EU NÃO QUERIA DIZER ADEUS Fanfiction escrita por Lucas Zago. Para o Desafio Relâmpago do site "The Shipper X", referente ao episódio The Gift. Sinopse: O que Mulder escreveu em seu diário depois de ter ido a Skuamash? Talvez esses escritos sejam tudo o que Scully precisava saber. Categoria: Shipper Classificação: livre Nota: É shipper, já aviso – isso quer dizer que essa fic tem um alto teor de glicose e pode causar efeitos irreparáveis nos diabéticos :D Se você não gosta de fics melosas, não venha dizer que e não avisei. - x - "Eu estava fraco. Embora não aparentasse exteriormente, não resistia à fadiga que me tomava por completo. Meu cérebro, deteriorando-se cada vez mais, inundava uma sensação de fraqueza por todo o meu corpo. Era difícil não me render a ela, quando essa fraqueza estava estampada em meus olhos. Eu não conseguia dormir, revirava-me na cama em busca do sono e em busca de tranqüilidade. A paz interior que ia cada vez mais longe. Eu estava sozinho, sem saída, sem um ombro pra chorar. Scully? Não, eu não queria recorrer a ela mais uma vez. Não seria justo com ela... fazê-la sofrer mais uma vez, depois de tantas feridas abertas em seu coração, e agora mais essa. Eu não seria justo com ela se fizesse dela meu escudo à sensação que me invadia. Embora eu adorasse estar envolvido em seus braços, quando mais precisava, desta vez não deveria. Nem podia. Sabia que ela estava lá para o que desse e viesse, mas estava decidido a buscar outra alternativa. Scully estava fora de cogitação. Não queria ter que precisar dela mais uma vez... quando na verdade precisava dela inconscientemente. Eu precisava do seu abraço, do seu perfume, do seu olhar... o olhar acalentador que espantava qualquer mal estar presente em mim. Mas... seria justo sobrecarregá-la dessa maneira? Não seria egoísmo da minha parte fazer dela um objeto de uso e desuso, para simplesmente aplacar a dor que me invadia o peito? Não... não seria justo. Eu não tinha esse direito. Não deveria atormentá-la com meus problemas, ela já fazia demais em me seguir durante todo esse tempo. E foi então que vi naquele "comedor de almas" uma saída. Era uma saída um tanto estranha, escatológica ou até mesmo horripilante, mas era a minha única... A minha única saída naquele momento. Eu tinha que tentar com todas as forças que ainda munia, tinha que fazer prevalecer a vontade de viver, tinha que fazer remanescer as lembranças mais felizes... é claro... Scully. Ela estava impregnada na minha pele, morava em meu inconsciente e me fazia ver que o amor é mais forte que tudo. Talvez por isso eu não tenha revelado a ela o que sentia. Talvez por isso tenha sido tolo o bastante para fazê-la duvidar do meu amor... Mas fiz tudo isso por ela, porque não queria vê-la sofrer. Não queria ver mais lágrimas escorrerem de sua bela face... não queria vê-la chorar ao invés de sorrir...não queria vê-la gritar ao invés de sussurrar em meu ouvido que me amava... não queria vê-la morrendo aos pouquinhos... exatamente como eu estava morrendo. Hoje sei que tudo o que fiz foi por amor, e por medo de causar nela alguma dor, pois eu sabia que meu fim estava próximo, sabia que não havia mais saída, sabia que era enfim a hora da minha morte. Por isso mandei fazer minha lápide. Assinei os relatórios falsos, e fiz Scully assiná-los também, para Skinner pensar que estava em Washington, quando eu estava em Skuamash, na Pensilvânia. Era inútil recorrer a qualquer outra alternativa, pois não havia outra. Havia, sim, um sentimento imune a qualquer dor, alojado em meu coração que lá iria estar por toda a eternidade. Ele se chama amor. E eu ainda o levo comigo. E enquanto houver vida, ele estará em mim, bem como Scully será a minha fonte inesgotável de energia. Scully era mágica, me fazia estar bem nos piores momentos. Seu sorriso me alegrava, até mesmo em situações como a morte da minha mãe. Ela sabia que eu não tinha remédio para aquele sofrimento, e o mesmo acontecia com ela, que nutria uma angústia infinita que a embargava noites a fio. Ela era tão só... e eu me senti culpado de não poder tê-la acolhido em meu peito. Envolvida em meus braços, talvez pudesse dizer a ela o quanto era importante para mim. Mas não seria justo deixá-la ainda mais triste com a minha situação. Ela iria tentar a todo custo me reanimar, acharia mil soluções quando na verdade não havia nenhuma. Estava escrito nas linhas do destino. Assim como escrevo hoje, essas palavras pesadas, o destino houve de escrever o nosso amor e quem sabe num futuro próximo possamos estar juntos. O fato é que eu recorri à tal criatura porque não queria que Scully sofresse por mim. Eu fiz tudo o que fiz por ela, corri atrás do comedor de almas porque sabia que, de alguma maneira, aquilo ia me fazer bem. Um canibal. Aquela criatura devorou meu corpo e depois vomitou-o de volta ao chão, com a esperança de fazer-me revigorado. Mas foi tudo inútil, nada daquilo funcionou. Pode ter funcionado com os outros habitantes de Skuamash, mas comigo não. Eu sou diferente. Eu sou Spooky. Eu sou Mulder, e nada daquilo iria surtir qualquer efeito em mim. Foi então que percebi que não havia mais solução. A saída que eu vi naquela horrenda criatura foi toda em vão, e hoje eu estou decidido. Vou à floresta de Bellefleur, onde você sentiu-se atraída por um campo de força tremenda. Vou até lá, para tentar recuperar minhas forças, e talvez sair de lá são e salvo. Embora tenha que me despedir de você agora, não vá pensar que é pra sempre. Não, tenha certeza de que não é. Eu vou voltar logo, vou estar novamente em paz comigo mesmo e talvez possa mostrar a você o valor do meu amor. Saiba que eu nunca menti pra você... apenas escondi a verdade porque achava que isso era o melhor a ser feito. Perdoe-me por não ter lhe dito sobre o meu estado, mas não foi egoísmo da minha parte. Tudo o que fiz foi por você... pois eu não queria dizer adeus. " Fox Mulder, Maio de 2000. - x -