X - FILES FANFICTION Título: INTERIOR FEAR 2 Autora: Angel Scully (Carla Biscaglia) Email: biscaglia@uol.com.br Disclaimer: Mulder, Scully, XF...são propriedades da Fox, 1013, CC, DD e GA. Se fossem meus, os shippers do mundo já teriam visto o que tanto almejam. Classificação: Série, Mulder angst, Scully angst, MSR, UST, shipper Restrição: Há uma cena mais forte. Não chega a ser NC-17 (talvez um "R" forte) Resumo: Um hospital com grande desenvolvimento tecnológico. Pacientes aparentemente saudáveis, que em questão de semanas, morrem . Mulder e Scully são designados para resolver um caso aparentemente comum, mas que torna-se complexo, tornando-os alvo de uma conspiração maligna ao investigar a morte repentina de um cientista famoso por suas pesquisas em torno do DNA, ao mesmo tempo que põe em dúvida e risco a relação que há entre eles. Fanfic série. Notas da Autora: Fanfic baseado no livro "Medo Mortal", de Robin Cook. Não pedi autorização ao autor para escrever a estória, portanto, este fanfic não tem objetivo nenhum de lucro, mas apenas proporcionar divertimento aos eXers de plantão. Quem pretende ler o livro, não leia o fic. Afora os nossos queridos agentes, existem personagens e lugares fictícios. . RECAPTULAÇÃO DOS ÚLTIMOS MOMENTOS DE "FEAR" Katrina não acreditava no que via. Ela conhecia aquele homem a pouco tempo, mas tempo suficiente para saber que era distinto e bem educado. Como se enganara. Ele parecia divertir-se muito, ignorando os olhares em pânico das duas. Katrina sentiu as mãos fortes a envolverem, ao passo que começaram a rasgar as suas roupas. A expressão divertida e sarcástica passou a sádica e tirânica. Katrina continuava descrente, olhando assustada para o rosto de Fox Mulder. _____________________________________________ "The Truth is out There" INTERIOR FEAR - 2 PARTE SEGUNDA FEIRA 10:45 AM Nos dois dias que transcorreram, a investigação dos agentes havia avançado. Na noite em que Mulder saíra sem avisar Scully, ele fora no Pleasure Club, à procura de Marie Coldran. Se ela realmente fora amante de Howard, saberia com certeza de mais alguma coisa. Não conseguira falar com ela no mesmo dia, pois o dono do clube era sisudo, e mantinha Marie sob vigilância de dois homens enormes e musculosos. Contatou uma das dançarinas, que lhe deu o endereço de Marie. Com ela, conseguira informações sobre viagens que fizera com Kevin, os hotéis onde pararam, com quem conversaram. Faltavam apenas os livros de anotações das experiências de Howard. Marie era universitária, distinta, inteligente, além de ter uma beleza fora do comum. O trabalho no clube era apenas para ajudar a pagar a faculdade. Com ela também descobrira que Kevin eventualmente usava drogas. "Mas o que apareceu no apartamento dele foi colocado. Ele não era traficante, e não consumia heroína", disse ela. Após as referidas desculpas, Mulder deixou o apartamento de Marie, voltando imediatamente ao hotel. No hospital, Scully analisava os prontuários e fichas médicas reunidas pelas secretárias. Katrina não mais apareceu. Não era de atrasar o trabalho, e muito menos faltar. Como ninguém providenciou chamada, Mulder resolveu ir até o apartamento dela para verificar. Chegando no prédio, foi até portaria e perguntou ao zelador o andar do apartamento de Katrina. O homem respondeu que não poderia informar, ao menos que fosse junto. Os dois subiram até o terceiro andar. Quando o elevador se abriu, ouviram distante o som de música alta. __ Como é que os vizinhos não reclamaram.- perguntou o homem. Caminharam até o fim do corredor, em direção ao apartamento dela, e perceberam que o som vinha do mesmo. __ Devem estar dando uma festa. Apertaram a campainha, mas não ouve resposta. O homem alcançou o grande molho de chaves, escolheu uma delas e girou-a na fechadura. Assim que a porta se abriu, o volume da música aumentou desmedidamente. __ Droga - disse o zelador. Depois gritou - Olá - não houve resposta. Entraram pausadamente na sala do apartamento. O zelador gritou, com olhos arregalados e o rosto contorcido em horror. Mulder adiantou- se, tentando avistar algo por detrás do corpo pesado do homem. A sala era um pesadelo. O zelador correu em direção à cozinha, a mão apertada contra a boca. Katrina e outra mulher estavam lado a lado sobre o sofá, nuas, com as mãos amarradas às costas. Os dois corpos encontravam-se indescritivelmente mutilados. Mulder virou o rosto, desviando as narinas do odor que vinha do recinto. Novamente olhou para a cena, desacreditando no que olhava. _____________________________________ Minutos depois, todo o prédio era uma balbúrdia de policiais. Mulder resolveu voltar ao hospital para contatar Scully pessoalmente. Ela, nesse momento, acabava de olhar as fichas e prontuários médicos. __ Scully, Katrina Bronvist está morta. __ O que? Como aconteceu? __ Ao que parece, alguém entrou no apartamento, a dois dias atrás e a matou, junto com a companheira de quarto. __ Mulder...precisávamos dela ainda... __ Sim, mas agora estamos sozinhos. O que você encontrou nas fichas? __ Bom, era o que eu esperava. Os casos com má evolução cresceram muito de 6 meses para cá. O ponto em comum entre eles nós já sabemos: idades equivalentes, estilo de vida semelhantes, e morte extremamente rápida após exames infames. Ah, o laboratório de Kevin foi arrombado. Reviraram tudo por lá, mas me parece que o motivo foi alguma busca. Falei - Scully contraiu os supercílios - com Kimberly Amy sobre noticiar à polícia. Ela irritou-se com essa possibilidade, não quer que a polícia se envolva mais, já chega o FBI. Para ela a imagem do hospital conta mais. Não quer que seus lucros caiam.... - a voz saiu ácida. __ Eu sei...arrombaram em busca dos livros de registro..não estavam com Marie..deviam estar escondidos no laboratório, claro. Scully, precisamos ir até Los Angeles, onde Kevin fora diversas vezes, junto à Marie. Ela não soube me dizer o que ele fizera, mas lembrou das pessoas com quem conversou. O telefone de Mulder tocou, desconcentrando-os. __ Mulder. __ Ag. Mulder, aqui é o detetive Mark Franklin. Quero que você compareça à delegacia para um depoimento. __ Depoimento? - Os olhos verdes olharam confusos para Scully, que rebateu, imitando a expressão. __ Sim, há duas testemunhas, duas mulheres que viram um homem entrar com Katrina na fatídica noite. Elas estão ao meu lado aqui, e viram quando você saiu do prédio agora a pouco. __ O que quer dizer detetive Franklin? __ Que o homem que entrou com Katrina é você Ag. Mulder, a menos que prove o contrário. Estamos recolhendo digitais e fios de cabelo espalhados na sala. Até saírem os resultados, não temos provas conclusivas. Scully observava o rosto de Mulder mudar em várias expressões. Quando desligou, ele olhava para o pequeno aparelho em discórdia. __ Isso é impossível! __ O que aconteceu Mulder? Quem era? __ O detetive Mark Franklin me interpelando pelo assassinato de Katrina Bronvist. Há testemunhas que dizem com convicção que o homem que entrou com ela no apartamento foi eu. Os exames das digitais e fios de cabelos estão à caminho, mas Scully, ou as testemunhas foram forjadas, ou...não, um clone meu não seria. __ Mulder, mas você não estava com ela! Tem um álibi! Marie Coldran! __ Depende dos horários Scully. Quando cheguei ao clube, ainda fiquei meia hora esperando abrir, pois era cedo. Se o tempo que esperei bater com o horário da morte, eu vou direto para a cela! Tem alguém tentando nos deter Scully! __ Não, você não vai para a cadeia. Caso dê coicidências de horário, digo que estava com você Mulder, muito fácil. Eles não teriam como provar o contrário. __ Teriam sim. Quando saí, falei com os recepcionistas do hotel de Marie...Scully...vamos imediatamente a Los Angeles..preciso resolucionar essa intriga, e ainda me salvar! __ Não podemos fazer isso Mulder! Estaríamos aceitando a culpa! Eu me tornaria cúmplice e seríamos perseguidos como criminosos! Iremos sofrer um processo grave no FBI, além de passar o resto da vida atrás das grades por homicídio doloso! Pense Mulder! O melhor que temos a fazer é ir à delegacia. __ Se fizermos isso, pode Ter certeza, tem gente por trás disso. Prenderiam-me imediatamente , justamente para não continuar a investigação. Você seria tirada do caso, com suspeitas de envolvimento e não resolveríamos nada!! Não posso me apresentar, vamos! Mulder a puxou pelos braços, mas Scully relutou. Olhou com discórdia e temor, mas quando ele ameaçou carregá-la nas costas, ela aceitou. Partiram imediatamente para o hotel. No caminho, Mulder ligou para os pistoleiros. __ Preciso imediatamente da ajuda de vocês. É vida ou morte. Preciso que forjem identidades, cartões de crédito, tudo o necessário para nos fazer sumir do mapa por alguns dias. Poderia fazer isso para hoje? __ Você enlouqueceu Mulder? Isso não é bem assim de se arranjar! __ Precisam fazer, senão daqui a algumas horas estarei na cadeia e Scully com um processo nas costas. E quando mandarem-me para uma prisão federal, quando os internos descobrirem que sou agente federal, não vai sobrar muito do Fox Mulder para contar história. Faça! E me contatem quando estiverem com tudo pronto! Sei que vocês tem contatos no mundo inteiro, aqui com certeza vocês também têm! __ Certo Mulder, espere novas instruções. Mas não tenho certeza que conseguiremos em tão pouco tempo. Que tipo de disfarce você quer? - Langly olhou malicioso para Frohike e Byers - Que tal marido e mulher? Daquela vez funcionou muito bem. __ Façam do jeito que vocês acham melhor, mas façam! Mulder desligou nervoso o aparelho. Dirigia em alta velocidade, costurando as ruas da cidade com habilidade. Scully observava receosa, mas confiava nos instintos do parceiro. Não faria nada que pudesse colocar sua vida em risco. Chegaram perto do hotel e Mulder estacionou a uma quadra de distância. Precisava pegar algumas peças de roupa. Verificaria com cuidado se o detetive o estava esperando. Dentro do carro, tirou a capa, a gravata e desabotoou três botões da camisa, expondo o peito forte. Arremangou a as mangas, para parecer mais informal. __ Scully, verificarei se não estão nos esperando. Caso não, pegarei algumas coisas, e descerei até a garagem do hotel, evitando os recepcionistas. Apenas me verão entrar. Ela assentiu com a cabeça e observou ele sair do carro e caminhar em direção ao hotel. Dois minutos depois Mulder voltava, sem nada nas mãos. Com certeza alguém o estaria esperando, diretamente no quarto. __ Estão lá Scully. Vamos. Precisamos comprar algumas roupas mais informais, tipo turistas. Não poderemos nos vestir feito agentes. Ficaria fácil demais. - ele a fitou divertido - Vamos fazer compras querida! __ Como é que você consegue brincar nesses momentos Mulder??!! __ Se eu não descontraísse Scully, já estaria em um manicômio, concorda? Uma hora depois, voltavam para o carro, com Mulder carregando 3 grandes sacolas. Seu rostos demostravam divertimento e felicidade, como se tivessem esquecido que estavam fugindo. Mulder vestia calça black jeans, uma camiseta cinza justa e uma jaqueta imitando couro. Os cabelos estavam mais desgrenhados que o normal. Scully vestia blue jeans e um Twin Set azul, da cor de seus olhos. __ Desse jeito, qualquer um te reconhece Mulder. Quando não está com as roupas do FBI, geralmente é com jeans, essas camisetas cinzas e jaqueta de couro. __ Não ficou justa demais? Não tinha número maior. __ Está ótima Mulder - Scully olhou para ele com um leve sorriso nos lábios. - Você não é nenhum garoto, mas ainda fica bem em roupas justas. E ainda mais, existiam outras cores. __ Ainda? Ela não respondeu, apenas deu de ombros. O telefone gritou abafado no bolso traseiro do jeans. __ Mulder. __ Mulder, vá até o aeroporto. Lá alguém irá te procurar. Apenas diga " Tio Carter". Está tudo pronto. __ Certo. Frohike, mais uma vez, vocês salvaram a minha pele. Depois arranjo um meio para agradecer. __ OK Mulder, cobraremos hein! Dessa vez deu trabalho! Ah, e mantenha o juízo hein...você não quer problemas com o Bill Scully... __ Do que você está falando Frohike? __ Esquece Mulder. Vá para lá de uma vez. A essas horas já estão seguindo as suas pegadas. Não tem muito tempo. _________________________________________ NEW YORK INTERNACIONAL AIRPORT SÁBADO - 4:40 PM O aeroporto estava apinhado de pessoas, com expressões felizes, barulhentas e alegres. Os dois agentes entraram espreitando, pois não saberiam se haveriam policiais à sua procura. Scully amarrara os cabelos e usava óculos escuros, assim como Mulder, que carregava uma mala média. Pararam na frente de um Freeshop e esperavam. Ninguém apareceu. O nervosismo já tomava conta dos dois, quando uma mulher idosa, vestindo um vestido florido chamativo cutucou Mulder. O sobressalto de Mulder assustou Scully, que olhava para a velhinha sem entender nada. Mulder pensou ser a pessoa errada, mas não tinha escolha. __ "Tio Carter"? A velhinha sorriu, e de dentro da bolsa tirou um pacote pequeno repleto de laçarotes, entregando a Mulder. Abraçou Mulder e Scully, passou a mão em seus rostos e antes de sumir em meio à multidão, disse: __ Casal lindo! Tomem cuidado. Mulder olhou receoso para Scully, que tinha os olhos no pacote. __ Abra Mulder. Até conseguir retirar todas as fitas que embalavam a caixa, vários minutos se passaram. Em seu interior, vários documentos: identidade, passaporte, cartões de crédito.....e um par de alianças. __ Sr. e Sra. Anderson? - Scully fitou os olhos transparentes de Mulder, que sorria. - De novo Mulder! __ Qual é o problema Scully? Agora você é..- ele olhou para o cartões - é Gill e eu, David. Bonito, gostei. Vinte minutos depois embarcavam no avião. Byers havia feito as reservas para os dois antecipadamente. ____________________________________________ LOS ANGELES 8:20 PM Estrada Peter Falls O negrume da noite cobria o carro na estrada deserta como um véu. Não haviam estrelas no céu. A fina garoa que caía leve no parabrisa do carro prejudicava ainda mais a visão de Mulder. __ Mulder, tem certeza de onde estamos indo? __ Marie me deu todas as informações Scully. Hotel Peter Falls, logo acima. O hotel encontrava-se afastado da cidade dos anjos. Jazia em um pequeno morro, de onde um virtuoso rio que dava o nome ao local corria. Conforme se aproximavam, podiam ver a luminescência de Hollywood afastando-se lentamente. O ar puro que adentrava no carro surpreendeu-os. __ Bom, pelo menos, temos uma bela vista. Mulder, e se não conseguirmos nada? Estaremos por demais encrencados! __ Não pense nisso Scully....sinta o ar puro..bem diferente da torrente poluída de Washington. O hotel tinha um aspecto singelo e confortável. Ficava logo acima do rio, e podia-se ouvir o som relaxante das águas. Chegaram à recepção. Foi daí que Mulder percebeu que não havia efetuado as reservas. __ Vocês estão com sorte - adiantou-se o simpático recepcionista - temos um quarto de casal. No mesmo instante, Scully sobrepujou os expressivos olhos azuis em Mulder, que apertou os lábios e cutucou-lhe a cintura. Ela havia esquecido que estavam "casados". O homem estranhou a expressão dela, mas antes de falar alguma coisa, Mulder adiantou-se. __ Isso é ótimo!- Mostrou ao homem os documentos. __ Sr. e Sra. Anderson? O quarto é o de número 120.Tenha uma boa estada no Peter Falls Hotel! Mulder pegou o cartão/chave e, abraçado à Scully, subiu até o quarto. __ Mulder? __ Fala, amor. __ Não começa de novo hein! Ao entrarem no quarto, depararam-se com um recinto confortável, igualmente ao hotel. NO centro da peça, uma grande cama, coberta por finos lençóis brancos bordados. Somente uma cama. Não havia um sofá. Scully, novamente olhou para Mulder surpresa, que limitou-se a dar de ombros. __ Preciso de um banho Scully. Deixe que vou primeiro. Mulheres demoram muito nessas tarefas. Mulder foi até o banheiro e fechou a porta. "Porque ele não deixa aberta", pensou ela. "Para Dana, você é passível de controle". Scully sentou-se na cama, pensativa. Dormiriam juntos. A simples imagem que formou-se em sua mente a fez estremecer. O barulho da porta abrindo a despertou. Estava deitada. Havia adormecido. Apoiou o corpo com os cotovelos sobre o colchão e olhou em direção ao banheiro. A densa fumaça branca que saiu do pequeno recinto a impedia de enxergar alguma coisa. __ Mulder? Você ainda está aí ou entrou em ebulição? __ Estou indo, calma Scully. Dois minutos depois ele entrava no quarto, somente com a toalha branca enrolada à cintura. Os fios molhados caíam sobre seu rosto recém barbeado. A fragrância masculina inundou a peça. Scully tinha os olhos sobre ele, sem conseguir piscar. Ele vinha em sua direção, lentamente. O gingado leve do caminhar, os músculos do abdômen bem trabalhado, o peito e braços fortes. __ Scully??? Pode ir. Me escaldei lá dentro! __ Ah..ahh, claro. Me deu um soninho agora...mas vou indo. Ela dirigiu-se até a mala nova que haviam comprado na loja, tirou uma das peças e entrou, fechando a porta por trás de si. __ Ahh, Scully...você pensa que eu sou cego.... Meia hora depois, ela saía. Estava com os cabelos molhados, e vestia uma camisola de seda creme. O fino tecido ululante delineava as formas delicadas do corpo dela. Mulder a fitava insistente, e ela sentiu que aquele olhar penetrante lhe despia. Sentia-se nua diante dele. __ Nossa Scully...você pensa em tudo hein! Eu me esqueci desse detalhe! Ela sentou-se na beirada da cama, envergonhada. __ Mulder? Como vamos dormir? __ Ora essa, eu aqui, você do meu lado. Eu deito de lado, e abraço você pelas costas, te esquentando. Ou poderá ser eu deitado de costas, e você sobre mim! Que tal? Dessa vez você não me escapa mulher! - Ele brincava. Scully rebateu com um sorriso amarelo. Sentia-se desconfortável. __ Vamos Scully, sem cerimônias. Ficamos de costas um para o outro, bunda-a- bunda, se é que eu te incomodo. __ Mulder!!!! Ela deitou de costas para ele, que fez o mesmo. Scully sentiu a pele quente e rija das costas de Mulder coladas as dela. Apagaram o abajur. Sentiam-se bobos. Não estavam com o mínimo sono. Pensamentos perniciosos passavam por suas mentes. __ Scully... __ Que é Mulder? __ Que história era aquela do livro estar em cima de mim? __ Nada Mulder. __ Você disse que iria me contar! Eu não estou com sono! Sinto que você também não está. Conta !!! Mulder esticou o braço a acendeu novamente o abajur. Virou o corpo para o lado dela, apoiando a cabeça com uma das mãos. Scully fez o mesmo. __ Ah Mulder...tem coisas que uma mulher sonha.... - ela se arrependeu de ter iniciado assim. __ Sonho? Então você sonhou comigo? Ah, agora eu quero ouvir! - A atitude extremamente infantil dele a aliviou. Mulder estava brincando, a fitava divertido. Não teria tanto perigo assim. __ Sonhei que você estava dormindo com o livro em cima do seu peito, como se você adormecesse lendo. Só isso. A voz dele mudou. Igualmente com a expressão. A desejo era claramente visto nos olhos verdes brilhantes. Scully sentiu o torpor tomar conta de seu corpo. __ Só mesmo Scully? Ela sabia. Mulder envolveu uma das mãos em seu rosto, acariciando-lhe a pele aveludada. Sentiu quando ele veio ao seu encontro, sentindo o peso dele sobre seu corpo, pressionando seus seios. Mulder a envolveu com o braços. Passava de leve os lábios sobre a face dela. Scully sentia o hálito quente sobre seu rosto e pescoço, a respiração ofegante. Não estava sonhando desta vez. Aconteceria. E por isso, sentia-se excitada, mas ao mesmo tempo, assustada e relutante. Mulder envolveu seus lábios aos dela, sentindo a maciez dos lábios tão desejados. Continuaram a se beijar por longos minutos, sentindo-se reciprocamente. Scully percebeu uma das mãos de Mulder sobre seus seios, enquanto a outra viajava por suas pernas. Scully enlaçou o quadril dele com as coxas, e com os calcanhares, retirou rapidamente a boxer que ele usava. Mulder arregalou os olhos verdes em direção aos dela, não reconhecendo a atitude. __ Nossa Scully... __ Você não conhece a força de meus instintos Mulder... Mulder deitou-se na cama e ela sentou-se sobre ele. Seus olhos azuis faiscavam de desejo, embargando Mulder em sensações deliciosas. Ela desenhava pequenos círculos com as pontas dos dedos sobre o abdômen musculoso dele, que sentia pequenas correntes elétricas ao toque dela. Envolveu suas fortes mãos na camisola e puxou-a lentamente, enquanto Scully esticava os braços para facilitar a retirada. Aos poucos o corpo escultural era revelado, e Mulder analisava cada detalhe. Scully era pequena ,perfeita, e a pele alva só lhe garantia mais encanto. __ Tenho receio de te machucar Scully...você é linda, mas tão pequena... __ Cale a boca Mulder... Mas ela o calou, com um beijo ardente. Sentia fios de suor percorrerem suas costas, desenhando caminhos sinuosos. O fato de Mulder ser desproporcionalmente grande só a fazia arder por dentro. Aquele homem, que provocava o desejo de olhares femininos por onde passava, seria dela, somente dela. Aquele homem, amargurado pelos percalços que a vida lhe infringira, golpes duros, marcando-lhe a alma com cicatrizes profundas, conseguia transmitir uma força de vida sem igual, e isso a intrigou desde que o conhecera...sentimento esse que mais tarde transformara-se em admiração crescente...Mulder nunca desistia de seus objetivos, iria até o fim, mesmo que a morte lhe encontrasse junto à resposta de sua tão procurada verdade. Verdade essa que também era dela agora. Fitavam-se nos olhos. O momento que tanto esperaram, 8 longos anos, aconteceria. Mulder elevou o braço para tocar o rosto dela, que olhava complacente para ele. A admirava tanto. Scully, com sua racionalidade, seu dinamismo e ousadia lhe encantavam. Não precisavam falar nada, palavras não eram mais necessárias. Scully alcançou a mão dele e a colocou entre os seios. Mulder sentia os batimentos cardíacos acelerados, ouvia a respiração difícil. Elevou o corpo, envolvendo-a com os braços fortes. Com delicadeza, retirou a única peça que ela ainda vestia, uma calcinha de renda vermelha. Novamente as bocas ávidas enlaçaram-se, fundindo-se em uma só. Scully esquadrilhada a maciez dos lábios de Mulder minuciosamente, sentindo-o ao máximo, seu gosto, seu cheiro delicioso. Mulder entorpecia-se com o frenesi dela, que o queria imediatamente. __ Mulder, que quero você agora! Era uma ordem. Ele a deitou na cama, enquanto aconchegava-se no abraço carnal e macio das pernas dela. Scully tremia, quase em êxtase apenas pelos toques dele. A estridência do telefone sobressaltou-os por um momento. __ Não Mulder, por nós, não agora... __ Calma, só irei desligá-lo. Mulder estendeu o braço até o criado-mudo e, antes de apertar o botão para calar a sinfonia irritante, olhou de relance para o pequeno visor iluminado do aparelho. __ Scully....a ligação é do gabinete do Skinner.... __ Por favor, deixe Mulder - A voz dela era quase chorosa. Mulder sentia o estremecimento do corpo dela sob o seu. __ Scully, não deixe seu fogo aplacar sua racionalidade agora...Skinner deve estar em maus lençóis por nossa causa...a essa hora, a polícia de New York deve estar a nossa procura, contatando o FBI...precisamos esclarecer isto a Skinner. Scully parou e olhou no fundo dos lindos olhos transparentes dele. Mulder tinha razão...sentia-se estranha....ele tomara a decisão racional desta vez. Estava a ponto de atirar o aparelho longe e tê-lo pela primeira vez. Ela assentiu com a cabeça. __ Alô.... - Mulder preferiu não identificar-se. Seria mesmo Skinner à ligar? __ Mulder? Sou eu, Skinner. __ Sim, senhor. __ Mulder!!!! Quero explicações muito convincentes do que está acontecendo!! - a voz tornara-se ríspida, ácida, mas percebia-se um tom preocupado. __ Senhor, a história é longa...não sei se a linha é segura para tanto... __ Do meu ponto Ag. Mulder, não há problema. E o seu telefone está bloqueado, graças aos três patetas...agora quero um relatório oral completo do que está acontecendo! Meus superiores estão me pressionando! Durante trinta minutos, Mulder explicou a Skinner todo o acontecido, as mortes, a fuga. Não percebera o tempo passar. Quando desligou, avistou Scully. Dormia profundamente, ressonando. Decidiu não acordá-la. O clima todo acabara, e Scully com certeza não gostaria nada de saber que ele a deixou dormir. E ainda, estava preocupado. As digitais encontradas no apartamento apontaram as duas mulheres e mais uma pessoa: Fox Mulder. Os exames de DNA, feitos com os fios de cabelo só acusaram a presença das duas mulheres. Skinner lhe contara que a polícia de Kansas iria vasculhar melhor o apartamento, em busca de indícios. Mulder pensava quem seria o assassino. Suas digitais realmente estavam por lá, pois quando entrou no apartamento, tocou nas paredes e no chão, quando encontrou as vítimas. Ele tinha uma desculpa plausível para esse fato. Alguém estava querendo incriminá-lo, ou deixá-lo fora das investigações, ou mesmo dos Arquivos X, como acontecera diversas vezes. Decidiu que deveria Ter uma noite de sono. Olhou novamente para Scully, o corpo nu e frágil, deitado de costas para ele. Mulder aconchegou-se à ela, envolvendo-a com seu corpo, passando o braço por sua cintura. Pensava se não seria muita ousadia, se Scully não gostasse de sua atitude...mas a pouco eles quase..."bom, a noite está fresca.....devemos nos esquentar...". Mal sabia Mulder que Scully acordara quando sentira o corpo rijo dele colado ao dela. Um sorriso afável transpareceu em seus lábios. _________________________________________ UNIVERSIDADE DE LOS ANGELES. SEGUNDA FEIRA - 9:30 AM Estalidos de sapatos ecoavam pelos corredores frios da Universidade. As paredes estavam levemente descascadas, precisando de pintura. O cheiro adocicado e forte de produtos químicos recendia. O homem alto e atlético, vestido com um blue jeans, camisa preta justa e jaqueta imitando couro era acompanhado pela mulher, de estatura baixa, mas de andar gracioso, vestindo uma calça sarja preta, blusa de lã justa verde pistache e um blaser preto acinturado. Não conversavam, concentrados em suas mentes. Procuraram por Sebastian Cormic, geneticista molecular. Trabalhava para a Universidade à vários anos, desenvolvendo trabalhos importantes e de reconhecimento internacional, assim como Kevin Howard. Deveriam ser amigos de longa data. Mas o real motivo da procura de Howard deveria ser outro. Mulder tinha esperança de encontrar qualquer indício da suposta descoberta de Howard. Scully compartilhava os mesmos pensamentos. Pararam em frente à um dos laboratórios. Sobre a porta, a placa ostentava o nome Sebastian Cormic, MD, PhD. Scully bateu na porta com os nós dos dedos. Esperaram um pouco. Logo o homem atendeu. Era tão alto quanto Mulder. Os cabelos eram jeitosos, de uma cor prateada atraente, realçando-lhe os olhos violeta. Deveria ser um pouco mais jovem que Kevin Howard, mas a aparência remetia a uma pessoa bem mais jovem. O corpo atlético indicava os exercícios diários. __ Em que posso ajudá-los? São desta ala da Universidade? __ Não, somos médicos do Full Health Hospital, David e Gill Anderson. - Mulder mostrou as identidades forjadas pelos pistoleiros. - Éramos colegas de Kevin Howard. Scully percebeu o sangue esvair-se da face do homem. Ele engoliu em seco, demonstrando o nervosismo. Ela apressou-se a dizer o motivo. __ Dr. Cormic? Estamos aqui para perguntar-lhe sobre Kevin Howard. Cremos que soube do acontecido. __ ããhh.. - Sebastian tremulou a voz - claro, quer dizer, que coisa horrível, tivemos um grande perca. __ Sim, eu presenciei a morte do Dr. Howard. Kevin compareceu alguma vez aqui ultimamente. __ Sim, ele esteve aqui, em compainha de uma linda jovem...ahh..Marie, este era o seu nome. __ Marie disse-nos que Howard lhe pedira algo importante. Poderia dizer-nos do que se tratava? - Mulder adiantou-se ansioso. Cormic sentiu-se perturbado, olhava nervosamente em torno de si, para ver se não haveria ninguém por perto. __ Não estou certo de querer falar sobre este assunto. __ Oh, desculpe-me Dr. Cormic, mas é importante. __ Venham até meu gabinete. Depois de entrarem na referida sala, Cormic relatou que o assunto era de cunho pessoal, e não profissional. Mulder sentiu uma fisgada no estômago. Estava nervoso, necessitava de uma resposta imediata. __ Dr. Cormic - Scully pronunciou - Howard estava a ponto de revelar-me uma grande descoberta científica, quando faleceu, em minha presença. Gostaríamos de saber se o senhor auxiliou em suas pesquisas. Scully percebeu os olhos de Mulder brilharem diante a uma resposta afirmativa. Cormic soltou uma risada nervosa e desagradável. __ Vocês não são do departamento de narcóticos, não é? Os agentes entreolharam-se confusos. __ Certo, não irei alongar nossa conversa. Howard queria maconha. Disse-me que tinha pavor de carregar a erva consigo nas viagens. Pediu-me ajuda, para um possível contato aqui em Los Angeles. Mulder contraiu o rosto em uma expressão desapontada e revoltada. Scully ainda fitava o homem incrédula. Como poderia ele, com uma imagem tão distinta, estar envolvido com drogas? Ou não? __ Desculpe Ter-mos tomado seu tempo, Dr. Cormic. - Scully cutucou Mulder, que estava a ponto de começar uma discussão que não levaria à nada. __ Desculpem-me vocês, por não Ter encontrado o que queriam. __ Já esperávamos por isto - disse Scully, em um tom taciturno. _________________________________________ HOTEL PETER FALLS 5:45 PM Depois de passarem o dia especulando e falando com possíveis contatos de Kevin, Mulder e Scully sentiam-se exaustos e também inúteis. Não haviam encontrado nada de significativo. Uma das pessoas dissera que ele fora até Los Angeles para pescar. Podia-se notar a irritação no semblante contraído de Mulder. __ Drogas?? Pescar!!!! Scully, o que estamos fazendo aqui?!?!? Não encontraremos nada! __ Calma Mulder, ainda temos as pessoas aqui do hotel para perguntar. Esse hotel tem uma área de pesca e passeios a barco. Veremos se conseguimos algumas informações aqui mesmo. __ Certo...Scully, você fica com o hotel. Eu verificarei a periferia do local. __________________________________ PETER FALLS RESTAURANT 8:40 PM O restaurante do hotel tinha o mesmo aconchego de toda a construção, realçada ainda mais pelas luzes em meio tom. A música suave embalava o som de talheres em pratos refinados. Ao entrarem no salão do restaurante, foram conduzidos até uma mesa localizada diante das portas que davam para a varanda. Scully percebeu a exaltação em Mulder. Pediram um dos diversos pratos tendo como salmão o ingrediente principal. A mente de Mulder fervilhava agitada. Ele não saberia por onde começar. __ Mulder, o que você descobriu? Te pergunto primeiro por que de mim não veio nada. __ Falei com o homem que gerenciava os barcos e caniços de pesca. Ele lembrou de Howard. Só que o que me disse foi estranho. Howard pagara 100 dólares para ele conseguir 25 cabeças de salmão. __ Cabeças? Não o peixe inteiro? __ Só as cabeças. Lembra hoje à tarde, quando você me encontrou no píer, observando os salmões morrendo após a desova? Não sei se estarei certo, mas formulei uma teoria. __ Mulder... - a voz dela estava descrente - ...aliens de novo não.. __ Não Scully, por incrível que pareça, a minha teoria é tão científica quanto às suas. Mulder lembrou-se de quando observara os pequenos predadores a comer o salmão moribundo. De súbito, uma revelação clareou-se em sua cabeça. A descoberta de Howard não era irônica, mas sim, terrificante. Estando correta a sua teoria, Howard fora realmente assassinado. E se Howard dissera a verdade de que alguém estava utilizando sua descoberta, o resultado poderia ser muito pior do que uma epidemia. Logo lembrou-se das conspirações, da colonização. Pensava de não estaria enlouquecendo. Era coincidência demais. __ Precisamos voltar imediatamente à New York Scully. __ Voltar? Está louco Mulder? Seremos presos! __ Não se formos espertos! Mas precisamos voltar! __ Mas então me conte primeiro a sua teoria. Mulder desviou o olhar de Scully, esquadrinhando o salão em busca do garçon. Seus olhos pararam diante a um homem que acabara de entrar no recinto e parara junto ao maître. Vestia uma capa preta e um chapéu antiquado. Mesmo assim, Mulder percebia os olhares inquisidores do homem, que passava os olhos, mesa por mesa, como a procura de algo. Mulder teve a impressão de conhecer o homem, mas não sabia de onde. Neste mesmo momento, o homem deu com os olhos em Mulder, e este sentiu de repente um frio lhe percorrer a espinha. Era evidente que o indivíduo reconhecera Mulder, pois vinha na direção de sua mesa. __ Mulder, o que houve? Você está com sua cara de pânico... Scully viu Mulder tatear-se, em busca da arma. Lembrou-se que haviam deixado as armas no quarto, antes de dirigirem-se para o salão. __ Droga... O homem estava a apenas uma mesa de distância dos dois. Mulder viu quando ele tirou a mão do bolso, e viu o brilho metálico quando a mão ainda tentou encobrir a arma. Em uma explosão, Mulder avançou no homem e desferiu um golpe no rosto. Enquanto o homem caiu ao chão, Mulder puxou Scully pelo braço, ainda atordoada pelo que vira. Tencionava ir até o quarto buscar sua arma, mas percebeu mais dois indivíduos suspeitos em frente aos elevadores. Não poderia correr o risco. __ Mulder!!!!!! O que é isso? O que está acontecendo. Ele não respondeu, apenas apertou com mais força o braço dela e puxou-a para fora do hotel. __ Não discuta se não quiser morrer Scully, não temos escolha. Mulder tencionara chegar até o estacionamento, mas não teria tempo. O homem descia as escadas enfurecido. Teria maior possibilidade de escapar se corressem na direção dos botes amarrados ao píer. Scully tentava parar, mas Mulder infringia tamanha força que ela o seguia aos borbotões. __ Pare Mulder!! Está me machucando! __ Venha Scully, mas que diabo!! Gritou Mulder entre dentes. Olhou para trás e viu o vulto correndo em sua direção. Chegaram a um dos botes e Mulder gritava para que Scully o ajudasse a desamarrá-lo. Em instantes, estavam sendo levados pela correnteza, quando o perseguidor chegava no píer. Um estampido surdo foi ouvido e o impacto abaulante escutado em algum ponto do bote. O ruído de ar escapando misturava-se ao som da água. Mulder estremeceu. O sujeito tentara alvejá-los com uma pistola aparelhada de silenciador. Outro estampido ecoou, ricocheteando no pequeno motor da popa. Para alívio dos dois, o bote era compartimentado. Embora esvaziasse uma sessão, ele não afundaria. __ Mulder, tente ligar o motor! O motor era de modelo antigo, provido de corda. Mulder mudou a alavanca para a posição "partida" e deu um puxão da corda. Nada aconteceu. __ Ele está mais perto Mulder... - Scully transparecia o medo no rosto branco em pavor. __ Calma Scully, não deixarei que ele faça alguma coisa com você. Nos 15 segundos que se seguiram, Mulder puxou freneticamente a corda do motor. Podia-se ver a silhueta da canoa que aproximava-se cada vez mais. O sujeito estava remando, indo muito mais rápido do que o bote à deriva. __ Porcaria, vai funcionar nem que seja no tranco!!! - Mulder esbravejava, dando murros na lataria do motor, enquanto Scully olhava assustada o homem que aproximava-se eminentemente. Alguma coisa em sua fisionomia era-lhe familiar, mesmo tendo o chapéu a tapar-lhe as feições do rosto. Com toda força, Mulder puxou novamente a corda. Desta vez o motor rugiu, impulsionando o bote violentamente para frente, quase derrubando-o, enquanto uma onda d'água inundava o mesmo. __ Fique deitada Scully, preste atenção na margem para ver se avista luzes. Precisamos sair daqui. - Mulder olhou para trás mais uma vez. Para seu alívio, a canoa distanciava-se. Mais dois estampidos ecoaram, atingindo o bote, esvaziando mais dois compartimentos. __ Se ele continuar a atirar Mulder, teremos que sair à nado. Mulder voltou os olhos para frente. Teve a impressão de que o rio estreitava-se gradativamente. Não viam-se luzes até aquele ponto. __ Mulder, não enxergo nada. __ Está tudo bem Scully. - tranqüilizou-a Mulder. Alguns minutos depois, as árvores das margens fecharam- se repentinamente, indicando que este se abriria logo a frente. Mulder pressentiu, e desligou o motor por uns instantes. Assim que o ruído cessou, outro ruído podia ser ouvido claramente. Era o som surdo de uma cachoeira. __ Deus do céu...segure-se Scully!!! O bote continha cordas ao seu redor. Mulder esticou os braços e prendeu- se às cordas. Scully tentou fazer o mesmo, mas seus braços não eram compridos o suficiente. Segurou-se em um dos lados, fitando-o com os olhos vítreos em pavor. De repente, solavancos violentos sacudiram o bote, quase emborcando-o. A escuridão e a água em seus olhos os impediam de enxergar. Mulder sentia o corpo de Scully ser jogado contra o seu com violência. Ele teria que segurá- la, pois facilmente ela seria jogada para fora do bote. Enlaçou-a com as pernas, prendendo o quadril dela entre suas coxas, mantendo-a firme contra o seu corpo. Nesse momento, o bote chocou-se contra uma pedra e começou a rodopiar, em meio à violenta agitação. Aterrorizados, agarraram-se com toda força às cordas. Eram atirados de um lado a outro, em giros nauseantes, completamente à mercê da água. Mulder percebeu o início de cãibras, que começavam a atacar os músculos de suas pernas, tamanha era a força que fazia para segurar Scully junto de si. Suas mãos ardiam, e mesmo estando encharcado, sentia o líquido quente escorrer de suas palmas. Devido à aspereza das cordas, suas mãos sangravam, e a dor intensa quase o fez largá-las. Scully agarrava-se a ele como podia. Quase não conseguiam respirar, tamanho era o montante de água que adentrava o bote. Tão subitamente como havia começado, o pesadelo cessou. O barulho ensurdecedor da cachoeira esvaía-se aos poucos. Dentro do bote, havia uns 15 centímetros de água gelada. Scully tremia violentamente. Teria que aquecê-la imediatamente. Mulder avistou diversos prédios bem iluminados. Receava se o assassino pudesse Ter seguido de carro pela margem, esperando-os de tocaia ao saírem. Aproou o bote e ficou alguns minutos espreitando o local. Parecia inértil. Com Scully nos braços, dirigiu-se para uma casa que avistara perto do rio. ____________________________________________________ LUGAR DESCONHECIDO Vários rostos fitavam preocupados o homem que falava ao telefone. Depois de alguns minutos, o indivíduo desligava. Parecia aflito, mesmo tendo o semblante sem qualquer expressão. __ O plano não foi bem sucedido. Eles ainda estão vivos. __ Mas não estarão - a voz altiva vinha do mais jovem - já contatamos as pessoas encarregadas. Os dois voltarão à New York, com certeza. É apenas uma questão de tempo. __ Os planos serão mudados. Dei ordens para nossos contatos para que não os matem. Ouve um burburinho geral indignado. Todos olhavam descrentes para o homem de voz mansa e rosto cansado, sempre empunhando o cilindro nicotínico. __ Não podemos nos arriscar assim! Poderíamos ser descobertos! __ Mas teríamos a possibilidade de testar a nova geração. Desde a morte de um dos exemplares perfeitos, não temos muita escolha. Há riscos, mas necessários. ______________________________________ FULL HEALTH HOSPITAL O rugido das rodas da maca espalhava-se pelo longo corredor asseado. A mulher, provida de avental e touca carregava algo por debaixo dos lençóis brancos. Os olhos amendoados perscrutavam todo o local, prevendo o possível flagrante. Avistou a sala da enfermaria, abriu a porta, certificou-se de que estava sozinha e entrou. Manteve as luzes apagadas. __ Pronto Fox. Mulder removeu o lençol que o cobria e postou-se em pé. Devidamente trajado como médico, alcançou a identidade falsa de David Anderson, médico do FHH e colocou-a sobre o bolso do jaleco alvo. Ele a fitou e beijou-a nos lábios. __ Obrigado Kim. Está prestando um grande serviço ao FBI. __ Fica muito sexy de óculos Fox..lhe dá um ar intelectual ousado, vibrante. __ Vá Kim, vão sentir a sua falta. Deixe-me que agora eu continuo. Mulder dirigiu-se à sala do Dr. Robert Duart para tentar enviar mais dados à Scully, que a essas horas, encontrava-se com os pistoleiros em um furgão altamente equipado, estacionado estrategicamente a duas quadras do hospital. __ Ag. Mulder? A polícia está no seu encalço! __ Eu sei Dr. Duart, mas preciso encontrar os responsáveis por essa balbúrdia. Preciso entrar em seu computador para disponibilizá-lo à análise de dados. __ Claro, à vontade. Deixarei-o em paz. Descerei até a emergência. Estou com chamados urgentes. Talvez não volte mais aqui hoje, só para fechar o escritório. O sofisticado equipamento computadorizado de cada médico do FHH era impressionante. Realmente o hospital primava pelo melhor. __ Coisas da Kim...Langly daria um dedo para estar em meu lugar. Ligou o computador e imediatamente este conectara-se à internet. Tirou do bolso o disk laser que Langly havia lhe dado.. Seu trabalho seria apenas esse: inserir o CD e esperar que os pistoleiros, junto com Scully, invadissem o sistema de segurança do hospital. __ Deve ser algum tipo de cavalo de tróia...- supôs Mulder. A tela de um dos vários computadores iluminou-se. Scully perguntava-se como eles se entendiam naquela confusão. Parecia ser mais complicado do que aprender os controles de um avião. __ Mulder entrou, Scully. Agora é com a gente. __ Ele precisa ser rápido...pediu ajuda à Kimberly Amy..- Scully sentia-se desconfortável. Mulder confiava em Kim mais do que ela gostaria. Pensava se não seria ciúme excessivo, mas algo lhe dizia que Kim escondia alguma coisa. "Bobagem minha", pensou. Graças a ela que Mulder havia entrado no hospital e também seria o meio de sair dele. "Espero que dê certo.." Mulder observava o que o simples CD fazia à máquina de Robert Duart..."Esses ratos da internet...Langly..." O leve ruído que veio da porta sendo aberta não fora percebido por ele, que continuava absorto na tela. De repente, sentiu uma fisgada na lateral do pescoço. Virou-se para enxergar o que ocorrera, mas apenas conseguira divisar a silhueta feminina sob a luz que vinha por detrás da porta. Em segundos, suas pálpebras pesaram e os músculos adormeceram. Agora apenas o silêncio e a escuridão imperavam. _____________________________________________________ 6 HORAS DEPOIS O ar estagnado no pequeno recinto refletia o estado de nervosismo em que se encontravam. __ Frohike, ele já deveria Ter voltado à muito tempo! - Scully tinha os olhos marejados de lágrimas irrefutas. __ Verifiquei na delegacia. Preso ele não foi. Os policiais continuam a sua procura. - Byers franzia o cenho em preocupação. __ Preciso ir até lá!! Aconteceu algo com ele, senti isso desde que decidiu entrar lá! Poderia ser qualquer um de nós, mas ele insistiu!! - Scully estava trêmula, preocupando os três. Frohike observava seu desespero. Não a via tão abalada a muito tempo. __ Conseguimos os dados que queríamos, a apenas 3 horas que a conexão caiu. Alguém deve Ter cortado o modem. __ Precisamos entrar neste hospital!! Contatem o Skinner a respeito, mas iremos resgatar o Mulder!! - A força que vinha das palavras dela impediu-os de refutar. _________________________________________ O ar gelado penetrava-lhe os pulmões com a violência de facadas. Seus músculos tremiam em espasmos involuntários fortíssimos, espalhando a dor intensa por todos os receptores sensitivos de seu corpo. Sentia a pele seca e quebradiça. Mulder acordara do entorpecimento induzido. Abriu os olhos, mas a única coisa que avistou foi a escuridão. Sentia dificuldades para respirar, tanto pelo frio do ar como pela falta de oxigênio. Percebeu estar somente de calças. Levantou-se e passou a tatear as paredes. Em todas elas haviam gavetas metálicas grandes, do chão ao teto. Chegou ao que parecia a porta, metálica e pesada. O recinto não tinha mais do que 5 metros quadrados. Pelas características, deveria ser uma sala frigorífica, provavelmente na ala de autópsias do hospital. Ou talvez não. O ar rareava a cada minuto, e Mulder tinha a impressão que seus pulmões estavam sendo esmagados contra suas costelas. Se não saísse dali, morreria em pouco tempo, ou asfixiado, ou de hipotermia. Abriu todas as gavetas em busca de algo para arrombar a porta. Mas sabia que isso seria uma atitude inútil, fazendo-o se esforçar para respirar, tirando-lhe ainda alguns minutos de vida. Resolveu ficar imóvel, poupando o pouco oxigênio que lhe restava. _____________________________________________________ Passos furtivos na calçada evitavam chamar a atenção das pessoas nas ruas. Três pares de olhos atentos perscrutavam todo o perímetro do hospital. Viaturas de polícia alardeavam o prédio. __ Eu não acredito que vocês me fizeram fazer isto! - Byers falava indignado. A pedido de Scully, barbeara-se para se passar por Mulder, caso tivesse que distrair os policiais. - Não acredito mesmo! Porque tem que ser sempre eu, e não você ou Langly! __ Eu já te disse Byers - Frohike pestanejou - Você tem praticamente a mesma altura do Mulder, o porte do Mulder, os cabelos parecidos com os dele, os olhos claros....precisa mais? Ele não encolheria de uma hora para outra, ficando calvo e fora de forma e nem usaria um peruca loira espigada... __ Eu já ouvi isso.... __ Scully, tem certeza que este hospital tem uma entrada lateral? __ Todo hospital tem Frohike.Com certeza estará fechada. Mas isso não será problema. Langly, de dentro do furgão, observava Byers, Frohike e Scully desaparecerem no pequeno vão entre o prédio do hospital e o outra construção. Dirigiu-se até o computador para ajudá-los com as entradas e fugas. ____________________________________________ O estrondo da porta se abrindo quase não foi perceptível por Mulder, que estava a beira de um desmaio. A luz branca feriu seus olhos, mas ele elevou-os à direção da porta. Um homem alto, atlético, de cabelos castanhos, pele clara e olhos claros o fitava com um sorriso enigmático. Mulder esfregou os olhos, não acreditava no que via. __ Isto mesmo Ag. Mulder, você está diante de você mesmo!! - O homem soltou uma gargalhada debochada e agachou-se, ficando a poucos centímetros do rosto de Mulder, que o fitava confuso. - Ag. Mulder....ah, como você é fraco...me diverti tanto com aquela loirinha e a amiguinha dela...agora irei ter noites extasiantes com a ruivinha do FBI....se você nunca se aproveitou do físico quem tem, agora eu irei fazer isto... __ Se você encostar em um fio do cabelo dela, considere-se morto! - A ira verdejante faiscava dos olhos do verdadeiro Mulder. Porém estava fraco demais para reagir. Sua visão estava levemente turva, e ele sentia sensações estranhas. __ Tente Ag. Mulder, tente. Daqui a dois meses, ou menos, estará tão fraco que não conseguirá levantar um braço. Seu corpinho definido ficará flácido, os olhos turvos e os cabelos brancos. Em pouco tempo não resistirá à luta que seu próprio corpo travará contra você. Eu deveria tê-lo matado, junto da ruiva, mas os planos mudaram....alias, seria um desperdício enterrar aquela gostosinha hein.... O falso Mulder levantou-se e fez um sinal. Dois homens enormes entraram na pequena sala. Mulder tentou lutar, mas realmente não tinha forças. Ainda esbravejava contra o homem à sua imagem, que apenas gargalhava irônico. Um dos brutamontes alçou Mulder sobre os ombros musculosos como se fosse um saco de areia. Mulder ainda teve tempo se sentir outra picada no pescoço, antes que a escuridão lhe tomasse as vistas novamente. _________________________________________ Scully esquadrilhava o 5 andar. Frohike deveria estar no 2 , a este momento. Dividiram-se para procurar Mulder no prédio inteiro, mas nada encontraram. Byers acompanhava Frohike, mas seu papel seria o de isca, caso fosse preciso. No quarto andar, nenhum sinal de Mulder. O quinto também não apresentava indícios. Lembrou-se do laboratório de Howard e o arrombamento, no 6 andar. Em ímpeto, dirigiu-se rapidamente ao elevador. Empunhou a arma quando a porta abriu, Scully percebeu estar sozinha. Nem sinal de médicos, enfermeiras ou policiais. Dirigiu-se até a ante sala, mas ignorou os trajes de proteção. A porta de acesso ao laboratório estava trancada. Era eletrônica. Alcançou o telefone e ligou para Langly. __ Langly __ Langly, é Scully..você já tem acesso à todas as portas do hospital? __ Sim Scully, sem problemas. __ Abra as portas do laboratório do Kevin Howard, 6 andar. __ Só um segundo Scully..espere..encontrei algo estranho aqui... Scully ouviu o bip abafado e a luz verde acender no terminal acima da pesada porta. __ Pronto, a porta abriu. O que há de errado Langly? __ Existe algum setor neste andar com um complexo sistema de proteção... demorarei um pouco para descobrir a senha de acesso... Scully manteve o telefone em linha, enquanto estrava na sala de Kevin. Avistou vários quadros com fotos de genitais humanos em várias fases de desenvolvimento, finamente emoldurados, ostentando uma das paredes. Não havia dúvidas que Howard interessava-se pelos genes do crescimento. __ Decoração excêntrica.. __ Scully.. - A voz de Langly veio tímida do aparelho. - Encontrei 6 portas nessa ala do andar. Olhe ao seu redor. Uma delas está barrada ainda. Scully entrou no grande laboratório, repleto de aparelhos computadorizados. Imaginava a importância do trabalho de Howard para aquele hospital..o conjunto de laboratórios que englobavam sua ala era grande, praticamente ocupando o 6 andar inteiro. Scully voltou os olhos desde onde entrara, entrando nas salas e abrindo as portas que avistou. __ Encontrei 5 Langly. Não está enganado? __ Absolutamente. Há 6 portas Scully. Estou a ponto de abri- la. Preste atenção, acho que ela se abre automaticamente com o comando. Scully permaneceu imóvel. Estava bem no centro do laboratório principal. Passava os olhos cuidadosamente pelas paredes, ao mesmo tempo que ouvia atenta a qualquer ruído. Um dos armários de vidro, repleto de recipientes, passou a mover-se. Scully apressou-se a entrar na porta. O contraste de claro e escuro a cegou por uns instantes. Tateou a parede em busca de um interruptor. Quando a sala clareou, pode divisar ser uma sala de reuniões. Havia uma grande mesa de madeira nobre, com cadeiras finamente modeladas ostentando o centro da sala. Sofás refinados ocupavam a periferia. Avistou outra porta, mais larga, ao fundo da sala. Descobriu ser um elevador. __ Langly...há um elevador aqui, dentro desta sala. Não botões de acesso. __ Espere...sim, achei. Só um momento...pronto. A porta do elevador abriu-se e Scully entrou. __ Langly, continue monitorando. Avise Byers e Frohike para virem para cá. Não sei onde isso vai parar. Scully sentia o elevador descer continuamente, sem parar. "Onde isso vai dar?" A porta se abriu e ela se viu diante de um grande corredor. Estava escuro, mas ela conseguia perceber as tubulações correndo pelo teto. As paredes estavam bem pintadas. A construção parecia ser recente. Com a arma em punho, caminhava cautelosa. Mais a frente, enxergou a iluminação que vinha de uma das portas. Antes de chegar até lá, sentiu a pressão forte em seu braço. Tomada de susto, virou-se repentinamente, com os olhos estalados. __ Meu Deus, Mulder!!! Onde você estava nessas horas todas! __ Scully, desculpe se não avisei. Mas quase me pegaram, e tive que me esconder por um bom tempo. Ela o abraçou com força, e ele sentiu o calor que emanava do corpo dela. __ O que aconteceu depois que você inseriu o disco? __ Disco? Scully ergueu a sobrancelha direita sem entender. Ele percebeu a fisionomia dela e respondeu rápido. __ Precisei me esconder no banheiro. Um homem entrou na sala. Scully estranhou . Mulder não era fadado a atitudes assim. Geralmente atacava ao invés de esconder-se, justo por sua impulsividade. Olhava diretamente nos olhos verde azulados. Não havia aquele brilho que ela sempre encontrava quando ele a via. Aquele brilho que denunciava a admiração que ele tinha por ela, a preocupação, o amor. De repente percebeu. Como Mulder haveria de estar ali se não havia acesso para entrar? Antes dela reagir à sua intuição, Mulder desarmou-a rapidamente. Agarrou-lhe e sobrepujou suas mãos às costas. Scully quase esperneava, mas sentiu o cano frio da arma em uma de suas têmporas. __ Quietinha....não queremos que o chão fique manchado com seu sangue Scully... __ Quem é você?? __ Ora, sou eu, Mulder. Só que agora percebi o quanto fui relapso durante esses anos todos...vamos.. Ele a empurrou para dentro de uma das diversas salas. Tateou seu corpo à procura de armas reserva. Empurrou-a para cima de uma mesas de exames, e rasgou sua blusa, expondo a langerie preta. __ Hummmm.....esta cor realça a sua pele. __ O que está fazendo seu sujo! - Scully conseguiu atingi-lo com um chute no peito, mas ele a agarrou com força, torcendo novamente seus braços pelas costas. Encontrou as algemas e prendeu suas mãos às costas. Ele aproximou-se dela e a puxou pelas pernas. Agarrou-lhe o rosto e beijou-a com violência. Scully sentia-se invadida por aquele homem. Sabia não ser ele, mas a mesma fisionomia a entorpecia em confusão. Tentava libertar-se, mas ele era muito maior, além de infinitamente mais forte. Mulder desvencilhou-se e rasgou sua própria camisa, expondo o corpo forte. Agarrou-a novamente, tentando freneticamente retirar as calças que ela vestia. O estrondo da porta sobressaltou-os. Byers e Frohike olhavam confusos a cena. __ Rápido Byers, ele não é Mulder!! Byers sacou a arma, apontando para a cabeça de Mulder, que parou, colocando as mãos atrás da cabeça. Nesse momento, Scully deferiu um golpe com toda força na virilha do homem, que caiu gemendo de dor. Frohike ainda olhava descrente a cena. __ Quem é esse cara? - Frohike adiantou-se. __ Eu não sei, mas foi o mesmo que matou Katrina. E com certeza o mesmo que perseguia Howard no dia de sua morte. Caso Howard não tivesse morrido naquele momento, ele o mataria mais tarde. Rapazes, me ajudem aqui, tirem minhas algemas. Rapidamente prenderam o falso Mulder a um dos armários de aço da sala, enquanto saíram rapidamente para averiguar as outras portas que haviam no corredor. Scully dirigiu-se à sala que havia avistado anteriormente. Entraram os três ao mesmo tempo. Kim e mais dois homens musculosos conversavam. Surpreendidos, não puderam fazer nada além de render-se. Scully olhou através deles e enxergou Mulder deitado em uma cama, com diversos aparelhos conectados a seu corpo. Estava vivo. Foi até ele e passou a mão delicada em seu rosto adormecido, afastando os fios sobre a testa. Um arrepio de pavor atingiu-lhe. Mechas finas de cabelo ficaram entre seus dedos. _________________________________________________ 1 MÊS DEPOIS WASHINGTON D.C. GEORGETOWN MEMORIAL HOSPITAL O ambiente em meia luz apenas não piorava a sensação de dormência que seus olhos lhe infringiam. Suas vértebras torácicas davam sinais de estafa, emanando dores aflitivas em suas costas. Suas mãos jaziam trêmulas entre as pernas, enquanto lágrimas esparsas escorriam-lhe pelo rosto, até esvaírem ao chão. Seu olhar voltou-se novamente à cama à sua frente. O desespero e a dor apertaram- lhe o peito de tal forma que ela queria gritar com toda a força. Sentia a sombra da morte pairando no recinto, sobre ela e sobre o homem deitado à cama. Sentiu alguém a tocar delicadamente nos ombros. __ Vamos Scully, não se mortifique mais. - Skinner tentava aplacar a dor que ela sentia. __ Senhor, porque ele, porque Mulder! Eu fui a culpada de tudo isso! Ele está morrendo, e eu não consigo fazer nada! - a voz embargada em desespero o fez abraça-la. Scully tremia entre os braços de Skinner, soluçando violentamente. Havia emagrecido. Não conseguia mais trabalhar. Procurava a cura para o parceiro, que a cada dia parecia mais longe dela. __ Vamos, você precisa se acalmar. Os dois saíram lentamente da sala, enquanto Scully voltava os olhos mais uma vez para a figura enegrecida sobre a cama. Alguns minutos depois, alguém entrava na sala. Aproximou- se da cama e observou o homem desacordado. Os cabelos tinham alguns frios brancos adornando o castanho. A pele estava mais flácida, sem viço, com sulcos adornando o rosto que ainda mostrava-se belo. Os braços estavam emagrecidos. O homem ergueu as pálpebras enrugadas do homem. Os olhos que antes eram de um tom verde azulado transparente e esfuziante haviam mudado para um cinza pardo, que abrangia a pupila, quase indistinguível. O brilho vital esvaíra-se. De um dos bolsos do pesado casaco, tirou uma seringa. Injetou o conteúdo no soro administrado. Assim como entrara, saíra despercebido, enquanto acendia um cigarro calmamente. ___________________________________________ 15 DIAS DEPOIS O som de talheres e a conversa que vinha da cozinha apenas contribuía para deixá-la ainda mais angustiada. Scully fora obrigada a tirar um recesso para descansar, mas tudo o que acontecera nesses dias foi a sua mortificação. Morria a cada dia que passava, e a tristeza tomava-lhe todo o seu ser. No primeiro mês, antes de sair, quando encontrara Mulder, fizera de um tudo para conseguir a cura. Procurara geneticistas no país inteiro, só que o prazo era curto demais para se confeccionar uma vacina, além de não haver tecnologia suficiente para tanto. Sabia que o que atingia Mulder era o seu próprio corpo. O gene mortal havia sido ativado, e nada conseguia barrá-lo. Era apenas uma questão de tempo. __ Dana querida, venha almoçar. - Margaret chamava. Mas antes mesmo de obter resposta, ouviu o rugido do carro, que saía em alta velocidade. Scully entrou no hospital. Dirigiu-se correndo para a sala de Mulder, ignorando os protestos das recepcionistas. Sentira alguma coisa enquanto estava na sala da casa de sua mãe pensando nele. Precisava vê-lo. Abriu a porta rapidamente, mas surpreendeu-se por encontrá-la vazia. __ Onde está o Ag. Fox Mulder? Não o encontrei em sua sala! O que aconteceu com ele? - __ Está na Unidade de Tratamento Intensivo. Mas a senhora precisa preencher... Scully correu pelos corredores, até divisar Skinner, observando pelo vidro que dava acesso à sala. __ Senhor, o que aconteceu com ele? __ Scully, ainda não entendemos, mas Mulder começou a reagir. Não havíamos avisado ainda porque... Skinner não obteve tempo suficiente para responder. Scully já havia entrado na sala. Scully olhava para Mulder. O cabelos pareciam mais espessos, a pele mais lustra. A cor pálida havia desaparecido. Ela sentou-se na cama e abraçou-o. Mulder estava sedado, não se movia. O alívio imediato embargou-lhe os sentidos, enquanto lágrimas emocionadas escorriam pelo seu rosto, caindo preguiçosas sobre o rosto adormecido de Mulder. Pelo vidro, Skinner observava. Parecia conseguir sentir o que Scully sentia. Percebeu que não era só uma forte amizade que existia entre eles. Havia muito mais. Sempre perguntava-se se não era impressão sua, mas o excesso de zelo que vinha por parte dos dois, além da preocupação excessiva era pungente. Scully continuava abraçada à Mulder, beijando-lhe o rosto. Sabia que um envolvimento maior era contra as normas do FBI. Por isso, teria de se esforçar para manter tudo em segredo. _________________________________ EDIFÍDIO J. EDGAR HOOVER SALA DOS ARQUIVOS X Scully analisava o caso acontecido à 3 meses em New York. A descoberta de Kevin Howard realmente havia sido irônica, como ele falara. Seu trabalho remetia-se para retardar o envelhecimento, mas sua descoberta sobre o crescimento resultou numa forma de acelerá-lo. O fator de liberação aparentemente ativava o hormônio mortal, causando envelhecimento rápido, à semelhança do que ocorre com o salmão. Por isso Howard precisava das cabeças do peixe. A substância fora administrada aos pacientes do hospital pelas gotas oculares, necessárias para os exames oftalmológicos dos checkups. Meio engenhoso, pois por via oral os sucos gástricos destruiríam os efeitos. O fator de liberação fora introduzido secretamente na medicação ocular, e um médico ou técnico poderia Ter administrado as gotas, como se supunha Kevin Howard. Quando Scully adentrada novamente a sala em que haviam deixado o suposto Mulder, Scully, surpresa, deparava-se com Eddie Van Blundht. Mais tarde descobrira que Eddie havia escapado do presídio em que se encontrava, passando-se por um policial. Kimberly Amy e mais a diretoria do hospital que fazia parte do grupo fora retida em flagrante. Kim deu a desculpa pela a administração do fator de liberação como corte dos custos do hospital com pacientes que não prezavam pela vida que tinham, a ainda mais não davam lucros aos hospital, que gastava mais com os planos de saúde. Mas isto não explicava a perseguição à Kevin Howard, as salas secretas no hospital, que foram misteriosamente esvaziadas e Eddie Van Blundht. Enquanto Mulder estava no hospital, quanto a notícia chegara à imprensa, várias denúncias do país todo emergiram, porém, sem provas concretas, pois haviam sido apenas casos isolados. Ainda em New York, em uma instituição de deficientes mentais, todos estavam morrendo com sintomas suspeitos. Feito os exames, fora constatado que a substância estava sendo administrada às crianças e adultos com problemas mentais. O caso transcorreu no mundo todo, terrificando a todos sobre as mortes. Mas haviam muitos detalhes obscuros, que Scully não conseguira desvendar .Geralmente a parte esquiva dos casos era Mulder quem desvendava, com suas teorias descabidas. Estava tão envolvida em seus pensamentos que não percebera o homem que a observava sorrindo. __ Oi Scully... Ela levantou os olhos o olhou em direção ao chamado. Não acreditava no que estava vendo. Mulder recebera alta, estava completamente recuperado. Não viam- se sinais de envelhecimento. Mulder pode ver radiante o brilho incrível que saiu dos lindos olhos azuis que o fitavam estarrecidos. __ Mulder! Scully levantou-se e o beijou nos lábios com pressa. Depois o abraçou com força. __ Meu Deus Mulder...pensei que... __ Não, não foi desta vez Scully... __ Não sei o que faria de minha vida sem você ao meu lado... A súbita declaração de Scully o pegou de surpresa. Scully não era fadada à revelações sentimentais. Diría-se que até tinha dificuldades para exteriorizar o que sentia. Mas a explosão se alegria que afligira Scully quando o enxergara vivo e lindo em sua frente novamente fora tanta que ela não conseguiu segurar o impulso. Mas logo recompôs-se, quase arrependida pelo ato. __ Desculpe Mulder...como você está? __ Digamos, visualizável. Estou bem, obtive alta esta manhã. E como se deu o caso? Scully relatou todo o acontecido, a descoberta de Howard, que havia sido condizente com a de Mulder, as salas secretas, Eddie Van Blunbht passando-se por ele. Mulder escutava tudo atento aos mínimos detalhes. Scully percebeu a expressão dele. Estava maquinando alguma coisa. __ Scully....tudo se encaixa! Essa substância fora administrada para eliminar pessoas que não acrescem nada à raça humana, ainda mais para a nova que eles pretendem emergir! Fora tudo muito bem planejado! A versão de Kim, o próprio hospital é uma fachada! Caso descobrissem algo, a desculpa seria esta mesma, para cortar os custos do hospital, já que a substância acelerava a morte do paciente! Paciente morto não custa nada! E os deficientes? Isso esconderia os principais objetivos, que são a eliminação de genes não pertinentes para uma nova raça. Eles querem seres perfeitos Scully, para corroborar a testes e, mais tarde, servirem de escravos para os alienígenas! Não venha refutar-me nisto porque você mesma já foi vítima do vírus, junto com testes! Scully fitava-o com expressão abobada. Não entendia de onde Mulder tirava tantas conclusões do nada! __ Chega Mulder, eu não agüento essas suposições infundadas! Isto não tem cabimento! Pense antes de falar Mulder! Você realmente preza o apelido que leva! __ Vamos Scully... Mulder a puxou pelo braço. Ela relutou por um minuto. Perguntava-se porque o seguia, porque sempre entrava nas fantasias malucas do parceiro. Muitas vezes perguntava-se isto. Mas ela sabia a resposta. Seu cérebro não aceitava, mas seu coração lhe dizia. _________________________________________ CARANDIRU - PRISÃO DE SEGURANÇA MÁXIMA SÃO PAULO - BRASIL O nervosismo beirava ao cataclisma. Rostos contraídos em expressões raivosas e preocupadas. A porta abriu-se lentamente, e o homem de expressão calma, porém inquisidora, entrava na sala soltando longas baforadas. __ Queremos explicações muito convincentes do que aconteceu! Mulder deveria estar morto! __ O mundo todo soube. Não deveria ter acontecido, mas tudo saiu da maneira planejada. __ Sim, mas tudo ficaria do jeito que está se Mulder estivesse morto! Mas não! Está vivo! E sabemos que ele não desistirá! - o homem baixo e corpulento, com forte sotaque na voz, gesticulava em meio à outros vários. Bagas de suor transpareceram em sua testa calva. __ Mulder nos é mais aproveitável vivo. Apesar de atrapalhar na maioria das vezes, é importante para os nossos contatos. Mantêm-nos informados das investigações. Assim, temos mais controle. __ Ainda assim acho que deveríamos eliminá-lo. O risco é muito grande. E como ele sobreviveu? O homem de fundos sulcos no rosto continuava a tragar tranqüilamente o seu cigarro. Limitou-se a desviar os olhos. O visor computadorizado da sala iluminou-se com uma imagem acizentada. O som veio logo depois. A balbúrdia que havia nas celas não chegou a impressioná-los. Sabiam que as prisões daquele país eram acostumadas a enfurnar as celas muito além de seu limite de capacidade. Homens atulhados em pequenos recintos abafados e malcheirosos pediam por melhores condições. __ Ótimo. Aqui obtemos as condições necessárias para a continuação do projeto. Esses dementes são a escória do país.... __ ...realmente, não será problema. - Um dos homens anteve-se aos outros e apertou um dos vários botões no painel. A tela mudou de imagem, mostrando uma longa sala muito branca, com camas dispostas paralelamente. Claramente viam-se formas humanas sobre as camas, completamente imóveis. __ Começaremos os testes em breve. Não saberão que foram contaminados. O som do telefone chamou a atenção de todos. Um homem alto e corpulento atendeu. __ Pronto? Certo. Ligação do Hospital Albert Einstein. Está tudo pronto. __ Ótimo. E como andam as informações em Washington? O homem sentado à cadeira deu o comando e mais três telas iluminaram a sala. Em uma delas, a visão de um recinto desorganizado, com várias prateleiras com papeis espalhados, e uma mesa mais ao fundo, igualmente bagunçada. Havia um homem jovem revirando as prateleiras, vestindo calça mais clara e jaqueta escura. Não era muito alto. Na outra tela, enxergava-se uma sala com um sofá escuro, algumas revistas eróticas espalhadas , pequenos móveis e um computador. Uma mulher alta, de cabelos compridos e negros perscrutava o microprocessador. E na última, uma sala ampla e bem arrumada, com toque feminino. Um homem estava em pé, parado bem ao centro. Olhou em direção da câmera com expressão punitiva. Alto, usava óculos e era calvo . Trajava terno e sobretudo. O crachá do Bureau of Inverstigation era claramente visto preso à lapela. " Me perdoe Scully..." pensou o homem. ______________________________________________________ THE END _____________________________________________________ Mais uma vez, agradeço a todos que chegaram até o final do fanfic. Desculpem-me os eventuais erros de concordância e gramática. Gente, peço de novo: email-me! Feedback é importantíssimo!! Nem que seja para destoar a história! Pelo menos sabemos que alguém leu! Email: biscaglia@uol.com.br Um grande abraço! Carla Biscaglia (Angel Scully)