FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores. Minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não havendo nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO: Drama/Shipper SINOPSE: Mulder tenta encontrar Scully de qualquer maneira, mas será que é isso o que ela quer? OBSERVAÇÕES: Aguardo um feedback, por favor, digam o que acharam. HE'S BACK Busca Final Mulder fica mudo por alguns instantes, tentando assimilar o que Skinner lhe dissera e quando percebe o que está acontecendo fica completamente desequilibrado. _ O quê? __ ele berrou __ Estou indo. Mulder entrou no hospital como um raio. Encontrou Margareth e Skinner esperando por ele. __ O que aconteceu? __ ele falou apressadamente __ Onde ela está? __ Eles disseram que iriam transferi-la para uma clinica. O médico dela autorizou. Não me deixaram vê-la e já tentei conseguir informações para onde a levaram, mas eles não dizem nada. Mulder dirigiu-se ao consultório do médico dela e foi entrando sem esperar permissão. __ Onde está Dana Scully? __ disse, pegando o médico pelos colarinhos. __ Senhor, é melhor parar com isso se não quiser ser preso. Skinner segurou Mulder pelo braço. __ Mulder, isso não vai adiantar. Você só está piorando as coisas. Ele soltou o médico, mas não saiu da sala. __ Onde ela está? O médico foi até a gaveta e tirou um envelope, entregando a ele. Mulder o abriu e reconheceu imediatamente a letra da parceira. Começou a ler com olhos incrédulos. "Mulder, sei que se preocupa com meu bem estar. Sei que só quer o melhor para mim, mas não posso abandonar novamente essa criança. Talvez tenham me usado para experiências, mas min...nossa filha não é culpada de nada. Se realmente sente algo por mim, não me procure. Instrui o Dr. Johnson a não dar qualquer informação sobre mim a nenhum de vocês. Tente compreender. Essa criança é muito mais importante do que minha própria vida e eu vou protegê-la nem que para isso seja obrigada a colaborar com os homens que tentam nos destruir. Por favor, não me procure. Estarei bem e me perdoe, mas é a minha decisão. Amor. DS¨ Mulder apertou o papel nos dedos. Caminhou nervosamente pela sala e voltou a encarar o médico. _ Onde ela está? _ falou com voz subitamente serena. _ Ela fez tudo sozinha. Não podíamos retê-la aqui contra a vontade. _ Ela foi embora sozinha? Estava bem? _ Ela estava bem. Não posso lhe dar mais nenhuma informação. Ela disse que havia explicado no bilhete. As informações sobre os pacientes são confidenciais. _ Mas a família pode ter acesso... _ Mas o senhor não é da família... _ Ela é minha filha _ interrompeu Margareth _ Tenho o direito de saber o que está acontecendo. _ Poderíamos conversar em particular? Margareth afastou-se com o médico e entraram numa outra sala. Mesmo com os protestos de Mulder, foi impossível obter informações. Legalmente ele não tinha qualquer direito sobre ela ou a criança e ele deixou-se cair pesadamente sobre uma cadeira, esperando que Margareth pudesse esclarecer alguma coisa. Ela saiu da sala, um pouco alheia a tudo. Mulder foi atrás dela com Skinner. _ Sra Scully, ele disse onde ela está? Margareth parou e olhou para ele um longo momento. _ Desculpe Fox... _ Sra. Scully _ Mulder a segurou pelos ombros _ Se eu não encontrar sua filha, ela vai morrer, ela e o bebê. Por favor, talvez haja uma chance de salvar as duas, me diga onde ela está... _ E se tiver que escolher, Fox... Quem seria? As emoções surgiam inesperadas para ele. Não se permitira pensar ou sentir mais nada do que na necessidade de encontrar Scully e ainda não imaginara o que faria quando a encontrasse. _ Dana quer esse bebê como nunca quis algo na vida. Eu a acompanhei nos últimos meses. Apesar da tristeza que víamos nos olhos dela por você não estar aqui, essa criança a manteve de pé. Ela a alimentou e a sentiu crescer dentro dela. Talvez você nunca saiba o que significa isso pra uma mulher, Fox. Mas não é algo que você possa simplesmente descartar. Isso irá matá-la de qualquer maneira... _Por favor, me escute, Sra. Scully. Eu sei que não participei de todo o processo. Se soubesse do estado dela, jamais a teria deixado sozinha. Eu carreguei comigo a culpa pela esterilidade dela durante todos esses anos. Não mediria esforços para devolver isso a ela, mas não a esse preço. Eles não vão permitir que ela fique ao lado da criança, mesmo porque, provavelmente ela não irá vê-la. Irá morrer Sra. Scully. Por favor... Margareth pareceu relutar. _ Eu jamais deixaria conscientemente alguém machucá-la. A senhora sabe o que ela significa pra mim... _ Se realmente ela significa algo pra você, Fox, deixe que faça essa escolha. Eu conheço minha filha. Eu acompanhei cada agonia dela com as perdas que teve e vi que uma parte dela morria com cada um desses momentos. Você sempre respeitou as decisões dela. Ela já esteve às portas da morte tantas vezes. Mas se tirar essa esperança dela, se lhe tirar aquela criança, a filha de vocês dois, Fox, ela não vai querer continuar vivendo. Não vê que ela já não suporta o peso de tantas culpas? Eu tenho fé em minha garotinha. Tenho certeza de que irá sobreviver e o bebê também. Por que não confia nela? Mulder esboçou um sorriso amargo. _ Ela é a única em quem confio, Sra. Scully. Eu já provei diversas vezes o que ela é capaz de fazer. É a pessoa mais forte que eu já conheci, mas...Agora...Não depende dela...É algo muito maior do que nós...Eu não vou deixar que a usem, mesmo que ela me odeie depois disso. _ Ela não vai odiá-lo. Entende o que está acontecendo? Ela não está com medo de você afastá-la da criança. Está com medo de se permitir deixar que você faça. Entenda Fox: ela sabe que você a convenceria a fazer isso. Ela quer, precisa se mostrar forte para você e, por causa disso, enterra tudo dentro de si. Só que, desta vez... Se ela deixar isso acontecer... Ela não vai suportar. Consegue entender isso? Eu também estou aflita. Também queria que minha filha estivesse aqui comigo, conosco. Eu sempre desejei esse bebê para ela, pra vocês. Queria que pudessem aproveitar esse acontecimento para viverem um pouco, mas... _ Eu vou encontrá-la, Sra. Scully. A senhora me ajudando ou não e que Deus me perdoe se ela não estiver viva. Mulder saiu apressado. Só tinha uma coisa em mente, um único pensamento, apenas um objetivo: encontrar a parceira. " Caminhando pelo sombrio corredor que me leva ao meu inferno interior, uma estranha sensação de vazio se apodera de mim. Tudo o que fiz, tudo o que busquei até hoje... as respostas que dariam sentido à minha existência miserável... minhas perdas... minhas dores... qualquer passo que eu tivesse dado em direção a esse imenso buraco no qual me encontro... nada me faria imaginar o caos em que mergulhei, dessa vez inconscientemente. Por que não poderíamos simplesmente ser pessoas comuns ? Por que eu tinha que ter perdido minha irmã ? Por que entrar pra o FBI e encontrar os Arquivos X ? Por que colocar alguém ao meu lado para me espionar e eu acabar me apaixonando por ela ? Não poderíamos simplesmente ter nos encontrado num simples baile de colégio? Numa palestra científica? Nos esbarrado no metrô? Por que as coisas não podem ser boas e normais para nós dois ? Enquanto atravesso o corredor que leva ao meu apartamento, sinto as forças fugindo lentamente de mim. Queria poder gritar, sair correndo e desaparecer no ar. Mas eu fiz isso e tudo o que consegui foi expor ainda mais a fragilidade dela, da mulher que suportou tudo sozinha pra que eu pudesse encontrar a verdade. Sem recriminações, sem palavras rudes, apenas com lágrimas de dor e saudade, ela me recebeu após todo esse tempo e ainda me presenteou com seu belo sorriso quando, admirado, olhei o seu ventre. Eu tinha feito aquilo, com ela, nós dois. Mesmo com o coração apertado de medo eu quis isso, tudo por causa daqueles olhos...Aqueles olhos que pareciam ter recuperado a paz, a mesma calma segura de quando me fitaram ao abrir aquela maldita porta no porão do FBI. Foi a primeira e última vez que fitei aquela expressão que viria a desaparecer durante os anos em que esteve ao meu lado, lentamente, definitivamente, para dar lugar a um olhar sobressaltado, surpreso, apreensivo. E estiveram pousados em mim, não serenos, não alegres, mas brilhantes, ardentes quando, burlando todas as defesas...Qualquer racionalidade, trouxeram à tona um sentimento guardado, escondido, mas, graças a Deus, liberado e consumido no espaço de um momento. Um momento que ainda trago em mim, que deu início a uma calmaria antes da tempestade. Momentos consumidos em olhares, palavras, gestos e insinuações que nos trouxeram até aqui; que nos colocaram juntos e agora, mais distantes do que nunca." Mulder entrou no apartamento, as luzes permanecendo apagadas. As chaves jogadas sobre a mesa. Um olhar torturado procurava por algo... Algo que poderia estar perdido para sempre, que havia nascido num porão, numa parceria inusitada e que, aos poucos, tomou outros espaços, invadindo caminhos, compartilhando pensamentos, fundindo-se em sentimentos .. Encostado ao batente, seu corpo foi perdendo forças, a adrenalina liberada no combate, onde se debatera e lutara, chegava ao fim e com as mãos perdendo-se nos cabelos, foi sacudido por soluços dolorosos de impotência e medo. Não foi possível precisar quanto tempo Mulder entregou-se ao desespero. Sentiu o corpo dolorido e novamente renascendo. Não poderia desistir. Não poderia abandonar o aliado no campo inimigo, principalmente quando o aliado representava uma parte da sua própria vida. Local desconhecido "Até hoje, assim como você, minha vida foi baseada em fé. Fé na verdade, na ciência, em você. Porém agora, essa fé não pode me manter a salvo. Não posso me prender a ela para salvar a única coisa que realmente consegui criar até hoje e, ironicamente, essa criação também vem de você, o homem com quem compartilhei mais do que minha vida, que descortinou minha alma. Gostaria que pudesse entender o que significa pra mim essa criança crescendo em meu ventre, se alimentando, respirando... e ela é tão mais importante pra mim porque carrega uma parte de você, uma parte que jamais se afastará, que eu talvez tenha a chance de ver crescer e ser feliz, feliz como nós nunca pudemos ser. Agora, amparo-me somente na fé em Deus e nela coloco as minhas esperanças de sobreviver, de provar que está errado, de que serei capaz de chegar ao final dessa jornada, embora sinta meu corpo e minhas energias lentamente fugindo de mim." Sede do FBI Passara-se uma semana sem que Mulder tivesse qualquer pista a respeito de Scully. O desespero começava a apoderar-se dele. Mal conseguia fechar os olhos para o repouso necessário. Skinner e os Pistoleiros trabalhavam incansáveis ao lado dele. Seguiram o médico, grampearam o telefone de Margareth, mas nenhuma informação nova surgia. _ Senhor, ela não pode ter simplesmente desaparecido. Mesmo que ela estivesse fugindo de mim...ela sabe que o bebê corre perigo. Ela teria procurado alguém...Ela..Avisaria alguém para o caso de acontecer algo a ela. Scully não deixaria a criança sozinha...Quer dizer...Ela teria contatado alguém... _ O médico não entrou em contato com ela... Mulder andou nervosamente pela sala. Estava acuado, pronto a atacar, a fazer qualquer acordo para rever a mulher. _ Há alguma maneira de localizarmos Krycek? _ Krycek? _ O que está acontecendo com ela está relacionado ao Sindicato. Tudo o que aconteceu nos últimos anos teve a participação deles. O Canceroso está desaparecido e nós sabemos que Krycek queria o lugar dele. _ Mesmo que soubesse, ele não diria nada a você, Mulder. _ Eu preciso tentar, senhor _ disse desalentado. _ Krycek não tem a mesma índole do Canceroso. Ele não é frio e te odeia. Se souber a profundidade do seu desespero, talvez use Scully pra te atingir e ela pode não ter como se defender. Mulder suspirou e levantou-se. _ Vou tentar falar com o médico dela novamente. _ Ele não vai atendê-lo. _ Preciso tentar. Não temos mais nada. Hospital Geral Mulder esperou a saída do médico, mas surpreendeu-se ao vê-lo saindo acompanhado de um outro homem. Seus olhos estreitaram-se e ele, a muito custo, resistiu a tentação de interpelá-los. Esperou que eles se separassem e seguiu o outro homem. Chegou ao prédio atrás dele e estacionou o carro. Toda a ansiedade não pode ser controlada e ele invadiu a sala sem esperar. _ Vai me dizer agora o que está acontecendo. Onde ela está? _ O que significa isso, Agente Mulder? _ Você estava com o Dr. Johnson, médico da Scully. Vi quando conversavam no hospital. _ Me solta _ Doggett falou empurrando-o _ Não sei do que está falando. _ Por que estava falando com o Dr. Johnson? _ Não lhe devo satisfações ou explicações de minhas atitudes,agente. Mulder afastou-se. Sentou-se pesadamente sobre a cadeira, enterrando o rosto entre as mãos. _ Olha, eu não tenho mais onde procurar_ disse lentamente _ A vida da Scully está em perigo. Sei que não acredita em mim e no meu trabalho. Mas ela precisa de mim. Eu posso ajudá-la. Doggett fechou a porta e sentou-se. Ficou em silencio por alguns instantes. _ Por que ela está fugindo de você, Agente Mulder? Mulder o encarou, sentindo a esperança renascer dentro de si. _ Ela está com medo. Mas eu não vou tirar-lhe o filho, ao contrário, eu o quero tanto quanto ela. Só que ela precisa ser tratada. Talvez não compreenda, mas há uma chance de salvar as duas. Se não fizermos nada, Scully vai morrer e nós nunca veremos a criança. Por favor, eu preciso encontrá-la. Jamais faria mal as duas...elas são...tudo o que eu tenho. _ É sua filha, não? Mulder apenas assentiu com a cabeça. _ Por que ela corre perigo? _ Scully, assim como eu, fomos expostos a um vírus de origem alienígena...ok...não precisa acreditar nisso...de qualquer forma...nós temos um corpo estranho em nosso sangue. A criança que ela está gerando está desenvolvendo essa substância que em nós está adormecida e é extremamente tóxica para o ser humano. Eles, os homens que nos infectaram com essa substância, estão fazendo experiências e por isso querem mantê-la sob controle. Eles precisam dessa criança. _ E você vai sacrificar a vida de seu filho pra salvar Scully? Agora entendo porque ela não quer vê-lo. _ Mesmo que Scully sobrevivesse, e isso é remotamente possível, eles jamais a deixariam com a criança. Ela é uma experiência, nada mais. Eu sei que pareço frio e insensível. Tudo o que eu queria é que fosse um bebê normal. Esse é o maior sonho dela, mas vai se tornar um pesadelo para nós dois. Doggett respirou fundo, avaliando o que diria. Caminhou pela sala e, quando voltou a fitar a face desfigurada de Mulder, pareceu decidir-se. _ Ela me ligou _ começou relutante_Eu a tenho visto. Pediu que eu protegesse o bebê se algo lhe acontecesse; que só lhe entregasse a criança após o nascimento. Disse que você a protegeria. Não entendi o porquê de ela estar agindo assim e não quis questioná-la. A Agente Scully é uma mulher especial...excepcional e...você sabe...achei que a estava ajudando. Queria poder fazer isso por ela. _ Então me ajude, diga onde ela está. _ Ela está no hospital. É uma ala reservada, usada para pesquisas, eu acho. Poucas pessoas têm acesso ali. Eu podia visitá-la. Ela deu autorização para isso. Eu a vi duas vezes, mas hoje ela não estava bem. Parecia estar sufocando. Os médicos chegaram. Não me deixaram ficar lá e quando voltei agora para vê-la, eles simplesmente disseram que...que ela não havia resistido e.. nem a criança. Mulder o olhou atônito. _ Eles não me deixaram ver os corpos. Disseram que a família seria avisada e que não havia mais nada a fazer. Achei estranho porque ontem ela parecia bem. Eu não acreditei muito no que me disseram, principalmente porque uma outra médica, Dra. Matthews, me procurou e disse que precisava falar comigo, mas o Dr. Johnson chegou e ela se afastou. Mulder levantou-se rapidamente. _ Sei que não tem motivos pra isso, mas preciso de sua ajuda. QG dos Pistoleiros Solitários Após algum trabalho, Byers conseguiu a planta do lugar. O Centro de Pesquisas era numa ala isolada do hospital. Havia duas portas de acesso: a que Doggett usara e uma outra que ficava mais isolada da área comum. Eles precisariam burlar a segurança para entrar. Doggett insistia numa abordagem convencional, mas Mulder acabou convencendo-o de que a melhor maneira de agir era sem que eles soubessem que estavam lá. Quando localizassem Scully, acionariam o FBI, mesmo porque eles não tinham mandado e até o conseguirem, sem motivos justificados, Scully poderia desaparecer, se é que já não era tarde demais. Mulder concentrou todos os seus pensamentos, todos os seus sentidos, palavras e emoções na elaboração de um plano de invasão. Não se permitia deixar levar pela angústia que o espreitava sorrateiramente, murmurando palavras sombrias de desalento e medo, tentando se aproximar e fazer com que ele visse a realidade: a de que Scully poderia não estar mais ali, e que todos os seus esforços quedar-se-iam inúteis. Hospital Geral Chegaram à noite ao hospital. Entraram normalmente. Os Pistoleiros estavam com eles. Haviam chegado primeiro e ao vê-los, começaram um tumulto na sala de espera. Frohike simulava um ataque enquanto Langly tentava socorrê- lo. Tamanha balburdia fizeram que os seguranças, enfermeiros e atendentes disponíveis foram atraídos para o local. Aproveitando a confusão, Mulder, Doggett e Byers entraram pela emergência, chegaram ao final do corredor e entraram no vestiário. Tirar os parafusos e remover a tampa do sistema de ventilação foi relativamente fácil. O problema é que eles eram grandes demais para passar por ele e jamais chegariam a outra ala sem que suas presenças fossem notadas. Uma nova idéia, então, surgiu: havia uniformes de funcionários da limpeza e eles se despiram, trocando de roupas. Começaram a trabalhar até chegar à área reservada. Não havia qualquer segurança, como na outra entrada que Doggett usara para visitar Scully, porém a porta possuía uma fechadura de cartão e eles não tinham acesso. Era a hora dos Pistoleiros agirem. Frohike e Langly já haviam saído do hospital e monitoravam os passos deles através da câmera com Byers. Após um momento, que pareceu eterno, conseguiram abrir a porta e Byers esperou por eles do lado de fora. Havia várias salas e laboratórios dispostos pelo corredor. Eles caminharam olhando cada lugar, estranhamente solitário, como se não houvesse ninguém trabalhando ou internado ali. Maquinas e tubos estavam espalhados pelas salas. Chegaram a um quarto onde havia pessoas ligadas a aparelhos, imensos tubos com uma solução esverdeada, velhos conhecidos pra Mulder, mas que causavam espanto a Doggett. Ele não tinha acesso ao resto das alas quando visitava Scully e não imaginava o que se escondia por trás das portas fechadas. _ Doggett _ Mulder sussurrou _ Ali _ apontou para um quarto. Scully estava sobre uma mesa, seus pulsos e tornozelos amarrados. Apenas um aparelho media as pulsações do coração. Ela estava estranhamente quieta. Mulder entrou silencioso. Estava preocupado pela estranha facilidade com que haviam chegado até ela. Algo lhe dizia que não poderia ser tão simples. Ele aproximou-se e não conteve uma exclamação de espanto. A parceira estava lívida. Seu corpo parecia muito inchado. Ela respirava com dificuldade. _ Scully? _ ele chamou baixinho, mas não obteve resposta. _ Ela está viva _ disse, dirigindo-se a Doggett _ Precisamos tirá-la daqui. Mas nesse momento, eles ouviram o som de passos apressados no corredor. Fecharam a porta e esperaram. Mas a sala foi iluminada e uma equipe de médicos, dentre eles o Dr. Johnson, entrou no quarto. Mulder não tinha como se esconder. Doggett estava atrás da porta e a equipe recuou quando Mulder sacou a arma apontando para o médico. _ Seu calhorda! O que estão fazendo com ela? Vai desamarrá-la agora! _ Ela está morrendo, agente. O que pensa que estamos fazendo? Nós tentamos salvar a vida dela. Agora só podemos ajudar a criança. Sabe do valor científico desse caso? Não pode impedir isso. _ Mentira, eu não vou deixá-la servir às suas pesquisas _ ele gritou. _ Haverá seguranças aqui num minuto, agente Mulder. Acho melhor se afastar. Mas nesse momento, Doggett decidiu agir: imobilizou o médico, tomando-o de surpresa e apontando a arma para a cabeça dele. _ Afastem-se vocês. Mulder, tire-a de lá. Mulder respirou aliviado. Correu até a parceira e libertou-a das amarras. Suspendê-la nos braços não foi tão difícil como ele imaginava. Apesar do ventre dilatado, do corpo inchado, ela não parecia mais pesada do que quando ele a levara ao hospital. Saíram para o corredor, com Doggett arrastando o médico e Mulder com Scully nos braços. Mas dois homens bloquearam a saída e eles não viam meios de sair. Subitamente o sangue sumiu das faces de Mulder. Atrás dos homens vinha um outro sujeito. _ Onde pensa que conseguirá ir, Agente Mulder? _ Krycek, maldito filho da mãe. Você estava por trás disso. _ Não queremos sua parceira, agente, mas a criança não poderá sair daqui. _ Está louco se pensa que eu a deixarei aqui. _ Não terá opção. Quem acreditará em você? Estão colocando em risco a vida de uma mulher grávida, Agente Doggett. Será que Mulder já conseguiu manipulá-lo, assim como fez com a parceira? Não vê que ele irá matá-la? _ Não acredite nele, Doggett _ Mulder interrompeu, vendo o brilho de dúvida nos olhos do outro homem. _ Scully está morrendo, você viu. Por que a abandonar num quarto se quisessem cuidar dela? _ Ela está infectada por uma bactéria, Dogget. Não pode ficar com os outros pacientes. Estamos cuidando dela. _ Não sei quem é você, amigo. Mas isso está estranho demais _ disse Doggett _ Quero outra opinião médica sobre o estado dela. Se não houvesse nada errado, não precisariam de seguranças, nem proibir de a vermos. Deixe-nos passar. Mas eles não se afastaram. De repente, outros sons foram ouvidos atrás da porta. Tudo aconteceu muito rápido. Mulder só teve tempo de voltar novamente para o quarto, seguido por Doggett antes que uma chuva de balas voasse próxima deles. Não havia mais esperanças, era apenas questão de tempo para que voltassem ao quarto e tirassem Scully dele. Mulder a apertou nos braços com força. Não permitiria que a levassem. Scully abriu os olhos e pareceu não entender o que estava acontecendo. Fitou o parceiro por alguns minutos e sussurrou em seu ouvido. _ Tinha razão E ela desabou sobre ele, envolvendo-lhe o pescoço e deixando os soluços sacudirem seu corpo, até cair exânime novamente. A porta se abriu e Doggett empunhou a arma. _ Agente Mulder? Mulder sobressaltou-se com aquela voz. _ Você? _ disse, levantando-se com Scully ainda nos braços. _ Tem que sair logo. Vai chegar mais gente. _ Por que está fazendo isso? _ perguntou atônito. _ Um homem tem direito de presentear o filho, não? _ Mas disseram que estava morto, você estava doente... _ Nunca subestime o inimigo _ o Canceroso sorriu. _ O bebê? Ele... _ Sua filha é especial, Mulder. Nenhuma ajuda é totalmente desinteressada. O projeto é muito maior do que isso e não o colocaremos em risco por causa de uma criança. Já cometemos esse erro com Samantha e não vamos repeti-lo_ele aproximou-se de Mulder estendendo um envelope _ Isso é para a menina. _ O que é isso? Você não vai machucá-la! _ Você vai saber como usar isso, quando for a hora. Pegue. Considere como um gesto de agradecimento à sua parceira por ter recuperado algo para mim. _ Não havia nada naquele CD. _ A verdade nem sempre é clara para todos, Mulder...Agora vá. _ E quanto a Krycek? _ Ele tinha uma dívida comigo e acabou metendo os pés pelas mãos. Nem todos podem fazer esse trabalho. Vá! Ele saiu e Mulder passou rapidamente pelos dois homens caídos no chão, um deles era Krycek. Hospital Geral Scully foi rapidamente hospitalizada. Não poderia ser transferida. Estava extremamente fraca e respirava com dificuldade. Nem o mais poderoso dos argumentos, nem qualquer tentativa de força foram capazes de afastar Mulder do CTI onde permaneceu ao lado dela até a chegada da médica, Dra. Matthews, a única que parecia confiável. _ Quais as chances, doutora? A mulher não parecia muito animada. _ Não sabemos exatamente com o que estamos lidando. Ela está muito fraca, mas aparentemente a única esperança é fazer o parto agora. A toxina está invadindo todos os sistemas dela. Ao que tudo indica, a criança está bem, mas só saberemos quando a tirarmos. Não quero ser pessimista mas... tudo o que podemos fazer é tentar salvar uma das duas. Mulder respirou fundo, tentando controlar as emoções. Novamente era colocado em frente a escolhas. Mas essa era a pior que já tivera que fazer. Escolher entre a mãe, a mulher que amava com todos os seus sentidos, e a filha gerada por eles por uma crueldade da natureza. Sabia qual seria a escolha da parceira e sua voz saiu extremamente baixa e fraca. Entregou-se finalmente. _ Faça _ disse respirando profundamente _ ela quer demais esse bebê, mas... não vou sair daqui. A sala de cirurgia foi preparada. Mulder vestiu as roupas e entrou ao lado da parceira. Todos os equipamentos foram ligados. Scully estava sedada. Mulder permaneceu ao lado, observando cada detalhe. Em seus pensamentos, apenas preces silenciosas para um milagre. Uma hora depois, a criança foi retirada. Parecia absolutamente normal, seu choro vigoroso invadiu o ambiente e Scully acordou. _ Mulder.. _ ela chamou baixinho. Ele desviou a atenção imediatamente para ela, esquecendo tudo à sua volta. _ Scully _ ele falou sorrindo _ Como está se sentindo? Graças a Deus! Você vai ficar bem, acredite. Não vá embora, por favor, não sem mim... _ Cuide dela Mulder, por mim, por favor. A máquina começou a apitar estranhamente. A linha verde que marcava as batidas fracas do coração dela, suavizou-se de repente, apenas uma extensa linha sem oscilações... sem vida. Mulder começou a gritar desesperado. As atenções que até então se voltavam para a criança foram desviadas. A menina foi levada até a outra sala para receber cuidados, enquanto eles corriam para socorrer a mãe. _ Afastem-se _ Mulder ouvia distante _ 300 jaules ... de novo.... afastem-se Aquele som transtornou completamente o homem que permaneceu estático, os olhos fixos na mulher, cujo corpo subia a cada descarga elétrica, sem alterações. Ele saiu da sala e encostou-se à parede do lado de fora, dando largas ao seu desespero. ...Continua...