TÍTULO: HORA DE MORRER Autora: Vancouver Categoria: Shipper Classificação: Livre Resumo: Corpos aparecem sem as mãos na Filadélfia; e ninguém tem pistas de quem é o assassino; Disclaime: Os personagens não pertencem a mim, mas a Chris Carter, 1013, FOX. Essa fic é somente para diversão dos fãs Nota da autora: É minha décima fic. Tomara que vocês gostem. Eu gosto mais de ver o Mulder ficar desesperado pela Scully, sempre... Esta fic foi escrita a partir de outra fic em inglês, o fim foi alterado e poucas alterações no decorrer da fic foram feitas, mas a história em si é muito boa, e claro, o relacionamento dos dois agentes segue o estilo da série; Nunca tinha feito algo parecido antes, e espero ter sido fiel ao contexto da história;diga-me o que vc achou pra eu ter uma idéia e escrever outras na mesma linha de raciocínio. e-mail: ednabarros@uol.com.br Fic original: "Cold Hands, Warm Heart" de I Want To Believe, do site www.i-made-this.com "HORA DE MORRER" Prólogo Edifício de Hoover Washington, D.C., 7h00 a.m. 02 de janeiro de 2000. O porão estava frio. Ela sabia o porque, com uma explicação bem simples: o ar quente sobe, e o porão fica abaixo de tudo e o aquecimento central vai do térreo para cima, então não se aplica ao porão. Não que parecia importar a Mulder. Ele sempre estava quente. Mais que isso, ele gerava calor. Às vezes ela poderia sentir o calor que emanava da pele dele só chegando perto dele. Tremendo, ela saiu do elevador e caminhou o corredor curto para o escritório de Mulder. Ela poderia ver as luzes pela porta parcialmente aberta. Era cedo, mas Mulder normalmente chegava cedo e não fechava a porta, assim ela teve toda razão para acreditar que ele já estava lá dentro. Batendo ligeiramente, e empurrado a porta aberta ela entrou, e olhando para o interior da sala, seus ombros caíram, e a face dela refletiu toda sua decepção; "Slides?" ela disse, quase lamentando. Ao som da batida dela, Mulder já tinha um sorriso maroto no rosto. Ele estava de pé próximo a escrivaninha dele, sem terno e a camisa enrolada até o cotovelo, apesar da fria temperatura em seu escritório. O projetor de slides estava dirigido à parede, e ele segurava o controle remoto em uma das mãos, enquanto procurava rapidamente pela imagens para achar a que ele queria. " Ei, Scully, pegue uma cadeira, " ele a cumprimentou, ignorando o resmungo na voz dela; Ele mesmo então pegou uma cadeira e colocou-a perto dele, posicionando-a para ficar de frente para os slides. Ela tremeu e se sentou na cadeira oferecida enquanto ele corria pelos slides restantes, enquanto trocava o peso dele impacientemente nos pés . Ele estava entusiasmado sobre este caso, ela podia perceber, tanto era óbvio. Quando achou a imagem que queria, ele parou. Então, pisando adiante, ele colocou as palmas dele na parte de trás da cadeira dela e apoiou-se. Ela poderia sentir o calor e eletricidade que emanava dele, e sentia o grande contraste com o frio do escritório. Ela apoiou-se, encostando-se em suas mãos, enquanto esperava receber mais um pouco do calor natural de seu parceiro. As mãos dela estavam como gelo, assim ela deslizou-as entre as coxas dela e o assento, enquanto sentia o frio entrando pela calça que estava usando; " Rick Ramee, 35 anos" Mulder começou, a voz dele baixa e surpreendentemente perto da orelha direita dela, fazendo-a torcer ligeiramente. A respiração dele estava quente no pescoço dela, mas ela ignorou isto como olhando para a imagem na tela. Um sorridente homem afro-americano de terno. Mulder continuou: " Casado, pai de duas crianças. Residente num subúrbio de classe média próximo de Filadélfia. A esposa informou do sumiço dele quando ele não chegou do trabalho uma noite." Ainda apertando o controle remoto, Mulder remeteu ao próximo slide, revelando o corpo de Rick Ramee, com sangue, a face dele gelada em uma máscara de morte. A posição dos braços de Ramee era de cruz no tórax, e havia dois tocos sangrentos onde as mãos dele deveriam estar. " Rick corpo foi achado três dias depois, quase congelado, ao pé da torre do relógio da cidade." "A fama do relógio é que ele é o mais certo neste lado do Atlântico, e tinha parado precisamente às 02h04, e os exames pos mortem do Sr. Ramee calculam que ele morreu por volta de: " 2:04 da manhã " Scully respondeu. Mulder sorriu brevemente à resposta rápida dela e passou para o próximo slide. A imagem de uma mulher caucasiana encheu a tela. " Rhonda Lewis, dona de casa, 42 anos". Ele passou para o próximo slide, que mostrava o corpo de Rhonda Lewis em uma posse semelhante ao de Rick Ramee, com as mãos também cortadas. "Mesmo lugar, mesmo enredo, dois dias depois. Neste crime, o relógio parou às 5:16 da manhã " Scully inspirou profundamente e expirou lentamente. Mulder pensava que podia escutar o cérebro de sua parceira funcionando. Ela já sabia onde isso tudo iria dar, disso ele tinha certeza. "Alguma testemunha ?"? ela perguntou. "Nenhuma ". "Causa da morte? Ele fez uma breve pausa. " Você me diz ". Ela virou a cabeça para olhar para ele. "Não fizeram autópsia ainda? " Ele elevou as sobrancelhas, e ela fechou os olhos com um suspiro macio, e seus ombros desceram um pouco. Duas autópsias e ela nem teve tempo de tomar uma segunda xícara de café. "Tem mais ". Mulder passou para o próximo slide. "Legal ". Disse Scully, sem um pingo de animação. Mulder apertou os lábios junto à falta de entusiasmo dela e continuou. "Tina Rodriguez, 23 anos, achada ontem, pela manhã.". O slide mostrou uma jovem hispânica, com o corpo nas mesmas condições dos outros dois. " 4:32 da manhã " Mulder endireitou-se e colocou o controle em cima da mesa, levando com ele o calor para longe de Scully. Indo para a porta, ele se lembrou de algo e voltou para desligar o projetor. "A polícia de Filadélfia concordou em nos deixar trabalhar com eles, determinado a, hum....... causa natural das mortes." Scully estava de frente para ele, enquanto cruzava seus braços no tórax para esquentar suas mãos, sentindo calafrios. "Estou certa de que você já tem uma teoria". Ele sorriu. " Oh, eu tenho muitas teorias ". Ele olhou para ela, notando seu desconforto. "Você está com frio?" Ela acenou com a cabeça e deu um passo, enquanto levava sua mão até o antebraço dele, fazendo-o dar uma exclamação de surpresa. "Cruzes, Scully! Pelo menos me avise quando for fazer isso. Você está um gelo!" Ele pegou as mãos dela e envolveu-as com as suas, esquentando-as e esfregando-as, enquanto olhava pra ela com um olhar divertido. "Não me diga que você esqueceu as suas luvas novamente." " Elas estão no bolso do meu sobretudo, " ela respondeu, meio dengosa com o calor gostoso que só Mulder tinha. Ela se permitiu desfrutar daquele momento, sabendo que ele também estava gostando muito, senão mais. Se soubesse que beija-lo à meia-noite na virada do milênio iria render o começo de mais toques, teria beijado antes. "É para eu acreditar que a polícia da Filadélfia está me aguardando no necrotério?" Scully olhou quando ele deixou de esfregar as suas mãos e as segurou , unindo seus dedos com os dele. " Eu lhes falei que você estaria lá antes das dez. Eu já requisitei o carro, e o Dr. Philly enviou um fax das cenas dos crimes. Você pode ir lendo no caminho." Ele apertou as mãos dela suavemente e as soltou, se inclinando para pegar seu terno e seu sobretudo. Na mesa, ele pegou um arquivo com X na frente, dando para ela antes caminhar para a porta. "Pegue suas coisas e me encontre no carro daqui a dez minutos." Ele sorriu e saiu, enquanto falava: "Tranque a porta! E não se esqueça das luvas!". * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Mãos... maldição. Por que tem de ser mãos? De todos o pedaços e partes do corpo humano, Scully sempre teve admiração pela mão humana. Mãos eram uma das mais importantes extremidades exteriores, com mais fins de nervos e musculatura, determinando o tamanho relativo da pessoa em comparação a outras partes do corpo. Eram capazes de atitudes de ternura e violência em medida igual, ... a mão humana era uma coisa bonita. Ela começou a examinar as próprias mãos; Scully tinha mãos pequenas, compactas; sempre cuidadas por uma manicure profissional, com um esmalte de cor clara, e nenhum anel. Simples e elegante, forte quando precisava e suave também. Se pudesse escolher, gostaria de ter dedos mais longos, de forma que não sofresse com as aulas de piano na infância. As oitavas eram difíceis de se fazer com dedos pequenos. Scully balançou a cabeça; desperdiçando seus pensamentos quando havia o presente para resolver. Enquanto ia em direção ao elevador, Scully pensava nos slides que tinha visto. Na mente dela ela pintou o primeiro, o rapaz de terno com uma esposa e crianças. O olhar de horror na face dele era como se o que estivesse vendo fosse além do que poderia imaginar. Os braços cruzados em cima do tórax; uma pose clássica de morte. Quem levou as mãos, os fez com ele vivo ou morto? Ela apoiou-se contra a parede do elevador, esfregando as próprias mãos. A possibilidade que ela e Mulder estivessem enfrentando outro fetichista era plausível para ela; foi a primeira coisa que pensou quando tinha visto os slides. Ela estremeceu e mudou seus pensamentos para outras coisas. Mas não adiantava. Pfaster... eles poderiam estar enfrentando outro assassino como Donnie Pfaster; outro fetichista poderia estar caminhando pelas ruas vigiando para achar outro agradável par de mãos. Ela estremeceu novamente quando pisou para fora do elevador. Ela olhou ao redor e viu Mulder escorado em um sedan com um azul indescritível. O olhar dela encontrou com o dele, enquanto notava a postura casual e pensando pela vigésima vez naquela semana como ele era bonito, e como era totalmente alienado com o poder que exercia com as mulheres. Hoje ele estava usando sua roupa preferida, um terno cinza-carvão com o qual misturou bem a camisa de verde-musgo. A cor ressaltou o verde nos olhos dele, e até mesmo a ridícula gravata que usava não comprometia seu visual. Ela caminhou para o carro, sentindo o familiar, embora mal recebido, formigamento que normalmente sinalizava a excitação interna por um outro caso. Não queria que ninguém percebesse seu estado de tensão. Mulder esperou Scully chegar e sorriu para ela, e juntos entraram no carro; Ele colocou o cinto de segurança e esperou que ela fizesse o mesmo, antes de sair com o carro. Scully se ajeitou no banco e procurou não pensar no trabalho de executar várias autópsias seguidas. O pescoço dela a estaria matando no final do dia, e o cheiro que ficaria demoraria para sair. Ela nem queria imaginar. Mulder dirigia o carro através do trânsito, evitando o gelo nas ruas, a estação de rádio que ele tinha escolhido tocava músicas de jazz, quebrando o silêncio que tinha se estabelecido. Era agradável... este silêncio era realmente agradável. Antes, era difícil suportar o silêncio constrangedor que ficava entre eles, mas esses dias tinham terminado; agora, eles estavam começando a se entender nestes últimos meses e tinha crescido algo muito mais íntimo. Lançando um olhar disfarçado, Scully ficou observando seu parceiro dirigindo; estava concentrado em faze-lo seguramente, por causa do gelo na pista. Ambas as mãos estavam no volante. Mãos.... Ela fixou o olhar nas mãos dele. Elas eram fortes e bronzeadas, com dedos elegantes e unhas aparadas. Lembrava-se de sentir essas mãos em concha no seu rosto, tão macio, tão suave.... mas já tinha visto estas mesmas mãos baterem severamente num bandido, e depois ficar suaves em seu rosto... As mãos de Mulder eram perfeitas, e Scully amava as mãos dele. " O que é, Scully? O que você está pensando? O que vai atrás desses lindos olhos azuis?" A voz de Mulder, baixa e por cima da balada do jazz, a assustou; e ela deu um sobressalto, antes de responder o olhar interrogativo dele com bochechas rosas se ruborizando. Ela abriu a boca para mentir, mas ao invés de falar, fixou o olhar nos cabelos ao longo da parte de trás da mão direita dele. Mulder elevou uma sobrancelha curioso, mas ergueu a mão e entrelaçou os dedos dela. Scully sentia o calor envolvendo seus dedos frios, subindo pela mão e pelo braço. Ela tremeu, como resposta. " Mãos, Mulder... eu estava pensando em mãos. E por quê? O que faria alguém a levar as mãos de outra pessoa?" Mulder parou na luz vermelha e aproveitou a oportunidade para estudar o comentário, olhando ligeiramente para sua face preocupada. Pensou um pouco, e disse suavemente: "Nós estamos falando de fetiche aqui, Scully? Eu pensei nisso também. Ainda não estou certo, mas se é isso, estou com você no que decidir. Não estou dizendo que não há algo de Arquivo X. Mas só o final da autópsia vai dizer se é um culto ou um ataque de fetichismo. Ele acariciou com o dedo polegar suas mãos, ainda vendo a ruga de preocupação entre os olhos dela. Ele pegou seu rosto, e a fez encara-lo. "Tem mais, não é Scully?" Aquele pequeno rosto me diz que tinha mais, pensava Mulder. Scully acena com a cabeça e o suspiro dela era pesado dentro do pequeno carro. " Eu só... bem, eu amo suas mãos, Mulder. Suas mãos são um conforto a mim, às vezes. Eu só... " Ela parou, se sentindo muito tola e irracional de repente. Mulder sorriu docemente para ela e voltou a guiar, entendendo sua preocupação. Mas sua mão continuou, acariciando-a no rosto, descendo pelo pescoço e parando no ombro, antes de responder, para tirar todas as preocupações e faze-la relaxar. " Scully... ninguém vai pegar as minhas mãos. Eu te prometo - - ninguém vai me ferir." * * * * * * * * * * * * * * Prefeitura de Filadélfia 5:12 p.m. 03 de janeiro de 2000. Se Mulder não se apressasse, ela iria feri-lo. Estava pensando como o humor muda quando se tem um resfriado. Ela nunca gostou de tempos frios, mas suportava o inverno e a neve pois trazia boas lembranças da infância. De uns tempos pra cá que ela realmente estava com fobia: depois da sua passagem pelo Ártico, quando quase morreu congelada, o inverno não era uma de suas estações favoritas. Scully tremeu quando um vento frio passou pelo pátio debaixo do relógio da torre. Quando ela olhou pro seu relógio, não estava surpresa quando os ponteiros começavam outra revolução no mostrador. Onde ele estava? Estava escurecendo e todos estavam saindo com pressa para ir para suas casas, engarrafando o estacionamento. Um por um ela os via saindo como eles impacientemente empurravam os outros que estavam na frente. Eles estavam prontos para irem pra casa após um longo dia de trabalho. E ela e Mulder apenas começando um dia de trabalho. Quase que imediatamente depois que eles tinham chegado ao necrotério, Mulder tinha começado a ficar inquieto. A impaciência dele não era porque autópsias o incomodavam. O que o deixava nervoso era o fato de que quando era cercado pelas ferramentas da ciência, ele não tinha nada particularmente útil para se fazer, e então começou a procurar algo para fazer. Não sabia o que fazer com as mãos dele. Antes que ela tivesse colocado as luvas de látex para fazer as autópsias, Mulder já tinha conseguido cutucar os dedos dele em pelo menos três instrumentos médicos que não deveria ter tocado. Ele deve ter sentido o olhar dela, pois olhou para ela, deu um meio sorriso e encolheu os ombros. Ele ficou olhando para a autópsia um tempo e virou-se em direção à porta. Scully perguntou onde ele estava indo e ele, de costas, girando a mão no alto, somente disse: " Pesquisa ". Algumas horas depois e terminado as autópsias, Mulder tinha ligado pro seu celular pedindo-lhe pra ir até o local dos crimes. E agora ela estava lá: congelando, virando sorvete, seu resfriado aumentando, e Mulder se atrasando. Se ele não chegasse dentro de dez minutos ela iria ... Bem, ela não estava exatamente segura que faria isso, mas a cada minuto a certeza ia crescendo. Um vento frio balançou seu sobretudo, forçando Scully a colocar as mãos no bolsos e se mover um pouco para espantar o frio. Mulder agora só tinha dois minutos, em vez de dez. "O que você achou?" Mulder perguntou. Ela virou-se quando Mulder apareceu por trás dela. "Achei o frio que você não sente." " Eu quis dizer a autópsia ". Ele continuou "A causa das mortes não era exatamente misteriosa". Ele olhou na direção dela. " Exsanguination, " Scully, "Eles sangraram até a morte ". Quando ela começou a relatar exatamente o que achou nas autópsias, Scully sentiu sua irritação ir pro espaço, dando lugar a uma sensação de horror devido aos detalhes que tinham revelado; " Dado a quantia de adrenalina nos sistemas deles diria eu que eles estavam vivos quando as mãos foram cortadas. Na realidade, eles provavelmente estavam conscientes." Mulder fez uma careta. "Então não estamos falando de um fetichista. " "Bem, talvez sim, talvez não. As mãos foram levadas primeiro. Morte seria o resultado natural." " Assim a obsessão está com as mãos ", Mulder concluiu. " E o horror também ". Scully caminhou ao redor de Mulder, os saltos de sapatos fazendo tique-taque contra o paralelepípedo que pavimenta o pátio que estava no centro do complexo municipal. "Talvez fosse algum tipo de castigo ou motivação de vingança para isto. O assassino fez as vítimas sofrer deliberadamente ". Mulder fez careta. " Um sadista ". Uma sombra parecia cair pelo olhar já escuro dele. Ele ainda se preocupou. " Scully, você está tremendo, " ele observou. " Talvez nós devêssemos entrar." Cruzaram o pátio, com uma das mãos de Mulder escorada nas costas da parceira. Empurrando a fita amarela que bloqueava a torre do relógio, Mulder abriu a porta. Scully olha pra fita, levantando uma sobrancelha. "Fita de construção" Mulder explicou. Há trabalho de restauração sendo feito na torre, e a polícia decidiu deixar isso aqui no lugar da fita da polícia. "Eles também deixaram a porta aberta?" "Não". Mulder sorriu. " Esta tarde eu conheci o vigia da obra, um homem muito interessante, e adivinha só: o nome dele é Bill. Scully sorriu um pouco, balançando a cabeça. "Pelo menos esse Bill e eu pudemos ter um boa conversa. Conversei com ele mais do que com seu irmão esses anos todos." Brinca Mulder. "Até falei que você era médica, e ele me disse que a irmã dele era, adivinha só: " "Médica?" Scully entrou na brincadeira; "Não, garçonete." Ele sorriu. Bem, de qualquer maneira, ele concordou em deixar a porta destrancada por algumas horas ". "Será que ele foi generoso assim com o assassino?" " É um local de construção, Scully. A segurança de um modo geral fica um pouco negligente com trabalhadores indo e vindo a toda hora. Peraí que vou acender as luzes. Aceitando esta explicação, Scully entrou na escadaria para a torre. Havia algo quase Barroco na parede perto da escada, apesar do panfleto descrever a arquitetura da torre como proveniente do estilo francês e... bem, ela teve tempo de ler o folheto todo antes de Mulder voltar. "Bem, Mulder, onde você estava a tarde toda?" ela perguntou. " Eu falei com a esposa de Rick Ramee. Perguntas gerais. Feito "ele tinha algum inimigo? Alguma coisa fora da rotina tinha acontecido recentemente?" " O que ela disse" "Nada que levaria qualquer um a acreditar que queriam ele morto. O mesmo vale para Rhonda Lewis." "E sobre Tina Rodriguez "? Ele tremeu a cabeça dele. " Até três semanas atrás ela viveu com o namorado dela em Houston. Quando eu falei com ele, tinha planos para ir para o Texas. E posso dizer também que não achei nenhuma conexão entre as três vítimas." "Excluindo suas mortes." Ela parou de repente, pois Mulder tinha feito o mesmo, na sua frente. Ele interrompeu a subida da escadaria pelo lado de fora e entrou numa pequena janela. "Aqui está o local onde os corpos foram achados." Scully estranhou " Eu pensei que as vítimas foram encontradas quase congeladas." "Elas estavam". " Em um quarto com aquecimento central "? Mulder ajoelhou para examinar o chão. A mão dele deslizava pelo piso, sentindo sua textura, localizando os encaixes entre os azulejos. "Scully, o mármore é poroso?" "O mármore não, mas os encaixes sim. Mas não tem evidência de terem sido cometidos três assassinatos aqui." "Então eles foram mortos em outro lugar e trazidos até aqui." "Depois que eles foram rapidamente congelados ". O olhar de Mulder está questionando o dela. "A hora da morte de Rick Rame foi calculado mais ou menos às duas da manhã, e de acordo com o relatório da polícia, seu corpo foi encontrado logo após as três horas. Dado o modo como ele morreu, Ramee teve que ser congelado depois da morte dele." "Isso faz sentido. Ele não poderia sangrar se o sangue dele estava congelado." Scully concluiu."E com a massa do corpo dele sendo tão grande, o processo de congelamento deveria ter levado várias horas." Ficaram pensando alguns momento e Scully perguntou: "Por que cortar as mãos ? Há modos mais eficientes para levar alguém a sangrar até a morte." "Isto não é sobre sangue ". Mulder está pensativo. Sua voz sinalizava que ele estava tentando entender a mente de o assassino. Ele cruzou o quarto e começou a escalar os degraus. "Por que aqui, Scully? Por que uma torre de relógio?" Ela sabia que ele só estava pensando alto. Um vento frio varreu a sala cima dela, e Scully puxou seu casaco mais firmemente ao redor ela. "Me diga então, Scully, como nosso assassino teve tempo para gelar um sólido cadáver, transportar para um lugar público, e organizar um ritual sem ser visto e sem deixar qualquer evidência?" " Ele é muito esperto e eficiente". " Ou ele teve todo o tempo no mundo ". Ela tremeu a cabeça dela. "Mulder, você não pode estar sugerindo isso. Olhe, eu posso não saber como ele fez isto, mas eu sei que ele não parou tempo. Tempo não pode ser parado ". Mulder desceu as escadas e abriu a porta do andar de baixo. Um vento mais forte foi sentido. " O que você está propondo é impossível, " Scully insistiu. " Eu não propus nada ". " Bom. Então me deixe explicar que não há nenhum modo possível , normal ou paranormal, de parar o tempo. Se pararmos o tempo, o universo deixa de existir. É simples ". " Se você diz assim ". Scully pensou que ela ouviu Mulder rir como ele colocou suas mãos no corrimão . Olhando para baixo eles notaram aquela névoa gelada que fazia o pátio sumir e que fez a respiração deles ser vista como fumaça de cigarro. Não vamos entrar neste mérito, Scully. Mas eu concordo com você. Não acho que tenha algo paranormal sobre estas mortes." Ela piscou. " Nenhum mutante capaz de controlar tempo? Sem monstros "? " Oh, há um monstro envolvido ". O olhar preocupado dele encontrou o dela "E os piores monstros sempre são humanos, pois sabem o que fazem." Mulder abriu a porta que conduz aos funcionamentos internos do relógio, e Scully o seguiu silenciosamente na escuridão. * * * * * * * * * * * * Mulder cutucou ao redor da maquinaria no interior do relógio por vários minutos, enquanto as mãos de Scully ficavam cada vez mais e o nariz dela começar a escorrer. " Mulder! Se houvesse qualquer coisa aqui, você não acha que a polícia deveria ter achado, ainda mais à luz do dia? Eu vou congelar logo se não for para um lugar mais quente." Mulder olhou para ela. Às vezes, não, quase sempre se esquecia que sua parceira não tinha o seu pique. Ela parecia uma vara verde de tanto que tremia. "Ok, vamos descer e comer alguma coisa, com um cafezinho? Isso esquentará você." Preocupada em não sentir frio, somente na hora em que Mulder falou em comida é que Scully percebeu que não comia há horas. Tremendo, Scully seguiu Mulder descer a escadaria. Mulder, que não passou as últimas nove horas de pé, fazendo autópsia, praticamente saltou os últimos degraus. Na pressa de manter a mesma velocidade do parceiro, Scully escorregou. Por um momento ela pensou que ia voar nos últimos degraus. Mas ao suspiro dela de alarme, Mulder virou-se, saltou para cima os passos que os separado, e a pegou antes de ela pudesse cair. " Esses sapatos vão te matar um dia" ele disse, e apertou o abraço nela, enquanto a fazia descer junto com ele. Scully estava tremendo, tanto quanto pelo frio quanto pela adrenalina por causa do quase espetacular tombo quanto pelo abraço, que agora a mantinha um pouquinho quente. " Eu estou bem, Mulder. Realmente. Obrigada por me pegar." "Sempre que quiser ". De mãos dadas * * * * * * * * * * * * * 8h00 p.m. – 03 de janeiro de 2001 Lanchonete O café da lanchonete que Mulder tinha escolhido não era nenhuma maravilha, mas estava quente e fresco e esquentou Scully rapidamente. Como a cafeína começou a fazer efeito, ela começou a se sentir melhor. "Você pode falar sobre o caso agora, Mulder, " ela disse. "O que "? Mulder parecia inocente. " Eu sei que você está esperando eu me esquentar, e aprecio isto. Eu me sinto bem melhor, assim me deixe ouvir suas teorias malucas. Ela amoleceu as palavras dela com um sorriso. " Bem, qual a sua explicação para o relógio parado, então "? " Eu acho que faz parte do ritual do assassino. Ele pára o relógio depois que prepara o corpo ". " E exatamente como ele faz para transportar um corpo congelado e realizar um ritual num lugar público sem que ninguém perceba?" " Todos os assassinatos aconteceram no meio do noite, Mulder. Ele tem cuidado, e muita sorte. " " Você está esquecendo que o relógio não mostra a hora da morte. A última vítima morreu às 5:16 da manhã? Como então ele teve tempo para transportar, realizar o ritual, fazer o truque dele com o relógio e fugir bem depressa para evitar o amanhecer, quando não tem a escuridão como aliada? ". " Olhe, Mulder, eu não sei como ele faz isto. E o fato é que nós realmente não precisamos saber como, mas sim por quê? E como nós o podemos achar e Pará-lo antes que ele faça novamente." "Você tem razão, Scully, " Mulder admitiu, enquanto tomava um gole do café dele. "Mas eu me reservo no direito para considerar possibilidades extremas. Assim, o que sabemos sobre o sujeito.?" " Ele pode levar corpos congelados, é capaz de subjugar as vítimas dele por força física, assim nós podemos adivinhar que ele é um homem bastante forte". Mulder acenar com a cabeça, aprovando a perspicácia de sua parceira. Ela continuou: " Ele também é alguém que tem acesso a um equipamento tipo congelador que deve ter vindo de outra cidade, o que nós podemos conferir." "Muito bom, Scully. Nós também deveríamos considerar os últimos lugares onde das vítimas estavam. Isso poderia nos ajudar a área de atuação do sujeito. Presumivelmente desde que nós não achamos qualquer conexão entre as vítimas, nós podemos conjeturar que ele os escolheu porque eles estavam prontamente próximos a ele ". "Você pensa que nós deveríamos assumir tão depressa este perfil? Talvez nós não fizemos todas as conexões. E as mãos? Por que ele queria as mãos? O que há de especial nas mãos dos mortos?" Ela se lembrou de Donnie Pfaster e da a fascinação dele com dedos bem tratados. "Eu não sei, Scully. Isso é uma pergunta que nós podemos fazer para as famílias, e talvez traga uma luz sobre o caso." Mulder levantou-se. "Está ficando tarde, Scully, e nós nem ainda estamos hospedados. Vamos procurar um lugar para passar a noite." Ele parou de falar, de repente. Ela levantou os olhos para ele; ele sorria para ela: "Um quarto ou dois?" Scully também sorriu. * * * * * * * * * * * * * ATO II Hotel 6:30 a.m 04 de janeiro de 2000 Depois de um banho quente relaxante antes de dormir, Scully pegara no sono facilmente, aproveitando poucas horas de sono. Mas mesmo dormindo não conseguia parar de pensar no caso. Sonhou com Mulder e suas mãos acariciando-a. Mãos suaves e ternas, que de repente começaram a machucar- lhe, e quando ela percebeu, era Donnie Pfaster que estava em cima dela. Ela acordou, assustada. Escutou batidas na porta de conexão para outro quarto. "Scully?" ele entrou sem esperar resposta. "Recebi uma ligação e... Ele percebeu a agitação da parceira. "Que foi? Algum problema?" Ele chegou perto da cama, acariciando seu rosto. "Está tudo bem, agora. O que está errado, Mulder "? "Nós temos que ir. Recebi uma ligação da polícia e aconteceu outro assassinato." Ela se levantou para começar a se vestir. "Mesmo local?" Mulder assentiu. "Eles não estavam vigiando a torre?" "Tinha um guarda desde às 20h00, mas ele não viu nada até que descobriram o corpo esta manhã." " Quem é a vítima "? Scully perguntou. "Ela não tem identidade como os outros. Eles não foram capazes de identificar o corpo e nem tempo--o corpo só foi descoberto uma hora e meia hora atrás ". Algo na voz de Mulder fez Scully sentir um frio na espinha. " O que você não está me contando, Mulder "? " Ela... a vítima, ela era uma pequena menina ". * * * * * * * * * * * * * * * * 2:35 p.m. 04 de janeiro de 2000. Uma pequena menina. Scully tinha crescido acostumada às muitas máscaras diferentes que a morte usava. Ela tinha que ser, pois a morte era o sustento dela. O que ela não pôde se acostumar--o que ela não pôde evitar-- era o frio que correu abaixo a espinha dela na hora em que viu uma figura pequena debaixo do lençol branco da autópsia. Era pior que morte. Era inocência perdida. Da mesma maneira que os outros, a vítima tinha sangrado a morte. Embora os resultados do laboratório não tinham chegado ainda, ela esperava que a criança não estava consciente na hora em que suas mãos foram cortadas e na hora que morreu. Ela procurava limpar suas mãos, não só do sangue da menina, mas de tudo aquilo. Perdida em pensamentos, ela não ouviu Mulder se aproximar atrás dela. "Scully?" " Eu estou quase terminando, Mulder, " ela disse suavemente. Ele quase perguntou outra coisa, mas sabia não ser o momento exato. Ele podia ver que ela lavava as mãos furiosamente, com uma escova de aço. E parecia estar fazendo isso algum tempo. " Scully, se você continuar isso, suas mãos ficarão em carne viva." Ela derrubou a escova e enxaguou as mãos. Secando as mãos ela perguntou. Perguntou não, afirmou. "Me diga que você tem um nome." "Nenhum. Nem do suspeito nem da menina. Do que pudemos supor, ela era indigente. Novamente, o tom dele era macio. Os olhos dela ficaram fechados por um momento. Ela deixou sair um pesado suspiro. Sem-lar "? "Ninguém a conhecia. E um deles disse que ela não tem ninguém." " Mas, Mulder, ela não pode ter mais do que oito anos; Ela tem que ter alguém." A voz de Scully assumiu a raiva estava borbulhando dentro dela. " Ela tinha pertences? " Sim, mas eu não tive chance para vê-los, ainda". "Me dê cinco minutos para mudar, e eu te encontro lá em cima." Scully inspecionou a pilha lamentável no centro do mesa. Consistia numa Barbie quebrada, uma mochila velha e uma manta de lã pequena. "O que é isto?" ela perguntou, incrédula, quando pegou algo que parecia ser papel velho molhado. " Nós deveríamos estar com uma sorte danada para acharmos isso. Estava em uma lata de lixo perto da torre. Infelizmente, os papéis estavam em branco. Porém, a imagem na página a fez parar o movimento das folhas. " Scully, o que é "? Scully não disse nada e só virou o bloco para mostrar-lhe: um desenho da torre feito com carvão e pintado com os restos de lápis de cor encontrados na mochila velha. Em vez de gelo, tinha flores cercando a torre. " Isto é..." a voz de Mulder soava descrente com o que via. "Incrível ". Scully completou. Scully estava admirada de tal talento vir de mãos tão pequenas. Imediatamente ela foi sacudida com pensamentos dos perfis das vítimas, associando-os. "Mulder, as outras vítimas... eles tinha outras habilidades?" "Você poderia ser mais específica, Scully "? Ela levantou a cabeça dela ao lado em pensamento. " Eu quero dizer, quando você entrevistou as famílias, eles mencionaram algum passatempo? Qualquer talento em especial?" Mulder pensou " Eu me lembro, fazendo o levantamento das últimas coisas que as vítimas fizeram, Rick Ramee tinha contactado um clube de jazz local, onde ele tocou saxofone na ocasião." "E os outros "? " Nada eu posso me lembrar--mas acho que está na hora de verificarmos. Você verifica Rhonda Lewis que eu verifico Tina Rodriguez" * * * * * * * * * * * * * * 4:35 p.m. 04 de janeiro de 2000 Mulder ficou procurando o namorado de Tina Rodriguez, sem sucesso. Da delegacia ele seguiu para pegar Scully depois que ela informações a respeito de Rhonda Lewis. Estão ambos no carro, a caminho da delegacia. "Mulder, você vai adorar isto. Rhonda Lewis era uma arquiteta famosa. Ela ganhou um premio e tudo pelo seu trabalho. O último mereceu destaque em revistas de engenharia e arquitetura. Ela morreu antes de conclui-lo" "Qual o trabalho"? a voz de Mulder assumiu um tom de curiosidade. "A torre do relógio. " Mulder fez um retorno perigoso e provavelmente ilegal, ganhando com isso muitas buzinas, punhos levantados e rudes gestos. Os dedos de Scully seguraram o painel, agarrando-os, até que eles ficaram na direção oposta à pista, e Scully pode então soltar-se, lançando um olhar ao sócio dela. O olhar dele era toda a inocência. "Que foi?" Scully balançando a cabeça: "Não me diga. Estamos voltando para a torre." "Lá tem alguém com quem não falamos? Ela procurou pelos bolsos do casaco para achar o panfleto que ela tinha pego na última visita à torre. "Claire Bellingham... relações públicas." Mulder fez careta. " Eu odeio as pessoas de RP. Eles só falam o que querem que você saiba ". " Venha, Mulder, " Scully arreliou, " você sabe você pode tirar informação de qualquer pessoa ". Ela alcançou a mão dele. Ele sorriu e levou a mão dela, enquanto saltando ligeiramente ao contato. " Suas mãos estão geladas de novo, Scully ". "Desculpe. As luvas não estão ajudando muito ". Ela retirou- as rapidamente. " Talvez eu compre um par novo no seu aniversário e te dê de presente". Ela levantou uma sobrancelha para ele. " Você vai se lembrar do meu aniversário este ano? " " Eu me lembro de seu aniversário todos os anos ". " Nós temos trabalhado junto para mais de seis anos, Mulder, e eu posso recordar só dois aniversários que você se lembrou." " É o pensamento que conta, Scully ". Mulder a deu um sorriso astuto. Você não desfrutou meu último presente? Eu sei que sim ". Scully sorriu, enquanto se lembrava dos braços de Mulder ao redor dela ensinando a jogar beisebol naquela noite de primavera. A respiração quente dele no pescoço dela, os lábios macios dele na orelha dela. A suave pressão da mão dele no seu quadril e como ele puxou o corpo dela para o seu. Ela soube que ele também estava gostando do presente – ela podia sentir isto na estimulação dele apertada contra sua parte de trás. Ela olhou para as mãos dele. Não resistiu e pegou-as novamente. "Sim, Mulder, eu adorei o presente. Desfrutei cada momento" Ele olhou para ela e pensou: "definitivamente vou te dar luvas, e não vai ser no seu aniversário." * * * * * * * * * * * * 4:57 p.m. Torre do relógio / Escritórios Administrativos Eles chegaram à torre do relógio logo antes das cinco para achar a porta aos escritórios administrativos fechada. Um cartaz anunciava o expediente: de 8:30 da manhã a 4:30 da tarde. Eles se resignaram a voltar pela manhã, mas Mulder quis ver a torre novamente. " Como você quer que entremos lá se a porta está fechada? Mágica?" Ele fez um voleio com as mãos e produziu uma chave. Scully sorriu "Aposto que conseguiu com seu amigo Bill. Oi foi Prestidigitação "? "A mão é mais rápida que o olho, Scully". Ele deu um grande sorriso e uma piscada. "Eu tirei dele sem ele ver." "Por acaso, Sr. Mulder Cooperfield, o senhor se esqueceu das câmaras de segurança e dos guardas colocados para vigiar a cena do crime?" "Não, Scully, mas eles só pegam às 18h00. Eu já verifiquei." "Mulder, está escurecendo. Não quer deixar pra amanhã?" Ele lhe lançou um olhar e foi o que bastou. "Está bem." Ela concordou. Estava frio, e Scully durante o dia estava ora dentro do carro, ora no interior de alguém prédio, e agora estava de volta aquela torre, e todo aquele frio. O vento batia forte, e escurecia, e seu resfriado começou a se manifestar: "Eu tenho que cuidar disso, senão vira uma pneumonia." Ela pensava. Mas Mulder estava tão entretido, que ela não queria cortar seu raciocínio; chegaram então ao relógio da torre. Mulder se enfiou lá dentro, e Scully do lado de fora: Durante todo o dia uma coisa a incomodava. Desde a autópsia da menina. Ela tinha que falar com Mulder, mesmo que isso não a agradasse. " Mulder, eu tenho pensado nas vítimas ". " Sobre o quê? " ecoou a voz dele em algum lugar de dentro do relógio. " Os corpos estavam congelados, então foram colocados dentro da torre e foram descobertos uma ou duas horas depois." " Certo..." Scully exalou, viu a respiração dela vaporizar na frente dela, então molhou seus lábios com a própria língua. " Eu posso ter errado no cálculo da hora da morte." O barulho cessou, e a cabeça de Mulder apareceu do meio das engrenagens e ele saiu de lá de dentro e parou na frente dela em tempo recorde. " Scully, você não comete erros. Não sobre isto ". " Não necessariamente sobre isto... " ela resmungou, abaixando a cabeça. Olhando seus sapatos e os dele ela completou: "Acho que posso ter sido influenciada pelos relatórios preliminares, pois eles diziam a hora da morte, e eles diziam que a hora da morte era a hora em que o relógio parou." Ela sentiu os dedos de Mulder debaixo do queixo dela quando ele levantou seu rosto até encontrar o dele. "Por que você está se questionando agora? Nós conversamos sobre isso na lanchonete" "Patologia forense, 101 --um corpo esfria aproximadamente a um e uns meio graus por hora, se as condições externas são estáveis. Um corpo decompõe mais rapidamente dentro temperaturas mornas, menos rapidamente quando está frio. Por isso é que eles são mantidos refrigerados no necrotério, para evitar a decomposição. ". "Tudo bem, isso faria diferença da hora da morte por, o que, alguns horas? Então, qual seria o problema? "Na verdade, Mulder, seriam dias. Para congelar o corpo, ele levaria mais do que algumas horas. Depois, coloca o corpo na torre, para que ele lentamente descongele. A temperatura externa era morna, pois havia aquecimento central, e o corpo de Rick Ramee, por exemplo, foi encontrado três dias depois que foi dada sua falta pela sua esposa. E o corpo estava em ótimo estado, perfeitamente conservado." Mulder raciocinava com as novas informações, e uma rajada de vento passou pela torre, e Scully tremeu, embora sua reação não tenha sido somente por causa do vento. " Ainda resfriada?" ele perguntou, e ela acenou com a cabeça. Ele deu a ela um pequeno sorriso sedutor e abriu o sobretudo dele. "Deixe-me ver o que nós podemos fazer sobre isso ". Ela deslizou os braços dela ao redor dele, enquanto dava uma risada silenciosa a seu suspiro quando as mãos dela tocaram a parte de trás dele. "Definitivamente luvas para seu aniversário" murmurou ele quando sentiu ela se aconchegando contra seu tórax. Mulder embrulhou os braços dele e o casaco dele ao redor dela, protegendo o pequeno corpo do resfriado. Eles estavam de pé lá juntos, enquanto registravam a noite escura e o vento forte. Scully escutou o coração dele batendo, forte e fixo. Ela correu as mãos dela para cima e para baixo da parte de trás dele, desfrutando o tato dos músculos lisos, harmonizados.Os braços de Mulder apertaram ao redor dela, e uma mão serpenteou para cima e se enterrou no cabelo dela. Ela inclinou a cabeça dela para atrás e olhou para ele, e ele sorriu. " Melhor "? " Muito, " ela sussurrou, enquanto devolvendo o sorriso dele. Ele fitou os olhos dela por um longo momento, então viu quando eles fecharam quando ela relaxou completamente. Ele não resistiu... abaixou a cabeça e os lábios dele tocaram os dela e... Mas ambos gelaram ao som de uma espingarda acionada atrás deles. Scully teve tempo apenas para registrar a sensação dos lábios de Mulder que esbarraram a boca dela, quando ela ouviu o trinco bombeando da espingarda. Eles ambos gelaram, as faces deles separadas por uma polegada. Em um segundo, os olhares se fecharam, decisões foram tomadas, e foram postas promessas da espera. O calor confortante que tinha os assolado e os envolvido, desapareceu no vento frio quando eles separaram. Lentamente, eles se viraram em direção ao som intruso. Um homem grande, grosseiro se levantou antes deles. Scully pelo olhar viu que ele era pelo menos vinte centímetros mais alto que Mulder, e as roupas de inverno não disfarçam a musculatura do homem. Uma máscara de algodão preta cobria sua face. O capuz permitia o anonimato, mas algo nos olhos dele era estranhamente familiar. Ele apontou a espingarda para eles. "Vou matar dois pássaros com uma pedra." Scully lançou um olhar para Mulder. Se ele estava nervoso, sabia muito bem disfarçar isso. Mulder elevou as mãos dele, palmas para cima. " Ei, nós sabíamos que a torre de relógio estava fechada, mas podemos voltar amanhã, sem problema." Enquanto Mulder falava com o homem, Scully observava-o e viu o que tinha medo: através das luvas de couro preto, podia-se perceber o achatamento das luvas dele. Era isso! Ele não tinha as mãos perfeitas, então buscava quem tinha; Ele tinha perdido três dedos da sua mão direita. Naquele momento Scully sabia o que tinha que fazer: ela queria que Mulder guardasse as mãos dele. Quase como um oferecimento, Scully elevou as próprias mãos para ter a atenção do assassino. "Olhe, senhor, acho que temos um engano aqui; Nós somos os Agentes Mulder e Scully do FBI. Se o senhor deixar tirar minha identificação..." " Eu sei quem é você, Dr. Scully. " Scully sentia o frio começar nas pontas dos dedos. Mulder olhou cuidadosamente para Scully e para o pistoleiro, de quem olhos tinham trocado de mira e se fixaram nas mãos de Scully. Num esforço para conseguir que o homem deixasse de encarar a parceira, Mulder fala " Bem, nós estamos em desvantagem aqui. Você nos conhece, mas eu não acredito que nós tivemos o prazer de sermos apresentados." " Desculpe meus modos. Você pode me chamar "O Dono do Tempo" Aparentemente satisfeito com a impressão ele tinha feito com apresentação dele, ele ficou parado algum tempo. Mulder assistiu os olhos do homem para qualquer movimento que ele faria a ele ou Scully. Quando ele o fizesse, Mulder ia se lançar contra a parede humana e bater na espingarda, tirando-a dele. Daria tempo para Scully sacar a arma e atirar; era arriscado, mas parecia ser o único jeito. Ele não tiveram a chance. O homem olhou das mãos de Scully para os olhos de Mulder, gesticulando com a espingarda para que o agente bonito fosse para a parede e ficasse longe de Scully. Um crescente barulho de vozes e passos apareceu, denunciando dois guardas de segurança. "Já era hora!" Pensou Mulder, lembrando da ronda policial. O Dono do Tempo virou a tempo de atirar num guarda de segurança; Mulder teve tempo de se atirar contra o homem, mas ele o virou e o lançou para fora da torre: "Mulder!!!" Scully gritou, certa de que ele tinha caído; O outro guarda de segurança correu atrás do Dono do Tempo, e no meio da escadaria, vou atingido pela coronha da espingarda, caindo escada abaixo. Scully correu até a janela. "Mulder?" Ela olhou pra baixo e viu o parceiro segurando no corrimão externo. "Vá atrás dele, Scully, eu estou bem." Dividida entre o dever e o querer, ela ficou com o primeiro, pois Mulder não admitiria que o suspeito fugisse: "Já volto, Mulder." Ela correu escada acima e não encontrou mais o Dono do Tempo. Não sabia se ele tinha descido ou subido, e foi quando escutou o gemido do guarda de segurança. Socorreu-o e viu que tinha quebrado um braço. Mas sinal do Dono do Tempo, nada. Sabia que ele já estaria longe, e decidiu não segui-lo. Socorreu o segurança, e aproveitou discou o 911 , avisando sobre o ocorrido. "Logo chegará uma ambulância, ok?" Scully correu até a janela, e puxou Mulder para dentro. Ela olhou para ele, e pegou em suas mãos, que estavam quase congeladas. "Suas mãos estão geladas, Mulder" Ele sorriu "Mãos frias, coração quente, Scully". Ele olhou ao redor. "Cadê o Dono do Tempo?" "Ele fugiu. Atacou o segurança, quebrando-lhe o braço, e se embrenhou no prédio em construção. Parece que ele conhece bem isso aqui, Mulder" Ela o ajudou a se levantar. As sirenes foram ouvidas ao longe. ***************************** Seguindo os paramédicos, ambos os agentes pensavam sobre o Dono do Tempo e o que ele tinha feito. Mulder estava certo de que o assassino era ele e que iria focalizar a próxima vítima em Scully. Scully estava certa de que o homem viria atrás de Mulder. A volta para o hotel foi num silêncio desconfortável. * * * * * * * * * * * Em algum lugar na Filadélfia suburbana O Dono do Tempo bateu a porta da casa dele quando entrou. Ele estava tomando fôlego da fuga apertada . Ele tirou as luvas e esfregou os três tocos que restavam em sua mão direita. Ele agarrou um copo do armário e colocou uísque nele, bebendo num só gole. O acidente que tinha levado três dedos da sua mão foi quando uma válvula de nitrogênio líquido estourou e caiu nas luvas dele, também causando danos nos nervos da mão esquerda. Nunca mais ele teria as habilidades motoras necessárias para trabalhar nos relógios de que ele tanto gostava. Depois desse acidente, a namorada o deixou, pois não agüentava ser tocada por um aleijado. Foi mandado embora, pois era desqualificado para um serviço que exigia tanto das mãos; E foi recusado no trabalho do relógio da torre, mesmo sendo um relógio grande, por causa do problema com a mão. Todos olhavam para a sua mão mutilada; Ele se levantou para pegar outro copo; foi até a cozinha, e abriu o congelador; e tirou oito bolsas de plástico. ******************************** Oito mãos. Ele precisava de mais quatro , uma para cada numeral do relógio. Sherri, sua namorada fujona, seria a última, e ele sabia quem seria o próximo. Ele se lembrou da agente ruiva do FBI e o parceiro dela. Leu sobre eles, e descobriu que ela era médica e ainda fazia autópsias. Ela tinha mãos para isto--pequenas, bonitas e ágeis. Claro que, primeiro, ele teria que anular o parceiro dela, mas isso seria um prazer. Ele foi para o armário dele e tirou de o rifle do Exército com o infra- vermelho. Ele começou a limpar isto e ajustar a mira. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Motel 9:15 a.m. 05 de janeiro de 2000 Mulder bateu na porta do quarto de Scully , pronto para voltar para a torre de relógio e procurar pistas à luz do dia. Quando Scully atendeu, ela estava ao telefone. Mulder ficou olhando, aguardando o término da ligação. " Certo, bem, obrigada, se você localizar Sr. Malloy, dê o número de telefone que eu lhe dei para ele me ligar imediatamente, sim?" Obrigada". Scully terminou a chamada. Os olhos azuis luminosos dela brilharam quando ela repetiu a conversa que teve ao telefone. " Eu estou tentando alcançar Steve Malloy, namorado de Tina Rodriguez para que ele possa me dizer se ela tinha um talento qualquer, a respeito das mãos." "O Dono do Tempo espia todas as suas vítimas, Scully; ele sabe dos talentos que elas possuem com as mãos." " Mas por que eles, Mulder? Até onde nós sabemos, elas não tem conexão entre si." " Talvez a conexão esteja com o Dono do Tempo. Talvez eles tivessem algo que ele tinha, ou que ele queria." "Você notou as mãos dele?" Mulder acenou com a cabeça. "Parece bastante óbvio que um homem que perde três dedos poderia ter uma fixação para as mãos de outras pessoas--neste caso, aparentemente pessoas talentosas". " Yeah, mas tem mais uma pergunta: o que ele faz com essas mãos?" Os agentes pausaram enquanto uma dúzia de pensamentos mórbidos correram pelas mentes deles. " Eu não sei, mas eu tenho um pressentimento ruim que nós vamos descobrir logo". Scully colocou os braços no casaco que era estendido por Mulder. " E deveria ser fácil achar um homem que perde três dedos da mão direita nesta cidade. * * * * * * * * * * * * * Não havia nenhuma pista óbvia. Scully tirou a lanterna dela e entrou nos corredores mais escuros da torre, para o outro lado do relógio de onde o guarda foi atingido. Mulder estava ansioso para ir por fora, sobre a borda e ver se ele conseguia achar o caminho que o assassino fez, mas não queria deixar Scully sozinha. No canto mais escuro, Scully clareou as paredes, o teto, e o chão. Finalmente, algo chamou sua atenção, ou melhor, a falta dela. O chão ao longo da parede estava limpo. Em todas as outras partes, o pó estava presente, mas ali não. Em todos os outros lugares que Scully tinha procurado, o chão era manchado com os efeitos residuais de tempo e o uso as pegadas dos turistas que pisoteiam em cima da área dentro da torre. Naquela área, entretanto, estava tudo limpo. " Mulder, olhe isto aqui... " Como Mulder se aproximou, ela varreu a área com a lanterna; " O que você está vendo, Scully?" " É mais o que eu não vejo. Vê isto aqui? Está limpíssimo!" Ela ficou ainda observando e procurando algo, que ainda não estava definido. " Bem, você pode entender o que poderia ter causado isto "? Mulder teve toda a fé no mundo que ela ia descobrir. Uma vez que ela coloca algo na cabeça, era raro que não resolvesse. Pegando uma faca pequena do casaco dela, Scully se inclinou e começou a raspar qualquer material do chão que pudesse ser uma evidência. Mulder, vendo que ela estava completamente concentrada na tarefa, voltou à coluna do relógio, procurando um lugar por onde o bandido pudesse ter escapado. Se agarrando na coluna, ele ouviu um barulho, parecia uma goteira. Ele chegou mais perto, e ficou surpreso quando algo caiu na sua manga branca do punho. Ele olhou e olhou. E então tocou. A pura expressão de nojo que ele sentiu foi demonstrada na voz dele com um "Yeeeuch " bem alto! " O que você achou?" Scully chegou perto dele com um olhar cauteloso, querendo saber se ele tinha achado qualquer coisa pertinente ao caso, contudo ansiosa para manter a distância dela se isto fosse desagradável. "Caca de pombo." Scully estava rindo do olhar enojado de Mulder, e tentou não fazer comentários, mas quando ele tentou tirar o que estava no punho, não resistiu: "Você realmente tem que ouvir os meus conselhos e deixar de colocar os dedos em tudo que você encontra por aí. Use luvas! Um dia desses vai ser algo que você não possa jogar fora." Anos de experiência com Mulder a tinha preparado para tudo. Ela tirou do bolso um paninho úmido e o ajudou. Ele aceitou a oferta e levou a mão até ela. Ele ficou encarando-a enquanto ela fazia a limpeza. Naquele momento, uma revoada de pombos saiu do lugar que Scully tinha apontado. Os agentes abaixaram, temendo serem atingidos por mais algum "presente de grego". Quando as penas clarearam, eles se levantaram e perceberam pode onde o pistoleiro poderia ter ido. "Há alguma coisa lá em cima, Scully. E definitivamente mais do que pombos." Arrumaram um andaime externo e verificaram o local. "Mulder, o que você está vendo?" Scully estava tentando ver, mas Mulder já tinha entrado no buraco. Ficou entalado. " Ei, Jack, você pode me ajudar aqui "? Mulder alcançou o local com a ajuda do engenheiro que o acompanha no andaime. Ele descobriu uma mangueira que era conectada a um recipiente muito grande, onde estava escrito "Nitrogênio Líquido". "Tem nitrogênio líquido aqui , Scully!" ******************************************** "O Dono do Tempo traz as vítimas pra cá, pra esta torre, amputando as mãos deles, fazendo-os sangrar até a morte e assim que os congela, joga o corpo lá no relógio". Ele parou e se virou. " Mas por que não há nenhuma evidência de sangue? As vítimas sangraram até a morte. Mesmo que ele fosse como você Scully, ele teria deixado alguma sujeira." Scully fez que não ouviu o comentário. " Não necessariamente ". Scully usou lanterna dela atrás dos cantos para ver o local. "Uma das propriedades do nitrogênio líquido é que ele não se adere a outros elementos. Ao invés disso, os repele. Por isso o chão aqui é limpo. Se o assassino borrifa nitrogênio nas vítimas, ele atinge o corpo, o sangue, tudo . E o vento se encarrega do resto. Há vento o bastante aqui para limpar tudo em minutos. Talvez achemos algo lá embaixo. E outra coisa, Mulder: precisa de muito nitrogênio para congelar mais de um corpo, esse que tem aí não é suficiente." " É uma lata bem grande, Scully ". Ele sentia que podia achar a resposta, mas ele quis ouvir dela. " Não, ele tem em outro lugar uma fonte, onde ele pega mais nitrogênio. Nós temos que achar a fonte. Quando nós fizermos, nós podemos achar o assassino ". Mulder concordou, e continuou vasculhando o local. O que achou gelou o seu sangue, sem precisar de nitrogênio: uma foto de Scully, perto dele, e com as mãos riscadas. Ele guardou a evidência no bolso, e foi para junto da parceira; Agradeceram a ajuda do engenheiro, e saíram; O telefone de Scully tocou. Era o namorado de Tina Rodriguez. Scully fez algumas perguntas e uma resposta iluminou-lhe a face. " Eu descobri o que a terceira vítima fazia para chamar a atenção do assassino, Mulder. " Scully disse, usando uma voz que soou tão orgulhosa por ela ter feito outra conexão. " O que é que, Scully "? " Tina era uma pianista de concerto. O namorado dela há pouco me falou que ela tinha sido contratada pela Sinfonia de Filadélfia para ser a nova pianista deles. O namorado dela disse que ela era muito talentosa." Mulder olhou para Scully, enquanto considerando a evidência. "Talento é algo que você não pode querer para este caso, Scully." "Por que, Mulder? O que há de errado? Ela estranhou a mudança de atitude do parceiro. "Nada não, Scully. Vamos embora para o hotel?" "Mas já? São só seis horas da tarde, Mulder. Eu sei que está escuro e frio... "Hoje a gente não vai resolver mais nada, Scully." " Mulder, estou te estranhando..." ************************************* Torre de relógio 06h00 p.m. 05 de janeiro de 2001 O Dono do Tempo viu todo aquele movimento e percebeu que não poderia mais usar aquele lugar. Sabia também que os agentes tinham descoberto o recipiente de nitrogênio e também não poderia mais usa-lo. Precisava pegar logo as mãos da Agente ruiva, mas o agente parecia uma sombra perto dela. Com certeza sabia que ele iria pega-la. Mas não sabia que seria naquela noite. *************************************** Motel 08h00 p.m. Mulder estava incomodado. Desde que chegaram que ele sentia algo errado. Insistiu pra ficar com Scully, mas ela o expulsou do quarto. Decidiu comprar um jantarzinho para comerem nos quartos, pois estava muito frio e desde que começaram o caso ele sentiu que ela estava resfriada; bateu à porta do quarto. "Scully!!!! Trouxe o jantar!" Nada. Nenhuma resposta. Mulder nem esperou para chamar pela segunda vez: abriu a porta e entrou e o que viu quase fez seu coração soltar pela boca: o quarto estava todo revirado; "Scully! Você está aí?" Ele vasculhou o banheiro e examinou o quarto. Ele olhou para a cama desarrumada e o casaco de Scully no chão; havia sangue no chão, e o coldre estava vazio; havia dois tiros na parede e Mulder apostava que ela não foi sem luta; se lembrava de Donnie Pfaster, e se ela fez a mesma coisa... Deus, quando ia acabar o sofrimento dela? Mulder saiu do quarto direto para a polícia! Assim que saiu do quarto, pegou as chaves do carro e saiu. Ao entrar no carro, mal deu a partida e escutou uma voz no banco de trás: "Não se mexa, agente Mulder. Vamos dar uma volta e ninguém se machuca, por enquanto." Mulder olhou pelo espelho retrovisor e viu o Dono do Tempo com a mesma máscara, e com aqueles olhos... "Onde está a agente Scully?" Mulder tinha que perguntar, mesmo tendo certeza que não gostaria da resposta. "Ela está lá atrás, no porta-malas. Ela vai junto, pois é parte importante do nosso passeio." "Seu idiota! Você está se metendo com o FBI. Vai pra cadeia e pegar a perpétua, no mínimo!" "Agente Mulder, depois que vocês dois descobriram e atrapalharam o meu segredo, não dou a mínima! Vou fazer a minha obra de arte e preciso de vocês dois! Depois, eu mesmo me mato! Aquilo preocupou Mulder: um homem que não tem nada a perder é mais perigoso que qualquer outra coisa. "Posso pelo menos ver como está a Scully?" "Você vai ver quando chegarmos ao local. Agora, dirija!" Dirigiram para a torre, para o prédio atrás da torre, que também passava por reformas. Mas o homem conhecia o lugar e entrou por uma passagem alternativa, longe dos olhos da segurança; "Você gosta de correr riscos, não?" Mulder tentava conversar com ele, preocupado em socorrer Scully, pois nem imaginava o que teria acontecido a ela. "Olha, agente, no exército eu aprendi muitas coisas, e uma delas é que todos pensam que o culpado nunca é tão estúpido a ponto de voltar pro lugar das vítimas, e aí relaxam a segurança. Chega de conversa. Vamos, pegue sua parceira!" Ele fez Mulder sair do carro e dar a volta para o porta- malas. O que viu quase fez o coração dele parar. Scully estava desacordada dentro do porta-malas. Seu corpo pequeno parecia menor naquele espaço tão apertado. Tinha sangue no nariz e as mãos e os pés estavam amarrados. Uma mancha roxa no lado do rosto indicava que tinha sido esbofeteada. Tinha algo escuro nas mãos e Mulder foi ver: era sangue! "Você... seu animal... você cortou as mãos dela!" "Não, agente Mulder, ela é que atacou. A sua parceira é boa de briga amigo, mas eu sou melhor; ele tirou a máscara e Mulder pode ver seu rosto ensangüentado. "Ela não se entregou fácil não! Para de conversa mole. Pega ela, vamos!" Com todo cuidado, Mulder a carregou, sentindo-a gelada. "Deus, não pode estar morta!". Ele cada vez ficava mais cego de ódio, mas tinha que se manter lúcido, para o bem de ambos. Levou-a para o interior do prédio, sempre com o assassino apontando a arma para eles. Lá dentro, ele viu o que o assassino tinha feito com todas as mãos que pegou: um grande relógio, tendo as mãos como numerais! "Isso mesmo, agente, e as de vocês serão as próximas! Na verdade, eu só queria da Agente Scully, por ela ser talentosa com as mãos na profissão dela, mas como não vai dar tempo mesmo de ir atrás da minha ex-namorada, vou me contentar com as suas mesmo, agente Mulder! Coloque-a no chão, agora!" "O que você vai fazer?" Mulder continuava com Scully nos braços, como se isso a protegesse, e também para ganhar tempo. "Primeiro, eu vou cortar as mãos da agente Scully. Como ela já está meio fora do ar, não vai nem sentir. Na verdade, eu queria congelar ela primeiro, mas, como não vai dar tempo mesmo... vamos, coloque-a no chão!" Mulder abaixou-se e colocou Scully gentilmente no chão. Ficou observando o rosto de sua parceira e viu que não tinha outra hora: teria que ser agora. Sabia que seria suicídio, mas mesmo assim iria tentar. Ele pegou a arma que tinha na perna e virou-se tão imediatamente quanto pode. O assassino não teve reação. Mulder acertou um tirou certeiro no meio dos olhos, e o homem caiu no chão, como uma grande árvore, sem nem mesmo dar um pio. Mulder correu até Scully. "Scully? Você pode me ouvir?" Ele discava o 911 e pedia socorro. "Scully, vamos, não faça isso comigo! Responde, vamos, eu estou aqui. Scullyyyyy!!!" Ele sentiu ela se mexer, aliviado, e ficou chamando-a baixinho até que ela abriu os olhos azuis para ele: "Mulder? Que horas são?" Ele sorriu: "Scully, não quero saber de relógios até um bom tempo." "Mulder..." "Que é, Scully?" "Eu estou com frio... " Ela tremeu involuntariamente, reforçando sua condição. Ele a abraçou completamente. "Eu vou te esquentar, Scully. Não se preocupe." Ela fechou os olhos e ele a abraçou mais forte. Ao longe, as sirenes foram sendo escutadas.... Fim ************************************************** E aí? Gostaram? E-mail-me