Autora: Maíra Martins E-mail: danakatherinescully@ig.com.br Disclaimer: As personagens desta fan fiction são de propriedade de CC, 1013 Productions e 20th Century Fox, esta história destina-se unicamente ao divertimento dos admiradores do seriado Arquivo-x, sem intenção alguma de obter lucro com ela. Classificação: Shipper Nome do fan fiction: O Fantasma da Ópera Resumo: Os agentes Mulder e Scully são designados para um caso comum, em que terão de investigar homicídios em série, ocorridos no Teatro Municipal de Nova Iorque. Experimentando uma situação em que ópera e realidade se confundem, colocando um dos agentes em perigo, ou os dois. Obs.: Esta é a primeira fan fiction shipper que escrevo, portanto desculpem-me se houver uma dramaticidade exacerbada nesta narrativa que virá a seguir. O Fantasma da Ópera A platéia de Nova Iorque estava repleta de admiradores da arte dramática, seus membros trajados elegantemente para a noite de gala, como exigia a ocasião, após o encerramento do ato final de O Fantasma da Ópera, as cortinas aveludadas, de um tom vinho, foram fechadas, abrindo-se em seguida, para os cantores da ópera serem agraciados e recepcionados pela salva de palmas que eclodiu freneticamente pelo amplo teatro, os espectadores haviam atingido o êxtase com o espetáculo. Depois que as cortinas se fecharam novamente, o diretor, os atores e cantores abraçaram-se, cumprimentando-se mutuamente pelo sucesso da ópera. - Wagner, você esteve maravilhoso - o diretor do drama foi de encontro ao protagonista, o tenor que fizera o fantasma. - Obrigado, Harry - abraçou-o - Vamos comemorar o término da temporada que foi encerrada com chave de ouro. Após trocarem-se em seus camarins, os artistas saíram juntos para festejar o acontecimento. _______________________________________________________ Na manhã seguinte, a aurora tingia o mar celeste de púrpura e dourado enquanto o funcionário do Teatro Municipal de Nova Iorque, dispunha-se a percorrer os infindáveis corredores e escadarias, vistoriando o local e zelando pela integridade física do amplo e bem arquitetado prédio. Chegando ao pavimento entre o palco e os camarotes, notou que algo jazia sobre o tablado destinado às representações teatrais, subiu até lá com sua lanterna em punho, vislumbrando a face pálida e isenta de vida do corpo com o qual se deparara, era Wagner, que ainda usava as roupas de seu personagem da noite anterior, na apresentação. Possuía em uma de suas mãos gélidas uma máscara, e sobre o peito, uma rosa vermelha repousava. Taran...tarararan... Governo Nega Ter Conhecimento A Verdade Está Lá Fora _______________________________________________________ Washington, D.C. Quartel General do FBI 8:00 a.m. O homem calvo, altivo e charmoso, ajeitou os óculos sobre o nariz, entregando em seguida uma pasta para os agentes que estavam sentados à sua frente. - Agentes, vou fazer um breve relato para vocês, mais detalhes encontrarão nessa pasta - iniciou Skinner - Um homem foi encontrado morto, assassinado no Teatro Municipal de Nova Iorque há dois dias, a polícia local pediu auxílio ao FBI para a resolução do caso, e vocês foram designados para auxiliarem nas investigações. - Senhor, mas para que a interferência do FBI num simples homicídio? E além do mais por que fomos designados? Não me parece ser um arquivo-x - perguntou o agente de olhos amazônicos. - Agente Mulder, não é um simples homicídio, antes deste houve uma outra morte há uns dez meses, no mesmo teatro, e nas mesmas circunstâncias, a polícia local não conseguiu nenhuma pista que levasse a um possível suspeito, acredita-se tratar de um "serial-killer", e isto faz parte da jurisdição do FBI. Há mais informações nesta pasta - o diretor-assistente deu o assunto por encerrado. Os agentes Mulder e Scully levantaram-se e dirigiram-se à porta do gabinete, saindo para um dos corredores do Bureau. A agente ruiva folheava a pasta de cor parda, pensativa, concentrada, enquanto seguia para o porão dos tão comentados arquivos-x. - Terra chamando Scully - brincou o parceiro, percebendo o silêncio da amiga. - Hum? - Está tudo bem, Scully? Você parece tão distante - preocupou-se. - Estou bem. Só estava pensando neste caso, me chamou a atenção, pelo menos até onde eu li sobre ele nesta pasta - entrou na pequena sala, sentando-se numa cadeira, de frente para Mulder. - E o que diz nessa pasta? - Como Skinner mesmo falou, há dez meses um homem foi encontrado morto sobre o palco do teatro de Nova Iorque, segundo a autópsia, ele foi vítima de estrangulamento, asfixia - Scully remexia os papéis enquanto falava - O homem era Carl Becker, na noite anterior havia encerrado a temporada, em sua última apresentação da ópera O Fantasma da Ópera, ele era o fantasma, e logo depois do espetáculo saiu com toda a equipe para comemorar, os amigos e colegas alegaram que o viram pela última vez depois da comemoração, no hotel que estavam hospedados, por volta das duas horas da manhã. O corpo foi encontrado no dia seguinte, em torno das seis horas, por alguns funcionários do teatro, estava vestido com a roupa que caracterizava seu personagem, e foi também encontrado junto ao corpo uma máscara e uma rosa vermelha. - Eu não lembro de Ter ouvido ou visto qualquer notícia na época sobre este homicídio no Teatro Municipal de Nova Iorque. - A notícia foi abafada, escondida da imprensa, sabe como as pessoas são supersticiosas, e uma morte no teatro, depois da vítima Ter representado justamente O Fantasma da Ópera, poderia vir a repercutir muito mal, financeiramente falando, para os negócios e a imagem de um dos mais importantes teatros de Nova Iorque. - E quanto à outra vítima? - Wagner Gilligan, também era tenor, e fora encontrado por um funcionário do teatro nas mesmas circunstâncias que a outra vítima, tendo apresentado na noite anterior também a mesma peça, representando o mesmo papel, além de Ter sido também sua última apresentação, encerrando a temporada. - Com certeza, não é uma mera coincidência - Mulder usou de um tom irônico, que lhe era tão pertinente - Mais alguma ligação entre as vítimas? - Fora todas estas ligações, nenhuma outra - finalizou, fechando a pasta. - Estamos atrás de um provável "serial-killer", que tem livre acesso ao teatro, talvez seja um dos funcionários - pensou alto. - Não, a polícia verificou esta hipótese. - Hum...hum - ergueu-se da cadeira - Passo no seu apartamento daqui uma hora para irmos à Nova Iorque. Scully também levantou-se, os dois seguiram para a porta, Mulder deu passagem para sua parceira, saindo logo atrás dela. _______________________________________________________ Nova Iorque Teatro Municipal 4:30 p.m. O detetive Chris Morgan fora avisado da chegada dos agentes do FBI em Nova Iorque, ficara combinado que ele os encontraria no local do homicídio. O teatro estava temporariamente fechado aos espetáculos, até o fim das investigações. Mulder e Scully foram recebidos por um homem de uns trinta e cinco anos, olhos de tom chocolate e cabelos castanhos. - Vocês devem ser os agentes Mulder e Scully - disse, cumprimentando-os. - E o senhor deve ser o detetive Chris Morgan - Mulder respondeu ao cumprimento do outro. - Vou mostrar-lhes a cena do crime - dirigiu-se ao interior do onipotente prédio, acompanhado pelos agentes. Após subirem e descerem algumas escadarias, e andarem por alguns longos corredores, cujo silêncio era apenas rompido pelo impacto de seus sapatos contra o assoalho e suas respirações, entraram por uma porta principal que levava à platéia, passaram por esta, alcançando o palco, ao subirem neste, observaram o local em que o corpo fora encontrado. - Este lugar deve possuir muitas entradas - comentou Scully, admirada com as dimensões do teatro. - Sim, possui - aproximou-se dela o detetive. - Verificaram se não havia alguma entrada forçada, arrombada? - Verificamos, não consigo compreender como o assassino entrou aqui, e além disso com Gilligan, os únicos que possuíam as chaves naquela noite eram os dois funcionários responsáveis pela vigilância e pela ronda noturna e matinal do teatro. E posso lhe assegurar que não foram eles - Morgan fitava os olhos azuis de Scully enquanto falava. - Foi você que também investigou o homicídio de Carl Becker, detetive Morgan? - Mulder colocou-se na frente da parceira, para impedir o insistente olhar do detetive para ela. - Foi, por isso logo que eu verifiquei as semelhanças entre as duas mortes, resolvi chamar o FBI, pois não conseguimos desvendar o primeiro homicídio, nem encontrar sequer uma pista. - Já fizeram a autópsia do segundo corpo? - perguntou Scully, enquanto se posicionava ao lado de seu parceiro. - Não, suponho que também tenha morrido por estrangulamento mas, só teremos certeza depois que for feita a autópsia, achei que gostariam de fazê-la, já que fui informado de que um de vocês era formado em medicina legal. - Adoraríamos fazê-la ainda hoje, não é Scully? - sorriu provocante enquanto ela lhe lançava um olhar fuzilante. - Se quiser agente Scully, posso levá-la até o necrotério enquanto o agente Mulder vasculha o teatro em busca de alguma pista - ofereceu- se Morgan gentilmente, com um discreto sorriso nos lábios. - Acho que é o melhor a fazer, assim adiantamos as investigações - respondeu, virando-se em seguida para o parceiro - Mulder, nos encontramos mais tarde no hotel, está bem? - Não. - Hum? - Quero dizer, não há necessidade de vasculhar este prédio, a polícia já o fez e não encontrou nada, não se preocupe detetive, eu mesmo levo a agente Scully ao necrotério - falou num tom ríspido, encarando o homem à sua frente. - Então, qualquer informação que precisarem é só me contatarem, estarei à disposição de vocês - Chris olhou para a agente - Por favor, me mantenham informado de qualquer novidade. - Não se preocupe, o manteremos informado. - Vamos, Scully - Mulder tocou o braço da amiga, de modo que ela o seguisse. - Tchau, detetive Morgan. Qualquer novidade também, mantenha- nos informados. - Claro. Até logo, agente Scully - apertou-lhe a mão, acenando em seguida para Mulder que já estava distante, perto da porta principal. - Você não vem, Scully?! - o agente chamou-a. A mulher de cabelos ruivos atravessou a platéia, seguindo o colega até a saída do teatro, e entrando no carro. Mulder sentou-se no banco do motorista, dando partida no automóvel, estava calado, pensativo. - Mulder, o que há com você? - a agente iniciou a conversa enquanto se dirigiam ao necrotério estadual. - Nada, por que a pergunta? - disse sem desviar os olhos da estrada. - Por que a pergunta? Mulder, você teve um comportamento inadmissível com o detetive Morgan, que se mostrou muito disposto a ajudar o FBI - ela percebera a hostilidade do parceiro em relação ao detetive. "Comportamento inadmissível? Eu? Ele é quem estava tendo um comportamento inadmissível com você, onde já se viu fitá-la tanto? Mulder, se acalme, por que tanta hostilidade? Scully é uma pessoa adulta, sabe se cuidar sozinha, e por que não deveriam admirá-la? Ela é uma pessoa inteligente, sensata, linda, desimpedida. Por que se sentir tão incomodado?" - Mulder? Está me ouvindo? - Scully, vamos retornar ao caso e deixar as minhas diferenças com o detetive Morgan de lado. - Como quiser - suspirou Scully, irritada pelas atitudes de seu parceiro. - Depois que deixá-la no necrotério para fazer a autópsia, eu vou até o departamento policial, quero a listagem com todos os nomes daqueles que trabalhavam na mesma companhia de ópera que Becker e na mesma companhia que Gilligan, se cruzarmos os nomes das duas listagens, e encontrarmos algum membro que tenha trabalhado nas duas companhias tanto na época de Becker como na de Gilligan, então já temos alguma coisa - Mulder desviou o olhar para a parceira que observava a paisagem urbana pela janela, sem encará-lo - O que acha, Scully? - Não creio que consiga algo com isso, mas seria bom verificar - continuou sem encará-lo. - O que sugere? - Mulder, estas mortes foram consecutivas. - Sei disso. - Provavelmente, se não conseguirmos solucionar o caso, a próxima companhia que apresentar O Fantasma da Ópera naquele teatro, terá seu tenor protagonista assassinado após a apresentação de encerramento da temporada, como aconteceu nos dois casos. - Talvez o teatro seja mal assombrado pelo próprio fantasma da ópera - brincou ele, numa tentativa de descontrair a situação tensa que havia se instalado entre eles. - Não existem fantasmas. - Não quero discutir isso com você, você já os viu e mesmo assim se recusa a acreditar - referia-se a um casarão que haviam ido investigar numa véspera de natal. - Temos que tentar encontrar o porquê das mortes terem começado só há dez meses. - Tem razão, vou verificar o nome da última companhia de ópera que apresentou O Fantasma da Ópera naquele teatro antes da companhia de Becker, e também procurar pelo nome do tenor responsável pela representação do fantasma, talvez seja alguma coisa. - Um tiro no escuro. - Mas, quem sabe, podemos até acertar algo. _______________________________________________________ Hotel Big Apple 10: 40 p.m. Um manto escuro estendeu-se sobre a cidade de Nova Iorque, cuja poesia se encontrava no concreto de que era feita e em seus suntuosos prédios. Mulder estacionou o carro numa vaga no hotel em que estava hospedado, caminhando em seguida ao quarto de sua parceira, percebeu a luz acesa, ela já havia chegado da autópsia. Depois de dar algumas batidas na porta, esta abriu-se, e o agente entrou, acomodando-se em uma poltrona ao lado da cama, onde Scully sentou-se. - O que conseguiu com a autópsia? - perguntou o agente com um envelope bege nas mãos. - Não muita coisa, ele também foi vítima de asfixia por estrangulamento, o assassino deve ser muito forte para ter conseguido dominar um homem com o porte físico de Gilligan, não encontrei sinais de uma possível luta no corpo, acredito que o assassino possa ser conhecido da vítima, isto explicaria a não resistência das vítimas, sendo pegas de surpresa - fitou os olhos verdes do homem à sua frente - E você, o que descobriu? - Tinha razão quanto às listagens, não consegui nada, mas descobri o nome da última companhia a apresentar a mesma ópera do fantasma antes da companhia de Becker, e também o nome do tenor, Alexander Hampshire, que possui uma história bem curiosa, ele trabalhava para a Companhia de Ópera Bellini, que estava apresentando no Teatro Municipal de Nova Iorque, e na última apresentação de encerramento da temporada, Hampshire não compareceu, logo a apresentação foi cancelada, causando uma grande dor de cabeça para o diretor e os financiadores do espetáculo, o tenor foi despedido sem a menor piedade. - Por que ele não compareceu? Provavelmente havia um motivo. - Sim, havia, e bem convincente e sério. - Diga logo, Mulder. - No dia da apresentação de encerramento, a esposa de Hampshire sofreu um grave acidente de carro, então ele correra para o hospital sem pensar em mais nada, mesmo assim a Companhia Bellini ignorou os motivos dele, despedindo-o injustamente. - E a esposa dele? - perguntou a agente curiosa. - Morrera no mesmo dia no hospital - Mulder ficou a observar o impacto de suas palavras sobre a face de Scully - Esta história daria uma ótima ópera trágica, não é? - tentou brincar. - Não, não daria - possuía uma expressão séria, de reprovação. - Tem razão, me desculpe - fitou o olhar celeste de sua parceira que o encarava friamente - Não é nada engraçado perder alguém que se ama, é destrutivo, aterrorizante, eu bem sei. - Acho que não, e espero sinceramente que nunca venha a saber - ergueu-se e foi até a porta, abrindo-a - Já é tarde. - Tenho o endereço de Hampshire, amanhã iremos lhe fazer uma visita, pode não ser nada, mas por enquanto é a única pista da qual dispomos - levantou-se - Boa noite, Scully. - Boa noite - disse sem olhá-lo, jamais pensou que um dia pudesse sentir o que estava sentindo por Mulder, raiva. _______________________________________________________ Mulder entrou em seu quarto, trancando a porta por dentro e jogando o corpo sobre a cama macia, deitou de bruços, colocando o travesseiro sobre a cabeça. - Como você é um idiota, Mulder, um grande idiota - falava para si mesmo - Como pôde brincar com algo tão sério, não é engraçado, ela deve estar me odiando neste momento, eu vi isso nos olhos dela, como pude ser tão crápula, sagaz, frio. O que está acontecendo comigo? Por que estou agindo de maneira tão estúpida? Ela não sabe o que estava dizendo, quantas vezes eu estive perto de perder a pessoa que eu mais...- interrompeu seus pensamentos, temeroso do que pudesse vir a falar, a pensar, balançou a cabeça num movimento de negação, levantou-se e foi até o banheiro tomar um banho. _______________________________________________________ No dia seguinte, os agentes dirigiram-se à residência de Alexander Hampshire num nobre bairro de Nova Iorque, durante o percurso, nada conversaram um com o outro. Após apresentarem-se como agentes do FBI na portaria do imenso casarão, um funcionário guiou-os até o interior da luxuosa residência, pedindo para que eles esperassem no escritório, que Hampshire não se demoraria. Ao entrarem no espaçoso escritório, depararam-se com um quadro de amplas dimensões a tomar quase toda a parede atrás da escrivaninha de mogno, ficaram fascinados pela pintura, que retratava uma bela mulher, de pele pálida e aveludada, grandes olhos celestes, possuía o cabelo longo, liso a cair pelos ombros, era de uma tonalidade avermelhada como o de Scully, sua face era de traços delicados, finos, era tão incrível a vivacidade daquela figura, que poderia se passar por um retrato e não uma pintura. - Minha esposa, bela não é? - falou um homem atrás dos agentes, que não perceberam a sua chegada. Devia Ter uns quarenta anos, era mais alto que Mulder, possuía uma face pálida como se fosse de porcelana, ombros largos, seus olhos eram de um intenso azul-cobalto e marcantes, seus cabelos vinham a altura dos ombros, caindo em madeixas cacheadas pelo rosto, eram tão escuras e pretas quanto o ébano, suas sobrancelhas espessas destacavam- lhe a expressão, poderia muito bem ser confundido com um deus grego do Olimpo. - O senhor deve ser Alexander Hampshire, certo?- Mulder voltou-se para o homem, cumprimentando-o. Antes que pudesse responder, deparou-se com a face de Scully, abriu os lábios de carmim para dizer algo, mas as palavras não saíram, retomou o controle, e sem desviar o olhar da mulher ruiva, perguntou: - Quem são vocês? - Agentes Mulder e Scully do FBI - o agente respondeu secamente. O homem aproximou-se da agente, tomando-lhe a mão e beijando- a num gesto cavalheiresco, ela se sentiu incomodada com a atitude daquele estranho, ele realmente era muito atraente, e olhava-a de tal modo como se a conhecesse. - Por favor, queiram se sentar - indicou duas macias poltronas em frente de sua escrivaninha, sentando-se atrás desta - Estou sendo acusado de alguma coisa? - Não, senhor Hampshire, estamos aqui para lhe fazer algumas perguntas, pedir a sua colaboração - respondeu Scully, incrivelmente vislumbrada com a imagem daquele homem. - Fazer perguntas sobre o que? - sua voz era profunda e soante. - Estamos investigando o homicídio de dois tenores no Teatro Municipal de Nova Iorque, ambos foram assassinados no dia seguinte à apresentação de encerramento de O Fantasma da Ópera, depois de interpretarem os protagonistas, a primeira morte foi há dez meses e a segunda há quatro dias - Mulder adiantou-se. - Ah, sim, eu soube de algo semelhante, pensei que era boato do meio artístico, então realmente ocorreu a morte de um dos tenores da Companhia Cardillo-Cordiferro. - Sim, Carl Becker, e Wagner Gilligan da Companhia Strauss, os conhecia? - o agente perguntou num tom provocante, Scully não pôde deixar de encarar o parceiro com uma expressão de reprovação. - No meio artístico você sempre acaba conhecendo todo mundo, sim, eu os conhecia de vista - respondeu indiferente ao agente, parecia enxergar somente a mulher ruiva naquele escritório. - As mortes começaram depois que a Companhia, para a qual trabalhava, apresentou naquele teatro a mesma ópera, com você representando o papel principal. Queremos compreender o porquê das mortes terem começado só depois - Mulder estava visivelmente irritado, possuía um tom acusador. - Por acaso sou suspeito? - Só estamos buscando algumas respostas no passado, para compreender o presente e prever o futuro ou evitá-lo - sorriu sarcástico o agente. - Sei, estou sendo suspeito por que não morri também? E se eu tivesse morrido, suspeitariam do tenor da Companhia de Ópera anterior a minha? - desta vez fitou os olhos verdes do agente com os seus azul-cobalto. - Só se o tenor, no último dia de sua apresentação, tivesse vivido uma ópera trágica na vida real - a estas palavras de Mulder, Scully ficou estarrecida com a insensibilidade e frieza do parceiro, não o estava reconhecendo. - Pelo visto, já investigaram a minha vida - falou depois de um momento de silêncio, seus olhos de um intenso azul-cobalto pareciam Ter perdido um pouco da forte tonalidade ao ouvir as palavras do agente, ergueu a cabeça de modo a ver a pintura no quadro atrás de si, voltando-se em seguida para os agentes - Realmente eu vivi uma ópera trágica e ainda continuo vivendo, e pior, fora dos palcos. Agente Mulder, deve saber que fui injustamente despedido da Companhia Bellini, não vou me deter em explicações e detalhes que já devem saber, mas saiba que com a fortuna da qual disponho, eu mesmo poderia montar a minha própria companhia, mas não o fiz, se eu trabalhava naquela companhia não era pelo dinheiro, porque este eu tenho, mas pela paixão à arte, à ópera, ao ambiente de trabalho com os colegas, àquele mundo fantasioso e mágico de que é feito o teatro, não queria que ele me pertencesse, o que não seria difícil, e sim, queria pertencer a ele, não sei se me compreende. - Sua vida se assemelha muito com a do próprio fantasma da ópera. - Em alguns aspectos, mas ele era um ser possessivo, obcecado, vingativo, e eu não o sou, não há motivo para isso. - Tem certeza? - Mulder ironizou. - Senhor Hampshire, obrigada pela sua atenção - Scully levantou-se, interrompendo o seu parceiro por quem estava intensamente decepcionada e irritada - Desculpe fazermos o senhor perder seu tempo. - Jamais seria uma perda de tempo, senhorita Scully - ergueu- se também da cadeira, invadindo aqueles olhos celestes com os seus, limitando-se a apertar a mão da agente num cumprimento. O agente também ergueu-se de seu assento, apertando a mão do outro homem, num cumprimento, com uma certa pressão. Os dois homens enfrentaram-se com os olhos, parecia que uma luta havia se travado entre um deus grego do Olimpo e um mortal, os olhos de um intenso azul-cobalto eram como a representação do céu, e os olhos verdes, amazônicos, da terra. Quem venceria ? O deus do céu ou o mortal da terra? Scully observava-os incrédula, eram dois homens adultos que se comportavam como duas crianças, que não haviam ido com a cara uma da outra. A agente puxou delicadamente o braço de Mulder, este viu nos olhos da parceira uma mensagem muda que só os dois compreendiam, Hampshire percebendo a situação, pareceu ficar decepcionado, desiludido, chamou em seguida um de seus criados e pediu que guiasse os agentes até a saída. Quando eles se retiraram, uma expressão de tristeza havia tomado o seu semblante. _______________________________________________________ Dentro do carro, a caminho do hotel, Mulder quebrou o silêncio que pairava entre os dois agentes. - Foi ele, Scully - falou num impulso, sem desviar os olhos da estrada. Ela nada disse, olhando para frente. - Você ouviu o que ele disse, amava a ópera, acredito que Hampshire depois de ser despedido, juntando mais o impacto da morte da esposa, desenvolveu uma obsessão, jamais deixaria que outro tenor, que não fosse ele mesmo, cantar O Fantasma da Ópera naquele teatro, no qual não pôde fazê-lo no último dia da apresentação. Acho que toda a pressão do trabalho, a morte da esposa, culminaram com um esgotamento e desequilíbrio mental, que levaram ao desencadeamento de tal comportamento. Scully continuou calada. - O que há, Scully? - Não acho que esteja sendo racional. - Com certeza, esta parte sempre deixei por sua conta - sorriu. - Não estou brincando - falou séria - Não pode acusar um homem sem provas, apenas baseado em argumentos infundados. - Argumentos infundados? Os fatos falam por si sós, Scully. Faça as conexões - Mulder parou o carro no estacionamento do hotel. Scully desceu do automóvel, batendo a porta com força, e seguindo para o seu quarto. Mulder percebendo a hostilidade, correu até ela, segurando-lhe o braço para que parasse e encarasse-o. A mulher ruiva voltou a face para o agente, de modo que ficaram com os rostos bem próximos, ele pôde sentir a respiração morna da parceira e o perfume suave que exalava de sua pele. - O que há com você, Scully? - fitou o olhar céu profundamente. - Não. O que há com você, Mulder? - alterou o tom da voz - Você não fez perguntas a Hampshire, você o acusou sem o mínimo de consciência, foi irônico, sarcástico, cruel. Que história foi aquela de "ópera trágica"? Eu não o reconheço, como pôde tripudiar em cima dos sentimentos daquele homem? Não pode fazer julgamentos das pessoas baseado na sua não compatibilidade de personalidade com o gênio dos outros, isto não é profissional, agente Fox Mulder. Ao ouvir seu nome pronunciado pelos lábios de sua parceira com tanta formalidade, sentiu como se houvesse estabelecido uma grande distância entre eles. Scully continuava a falar, mas não mais a ouvia, apenas observava-a, preso naqueles olhos divinos que o fitavam tão decepcionados, tinha que fazer algo, sentia-a distante, isto não poderia acontecer, não suportaria, não escutava mais nada, não via nada que não fosse o rosto à sua frente, seus olhos verdes estavam parados naquela imagem, que o motivava a levantar todos os dias para encarar a vida, não podia perdê-la, senão como conseguiria viver? Não haveria motivo, para que iria trabalhar se ela não estivesse lá? Para que acordar se não a encontraria? Mulder tocou suavemente a face pálida e aveludada de Scully, o que a fez parar de falar, fitando-o, ele não desviou os olhos, foi aproximando delicadamente seu rosto, seus lábios dos dela. Quando de repente ela se afastou bruscamente, falando: - Não adianta pedir desculpas, seu comportamento não se justifica! - voltou as costas para um Mulder sem reação, ainda confuso com o que estivera prestes a fazer. _______________________________________________________ Hotel Big Apple 8:50 p.m. Scully estava deitada sobre a cama, ainda vestida em suas roupas formais, folheava uma pasta parda, lendo os interrogatórios e os testemunhos dos colegas e amigos das vítimas, quando o toque de seu celular a despertou de seu trabalho, ela se levantou e pegou o aparelho dentro do sobretudo, que estava sobre a poltrona. - Scully. - Sou eu, Mulder. - Onde está? - franziu uma das sobrancelhas. - Estou no departamento de polícia local com o detetive Morgan, eu e ele remexemos em algumas coisas, ligando para algumas pessoas - fez uma pausa - Lembra-se que você disse que o assassino poderia ser um conhecido da vítima? Pois então, Becker e Gilligan eram mais que conhecidos de vista de Hampshire, eles já jantaram várias vezes na residência dele, se ele é inocente, por que mentiria quanto ao fato de conhecê-los? O que queria esconder? Neste momento, algumas batidas ecoaram contra a porta de seu quarto. - Mulder, espere um pouco, alguém está batendo na porta - deixou o celular ligado sobre a mesinha de cabeceira e foi atender. - Boa noite, senhorita Scully - sorriu irresistivelmente Hampshire ao ser atendido. Scully olhou surpresa o homem à sua frente, ele se encarregou de abrir a porta por conta própria, entrando no quarto, a agente afastou-se um pouco para trás, procurando com os olhos a arma que estava no coldre, sobre a poltrona. - Boa noite, que surpresa - tentou manter o tom natural da voz, enquanto se aproximava lentamente da poltrona. O homem percebeu o movimento e notou o revólver sobre o móvel, adiantando-se a ela e agarrando-lhe os dois braços com força, assustando Scully. - O que foi, senhor Hampshire? - Não me faça de tolo, por que quer o revólver? Scully sentiu a pressão aumentar nos seus braços, então tentou desvencilhar- se do outro, numa luta desigual. Mulder ouviu pelo celular alguns ruídos como se coisas estivessem sendo derrubadas, quebradas, preocupou- se, então ouviu um grito seguido de um silêncio aterrorizante, desesperou-se. - Scully! Alô, Scully!! - berrava ao telefone. Hampshire havia desferido um golpe tão forte contra a agente, que ela ficara inconsciente, em seguida pegou-a nos braços, saindo do hotel. _______________________________________________________ Mulder correu feito louco para o hotel, seguido do detetive Morgan, chegando lá, encontraram a porta aberta, e o quarto da agente Scully bagunçado, o agente estava visivelmente angustiado. - Foi ele. - Hampshire? - perguntou o detetive. - Precisamos encontrá-lo, ele está com a minha parceira. - A casa dele, vou mandar uma viatura para lá - disse Chris enquanto pegava o telefone. - Para onde ele poderia tê-la levado? Droga! - andava de um lado para o outro. - Agente Mulder, vamos para lá. - Ele sabe que nós sabemos, não voltará para casa, vá você, irei para o teatro, talvez esteja lá ou na casa, se nos separarmos, ganharemos mais tempo. O detetive concordou com a cabeça e foi para um carro com destino à residência de Hampshire, Mulder seguiu para o teatro, acelerando feito um suicida o carro. Chegando na enorme entrada do teatro, deu fortes batidas na porta, para que o funcionário vigia viesse atendê-lo, mas como ninguém respondia, tirou o revólver do coldre e disparou contra a fechadura da porta, pouco se importando se aquele prédio era patrimônio público, a porta cedeu e ele entrou. O interior estava assustadoramente escuro, ascendeu a lanterna. Por onde começaria? Aquele prédio era enorme. Seu coração pulsava descompassadamente, a respiração estava pesada. Começou a ouvir algo, prendeu a respiração e apurou os ouvidos, era uma gravação de O Fantasma da Ópera que tocava, seguiu a música até o teatro propriamente dito, e avistou sobre o palco alguns holofotes acesos, aproximou-se vagarosamente, escondendo-se ao notar que Hampshire vinha da coxia, trazendo sobre os braços Scully desacordada e vestida num vestido longo, delicado, de um organdi azul claro, coberto por finos grãos brilhantes, parecia que havia sido preparada para fazer parte de algum espetáculo, representando alguma personagem. Hampshire usava uma roupa escura, de época, com uma capa preta, trazia pendurado ao pescoço uma máscara. Após alcançar o centro do palco, deitou a mulher de cabelos rubis sobre o tablado de madeira, continuava a tocar a ópera, Mulder notou que do canto dos lábios de sua parceira, um fio de sangue escorria, ele a havia machucado, sentiu seu rosto queimar, a adrenalina percorrer cada centímetro de seu corpo, haviam-na ferido e ele não perdoaria. O agente colocou a arma em punho e subiu sobre o palco, a razão já o havia deixado faz tempo, as emoções tomaram-no por completo. - Afaste-se dela! - gritou Mulder. Hampshire estava de costas, agachado junto ao corpo de Scully, e sem virar-se para encarar o agente, falou: - Sabia que viria. - Estou armado, afaste-se dela, ou eu atiro! - gritou novamente. O belo homem tirou debaixo de suas vestimentas um instrumento cortante, uma faca, encostando-a na garganta da mulher ruiva que começava a despertar. Scully abriu os olhos vagarosamente, defrontando-se com aquela face que personificava a beleza, pertencente a uma mente perturbada e a um peito sofrido. Hampshire sem afastar a faca, passou a mão livre pelo rosto pálido da agente, acariciando-o. - És tão bela, a mesma pele pálida e aveludada, os mesmos olhos celestiais e cabelos de fogo, é como se Deus tivesse pego todas as cores de minha falecida esposa, e pintado um outro rosto, com os mesmos tons, só os traços diferentes. Ele ajudou Scully a se levantar, ainda estava desnorteada, tonta, contudo mantinha o objeto cortante próximo à garganta dela, tornando- a sua refém. Mulder tentava pensar rápido. Como a tiraria dos braços dele, sem feri-la? Quando a parceira se situou no tempo e espaço, notou seu parceiro, seus olhares cruzaram-se, e ficaram a se olhar como que tentando ler os pensamentos um do outro. - Tire este olhar de sobre a alma dela - gritou de repente, puxando Scully para mais junto de seu corpo - Você não pode amá-la, a alma dela me pertence, jamais a terá, ela é minha. Os dois assustaram-se com o comportamento de Hampshire, estava totalmente fora de si, Scully continuou a olhar para Mulder como que tentando buscar em sua figura, uma solução. - Por que o olha dessa maneira, você o ama, não é? Eu vi isso quando os vi, mas não pode ser, porque você me pertence, e não vou perdê-la novamente - encostou mais a faca em sua garganta - Pare de olhar para ele - gritou irritado, Scully desviou o olhar para o chão a fim de não irritá-lo ainda mais. - O que você quer? - Mulder tentou estabelecer um diálogo, havia abaixado a arma. - Quero meu mundo de volta, quero que ela me ame - olhou para Scully com os olhos lacrimejantes - Pare de olhá-la desse jeito! - bradou, cortando Scully superficialmente no queixo. - Não!!! - gritou Mulder, desesperado. - Pare de olhá-la desse jeito!!! - esbravejou, cortando dessa vez ela no ombro, Scully mantinha-se forte, mas não conseguiu evitar uma expressão de dor, o ferimento fora profundo, o vestido claro começava a ser tingido de vermelho na altura do ombro esquerdo. - Pare!! Desgraçado!!!- o agente ameaçou avançar, mas conteve-se ao ver que a faca voltara à garganta. Dos olhos verdes de Mulder irradiava um intenso brilho de ódio, a batalha entre o deus celeste e o mortal terreno parecia inevitável. A ópera continuava a tocar. Quando Hampshire iria novamente desferir um corte na agente, Mulder gritou: - Espere! Vou deixar a minha arma no chão, mas pare de machucá-la, por favor - não sabia mais como agir, estava desesperado, manchas de sangue espalhavam- se pelo vestido brilhante, deixou a arma cuidadosamente sobre o tablado e afastou-se. - Não, pegue a arma de novo. - Como? - Pegue a arma!!! - bradou em seu desvario. O agente agachou-se novamente e pegou o revólver. - Agora, mire para a sua cabeça. Mulder obedeceu, sem hesitar, o outro continuava a pressionar a faca ameaçadoramente na garganta de sua parceira. - Se quiser que ela viva é melhor apertar o gatilho, sei que o fará, pois você não suportaria viver sem ela. Scully arregalou os enormes olhos azuis, aquela situação estava saindo dos limites, precisava tomar uma atitude. - Alexander - ela iniciou numa voz suave - eu jamais amaria alguém como Mulder, de onde tirou essa idéia? - O modo como se olham. - Como nos olhamos? - tentou envolvê-lo, Mulder compreendeu as intenções da amiga, sabia o quanto Hampshire estava suscetível e abalado. - De uma maneira única como se pudessem ler os pensamentos e a alma um do outro, como se seus espíritos se fundissem numa única essência, sem forma, mas tão esplêndida e elevada quanto o é a ópera - Hampshire falava coisas incompreensíveis, sem sentido. - E como eu olho para você? - perguntou Scully, arriscando-se a virar-se para ele, ele cedeu, afastando a faca de sua garganta e pondo-se a observar seus olhos. Ele com a faca em uma das mãos, usava a outra para mantê-la presa pelo punho, enquanto a fitava. Enquanto ele se perdia nos olhos de safira dela, ela colocou a mão livre sobre o ombro de Hampshire delicadamente, fazendo-o voltar as costas para Mulder, este percebendo a oportunidade, mirou o ombro do deus grego, quando de repente Alexander voltou-se bruscamente para o agente, levando Scully junto, que ficara de costas para o parceiro, estava encostada ao corpo do belo homem, tendo a sua cintura envolta por um dos braços dele, Mulder não conseguia ver a outra mão, então percebeu que a parceira possuía a cabeça caída, apoiada sobre o ombro do outro. Alexander afastou o delicado corpo da agente do seu, fazendo ele tombar para trás, sem cair no chão, apoiado por um dos fortes braços de Hampshire, revelando o outro braço dele, que trazia em sua mão o instrumento pontiagudo manchado de sangue, e desvelando o rosto de Scully, que possuía os olhos fechados. Mulder desesperou-se ao ver o que tinha realmente acontecido. - Eu não queria Ter feito isso, mas ela me obrigou - Alexander olhava para Mulder com uma expressão apalermada - Você pode Ter a alma dela, mas jamais terá o corpo. Sem hesitar, Mulder correu até o outro homem, este entregou Scully aos braços daquele sem qualquer resistência, o agente deitou-a no chão com cuidado, colocando a arma ao lado dela, o vestido azul-claro possuía uma nódoa vermelha na região do abdômen, ela ainda respirava, pegou rapidamente o celular, quando Hampshire que até então, assistia a tudo calado, falou: - Não tente salvá-la, desligue este celular, a morte a levará em seus braços para o descanso eterno, deixe-a ir - correu até a arma jogada no chão, pegando-a e mirando o agente. A ópera continuava a tocar, Alexander colocou a máscara, abaixando-se até Scully e pondo uma rosa vermelha sobre seu corpo. Mulder nada se importava com o revólver a ameaçar-lhe, estava extremamente nervoso, o celular só chiava. - Preciso de ajuda! - gritou com certa dificuldade, pois as lágrimas começaram a deslizar infindas pelo seu rosto devido ao desespero. - Largue o celular! Não adianta. - Cale a boca! Alexander estava extremamente perturbado, apontou a arma para o agente, com o dedo no gatilho, um estrondo ecoou pelas paredes do teatro, era um tiro, Hampshire caiu de bruços sobre o tablado, a ópera que tocava, finalmente havia cessado. O detetive Morgan que desferira o tiro contra o belo homem, aproximou-se dos agentes, pedindo um grupo de paramédicos no local a um de seus subordinados, que estava junto. _______________________________________________________ Uma semana depois... Hospital de Nova Iorque Antes de abrir os olhos, já sabia inconscientemente que rosto vislumbraria ao seu lado, e não errou, quando despertou, lá estava ele, como sempre a velar seu sono, a zelar pela sua segurança, Mulder estava sentado numa cadeira ao lado de sua cama. - Olá, lindinha - esboçou um lindo e animado sorriso. - O que aconteceu? Ele ficou admirando-a, passando a mão sobre a face aveludada daquela mulher na qual passou a consistir a sua própria existência. - Está tudo bem agora, Scully - olhava-a ternamente - Você perdeu muito sangue, mas agora já está bem. - E Hampshire? - Ele teve o mesmo fim que o fantasma da ópera. Ficaram em silêncio durante alguns segundos, fitando um ao outro nos olhos. - Como está se sentindo? - Como um pão fatiado. Ele sorriu meio triste. - Não pensei que olhá-lo poderia ser tão perigoso - tentou brincar Scully. - E eu jamais imaginaria que o olhar de outros homens para você pudesse vir a me incomodar tanto - disse sem desviar os olhos amazônicos, verdes e misteriosos dos olhos celestes dela. - Talvez seja o como nos olhamos. - Ou algo que todos vêem, menos nós que parecemos não ver ou fingimos não ver - falava enquanto aproximava vagarosamente seus lábios dos dela - O que tememos sentir? Quero dizer, o que já sentimos e tememos dizer? - Algo tão belo, sublime e esplêndido que não devemos revelar para que não deixe de ser imaculado pela realidade - Scully sentia cada vez mais próxima a respiração morna de Mulder em sua face, dessa vez não haveria como fugir. - Como um sentimento tão cândido, tão puro, poderia deixar de ser imaculado quando revelado a aqueles que o tornam possível? - os lábios dele estavam tão próximos dos dela que quase se tocavam. - Me diga você, Mul... - ele tocou-lhe os lábios de carmim, calando-a num beijo suave, que os elevaram a uma incrível sensação de leveza, paz, como se possuíssem mais do que os lábios unidos, os destinos, os espíritos, naquele momento puderam compreender que o que Hampshire dissera, não era tão incompreensível e sem sentido como pensaram. _______________________________________________________ Fim