X - FILES FANFICTION Título: INTERIOR FEAR Autora: Angel Scully (Carla Biscaglia) Email: biscaglia@uol.com.br Disclaimer: Mulder, Scully, XF...são propriedade da Fox, 1013, CC, DD e GA. Se fossem meus, os shippers do mundo já teriam visto o que tanto almejam. Classificação: Série, Mulder angst, Scully angst, MSR, UST, shipper Resumo: Um hospital com grande desenvolvimento tecnológico. Pacientes aparentemente saudáveis, que em questão de semanas, morrem . Mulder e Scully são designados para resolver um caso aparentemente comum, mas que torna-se complexo, tornando-os alvo de uma conspiração maligna ao investigar a morte repentina de um cientista famoso por suas pesquisas em torno do DNA, ao mesmo tempo que põe em dúvida e risco a relação que há entre eles. Fanfic série. Notas da Autora: Fanfic baseada no livro "Medo Mortal", de Robin Cook. Não pedi autorização ao autor para escrever a estória, portanto, este fanfic não tem objetivo nenhum de lucro, mas apenas proporcionar divertimento aos eXcers de plantão. Quem pretende ler esse livro, não leia a fic (apesar da história tomar um rumo completamente diferente). Afora os nossos queridos agentes, existem personagens e lugares fictícios. __________________________________________ PRÓLOGO O súbito aparecimento das proteínas estranhas foi tal como o pavor da Peste Negra na Idade Média. Foi uma sentença de morte, sem qualquer possibilidade de apelação, e ele não tinha noção do que estava para acontecer em seu organismo. Um uma luta incessante, cada célula de seu corpo sabia exatamente quais as conseqüências que estavam por vir. As novas e misteriosas proteínas que agora infiltravam seu ser tinham um poder avassalador: as pequenas quantidades de enzimas capazes de detê-las eram insuficientes e inadequadas. No interior de sua hipófise, tinham condições de se ligar aos repressores que cobriam os genes do hormônio mortal. A partir daí, com os genes mortais ativos, o desfecho era inevitável. O hormônio, à essas horas, penetrava-lhe a corrente sangüínea, espalhando-se pelo seu organismo. Célula alguma estava imune . O fim era apenas uma questão de tempo. ___________________________________________ "The Truth is out There" INTERIOR FEAR - de Angel Scully NEW YORK FULL HEALTH HOSPITAL Quarta-feira - 5:37 PM A dormência que lhe atingia os músculos era aversiva. Suas pálpebras pesavam sobre olhos lacrimejantes. O cansaço de tantos dias infrutíferos a envolvia por completo. __ Scully....você está bem? A súbita pergunta de Mulder a despertara de seus devaneios. Havia algum tempo que não dormia uma noite por completo. Sentia-se cansada e indisposta. Sua tez estava mais pálida do que o normal, as olheiras pronunciavam-se no belo rosto. Sabia que Mulder estava tão ou mais cansado que ela , porém não entendia de onde ele tirava disposição e vontade para resolver os casos com tanto afinco. Isso chegava a irritá-la. Por trás de sua aparência forte e determinada, muitas vezes tida como fria e calculista, escondia-se uma mulher frágil, sentimental, porém reprimida pelas exigências infringidas pelo trabalho. Sentia falta de ter uma vida normal, em família, com marido, filhos. Entretanto, sua vida pessoal estava relegada a segundo plano. __ Estou bem Mulder, apenas um pouco cansada. Nesse momento, o médico adentrava na sala. O semblante abatido mostrava o momento difícil pelo qual estava passando. __ Ag. Mulder? Ag. Scully? Peço desculpas por tê-los deixado esperando...Sou o Dr. Robert Duart. Espero que já estejam a par dos fatos. __ Bom, apenas estamos com uma "sinopse" do caso - adiantava-se Mulder - Queremos relatórios mais detalhados, para pormos em prática a investigação. __ Certo, muito bem...primeiramente, contarei o que está acontecendo.. A alguns meses venho notando algo de estranho com meus pacientes... __ Estranho como, Dr. Duart? " Scully franziu o cenho. Robert Duart começou relatando que alguns de seus pacientes , mesmo após terem feito exames de rotina, todos com bons resultados, voltaram ao hospital com sintomas graves. Dois deles já haviam falecido. O primeiro havia morrido de um ataque cardíaco fulminante. A autópsia revelara extensa oclusão de todos os vasos coronarianos, embora nada de anormal tivesse sido detectado no exame médico realizado quatro semanas antes. O outro falecera de um acidente vascular cerebral avassalador. Também neste caso, a morte viera pouco depois de um exame médico tipo executivo, que não revelara nenhuma anormalidade. Horas antes de Mulder e Scully chegarem ao hospital, mais um paciente do Dr. Duart havia falecido. Seu nome, Nortan Lomax. Lomax era paciente de Robert fazia cinco anos. À três semanas atrás, havia feito exames médicos, pois não levava um estilo de vida muito saudável. Porém, os exames foram bons: o colesterol não estava alto e o eletrocardiograma apresentava-se normal. O modo como chegou ao hospital revelou seu grave estado: chocou-se com o carro no parapeito de concreto da emergência. Sua mulher relatou que uma semana após ao exame, Lomax sentira como se estivesse para contrair uma gripe. Mas isso fora só o começo. Seu sistema digestivo começou a desarranjar-se, e ele passou a sofrer de forte artrite. Sua visão também piorara, o cabelo tornara-se mais fino passou a cair. Ainda mencionara que sentia como se estivesse envelhecido 30 anos. Portanto, já era o terceiro paciente de Robert que morria depois de algumas semanas de exame clínico bom. __ Scully...isto não me parece um Arquivo X .... Mulder imediatamente alertou- se. __ Espere Mulder...Dr. Duart, podemos olhar o corpo de seu último paciente, Nortan Lomax? __ Claro, me acompanhem. Enquanto dirigiam-se para o local onde jazia o corpo , os dois agentes observavam a estrutura hospitalar. O centro médico do FHH era uma imponente construção, um dos hospitais mais avançados do mundo, englobando quatrocentos leitos com um centro cirúrgico ambulatorial, um departamento separado de pacientes ambulatoriais, uma pequena ala de pesquisas e um andar inteiro destinado aos escritórios de administração. A parte do prédio que abrigava os ambulatórios e de pesquisa era nova, mas fora construído de modo a combinar com a estrutura antiga. Os consultórios médicos estavam dispostos num circulo em cujo centro localizava uma escrivaninha circundada por uma área de espera com assentos confortáveis. Entre os consultórios situavam-se as salas de exame. Numa extremidade, salas para pequenos tratamentos cirúrgicos. O Doutor empurrou à pesada porta que dava acesso à unidade e fez um gesto para que os agentes o acompanhassem. Dali mesmo puderam avistar o corpo por debaixo de um alvo lençol branco. Scully dirigiu-se imediatamente ao local, colocando suas respectivas e características luvas. Ao levantar o pano, qual não foi a sua surpresa. __ Dr. Duart...que idade tinha o paciente? __ 56 anos, Ag. Scully. __ Meu Deus....está parecendo bem mais velho...... __ Espere Ag. Scully...eu não havia reparado nesse detalhe.. - O médico pode constatar as mudanças no rosto do paciente morto. O cabelo tornara-se mais fino. Os olhos, fundos nas órbitas, dando um aspecto encovado, bem diferente do Norman Lomax que se apresentara três semanas antes. __ Quando é que irão autorizar a autópsia? - Mulder sentia- se um pouco relapso à conversa dos dois, portanto, decidiu interver. __ Por favor Dr. Duart, eu, como médica, gostaria de realizá- la. Isso já adiantaria mais as incursões no caso. Ficaria mais rápido para Mulder e eu resolver. __ Acredito que não haverá problemas. Digo-lhe quando obter a autorização. __ Certo....nesse meio tempo, Ag. Mulder e eu voltaremos ao hotel. O nome é Rillz Place Hotel e fica... __ Eu sei onde se localiza Ag. Scully..não se preocupe, ligarei quando os testes e a autorização da autópsia saírem.. __ Dr. Duart, só mais uma pergunta - Mulder interveio - Qual o estilo de vida desses indivíduos? __ Certamente não eram dos melhores, Ag. Mulder. Além de Nortan Lomax, todos os outros pacientes realmente não tinham um estilo de vida ideal. Ou fumavam, bebiam, e todos eram sedentários. __ Bom, ao que vejo, não eram muito condizentes ao que se diz em "manter-se vivo". Do jeito que agiam, não tardariam a morrer. - A expressão de Mulder era quase irônica. Scully ruborizou em frente ao comentário do parceiro. Mulder muitas vezes conseguia ser inconveniente com sua sinceridade excessiva... - Mulder! __ Ele tem razão Ag. Scully. Não tinham uma idade, assim por dizer, avançada para esse tipo de ataque súbito, realmente, é raro, mas pode acontecer....ainda mais da maneira que viviam, mesmo os exames não tendo acusado nada. __ .... mas não com tantos pacientes assim, todos apresentando sintomas parecidos, com mais ou menos a mesma idade a ainda mais, com estilos de vida semelhantes... __ Doutor Duart... - Scully agora mostrava-se interessada - ...gostariamos de obter a lista de todos os exames médicos que o senhor realizou de um ano para cá..precisamos ter certeza se nenhum outro paciente seu teve problemas graves.. __ A lista vai ser grande....O FHH vem efetuando muitos exames e checkups para.. __ ...angariar novos clientes? - Mulder continuava com um leve sorriso nos lábios, provocando um certo desconforto em Scully, que pensava como ele poderia, de certa forma, ainda brincar com o que eles estavam resolvendo. __ Certo, certo...Alô, Jéssica? Por favor, preciso que você me traga todas as fichas e prontuários dos exames que realizei de um ano para cá...sim? Claro, obrigado Jéssica...Desculpe-me, Jéssica é minha secretária. Muito eficiente, por sinal. __ Bom... - Mulder observava - Doutor, sabemos que tem pacientes a atender...amanhã Scully e eu continuaremos a busca..voltaremos aqui para a autópsia, enquanto eu falarei com os outros médicos do hospital. __ Muito bem, Agentes. Realmente ainda tenho que atender...então, até amanhã..vocês sabem a saída? __ Sem problema...não temos o mapa, mas dá para orientar-se pelas migalhas de pão que viemos jogando... - Nessa hora Scully arregalou os grandes olhos azuis em direção aos de Mulder, numa expressão de cencura...ele entendeu e calou-se. Não queria aborrecê-la novamente. Foram caminhando pelos corredores, calados, cada um maquinando no que iriam fazer no dia seguinte. Ao passarem pela sala de espera, Mulder observou uma mulher, inclinada sobre a mesa de uma das secretárias, conversando animadamente. Era tão atraente quanto uma modelo. Tinha cabelos castanhos esvoaçantes, era alta e esguia. Mulder não pode conter o olhar e diminuiu o passo, para observar melhor. Nesse instante Scully viu a expressão abobada do parceiro, e voltou os olhos para onde ele olhava. Sentiu seu sangue ferver, subir- lhe pelas carótidas com tanta violência que as sentia pulsar sobre a pele fina do pescoço. Subitamente suas pernas perderam a força, mas ela continuava ali, olhando com discórdia para Mulder. Passou as mãos em frente ao rosto dele, balancando-as de cima para baixo, como que quisesse acordá-lo. __ Mulder...? Ao passo que Scully tentava em vão tirar-lhe a atenção sobre a mulher, esta virou-se, e olhou em direção aos dois. Em sua linda face apareceu um sorriso enigmático. Scully reconheceu imediatamente...a mulher lembrava outro empecilho entre ela e Mulder...Diana Fowley. A maneira de sorrir era a mesma, só que ela não entortava os lábios. A mulher vinha em direção a eles, e Scully pode ver a expressão de Mulder alterar-se para lívida , como se um facho se luz a iluminasse. Ele sorria, e isso a deixava mais insegura ainda " ...Mas o que estou pensando? Mulder tem a vida dele e eu a minha....eu não tenho nada a ver com suas particularidades..." mas seus pensamentos eram em vão diante da altivez da mulher que aproximava- se. __ Fox..! Você por aqui??? Mas que surpresa! A mulher exibia um irritante semblante alegre. __ Kim!! A quanto tempo! Eles se abraçaram e trocaram beijos . Seus rostos mostravam o instante de felicidade que sentiam. Estudaram na mesma faculdade. Enquanto Mulder aventurava-se na Psicologia, ela fazia Administração. __ Meus Deus, Kim! O que está fazendo por aqui? __ Sou a funcionária executiva chefe de toda a organização do Full Health Hospital! E você Fox? Tornou-se um psicólogo, como tanto queria? __ Sim....começei trabalhando como tal, agora sou Agente Especial , trabalho para o FBI...mostrou-lhe a insígnia com orgulho. __ FBI? Imagino que resolvendo casos com assassinos, loucos, suicidas... __ Isso foi no começo, agora... Scully sentia-se sobrando. Mulder nem a enxergava mais. Sua atenção estava voltada totalmente à mulher à sua frente...Resolveu sair dali por uns instantes... Caminhava lentamente pelos corredores, o bater leve dos sapatos no piso limpo ecoava. Passava por salas e mais salas, todas bem equipadas e asseadas. Mulder tinha razão. Se fosse médica, aquele prédio seria o seu éden. Ouviu passos à sua frente. Voltou o olhar à fronte e pode avistar um homem vestindo um jaleco manchado. Tinha a expressão cansada. Quando a viu, imediatamente entrou na primeira sala que avistou. Scully estranhou a atitude. Não queria ir atrás do homem, mas sentiu uma certa reciprocidade..algo lhe dizia para certificar-se quem era.. Apressou o passo. Entrou na porta antes desta fechar e avistou novamente o homem que lhe parecera fugir. Não tinha muito apresso ao vestuário. Os cabelos estavam desgrenhados e a pele de uma palidez anormal. Foi aí que sua fisionomia doente lhe parecera conhecida, ao mesmo tempo que o rosto do homem demonstrara alívio. __ Dana Scully? É você mesma? __ Meu Deus! Dr. Kevin Howard!O Famoso cientista? A quanto tempo! Apenas o vejo nos jornais, com suas descobertas científicas! Scully denotava orgulho e surpresa. Kevin Howard era um cientista na área de biologia molecular, com renome internacional. O conhecera na Universidade, quando Kevin fora lá mostrar uma pesquisa, e acabou ficando, desenvolvendo grandes trabalhos. Scully o interpelava o tempo todo durante a estada no campus. Realmente, ele não era uma figura comum " ..talvez por isso eu atraia pessoas estranhas...como o Mulder..." Sua fama vinha da descoberta de um método para produzir o hormônio do crescimento do homem a partir da tecnologia do DNA recombinante. O hormônio do crescimento que ele conseguira produzir era exatamente igual à variedade humana. Esse avanço foi considerado extremamente importante. __ O que fazes aqui Dana? Conseguiu vaga no prédio? Deve ter- se tornado uma médica brilhante. Scully tentava esconder o desapontamento. Gostaria mesmo de ser médica...mas começou seu trabalho com Mulder...agora não haveria possibilidade de desmantelamento. Estava envolvida por demais nas esquisitices do parceiro. __ Bem..eh, formei-me em medicina, sou bacharel em física..mas agora ofereço meu trabalho ao FBI. Sou a Agente Especial Dana Scully. __ FBI? - O rosto coberto por vincos profundos mudou de alegre para surpreso. Ficou sério. Howard parecia nervoso e cansado, como se não dormisse há varios dias. - Dana...já que está aqui...eu a conheço bem...sei que posso confiar.. __ O que Dr. Howard? __ Preciso falar-lhe.. - Inclinou-se para frente, em posição confidencial. Scully sentiu o hálito fétido e recuou um pouco. Kevin Howard pouco lembrava aquele cientista que ela havia conhecido. Na faculdade, ostentava uma boa aparência, diria-se até atraente. Agora parecia incrivelmente envelhecido. Seus olhos tinhamuma aparência vítrea, quase desfocada, dando-lhe um ar de pessoa louca. __ Pois diga o que o está preocupando. __ Aqui não...preciso conversar à sós..hoje à noite está bom para você? Scully estranhou um pouco a atitude de Kevin, mas decidiu concentir. __ É importante.. __ Certo..e..onde nos encontraremos? __ Conheçe o Minestra? É um ótimo restaurante. __ Não..mas não será problema..pego um taxi. __ Está bem então...ah, mais uma coisa...vá sozinha. Scully sentiu o receio, mas algo lhe dizia para ir. Aliás, Mulder devia estar por demais ocupado com a mulher voluptuosa. Resumiu sacundindo a cabeça em sinal de afirmação. Os olhares de Howard diziam para deixá-lo em paz. Scully estranhava o estilo "irreverente" dele.." - Bom, ele é cientista....é normal a excentricidade em tipos assim". Ao passo que saía da sala, viu Mulder à sua procura. Pensava o que ele e a Morena estavam fazendo... __ Scully! Finalmente! Onde você estava? Estive procurando em toda parte! __ Não importa Mulder. E a mulher? Você nem ao menos me apresentou! Me deixou plantada lá! Por isso resolvi sair para deixá-los mais à vontade! __ Scully..! Me desculpe, era Kimberly Amy. Estudou na mesma faculdade que eu. Fazia administração. __ Onde ela está agora? __ Voltou ao serviço. Ela é funcionária executiva chefe daqui. Cargo importante.. - Mulder transparecia o orgulho. Parecia que estava querendo exibir a mulher como um troféu. Scully, a cada instante, sentia a irritação embargar-lhe e garganta. __ Sei..vamos. Está tarde e precisamos descansar um pouco. A dias que não durmo uma noite inteira. - Scully resolveu não mencionar o encontro que teria com Kevin Howard. __________________________________________ No hotel, Scully parecia arrastar-se pelos corredores. Sentia-se tonta, tamanha era a exaustão. Mulder, porém, parecia alegre a saltitante. Sorria o tempo todo, falava bobagens para alegrá-la...só que essas atitudes deixaram-na insegura..sabia o porque da felicidade dele. Kimberly Amy, a morena com sorriso de Diana Fowley. __ O que foi Scully? Para que esse marasmo todo! __ Eu é que pergunto: Para que essa felicidade toda! Estamos diante de um caso possivelmente complexo! Mulder, você não consegue ser sério por pelo menos um minuto? __ Er..desculpe Scully. - Mulder calou-se e entrou no quarto 402. Scully estava no 404, conjugado com o dele. Pensava agora no encontro com Howard. O que ele queria dizer-lhe de tão confidencial... Entrou no quarto o jogou-se na cama. Seus ossos estralaram. Como ela queria deitar ali e dormir. Decidiu tomar um banho quente. Ouviu ruídos pelo apartamento e imediatamente empunhou a arma. Não havia acendido a luz, e por isso quase não enxergava. De repente uma luz forte incidiu em seus olhos, cegando-a temporariamente. __ Scully! Sou eu! Abaixe essa arma! Era Mulder, que abrira a porta conjugada do quarto. __ Ah..Mulder..o que você quer? Ele entrou vestindo apenas a surrada calça pijama. Scully perguntava-se como Mulder conseguia vestir aquilo ainda. O tecido estava quase transparente devido ao uso constante. " Bom, já sei o que dar a ele de aniversário". __ O que faz no escuro Scully? Acenda isso! Quase que você atira..e daí, adeus parceiro! Você não quer isso, não é? Ela não respondeu. Não estava disposta a conversar. Apenas o observava. Mulder, com seu corpo esguio e atlético, passava por ela de um lado para outro, falando coisas que ela não prestava atenção. Apesar de não ser nenhum garoto, Mulder tinha um corpo de fazer inveja a qualquer um. Encontrava-se em ótima forma...ótima até demais. Isso despertava certas sensações em Scully que ela continuamente reprimia. O andar levemente gingado fazia o fino tecido da calça acentuar-lhe as nádegas e pernas fortes. __ Scully? Você ouviu o que eu disse? __ Mulder...deixe-me sozinha um pouco...preciso tomar um banho quente..não estou em condições de conversar com você agora... __ Mas você ou.. __ Não , não ouvi. Por favor, saia. - Scully tinha um tom levemente ríspido na voz. Mulder percebeu. Quis perguntar o porque da reação mal humorada, mas preferiu desistir. Scully falara a verdade. Ela não estava para brincadeiras naquele dia. Saiu a passos cuidadosos, fechando a porta por trás de si. Enquanto a banheira enchia-se de água quente, Scully olhava pensativa para a torrente que saía da torneira. A insegurança aos poucos a envolvia. O misterioso Dr. Kevin Howard a convidara para um jantar. E ela deveria ir sozinha. Receava pelos acontecimentos advindos, e pensava se não era propício relatar à Mulder. "Não! Mulder esteve exageradamente infantil hoje! Só iria me aborrecer ainda mais. E depois aquela mulher...". Novamente Scully percebia o quanto estava insegura com relação à Mulder. A algumas semanas ele tem-se mostrado distante e relapso para com ela. Toda sua atenção estava voltada para os Arquivo X. Sua procura pela verdade tornara-se mais importante do que sua própria vida. Apesar da sensibilidade eminente, Mulder sabia ser cruel quando queria. E ele estava sendo agora com Scully, mesmo sem perceber isso. O frio que surdia no ambiente fez Scully entrar imediatamente na banheira. Ao primeiro contato com a água quente seus músculos amorteceram. A sensação de relaxamento lhe invadiu o corpo. Alguns minutos passaram-se e Scully quase adormecera. Saiu da banheira apressada, vestiu seu terninho, o sobretudo e saiu. ______________________________________________ 8:40 PM O taxi deslocava-se velozmente pelas ruas movimentadas de New York. Scully procurava onde escondia-se tanta destreza no rosto enfadonho do motorista. __ Para onde moça? __ Ah...restaurante Minestra, por favor. Seguiram por mais 20 minutos. O local era longe de seu hotel. O inverno da "Big Apple" era rigorozíssimo. Scully sentia seus músculos tremerem involuntariamente , tentando em vão aquecer o corpo. Suas mãos doíam, pareciam pedras de gelo. As ruas encontravam-se apinhadas de pessoas caminhando para todos os lados. Indigentes e mendigos jaziam nos becos escuros, com seus tradicionais latões servindo como fogueira. Prostitutas nas ruas, vestindo roupas minimalistas.... Scully perguntava-se como aguentavam frio tamanho com o corpo praticamente exposto à temperatura gélida e ressequida. " Ossos do ofício.." pensava. __ Pronto Moça. Minestra. Ótimo restaurante. São 90 pratas. __ 90 dólares???? Scully arrependia-se por não ter alugado um carro e comprado um mapa. __ O taxímetro não mente moça! Mesmo condenando sua atitude, sabia que aquele preço não era condizente com a corrida. Imediatamente pegou sua carteira e mostrou a insígnia. __ Agente Especial Dana Scully, FBI. Agora diga-me o preço certo. __ FBI??? - O taxista assustou-se - Ag. Sc..Scully... fica por conta da casa.. __ Não, espere. Quero pagar, mas apenas o preço justo! __ Por favor moça...saia..não precisa pagar nada. Scully saiu apressada do carro e este arrancou como que fugindo dela. Estranhou a atitude. " Ele deve ter problemas com as autoridades..pelo menos não gastei nada..". O restaurante tinha um ótimo ambiente, com meia luz e música clássica. Apenas não localizava-se em um bom local. Ao entrar, o Maître a cumprimentou. Scully relatou que esperava alguém e foi levada gentilmente a uma mesa, com visão para a rua. Pediu uma água mineral e ficou à espera. Em poucos minutos, avistou um taxi parar diante ao restaurante. Howard desceu, pagou o motorista e ficou por alguns instantes olhando para a rua de onde viera. Scully perguntava-se o que ele esperava. Este por fim, voltou-se e entrou. Enquanto o maître acompanhava-o até a mesa, Scully observou o quanto Kevin Howard parecia deslocado naquele ambiente distinto. Trajava roupas envelhecidas e caminhava com dificuldade. Quando sentou-se à mesa, Scully pode ver ainda os olhos encovados, a pele pálida e sem viço. Aquilo indicava que Howard não estava bem. __ Alguém me segue Dana. __ O segue? - Scully expressava descrença. __ Não há dúvida. Um sujeito moreno, de pele clara, alto, bem apessoado, vestindo uma capa preta. Scully resumiu-se a escutar com atenção. Essa descrição, mesmo vaga, lembrava Mulder. Um arrepio percorreu-lhe a espinha. __ Estão querendo a minha pele Dana....querem me matar.. __ Matá-lo? Mas porque? Howard fumava um charuto atrás do outro. A fumaça densa a incomodava, mas Scully fazia o que podia para disfarçar o mal estar. __ Desculpe-me Dr. Howard...mas o senhor não me parece bem.. __ Chame-me de Kevin. Pareço estar doente? __ Sim - Scully não tinha tanta intimidade com o homem, mas no estado em que ele encontrava-se, decidiu falar - sua cor não está boa...por acaso algum sintoma incomum o afligiu ultimamente? __ Tudo. Meu corpo parece lutar contra mim. Artrite, desarranjos, pele seca, visão turva..ah, e meu cabelo esta caindo muito. __ Precisa consultar Kevin... __ Olhe..ele está lá fora.. __ Quem? O homem que o seguiu? __ Sim, ele mesmo. Me seguiu desde que saí do hospital...está querendo me matar. Scully não estava gostando do rumo que a conversa tomava. Kevin parecia mentalmente perturbado, agindo de maneira estranha. Mas em respeito, ouvia-lhe atentamente. __Dana..você soube das minhas pesquisas? __ Sim...mas não estou a par de tudo. O FBI me toma o tempo por completo. __ Bom, estou estudando o modo como os genes são ativados e desativados...de modo simplificado, essa ativação e desativação dos genes do crescimento tem sido meu principal interesse. Mas o inesperado também aconteceu. A uns quatro meses deparei-me com uma descoberta assombrosa...e irônica. Scully ouviu atenta e reparou que estava muito interessada na possível paranóia de Howard. Mas aquilo que ele falara prendera-lhe a atenção de tal forma que ela queria ouvir tudo o que ele iria lhe dizer. __ Qual foi a sua descoberta? Howard não respondeu. Sua face contorceu-se e ele colocou uma das mãos sobre o peito. __ Você está bem Kevin? __ Sim, sim, só um mal estar. Mas continuando, não publiquei essa minha descoberta por que ela é apenas o começo para outras tantas. Minha excitação é tão grande que trabalho ininterruptamente , 24 horas por dia. Mas aí verifiquei que minha descoberta original não era mais segredo, estava sendo utilizada e... Kevin novamente levou a mão ao peito. Um gemido escapou de seus lábios. Ambas as mãos seguraram-se na toalha da mesa, puxando-a, tombando o que havia encima. Uma tosse violenta o tomou, e este vomitou um jato de sangue, empapando a toalha e respingando em Scully, que pulou para trás, quase caindo da cadeira. O sangue não parava , saía em golfadas intensas. Era de um vermelho vivo, e Scully, como médica, viu que estava sendo bombeado para a boca de Kevin, vindo diretamente do coração. Scully tentava segurá-lo pelos ombros, enquanto a face de Howard estampava dor, confusão e medo. Não havia como estancar o sangue. Kevin esvaía-se, morreria exangue ou sufocado. Scully não mais poderia fazer nada, exceto segurar o homem à medida que a vida o abandonava. _____________________________________ 9:40 PM O som abafado do telefone despertara a atenção de Mulder. __ Mulder. __ Mulder!!!! __ Scully?? O que é? Não consegue dormir? __ Venha imediatamente ao New York Memorial Hospital!! A voz de Scully estava quase em súplicas. O nervosismo era tamanho que ela sentia a voz esvair-se, gaguejando. __ Onde você está Scully? Deveria estar envolta em cobertores na sua cama agora! Scully ouvia sons e vozes ao fundo. Mulder com certeza não encontrava-se no seu quarto de hotel. Aquilo a deixara mais nervosa ainda. Mulder saíra e não lhe falara. Mas logo percebeu que ela tinha feito o mesmo...não poderia cobrar-lhe nada. __ Estou no hospital!! Ve...nha agooraa!!! Mulder ouviu a força e o desespero que saíam da voz dela. Scully novamente falava sério. Imediatamente levantou-se de onde estava e dirigiu-se para a porta. __ Fox...onde você pensa que vai? __ A minha parceira me chama...é algo importante...preciso ir. __ Espere, eu te levo. _____________________________________________ NEW YORK MEMORIAL HOSPITAL Mesmo dia 10:00 PM Scully encontrava-se na sala de emergência. Não sabia porque levaram o corpo de Howard para lá, afinal, ele já estava morto. Dirigiu-se a uma pia que havia no canto da sala. Olhou pelo pequeno espelho e pode ver uma grande quantidade de sangue já coagulado em seu rosto. Suas roupas estavam totalmente manchadas. Lavou o rosto e as mãos. Enquanto isso, um funcionário do hospital chegou e puxou o lençol onde debaixo jazia Kevin Howard. __ A senhora é parente? __ Não....era conhecida..não nos víamos a muito tempo. __ O que aconteceu com ele? __ Morreu de hemorragia na mesa de jantar. - Scully respondeu dura, ofendida pela insensibilidade do residente. Neste momento, Mulder chegava apressado. Ao ver Scully banhada em sangue, seu coração pulou descompassado. Correu até ela, demostrando a preocupação. __ Scully!!! O que aconteceu com você? Esse sangue é seu? __ Não...é de Kevin Howard. Scully apontou para a maca a seu lado. Mulder não sabia por onde começar a perguntar. Não vira Scully sair do quarto. E caso ela fizesse isso, lhe falaria. Não era de seu feitio sair assim. Esse estilo era mais dele próprio. __ Quem é esse homem? E o que você foi fazer fora do hotel sem me avisar? Poderia ter morrido!! __ E você Mulder? E esse cheiro de perfume feminino!! Eu pelo menos tentava resolver o caso, procurando mais informações, não estava na esbórnia! - O olhar que Scully voltou à Mulder fulminou-o como uma facada. Podia ver o ódio contido nos olhos azuis faiscantes. - Onde VOCÊ estava?????? Mulder não respondeu. No mesmo instante, Kim adentrava pela porta. Vestia um tubinho preto colante e um suntusoso casaco de peles. Estava muito bem maquiada, e seu perfume recendia pelo recinto, o mesmo que Scully sentira em Mulder. Scully o encarou novamente. Seu olhar denotava desprezo e decepção. Ele sentiu aquele olhar adentrar-lhe a alma. Mulder aguentaria tudo, menos decepcionar a parceira que tanto admirava. Ele realmente não foi condizente com seus atos. __ Scully...espere....não é isso que você está pensando. Ela nem o olhava mais. Mulder viu o desprezo eminente. Aquilo o feriu mortalmente. Ela não poderia pensar....mas era inevitável. Kim agora chegava junto a eles, enlaçando seus dois braços na cintura de Mulder. Ele fechou os olhos e pressionou a mandíbula, sentindo o músculo masseter, na lateral de seu rosto, saltar. Não queria que Scully a visse. Isso pioraria as coisas. Quando Scully virou-se em sua direção, Kim pode ver o estado em que ela se encontrava, as manchas de sangue pelas roupas. __ Meu Deus! O que aconteceu Ag. Scully? Scully não respondeu e Kim sentiu um cutucão de Mulder em sua cintura. __ Desculpe, não me apresentei, mesmo agora sendo uma hora imprópria. Sou Kimberly Amy, funcionária executiva chefe do FHH. __ Dana Scully. Mulder falou-me de você. - Scully não tinha qualquer expressão no rosto. __ Mas o que aconteceu aqui??? __ Kevin Howard morreu. - Scully falava friamente. Mulder recentia-se pelo o que se passava com ela. __ o Dr. Howard morreu? Meu Deus...como foi isso? - Até a voz de Kim soava parecida com a de Diana Fowley, apesar dela ser infinitamente mais bonita que a outra agente. E era justamente isso que causava sensações nada agradáveis em Scully. Imaginava o que ela estava fazendo com Mulder... __ Hemorragia. Não lhe contarei os detalhes. Amanhã verá o prontuário. Pedirei para que o corpo seja removido para o FHH, assim realizo as autópsias junto. Agilizará nosso trabalho. Policiais entraram na sala, junto a um detetive. Já estavam a par do acontecido e dirigiram-se rapidamente ao hospital. O detetive veio em direção à eles. __ Sou o detetive Mark Franklin, departamento de homicídios. O atendente disse que a senhora - apontava para Scully - estava com a vítima. __ É sim, ele estava comigo quando aconteceu.. - Em sincronia, Mulder e Scully alcançaram as insígnias e mostraram ao detetive. A surpresa que despontou na face do homem foi instigante. __ Nossa, até os federais estão sabendo do ocorrido! - Olhava agora confuso para as roupas manchadas de Scully. __ É, esse sangue é de Kevin Howard. Ele teve uma hemorragia. Estava com ele em um restaurante quando aconteceu. - Scully já cansara de responder tantas vezes a mesma coisa. Mulder ouviu, e fitou-a em discórdia. "Em um restaurante...o que ela queria com esse homem que não fiquei sabendo...." Mulder pensava. As interpelações do irritante detetive continuaram por mais 20 minutos. Scully já podia sentir o odor fétido do sangue em suas roupas penetrar-lhe as narinas . Olhava para o detetive com expresão cansada, porém inquisidora. Finalmente poderia ir para o hotel, tomar outro banho e dormir. No dia seguinte estaria por demais atarefada. __ Onde você vai Scully? Mulder estivera presente durante todas as interrogações. Não falara nada, apenas escutara. Kim continuava próxima a ele. __ Ora, irei para o hotel! Não sei se você notou, mas eu preciso de um banho e de uma boa noite de sono Mulder! Bom, você não me parece disposto ao mesmo - o olhar malicioso que Scully jogou para Kim fez Mulder ruborizar - estou indo pegar um taxi. __ Scully...olhe o seu estado! Você acha que alguém pararia para te levar? Scully não queria, mas teve que concordar com Mulder. Não estava disposta a entrar no carro de Kim, mas não teria opção. __ Vamos Dana - Kim interviu - eu levo vocês dois. Mulder, você está igualmente cansado, precisa dormir. Falo com você outro dia. Os três encaminharam-se para o carro, estacionado em frente ao hospital. A imponência e suntuosidade do belo Jaguar S-Type fez Scully recear-se. Não estava em condições de entrar em um carro de luxo como aquele do jeito que encontrava- se. Mulder percebeu a leve ruborização na face de Scully. Sem Kim perceber, tocou de leve o rosto dela, alisando a maça do rosto com o polegar. Mesmo estando decepcionada com o que Mulder lhe fizera, sem entender bem o porque, pois não fora nada de mais, viu no olhar penetrante e acolhedor dele a resposta que procurava. Mulder sempre conseguia manter-lhe segura nos momentos certos. Ele tinha essa habilidade, e isso era apenas um dos tantos motivos que ela tinha para admirar-lhe. _____________________________________________ THE RILLZ PLACE HOTEL 10:37 PM Scully, mais uma vez, subia as escadas do Hall do prédio como se carregasse um pesado fardo nas costas. As pessoas que estavam no saguão assustaram-se, mas Scully não estava com paciência para perscrustar alguma resposta. Apenas continuava caminhando. As explicações ficaram ao critério de Mulder. Ela evitava fitá-lo, mas percebeu a mudança em sua fisionomia. Parecia preocupado. Pequenas linhas de expressão pronunciavam-se na testa ampla, que servia de amparo para os charmosos fios castanhos que caíam displicentes. __ Scully.... __ Fala Mulder. __ Eu quero que você saiba...não aconteceu nada e.. __ Não precisa se explicar Mulder...eu não lhe perguntei coisa alguma... __ Certo..mas o seu rosto lá no hospital..me preocupou. __ Bom, não sei se você percebeu o que aconteceu comigo..é natural o meu estado agora.. __ Alias, conte-me o que aconteceu! Quem é Kevin Howard? E porque você não me avisou? Ele finalmente chegara no ponto que ela não queria. Teria que explicar- se. Faria isso normalmente, mas agora sentia-se estranhamente....traída. Não queria que tais sentimentos lhe tomassem conta, mas era inevitável. Scully contou todo o acontecido, palavra por palavra. Mulder encontrava- se totalmente absorto nas palavras dela. Quando se deram conta, já estavam dentro do apartamento dele. __ Nossa Scully! É muita coicidência....então ele não chegou a contar a descoberta? __ Não houve tempo... - Scully lembrava a amarga cena vivida no restaurante. __ Bom, amanhã começaremos...eu levantarei dados entre os outros médicos, enfermeiras e secretárias e você fará as autópsias. Scully sentou-se na beirada da cama de Mulder. Seus músculos pareciam chiar em aviso ao cansaço. Seus ombros, costas e nuca estavam tensos, dando- lhe dores insistentes. __ Você não está conseguindo esconder a exaustão...espere.. Mulder encaminhou-se até a cama, colocando-se atrás de Scully, os joelhos posicionados no colchão ao lado dos quadris dela. __ Scully..preciso tirar seus casaco. Aliás, teremos que passar em uma lavanderia que tenha lavagem a seco...apesar de achar que não adiantará muita coisa.. Scully sentia-se paralizar diante ao toque de Mulder. As grandes e fortes mãos dele agora trabalhavam suavemente em sua nuca, dando-lhe arrepios. Ela mal escutava o que ele falava, embargada pelas ondas prazeirosas que os hábeis movimentos dele proporcionavam aos músculos doloridos. Porém, outras sensações foram lhe tomando conta. Mulder mexeu-se na cama, e acabou por sentar atrás dela. Ela podia ver e sentir as pernas longas envolverem as suas paralelamente, o corpo dele colado ao seu. Suas mãos suavam, seu coração batia descompassado. Não entendia como o simples toque de Mulder despertava nela tantas sensações...sua pele ficava extremamente sensível quando ele a tocava. __ Scully...você está cheia de nós....anda trabalhando muito e dormindo pouco. __ Olha quem fala... __ Eu estou acostumado! __ Como acostumado? Eu trabalho as mesmas horas que você Mulder! __ Scully...quantas vezes a interpelei à altas horas da madrugada! Será que preciso lembrar que seu parceiro é um "Spooky" inveterado? __ Mulder....sua massagem está ótima, mas eu preciso tomar outro banho e dormir. __ Certo..deixarei a porta conjugada aberta, caso você precise de algo. __ Tudo bem Mulder...como pude esconder algo de você? Vamos, você também precisa dormir. Despediram-se e Scully voltou ao seu quarto. ________________________________________________ QUINTA - FEIRA 9:00 AM Ainda a caminho do hospital, Mulder não conseguia parar de pensar no acontecido. Imaginava o que se passara na cabeça de Scully quando o viu entrar com Kim naquela tumultuada sala de emergência. Lembrava lívida a imagem do rosto decepcionado dela. Mulder enfrentava de tudo, não temia o desconhecido, mas não suportava ver Scully sofrer. Na noite anterior, um pouco antes de deitar, seu telefone tocara. Era Kim, convidando-o para um jantar que haveria em sua casa. Várias pessoas estariam lá e seria animado. Mulder não sentia-se disposto, mas a súbita insistência dela o convenceu. Ele entrou silencioso no quarto de Scully. A cama ainda encontrava-se arrumada. A porta do banheiro estava aberta e de lá vinha o único facho de luz que iluminava o quarto. Ele não queria, mas acabou indo até lá. Scully encontrava-se na pequena banheira, imersa na água quente e relaxante. Seus olhos estavam fechados e a expressão tranquila e serena do rosto dela fez Mulder sentir uma compaixão enorme. Havia pouca espuma na água, e ele pode avistar os contornos bem feitos do delicado corpo. Um arrepio lhe percorreu o corpo, eriçando seus folículos pilosos. Muitas vezes a desejara, mas acima de tudo a respeitava como ninguém. Scully era o seu refúgio, a pessoa em quem mais confiava, a pessoa que mais amava, em todos os sentidos. Seu instinto protetor para com ela era tanto, que ele mataria para protegê-la. E morreria, se preciso fosse. A visão dela, nua e frágil a sua frente desertava seus desejos mais profundos. Não poderia ficar ali por mais tempo. Decidiu não falar-lhe. Ela com certeza não aprovaria. Scully não dormira bem. Cada vez que fechava os olhos, enxergava o rosto medonho de Kevin Howard...e Mulder com o clone mais belo da Diana Fowley. Ainda sentia-se cansada, mas a massagem que Mulder lhe fizera surtira efeito. Onde ele tocou-lhe com as mãos, a dor passara. Novamente Howard aparecia, falando-lhe sobre a descoberta, que agora não era mais segredo, alguém a estava utilizando...mas o que?? E quem? Dúvidas tomavam a mente de Scully. Ultimamente sua relação com Mulder não estava nos melhores dias. Discutiam muito, e isso a feria profundamente. Sentia que o mesmo acontecia com ele, mas imaginava ser impressão sua. Chegaram ao hospital. Durante todo o trajeto, somente o silêncio entre eles. Agora apenas articulavam o que fariam. Separaram-se e cada um rumou para um lado. ___________________________________________ 10:15 AM Mulder esperava por Scully no saguão do hospital. Perscrutou o prédio de ponta a ponta, e realmente descobriu o que pensara: não era somente o Dr. Robert Duart que tinha problemas com os pacientes. Praticamente todos os médicos do hospital estavam quase em colapso nervoso devido às mortes advindas. Direcionando o olhar para o elevador, pode ver uma Dana Scully com a expressão confusa e amedrontada, vindo em sua direção. As sombrancelhas arqueadas, o cenho franzido, a boca entreaberta...ela descobrira algo importante nas autópsias. __ Scully? Como foi as autópsias? Ela sentou-se ao seu lado, no confortável sofá de couro - lembrava o que Mulder tinha em seu apartamento - cruzou as mãos e entrelaçou-as nas pernas. Tinha a expressão preocupada. __ Mulder...o que vi é praticamente impossível. __ Fale Scully! Estou curioso! __ Mulder...apesar de Ter-me formado médica e, mesmo não exercendo a profissão, mantenho-me informada o quanto posso, afinal, o FBI precisa de minhas habilidades. O que vi nos corpos de Kevin Howard e Nortan Lomax é quase incomensurável. Mulder preferiu não perguntar. Apenas apalpava de leve as mãos delicadas dela. Estavam geladas. __ Vamos por partes - Scully respirou fundo - No corpo de Kevin Howard foi constatada aneurisma da aorta. Por isso expeliu tanto sangue pela boca. __ Aneurisma? Mas isso não me parece nada de mais Scully! __ Deixe-me continuar Mulder....o que me pareceu estranho foi que a aorta, juntamente com a traquéia, tinham um aspecto friável, quebradiço.. __ E o que isso significa? __ Se ele tivesse 120 anos, nada de mais, como você próprio disse. Mas na idade em que se encontrava, 58 anos, isso é impossível. Aliás, todos os órgãos estavam degenerados. Resumindo mesmo, Kevin pareceu morrer de velhice!!!! __ Velhice?? Aos 58 anos Scully? __ Olhe só...em Nortan Lomax, foi diagnosticado ruptura cardíaca. Quando verifiquei o coração, tive a impressão de que todos os vasos coronarianos estavam comprometidos. Além de outras artérias. E novamente foi contatada degeneração dos órgãos. O que está acontecendo aqui Mulder? Ele escutava calado a pronunciação dela. Geralmente quando fazia isso, Mulder vinha com uma explicação nada científica. Scully percebia nos olhos inquisidores dele a vivacidade e convicção. Ele sempre achava alguma explicação não comprovável para o caso. __ Scully...você já imaginou se o que está acontecendo aqui são testes? Uma nova substância...já percebeu que os pacientes não tinham nada correlacionado, apenas o fato de terem idades parecidas e hábitos semelhantes? __ Mulder...aceito a segunda parte de seu relato...mas uma nova substância? Para quê? Isto mais me parece uma doença de cunho metabólico! __ ....uma forma de eliminar espécimes humanos não aptos à nova sociedade advinda...à nova raça.. Scully viu os olhos verde azulados brilharem como nunca. Mulder parecia uma criança diante da primeira descoberta. Olhou para ele com expressão de desdém. De onde ele tirava tanta bobagem! __ Por favor Mulder...poupe-me..apenas fale o que você descobriu. __ Certo então..bom, falei com praticamente todos os médicos do hospital, e todos me pareceram assustados. Seus pacientes estão em igual processo degenerativo. Muitos estão morrendo Scully. __ Bom, não devemos nos precipitar. Enviei amostras de tecido ao laboratório patológico. As lâminas não demoram a sair. Assim teremos dados mais concretos. Saíram em direção ao elevador. Apertaram o botão do sexto andar. Foram verificar o laboratório de Kevin Howard. O laboratório ocupava quase todo o andar. Puderam ver que era uma área nova no hospital, bem mobiliada, com paredes impecáveis. Foram em direção da sala de vestiário. Precisaram colocar aventais brancos e pantufas protetoras sobre os sapatos. Olharam para a câmera acima de suas cabeças. Mulder apertou a campainha e mostrou a insígnia à câmera. A porta não custou a abrir. Entraram a avistaram uma mulher loura, de feições européias. Os olhos estavam vermelhos, como se ela estivesse a chorar. __ Com licença - Mulder adiantou-se - somos os Agentes Especiais Fox Mulder e Dana Scully, FBI. __ Katrina Bronvist. __ Srta. Bronvist..dispõe de alguns minutos para conversar? Katrina fechou o caderno de anotações que jazia aberto sobre a mesa e afastou de si uma pilha de placas de petri. __ Suponho que saiba do que aconteceu ao Dr. Howard..? Mulder sentia um leve desconforto, assim como Scully. Ela não respondeu. Scully pode ver o cintilar de uma lágrima em seu olho esquerdo. __ Eu estava com ele quando tudo aconteceu. - Scully tinha no rosto uma expressão reconfortante, esperando pela resposta dela. Porém, a face da mulher era completamente destituída de emoção, a não ser pelos olhos úmidos. - Pouco antes de morrer ele falou-me sobre uma descoberta científica importante...está a par da mesma? __ Lamento, não sei. Outras pessoas da administração subiram até aqui para perguntar-me a mesma coisa. Não tenho a mínima idéia do que o Dr. Howard estava querendo dizer. __ És a única pessoa aqui do hospital que trabalhava junto com Dr. Howard? Mulder começava a ficar impaciente. Sentiu o puxão leve de Scully em seu quadril e o olhar desaprovador dela. __ Exato. Sou biologista molecular, tal como ele, mas não tenho a mesma capacidade. Uso técnicas de recombinação do DNA para modificar bactérias E.Coli com o objetivo de produzir diversas proteínas nas quais o Dr. Howard estava interessado. Ao ouvir isso, Scully teve um estalo. O temor de que as pesquisas sobre DNA recombinante pudessem produzir bactérias capazes de causar doenças novas e desconhecidas era evidente. Tendo em mente a morte súbita de Howard, perguntou: __ Deparou-se com alguma cepa de bactérias nova e perigosa? __ Não.- O rosto da mulher continuava inexpressivo. - Usamos bactérias que não conseguem desenvolver-se fora do laboratório. O Dr. Howard dedicou seu maior tempo a isolar os fatores de crescimento, que são proteínas, do eixo hipotálamo/hipófise, responsáveis pelo desenvolvimento sexual. O Dr. Howard me dava uma proteína e eu passava a produzi-la mediante técnicas de recombinação do DNA. - Katrina apontou para as placas de petri, onde podia-se ver numerosas colônias bacterianas. A campainha soou no laboratório. Katrina olhou pela tela e pode contatar a presença de 4 pessoas e um cão na ante sala. Mulder imediatamente reconheceu Kim e o detetive Mark Franklin. Scully também avistou-os. Suas mãos gelaram diante a visão de Kim. Os quatro entraram . Kim demonstrou momentânea supresa ao ver os dois agentes na sala. Apresentou os policiais à Katrina, pegou no braço de Mulder e levou-o à sala de Howard. Scully apenas olhava irritada o gesto da mulher, que parecia ignorá-la por vontade própria. Parecia saber o que se passava na cabeça de Scully quando ela tocava Mulder. Tencionou ir atrás, mas preferiu ficar por ali. Não queria aborrecer-se ainda mais. Na sala de Howard, Kim parecia nervosa, com a expressão meramente irritadiça. __ Este caso está fugindo do controle Fox. __ Por que acha isso Kim? __ Parece que ontem a noite a polícia recebeu um telefonema anônimo dizendo que Kevin Howard fazia tráfico de drogas. Vasculharam o apartamento dele e encontraram boa quantidade de cocaína, heroína e dinheiro. E como isso não bastasse, ainda descobriram que ele vivia com uma streaper, do Pleasure Club. O que você pretende fazer? Alias, o que vocês descobriram da suposta descoberta de Howard? __ Bom, nada de palpável ainda, como diria a Scully. Precisamos de mais evidências. Mas já podemos dizer que algo de muito pernicioso está ocorrendo por aqui, ou alguma nova doença está se espalhando. Voltaram para a outra sala, em que os policiais vasculhavam junto ao cão, o detetive interrogava Katrina e Scully encontrava-se sumariamente sentada em uma pequena cadeira, olhando com desavença para Mulder e sua esfuziante acompanhante. Detestava ser deixada em segundo plano, ainda mais por Mulder, seu parceiro, no qual não escondia nada. Ele realmente parecia lhe esconder alguma coisa. Os agentes saíram da sala, deixando a confusão que se instalara ali. Scully estava visivelmente aborrecida. Não aguentou e acabou falando: __ Mulder! O que essa mulher faz com você que o deixa distante? Você não está dando informações precisas do nosso caso, está? __ Apenas lhe falei por cima Scully! Alias, ela administra isto aqui! Se não fosse ela, esse hospital não seria a potência que é! Continuaram caminhando pelos longos corredores bem iluminados. Passaram pela biblioteca do hospital, e Mulder resolveu retirar um livro sobre DNA recombinante, para estar mais apto a entender o caso em termos científicos, mesmo sendo este o forte de Scully. Não queria passar por rogado. Encaminharam- se para a rua e chamaram um taxi. Pensavam seriamente em alugar um carro. ________________________________________________ Scully novamente não dormira muito bem. A simples lembrança do rosto de Kim, com seus olhares em Mulder a desconcertava. Mas precisava concentrar-se no caso. A trama parecia intrincar-se ainda mais. Abriu lentamente a porta de comunicação dos quartos. Mulder ainda estava deitado, apenas com a calça pijama. O pesado livro encontrava-se sobre seu peito. A respiração era funda e ritmada, demonstrando o sono profundo. Estava descoberto, e Scully foi até ele para verificar se não estava com frio. Sentou-se na cama e tocou- lhe as mãos. Estavam quentes. Retirou cuidadosamente o livro, colocando-o no criado mudo. Mulder nem se mexera. Parecia absorto no sono. Scully agora o observava. A expressão lívida e calma que vinha do belo rosto masculino a acalmava. Scully tocava de leve os fios sedosos que caíam sobre a testa. O cheiro dele estava impregnado no quarto inteiro. Passou os dedos sobre a musculatura definida do abdômem de maneira que ele não percebesse. Seu olhar era distante, pensativo. Sentiu um leve retesamento dos músculos ao seu toque, e olhou repentinamente em direção ao rosto dele. Mulder a fitava calmamente com um leve sorriso nos lábios. Scully sentiu o sangue invadir-lhe a face. Estava a ponto de levantar-se, quando percebeu que ele a segurava. Mulder apoiou o tronco com um dos braços, enquanto o outro envolvia-se nos cabelos acobreados dela. Scully estremecia-se toda, não conseguindo esconder o desejo, que vinha junto com o receio e vergonha. Os olhos dele corriam pelo corpo delicado, e Scully sentia aquele olhar penetrante adentrar-lhe a alma. Ele a desejava, tanto quanto ela. Seus rostos estavam tão próximos que sentia ela o hálito quente dele em seu pescoço. O peito de Mulder arfava, a respiração estava difícil. Scully tinha as mãos molhadas em suor, em um nervosismo constante. Ele tirava lentamente o hobby que ela trajava, deixando-a somente com o body preto rendado. Não era preciso palavras para um saber o que o outro queria. Sabiam instintivamente o que aconteceria se prosseguissem. Todo aquele sentimento retido em seus corpos estava a ponto de exteriorizar-se, mostrando todos os anos reclusos e perdidos por ambos..... O embargamento de sentimentos fazia Scully sentir-se flutuando. De repente, um som estridente ecoou pelo quarto. Ela não queria dar importância ao barulho irritante, mas apenas sentir Mulder. Porém o som aumentava cada vez mais, tornando-se insuportável. Scully sobresaltou-se da cama. Era seu telefone tilintando em desespero. Estava sonhando. Mais um sonho com Mulder. Imaginava quando os sonhos parariam e quando tornar-se-iam realidade. Ela ansiava por isso. Pegou o maldito aparelho nas mãos e olhou no pequeno visor. Era o número da sala do Skinner, no Bureau. Já estava na quarta ligação. Atendeu o telefone rompante, preparada para o possível sermão. __ Scully. __ Ag. Scully? Poderia dizer-me o motivo da demora para atender? E onde está o Ag. Mulder? Liguei diversas vezes para o telefone dele, mas ele não atende. __ Desculpe-me senhor, vou verificar. - Scully entrou lentamente no quarto do parceiro e verificou que este não encontrava-se. Viu o pequeno bilhete sobre o grosso livro. "Scully, saí para correr um pouco. Não demoro. Espere-me para irmos ao hospital juntos". __ Senhor, Mulder foi dar uma corrida. __ Ag. Scully? E os relatórios diários que pedi?? Onde estão? Estão por demais relapsos. Preciso deles ainda hoje. __ Senhor Skinner, não temos provas conclusivas..precisamos de mais detalhes.. __ Não me importa Ag. Scully. Eu disse relatórios diários, não disse relatórios completos. Conforme vão mandando, eu monto o relatório inteiro. Eu sei que é difícil - a voz dele pareceu mais afável - mas meus superiores exigem isto. Combine melhor com o Ag. Mulder e mandam-me um ainda hoje. __ Certo Sr. Skinner. - Scully não queria mais discuções. Mulder era o encarregado dos relatórios, como na maioria dos casos, mas novamente, não os fez. "Aquela mulher...ela está distraindo-o...preciso dar um jeito nisso". No mesmo instante que desligava o telefone, um Mulder suado entrava no quarto. Trajava um abrigo de moleton cinza escuro. __ Desculpe-me Scully, precisava correr um pouco. Espero não tê-la deixado esperando. Vou tomar uma ducha rápida. __ Certo, também farei isso. Ah, Mulder. Onde estão os relatórios? Skinner ligou furioso para cá. __ Ah, é mesmo..não se preocupe Scully, hoje mesmo faço e mando para o estressado Skinner, certo? __ Mulder, será que eu preciso sempre te falar para você lembrar? Crianção! __Ta bom Mãe, desculpe! - Ele tinha no rosto uma expressão divertida. Postou- se na frente dela, de joelhos. Enlaçou seus braços fortes na cintura de Scully e encostou o rosto na barriga dela. - Mãe, não te preocupa que farei a lição de casa direitinho viu! - Scully não conseguiu conter o riso diante à brincadeira dele. Mulder elevou o rosto e beijou os lábios dela fazendo biquinho. O simples toque a fez perder a força das pernas. - Mãe, estou indo tomar um banho tá. Não precisa do chinelo para isso, pode deixar que eu vou sozinho. __ Vai Mulder, anda. Chega de brincadeiras. Estamos atrasados. __ Ah, uma coisa Scully, na volta para cá passei em uma banca de jornais e esta notícia chamou-me a atenção. - Mulder preferiu não relatar a impaciência de Kim diante ao caso. Scully pegou o grosso maço de folhas e viu a manchete: "CIENTISTA, DROGAS E BAILARINA". ______________________________________________ FULL HEALTH HOSPITAL SEXTA-FEIRA 9:20 AM Scully dirigiu-se imediatamente ao departamento de patologia, enquanto Mulder iria interpelar Katrina Bronvist mais uma vez. Sentia que ela ainda omitira alguma coisa sobre Kevin Howard. No laboratório de patologia forense, Scully conversava com o patologista, enquanto olhava abismada as lâminas ao microscópio. Nelas, o envelhecimento fulminante era visto nitidamente. __ Acredito que não haja inflamação para uma doença nova. Mais me parece uma doença metabólica. Ah, olhe as lâminas do cérebro de Kevin Howard. - disse o homem Scully olhava nas oculares, enquanto franzia o cenho em discórdia. __ Esta realmente é a lâmina certa? Me parece que estas células estão totalmente degeneradas, mas não provocadas por doenças, mas sim, como se fossem decorrentes de envelhecimento. Células idosas, melhor dizendo. __ Foi isto que achei, Ag. Scully. Não consigo entender mesmo. Que idade tinha o Dr. Howard mesmo? __ 58 anos. __ É realmente inimaginável algo assim em uma pessoa desta idade. Continuaram verificando outras lâminas, e em todas elas, células degeneradas. Células de indivíduos centenários, para ser mais preciso. Depois de feita a verificação no laboratório patológico, Scully passou no consultório do Dr. Robert Duart para verificar novas possíveis vítimas. Como era de se esperar, novos pacientes, aparentemente normais na chegada ao hospital, irremediavelmente haviam piorado, com os sintomas clínicos conhecidos: pele seca, visão turva, distúrbios gastrointestinais, artrite. Robert Duart encontrava-se visivelmente perturbado. Mesmo sabendo que praticamente todos os médicos do FHH estavam com problemas semelhantes, Robert sentia-se o último dos médicos. Apesar de ser clínico geral, comandava a ala médica inteira do suntuoso FHH. Este cargo em algum hospital universitário seria elevadíssimo, honroso, mas no Full Health, só lhe criaram problemas. No laboratório de Kevin Howard, Mulder insistia com Katrina, mesmo ela não estando inclinada à conversar. __ A polícia encontrou algo? Mulder já sabia da resposta, pois Kim telefonara avisando. Helene resumiu a resposta com o balanço de cabeça. __ Srta. Bronvist..eu sei que isto lhe toma o tempo, mas é importante. Gostaria de fazer mais algumas perguntas. Eu retirei um livro sobre técnicas de recombinação genética e fiquei interessado. Poderia explicar- me sucintamente o assunto, para meu melhor entendimento? Katrina levantou-se da cadeira onde estava, levando Mulder para a sala de Kevin Howard. Ela entregou-lhe uma grande folha de papel, escrita em letras miúdas, descrevendo a sequência dos pares da molécula de DNA de uma parte de um cromossomo. O número era impressionante. __ A área do Dr. Howard é essa. Estes são os genes relacionados com o hormônio do crescimento. É muito complexo, de difícil entendimento até para quem trabalha no ramo. __ Realmente.. - Mulder tinha os olhos verde azulados quase arregalos diante a imensa quantidade de dados. - Há alguma possibilidade de que esse mapeamento possa ser levado a uma descoberta científica importante? Katrina pensou por alguns momentos, mas acabou por negar. __ A técnica é conhecida há algum tempo. __ E câncer? Há alguma possibilidade de Ter-se descoberto algo deste tipo? __ Não trabalhávamos com câncer. __ Mas se ele estava interessado em divisão e maturação celular, isto é plausível. __ Se for pensar assim, suponho que seja possível. - disse Katrina, sem convicção. Mulder percebeu que Katrina realmente não revelaria nada além do esperado. Como assistente de Kevin, com certeza possuía dados completos sobre as pesquisas. Entretanto, a reluta dela em revelar estava convicta. __ E que tal os livros de registro do laboratório? Katrina dirigiu-se à mesa e tirou um livro da Segunda gaveta. __ Isto é o que eu tenho. Mulder analizou o livro. Partes estavam preenchidas , mas eram apenas dados, nada de registros de experiências. __ Não há outros? __ Sim, porém Dr. Howard sempre os levava consigo. Mulder tinha absoluta certeza que Katrina não estava sendo sincera. A inexpressão de seu rosto, acompanhada de palavras no mesmo tom o inquietavam. Decidiu procurar Scully para decidirem o que fazer, além dos relatórios. ___________________________________________ 1:36 PM Os dois agentes saíram para almoçar. Não notaram o tempo passar, e quando deram-se por conta, a hora já havia esvaído. Passavam pelas ruas movimentadas da cidade, observando o apinhamento de pessoas. Haviam alugado um carro, finalmente. __ Mulder..como era previsto, mais pacientes estão piorando... __ Scully..novamente interpelei Katrina Bronvist..novidade..não consegui nada de conclusivo..mas te digo uma coisa: ela está escondendo muitas coisas ainda. __ Porque diz isso agora Mulder? Sua capacidade de ler mentes voltou? Mulder jogou um olhar sarcástico à Scully, que encolheu os ombros. __ Chegou a ler a reportagem do jornal? __ Sim....olhei lá no hospital...dizia que Howard era traficante...essa notícia apareceu com um telefonema anônimo para a polícia..e vivia com uma streaper..engraçado, não consigo imaginar Kevin Howard em ambientes escusos...tudo bem, ele era excêntrico, mas como um renomado cientista..isto é muito estranho. Além do mais, ele parecia totalmente paranóico naquela noite..com certeza estava sobre efeito narcótico...ainda penso se essa "poderosa" descoberta não seja mera invenção de uma mente deturpada... __ Pois eu acho que não Scully - a expressão de Mulder era interrogativa e portentosa - li alguns trechos daquele livro..muito complicado, por sinal.. __ Sim, eu lembro de você dormindo com o livro sobre o peito... Mulder direcionou o olhar inquisidor aos olhos azuis dela, totalmente em confusão. __ Viu???? Como viu? Eu li um pouco, deixei o livro sobre o criado mudo e adormeci. Quando acordei você estava no quinto sono ainda! __ ...Err....Ahh - Scully sentiu as bochechas avermelharem, as orelhas esquentarem, as mãos suarem e a garganta embargar - esquece Mulder, bobagem minha. - Ela rezava para que ele não perguntasse o porque. __ Porque Scully? Me conte! Começou, continua! __ Deixe Mulder, é bobagem, depois te falo. Nosso caso é mais importante. Então você leu o livro? Pelo menos terá algum embasamento para discuti-los comigo! O que você leu afinal. __ Certo.... - Mulder lançou um olhar maroto e insinuante para ela. Sabia que era tentativa de mudar de assunto. Mas era exatamente isso que ele iria falar para ela. - Bom, pelo que li, o que Kevin Howard falou é coerente. O assunto chega a ser assustador Scully. Qualquer um que estudar para isto poderá brincar de Deus. Ah, e as fichas médicas dos pacientes? Não saíram ainda? __ As secretárias estão buscando. São muitos médicos e muitos pacientes Mulder. Além do mais, o Dr. Duart resolveu chamar outros pacientes que também fizeram os exames, mas não apareceram no hospital. Ele quer constatar se nenhum deles está com os possíveis sintomas. Após o almoço, Mulder e Scully voltaram ao hospital. Mulder compilou-se a fazer os infames relatórios, enquanto Scully perambulava por laboratórios e salas de pacientes. As horas passaram correndo, tanto que ambos não sentiram quando o sereno da noite impregnava nas janelas do prédio. Enquanto dirigiam-se para o hotel, conversaram sobre o dia, que parecera infrutífero, sem informações conclusivas. Scully apenas conseguiu algo: vários pacientes chamados para um novo exame estavam com breves sintomas, indicando um possível problema advindo. Mulder passara a tarde sobre papeis, transcrevendo os relatórios à Skinner. Já no quarto, Mulder entrou e avistou o jornal que havia comprado pela manhã. A manchete chamativa de primeira capa, "CIENTISTA, DROGAS E BAILARINA", mostrava o quando a polícia era falha quanto à manter o assunto fora da imprensa. Uma foto um pouco antiga de Kevin Howard e outra, da frente da boate, com a suposta dançarina tentando esconder o rosto com umas das mãos ilustrava o jornal. - Marie Coldan, bailarina do PLEASURE CLUB. Mulder mordeu de leve o lábio inferior. Seus olhos brilhantes denunciavam a atividade cerebral intensa. Pensava em algo. Antes mesmo de retirar as roupas, pegou a chave do carro e saiu apressado pelo corredor. Sabia que sua atitude traria problemas com a parceira, mas preferiu não metê-la no plano que pensara. ______________________________________________ CONJUNTO RESIDÊNCIAL KING PARADISE SEXTA FEIRA - 10:00 PM Passos ritmados denunciavam a pressa da bela mulher que dirigia-se para o portão do prédio. Este não tinha tranca, ficava apenas encostado. "Preciso falar com síndico. Isto está tornando-se perigoso." __ Srta. Bronvist? Tomada imediatamente de surpresa e sobressalto, Katrina olhou para o rosto bem apessoado do homem que a interpelou. Reconheceu a voz levemente rouca. O alívio transpareceu em seu rosto. __ Meu Deus..quase me mata de susto! O que está fazendo aqui? __ Lembrei-me de alguns detalhes importantes no caso...gostaria de perguntar mais detalhes sobre você e Kevin Howard. Não quero incomodá- la. O rosto dela emudeceu por uns instantes. A semblante pensativo denunciava a dúvida. O homem a olhou com expressão abandonada, e ela não conteve o sorriso. __ Está bem. Mas não demore muito. A súbita sinceridade dela o fez sorrir também. Caminharam até a portaria e entraram. O homem alto e atlético, com a capa preta esvoaçante chamou a atenção de duas mulheres que conversavam animadas em um dos sofás do Hall. Jogaram um olhar ciumento para Katrina, que simplismente ignorou. Chegaram até a porta do apartamento. Katrina parou, com as chaves na mão, resitante. Voltou o olhar para homem. Os olhos verde azulados mal piscavam, encarando-a assustadoramente. Ela percebeu o perigo, mas não teve tempo de reagir. O frio cano da arma encostou em sua testa, enquanto ele lhe jogava um olhar sarcástico, sorrindo maliciosamente. __ Entre. O homem baixou a arma e encostou nas costas dela. Quando entraram, Viviam, a companheira de quarto de Katrina sorriu. Olhou para o homem logo atrás da amiga e seus olhos brilharam. __ OI Kat, quem você trouxe para visita hoje! Voltou os olhos para Katrina, que estavam vítreos e arregalados. A expressão apavorada refletiu em Viviam, que quando estava a ponto de gritar, viu a arma apontada para a sua cabeça. __ Nada disso boneca..... Vocês duas, no sofá. O homem fechou a porta e, em gesto irônico, abriu os braços como para abraçar o nada. __ Hoje eu irei me divertir muito!! Katrina, pensei que só seria você, mas agora com sua amiga... - e novamente o olhar maldoso envolveu-as como ondas. O homem caminhava alegre pelo apartamento, até achar o aparelho de som. Ligou e sintonizou em uma rádio com música hard hock. Aumentou o volume quase ao máximo. Voltou-se para elas e falou: __ Quem é a primeira? Katrina não acreditava no que via. Ela conhecia aquele homem a pouco tempo, mas tempo suficiente para saber que era distinto e bem educado. Como se enganara. Ele parecia divertir-se muito, ignorando os olhares em pânico das duas. Katrina sentiu as mãos fortes a envolverem, ao passo que começaram a rasgar as suas roupas. A expressão divertida e sarcástica no belo rosto masculino passou a sádica e tirânica. Katrina permanecia imóvel, completamente em choque, olhando assustada para o rosto de Fox Mulder. TO BE CONTINUE...... ________________________________________________________ Mais uma vez, agradeço a todos que chegaram até aqui. Peço desculpas por eventuais erros de gramática (as revisões foram póstumas, mas sempre alguma coisa escapa). Gente, espero que a história tenha agradado a todos, por isso, lembro: FEEDBACK!! É importante, pois é o único salário que recebemos. Críticas, sugestões, elogios ou nem que seja para dizer que leram a fanfic são bem vindas. Um grande abraço a todos Caarla Biscaglia (Angel Scully)