Skinner: Olá, Mulder e Scully - desviou seu olhar para Jessie - Dra. Jessie - cumprimentou-a, retornando seu olhar para Mulder - Posso elogiar as suas acompanhantes, Mulder?! - perguntou, bem descontraído. Mulder: Depende que tipo de elogio fará a elas - ele ironizou com uma expressão divertida, e absolutamente sincera. Skinner: Posso dizer que você está com duas mulheres encantadoras?! Mulder: Não precisa - ele colocou o outro braço ao redor de Jessie - Eu sei disso - falou convicto, vendo o sorriso cândido das duas. Skinner: Incomodo se eu sentar? Jessie: De maneira alguma. Por favor, esteja à vontade – adiantou-se, apontando-lhe o assento. Ele sentou-se e, com um gesto, pediu um uísque a um dos muitos garçons que circulavam pelo ambiente. Skinner: Como está a folga, Mulder? Mulder: Está ótima. Não poderia estar melhor acompanhado - disse, dirigindo o olhar para elas, numa clara intenção de se mostrar dono da situação. Skinner: Tenho certeza que sim - ele sorriu condescendente e sorveu um gole de seu uísque - Scully, me daria o prazer desta dança? Mulder fuzilou-o com o olhar, ao que ele não percebeu, pois neste exato momento, um colega o interceptara para cumprimentá-lo. Mulder: Scully, você vai aceitar? - voltou-se para ela, aproveitando a distração de seu chefe. Jessie: E o que tem de mais, Mulder? É só uma dança! - intercedeu por ela. Scully: Mulder, é o Skinner. Mulder: Claro, é o Skinner - disse irônico e exasperado. Skinner voltou-se e estendeu a mão para ela. Como um perfeito cavalheiro, ele a conduziu para o salão. De onde estava, Jessie os observava. Voltou o seu olhar para o carrancudo homem a seu lado. Mulder e Scully tentavam negar o óbvio. Estava evidente até mesmo para quem pouco os conhecesse, que a relação entre eles era muito mais forte que uma simples amizade, principalmente julgando a expressão que ele fazia naquele momento e o modo hostil como tratava Skinner, como se fosse um inimigo. Para Mulder, ver Skinner tocando Scully, numa proximidade que ela própria pouco permitia a ele mesmo, o deixava incomodado. E ele não conseguia disfarçar, embora tentasse. A música cessou e Skinner a conduziu de volta a mesa. Nesse momento, Kersh passou por ele e o convidou a sentar-se em sua mesa. Skinner despediu-se deles, não esquecendo de agradecer a Scully pela dança e de lançar um olhar furtivo para Jessie. Ele acompanhou o outro diretor, enquanto que Scully evitava olhar para Mulder. Um tango começou a tocar e Jessie teve uma idéia maliciosa. Jessie: Mulder, ainda dança tango? Scully: Você sabe dançar tango, Mulder? - ela perguntou, por fim, olhando-o, surpresa. Jessie: Ele teve uma namorada que era professora de dança de salão - justificou. Scully sentiu uma ponta de ciúme. Quantas namoradas Mulder tivera? Será que amara alguma? Melhor nem saber. Jessie: Porque não convida Scully para dançar?! - sugeriu com uma expressão inocente. Ele lançou um olhar esperançado à ela. Scully: Eu não sei dançar. Jessie: Ora, tente. É fácil, você só o acompanha, e quando menos notar, já aprendeu - ela incentivou. Mulder: Vamos, Scully - pediu - Lembre-se... - aproximou-se e sussurrou em seu ouvido - ... "mamãe só dança com o papai" - ela estremeceu ao sentir o hálito morno e hesitou de início, mas, por fim, acabou cedendo. Dirigiram-se para o centro do salão onde outros casais já estavam no ritmo. Ele segurou sua mão, enlaçou-lhe a cintura delgada e a puxou para si, colando o seu corpo ao dela. Ela prendeu a respiração e olhou fundo em seus olhos. Mulder: Tango se dança assim – justificou-se, com um doce sorriso. Ela não disse nada. Estava nervosa e jamais conseguiria acompanhá-lo desse jeito. Mulder começou com passos lentos para que ela pudesse acompanhá-lo e foi assim durante toda a música. Quando a terceira já estava tocando, ela estava um pouco mais familiarizada com o ritmo e já o acompanhava bem melhor do que quando iniciara. Os olhos de Mulder jamais abandonavam os dela, parecia que queriam enxergar-lhe a alma. Ela esforçava- se para manter a respiração regular, mas era difícil. Estava muito perturbada com aquela proximidade. Para ele, a música poderia continuar a noite inteira. Não tinha a mínima intenção de sair dali. Isso implicaria em ter que soltá-la e era tão raro Scully permitir todo esse contato que queria aproveitar ao máximo o momento. Mas a música tinha que acabar e, como se tivesse saído de um sonho, Mulder olhou para Jessie agradecido pela oportunidade. Ao voltarem para a mesa, foram abordados por Diana Fowley, que usava um vestido longo de alças finas, branco com um brilho dourado, realçando a sua silhueta. Diana: Dançaria comigo, Mulder? - perguntou a ele com uma certa intimidade que não passou despercebida aos olhos de Scully. A orquestra, contratada especialmente para a ocasião, voltou a tocar música romântica. Mulder, gentilmente, respondeu que estava um pouco cansado, mas Diana insistiu. E ele cedeu. Diana mais o agarrava do que abraçava. Movia seu corpo e o encarava sensualmente. Scully, já acomodada há algum tempo na cadeira, estava muito incomodada com aquela cena. Levantou-se bruscamente e pediu licença a Jessie que apenas a acompanhou com o olhar, notando que ela se dirigia ao toallete. Ela estava demorando mais que o normal e preocupada, Jessie consultou o relógio. Havia meia hora que saíra. Decidida, levantou-se para procurá- la. Mulder já estava dançando a terceira música e ela não aparecia. Ele primeiramente vira Scully sair. E depois, viu Jessie também. Para onde elas teriam ido? Enquanto caminhava para o banheiro, Jessie estava meio chateada com Mulder. Ele magoava Scully sem mesmo perceber e ela não se sentia à vontade para chamar-lhe a atenção. Esse era um assunto só deles e não queria interceder. Mulder olhou para a mesa vazia. Aonde estaria Jessie e Scully? Desvencilhou-se dos braços de Diana, decidido a ir procurá- las. Elas retornaram à mesa. Jessie a encontrara encostada na pia do requintado banheiro do hotel, com o olhar perdido. Raiva, dor e conflito misturavam-se em seu semblante. Agora, de volta a mesa e recomposta, ela esforçava-se para não demonstrar para o parceiro o quanto a atitude dele a incomodara. Mas uma expressão triste permanecera em seu rosto. Mulder: Você está bem? - quis saber, notando tal expressão. Ela o olhou, inicialmente magoada, disfarçando em seguida. Scully: Sim, estou ótima. - respondeu tentando parecer convincente, Scully dormira durante todo o trajeto de volta e isso fez com que os pensamentos de Mulder voassem longe novamente. Ele contemplava alternadamente a estrada e a parceira recostada na poltrona a seu lado. Seus dedos tamborilavam nervosamente no volante. SUÍTE DE MULDER 04:30 h Um corpo rolava de um lado à outro na cama, num desassossego só. Mulder não conseguia dormir novamente. Precisava conversar com alguém sobre o que o estava perturbando. Decidido, levantou-se e dirigiu-se para o quarto de Jessie. Hesitou um pouco antes de bater na porta. Ela deveria estar dormindo e se não fosse tão urgente, não a incomodaria. No entanto, precisava conversar. QUARTO DE JESSIE 04:32 h Com Mulder sentado em sua cama, ela o olhava com compaixão. Jessie: Eu sei o que o perturba, só que você procurou a pessoa errada para conversar. Deveria estar dizendo isso a ela - falou carinhosamente, ao que ele apenas escutava - Fale para ela, Mulder - insistiu - Diga como se sente e só assim conseguirá sair desse tormento - ele continuava calado - Vá até lá agora. Se ela estiver dormindo, acorde-a - sorriu maliciosa - Diga que você a ama e que ela é a pessoa mais importante no mundo para você. Ele levantou-se e pôs-se a andar de um lado para o outro, evidentemente nervoso. Jessie deu um longo suspiro. Jessie: Bom, se vai ficar aí, andando de um lado para o outro, tudo bem, só que eu vou dormir - deitou-se e puxou o edredom - Por favor, apague a luz quando resolver sair, tá?! - virou-se e fingiu dormir para fazê-lo tomar coragem ao pensar que até ela impacientara-se. Mulder, ao vê-la dormindo, apagou a luz e, frustrado, fechou a porta atrás de si. Tomando fôlego e coragem, rumou para o quarto de Scully. QUARTO DE SCULLY 04:40 h Scully, como não dormia, foi até o banheiro. Conferiu que estava com uma expressão abatida no rosto. Seus olhos avermelharam-se quando recordou-se do ocorrido essa noite, porém, nenhuma lágrima caiu. Não ainda. Tentou lavar o rosto na esperança de mudar tal expressão, mas não adiantou. Ouviu alguém batendo a porta. Consultou o relógio. Só Mulder seria capaz de incomodar-lhe aquela hora. Procurou pelo robe, mas não o encontrou. A noite estava quente. Washington alternava noites assim: ora quentes, ora frias. Devido a isso, vestira uma camisola fina, que ia até os seus tornozelos, de seda branca e amplo decote nas costas, contornado por renda inglesa. Era um pouco transparente. Na verdade, mal a cobria e ela nem se lembrava de quando a havia comprado. Talvez pouco antes de entrar para o FBI. O fato é que só a usara uma única vez e nem sabia porquê a comprara. Não encontrando o robe, pegou um travesseiro e o abraçou contra o corpo. Abriu um pouco a porta, mantendo-se escondida atrás dela. Scully: Aconteceu algo? - perguntou mesmo duvidando que realmente houvesse acontecido. Mulder: Sim... Quer dizer, não - ele atropelava as palavras - Podemos conversar? Scully: Mulder, são quase 05:00 h. Não pode ser mais tarde? "Mais tarde, talvez eu não tenha coragem para falar, então tem que ser logo", pensou. Mulder: Precisa ser agora - e diante da hesitação dela - Por favor! - implorou. Deu passagem para que ele entrasse, sempre protegendo a transparência da camisola com o travesseiro. Sentou-se na cama, enquanto ele acomodava-se na poltrona à frente. Scully: E então? Mulder: Não estava dormindo? Scully: Estava "quase" dormindo, Mulder. Mulder: Desculpe por acordá-la - disse. Levantou, sentindo-se ridículo por estar ali. Scully: Aonde vai? - perguntou surpresa. Mulder: Voltar para o quarto. Scully: Não tinha algo para me dizer?! Mulder: Não era nada importante - era óbvio que ela não sentia o mesmo que ele. Estava confundindo as coisas. Era sua amiga e o tratava como tal. Scully: Não me diga que veio até aqui a esta hora só para dizer que sente muito por ter me acordado! - num impulso, ela largou o travesseiro. Praguejou por tê-lo feito ao notar o olhar de completo desejo que Mulder lançara-lhe. Apanhou-o de volta tão rápido quanto o havia largado, o abraçou fortemente contra o corpo e manteve os olhos baixos, sem encará- lo, envergonhada. A imagem de Scully com a camisola transparente, deixando ver a calcinha branca, os seios pequenos e empinados, sobrepôs-se a que ele via. Conseguiu reparar nisso tudo em apenas dois segundos. Para disfarçar o desejo, para que ela ficasse menos constrangida e até mesmo para inquirir acerca de seu sumiço durante a festa, ele mudou de assunto. Mulder: À propósito, Scully, aonde tinha ido? Em um momento olhei para a mesa e você não estava lá. Scully: Fui ao banheiro. Mulder: Tem certeza? Achei que estivesse ocupada em responder aos galanteios dos homens da festa, nossos colegas de FBI... Que dirá Skinner! Scully: Que galanteios? Não sei do que está falando? Mulder: Ora, por favor! - ele não sabia por que estava se comportando tão mal - Desculpe, o que você faz ou não, não é da minha conta - disse meio sem jeito - Boa noite - saiu, fechando a porta atrás de si. Scully ficou a contemplar a porta por onde Mulder saíra. Não acreditava que aquilo estava acontecendo com ela. Mulder estava se comportando mal por sentir ciúmes? Mas que idéia insensata, pensou. É claro que não é nada disso. Ele só adquirira o hábito de não vê-la acompanhada com ninguém e por isso estranhava quando alguém se aproximava. Mesmo que fosse sem a intenção que ele imaginara. QUARTO DE MULDER 04:50 h Mulder retornara a seu quarto, extremamente perturbado. Sempre soubera que Scully era uma mulher especial. Mas, daí a não conseguir mais ficar um minuto sequer junto dela sem tocá-la... precisava controlar a sua superativa libido. Estava com medo. Muito medo. Medo de não conseguir corresponder às expectativas que ela provavelmente teria com um relacionamento amoroso, medo de magoá-la, medo de não ser a pessoa que ela queria para si... Porém, não conseguia imaginar-se sem ela. Era a única que o entendia, que gostava dele do jeito que era e que jamais o abandonava. Mesmo que não conseguisse provar toda a verdade que procurava, sentiria-se feliz só com o fato de saber que Scully sempre estaria ali, perto dele. E Jessie? Começava a duvidar da sorte: as duas estavam por perto. Era felicidade demais para ele. Diante de tanta sorte, temia que fosse efêmera. Elas eram tudo o que lhe restara, as queriam sempre perto de si e se as perdesse, enlouqueceria. Amava muito Jessie e Scully, mas não poderia exigir tal sacrifício de Jessie. E de Scully, será que podia? Não teria mais sentido viver sem ela. E não era drama, não, e sim, a verdade que norteava o seu coração. A imagem vislumbrada minutos atrás veio instantaneamente em seus pensamentos. E de repente imaginou-se tocando e deslizando seus lábios pelo corpo de Scully, sob a camisola; sugando os seus seios, com firmeza e sentindo-os pressionados contra o seu peito; abraçando-a e beijando-a, deixando que a língua dela acariciasse a sua, com urgência e devoção; vê- la estremecer e suspirar após o orgasmo; senti-la suada e cansada depois de uma noite de amor; e acordar todas as noites com seu corpo colado ao dela. Tais pensamentos tão eróticos, o fizeram adormecer com um leve sorriso nos lábios. CONTINUA... TÍTULO: PASSIONE (paixão) CAPÍTULO V CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO IV : "ALTER EGO – PARTE 2" AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Proibida para menores de 16 anos. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Um envolvimento não esperado entre Skinner e Jessie. DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. Ah, e aviso; é outra fic censurada. Por favor, jovens menores de 16 anos, não leiam isso. Não me responsabilizo por nenhum vôo da imaginação de vocês. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial. Peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. CASA DE JESSIE SEGUNDA-FEIRA 07:00 H Jessie tomava café quando viu Scully descendo com a grande valise que Mulder trouxera, outro dia, com as roupas dela. Jessie: Vai aonde? Scully: Vou para casa - respondeu, colocando a valise no chão. Jessie: Não vai tomar café? Ela aceitou e sentou-se à seu lado, no balcão de granito, na cozinha. Jessie: Sabe que pode ficar aqui quando quiser, pelo tempo que quiser. Scully: Eu sei, mas preciso ver como está a minha casa. Jessie: Compreendo. Mulder ainda dorme? Scully: Não sei. Acho que sim. Após despedir-se, Scully voltou para sua casa. Estava magoada novamente com Mulder. Agora, por ele ter aceito dançar com tanta intimidade com Diana. Mas sempre foi assim, não? Qual a surpresa?! PRÉDIO DO FBI WHASHINGTON D.C 8:30 H Jessie conseguira analisar todos aqueles processos e sua mesa já estava lotada mais uma vez. Ela os carregou para cima de uma mesa menor, encostada na parede, perto da sua. O celular tocou e o apanhou de cima da mesa. Mulder: Jessie, sou eu. Jessie: Oi. Dormiu bem? Mulder: Onde você está? E onde está Scully? - ignorou a pergunta dela. Jessie: No Bureau. Ainda está em casa? Na minha casa, quero dizer – corrigiu, com um meio sorriso divertido. Mulder: Sim. Onde está Scully? Jessie: Ela já foi para casa. Fez-se um silêncio, até que, finalmente ele se manifestou. Mulder: Estou indo para casa também. Jessie: Você está bem? Mulder: Falo com você depois. Jessie ainda segurava o telefone, após ouvir o clic. Notou que Mulder estava arrependido por ter suspeitado de sua parceira. Mas, ainda assim, ele não conseguia tirar a idéia da cabeça. No final do expediente, ela estava cansada e desejava ir para casa. Consultou o relógio, eram 19:45 h, arrumou sua mesa, pegou a bolsa e saiu, trancando a porta atrás de si. Poucas pessoas encontravam-se no prédio àquela hora, nem a sua secretária estava mais. Em frente ao elevador, Skinner parou a seu lado. Lançou-lhe um sorriso e ambos permaneceram calados por um tempo até que ele falou. Skinner: Que dia! Foi o mais longo do mês - comentou, massageando o pescoço - Gostou da festa? Jessie: Interessante - respondeu, seca, porém, gentil. Adentraram no elevador. Skinner sempre a achara bonita e não conseguiu entender porquê convidara Scully para dançar, ao invés dela. Talvez porque, com Scully, sentia-se mais seguro. Jessie possuía uma postura tão fria, inatingível... Mesmo ele não tendo mais idade para essa insegurança, sentia-se assim. Skinner: Você parece muito cansada - comentou. Jessie: E de fato, estou cansada. Ao deixarem o elevador, Skinner resolveu arriscar. Skinner: Não quer ir tomar um drinque? Só para descontrair... Ele esperava um " não", mas surpreendeu-se quando um sorriso insinuou-se em seus lábios. Jessie: Não é má idéia... No restaurante, ele mostrava-se muito descontraído e extremamente gentil, conseguindo até que ela se descontraísse também. Agora, em seus lábios brotavam leves e reservados sorrisos. As horas passaram rápido. Ela consultou de novo seu relógio, constatando que já eram 21:50 h e pediu para ir embora. Jessie: Obrigada. Consegui relaxar, enfim. Skinner: Eu é que agradeço. Acho que vou dormir mais leve hoje. Ela estava encostada em seu próprio carro e o tinha a sua frente. Entreolharam-se. Skinner estava preso ao olhar expressivo e sensual que ela lançava-lhe sem, ao menos perceber, pois isso, lhe era natural. Um beijo, naquele momento, parecia inevitável e ele ansiava por isso. Mas, ela o frustrou, desviou o olhar, despediu-se, entrou no carro e saiu. Skinner apenas a seguiu com seus olhos. SEDE DO FBI WASHINGTON D.C QUINTA-FEIRA 12:50 H Jessie preparava-se para sair para o almoço. Estava com um chemisiê de linho, que ia até os joelhos, de cor cáqui e calçava mules pretas com salto de 4 cm. Não gostava de calçar sapatos de salto com mais de 5 cm, em virtude de sua altura avantajada. Se os calçasse, pareceria ainda maior. Reservava-os apenas para ocasiões que, inevitalmente, os exigissem. As únicas jóias que usava, no momento, eram uma pulseira e seu relógio, ambos de ouro branco. Os cabelos estavam soltos e caíam como uma cascata ao longo de suas costas, macios, brilhantes e sedosos, balançando-se ao menor movimento que fazia. No estacionamento, aproximava-se de sua BMW grafite quando avistou Skinner vindo em sua direção. Skinner: Saindo para almoçar? - ele a abordou. Ela assentiu com um gesto afirmativo. Skinner: Gostaria de almoçar comigo? - e justificou o pedido com a primeira desculpa que lhe veio à mente - É que eu não gosto de almoçar sozinho. Jessie: Tudo bem! - ela sorriu charmosa. Skinner tentava controlar-se ao encontrá-la pelos corredores do FBI, tentava não deixar evidente o desejo que sentia por ela. Um desejo que nada tinha a ver com luxúria. No entanto, era uma tarefa árdua, o qual exigia muito de seu autocontrole. Skinner: Vou levá-la à um restaurante italiano que irá adorar. Jessie: Gosto muito de comida italiana - ela sorriu. RESTAURANTE FONTANA DI TREVI 13:00 H O casal saboreava a deliciosa culinária italiana. Skinner degustava uma suculenta lasanha de carne e Jessie saboreava Cappeletti al Pomod´oro. Na verdade, ele estava mais interessado na companhia do que propriamente na comida. Jessie, muito calma, comia com uma extrema elegância, segurando os talheres com delicadeza e movendo-os sem pressa. Skinner: Gosto deste restaurante. É calmo e aconchegante. Jessie: É muito bom - ela disse, olhando em volta o recinto refinado - e a comida é boa - olhou para seu próprio prato. Skinner: E você? O que faz aos fins-de-semana? Ela mostrava-se bem mais descontraída que da primeira vez e sorriu lembrando que os últimos fins-de-semana, passara com Mulder e Scully. Jessie: Nada de mais. Geralmente, trabalho revisando alguns processos. E você? O que faz? Skinner: Aproveito para entrar em forma. Pratico boxe e arrisco no basquete - respondeu com um largo sorriso. Conversaram um pouco mais, ele pediu a conta e voltaram para mais uma jornada no Bureau. CASA DE JESSIE SEXTA-FEIRA 19:50 H Skinner conseguira convencê-la a sair novamente com ele. Esperava no hall da mansão, ansioso. Extasiou-se ao vê-la descer as escadas, lentamente, com um vestido de musseline verde musgo, de alças finas e xale da mesma cor, para proteger-se do frio da noite. Seus cabelos estavam presos em um charmoso coque, com alguns fios soltos emoldurando-lhe o rosto delicado. APARTAMENTO DE SKINNER 22:00 H Jessie caminhava agora pelo apartamento dele, examinando o seu interior, não muito interessada. Ele ofereceu-lhe uma taça de vinho, ao que ela recusou. Sentou-se no sofá e ele à seu lado. Olharam-se por alguns instantes e ele aproximou-se lentamente, a fim de beijá-la. Ela levantou-se gentilmente, tentando reprimir o seu próprio desejo. Ele a seguiu. Skinner: Quero você - foi direto - Se não sentir o mesmo, essa é uma boa hora para sair - avisou, terno e torcendo para que ela não fosse. À princípio, ela não teceu nenhum comentário e ele estava certo de que ela iria embora para nunca mais voltar. No entanto, não conseguindo se conter mais, ela aproximou-se dele e sussurrou perto de seus lábios. Jessie: E se eu sentir o mesmo? Envolveu-lhe a fina cintura e a beijou. No início, um beijo terno que foi intensificando-se à medida que a urgência de ambos aumentava. Ele deslizou a sua mão sobre o estômago firme, acariciando-o. Ousou um toque mais íntimo e diante da inércia dela, enterrou a mão com urgência, enquanto a conduzia para o quarto, fazendo-a deitar-se na cama. Ele a virou de bruços e pôs-se a beijar-lhe as costas alvas e macias. Após receber os afagos e carícias de Skinner, Jessie virou-se de frente e, com um rápido movimento, retirou-lhe a camisa. Daí em diante, as roupas iam sendo jogadas ao chão por ambos, uma a uma, e só o que importava-lhes era satisfazer a urgência e o desespero de sentir um ao outro. A paixão era latente e desenfreada. Skinner nunca se sentira assim por mulher alguma e não queria distanciar-se dela por nem mais um minuto de sua vida. Ela era fogo, sensualidade e paixão. Era uma necessidade premente de senti-la e tê-la sempre por perto. Talvez isso fosse paixão, pensou. Era tão difícil definir o que sentia. 6:50 H Skinner, ao sentir falta de calor humano, tateou a seu lado na cama e o encontrou vazio. Ficou desapontado. Esperava que ela não tivesse se arrependido. Ele, certamente, não estava. A imagem da noite anterior repetia-se em sua mente, como se fosse replay de partida de futebol. Nunca sentira por uma mulher o que estava sentindo por Jessie. Era como se precisasse dela o tempo todo. Ele a queria muito. Seu corpo e coração doíam só de imaginá-la com outro. Não sabia que tipo de relacionamento ela mantinha com Mulder. Precisava saber. Mas não acreditava que fosse algo além da amizade. Não sabia porque pensava assim, mas o fato é que não imaginava Mulder com qualquer outra mulher que não Scully. CONTINUA... TÍTULO: A MONTANHA REAL CAPÍTULO VI CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO V : " PASSIONE " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. Não há intenção de obter lucro, e sim, apenas divertir os fãs. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder se declara à Scully e aqui começa o triste destino de Jessie. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial. Peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. GEORGETOWN SÁBADO 7:00 H Scully abrira a porta. Ainda um tanto sonolenta, deu passagem para um agitado Mulder entrar. Scully: O que houve? Mulder: Algo terrível! Scully: O que foi? - perguntou preocupada Mulder: Jessie dormiu com Skinner. Scully: Como sabe? Mulder: Liguei para a casa dela ontem à noite, mas ela estava de saída. Então, fui até lá e a vi saindo com Skinner. Scully: E como sabe que dormiram juntos? Mulder: Ela chegou às 4:30 h e sozinha. Scully: Mulder, isso não quer dizer nada, eles podem ter ficado conversando e perderam a hora ou emendaram para algum lugar - ela ponderou - E você ficou a noite inteira vigiando a casa dela? - o repreendeu. Mulder: Scully, eles dormiram juntos! - falou com convicção. Scully: E daí, Mulder? Não acha que ela já está bem grandinha para precisar de baby-sitter?! - ironizou - Está com ciúmes, Mulder?! Ele apenas ficou calado. Scully: Mulder, ela não é mais a garotinha que você conheceu. É uma mulher de quase 26 anos. Além disso, não era em mim que ele estava interessado?! - debochou. Mulder: Mas... com Skinner?! Scully: E desde quando podemos escolher por quem nos apaixonamos? Simplesmente acontece... Você pode lutar contra esse sentimento, mas ele está ali, existe. De repente você se apaixona por uma pessoa, que nunca imaginou que pudesse ser ela... Vocês são diferentes, essa pessoa não é exatamente aquilo que você esperou durante toda a sua vida, mas é tudo o que você precisa - as palavras dela carregaram o ambiente de tensão, deixando ambos desconcertados. Mulder: Talvez tenha razão - admitiu - Vamos até lá? Scully: Agora? Mulder, se ela chegou quase 5:00 h, como diz, deve estar dormindo, não vamos acordá-la! Ele sentou-se, inconformado. Ela aproximou-se e ajoelhou-se diante dele, acariciando seus cabelos. Scully: Nunca o vi falar de uma pessoa com tanta ternura e amor, exceto Samantha - declarou-lhe ao que ele apenas sorriu, indulgente. Mulder: Apenas duas pessoas são importantes no mundo pra mim, agora. E tenho medo de perdê-las. Por isso, preocupo-me tanto com elas - confessou com um brilho no olhar. Scully: Eu sei, mas não precisa ficar preocupado, Skinner não a afastará de você - assegurou. "E você? Será que alguém irá afastá-la de mim?", pensou. Scully lenvantou-se. Scully: E você disse que ele estava interessado em mim - acusou-o - Viu como foi bobagem? - comentou como se houvesse adivinhado os pensamentos do parceiro. Mulder: Talvez. Tem certeza que não sente nada por ele? - perguntou, ainda incerto. Scully: Eu dei motivos para você pensar assim? - perguntou de volta, indignada e aborrecida. Mulder: Ele a olha de um jeito, parece desejo, sei lá! Scully: E eu retribuo? - ela colocou as mãos na cintura, exasperada. Ele não sabia o que dizer, por isso apenas deu de ombros. Scully: Então vou fingir que não tivemos essa conversa - dizendo isso, deu o assunto por encerrado - Segunda-feira temos que nos apresentar à ele. Mulder: Eu sei. Aonde vamos hoje? Scully: Você, eu não sei, mas eu, vou tomar banho - disse dirigindo-se ao banheiro. Mulder permaneceu sentado no sofá, sem a mínima intenção de ir embora. Ligou a televisão e com o controle, passou a buscar algum canal interessante. Achou um programa "bem interessante": um casal em uma noite ardente e explícita de sexo. Ele diminuiu o volume da TV, quando a moça começou a emitir gritinhos de prazer às carícias do amante. Instintivamente pensou na única pessoa capaz de fazê-lo sentir-se nas alturas, em todos os sentidos. Scully: Já tomou café? - perguntou de repente uma Scully já, devidamente, asseada. A voz dela o surpreendeu, fazendo com que ele levantasse de um salto a fim de evitar que ela o flagrasse assistindo a esses programas em sua casa. Desligou o aparelho e gentilmente a conduziu para a cozinha. Mulder: Ainda não. E estou faminto - disse fazendo careta. Ele reparou na roupa que ela usava: twin-set azul, calça justa preta e botas pretas, também. Seus cabelos estavam soltos e úmidos. Scully: Deixa eu ver o que temos aqui - falou, examinando a geladeira - Ovos, bacon, leite, queijo, patê... - ela enumerava-os e pegava um a um. Mulder levantou-se e foi até o armário. Ao abri-lo encontrou uma lata de chocolate em pó. Mulder: Encontrei um tesouro! - disse, erguendo a lata como se fosse um trófeu - Então, dieta é só aparência... você come chocolate, não é "srta. Certinha"? - provocou-a Scully: Se você reparar bem, a lata está praticamente cheia - disse remexendo a frigideira com 3 ovos que quebrara - E foi deixada pelo Matthew quando esteve aqui, há algum tempo - desligou o fogo e os colocou nos dois pratos que Mulder colocara na mesa - Antes de pensar em tomar esse chocolate, verifique se ainda está no prazo de validade. Mulder: O que vai fazer hoje, Scully? Scully: Vou ao Supermercado. Mulder: Posso ir com você? Scully: Pensei que não gostasse de Supermercados? Mulder: Eu incomodaria? Scully: A mim, não. SUPERMERCADO WASHINGTON D.C 10:25 H Mulder empurrava o carrinho enquanto Scully colocava os produtos. Não fazia lista, pois sabia exatamente o que precisava. Mulder exibia um hilário sorriso bobo e feliz, como se estivessem fazendo um "programão". Ele reparava em como sua acompanhante era linda e desejável! Poderia ser apenas o seu subconsciente, mas será que as pessoas os olhavam diferentes, como um casal feliz? Não se incomodaria se fosse verdade. Ao contrário, estava gostando bastante da situação. GEORGETOWN 18:00 Nunca passara um dia tão maravilhoso quanto aquele. Ao lado dela, ele conseguia relaxar e não pensar tanto no trabalho, pela primeira vez na vida, o que era um milagre. Concentrava suas energias e pensamentos nela. Passaram a tarde na internet. Mulder pesquisava sites de aparições sobrenaturais, de OVNI'S... Enfim, o de sempre. Descobriu que haveria suspeita de aparições na Montanha Real, que ficava em uma região remota de Maryland. Mulder: Scully, temos que ir lá - falou bastante entusiasmado. Scully: Mulder, é longe, e o lugar é afastado, ermo. Mulder: Você vai fazer alguma coisa essa noite? Scully: Vou dormir, estou cansada e com sono. Mulder: Dormir? Isso não é programa, Scully, vamos até lá. Ela pensou por alguns segundos e finalmente cedeu. Scully: Tá, deixa eu pegar um casaco. Mulder: Não precisa, Scully. A metereologia previu noite quente e estrelada hoje - disse pegando-a pela mão antes que mudasse de idéia - Além disso, eu aqueço você, se esfriar - "Até se não esfriar, se quiser". MONTANHA REAL MARYLAND 20:15 H Mulder estacionou o carro próximo à Montanha. Após subirem boa parte dela, sentaram-se. Ele abriu duas latas de refrigerantes. Scully: E então, o que a gente faz? - perguntou, aceitando a lata que ele oferecia-lhe Mulder: Nada, vamos esperar. Scully: Quanto tempo? Mulder: Sei lá, uma hora, duas... Ela o olhou mal acreditando que estava ali e já arrependida de ter vindo. Deitou-se na grama e pôs-se a olhar o céu coberto de estrelas. Vez por outra, soltava longos suspiros em sinal de impaciência. Mulder, sem olhá- la, tentava distraí-la. Mulder: Sabia, Scully, que os pilotos da Segunda Guerra Mundial, alguns é claro, avistaram muitos OVNI'S no céu?! O radar não conseguia captá-los, pois eram muito rápidos. Isso há 50 anos atrás. Fico imaginando nós dois daqui há 50 anos. Eu sei que você vai dizer que até lá, já tomamos caminhos diferentes e que, talvez, nem nos conheçamos mais, mas não é o que eu penso, nem o que quero. Não consigo imaginar minha vida sem você, quero-a sempre perto de mim, e confesse que você pensa o mesmo. Diga que nunca vai me abandonar, porque eu nunca vou abandoná-la. Eu amo você, e muito. Pronto, havia falado. Esperava uma reação, mas incomodado com o silêncio dela, virou-se e a encontrou dormindo. Deitou-se à seu lado e acariciou seu rosto levemente. Sorriu, demorara tanto para declarar-se novamente e por completo e tudo o que conseguira foi fazê-la dormir. Aproximou seu rosto e tocou os lábios dela com os seus, num beijo casto, quase receoso. Gentilmente, ele a carregou nos braços e a levou para o carro. GEORGETOWN 1:30 H Mulder pegou o seu casaco e olhou novamente para ela antes de sair. Trancou a porta e saiu. Scully deveria estar realmente cansada, pois não despertou um só segundo entre o momento em que adormecera e quando ele a depositara na cama. SEDE DO FBI WASHINGTON D.C SEGUNDA-FEIRA 07:45 H Scully abriu surpresa a porta de sua sala ao encontrar Mulder sentada na cadeira tão cedo. Scully: Chegou cedo, Mulder! Mulder: Ansioso para voltar ao trabalho, Scully - ele brincou. O telefone tocou e Scully anunciou que Skinner queria vê-los. Sentados diante do Diretor, ele entregou à eles, uma pasta. Mulder: O que é isso? Skinner: São documentos de um integrante da máfia italiana. Carlo Rossini faz parte da família mais importante da Itália e da organização "Cosa Nostra". Ele está no país, supervisionando pessoalmente o contrabando de armas e narcóticos. Seu pai é o chefe da organização, o Dr. Massimo Rossini. Mulder: E qual o AX aqui? Skinner: Por diversas vezes, a polícia italiana, e mesmo aqui, tentaram pegá-lo, mas nunca conseguiram. São policiais treinados e que sempre são driblados por esse homem. Um programa do exército americano foi roubado – continuou, ignorando a sua pergunta. No entanto, ele aproximou-se deles e confidenciou, receoso – Esse programa desenvolve bomba que dizem estar sendo usada para alimentar uma tecnologia alienígena. Scully: Que programa? - foi a vez dela manifestar-se, atenta. Skinner: Um programa desenvolvido pelo Exército para a construção de uma bomba de Urânio. Scully: Bomba atômica? Skinner: Mais ou menos. Uma fase anterior à construção final. Mas este material é altamente radioativo e está com Carlo Rossini, na sua casa de veraneio, em Palm Beach. Mulder: Sugere que entremos na casa dele para pegá-lo de volta? - perguntou, incrédulo - E o que me garante que ele ainda não tenha feito uma cópia e colocado em outro lugar? Skinner: O programa é único e está protegido contra cópias. Scully: Como vamos entrar lá e resgatá-lo? Skinner: Foi pensando nisso que o nosso Superintendente designou um especialista no assunto. Mulder: Quem? Skinner: Será conhecido na reunião às 14:00 h de hoje. O Superintendente a pediu, pessoalmente. Portanto, não se atrasem. CONTINUA... TÍTULO: A MISSÃO CAPÍTULO VII CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO VI: " A MONTANHA REAL " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. Não há intenção de obter lucro, e sim, apenas divertir os fãs. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder e Scully designados para uma operação desconhecida pra eles. Jessie precisa confrontar o seu destino iminente. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. Acima, eu coloquei um quadro que mostra a ordem em que elas vão ser postadas. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial. Peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. MINI-AUDITÓRIO DE REUNIÕES 14:36 H Todos encontravam-se no auditório e Mulder estava impaciente, andando de um lado à outro. Odiava esperar. O Superintendente entrou e todos os presentes levantaram-se, em sinal de respeito à hierarquia. Ele os convidou a sentar-se novamente e fez o mesmo. Tratava-se de um senhor alto, aparentando 60 anos, cabelos brancos e um bom porte físico. Mulder sabia que ele fora um dos melhores agentes que o Bureau já tivera. Um dos poucos. Na sala de reunião encontravam-se Mulder, Scully, Skinner, um agente do serviço de espionagem do governo federal e outro especialista em acidentes nucleares, além do Superintendente e seu assessor. Superintendente: Eu convoquei essa reunião porque a situação é extremamente delicada. Um poderoso programa caiu nas mãos da "Cosa Nostra", a máfia italiana. Um programa do exército americano que possui instruções finais para a construção de uma bomba atômica, está em fase experimental. Para integrar essa operação que o FBI está montando, eu pedi ao Diretor Skinner que designasse dois dos seus melhores agentes – fez uma pausa – E pedi também uma especialista neste tipo de operação... Assessor: ...que já estará aqui dentro de alguns minutos, Senhor – interrompeu respeitosamente, o assessor. Os minutos mencionados pelo assessor nem chegaram a passar. A porta abriu e Skinner prendeu a respiração. Jessie surpreendeu-se ao ver os participantes daquela reunião. Aliás, ainda não sabia o motivo dela. Contudo, disfarçou a surpresa, mantendo o seu rosto inexpressivo, comportamento este adquirido em anos de Seção. Cumprimentou à todos e com uma postura de respeito, dirigiu- se à seu superior. Jessie: Sim, senhor?! Superintendente: Dra. Arby, estou convocando-a para integrar a ofensiva que o FBI está montando contra a "Cosa Nostra". Como eu conheço as suas habilidades e sei que trabalhou em uma Seção de Operações Especiais, em Londres, e acompanhou de perto as atividades das máfias italiana, russa e chinesa, não consegui ver ninguém mais qualificado para o serviço. O assessor explicou os detalhes da operação, onde, disfarçada, ela teria que entrar na casa e resgatar o programa. Jessie: Senhor, com todo o respeito, acho que não sou a pessoa mais qualificada para isso. Há 4 anos saí de Londres, não participo mais de operações dessa natureza. Superintendente: Estou ciente disso, Dra. Arby, mas sei que você é perfeitamente capaz de realizar esta operação com sucesso – seu tom de voz, não admitia contestação - Está familiarizada com as atividades da máfia italiana, conhece esse tipo de operação, além de falar fluentemente a língua. Jessie: Senhor, eu conhecia as atividades da "Cosa Nostra". No entanto, desde que vim pra cá e assumi a área jurídica do FBI, meu trabalho resume-se em conduzir os processos – argumentou. Superintendente: Sei disso, mas você ainda é uma Agente Federal. Todos nós somos, e suas qualificações são expressivas – refutou com veemência – Portanto, a srta. foi designada, e deve cumprir a determinação. Jessie calou-se, frustrada por seus argumentos terem sido rejeitados. Não queria reviver esse pesadelo. Assessor: A srta. não irá sozinha. A Agente Scully a acompanhará – e dirigiu-se às duas – Vocês serão assessoradas pelo Agente Mulder, sob supervisão do Diretor Skinner. Superintendente: E eu chefiarei pessoalmente a operação – comunicou-lhes. Assessor: Nesta pasta – apontou para a que estava com Mulder – tem as informações necessárias. Vocês deverão entrar lá, pegar o programa e trazê-lo de volta – disse, encerrando as instruções. Jessie assentiu e preparou-se para sair. Mulder e Scully levantaram-se para acompanhá-la. Superintendente: Dra. Jessie? Ela virou-se. Superintendente: Ele deve ser eliminado – comunicou-lhe, recebendo o silêncio dela. FBI SETOR DA PROCURADORIA 17:00 H Na sala de Jessie, os dois agentes examinavam a pasta com o caso. Mulder: Tem um cd aqui dentro. Ela o colocou no drive do cd-rom, mas seu PC não conseguiu lê-lo. Jessie: É a mais nova extensão para arquivos de cd-rom, a última "palavra" em tecnologia – ela concluiu - Ultimamente não tenho dado muita atenção a estas novidades, por causa do trabalho. Vamos precisar de alguém qualificado para abrir esse arquivo. Mulder: Conhecemos quem possa – informou desviando por um instante o olhar para Scully. Jessie: Ótimo, e quem é?! Mulder: Vou mostrar à você – disse, levantando-se. PISTOLEIROS SOLITÁRIOS 17:55 H A campainha tocou e, após verificar quem era, Frohike destrancou toda aquela parafernália em sua porta. Frohike: Olá, "Gigante" – cumprimentou – Scully...! Frohike ficou extasiado ao ver Jessie entrar. Sua expressão foi da hipnose ao abobamento. Frohike: Quem é a Srta.? – voltou-se para Mulder sem desviar o olhar dela, um só segundo. Mulder: Esta é a Dra. Jessie Arby – comunicou aos três – Não se preocupem, é de confiança. Jessie, estes são Byers, Frohike e Langly. Scully: Muito bem. Precisamos de alguém que consiga ler este CD – interrompeu, entregando o cd à eles. Byers tomou-o das mãos dela e inseriu no drive. Byers: Não podemos abri-lo. A tecnologia empregada na gravação desse CD é muito avançada e não acredito que exista algum dispositivo no país que o consiga ler – ele examinou as letras gravadas na frente do CD – É de propriedade das forças armadas, o que nos diz que somente eles conseguem abri-lo. Jessie: Talvez, não. Scully: Como assim? Jessie: Vamos até a minha casa. Eu sei o que pode abri-lo. Vocês podem nos acompanhar? Langly: Claro que sim – respondeu completamente atrapalhado. Frohike: Seria um prazer! Scully disfarçou um sorriso ao ver a expressão que Mulder fez. Ele não achara a menor graça naqueles galanteios. CASA DE JESSIE 19:00 H Jessie entregou as chaves do carro para Morgan e pediu para seus acompanhantes, entrarem. Eles a seguiram para a cozinha, juntamente com Mulder e Scully. Pressionou seus dedos contra um aparente, inocente desenho gravado em um dos muitos azulejos do ambiente. Automaticamente surgiram das paredes, blocos metálicos em níveis diferentes, revelando-se uma escada. Eles subiram e levemente, ela deslizou um de seus dedos na quina do degrau mais elevado. A porta cor de grafite a sua frente, abriu- se, e o que eles viram foi um ambiente amplo, onde não haviam janelas. O seu interior era frio, tornando-se ainda mais quando ela ligou o ar- condicionado, através do controle remoto. Todos eles ficaram deslumbrados com o que viram, principalmente os Atiradores Solitários. Em uma parede em forma de arco, haviam inúmeros monitores embutidos nela. No centro do ambiente havia uma cadeira e um painel de controle também em forma de arco, cinzas. Ela acionou o painel de controle onde diversas "gavetas" foram abrindo-se diante deles, revelando-se com diversas funções. Langly: Nossa, isso é demais! – comentou deslumbrado. Frohike: É incrível! – concordando Byers: Tudo de alta tecnologia! – e aproximou-se do painel – Esses computadores... onde os conseguiu? Jessie: Tenho meus meios – respondeu, seca – Tome, acha que consegue abri-lo? – perguntou estendendo o Cd. Byers: É claro! – ele o tomou das mãos dela e o inseriu no drive. Na tela maior, localizada no centro da parede, a planta da casa inteira aparecia. Todos os cômodos, a garagem, até a piscina. Eles pesquisaram e exploraram o que puderam do CD. No final, aparecia um vídeo de aniversário surpresa do mafioso feito por sua namorada. Jessie apertou em um botão e a imagem da tela desapareceu, projetando-se em cima de um espaço vago no painel. Jessie: Preciso conhecer a Srta. Tasha Edwards, namorada do Sr. Carlos Rossini, para conseguir entrar na casa. Scully: Entrar?! Jessie: É claro, ou como acha que vamos resgatar o programa? Scully nada disse, estava com medo e não sabia o porquê. Talvez por saber que participaria de uma coisa que não sabia o que esperar, por sua inexperiência nesse tipo de operação. Jessie tocou um botão cinza para acessar o programa que monitorava a casa. Jessie: Comece procedimento de verificação – ela ordenou ao programa do computador central. - "Começando procedimento de verificação" – respondeu a máquina. A tela projetou um facho de laser nas cores azul, verde e róseo, formando a planta de sua casa. Via-se também uma porcentagem crescente atingir 100. - "Monitoramento completo, não há anormalidades no ambiente" Jessie: Faça o monitoramento de retificação. - "Executando monitoramento de ratificação" Após 5 minutos toda a operação estava concluída. Mais segura, Jessie voltou-se para os Atiradores Solitários. Jessie: Muito obrigada pela ajuda. Frohike: Estamos aqui sempre que precisar, srta. – ele tomou as mãos dela, beijando-as num gesto cavalheiro e arrancando disfarçados sorrisos de divertimento de Langly e Byers. Jessie: Mulder, estude melhor o interior da mansão de Rossini – pediu- lhe. Mulder: Sim, vou fazer isso. Quero conhecer todo os ambientes da casa para que vocês possam sair em segurança de lá. Jessie: Certo. 23:49 H Mulder dirigia em silêncio e Scully não se esforçava para iniciar um diálogo. Estavam imersos em seus próprios pensamentos até que o de Mulder falou mais alto. Mulder: Scully, você não precisa ir – disse sem desviar os olhos da estrada. Scully: Por quê? Mulder: Carlo Rossini é um homem perigoso e vingativo pelo que eu pude averiguar, além do que Jessie irá matá-lo. Eu preferiria que você não estivesse lá. Scully: Não se importa que Jessie vá sozinha? Mulder: Me importo, sim. O problema está em nossa inexperiência nesse tipo de operação. Você nunca lidou com uma situação dessas, Scully, não quero que se machuque. Scully: Tem sempre uma primeira vez para tudo, não?! Recebi treinamento no FBI, sei atirar muito bem, acho que sou perfeitamente capaz – ela retrucou na defensiva. Mulder: Eu sei que é competente – refutou e ergueu a mão para tocar-lhe levemente o rosto – Só estou preocupado, só isso. Tem que ser muito frio para conseguir realizar com sucesso uma missão como essa. Ele aproximou-se de seus lábios, ansioso para beijá-la, mas ela desviou discretamente o rosto evitando o beijo, arrancando dele um suspiro de frustração. Mulder: Mas você é especialista nisso, não, "Rainha do Gelo"?! – foi a conclusão irônica. Scully: É o que você pensa de mim? – virou-se, indignada. Mulder: O que eu penso é irrelevante. Scully: Não para mim, nunca para mim. Mulder: É mesmo? E por que? Scully: Quer que eu seja mais clara? Porque você é meu amigo, porque eu gosto muito de você, porque eu... – ela calou-se. Mulder: Porque você...? Scully: Ora, tem de haver um motivo pra isso?! – desviou o rosto novamente para o vidro do carro. Mulder: Porque você...? – ele insistiu. Scully: Não quero mais falar a respeito – disse, contemplando desinteressada os arranha-céus da cidade. SEDE DO FBI WASHINGTON DC 10:05 H TRÊS DIAS DEPOIS Superintendente: Esta é a nossa última reunião antes da Sexta-feira. Espero que estejam prontos. O programa deverá ser resgatado e Carlo Rossini, eliminado – olhou fixamente para Jessie, enfatizando esta última palavra, numa ordem muda – O Agente Mulder monitorará, como disse, a operação de fora da mansão. Não poderá jamais, em hipótese alguma, entrar na casa, entendeu Agente? – voltando o seu olhar para Mulder e depois para as demais pessoas, à saber, Scully e Skinner. Mulder: Por quê, senhor? Superintendente: Porque é irrelevante para a operação – foi a resposta pouco esclarecedora – Isso é tudo. Ao trabalho, então – dizendo isso, levantou-se. PALM BEACH 20:53 H Todos os equipamentos já estavam montados quando eles chegaram na cidade. Havia um trailler atrás de árvores frondosas que circundavam a mansão litorânea. Eles entraram nele e o que viram foi uma disposição complexa de aparelhos da mais alta tecnologia. Mulder não entendia muito bem aquilo, mas teria uma noite para aprender, o que não foi tão difícil quanto esperava. Skinner o instruía de acordo com o plano que ambos haviam traçado. Monitoraram a casa inteira e assim ficaram sabendo quantos capangas estavam vigiando a mansão litorânea, eram mais de dez... Mesmo assim, Mulder achara pouco, considerando a importância do programa que ele tinha em mãos e que precisaria ser resgatado. POUSADA BRANCA 21:30 H Jessie: Não hesite em matá-los, Scully. Se não o fizer, eles matarão você, não se iluda – ela, preocupada que estava, a alertou. Scully: Hum hum – assentiu e desviou o rosto tentando esconder a expressão conflituosa e temerosa. Jessie: Porque não desistiu, então, se está com medo? Você tinha chance de fazê-lo – ela a sondou, percebendo tal expressão. Scully: Não queria desapontar – confessou, hesitante. Jessie: Mulder? Ela calou-se em confirmação. Na expressão podia-se perceber o conflito entre o medo e a coragem, os princípios e inescrúpulos. Exatamente como ela própria se sentiu na sua primeira vez. Jessie: Não se preocupe, eu lhe dou cobertura. Scully apenas assentiu. Mulder entrou no quarto para informar-lhes todos os detalhes que conseguira juntamente com Skinner. Mulder: Há três homens vigiando o andar superior, dois na frente, dois nos fundos e três no andar de baixo. São dez homens contra vocês duas e isso só aumenta a minha preocupação – informou, após acomodar-se em uma cadeira em frente a cama e às duas. Jessie: Não será problema – disse, tentando suavizar-lhe a preocupação. Mulder: Mas dessa vez irá você e Scully. Scully: Continua achando que não sou capaz? – ela perguntou, nervosa. Jessie: Não, Scully - ela intercedeu - Ele só está preocupado com você. Acalme-se! Scully: Certo, desculpe! Mulder: Vou voltar para o meu posto. Tenham bons sonhos! – ele ironizou. 6:15 H Mulder: Sou eu. Jessie conseguimos entrar nos arquivos do Sr. Rossini – comunicou-lhe ao telefone. Jessie: Que bom! Mulder: E Scully? Como está? – perguntou ansioso. Na verdade o propósito real daquela ligação era saber sobre ela, Scully. Jessie: Ela está bem. Não se preocupe, eu lhe darei cobertura. Mulder: Ela está aí? Jessie: Sim, quer falar com ela? Mulder: Não precisa, só quero que vocês tenham cuidado. Jessie: Nós teremos – ela assegurou. Scully saía do banheiro quando Jessie desligou o telefone. Scully: Mulder? Jessie: Sim, está preocupado. Quis saber como você estava. Scully: E o que disse? Jessie: Que estava bem... Ou não está?! Scully: Claro que estou – não queria admitir pra si mesma que precisava dele a seu lado. Jessie: Vamos, então. 6:55 H Jessie parou em frente ao portão e um dos capangas de Rossini veio até ela. Scully prendeu a respiração, temendo uma possível desconfiança, mas Jessie permaneceu calma. Jessie: Non vai lasciarmi entrare? - perguntou irônica. Diante da hesitação do homem, Scully temia ainda mais. Jessie: Sei l'indiano? Non mi ricosnosce? Sono io, Tasha Edwards, imbecille! Jessie usava uma peruca loira e óculos escuros. Estava vestida com um vestido de malha colante no corpo, azul-marinho e botas pretas. Seu italiano não denotava o sotaque inglês. Scully vestia uma saia também de malha à quatro dedos acima do joelho e que marcava suavemente as suas curvas, na cor verde-musgo. Usava uma camiseta na mesma cor. Seus cabelos estavam encobertos pela peruca castanha, calçava botas pretas e usava óculos escuros. Procurava expressar desinteresse e tédio com aquela situação. - Sì, signorina. Mi dispiace, per favore – abriu o portão. Jessie: Grazie di tutto! – respondeu com um sorriso irônico para voltar- se para Scully, após terem se afastado – Conseguimos! Comunicou pelo fone preso em seu ouvido à Mulder, o sucesso, até agora, da operação. Subiram as escadas e passaram por uma grande sacada. Scully procurava imitar o jeito de andar de Jessie - remexendo os quadris e mantendo uma expressão altiva no rosto - uma combinação sensual. De onde estava, Mulder as viu passarem pela sacada e entrar no quarto de Rossini. Perguntava-se se teria algum sentido em continuar e a resposta negativa veio imediatamente: sua irmã estava morta e sua busca terminara. Não havia mais razão para continuar nada. Não se importava de levar a vida como um eremita, anti-social, pouco ortodoxo. O problema era condenar essa vida à alguém de que gostava muito, alguém que sempre estivera a seu lado... mesmo quando ele encontrava-se mal- humorado, pensou sorrindo. E, problema maior, seria afastar-se dessa pessoa. Por diversas vezes, ele perguntava-se se conseguiria. Esse era o seu maior desafio. Dentre tudo o que já enfrentara, a idéia de perder uma das pessoas que mais se importava com ele o apavorava bem mais do que seus contatos imediatos de terceiro grau, vírus, ou ter sua vida ameaçada pelos conspiradores. Se isso acontecesse, o resultado seria viver num mundo onde não se podia confiar em ninguém, muito mais do que agora, e abraçar a solidão total. E se esse fosse o resultado, então, preferiria mergulhar na escuridão e deitar-se para a eternidade. CONTINUA...... TÍTULO: A MISSÃO – PARTE 2 CAPÍTULO VIII CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO VII: " A MISSÃO " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre DISCLAIMER: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, Fox, e todo aquele blá, blá, blá... Só Jessie é criação minha. Não há intenção de obter lucro, e sim, apenas divertir os fãs. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder e Scully designados para uma operação desconhecida pra eles. Jessie precisa confrontar o seu destino iminente. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. Jessie aproximou-se do quarto, seguida por Scully. Esta última, disfarçadamente, tratou de fechar as cortinas e trancar a porta. O mafioso deliciava-se com um banho de hidromassagem. Ele sorriu ao vê-la entrar. - Oi, meu amor – disse estendendo a mão para ela e lançando um olhar curioso à Scully – Trouxe uma amiga? O sorriso morreu em seus lábios quando ele viu a arma que Scully apontava-lhe. - O que é isso, Tasha? Alguma brincadeira?! – voltou-se para Jessie, nervoso. Jessie o ignorou e dirigiu-se ao computador localizado em um canto do quarto. Introduziu uma espécie de disquete no drive. Com dedos ágeis, começou a conexão com o programa. No entanto, uma senha foi solicitada. Jessie: A senha? – voltou-se para ele com a arma em punho e apontando de pequena distâcia para a direção de sua cabeça. Diante do seu silêncio, ela atirou na parede à 2 cm do corpo dele. Jessie: A próxima será no estômago. Após ouvi-lo dizer, ela voltou ao quarto e a digitou. O programa imediatamente abriu. Apertou um botão vermelho que ficava na parte não introduzida do disquete no drive, e a sua mini-bomba funcionou, destruindo a CPU do computador, inutilizando-o. Scully continuava apontando a arma para ele, porém estava muito nervosa e mal conseguia segurá-la. O mafioso percebeu e resolveu tirar proveito disso. - Você é uma linda mulher, não precisa disso, não precisa fazer isso! – disse, persuasivo – Fique comigo e garanto que tudo terminará bem. Você terá tudo o que quiser: jóias, roupas lindas das mais importantes griffes, muito dinheiro... Darei à você tudo o que desejar – ele sussurrava com olhos atentos no rosto assustado. Ele levantou-se cautelosamente procurando ignorar a mira da arma e pouco se importando com o fato de estar nu. Scully engatilhou sua arma, numa clara ameaça à ousadia dele e isso o fez deter-se. No que pareceu horas intermináveis, Jessie voltou. Um estrondo e as portas da sacada escancararam-se. Foi com um terror no olhar que, através da parede esquerda de vidro, Scully reconheceu outro caçador, ameaçadoramente preparado para atacá-las. TRAILLER 07:15 H Mulder, impaciente, andava de um lado para o outro dentro do exíguo trailler, sob o olhar atento de Skinner. Mulder: Vinte minutos já se passaram. A conexão com Jessie foi interrompida, a operação era para durar dez minutos e já é tempo demais. Julgando os riscos que ela acarreta... – virou-se para Skinner – Elas estão lá, sozinhas. E muito me admira que os sentinelas desse italiano ainda não tenham percebido nada – ele falava sem parar, totalmente nervoso. Skinner: Calma, Agente Mulder – tocou o seu ombro, tentando tranqüilizá- lo - Jessie é uma profissional. Mulder: Mesmo assim, senhor. Ela está afastada há 4 anos, todo esse tempo sem participar de uma operação dessas. E Scully? Ela estava nervosa e com medo. Eu sabia disso... ainda sei. Skinner: Mas elas sabem o que fazem, não vamos tomar nenhuma decisão precipitada. Vamos esperar mais cinco minutos, está bem? Aí, então, nós entramos – disse, tentando ser mais convincente do que realmente estava. Mulder: Você vai esperar, eu não. Eu as conheço e sei do que têm medo. Você não conhece Scully e muito menos Jessie. Eu sei do que elas precisam, o que sentem e o que desejam – muito agitado e irritado, ele continuou – E nesse momento, elas precisam de mim – disse, por fim dirigindo-se para a porta. Skinner levantou-se, assumindo uma postura autoritária, típica do Diretor, superior de Mulder. Skinner: Agente Mulder, você recebeu ordens para não entrar lá. Se o fizer, certamente será repreendido. Mulder virou-se para ele já do lado de fora do trailler, teimoso e obstinado. Mulder: Tente me impedir, então! Skinner, derrotado, o viu dirigir-se a casa. Comunicaria imediatamente ao coordenador da operação que algo dera errado. A certeza de que essa foi a decisão certa tomada veio quando ele viu a grande movimentação na mansão de Rossini. Jessie não acreditava no que via... Outro caçador! Instintivamente, olhou para Scully que encontrava-se mais perto dele, tencionando protegê-la. Rossini também parou, incrédulo e assustado. O caçador aproximou-se com os olhos fixos em Jessie. Passou por Scully e Rossini. Scully tentou impedi-lo, empurrando-o, mas parecia que empurrava um muro, devido a imobilidade que seu golpe provocara nele. Como reação, porém, ele a golpeou com seu braço forte e pesado, lançando-a com extrema violência de encontro à parede de vidro que por sorte, não quebrou. Virou-se de volta à Jessie e partiu para cima dela. Com o barulho que se fizera ouvir no andar superior da mansão, os capangas do mafioso correram para lá. Mulder já derrubara quatro deles e tentava achar outro caminho para chegar até a sacada que não o convencional a fim de evitar o resto. Rossini, aproveitando-se do fato de Scully estar atordoada e dolorida por causa da pancada, apanhou a arma dela, caída próximo à ele e apontou-lhe, pronto para atirar. Após conseguir chegar até a sacada, Mulder ficou aterrorizado com o que viu. Jessie numa batalha corporal com um caçador e Rossini apontando uma arma para Scully prestes a matá-la. Ele agiu rápido e impediu que o italiano concluísse a tentativa. O mafioso sentiu uma dor lancinante em seu estômago. Deslizou o seu corpo para dentro da água que tingia-se de vermelho, segurando o local ferido à bala. Várias capangas de Rossini entraram no quarto, mas foram eliminados um à um pelo caçador que, sem piedade, assassinava cruelmente todos aqueles que tentassem impedi-lo de realizar a sua missão. Jessie viu Mulder chegar e impedir que Scully fosse baleada. Ela já preparava-se para atirar um vaso de louça que pegara não sabia de onde, em Rossini, em meio a luta corporal. No entanto, vendo que Mulder estava com ela, desviou o vaso e atirou na cabeça de seu opositor. Ele revidou com um soco em seu rosto tão forte que ela despencou ao chão. Scully viu quando Jessie foi golpeada e instintivamente, apanhou a sua arma. O caçador foi mais rápido e acertaria não só Scully como também Mulder que, protetor, colocara-se em frente a ela, se Jessie não tivesse tido um ótimo reflexo e o agarrasse. O que Mulder viu, incrédulo, foram dois corpos chocando-se contra uma grande parede de vidro, provocando um estrondoso ruído, despencando penhasco abaixo e sumindo na água marinha que, violentamente, batia contra as pedras lá em baixo. Scully com as mãos trêmulas, largou a arma como se ela as tivesse queimando. Encolheu-se e chorou. Mulder mal podia acreditar no que viu. Correu em direção a parede estilhaçada. Ela não podia estar morta... Não, ele sentia que não estava... Ou não queria acreditar. Ficou estático por um momento somente despertado pelos soluços cada vez mais fortes de Scully. A sensação de que ela não estivesse morta não era suficiente para diminuir a sua dor. No entanto, conseguiu manter a calma ao voltar-se e abaixar- se junto a parceira, completamente entregue ao choro, aconchegá-la em seu colo e apertá-la contra o peito. Scully entregou-se completamente à ele, enlaçando-o pelo pescoço. Seu corpo inteiro tremia e quando sentiu o aconchego dos braços dele, apertou-se mais ainda, colando o corpo, tentando diminuir o tremor que sentia. E, irracionalmente, colou seus lábios aos deles com total sofreguidão. Mulder surpreendeu-se com essa atitude impensada da parceira. Julgou ser conseqüência do estado emocional em que ela se encontrava, mas, mesmo assim, retribuiu ao beijo com igual intensidade. Não soube dizer quanto tempo durou, mas um suspiro de desapontamento não pôde ser evitado quando sentiu seus lábios frios e perceber que ela cessara o beijo, procurando evitar encará-lo, desconcertada. Scully encostou a cabeça no pescoço de Mulder escondendo parcialmente o rosto e aninhando-se em seus braços, o seu refúgio, a sua segurança. E recebeu em troca um forte abraço de conforto dele. Mulder finalmente levantou-se do chão com Scully em seus braços. Caminhou para fora da mansão, passando por Rossini que, apesar do tiro, ainda respirava. GEORGETOWN 22:00 H DOIS DIAS DEPOIS Mulder: Skinner chamou uma ambulância para levar Rossini. Ele não será preso, não fazia parte da operação, segundo o assessor do Superintendente – ironizou – Skinner está muito diferente, parece triste, nunca o vi assim – observou. Mulder chegara à casa de Scully há apenas 10 minutos e sentado a sua frente no sofá, denotava toda a tristeza que seu coração sentia - Como você está? Scully: Estou bem. Ele apoiou a cabeça com as duas mãos e não conseguiu conter as lágrimas. Chorou baixinho. Scully entendia a dor que ele estava sentindo. Ela mesma também sentia. Aprendera a gostar de Jessie e a admirava. Ela era carinhosa, solidária e fiel, a ponto de arriscar a sua própria vida para salvá-los. Não suportando mais assistir Mulder chorar e com a dor aumentando em seu peito, ela aproximou-se dele, sentou-se a seu lado no sofá e de frente para ele, afastou as pernas; o puxou para entre elas, junto de si, recostando-se em uma almofada apoiada no braço do sofá e o abraçou forte. O conforto daquele abraço fez com que ele desabasse em prantos. Abraçou- se com força à ela e permitiu que o acalentasse. Encostou seu rosto ao dela e beijou-lhe a face, sentindo o gosto salgado de suas lágrimas. No ambiente fracamente iluminado da sala, os dois agentes entregavam-se às lágrimas, agarrados um ao outro, como se tivessem medo de se perderem, de se afastarem. Havia conforto, carinho e, principalmente, muito amor. CONTINUA... TÍTULO: O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 1 CAPÍTULO X CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO IX: " A DÁDIVA DO NILO " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: depois de várias censuradas, essa também é livre! DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há interesse lucrativo. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Jessie reaparece e Mulder sente uma ameaça pior, rondando sua "relação" com Scully. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN TERÇA-FEIRA 2:45 H Scully, agitada, entrava no hospital com o telefone ao ouvido. Mulder: Quando e quem a encontrou? Scully: Eu não sei, Mulder. Skinner me ligou avisando de seu internamento aqui. Mulder: Estou indo pra aí, Scully. Estou saindo de casa agora. Scully: Espero você. Mulder: Como Skinner soube? Scully: Através de um aviso que o FBI recebeu e que ele teve acesso. Alguém queria que eu estivesse aqui, foi o que Skinner me disse. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN QUARTO N.º 512 2:50 H Scully entrou no quarto e a encontrou adormecida com alguns aparelhos ligados ao corpo, entre eles, um que media seus batimentos cardíacos e outro que fornecia-lhe oxigênio. O silêncio no quarto só era quebrado pelos bips nos monitores e as gotas de soro caindo. Ao vê-la, David, imediatamente aproximou-se. David: Fico feliz que tenha vindo. Estamos aqui há 6 horas. Scully: Como aconteceu? David: Ela foi resgatada por alguns pescadores numa praia distante, em Palm Beach. Eles a levaram para o hospital e, através do distintivo, contactaram o FBI - fez uma pausa e voltou seu rosto para a ruiva deitada na cama - Cuidei do transporte dela para cá. Scully: Como ela está? David: Estável. Estão monitorando seus batimentos cardíacos e sua respiração, mas ela parece bem - voltou seu rosto para Scully - Pedi que a chamassem para ficar aqui, até o médico dela chegar. Scully: Quem é o médico dela? David: É o Doutor John Bryant, médico inglês particular dela há muito tempo. Ele saberá o que fazer. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN TERÇA-FEIRA 3:00 H Mulder escancarou a porta do hospital, olhando em volta. Avistou o balcão de recepção e dirigiu-se à ele. Mulder: Eu estou procurando por uma paciente, o nome dela é Jessie Eilleen Arby, uma Agente Federal. A recepcionista consultou a lista de entradas e informou-lhe o quarto. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN QUARTO Nº 512 3:05 H David andou até a cama e acariciou levemente o rosto de Jessie. Scully aproximou-se também. Scully: Mulder ficará feliz em vê-la viva. David: Eu... - enfatizou - estou muito feliz em vê-la. Scully tocou o seu braço, condescendente. David respondeu com uma leve carícia em sua bochecha e um olhar intensamente apaixonado. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN QUARTO Nº 512 3:10 H Mulder abriu a porta do quarto e viu Jessie na cama do hospital. Viu também algo de que não gostou nem um pouco. A intimidade com que David tocava em Scully era absurda. Ela nem o conhecia direito! Mas não era hora para pensar nisso, aproximou-se da cama, ignorando-os e tocou os cabelos de Jessie. Mulder: Como ela está? - perguntou à ela sem se voltar. Scully: Está bem, aparentemente. Estamos aguardando os exames para sabermos mais especificamente. Mulder: E como a encontraram? Scully contou-lhe a história relatada por David. Mulder nem sequer a olhava, irritado com o que vira ao entrar, e preocupado com a amiga doente. Ela aproximou-se dele. Scully: Você estava certo, ela está viva e... Mulder: Eu sei que estava certo – cortou, seco. Nesse momento o Dr. Bryant entrou no quarto. Cumprimentou David que encarregou-se de apresentá-lo aos Agentes. Doutor: Já conversei com a equipe médica e pude examinar os exames feitos. Sua respiração se normalizará e dentro de algumas horas virão retirar-lhe os aparelhos, se permanecer assim - tranqüilizou- os - Viajei em um jato particular para chegar em tempo. David: Ia perguntar-lhe se viera de foguete, considerando a rapidez com que chegou aqui – brincou, agora mais aliviado. O médico e Scully sorriram, mas Mulder não, e ainda a censurou com o olhar. Estava pouco interessado nas piadinhas de David. Mulder: Porque "se permanecer assim"? - perguntou ao médico. Doutor: Se a respiração dela após normalizada, continuar assim até lá, o que acredito que aconteça, pois já está se normalizando, e levando em consideração o estado em que ela chegou aqui, em pouco tempo acordará. Skinner entrou no quarto e da mesma forma, indagou o estado dela. 4:20 H Todos ainda encontravam-se com Jessie exceto o médico, que resolvera acompanhar toda a operação de retirada dos aparelhos e finalização dos últimos exames da madrugada. Skinner: Agente Mulder, Agente scully, acho melhor vocês irem para casa agora. Precisam descansar. David: Concordo, eu os avisarei se algo acontecer - E voltou- se ternamente para Scully - Obrigado por atender ao meu pedido, mas precisa descansar. Vá para casa que eu e o doutor cuidaremos dela - pediu massageando-lhe os ombros. Mulder: Ela precisa de alguém próximo, aqui - ele discordou elevando um pouco a voz. David: Podemos tomar conta dela - rebateu. Foi o que bastou para Mulder perder a compostura e elevar a voz, beirando a estridência. Mulder: Você não é parente. Eu sou o padrinho dela, eu sei do que ela precisa e não se intrometa conosco - ele levantou-se, avançando ameaçador, referindo-se não só a Jessie, mas também à Scully. Queria deixar bem claro que não havia gostado daquela intimidade toda. Skinner estendeu a mão em seu peito, para conter os ânimos. Skinner: Mulder, vá para casa. Scully: Vamos, Mulder - ela o puxou pela mão e ele a seguiu. Esperou apenas que ela fechasse a porta do quarto para atacá-la. Mulder: E você? O que estava fazendo quando entrei? Scully: Como assim, Mulder? Eu disse para você ao telefone, Skinner me chamou, Jessie reapareceu e fui vê-la. Não só por você, mas por mim também. Mulder: E onde David entra nisso? Scully: David?! - arqueou as sobrancelhas, confusa - Estávamos conversando, só isso. Pediu que eu ficasse com ela até o médico chegar. Mulder: Nós o conhecemos há pouco tempo e agora vocês são os melhores amigos?! - ironizou. Scully: Não estou entendendo qual a importância que isso tem agora e não vou ficar aqui para descobrir – e decidida, Scully atravessou o corredor à passos duros, completamente irritada. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN 12:00 H QUARTA-FEIRA David entrou numa sala, onde os médicos discutiam os exames dos pacientes. David: Dr. Bryant, Jessie já acordou - anunciou. Doutor: E como ela está?! David: Bem. Acordou com um sorriso lindo. Avisei ao Sr. Skinner e ele encarregou-se de fazê-lo aos dois agentes. Doutor: Veja esses exames – o convidou. David olhou, sem no entanto entender muita coisa, pois não conhecia aqueles termos médicos. David: O que há neles? Doutor: Temos aqui um quadro de Leucopenia. David: O que é isso? - perguntou começando a se preocupar novamente. Pegou outras pastas e as entregou à ele. Doutor: É uma deficiência no organismo caracterizada pela baixa de leucócitos, células de defesa. A pessoa fica mais vulnerável à contrair doenças que outra pessoa com níveis normais. De repente ela pega uma gripe que rapidamente pode se transformar em pneumonia e levá-la à morte. Ele fez uma pausa para que David pudesse digerir melhor as informações. Doutor: Esses são os níveis que ela tinha 2 meses antes de seu desaparecimento, 6.000 leucócitos por campo - apontou para o número no exame - Esse foi feito de madrugada, 3.100. E este... - abriu outra pasta à sua frente - foi feito há 2 horas e está caindo, chegou, até agora, em 2.800 num curto espaço de tempo para o anterior. David: E o que vamos fazer, Doutor? Doutor: Vou pedir uma Ultrasom, desconfio sobre o que está provocando isso. Avise àquele padrinho dela. Parece ser o único parente mais próximo. CONTINUA... TÍTULO: O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 2 CAPÍTULO XI CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO X: " O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 1 " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: essa também é livre! DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há interesse lucrativo. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: A chegada de uma vida pode representar uma nova ameaça para Jessie e mudanças para Mulder e Scully. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN QUARTO 512 12:40 H Ao voltar para o quarto, David percebeu que tornava-se evidente o motivo de preocupação do Dr. Bryant. Uma barriga redonda já lhe era proeminente e fazia apenas 8 dias que estava aqui. Seu olhar estava distante em algum ponto para fora da janela e sua expressão, séria. Ele segurou as geladas mãos entre as suas, o que não foi suficiente para desviar-lhe a atenção. David: Jessie, você está bem? - não obteve resposta e insistiu - Estou aqui, perto de você. Sabe que irei apoiá-la sempre. Jessie: Não era para ter acontecido, David. Eu me preveni, queria evitar... - respondeu ainda com os olhos fixos para fora da janela. David: É do Diretor do FBI, não é?! Pronunciou-se em seu rosto um sorriso amargo e irônico: Jessie: De quem mais poderia ser?! David: Vai contar à ele? – perguntou com cautela, mas ela não respondeu. O médico entrou no quarto, o que a fez, finalmente, desviar sua atenção para o interior do ambiente. Doutor: Exatamente como eu temia - disse, após notar-lhe a gravidez. Jessie: Como assim? Doutor: Você está grávida. Jessie: Isso eu já notei - novamente irônica. Doutor: Faremos a Ultra-som do bebê - aproximou-se e tocou- lhe delicadamente o pulso - Eu temo que precisaremos tirá-lo. Ela não respondeu. Na verdade, não queria aquela criança. Apesar de gostar delas não sentia-se preparada para ter uma. Não agora e talvez nunca. O Doutor mostrou-lhe os resultados dos exames e fez um pequeno resumo de tudo. Doutor: Esse feto está em conflito com o seu organismo, está sugando nutrientes dele, o corpo não está oferecendo o suficiente para que ele possa se desenvolver. Em conseqüência disto, o sistema imunológico está debilitando-se. Jessie: Vamos concluir tudo, Doutor. Doutor: Vocês, você e a criança, têm apenas 20% de chance de sobreviver, se o parto for feito. É possível que um de vocês não continue vivo após ele. Sendo assim, o aborto é a melhor solução porque, apesar dos riscos, as suas chances aumentam para 60%. Ela respirou fundo. Jessie: Essa não pode ser uma decisão unilateral - concluiu e virou-se para David - Ligue para o Diretor Skinner e peça-lhe para vir até aqui. David: Tudo bem! Jessie: David... David: hum...? Jessie: E Mulder? Onde está? David: Ele esteve aqui. Passou quase a madrugada toda. Ela apenas assentiu com uma expressão, disfarçadamente contente. 15:25 H Jessie fizera a Ultra-som. De volta ao quarto, degustava uma taça colorida de gelatina preparada com compostos altamente nutritivos. O ruído da porta chamou a sua atenção e viu Mulder entrar no quarto seguido por Scully. Ele aproximou-se, e sem hesitar, a abraçou com carinho. Mulder: Como você está? Jessie: Sinto-me melhor - desviou seu olhar para Scully e estendeu a mão para ela - Olá, Scully ! - ela a cumprimentou com indisfarçável alegria. Scully: Quando sai daqui? – retribuiu-lhe o cumprimento. Jessie: Ainda não sei. A gravidez não havia sido notada devido a bata larga do hospital e ao grosso cobertor sobre ela. O Dr. Bryant retornou ao quarto junto com David. Mulder empertigou-se ante a visão ameaçadora que ele representava e pôs-se, instintivamente, ao lado de Scully. Doutor: Boa tarde, Agentes - cumprimentou-os e voltou-se para ela - Está confirmado, querida. Precisamos tirá-lo o quanto antes. Mulder: Tirar o quê? Do que estão falando? – perguntou, visivelmente surpreso. Jessie puxou o cobertor e levantou a bata. Jessie: Disto. Mulder olhou espantado para a gravidez e pensou imediatamente em Skinner. Desviou o olhar para Scully que também mostrava-se surpresa. Não com o fato de estar grávida, mas sim em tão pouco tempo. Doutor: Mandei fazer alguns exames no bebê também, mas talvez só fiquem prontos daqui há uma semana. Pedi urgência neles, é claro, pois acho que não vai dar para esperar. Jessie: Quanto tempo tenho? Doutor: Devido às condições em que sua gestação está se desenvolvendo, eu diria que o aborto deverá ser feito o mais rápido possível. De preferência, amanhã. Scully: Porque abortar? O médico relatou à Scully as condições e os riscos que a gravidez de Jessie acarretava para sua saúde e até para sua vida. Jessie: Me dê 4 dias. Essa decisão não pode ser tomada por uma única pessoa. Não posso decidir por três. 16:02H Apesar de ter chegado um pouco mais tarde, Skinner caminhou apressadamente para o quarto de Jessie. Ao vê-lo entrar, todos saíram entendendo a situação delicada. Skinner aproximou-se dela e sentou-se numa cadeira ao lado da cama. Jessie: Pedi que viesse, pois preciso contar-lhe algo. Skinner: O quê? – perguntou, preocupado. Ela fez uma pequena pausa e foi direto ao assunto. Jessie: Estou grávida – anunciou, direta. Ele ficou em silêncio por alguns minutos que para Jessie pareceram horas. Passado o susto inicial, um sorriso insinuou-se em seus lábios. Ele segurou as geladas mãos entre as suas. Skinner: É uma boa notícia - ela apertou os lábios ao ouvi- lo. Jessie: Não é tão simples assim. Há complicações que comprometem a minha saúde e a do bebê. Skinner: Como assim? – o sorriso morreu em seus lábios. Jessie: Se eu fizer o parto, há 20% de chance de nós dois, eu e esse bebê, sobrevivermos. Por outro lado, se eu abortar, as minhas chances de sobreviver são de 60% - fez uma pausa, buscando alguma reação dele - Mas, não posso decidir só por mim. Se achar melhor, eu terei esse bebê. Skinner: Não, de jeito nenhum. Se é preciso fazer isso, nós faremos. Não quero que você... comprometa a sua saúde - na verdade, não queria que nada de mal acontecesse à ela - E que complicações são essas? Jessie: Debilitação do meu sistema imunológico. Skinner: Então, eu quero o que é melhor para você – disse emotivo. Jessie: Só estou lhe comunicando isso por ser o pai do bebê - não pretendia ser rude, mas era melhor dissipar as esperanças dele de que algo de mais romântico e profundo pudesse acontecer entre eles. Por isso, sua voz era gélida e cortante. Skinner: Eu compreendo - ele disfarçou o seu desapontamento, assumindo uma expressão séria. 4 DIAS DEPOIS Mulder permanecera todos esses dias com ela, acompanhado de Scully. Durante esse tempo, Jessie notara que ela realmente estava tocada, emocionada com a possibilidade da chegada do bebê. Jessie queria ser mãe, mas sabia que isso não seria possível... Não atualmente e talvez nunca. Por isso evitava, ao máximo, uma gravidez, pelo método que considerava mais fácil, não permitir aproximar-se das pessoas, não ter qualquer envolvimento emocional. No entanto, fugira a essa regra com Skinner e agora estava pagando o preço alto de sua inconseqüência. Quando ela adormecia, vez por outra, surpreendia Scully acariciando sua barriga, desejando que ela própria pudesse conceber uma criança. Isso fazia Jessie sentir-se mal por rejeitar o bebê. Se as condições de sua gravidez não fossem tão adversas, poderia até ficar feliz em ser mãe. E, na verdade, ela não o rejeitava, só não queria se apegar demais para que, mais tarde, fosse obrigada à deixá-la. E ela sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Poderia tê-lo somente para entregá- lo à Scully e Mulder. A vontade de dar a eles o que tanto desejavam era muito grande e gostaria de causar tal felicidade para o casal. O casal mais bonito e completo que já vira em sua pouca idade e experiência. Essa vontade aumentou quando ouviu Mulder confidenciar-lhe uma vez sobre como seria bom ter um rebento brincando com ele. Adoraria levá-lo para passear, comprar-lhe doces, contar-lhe estórias, colocá-lo para dormir, ensiná-lo a jogar baseball e basquete, exatamente como fizera com ela. E pensando melhor, ele estava certo, já não tinha mais o que buscar, pelo que lutar. Precisava construir uma família: esposa, filhos, confusão... Precisava disso. Era inacreditável que uma pessoa que aprendera durante toda a sua vida a esconder os seus sentimentos, a agir fria ante às pessoas e aos acontecimentos, ao lado dele fosse um poço de emoção e vulnerabilidade. O médico retornou com os exames do bebê que haviam saído a tempo do laboratório. No quarto, apenas Jessie e David. Dr.: De fato, o bebê está se desenvolvendo além do normal. Aliás, de forma bem acelerada. E continua sugando os nutrientes do seu organismo, mas a coisa estranha está aqui - colocou uma folha transparente num painel branco com luz fluorescente, fixado na parede - o bebê possui três cadeias distintas de DNA de origem. Uma delas é sua - fixou outra folha ao lado desta para comprovar o que dizia - as outras duas não sei de onde surgiram, mas nenhuma delas é de Skinner - concluiu. David: Como assim? - abaixou o tom de voz - Ela não esteve com nenhum outro homem nos últimos anos. Dr.: Acredito, David. Mas, então, como isso é possível? Jessie: Descubra de quem é, Dr. Dr.: Como vou fazer isso? Ele a viu pensar um pouco para depois concluir. Jessie: Peça amostras de sangue de Mulder e Scully. David: O que eles têm haver com isso? Você não dormiu com Mulder, dormiu? Jessie: Não vou nem me dar ao trabalho de responder a essa sua pergunta estúpida – rebateu, contrariada. Dr.: Não dá tempo, temos que fazer o aborto. Jessie: Não farei aborto algum antes do resultado desses exames. Aliás, ele depende disso - refutou, extremamente decidida. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN 10 DIAS DEPOIS 09:55 H Pronta para voltar para casa e com o resultado dos exames nas mãos, Jessie estava muito feliz, decidida a não fazer o aborto e ansiando para que Mulder chegasse logo e soubesse da notícia. Ele não tardou a chegar para vir buscá-la. No entanto, ela esperou estarem em casa para mostrar-lhe o resultado. RESIDÊNCIA DE JESSIE 15 DE DEZEMBRO 10:30 H Mulder colocara a valise dela sobre o sofá. O mordomo Morgan a retirou e os deixou sozinhos. Jessie: Nunca pensei que ficaria tão feliz em voltar para cá - disse, andando e contemplando o ambiente. Mulder: Como se sente? – perguntou seguindo-a, atrás dela. Jessie: Bem. Retirou os exames da bolsa e, virando-se para ele, o fez sentar. Jessie: Mulder, tem algo que quero que veja - estendeu-os a ele, recebendo um olhar curioso. Mulder: O que é isso? Jessie: São os resultados dos exames feitos com o DNA. O bebê apresenta três cadeias distintas de DNA de origem, como você pode ver. Uma já foi identificada, é minha; as outras duas não haviam sido, até hoje - ele lançou-lhe um olhar ainda mais curioso - Nenhuma delas é de Skinner. Mulder: E daí? Jessie: Bom, pedi para pesquisar de quem se tratava essas duas cadeias. E foi constatado que elas pertencem a você e Scully. Mulder assumiu uma expressão chocada. E, mal conseguia acreditar no que ouvia. Mulder: E o quê isso quer dizer? – perguntou mesmo assim para garantir que não pensara errado. Jessie: Quer dizer que ele tem duas mães e um pai. Eu, você e Scully. Agora, como, eu ainda não descobri. Mulder não cabia em si de felicidade e demonstrou isso ao abraçá-la e beijar levemente a sua barriga. Em sua felicidade total, num primeiro momento, não pensou nem em investigar em como teria acontecido. Mulder: Scully já sabe? Jessie: Ainda não, prefiro que você diga a ela. Mulder: Foi por isso que você não fez o aborto? Está arriscando a sua vida... – repreendeu-a carinhosamente. Ela levantou-se já na defensiva. Jessie: Os riscos são os mesmos. Mulder: Mas o Dr. disse que... Jessie: ... ele convenceu-se depois de que não faria tanta diferença assim - ela o interrompeu. Mulder: E o que vai fazer? Jessie: Colocar uma criança no mundo requer muita responsabilidade, responsabilidade pela qual ainda não estou preparada. Portanto, abdicarei dessa criança em favor de vocês. Tenho colegas no serviço de adoção que cuidarão de toda a papelada e dos trâmites legais. Sei que vocês vão querer adotá-la. Mulder nunca tinha percebido o quanto queria e saber que era de sua parceira, a mulher em quem confiava e amava muito, dava-lhe a sensação de felicidade completa. Mulder: Scully vai adorar a idéia - fez uma pausa - E eu já estou adorando! Ela depositou um leve beijo em sua testa em sinal de apoio. Jessie: Esta tarde vou ao Bureau dar entrada na minha licença. Mulder: Mas... já?! Jessie: Mulder, o feto está com 6 meses de desenvolvimento. Não vai demorar nada para ele nascer! Mulder: E como explicará isso ao Bureau? Jessie: Não vou precisar tirar licença-maternidade e sim, apenas uma licença normal para tratamento de saúde. Mulder: Mas, e a barriga? Jessie: Não me importo nem um pouco que a vejam. CONTINUA... Achei meio confusa a explicação sobre a gravidez. Como o Dna do Mulder e da Scully foram parar ali ? Bom, vou terminar de ler e ver se há explicação mais para frente. Até agora a estória está muito boa e bem escrita. TÍTULO: UMA AMEAÇA IMINENTE CAPÍTULO XII CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO XI: " O PERIGO DE UMA VIDA – PARTE 2 " AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre! DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há interesse lucrativo. SPOILERS: A Sexta Extinção – parte 2 RESUMO: Scully convence-se de que Mulder não resiste às investidas de Diana. E ele terá que provar que ela está errada. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. CENTRO DE LONDRES 10:30 H - A gravidez está se desenvolvendo? - Sim, está. Vai nascer logo. - Não deve demorar muito, eu sei. Ficaremos atento a isso. A Seção a perdeu, mas vou compensar essa perda com a criança. Ela ficará na Seção e, como Jessie, será treinada e preparada para ser o melhor Agente que já tivemos. Melhor até do que a mãe. - Certo. Usará na criança o projeto Gelman? - Usaremos aos poucos. Assim que essa criança nascer, eu a quero aqui. O projeto será feito desde o seu nascimento. Sofrerá um processo gradativo e contínuo de preparação para ser Agente da Seção. Nada de emoções, sentimentos e nem ligação alguma com qualquer pessoa. Será a nossa moeda da sorte, a nossa segurança nas missões de risco máximo. O projeto é o melhor do mundo em controle de mentes. - O melhor? Jessie resistiu. - Não subestime a capacidade de sobrevivência dela. Foi muito bem treinada, mas erramos em permitir-lhe emoções. No entanto, o projeto deu a ela um controle maior de sua mente por ela própria, o que a livra de várias situações inóspitas e aumenta o sucesso das missões. Mas já que ela não trabalha mais para nós e não estamos conseguindo trazê-la de volta, deixe que o alien-caçador cuide dela. - Não estou vendo nenhum esforço por parte da Seção para que isso aconteça. Eu cumpri a minha parte no acordo, entreguei-lhe as células reprodutórias de Mulder e Scully como o combinado. Agora é a sua vez de dar o que eu quero. - O programa para a construção da bomba estará aí em poucas horas. Confie em mim, sou um homem de palavra. Afinal, foi uma troca justa. Você me deu as células dos dois Agentes do FBI. Preciso que essa criança carregue desde o seu nascimento, a percepção, perspicácia e inteligência dos dois. Aliado às qualidades de Jessie, será um ser humano muito bem formado para atender aos nossos propósitos. Aperfeiçoaremos quando chegar aqui, no decorrer de seu crescimento, para que se torne perfeito. A criança, no momento, é a nossa prioridade. Além disso, Jessie não vai querer a criança. Temerá que a tiremos dela e entregando-a aos dois, será mais fácil. - Concordo. Foi uma troca justa! – o Canceroso desligou o telefone, com uma expressão de contentamento no rosto. SEDE DO FBI WASHINGTON D.C 16:58 H Diana precisava ver Mulder e não soube explicar o porquê. Considerava-se uma mulher controlada, mas a necessidade de vê-lo e senti-lo era tamanha, que seu corpo doía. Queria continuar o que não haviam terminado no Cairo. Amava Mulder à sua maneira e não podia deixar de se angustiar por vê-lo sofrer, tentando provar o que, para ela e como já o dissera, não havia necessidade. Tomou uma decisão, se não poderia estar com ele nos AX, ela o traria para o projeto. Talvez relutasse no começo, mas convenceria-se do quão era inevitável a invasão. Telefonou para ele e comunicou que precisava vê-lo. 17:00 h Jessie saiu do elevador direto para a sua sala. Caminhava calma e serena pelos corredores do FBI. A aparente barriga de 6 meses chamava a atenção de todos que não disfarçavam olhares curiosos, mas ela mantinha-se altiva e não se importava com eles. Já na sua sala e com uma surpresa secretária às suas costas, ela pediu que trouxesse o modelo de requerimento para licença. CASA DE JESSIE 17:15 H Diana cumprimentou polidamente o mordomo que abrira a porta para ela. Olhou para a imponente sala e para a requintada mobília. Viu Mulder descendo as escadas e um calor percorreu o seu corpo ao notar-lhe vestido com uma calça jeans apertada e camiseta justa, os quais moldavam-lhe o corpo. Aproximou-se e parou à sua frente no pé da escada. Mulder: Disse que precisava falar comigo. Diana: Preciso sim. Estendeu o braço e espalmou a mão em seu peito, percorrendo-o numa delicada carícia. Diana: Na verdade, é mais importante do que palavras possam expressar - sussurrou em seu ouvido. SEDE DO FBI WASHINGTON D.C 17:10 H Jessie terminara de digitar o requerimento e estava recostada em sua poltrona com os olhos fechados, descansando o corpo. Desde essa sua gravidez não convencional, ela sentia-se fraca e cansada. Scully entrou, após ser anunciada pela secretária e com um carinhosa repreensão no olhar. Scully: O que faz aqui? Não me diga que veio trabalhar? Deveria estar em casa, descansando. Jessie: Precisava fazer o meu requerimento para a licença - justificou. Scully: Não precisava vir aqui. Poderia enviar pelo correio eletrônico ou ter me pedido, que eu o faria para você. Jessie: Eu sei, Dra. Scully, obrigada, mas eu precisava vir - brincou. Scully sorriu e sentou-se na cadeira à sua frente. Scully: Mulder ainda está na sua casa? Telefonei para a casa dele, mas ninguém atendeu. O celular está fora de área. Jessie: Sim, eu o deixei na minha casa quando saí. Jessie estava com um sorriso fácil nos lábios, notou Scully. Seus olhos estavam alegres, risonhos e ela queria muito saber o motivo. Também queria saber porque decidira ter o bebê considerando os riscos. Ela nunca quisera tê-lo, desde que soube da gravidez. E agora mudara de idéia, assim, sem explicação?! Jessie perscrutou as feições delicadas de Scully e interiormente sorriu. Ela teria logo, logo, todas as respostas para as suas dúvidas. Retirou o papel da impressora e o assinou. Ao vê-la levantar-se, Scully reparou no quanto a barriga estava grande e redonda e seus pés, inchados. Jessie anexou a cópia dos resultados dos exames, pegou sua bolsa e, com um sinal, convidou Scully. Jessie: Vamos, Scully. Vejamos o que Mulder está fazendo. Ela entregou os documentos para sua secretária, pedindo-lhe que os encaminhasse até a Superintendência, e saiu. CASA DE JESSIE 17:20 h Mulder: Você disse que era importante – respondeu, contrariado. Diana: Meus sentimentos não são importantes, Fox?! - ela protestou com o charme que lhe era típico - Estou decepcionada com você. Mulder: Eu não disse isso - tentou livrar-se delicadamente de sua investida - Mas você não pode vir aqui. 17:25 H Scully: Você tem um lindo jardim - disse, olhando em volta após descer do carro, ao encontrá-la na garagem da mansão. Jessie: Mãos mágicas do Sr. Feltz - sorriu - O jardineiro. Elas trocaram um sorriso. Jessie entregou as chaves do seu carro para o motorista e encaminharam-se para dentro da casa. 17:28 H Diana: Por que? Mulder: Jessie não gosta de estranhos aqui, ficará aborrecida comigo por tê-la deixado entrar. Diana: Então, vamos sair daqui. Ir para outro lugar - ela sugeriu, colando o seu corpo ao dele e sussurrando em seu ouvido - Onde eu possa mostrar-lhe o quanto senti e ainda sinto, a sua falta. Mulder: Prometi que a esperaria voltar... Ela não o deixou continuar. Apoderou-se de seus lábios com urgência, extravasando toda a sua paixão. Ele não teve muito tempo para pensar em reagir, pois tudo foi muito rápido, mas viu-se correspondendo ao beijo. Diante da reciprocidade dele, ela o apertou mais contra si e isso parece tê-lo feito despertar e perceber o que estava fazendo. Soltou-se de seu abraço, ofegante. Não era justo com Jessie, não na casa dela, onde estavam... Não era justo com Scully, concluiu. Ao virar o rosto para a entrada, ele as viu, estanques no meio da sala, assistindo a toda a cena. Diana acompanhou o seu alarmado olhar e deteve- se, surpresa, na barriga de Jessie, olhando-a de cima à baixo. Muito embaraçado e praguejando baixinho, ele tentou se explicar, o que piorava mais as coisas a medida em que ele ia tentando. Mulder: Jessie, Scully, não é nada do que estão pensando. Jessie: E o que eu estou pensando, Mulder? - ela arqueou as sobrancelhas, irônica - Diga-me! O clima estava tão tenso que podia-se cortar o ar com uma faca. Os olhos de Jessie escureceram-se e ela perigosamente dirigiu-se a Diana. Jessie: E você? O que faz aqui? Diana: Vim falar com Fox. Jessie: Saia da minha casa - ordenou. Diana olhou para Mulder que fez um movimento quase imperceptível com a cabeça, pedindo que obedecesse. Então, ela passou pelas duas, sem olhá- las e saiu. Scully olhava fixamente para Mulder, seus olhos estavam marejados, mas não se permitiu chorar, pelo menos não na frente dele. Engoliu o choro e procurou demonstrar uma expressão altiva, exasperada e orgulhosa. A decepção misturada a raiva tomavam conta dela naquele momento. Girou o corpo e encaminhou-se para sair também, mas com um rápido movimento, ele segurou o seu pulso. Mulder: Scully, escute-me - suplicou-lhe em vão. Ela puxou seu braço de maus modos e saiu em dizer nada. Mulder voltou-se para Jessie. Jessie: Satisfeito?! Vá consertar o que você fez. Dizendo isso, ela subiu as escadas deixando-o sozinho no meio da sala. GEORGETOWN 20:05 H Scully apertou a colcha da cama, tentando aplacar a sua dor. Não soube dizer por quanto tempo havia chorado. Aliás, lágrimas ainda teimavam em molhar a sua face. Mas porque a surpresa? Não era assim sempre? Toda vez que Diana aparecia, Mulder agia do mesmo modo. Sempre acreditava em tudo o que ela dizia sem ao menos se preocupar em comprovar a veracidade dos fatos, mesmo quando ela, Scully, mostrava as provas. E sempre cedia às investidas dela. Com o corpo cansado, ela deixou-se adormecer. Mulder, meio que receoso, abriu a porta com as suas chaves e entrou no apartamento de Scully. Temia que, se houvesse tocado a campainha, ela não o atendesse. Precisava muito falar com ela e explicar-lhe que não acontecera nada. Ela precisava saber disso. Ainda mais agora com o bebê para nascer. A verdade era que não conseguia imaginar outra pessoa para ser a mãe de um filho que, por ventura, ele viesse a ter, que não Scully. Fora um presente, pois ele nunca reparara no quanto desejava aquela criança. E saber que era das duas mulheres que mais amava no mundo, as duas únicas, fazia com que todo o resto não tivesse importância. A situação em que Mulder se encontrava e as suas atitudes talvez explicassem o seu comportamento com Diana e, principalmente, com Scully. Seus hormônios estavam muito ativos e a sua libido, mais ainda, por isso não conseguia rejeitar Diana. Apesar de tudo, ele admitia, ela era uma mulher bonita e desejável. No entanto, a constante necessidade que tinha em explicar o seu comportamento à Scully estava se tornando maior do que antes, do que já era e aumentava mais e mais, a cada dia. Era um hábito. Sorrateiramente, ele dirigiu-se ao quarto e a encontrou adormecida. A face úmida e inchada indicava-lhe o quanto ele a havia feito chorar. Seu coração apertou-se, pois sabia que só em uma situação extrema, ela mostraria o seu lado frágil. E mesmo assim, escondera-se para lamber as suas feridas. Sentou-se no chão, ao lado da cama, encostou seu rosto na beirada, próximo ao dela. Segurou uma mão fria e ficou a contemplá-la. Por fim, o cansaço o venceu e ele também adormeceu. 02:15 H Scully moveu-se na cama e sentiu a sua mão presa. Abriu os olhos para ver o que era e deparou-se com o rosto de Mulder próximo ao seu. Mesmo dormindo, esse mesmo rosto ainda estava emoldurado por rugas de preocupação. Ela puxou sua mão sem muita delicadeza fazendo-o despertar. Mulder olhou para uma Scully com mágoa evidente em sua expressão. Sentou- se lentamente na extremidade da cama. Ela se afastou para a outra extremidade. Scully: Vá embora, Mulder! - pediu, sem encará-lo. Mulder: Scully, eu preciso falar com você - implorou. Scully: Eu não quero falar, vá embora! - ela refutou. Mulder: Você não vai falar nada, então, mas vai me ouvir. Ela nada disse. Mulder levantou-se e sentou-se a seu lado. Respirou fundo antes de iniciar. Mulder: Scully, não aconteceu nada lá. Eu recebi um telefonema da Diana, dizendo que queria falar comigo e que era importante. Disse a ela onde estava porque julguei que não iria demorar. Eu sei que Jessie, apesar de não dizer nada, não simpatiza muito com ela – não sabia porquê estava se explicando, só sentia que tinha necessidade de fazê-lo. Scully: Vai tentar me convencer que não iria acontecer nada?! - perguntou sarcasticamente. Mulder: Não iria acontecer - tentou responder com mais convicção do que sentia. Scully: Isso porque "nós" chegamos - ela levantou-se bruscamente e elevou o tom de voz - Não espera que eu acredite mesmo nisso, não é?! Levando em consideração a energia... sexual que vocês geram toda vez que se encontram... Mulder: Scully, está sendo injusta! - ele ficou de pé e parou a sua frente - Tenho prioridades em minha vida - e com um olhar enigmático, continuou - Principalmente agora. Mulder revelaria sobre o bebê e ela amansaria. Precisava dizer-lhe que o seu inconsciente sonho de ser pai havia se concretizado e em poucas semanas uma criança viria ao mundo. Scully: Mulder - ela suspirou, alheia aos pensamentos dele - Essa não foi a primeira vez e não será a última, portanto, não vou mais lutar contra algo que não posso vencer. Se quiser ir com ela, retomar a parceria de vocês, então vá - ela falava a verdade, mas seu coração estava apertado pela dor e pequenininho que caberia em um buraco de fechadura – Você sempre acreditou nela mesmo em detrimento das provas que eu lhe mostrava – disse com tristeza. Mulder: Scully, você não precisa lutar por nada. A minha decisão sempre foi a mesma e eu preciso que você saiba de algo... Scully: Não quero saber, Mulder! - ela o cortou. Girou o corpo, dirigiu-se para a sala e abriu a porta. Scully: Vá embora, por favor! - pediu, enquanto segurava a porta aberta. Mulder saiu, mas não se deu por vencido. Impaciente, torcia para que o elevador chegasse ao térreo. A ansiedade era muito grande. Entrou no carro e deu rapidamente a partida, dirigindo em disparada para a casa de Jessie, às 02:40 h da madrugada. Sabia que iria acordá-la, mas também sabia que ela não se importaria quando soubesse o motivo de seu retorno. Pegou a estrada e correu o máximo que pôde para chegar logo. Scully mudaria de idéia quando soubesse e, ainda mais, quando visse as provas. Estava tão ansioso e absorto em seus pensamentos que não atentou para o caminhão que, perigosamente veio em sentido contrário, mas na sua direção. CONTINUA... TÍTULO: NINGUÉM VIVE PARA SEMPRE – PARTE 1 CAPÍTULO XIII CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO XII: "UMA AMEAÇA IMINENTE" AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper! CENSURA: Demorou, mas ela apareceu - 18 anos - terminantemente proibida para menores! DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado. Não há interesse lucrativo. SPOILERS: Nenhum. RESUMO: Scully descobre de maneira errada a paternidade do bebê e que Mulder a traiu. E ele vai fazer mais do que provar a ela que está errada. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic, inclusive proibida para menores. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. Mulder conseguiu desviar-se a tempo de evitar a batida. Respirou fundo, tentando ficar menos ansioso e procurou concentrar-se na estrada. CASA DE JESSIE 03:00 H Mulder colocou o seu polegar na porta de entrada da mansão e esta abriu automaticamente. Olhou em volta do interior escuro da casa e subiu as escadas em direção ao quarto de Jessie. Acomodada de perfil com uma mão repousada em cima da barriga, Jessie mantinha a aparência serena. Toda vez que Mulder olhava para ela, sentia- se calmo, relaxado. Ela transmitia-lhe segurança e paz. Era o mais próximo de uma irmã e a considerava assim. Aproximou-se de sua cama, tocou levemente o seu braço, tendo o cuidado em não assustá- la. Mulder: Jess, sou eu, acorde! - sussurrou em seu ouvido. Ela abriu os olhos meio sonolenta, tentando identificar a silhueta a sua frente. Jessie: Mulder, o que faz aqui? Aconteceu algo?! – ela tentou levantar- se, mas foi impedida por ele. Mulder: Calma, não aconteceu nada. Jessie: O que houve? Que horas são? Mulder: Preciso daqueles exames que fizeram no bebê e também o seu, o meu e o de Scully. Jessie: Você quer todos, então! – respondeu, com um meio sorriso. Mulder: Sim, quero. Jessie: Posso perguntar por quê? Mulder: Preciso mostrá-los a Scully. Ela ainda não sabe. Jessie: É verdade. Jessie levantou-se com certa dificuldade mesmo com a ajuda de Mulder. A barriga estava pesada demais e ela perguntava-se se até o final da gestação o bebê estaria com quanto de peso? Bem uns 6 kg! Dirigiu-se até a sala ao lado e colocou sua mão no sensor da parede. Após a porta abrir-se, foi até a escrivaninha, abriu uma gaveta e retirou de lá as pastas com os exames. Jessie: Tome – estendeu-os a ele – conte para ela e a espere pular em seu pescoço. Mulder: Pular em meu pescoço? – fez uma expressão de dúvida. Jessie: É, Mulder, de felicidade! Mulder: Então terei que deitar porque até sentado é capaz que eu me canse – sorriu, triste. GEORGETOWN 03:50 H Mulder abriu a porta, após bater inúmeras vezes sem que fosse atendido. Entrou com a sensação de que o apartamento estava vazio. O silêncio em que ele encontrava-se dizia isso. Foi até o quarto de Scully e suspirou frustado ao ver a cama arrumada e vazia. Para onde Scully teria ido, afinal? Tentou o celular, mas estava fora de área. Sentou-se na cama, abriu uma das pastas e ficou a folheá-la com uma expressão triste por não ter tido a chance de contar logo, naquela noite. SEDE DO FBI WASHINGTON DC 08:45 H Na sua sala, Jessie pedira a secretária para buscar o resultado do seu pedido de requerimento na Superintendência, o qual já sabia que havia sido deferido. Apoiando no ombro o telefone enquanto suas mãos estavam ocupadas com os papéis e processos, ela falava com o procurador que a substituiria, quando da sua ausência. Uma correspondência em cima da sua mesa chamou-lhe a atenção, era do Departamento de Justiça Federal. Ela o abriu e sorriu satisfeita com o que leu, acabara de ser nomeada Juíza Substituta da Corte Suprema. De repente, um barulho na porta a fez virar-se. Seus olhos escureceram e estreitaram-se perigosamente quando pousaram na figura esguia de Diana Fowley. 08:35 H Scully andava pelo corredor do Bureau. Resolvera sair logo após Mulder ter deixado o seu apartamento. Não queria encontrá-lo e sabia que ele voltaria lá. Mulder era por demais teimoso. Sentia-se perdida e queria a sua segurança de volta. Normalmente buscaria por Mulder, mas ele fora o responsável por seu sofrimento, sua dor. Resolveu, então, procurar por Jessie. Ela sim, transmitiria-lhe a segurança de que precisava, e que antes só Mulder o fazia. Ao aguardar o elevador chegar a seu destino, ela torcia para que Mulder não tivesse tido a mesma idéia que ela. Foi com esse temor que deixou o elevador e, adentrou em outro corredor, dirigindo-se para a sala de Jessie. 08:35 H Jessie olhou para Diana de cima à baixo. Ela não tinha motivo algum para estar lá. O que será que viera fazer? Uma consulta jurídica?! Despediu-se de seu colega e finalmente voltou-se para a sua desagradável visitante. Jessie: O que faz aqui? – apesar do tom calmo na voz, era muito mais uma acusação do que uma pergunta. Diana a ignorou, olhou para a barriga dela e depois para seu rosto. Diana: De quem é? É do Fox? – como Jessie, sua voz também saiu em tom acusatório. Jessie aproximou-se calmamente dela mantendo a voz baixa, porém, firme. Jessie: Você invade a minha casa sem ser convidada, depois faz o mesmo com a minha sala, agora, neste momento, e ainda sente-se no direito de exigir alguma coisa?! – ela a acusou, elevando um pouco o tom de voz. Diana: Eu quero saber – ela exigiu assumindo uma postura arrogante, ao que Jessie não se intimidou. Jessie: Quer?! – devolveu a audácia altiva, com uma expressão irônica e cruzou os braços diante do corpo. Diana deixou a postura arrogante para assumir um olhar de súplica. Diana: Eu preciso saber. Jessie: Precisa? – continuou com a ironia – Por quê?! Diana: Você deve ter percebido o que sinto por ele. Jessie: E o que a faz pensar que eu me importo com o que sente? Diana: Porque tem tanta raiva de mim? Nem a conheço! Jessie: Todas as pessoas, quem quer sejam, que trabalhem para o Sr. Spender, são minhas inimigas, sejam quais forem os seus propósitos – respondeu, seca. Diana ignorou o comentário dela. Diana: É ou não dele? – teimou em saber, determinada. Jessie, sem saber porquê, caminhou para trás da mesa, numa atitude defensiva. Scully entrou na antesala, onde ficava a secretária. Estava vazia. Percebeu a porta da sala de Jessie entreaberta e imaginou que ela não se importaria se entrasse sem bater. Jessie: Sim. Este bebê é filho de Fox Mulder, sim – respondeu sem um mínimo de piedade na voz. Scully, segurou a maçaneta da porta e, quase desfalecendo, deixou-se apoiar totalmente nela, batendo-a contra a parede. Jessie voltou-se para a porta e viu uma Scully completamente atordoada e magoada com os lábios entreabrindo-se e os olhos assustados. Diana também estava chocada e não prestou atenção à Scully ao sair da sala de Jessie. Jessie abriu a boca pronta para explicar a Scully que ela interpretara mal o que ouvira, mas não conseguiu, pois tão rápido quanto entrou, saiu. Jessie fechou os olhos e os apertou com força. Mas que confusão, pensou! Scully não conseguiu controlar o choro e correu em direção ao elevador. A porta fechou-se e ela encostou-se pesadamente na parede. Chorou, chorou, chorou. Quando a porta abriu, ela novamente correu, agora em direção ao estacionamento não se importando com os olhares curiosos de seus colegas do FBI com o seu conturbado comportamento. Nos últimos meses sentia-se tão frágil, tão vulnerável... E incomum era ela demonstrar essa fragilidade. Seus movimentos ao dirigir-se, entrar e sair com o carro foram feitos de forma automática. Seu corpo inteiro tremia e suas mãos manuseavam com dificuldade o volante. Jessie praguejava baixinho por não ter impedido Scully de sair daquele jeito. Precisava ligar para Mulder imediatamente e pedir que ele contasse logo à ela. E foi o que fez. Ligou para ele e relatou a situação pedindo contasse o mais rápido possível, senão ela mesma o faria. Jessie desligou o telefone e quando encaminhava-se para voltar a sua mesa, sentiu uma dor aguda no ventre, o que a fez não dar mais que dois passos. Ela curvou-se para frente, levou as mãos nele e fez uma careta de dor. Apertou os lábios e com dificuldade caminhou até o banheiro. Mirou- se no espelho e sentiu um fluido quente escorrendo por entre suas pernas. Ela olhou para baixo e viu o seu próprio vestido manchando de sangue. O esforço que fez para chegar até o telefone foi monumental, mas antes que pudesse discar qualquer número suas pernas enfraqueceram e ela perdeu os sentidos. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN WASHINGTON D.C 16:00 H Mulder aguardava ansioso sentado no corredor do hospital com as mãos no queixo e uma expressão preocupada em seu semblante. Consultou o relógio e viu que estava ali há horas. Sentia como se vivenciasse um pesadelo: Scully sumira e Jessie estava internada e sendo examinada por pelo menos meia dúzia de médicos, todos chefiados pelo Dr. John Bryant. E as horas continuavam passando e nenhum médico aparecia para lhe dar satisfações sobre o estado de saúde dela. Não se continha mais em ficar sentado e começou a andar pelo corredor, observado de perto por Skinner, que foi quem a vira caída no chão com uma hemorragia intensa e a socorrera. Finalmente o Dr. Bryant veio ao seu encontro com uma expressão que denotava não ter boas notícias. Mulder: O que houve, Dr.? Ela ficará bem? – levantou-se visivelmente nervoso e preocupado. Dr.: Sente-se, Agente Mulder – ele o conduziu de volta a cadeira e Skinner aproximou-se, sentando-se ao lado dele – Ela ainda vai entrar no sétimo mês de gestação, mas não dá para esperar mais. O seu organismo está muito debilitado e o corpo está preparando-se, voluntariamente, para expulsar o feto. Se não fizermos o parto agora, morrerá antes do bebê nascer – disse com pesar ao notar a expressão de completa desolação de Mulder. Mulder: Não, Dr. O senhor a conhece muito bem, não deixe que isso aconteça, por favor – ele suplicou, segurando o choro. Dr.: Agente Mulder – ele tocou-lhe o ombro – desde o começo, eu fui contra a continuidade dessa gravidez, pois sabia dos riscos que acarretaria. Jessie também sabia, mas eu vou fazer tudo o que for possível e impossível para salvá-la, só não garanto que possa salvar os dois, mas vou tentar mesmo assim. Sei o que ele representa para você e sei também que Jessie só resolveu levar essa gravidez adiante pensando em você e em sua parceira – deu um tempo para que ele digerisse as informações e calmamente continuou com a qualidade de ser um médico experiente – Tem mais um agravante – Mulder voltou-se ainda mais atento a ele – o feto está em posição... Digamos que ele não virou. Mulder: Como assim? Dr.: Ele não poderá nascer de parto natural e é muito arriscado operá-la agora. Pode não resistir. Mulder: Só quero que ela fique bem – foi só o que ele conseguiu dizer com a voz embargada. Dr.: Eu também – ele apertou o seu ombro, tranqüilizando-o - Onde está a Agente Scully? "Onde Scully está? Eu não sei", pensou. "Preciso encontrá-la, mas onde? Espero que ela tenha voltado para casa. Estão acontecendo coisas demais... e ela precisa saber". Mulder: Vou encontrá-la. O senhor irá fazer a operação agora? Dr.: Não, pode ir descansado. Você está há horas aqui, sem dormir e se alimentar. Eu quero ouvir a opinião do Hematologista, Infectologista e, é claro, do Obstetra, antes de tomar qualquer decisão. Mulder: Por favor, Dr., me avise se algo acontecer. Eu quero estar aqui. Dr.: Avisarei, sim – assegurou. GEORGETOWN 16:30 H Scully não voltara para casa imediatamente, após sair do FBI. Rodara por horas de carro e só parou quando percebeu que a gasolina estava na reserva. E agora sentada na cama e com um olhar perdido, remoía tentando coordenar os seus pensamentos. Então esse era o motivo de Mulder ter tanto carinho por ela? Por isso jamais o vira tratar alguém com tanta devoção, com tanto... Amor! Mulder a amava e teria um filho dela. "Jessie é uma mulher lindíssima e o ama de verdade, pois arriscava-se tanto por ele... Até a perder a vida. Deus, todo esse tempo eu não percebi nada, como fui ingênua!" Já não tinha mais lágrimas para chorar e começava a pensar o que faria daí pra frente. Continuar nos Arquivos X? Não poderia. Não depois disso. Ver Mulder mudar-se para a casa de Jessie, contar a última proeza do filho... Não, não agüentaria tanto. Sim, porque era o que provavelmente aconteceria depois que o bebê nascesse. Mulder entrou novamente no apartamento, tentando fazer o mínimo de ruído, estando mais uma vez, silencioso. Temeu que ela não tivesse voltado para casa e já começava a entrar em pânico só de pensar. No entanto, ao dirigir-se ao quarto, devagar e sem fazer o mínimo ruído, a encontrou sentada na cama, com a cabeça baixa e a face úmida, ainda lutando contra os soluços que escapavam de sua boca. Sentiu uma enorme compaixão. Todo esse sofrimento não era necessário. Tudo causado por um mal entendido e uma omissão de informações. Decidido a contar e acabar com logo com isso, ele aproximou- se, e sentou- se a seu lado. Scully estava tão absorta na sua dor que só percebeu que Mulder estava ali quando sentiu o colchão ceder. Imediatamente, na defensiva, ficou de pé, mas ele a impediu de afastar-se, segurando-a pelo pulso. Mulder: Scully, precisamos conversar. Scully: Solte-me, Mulder. Vá embora daqui. Mulder: É a segunda vez que me expulsa, mas não vou embora. Não enquanto eu não mostrar uma coisa para você. Scully: Por favor, estou cansada. Vá embora, não quero vê-lo, não quero falar com você, não quero ver ninguém – ela elevou o tom de sua voz encarando-o desafiante. Mulder: Não adianta, não vou embora e você vai me escutar – puxou-a de volta para cama fazendo-a sentar-se do seu lado. Estava muito nervoso, ela notara isso. Passou a mão pelos cabelos, desalinhando-os e abriu as pastas com os exames – Quero que veja isto. Scully continuava calada. Ele, paciente, retirou uma folha e entregou a ela. Mulder: Estes são os exames feitos no bebê de Jessie. Scully, teimosa, recusava-se a segurá-los e ele insistiu. Mulder: Por favor, Scully. Confie em mim. Scully: Confiar em você?! – ela explodiu, levantando-se novamente e lutando contra as lágrimas que ameaçavam voltar a cair – Você estava quase fazendo amor com Diana na sala da casa de Jessie... que agora está esperando um filho seu! – acusou-o, apontando o dedo perto do nariz. Ele segurou o seu dedo, puxou-a contra si e a fez sentar-se em seu colo. Mulder: Calma, por favor, Scully. Eu jamais poderia fazer amor com qualquer outra mulher que não... – interrompeu-se percebendo o que ia dizer. O olhar que ele lançou-lhe foi o mais difícil de se interpretar. Era tão intenso e sôfrego - Leia esses exames e só depois tire as suas conclusões. Ela empertigou-se ao sentar-se no colo dele e levantou-se imediatamente. Scully: Não quero saber, vá embora. Jessie precisa muito de você – respondeu com a voz embargada. Mulder: Ela está morrendo no hospital, droga! – ele explodiu – E por nossa causa. Será que não entende? Todo esse tempo, tudo o que ela fez foi pensando em todos, menos nela própria – ele deixava as lágrimas correrem livremente por sua face. Scully: Como assim? – ela perguntou, assustada com o descontrole emocional dele – Diga-me, Mulder! Mulder: Leia esses exames, por favor! – insistiu em súplica. Scully tomou-os de suas mãos e os leu atentamente. Arregalou os olhos ao ver o resultado, mas sem entender a dimensão da situação. Scully: O que isso quer dizer, Mulder? O bebê tem três cadeias de DNA distintas. Como isso pode ser possível? E o que os meus exames... os seus exames... os nossos exames, estão fazendo junto dos do bebê – perguntou incerta. Ela o viu levantar-se e colocar-se a sua frente. Mulder abaixou um pouco a cabeça para permitir aproximar seu rosto do dela e sussurrou: Mulder: Isso quer dizer que essa criança é tão filho meu quanto dela e quanto seu. Scully balançou a cabeça ainda muito confusa, afastando-se para livrar-se daquela proximidade. Scully: Não estou entendendo. Mulder virou-se e insistiu em aproximar-se. Tomou as pastas das mãos dela e mostrou folha à folha enquanto explicava-lhe. Mulder: Essa cadeia de DNA, essas três fileiras, são distintas como você pode ver. Essa primeira cadeia é de Jessie, essa segunda é minha e a terceira... – ele parou por um instante para olhá-la nos olhos – ... é sua – disse, por fim. Scully: Isso é impossível! – e dessa vez não tentou se afastar. Mulder: Scully, os exames estão aí mostrando que eu não estou mentindo – ele rebateu já desesperado – Você não pode negar o que está provado cientificamente neles. Não é você quem adora o cientificismo?! Scully deu um longo suspiro. Scully: Você quer dizer que o bebê tem um pai e duas mães?! Mulder: Sim, tem. Scully: Essa gravidez aconteceu de forma misteriosa. Como vamos saber que não é nada feito pelo Sindicato. Será que esse bebê não tem aquela química que conhecemos tão bem, aquele líquido verde? Será que é normal, Mulder?! Mulder: Não, não tem. Foi a primeira preocupação de Jessie e do Dr. Todos os exames foram feitos para constatar algo de anormal com ele, mas deram negativos. O que essa criança tem é que está se desenvolvendo de forma assustadora e arriscando a vida de sua mãe. Scully travava uma batalha contra as suas lágrimas, mas sem sucesso, pois elas eram mais fortes que a sua vontade de manter-se altiva. Levou a mão cobrindo parcialmente o rosto e andando para trás. Suas costas encontraram o obstáculo da parede. Deslizou o seu corpo até sentar-se ao chão. Ficou ali, encolhida num choro baixinho. Mulder abaixou-se a seu lado, tocou levemente seus cabelos. Não se conteve, no entanto, e a abraçou ao que ela imediatamente retribuiu. Seu rosto brilhava ante as lágrimas, agora, livres. Os soluços de ambos quebravam o silêncio do apartamento. Tiraram-lhe um peso das costas e ela, ansiando sentir a segurança dos braços de Mulder, aninhou-se ainda mais nele, escondendo o seu rosto contra o seu peito. Scully: Isso quer dizer que eu sou mãe? – perguntou entre soluços. Mulder a abraçou mais fortemente contra o peito. Mulder: Sim, você é mãe e eu sou pai – disse sorrindo para, à contragosto, mas necessariamente, afastá-la e segurar os seus braços, encontrando a face molhada – Mas tem um problema – ela lançou-lhe um olhar de dúvida – O Dr. Bryant está fazendo tudo o que pode para salvar o bebê e ela. Mas, caso ele tenha que optar por um dos dois, eu pedi que fosse por ela – disse, procurando em seus olhos qualquer sinal de desapontamento. Scully, necessitando ainda mais de calor e segurança, aconchegou-se novamente em seus braços. Ele retribuiu e voltou a afagar os seus cabelos. Scully: Tomou a decisão certa, Mulder. Mulder: Você tem certeza? Scully: Tenho. Mulder: Sei da importância desse bebê, não só para você, mas para mim também. Acredite, Scully, eu o queria tanto quanto você – confessou e deixou relutante que ela se afastasse dele. Scully: Eu acredito – disse, após examinar-lhe os olhos e ver a sinceridade neles. Mulder tornou a prendê-la nos braços, firme. Confortaram-se por um tempo, até que ele levantou-se e a ajudou a fazer o mesmo. Mulder: Vamos, Scully. Temos que ir ao hospital. Scully não trocou de roupa e nem colocou o casaco. Saiu como estava, com Mulder, direto para o hospital. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN WASHINGTON D.C 18:00 H Scully estava no quarto de Jessie e sentia-se extremamente culpada por duvidar de suas intenções. Não pôde, no entanto, negar o alívio que sentiu ao saber que Mulder não estava apaixonado por ela e que o filho não era dele do modo como pensava. Tudo não passara de um grande mal- entendido. Como ela pudera se arriscar tanto assim só para dar a eles um filho? Quem ela pensava que era? Deus, quando melhorasse chamaria a sua atenção com toda a certeza! Ela elevou a mão para tocar-lhe a barriga, um bebê estava por vir, tão pequenininho e indefeso. Um bebê que merecia ser amado. Mas o fato dela ser a mãe não significava que Jessie abriria mão do prazer de ser também. Afinal, ela não só era a mãe biológica como carregava o bebê dentro de si! Não houve acordo algum para que ela servisse de mãe de aluguel e, mesmo que a tivesse ouvido falar que não estava preparada para cuidar de uma criança, poderia ter mudado de idéia ao senti-lo mexer, chutar a sua barriga avisando que estava ali e que viria a seu encontro logo. Procurou afastar esses pensamentos, pois tinha que se preocupar com a vida dela, que estava em perigo. Faltavam apenas 2 horas para o Dr. Bryant e o obstetra fazerem o parto, que seria natural apesar da posição do feto. Mulder encontrava-se com os médicos, atento a tudo o que acontecia com ela. No quarto, apenas David estava a seu lado, junto à cama. David: Tudo isso parece um pesadelo! – ele disse sem deixar de olhar para a amiga. Scully: Ela vai ficar bem. Apesar da situação ser delicada, acredito que ela vai sobreviver – ela o fitou com um olhar confortante. David: Mas, e o bebê? Scully não respondeu de imediato. Contemplou mais uma vez a grande barriga e voltou-se para ele. Scully: Tudo na vida exige sacrifícios, não?! Se você quer ter uma coisa, geralmente, precisa abrir mão de outra. David: Eu a conheço, Dana. Ela vai querer morrer no lugar dele, pois se o contrário acontecer, pensará que todo o seu sacrifício foi em vão – respondeu tristemente. Scully percebeu e considerou que talvez ele tivesse razão. David: Eu gostaria muito que esse bebê fosse meu filho – confessou e rapidamente explicou quando notou a expressão de surpresa que ela fez, interpretando como se ele desejasse Jessie, mais do que como uma amiga – Não, eu não quis dizer dessa maneira – ele sorriu levemente, visivelmente embaraçado e o seu sorriso o fazia parecer 10 anos mais jovem – Mas não posso mentir para você, Dana. Não quero mentir pra você. Scully: Eu não estou entendendo. – seu olhar denotava dúvida. David aproximou-se mais dela e, gentilmente, levantou-lhe o queixo, colocando pouca distância entre os seus lábios. David: Estou tentando dizer que... bem... compartilhar esse momento... – as palavras estavam presas e fazia um enorme esforço para coordená-las. Scully continuava olhando-o com uma expressão inquiridora. Ele, vendo tal expressão, respirou fundo como que se buscando ar o ajudasse a falar. David: Eu queria que esse bebê fosse nosso. Admito, estou completamente apaixonado por você – falou por fim. Scully penalizou-se com a situação, pois não poderia corresponder, porém, sentiu-se lisonjeada. Scully: David... – ela tentou afastar-se dele, mas foi impedida por braços fortes que agora seguravam levemente a sua cintura, mas, como se receosos, mantinham-se ainda sob uma distância segura. David: Eu sei, Dana, você não me ama. Tudo bem, eu posso esperar. Sou um homem paciente e se passarmos mais tempo juntos você vai perceber que eu sou civilizado – ele bricou, arrancando um sorriso tímido dela. Scully: David, você é uma pessoa maravilhosa, pode acreditar. É leal, carinhoso e amigo. E é por isso que eu acho que você merece muito mais do está me pedindo, muito mais do que eu poderia dar – ela respondeu e acariciou carinhosamente o seu rosto. Mulder abriu a porta do quarto e estreitou perigosamente os olhos ao ver David tendo o seu rosto acariciado por Scully. Alongou o corpo tentando assumir o controle da situação. Scully: Os médicos virão buscá-la agora? – ela perguntou alheia a sua atitude. David finalmente entendeu que não haveria espaço algum pra ele. O olhar amoroso, o gesto carinhoso, a voz atenciosa... Enfim, os sentimentos, estavam evidentes nas atitudes dela para com ele. Essa combinação perfeita traduzia amor, dirigidos unicamente à uma só pessoa, concluiu com pesar. Mulder: Virão – respondeu lançando um olhar hostil à David e autoritário à Scully – Eles resolveram antecipar para daqui à 15 minutos – comunicou e colocou as mãos na cintura - Eu quero que você assista só para me assegurar de que está tudo bem. Scully: Claro – prontificou-se de imediato - farei isso. Mulder balançou assentiu com um leve meneio de cabeça e, numa atitude protetora e até certo ponto possessiva, afastou Scully da ameaça que, supostamente, David representava. SALA CIRÚRGICA 19:00 H Protegida por um jaleco verde, máscara e luvas, Scully assistia aos médicos prepararem-se para iniciar um parto difícil. David, contra todos, inclusive ela e Mulder, não permitira que fosse aplicado anestesia. Jessie o fizera jurar que não a deixaria dormir na hora em que o bebê estivesse nascendo e Mulder acreditara nele, conhecendo o temperamento dela. Também sabia que David a conhecia o suficiente para não refutar. No entanto, ela parecia tão cansada que, apesar de estar lúcida, não conseguia levantar a cabeça, nem tampouco abrir os olhos. Desse modo, ficou passiva enquanto o obstetra colocava todo o seu conhecimento à prova para salvar a criança e a mãe. Ela nem precisava fazer muito esforço. O seu organismo já começava a expulsar o feto. O útero iniciou o processo das contrações, mas o problema todo era a posição do bebê, não compatível com o parto que estava sendo realizado, mas a única forma de realizá-lo. Em outras circunstâncias essa situação seria bem simples, apesar das outras complicações. As contrações aumentaram e Jessie, ainda com os olhos fechados, agarrou- se ao extrado da maca. Scully imediatamente veio em seu socorro. Tomou a mão dela entre as suas e apertou-as. Jessie então abriu os olhos e lançou-lhe um leve sorriso de gratidão. Ela levantou a cabeça e soltou um fraco gemido quando outra contração, ainda mais forte que a última, chegou. Obstetra: Eu o estou vendo, Srta. Jessie – informou o médico – Só mais um pouco. Os batimentos cardíacos estavam sendo monitorados e sua fraqueza era evidente. O Dr. Bryant controlava-lhe também a pressão arterial. Quando fez o último esforço para expulsar o bebê, a palidez tomou conta de seu semblante e ela desfaleceu. Scully colocou a mão em sua testa e não constatou febre. Preocupada, olhou para o Dr. Bryant que aproximou-se e tocou seus braços, testa e pulso. Ela estava gelada. E eles sabiam que isso configurava- se em uma ameaça. Pediu para o obstetra tentar ser o mais rápido possível. Finalmente um choro agudo e contínuo ecoou pelo ambiente e a criança agitava as mãozinhas e pezinhos. Uma menininha anunciava a sua vinda. O médico fez os exames iniciais, pediu para as enfermeiras que ali estavam banharem o bebê. Colocaram-no em uma manta. Um exame mais minucioso constatou que ele teria de ser levado imediatamente para a incubadora, devido a dificuldade em respirar. Scully observava à distância aquele lindo bebê, branquinho e de ralos cabelinhos levemente avermelhados. Ela mantinha a sua mão segurando a mão de Jessie que permanecia inconsciente. O Dr. Bryant manifestou-se quando percebeu o brilho no olhar dela ao pousá-los na criança. Dr.: Por favor – dirigiu-se a enfermeira – mostre a Dra. onde fica a UTI Neonatal... – e olhou para Scully – ... que ela vai levá-lo até lá. Scully olhou emocionada para a criança e a tomou nos braços com o cuidado de uma médica, mas o carinho de uma autêntica mãe. Na sala de espera, Mulder já perdera a conta de quantos sacos de sementes havia comido. E continuava a comê-las. David permanecia encostado na parede com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão preocupada. Mulder levantou-se imediatamente quando viu o obstetra adentrando o corredor, seguido por Scully, e fazendo um sinal com a mão para que o acompanhasse. Ele colocou-se mais que depressa ao lado dela, olhando com ternura para o bebê aninhado em seus braços. UTI NEONATAL 21:45 H O bebê já estava acomodado na incubadora. Alguns fios colocados em seu nariz evidenciavam o problema respiratório. Apesar disso, nascera com 4,0 Kg e 61 cm, um pesado e grande bebê. Bom, não era de se estranhar, Mulder e Jessie eram altos. O médico aproximou-se deles. Obstetra: Como a mãe não pode dar a atenção necessária ao pequenino, sugiro que você, papai – olhou para Mulder – fique com ele. Mulder apenas concordou com um leve movimento de cabeça e um sorriso nos lábios sobre a expressão preocupada. Ele se retirou, deixando-os sozinhos. Scully colocou sua mão dentro da abertura redonda da incubadora e acariciou as mãos pequenas. Não pode conter a emoção que sentiu ao vê- la nascer e queria compartilhar com Mulder. Scully: É um lindo bebê, não é, Mulder?! – comentou sem desviar os olhos do bebê. Mulder: Sim, um lindo bebê. Apesar de todas aquelas complicações é grandinha – ela concordou com um leve movimento – Como vai chamá-la? – quis saber e recebeu um olhar incerto. Scully: Não sei, Mulder, Jessie é quem vai escolher Mulder: Não vai, não. Ela vai deixar para que você o faça. Scully: Ela pode ter mudado de idéia. Mulder: Não mudou, Scully, posso assegurar-lhe. Eu vi o quarto do bebê, está lindo, tem brinquedos por toda parte! Scully: Esse é mais um motivo para eu achar que ela mudou de idéia quanto ao bebê – ela respondeu perdendo a paciência. Mulder: E qual é o outro? – perguntou suavemente, ignorando o tom rude. Scully: Mulder, ela ficou grávida, sentiu o bebê mexer, chutar, avisando que estava ali, junto dela... Isso mexe com qualquer mulher – disse, nervosa. Mulder: Ela não quer esse bebê porque não pode criá-lo – informou-lhe convicto. Ela lançou-lhe um olhar surpreso. Scully: Como não pode criá-lo?! Mulder, ela tem todas as condições para proporcionar à essa criança a melhor vida possível. Ela pode pagar o melhor colégio, comprar as melhores roupas, levá-la para passear em diversos lugares, comprar brinquedos caros... – ela enumerava sem parar de falar um segundo. Mulder: Está levando em conta apenas o material, Scully. Ela não tem estrutura suficiente para propiciar uma vida emocional saudável. Scully: Como assim? Não entendo. Ela é a mulher mais serena e calma que eu já conheci. Tem um equilíbrio que eu nunca vi em ninguém e uma frieza também. Mulder: Tudo isso é uma máscara, Scully. Ela esconde algo, eu sinto uma pessoa torturada pela solidão, infeliz, apesar de tudo. Scully: Acha que ela esteve mentindo para nós esse tempo todo? Mulder: Sim, acho. Scully: Mas por quê? Ela parece se preocupar muito com você, com o seu bem-estar. Mulder: Não acho que ela esteja fazendo isso para nós prejudicar, mas sim para evitar que soframos algo ou alguma coisa. Scully limitou-se a olhá-lo, voltou sua atenção para o bebê e acariciou novamente as mãos frágeis. Scully: Acha que ela quer que fiquemos com ele por algum outro motivo, como se fosse para salvá-lo? Mulder: Eu não sei, Scully – balançou a cabeça em negativa - Mas vou descobrir – decidiu, esticando o braço para gentilmente, conduzi-la para fora da UTI. Scully: Vou perguntar aos médicos por quanto tempo o bebê vai ficar por aqui – comunicou-lhe, ao deixar a UTI. Mulder assentiu, acompanhando-a pelo corredor do hospital, onde mantinha teimosamente segura, a cintura delgada em um leve toque. QUARTO 205 22:30 H Obstetra: Eu não entendo, Dr. Bryant – o médico estava com as mãos no bolso e contemplando Jessie na cama, adormecida – Como um feto pode ter feito isso a ela. Parece um caso de fator Rh+. Nesses casos, o feto, ao entrar em conflito com o organismo, faz com que este se ressinta da incompatibilidade do sangue e o expulse voluntariamente. Dr. Bryant: Ela é uma pessoa especial e com necessidades especiais. É diferente de qualquer ser humano e por isso eu estou aqui. Somente eu sou autorizado para tratá-la – ele respondeu sem desviar os olhos de Jessie. Deu um longo suspiro e virou-se para o outro médico – E preciso que as minhas ordens não sejam desobedecidas por mais não convencionais que possam ser. O médico assentiu e saiu sem nada dizer. Mulder e Scully entraram no quarto e aproximaram-se da cama. Mulder: Como ela está? – perguntou ao Dr. Bryant Dr.: Na medida do possível e considerando tudo o que passou nesse parto difícil, bem. Mulder: Quais as chances de se recuperar? Dr.: Ela vai se recuperar, pode ficar tranqüilo – disse e ouviu um discreto suspiro de alívio – Mas não posso garantir como viverá daqui pra frente. Scully: Como assim, Dr.? Dr.: Agente Scully, você é médica e sabe que nas condições dela, uma pessoa com um caso grave de leucopenia, terá que passar por um tratamento demorado e intenso. Não poderá permanecer em locais fechados e com muita gente, evitar ao máximo ficar doente, praticar exercícios bem leves, tomar vitaminas e só. Esperar que as taxas de leucócitos se elevem sozinhas. Scully: Não pode receitar algo que incentive o aumento deles? Dr.: Não, não posso fazer isso. Apesar da taxa encontrar-se em 800 leucócitos, estando baixíssima, corremos o risco desse número elevar-se demais e desenvolver um câncer de medula... Ou leucemia, como preferirem. Scully concordou com o diagnóstico do médico e virou-se para Mulder, encontrando-o com uma expressão assustada. Ela segurou sua mão e o puxou: Scully: Vem, Mulder. Vou levá-lo para casa, trocar de roupa e voltar para ficar com o bebê. Dr.: Não será necessário, Agente Scully, eu ficarei o tempo todo aqui. Vão para casa e descansem, amanhã é um novo dia. Scully: Agradeço, Dr., mas eu quero ficar. Mulder: Eu também venho – anunciou decidido. Dr.: Tudo bem, então. Podem vir. GEORGETOWN 23:46 H Já haviam passado na casa de Mulder que tomara um banho e se trocara. Agora, ele a esperava pacientemente na sala. Sua mente, divagando sobre tudo o que havia acontecido e presenciado. Não queria perder Jessie. Ela voltara para ele e o fizera lembrar de bons momentos na sua infância depois que Samantha já havia desaparecido. De certa forma, ela o fizera preocupar-se menos com o que acontecera a irmã. Lembrava-se dela, pequenininha, os cabelos de fogo, um pouco menos compridos que atualmente, caindo pelas costas. Os olhos verdes brilhavam quando o ouvia contar uma história, ou quando oferecia-lhe um doce, ou simplesmente quando cantava para ela dormir. Adormecia sobre a sua barriga, agarrada a ele como se não o quisesse soltar nunca mais. Seus lábios começaram a sentir o gosto salgado das lágrimas que inundava- lhe os olhos e molhava a sua face. Ele levou as mãos ao rosto e entregou- se a um choro baixinho, liberando toda a tensão emotiva que segurara durante os últimos difíceis momentos que passara, até agora, em sua vida. Scully voltou à sala. Também havia tomado banho e trocado de roupa. Agora, um conjunto de saia cáqui e blusa de tricoline branca emolduravam- lhe o corpo sem tolher os seus movimentos e comprometer o seu conforto. Encontrou o parceiro quieto no sofá, o rosto coberto pelas mãos que tremiam junto com o seu corpo inteiro. Sentiu os próprios olhos marejados e piscou para conter o choro, coisa que tentava fazer com freqüência nos últimos dias e que nem sempre obtinha sucesso. Ela aproximou- se e tocou levemente os seus cabelos. Mulder, ao sentir aquele toque, levantou a cabeça e deparou- se com uma Scully penalizada com sua dor. Não suportaria perdê-la. Não. Ela também não. Seria demais para um homem só. Num gesto totalmente impensado, ele deu um salto, agarrou a sua cintura e a puxou para si, não dando-lhe tempo para reagir. Sentou-a em seu colo e a abraçou com força, escondendo o rosto em seu peito num choro compulsivo. Scully ficou assustada. Não podia ao menos se mexer devido ao apertado abraço que recebia. Sem outra alternativa e, admitiu, atendendo a um desejo próprio, ela retribuiu ao abraço. Mulder desvencilhou-se dos braços dela e segurou seu rosto entre as mãos. No entanto, procurou mantê-la sentada em seu colo. Sua voz, embargada, e um desespero sem igual no semblante. Mulder: Scully, prometa que nunca vai me deixar – suplicou em desespero – Prometa que sempre vai ficar comigo. Por favor, preciso disso! Scully assentiu. Mulder: Não, eu quero ouvir – ele elevou um pouco o seu tom de voz, inconformado – Diga-me, por favor, Scully – suplicou-lhe de novo ao ver a expressão assustada da parceira. Mulder cravou os dedos nos braços de Scully, o que a fez gemer de dor, beijou-lhe urgentemente todo o rosto enquanto suas mãos, desesperadas e urgentes, deslizavam pelas costas, amarrotando-lhe a blusa branca. Esses toques e carícias a fizeram sussurrar o nome dele, conseqüência de um prazer que vicejava como ondas elétricas por todo o seu corpo. A atitude dele era típica de um homem temeroso e desesperançado. Uma atitude que ela temia, mas desejava. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Sabia que a estava assustando com tal atitude, mas não conseguia parar, coordenar as idéias e perceber o seu comportamento. Ao contrário, não conseguia acalmar-se ante a imobilidade da parceira. Mulder: Por favor, diga que sempre vai ficar comigo, diga que não vai embora ou me deixar, que sempre vai acreditar em mim, que sempre vamos ficar juntos... – ele continuava beijando toda a extensão de seu rosto, mas o tom de voz diminuíra para sussurros. Scully fechou os olhos sem esboçar qualquer reação completamente perturbada pela proximidade, no mínimo, inusitada do parceiro. Mulder: Por favor, Scully! – elevou um pouco mais a voz entre soluços, ainda apertando os seus braços e aproximando o seu rosto do dela – Eu preciso ouvir – uma nova súplica, sussurrada próximo a seus lábios. Scully: Eu não vou deixá-lo – finalmente manifestando-se, respondeu baixinho sentindo o hálito morno enquanto segurava seu rosto entre as mãos tentando cessar as carícias urgentes e desesperadas, e acalmá-lo – Sempre vou ficar com você, sempre – olhou fundos nos olhos para provar- lhe a convicção e sinceridade de suas palavras. Mulder a olhou intensamente e sem esperar mais, puxou o seu rosto para encontrar os lábios macios e carnudos. Sua boca esmagou a de Scully num beijo ardente, urgente e sôfrego. Inevitável foi, escapar um gemido de seus lábios ante a violência do beijo. Num misto de dor e prazer, sentiu o seu corpo ficar quente imediatamente. Instantaneamente, correspondeu com todo o amor latente em seu corpo, em sua alma, às carícias pouco gentis de seu amado. Uma urgência tomava conta dela também, não conseguia afastar-se, não conseguia deixar de retribuir e nem queria, precisava tanto senti-lo mais próximo a si que chegava a doer. Mulder com uma mão segurava as suas costas, mantendo-a junto dele, e com a outra, mais ousada, subiu por entre as pernas cruzadas da parceira ansiando alcançar um toque mais íntimo. Ao conseguir, esse toque fez com que ela, instintivamente, afastasse as pernas e se deixasse acariciar. Eram carícias frenéticas e desesperadas, embaladas pela desespero e sofrimento que ele sentia por ficar longe do seu desejo mais íntimo e mais importante. Essa mesma mão a esmagava sem piedade enquanto seus dedos a invadiam audaciosos por cima do tecido, agora úmido, de sua lingerie. Com a respiração extremamente ofegante, deixou de acariciá-la para passar o braço por debaixo de suas pernas, unindo-as, enquanto o outro continuava segurando as costas delicadas. Sem a mínima dificuldade, ele a levantou e seguiu, sem parar nunca de beijá-la, para o quarto. Scully sentiu a maciez da colcha em suas costas ao ser deitada na cama, contraditoriamente ao comportamento dele, de forma gentil. Não houve tempo para que ele a olhasse e admirasse tal era a necessidade em senti- la, tocá-la e acariciá-la. Sentiu o peso do corpo em cima do seu, imprensando-a contra o colchão. Foi com igual urgência que correspondeu aos beijos do amado, bocas esmagando-se, seios igualmente esmagados contra o peito dele. E ela o apertava ainda mais contra si, queria fundi- los num só corpo. Mulder deslizou as mãos grandes e fortes para os seios alvos sob a blusa branca, acomodando-os nelas, onde cabiam perfeitamente. Com o polegar, ele acariciou os mamilos já intumescidos desde que sentiu a carícia íntima em si outrora feita por ele. Com um movimento rápido, ele abriu violentamente sua blusa, fazendo com que os botões voassem longe. Não conseguia parar de beijá-la para acariciar o corpo pequeno, não conseguia ser como queria ser, gentil. Ele introduziu os dedos nos bojos do sutiã e o arrancou. Finalmente, ao sentir os seios nus em suas mãos, ele cessou os beijos para capturá-los com seus lábios. Sugou-os, mordiscou-os, deu voltas ao redor dos mamilos com sua língua, num erotismo sem igual. Scully não conseguia abrir os olhos tão grande era o prazer que sentia, arqueou levemente o corpo ao sentir a boca úmida em seus seios, oferecendo-lhe o maior prazer que já sentira em sua vida. Segurou a cabeça dele com as mãos, sentindo os cabelos escuros entre os dedos e o empurrou mais contra si. Mulder, com a ponta da língua, percorreu um trajeto desde os seios dela até seus tornozelos, onde no caminho, livrou-se do resto das roupas. Olhou para os pés pequenos e reiniciou o trajeto em sentido contrário. Beijou os pés, subiu sua língua por suas pernas, parando um pouco nas coxas, mas deu atenção especial em um local, local este muito desejado e que antes o sentira em sua mão. Mergulhou nele, fazendo carícias eróticas com a língua, sugando-a, sentindo o gosto dela. Scully sentiu um arrepio maior percorrendo todo o seu corpo quando o sentiu nela. Arqueou mais o corpo, completamente entregue e gemeu baixinho numa reação instintiva ao toque. Ele sabia que estava sendo muito rápido e pouco gentil, apesar dela demonstrar que estava gostando. Não queria em momento algum que fosse assim, mas receava que se fosse mais devagar, pauseando, ela começasse a racionalizar e o rejeitasse novamente. Precisava muito dela, a queria muito. Gostaria de dizer-lhe isso, mas não queria dar espaço para que a razão se manifestasse e interrompesse um momento, que para ele, era muito especial, essencial... vital. Sendo assim, ele subiu de volta procurando os lábios de sua amada. E com as mãos, agora um pouco mais gentis, e sabendo que ela já estava pronta para recebê-lo, afastou mais as suas pernas, encaixando-se entre elas. Entrelaçou os dedos nos dela e ergueu os braços de ambos acima de suas cabeças. Movimentos ritmados eram acompanhados de beijos sôfregos, respirações ofegantes e gemidos abafados. Scully retribuía às carícias do amante com igual prazer e urgência. Seus beijos a enlouquecia e aumentavam a sua vontade de senti-lo mais e mais. Queria sentir, ainda mais, os seus lábios sendo esmagados pelos lábios dele. O peso do corpo dele a machucava, mas era uma dor boa de se sentir, talvez a melhor que já sentira, a que mais desejara. Entrelaçou as pernas em sua cintura, acompanhando-o nos movimentos rápidos e frenéticos. E ele fazia isso numa ânsia, de maneira tão apressada que a machucava. No entanto, ela constatou que sentia muito prazer assim e achava muito bom ser rápido, assim não dava tempo de pensar. Olhou para ele e viu que estava quase no auge. Soltou as mãos presas pelas dele e agarrou as suas costas. Mulder retardava em chegar ao ápice, não queria que o orgasmo o atingisse ainda. Parou por um momento, procurando por fôlego para recomeçar a movimentar-se e fazer com que ela atingisse primeiro. Scully sufocava gemidos de prazer. Suas unhas cravaram-se nas costas dele sem que se desse conta disso, e um grito abafado escapou de seus lábios, o orgasmo percorrendo por todo o seu corpo, onde ela foi lançada ao paraíso. O cume do amor se fez sentir em suas feições, e ela abafou outro gemido mais alto. Seu corpo amoleceu, ela afrouxou o abraço, tentando recuperar a respiração regular. Ele também atingiu ao seu ápice pouco tempo depois dela. Seus movimentos ficaram lentos, seu corpo relaxou e aos poucos ele também tentava normalizar a sua respiração. Mulder aninhou a cabeça em seu ombro e descansou sobre ela. Em resposta, ela o abraçou e acariciou os seus cabelos num carinho sem igual. Percebendo que devia estar esmagando-a com seu peso, ele virou-se para o lado saindo de cima dela, sem saber que, em seu íntimo, ela ficara desapontada. Sua respiração ainda estava alterada, embora bem menos ofegante que antes. Scully contemplou o parceiro, insegura sobre a reação que ele teria depois da loucura que cometeram. Lágrimas começaram a descer por seu rosto sem que tivesse tempo de segurá-las. Ela o virou e o escondeu no travesseiro para que Mulder não a visse assim quando a sua vontade era gritar diante da atitude insensata e extremamente desejada que ela tivera. Mulder olhou para a parceira e ouviu um fraco soluço escapar de seus lábios. Aproximou-se, enlaçando-lhe a cintura, puxando-a para perto de si e vendo a expressão triste e chorosa. Carinhosamente, beijou- lhe as lágrimas sentindo o gosto salgado nos lábios. Ver os lábios dela inchados e vermelhos por causa de seus beijos, o excitava. Beijou-a novamente, agora mais calmo, devagar, sentindo o gosto deles. Suas mãos instintivamente deslizaram para tocá-la novamente e o prazer percorreu o seu corpo ao ouvir um gemido escapar dos lábios dela por entre os seus beijos. Ele a acariciou mais, puxando-a mais para si e colando o seu corpo ao dela. Virou-a de bruços, afastou-lhe os cabelos e depositou mil beijinhos em sua nuca. Voltou para cima dela, afastou suas pernas, gentilmente, flexionando uma delas. Aliás, procuraria ir mais devagar agora para que ela pudesse desfrutar melhor do ato, para que ambos pudessem. Com um pouco de dificuldade, devido ao peso dos dois corpos sobre a cama, ele tentava alcançar um seio. Quando conseguiu, contando com a ajuda dela que procurou como pôde erguer um pouco o corpo da cama, ele o tomou na mão, acariciando os mamilos. Scully gemeu e ele aproximou-se procurando os seus lábios. Beijou-a com total sofreguidão e acariciava os seus cabelos, desalinhando- os ainda mais. Quando ele começou a movimentar-se novamente, ela agarrou a colcha da cama, em busca de apoio. Mulder aproximou as suas mãos e entrelaçou os dedos nas mãos dela, ofertando-lhe esse apoio. Ela podia sentir a morna respiração seus cabelos. O peso dele a esmagava, mas era maravilhoso, tudo era maravilhoso para ela. Ela novamente foi lançada ao paraíso, finalmente atingindo ao orgasmo, e ele continuava a movimentar-se. Não demorou para que ele fizesse companhia a ela nesse paraíso. Ele vira o corpo dela explodir em sensações e ouvira o seu grito abafado no travesseiro com o auge do prazer. Saindo de cima dela, ambos suados e cansados, ele deitou-se a seu lado. Scully, com a bochecha direita encostada no travesseiro, o contemplava cheia de ternura e constrangimento. Ele notou e a puxou para junto dele, beijando-a, apertando o corpo nu contra o seu. Nada foi dito. Ele a aconchegou em seus braços, puxou o edredon para cobri-los e adormeceram quase que ao mesmo tempo. 05:50 H Scully, coberta apenas pelo edredon branco e macio de sua cama, despertou e olhou sonolenta para o parceiro. Ele a mantinha presa em seus braços sem a mínima intenção de soltá-la. Sua respiração regular indicava que ainda estava longe de acordar. E ela não teve coragem de fazê-lo. Com extremo cuidado, levantou-se, soltando-se de seu abraço. Parou quando o viu movimentar-se, mas sem despertar. Viu em suas costas, marcas dos arranhões que fizera com as unhas e corou ao ver a evidência de seu abandono. Encaminhou-se para o banheiro para o seu banho diário. 06:57 H Scully, com uma expressão bastante leve e risonha, aproximava-se do hospital ansiosa para ver o bebê. O sorriso estava fácil em seus lábios e dirigia despreocupada pelas ruas da capital federal. Em sua mente, a imagem da noite que passara com Mulder repetia-se, como replay de partida de futebol. Não havia melhores momentos dessa noite. Toda ela fora maravilhosa, completa. Contornou uma avenida e entrava em outra onde localizava-se o hospital quando três limusines negras a fecharam no cruzamento à um quarteirão. Um carro fechou-lhe a frente; outro, a traseira; e o último, parou a seu lado. Dois homens desceram deste último, abriram a porta de seu carro sem a menor cerimônia e a arrancaram de lá, arrastando-a e jogando-a no veículo. Tudo se passou em questão de segundos e ela não teve como reagir. As portas foram travadas e os vidros, peliculados tanto fora quanto dentro, não permitiam que se visse nada além do interior do veículo. Scully: Ei, o que significa isso? – ela perguntou, mas sem obter resposta dos dois homens acomodados nos bancos à frente. Eles pareciam não ouvir. Ela bateu no vidro que a separava deles e insistiu. Scully: Sou uma Agente Federal – alertou-os – O FBI será informado disso rapidamente – ela apalpou o casaco, procurando o distintivo, mas não o encontrou. Novamente eles a ignoraram. Instintivamente procurou o celular e também não o encontrou, lembrando-se que o deixara no painel de seu carro. Praguejou baixinho, pois só restaria esperar para saber para onde seria levada. CONTINUA... Quanto ao enredo, só uma observação. Acho que a Scully seria mais cética quanto à origem do bebê e não aceitaria que a Jessie lhe desse o filho dessa forma. Acho que ela faria tudo para que ela ficasse com o bebê. TÍTULO: NINGUÉM VIVE PARA SEMPRE – PARTE 2 CAPÍTULO XIV CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO XIII:" NINGUÉM VIVE PARA SEMPRE – PARTE 1" AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper! CENSURA: 18 anos (censuradíssima, crianças. Não leiam. Esperem que os dezoitos anos não demoram nada, hehehe!!!!) DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há interesse lucrativo. SPOILERS: "A Colônia" RESUMO: Nunca um título foi tão real como na situação em que Mulder e Scully irão passar. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Principalmente porque é a continuação da minha primeira fic, inclusive proibida para menores. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia e a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. OBSERVAÇÃO: Esta fic é enorme e por sugestão da minha amiguinha Késsia Nina, estou postando em capítulos para ficar mais fácil de ler e entender. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. WASHINGTON DC 07:35 H Mulder aproximou-se do movimentado Bureau. Estava atrasado de novo, mas era por um bom motivo. Ele sorriu leve, já estava com saudades daquela noite, isso explicava a sua ânsia grandiosa em vê-la novamente. No entanto, dúvidas o assaltaram: como reagir para não magoá- la? Se a tratasse do mesmo jeito, talvez pensasse que não levara à sério o que houve e aí ficaria magoada. Por outro lado, se a tratasse de um jeito diferente com carinho e amor, será que aceitaria? Será que já não estaria arrependida de ter feito? Entristeceu-se quando ao acordar sentiu seu corpo e o lado da cama frios. Sentiu-se só. Como dissera o refrão de uma múscia italiana, "se eu não durmo é por você, mas se durmo é com você". Bem, era exatamente assim que se sentia. Andando pelos corredores do prédio, foi interceptado por Skinner com uma expressão preocupada. Skinner: Agente Mulder, por favor, venha comigo – pediu recebendo um olhar curioso de Mulder que o seguiu sem dizer nada. Ele encaminhou-se para a sua sala, o fez entrar e fechou a porta atrás de si. Skinner: Sente-se. Mulder: O que houve? CASA DE JESSIE 07:35 H Jessie mirava-se no espelho. Esperava que seu corpo mudasse com a gravidez, mas isso não ocorrera. Era como se não houvesse dado à luz. Antes de sair do hospital, olhou pela última vez para o bebê. Era uma linda criança e com certeza teria uma vida melhor ao lado de qualquer outra pessoa que não fosse ela. Afagara as mãos pequenas e dera adeus a extensão de sua existência. Agora em casa, ela ligou para a companhia aérea e pediu que lhe reservassem uma passagem para Londres... Só de ida! SEDE DO FBI WASHINGTON DC 07:50 H Mulder: O senhor está me dizendo que a Scully foi seqüestrada?! Por quem? Por quê? Skinner: Eu não sei por quem, Agente Mulder, esse é o problema. Não podemos resgatá-la sem saber onde está. Mulder: Como não sabem onde está? – a raiva estava tomando conta dele – Ninguém viu nada?! Skinner: Havia testemunhas no local, mas tudo aconteceu muito rápido e não houve tempo para identificação – disse derrotado, enquanto o via levantar-se e, impaciente, colocar as mãos na cintura afastando o terno. Mulder: Não posso acreditar nisso – disse, exasperado – Porque não rasteiam o celular? Skinner abriu a sua gaveta, tirando o aparelho e depositando- o em cima da mesa. Mulder tomou o aparelho nas mãos sem saber por onde começar. CASA DE JESSIE 08:30 H Mulder sentado em frente à Jessie e com rugas de preocupação no rosto, contava-lhe tudo o que sabia. Mulder: Não consigo saber onde começar a procurá-la. Onde ela pode estar agora? Será que está bem? – ele levou as mãos à cabeça. Jessie: Calma, não fique aflito assim. Seja um pouco mais racional, senão não conseguiremos encontrá-la. Mulder: Racional? Está me pedindo para ser racional? – levantou-se impaciente e incrédulo, ao que ela fez o mesmo. Jessie: Sim, precisa ser – disse com firmeza. Mulder: Como posso pensar racionalmente se eu não sei nem aonde ela está e nem com o que vou lidar? Jessie: Se continuar assim, não conseguiremos resgatá-la. Mulder: Como você? - ele ignorou o comentário anterior - Ser racional como você? Você é impetuosa! – ele acusou, completamente transtornado e com a voz elevada. Jessie: E você, impulsivo! – ela rebateu, elevando a voz tão forte quanto à dele. Ela o viu sentar-se novamente num desespero sem igual. Aproximou-se, ajoelhou-se a sua frente e gentilmente tocou os seus cabelos. Jessie: Preciso que me ajude e não vai adiantar nada se você ficar assim, agir assim. Só irá colocar a vida dela em risco e a sua também. Mulder: E você sabe onde ela está? Jessie: Mulder, mas isso é tão fácil. Pense um pouco, qual bandido que não é vingativo? Mulder: Rossini! Jessie: Isso mesmo. Só ele poderia ter feito isso, só ele teria motivos para fazê-lo. Mulder: Vamos até lá! – disse num ímpeto, saltando da cadeira. Jessie: Espere, Mulder. Vamos aonde? Sabe aonde ele está, por um acaso?! Mulder voltou a sentar-se, inconformado. Jessie: Precisamos descobrir aonde ele está. Acredito que ainda esteja aqui na América. Ela dirigiu-se ao telefone e discou um número. Jessie: Preciso que localize uma pessoa pra mim – disse à pessoa do outro lado da linha – Rasteie as ligações telefônicas de Carlo Rossini e de Massimo Rossini... Tudo bem, eu espero... mas tem de ser logo! Mulder a olhava, mas sua mente só pensava em Scully e se ela estaria bem. A voz de Jessie o fez despertar de seus devaneios. Jessie: Certo, obrigada! – desligou e voltou-se para ele – Ele é realmente audacioso, vai dar uma festa no sábado. Precisaremos estar lá. Vamos até o meu escritório. Mulder a seguiu até lá e notou o papel de fax saindo do aparelho. Jessie: Aqui está a lista de convidados e a planta da casa. Vejamos – dirigiu-se a mesa e estendeu o papel – Dominic Slutzkaya, uma russa da Casa de Cultura. Mulder: Casa de Cultura?! Jessie: É um bordel luxuoso. Ela é uma prostituta russa. Dizem que elas são as melhores no ramo, melhores até mesmo que as italianas – comentou, irônica. Mulder: E qual é o plano? Jessie: Eu vou entrar lá e destravarei essa porta nos fundos da casa para você entrar- apontou para ela no papel - Tentarei distrair Rossini para que descubra onde ela está. Mulder: Mas, e o FBI? Jessie: Deixe que eles continuem com as investigações. Nós agiremos sozinhos. SÁBADO 02:50 H Mulder: Não demore para abrir a porta, por favor! Jessie: Só entre depois que eu abri-la. – ela o alertou. Mulder estacionou o carro no escuro e à uma distância segura da porta de entrada de outra mansão da família Rossini para que ela descesse. Saia de paetês prateada de cintura baixa, um pouco acima dos joelhos e com uma fenda profunda na perna direita; blusa curta, ajustada em seu colo, com belo decote revelando parte dos seios redondos, botas pretas de salto e um grande casaco, única peça que a protegia do frio, assim estava vestida Jessie. Uma peruca loira estilo channel arrumadinho também fazia parte do visual de sua prostituta Dominic, além do sorriso charmoso emoldurando-lhe o rosto bonito. Ela aproximou-se da entrada guardada por um homem, alto e corpulento. - Boa Noite, senhorita! – ele a cumprimentou ao que ela limitou-se a sorrir e andando para o interior da mansão com o charme que lhe era peculiar. Contemplou o interior da casa apinhada de gente. Aparentando displicência ao caminhar, ela dirigia-se disfarçadamente para a tal porta. Mulder, impaciente, tamborilava os dedos no volante do carro. Tentava controlar a ansiedade e a preocupação. Vez por outra, inadvertidamente, aspirava o seu próprio corpo procurando por um resquício do perfume de Scully. A saudade o consumia e o fazia sentir dor, uma dor que esperava não passar mais. Jessie chegou até a porta, olhou disfarçadamente para os lados, mas tomou um susto quando foi interceptada por um homem alto e bonito que enlaçava convidativo e com intimidade a sua cintura. Jessie sorriu indulgente enquanto procurava atrás de si pelo trinco, destrancando-o e abrindo-a assim que o alcançou. Ela enlaçou um braço ao redor dos ombros do homem, levando-o para longe dali. Uma rajada de vento forte fez com que a porta se escancarasse e voltasse a se fechar violentamente. O barulho chamou a atenção de seu acompanhante, fazendo com que se voltasse para ela. O homem desvencilhou-se calmamente de seus braços e voltou a trancá-la, alheio a intenção dela. Segurou-a novamente pela cintura e a puxou dali. Ele consultou o relógio, quase quarenta minutos. Jessie já devia ter aberto a porta! Desceu do carro e escondido por entre as plantas do jardim, chegou até ela, mas ao tentar entrar encontrou-a trancada. Praguejou baixinho, não agüentando esperar mais. Tentaria a porta da frente mesmo. No quarto, de pé, com uma perna flexionada e apoiada em cima da baixa cama, Jessie estava preocupadíssima e recebia passiva os beijos do desconhecido em seu estômago. Ela olhava cautelosa para a janela e para o relógio e disfarçava com um sorriso de contentamento a cada vez que o via olhar para ela. Tinha vontade de atirar nos miolos daquele homem inoportuno. - Ei, meu amigo. Só com convite! – interceptou o homem na entrada da mansão. Mulder, impaciente, tirou a pistola da cintura, agarrou o homem pelo colarinho e o encostou em sua face. Mulder: Então, me convide! – ordenou. - Eu sei quem você é, Agente Scully, não precisa me dizer. Tenho boa memória e jamais esqueço um rosto, principalmente de uma mulher bonita como você – o mafioso a olhou com cobiça - e contando com uma boa ajuda, afinal – mostrou-lhe o distintivo - Agora é simples, já sei que o seu parceiro está aqui, que passou estupidamente pelo meu segurança na entrada. Só quero que você me diga quem é ele. Scully mantinha silêncio e olhar distante. - Não vai querer colaborar, não é?! Pior pra você. – ele fez um sinal e um homem entregou-lhe um chicote prateado – Pode mudar de idéia com incentivo ou gritar para que ele a ouça. Apesar da festa e do barulho lá embaixo, sei que ele virá até aqui, ainda mais quando ouvir o seu pedido de socorro – ela permaneceu impassível mesmo diante da ameaça a sua frente. Mulder aproximou-se da porta encostada de um quarto e com a arma em punho, abriu-a, encontrando um homem agarrado às pernas de Jessie onde depositava-lhe beijos e fazia-lhe carícias. Apontou-lhe a arma para a cabeça quando este ergueu-se para beijá-la na boca, fazendo com que cessasse, meio que assustado. Jessie desvencilhou-se e apanhou a arma que Mulder estendia-lhe, colocando um silenciador na ponta. Mulder pegou-o pelo colarinho e jogou-o na cama. Mulder: Aonde ela está? O homem permaneceu calado. Impaciente, Mulder engatilhou a pistola e a encostou em sua têmpora. Mulder: Só costumo perguntar uma vez – avisou. Jessie tirou uma faca de dentro da bota e em um ímpeto, esticou o braço golpeando-lhe no rosto o que o fez virar para o lado violentamente, espirrando o líquido quente por sobre a colcha clara da cama. Jessie: Aonde ela está? – encostou a faca ameaçadoramente em sua garganta. - No último quarto. Mulder fez um sinal afirmativo para Jessie e partiu para lá. Ela, por sua vez, amarrou o homem e o trancou no closet. Cambaleando muito, Scully sentia as suas costas arderem e seu corpo mole. Mal se agüentava de pé e parecia que iria desmaiar a qualquer momento. - Você é teimosa, não vai mesmo me dizer quem ele é? Prefere a tortura à denunciar a sua presença? Que mulher de princípios! – zombou para continuar a chicoteá-la. Scully em nenhum momento gritou ou fez qualquer barulho. Agüentava com muito esforço ser espancada daquela forma, mas não gritaria, nunca. Se era verdade que Mulder estava lá, então era melhor ficar quietinha para que ele não corresse o risco de também ser espancado e morto. Mulder chutou a porta do quarto, viu o mafioso com o chicote e Scully apoiada na beirada da cama, sangrando muito. Com um movimento rápido, o mafioso, impiedosamente, lançou o chicote no pescoço dela trazendo-a para junto de si. Mulder: Solte-a, desgraçado! - Você deve ser o Agente Fox Mulder, não é?! O parceiro de Dana Scully – e aproximando os lábios do seu ouvido, sussurrou alto o suficiente para que Mulder escutasse – É ele, Dana? É por ele que você estava se arriscando? Isso é o quê, Paixão... Amor... Ou ele é tão bom de cama assim?! – soltou uma gargalhada muito à vontade. Mulder: Já disse para soltá-la, senão... – esbravejou. - ... senão, o quê?! Agente Mulder, você aponta essa arma pra mim e eu aponto a minha pra ela. Eu morro, mas ela morre antes. Um de nós vai ter que morrer. Jessie: Que seja você, então! – de surpresa, ela encostou a arma na cabeça dele – Solte-a – ordenou em um tom que não deixou dúvidas de que era uma ordem. Rossini era traiçoeiro e mesmo ameaçado, virou-se para atacá- la, soltando Scully. Mulder adiantou-se rápido para segurá-la e impedi-la de cair ao chão. Jessie teve um rápido reflexo e acertou a cabeça do mafioso, estourando- lhe os miolos. Mulder chamava desesperado por Scully que desmaiara. Jessie aproximou-se e tocou-lhe o ombro. Jessie: Precisamos sair daqui e levá-la imediatamente à um hospital. Outros capangas de Rossini dirigiram-se para o quarto, atraídos pela discussão de antes, e ela deu cobertura à Mulder até alcançarem o carro, numa confusão de tiros e lutas travadas entre Jessie e os homens. E foi desta maneira que conseguiu alcançar o carro escondido por entre os arbustos do jardim, enquanto Mulder segurava Scully, desacordada. HOSPITAL MEMORIAL DE GEORGETOWN 04:35 H - Sinto muito, Agente Mulder, não podemos fazer mais nada – disse o médico com pesar. Mulder: Como assim? E aí? Eu vou ter que me conformar com isto? Tenho que acreditar que acabou, que ela vai morrer? – ele estava completamente transtornado e gritava chamando à atenção de todos ali – Não podem fazer nada, não? A Medicina não evoluiu o suficiente? Jessie: Mulder, por favor! – ela segurou os seus ombros ao que ele desvencilhou-se. Mulder: E você, Jessie? Cure-a, você pode fazê-lo. Você fez comigo, lembra? Faça com ela também, salve-a! – ele agarrou os seus braços – Cure-a, você pode, eu sei que pode. Vamos lá, faça isso. Jessie: Mulder, calma, você está transtornado, não faça isso, por favor! – ela sussurrou em seu ouvido. Mulder: Não, não, não... Você precisa fazer – pegou a sua mão e a puxou para o quarto – Vamos até lá, você precisa fazer... – disse entre soluços. Jessie: Mulder, espere – ela o puxou de volta, aninhando-o em seus braços e sussurrou – Calma, por favor. Acha que se eu pudesse, não faria? Acredita mesmo nisso? Vamos, me diga! Mulder: Nós dois sabemos que você pode – refutou, desolado. Jessie: Certo. Mas nós dois também sabemos que isso foi antes. Sabe muito bem que depois que eu saí do hospital, não consigo mais fazer – afagou os seus desalinhados cabelos, enquanto sussurrava em seu ouvido - Você sabe que a leucopenia me enfraqueceu. Ele nada disse. Apenas se deixou acalentar nos braços quentes e receber os carinhos. As poucas pessoas que ali estavam, penalizavam-se diante daquele homem desesperançado no hospital. Ela mesma, Jessie, mal acreditava no que estava havendo, no que estava se passando: Scully à beira da morte? Não, não podia ser verdade que não conseguiria salvá-la! Na UTI Neonatal, Jessie observava a incubadora vazia. O bebê havia sumido e ninguém no hospital sabia dar informações, nem tampouco explicar como isso ocorrera. Com uma revolta, Jessie entendeu que ela havia perdido o controle da situação se deixando levar por seus sentimentos. Somente por Mulder poderia ter sido assim e ela sabia disso, só não pensava que teria essas conseqüências. Colocou uma das mãos por dentro da abertura e acariciou o leito pequeno onde dias atrás havia um ser tão pequenino e indefeso. 18:30 H Mulder estava no quarto de Scully, contemplando-a. Ela estava deitada de bruços por causa dos ferimentos profundos em suas costas e passara o dia dormindo. Ele a chamou com um leve sussurro em seu ouvido e ela abriu os olhos, um meio sorriso nos lábios, feliz por vê-lo ali, perto dela. Mulder: Scully, oi. Você vai ficar boa, viu! Scully: Eu sei... que... não, Mulder... não precisa... mentir pra me animar. Mulder: Não estou mentindo, Scully, eu acredito nisso! – ele tomou a sua mão e levou-a aos lábios num gesto carinhoso. Ela tinha o sorriso mais franco e feliz que ele já vira. Jessie: Precisamos avisar a família dela, Mulder – ela interrompeu, entrando no quarto já de volta da UTI. Scully agitou-se. Mulder: O que foi? – perguntou, aproximando-se mais dela. Scully: Não... não diga... por favor! – pediu e ele assentiu. Mulder: Ela não quer que a família seja avisada – voltou-se para Jessie para retornar à Scully que novamente o chamara. Scully: Me tire daqui! Mulder: Não pode, Scully, precisa ficar aqui. Scully: Não. Faça isso! Mulder: Dana, não pode – ele insistiu vendo-a abrir outro sorriso. Scully: Você... me chamou... pelo meu nome! – ele assentiu, sorrindo. Mulder: Não pode sair daqui. Scully: Por favor, Mulder! Diante dessa teimosia, ele olhou para Jessie. Jessie: Vamos tirá-la, então. Vou conversar com o médico. Mulder acariciou as bochechas pálidas e afundou o seu rosto na curva do pescoço dela aspirando e encontrando o perfume que procurara nele, no carro, em frente à mansão do mafioso. CASA DE JESSIE 21:35 H Scully foi deitada, apenas de calcinha, de bruços na cama de Jessie. Estava coberta com um edredon que ia até a sua cintura. Os ferimentos em suas costas ainda sangravam e nem os médicos conseguiram fazer com que estancassem. Eles eram muito profundos e em grande número. Mulder encontrava-se sentado no chão ao lado dela e não largava em momento algum as mãos pequenas. Jessie sentou-se na cama e colocou as mãos por sobre os ferimentos dela, no entanto sem tocá-los. Fechou os olhos, concentrando-se. Os rasgos reluziam em fracas cores de verde, mas não saravam. Jessie: Não consigo, Mulder. Não consigo... – disse, com uma expressão tristonha. Mulder a olhou aflito e voltou o seu rosto para Scully que fechava os olhos lentamente. A noite estava muito fria, típica de dezembro e uma chuva caía pesada chocando-se violentamente contra a grande janela do quarto fracamente iluminado por velas devido à falta de luz na cidade. Mulder: Não, Scully, não feche os olhos, por favor! – suplicou com voz chorosa – Scully, fale comigo, eu estou aqui, fale comigo, Scully, não faça isso, por favor... Suas súplicas eram em vão, ela tentava manter os olhos abertos e pronunciar o nome dele, mas não conseguia. Era mais forte que ela. Jessie levantou-se não suportando mais aquela situação. Caminhou numa aparente calma e foi até o quarto de hóspedes. Ao entrar nele, cobriu os olhos com a mão onde não conseguiu mais segurar as lágrimas. Deixou-se cair pesadamente ao chão, apoiando os braços na cama macia. Chorou, chorou e chorou. Era como se tivesse vontade de fazer isso há muito tempo, mas só agora conseguira. Tentava controlar os soluços para que não soassem altos. Na verdade, eram mais de 20 anos sem saber o que era chorar por alguém. Outro raio cortou o céu, clareando o quarto inteiro de prateado. Ela olhou ao redor, levantou-se e foi até a janela. Divisou a figura alta e esbelta do Caçador segurando um chicote prateado igual ao que Rossini usara para machucar Scully. Engoliu o choro, olhou vingativa e num ímpeto, desceu as escadas correndo. O caçador acompanhou-a saindo da casa e vindo em sua direção. A chuva continuava forte e logo seus cabelos assumiram um tom vermelho escuro e o pijama de seda amarelo pálido que usava encharcou, colando em seu corpo. - Disse que os mataria se não voltasse para a Seção. Você foi avisada o tempo todo. Jessie: É, fui sim. Você entregou um desses para Rossini porque sabia que eu não poderia salvá-la - acusou-o, apontando para o chicote prateado – Tenho vontade de matá-lo! – cerrou os dentes, em ódio. - Pegue – ele, desafiante, arremessou o objeto para ela – Não poderá fazer nada com isso e muito menos usá-lo em mim. Só eu sei como salvá-la. Jessie segurou o chicote na mão, olhando-o com atenção. - Não pode fugir do seu destino. Jessie: Tem razão, não posso mesmo – ela desabotoou os primeiros botões do pijama, afastando-o um pouco, desnudando os ombros – Mas posso mudá- lo. Estar morta é melhor que viver atormentada. E se enganou, também sei como salvá-la. Mulder tentou em vão acordar Scully. Repousou a cabeça perto dela na beirada da cama e desatou em um choro fraquinho. Chamava o tempo todo o seu nome, mal acreditando no que estava havendo. Olhou ao redor, procurando por Jessie e não a encontrou. Foi até a porta de vidro que separava o quarto da sacada e a viu parada em frente ao alien que a ameaçara e que já machucara Scully. Aterrorizado, a viu erguer o braço para se autoflagelar. Ele gritou o seu nome desesperado, abriu a porta de vidro não se importando com a chuva que encharcou rapidamente as suas roupas e agarrou com força a grade baixa da sacada. Ouviu um gemido forte de Scully que chamou a sua atenção. Voltou ao quarto e com espanto viu os rasgos profundos sumindo um à um. E a cada um que desaparecia, Scully agarrava-se mais à colcha da cama e gemia cada vez mais forte. Cada ferimento que desaparecia, causava-lhe uma dor imensa, ele concluiu. O sangue manchou as costas de Jessie e seus cabelos longos e molhados grudaram-se aos ferimentos, mas ela mantinha-se firme com uma expressão dura nos olhos, decidida a não parar. Finalmente o frio e a dor a venceram e tombou ao chão. O Caçador aproximou-se dela e em um último gesto, ela retirou cautelosamente do bolso do pijama o punhal prateado e enterrou na base do crânio do alienígena, matando-o instantaneamente. O líquido verde não era nocivo a ela que sentiu o corpo pesado dele caindo sobre o seu. Mulder voltou o seu olhar para o jardim onde estava Jessie e a viu caída no chão com o alien sobre ela. Um facho grande de luz verde os envolveu antes que ele pudesse esboçar qualquer reação e como mágica os seus corpos sumiram. Scully: Mulder... A voz de Scully o despertou, fazendo-o ir em sua direção. Mulder: Scully, você está bem? Scully: Me abrace, por favor! – pediu, chorosa, erguendo-se da cama, colando o seu corpo ao dele num forte abraço. Escondeu o rosto em seu pescoço e desatou em choro. Ao abraçá-la, Mulder notou que as costas alvas estavam completamente livres dos ferimentos e continuavam macias e bonitas como se não houvessem sido brutalmente machucadas. Não conseguiu segurar as lágrimas também e a apertou contra si. GEORGETOWM 13:35 H UMA SEMANA DEPOIS... David: E isso é tudo! Mulder: Então, quer dizer que Jessie trabalhava como agente para uma organização no Canadá, forçada?! David: Sim, forçada. Scully: E como ela conseguia ler pensamentos? David: Através de um projeto experimental de controle de mentes que transforma as pessoas em projecionistas remotos para que sejam facilmente controladas pela Seção. O projeto se chama Guelman. Sem sentimentos, sem emoções, sem vínculos... Mulder: Mas ela não ficou assim. Porquê? David: Bom, porque resistiu. Houveram muitos testes, várias pessoas foram submetidas a esse projeto e tonaram-se esses projecionistas, mas ela não. Tomou, por algum tempo, remédios para controlar a dor de cabeça e lapsos de memória que teve após a experiência. Ela não se entregou, nunca. Se agarrou em uma lembrança da infância... você. Mulder: Mas ela era imune ao gás lá do armazém. Como? E sobre curar? David: A alteração feita em seu sistema neurológico fez com que certas substâncias, outrora tóxicas, não fossem nocivas a ela. Elas não a comprometia por que o fígado conseguia filtrar a uma velocidade fantástica todo o seu sangue. Quanto ao poder de cura, ambos não sabíamos como foi adquirido. Lágrimas se formaram nos olhos dele e à muito custo, engoliu o choro. Mulder: Como ela foi parar lá? David: Estava lá desde os 5 anos de idade, levada por seu avô que foi ameaçado por homens importantes que ameaçavam torturá-la e matá-la se não o fizesse. Mulder: Exatamente a idade que ela tinha quando o avô ganhou a sua guarda. David: Isso mesmo. Ela foi treinada desde essa idade. Atendendo a um pedido dele, além do que para não levantar suspeitas, lhe foi permitido estudar, freqüentar aulas de balé... como uma criança normal. Mas ela dormia na Seção e foi treinada desde essa idade por mestres excelentes para se tornar a melhor agente da Seção. Mulder: Porque a deixaram sair? David: Nunca ninguém sai, Agente Mulder. As coisas lá simplesmente não dão certo... acontecem por um motivo e, na verdade, ela nunca saiu. O avô prometera que ela seria substituída se lhe fosse consentido a sua liberdade, mas ele faleceu antes que pudesse cumprir a sua promessa. Mulder: E o tormento voltou? David: Sim. As diversas missões exigiam muito controle emocional de seus agentes e ela bloqueou qualquer emoção que pudesse vir a ter para que não comprometesse o seu trabalho. Mas o Caçador estava aqui e ela estava sendo chamada à retornar à Seção. Mulder: Qual era a ligação dele com a Seção? David: Ela encobria as provas de supostos ovnis que supostamente caíram aqui na Terra. A Seção impedia ataques terroristas que visavam utilizar- se de sua alta tecnologia, impedindo também a sua divulgação. Scully: Mas se a Seção1 possui muitos agentes, porquê ir atrás dela? David: Porque ela era a melhor agente da Seção1, recebeu treinamento intenso desde pequena, foi preparada para ser uma arma poderosa. O que eles não previram foi que ela conseguisse resistir ao projeto. Mulder: Como você sabe de tudo isso? David: Conheço-a há muito tempo e depois de presenciar situações estranhas envolvendo-a... eu passei 5 anos da minha vida tentando fazê-la contar. Até que consegui. Mulder: Tudo isso soa tão... – ele esfregou os olhos com os dedos, incrédulo. David: ... inacreditável? É, posso imaginar – ele completou. Mulder: O FBI deu por encerrada as investigações já que Scully apareceu. Para explicar isso, o Bureau disse que ela simplesmente conseguiu fugir de lá. David: Esse caso será abafado. Recentemente, os EUA fizeram um acordo com o governo italiano para facilitar a circulação de mercadorias e produtos nos dois países sob alegação de incentivo ao livre comércio. Este fato causou até retaliações por parte da União Européia a postura da Itália. Mulder: E vc? É mesmo Agrônomo? O que vai fazer daqui em diante? David: Vou voltar para a Inglaterra, cuidar das minhas fazendas, continuar a minha vida e quem sabe... – olhou triste para eles- ... constituir uma família. Mulder e Scully estavam chocados e emocionados com o que ouviram David relatar. Scully sentou-se ao lado de Mulder no sofá, apoiou suas mãos ao redor do braço dele e repousou a cabeça em seu ombro. Mulder encostou levemente os lábios em seus cabelos. Mulder: Como eles conseguiram espermatozóides meus para fecundar o óvulo de Scully, implantado em Jessie? – perguntou, confuso com a complexidade da situação vivenciada. David: Não é difícil, Mulder. Presumo que eles tenham invadido o seu apartamento e com a ajuda de aparelho próprio, identificaram esperma sobre a colcha de sua cama e aí, foi só coletar. Sabemos que o órgão sexual masculino espele naturalmente uma pequena quantidade de esperma enquanto dormimos, suficiente para a fecundação. Isso, a ciência já comprovou faz tempo! Mulder: E o bebê sumiu – lembrou-se do pequenino e frágil bebê tão desejado por eles. David: Eu sei, sinto muito – disse penalizado. Levantou-se dirigindo-se para a porta ao que Mulder, gentilmente soltando-se de Scully, fez o mesmo – Preciso ir, meu vôo parte daqui há algumas horas. Não precisa me acompanhar até a porta – estendeu a mão para Mulder – Apesar das diferenças que tivemos, Agente Mulder, foi um prazer conhecê- lo. Você é um bom homem. Mulder: Você também, David. Obrigado por ter ficado ao lado de Jessie durante todo esse tempo – retribuiu o cumprimento. David: Foi um imenso prazer. Eu a amava muito, era a minha melhor amiga e sentirei muito a sua falta. Mulder: Eu também. Scully levantou-se também, aproximando-se dele. David: Dana – ele tomou o seu rosto entre as mãos e carinhosamente depositou um beijo em sua têmpora, sob o olhar atento de Mulder, agora bem mais amistoso – Espero que fique bem. Scully: Ficarei, sim. David: Tenho certeza disso – disse, olhando-os com um sorriso indulgente – Adeus. Mulder fechou a porta e seguiu Scully até o quarto. Ela parou olhando para fora da janela. Ficaram em silêncio, imersos em seus próprios pensamentos até que ela foi a primeira a falar. Scully: O bebê sumiu sem deixar pistas não foi, Mulder?! Ninguém viu quem o tirou de lá – olhou para ele que concordou com um meneio de cabeça e voltou o seu olhar para o exterior, mas atenta ao menor movimento no interior do apartamento. Mulder: Talvez ele tenha sido a promessa feita à Seção. Vamos procurá-lo, Scully, eu prometo. Scully: Eu não quero, Mulder – disse sem se virar para ele – Não era para ser, não assim. Novamente não era para ser. Não adianta achá- lo para que seja tirado de nós novamente – concluiu com pesar. Mulder: Venha cá – pediu com voz fraca e carinhosa. Scully voltou-se para ele e sentou-se em seu colo. Mulder: Aquela noite em que voltamos do hospital, aquela noite em que... – começou, meio incerto – ... fizemos amor, aquela em que eu temi perder Jessie, eu temi perder você também. Sei que fui um pouco rude, que não lhe dei tempo para reagir, fui apressado, uma atitude infantil, sem o menor cabimento... Desculpe, Scully – ele a olhou nos olhos, lágrimas ameaçando cair – Desculpe mesmo, Scully, não queria que acontecesse daquela forma, entende? Scully: Bem mais do que você pode imaginar. Tudo bem, Mulder, talvez tenha sido melhor desse jeito mesmo. Assim eu não teria tempo para raciocinar e perder a melhor noite da minha vida – lágrimas molhavam a face alva que Mulder beijou sentindo o gosto salgado em seus lábios. Mulder: Tinha medo de machucar você, mas não conseguia parar. Estava com medo de perder você também, medo de que me rejeitasse – ele a abraçou forte. Scully: Não farei isso – ela desatou o nó do roupão que colocara após ter tomado banho, segurou a mão dele e levou até um seio, apertando-a contra ele. Essa mão instintivamente começou a massageá-lo. Ela aproximou-se de seu ouvido e sussurrou – Dói querer alguém tanto assim. Mulder: Sim – virando a cabeça para roçar os lábios nos dela – Vou mais devagar agora – sussurrou-lhe, gemendo entre seus lábios. Scully: Confio em você – ela o olhou diretamente nos olhos – Sempre confiei e sempre vou confiar. Ele a beijou com total sofreguidão, apertando-a delicadamente contra o seu corpo e sentindo a maciez da pele e os contornos do corpo bem feito sob o roupão aberto. Procurou o toque mais íntimo que tanto gostava e que sabia dava prazer a ambos. Escorregou o corpo para encontrar a colcha acetinada da cama com ela em seus braços. Voz em Off: "Entre as pequenas coisas que fazemos e as grandes que não podemos fazer, o perigo está em não tentarmos nenhuma. A distância pode separar dois olhares, mas nunca dois corações. Eu te amo não somente pelo que és, mas pelo que eu mesma sou quando estou contigo, porque só você, Mulder faz quebrar a barreira de gelo e indiferença de meu coração e me sacrifico para que conheças a felicidade que eu não conheci. Scully, Mulder... exemplo clássico que eu jamais havia conhecido de duas pessoas que se amam sem se submeter ou se dominar... apenas se completam." Jessie Eileen Arby - FIM - 1 182