Fan Fiction Autora: Levina Zarco E-mail: levina@shipperx.zzn.br Título: Fronteiras Classificação: shipper (!!!!). Disclaimer: Os personagens do seriado Arquivo X pertencem a Century Fox, sendo utilizados nessa história sem intuito lucrativo. Sipnose: Mulder e Scully não mais se entendem. Porém vão receber uma ajudinha bem especial em sua relação. Nota: É a primeira vez que escrevo uma fan fiction. Gostaria que enviassem críticas e sugestões, pois sei que o tema sobre o qual resolvi escrever é bem polemico. Tenho muitos amigos shippers, mas toda vez que falo sobre um possível casamento entre os personagens principais do arquivo x quase sou linchada. Literalmente. Pois bem, resolvi escrever sobre isso para provar que não é todo casal 'casado' que se torna 'brega' e sem graça... Até por que já considero Fox Mulder e Dana Scully fielmente casados há muito tempo. Um outro item é o fato de não saber muito sobre a estrutura do FBI. Quando criei os departamentos usei minha intuição. Mas esse item eu considero secundário já que o que eu visei foi a relação dos dois. Espero que gostem. _____________________________ "" ____________________________ Em algum lugar da costa. A mulher vestia um tailer cinza-chumbo, muito bem comportado. Tinha a aparência de eficácia e determinação muito peculiar. E por algum motivo estava triste. Molly Luccas senti-se terrivelmente atraída. Aquela mulher elegante, bonita, sentada naquele banco em frente ao mar, observando as nuvens, tinha uma história. Não que todos não tivessem uma história. Todos, absolutamente todos, tinham algo a contar. O que variava era o que acontecia nesses "contos". Molly ao longo do tempo, aprendera a discernir as mais empolgantes. Poderia-se dizer que desenvolvera uma certa intuição. Afinal, ouvir como o marido traiu, a esposa fugiu, os filhos não obedecem, as brigas com a sogra, a prima, o irmão, era extremamente chato! Eram realidades, realidades bem cotidianas. E tudo que se repetia em demasia ao longo do tempo era cansativo. E sempre ouvia esse tipo de coisa. Mas ali estava aquela mulher. E aquela mulher prometia. Duvidava muito que ela fosse falar sobre a fuga do marido com a vizinha ou que o filho estava saindo em má companhia. Enfim resolveu se aproximar. - Você pode me dar licença, minha filha? Dana estava distraída. Demorou um pouco até perceber que aquela senhora estava falando com ela. - Ou, desculpe. - Dana retirou a pasta do banco, permitindo que a outra sentasse. - Obrigada, filha. Está uma bela tarde, não é mesmo? – Molly começou a puxar conversa, enquanto ia tirando o tricô de sua enorme bolsa. Dana levantou os supercílios, em uma característica muito sua. Não estava disposta a conversar. Ia dar uma resposta qualquer e ir embora, mas ao olhar para a velhinha, foi recebida com uma enorme sorriso. Acabou ficando sem graça. - Está sim. Uma bela tarde. - Pois é, vou aproveitar essa tarde para adiantar esse tapete. Sempre arranjo um jeito de evitar termina-lo. Mas vou ter que acaba- lo um dia. Afinal, tudo tem um fim. Pelos menos aparentemente. Dana virou-se completamente para a senhora. Molly estava toda atrapalhada com agulhas e linhas. - Por que tudo tem que chegar a um fim? Molly vibrou internamente. A deixa fora dada. Conseguira chamar a atenção de jovem. - Você quer uma explicação religiosa ou filosófica? Dana pensou um pouco. - Quero a sua opinião. Foi à vez de Molly pensar um pouco. Sua intuição dizia que tinha quer ser sincera. Corria o risco da mulher levantar e ir-se. - Procuro não pensar muito no assunto. E quando penso, tento me convencer que o fim é apenas um novo começo. Para mim é um consolo. Afinal, já tenho oitenta e seis anos. – Molly deu uma risadinha infantil. – Acho que estou sendo um pouquinho mórbida. Mas me permito essas pequenas liberdades. Terminou com o seu namorado, minha jovem? – Molly viu a aliança e reformulou sua pergunta. – Ou foi o seu marido que aprontou alguma? Dana também olhou para a aliança. Sentiu uma leve pontada na cabeça. Havia se passado tanto tempo... Havia acontecido tanta coisa... Aonde foi que errara? Molly aguardou. Rezou aos céus para que a mocinha não dissesse que o marido havia fugido com a empregada rebolativa. - Meu nome é Dana. A senhora se importaria em ouvir uma história e me dar um conselho? Molly sentiu seu pequeno e ativo cérebro dar pulinhos de alegria. Estava com sorte hoje. - Muito prazer, Dana. O meu é Molly Luccas. Seria um prazer ouvir a sua história. Não sei se estaria apta para dar-lhe conselhos, mas por os problemas em palavras sempre nos dá um novo ângulo de visão. - Molly abriu o seu mais alegre e convidativo sorriso. Dana concordou. Precisaria organizar suas idéias para poder dar a seqüência exata ao que ia contar. - Bem, tudo começou há quase dez anos. Foi quando conheci o meu parceiro. - Seu parceiro? Não quer dizer seu marido? - Não meu parceiro mesmo. – Dana voltou a fitar o mar e os reflexos dourados do sol. – Sou agente do FBI. Molly soltou um "oh!". Acertara na mosca quando resolvera investir em Dana. - Deve ser uma vida emocionante! A mulher meneou a cabeça. - Às vezes, nem tanto. Também somos obrigados a escrever extensos relatórios no final de cada caso. É um tanto chato. Molly levantou o queixo interessada. Ficou esperando que Dana continuasse. - Então, há quase dez anos conheci Fox. Fui mandada para controla-lo e por em xeque suas opiniões e atitudes. Seria uma espécie de espiã. Fox, na época era tido como um talento desperdiçado, um estranho no ninho, uma pedrinha incômoda. Suas opiniões afetavam pessoas importantes. Fui mandada para desacredita-lo. - E foi ele que a desacreditou? Dana sorriu, levemente divertida. - Mais ou menos. Ele me conquistou. Conquistou uma aliada, uma amiga. Conquistou alguém em quem ele poderia confiar total e cegamente. E Dana acabou extravasando. Sentada ali, com aquela senhora estranha, sentiu-se totalmente à vontade. Muito mais confortável do que havia se sentido durante muito tempo com sua própria mãe. Aquela senhora a estava ouvindo. Sem por em dúvida ao menos um virgula do que dizia, nem fazer aquelas expressões de descaso e descrença. Então ela contou. Contou o caminho de amizade e perseverança que ela e Fox haviam traçado ao longo dos anos. Contou em como se metera nas maiores aventuras para salva-lo e ele a ela. Contou dos inimigos dele que haviam se tornado inimigos dela. Contou em como haviam adquirido tamanha confiança e cumplicidade que praticamente conseguiam adivinhar os pensamentos um do outro. Chegavam mesmo a adivinhar o que o outro estava fazendo. Contou sobre a cruzada em busca da verdade de Fox, que havia sido também a sua cruzada. E finalmente contou sobre como havia se apaixonado pelo parceiro. - Ou! – Molly concordou. – Você se apaixonou pelo agente meio maluquinho... Como descobriu que estava apaixonada por ele? - Em uma das vezes em que ele foi parar no hospital, me dei conta que se algo mais grave realmente acontecesse, não conseguiria suportar. Não sei se a senhora me entende... Se Fox fosse apenas um amigo e caso ele, bem, acontecesse o pior, eu iria sofrer, e sofrer, e chorar e sentir sua falta pelo resto da minha vida. E foi assim, até aquele dia, quando o fato dele estar mais uma vez em um leito hospitalar me fez ter arrepios. Eu não iria apenas sofrer caso ele se fosse. Eu iria com ele. Dei-me conta do peso no meu coração, do desespero. Sem ele nada fazia sentido, tudo perdia a razão de ser. As mulheres ficaram um breve momento em silêncio. Dana lembrando daqueles tempos difíceis. Molly saboreando a presença de um amor muito forte. E muito bonito. - Ele sentia a mesma coisa que você? - Sim. Passamos vários anos trabalhando juntos. Tínhamos uma espécie de paixão recolhida. Um amor platônico. Morríamos de ciúmes. De certa forma, depois de algum tempo, passamos a não admitir que ninguém se aproximasse muito. Acho que depois que nos conhecemos, não voltamos da ter realmente amigos, no sentido de confidentes, aquelas pessoas que nos dão colo... Tínhamos nossos pais e depois que eles morreram, tínhamos um ao outro. Todos demais eram amigos, porém muito mais colaboradores, simpatizantes da nossa causa. Acabamos nos isolando. Molly colocou a mão no queixo, em um gesto de dúvida. Depois apontou para aliança. - Presumo que você tenha se casado com ele. Como chegaram a isso? Se bem que não é muito difícil imaginar... Dana riu. Por um momento, Molly vislumbrou o que seria uma Dana alegre. - Uma noite, mas quente que o normal, acordei sobressaltada. Havia sonhado com Fox. Minutos depois bateram na porta. Era ele. Sabia quem era, antes mesmo de levantar da cama. Fox nunca tacava a campainha do meu apartamento. Então, quando me dei conta, estava com ele no meio da minha sala, olhando fixamente para mim. Pude ler seus olhos como os pescadores lêem o mar. - E o que eles diziam? - a senhora foi um pouquinho maliciosa. - "Me ame". - Dana silenciou. - Bem, foi meio selvagem. – Concluiu simplesmente. Como em um flash, a mulher relembrou a noite em que finalmente haviam ido para cama. Por breves instantes pode sentir as mãos do amante em seu corpo. Fora naquele momento que se dera conta que ardia de desejo na presença de Fox. Que o andar, o cheiro, o sorriso dele, eram deliciosamente excitantes. Claro, havia a cruzada, a amizade, e o amor. Mas Dana se dera conta, nos braços do parceiro que também havia o desejo e o sexo. Algo que andara meio adormecido. E que aos poucos ressurgira ao contato com o corpo de Fox, de sua respiração acelerada contra seu pescoço. E da boca envolvendo a sua. - Foram momentos bem agradáveis, hein? - Foram momentos únicos. Finalmente havíamos rompido uma barreira que perdura durante sete anos. Passamos a noite interia nos braços um do outro, declarando nosso amor. Foi tão bom dormir nos baços dele... – Dana sorriu enternecida. – Nunca me senti tão segura. - É sempre bom ter um homem a nossa volta, querida. É bom saber que somos amadas. Faz um bem terrível para o ego. Fora o cabelo, a pele, o humor, tudo melhora num passe de mágica. Mas afinal qual é o problema? Vocês tiveram até então uma vida cheia de emoções e aventuras. Encontraram um amor, que se pelos uma fração do que diz for verdade, é um amor que só as almas gêmeas vivem. E melhor do que isso! Vocês concretizaram essa relação! Vocês se casaram! Moram sob o mesmo teto, dormem na mesma cama. É perfeito! O que houve de errado? Dana alisou a saia, pensativa. O que ocorrera? É o que vinha se perguntando até aquela tarde. Saíra de casa depois de uma briga bem violenta. Haviam trocado acusações e mágoas. Fox agora era o diretor do departamento de psicologia e ela era diretora do núcleo de patologia. Haviam "subido na vida". O departamento de psicologia era subordinado ao núcleo de patologia, mas as tarefas eram tantas que mal se viam no trabalho. Dana explicou isso a Molly. - Estávamos acostumados a passar a maior parte do tempo juntos. Brigávamos antes, mas eram apenas discussõezinhas, nada sério. Mas agora tudo piorou. Não paramos de ter brigas. No final, os extraterrestres nos deixaram em paz assim como a conspiração que estava por atrás dele. O triste, para não dizer irônico, é que eles tentaram de todas as maneiras nos separar. Inventaram de tudo e nada conseguiram. Foi preciso nos deixar em paz para que começássemos a nos estranhar. Há algum tempo que me pergunto se realmente o que sentíamos um pelo outro não era apenas o resultado da adrenalina em nossas veias. Foi a vez de Molly arquear os supercílios. - Vamos dar uma volta, querida? Está muito quente, preciso de um imenso suco de limão com muito gelo. Dana concordou e foram até um quiosque que havia a alguns metros. Molly comprou sua limonada e passaram a caminhar lentamente sob as sombras das arvores. A mais jovem retardando os seus passos para não cansar demais a mais velha. - O quê você realmente quer saber, minha filha? Sobre o quê especificamente quer receber meu conselho? A mulher inclinou a cabeça e respirou fundo. Tomou coragem e fôlego para fazer a pergunta. - Sra. Luccas, depois de tudo que lhe contei, a senhora acha que... Bem, que... Que eu devo me separar? Acha que duas pessoas podem ter se enganado tanto a respeito do que sentem? Molly olhou penalizada para a mulher a sua frente. Haviam parado sob um flamboyant e as sombras das pequeninas folhas dançavam no rosto meigo da jovem. Os cabelos ruivos, com mechas atrás das orelhas haviam adquirido um tom meio cobre. Parecia bem mais jovem do que era. Molly lembrou- se de quando era jovem também e como as dúvidas eram mais cruéis, mais devastadoras. Não poderia dizer que sim ou não as perguntas de Dana. Não assumiria a responsabilidade sobre duas vidas. Mas poderia ajuda-la de outra maneira. - Dana, feche os olhos. - O quê? - A mulher se surpreendeu. - Ora, vamos, feche os olhos. Não ligue para as pessoas a nossa volta. Quero fazer um "teste" com você. Sei que vai gostar. Dana encarou a senhora. Dentro de seus olhos viu tranqüilidade e sentiu confiança. Então fechou os olhos. - Você me fez algumas perguntas, querida. - A voz de Molly foi ficando baixa, entrando em um tom bem semelhante ao da ladainha. - Não posso responder nenhuma delas. Por que não sei a resposta. Só quem pode dá- las é você mesma. Volte no tempo, reveja o primeiro dia em que viu seu parceiro. Repare nas coisas a sua volta. Repare nele. Repare nos pequenos gestos, nas frases mais simples. O que você vê nos olhos dele? Dana respirou fundo. Estava novamente naquela saleta empoeirada no porão do FBI. Fox estava sentado de costa para ela. Quando a viu olhou-a de alto a baixo. - Vejo determinação. Desejo. E sonhos. - Bom. Agora quero que procure dentro do seu coração a resposta. Quero que se lembre dos momentos mais marcantes que teve com Fox. Os momentos mais difíceis, os momentos em que a coisa mais simples era dar uma boa risada, os momentos em que teve certeza absoluta que havia nascido para se encontrar com ele e fazer parte se sua vida... Pergunte ao seu coração. Pergunte a ele. Você se enganou ao achar que amava Fox? O que você realmente sente por ele? Você acha que deve se separar? Acha que ele quer isso? Molly esperou por alguns segundos. - Quando quiser abra os olhos. Quando finalmente fez isso, Dana estava com os olhos marejados de água. Engoliu em seco, mordendo o canto do lábio inferior. Respirou fundo antes de presentear a senhora com um sorriso tímido. - Como eu fui idiota! Molly riu. - Todos somos uma vez ou outra. - Eu o amo. Estou criando uma tempestade em um copo d'água! Meu Deus, o que foi que deu em mim? Alias, o que deu em nós dois? Fox está passando pela mesma coisa que eu... Estou me sentindo uma tola... - Queridinha, - Molly pegou uma das mãos de Dana e começou a dar tapinhas. - É a crise. Todos os casais passam por crises. A de dois anos, a dos sete, a dos dez, a dos quinze... Ihhh... É crise para dar, vender, doar... O que não podemos permitir é que esses pequenos lapsos determinem nossas vidas. Não permita que essa confusão cresça, transforme-se em uma bola de neve e destrua a única coisa que importa agora: o amor de seu marido. Haviam voltado a caminhar. As horas passaram muito rápido. Já era fim de tarde e junto com o dia a fase mais quente também ia embora. Quando Dana percebeu estavam em frente a uma casa branca. O jardim era muito bem cuidado. Imensas rosas vermelhas espalhavam seu aroma pelo ar. - É aqui que eu moro, minha filha. A casa não era muito grande, porem tinha um ar acolhedor. - É linda. Molly concordou. - Espero que nossa conversa tenha tido bons frutos. - Teve sim. Eu agradeço. Acho que precisava conversar, desabafar com alguém. Obrigada por me ouvir. Num gesto espontâneo, Dana se inclinou e abraçou a senhora. - Ora, minha filha! Uma mulher na minha idade só tem uma coisa a fazer e fazer bem: ouvir os mais jovens. - A risadinha infantil tomou conta da atmosfera. Molly deu palminhas nas costas da mulher. - Tenho quer ir agora. Até breve. E mais uma vez obrigada. - Até breve, apareça qualquer dia desses. Traga Fox. Benjamim, meu marido, prepara biscoitos deliciosos. Com um chá de maça ou hortelã bem quente, hummm... Só de falar me dá água na boca. Estão devidamente convidados. Dana sorriu e assentiu. - Tchau. - Tchau. Dana se dirigiu a praia. O carro estava um tanto distante. - Dana, você não me disse seu sobrenome! - Mulder, Dana Mulder! Com um aceno, a mulher continuou seu caminho. * FBI Departamento de psicologia Naquele finzinho de tarde. Mulder acertou com louvor a bolinha de papel na cesta de lixo. Fez uma expressão de vitória, preparou outra bolinha e acertou de novo. - Pensei que seu esporte preferido fosse o beisebol. Ele se virou para a porta. Parada no batente, a mulher ruiva, de imensos olhos azuis o observava. Dana fez uma comparação em sua mente. A sala era muito maior, muito mais arejada e poderia ser muito mais luminosa, do que a sala dos arquivos x. Fox havia desligado a luzes mantendo uma única, a de cima de sua mesa, acesa. A sala, muito bem mobiliada, ganhou uma atmosfera mais aconchegante. - E é. Mas prefiro jogar quando tenho companhia. - A expressão até então compenetrada metamorfoseou -se em preocupação e cansaço. – Precisamos conversar, Scully. Ela sorriu. Na intimidade, ele ainda a chamava pelo nome de solteira. Isso sempre soara estranho e levemente engraçado em seus ouvidos. Assim como o fato dele não gostar de ser chamado pelo primeiro nome. - Eu sei. Foi por isso que vim. Queria lhe pergunta uma coisa. Você se lembra por que brigamos hoje cedo? Ou o motivo de qualquer de nossas discussões? Mulder abaixou a cabeça, pensativo. Dana entrou na sala e fechou a porta. Foi encostar-se à beirada da mesa, bem próxima ao marido. - Foram pequenas bobagens. Lembro uma vez que brigamos por causa do horário do almoço. Passei o dia inteiro pensando nisso, Scully. O que tem acontecido conosco? Quer dizer... Sempre discordamos um do outro, mas isso sempre foi um motivo a mais de união. Sua postura me manteve ético, no eixo. Não entendo por que estamos passando por isso. - E sua crença me fez crescer e olhar o mundo de maneira menos cética... Eu também não entendo direito. Mulder olhou para a esposa totalmente pesaroso. - O que houve? Dana engoliu em seco. - Não sei ao certo, Mulder. Acho que depois que o terror acabou, acabaram-se também nossos objetivos comuns. Revelamos ao mundo a verdade. E perdemos um pouco da nossa liga. Pensei muito hoje. Cheguei a ponto de cogitar uma separação. - Ele a olhou sério. O rosto se anuviou de tristeza. - Depois me dei conta que jamais me perdoaria se desistisse de você. Vamos dar um jeito nisso. - Dana inclinou-se e tocou o rosto de Mulder com a ponta dos dedos. - Vamos criar outros objetivos, vamos nos aproximar outra vez, querido. Quero tentar inverter essa situação. Vou fazer de tudo para que voltemos a ser como antes. Eu... Te amo. Mulder fechou os olhos. Ao menor toque de Dana era sempre impelido a relaxar e saborear o calor que emanava da mulher. Sentiu que a tensão que vinha sofrendo há vários meses começava a ir embora. Quando voltou a olhar para esposa tinha uma expressão tranqüila. Ele levantou e abraçou Scully. - Eu também te amo. Como sempre amei desde o primeiro dia em que nos vimos. Se estiver disposta a tentar, eu também farei isso, amor. Ficaram se olhando, voltando a enxergar o que nos últimos tempos haviam esquecido. Mulder aproximou o rosto da mulher e encostou os lábios nos dela. Scully suspirou deliciada. O beijo foi doce, mas aos poucos foi perdendo a docilidade para se tornar febril. A sala estava na penumbra contribuído para o clima de intimidade que se espalhou pelo ar. Mulder a apertou contra o corpo. Toda ela era calor e prazer. Scully voltou a olhar dentro dos olhos de Mulder. Os olhos verdes haviam adquirido uma tonalidade verde-oliva que sempre havia deixado-a mais frenética. Aquela noite seria a noite da reconciliação. * - Scully! - Mulder! Os dois se encararam momentaneamente antes de Dana empurrar as flores e o grande pacote de chá no peito do marido. - Não se atreva a recusar a segurar os presentes! Ou eu corto todas as suas gravatas! Mulder deu uma gargalhada. - Por qual você quer começa, baixinha? Scully riu também. Puxando-o pela gravata caminhou até a cerca da casa branca. Do outro lado um senhor, muito idoso, os observava, curioso. Estava cuidando das imensas roseiras. - Olá! Mulder acenou para o senhor que largou a tesoura de podar e se aproximou da cerca. - Olá. Boa tarde. - Boa tarde, senhor. Gostaríamos de falar com Molly luccas. – Scully inclinou a cabeça em um gesto que fez Mulder sorrir. – O senhor é o Sr. Luccas? - Sou sim. Quem são vocês? O que querem com Molly? – Benjamin franziu as grossas sobrancelhas, aparentemente bem intrigado. - Eu a conheci há algumas semanas e ela nos convidou, a mim e meu marido, para um chá. Ela disse para aparecermos quando quiséssemos. Tentei telefonar antes mas o número não consta da lista. - Trouxemos presentes! – Mulder mostrou o pacote marrom e os crisântemos. Scully olhou para ele com o canto dos olhos. – Dana disse que sua esposa gosta de chá. Trouxemos o maior envelope de chá de maça que encontramos. Benjamin Luccas balançou a cabeça espantado. Abriu a cerca e pediu para que entrassem. - Como é mesmo o nome de vocês? - Fox e Dana Mulder. A Sra. Luccas não está? - Entrem, entrem. Vou preparar um xícara para vocês. Acho que vão precisar. – Ele literalmente ignorou a pergunta. Logo depois estavam instalados na varanda saboreando o líquido quente com incríveis biscoitos de polvilho. O senhor esperou que se servissem para começar a falar. - Espero que isso não choquem vocês em demasia. A maior parte das pessoas não está acostumada com esse tipo de coisa. E só existe uma maneira para disser o que tenho a disser: Molly faleceu há dois anos. - O quê? – A pergunta saiu antes que Dana pudesse impedir. Mulder não pareceu surpreendido. - Molly era escritora, tinha a mania de andar atrás de pessoas que se dispusessem a conversar com ela. A contar histórias. Ela sempre utilizava essas histórias para fazer suas composições. Ela andava toda a praia, o centro, qualquer lugar que tivesse gente, lá estava ela, minha Molly. Era a coisinha mais meiga que eu conheci em toda a minha vida. Acho que ela não perdeu essa mania. Se servir de consolo, vocês não são os primeiros a aparecem por aqui com pacotes de chá. Nesses últimos meses já tomei chá de todos os sabores. - Já aconteceu isso anteriormente? – Mulder tomou um gole do líquido. Observou o olhar distante da esposa. O tempo muda a pessoas. Se fosse no principio, ela levantaria dali imediatamente se recusando a acreditar naquilo tudo. No entanto, ali estava ela. Ouvindo um homem lhe disser que fora aconselhada por um fantasma. Sem ao menos pestanejar. - De uns tempo para cá, vem acontecendo com muita freqüência. Mas eu não ligo. As pessoas que aparecem aqui sempre estão muito agradecidas, então ela deve estar se divertindo. É bom saber que ela está bem. Scully colocou a xícara na mesinha e levantou. - Sr. Luccas, temos que ir. – Mulder colocou sua xícara na mesa também e se levantou. – Nós agradecemos o chá e sua paciência. Eu gostaria que soubesse que sua esposa foi um anjo. Um anjo de candura. Ela ajudou muito. - Vocês estão bem? Sei que esse tipo de coisa não é comum e... Mulder riu. Acabou por ser acompanhado por Scully. - Nossa vida é bem fora do comum, não se preocupe, não é a primeira vez que lidamos com fantasmas. - E duvido muito que seja a última. – Dana segurou a mão d o marido e deu um beijo no rosto do senhor. O casal saiu da casinha branca abraçado. Cada um sabia o que o outro estava pensando: "Suas vidas eram muito estranhas...". Fim