"O espírito de um menino conduz Mulder a um campo onde outros espíritos de crianças estão brincando. A tudo está bem iluminado como se todos fossem formados pela "luz estrelada." No meio dos fantasmas das crianças, o rosto familiar, é Samantha aparentando ter 14 anos... ela corre em direção do irmão e o abraça com um olhar de muita alegria. Mulder sai de trás de uma árvore e encontra Piller e Scully que pergunta onde ele estava indo. Mulder responde que para o fim da estrada e também diz a Piller que viu o seu filho... morto em um lugar muito bonito onde a sua irmã também está. Piller não acredita e diz que seu filho está vivo e que vai encontra-lo. Mulder insiste que estão todos em um lugar melhor e assiste Harold Piller deixar o local. Scully pergunta: "Você está bem, Mulder?", Mulder olha para ela e responde: "Estou bem. Estou livre." Em seguida olha para o céu escuro na noite com um pequeno sorriso... Agora ele pode finalmente seguir sua vida." Fim da Estrada Mulder e Scully pegam um avião e voltam a Washington. Scully não disse nenhuma palavra durante o vôo, a fim de não incomodar o seu parceiro. Ela sabia que, mesmo que ele não demonstrasse, sua descoberta sobre Samantha o abalara muito. Ele também não lhe dirigiu a palavra, e nem sequer olhou para ela. Ela buscava seu olhar, num desejo íntimo de confortá-lo. Ela lembrou da expressão de Mulder ao ler o diário de Samantha, e de como ele se recusava a acreditar em sua morte. E agora ele estava ali sentado, silencioso e assustadoramente calmo. "Creio que ele não quer demonstrar sua dor. Mas esse momento é dele. Ele tem que aceitar sozinho a Verdade, mas eu vou estar sempre do seu lado, quando ele precisar", pensou Scully olhando pela janela do avião. Já era noite quando eles chegaram. "Mulder, quer que eu deixe você em casa?" "Pode deixar , Scully. Eu prefiro pegar um taxi, eu quero ficar um pouco sozinho..." disse Mulder, se afastando para ir embora. Ele estava sereno, mas seu olhar o traía. Era possível enxergar uma grande tristeza neles. Scully o viu partir com um grande aperto no peito. Não havia nada que pudesse fazer por seu parceiro. Apartamento do Mulder 11:27 PM Mulder estava deitado no sofá. Fitava o teto imóvel. "Vinte e sete anos atrás, eu perdi a única pessoa que me entendia, em meio a um grande caos em que minha vida se tornara, apesar de eu ser ainda mito jovem. Eu não tinha mais ninguém: meu pai estava sempre ausente, minha mãe só sabia se lamentar. Eu só tinha você, Samantha. Então tiraram você de mim, e nem lembrança do que aconteceu, eles deixaram. Eu jurei te encontrar um dia..." Mulder deixa uma lágrima rolar de seu olhos, deixando que o inevitável ocorresse. Levantou do sofá soluçando e foi até uma gaveta de sua escrivaninha. Dentro, encontrou um álbum de fotografias. Sentou-se novamente e começou a folhear o álbum. Nele continham algumas fotos de sua infância. Fotos de Samantha. "Todos anseiam por respostas aos mistérios que giram ao redor da vida. Alguns ainda dão sua vida nessa busca, e a cada nova peça do quebra- cabeça, surge uma nova lacuna de dúvidas. Grandes cientistas, estudiosos, ou mesmo um caçador de tesouros, sacrificam cada gota de suor nessa busca. Eles renunciam o prazer. Renunciam uma vida normal. Eles renunciam o amor. Eles procuram desvendar a Verdade a todo custo, passando Deus-sabe-o-quê, só para realizar um sonho. Mas aí, no fim de sua vida, eles respondem a charada. Eles encontram o que mais queriam, e simplesmente não sabem o que fazer com a Verdade. A frustração é tanta. Eles percebem que desperdiçaram a única vida que tinham numa busca inútil. Eles percebem que a paixão estava em vencer o desafio. Que a estrada que levava ao paraíso perdido dava mais satisfação do que o próprio paraíso. E que o fim da estrada botava um ponto final em tudo aquilo em que era baseado sua existência..." Mulder derrama uma lágrima numa foto em que ele estava abraçado à Samantha. "O êxtase de encontrar uma pista dentro do labirinto, a cada novo dia, era bem maior do que o alívio de que um dia, acabaria sua jornada..." Mulder fecha o álbum. "Mas a pior parte, o pior castigo, é saber que você trilhou um caminho de pedras e espinhos, em meio a um deserto inabitado, por anos..." Mulder aperta seus olhos, num sentimento de revolta e culpa... "Para saber que ele acaba num abismo." "Mas eu estou livre." Então Mulder abre os olhos. De repente, nada mais fazia sentido. Ele deixou de viver para procurar sua irmã. E de certo modo, ele a encontrou. Não haviam mais desculpas para seguir sua própria vida, afinal. "Cheguei ao fim da estrada" Ele olha para sua sala. Pastas, papéis, roupas espalhadas pela casa. Ele vai até a cozinha e vê que não há nada na geladeira. "Durante esses vinte e sete anos, eu simplesmente não me importei se eu estava vivo ou não", Mulder fala para si mesmo, "como eu pude esquecer de viver. Scully sempre esteve certa. Ela sempre disse para eu parar de olhar para o céu e procurar vida neste planeta..." Então ele teve um estalo: "Scully" * * * "Fox Willian Mulder sofre de uma maldição. Ele foi jurado de viver sozinho, sem amigos ou parentes... Toda vez que alguém se aproximava, ele as espantava com sua arrogância e excentrismo. Ele lançou uma maldição sobre si mesmo. Ele escolheu o lado negro da mente humana para refugiar-se, e ele está lá até hoje, dentro de seu prórpio mundo, incapaz de abrir seu coração para quem quer que seja. Seu coração está cheio de culpa, e sua mente... vive o que assim é chamado paranóia. E assim Fox Mulder é conhecido como 'O Estranho'..." * * * Apartamento da Scully 12:53 AM Scully se virava de um lado para o outro em sua cama. Não conseguia dormir, estava muito tensa e preocupada. Não parava de pensar em Mulder. Resolveu levantar. Foi até a cozinha e pegou uma garrafa de água na geladeira. Enche um copo e vasculha o armário atrás de algum calmante. Então ouve batidas na porta. Ela leva um susto. "Scully, sou eu" Ela sente uma onda estranha dentro de seu corpo, ao ouvir a voz de Mulder. Não sabe se é alívio ou tensão. Vai até a porta e abre, deparando-se com um Mulder abatido e desarrumado. Parecia que ele estava a ponto de chorar. Mas não o fez. Scully não sabia o por quê, mas estava sem reação. Não conseguia desviar seus olhos dos de Mulder. Ele também não dizia uma palavra. Ficaram se fitando por alguns segundos, até que Mulder dá um passo em sua direção e a abraça. Os dois ficam bem próximos e Mulder aperta mais seus braços ao redor de Scully. Ele pode sentir seu perfume e sentir seus cabelos sedosos roçando em seu rosto. Por um momento ele desejou que aquilo durasse para sempre. "Não sei por quê, mas eu precisava muito vê-la", diz Mulder baixinho. Aquelas palavras mexem fundo com Scully. Ela sente todo seu corpo respondendo a voz dele. Sente uma corrente de calor subindo pelo seu peito e seu coração acelerando. Seu rosto está queimando. "Entre, Mulder", diz Scully saindo do abraço e tentando disfarçar sua reação. "Você está bem?", pergunta preocupada, voltando-se para olhar para ele. "Eu estou bem", Mulder diz esboçando um sorriso. "Sério." "O que você está fazendo aqui? É quase uma da manhã. Você devia descansar, teve um dia difícil." "Eu sei, Scully. Mas eu queria conversar...eu queria que você me perdoasse..." "Perdoar? Pelo quê?" Scully pergunta assustada. O que será que se passava pela cabeça de Mulder? Por um instante começou a questionar o motivo de Mulder estar lá. "Scully, por que não nos sentamos no sofá? Acho que vai ser mais confortável para conversarmos." Diz Mulder caminhando em direção à sala de Scully. Os dois sentam, de modo que um possa ver os olhos do outro. Mulder encara Scully ternamente, como se pedindo permissão para continuar. " Pode falar, Mulder." "Scully, eu...não sei por onde começar...quero dizer..." Scully percebeu que Mulder ainda estava abalado em relação à Samantha, e, o que quer que ele fosse dizer, o machucava ainda mais. "Onze anos atrás, depois da minha regressão, o que para mim parecia obscuro, passou a fazer sentido. Eu havia começado minha busca por Samantha, e de repente e tinha indicações de onde procurar. Infelizmente, esse lugar era inatingível. Eu estava certo de que minha irmã tinha sido abduzida, e eu tinha... eu tinha de encontrá-la, porque a culpa era minha..." "Mulder, pare! A culpa não é e nunca foi sua. Você era apenas uma criança..." Scully começa a protestar, mas Mulder a interrompe. "Eu ainda não terminei. Você pode me julgar quando eu terminar o que eu tenho a dizer." Scully assente com a cabeça. "Eu abdiquei ao direito de viver como um ser humano normal. Eu me isolei do mundo só para encontrá-la. Então eu me deparei com os Arquivos X..." Mulder começa a se lembrar de como no começo foi difícil. Se desvencilhou de seu trabalho normal para doar-se de corpo e alma ao desconhecido. "...E tudo que eu fazia lá era em prol de minha busca. Eu não precisava de amigos, eu não precisava dormir, nem comer. Eu me realizava lá, porque sabia que eu estava chegando perto. Os Arquivo X se tornaram a minha vida. Até que eu conheci você..." * * * "Fox Mulder sofria de uma maldição. Mas um dia, a luz se fez presente, e seu mundo interior passou a ser ameaçado. Ele encontrou um desafio. Uma mulher entrou em sua vida, pondo em cheque todas as suas crenças e, o que para ele era, a Verdade. Dana Katherine Scully também escolheu a solidão. Mas não era uma maldição. Era mais um estilo de vida. E essa pequena mulher se tornou um obstáculo ao seu trabalho, questionando seus motivos e ideais. Ele tentou afastá-la. Ele tentou parecer indiferente, mas era inevitável. Ambos de temperamento forte, Dana era persistente o bastante para desviar toda a arrogância dele. E mais inevitável ainda, ela queria ficar ao lado dele. Ela sabia que ele era 'Estranho' mas, mesmo assim, aceitou todas as consequências dessa sua dependência na pessoa dele. E mais, ele também não podia negar, mas havia encontrado seu maior aliado. Talvez até a cura para sua maldição. Ou ainda, a única pessoa que aprendeu a amar..." * * * "Scully, por mais que no começo eu não aceitasse, você tornou tudo tão mais completo, tão mais claro..." Scully desvia um pouco seu olhar. Ela se sentia estranha ao ouvir tudo aquilo. Simplesmente não era necessário. "...e eu não sei porque, mas você acolheu para si a 'minha' busca, e passou a me ajudar a descobrir a Verdade. E o que eu lhe dei em troca? Veja, eu não estou aqui para dizer como eu estou aliviado por ter posto um fim a essa cruzada que eu adotei, mas para pedir perdão pela minha irresponsabilidade. Veja em que eu te meti. Você não precisava me apoiar da maneira que fez. As consequências recaíram todas sobre em você." "Mulder..." "Eu comprei essa briga, Scully. Por que eles fizeram você pagar?" Mulder fala isso alterando seu tom de voz. "Mulder, pare de se culpar. Você também sofreu com tudo isso, se é isso que você realmente quer saber. Você perdeu sua irmã, perdeu seu pai, sua mãe. Perdeu até sua dignidade, esteve milhares de vezes a beira da morte, e ainda assim, continua assumindo uma culpa que não é sua!!" esbraveja Scully, a ponto de chorar. "Essa culpa não é sua...é nisso que eles querem que você acredite: em outra mentira!" "Você perdeu sua irmã. Você foi abduzida, perdeu a capacidade de ter filhos... Você quase morreu de câncer, Scully." Dessa vez Mulder sussurra, segurando um nó na garganta. "Isso não era pra você, você não merecia isso. Eu deixei você se envolver, eu nunca vou me perdoar!" Mulder fala isso e se levanta do sofá, ficando de costas para Scully. "Mulder, quantas vezes eu vou ter de repetir: eu escolhi ficar do seu lado!!" Scully também levanta, com os olhos vermelhos e se põe na frente de Mulder. "E eu fico feliz por esta escolha", Mulder desabafa. "sabe onde eu estaria sem você?? Provavelmente eu estaria em um hospício, junto com outros loucos..."Scully balança a cabeça negativamente. "...você me mantém são, não só honesto, não só me completa, mas me limita. Não de uma maneira ruim, você não me priva de nada. É que você me mostrou até onde eu posso ir, até onde é seguro." Falando isso Mulder deixa sua cabeça tombar no ombro de Scully, que o recebe prontamente, abraçando. "Eu estou livre agora, Scully", Mulder fala chorando. "Cheguei ao fim da estrada, mas não sei mais para onde ir." Ela segura então, o rosto dele entre as mãos e olha bem nos olhos dele. "Deixe eu te guiar..." "Minha vida sempre esteve em suas mãos." Mulder pões suas mãos sobre as de Scully e as beija, um de cada vez, e ela beija seu rosto carinhosamente, repousando sua boca bem próxima à dele, pressionando os lábios na pele de seu rosto. Ela sente-se tentada a avançar, mas teme ser repelida. Os dois ficam nessa posição, abraçados e com os olhos fechados por um tempo. Mulder então começa a deslizar seus lábios pelo rosto de Scully, sem quase tocá-lo. Chega bem próximo aos lábios dela, receando beijá-los. Os toca de leve, dá um leve beijo, mas Scully puxa seu rosto abrindo passagem para um beijo apaixonado. Ele se assusta no início, mas ao sentir que era exatamente aquilo que queria, dá vazão aos seus sentimentos, apertando mais o abraço e deixando que sua língua abrisse caminho entre os lábios de Scully, angustiado, para encontrar a dela. Queria explorar os segredos daquela boca, que muitas vezes povoou suas raras noites de sono. Scully também mostrou-se bastante receptiva às investidas de Mulder, devolvendo todos os toques e carinhos recebidos. Toda a tensão, toda a espera, toda paixão se dissipou no exato instante que seus lábios se encontraram. Esse beijo, era a resposta a anseios inimagináveis de ambas as partes. Quando os dois se separaram, não havia mais receio ou embaraço. Os dois trocaram um leve sorriso e se abraçaram fortemente... * * * "Fox Mulder sofreu de uma maldição. Mas esta, se quebrou no momento em que acabou a angústia desse homem. Sua jornada teve um fim triste, junto com o fim da culpa e da espera. Ele encontrou sua Verdade. Ele chegou ao fim da estrada. Ao ver o espírito de Samantha sorrindo, Fox percebeu que sua jornada era infundada. Samantha ainda mantinha a alma de criança, mas o espírito de Fox tivera envelhecido...A maldição acabou tarde demais." * * * Scully estava caminhando no mesmo campo onde Mulder viu Samantha pela última vez. Ela trazia uma rosa branca nas mãos. Então ela parou próximo a uma pedra e fitou o horizonte. "Samantha, você libertou a alma atormentada de seu irmão, afinal. Onde quer que você esteja, eu quero dizer obrigado!" Scully diz e deixa a rosa em cima da pedra e deixa o campo lentamente, ainda em tempo de olhar para trás e ver uma menina sorrindo, olhando para ela. "Sei que vai cuidar de Fox", diz Samantha, sumindo no ar através de uma luz branca e brilhante, levando a rosa consigo. "Pode ter certeza disso." Sussurra Scully para si mesma. FIM