FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não havendo nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO: Drama/Shipper SINOPSE: Mulder está de volta e agora terá que enfrentar um outro pesadelo. OBSERVAÇÕES: Aguardo um feedback, por favor, digam o que acharam. HE'S BACK Vidas em Perigo O corredor estava silencioso como sempre. As portas do elevador abriram-se e ele olhou ao redor, trazendo à memória todos os momentos em que atravessara aquele lugar junto a ela. Lembrou-se de um em particular quando, não fosse a interferência de uma maldita abelha, teria sentido, pela primeira vez, os lábios da parceira. Ele sorriu de leve. Aquela era uma cálida lembrança, mesmo levando-se em conta o desespero que se seguiu dali. Sentiu o toque sobre seu braço e voltou-se para fitar a mulher de cabelos vermelhos ao seu lado, com um olhar gentil e cuidadoso voltado para ele. Buscou-lhe as mãos e entrelaçou os dedos aos seus, apertando-os com força. Valia a pena cada minuto esperado para tê-la em seus braços, sobretudo, quando baixou os olhos para a barriga proeminente dela. Sabia o quanto aquilo significava pra ela e, para ele, somente o brilho que os olhos dela refletiam, compensava o temor que invadira seu peito quando pensava sobre aquela concepção. Não tinha qualquer dúvida de que ele era o pai daquela criança. Lembrava ainda cada detalhe dos momentos em que ela fora concebida. Mas ainda havia muitas perguntas a serem respondidas sobre a origem daqueles óvulos. Afastou aqueles pensamentos para se concentrar apenas no que faria para recuperar o tempo perdido. __ Não sei como conseguiu manter esse lugar, Scully __ comentou. __Pagando os aluguéis, naturalmente __ ela sorriu __ Sabe? É incrível como uma mulher grávida tem maior poder de persuasão. Seu senhorio foi bastante gentil comigo. __ Qualquer pessoa seria gentil com você, Scully. Já se olhou no espelho? __ Acha que esse barrigão está impondo respeito? __ ela brincou. Mulder abria a porta e eles entraram calmamente. Ele colocou- a em frente ao espelho e ficou atrás. __ Não é por isso. Você está radiante, Scully. Não seria possível resistir a uma mulher tão encantadoramente materna. Ela sorriu e apoiou-se ao peito dele. Realmente estava feliz agora. Mas não era assim quando ele estava desaparecido. Seus traços refletiam a agonia e a tristeza de se estar sozinha, completamente perdida, enquanto seu corpo passava por transformações incríveis. Não tinha com quem dividir esses momentos, mas agora ele estava ali: Era o bastante para sentir-se segura. __ Ter você de volta me faz radiante, Mulder. Ele a envolveu pelos ombros, beijando-lhe os cabelos. __ Sinto muito, Scully...Sinto não ter estado aqui com você. __ Está agora, Mulder. É o que importa. E você nunca esteve longe realmente __ ela concluiu, passando a mão pela barriga. Mulder acomodou-se. Suas coisas estavam no mesmo lugar. Havia roupas dela junto com as suas e ele sorriu. __ Estamos morando juntos? __ perguntou sem conter sua alegria. __ Eu passei alguns dias aqui... Às vezes... __ ela parou relutante __ Às vezes...? __ ele insistiu para que ela continuasse. Ela fitou-o longamente. Atentou para o rosto emagrecido, o olhar preocupado que ele se esforçava para esconder e que ela não sabia se era pelas lembranças da abdução ou pela criança que ela carregava. __ Não foi fácil, na maior parte do tempo. Vinha aqui quando achava que não suportaria mais... Eles voltaram para a sala, sentaram-se e permaneceram em silêncio, imersos em seus próprios pensamentos. Ambos misturavam sentimentos: felicidade por se encontrarem e angústia pelas lembranças que povoavam suas mentes e pelos acontecimentos que os esperavam. Scully não sabia se deveria perguntar sobre o período em que ele ficou desaparecido. Não sabia se aquelas lembranças não seriam muito dolorosas para ele. Esperou que Mulder falasse e, de repente, ele inclinou-se. Descansando a cabeça no colo dela e fechando os olhos, começou a falar mansamente: __ Eu não me lembro claramente de tudo, Scully. Sei que foram feitos muitos testes, mas nunca nos disseram para o que era. Sentia-me numa mesa fria, com luzes ofuscantes, mas perdia a consciência antes de ver exatamente o que faziam. Vi rostos familiares...Tereza Newman, Billy Mayos ... Só então compreendi que era a mim que eles queriam e não a você. Entendi que eles queriam aqueles que tinham passado por testes mais recentes, que haviam tido contato com o óleo negro. A sua abdução, com de vários outros daquela época, como a das mulheres do grupo REMOVE, foram o início do projeto. Eles precisavam do nosso DNA, dos seus óvulos. Acho que era uma das primeiras fases do projeto. __Mas eu fui exposta uma segunda vez, Mulder __ ela interrompeu __ Quando fui infectada por aquela abelha. Ele abriu os olhos e a fitou perturbado. __Talvez se tivesse ido comigo, também teriam te levado. Quando entrei naquele campo de força, comecei a entender. Eles estavam removendo as provas. Nós somos provas do trabalho que eles estão fazendo... __Não sei Mulder...Depois que você desapareceu, eu voltei à floresta. Lembrei- me que também entrei naquele campo de força. Pensei que fosse devido ao meu estado, embora eu não tivesse ciência dele naquele momento, mas eu me senti mal por ter entrado naquele campo e não em conseqüência da gravidez. Eles poderiam ter me prendido ali e você nunca saberia. __Não sei __ Mulder a fitava ainda mais angustiado __ Talvez eles tivessem capacidade para saber do seu estado...Que estava grávida e... Mulder parou de falar de repente. Seu semblante denotava apreensão. __Quer dizer...Não sei responder, Scully...__ ele tentou disfarçar. __ Acha que eles sabiam que eu esperava um filho? Por isso não quiseram me levar? Com que propósito? Acha que essa criança... Ela não conseguiu terminar. __ Acha que há alguma coisa errada com ela? __ Scully perguntou após um instante__ Mulder, eu fiz uma infinidade de testes. Não pense que não foi difícil pra mim. Eu também não acreditava que pudesse. Submeti-me a tudo o que você possa imaginar. Sei que ela é minha, assim como sua. Fiz testes de DNA. Eu só não consegui saber como a minha fertilidade voltou. Mas esse bebê é normal... Tenho certeza disso. Mulder levantou-se e ajoelhou-se em frente a ela. Precisava acalmá-la. Estava tão receoso quanto ela, mas não queria que ela se impressionasse. Desde o momento em que a viu, frágil e feliz com aquela situação, jurara para si mesmo que iria protegê-la tanto quanto possível. Mas não podia afastá-la da verdade. __ Scully, nós dois passamos por testes. Nossos organismos foram infectados por vírus. Não sabemos como sobrevivemos, nem como você recuperou a fertilidade. Talvez você tenha feito todos os testes, mas não os que pudessem identificar alguma alteração no organismo do bebê.Não sabemos o que nossa exposição pode acarretar ao desenvolvimento dessa criança. Ela se pôs de pé automaticamente, andando nervosamente pela sala, enquanto ele a fitava, compadecido. __ Acha que eles podem estar me usando novamente? Fazendo uma outra espécie de teste? Fazendo com que eu gere uma criança diferente? __ a voz dela era toda desespero. Mulder levantou-se e a prendeu nos braços, amparando-a com força. __ Scully, sei o quanto é difícil, mas precisamos saber a verdade. Precisamos saber se essa criança tem algum interesse para eles. Precisamos nos proteger. __ Mulder, eu não vou suportar reviver a Emily novamente __ ela falou num fio de voz __ Eu a deixei morrer, mas essa criança está crescendo dentro de mim. Ela é nossa, pelo amor de Deus __ ela começou a soluçar __ Eu não vou ter forças para deixa-la morrer novamente. __ Calma Scully __ Mulder a tomou nos braços, sentando-se com ela no sofá, passando a mão pelos seus cabelos e sussurrando palavras de confiança em seu ouvido __ Eu estou aqui; Nada vai acontecer a vocês. Eu vou protegê-las, não se desespere, por favor. Nós vamos conseguir. Ele continuou a embalá-la, mas seu coração estava pesado. Sabia que o Canceroso estava morrendo e que Krycek talvez tivesse assumido aquela causa. Um arrepio percorreu-lhe a espinha. Esse adversário seria muito mais perigoso. Ele não tinha a frieza do outro: agia passionalmente e isso poderia ser muito pior para eles. Scully passou a noite ali. Agora tinha mais medo ainda de afastar-se dele. Estava vulnerável demais para acreditar que se defenderia de todos, sozinha. Ainda mais agora que sentia a ameaça pairar sobre seu filho. Pela manhã eles seguiram para o FBI, Mulder teria que prestar esclarecimentos sobre seu desaparecimento. Ainda havia uma investigação a ser feita e as dúvidas eram muitas. Sede do FBI Washington DC A equipe estava reunida na sala de Skinner que o abraçou amigavelmente quando ele entrou conduzindo Scully. Mulder não conhecia a maioria daquelas pessoas que o interrogariam, mas seus olhos foram atraídos para o homem alto e magro, atitude impassível, os olhos brilhantes e lúcidos voltados para ele. Reconheceu Doggett e imediatamente sentiu-se desconfortável. Não sabia definir se o incomodara mais a dureza do olhar que ele lhe dirigiu ou a mudança desse mesmo olhar ao se desviar para Scully, como se adquirisse um novo brilho e calor. Sentaram-se e deram início à reunião, após as apresentações de praxe. Mulder contou o que lembrava, sem se importar com os olhares irônicos e sarcásticos que sentia sobre si. Disse que havia sido levado por uma nave; que nela encontrara várias pessoas conhecidas e que já haviam sido abduzidas. Contou dos testes que fizeram, dos quais lembrava muito pouco e da sua volta, da qual não se lembrava praticamente nada, além de acordar no hospital. __ É isso o que tem para nos dizer Agente Mulder? __ Doggett o questionava. __Sim, é isso. Gostaria de ser reintegrado aos Arquivos X e continuar tentando esclarecer o que aconteceu. Não foi somente comigo que isso aconteceu. Há mais vitimas lá fora e eles não podem sair impunemente. Acho que essa é uma conspiração de alguns homens do Governo, cujo líder é conhecido de todos nós e atende pelo nome de CGB Spender e... __ Mulder__ Scully interrompeu __ O homem que conhecemos como CGB Spender está morto, nós o encontramos e... __ Era ele realmente? __ Não localizamos o corpo, mas... __Sabe do que aquele homem é capaz, Scully. De qualquer maneira, Krycek também está por atrás disso. __ Quem é Krycek? __ interrompeu Doggett __ É um mercenário do governo que trabalha fazendo o serviço sujo. __ Agente Mulder, suas declarações são bastante confusas. Não acredito nessa estória de conspiração do governo com extraterrestres: Acho que nenhum de nós acredita. Estamos aqui para investigar um caso de desaparecimento e temos que nos ater a isso. O senhor não nos deu nenhuma prova concreta e precisamos interrogar as outras vitimas que voltaram em épocas próximas à sua. Quanto a ser reintegrado ao FBI, não haverá problemas__ Doggett falava com segurança e Mulder pode perceber que Skinner não concordava com os pontos de vista dele, mas não o interrompia.__ Precisamos de sua colaboração nesse caso, já que foi uma das vitimas. Sabemos que está sob o comando do Diretor Assistente Skinner, mas, nesse caso, a investigação está sob controle do Diretor Kersh e eu estou encarregado de concluir o caso, mesmo porque, os Arquivos X, agora também são uma de minhas pastas. Mas, por favor, pedimos que nos poupe de suas teorias estranhas: Precisamos nos ater aos fatos. Não estamos aqui para procurar por vida em outros planetas. Mulder adotou sua velha atitude indiferente. Sabia que era inútil tentar convencê-los de algo. Tudo o que queria era voltar aos Arquivos X e investigar por conta própria. __ A Agente Scully será afastada... __ Mulder pareceu voltar ao mundo ao ouvir o nome da parceira sendo dito por Doggett__ devido ao seu estado. O Diretor Assistente Skinner deverá designar alguém para trabalhar nos Arquivos X e... ___ Eu trabalho nos Arquivos X. Esse departamento é meu __ respondeu com raiva. __ Não tem opção, Agente Mulder. Até concluirmos esse caso, você está subordinado a mim e terá que se submeter ao meu comando. Não costumo deixar casos pendentes para irem parar em algum porão. Por enquanto é só. Amanhã voltaremos ao Oregon para interrogar algumas pessoas. Quero que você faça seu relatório e me entregue quando eu voltar. Até lá, procure se restabelecer. Mulder levantou-se e saiu apressado. Scully ia segui-lo junto com os outros que se levantavam, quando Doggett a chamou. __ Agente Scully, podemos conversar? __ Não estou mais sob seu comando, senhor __ ela respondeu irritada. __ Sei que nunca compreendeu meus motivos, Agente Scully, mas seu parceiro está de volta. Acho que é o bastante por enquanto. Apenas queria que soubesse que admiro sua coragem e foi um prazer trabalhar ao seu lado. Cuide-se. As palavras dele a desmontaram. Não tinha motivos realmente para ser tão indelicada. Eles trabalharam juntos durante o desaparecimento de Mulder e, embora não concordasse com ela e seus métodos de investigação fossem muito ortodoxos, ele a havia ajudado e nunca desistira de procurar pelo parceiro dela. Deveria ser- lhe grata por isso. __ Desculpe minha indelicadeza, senhor __ disse estendendo a mão__ Agradeço seu interesse. Ela afastou-se, sentindo o olhar dele sobre ela e tranqüilizou-se. Apesar de não possuírem o mesmo modo de pensar, ele fora correto, honesto e solícito, não havendo nenhum motivo para odiá-lo. Scully encontrou Mulder no porão. Ele estava irritado e mal humorado. __ Não acredito que terei que me submeter a isso. __ Mulder__ ela tentava acalma-lo __ Doggett não é um mal sujeito. Está preocupado em encerrar essa investigação para seguir adiante. __ Parece que o conhece bem, não é Scully? __ Mulder não comece. À maneira dele, Doggett ajudou a te procurar. Ele te deixou continuar as investigações. Aproveite isso para tentar descobrir algo. __ Tornaram-se amigos? __ Mulder, eu tenho que ir ao médico __ ela o interrompeu, dirigindo-se à porta. Mulder arrependeu-se da explosão. Estava frustrado e , como sempre, acabava descontando nela. Interceptou-a, segurando-a pelo braço. __ Desculpe, Scully. Eu vou com você. __ Posso ir sozinha, Mulder. __ Vamos lá, Scully. Eu sinto muito. Estou um pouco frustrado. Deixe-me acompanhá- la. Sabe que eu irei de qualquer jeito. Ela resignou-se e seguiu com ele. Entraram no carro e encaminharam-se para o consultório. Consultório Médico __ Como ficará nossa situação agora? Quer dizer.Com o bebê e... Mulder estava sentado ao lado dela, esperando o chamado do médico. __ Ninguém sabe que o filho é seu, Mulder. __ Como? __ ele perguntou incrédulo __ Não contei a ninguém. Não sou obrigada a responder isso. Mas acho que todos já imaginam e eu não vou pensar nisso agora. Quero esperar o nascimento do bebê... __ Mas eu quero ser o pai dele. Mulder percebeu que havia acertado no comentário dito sem pensar. A expressão dela mudou completamente e um daqueles raros sorrisos estampou-se em sua face. Mas ele não disse aquilo só para ser gentil. Queria fazer parte daquele momento, daquela vida que crescia dentro dela e que era parte dele também. __ Você não tinha me dito que queria __ Achei que era óbvio, Scully__ ele disse próximo ao ouvido dela__ Meu afastamento não diminuiu o que eu sentia por você. Ao contrário: agora está muito mais forte. Ela sorriu e buscou a mão dele, beijando-a com carinho. ___ Obrigada! __ Srta Scully __ interrompeu a recepcionista __ Pode entrar! Scully levantou-se e Mulder a acompanhou. __ Vai entrar comigo? __ ela perguntou surpresa. __ A menos que me proíba. __ Não... __ ela murmurou sem jeito __ É só que. Eu achei que... __ Eu quero esse bebê tanto quanto você, Scully, por nós dois. Acho que precisamos dele. Você foi a única coisa boa que me aconteceu nesses oito anos e essa criança é prova disso. Entraram no consultório e Scully sentiu-se feliz por tê-lo ali. Sentia-se normal agora: apenas uma mulher curtindo o nascimento do primeiro filho, ao lado do marido. Era essa vida que sempre buscara, mas que se tornou impossível ao trabalhar ao lado de Mulder. E, agora, aquele mesmo homem devolvia isso a ela. O médico a examinou. Poderia ser apenas impressão, mas para Mulder, aquele homem não gostara de vê-lo ali. Sabia que estava sendo paranóico, mas não conseguia evitar. Uma enfermeira chegou, levando Scully para a sala de exames a fim de realizar o ultra- som e convidou Mulder para assistir. Scully ficou atenta às expressões dele, quando, deitada sobre a mesa, sentiu o líquido gelado na barriga e o contato do aparelho sobre ela. As imagens tomaram forma na tela e ele estava atento a tudo. Não pode negar a emoção que o invadiu ao vislumbrar aquele vulto em sua frente que, aos poucos, foi tomando forma. Seus olhos arregalaram-se quando distinguiu os braços e pernas, as mãozinhas que se movimentavam quase imperceptivelmente. Ficou em silêncio, sem desgrudar os olhos daquela imagem. __ Você é o pai? __ perguntou a enfermeira, sorrindo ao ver o jeito dele. Mulder não respondeu. Seu pensamento estava distante. Pensava em como era incrível o desenvolvimento de uma vida e principalmente ter sido gerada por ele. A enfermeira olhou para Scully e ela simplesmente sorriu, desviando os olhos de Mulder para fitar a tela. __ O bebê está perfeito, Dana. Pode ver? Os órgãos estão completamente formados. Ele esta ágil e atento. Responde aos estímulos que você envia pra ele imediatamente. Ele está feliz. Acredita que as crianças podem sentir as reações da mãe? __ Acho que sim __ ela respondeu tranqüila __ Ele tem estado mais calmo nos últimos dias. __ Você está mais calma, Dana. Ele é o motivo? __ perguntou, apontando Mulder que continuava perdido em pensamentos, com olhos fixos no bebê. Scully não disse nada. Limitou-se a sorrir e Mulder finalmente pareceu perceber a presença delas. Fitou-a e ela pôde perceber o quanto ele parecia emocionado, envolvendo-a com seu belo sorriso de menino. __ Querem saber o sexo? __ a mulher perguntou, sentindo-se feliz por eles. Mulder exibiu uma expressão de indagação e desviou o olhar para a enfermeira e depois novamente para Scully. __ Quer saber, Mulder? __ ela perguntou. __ Ainda não sabe? Ela balançou a cabeça. __ Tinha esperança de poder partilhar isso com você. Ele deslizou a mão pelos cabelos dela e fitou novamente a tela. __ Primeiro, vamos ouvi-lo falar conosco, certo? __ interrompeu a enfermeira, aumentando o som para deixar o barulho produzido pelas batidas do coração da criança invadirem a sala. Os olhos de Mulder ficaram embaçados e ele se abaixou para procurar a mão da parceira, segurando-a com força e levando-a aos lábios com afeto. Beijou-lhe a testa em seguida e respirou fundo para controlar as emoções. Scully não saberia descrever o que estava sentindo naquele momento. Parecia que a calmaria a envolvia após um longo período de tempestade. __ O que é? __ ela perguntou. __ Quer saber, papai? __ a enfermeira perguntou risonha, desviando o olhar para Mulder que apenas balançou a cabeça. __ Uma bela menina é o que vocês esperam. E ela é bem grandinha. Esperem um pouco que o médico virá para fazer as últimas considerações, mas ela é perfeita, não se preocupem. Quer que grave? Ante a aprovação deles, a mulher passou o aparelho novamente pela barriga dela e passou para a fita, saindo em seguida. O médico voltou e liberou-os. Não havia nada errado com o bebê. Ao chegarem ao carro, Mulder abriu a porta para que ela entrasse e antes que ela fizesse isso ele a virou e abraçou com força. __ Obrigado Scully. Acho que esse foi o melhor momento que eu tive até hoje. __ Você foi o responsável por ele, Mulder __ ela disse, retribuindo o abraço. Voltaram para casa e, no dia seguinte, Mulder seguiu para o escritório a fim de encontrar-se com Doggett e seguirem para o Oregon. Não queria esperar: Precisava voltar em breve porque queria passar a maior parte de tempo possível com Scully. Interrogaram varias pessoas, mas, assim como ele, elas não pareciam ter lembranças claras do que acontecera. Algumas descreveram o mesmo cenário que Mulder, mas Doggett parecia irredutível em suas convicções, negando-se a acreditar naqueles relatos, tomando-os à conta de delírio daquelas pessoas. Isso valera várias altercações com Mulder, mas ele permanecia impassível e obstinado. Apartamento de Scully Washington DC O toque na porta demorou a ser respondido. Mulder já ia usar sua cópia da chave quando ela se abriu lentamente. Ele entrou para encontrar a parceira com as feições contraídas, cerrando os dentes para tentar disfarçar a dor que estava sentindo. __ Você está bem, Scully? __ perguntou preocupado. __ Acho que não é nada, Mulder __ ela respondeu, tentando respirar com calma. __ Senta aqui __ Mulder a conduziu até o sofá __ Como não é nada, Scully? Você está transpirando, tremendo. Deve estar sentindo muita dor, vamos até o hospital. __ Não é nada Mulder, vai passar logo. __ Como sabe? Não é a primeira vez que sente isso? Ela concordou com a cabeça. __ Falou com seu médico? __ Ele disse que as contrações são normais nessa fase, Mulder. Disse que o bebê é grande para mim e que esse era o motivo das dores. Logo vai passar. Mas não passou. As dores aumentaram e ela começou a ficar apreensiva. Não queria que nada desse errado. Não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas um mau pressentimento começou a tomar conta dela. Não queria ir ao hospital, temendo o que poderia acontecer se fosse. __ Vamos ligar para o seu médico, Scully. Você não está bem __ insistia Mulder. __ Eu não vou, Mulder. __ Olha __ ele disse pacientemente__ Nós só vamos ver se está tudo bem. Não vou deixa-la internada e se isso for preciso, eu fico com você, Ok? Pense nela __ disse, acariciando-lhe a barriga. Dirigiram-se ao hospital e Mulder podia ver o esforço que ela estava fazendo para não demonstrar a dor que estava sentindo. O médico dela não estava no hospital e uma outra mulher veio atendê-la. __ Oi __ disse a mulher calmamente __ Meu nome é Sara Mattews. Sou do departamento de obstetrícia. O que está sentindo? __ Uma dor enorme na barriga __ Scully disse por fim __ Já senti isso algumas vezes, mas o meu médico disse que é devido ao tamanho da criança. Mas hoje está forte demais e não passa. __ Vamos fazer alguns exames, está certo? Não se preocupe. Eu não trabalho na mesma equipe do Dr. Johnson, mas acho que posso ajudá-la. Está entrando no sétimo mês, não é? Scully respondia as informações que ela pedia e Mulder não desgrudava dela. No ambulatório colheram sangue para análise e ela foi encaminhada ao ultra-som. A médica a examinava em silêncio e com os resultados em mãos, pediu um exame mais detalhado do líquido da placenta. Scully estava nervosa, sabendo que havia algo errado pela expressão da médica e o olhar intrigado que ela lhe dirigia de vez em quando, mas por mais que eles perguntassem, ela limitava-se a dizer que deveriam esperar o resultado dos exames. Scully foi levada para o quarto e o remédio que lhe deram para acalmar a dor acabou por faze-la adormecer, embora ela estivesse fazendo esforços heróicos para não perder a consciência, não conseguiu resistir. A médica entrou no quarto minutos depois e pediu que Mulder a acompanhasse. __ O que sabe sobre a gravidez dela? __ perguntou assim que se sentaram. __ Eu não acompanhei desde o inicio, mas na semana passada o médico dela disse que estava tudo em ordem. O que está acontecendo? __ Mulder perguntou apressado. A médica levantou-se e colocou os exames dela no painel. __ Os testes de sangue deram algumas alterações. Parece que está havendo uma diminuição dos glóbulos vermelhos. Uma leve anemia não é incomum em mulheres grávidas, mas, no caso dela, a alteração é significativa. __ O que está ocasionando isso? ___ Ainda não sei ao certo. Para identificar melhor, precisaria saber de todo o histórico dela. Mas pode ter algo a ver com essa pequena bolsa que está se formando aqui __ disse mostrando uma pequena bolha junto à nuca da criança _ Fizemos a punção, mas não conseguimos identificar o que é esse líquido. __ Posso ver os resultados? __ Mulder perguntou preocupado. Ela trouxe os exames e mostrou a ele. __ Olhe __ disse estendendo o papel__ Não conseguimos identificar essa substância, mas ela é de origem orgânica. O estranho é que parece não estar afetando a criança. Ela está absolutamente normal, mas a mãe está sendo afetada. É como se essa substância a estivesse envenenando. Não sei se consegue compreender. Mulder fechou os olhos e respirou fundo várias vezes. Sabia o que poderia estar acontecendo e isso começava a deixa-lo desesperado. __ Isso começou agora? __ Não tenho os exames anteriores dela, é por isso que não posso dar certeza, mas da maneira como a está afetando, posso dizer que é uma formação recente, caso contrário ela não estaria suportando a dor. Parece que aumentou nas últimas semanas. __ Posso ficar com esses resultados? Gostaria de mostrar a alguém. __ Tudo bem. Por hora nós a sedamos. Assim que ela acordar, poderá ir embora. Mas é imprescindível que ela volte para fazer mais testes e identificar essa substância antes que a afete mais. O médico dela deve... __ Dra. Mathews, por favor. Preciso pedir-lhe algo. Não comente com o médico dela, por favor. Tenho motivos para acreditar que ele já sabia desse problema. Quero levar a uma pessoa da minha confiança antes de submete-la a novos testes. Posso contar com sua discrição? A médica não compreendeu muito bem, mas não entendia porque algumas pacientes do Dr. Johnson não podiam ser atendidas pelo resto da equipe. Havia ordens expressas para que elas fossem encaminhadas à equipe dele imediatamente, caso entrassem em contato com o hospital. Atender Scully fora uma casualidade, uma vez que a equipe dele encontrava-se numa cirurgia de emergência e eles não fizeram nenhuma solicitação especial quanto ao atendimento. Mulder voltou ao quarto e esperou até que, algumas horas depois, Scully acordasse. __ Como está? __ ele perguntou assim que ela abriu os olhos. __ Estou bem __ ela respondeu sentando-se na cama __ O que aconteceu? __ Eles te deram um remédio para acalmar a dor e você dormiu. __ E o bebê? __ ela perguntou nervosa. __ Ela está bem. Scully, como conheceu seu médico? __ Eu me senti mal antes de você desaparecer. Os rapazes me trouxeram ao hospital e eu fui atendida por ele. Foi o Dr. Jonhson que identificou a gravidez. Por quê? Algum problema? __ ela perguntou assustada. __ Não, tudo bem. Só queria saber. Assim que estiver se sentindo bem, podemos ir para casa. __ Vamos então __ ela disse levantando-se __ Não quero ficar aqui. Apartamento de Scully Mulder deitou-se com ela, passando os braços ao seu redor enquanto ela se acomodava para dormir, mas não conseguiu se tranqüilizar. Estava com medo. Não queria imaginar o que poderia estar acontecendo, mas a imagem de Cassandra e Emily não saía de seus pensamentos. No dia imediato, antes que ela acordasse, ele ligou para Margareth e pediu que ela viesse fazer companhia à filha e que não a deixasse sozinha de maneira nenhuma. A Sra. Scully estranhou as recomendações, mas tomou-as a titulo de preocupação exagerada ou um certo sentimento de culpa dele, por não poder estar o tempo todo com ela. Mulder levou os resultados dos exames para o QG dos Pistoleiros, junto com o ultra- som que ele havia acompanhado com ela e pediu que eles analisassem aqueles resultados. Em seguida, ligou para a Dra. Mathews e, por sorte, ela estaria de folga à tarde. Pediu que ela o acompanhasse ao laboratório do FBI e analisasse algumas amostras de sangue. Laboratório do FBI A médica atendeu. Também estava curiosa para saber o que estava acontecendo com Scully. Mulder pediu que ela analisasse o sangue dele e tentasse identificar a mesma substância encontrada na criança. Havia alguns componentes semelhantes. Infelizmente Mulder não tinha qualquer amostra de sangue de Cassandra ou de qualquer daqueles híbridos para comparar com a amostra do líquido tirado da placenta de Scully. Mas eles colocaram a substância em contato com cobaias e pelos efeitos ocasionados, Mulder não teve dúvidas de que sua filha era, na verdade, um híbrido humano alienígena. Tudo não passara de uma experiência. Porém aquilo iria matar Scully antes ou durante o parto da criança. Seu desespero teve inicio naquele momento. Como dizer a Scully que ela carregava uma criança que serviria de experiências para o Sindicato? Como eles iriam conviver com aquela realidade? Sabia que ela não suportaria passar por momentos como os que tivera com Emily e aquela situação o estava matando por dentro. Mas não poderia deixar Scully morrer. Não suportaria perdê-la por causa daqueles homens, mas não sabia se teria coragem de sacrificar a filha deles para manter a parceira viva, não sabia qual a reação dela se ele o fizesse. Talvez, optando pela mulher amada, que sempre seria sua primeira escolha, perdesse a ambas, ou será que Scully o perdoaria por tirar- lhe a filha? Novamente ele pediu sigilo à médica e encaminhou-se para o QG dos Pistoleiros. Antes de chegar, porém, recebeu uma ligação de Margareth dizendo que Scully não estava se sentindo bem e que elas estavam no hospital. Ele voltou o carro imediatamente e se dirigiu para lá. Tinha certeza de que o médico dela sabia daquelas experiências e não permitiria que ele continuasse com aquilo. Hospital Geral Washington DC Chegou ao hospital em questão de minutos e encontrou-a na sala de exames com o Dr. Johnson. Nem a mais robusta das enfermeiras foi capaz de impedi-lo de entrar lá. Trancou a porta sob o olhar assustado dela e do médico e, sacando a arma, exigiu que ele contasse tudo o que sabia a respeito da gravidez dela. __ Mulder, o que está fazendo? __ Scully, ele sabe o que esta te causando essas dores. Eu não vou permitir que eles te usem dessa maneira. Conte-nos o que sabe, doutor. Mulder tinha a arma sobre o pescoço do médico que o olhava apavorado. __O senhor é louco __ dizia com voz trêmula __ Está colocando a vida dessa mulher em risco. Nós cuidaremos dela. Scully estava atônita. Desviava o olhar de um para outro sem entender. __ Mulder, o que está acontecendo? __ ela perguntava. __ Essa criança é fruto de uma experiência, Scully. O sangue dela está te intoxicando. É a mesma coisa que fizeram com a Emily, só que dessa vez vai te matar. Você não pode continuar com essa gestação. Scully o fitou assombrada e recuou alguns passos. __ Você está louco, Mulder. Minha filha é normal. __ Não é Scully, olha __ ele disse com voz súplice __ Eu sei como está sendo difícil para você. Essas dores que você está sentindo são conseqüência do sangue tóxico dela. Eu vi os exames, Scully. Acredite em mim. Scully chorava descontroladamente, mas não permitia que ele a tocasse. Os seguranças invadiram a sala e seguraram Mulder pelos braços. __ Scully, por favor, venha comigo ___ ele suplicava __ Eles vão te matar. Ela o fitou ainda chorando, colocando as mãos sobre o ventre e afastando-se mais. __ Eu não posso, Mulder. Eu te disse que não suportaria perder outra criança. Ela está viva e é normal. Eu sinto isso. Ela está crescendo dentro de mim, seu corpo está completo. Ela é nossa filha Mulder, não pode me pedir isso. __ Mas isso vai te matar, Scully. Ela ficou em silêncio novamente, passou as mãos pelos olhos e voltou a encará- lo. __ Não posso, Mulder, não vou. Por favor, não se aproxime de mim. Mulder estava completamente transtornado. Foi preciso vários homens para segurá-lo enquanto o levavam para fora. Por mais que ele gritasse e gesticulasse, não conseguiu se soltar e foi levado para a delegacia, guardando na memória a imagem da parceira desolada e vulnerável a fitá-lo com os olhos rasos de lágrimas e dor. Scully foi sedada imediatamente e levada para o quarto. Mulder foi liberado várias horas depois quando Skinner interferiu e foi buscá- lo. Não conseguiram informações de Scully no hospital e Mulder já se dispunha a ir até lá novamente. __ Mulder, seja racional. Eles não vão te deixar entrar lá novamente __ ponderava Skinner __ Eu vou até lá e você me espera. Com muito custo, Mulder concordou com ele e seguiu para o QG dos Pistoleiros enquanto Skinner iria ao hospital ver Scully. QG dos Pistoleiros Solitários Ao bater na porta, Mulder deu de cara com Frohike, apreensivo e aliviado por vê-lo. __ Graças a Deus você chegou __ disse, empurrando-o para dentro. __ O que descobriram? __ Sente-se. __ Me diz logo. Eu não tenho tempo. __ Olha isso __ Byers mostrou três ultra-sons que Scully fizera, um anterior ao retorno de Mulder, o que ela havia feito na presença dele e o que a Dra. Mathews fizera __ Essa substância começou a se formar há pouco tempo. Veja nesse exame. Havia apenas uma bolsa mínima junto à nuca e estava intacta. Nesse segundo exame, quando ela começou a sentir dores, a bolsa está maior e parece que se rompeu, derramando-se na corrente sanguínea da Scully. Nesse ultimo, há uma quantidade maior sendo liberada no sangue dela. É como se ela estivesse sendo envenenada aos poucos; como se precisasse ficar viva até que a criança esteja pronta para nascer. Mas não afeta de nenhuma maneira o feto. __ Quer dizer que se pudermos isolar essa substância ela não afetará Scully? __ Não há como fazer uma cirurgia agora. Talvez fosse necessário antecipar o parto. Mulder caminhava nervosamente pela sala. Seu celular tocou. __ Mulder __ ele atendeu prontamente. __ Mulder __ Skinner começou relutante __ Ela... Ela sumiu. Continua...