FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Drama/Shipper SINOPSE : Após muito tempo, Mulder está de volta. Mas será que ele sobreviverá aos testes ? OBSERVAÇÕES : Aguardo um feedback, por favor digam o que acharam. Há muito tempo que eu queria escrever essa estória, mas ela não acaba aí, a continuação deve demorar um pouquinho, mas virá. A música chama-se Hero e quem canta é a Mariah Carey para quem quiser ouvir, é uma bela melodia. He's BACK Os passos apressados podiam ser ouvidos nitidamente pelo corredor vazio e silencioso. Enquanto caminhava seu semblante se alternava entre expressões de preocupação e alivio, medo e alegria. Ao receber aquele telefonema no início da noite, todos os seus sentidos se alteraram, o mundo começou a se mover lentamente, como se estivesse presa aos movimentos contidos de um filme em câmera lenta. Chegar até o carro parecia ter consumido várias horas e, no entanto, não transcorrera mais do que vinte minutos desde o momento em que, impaciente, recolocou o fone no gancho, vestiu-se rapidamente e chegou à entrada do hospital. Seus movimentos eram agora limitados pelo peso adicional que carregava, sentia ímpetos de correr desvairadamente, mas a barriga proeminente não a deixava esquecer que não estava sozinha. __ Sra. Scully ? __ falou um homem, interceptando a passagem dela. __ Agente Scully __ ela corrigiu __ Foi você quem me ligou ? __ continuou fitando o homem calvo, de semblante sereno e roupas brancas que denunciavam sua condição de médico. __ Sim, fui eu....Dr. Hanson __ disse o homem, apresentando- se. __ Onde ele está ? __ ela interrompeu antes que ele desse maiores explicações. __ Acalme-se senhora, se soubesse do seu estado __ o homem falou, apontando para a barriga dela __ Não a teria chamado. __ O que está havendo ? Diga-me de uma vez... ele...está...morto ? Durante aqueles seis meses em que ela fora obrigada a seguir sozinha, sem a presença segura do parceiro, Scully voltara a se fechar, não permitira que ninguém conhecesse o caos interior em que estava mergulhada. Seu riso, que antes do desaparecimento dele, era uma constante em seus lábios, desapareceu novamente. Resguardava-se mais uma vez sob sua máscara de profissionalismo e frieza. É certo que estava muito menos cética. A tão improvável gravidez, o desaparecimento de Mulder, a presença de Dodggett , tudo isso contribuía para que ela visse o parceiro em tudo o que fazia, nos casos que investigavam, na cama que dormia. Tudo lembrava ele e, de certa forma, a necessidade de acreditar ,a qual ele tão desesperadamente se agarrara por tantos anos, passara para ela. Era imprescindível acreditar, ela vivia por isso. Sem a fé de reencontrá- lo, sem a certeza de que encontraria as respostas para o que aconteceu a eles, não poderia seguir em frente. E para isso, abrira-se a todas as possibilidades, afinal, nada era mais surpreendente do que a criança que carregava no ventre e, no entanto, ela era uma certeza contundente. __ Ele está em coma__ o médico respondeu __ Só a avisamos devido às instruções deixadas pelo FBI, aqui no hospital. Scully se lembrou do trabalho exaustivo que tivera para convencer Skinner a exigir que todos os hospitais do Oregon até Washington, informassem imediatamente se Mulder fosse encontrado. __ Eu quero vê-lo __ ela falou determinada. __ Não deveria, agente, me perdoe, mas não posso permitir que entre. No seu estado a imagem dele pode causar problemas para a você a refletir-se na criança. __Eu sou médica, doutor. Estou acostumada a ver pessoas em coma, inclusive ele. Não seria a primeira vez. Deixe-me entrar. O homem resignou-se. Não poderia deixar de atender ao pedido de uma mulher que se, fisicamente parecia tão vulnerável, mostrava um espírito tão forte. Percebeu num relance que, o homem internado ali, deveria ser de vital importância para ela e, provavelmente, para a criança que carregava no ventre. Acompanhou-a até o quarto e se dispôs a responder a avalanche de perguntas que, certamente, ela despejaria sobre ele. Mas não foi o que ela fez, entrou no quarto em passos silenciosos, os olhos brilhantes. Aproximou-se do leito e fitou demoradamente o homem adormecido. Baixou os olhos para pousá-los sobre a mão dele. Tocou-a de leve para, em seguida, guardá-la entre as suas. Sentou-se à beira da cama e respirou fundo. Permaneceu assim por um instante até que desabou. Toda a força guardada nesses meses, as angústias e aflições, o mal estar causado pela gravidez, as pressões no Bureau, tudo enfim, que havia tomado todas as suas energias naquele período pareceu chegar ao extremo. Como uma represa que, devido ao ataque das tempestades, não suportando mais conter o aumento das águas, estala nas bases e desaba completamente, assim estava ela. Chorou sentidamente, segurando a não do parceiro que tinha o rosto marcado por hematomas e cicatrizes, o rosto pálido e desfigurado pelo cansaço e sofrimento, o corpo emagrecido, vítima de grandes provas de resistência e força. Ela não percebeu quando o médico deixou a sala para que ela extravasasse a tristeza, não o notara ali, novamente, ela entrava num mundo particular, criado pelos dois e que só eles tinham acesso. __ Você vai ficar bem, Mulder. Eu vou cuidar disso. Scully permaneceu ali por algumas horas, sabia que teria que avisar Skinner e Doggett, eles eram os responsáveis pelas investigações sobre o desaparecimento de Mulder, mas era difícil deixá-lo sozinho. Ainda sentia medo de que o levassem novamente, assim que ela desviasse o olhar. Agora sabia o que Mulder sentira quando levaram sua irmã. A sensação de impotência e culpa. Ela descobrira tarde demais quem realmente os alienígenas, ou seja lá quem fosse eles, queriam levar. Durante todo esse tempo, sentia-se culpada por não estar com ele, por não socorrê-lo. Mas intimamente sabia que nada poderia ser feito. Mulder iria até lá de qualquer maneira, assim como ela havia ido ao encontro naquela ponte. E ele tinha uma motivação ainda maior, ele sempre quisera ir. Scully informou o FBI sobre o paradeiro de Mulder. Skinner chegou duas horas depois, solicito e atencioso. Doggett já estava lá. A atitude impassível e fria dele deixava Scully irritada. Sabia que estava agindo como Mulder quando ela mesma fôra trabalhar com ele, sentia- se vigiada, podada. Após o quarto mês de gestação, não foi mais possível esconder as alterações de seu corpo. Passava indiferente entre as pessoas que a fitavam com olhar irônico e surpreso. Sentia-se literalmente a Sra. Spooky e, ironicamente, agia da mesma forma que o parceiro, isolava-se na busca que agora era a meta principal de sua vida. Não podia mais sair em trabalhos de campo e foi obrigada a confiar nas informações que Doggett lhe passava. Apesar da frieza, ele trabalhava com extrema eficácia. Mas não tinha a mente brilhante do parceiro, não conseguia ver nada além das pistas concretas e das informações oficiais. Não havia a confiança que se estabelecera entre ela e Mulder desde o primeiro caso investigado juntos. Foi uma longa semana. Por não precisar fazer trabalhos externos, ela dedicou-se à saúde do parceiro que parecia ligada a elos frágeis e sensíveis, prestes a se romperem a qualquer momento. Era no hospital que passava a maior parte do tempo, sem que ele apresentasse o menor sinal de melhora. Ela via seu corpo definhando-se lentamente, sem que nada pudesse fazer para detê-lo. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxx Ele ouviu as batidas na porta e se levantou lentamente. Não entendia o cansaço que lhe envolvia os membros, nem a sensação de medo que lhe enevoava o coração. Ao ver Scully a sua frente, pareceu recobrar novo ânimo. Ela estava linda, sorria para ele, mas seus olhos estavam tristes e tudo o que ele imaginava era uma maneira de mudar o estado de espírito dela. Sabia que dependia dele fazer isso, mas não sabia como. ___ Posso entrar ? __ ela perguntou suavemente. Ele queria responder, mas estranhamente, sua voz não saia. Ante o olhar interrogativo e indeciso dela, ele apressou-se a puxá-la para dentro. Sentaram-se no sofá e ficaram olhando-se por vários minutos, sem palavras ou gestos. ___ Do que tem medo, Mulder ? O que te impede de voltar ? A agonia tomou conta dele, a impossibilidade de responder deixava-o enlouquecido. "Como assim ? __ pensava___ eu não quero ir a parte alguma. Quero ficar aqui com você. O que está acontecendo comigo ? Minhas lembranças estão perdidas num emaranhado de sensações ruins, meu coração está pesado. Sei que tenho algo a fazer. Mas o quê, meu Deus ? Não consigo me lembrar. E você Scully ? Porque me olha desse jeito ? Porque parece tão infeliz ? O que eu fiz ? Ele começava a se desesperar. Levantou-se caminhando desgovernado pela sala. "O que aconteceu ? Porque estou assim ? Porque minha voz não sai ?___ seus pensamentos surgiam tumultuados___ Pense, Mulder, pense... tente se lembrar. Onde está a maldita memória fotográfica quando se precisa dela ? Virou-se e encarou a parceira __ Me ajude Scully. Diga-me o que fazer . Ela não podia ouvir, apenas olhava para ele com os olhos rasos de lágrimas. __Por favor, Scully, não chore. Só me diga o que eu devo fazer, eu não sei . Mulder aproximou-se dela e ouviu os soluços abafados de encontro ao peito dele. ___ Volta Mulder. Eu preciso de você, nós precisamos. Não deixe que eles vençam. Não vê ? Estou cansada, já fiz tudo o que estava ao meu alcance. Por favor, fique comigo. Ele a apertava com força nos braços. " Eu estou aqui, Scully. De repente sentiu uma onda de dor envolvendo sua cabeça, sentiu-se zonzo, queria gritar, mas não conseguia. E tudo ficou escuro novamente. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxx Scully andava pelo quarto. Por um momento, pareceu que ele iria acordar. Não sabia se era impressão ou desespero, desejo ou agonia dela que o vira mexer-se ligeiramente. Viu que seu corpo suava com abundância. Mas pouco depois, tudo voltou ao que era. Ali estava ele, distante e frágil. Ela começou a sentir dores na barriga e alarmou-se. Saiu do quarto em busca de ar e pediu à sua mãe que ficasse com ele. Margareth estava apreensiva com a filha, mas sabia que se o deixasse sozinho, Dana ficaria pior. Entrou no quarto e fitou o homem sobre o leito. Há sete anos ela passara pela mesma situação. Só que era a sua filha quem estava lutando contra a morte e ela suspirou profundamente. Será que ele também seria capaz de superar isso ? Queria acreditar que sim. Sua filha precisava dele e a criança que ela carregava no ventre era uma prova disso. Sentou-se ao lado dele e passou a mão sobre a testa fria. __ Fox ? Pode me ouvir ? O que te prende deste lado ? Volte filho ! Não imagina quanta alegria me deu ao saber que Dana carregava um filho e que esse filho era seu. Volte pra nós, agora você já tem pra quem voltar. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxx Mulder se viu chegando à uma boate. Várias pessoas circulavam por ali. O barulho era imenso, mas o local era dividido em vários ambientes. Procurou um lugar mais calmo, onde os casais rodopiavam lentamente ao som da música. Esperava alguém, mas não sabia se ela viria. Convidar Scully para sair fôra demais até para ele. Há algum tempo dividiam o mesmo leito, mas não se haviam encorajado o bastante para se encontrar publicamente, como um casal normal. Foi movido por sua impulsividade e sentira-se feliz como uma criança quando viu que ela balançava a cabeça concordando. Naquele ambiente, as pessoas escolhiam a música a ser tocada e uma infinidade de canções lentas e românticas enchiam o ar. Subitamente, uma melodia suave começou. Uma voz que era quase um lamento e ele sentiu-se triste de repente. Ao fitar o salão, não viu mais ninguém, apenas a figura frágil e delicada da parceira ajustava-se ao seu foco de visão. Estava linda em sua simplicidade. Nenhum exagero, somente sua bela figura caminhando daquela maneira peculiar, em direção a ele. Seus lábios se abriram num sorriso terno. Ela lhe estendia as mãos convidando-o a dançar com ela. Acompanhou-a imediatamente e envolveu seu corpo pequeno com os braços fortes. Alguma coisa, porém, não permitia que ele se sentisse completamente feliz, não pronunciava nenhuma palavra , talvez a música fosse responsável pela melancolia que invadia seu coração, ele apertou-a mais firmemente e a embalou , enquanto guardava a letra da canção em sua memória. "There's a hero. If you look inside your heart. You don't have to be afraid of what you are There's an answer, if you reach into your soul And the sorrow that you know, will melt away And then hero comes along Whith the strenght to carry on And you cast your fears aside And you know you can survive So when you feel like hope is gone Look inside you and be strong And you'll finally see the truth That a hero lies in you. It's long road, when you face the world alone No one reaches out a hand for you to hold You can find love, if you search within yourself And the emptiness you felt, will desappeare Lord knows, dreams are hard to follow But don't let anyone tear them away Hold ond, there will be tomorrow In time, you'll find the way. A música terminou e Scully havia desaparecido dos seus braços, ainda sentia o calor de seu corpo e olhou ao redor procurando-a. Viu que ela se distanciava pela porta e, finalmente, conseguiu gritar. "Não desista "foi a última frase que a ouviu pronunciar antes de acordar e sentar-se num pulo. O corpo coberto pelo suor do esforço despendido. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxx Olhou ao redor e a primeira imagem que foi a mulher sentada ao seu lado, os olhos brilhantes fixos nos dele. __ Bem vindo, Mulder ! __ ela sussurrou, misturando o riso e o choro de alegria. __ Scully __ ele conseguiu dizer __ é você mesma ? Ela balançou a cabeça confirmando e envolveu-o com os braços. Mulder sentiu o volume arredondado entre eles e afastou-se sorrindo intrigado. Observou a barriga dela por vários minutos, levou a mão trêmula e insegura até ela e acariciou com reverência. Beijou-a delicadamente e levantou os olhos para fitar a mulher de olhos úmidos e sorriso emocionado. __ Você conseguiu, mommy !___ disse com carinho __ Nós conseguimos, Mulder __ ela falou entre soluços, apoiando-se para abraçá-lo com força, beijando-lhe os lábios e deixando as lágrimas correrem livremente. Perdidos na contemplação de seu reencontro, não perceberam quando a porta entreaberta fechou-se lentamente e um homem ainda jovem, com uma das mãos imóveis, de expressão contrariada, voltou sobre os próprios passos, discando um número no celular. __ Ele voltou __ disse simplesmente e encaminhou-se para a saída. FIM OU MELHOR....CONTINUA....