FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SINOPSE : Mulder e Scully estão juntos, mas as coisas não caminham como eles imaginavam, quando um antigo fantasma aparece. OBSERVAÇÕES : Não esqueçam meu salário, por favor. Aguardo um Feedback. FEAR Sede do FBI Washington DC Mulder abriu a porta de escritório com cara de poucos amigos. __ Mais uma reunião dessas e eu peço demissão, Scully __ ele falou, enquanto entrava na sala e afrouxava a gravata. __ Não reclame, Mulder...a culpa é sua. Se você tivesse feito o relatório por escrito não teria que explica-lo pessoalmente ao Skinner, principalmente por que não chegamos a nenhuma conclusão... __ Você não chegou, Scully__ ele falou emburrado. __ Ah ! __ ela continuou, levantando a sobrancelha __ Ele também não acreditou em ¨materialização espectral induzida por uma provável não aceitação da morte corporal ? " Mulder a fitou por um momento, ela tinha o semblante tranqüilo e um brilho de ironia nos olhos , enquanto reprimia um esboço de sorriso. __ Acho que já me livrei do castigo __ ele falou tranqüilizando-se com o jeito dela __ O que faz aqui ainda? __ Eu ? Hã .. nada, quer dizer... __ ela o fitou relutante __ Esperava por você. Os lábios dele se abriram num sorriso acolhedor e ele pegou o casaco, abrindo a porta e estendendo o braço, num convite para saírem. Mulder estacionou em frente ao prédio dela e virou-se para encará-la. __ Hoje é sexta... __ disse com olhar carente. __ Quer entrar ? __ ela perguntou, certa da resposta. __ Hum, hum __ ele aceitou, balançando a cabeça e desligando o carro, saindo rapidamente. Eles entraram calmamente, as mãos se buscando e se entrelaçando no elevador, seus corpos se aproximando lentamente, enquanto uma expressão de calma , conforto e felicidade se espalhava em seus semblantes. APARTAMENTO DE SCULLY Georgetown A noite veio encontra-los na sala dela. Mulder sentado no chão com a cabeça apoiada no sofá onde ela se deitara, sentia as mãos pequenas e gentis passearem por seus cabelos. __ Isso foi bem melhor do que as minhas pipocas, Scully __ ele falava sorrindo, esquecido do stress do dia. __ Um jantar decente de vez em quando não lhe fará mal... Ela foi interrompida pelo toque do telefone e franziu a testa contrariada. __ Scully __ atendeu prontamente __ Dana ? Que bom falar com você . Será que podemos nos ver ? __ Daniel ? __ ela disse, sentando-se automaticamente, como se fôra pega em delito. Mulder virou-se para ver como a ligação a perturbara e não pôde deixar de ouvir o nome que ela pronunciou em voz baixa. Ele voltou a recostar-se, tentando manter um ar despreocupado e tranqüilo, mas não conseguia esconder de si mesmo o aborrecimento que aquela ligação lhe causara. __ Não posso...sim, mas... está bem.. Aonde está... ? Ok ! Ela desligou o telefone, mas continuou fitando-o por um momento antes de voltar-se e encarar Mulder que, de olhos fechados, parecia não ter ouvido nada. Inclinou-se para tocar-lhe os lábios e ele sorriu. __ Vou ter que sair, Mulder . __ Algum problema ? __ ele perguntou, tentando esconder a contrariedade. __ Não. Daniel me ligou do hospital. Disse que está com um paciente em condições críticas e quer que eu vá até lá. __ Daniel ? Aquele Daniel ? __ Mulder não conseguiu se controlar __ Porque ele precisa justamente de você ? Ela ficou aborrecida. Não queria entrar em conflito com Mulder agora que haviam se acertado e estavam tendo a melhor época de suas vidas. __ Nós estudávamos juntos casos raros de doença coronariana quando eu estava na universidade. É um caso desses e ele achou que me interessaria. __ E interessa ? Você não clinica mais __ ele lembrou. __ Mas ainda sou médica, Mulder. Casos assim sempre me interessam. Ele se pôs de pé rapidamente e tentou amenizar a situação sorrindo para tranqüiliza-la. Não era justo desconfiar dela nessa altura de suas vidas. Por causa de Daniel eles haviam chegado àquele nível de relacionamento. Ela escolhera ficar com ele, não havia o que temer, muito embora ele não se sentisse totalmente seguro. __ Tudo bem, Scully. Vá até lá. Eu tenho mesmo que levar meus peixes para dar uma volta, senão eles acabam fazendo xixi no aquário. Ela riu e o acompanhou até a porta. Mulder a abraçou e surpreendeu-a com um beijo tão ardente que quase a fez desistir de deixa-lo ir. Ele queria deixar uma lembrança vívida na memória dela, ao encontrar-se com Daniel e, pelo olhar brilhante dela, acreditou haver conseguido. HOSPITAL GERAL Washington DC Scully chegou ao hospital a passos rápidos. Informou-se sobre a localização de Daniel e encontrou-o esperando-a ansioso. Ele tomou-lhe as mãos e beijou-as avidamente enquanto ela tentava se esquivar. __ O que queria me mostrar __ ela o interrompeu para entrar direto no assunto. __ Venha ver __ falou, desconcertado com a frieza dela, mas ainda assim esperançoso. Afinal ela atendera imediatamente. Entraram numa sala da U.T.I. e ele apontou um homem de meia idade, as feições abatidas de quem passou por uma grande perda de sangue. __ Olhe os exames__ Daniel falou, estendendo-lhe uma pasta __ Já estudei casos semelhantes, mas esse supera a todos. Não há uma explicação conclusiva para a perda de sangue que esse homem vem sofrendo. Seu coração parece estar inchado e a cada pulsação, expele o sangue pela membrana. É como se seu coração fosse uma esponja e cada vez que pulsa é como se estivessem espremendo-o . Não é incrível ! Scully olhou para ele sem entender direito aquela reação. Havia um homem morrendo e ele preocupava-se apenas em como aquela doença era interessante do ponto de vista médico. Realmente ela perdera muito daquela frieza que a caracterizava quando exercia a medicina. __ O que vocês estão fazendo para amenizar essa perda ? __ Ele está recebendo sangue constantemente, seus funções estão sendo monitoradas e seu quadro é estável. Estou pensando em fazer uma intervenção e colher material para análise. Gostaria de assistir ? Como nos velhos tempos ? Ela aceitou, preparou-se para entrar na sala e acompanhou a cirurgia que se arrastou por boa parte da noite, terminando somente no início da madrugada. APARTAMENTO DE MULDER Arlington Mulder foi pra casa e atirou-se no sofá. Estava mau humorado. Há dias esperava a oportunidade de ficarem juntos durante algumas horas e ela era obrigada a sair. Mas o que mais o importunava era a pessoa a quem ela iria encontrar. Tentava se manter sereno e seguro, mas agora sabia o que ela sentira quando o vira com Diana. Algumas horas depois, ele tentou falar com ela no celular, mas invariavelmente caia na caixa postal. Cansado e desanimado ele acabou adormecendo no sofá. HOSPITAL GERAL Washigton DC Scully saiu da sala de cirurgia por volta das duas da manhã. Estava cansada, mas curiosa demais com o que vira. O coração do homem funcionava de uma forma que ela nunca vira antes e incrivelmente ele ainda continuava vivo, padecendo de sofrimentos atrozes, mas, mesmo assim, não conseguia abandonar a vida. __ Dana, isso é incrível ! __ Daniel falava empolgado__ Se conseguirmos descobrir o que está ocasionando isso, estaremos diante da descoberta de uma nova forma de doença. Eles continuaram juntos durante a madrugada, acompanhando e fazendo os exames retirados do homem doente. Daniel a fitava com olhar terno e apaixonado, mas ela parecia não reparar na atitude dele. Estava compenetrada demais no trabalho para notar qualquer coisa. __ Devíamos sair para comer algumas coisa, Dana. __ Daniel ... __ ela começou, adivinhando a intenção dele. __ Estamos aqui desde a noite passada. É apenas um café, vamos lá. Scully não teve como recusar. Queria avisar Mulder sobre onde estava e gostaria que ele estivesse ali para ajudar a investigar essas ocorrências. Com certeza, a maneira aberta que ele tinha de encarar as coisas poderia dar alguma luz ao que estava ocorrendo. Ela riu ao notar que gostaria dele ao seu lado, de qualquer forma, mesmo discutindo um caso médico. Sentaram-se no restaurante do hospital e, a princípio, a conserva girou em torno do caso que tratavam mas, a breve momento, Daniel mudou o sentido da conversa. __ Dana, da última vez que nos encontramos... __ Como está Meg ? __ ela perguntou, tentando lembra-lo da obrigação para com a filha. Ele sorriu e respondeu, cobrindo a mão dela com as suas. __ Ela está no Canadá. Bárbara foi com ela há um mês. Querem recomeçar a vida e não ao meu lado. Meg casou-se e eles mudaram-se. Elas estão melhores do que eu, Dana. Agora quem está sozinho sou eu. Será que não existe nada do que nos unia. __ Daniel... Ela a interrompeu ansioso. __ Dana, nós nos amávamos. Eu ainda amo você. Você viu com funcionamos perfeitamente bem juntos. Nossos pensamentos são semelhantes, acreditamos nas mesmas coisas, temos muita coisa em comum. Poderíamos trabalhar juntos... ter uma vida. Você mesma disse que queria mais do que tinha até agora. Scully soltou as mãos das dele e o olhou com compaixão. Talvez há alguns anos, isso fosse possível, mas agora, não havia o menor espaço para ele em sua vida. Levantou-se alegando cansaço e saiu rapidamente. APARTAMENTO DE MULDER Mulder acordou com o toque de batidas na porta. Esfregou os olhos e caminhou lentamente. __ Bom dia, Mulder . Scully havia passado em casa, tomado um banho e seguido direto para a casa dele. Queria saber sua opinião sobre o caso, principalmente depois que Daniel voltara a ligar para ela, dizendo que haviam recebido mais um paciente, uma mulher, no mesmo estado em que o primeiro. Ela começava a suspeitar de que havia algo mais do que alguma nova doença se alastrando. __ Acordou cedo, Scully . __ Na verdade, ainda não dormi. Queria que desse uma olhada nisso. Scully sentou-se , espalhando as fotos e os laudos sobre a mesa. Mulder olhou- os atentamente, enquanto ela explicava o que havia encontrado no hospital. __ Gostaria que tentasse descobrir algo sobre esse homem. Parece que há mais uma pessoa no hospital com os mesmos sintomas, Daniel me ligou e... __ Estava com ele até agora ? Mulder não conseguiu evitar a pergunta que dançava em sua mente desde que ela havia chegado. __ Estava __ ela respondeu rapidamente __ Tenho que voltar ao hospital. Será que pode tentar encontrar alguma coisa ? __ Claro__ ele disse num tom indiferente__ Vou ver o que consigo para você. Ela agradeceu e foi embora apressadamente. Teria que voltar ao hospital para acompanhar o outro paciente. HOSPITAL GERAL Daniel a esperava e, novamente, ela acompanhou a cirurgia que servia como um paliativo para o mal que se instalara no organismo do paciente. Mulder chegou lá no começo da tarde. Procurou por ela, sendo informado que estava no restaurante e seguiu direto para lá. Viu quando um homem de cabelos grisalhos, vestido com roupas brancas, cobria a mão da parceira que levantou- se imediatamente ao vê-lo parado na porta. Era tarde demais para recuar e ele dirigiu-se até a mesa em que eles estavam. __ Daniel Waterson... __ ela apresentou ___ Fox Mulder . Daniel pareceu contrariado pela presença de Mulder quando tentava conquistar novamente a confiança de Scully e ela sentia-se aliviada por ele ter chegado. __ Encontrei alguma coisa sobre o caso, Scully __ Que caso ? __ Daniel interrompeu. __ O agente Mulder é meu parceiro no FBI__ ela explicou__ Pedi a ele que tentasse conseguir alguma informação sobre o homem que nós operamos. __ Ah , sim ! E o que descobriu ? __ ele perguntou interessado, sentindo-se mais tranqüilo ao saber que eles eram somente parceiros. __ O sr. Johnson esteve internado numa clinica para tratamento de desintoxicação. Era um fumante compulsivo e apresentou esses sintomas logo após sair do tratamento. O que é interessante é que mais duas pessoas que passaram pela clinica tiveram problemas cardíacos. Um mulher, relativamente jovem ,morreu de ataque cardíaco há duas semanas e uma criança teve uma crise no sistema respiratório que também a levou a morte. __ O que isso tem a ver ? __ Daniel interrompeu. __ Ainda não tive tempo de checar. Gostaria de ver os pacientes e, se possível, fazer algumas perguntas. __ A paciente que chegou ontem está em recuperação da cirurgia __ Scully informou __ Mas o Sr. Johnson já está no quarto. Apenas não sei se poderá responder qualquer pergunta. __ Scully __ Mulder a chamou __ Também encontrei algo estranho nas pesquisas. Assim como o Sr. Johnson, as outras duas vítimas frequentavam o mesmo culto, que tinha lugar nessa clinica, que não é bem uma clinica, mas um centro de apoio. Andei checando e parece que esse culto tem uma crença peculiar, onde o sangue parece ter importância fundamental na purificação de suas almas. Talvez aja algo como um ritual, um toque de vodu ou magia negra e... __ Mas que besteira é essa ? Essas pessoas estão com um problema físico, não há nada de mágico ou religioso nisso. Mulder olhou contrariado para o homem ao seu lado. Ele lembrava em muito a Scully que ele conheceu há sete anos atrás. Completamente cética e racional. __ Dr. Waterson, precisamos investigar todas as possibilidades. Não acredita que essas pessoas possam estar sendo submetidas a algum tipo de prova de fé ? Por que elas não procuraram socorro, exceto quando alguém as trouxe em estado crítico ? Por que parecem tão resignadas com o sofrimento que estão passando ? Como explica a forma como o coração de uma pessoa saudável, até mesmo uma criança vire uma esponja do dia pra noite e...? __ Quer me fazer acreditar que eles quiseram isso ? Não há qualquer sinal de cirurgia no corpo . Ninguém pode manipular as funções dos órgãos com feitiços. Dana, realmente está trabalhando para o FBI ? De onde ele tira essas idéias ? Daniel estava sendo deliberadamente grosseiro, segundo o ponto de vista de Scully, mas ela não queria incitar uma discussão naquele momento e limitou-se a olhar para um e outro, sentindo a tempestade prestes a desabar sobre eles. __ Não podemos ignorar nenhuma possibilidade, Daniel. Vou levá-lo até o Sr. Johnson, Mulder. Talvez possamos fazer com que esclareça alguma coisa. Mulder levantou-se lentamente e a seguiu, enquanto o médico os acompanhava com os olhos. __ Hoje vi você na versão masculina, Scully__ Mulder disse ao se afastarem. Ela deu um meio sorriso. __ Não o leve a mal. É um excelente cirurgião, mas não aceita nenhuma teoria que não seja baseada na ciência. __ ela justificou, olhando-o de lado. O homem não pôde dar nenhuma informação. Seu estado havia piorado visivelmente e ele entrara em coma . Daniel juntou-se a eles alguns minutos depois e ele e Scully tiveram que tentar prestar algum socorro ao homem que, após alguns minutos, expirava sem qualquer reação. Mulder saiu em busca da clinica e a encontrou fechada. Tudo o que havia ali fora removido apressadamente e ele não pôde descobrir nada. Voltou ao hospital e procurou por Scully. Porém ela ainda fazia alguns exames e Daniel veio encontrar-se com ele. __ Agente Mulder __ ele cumprimentou, convidando-o a segui- lo __ Vamos tomar um café ? A Dana está terminando um exame. Será que poderíamos conversar um pouco ? Ele estava sendo gentil, mas Mulder não se sentia a vontade com ele. Um certo pressentimento lhe dizia que não seria uma conversa agradável. Porém, deixou de lado seus temores, não queria se indispor com Scully, e seguiu o outro homem. Daniel começou falando sobre o que haviam descoberto sobre o caso, a impossibilidade de diagnosticar a causa do mal, mas parou relutante, mudando subitamente de assunto. ___Agente Mulder, trabalha há muito tempo com a Dana ? __ Há sete anos, porquê ? __ Bom... é que... não sei se você sabe...eu e a Dana...há alguns anos... nós tínhamos um relacionamento especial. Mulder queria fugir dali, mas não encontrava um meio adequado. __ A Agente Scully não me participa de sua vida particular__ ele interrompeu rispidamente. __ Sei que ela ainda está sozinha e isso me anima a pensar que, talvez, ainda possamos nos acertar... __ Dr. Waterson...__Mulder tentava interromper. __ Não, por favor, me escute. Sei que ela foi para o FBI por minha causa, eu era casado na época, sabe como é... __ Não, não sei. Talvez possa me explicar __ ele disse de maus modos. __ Não é fácil manter um relacionamento estando apaixonado por outra pessoa, eu não sou um canalha, mas a Dana... ela era especial... incrível... tem uma mente brilhante. Era tão apaixonada pela medicina, tão dedicada...Essa vida não é para ela. Acho que merece coisa melhor e... __ Ao seu lado..__ Mulder concluiu com sarcasmo. __ Sei que não pode compreender. Mas o que ela ganha trabalhando no FBI ? Corre o risco de ser morta a qualquer momento, vive expondo- se ao perigo. Se voltasse à medicina, estaria salvando vidas, ela é muito boa nisso. Estou sozinho agora, acho que podemos recomeçar, tenho certeza de que posso fazê-la feliz e... __ Não estou entendendo por que está me falando sobre isso .... __ Queria saber se há alguém na vida dela. Vocês não tem... Mas ele não pôde continuar, Scully se aproximava e Mulder respirou aliviado. Daniel antecipou-se porém, e disse sorridente. __ Convidei a Dana para jantar, Agente Mulder __ falou, colocando a mão sobre o ombro dela__ Acho que merecemos um descanso. Podemos deixar a investigação para amanhã ? Scully queria morrer naquele momento. Fuzilou-o com os olhos e esquivou-se ao toque. Mas Mulder não percebeu a reação dela. Seus olhos estavam fixos no homem e somente alguns segundos depois ele fitou a parceira. O semblante, que ela conhecia tão bem, demonstrava uma tempestade iminente, escondida sob a atitude impassível. __ Tudo bem __ ele disse voltando-se para a saída __ Nos vemos depois, Scully. __ Não... Mulder... Ela tentou retê-lo, mas Daniel segurou-lhe as mãos, virando-a para ele. __ O que pensa que está fazendo? __ ela falou irritada. __ Pensei que gostaria de conversar um pouco. Precisamos fazer isso Dana. Afinal você veio até aqui e... __ Daniel, eu disse que não iria. Não confunda as coisas. Atendi ao seu pedido como companheira de profissão, nada mais que isso. Ela desvencilhou-se dele e foi embora, deixando-o com expressão confusa e magoada. APARTAMENTO DE MULDER Scully chegou ao apartamento de Mulder, mas ele não havia aparecido. Sentou-se para aguarda-lo e acabou adormecendo no sofá. Acordou sobressaltada ao ouvir o barulho na porta. Mulder entrou devagar e mostrou-se indiferente quando a viu. __ Onde estava ? __ ela perguntou aproximando-se. __ Pensei que ia recordar os velhos tempos, Scully __ ele respondeu debochado __ Andou bebendo, Mulder ? __ Estive caminhando, não que isso seja da sua conta. Por que não foi jantar com o brilhante cirurgião ? Ele estava ansioso para isso. __ Mulder, não comece. Não há nada entre eu e Daniel... __ Porque não disse a ele sobre nós ? __ Mulder havíamos combinado de não revelar a ninguém e... __ Ah, claro ! Já é difícil ter que aguentar os comentários no Bureau por trabalhar com o Spooky Mulder...dizer que está dormindo com ele seria inadmissível, não é Scully ? Mulder estava alterado, ficara com raiva por Scully permitir que aquele homem se aproxima-se tanto, que interferisse no relacionamento deles. Sentia-se inseguro e isso o tornava meio irracional. __ Mulder não é nada disso. Me escute. É apenas um trabalho... __ Da sua parte pode ser, Scully, mas ele não vê assim. Ela começava a perder a paciência, não se sentia culpada por nada, seus sentimentos eram claros e achava que ele tinha que entender isso. ___ Mulder, eu não vou negar pra você o quanto ele foi marcante na minha vida, não vou mentir, dizendo que não tenho admiração e carinho por ele... ___ Ah Scully ! Vá em frente, fique com ele __ Mulder estava completamente irritado. ___ Mulder, me deixe terminar, por favor. O que eu sinto não passa disso, não há e nem vai haver mais nada entre nós. Nós demoramos anos pra chegar até aqui e eu não vou voltar atrás. Precisa entender, se fui lá foi puramente por interesse profissional e... __ O interesse dele não é profissional, Scully, é bem mais do que isso. __ Mas o meu não é. Precisa confiar em mim. __ Engraçado que se fosse comigo, você não estaria tão tranquila __ ele disse sem pensar. __ Porque você ainda era apaixonado pela Diana __ Ah, não, Scully ! Diana está morta . __ Foi você quem trouxe ela a vida agora, Mulder. E eu via como ela mexia com você. Confiava nela cegamente e viu no que deu. __ agora era ela que perdia o controle. __ Nós não estávamos juntos naquela época, Scully __ ele tentava contemporizar __ E você não tinha nada para me convencer que ela estava mentindo. __ Você precisou quase morrer pra se convencer disso !E agora é você que não tem nada contra Daniel. Na verdade ela não sabia porque estavam discutindo. Daniel não representava nenhum perigo para o relacionamento deles, não sob o ponto de vista dela. Mas aquela situação havia servido para exporem seus sentimentos e ela agora começava a se arrepender de não ter sido mais racional. __ Você está mudando de assunto. Quer saber... fique com seu brilhante cirurgião, Scully. Desejo-te sorte . Ela sentiu o choque das palavras dele. __ Mulder por favor, porque estamos discutindo ? Você sabe o que eu sinto. __ Não, Scully, eu não sei e agora não quero saber. Ela deveria esperar por isso. Mulder sempre foi passional, não seria diferente em relação ao amor. __ Ótimo ! É melhor pararmos por aqui. Não quero discutir com você e está sendo irracional __ ela gritou e viu que ele se dirigiu para a porta. __ Ótimo ! __ ele retrucou, saindo do apartamento e batendo a porta atrás de si. O telefone dela tocou e ela sentou-se pesadamente sobre o sofá, tomando o aparelho nas mãos. Era do hospital. A outra paciente acordara e eles estavam chamando-a de volta, como ela havia pedido. Novamente, foi preciso deixar os assuntos pessoais para depois e ela seguiu para lá. APARTAMENTO DE SCULLY A mulher pouco pôde acrescentar. Disse que entrara para a igreja com o filho e que eles a haviam ajudado imensamente até ela ser atacada desse súbito mal no coração. Scully estava exausta. Deixou para a manhã seguinte o encontro com a família da mulher. Chegou em casa e havia saído do banho quando a campainha tocou. Seu rosto se iluminou ao pensar que o parceiro, tendo passado a crise, voltara para encontra-la como haviam se costumado a fazer nos últimos tempos. Correu até a porta e não pôde sustar a expressão de contrariedade. __ Daniel ? O que aconteceu ? __ Boa noite Dana. Posso entrar ? __ ele disse, mostrando uma garrafa de vinho. Sem esperar, ele passou por ela que não encontrou maneira de impedi-lo sem tornar-se desagradável. Além disso, era uma oportunidade de esclarecer de vez aquela situação. Mas Daniel não a deixou falar. Colocou a garrafa sobre a mesa e virou-se abraçando-a inesperadamente, beijando-lhe os cabelos e o rosto com sofreguidão. Ela tentava esboçar uma reação quando os lábios sedentos dele alcançaram os dela. Tudo isso ocorrera em questão de segundos, mas ela só adquiriu sangue frio suficiente quando ouviu o barulho de passos apressados pelo corredor, sentindo Daniel ser afastado dela com violência e ver Mulder esbofeteando o rosto dele para, em seguida, sair a passos apressados. Ela ainda pôde ver o olhar que ele lhe dirigiu, cheio de mágoa e tristeza. Ia sair atrás dele quando percebeu que estava de roupão e ouviu Daniel chamá- la. Seu rosto estava machucado e havia sangue em sua boca. Ela voltou para o apartamento e limitou-se a olhá-lo com frieza. __ Saia ! __ falou secamente. Scully passou o resto da noite atrás de Mulder, mas ele não respondia o celular, não estava em casa e ela não sabia mais onde procurar. Seguiu até a casa de sua mãe, em busca de consolo. RESIDÊNCIA DE MARGARETH SCULLY ___ Dana ? ___ É muito tarde ? ___ Não filha, entre. Aconteceu alguma coisa ? ___Precisava de colo. ___O que foi ? Scully deitou-se no colo da mãe e não falou nada por um momento. ___Mãe, você e papai se davam bem ? Meg sorriu, passando a mão pelos cabelos dela. __ Sim, claro. Porque pergunta ? __ O que é preciso para não se enlouquecer num relacionamento ? __ Está saindo com alguém ? Ela não respondeu. __ Fox ? __ É tão evidente assim ? __ ela sorriu __ Parecia estranho não ter acontecido antes. Há muito tempo que eu espero isso. ___ Como soube ? ___ Soube disso no dia em que você desapareceu e chegou àquele hospital em coma. Estava tão claro, Dana. ___Parecia tão fácil estarmos juntos... ___Nunca estiveram juntos como um casal. É natural que os desentendimentos aconteçam. Mas se vocês se amam, saberão adaptar-se. __ Ele é tão surpreendente. Não imaginei que seria tão...gentil e delicado. Sempre soube que seria ele era intenso, ardente. Ah, mãe ! Porque as coisas não são simples. __ Elas são Dana. Nós complicamos. Porque não vai atrás dele ? __ Não sei onde ele está. __Não sabe mesmo ? Ou tem medo de ir atrás do que deseja. Não desista, filha. Ele é exatamente o que você precisa. Scully sorriu e levantou-se. Beijou a mãe e saiu rapidamente. QG DOS PISTOLEIROS Mulder rondou pela cidade por algumas horas terminou parando em frente ao QG dos Pistoleiros. Precisava conversar com alguém. Frohike atendeu sonolento. Estava sozinho em casa. Byers e Langly haviam ido a uma convenção e ele resmungou ao ver quem era. __ Você não dorme nunca Mulder ? __ Queria conversar... __ Algum problema ? __ Frohike mudou a atitude ao notar o ar sério do amigo__ A Agente Scully está bem ? __ Bem demais eu diria __ ele disse entrando __ Já se odiou por ter feito alguma coisa que, a princípio, era perfeito, mas que tem te tirado o pouco de paz que ainda tinha ? Quer dizer, já se odiou por fazer algo que esta amando ? Frohike levantou e pegou uma garrafa de whisky, enquanto o fitava com ar preocupado. __ Pelo rumo da conversa , acho que precisamos de uma bebida. Sinto que essa noite vai ser longa. Ele trouxe a garrafa e serviu os copos. __ O que você fez dessa vez, Mulder ? __O que eu fiz ? Porque sempre sou eu a fazer alguma besteira Frohike ? __ Hábito __ ele respondeu enquanto bebia. __ Tem razão, eu não deveria ter feito... __ ele começou, tomando um grande gole e apertando os olhos quando o líquido desceu queimando pela garganta. __ Mulder eu não sou bom com charadas. Qual é a conspiração agora ? __ O mais estranho é que parece uma conspiração realmente. Você se fecha por tanto tempo e aí, quando se dá conta, está completamente envolvido, sem defesas. Entregue em mãos que podem te salvar ou te perder de vez.. E você mergulha de cabeça e, por um tempo, é tão especial. Embora você não esteja satisfeito, é mais do que poderia querer e, de repente, tiram sua base, você cai no abismo e... Mulder balançava a cabeça e divagava como se estivesse só. Sorveu o conteúdo do segundo copo da bebida e pareceu se lembrar da presença de Frohike, que o olhava irônico. __ É a Agente Scully, não é ? __ perguntou com ar de troça. Mulder não respondeu. __ Está apaixonado, Sr. Spooky ? Frohike ria, enquanto Mulder o fitava vencido, com olhos tristes e perturbados. __ Totalmente __ limitou-se a dizer. Frohike andava pela sala, extasiado. __ Eu disse que ela era quente __ falava e gesticulava. __ Eu sei, Frohike, sinto isso na pele. Meu sangue está fervendo. __ Falou isso pra ela ? Quer dizer, o que está errado então ? __ Eu acho que a estou perdendo. Se é que já não perdi. __ Perdendo ? Ela jamais de afastaria de você. Não sei quem é o mais louco. Ela te defende como uma fera. Porque diz isso ? __ Há alguém mais na disputa. Frohike deu um pulo da cadeira, gargalhando. __ Está com ciúme ???? Mulder essa vai para o registro. O tão impassível e indiferente Mulder, na sarjeta por causa de uma mulher ?? Essa foi ótima !! __ Não tem graça nenhuma. Acabei de esbofetear um homem. __Você fez o quê ?! __ Nós discutimos, eu e a Scully. Depois eu vi que não devia ter feito isso e voltei lá. O homem estava agarrando ela, pelo amor de Deus ! Não vi mais nada, ficou tudo escuro. Quando me dei conta, já havia socado ele. Por que isso agora ? __ Ela está com o outro sujeito ? Quer dizer...ela está saindo com ele ? __ Não Frohike. O pior é que ela está comigo, ou estava, até hoje. __ Mulder que confusão é essa ? Não estou entendendo nada. __ E não é pra entender, me dá essa garrafa. Mulder encheu o copo e virou de uma vez , fazendo uma careta. __ Estava tudo tão perfeito. Perfeito demais, é claro que não daria certo. Frohike compadeceu-se do estado dele. Parecia realmente arrasado. Nunca o vira tão frágil por causa de ninguém. Estava feliz por saber que eles estavam juntos. Tinha grande admiração por Scully e sabia que ela seria a única capaz de domar o espírito apaixonado do amigo. Sentou-se ao lado dele e ia falar quando ouviram o toque na porta. Mulder permaneceu sentado, indiferente, enquanto Frohike atendia. __ É ela, Mulder __ ele falou baixinho __ Ela ? __ A Scully . Mulder não queria vê-la, queria sumir dali pra curtir suas mágoas. Imaginava que acabariam discutindo feio se ela o visse daquele jeito. Mas Frohike não lhe deu alternativas e correu os trincos rapidamente. Scully estacou em frente à porta, arrependida de ter ido até lá. Sentiu no ar o cheiro de bebida e bastou uma olhada para identificar a situação do parceiro. __ Desculpe, Frohike ! Se soubesse que ele estaria assim não teria vindo. Frohike analisava a situação por outro ângulo e estava adorando vê-los na sua frente. O clima tenso que pairava sobre eles. __ Entre Scully __ Mulder foi dizendo, escondendo-se atrás da ironia e do deboche __ Não trouxe seu amiguinho ? É uma pena, poderíamos dar uma festa. __ Mulder você está bêbado. Venha eu te deixo em casa . __ Não __ ele gritou __ Vou ficar aqui com o Totó __ disse dirigindo-se ao amigo. __ Não vai mesmo__ cortou Frohike __ Eu te ajudo, agente Scully. Acho que ele está precisando conversar, mas não é comigo. Sob protestos, Mulder foi colocado no carro dela e seguiram para casa. Ao entrar, Mulder continuou calado, jogando-se sobre o sofá. Ela foi até a cozinha, preparou um café e, com a autoridade implícita que tinha sobre ele, o obrigou a tomar. __ Porque fez isso, Mulder ? __ ela perguntou, sentando-se em frente a ele. __ Desculpe ter machucado seu precioso amigo__ falou irônico. __ Não estou falando disso, ele mereceu__ ela continuou ante o olhar surpreso dele ___Não me deixou te explicar. Nós sempre falamos sobre tudo, nunca fugiu de mim. Daniel me agarrou sem que eu pudesse reagir. Jamais te magoaria dessa forma. Ele faz parte do passado. Precisa entender isso. Mulder pareceu recobrar a lucidez. O fato de ela não querer extermina-lo já era um bom indício, mas ao mesmo tempo, sentiu-se culpado. Se ela tivesse discutido, teria sido mais fácil. E ele pareceu ver as coisas mais claramente. __ Scully __ ele falou após um momento __ Para seu próprio bem, é melhor ir embora. Esqueça o que aconteceu entre nós. Você pode ter uma vida normal com esse cara. Não percebe ? Vocês trabalham e pensam da mesma maneira. Eu vi como você se sente a vontade naquele ambiente. Acho que foi isso que me afetou mais. Aquele é o seu lugar. Ele pode te dar algo que eu jamais vou conseguir. Ela o fitava sem entender. __ Paz, Scully. Segurança, estabilidade. Eu sequer posso admitir publicamente o que eu sinto. Vá embora, por favor. __ Eu não quero Mulder ! Eu não vou. Mas a conversa foi interrompida pelo celular que tocava novamente. Ela atendeu exasperada e ficou olhando indecisa para Mulder enquanto ouvia a ligação. __ Apareceram mais dois corpos, Mulder ... __ ela começou cuidadosa __ Tenho que ir até lá, não desapareça...eu volto para continuarmos.. Ele esboçou um sorriso resignado, enquanto ela se aproximava acariciando seus cabelos para sair em seguida, sem dizer mais nada. Mulder passou o resto da noite acordado. Sua mente trabalhava incansável e ele tirava conclusões apressadas, nascidas da insegurança e fragilidade daqueles que descobrem o amor e se entregam a ele de corpo e alma, dando tudo o que possuem, tudo o que são para acordar um dia, sobressaltados, ao imaginar que foram longe demais. Sua habitual confiança, que para muitos denotava uma certa arrogância, estava abalada. Não desacreditava do afeto de Scully, mas, por um momento, pensou no que realmente a mantinha ao seu lado. Eles eram diferentes em tudo, por causa dele, ela perdera coisas que ele jamais seria capaz de recompensar. Ás vezes, quando algo bom demais acontece, nos pegamos sentindo que não somos merecedores, que não somos capazes de manter tamanha benesse. E um sentimento pequeno vai se infiltrando, minando nossa alegria, deturpando nossa visão e passamos a acreditar que nada daquilo é real. E esse sentimento transforma-se em medo, insegurança, ciúme, algo que nos tira o sossego e causa um sobressalto constante, roubando todo o prazer que estávamos sentindo no início. E era isso que acontecia com aquele homem, acostumado a conquistar tudo sozinho. Para isso ele se fechara a qualquer critica. Defendia-se das agressões sofridas através de uma reclusão quase clerical. Não permitia que ninguém entrasse naquele universo no qual ele trancara seus sentimentos, não permitia que ninguém se tornasse importante o bastante para habitar esse lugar. Sua obstinação na busca por respostas, norteava todas as suas ações. Não precisava de ninguém nesse sentido, ao contrário, acreditava que qualquer um que se aproximasse, estaria espionando e afastando-o da verdade. Era fácil manter-se distante, havia uma meta a alcançar e era só o que ele tinha em mente, nada mais importava. E isso o tornava forte, invulnerável. Mas, por um momento, ele se permitiu ser tocado de simpatia, de admiração, de confiança e de afeto por alguém que estava ao seu lado, sem qualquer motivo além de uma espantosa lealdade. Alguém que, como ele, protegia-se do mundo, de uma maneira diversa, mas igualmente intensa. E eles, que se haviam isolado de todos, acabaram por partilhar desse universo familiar, e antes que se dessem conta, esses mundos começaram a se conhecer, se misturar, terminando por fundirem-se num lugar único e especial, onde somente eles habitavam. Ele sentiu-se confortável ali, protegido e amado. Mas, por estar tanto tempo sozinho, achou que seria muito mais do que merecia e a presença daquele homem veio confirmar suas incertezas. Numa palavra : medo. Medo de não ser merecedor, medo de perder o que havia conquistado, medo de não conseguir protegê-la e esse sentimento se instalou, confortável e intensamente. Começou a se questionar, a não se sentir a altura do amor que ela lhe dedicava. Daniel era o homem que poderia devolver a ela o que ele, de certa forma, a havia privado. Seus sentimentos se misturaram. Lembrou-se de Samantha, dos pais, de Melissa, Emily. Quando foi que havia conseguido manter alguém junto de si, sem causar sofrimento e dor ? Scully era a maior testemunha disso. Por quantos tormentos e privações ela passara, quantas perdas para manter-se ao lado dele ? Não parecia justo. E, com esses pensamentos, ele havia criado um monstro que, sorrateiramente, corroia suas entranhas, destilando dúvidas, incitando sentimentos mesquinhos e ele se rendeu. O dia clareava quando ele decidiu o que deveria ser feito. Por amar demais, achou melhor afastar-se. E foi o que fez. No dia imediato, falou com Skinner, reabriu um antigo caso que o levaria para uma cidade distante, onde, sozinho, pudesse pensar e deixar que ela fizesse o mesmo. Scully entendeu imediatamente a intenção dele e sentiu-se infeliz, porém havia aberto aquele caso, que agora, exigia uma investigação da qual ela não poderia fugir. Havia outras vidas em jogo. Durante a autópsia, ela descobriu um estranho organismo no interior do coração da vítima. Tentou falar com Mulder para que ele a ajudasse, mas foi em vão. Foram semanas exaustivas, deprimentes, onde suas habilidades como médica e investigadora foram testadas ao máximo. Juntava-se a isso o fato de não ter o parceiro para iluminar suas idéias com palavras, sorrisos ou insinuações. Ao visitar um dos parentes de uma das pessoas internadas, ela descobriu o novo lugar onde a suposta clinica operava e seguiu as investigações. Tentou falar com as pessoas, mas sem sucesso. Ninguém parecia disposto a ajudar. Não havia razão para solicitar uma busca, uma vez que, a casa era aberta e ela mesma pôde andar por lá, sem ser coagida. Ouviu tudo até o final e não parecia haver nada de estranho. Apenas mais uma igreja falando da glória da vida eterna. Mas continuou a vigilância, escondeu-se nos fundos da casa e esperou e o que viu a deixou estarrecida. Um outro culto era realizado ali. Após a reunião, da qual a maior parte das pessoas saia feliz e revigorada, uma estranha sessão tinha início com aqueles que , ao que parece, frequentavam o local há mais tempo, numa sala escondida, com um altar e velas espalhadas por todos os cantos. Deitados em leitos de pedra, trajados de roupas brancas, cinco pessoas eram colocadas em transe hipnótico, enquanto outras, que se vestiam como os sacerdotes de cultos antigos, aplicavam uma espécie de larvas sobre seus corpos. De onde ela estava escondida, pôde ver quando os minúsculos animais infiltravam-se na pele, ouvindo o grito aflito daqueles que estavam sendo provados. Quatro deles expeliram as larvas pelos orifícios do corpo e acordaram, aparentemente, sem nenhuma lembrança. Mas uma mulher permaneceu deitada em agonia. Foi tirada do transe e saiu cambaleando, sendo auxiliada pelos outros. Scully já vira o bastante para solicitar uma invasão, mas, quando tentava deixar o local, foi impedida por mãos de ferro que a imobilizaram e jogada num quanto escuro, sem janela e com pouca ventilação. De nada adiantou gritar e protestar. Ninguém deu qualquer explicação. Um certo pavor começou a apoderar-se dela ao imaginar que ficaria ali, ao menos até a próxima reunião deles. MAINE Mulder agora filtrava as ligações do celular. Havia inúmeras mensagens deixadas por Scully, mas ele estava decidido a afastar-se. O caso que investigava arrastava-se lentamente e exigia um grande trabalho de levantamento de dados cansativo e enfadonho. Chegou ao hotel e jogou-se na cama. O celular começou a tocar insistente e pretendia não atender quando viu que era a linha particular de Skinner. __ Agente Mulder ? Fiz como me pediu e não passei sua localização para Scully, mas... __ O que aconteceu ? Ela sabe que estou aqui ? __ Ela desapareceu, Mulder. Estava investigando um caso e não voltou ao escritório. Já tentei o celular , não há ninguém na casa dela. __ Não sabem onde ela esteve por último ? __ Sim, nós já investigamos. Era uma clinica, mas o local está vazio. Eles só fazem reuniões algumas vezes por semana. Vistoriamos o local e não encontramos nada. __ Estou voltando imediatamente, senhor. CLINICA FENIX Washington DC Scully foi acordada pelo barulho da trave sendo retirada da pesada porta. Um homem alto e musculoso, com olhos profundos oferecia a ela uma caneca com água. Ela tentou sair mas seus esforços foram inúteis. Foi jogada sobre a cama improvisada, o homem deixou a água e ela , após muito relutar, acabou bebendo e deitando-se encolhida sobre o leito, abatida e infeliz. Mulder foi direto ao hospital, mas Daniel não tinha nenhuma informação. Há dois dias não via Scully. A paciente com quem eles falaram, também havia morrido e ele estava bastante ocupado com os exames da autópsia dela e de mais duas vítimas que apareceram. Ele tentava identificar o que havia provocado a doença. Ele foi até o apartamento dela, examinou suas anotações e buscou o novo endereço da clinica, seguindo para lá, em busca de pistas. Porém, ninguém dava informações , ele assistiu à reunião, mas não encontrou nada de estranho, além da exaltação daquela gente. Mas seus instintos pediam que ele procurasse mais. Sentia-se agoniado, temeroso. Lamentou profundamente tê-la deixado sozinha no caso, saiu de lá apreensivo. Reparou , no entanto, que nem todos saiam no final do culto e decidiu voltar para investigar melhor. Esperou alguns minutos escondido nos fundos da casa. Pela janela, pôde ver uma porta escondida sendo aberta e quase não conteve o grito ao ver Scully sendo retirada de lá. Estava abatida, sem forças para se manter em pé, não conseguia esboçar qualquer reação enquanto a despiam e cobriam-lhe o corpo com uma túnica branca. Mulder acionou o FBI, pedindo reforços e ficou atento, esperando a melhor oportunidade de invadir o local. Circulou pela casa mas não havia acesso por outras entradas. Viu Scully ser deitada sobre uma espécie de altar de pedra, ao lado de duas outras pessoas e não pôde segurar-se quando viu um homem alto começar a pronunciar um cântico lúgubre e pegar um frasco com alguma coisa parecida com larvas, jogando sobre um homem e vendo os vermes infiltrarem-se no seu corpo. Imediatamente ele dirigiu-se à porta da frente e bateu com insistência. Ouviu a movimentação no interior e começou a chutar a porta, tentando arrombá-la. Atirou na fechadura e entrou a tempo de ver o homem com o frasco sobre o corpo da parceira. __ Largue isso ! Coloque longe dela ou eu atiro __ ele berrava __ Scully !? __ chamava sem resposta. As pessoas pareciam sair do transe com o alarde e o olhavam assustadas. Em segundos o local era invadido pelos agentes do FBI que efetuaram as prisões, enquanto Mulder, tomava a parceira nos braços e a levava para a ambulância. Daniel examinou Scully e constatou que ela não havia sido infectada pelas larvas. Um estudo ia ser levado adiante, mas o Centro de Controle de Doenças requisitou todas as amostras e eles não puderam mais ter acesso às pesquisas. Scully havia sido dopada, uma grande quantidade de soníferos havia sido misturada a água que ela ingerira e o estado dela era grave, embora não corresse risco de vida. Seria obrigada a passar uns dias no hospital para se desintoxicar. Mulder estranhara a intervenção do Centro de Doenças e descobriu que as larvas poderiam ser produto de algum experimento do governo que havia caído em mãos mais erradas dos que as que a tinham desenvolvido. Mas nada pôde ser provado, porém agora, sua única preocupação era saber se Scully estaria bem. Ela recuperou a consciência durante a noite e viu que um homem entrava no quarto. Chamou por Mulder e tentou sorrir ao ver que Daniel aproximava-se do leito, tomando as mãos dela entre as suas. __ Como está ? __ ele perguntou gentil __ O que aconteceu ? __ disse com voz rouca. __ Você foi sedada, ingeriu uma grande quantidade de calmantes, mas já foi medicada, só precisa recuperar as forças.__ ele explicava, passando os dedos pelos cabelos dela. Scully virou o rosto, sentia-se extremamente infeliz por não ter o parceiro ao seu lado. Desde que trabalhavam juntos, era quase sempre o rosto dele a primeira visão que tinha ao escapar de algum perigo. Mas ele não estava lá. Daniel fôra evasivo quanto ao que acontecera e saíra sem dizer se mais alguém estivera ali. Ela saiu do hospital e ficou alguns dias em casa. Pensou em ligar para o parceiro, mas desistiu ao lembrar que ele não a havia procurado, que já voltara ao trabalho e não parecia interessado em vê-la. Deitou-se no sofá para ler, mas acabou adormecendo. Seu organismo já estava praticamente restabelecido mas sua alma ainda doía. Daniel se mostrara atencioso, mas o som da voz dele tinha o dom de irritá-la e ela não atendia mais ao telefone ou à porta. Quando acordou já começava a anoitecer, viu que o livro não estava mais sobre ela e sentou-se rapidamente. Delineada na escuridão, o vulto alto e esguio que ela conhecia como ninguém permanecia encostado à janela, os olhos fixos na rua . Seus lábios se abriram num sorriso e ela limitou-se a ficar admirando o perfil do homem tão amado. Mulder percebeu que era observado e virou-se para fitá-la. Um sorriso aconchegante e tímido no rosto. __ Como está ? __ disse, sentando-se ao lado dela. __ Agora ? __ ela o fitava, sorrindo como uma menina __ Ótima ! Ele passou a mão pelo rosto dela. __ Eu tentei, Scully. Deus sabe como eu tentei me afastar de você, mas... __ Porquê ? __ Você merece mais e... __ Eu não quero mais, Mulder __ ela falou séria __ Nem menos...quero você...só você ...e isso já é muito. __ Me apavorei quanto te vi naquele lugar. __ Foi você quem me tirou de lá ? __ Skinner me ligou. Não conseguimos levar a investigação adiante. O Centro de Doenças recolheu as amostras, os exames, os corpos, tudo o que você fez. Estão trancando tudo. Acho que tem algo a ver com alguma toxina que eles desenvolveram e que, por algum motivo, foi parar nas mãos daquele homem. Ele se achava agraciado com o poder divino, usava as larvas para testar os adeptos, não sei dizer porque algumas pessoas sobreviviam e outras não. __ Porque não ficou comigo ? __ Eu fiquei, Daniel me disse que você precisava descansar, que não ia acordar tão cedo, pediu que eu me afastasse e... __ Ele não me disse que você esteve lá. __ E porque faria isso ? Ele te ama, Scully. __ E eu amo você __ ela respondeu rápida e convicta. Mulder sorriu, o rosto iluminado pelos olhos brilhantes. Era a primeira vez que ele ouvia isso, com todas as palavras, dos lábios dela. Sentiu o coração aquecer-se e aproximou-se mais __ Isso pode ser muito perigoso, Scully. __ Eu sei Mulder. Eu quero. Aprendi a amar o perigo, acho que preciso dele. O telefone tocou e ela franziu a testa. __ Não vai atender ? __ Mulder perguntou. __ Deixa tocar Mulder levantou-se e pegou o aparelho, entregando-o a ela. Se fosse Daniel, era importante que ela atendesse, dependia dessa reação, a atitude que ele tomaria a seguir. __ Pode ser importante__ ele falou e afastou-se Ela segurou o aparelho enquanto via ele aproximar-se da estante, abrir as portas e escolher um CD que colocou para tocar. __ Scully __ ela atendeu, com olhos fixos nele. __ Dana ? Está melhor ? Ela respirou fundo, aquilo tinha que acabar. __ Sim, Daniel, estou ótima __ respondeu, vendo Mulder voltar-se para fitá-la. __ Queria te ver, posso... __ Não pode, Daniel, não venha __ disse com voz firme. __ Eu... __Daniel, lembra quando te disse que queria tudo o que um pessoa pode querer nessa altura da vida ? Ele pareceu animar-se. __ Sei, eu...nós... __ Eu já tenho__ ela interrompeu com firmeza __ E está aqui na minha frente. Resumido na pessoa do homem que eu escolhi para mim. Não preciso de mais nada além do que ele pode me dar e isso me satisfaz completamente... Mulder aproximava-se com um sorriso nos lábios. Segurou a mão livre dela e envolveu-lhe a cintura, movimentando-se ao som da música suave e lenta que enchia o ambiente. Scully sentia a pulsação do coração em sua garganta. Já não ouvia mais o som da voz do outro lado da linha. Encostou a cabeça no peito dele e abandonou-se em seus braços. Aquele era o lugar que ela queria, precisava. Era ali que sempre deveria estar. Mulder tomou-lhe o telefone das mãos, apertando-a com força junto dele. __ Sinto muito, Daniel __ ele falou e desligou o aparelho, jogando-o no chão para envolver com ternura o corpo delicado da mulher amada. A música continuava tocando enquanto eles permaneciam abraçados, embalados pelo som. Os lábios tocando-se suavemente, as mãos deslizando tranquilas, os corpos se aquecendo, numa perfeita sensação de acerto. Sabiam que, embora tudo mostrasse o contrário, estarem ali, unidos, era a única escolha certa a fazer. Não havia mais ciúme, insegurança. O medo fôra vencido por um sentimento maior, que agora preenchia o espaço vazio de suas vidas. FIM ( Não adianta, isso não vai descambar para uma NC17. Acaba aqui mesmo, o resto é por conta de cada um !!hehehe )