Comentários: Como fã de quadrinhos, ficção científica e fã entusiástica do Arquivo X, achei divertido incluir personagens do X-Men em um episódio do Arquivo X. Sempre que leio uma história interessante ou extraordinária, logo penso "Isto é um Arquivo X". Me diverti muito escrevendo, pois admiro e adoro a todos os personagens. Meus agradecimentos a Telminha (Telma Messias), pois suas fanfics e seus e-mail animados e estimulantes me ajudaram a criar coragem para publicar minhas histórias. Agradeço seu apoio na correção e sugestões da fic, além do mais importante, sua amizade! Todos os personagens são de direito de seus respectivos autores. Esta fanfic é exclusivamente para diversão dos fãs, sem nenhum tipo de fim lucrativo. Feedback para maya@arquivox.com.br (Please! Please! Please!) :-) Estrelando: DAVID DUCHOVNY como Agente Especial Fox Mulder GILLIAN ANDERSON como Agente Especial Dana Scully ROBERT PATRICK como Agente Especial John Dogget Mitch Pileggi como Assistente Diretor Walter Skinner Nicholas Lea como Alex Krycek Tom Braidwood como FrohiKe Dean Haglund como Langly Bruce Harwood como Byers Atores convidados: Hugh Jackman - Logan/Wolverine Anna Paquim - Vampira Famke Jensen - Jean Grey Patrick Stewart - Professor Charles Xavier Hale Berry - Ororo Munroe/Tempestate James Marsden - Scott Summers/Ciclope Sugestão de elenco: Patrick Dempsey (Pânico 3) - Rèmy Lebeau/Gambit Ed Harris (Show de Truman) - Dr. Hank McCoy/Fera Sam Niel (Jurassic Park) - Dr. Jenkis Page Gabriel Byrne (Os suspeitos) - Dr. Nigel O´Riley ************************************************************* ***** ************************************************************* * ARQUIVO X A VERDADE ESTÁ LÁ FORA FENDA NO TEMPO Mulder, Scully e Dogget precisam investigar um estranho suicídio, mas deparam-se com um caso de proporções gigantescas e com visitantes inesperados do futuro: Os X- Men. ************************************************************* ***** ************************************* Westchester, Nova York Escola para Alunos Superdotados do Prof. Charles Xavier 27/06/2056 - 16H As rodas da cadeira especial giravam silenciosamente no piso brilhante. Na sala de leituras, os jovens estudantes brincavam entre si alheios a figura imponente que os observava calmamente. Um deles, porém, percebeu a sua presença e discretamente saiu do aposento postando-se frente a ele. - Tudo bem, professor? - a moça ruiva perguntou suavemente. Como ele permanecesse observando a sala sem responder, ela continuou - Senti que algo o incomoda hoje, mas não consigo saber o que é? Ele virou o rosto para ela. "Tão jovem", pensou, "Mas todos eles o são..." - Em breve, querida, você saberá tudo o que penso. Dê tempo ao tempo. - com estas palavras, deu dois tapinhas na mão que estava em seu ombro. Girou a cadeira de rodas e continuou seu caminho. Intrigada, a jovem continuou ao seu lado, querendo descobrir o que havia de errado. Considerava aquele homem como seu verdadeiro pai, seu melhor amigo, a pessoa em quem mais confiava. Faria de tudo para estar ao seu lado e continuar com o trabalho que ele realizava. Entraram na sala que ele utilizava para ensinar, orientar e dirigir a grande Escola. Enquanto ele tomava seu lugar atrás da mesa, a moça sentou-se atenta. - Está tudo bem, Jean. - Eu sei, mas o senhor está muito enigmático hoje, professor. Não sei se preocupado ou melancólico - os olhares se cruzaram e antes de o homem a sua frente abrir a boca, ela continuou - Não, não vamos tornar isso um aperfeiçoamento das minhas habilidades. Diga-me, o que está acontecendo? Charles Xavier deu um pequeno sorriso e deixou que a jovem de longos cabelos ruivos e olhos verde o examinasse. "Ela está cada vez melhor nisso...", pensou com orgulho. - Onde estão Ciclope e Tempestade? - tornou mexendo em papéis sobre a mesa. - Ok. - desistiu, quando tomava esse rumo, era impossível forçar o bloqueio mental do professor - Estão no bar. Vampira está em Washington, conforme o combinado. Parece que o Logan se distraiu nas suas pesquisas pelo passado e se meteu em problemas. Aliás, professor, gostaria de saber porque você enviou Vampira para lá, afinal? Logan sempre se mete em encrencas. É grandinho, sabe se cuidar. Se precisasse de ajuda, teria nos chamado... Jean afastou uma longa mecha ruiva do rosto e sentiu uma profunda ansiedade, um vazio. Ergueu uma das sobrancelhas, aguardando uma resposta. Charles Xavier devolveu o olhar. - Exatamente, Jean, exatamente...Sinto um grande vazio se aproximando de Logan em Washington e não consigo descobrir o que significa. Por isso pedi para Vampira ir encontrar Logan imediatamente. Seja lá o que for, ter amigos quando tudo acontecer vai ser muito importante. - Não posso ir, professor? - arriscou, já sabendo a resposta. - Não, Jean. Preciso de você aqui, para cuidar dos outros. Assim que tivermos notícias de Vampira, envie uma mensagem telepática para Scott e Ororo. Algumas coisas podem mudar depois de hoje, se não tivermos cuidado. Ilha de Manhantan Centro de Experiências da Advanced Tecnologic 27/06/2001 - 16:30 O Dr. Jenkis Page estava furioso, sua sala fora arrombada e todos os arquivos tinham desaparecido. Seu notebook também não estava na mesa e o HD do computador da sua sala havia tido o mesmo destino. Mas ele não se enganava. Apesar da porta ter sido arrombada, tinha certeza que seus superiores haviam gostado da demonstração do seu trabalho e resolveram assumir a liderança das pesquisas às suas costas. Mas não ficaria assim... Praticamente marchando até o complexo administrativo, Page entrou na sala do coordenador de pesquisas num arrombo. Parou imediatamente ao reconhecer o representante do governo que dava segurança e "invisibilidade" ao projeto. - Ora...ora, estávamos falando na sua pessoa, Dr. Page - um pequeno sorriso sarcástico retorceu a boca do homem. Indicando uma cadeira ao lado, prosseguiu tranqüilamente como se a entrada desastrada do outro não tivesse importância - O tempo do verdadeiro teste se aproxima. Precisamos de todas as informações possíveis e uma fachada convincente para o teste final. O governo está acompanhando atentamente o passo de vocês e estamos muito satisfeitos. Vocês entendem a extensão do projeto, não entendem? Podemos modificar tudo quanto existe e alternar de forma...hum...satisfatória para todos a partir disto. Muitos sairão beneficiados. Dr. Page se sentiu desconcertado. Odiava a presença daquele homem, sempre que precisava argumentar, o que geralmente conseguia fazer com clareza e facilidade, atrapalhava-se quando se dirigia a ele. Apesar da sensação desconfortável, interrompeu o discurso de maneira tímida - Serei substituído, ou algo assim? Pois afinal, retiraram todas as informações da minha sala. Acreditem, eu entendo bem o alcance do projeto, exatamente por isso estou preocupado com as conseqüências do mesmo na nossa sociedade...- mexeu-se desconfortável na cadeira ante o olhar dos outros interlocutores - se existe alguma critica, porém, me retirarei do projeto...mas...bem, não pretendo deixar nada para trás... O diretor de pesquisas era um homem ambicioso. Acima da ciência, prezava suas relações e sua posição financeira. Não gostou do tom que considerou como covardia do cientista. O representante parecia tranqüilo diante daquela acusação desajeitada e ele resolveu contemporizar... - Veja, Dr. Page. Sua contribuição é inestimável, mas ao passo que o teste final se aproxima, consideramos importante deixar as informações em segurança. Tanto as documentadas quanto as confidenciais, entende? Não gostaria que o senhor abandonasse agora o projeto, tenho certeza que irá se orgulhar de ter participado deste marco científico.. Dr. Nigel O´Riley parou diante da expressão céptica do outro, mas se sentiu triunfante. Seu desprezo por aquele cientista logo seria resolvido. Assinara sua própria condenação. O representante se levantou e foi até a janela pensativo. Acendeu o cigarro com uma lentidão exasperante e sorriu enigmático. - Algo assim... - Como? - Dr. Page tornou confuso - Sua resposta, caro Dr. Page. Algo assim... - deu uma longa tragada, saboreando o tabaco - Devo informá-los que o teste estará ocorrendo exatamente dentro de trinta minutos. - O que!?! O coordenador e o cientista se levantaram automaticamente, terrivelmente surpreendidos. Uma raiva surda acometeu Dr. Page e tentou agredir o representante, sendo contido a custo pelo coordenador. - Seu irresponsável! Traidor! Existe muito a ser estudado ainda. Não percebe o que fez? Foi tudo planejado por todos vocês! Vou denunciá-los. Vocês são um perigo para nosso país! - com um safanão violento livrou-se do coordenador e correu porta a fora. Imediatamente, o coordenador pegou no telefone da segurança, mas a linha ficou muda imediatamente. O representante deu um sorriso, recolocando-o no gancho. - Deixe-o ir. Tudo está como deveria. - tornou a levar o cigarro a boca, observando as mudanças na expressão do outro. - Você irá se tornar um problema, meu amigo? - Por quê não fui notificado do teste? - indagou nervoso e o outro riu - Ora, precisávamos estar aqui para a conversa com o Dr. Page. Iremos verificar os acontecimentos mais tarde. Por agora, mantenha a divisão em ordem, deixando apenas estudos de nível 1 em atividade. Entrei em contato mais tarde. Lentamente, dirigiu-se a porta deixando o outro no meio da sala. - Sabe - ainda continuou - você está na engrenagem com perfeição, Dr. O´Riley. Penso que em breve, poderá ser melhor recompensado por seus esforços e...dedicação. - Creio que tudo está em ordem, então... - disse recompondo- se. - Claro - jogou o filtro no cinzeiro e saiu fechando a porta atrás de si. Ao seguir pelo corredor iluminado, o homem sorriu para si. Sim, tudo estava em ordem. O Dr. Page estava fora e o coordenador continuava interesseiro e manipulável. O segurança aguardava para abrir a porta do carro blindado e o representante aspirou o ar daquela manhã. Seria um dia inigualável. Um marco na história. Infelizmente, não seria escrito nos livros de escola. Mas não fazia diferença, desde que eles tivessem a chance de consertar alguns detalhes e retomar as rédeas da situação. Ilha de Manhantan A 1km do Centro de Experiências da Advanced Tecnologic Residência do Dr. Page Dr. Page terminou de arrumar as malas. Tudo estava preparado. Iria para Washington imediatamente, trataria direto com o FBI sobre o assunto. Era de sua responsabilidade que o projeto não terminado recebesse a atenção devida por parte do governo. Não queria ser responsável por quaisquer danos a sociedade. Era um homem direito, amava a ciência, a presença do governo havia respaldado sua idéia que estava a frente de um projeto sério e inovador. Mas havia sido traído. Olhou mais uma vez para a sua casa. O local onde havia sido pano de fundo para sua dedicação. Mas... e se não fosse apenas um departamento do governo? Ou uma pessoa? E se todo o governo soubesse e quisesse alterar o seu projeto? Ficou indeciso e subitamente uma profunda tristeza o envolveu. O vazio imenso de uma vida dedicada à ciência e ao seu governo. Então, lembrou de um detalhe importante. "Os elementos temporais! Não havia feito a troca!". Uma profunda aflição o envolveu. Além, do perigo natural de um experimento deste tamanho, ainda não havia feito as alterações necessárias, o que indicava uma catástrofe sem limites. Correu para o telefone. Tinha que fazer alguma coisa. Naquele momento, não podia esperar. Ligaria para Washington, para o homem indicado por uma amiga sua. Imediatamente. Ao tirar o telefone do gancho, um clique característico foi a prévia de uma grande explosão... Salem Center Harry´s Hideaway Bar 27/06/2056 15H As pessoas no bar conversavam animados. A happy hour estava iniciando e após um dia de trabalho, conversas amenas e risos dominavam o ambiente. Alguns tinham aspecto arrojado, diferente. Outros funcionários que procuravam um pouco de distração após o ambiente. A miscigenação dava-se pacificamente. No restaurante, as mesas estavam parcialmente vazias, no canto próximo a janela um casal conversava discretamente. - Não entendo, Scott. Aonde Logan pode ter se metido desta vez? Estava tranqüila até o Professor dar a entender que provavelmente iremos atrás dele- disse Tempestade, levando a xícara de chá aos lábios - A única coisa que sei é que se o Professor está preocupado e levantando esta hipótese, coisa boa não é. Além do mais, estamos acostumados as viagens repentinas e longa ausência do Logan. Minha intuição me diz que é algo além. - comentou preocupado e olhou para fora - Minha comunicação mental com a Jean está falhando e isso me preocupa. - Como assim? - disse espantada. - Eu sei, isso nunca aconteceu antes... Parece que tem uma interferência externa, sabe. - suspirou e tornou num meio sorriso - Bastante tranqüilo por aqui hoje, não é?. A outra sorriu e lembrou de quantas vezes haviam comemorado ou estudado para exames. Os namorados e as fossas...Todas as lembranças que tinham vivido naquele bar que cheirava cedro e saudade. Repentinamente, o semblante de Scott se modificou e ele pareceu alheio. Acostumada a reação dela às mensagens de Jean, Ororo pegou um grande pedaço de torta doce e estalou a língua de satisfação. - Vamos, Ororo! - levantou-se repentinamente. - O que foi, Scott!?! Me deixa terminar... - reclamou aborrecida, mas acompanhou o amigo enquanto ele pagava e se dirigia para a porta de saída. - A Jean conseguiu estabelecer contato comigo finalmente. A Vampira achou o Logan na Ilha Manhantan e pediu nosso auxílio - explicou andando apressado. - Vampira? - exclamou confusa - Pensei que ela tivesse ficado na Escola, com Jean e o Professor. Como ela o encontrou? - Ela partiu depois de nós. O Professor conseguiu localizá- lo. Mas não conseguiram nos contactar - abriu a porta do carro. Ororo entrou e deram a partida. - Nem o Professor ou a Jean? - sentiu-se boba com tantas perguntas, mas estava um tanto confusa e Scott parecia seguro, como sempre. - Exatamente, por isso que temos que ir até lá, Ororo. Apesar de a Vampira e o Logan já estarem juntos e prontos para retornar, encontraram um campo magnético se abrindo na Ilha e estão tentando descobrir o que aconteceu. Precisamos resolver isso antes de voltar. - Hummm...Scott, isso não é bom. Este campo magnético deve ser muito forte para interferir na comunicação de vocês! Será que está relacionado com a Irmandade? - Acho que não... até chegarmos lá, tenho certeza que o Professor terá mais informações sobre o que está acontecendo. Ororo ficou em silêncio tentando afastar o mau pressentimento que ameaçava dominá-la. Duas horas depois, Ororo e Scott chegaram ao ponto indicado por Jean. Era uma velha usina, desativada após um vazamento de energia. Se entreolharam desconsolados, mas iniciaram uma busca com cautela. Um leve tremor de terra começou subitamente. O ar se tornou pesado como se as moléculas invisíveis se tornassem instáveis de repente. As pequenas folhas do chão levantaram numa dança frenética e os metais soltos da usina passaram a se chocar num barulho estranho e ensurdecedor. Um clarão de luz surgiu repentinamente, como um rasgo invisível na frente deles, zumbindo como num enxame de abelhas . Então, tão inesperadamente como surgiu, tudo cessou. A luz foi "sugada" juntamente com algumas folhas e os metais, destroços caíram no chão. Durante a confusão, Scott havia sido levado pela força da sucção até a entrada da usina. Grudado na cerca de metal pelos destroços que caíram sobre ele. "Mas que droga!", pensou Scott olhando os pedaços retorcidos que o impediam de levantar, direcionou os óculos de quartzo lançando um feixe vermelho seguido de uma explosão. Levantou com dificuldade, olhando em volta. - Ororo! - gritou preocupado. Viu os cabelos prateados dela próximo a um tanque destruído. Correu para lá e parou imediatamente ao vê-la estancada olhando fixamente um ponto mais além. - Ororo? O que aconteceu? - tocou no braço dela levemente. - Scott... - murmurou abismada apontando para o local aonde o clarão surgiu - aquele clarão puxou a Vampira e o Logan para dentro! Eles sumiram! Eu não consegui fazer nada... - Eles entraram naquele clarão? - olhou confuso para a usina tão tranqüila quanto a madrugada - Como? - Foi tudo muito rápido...eu...eu não sei como - sacudiu a cabeça levemente e tentou se concentrar no que dizia - Mas o mais importante agora é descobrir para onde eles foram e como trazê-los de volta. - Concordo plenamente. Acho que agora o Professor já deve saber de alguma coisa. Provavelmente, este episódio estranho deve estar atrapalhando a minha comunicação com a Jean. Você percebeu que as partículas do ar estavam instáveis, Ororo? - Sim, muito estranho. Após o desaparecimento daquela luz, eu tive dificuldades para organizar até meus pensamentos... Scott, será que eles estão bem? - Tenho certeza que sim, eles sabem se cuidar. Vamos ver o que podemos descobrir. Talvez esta usina abandonada tenha pré- disposições favoráveis a este evento. Embora, não me parece ...natural....- interrompeu ouvindo um zumbido estranho - Ororo, você está ouvindo? Ela ergueu a cabeça procurando sinais temporais explicando o fenômeno. O ar novamente pareceu alterar seu curso, mas desta vez não seria surpreendida. Erguendo os braços, convocou solenemente a força dos eventos e subiu graciosamente até acima da usina, podendo enxergar num plano maior os acontecimentos. Agora a o zumbido aumentou juntamente com a instabilidade dos elementos do ar. Olhou para baixo procurando Scott e o localizou junto a uma árvore observando atentamente o local aonde se formava um foco de luz. Agora, Tempestade conseguia perceber que o espaço "ondulava" como se as partículas do tempo e espaço tivessem sido alteradas...Como se a usina fosse líquida e estivesse derretendo. Espantada, chegou mais próxima da luz brilhante que ia crescendo dentro das ondulações crescentes. Novamente, a usina abandonada ruía perigosamente acima do chão que tremia levantando folhas, pedras e partes do velho prédio. Scott olhava ansioso para a luz que agora formava uma perfeita circunferência. "Há quanto tempo isso vem acontecendo???" pensou assustando-se ao ver um poste de iluminação sendo sugado para o círculo brilhante. - Tempestade! Saía daí imediatamente! - gritou furiosamente, frustrado pelo zumbido que cobria a sua voz. Correndo contra a energia que ameaçava arrancá-lo dali, mirou os óculos para uma grande coluna, atirando o feixe vermelho no exato momento que Tempestade girava no ar, em direção a luz. Com alívio, percebeu que ela se equilibrava a tempo. Deixou ser levado pela energia até próximo a coluna, procurando algo que o auxiliasse para retirá-la de lá. A usina foi rompendo aos poucos. Partes de concreto e do telhado fora sendo arrancadas da base, forçando-os a se desviar enquanto se seguravam parcamente. As cercas de metal que circundavam o local iam sendo puxadas com força e rapidez. O barulho era ensurdecedor. A coluna de concreto rangeu com um baque característico, partindo ao meio...Levando ambos para dentro do liquidez inconstante do círculo de luz e destruição. A inconsciência os envolveu enquanto fantasticamente, a luz diminuía e o zumbido cessava numa espiral decrescente. As paredes do tempo e espaço passaram a se tornar estáveis e os restos da usina caíram pesadamente ao chão. Em poucos minutos, a usina voltava ao silêncio próprio após uma intensa destruição. Washington, D.C Edifício J. Edgar Hoover Quartel General do FBI 28/06/2001 - 8:30 Vozes masculinas numa discussão que prosseguia acalorada podiam ser ouvidas no corredor do porão da sala para Investigações dos Arquivo X. Os dois agentes trocavam farpas irônicas entre si, ignorando os avisos pacientes da agente que os observava entre divertida e irritada. - Sou eu quem faz isso! - vociferou Fox Mulder, os olhos verdes presos no agente a sua frente. O outro sustentou o seu olhar com a mesma frieza. - Não existe motivo para discutirmos isto sempre! É ridículo. Eu estou acostumado a dirigir com facilidade em emergências e conheço muito bem a cidade - riu sarcástico - Estava me saindo muito bem, aliás... - É, pois eu estou nestes casos há mais tempo que você. E pressa não tem nada a ver com o caso. Sou eu sempre quem dirige e pronto. - Ah! Por favor, Agente Mulder! - revirou os olhos no limite da paciência. - Mulder! - avisou Scully. - Scully, estou tentando resolver com nosso novo colega como as coisas funcionam - disse quase sorrindo o que não foi retribuído pela agente. Desde o conturbado retorno do parceiro e amigo, eles tinham dificuldades para acertar o passo juntamente com Dogget. Scully quase riu ao pensar que para ela, era uma novidade interessante ver alguém tão parecido com ela mesma da mesma forma ao entrar nos Arquivo X. Mas para o parceiro, era ter que recomeçar tudo de novo o que já havia passado com ela. O fato, porém, era que acreditava que Mulder o via como um substituto, não como um Agente encarregado de localizá-lo e dar continuidade aos Arquivo X. A situação era temporária. Dogget poderia ser afastado a qualquer momento...ou mesmo um dos dois. O FBI já achava que os dois Agentes extrapolavam nos gastos com casos que não eram resolvidos. Bem, pelo menos não da maneira como eles gostariam. Suspirou discretamente... Aqueles dias vertiginosos da ausência de Mulder, a busca, o novo parceiro, a gravidez, as novas descobertas, enfim, tudo! Tudo havia passado como num caleidoscópio quase fora de controle e tinha a impressão que nem se lembrava de tudo. De repente, sentiu-se muito enjoada e a pequena discussão começou a irritá-la numa maneira que nunca havia se sentido antes. "Puxa, este bebê está mexendo comigo mesmo! Sempre fui tão controlada." - Que eu saiba nesta divisão não existem regras, Agente Mulder. Temos que ter a mente aberta, não é mesmo? - piscou para Scully, que estava cada vez mais impaciente. Mulder riu baixinho, zombando do outro. - Ah! Claro, vejo perfeitamente você tomando a direção numa corrida desenfreada atrás de OVNI´s e Caçadores de Alienígena. Scully achou que já tinha ouvido o suficiente e empurrando os cabelos ruivos para trás, sentou-se abrutamente na cadeira vazia. - Agora chega, meninos! - ambos voltaram sua atenção para ela surpresos. Mulder sorriu com o canto da boca e olhou para Dogget, que apesar da situação desconfortável acabou achando graça. - Temos muito o que fazer e não aprecio ter que ouvir discussões entre vocês, parecem crianças... Dogget olhou Scully apreciando os cabelos ruivos que emolduravam a pele branca e os olhos azuis faiscantes. "Ela sabe como controlar a situação por aqui. Que mulher!", pensou. Mulder parecia pensar a mesma coisa, mas a expressão do seu rosto demonstrava uma intimidade familiar de quem já conheçe o outro há muito tempo. Ele tinha algumas divergências sobre a teoria dele, mas assumia que era inteligente e eficiente. Apreciava estar neste trabalho, pois surgiam casos difíceis que exigiam dedicação, investigação e raciocínio linear e rápido. Além do que, sentia que os agentes eram honestos e seus instintos nunca o enganavam. "E honestidade era algo difícil de se encontrar", pensou, "seja nas ruas, na polícia e principalmente, no governo" Para Mulder, Scully parecia diferente. Não sabia dizer o que era e isso o intrigava. Sempre conseguia descobrir o que acontecia com ela. Bom, claro que não exatamente, afinal, Scully era muito segura e séria, quase introspectiva. Mas havia um brilho especial nos olhos expressivos dela. Os lábios estavam mais cheios e assim como a pele, demonstravam uma suavidade e maciez surpreendentes. Parecia mais emotiva e aberta. Ao mesmo tempo, também menos tolerante e controlada. Não que sua personalidade tivesse mudado. "Não, pensou analisando-a atentamente, era a mesma Scully, só que numa feminilidade exuberante, menos comportada e escondida". Scully continuo admoestando os dois sem prestar atenção que era examinada por ambos. - ... então, vamos nos concentrar no trabalho, tá? - Mulder se deu conta que tinha perdido metade do que ela havia falado. O mau humor pela discussão foi dissipado e de repente sentiu-se muito confortável e disposto, envolvido pela aura feminina de Scully. - Pelo que entendi, vou ganhar um pirulito se me comportar? Você sabe que prefiro sementes de girassol - comentou Mulder bem humorado. - Acho que seria de bom tom trazermos uma maça e deixarmos na mesa dela? - perguntou Dogget entrando na brincadeira. Ambos riram e Scully pareceu indignada, mas acabou sorrindo. Tudo o que queria era que se entendessem. E era surpreendente como iniciavam acaloradas discussões e terminavam como antigos companheiros quando ela entrava na parada. "Homens!". Mulder se levantou e apanhou uma pasta dentro da sua gaveta. Torceu o nariz ao ver lápis enfileirados junto com blocos de papel timbrados. Abriu a segunda gaveta e a ordem era ainda mais faraônica ali. Fechou com força "Daqui a pouco não vou achar mais nada aqui", pensou olhando para o poster atrás de sua mesa, "EU QUERO ACREDITAR. "Ah! Pelo menos isto permanece sempre aqui". Abriu a pasta mostrando as fotos para Scully e Doggett, que os apanharam imediatamente. - Bom, aparentemente, o Dr. Page cientista físico- nuclear destrui um setor importante da Advanced Technologic no dia 16/05, depois destruiu sua própria casa após cometer suicídio ao ser informado que estaria fora da direção do projeto. Segundo o coordenador da divisão, o Dr. Nigel O´Riley, o Dr. Page vinha-se mostrando irritadiço e descontente com o objetivo das experiências realizadas, e retirou os dados das pesquisas para levá-las adiante sozinho. Temendo as conseqüências de os estudos do Centro de Pesquisas serem deturpados pelo Dr. Page, ele foi afastado do projeto. Dr. Nigel e seus colegas informaram que após ser oficialmente afastado, ele desapareceu do complexo científico imediatamente. Nenhum deles teve mais nenhuma notícia ou qualquer contato com ele, até a polícia informar o aparente suicídio e destruição da casa do cientista. Scully, que acompanhava a narração olhando os boletins de ocorrência da polícia de Manhantan, ergueu uma das sobrancelhas com um ar de dúvida. Doggett parou imediatamente de analisar a fotografia da residência ao ver a expressão da agente. - Aparentemente, Mulder? - perguntou suavemente, enquanto checava o relatório do legista - Aqui indica altas doses de anonimafetanúricos e substância alcoólica no sangue. De acordo com o legista, houve uma parada cardíaca pela mistura das substâncias e posteriormente queimaduras de terceiro grau. - Do que tem dúvidas, Agente Mulder ?- questionou Doggett, observando as mudanças na expressão de Mulder. O rosto dele começou a se iluminar e ele se levantou da cadeira com ar de suspense. - Bem...como Scully disse o Dr. Page teria cometido o suicídio após destruir provas concretas do seu trabalho na AT, certo? Por que destruir a casa num incêncio? - perguntou apoiando as mãos na mesa, inclinando-se diante dos dois, dando ênfase ao que dizia - E mais, se ele estava descontente com os testes destes projetos e pretendia retirar a sua parte do trabalho e continuar sozinho, porque ele se suicidaria e destruiria estes documentos? Alguém com um plano de vida tão audacioso, um cientista que via seus estudos tomando forma, ainda que não da forma como desejava, decidiria simplesmente desistir? - Tudo bem, Mulder - cortou Scully com a voz grave - Digamos, então, que o Dr. Page tenha sido assassinado não cometido homicídio... É da jurisdição do FBI investigar este crime, pois uma parte da verba para os estudos são do governo, mas não significa, mesmo com o assassinato, não significa que seja um Arquivo X. Mulder sorriu discretamente divertido com a situação. "Ah! Como era bom estar de volta!" Desta vez nem ia implicar com Scully pelo seu raciocínio descrente, estava satisfeito com a familiaridade daquelas discussões. - Só que minha intuição me diz que tem mais aí, Scully. Grandes conglomerados como a AT utilizam dinheiro do governo, pois reservam um determinado experimento para a "grandeza da nação". E se o Dr. Page percebeu que os rumos não estavam no caminho que ele queria, pois diferenciava da idéia dele de ser benéfico para sociedade sendo apenas interesse de poucas pessoas? E se este experimento fosse prejudicial se estivesse em outras mãos? - Mulder, na autópsia consta queimaduras meia hora após o início das manifestações corporais a mistura ingerida pelo Dr. Page. Se isso tivesse acontecido antes da morte, eu daria crédito as suas suspeitas... - Scully olhou fixamente para o parceiro, aveludando a voz - Eu sei que você voltou ainda mais desconfiado, no entanto, nem tudo o que acontece relacionado ao governo é prejudicial ou tenha a ver com o Arquivo X. - Neste caso tem, Scully. - Ah! Eu não sei, Mulder. Você está cada vez mais propenso a conspirações e após tudo o que vi entendo o que você sente. No entanto, temos que manter a mente aberta com a consciência alerta para não corrermos atrás de pistas injustificada. Mulder ficou em silêncio como que pesando as palavras da parceira. Scully sentiu um pequeno desconforto, mas sabia que continuaria sempre responsável por colocar os pés de Mulder na terra, forçando-o a buscar provas substanciais para os passos que dariam. Empurrou o desconforto para longe, sabendo que estava fazendo o melhor para mantê- los objetivos e racionais. - Bom, se o objetivo do coordenador era mantê-lo afastado para preservar o projeto, logo o mesmo deva estar em andamento...- falou Dogget, em silêncio até aquele momento - Poderia ser interessante, verificar exatamente do que se trata este tal experimento e qual o seu alcance. - Acho que seria um passo justificado, Scully - remendou Mulder, satisfeito em ter despertado o interesse no novo parceiro - Como este caso chegou as suas mãos, Mulder? - Skinner pediu para verificarmos... - Skinner? Bem... - Então? - perguntou sombrio. Scully costumava confiar mais nele do que diretor assistente. Ficou aborrecido por o nome de Skinner ter dado mais credibilidade para ela. - Humm...engraçado. Lembro que a AT recebeu do governo uma licença para utilizar o local, com facilidade de impostos e taxas. - interrompeu Dogget - Aparentemente seria construída uma usina nuclear para experimentos avançados. Repentinamente, o governo desistiu da idéia e entrou numa parceria com a AT, cedendo o terreno. - Eu lembro disso...Houveram manifestações públicas dos moradores, ecologistas, inclusive deputados e senadores. - Mulder pensou um pouco, buscando as informações na memória - Acho que alguns cientistas anunciaram publicamente ser contra o projeto e para contornar a situação, o governo cedeu o terreno para a AT, endossando que eles poderiam fazer o estudo para a usina ser construída no futuro, com base nas descobertas realizadas por um departamento especial da AT. - Mas a atuação da AT é em caráter privado. Atua em diversos setores, como inovações hospitalares, estudos sobre novas medicações e pesquisa de uma série de doenças - citou Scully - Qual a ligação de uma empresa privada do ramo médico com uma usina nuclear do governo? Realmente, é algo profundamente interessante, mas o que me intriga é o fato de Skinner pedir para investigarmos. - Bom, agentes, nada caracteriza um Arquivo X aqui...- disse Doggett - Pelo menos estou vendo coisas estranhas de seres humanos governados por interesses e crimes... Nada de extraordinário. Pelo menos neste planeta - completou gracejando. Mulder abriu a boca para dar uma resposta, mas desistiu ao ver Walter Skinner entrando na sala. - Puxa, este porão está ficando cada vez mais requisitado. Em breve, alguns colegas vão estar se mudando para cá, assim...não vão perder o local mais movimentado do FBI! - Bom dia para você também, Agente Mulder . Scully, Doggett. - Bom dia. - Suponho que estejam definindo quem vai para onde no caso que lhe passei, Agente Mulder? Ou isto é apenas uma discussão para quem vai dirigir o carro? - perguntou Skinner com fingida seriedade. - Muito engraçado - resmungou Mulder. Skinner achou realmente engraçado e olhou para os três agentes com um sorriso no canto dos lábios. - Devo dizer que somente dois de vocês deverão ir até Manhatan e o outro assumira a linha da investigação em outra frente. Não vamos dar mais motivos para os consultores financeiros do FBI fazerem longas e tediosas investigações sobre esse departamento. Eu sei que vocês estranharam o teor do caso, mas eu insisto que dêem atenção ao assassinato do Dr. Page. Mantenham-me informado. Virando-se para sair, Skinner segurou a maçaneta da porta e lançou um olhar de advertência para os agentes que lhes captou a atenção. - Bem...acho que isso resolve quem dirige o carro, não é mesmo? - com isto fechou a porta e saiu rindo sozinho pelo corredor. Scully esboçou um pequeno sorriso devido a expressão do agente Dogget. "Acho que ele não está acostumado com brincadeiras e loucuras no FBI". Recompondo-se, retomou a conversa - Então, acho que vocês deveriam ir até Ilha de Manhantan e eu irei até o necrotério fazer algumas verificações a respeito do laudo do legista e a posição da polícia do condado a respeito. - Será interessante descobrir do que se trata este projeto especial... - comentou Dogget - Tenho certeza absoluta que não vai ser fácil, principalmente, se o bom doutor tiver cometido suicídio. Não teremos argumento para um interrogatório oficial. - Por isso, vamos apenas...humm...bater um papo com eles, certo? Depois que Scully examinar a "outra frente" poderemos agir com mais intensidade. - Vou fazer as reservas para o próximo horário, Mulder. Tenho algumas coisas a acertar. Te ligo e nos encontramos no aeroporto. Dogget despediu-se e saiu apressado. Scully sentiu uma pontada de inveja passageira, "Parece que alguém aqui tem uma vida particular.", pensou. Mulder olhou para Scully. Sentiu aquela sensação novamente. Aquela impressão que ela havia mudado, como se tivesse perdido uma das capas de proteção que sempre a envolvia...E se demonstrasse mais flexível e acessível. - Scully... - ele aproximou-se e colocou suas mãos nos ombros delicados dela. Ela ergueu para ele, seus grandes olhos azuis, profundamente iluminados por uma força interior. Maior do que ela já tinha. A frase que estava na sua garganta morreu. Como perguntar se ela estava bem, se na verdade ela estava brilhando? Sentiu-se confuso. Aliás, desde que retornara sentia-se mais perturbado por Scully mais do que já se sentia antes. Scully sentiu as mãos dele nos seus ombros e a expressão dele se alternava entre admiração e confusão. Observou ele cerrar o maxilar, os olhos verdes semicerrados pelos cílios castanhos... Parecia intrigado. "Lá vem uma pergunta daquelas..." Uma emoção estranha se apoderou dela, uma vontade de se abrir e poder encostar a cabeça no ombro dele. Faria isso, mas não naquele momento, não ali... Aliás, estava esperando o momento certo desde que Mulder retornara. Esperava também que ele estivesse plenamente recuperado emocionalmente do que passou e esperava que ela mesma estivesse preparada para dizer. - O que foi, Mulder? - sussurrou Scully - Você está se sentindo bem? - Engraçado... eu ia perguntar a mesma coisa a você - respondeu Mulder largando os ombros dela, sem no entanto sair do lugar. - Estou, Mulder. Muitas coisas acontecerem desde que você foi abduzido e por outro lado, faz pouco tempo que você retornou. Temos muito o que conversar a respeito de tudo o que aconteceu, mas agora não é o momento. - Então, vamos conversar sobre minha ausência? - como Scully assentiu com leve aceno de cabeça, Mulder chegou mais perto e continuou - Sobre antes da minha ausência e sobre o que você fez durante ela? - Tentei de tudo para achá-lo, isso foi o que fiz. O restante podemos discutir num momento mais calmo. - Scully? - Sim? - Você me contaria se tivesse algum problema ou se algo de importante acontecesse em sua vida... não contaria? Fitaram-se por algum tempo. "Ainda não, Scully" pensou para si mesma. Ficou intrigada com o tom reticente e inseguro na voz dele. Afastou-se um pouco para quebrar o instante de intimidade entre eles. Os olhos dele escurecerem e Mulder também se afastou, como se entendesse o pedido silencioso dela. - Claro que contaria. - Eu não quero ser insistente, Scully, mas acho que você está escondendo alguma coisa de mim. Você sabe que eu ouviria e entenderia qualquer coisa que você tivesse a me contar, não sabe? Desta vez, Mulder olhou diretamente para Scully tentando mostrar toda a compreensão, respeito e importância que sentia por ela. - Eu sei - assentiu ela com um leve sorriso - Como eu disse, Mulder. Vamos conversar depois e te contarei tudo o que aconteceu. Mulder pegou o paletó e pendurou sobre o ombro com uma expressão satisfeita, mas parou por um instante, aparentemente indeciso quanto a próxima pergunta a fazer. Scully já estava na porta quando percebeu que o parceiro ainda tinha dúvidas e hesitava em dizer. - O que foi, Mulder? - perguntou suavemente e viu ele abaixar a cabeça e fazer uma leve careta. - Tem algo haver com o nosso novo parceiro? Doggett. - Doggett??? - É. Doggett. Isso de diferente em você...sabe, o que você tem para me contar... - Ah, Mulder... - revirando os olhos, Scully saiu da sala rapidamente. "Isso não é resposta!" pensou contrariado. Aquela sensação incômoda sobre os dois iria continuar até que tivesse tempo para conseguir respostas dela. Suspirando, deixou a sala. "Como se alguém conseguisse isso de Scully se ela não quisesse..." Ilha de Manhatan Centro de Experiências da Advanced Tecnologic Subdivisão da CEP/M Na noite anterior CENTRAL DE ESTUDOS ATEMPORAIS PROTÓTIPO DA USINA "SPTME" SOMENTE PESSOAL AUTORIZADO A sala era equipada com os mais modernos métodos de controle espaço contínuo, câmaras de congelamento e restauração. Dois grandes painéis com tela de acrílico líquido controlados por um uma complexa ligação de monitores e teclados da nova tecnologia que no futuro entraria no mercado. Havia ainda um refeitório mediano, uma sala de conferências e reuniões, banheiros e uma sala de descanso. Ao lado da estação principal, um longo corredor desembocava numa sala circunferencial ampla e sombria naquele horário. No alto da sala, um painel solar se abria durante as atividades, para regular a pressão e poderia também manter-se fechado ao cessar das atividades. O chão era recoberto por colchões especiais firmes a grade de metal com grandes parafusos soldados especialmente. Quando foram realizados os primeiros testes daquela pequena estação, projetada unicamente como teste para um futuro mais próspero, todos os assistentes e funcionários presentes assistiram todas as suas expectativas desfazerem-se como castelos de areia. Aparentemente, todo o complexo estava em ordem, ouviram as máquinas funcionando, os marcadores mostraram a alteração do curso temporal, o reflexo iluminado que provocou temor e excitação em todos. E no fim...nada acontecera. Era como se tudo funcionasse perfeitamente, mas sem resultado. A divisão estava agora no mais profundo silêncio. Alguns, animados ante a perspectiva do sinal que estavam próximos, outros completamente exauridos de energia para repetir a empreitada. Gregos e troianos se retiraram para um restaurante fora do complexo e após algumas horas brindando ou embriagando-se, foram para seus respectivos lares. Deixando após 2 anos de trabalho incessante, a estação na mais absoluta solidão naquela noite. Mas os marcadores temporais voltaram a funcionar duas vezes continuamente, mostrando a todos que se aguardassem o salto de tempo- espaço veriam que o vazio e o desânimo eram injustificados. A sala estava escura e o chão macio amortecera a queda, mas a luz intensa e a inconsciência líquida afetara os movimentos de Logan e Vampira, que permaneciam estendidos envolvidos pela confusão do ajustamentos necessários a células a nova realidade. - Mas que diabos foi isso?!? - vociferou Logan zangado ao se levantar e sentir uma das piores dores de cabeça da sua vida. Tateou a sua volta, descobrindo o corpo semi adormecido da amiga ao lado. - Vampira, acorda! Anda, menina! - Hummm...o que aconteceu? Ai, minha cabeça! - Eu não sei o que foi que você pediu para eu beber, garota. Mas da próxima vez, põe uma dose a mais para eu acordar bêbado e não sofrer de ressaca. - Logan...ai...não estávamos bebendo. Aguardávamos Scott e Ororo, lembra? Logan sacudiu a cabeça tentando lembrar como chegaram até ali. Sem sucesso, se levantou tentando ajudar Vampira a se por de pé. - Você acha que fomos pegos em alguma armadilha, Logan? - O problema é que não me lembro de nada, Vampira. Nadinha. Mas vamos sair daqui agora. Com um movimento ágil, as garras de adamantium sairam das mãos de Logan e com fúria ele "rasgou" facilmente a porta de metal. Pulou para fora da sala atento, espreitando todo o local. Pareceu a ele uma cópia mal feita do controle de bordo de uma nave estelar. Vampira o seguia curiosa, já recomposta exibindo seu bom humor e energia de sempre. - Pois é, gatinho - estalou os dedos sorrindo, enquanto olhava os painéis brilhantes - não estamos mais em Kansas, não é? - Olha só isso - gritou Logan apontando a tela que piscava repetidamente TEMPO PREVISTO: 2057 INVERSÃO DE PROTONS ATIVADA. FALHA NO ESPAÇO CONTÍNUO. REFLUXO DE TEMPO: 2 VISITANTES E CONTANDO... - Mas que droga é essa? - parou inalando o ar, farejando o ambiente com uma expressão sombria - Vampira! Alguém está chegando... Vamos obter algumas respostas. - Hã...Logan, espera aí. Vamos nos esconder. Assim a gente pode ouvir o que dizem. Dois agentes de segurança entraram simultaneamente em que eles se esconderam nas sombras do corredor. - Patrick! Dá uma olhada nisso. - Nossa! Alguém explodiu a câmara do Dr. Nigel. Vamos dar uma busca e alertar a segurança geral! O outro assobiou longamente - Não foi uma explosão, alguém retalhou isso aqui?!? - coçou a cabeça impressionado - Bom, a equipe vai ficar satisfeita. Afinal era essa a idéia, não era? - Não sei. Acho que era levar alguém para o futuro, não trazer - zombou Patrick - Ao menos, foi isso que eu ouvi. E pelo jeito, a coisa foi ao contrário... E os visitantes eram bem fortes. Ambos riram debochadamente e não perceberam a aproximação inesperada de Logan, que chocou a cabeça de ambos violentamente um contra o outro. Com maior facilidade, arrastou ambos para dentro da "incubadora" com a ajuda de Vampira. Vampira empurrou as mechas prateadas para trás, tentando tirar os cabelos repicados que caiam desordenadamente na sua face e ombros. Soltou o ar ruidosamente dos pulmões ao checar novamente o painel. - Essa não, Logan... O que vamos fazer em 2001? Arghhh... Será que o Professor já nasceu? - Nem faço idéia quando ele nasceu, Vampira...De qualquer jeito, deve ser muito jovem para nos ajudar. E pelo que me lembre, a existência dos mutantes só foi de domínio público bem depois. A maioria se escondia, procurava médicos ou ia para sanatórios. Ótimo! Provavelmente, somos as únicas aberrações por aqui! - Logan! - admoestou Vampira - Isso nos deve dar alguma vantagem. Algo me diz que não dá para perguntar para a galera por aqui. - Certo. Vamos vasculhar por aqui e torcer para que alguém coopere conosco. Pelo jeito, estamos bem encrencados. Cruzaram a porta que anunciava o setor especial e com astúcia e cuidado, passaram pela segurança até a saída da usina experimental. Abrigaram-se atrás de um grande duto e estudaram suas opções. - Logan, será que eles vão trazer mais alguém para cá? Eu não ia gostar de cruzar com um mutante da Irmandade neste ano e acho que ninguém aqui poderia com eles. - É, Vampira... Mas se eu imobilizar esta bugiganga, não temos certeza se poderíamos voltar para casa. Vamos torcer para que mais ninguém tenha comprado passagem para conhecer as origens... Essa sala me dá uma sensação de dejá vù que não passa. - Relaxa, gatinho! Você nem nasceu ainda e já está estressado! - Isso que me preocupa. Não nasci e também não existo no futuro. - Nem eu, mas vamos seguir em frente e ver o que está acontecendo. Estava tudo calmo demais desde que retornamos da Terra Selvagem. Um pouquinho de adrenalina não vai nos fazer mal. - Ah! Um pouco de cerveja também não seria mal, Vampira. Estou morrendo de sede! Acabaram rindo descontraidamente e se dividiram para explorar o local. Ilha de Manhatan Centro de Experiências da Advanced Tecnologic Subdivisão da CEP/M 28/05/2001 - 11:00 Mulder e Doggett entraram na Subdivisão da CEP apressadamente. Scully havia feito a autópsia do corpo e constatado a morte do Dr. Page como asfixia por gás carbônico e queimaduras de 3a grau 30 minutos antes da injeção letal das substâncias químicas. Combinaram que se encontrariam naquele local após Scully conversar com a polícia local e ambos interrogaram o coordenador do projeto. Na opinião de Mulder, eles estavam escondendo provas para um projeto do governo. Para Doggett, simplesmente era hora de saberem do que se tratava o experimento. A recepcionista indicou a sala do Dr. Nigel que os receberia assim que terminasse uma reunião extremamente importante, segundo ela. - Gostaria de saber aonde foram parar as pesquisas do Dr. Page - comentou Mulder olhando por cima da mesa do cientista - Provavelmente, deve ter uma sala especial deste projeto ou algo assim. - Aposto que está aqui mesmo. Se o Dr. Page dirigia pessoalmente o desenvolvimento da pesquisa, deveria ser em algum lugar próximo. A questão é quem matou o Dr. Page e o que estavam tentando encobrir. - Concordo. Mas se este cientista seguir a linha anterior vamos obter poucas coisas por aqui. - Linha? - Doggett perguntou arqueando as sobrancelhas. - Ah! Você, sabe. Encobrir a participação do governo, nos mostrar algo inofensivo e se colocar a disposição para a investigação. - Isso...Certo. Bem, agente Mulder, são declarações de qualquer pessoa inocente sem qualquer ligação com conspirações - comentou Doggett com ironia. - Declarações para culpados também. São os pequenos deslizes que contam, agente Dogget - protestou Mulder sem se preocupar com o tom de voz do outro. Sem saber o motivo ou admiti-lo, entusiasmava- se bem mais em discussões com o novo parceiro quando Scully estava próxima. O celular tocou e Doggett aproveitou para circundar a sala. Numa das gavetas, um pedaço de papel marfim chamou sua atenção. Olhou de esguellha para Mulder e puxou delicadamente a folha. - Mulder. - Mulder, é Scully. - a voz de Scully soou clara e firme do outro lado da linha. - O que conseguiu? - Parece que o Dr. Page fez uma última ligação antes da explosão. Segundo a perícia, uma bomba foi atrelada ao relógio e ao puxar o gancho o timer foi ativado. Estou tentando falar com o responsável pela investigação já que estas informações não constavam no relatório da polícia. - Ótimo, Scully... - Tem mais, Mulder. O Dr. Page chegou a tentar a ligação e advinha para quem ele ligou antes da explosão? - O suspense está me matando, Scully - brincou Mulder curioso. - A D Skinner. - Skinner... Isso é estranho, Scully. Por que ele não nos disse? - Ele parecia muito interessado em que investigássemos este caso, Mulder. Mesmo não sendo um Arquivo X. - É...bom, mas é um Arquivo X, Scully. - Vou desligar, Mulder. Depois a gente conversa. - Scully, esper... - "Droga! Ela vive fazendo isso agora" - Hei, Dogget! Scully descobriu que o Dr. Page foi assassinado, eles encobriram com as substâncias químicas. A bomba foi conectada ao telefone, então ao tentar ligar, ela explodiu. E a ligação que ele fez... foi para o FBI... para o Skinner. - Hummm...sei. Veja isso, agente Mulder - disse estendendo a folha para o outro que a apanhou imediatamente - "As instalações do experimento CEP projeto M já estão prontas. O primeiro teste será realizado no dia 17/05 com a participação dos cientistas envolvidos, excluindo-se o Dr. Page, afastado de seu cargo. Os resultados serão repassados ao representante do governo que encabeçará o teste juntamente com o Dr. Nigel Wokasuki. O teste implicará em 2 passageiros para data já pré-estabelecida que deverão levar os paramentos necessários para a continuidade da pesquisa para a usina experimental" . Puxa! 2 passageiros? Data pré-estabelecida? Isto está ficando interessante. Talvez sua teoria esteja correta. Os testes devem ter sidos realizados aqui. A porta abriu-se e Mulder apressou-se em dobrar o papel amarelado e colocá-lo no bolso. Tinham outros detalhes técnicos que ele pretendia ler mais tarde. Um homem alto de porte arrogante e inteligente entrou cumprimentado-os amavelmente. Mulder e Doggett mostram os distintivos e se apresentaram. Dr. Nigel sentou-se confiante e indicou cadeiras e ofereceu café para os agentes que recusaram com agradecimentos formais. - Então, no que posso ser útil? - Dr. Nigel, agradecemos sua colaboração - iniciou Doggett - Estamos investigando a morte do Dr. Page e as circunstâncias do desaparecimento de sua pesquisa realizadas nesta empresa. Constatamos que ele havia sido afastado de suas atividades. - Ah! Sim...Dr. Page tornou-se muito instável, agentes. Passou a tomar atitudes que não condiziam com sua posição. Discordou quanto ao rumo do projeto e tentava adulterar sem nosso conhecimento dados da pesquisa. De uma certa forma, e não é agradável mencionar isso pois ele era meu colega, ele tentava usurpar os direitos da AI e conduzir suas próprias descobertas. Acredito, que em um certo ponto, ele quis obter somente para si os louros das descobertas. Mas ficamos receosos que no seu estado ele poderia incorrer em algum erro que prejudicasse o futuro das pesquisas. - Entendo... - E no que se consiste essa pesquisa, Dr. Nigel? - cortou Mulder - Como o Dr. Page reagiu diante do seu afastamento? - Entenda, agente Mulder, ao ser afastado, meu colega sentiu-se repelido por colegas em algo que ele trabalhou. Entendo isso perfeitamente, mas ele realmente estava saindo dos limites e das características de nossa empresa. Ficou muito decepcionado e até agressivo...Saiu daqui alegando que tomaria providencias. Quanto a nossa pesquisa, temo que não posso revelar a vocês sem consentimento maior. - Ah? É algo secreto, então? - Doggett arqueou as sobrancelhas - Bom, eu diria que como representantes do Governo Federal temos todo o respaldo para estarmos a par de pelo menos a idéia principal do projeto. É importante para entendermos os motivos pelo qual o Dr. Page foi assassinado. - Assassinado?!? Não entendo...Eu pensei que ele tivesse se suicidado... - consternado o Dr. Nigel empalideceu suavemente, recompondo-se em seguida - Farei o possível para ajudá-los. Mulder inclinou-se suavemente, falando de modo compreensivo - Dr. Nigel, podemos voltar com um mandato, o senhor sabe... No entanto, sei que o senhor deseja nos ajudar e fazer o que esta respeitável empresa institucional sempre fez: colaborar com o governo. - Sim...agente, mas...preciso de algumas autorizações - desviou o olhar do agente e comentou sentindo-se extremamente desconfortável. "Assassinato?!" - Suponho que os senhores possam olhar a sala do Dr. Page e eu tentarei obter a autorização para lhes mostrar o projeto. - Ótimo - disse Mulder se levantando, seguido por Doggett - Enquanto isso obteremos um mandado. Obrigado pela sua atenção, Dr. Nigel. Até em breve. Imediatamente a saída dos agentes, o cientista apanhou o telefone e discou com dedos trêmulos. Ao ouvir a voz conhecida no outro lado da linha, disparou amedrontado: " - Dois agentes estão na sala do Dr. Page agora investigando o seu assassinato e pedindo autorização para verificarem o projeto. Caso contrário, eles irão trazer um mandato! Assassinato? - Calma, coordenador - a voz refletia ironia - Eu disse que tudo estava como deveria. O senhor não sabe de nada e não tem o que temer. Eles não irão conseguir um mandato. Quem são, afinal? Scully e Mulder? - Não...Mulder e Doggett. E...como o senhor sabe o nome deles? ? - Silêncio no outro lado da linha. - Interessante... A usina está fechada para qualquer pessoa, não importa o que digam - continuou o outro, ignorando a pergunta do coordenador - Concentre seus esforços em investigar o que ocorreu nela a noite passada. Estarei pessoalmente conversando com os seguranças que foram encontrados desacordados na sala. - Como vou impedi-los??? O outro suspirou impaciente com o medo do cientista - Graças a destruição na sala podemos corrobar vazamento de substâncias na usina, caso eles insistam em entrar sem o mandato. Preciso agora do resultado científico do teste de ontem e do motivo de dois "visitantes" terem entrado em nosso tempo e não nossos técnicos terem feito "o passeio". Entrarei em contato mais tarde. Até lá, contenha-se. - Mas... A linha ficou muda e o Dr. Nigel colocou o fone no gancho contrariado. Secou o suor do rosto com o lenço imaginando onde estariam os "2 visitantes" conforme a indicação do painel e se eram realmente visitantes. No próximo segundo, lembrou-se de que a contagem continuava prevendo muito trabalho agora a realizar, mais o problema com o FBI e os agentes abelhudos a importunarem a sua vida. "Eu deveria ter feito Direito na faculdade". Mas depois afastou o pensamento, lembrando que a medicina tinha aberto caminhos lucrativos e prestigiosos, sem que ninguém duvidasse ou maculasse a reputação de um cientista a serviço da medicina. Com este pensamento em mente, ficou repassando os acontecimentos e maquinando novos planos de atuação.. Doggett e Mulder andaram pelo corredor seguindo as indicações da secretária até a sala do Dr. Page, vazia e desativada. - Acreditou nele? - sibilou Doggett. - Não...e você? - Não, mas vamos aproveitar nossa declaração surpresa e dar uma verificada na área. Creio que ele sabia do afastamento, mas pareceu genuinamente surpreendido com o assassinato. - É, creio que você tem razão. Acho que ele vai entrar em contato com o representante do governo agora. Ou receberemos apoio do FBI ou vetarão nossas tentativas. Doggett deu um sorriso irônico e olhou para o outro que vasculhava as gavetas. - Vamos lá, agente Mulder. Não são todos bandidos no FBI ou no governo....O que foi? - Olha isso...- apontou uma caixa que supostamente deveria ter sido lacrada dentro da última gaveta - Essa foi arrombada. Por quê? - Talvez o Dr. Page tenha esquecido as chaves - comentou Doggett com sarcasmo. Parou olhando a sala desanimado. - Não tem nada aqui... - Eu tive uma idéia! Logan estava observando a movimentação do prédio prateado do lado de fora. Impressionante, pensava, nenhum mutante a vista ou num raio de 3km. Começou a ficar realmente preocupado. Vampira e ele vasculharam toda a região no anonimato, mas agora, com a luz do dia, estava ficando difícil permanecerem incógnitos e a esperança de voltarem sem chamar a atenção estava se tornando nulas. Observou com interesse dois homens caminhando em direção da ala que havia trazido ele e sua amiga até aquele local estranho. Destoavam com o ambiente e pareciam determinados. Movido pela intuição, resolveu segui-los de perto. - "A menos que possamos entrar nesta ala, agente Mulder, duvido que venhamos a saber do que se trata esse projeto" - "Vou verificar aonde está a Scully e o que mais ela descobriu sobre o assassinato do Dr. Page e vamos entrar aí, antes que seja tarde." - "É, mais tem uma contaminação na usina, segundo o Dr. Nigel...e não temos um mandato" - "Na verdade não temos mandato e duvido que exista um vazamento. Logo, estamos quites. Vamos lá, agente Doggett! A Scully nunca te levou para uma situação assim?" Logan viu o outro erguer as sobrancelhas contrariado, mas não pôde ouvi-lo já que Vampira aterrizou ao seu lado tagarelando animada. - Puxa, você tinha razão, não tem um mutante sequer por aqui. Mas voltei lá para sala e tem alguns homens falando sobre os resultados da nossa aparição...Bem, eles não sabem quem somos ou o quê, mas citaram o marcador e a sua ....hummm...digamos, lembrancinha, meu amigo. - Ótimo! - rosnou Logan - Parece que vamos ter respostas por bem ou por mal. Independente da forma, não quero ficar preso aqui para sempre, mesmo que seja mostrando a cara para bater. Finalmente, Vampira percebeu os dois homens que entravam no complexo acompanhados de uma mulher de cabelos ruivos que acabara de chegar. - Quem são? - Acho que da polícia ou algo assim...Estão investigando um assassinato e um projeto secreto. Deve ser o tal SMTPE. Talvez através deles a gente encontre algo. - Vamos nos dividir. Eu vou por cima e você os segue. A gente se encontra lá. A sala está vazia. Eles vão retornar as investigações a noite. Ninguém te viu? - Não. Você? Vampira riu, jogando as mechas brancas do cabelo para trás - Se alguém viu, querido, se convenceu que não viu nada. Você sabe... uma mulher voando... Dizendo isso, ela se elevou no ar com graciosa agilidade e desapareceu da vista do amigo. Logan mediu a distância e procurou a proximidade de algum segurança, não encontrando entrou pela mesma porta por onde os três "policiais" entraram. Riu interiormente ao vê-los entrando sorrateiramente, assim como ele. Após alguns minutos silenciosos, escutou as vozes masculinas e a feminina trocando idéias dentro da sala. Pareciam abismados e intrigados com o que encontraram. Scully estava com as idéias em parafuso. Como cientista, as evidências ali pareciam não deixar dúvidas. Aliadas ao que descobrira na investigação da morte do Dr. Page e no relato da ex-esposa, ela deveria acreditar em seus olhos. Mas estava difícil... Olhou para os parceiros. Doggett parecia ainda mais confuso que ela. O único a divertir-se com o tradicional brilho maroto no olhar era Mulder. - Deixa-me ver se entendi, Scully - parou Doggett olhando firmemente para o amplo painel - O Dr. Page, juntamente com outros cientistas malucos, financiados e apoiados por um representante do governo, desenvolveram um projeto para hum..., viajarem no tempo. Por algum motivo, o Dr. Page não estava concordando com as intenções da AI e foi assassinado. E estou olhando para a tal máquina do tempo, com nome de usina...a tal usina que não deveria existir? - Você é brilhante, sabia? - atiçou Mulder - conseguiu sintetizar meus pensamentos. Ele é sempre assim, Scully? - Agente Mulder, você pode estar se divertindo mas eu não estou. Isso parece maluquice e um homem morreu à toa ou pelos motivos errados ou então, é verdade e deixa de ser um crime para virar uma manipulação desmedida e absurda. - Um momento... - suspirou Scully impaciente, eles se provocavam a todo momento e ela começava a imaginar se era somente na sua presença - Talvez esta "usina" seja uma fachada para algo realmente sério. Só saberíamos se houvessem provas circunstanciais. Tudo o que vejo aqui são anotações e gráficos de estudos baseados nas descobertas de Einstein e um cenário futurista. - E isso aqui, Scully? Faz parte do cenário? - comentou Mulder num tom agitado, indicando a parede "estraçalhada". Sem esperar pela resposta, entrou na grande sala oval sumindo da vista de Scully. Dogget maneou a cabeça conformado. Estava difícil de se acostumar ao recém-chegado Mulder. Se as idéias de Scully lhe pareciam complicadas e irreais, a própria personalidade do agente era ainda mais enigmática. Deixou que ambos investigassem a sala e continuou a explorar os painéis que piscavam lentamente. Uma sensação de perigo invadiu seu corpo, arrastando pela sua espinha como uma cobra. Apurou os ouvidos e tentou definir aquela sensação perturbadora. Em seus anos de treinamento e experiência na Marinha e o trabalho nas ruas de Nova , nunca deixara de seguir a intuição ou os avisos repentinos dos seus instintos. Não mencionava a ninguém suas impressões, mas todos com quem trabalhara sabiam que não deveriam subestimá-lo e respeitavam suas ações espontâneas e aparentemente sem lógica. Foi num relance, quase imperceptível, quase imaginado...Mas o agente John Doggett teve a surreal visão de uma mulher de cabelos castanhos...pairando no ar! Fixou a vista no mesmo local e avistou somente o teto da sala circular, projetada dentro da sala de teste. "Será possível? Não...Eu estou ficando impressionado com estes dois. Mulheres não voam...Não existem extraterrestres e o governo não está financiando uma máquina de viagem no tempo" Procurando se recompor voltou a atenção as anotações em uma plaqueta ao lado do painel, mas a sensação de ser vigiado intensificou-se. Parou por um momento e por fim, decidiu-se a acabar com aquela sensação incômoda. Subiria pela escada de metal e olharia do teto da sala. "Ninguém precisa saber...Estou seguindo meus instintos, como sempre fiz. Não importa o que seja, preciso verificar." Ouviu a conversa de Mulder e Scully dentro da sala, discutiam sobre o chão ter um alcochoado e as marcas terem sido feitas de dentro para fora. Resolveu investigar depois e juntar-se a eles, mas agora era evidente que alguém estava observando o que acontecia ali. Subiu rapidamente as escadas. Enquanto se projetava para cima, apanhou o revólver e mirou um possível espião. Vampira poderia ter saído dali sem que ninguém percebesse, mas decidiu deixar que o Agente Doggett a visse. Pousou delicadamente no teto da sala, vendo a completa expressão de espanto e incredulidade dele. Gostou imediatamente da sua fisionomia séria e franca. "Talvez ele me ajude...se não desmaiar depois de ver o que sou...ou atirar em mim!" A esse pensamento, um pequeno sorriso formou-se no canto da boca. Aproximou-se lentamente sem tirar o olhar do rosto do agente que se recompunha do susto. - Aposto que nunca viu uma mulher voar antes... - Não. Nem tenho certeza se vi agora - respondeu Doggett. Com cuidado, recolocou a arma no coldre. Apesar do porte atlético da moça, não achou que ela representava perigo. - Meu nome é Vampira e preciso de ajuda. E você é... - Vampira? Este é seu nome? - ao ver a afirmativa dela, Doggett esqueceu que a vira pairando no ar e pensou que por um momento que ela deveria ser perturbada mentalmente. Era um pouco mais baixa que ele, tinha longos cabelos castanhos com mechas brancas, olhos violetas e um corpo bem definido - Agente especial John Doggett do FBI. Vamos descer e você me conta de que ajuda precisa. - Primeiro vai ter que acreditar em mim. Depois, preciso de ajuda para voltar ao ano de 2057, mas não faço idéia como esta máquina "sugou" eu e meu amigo para cá. Doggett abaixou os olhos em sinal de compreensão, mas não sabia se ria ou se levava a bela moça para o hospício. Lembrou-se que realmente a vira voando, as descobertas de Scully juntamente com as peças daquele caso voltaram a sua mente numa questão de segundos. - Doggett! Ao ouvir a voz feminina, Vampira viu a outra agente sair da sala e procurar o homem a sua frente. - Acho que a ruivinha tá te chamando e é melhor responder...ela parece brava. - sugeriu Vampira - Vamos descer. - Então, o que vocês acharam na sala? - perguntou Doggett, esperando Vampira descer as escadas. - Parece propícia para quedas... E aquele estrago na parede foi feito de dentro para fora. Ah! Vamos, Scully. Você viu...tudo se encaixa - como a parceira continuava olhando para ele numa expressão de dúvida, ele ergueu o pequeno plástico onde haviam recolhido amostras de cabelo e peças de metal da sala, balançando em frente aos olhos azuis de Scully - O assassinato, a conversa com a ex mulher do Dr. Page, a reação do Dr. Nigel, as anotações e essa sala! - Ex esposa? - perguntou Doggett que não estava a par da conversa dos dois agentes na sala. - Sim. Ela me contou algo a respeito do projeto - explicou rapidamente Scully, voltando-se novamente para Mulder - Estou inclinada a concordar, Mulder. Mas agora acho melhor irmos embora e conseguir um mandado para investigarmos melhor. Duvido que eles vão continuar qualquer teste, enquanto o FBI estiver conduzindo este caso. - Er...Scully... Você se importa se pararmos num oculista a caminho do FBI? - disse Mulder brincando, mas sem despregar os olhos da sala de testes - Pode ser de um psiquiatra também, já que tenho certeza que vi esta moça voando agora mesmo. Scully se virou imediatamente e acompanhou a tempo o momento em que uma moça descia até o chão, como levitando, com grande leveza e charme. - O que aconteceu com as escadas? - perguntou Doggett com severidade, mas apreciando a demonstração dela, pois se sentiria ridículo dizendo que tinha visto a moça voando. Aparentemente, a tal Vampira também lia pensamentos, já que piscou o olho na sua direção. - Achei que seria uma boa maneira de chamar a atenção de vocês. Desculpe, John - comentou jovialmente. - John...- imitou Mulder jocosamente - você conhece esta moça? - Eu a vi voando por aí e me apresentei - retrucou Doggett no mesmo tom. - Hummm....acho que melhor terminarmos esta reunião em outro local. Já estamos aqui há 20 minutos e me admira que ninguém apareceu ainda - cortou Scully com seriedade, tentando imprimir firmeza a sua voz já que estava tão abalada com a recém chegada quanto Mulder e Doggett. - Isso é porque eu não deixei... Scully se virou imediatamente ao ouvir a voz masculina e num instinto apanhou a arma. Aparentemente, Mulder e Doggett fizeram o mesmo, pois o homem parou imediatamente. - Então, Vampira parece que 58 anos não fazem diferença mesmo, hein?! - vociferou Logan - As pessoas sempre foram mal agradecidas! - Esperem! Este é Logan, ele foi trazido junto comigo para dentro desta sala! - Eu acho que está na hora de levar todo mundo para ter uma conversinha longe daqui - Doggett pegou no braço de Vampira sem deixar de apontar a arma para o tal Logan. Mulder e Scully trocaram um olhar. Tudo aquilo era muito interessante e deveria ser investigado a fundo, mas o tempo deles com autorização estava contado ali. Para o completo espanto dos dois, o homem ergueu os braços em frente ao tórax repentinamente e das articulações de suas mãos, surgiram, ainda mais inesperadamente, lâminas de metal longas e afiadas. Antes que pudessem acionar o tambor, ele avançou firmemente na direção deles e passou as lâminas no cabo das armas simultaneamente. Os agentes largaram o que restou das armas no chão, olhando abismados os pedaços de metal e as balas que rolaram pelo piso. Num movimento final, impulsionou a mão direita na direção do agente Doggett, encostando as lâminas em seu pescoço. De sua parte, o agente continuou com a arma apontada para o peito do estranho homem, sem conseguir conter a expressão de absoluto espanto. Mulder considerou que se ele quisesse matar a qualquer um, já o teria feito. Sua reação devia-se ao agente Doggett ter a intenção de levá-los presos e ter apanhado o braço da moça. Olhou desconfiado para a sala e indicou com um olhar para Scully, que voltou a atenção para Logan admirada. - Não gosto que apontem armas para mim - sibilou Logan num tom de voz baixo e rouco, denotando raiva - E também não gosto de oferecer ajuda e pedir ajuda, vendo ambas as tentativas frustradas. Scully aproximou-se dos dois e levantou a mão na direção de Logan, num gesto de paz. Viu a corrente prateada do exército que pendia do pescoço dele, os cabelos rebeldes e barba por fazer. Ele olhou diretamente na direção dela, com olhos faiscantes de desconfiança e curiosidade. - Abaixem as armas. Precisamos sair daqui e obter mais provas sobre o que aconteceu - Scully propôs com calma e firmeza, sua mão finalmente tocou o braço de Logan sentindo ele se retesar ao toque, e com a outra empurrou a do Agente Doggett delicadamente - Temos um assassino para prender e um projeto a desvendar. E ainda assim, precisamos devolver vocês dois ao tempo que pertencem. Vampira se manteve silenciosa. Reconheceu o direito de Logan e a desconfiança justificada dos agentes do FBI, e interviria caso fosse necessário. Mas viu alegre que a agente Scully conseguiu acalmar os ânimos e ambos abaixavam as armas. "Dificilmente, Logan se acalmava desta forma. Bom... mas ele sempre gostou de uma ruiva de olhos azuis!" Divertida, viu o olhar preocupado do Agente Mulder que fitava a cena com ciúmes, já que Scully continuava com a mão sobre o braço do mutante que a media de cima a baixo com indisfarsável interesse. "E para variar, esta também já tem dono!" - Bela obra de arte - comentou Mulder apontando a parede estraçalhada da sala - Dispensa assinaturas, não é mesmo? Doggett verteu seu olhar irado de Logan para Mulder. Imaginava "aquela obra de arte" num ser humano e não achava nem um pouco interessante. "Bem, pensou, talvez um pouco". Logan assentiu com a cabeça, olhando ainda para a mulher firme e delicada ao seu lado. Ela parecia interessada nas garras de metal que saiam de dentro da sua estrutura óssea, rompendo a pele. Num movimento deliberado, recolheu as lâminas que voltaram dolorosamente para dentro do seu corpo. Automaticamente, as células do seu corpo reativaram a composição muscular e em poucos segundos, a pele pareceu intacta novamente. Doggett emitiu um assobio baixo de admiração e Scully deu um passo para trás com os olhos arregalados de espanto. - É melhor a gente cair fora daqui...A não ser que vocês já saibam como mandar a gente de volta - argumentou Vampira cortando a atenção deles. - Acho que não temos como sairmos todos juntos daqui, não é? - perguntou Mulder para Logan que negou com um movimento de cabeça. Correu até a prancheta e fez uns rabiscos rápidos numa folha. Sem hesitar entregou aos dois - Vocês sabem como chegar até este endereço? - A gente se vira, gatinho - Vampira apressou-se em responder, pegando o pedaço de papel com suas mãos enluvadas e enfiando o papel no bolso da calça jeans que usava. - Então, vocês encontram com a gente dentro de uma hora neste endereço. É só mostrar o papel com minha letra e explicar o que aconteceu. Certo? - Tudo bem - concordou Logan - Vamos, Vampira. - Até mais, gente. Tchau, John! Ambos saíram apressadamente pelo corredor, desaparecendo sem barulho ou vestígios. Mulder ainda ficou parado olhando a abertura feita pelo estranho homem. Apalpou o conteúdo do envelope transparente com as idéias vagando, tentando pegar as pontas da cama de gato formada até ali. Sentiu um leve toque no seu ombro e fitou Scully nos olhos - Tem homens feridos na ante-sala da usina, Mulder. E eu acabei de ver uma moça que voa e um homem com garras retráteis de metal, que aparentemente saíram desta máquina do tempo. Na entrada está designando esta sala como centro de estudos atemporais. E ainda estou tentando entender "divisão CEP/M". Apesar disso, definitivamente não podemos ficar aqui. - É. Acho que não vamos conseguir mais nada aqui por enquanto, Scully. Se aqueles dois foram trazidos de outro tempo, o que existe uma grande possibilidade , podemos entender melhor esta situação. Talvez exista algo neste ano de 2057 que seja interessante a AI e ao governo. - Vou atrás do mandato para investigar isso do piso ao chão - participou Doggett - Eu gostaria mesmo de saber qual o nome deste representante do governo. Se não for o próprio presidente, ninguém vai me impedir de ter detalhes sobre este projeto. Já vimos mesmo, agora só faltam algumas explicações. Mulder e Scully concordaram e saíram apressadamente pela porta de acesso ao depósito externo. Mulder sentiu-se satisfeito com Doggett. Ele não era de acreditar fácil nas coisas, mesmo quando elas piscavam a sua frente, mas sem dúvida alguma, era um excelente investigador e parecia ser um bom homem. "Parece" Acrescentou com cuidado mentalmente. - Afinal, para onde você mandou aqueles dois? - perguntou Doggett a Mulder. Pela expressão de Scully, ela parecia saber. - Amigos inteligentes de mente aberta. - Não seriam aqueles três que escrevem jornais sobre a presença alienígena e UFO´s na Terra, seriam? - Frohike, Langly e Byers são de total confiança, inteligentes e saberão nos ajudar nesta situação - interferiu Scully antevendo novo atrito. - Se você diz, Scully - disse simplesmente Doggett sorrindo, para completo alívio dela e profunda irritação de Mulder - Eu fico com o seu carro Scully e você vai com Mulder, pois tenho que dar um pulinho até a polícia local e checar mais algumas informações. - Ok. Até. - Ei, Agente Doggett! - gritou Mulder, jogando para ele os restos achados na sala de testes. Doggett apanhou automaticamente com a mão direita - Leva para o laboratório para mim? - Claro! Até mais... Mulder entrou silenciosamente no carro, posicionando-se atrás do volante. Scully esticou os braços dentro do carro, sentindo tensão muscular. "Estou tão cansada. Duvido que consiga esconder de todos mais seis meses..." Além do cansaço, sentia o estômago reclamando. Logo após a autópsia, procurou a ex-esposa do Dr. Page, pegou um vôo até Manhantan, conversou com o sargento da polícia local e correu a encontrá-los na AI. Estava exausta e com muita fome. - Mulder? - Sim? - Estou com fome - resmungou Scully. - Vamos comer algo rapidamente a caminho. Vou comprar sua salada favorita. - Não...Quero um hambúrguer e batatas fritas. Hum... e também mousse de maracujá. - Uau! E o costumeiro equilíbrio alimentar, Scully? - tornou Mulder espantando. Disfarçou ao receber o olhar enviesado dela. - É falta de tato reparar no que uma mulher come, Mulder. Sua mãe não te ensinou nada sobre mulheres? - Eu nunca perguntei sua idade... - gracejou Mulder - Isso eu aprendi. - Que vitória - ironizou Scully - Vamos continuar falando sobre meu apetite ou vamos parar ali para comprar? Mulder assoviou zombeteiramente - Você tem algum alien aí dentro é? Scully parou por um minuto profundamente irritada. Depois reconsiderou a situação e achou profundamente engraçado. Numa atitude atípica de sua personalidade, rompeu numa risada cristalina. - Puxa, Scully. Você nunca ri dos meus comentários. Acho que voltei mais engraçado ou você mudou seu senso de humor. Ainda rindo, Scully não resistiu a dar algumas alfinetadas nele. - Na verdade, Mulder acho que você poderia se apresentar em público - diante da expressão cômica dele, o acesso de riso dela aumentou. - Fico feliz em te divertir, Scully - protestou, embora embevecido com o sorriso no rosto dela. "Puxa, a Scully está diferente mesmo! Hambúrguer e gargalhadas?" Paulatinamente, Scully deixou o sorriso morrer, mantendo os olhos brilhando pela idéia que havia lhe ocorrido. O parceiro estacionara no drive thru da lanchonete e a fitava insistentemente. A atmosfera havia mudado entre eles e se estabeleceu um clima tenso, cheio de perguntas no ar. Mulder soltou o cinto de segurança e se aproximou de Scully. Como ela não se afastou, ele segurou o rosto dela entre as mãos. A insegurança dele aumentava a cada pequena nuance diferente nela. Sentia- se excluído, sem saber o que ocorrera de tão importante. O humor inesperado de Scully lhe deu esperanças para uma aproximação e tentar estabelecer o antigo contato com ela. - Boa tarde! Qual o seu pedido? - vociferou o atendente quebrando o momento com um tom de voz alto e estridente. Mulder afastou-se imediatamente de Scully que não titubeou, deixando o parceiro com uma ruga na testa. - Boa tarde. Quero um hambúrguer simples, sem ketchup ou mostarda. Batatas fitas grande e um suco de caju para viagem! - Suco de Caju?!? - exclamaram em uníssono Mulder e o atendente surpresos - Er...bem... Não temos isso, senhora. Coca, talvez? - respondeu o moço disfarçando. - Tá, uma coca - aceita Scully com cara de decepção. - Humm...o mesmo para mim. Alguns minutos depois, ambos apanharam os lanches e Mulder dirigia em direção a sede dos Pistoleiros Solitários . Devorava as batatinhas dando olhares de esguelha para Scully que comia com apetite. - O que você está olhando Mulder? Estou com fome - resmungou Scully mal humorada com o olhar insistente do parceiro. - Desculpe, Scully. Desculpe mesmo.... É que estou acostumado com seu apetite de passarinho. - Tá bem, Mulder. Deixa para lá. Sabe...estou pensando durante todo este tempo neste caso e naquelas duas figuras que encontramos na usina - iniciou Scully dando uma mordida no hambúrguer. - Scully... Vamos juntar as peças do que encontramos. Temos uma área do governo doada pela Advanced Tecnologics, uma empresa de pesquisas e desenvolvimento dos avanços tecnológicos nas áreas de física, química e biologia, tendo seu maior mercado na área de medicina. - Temos também um cientista sério e competente, sem antecedentes, assassinado a 1 km da AI após ser oficialmente afastado de suas atividades. Suas anotações pessoais desapareceram num incêndio forjado para cobrir o assassinato - prosseguiu Scully após limpar os cantos da boca com o guardanapo - Temos um laudo médico adulterado por um legista que descobri constar na lista de colaboradores da AI. - Temos o Dr. Nigel, coordenador do projeto que utiliza o centro de pesquisas para cobrir a Divisão CEP/M. - E de acordo com a ex-esposa dele, o cientista estava desenvolvendo um projeto sobre aberturas temporais. Um modo de abrir uma "passagem no tempo" de forma que pudéssemos interagir com outra realidade ou dimensão. Segundo ela, isso havia consumido toda a vida dele, bem como o casamento deles e uma parte do patrimônio também ...até que finalmente, ele conseguiu captar o interesse da AI e consequentemente do governo. Mulder estacionou e pensou um pouco antes de se virar para Scully. - O que pode significar que o Dr. Page realmente descobriu uma passagem no tempo, mas ao deduzir as intenções do coordenador de passar estas informações para uma determinada agência do governo, resolveu retirar seu apoio a pesquisa bem como suas anotações. Além disso, ameaçou denunciar a iniciativa do Dr. Nigel e do representante do governo. O que seria motivo o suficiente para ser assassinado. De acordo com esta carta que encontramos na sala do Dr. Nigel, seriam enviados dois técnicos preparados para explorar algo no ano de 2057 para o governo. Só que ao invés de enviados, eles trouxeram duas pessoas desta época. Bastante incomuns, aliás. - Mulder, imaginando que seja como você diz... Por que eles mudaram de idéia? E o que eles gostariam de descobrir neste futuro de 2057 que serviria ao governo e a AI? Ambos saíram do carro e Scully jogou o saco de papel com os restos do lanche na lata de lixo. - A pergunta de um milhão de dólares na verdade é: Por que o Dr. Page ligaria para Skinner? - Acho que temos mais do que uma aqui...- salientou Scully - Por que Skinner não nos contou isso se sabia que descobriríamos e mais...como vamos "devolver" aqueles dois para 2057 com a ajuda da AI? Se o Dr. Page estivesse vivo, poderíamos considerar a hipótese que ele nos auxiliaria, como agiremos sem ele? - Geralmente, apagam todas as provas quando nos aproximamos, Scully. Espero que tenhamos tempo, caso contrário estes dois vão ficar presos em 2001. Winchester Escola para Alunos Superdotados do Prof. Charles Xavier 28/06/2056 - 13:00 Charles Xavier estava seriamente preocupado. Isso resultou em uma reunião de emergência, alterando o curso de atividades para todos naquela tarde. Jean Grey, Gambit e Fera encontravam-se tomando lanche no refeitório quando receberam o súbito recado do Professor. Reuniram-se na sala de conferências, onde sem mais preâmbulos, o Professor iniciou o assunto. - Tenho notícias preocupantes sobre Wolverine e Vampira. Creio que se estenderá também a Ciclope e Tempestade. Jean Grey estremeceu levemente a menção de Scott e olhou consternada para o homem na cadeira automatizada. - Após Jean localizar Logan e Vampira, enviou telepaticamente a mensagem para Ciclope e Tempestade que foram até o local. Eu já imaginava que haveriam dificuldade, mas foi bem mais além - após uma pausa, acrescentou calmamente - Tentei localizá-los através do Cérebro e vi exatamente o momento em que se encontraram na velha usina...Infelizmente, vi também o momento que abriu-se uma fenda no espaço e levou os quatro num curto espaço de tempo para um outro período dimensional - Como você sabe que foi uma fenda no espaço contínuo? - perguntou Fera - Aquela usina está abandonada há mais de 50 anos. Professor Xavier maneou a cabeça afirmativamente e ativou o holograma instalado no centro da mesa. - Mon dieu! - exclamou Gambit - Isto é o que estou pensando? - sussurrou Jean Grey. Surpreso e intrigado, Fera se levantou olhando as projeções em 3D que exibia uma grande complexo para estudos tecnológicos e científicos, no lugar da antes tão conhecida usina abandonada. - Seja lá o que aconteceu, a pequena viagem dos nossos amigos modificaram o curso dos acontecimentos. Nos já passamos por isso antes...- pensativo Fera concluiu - Se não estou errado, provavelmente, nossos amigos também não existem em nossos registros, certo? Jean sentiu novos arrepios sinistros em seu corpo e olhou diretamente para Fera, depois finalmente para Professor. - Apenas Logan - disse o Professor por fim - Ciclope, Tempestade e Vampira simplesmente não existem mais... - Mas como? Se isto está correto, não deveríamos ter lembranças deles... Deveríamos? - ajuntou Gambit com maldisfarçada esperança na voz. Fera continuou andando na sala sem responder. Colocou os óculos de grau que lhe conferiam uma aparência surreal, já que seu corpo era gigante e coberto de pêlos azuis. Apesar da aparência assustadora, o Dr. Hank McCoy era um cientista calmo e extremamente inteligente. Analisou o holograma pela terceira vez e trocou um olhar intrigado com o Professor Xavier. - Hoje a usina é um grande complexo, embora não tenhamos qualquer referência mnemônica a respeito. Se o fenômeno responsável pela "viagem no tempo" dos nossos amigos for de uma origem de baixa densidade das ondas elétricas, é possível que os únicos afetados sejam os envolvidos. Então, da mesma forma que não temos memória da nova usina, mantemos as lembranças de Vampira, Ciclope e Tempestade. - Para nós não houveram modificações na história...mas para aqueles que estão envolvidos com a usina muita coisa pode ter mudado - concluiu Charles Xavier sombriamente. Agora a parte mais difícil da notícia... Jean Grey levantou-se incapaz de permanecer sentada calmamente. Em questão de segundos, Scott e seus amigos não existiam mais e um local abandonado tornara-se em um conglomerado científico. Não entendia como para eles nada havia mudado. Gambit levantou-se também e pôs a mão no ombro dela. Ela pôde sentir que assim como ela, ele pensava em Vampira com acentuada aflição. - Deve ter acontecido algo de extraordinário nestas últimas 24 horas que nos dê uma pista para qual dimensão ou período eles foram enviados - Sugeriu Fera após alguns segundos e apontou o holograma - Com uma mudança desta magnitude, tenho certeza que não será difícil encontrar. Novamente, voltou a Jean a sensação de vazio mesclado com dor e medo. Fechou os olhos e pôde perceber com maior facilidade as mudanças no seu amigo e mentor. Profundamente triste, percebeu que tinham uma tarefa ainda maior que descobrir aonde estavam seu amado Scott e seus amigos. Num relance, seu olhar cruzou com do Prof. Xavier que maneou a cabeça afirmativamente. Gambit observou aquela "conversa" telepática com desgosto. Para ambos agirem daquela forma, as notícias eram piores do que as reveladas. Lembrou-se da sua última aula de direção com Vampira e do resultado catastrófico. Sorriu interiormente imaginando que o gênio dela, ainda mais terrível, a levara voar para longe dele devido as suas constantes implicâncias. Ela deveria ter ido para uma dimensão hostil para não ter conseguido sobreviver, juntamente aos outros, a àquela aventura. A este pensamento, fechou no mais completo silêncio mental. - Desde a hora seguinte do desaparecimento deles, eu tenho registrado fatos incomuns entre os mutantes - iniciou Charles com cautela e calma - Após utilizar o Cérebro para tentar localizá-los, observei a quase inexistência de mutantes naquele local. Consegui chegar a algumas informações de os mutantes da Ilha de Manhantan viverem especificamente dentro da usina. Segundo as notas oficiais, são "funcionários" treinados ainda na infância para trabalhos especiais do governo. Assim que as medidas de...recrutamento terem sidos executadas e finalmente descobertas, o restante dos mutantes esconderam-se ou camuflam-se na sociedade. - Escravos...- murmurou Jean abatida e deixou os pensamentos e sensações fluírem - Como conseguiram recrutar os mutantes na infância? As características mutantes só despertam na adolescência! - Bom, algum cientista deve ter descoberto Logan, Vampira, Ciclope e Tempestade. Se conseguiram realizar testes e estudos mais detalhados, puderam determinar estas características e antecipadamente recrutar os primeiros mutantes da época ainda na infância ou puberdade. - Os fatores genéticos...- Fera continuou o raciocínio do Prof. Xavier - Tendo acesso aos registros neonatal através dos hospitais...Sim, é possível. - Com que fim? - manifestou-se finalmente Gambit - Como poderemos saber qual as condições do tempo a que eles foram enviados? Talvez utilizaram as armas necessárias a época. Não importa, porém. Temos que evitar que os mutantes sejam escravizados seja no presente, passado ou futuro. Fera estalou os dedos e sugeriu animadamente - Podemos utilizar o bracelete do Bispo!* - Você terá que construir outros cinco, Dr. McCoy - sorriu Charles finalmente - Enquanto isso, vamos investigar em qual período eles ficaram presos. Desta forma, iremos buscá-los antes que possam estudar as características genéticas deles. A atitude de algozes escravizadores é primazia dos humanos. Fazemos isso há séculos, logo podemos descartar outras dimensões e intensificar nossas investigações na descoberta da data específica. - Provavelmente o ano...- sugeriu Fera observando os olhos brilhantes de Jean que agora continham esperança e determinação - A data e mês devem ser equivalentes ao nosso. Movido por uma súbita energia, Gambit levantou-se da cadeira em que havia se prostrado e parou em frente ao amigo. - O que estamos esperando? Vamos ao trabalho! Sede dos Pistoleiros Solitários 28/06/2001 - 14h Langly tentava manter a boca fechada, apesar do contínuo espanto que aqueles dois lhe representavam. Lançou um olhar de esguelha para Frohike e Byers que continham a custo as dúvidas que formavam um verdadeiro ponto de interrogação em seus rostos. Apesar da dificuldade, eles haviam iniciado a investigação sobre a AI e mantinham uma conversa animada com a bela moça, enquanto que o homem relativamente baixo e provavelmente de mau humor, mantinha-se encostado na parede de braços cruzados olhando ambos de maneira desconfiada e ameaçadora. Vampira olhou a expressão de Logan, mas não se pertubou. Conhecia o amigo há muito tempo e não questionava sua atitude de intimidadora avaliação. Assim como ela, Logan percebia que a situação deles mostrava- se precária e perigosa. Mas ao menos, pensava consigo mesma, eles tinham a feliz sorte de encontrar pessoas dispostas a ajudá-los e de boa índole. Não se enganava quanto a isso. Viviam em luta com os "humanos normais" a muito tempo para que não reconhecessem os bem intencionados com facilidade. Aproximando-se do homem baixo e careca que lançou um olhar especulativo detrás dos óculos, Vampira tentou ler as informações que apareciam no computador com rapidez. - Essa Advanced Technologic então é um complexo científico que desenvolve projetos para a sociedade com o apoio do governo, mas que desenvolve também em sigilo um centro de experiências atemporais com o nome de usina? - questionou ela ensimesmada subitamente. - Resumidamente, sim. Mas temos mais informações sobre eles, sabe. Acreditamos que eles trabalham juntamente com a Conspiração para encontrar formas de defesa para a colonização. Acho que um experimento desses poderia levá-los a descobrir a situação da Terra após a colonização e formas mais avançadas tecnologicamente para nos defendermos. Bem...- prosseguiu Byers entusiasmado medindo os mutantes de cima a baixo - vocês podem ser incluídos nisso diante das habilidades que apresentam. Logan seguiu o raciocínio lógico do homem a sua frente, que o media com interesse espantado. "Aliás, demais para meu gosto", pensou amargamente. Só não entendia Conspiração e colonização. Ergueu uma das sobrancelhas na direção de Vampira e pelo brilho confuso nos olhos violeta dela, a dúvida era comum a ambos. - Colonização? Conspiração? - perguntou ela suspirando - Te juro, gatinho, vocês são complicados demais. Um intenso rubor tomou conta de Byers para completo divertimento de Logan. Estava acostumado ao vocabulário juvenil de Vampira e sua forma incomum de se expressar com todos. O prazer acanhado do homem alto e loiro fez com que sua expressão finalmente se anuviasse com um sorriso debochado. - Bem...er..conspiração é... - atrapalhadamente Byers pretendia explicar a estonteante moça o significado daquilo, mas parou ao ouvir uma risada conhecida e o inconfundível perfume leve e sensual de Scully. Mulder entrou seguido por Scully, a tempo de ver a cena anterior com um divertimento próprio da sua personalidade irônica e franca. - Não precisa gaguejar. Ela não vai te morder - brincou com o amigo dando um amigável tapinha em suas costas. Simulando dúvida, voltou a atenção para Vampira - Ou vai? - Ah! Corta essa! Tá deixando ele ainda mais encabulado...- correndo em socorro do tímido e agradável Byers, Vampira piscou para Mulder. Scully pigarreou e lançou um olhar de advertência para o parceiro, sentindo-se incomodada com a descontração geral enquanto problemas mais sérios lhe atordoavam os pensamentos. - O que vocês descobriram, afinal? E por que chegaram a conspiração e colonização? - Ah! Veja isso, Scully - Frohike despertou a atenção da agente para seu lado exibindo inúmeras folhas saídas do aparelho de fax - O Agente Doggett enviou os resultados de um material recolhido por vocês na AT. Mulder apressou-se a pegar os resultados e colocou nas mãos de Scully com um olhar interrogativo. Como os olhos azuis de Scully se arregalaram e ela manteve-se em chocado silêncio, Mulder sentiu a curiosidade chegar as raias do insuportável. Questionada pelo parceiro, Scully não conseguiu formular nenhuma frase coerente devido a descoberta científica fenomenal a sua frente. Com renovado espanto, olhou de Vampira para Logan pensativamente. - O quê? - resmungou Logan, embora estivesse apreciado o exame daqueles belos olhos azuis. Os cabelos avermelhados dela roçavam na nuca e a pele muito branca despertaram um genuíno interesse nele. Dissimulou rapidamente ao receber "aquela" olhada do parceiro dela. Não que aquele sujeito alto e magro lhe intimidasse de alguma forma, mas percebera a maneira carinhosa como a linda ruiva olhava para ele. Considerou que qualquer que fosse o relacionamento deles, era bem mais profundo que parceria de trabalho. Riu zombeteiramente pensando que percebia isso melhor do que eles aparentemente admitiam. "Que pena, pensou olhando para Mulder com desapontamento, esse cara deixar escapar uma mulher linda e corajosa como essa! Viu Vampira lhe enviar um olhar de advertência e desviou a vista para algo menos interessante...O baixinho de óculos, por exemplo. Scully acompanhou a intensidade e a tensão entre os dois com disfarçado aborrecimento, mas não ignorou o leve arrepio que percorreu sua espinha. "Ah, afinal, que mal havia em ser apreciada?" Profundamente decepcionada com o rumo de seus pensamentos, voltou a atenção para os resultados surpreendentes dos exames genéticos que tinha em mãos. - Se isto está correto, podemos afirmar que as pessoas que estiveram naquela sala tem características genéticas anormais das nossas o que lhes valeriam habilidades diferenciadas de indivíduos comuns - com um leve suspiro, ela sentou-se numa das cadeiras tendo captado a atenção de todos - Mas...não como doenças...hummm...seriam traços genéticos que diferenciaram paulatinamente das outras pessoas através dos anos. Embora, tenha aqui também resultados normais. - Provavelmente dos seguranças que deixamos na sala - intrometeu-se Vampira. - É...faz sentido - retomou Scully correndo o vista pelos demais documentos - Isto é surpreendente. Algumas amostras como essa mudariam a visão dos indivíduos com relação ao futuro. Logan estava mais do que cansado de ouvir explicações sobre mutantes, mas considerando a ignorância deles quanto ao assunto e o apreciável respeito e admiração, resolveu explicar resumidamente a condição dos seres humanos no seu tempo. Vampira lhe deu um breve sorriso, a aceitação deles diferenciava das manifestações quase sempre agressivas dos humanos em 2057. Um sentimento bastante novo para os dois. - De tempos em tempos, segundo o Prof. Xavier, a humanidade dá saltos na escala evolutiva através da mutação. No futuro, alguns indivíduos apresentará características genéticas diferenciadas numa mutação incomum nas cadeias de DNA. Isso resultará em habilidade e capacidades ilimitadas naquilo em que poderão se tornar e enfrentar. Segundo o Prof. Xavier, é um curso comum a todos, cada um a seu tempo - com um tom de amargura mesclado em ironia finalizou olhando para Vampira - Embora nem todos concordem com isso. - Puxa! - exclamou Vampira sorrindo - Você falou igualzinho ao Professor agora... Eles devem estar preocupados conosco... - Professor? Eles? - foi a vez de Byers ficar confuso - E quem não concorda? - A maior parte dos humanos comuns - falou Logan em num baixo de voz que sempre denotava certa raiva comedida - Um bando de paspalhos covardes que temem as diferenças e geralmente, recebem mutantes a balas, gritos ou tentam nos catalogar ou expulsar. A lista é enorme...e muito chata. Mulder pode vê-los com outros olhos agora e de uma forma mais profunda. Sentiu uma certa solidariedade. Numa escala infinitamente menor, sabia como era ser excluído pelas suas idéias arrojadas. Mas era algo que ele sempre podia consertar ficando calado. Coisa que não fazia nunca, claro, e nem dava a mínima. No caso dos mutantes, a situação era diferente, não tinham como dissimular algo que era de domínio público. Especialmente, quando saltava a vista como as garras metálicas de Logan. Espontaneamente, fixou a vista nas mãos de Logan. Julgou que era lógico e compreensível a atitude agressiva e reservada do mutante. Uma defesa construída através dos anos. Logan manteve o olhar no de Mulder sem pestanejar. Sabia que estava sendo analisado de uma forma inteligente por alguém que deveria ter conhecimento da natureza humana. Não esperava por isso da parte daquele homem. Principalmente pelo fato de que não percebia no olhar escurecido do outro, nenhum tipo de julgamento ou recriminação. Sentia sim, quase uma empatia baseada no entendimento mútuo. O agente descobriu camadas e camadas de auto-proteção nele. Com certeza, seqüelas de dor e incompreensão. E uma certa confusão também...parecia. O duelo de olhares terminou com uma troca silenciosa de respeito de ambas as partes. Vampira novamente deu um sorriso satisfeito. Aqueles dois eram inteligentes e realmente interessados em ajudá-los, sem julgamento. Bem, faltava aquele terceiro... O alto e simpático. John. "Uma gracinha!, pensou alegremente. Em seguida, lembrou-se de Gambit e mordeu o lábio inferior pensativa. Como não era dada a auto- recriminação, considerou que olhar nunca tirou pedaço e bem sabia que aquele seu namorado era de uma exibição ao público feminino a toda prova. Como que materializando-se pelo pensamento dela, o Agente John Doggett entrou na sala com a costumeira seriedade que caracterizava sua personalidade. Quase sorriu com a piscadela que a moça voadora lhe dirigiu, mas tinha muitas notícias sérias para se distrair com aquele par de olhos violetas. - Então, Doggett o que conseguiu? - perguntou Scully percebendo a tensão do agente. Parecia portador de más notícias. - Kersh nos negou a autorização para busca na AT. Mulder cerrou o maxilar com raiva e Scully ficou muda com a surpresa. - Além do quê...- continuou Doggett - Ele ficou sabendo da nossa visita a AT e questionou Skinner por estarmos os três lá e ainda por cima sem autorização. Mulder foi se encostar na parede próxima a Logan, tentando conter a palavra que surgiu na sua mente com letras garrafais. Suspirou exasperado sem dizer nada... afinal haviam duas damas presentes. - Quem é Kersh? - puxando conversa, Logan se aproximou de Mulder que parecia conter um gigante palavrão entre os dentes. - "Faz parte de um bando de paspalhos covardes que recebem agentes a balas e gritos" - citou Mulder em tom baixo para que os outros não o ouvisse - A lista é enorme e também muito chata... Kersh é da cúpula do FBI e costuma atrapalhar nossos passos de quando em quando. - Por quê? - Acho que não considera os casos que investigamos importantes. Por ele e outros, fechariam definitivamente os Arquivo X - ao ver o ar de interrogação do outro, continuou - Casos sobrenaturais, aparentemente sem explicação científica. Resumindo, como o de vocês. - Talvez eu devesse fazer uma visitinha ao tal Kersh - comentou Logan num meio sorriso - Nada que uma conversinha entre homens não resolva. Mulder acabou rindo. A imagem do diretor assistente Kersh na mesma sala que o mau humorado Logan exibindo suas garras de metal provocava em sua mente pensamentos vingativos...tão contrários a sua natureza que acabou por dar risada de si mesmo e da situação hipotética. Voltou sua atenção a Scully, Doggett e Byers. - Acho que o governo quer descobrir como estará nossa sociedade após a Colonização e talvez conseguir idéias ou armas para ter como controlar os alienígenas - comentou Byers preocupado - Mas ao invés de enviar duas pessoas, eles acabaram trazendo os dois. Com certeza foi um erro. Talvez pré-calculado pelo próprio Dr. Page. Doggett virou as costas para Byers e Scully deduziu que ele se aborrecera novamente com as teorias dos Pistoleiros Solitários. Na sua cabeça ainda rodopiavam os resultados dos testes dos mutantes. - Colonização por alienígenas? - perguntou Vampira enquanto analisava uma maçã com atenção - Mas quem especificamente? Só se for de um planeta desordenado ou uma dimensão rebelde. Eles não fazem isso sempre - após dar uma grande mordida, virou para Logan - Acho que a Lilandra não existe ainda, não é? - Talvez sim...Mas não seja do conhecimento deles...ainda. Talvez já até existam por aí bebês com alterações genéticas mutantes ou crianças e adolescentes perturbados por algo que nem sabem o que é - lembrou de Dentes de Sabre e sorriu sarcasticamente para Vampira - A gente podia ficar por aqui por um tempo e acabar com a Irmandade dos Mutantes. - Não acho que o Professor ia achar graça se você matasse o Magneto - rebateu Vampira. Mulder estava acompanhando aquela conversa com uma atenção febril. Scully viu o característico brilho nos olhos do parceiro e tratou de entrar no assunto. - Não acho prudente vocês interferirem em nosso tempo... pode trazer conseqüências desastrosas para o tempo de vocês. O espaço contínuo obedece a uma lógica que ainda não dominamos. Um ato aparentemente eficiente pode alterar a vida de vocês e de outras pessoas de maneira negativa. - Então no futuro poderemos interagir com outros planetas e dimensões... e teremos habilidades que desconhecemos agora... Bem que eu queria ver. Percebendo a linha de raciocínio dele, Vampira largou a maçã displicentemente e "desfiou o rosário" de problemas do futuro como A Irmandade dos Mutantes, o preconceito, a violência, a confusão inicial e os problemas dos mutantes...Tudo num tempo recorde que deixou Mulder atordoado e a própria Vampira sem fôlego. - Se você vai ficar por aqui, Vampira - falou Frohike muito sério - é melhor descartar agente de turismo da sua lista de profissões. Scully reprimiu um sorriso e focou sua atenção em Logan que parecia uma fera enjaulada naquela sala cheia de pessoas. Era óbvio que não estava acostumado a ficar parado conversando. Sentindo-se observado, ele parou e a encarou abertamente. Sem se intimidar, ela sustentou o olhar e se aproximou. - Onde você vai, Vampira? - perguntou Logan sem tirar os olhos de Scully. Havia percebido a amiga tentando sair sorrateiramente. - Acabou de me ocorrer que Tempestade e Ciclope estavam para nos encontrar na velha usina ontem. E se eles foram "sugados" como nós? A essa hora eles devem estar presos naquele lugar. - Eu não sabia disso - murmurou Logan, vendo a expressão interrogativa de Scully. "Acho que Mulder ia ficar muito bravo se eu desse um beijo nela aqui..." - Só vou dar uma checada e já volto. Vou ficar bem, não se preocupe. Dogget foi atrás de Vampira ainda estranhamente silencioso. Scully achou que ele estava escondendo algo deles, mas preferiu se manter quieta. Sentiu um toque suave no seu ombro. - Não se preocupe. Ela sabe se cuidar e eu também. Vamos descobrir quem são os caras e acabar com eles. É surpreendente alguém nos ajudar, mas não é essencial. Talvez seja melhor a gente se separar aqui. Cada um faz a sua parte. Scully pensou por um instante e deu um breve suspiro. Olhou novamente para a mão dele em seu ombro. Talvez não tivesse que se preocupar mesmo. - Adamantium... O mais resistente. Estão no meus ossos e são bastante eficientes em quedas, brigas e algo mais. - Como você tem metal nos seus ossos? - perguntou Scully sem sorrir da brincadeira dele, tocando nas articulações da mão de Logan, o que provocou nele novamente aquela maldita sensação de deja vu - Esta é a sua característica mutante? - Não... é a reconstituição celular. Basicamente, posso me recuperar de uma série de machucados. Scully reconheceu o tom amargurado na voz dele mesclado a raiva. Abaixou a sua própria voz, temendo que ele mudasse de idéia e parasse de falar. - E o adamantium? - Foi colocado no meu corpo - respondeu com naturalidade forçada - Não me lembro de quase nada e o que lembro não sei se é real... Quando cheguei naquela sala de testes, tudo me pareceu muito familiar. Eu também fiz parte de uma força especial após implantarem o metal no meu corpo... Se existe qualquer possibilidade de isso acontecer agora, eu vou detonar aquele local não importa o que aconteça. Scully assentiu com a cabeça e se afastou de Logan pensativa. Mulder e Byers fizeram um mapa de informações analisadas e colocado em cima da mesa, pareciam ter chegado a uma conclusão bastante intrigante juntamente com Langly e Frohike Mas a expressão alterada de Logan alertou alguns sinais em sua mente. Talvez a idéia não fosse tão absurda quanto parecia. Mulder lançou um olhar exultante para Scully e ela entendeu perfeitamente o significado. Assim que Vampira bateu a porta da sala, o Agente Dogget resolveu segui-la com mil idéias martelando em sua mente. Havia falado com AD Skinner pelo telefone e até onde conhecia, a voz no segundo plano era de Alex Krycek. Pensou que seus ouvidos lhe pregavam peças e resolveu conversar pessoalmente com Skinner. Ao invés de ter ficado mais calmo, após entrar no carro com informações razoáveis sobre o caso, encontrou um passageiro não convidado e uma arma apontada para si. Mas isso não era nada em comparação com o que Alex Krycek havia lhe contado e prometeu a melhor parte para depois. De uma forma fantasmagórica ele desapareceu deixando Doggett com mais dúvidas do que antes... Antes que pudesse ter conversado com Scully e Mulder sobre a estranha aparição de Krycek e as informações que lhe deu e ainda as que daria, aquela elétrica mutante resolveu sair esbaforida e se colocar em risco, sem dar tempo para Doggett colocar as idéias em ordem. - É perigoso você sair sozinha, Vampira. Esses caras podem achar sua capacidade de locomoção muito interessante e levantar atenção demais para os outros como você - disse Doggett puxando Vampira pelo braço após alcançá-la. - Olha, gatinho, sei que você se preocupa, tá? Só que eu costumo lidar com coisas piores todos os dias e se houver uma possibilidade de meus amigos estarem lá eu preciso fazer algo a respeito. Do jeito que o trem está andando, alguém vai querer enfiar a gente num laboratório feito ratinhos brancos... - Eu vou com você, então... - antes dela abrir a boca, ele emendou severamente - Sem espaço para discussão. Vampira pensou em retrucar, pois não queria que ele se machucasse. Então, lembrou que era o trabalho dele e que estavam em 2001. Balançou os ombros em sinal de indiferença, mas anotou mentalmente a lembrança de tomar conta do Agente Dogget. Entraram no carro prata e Doggett dirigiu até a Advanced Technologic em silêncio. Vampira teve a impressão que algo o consumia e tentou puxar conversa. Respondendo educadamente, mas com monossílabos, Doggett frustrou as tentativas dela. A tarde já caía quando chegaram... As sombras cobriam parte dos prédios do centro tecnológico. Doggett pretendia entrar da mesma forma sorrateira que utilizara com o Agente Mulder e aparentemente, Vampira também pretendia entrar ao seu modo. Porém, o número dos seguranças nas imediações era bem maior do que o anterior. Doggett esquadrinhou a área a procura de possibilidades. Poderia tentar uma aproximação direta com o Dr. Nigel, mas se a informação recebida através de Alex Krycek estava correta, tinham pouco tempo para retirar os dois mutantes dali. "Se é que a informação era confiável", pensou. Embora sabia que o preço a pagar seria bem caro. "Meu Deus...nem quero pensar nisso agora!" afastou as lembranças exasperado e suspirou. - É, gatinho, vamos ter que ir por cima mesmo - retrucou Vampira e com um movimento inesperado, elevou-se rapidamente, pousando atrás do agente. Abraçou as costas de Doggett que levou tempo demais para entender as intenções dela - Vem...te dou uma carona! - MAS O QUÊ?!? Ah!!!! Num impulso rápido e seguro, Vampira levou Doggett até o teto do prédio da usina, passando atrás dos pinheiros para evitar que fossem identificados. Tentou pousar com a maior delicadeza o possível, mas o agente debatia-se agitado e acabaram se chocando na parede externa do muro de concreto. Doggett não sabia como se recuperar do susto. Recompondo-se, retirou as pequenas folhas grudadas na sua roupa, esperando a adrenalina que ameaçava expulsar o seu coração pela boca esvaísse da sua corrente sangüínea. Estava tão possesso que nem sabia o que dizer quando Vampira se aproximou dele e passou a retirar uma pequenina folha grudada em seu cabelo. Ela lhe sorriu ternamente num pedido de desculpas. - Te juro, menina - sibilou Doggett agarrando os ombros dela - se você fizer isso comigo novamente te dou umas belas palmadas...- Hesitou um pouco ao ver o brilho magoado nos olhos violetas - ou um beijo - completou sorrindo e largou a mutante. Vampira respondeu satisfeita com o bom humor dele - Se fizer isso, vai cair desmaiado! - Você é bem convencida, hein!? - Ah! Não...não é isso, mas costumo humm...bem... "assimilar" a energia das pessoas que eu toco ou me toca - levantou as mãos enluvadas enfatizando o que dizia. Dogget não compreendeu totalmente, mas resolveu que não pagaria para descobrir o significado. Num gesto gentil e brincalhão, pegou a mão dela e deu um beijo rápido. - Acho que isso vai resolver, então. Vamos! Descobriram um longo duto de ar que desembocou em cima do teto engradado acima da sala principal. A visão da situação fez Vampira conter um grito de susto. No meio da sala, duas plataformas metálicas continham os corpos adormecidos e entubados de Scott e Ororo. Scott tinha um tecido negro e grosso cobrindo sua face e assim como Ororo, seu pescoço, pulsos e pernas estavam presos com algemas de metal. Alguns técnicos e cientistas, inclusive um eufórico Dr. Nigel estavam presentes estudando os resultados mostrados em monitores recém-instalados. "Droga! Krycek estava falando a verdade!". Para o completo desolamento do agente, as informações estavam corretas. As pessoas envolvidas haviam encontrado mais do que esperavam em 2057. Escravos mutantes, recolhidos ainda na infância para defender os interesses de um grupo governamental com interesses que ele ainda não compreendia. Aqueles dois dariam início a uma intensa investigação e pesquisa com resultados desconcertantes para 2001 e provavelmente ainda piores para 2056. Sentiu o estômago enjoado com a audácia daqueles homens. As informações foram confirmadas...então, a primeira parte entregue a Skinner deveria receber a atenção deles imediatamente. Precisavam recuperar os arquivos médicos das mãos do representante do governo... "E o homem que poderia levá-los até ele estava desaparecido ou morto...CGB Spender" Essas considerações passaram na velocidade de um relâmpago pela mente do Agente John Doggett, mas não tão rápido a ponto de perceber e deter uma enfurecida Vampira. Num átomo, Vampira deslizara pelo teto até o exato ponto acima das plataformas metálicas. Puxando com fúria uma das telas engradadas, Vampira atirou-a longe revelando força excepcional para uma mulher. O estrondo alertou os cientistas. Por um momento permaneceram estáticos ante a visão da mulher que voava na direção deles. Com punhos fechados, numa audaciosa descida, Vampira desfechou dois socos violentos em dois cientistas que permaneciam ao lado de Scott e Ororo. Doggett conseguiu retornar pela grade até uma vacilante escada que descia até o piso. Utilizando o paletó como proteção para as mãos, desceu a moda dos bombeiros com vertiginosa velocidade. Rolando imprecavidamente pelo chão, viu sua arma sair do coldre deslizando até o corredor escuro. Rapidamente, se pôs de pé correndo ao mesmo tempo. Porém, uma mão masculina apanhou a arma antes dele. - Parece que você vai precisar de uma mãozinha, amigo - Logan jogou a arma na direção do agente. Num movimento já familiar a Doggett, o mutante fez surgir as afiadas garras de adamantium - Vai começar a festa! Vamos espalhar os corpos destes caras. - Preciso de todos vivos! - gritou Doggett já correndo atrás do enfurecido Logan. Dogget gritou a ordem federal para evitar feridos, mas foi impossível conter o pânico e a resposta violenta dos seguranças ao verem o mutante com oito lâminas nas mãos. Vampira tentava retirar as algemas de Scott e Ororo, mas elas saiam da plataforma e não conseguia encontrar uma forma de retirá- las sem ferir a ambos. Ficou desnorteada por um momento sem saber o que fazer. Ao ver Logan imobilizando os seguranças com a ajuda de Doggett, sentiu-se mais confiante. Doggett viu que o Dr. Nigel se aproximava de Vampira com uma arma engatilhada. Tinha o nariz ensangüentado pelo soco recebido dela e os olhos dilatados de raiva e frustração. Seu olhar foi o suficiente para atrair a atenção dela que imediatamente ergueu-se no ar. Enquanto isso, Logan imobilizou o Dr. Nigel com uma violenta chave de pescoço. - FBI. PARADOS! MÃOS PARA CIMA! Dogget reconheceu a voz de Scully que seguia Mulder com uma expressão alarmada. Os três técnicos que tentavam fugir, deitaram-se no chão ao comando dos recém-chegados agentes. Resolveu deter Logan que mantinha o cientista, já quase inconsciente de medo, preso pelo pescoço. O mutante parecia determinado a enforcá-lo ali mesmo. - Como faço para tirá-los daqui? - gritou Vampira para o apalermado cientista. Os tiros e a confusão que havia reinado atingira uma parte dos controles da sala, fazendo os monitores piscarem loucamente e os circuitos elétricos entrarem em curto. A paciência de Logan, que já não era muita, chegou ao fim. Num movimento brusco, jogou o Dr. Nigel inconsciente no chão. Doggett parou imediatamente lançando um olhar irado para o mutante que avisou com desprezo - Não me olhe assim porque eu não matei o imbecil. Ele já tinha desmaiado de medo. Um estampido rouco soou levemente antecedendo uma série de pequenas explosões no controle principal, seguindo por continuadas panes na trilha elétrica da sala. - Este lugar vai explodir! - gritou Mulder - Vamos tirar todo mundo daqui agora! Scully?! Scully tentava reanimar os mutantes deitados nas plataformas e parou ao ouvir as explosões. Ao aviso de Mulder, pegou no braço de Logan gritando energicamente: - Solte-os com suas garras de metal. Doggett, Mulder, vamos levar todos por ali - indicou duas portas revestidas com uma tranca automática. Na explosão, o controle central liberou imediatamente aquela passagem para evacuar o prédio em caso de incêndios. - Você tirou as palavras da minha boca, boneca - tornou Logan para Scully, procurando romper as ligas de metal com destreza e rapidez. Doggett e Mulder levaram os cinco seguranças e os técnicos para fora sob mira de suas armas, onde uma ambulância e dois carros do FBI aguardavam com reforços. Entraram apressados, seguidos por Vampira que carregara o Dr. Nigel. Desta forma, não puderam perceber a partida imediata dos três veículos com a equipe da usina, assim que entraram no prédio. A frente do volante da ambulância, Alex Krycek deu um sorriso satisfeito ao arrancar com velocidade fazendo os pneus cantarem. Scully constatou que apesar das leves concussões na cabeça, ambos dormiam sob efeito de fortes sedativos. Retirou os tubos e agulhas deles e apressou-se em retirar o estranho decido do rosto do mutante. Franziu o cenho ao ver os óculos de quartzo. Logan segurou a mão de Scully no exato momento em que ela iria retirar os óculos protetores de Scott. - Não faça isso, Scully. Os olhos dele podem dividir você ao meio e arrebentar este teto num piscar de olhos. Antes que Scully argumentasse, Logan ergueu Scott e jogou-o sobre os ombros, carregando-o apressadamente para fora da usina. Doggett repetiu o gesto com a moça de cabelos prateados, jogando-a nos ombros. A fumaça escurecida saía em rolos opressores da sala circular envenenando todo o ambiente. Vampira sobrevoava a sala movida pela preocupação. Não conseguira encontrar nada eficiente para deter a eminente explosão e o passaporte da sua volta para casa iria irremediavelmente pelos ares. Inconformada seguiu os outros. O mesmo pensamento cruzou a mente de Mulder e Scully. A fumaça envolveu Scully como tentáculos envenenados provocando uma onda de náusea insuportável, tontura e asfixia. Mulder amparou-a imediatamente pela cintura, colocando o tecido preto que ela segurava no rosto dela tentando protegê-la das espirais de fumaça. Engasgando e tossindo, arrastou Scully consigo até a saída. De repente, sentiu o corpo dela amolecer deslizando até o chão. Segurou-a com mais força pela cintura e tomou-a nos braços. Logan surgiu puxando ambos para o lado do único carro que restara. Naquele exato momento a sala circular explodiu iniciando um efeito dominó em todas as alas da usina. Num espetáculo único, raios de luzes e fumaça espalharam-se pelo ar, cobrindo os outros prédios da AT. Numa mistura de destruição e liquidez, os fachos de luz cortaram o ar abrindo pequenos vácuos temporais até que uniram-se formando o conhecido cogumelo disforme, a maneira de uma explosão nuclear. Coberto de fuligem, Mulder ergueu-se para verificar se Scully estava machucada. Mulder tentara proteger o corpo dela com o seu, mas percebeu que tinha sido atingida por pequenos fragmentos da usina. Acariciou o rosto dela, tentando retirar a fuligem da pele clara. Logan parou ao seu lado e colocou sua jaqueta sob a cabeça dela. Num exame superficial, percebeu que eram apenas arranhões e fumaça. - Ela vai ficar legal daqui a pouco. - comentou com naturalidade diante da expressão preocupada de Mulder. Dogget levantou-se com a ajuda de Vampira. Foram os primeiros a perceber o isolamento do local. Com exceção dos carros de Mulder e o utilizado por eles, não havia sinal dos outros veículos. Scully já recobrara a consciência e andava apoiada em Mulder. Logan acomodou Scott e Ororo em um dos carros e olhava agora para os lados. Seu olfato excepcional o alertando para presenças conhecidas naquele local. - Onde estão os carros do FBI e a ambulância? Você viu? - perguntou Mulder a Doggett. - Eu não sei...eles desapareceram. Como vocês chegaram aqui? - Skinner entrou em contato conosco e nos deu alguns dados interessantes para seguir... Mas você já sabia disso, certo? - Já. Com a saída apressada de Vampira não pude alertá-los, temia que isso acontecesse e ela se machucasse. Mulder maneou a cabeça afirmativamente, mas sua intuição dizia que Doggett escondia algo. Scully tomou alguns goles de água se refazendo do incidente. Queria deitar e relaxar, mas a inconsciência de Scott e Ororo a preocupava, pois sabia que não podia levá-los a um hospital comum. Vampira, agora ao seu lado, compartilhava das preocupações de Scully. Na Escola tinham o Dr.McCoy para cuidar deles...já ali...não tinha a menor idéia de como agir. - Vamos sair daqui - sugeriu Mulder pensativamente - Temos muito o que fazer. Tudo bem contigo, Scully? - Já estou bem, Mulder. Não se preocupe. Estou estranhando o desaparecimento do nosso reforço e da ambulância. Além do mais, o corpo de bombeiros já deveria estar aqui... - Vamos providenciar isso longe daqui, Scully. Aqueles dois precisam de atendimento. Essa história não acabou ainda - Mulder olhou significativamente para Doggett que permaneceu impassível. Bar do Casey Sudoeste de Washington, D.C 28/06/2001 20:00 Dogget bebericava seu whisky com gelo lentamente analisando suas possibilidades. Tinha dúvidas se agira corretamente, embora os resultados fossem satisfatórios sabia que implicaria num preço... talvez muito alto. Skinner lhe disse que Krycek nunca oferecia nada antes de receber seu pagamento e que seu comportamento havia sido incomum. O que deixou Doggett ainda mais insatisfeito. A incerteza da quantia tirava seu sossego e ele amaldiçoava aquele russo infernal a cada movimento do ponteiro. Scully ficara na sede dos Pistoleiros Solitários com os mutantes e Mulder com Skinner no FBI. A saída de Doggett deixara o agente Mulder desconfiado, mas tinha ainda um último assunto para tratar com Krycek. Lembrou-se da expressão irada do agente Mulder ao saber de como Krycek entrara em seu carro, para depois ficar profundamente desconfiado das informações fornecidas. Desta forma, somente o diretor- assistente sabia que ele encontraria com Alex Krycek novamente. Doggett ficou a par da reputação nada favorável de Krycek através de Skinner e logo descobriu que era um assunto perigoso para ser tratado com Mulder. "Eu também não iria apreciar o assassino de meu pai...", pensou enquanto via Krycek entrando no bar "Falando no diabo..." Krycek sentou-se na cadeira em frente a sua com uma expressão inocente. - Você está atrasado. - Sou russo, não britânico...- comentou Krycek num tom mordaz - Depois não foi fácil tirar isso do "velho". Apesar de ser quase um cadáver ambulante, ele ainda tem vários truques na manga e estava muito infeliz com a destruição da AT e o desaparecimento dos mutantes. Dogget apanhou a grossa pasta e analisou as fichas médicas com desgosto. Sentia ímpetos de pular no pescoço do homem a sua frente, dar- lhe voz de prisão ou esganá-lo! Contendo-se, respirou fundo e olhou para Krycek contando até dez lentamente. O barman colocou a bebida na frente de Krycek e virou-se para o bar. Krycek bebeu num só gole a bebida seca. Estava profundamente satisfeito. Entendia perfeitamente a mensagem implícita no olhar de Doggett. Também apreciaria cortar a garganta daquele agente do porão do FBI. "Aquele local vivia infestado de honestidade, parecia doença". - Por que fez isso, Krycek? Você é do tipo que apreciaria ver o circo pegar fogo. Krycek sorriu com o canto da boca, proferindo as palavras seguintes num tom baixo e lento. - Duvido que você saiba realmente que tipo de homem eu sou, Doggett. Essa história é muito longa e não tenho a menor vontade de dividi-la com você. Basta saber que esses acontecimentos não seriam...interessantes para mim - Encostou na cadeira analisando as intenções de Doggett, estava atento para as reações dele - Somos apenas dois homens fazendo negócios. Só isso. - Isso deve servir para sua consciência de mercenário e assassino. - tornou Dogget olhando friamente para o outro. - Seus elogios estão me encabulando. Vocês me devem o resgate da vida daqueles mutantes e te tantas outras pessoas. - retrucou Krycek no limite da paciência. Seus olhos faiscando de raiva. Contra toda sua vontade, Doggett reconheceu uma parte racional do argumento dele. Embora com valor estipulado e para seu próprio benefício, as informações de Krycek haviam sido fundamentais. Por sua vez, Krycek observou satisfeito a expressão de Doggett e se congratulou internamente. Não dava a mínima para o que as outras pessoas pensavam dele... fazia suas próprias regras e era livre. Era óbvio que não fora por consideração a sua pessoa ou as impressões da sua reputação que mantinham Doggett ali. Num relance soube que Doggett era o tipo de pessoa que cumpria sua palavra e que mantinha códigos antigos de honra. "Uma tremenda bobagem, diga-se de passagem!" ! Pediu outra bebida e Doggett recolheu as pastas com uma expressão carregada. Exasperado, perguntou - Afinal, quem era o tal representante? - Você sabe quem era. - CGB Spender? - Ele era apenas um intermediário do real idealizador. Mas seu "seguro" não cobre isso. Quer um conselho? - Krycek viu o outro negar aborrecido, mas continuou assim mesmo e agora falava sério - É de graça, então escute: Não mexa mais nisso. Em breve você poderá nem mais estar nos Arquivos X. Este pessoal não está satisfeito com a atuação de vocês em algo que foi tão bem elaborado. Agora mesmo devem estar apagando todas as evidências. A usina é muito importante para eles... o troco não irá demorar para chegar. - E quanto a isto? - perguntou Doggett batendo o indicador nas pastas e o outro negou com um movimento de cabeça. - Não provam nada... São apenas registros médicos. Sem a usina, eles deixaram de ser importantes... - Mas eles tem ainda as amostras de DNA dos mutantes, não é? Eles podem tentar novamente... - Quem sabe? - responde Krycek com indiferença, demonstrando que já perdia o interesse pela conversa - Os mutantes foram uma feliz surpresa e mudaram a idéia inicial do projeto. Repito: agora sem a usina, nada disso tem valor. - Por que eu acreditaria em você? Ah! Não precisa responder... Não preciso, nem quero - Doggett passou a mão pelos cabelos já tão impaciente quanto o outro - Qual o custo afinal? Krycek apertou os olhos, fixando-os na direção de Doggett. Aproveitou os momentos para pressionar o outro. Percebeu admiravelmente surpreendido que ele se mantinha impassível, sem demonstrar emoções. Refletiu por um tempo e tomou a última dose de sua bebida. - Vamos dizer que você fica me devendo um favor...- respondeu simplesmente. - Que tipo de favor? - os alarmes internos de Doggett passaram a ressoar nitidamente em sua cabeça. - Quando eu precisar de um...eu te aviso. Doggett parou surpreso com a conclusão atingindo-o como um relâmpago. Cobriu as pastas com o sobretudo e levantou-se bruscamente. - Eu deveria te matar, Krycek. Não seria uma perda lamentada pelo mundo. - Você pode tentar...como tantos outros - Krycek rebateu com uma irritante auto-confiança. Doggett deu as costas a ele, mas por fim se voltou. Sua voz saiu baixa com absoluta certeza do que dizia, como numa verdade inexorável - Vou fazer melhor do que isso. Eu vou te prender para o resto da sua vida. Nossos negócios acabam aqui. - jogou algumas notas sobre a mesa pela bebida e saiu do bar imediatamente. Krycek saiu logo após Dogget. Com cuidado procurou confirmar se o carro estava no outro lado da rua. "Bem que deveria matar Dogget, pensou, talvez em outra ocasião eu até poderia ter simpatizado com o sujeito. Ele é o tipo que vai me perseguir até conseguir me prender. Afinal, promessa é dívida" Um inconveniente a mais... Alisou o impecável casaco de couro preto sentindo o vento frio passar pelos seus cabelos ainda úmidos. Lançou mais um olhar para o carro prata que continuava no mesmo local e dobrou a esquina, caminhando nas sombras da rua escura. "Não...não ia matar Dogget. Não naquela noite". Um sorriso sombrio assomou seu rosto. Tinha um encontro com uma deliciosa pequena naquela noite e estava satisfeito com o rumo da situação. Iria celebrar... Cumprira sua parte no acordo e Doggett cumprira a dele. Ainda espiou uma última vez, só para confirmar que acionavam a partida no sedã prata e Fox Mulder partia visivelmente contrariado. "É... vai ser uma noite deliciosa hoje" Sede dos Pistoleiros Solitários Duas horas antes Scott Summers estava deitado junto a Ororo nas macas improvisadas por Langly. Ambos estavam sendo cuidadosamente assistidos por Scully. Mulder saíra após verificar que todos estavam bem. Iria até o Bureau juntamente com Dogget falar com Skinner sobre o caso e o desaparecimento do reforço na Advanced Technologic. Logan permanecia inquieto e mal-humorado, sem que ninguém se atrevesse a lhe dirigir a palavra. Somente Vampira trocava comentários num tom de voz quase murmurado. Langly, Byers e Frohike circulavam freneticamente entre os mutantes convalescentes e as notícias incessantes que chegavam sobre o acontecimento na AT. - A imprensa notificou um vazamento perigoso na AT que implicou em um incêndio generalizado no setor de estudos avançados de um novo retrovírus. - informou Frohike torcendo o nariz - Segundo o porta-voz da empresa, eles lidavam com substâncias químicas que poderiam ser tóxicas a população, havendo um curto-circuito, a ala experimental explodiu. O curto-circuito será investigado e está proibido o acesso a grande imprensa. - Ah! Então, eles só omitiram uns detalhezinhos - escarneceu Vampira - Afinal, o curto-circuito foi o mais importante mesmo... - Algumas coisas não mudam - resmungou Logan. - É, fofinho, estou até com saudades das confusões com a Irmandade dos Mutantes. Pelo menos a gente se enfrenta cara a cara! Byers sorriu e tirou a lata de coca-cola das mãos dela que já mirava o cesto de lixo no outro lado da sala. Voltou sua atenção para a mutante de longos cabelos prateados que murmurava aflita voltando a si. - Vampira...Wolverine...Cuidado! - Logan sentou-se ao lado de Ororo e a sacudiu levemente. - Ei, menina...está tudo bem. Estamos bem...calma Scully auscultou as batidas do coração da moça, percebendo o olhar de Logan sobre si e sorriu levemente. Nesse meio tempo, Scott moveu a cabeça numa aparente confusão de pensamentos, tentando assimilar as imagens a sua volta. Seu alívio ao ver Logan e Vampira foi evidente. Scully não pôde deixar de apreciar o sentimento de lealdade familiar que percebia entre eles. Foi bom perceber que realmente algumas coisas não mudariam no futuro. - Hei, garoto! Perdeu toda a ação novamente, hein? - E você não perdeu a oportunidade de se meter em encrencas, não é mesmo? - Scott sorriu. Era visível a satisfação entre eles na constatação que tudo terminara bem. Vampira correu para abraçar Ororo e cutucou Logan rapidamente ao ver o olhar interrogativo dela. Ao sinal afirmativo dele, começou a narrar animadamente tudo o que acontecera. Discretamente, Scully se levantou com intenção de deixá-los a sós. Logan segurou com delicadeza no seu cotovelo e a levou a um canto, fazendo com que ela olhasse em seus olhos. - Obrigada, Scully. - É meu trabalho, Logan. E nem terminamos ainda - dispensando agradecimentos, Scully baixou a vista pela primeira vez. Sentiu a mão dele erguendo seu rosto. - Não pense nisso, garota. Vocês fizeram mais do que qualquer ser humano faria por nós em nosso tempo. Em breve voltaremos para casa graças a ajuda de vocês... - Como? A AT está interditada e a usina foi para os ares!. Scully ficou intrigada com o olhar dele que continuava a segurá-la pelo seu braço, sem contudo sair do lugar. Logan pensou um pouco antes de responder. Ergueu a mão para colocar uma mecha de cabelo avermelhado atrás da orelha dela, num gesto automático. - Senti o cheiro específico de mutantes da usina até aqui - explicou sem tirar deixar de olhar nos olhos azuis dela, pegou outra mecha e ficou segurando os fios sedosos entre os dedos - De alguma forma nossos amigos encontraram uma passagem para o seu tempo. Eu sabia que eles conseguiriam. Scott mantém um elo psíquico com Jean Grey e eles já estão chegando. Em breve, você conhecerá os outros X-Men. Scully deu um passo atrás e segurou o pulso dele com delicadeza. Um tanto escondidos atrás das imensas caixas que Frohike insistia em deixar no corredor, estavam fora do alcance da visão dos outros. Logan ficou indeciso quanto a continuar ou não. Scully era única e poderia ter uma reação diferente da que ele gostaria. Forte e decidida, sem perder a delicadeza e a sensualidade de uma forma reservada que lhe aguçava a curiosidade e o sentimento de proteção. - X-Men? - perguntou ela num sussurro, tão indecisa quanto ele. Logan despertava nela o tipo de emoções que costumava evitar ou racionalizar. Como agente do FBI sempre fora muito reservada e sensata, impondo respeito pela sua inteligência e postura. "Mas também era mulher, antes de agente federal", pensou. - Mutantes que juraram defender a humanidade...Qual o seu primeiro nome, Scully? - Logan se aproximou mais e Scully encostou na parede. - Dana. - murmurou devolvendo o olhar intenso que ele lhe lançou. Segurou a gola da camisa de Logan com uma mão puxando-o lentamente para si. - Dana... No instante seguinte, Logan enlaçou Scully pela cintura puxando-a para si. Trocaram um beijo eletrizante e profundo. Vampira tinha se afastado dos animados Pistoleiros Solitários e de longe assistiu a simples provocação se transformar num beijo ardente que arrancou um suspiro melancólico de seus lábios. Balançou a cabeça e deu as costas. "Se liga, Vampira. Se inveja matasse, você estaria morta e estendida no chão", pensou alegremente. Se ninguém podia tocá-la, também não significava que os outros não podiam apreciar aqueles momentos. Tratou de se juntar aos outros para evitar que eles percebessem o ocorrido Logan se afastou de Scully com pesar. Após um instante de hesitação, ela lhe dirigiu um sorriso maroto que ele nunca tinha visto antes. Voltou a colocar os cabelos dela atrás da orelha e deu um último beijo rápido em seus lábios. - Não vou esquecê-la, garota! Lentamente eles se moveram para um abraço. Scully retribuiu ainda espantada e satisfeita com sua audácia. Scott sentiu a presença de Jean Grey antes mesmo dos X- Men chegarem a porta. Olhou significativamente para Vampira que se levantou. - Gatinhos, não se assustem que nossa turma está chegando! Langly olhou para ela com o cenho franzido, mas logo entendeu a expressão do mutante. Achou engraçado conseguir entendê-lo embora seus olhos fossem cobertos pelo óculos de quartzo. "É, eu estou ficando bom nessas coisas", pensou num arremedo de brincadeira e orgulho. Abriu a porta e se deparou com uma ruiva de intensos olhos azuis e um francês alto de expressão arrogante e preocupada. Scott abraçou Jean Grey com saudades e Vampira fez o mesmo com Gambit. - Ah! Chèrie, que bom que você está bem. Gambit ficou tão preocupado! - E quanto a mim? - reclamou Ororo. Os Pistoleiros Solitários ficaram assistindo a cena sorrindo. Scully apareceu seguida de Logan que se juntou aos amigos. - Vocês vestidos para festa e acabou o baile, hein!? Jean Grey sentiu a diferença no amigo imediatamente. Conclui que era devido a bela mulher que observava a cena satisfeita. Seus olhares se cruzaram e ambas sorriram. - Jean Grey - disse estendendo a mão para a outra que a apertou com firmeza. - Scully. Estes são Frohike, Byers e Langly. Jean tornou a sorrir com gratidão. Gostou deles logo de cara. Exibiam admiração, simpatia e honestidade em seus pensamentos e rostos. Ficou claro que fora graças a ajuda deles que todos estavam bem fisicamente e prontos para ir para casa. Simpatizou também com Scully, sem dúvida a responsável pelo largo sorriso no rosto do sempre mal- humorado Wolverine. - Precisamos ir. Temos só alguns minutos para voltar. Fera conseguiu reproduzir os mecanismos do bracelete, mas devido a urgência faltaram componentes que nos dariam mais tempo. Os X-Men colocaram o complicado aparato eletrônico no braço e todos olharam solenemente para os quatro novos amigos a sua frente. - Obrigada por tudo - adiantou-se Ororo - Íamos ajudar Logan e Vampira e acabamos por dar mais trabalho a vocês. - Pelo contrário - explicou Jean Grey - Quando vocês vieram para 2001, a AT ressurgiu como um grande conglomerado em nosso tempo culminando em ações desastrosas para nós. Ao salvá-los, a explosão que seguiu colocou tudo em seu devido lugar e pudemos descobrir a data específica para buscá-los. Scott enlaçou Jean tranqüilamente. Diferente de Logan e Vampira, não tinha lembranças dos acontecimentos ali. Ele e Ororo saíram inconscientes da fenda no tempo para acordarem ali, entre amigos. - Gambit agradece pela ajuda de vocês. Gostaria que houvessem mais pessoas assim no futuro...em nosso tempo. Scully quase riu da expressão de puro deleite dos Pistoleiros Solitários. Se o ego de Frohike aumenta-se mais, ele terminaria aquela noite 30 cm mais alto. - Acho que já podemos ir. Já tem outras pessoas cuidando do destino dos futuros mutantes, não é mesmo? - Jean se dirigiu a Scully que ergueu uma das sobrancelhas em dúvida. - Telecinésia e telepatia - explicou Scott. - Mulder ia adorar conhecê-los - comentou Frohike com pesar. - Ah! Puxa! Não vamos poder nos despedir deles - lamentou Vampira - Você faz isso por mim? Scully assentiu afirmativamente lembrando de como a mutante apreciara Doggett. O que levou a olhar para Logan discretamente. Recebeu em troca um olhar eletrizante que a relembrou do beijo. Jean percebeu novamente a emoção deles. Uma terceira consciência se elevou naquele intercâmbio trazendo um sentimento inesperado. Olhou para o ventre de Scully e sorriu. - Bom! Vamos embarcar, gente! Desse jeito a gente vai passar os anos aqui - exclamou Vampira. Continuava a pensar em Dogget, mas ao sentir o leve aperto que Gambit deu em sua mão, resolveu tirar aquela idéia de revê-lo antes de partir. Scott concordou que ficariam se despedindo para sempre e em 2056, um preocupado Professor Charles Xavier os aguardava. Apertou o botão do seu bracelete metálico. Pequenos bipes sonoros antecederam a um luminoso portal circular iluminando toda a sede dos Pistoleiros Solitários. Paulatinamente todos os X-Men acionaram seus braceletes formando um círculo maior com seis feixes luminosos. Um por um eles foram entrando em seus respectivos círculos acenando em despedida para os que ficavam. Scully colocou uma das mãos em frente aos olhos e acenou um adeus para Logan que foi o último a entrar. Assim que todos entraram na fenda temporal desembarcando em 2056, milhares de partículas coloridas explodiram espalhando-se na sala. Sem alterar uma molécula sequer do ambiente, elas desapareceram imediatamente...como mágica. - UAU! - exclamaram em uníssono Byers, Langly e Frohike, que completou impressionado - Eu nunca vou esquecer isso! Scully exibiu um sorriso enigmático. Empurrou uma mecha atrás da orelha e pensou "Eu também não, meninos...eu também não" Residência de Fox Mulder 29/06/2001 24:27 Mulder estava deitado no sofá com a televisão ligada. Embora olhasse para a tela, seus pensamentos se concentravam em outro lugar. Revivia a cena da saída de Doggett seguido por Krycek perguntando-se o que significava aquilo afinal. Sabia que as fichas médicas dos "escolhidos" pelo governo e pela AT estavam no poder de Krycek. Sabia também que Doggett iria recuperá-las. Mas também sabia que Krycek tinha um preço, geralmente bastante alto. Será que Doggett sabia disso e havia concordado? Por quê se desvencilhara dele para ir sozinho? Revirou-se no sofá inquieto. Acabou levantando e indo até a cozinha pegar um refrigerante em lata. Segundo Scully, os mutantes voltaram para seu tempo através de um bracelete atemporal trazido pelos outros mutantes. Uma pena que não pode ver aquilo... "Em compensação...ouvir a Scully falar daquela forma era para fechar a noite! Quem diria...ela admitir um bracelete que abre fendas no tempo e seres humanos mutantes?" "Ah! Claro, isso porque não era um Arquivo X" , pensou já antevendo o prazer de ralhar com ela sobre aquele caso. Voltou a pensar no Agente Doggett e tentou evitar a natural desconfiança que sentia. Apesar de seu comportamento, admitia que gostara da maneira do outro. Ficou aborrecido de já levantar suspeitas logo nos primeiros casos. Uma das poucas coisas que Scully contara foi sobre o empenho de Doggett para encontrá-lo. "Vamos lá, Fox Mulder, tente fazer algo diferente agora...só para variar, tente confiar em alguém. Hummm, ou pelo menos dar o crédito da dúvida!" Finalmente sorriu para si, bastante satisfeito consigo mesmo. "Quem disse que as pessoas não mudam, afinal?" A maçaneta da porta girou, juntamente com a trave da fechadura. Pego de surpresa, Mulder sacou a arma. - Jesus, Mulder!!! - assustou-se Scully. - Desculpe, Scully. Com a investigação do meu desaparecimento, eu tenho a impressão que os EUA inteiro tem a cópia da minhas chaves. - Mulder...somente Doggett e eu tínhamos a chave. E ele já devolveu a cópia dele. Está na sua gaveta - explicou Scully com seriedade, embora contivesse um sorriso. Scully sentou-se no sofá, sentindo tão cansada quanto fosse possível. Mulder sentou ao lado dela e deu a lata de refrigerante para ela. - Não é suco de caju, mas serve... - Engraçadinho - reclamou Scully bebericando o refrigerante adocicado. Mulder esticou as pernas sobre a mesinha do sofá e Scully se encostou no parceiro olhando a televisão. - Scully? - Humm.... - Sabe, Scully, seu eu fosse um mutante, eu gostaria de ter o poder de ficar invisível... E você? Scully se lembrou de Jean Grey - Telepatia. - Ah! Não! - Mulder fingiu um estremecimento - Isso não, Scully! Ambos riram e Scully colocou a latinha em cima da mesa. Esticou as pernas e Mulder passou o braço pelos ombros dela. Esqueceu completamente das dúvidas quanto ao encontro de Doggett e Krycek. - É reconfortante saber que em 2056 haverão pessoas capazes de coisas como vimos hoje, não é Scully? Habilidades excepcionais, contato com outros planetas... E também a simplicidade das pequenas coisas como a lealdade, a amizade e a coragem. - Isso nos trouxe mais do que fenômenos inexplicáveis , não é Mulder? Nos deu perspectivas do que haverá no futuro. Mulder se aconchegou melhor na almofada e Scully fechou os olhos. - Esperança, Scully - murmurou Mulder levemente - Esperança para dias melhores... Ilha de Manhatan 29/06/2001 1:00 Strughold remexia em fotos com uma expressão indecifrável. O homem ao seu lado observava as ruínas da usina enquanto aspirava o cigarro dando longas baforadas. Strughold olhou a cicatriz recente da traqueostomia e o Canceroso sorriu ironicamente ao jogar o cigarro displicentemente pela janela. - Você conhece o ditado, não? O que não o mata... fortalece. Então, devo matar Krycek? O homem alto e calvo remoeu seus pensamentos olhando a foto novamente. Alisou o bigode grisalho bem cuidado com o polegar. Por fim, falou: - Não...ele ainda tem um trunfo. Canceroso desceu da limosine e fechou o sobretudo para se proteger do frio. Pegou a foto e acenou enquanto Strughold desaparecia através do vidro escuro. No estante seguinte, a limosine deslizou silenciosamente para fora dos portões retorcidos da AT. Acendeu outro cigarro e examinou a figura séria e compenetrada do agente John Doggett com os cobiçados arquivos médicos. Parte do Centro de Estudo Paranormais - Projeto Mutante. O próximo nível do projeto seriam aqueles arquivos médicos, mas... Olhou novamente para a usina enegrecida pelo fogo. Ao contrário de Strughold, duvidava que Krycek chegaria perto do agente Doggett novamente. Sabia tudo o que foi possível descobrir sobre o agente. Previa que seria outro a seguir cruzadas pela verdade. Rasgou a fotos em pequenos pedaços lançando-os ao vento, lamentando não poder eliminá-los com tanta felicidade. Tanto o novo problema que ele representava, quanto o antigo problema... Krycek. Jogou o filtro do cigarro no chão esmagando-o com o pé. Ergueu os ombros e olhou novamente para a usina. "Não importa...Todos ainda temos trunfos na manga". FIM Créditos e comentários finais: 1 Não, eu não esqueci, gente! Aí vai: Willian B. Davis - Canceroso Armim Mueller-Stahi - Strughold. 2. Inspirado em episódios como Requiem (AX), ceninha básica de Todas as Coisas e o longa Resista ao futuro. 3. Dias passados futuros (X-Men/desenho). O bracelete faz parte desse episódio e o Bispo mencionado pelo Fera é um mutante do futuro caótico após a morte dos X-Men. Inspirado também em X-Men, o filme, pois acho que deva ser o mais fácil para quem não é fã dessa HQ. Por isso também não menciono Scott Summers como marido da Jean Grey. 4. Parti do princípio que Mulder retorna definitivamente após apenas 3 meses (como eu realmente gostaria!) Ele e Scully ainda iriam discutir sobre o que aconteceu e a gravidez dela. Também como eu gostaria, os três trabalhariam nos ArquivoX juntos...mas... Pelo menos na fic pode ser feito como a gente quer. 5. E é lógico uma pequenina homenagem ao grande e único Stephen King. Fenda no tempo é o nome de um de seus livros que já foi adptado para a telona. Veja bem: homenagem...não clonagem...(plágio hehehe). 36 1