ERAM MESMO INSIGNIFICÂNCIAS? Autora: Emily Maybe E-mail: angela.m@uol.com.br Sinopse: O que Mulder e Scully conversaram após o episódio Insignificâncias, quando ele a surpreendeu quase beijando Eddie Van Blundht (que tinha a aparência de Mulder)?" Disclaimer: Todos sabem que esses personagens não pertencem a mim, e sim aos seus criadores. Os uso apenas por diversão, não tenho lucro algum, apenas um possível feedback. Categoria: Shipper Classificação: Livre Spoilers: Insignificâncias (Small Potatoes), Lembranças Finais (Memento Mori) Para quem não viu o episódio Insignificâncias ou não se lembra dos detalhes, Eddie Van Blundht era um homem que tinha uma anomalia muscular, que o possibilitava "mudar de forma", e assim se passar por outros homens, como o fez engravidando cinco mulheres, passando-se por seus maridos e por Luke Skywalker no caso da sua ex- namorada. Por fim, prendeu Mulder em um porão e tomou o seu lugar, indo à casa de Scully e quase a seduzindo. Considerações: eu estive revendo esse episódio (graças a minha "santa" protetora) e tive essa idéia, pois não me conformo que os dois não tenham conversado a respeito. Sei que é um episódio bem antigo, mas resolvi escrever mesmo assim, pois depois de Réquiem minhas idéias escassearam completamente, já que não sabemos o que vem por aí e eu estou cansada de ler Pós-Requiem e pós- all things, portanto não pude perder esta oportunidade de variar um pouquinho... XXX Surpresa. Essa era a palavra que poderia definir Mulder naquele momento. Ele não podia acreditar no que tinha acabado de ver: Scully quase o beijando. Ou melhor, quase beijando alguém igualzinho a ele, mas que na verdade revelou-se ser Eddie Van Blundht, o homem capaz de modificar sua aparência. Ele tinha conseguido escapar do cativeiro em que estava sendo mantido e voltou para Washington, imaginando que o sujeito tivesse assumido sua identidade. Mas não imaginava que seria com o intuito de seduzir e levar Scully para a cama. Quando arrombou a porta do apartamento dela, e a encontrou com o falso Mulder inclinado sobre ela, demonstrando o clima de "romance" que pairava sobre eles. Aquela cena seria memorável, se fosse ele que estivesse no lugar de Van Blundht. Luz suave, uma música tocando, a lareira acesa, umas taças e uma garrafa de vinho vazia em cima da mesa de centro. Assim que o viu, Scully saiu de perto do indivíduo, em um sobressalto, demonstrando sua surpresa, já entendendo o que estava acontecendo. E Eddie Van Blundht por sua vez, soltou um suspiro resignado, voltando a sua forma normal. Mulder aproximou-se dele e o algemou sem olhar para a parceira, que ainda permanecia parada ao lado do sofá em que tudo "quase" tinha acontecido, olhando incrédula ao que se passava. _ Você está preso. – Mulder falou assim que o algemou. Afinal Eddie Van Blundht era procurado por crime sexual, por ter abusado daquelas cinco mulheres. Logo em seguida, ligou para a polícia indicando onde deveriam ir buscar o suspeito. XXX Vergonha. Essa era a palavra que poderia definir Scully naquele momento. Ela tinha quase cedido às investidas de Mulder, mas na verdade não era ele quem estava com ela. No momento em que ouviu o verdadeiro Mulder entrar, ela já estava quase beijando o que estava a sua frente. Chegou a sentir a respiração quente e quase chegou a fechar os olhos e aproveitar o momento, mesmo sem ter entendido logo do começo qual o motivo "dele" ter chegado em sua casa, levando uma garrafa de vinho e sido tão gentil. Mas tinha gostado. Era como um dia havia imaginado, mesmo sem admitir nem a si mesma. Mas ao ver que o verdadeiro Mulder estava próximo a porta, após ter entrado de supetão e surpreendendo-a quase aos beijos com alguém que pensara ser ele, não soube o que fazer. A única coisa que sentiu foi uma enorme vergonha. O que ele poderia pensar? Porém principalmente pensou de imediato: o que teria de dizer a ele a respeito disso? Scully deu graças a Deus quando viu que não teria que dizer nada no momento, pois Mulder se ocupou em dar voz de prisão a Van Blundht, e ler os seus direitos. Ficaram esperando os policiais chegarem para levá-lo em silêncio. Scully não tinha coragem de olhar diretamente para Mulder, passou as mãos no cabelo em uma atitude nervosa, e foi à cozinha, para aliviar a tensão que pairava sobre eles. Pegou um copo d'água e sentou à mesa da cozinha, evitando ficar perto de Mulder e Eddie Van Blundht. Um estava com expressão irritada, e o outro decepcionado, e isso a estava incomodando. Um tempo depois, os policiais chegaram e levaram Eddie depois de esclarecerem os motivos com Mulder, mas ela permaneceu na cozinha, sem trocar nenhuma palavra com quem quer que fosse. Estava envergonhada demais. Scully pensou que logo depois disso ele também iria embora, e assim não teria nunca que tocar nesse assunto. Mas para sua aflição, depois dos policiais saírem da casa dela, Mulder entrou em sua cozinha e sentou na cadeira em frente a dela. Ficou olhando-a por alguns instantes para ver se ela tinha algo para falar, mas como conservou o silêncio, ele tomou a palavra. _ Tudo bem, Scully? – ele perguntou para quebrar o clima tenso. _ Tudo. – ela respondeu, criando coragem e erguendo o olhar para encontrar com o dele pela primeira vez depois de tudo. _ Edward Van Blundht já foi preso e levado daqui. Ela apenas assentiu, demonstrando entender. _ Ele fez alguma coisa com você? – Mulder indagou, preocupado com a postura que ela estava mantendo.. _ Não. – respondeu de imediato – Não precisa se preocupar. _ Bem, mas quando eu entrei aqui, vocês dois... – parou bruscamente de falar, não queria ofendê-la. _ Ele não fez nada comigo, Mulder. – disse levantando-se da cadeira e colocando as mãos no rosto, depois olhou para ele, e disse – O que aconteceu para ele tomar o seu lugar? _ Ele me prendeu no porão do hospital, e um dos faxineiros me encontrou. – explicou – Mas o que ele estava fazendo aqui na sua casa? – indagou, curioso. _ Disse que tinha vindo conversar. – ela falou, laconicamente. _ E vocês estavam...? – Mulder queria saber o que estava acontecendo, não puramente por curiosidade, mas sim porque estava envolvido de certo modo, afinal ela pensava que fosse ele quem estivesse lá. _ Estávamos conversando. – Scully respondeu rispidamente – Acho melhor falarmos sobre isso amanhã, Mulder. Eu estou cansada. – tentou sair pela tangente. Mas Mulder a impediu. _ Conversando daquela maneira? – Mulder falou com expressão zombeteira. _ O que quer dizer com isso? – ela retrucou irritada, elevando ligeiramente o tom de voz. _ Ora, Scully! Vocês estavam se beijando! – falou, no mesmo tom que ela, levantando da cadeira. _ Eu não estava beijando ninguém! – Scully disse indignada – E quem te deu o direito de se intrometer na minha vida? _ Eu não estou me metendo na sua vida. Isso também é do meu interesse, afinal você pensou que eu era quem estava ali. – Mulder estava irritado com toda a situação, embora tivesse um bom pressentimento em relação a tudo. Se ela tinha aceitado Eddie pensando ser ele, talvez porque a idéia a agradava de certo modo... _ Mas não era você, portanto não tem que se meter! – Ela disse, voltando ao tom de voz normal. Não estava disposta a discutir. Pensava que isso poderia levá-la a um caminho que ela não queria trilhar no momento. _ Mas você pensava que era eu. Eu tenho o direito de saber o quê vocês estavam fazendo! – Mulder falou indignado. _ Já disse que eu estava apenas conversando com ele.. – ela disse, já não conseguindo manter tanto a calma como antes. Passou as mãos no cabelo e encarou o olhar dele – O que você quer, Mulder? Me humilhar e me envergonhar mais ainda? Mais do que eu já estou? Mulder se arrependeu por não ter pensado que ela poderia estar ferida com tudo o que tinha acontecido. _ Desculpe. – ele falou humildemente, sentando-se novamente. – Não era a minha intenção. Eu só queria entender o que estava acontecendo. _ Nós não nos beijamos se é o que quer saber. – ela falou baixinho. – Você chegou quando ele ia... me beijar. – relutou em completar a frase. Aquilo era pessoal demais. Ele assentiu, e ficou pensativo por alguns instantes decidindo se deveria ou não perguntar o que estava pensando. Por fim decidiu que não conseguiria manter essa dúvida. _ Você pensava que era eu, não é? – na verdade era mais uma afirmação do que uma pergunta. _ Pensei. Claro, parecia com você, tinha a mesma voz, a mesma maneira de andar... Eu não tinha porquê desconfiar que não era você.... a não ser que você nunca viria até a minha casa com uma garrafa de vinho disposto a conversar comigo. – parou para pensar por alguns instantes e depois continuou – Eu deveria ter percebido quando ele me mostrou aquela garrafa, dizendo que queria conversar. _ Nós sempre conversamos, Scully! – Mulder retrucou, nervoso por ela ter dito que ele nunca iria conversar. _ Oh, sim! Conversamos muito! A respeito de mutantes, alienígenas, assassinos... – Scully disse sarcástica – Ele veio aqui conversar comigo a respeito de banalidades. Como as pessoas normais fazem. Como amigos geralmente fazem. _ Você diz como se preferisse que eu não tivesse chegado aqui! Assim teria terminado na cama com ele! – Mulder disse, elevando o tom de voz, irritado. _ Mulder, eu acho melhor nós pararmos por aqui! Eu não estou disposta a discutir com você! – ela retribuiu o mesmo tom. _ O que você disse não tem mais volta, Scully! Você preferia aquele homem do que eu! – Mulder demonstrou um pouco de ciúme, na opinião de Scully. _ Eu não o preferi! Eu pensava que era você! – ela falou na defensiva. Não o estava entendendo, hora ele parecia nervoso porque ela havia pensado que era ele no lugar de Eddie e logo em seguida irritava-se porque pensou que ela preferisse o impostor ao original. – O que você ainda quer saber, Mulder? Vamos acabar logo com isso. – ela falou, com um suspiro resignado. _ Por que você aceitou o beijo dele? – perguntou por curiosidade e porque queria descontar o que ela havia dito a respeito do que Eddie havia feito e que ele nunca faria. Talvez, pensou, estivesse gostando de onde eles poderiam chegar: "no desconhecido". Scully arregalou os olhos, surpresa com a pergunta. Não sabia como responder, mas também sabia que Mulder não voltaria atrás até conseguir chegar onde queria. Preferiu agir com cautela. _ Eu não aceitei beijo nenhum... – passou as mãos no cabelo, sentou-se em frente a ele e bebeu um gole d'água – Por que estamos falando disso? Acho que esse assunto já está encerrado. Eu não o beijei, já te disse isso e não vou repetir novamente. _ Scully, você não consegue entender que eu vi você aqui no seu sofá em clima de romance com um cara que você pensava que era eu?! – Mulder perdeu toda a calma que lhe restava. Não entedia o motivo, mas ele queria e precisava discutir o assunto, e ela se negar o tempo todo estava o deixando enervado. _ Mas não era você! Então me faça o favor de me deixar em paz! Desculpe se eu te ofendi se recebi "você" que não era você e quase o beijei. Foi um erro. Eu me enganei! Se aquelas mulheres confundiram Van Blundht com seus maridos eu poderia ter confundido ele com você também! – Scully falou, elevando o tom de voz mais uma vez. _ Essa não é a questão! – Mulder continuou irritado. _ Ah, não!? Qual é a questão então? Eu ter recebido um homem que eu pensava ser você e ter conversado com ele? Se for isso, o quê que tem? Não era você mesmo! Não precisa se preocupar, eu não vou fazer isso com o seu verdadeiro "eu". Eu só pensei que depois de quatro anos em que estamos trabalhando juntos, um dia você gostaria de me conhecer como pessoa e não só como profissional. Ainda mais agora que eu estou morrendo! Teria sido sua única chance. – Scully desabafou tudo o que estava sentindo, ele já a tinha levado ao seu limite de paciência insistindo no assunto. Mulder se assustou com as últimas palavras ditas por Scully. Sabia que tudo deveria estar sendo muito difícil para ela enfrentar, sua doença e tudo, mas não pensava que ela fosse desabafar tudo daquela maneira, ainda mais porque ela nunca gostou de demonstrar seus sentimentos e fraquezas. Scully viu a surpresa no olhar de Mulder, e se arrependeu do que tinha dito, mas sabia que não queria voltar atrás. Seu câncer estava presente mesmo se ela nunca falasse sobre isso e quando "aquele" Mulder apareceu disposto a conversar e ser amigo ela ficou feliz porque teria uma chance antes de morrer. _ É isso mesmo, Mulder. Eu pensei que você pudesse conversar comigo, e não só a respeito da minha morte ou da minha doença. Conversar, sabe, apenas isso. Nem que fosse por piedade. Para dar conforto antes que eu morra. E quando ele tentou me beijar eu pensei: "Nossa! Eu vou ter uma chance de ter alguém antes que eu morra, nem que seja por apenas uns momentos! O Mulder viu algo em mim além daquela ruiva intrusa que foi trabalhar com ele! Vou poder me despedir." Desculpe se eu me enganei pensando que você poderia ser atencioso e carinhoso comigo. – Scully falou com a voz embargando, e deixando cair algumas lágrimas que não pôde conter. _ Uma despedida? Foi isso que você pensou? Que eu quisesse me despedir de você? – Mulder falou aborrecido – Eu não vejo você como uma ruiva intrometida! Você é minha amiga. Eu gostaria de ser mais carinhoso e atencioso, mas você nunca me deu espaço para isso. Você fica se tentando fazer de forte a toda hora! Pensa que eu não estou sofrendo com isso também? Lógico que estou! A pessoa mais importante da minha vida está com um câncer que não pode ser tratado! E nem demonstrar o que sinto eu posso, porque você nunca me deixou. E eu nunca quis que os meus atos fossem interpretados como piedade ou como uma despedida. Eu nunca vou me despedir de você porque eu não aceito a sua morte! – Mulder também derrubou algumas lágrimas. – Eu quis te abraçar, te beijar naquele hospital e dizer que te amava, e só Deus sabe o quanto eu queria ficar com você enquanto você está precisando de mim, mas eu pensei: "não vou fazer isso e tornar as coisas mais difíceis para ela. Não quero que ela pense que fiz por piedade." _ E como eu vou saber que o quê você está falando agora não é por piedade? – ela retrucou em um fio de voz, ficando de pé ao lado da cadeira dele. Não sabia se devia acreditar no que ele tinha dito depois do desabafo que ele tinha escutado. Poderia ter feito aquilo para facilitar as coisas para ela... _ Viu porque tudo é difícil para mim, Scully? Você não gosta de demonstrar seus sentimentos por pensar que os outros possam interpretar como fraqueza, e com isso não deixa que os outros demonstrem também. – disse tristemente, decepcionado com a atitude dela depois de tudo o que tinha dito, depois de ter aberto seu coração – Eu vou embora, e amanhã agimos como se nunca tivéssemos tido essa conversa, se isso é melhor para você. – falou erguendo-se da cadeira e olhando diretamente nos olhos dela. Os dois ficaram em silêncio, apenas olhando um para o outro. Mulder secou as lágrimas do rosto dela, carinhosamente depositou um beijo em sua testa, e se virou preparando-se para sair. Mas ela o impediu, segurando rapidamente um dos braços dele. _ Não. Não quero que vá. – falou o abraçando ternamente. – Eu quero demonstrar o que sinto tanto quanto você demonstrou, mas é difícil para mim... – falou com a cabeça encostada no peito dele, ainda com lágrimas nos olhos. _ Eu sei. – ele falou, acariciando os cabelos dela. Os dois ficaram abraçados por algum tempo, depois Mulder a afastou de seu peito e ficou olhando em seus olhos ainda cheios de lágrimas. Aproximou seus lábios do dela e depositou um suave beijo. _ Eu nunca faria isso por piedade ou por despedida. – falou assim que se afastaram. Ela sorriu aliviada, e disse: _ Agora eu sei. Sem despedidas, não vamos precisar. – ela disse abraçando- o, e secando suas lágrimas. FIM XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Obrigada por ler até aqui! Feedback por favor! Para críticas, elogios ou apenas para fazer amizade, envie mensagem para angela.m@uol.com.br Gostaria de agradecer minha amiga Viviane Neri porque a idéia sobre essa fic surgiu em uma das minhas conversas com ela. E também a minha beta reader, Luli que sempre é tão atenciosa comigo. Obrigada, meninas!