Autora: Camilla Ares e-mail: Camilla_Scully@zipmail.com.br Categoria: shipper Resumo: Mulder passa a noite no apartamento de Scully por um motivo inusitado. Será que eles devem quebrar a barreira que os separa? Disclaimer: "Os personagens desta história são de propriedade de seus respectivos criadores e empresas e não há intenção alguma de obter lucro através deste conto e que se destina unicamente à diversão dos fãs." Nota do autor: Ingwaz é o símbolo rúnico que significa o amor, o começo de uma nova vida. INGWAZ Enfim, aconteceu. Foram necessários sete anos de espera. Sete anos recheados de aventuras fantásticas, perigos descomunais, inimigos cruéis, tristezas profundas, pitadas de humor e sarcasmo, mas valeu a pena esperar porque ,enfim, aconteceu. Não foi em nenhum momento de tensão extrema ou sobre a desculpa de uma comemoração. Eles estavam no lugar certo, na hora certa e o resultado foi poético. XXXXXXXXXXXXXXXX Scully acabara de chegar em casa, exausta e com dores por todo o corpo. Passar o dia em frente ao computador não era das tarefas mais agradáveis para quem estava acostumada à ação que invadia a maior parte de sua vida. Mas os relatórios sobre a investigação precisavam ser entregues e como Mulder detestava fazer este tipo de serviço cabia a ela esta terrível missão. Por fim tudo deu certo e ambos sairam do prédio do FBI contentes com o trabalho bem executado. Ela tratou de ir tomar um banho , colocar roupas confortáveis e jogar-se na cama. Aos poucos seus olhos fecharam-se e ela dormiu. Mulder foi ao bar do Casey tomar alguma coisa para espairecer. A garçonete o atendeu, serviu uma dose de tequila que foi consumida rapidamente junto com um punhado de sementes de girassol que ele tirou do bolso. Depois de mais algumas doses ele pagou pela bebida e foi para seu apartamento. Ao chegar lá, notou que não tinha as chaves. "Droga!"-exclamou. Em sua parcial embriaguez, tratou de pensar onde , por diabos, ele teria deixado a maldita chave. "Com Scully!"- ele pensou alto. Pegou um táxi e foi para a casa da parceira. XXXXXXXXXXXXX GEORGETOWN 00:47 Mulder tocou a campainha apenas uma vez. Esperou alguns minutos e nada. Tocou novamente, com mais vigor e logo uma figura descabelada e sonolenta abriu a porta. _ Mulder? – ela bocejou._ O que faz aqui a uma hora dessas? _ Oi Scully, desculpe por te acordar é que, eu estou sem as chaves do meu apartamento. Eu deixei-as com você hoje quando fomos almoçar, lembra? _ Sim, estou lembrada. Entra que eu vou ver se está na minha bolsa. – ela saiu da frente para ele entrar. _ Me desculpe pelo transtorno! _ Tá! – ela limitou-se a dizer, enquanto caminhava para seu quarto para pegar a bolsa. Enquanto a parceira estava procurando a chave em sua bolsa, ele sentou-se no sofá e sentiu que sua cabeça girava um pouco. "Não pode ser!" - ele pensou. "Eu não costumo ficar assim depois de beber somente quatro doses de tequila!". Ele fechou os olhos e a sensação de estar rodando pareceu aumentar. Abriu os olhos rapidamente, assustado com a reação que seu organismo estava tendo. Levantou-se e ficou a esperar que Scully voltasse. _ Achei, Mulder, estava comigo mesmo!- ela mostrava as chaves _ Obrigad...- ele saiu correndo para o banheiro com as mãos na boca. Scully ficou pasma ao ver que seu parceiro estava totalmente alcoolizado a ponto de, bem digamos que ao ponto onde ninguém gosta de chegar , no banheiro. Ela correu para ver como ele estava e arregalou os imensos olhos azuis ao vê- lo sentado em frente à privada com as mãos no rosto. _ O que você bebeu? Ou devo perguntar, quanto você bebeu, Mulder? _ Isso nunca aconteceu antes, Scully. Eu só bebi quatro doses, e acredite esta é uma marca que eu supero fácil. Aquela tequila deveria estar estragada! – ele levantou-se com dificuldade _Tequila não estraga! E se foram só quatro doses devem ter misturado algo e você nem percebeu!- ela disse enquanto observava-o lavar o rosto e fazer um gargarejo com um líquido azul próprio para isso. _ Scully, eu não estou bem! – ele andou de volta para a sala e jogou-se no sofá _ Muito bem, passe a noite aqui e amanhã nós conversamos! Scully pegou um travesseiro, um lençol e um edredon para que ele se cobrisse. Tirou da gaveta do banheiro uma embalagem de escova de dentes novinha e entregou tudo a ele que emitia uns gemidos estranhos. _ Toma, Mulder. Eu vou fazer um chá pra você, certo? _ Hã, hã! Ela foi até a cozinha e preparou um chá ótimo para curar ressaca. Pode perceber que ele correu para o banheiro novamente nesse meio tempo e voltou pé ante pé para que ela não percebesse. Depois de uns oito minutos o chá estava pronto. _ Beba isso que você vai se sentir melhor! _ É chá do que? – ele perguntou cheirando a caneca _ É um chá de ervas para lhe assentar o estômago. Toma tudo que amanhã você está novo em folha. Mulder tomou o chá fazendo careta e entregou a xícara para Scully quando terminou. _ Desculpe por tudo isso, Scully! – ele sorriu discretamente _ Tudo bem. Não se preocupe. Boa noite! _ Boa noite! Quando Scully saiu da sala, ele se levantou e retirou os sapatos , a calça e a camisa, ficando somente de camiseta e cuecas do tipo samba- canção. Deitou no sofá e cubriu-se com o edredon mais cheiroso que já tinha visto. Adormeceu facilmente. XXXXXXXXXXXXXXXXXX 1:32 a.m. Scully apesar de cansada, deitou na cama e o sono não vinha. Ela acendeu o abajur que ficava no criado mudo e pegou um livro. Folheou algumas páginas, mas não estava com vontade de ler. Seus pensamentos estavam na sala, junto com o grandalhão que dormia no sofá. "É uma criança crescida."- pensou. "Onde já se viu, na idade dele, beber e passar mal desse jeito?". Ela apagou a luz novamente e deitou insistindo no sono que não vinha. "Droga, agora só me faltava não conseguir dormir". Acendeu a luz novamente, andou pelo quarto por alguns instantes. "Como será que ele está?", "Dana Scully, você não vai até lá!"- ela repreendia-se. Mas segundos depois estava caminhando a passos leves até a sala para ver como Mulder estava. Chegou bem perto dele, e percebeu pelas pernas descobertas que estava só de cueca. "Ai Meu Deus! " – ela pensou. Olhou para o rosto másculo que ele possuía e ficou admirada como os anos não eram ingratos para seu parceiro. Ele se mexeu rapidamente e voltou a dormir. Recuperada do susto de ser pega em flagrante, olhando para ele em plena madrugada, resolveu voltar a seu quarto. XXXXXXXXXXXXXXXX 2:48 a.m. Mulder abriu os olhos e checou as horas no mostrador do vídeo cassete. Tentou dormir, mas não conseguiu fazê-lo de imediato. Levantou-se e foi a cozinha atrás de um copo de água. Sua boca estava seca e o líquido saciou a sede e a sensação ruim que estava sentindo. Voltou para a sala e tropeçou na cadeira fazendo barulho. "Droga!"- ele praguejou. Continuou seu caminho e deitou no sofá, tentou dormir, mas não conseguiu. Sua curiosidade falou mais alto e ele resolveu dar uma olhada para ver se Scully estava dormindo mesmo. Foi até a porta do quarto dela, mas se deteve. "Não! Isso é errado, eu estou invadindo a privacidade dela."- pensou. Resolveu voltar e tentar dormir, mas já que estava tão perto resolveu dar só uma espiada. Entrou devagar e parou ao lado da cama. Sentiu o perfume que os cabelos da parceira exalavam, ficou hipnotizado pela tranqüilidade que ela demonstrava e sorriu da situação que o levara até ali. Voltou para a sala com a imagem de Scully dormindo e quis que por um instante ele pudesse estar ao seu lado. Ela era a única pessoa com quem ele realmente se importava. XXXXXXXXXXXXXXXXXX 4:20 a.m. Scully, mais uma vez estava desperta. Não sabia o que estava acontecendo com ela. Um calor começou a percorrer seu corpo e seu coração começou a palpitar muito rapidamente. Apesar de não acreditar em pressentimentos, ela achou que poderia ser algo com relação a Mulder e foi vê-lo. Abaixou-se e colocou sua mão na testa dele para checar a temperatura. Ao tocá-lo ele acordou assustado. _ O que foi? – ele perguntou _ Nada, eu acordei preocupada com você. – ela disse _ Eu estou melhor. – ele sentou-se no sofá _ Me desculpe por acordá-lo! _ Tudo bem, eu também te acordei, lembra? _ Pois é! – ela sorriu _ Scully, já que estamos acordados eu queria te dizer uma coisa. _ O que? – ela olhou assustada _ Eu quero que você saiba que não tem ninguém neste mundo que me faça sentir mais "em casa" do que você! _ Obrigado Mulder. _ Não... é verdade! Você é a única, e sempre vai ser!- ele segurou nas mãos dela _ Você também é único pra mim, Mulder. _ Scully... _ Sim? E foi então que Mulder se encheu de coragem e beijou Scully. Sem aviso nenhum, ele agiu impulsivamente com ela pela primeira vez em sua vida. Nenhuma abelha atrapalhou o momento. O beijo foi simples, terno e cheio de paixão. Se a relação deles iria mudar daqui pra frente, com certeza, e para melhor, porque agora estavam mais unidos. O ser humano, para os espiritualistas, tem uma missão quando vem ao mundo, que é a de encontrar sua alma gêmea, para que juntos eles possam trilhar um caminho em sua atual encarnação que facilite seu encontro em uma próxima vida. Mulder e Scully caminharam mais um passo nessa direção.