FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : pisosul@uol.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SPOILER : Requiem SINOPSE : Scully sai a procura do parceiro OBSERVAÇÕES : Esta fic é uma continuação do último episódio da sétima temporada, se você não quer saber como será, deixe para ler depois. Aos que lerem, aguardo um feedback, por favor. ESQUEÇA O PASSADO __Eu estou grávida ! Scully fixou os olhos molhados sobre a figura alta e séria em sua frente, não sabia se podia confiar nele, mas Skinner já acreditava no que Mulder queria lhe mostrar, viu por si próprio a abdução dele, não havia como negar, e ela não tinha mais ninguém em quem confiar. Uma infinidade de dúvidas surgia em sua mente, não sabia como interpretar o que estava acontecendo ,após tanto tempo de tristeza por se saber estéril, aquela notícia caía sobre ela como um bálsamo, mas não isento de dor, porque não sabia como a gravidez havia sido possível, seria necessária uma série enorme de exames para saber se o que ela agora carregava no ventre era uma criança normal ou o fruto de alguma experiência engendrada pelos homens que ela e Mulder vinham perseguindo. __ Agente Scully __ começou Skinner, sentando-se ao lado dela __ Não consigo imaginar o que deve estar passando, com Mulder desaparecido, sua gravidez a torna ainda mais vulnerável. Escute-me __ ele continuou antes que ela o interrompesse __ É preciso zelar por sua segurança, também acho que não deve contar a ninguém sobre o seu estado, mas não posso permitir que continue trabalhando. __ Senhor, não pode me tirar isso ! __ Ela cortou recuperando o autocontrole __ Preciso encontrar Mulder, minha vida depende disso. __ Agente Scully, por favor, não vou te demitir, apenas quero que se afaste até saber exatamente o que te aconteceu, você foi abduzida, ficou estéril, precisa primeiro saber o que carrega no ventre. Não me questione, procure fazer todos os exames necessários e descanse, eu me encarrego de buscar informações sobre o Mulder. Aviso de qualquer detalhe, por menor que seja. Agora não é só em você que tem que pensar, se essa criança for fruto de uma concepção normal __ Ele a fitou com ar paternal __ Vai precisar muito de você, enquanto o pai dela não estiver por perto, Mulder, não é ? Ela somente afirmou com a cabeça, os olhos tímidos. __ Prometa-me que vai se cuidar ! Ela não tinha argumentos para contrariá-lo e de certa forma se sentia feliz por poder contar com ele, como seu amigo. __ Obrigada, senhor. Ele deixou o quarto e ela ainda recebeu a visita da família, dos pistoleiros, todos a fixando com um olhar penalizado enquanto ela exibia um brilho diferente nos olhos. Precisava encontrar Mulder, com a certeza de que o que ela carregava consigo era a materialização de um sonho compartilhado com ele. Voltou para casa e com os dias livres, em conseqüência de seu afastamento do trabalho, pode se dedicar aos exames necessários para saber sobre seu estado. Descobriu que estava na sexta semana de gravidez, que a criança se desenvolvia normalmente em seu útero e que aparentemente era normal. Uma série sofisticada de testes a deixara relativamente segura de que, apesar da dúvida quanto à forma que ela recuperara a fertilidade, a gestação e o feto que carregava era fruto de uma relação normal. Com os resultados nas mãos, chegou em casa e pôde relaxar, estendeu-se no sofá, passando a mão na barriga que ,até então, tinha medo de tocar. Seus pensamentos se perdiam nas recordações. Lembrou-se da noite inesquecível em que ela descobrira, ou não pudera mais negar, a paixão pelo parceiro. O reaparecimento de um antigo amor havia feito com que ela visse o quanto desejava e quanto precisava de Mulder ao seu lado. Relembrou da conversa, lado a lado no sofá, em que ela não agüentara manter os olhos abertos, devido ao cansaço pela vigília em que ficara no hospital, das mãos carinhosas do parceiro que a cobrira e a erguera nos braços para levá-la até a cama. Do olhar assustado que ela lhe dirigira quando se viu suspensa no ar e do constrangimento que se estabelecera entre eles e que, em breves momentos, dava lugar ao desejo espelhado em seus olhos e que eles não faziam mais questão de esconder. Entregaram-se um ao outro com todo o ardor de um sentimento represado há muito tempo. Haviam decidido que aquele seria um segredo que os uniria ainda mais, nem mesmo a mãe dela sabia do que acontecia quando abandonavam o porão dos Arquivos X para se encontrarem na intimidade de seus lares e embora a estranheza que causasse aos outros o brilho alegre nos olhos e a serenidade que ambos desfrutavam, ninguém supunha qual era a razão da mudança. Sentiu que aquele caso no Oregon, curiosamente o primeiro caso em que estiveram juntos, não traria bons resultados, sentia uma aflição constante mas não conseguia identificar a causa, tomando-a por conta do mal estar que vinha sentindo há alguns dias. Scully voltou ao trabalho e contrariando qualquer orientação de Skinner, que ainda não conseguira nenhuma pista sobre o paradeiro de Mulder, decidiu acompanhá-lo nas buscas. Esteve no Oregon por diversos dias, falou com dezenas de pessoas mas não havia nenhuma notícia sobre os abduzidos. Começava a desistir de procurar respostas por ali, quando o xerife ligou dizendo que um dos desaparecidos estava de volta. O coração dela disparou e intimamente, rezava para que fosse Mulder. Chegou ao hospital quase correndo para identificar um homem magro e envelhecido que pelas feições de dor e desespero parecia ter perdido completamente a sanidade. Após alguns dias de tratamento, acompanhado atentamente por ela, o homem pareceu se reequilibrar e pôde dar algumas informações, esperanças que caiam amargas sobre o peito vulnerável de Scully. O homem se lembrava de Mulder, vários abduzidos tinham sido levados para outros lugares e ele não mais os vira, Mulder estava entre esses e a última vez em que tivera contato com eles, estavam todos presos ao leito, ligados a máquinas estranhas que controlavam todas as funções físicas e mentais dos internados. Scully chorou ao se lembrar dos testes pelos quais Mulder havia passado e que agora pareciam haver se reiniciado. Mas ainda mantinha a esperança, uma vez que, um dos abduzidos tinha voltado e se obrigou a permanecer na cidade em busca de alguma resposta. Dois meses haviam se passado sem que ela tivesse nenhum progresso, por ordem expressa e irrevogável de Skinner, sob pena de demissão, ela foi obrigada a voltar para Washington, sua barriga ainda não demonstrava o menor sinal da gravidez e, além dos enjôos freqüentes, da sensação estranha que seu corpo em transformação, da sensibilidade a flor da pele, não deixava transparecer em suas atitudes, tudo o que se passava em sua mente. Skinner mostrou-se um amigo à altura da carência e confiança de Scully, visitava-a amiúde e designava-a para casos leves e interessantes que não sobrecarregavam a mente congestionada a agente. Mantinha-a informada de qualquer informação, por mais pueril que fosse, sobre o paradeiro de Mulder e muitas vezes colocava-se ao lado dela para trabalhar em algum caso, dando-lhe oportunidade para falar sobre o que lhe acontecia já que ela não podia dividir isso com mais ninguém . Tornou-se amigo generoso e sincero e ela depositava sobre ele o mais caro reconhecimento pela ajuda que ele lhe oferecia. __ Scully__ começou Skinner ao ser atendido por ela na porta do apartamento __ Preciso que venha comigo até o Oregon, tivemos notícias de lá, parece que várias pessoas desaparecidas estão de volta. Scully não pôde negar a alegria e a ansiedade que se estampavam em seus olhos, arrumou rapidamente suas coisas e seguiu com ele. Skinner foi obrigado a seguir direto para o hospital, devido à ansiedade de Scully de chegar até lá, embora quisesse levá-la ao hotel para que se restabelecesse da viagem, foi impossível mantê-la racional naquele momento. Havia várias pessoas internadas, homens, mulheres, crianças, rostos familiares para ela, por causa da última vez que estivera lá e seus olhar aflito percorria todos os leitos à procura do semblante amado do homem a quem dedicara todos os seus pensamentos dos últimos meses. Em vão circulou pelo hospital em busca de informações, havia muitos pacientes, o hospital não tinha capacidade para tantos e ela foi obrigada a esperar que a lista dos que se encontravam internados fosse divulgada, uma vez que, não reconhecera entre eles a figura do parceiro. Sentou-se desolada sobre uma cadeira no corredor e, não conseguindo sufocar as emoções, chorou amargamente, como não havia feito em todos os dias em que a lembrança dele vinha povoar seus pensamentos, durante todo o tempo, mantinha-se em pé apenas amparada na esperança de voltar a vê-lo e agora, diante do quadro que se apresentava à sua frente, foi tomada pelo desânimo e pela tristeza. Skinner a levou até o hotel pedindo a ela que tentasse se acalmar, se reequilibrar e pensasse na criança que dependia dela para sobreviver. Ao ser lembrada sobre o filho, Scully pareceu recuperar um pouco da serenidade, ainda havia um elo entre ela e Mulder e não deixaria que nada acontecesse a ele. Tomou banho e deitou-se procurando, em vão, descansar. Skinner voltara ao hospital, em busca de mais informações e a deixara sozinha . Os pensamentos vinham sem que ela conseguisse impedir, todos os momentos em que estivera com ele, em que ele havia sido o apoio que ela precisava, a força que ela guardava, e agora, não havia nada para se apoiar. Encolheu-se sobre o leito dando vazão ao seu sofrimento e as lágrimas, muito embora ela houvesse prometido a si mesma se controlar, afloraram com violência. Dormiu embalada por elas, o travesseiro molhado, os soluços constantes davam conta do caos interior que habitava dentro dela, não se achava com forças, naquele momento, para represar todos os sentimentos que lhe amarguravam o coração. Acordou sobressaltada, ao sentir a presença de alguém com ela, o quarto escuro não permitia que distinguisse o vulto ao seu lado e sentiu o peito oprimido, levando instintivamente a mão até a barriga, numa atitude automática de proteção. Olhou sobre o móvel para ver a arma sobre a cabeceira e estendeu o braço para apanhá-la. __ Scully ? O som daquela voz encheu o quarto com um novo ar, o timbre familiar, a entonação suave e profunda fez com que ela se sentasse instantaneamente sobre a cama, todos os sentidos alertas, completamente desperta, procurou o abajur e deixou que a luz tênue clareasse o ambiente. Na sua frente, as feições emagrecidas, o olhar cândido, o sorriso infantil, encontrava-se a figura alta e forte do companheiro. __ Mulder ? __ ela sussurrou, pensando que ainda não havia acordado totalmente e estivesse delirando. Mulder se aproximou da cama e sentou-se ao seu lado , pousando as mãos sobre o rosto dela, acariciando lentamente, imprimindo na memória as feições amadas e puxou-a para si, estreitando-a com força em seus braços, as lágrimas deslizando pelo rosto. Ficaram abraçados, o choro convulsivo dele contagiando ela, enquanto mantinha-o apertado junto a si. Foi preciso vários minutos para que ambos se acalmassem, para que as respirações se controlassem e ele a soltou fixando-lhe os olhos com amor. __ Tive tanto medo de não voltar a vê-la __ disse carinhoso. __ Nem me diga, Mulder, quase enlouqueci sem você, sem saber onde estava. Quem o trouxe ? Ele respirou fundo, tentando dar algum sentido aos seus pensamentos. __ Não sei como fui parar no hospital, fiquei lá algumas horas antes de recobrar a consciência, não sentia nada, não me lembrava de nada, apenas seu rosto povoava minha memória, sabia que precisava vê-la, encontrá-la. Saí andando sem rumo. A última coisa que me lembro é de você me entregando sua corrente __ ele parou para tomar a cruz da qual ela não se separava e que havia dado a ele na última vez que o vira __ Lembro-me que você não estava bem e que eu pedi que não me acompanhasse, lembro de uma luz intensa. Não sei Scully, as coisas não estão fazendo muito sentido agora. Ele curvou-se para deitar sobre o colo dela que o recebia aliviada, passando as mãos pelo cabelo dele, não sabia como identificar o que estava sentindo, apenas pensava na maravilhosa sensação de tê-lo junto a ela, com a cabeça pousada sobre o que eles haviam criado juntos. __ Fiquei perambulando pelo __ ele continuou__ tentando ver se alguém sabia como fui parar lá, qualquer informação mas eles também não sabiam de nada. Encontrei Skinner e ele me disse onde você estava , me deixou aqui e eu não tive coragem de acordá-la. Fiquei sentado te olhando__ disse passando os dedos sobre o rosto dela , uma ruga se formando na testa __ Há alguma coisa diferente em você, Scully, não sei o que é, não sei se é a alguma coisa provocada pela falta que eu estava sentindo de você mas... Scully não quis falar sobre a criança, a mente tumultuada dele ainda não estava preparada para aquela notícia, queria dar a ele tempo de se recuperar, de se familiarizar com as coisas e apenas o estreitou nos braços. Passando a mão sobre a nuca dele para constatar que ele também possuía um implante no pescoço e não teve dúvidas do que lhe acontecera, rezando para que ele não se lembrasse, como ela, dos horríveis momentos que passara desaparecido. Mulder adormeceu nos braços dela, parecia exausto, ao acordar e após tomar um banho, voltou com ela ao hospital e Scully fez questão de examiná-lo pessoalmente, para constatar que ele não mostrava nenhum sinal de alterações orgânicas. Algumas manchas e cicatrizes na pele demonstravam que havia passado por testes e o pedaço de metal sob a pele era prova irrefutável de que ele havia estado com eles. Voltaram para Washington e podia-se ver na fisionomia serena de Scully que ela havia reencontrado sua fé. Mulder não voltou ao trabalho, queira ir ao seu apartamento, embora o desejo de estar com ela fosse enorme e Scully não o impediu, deixou que ele ficasse sozinho e não voltou a procurá-lo, suas crises de mal estar haviam aumentado consideravelmente, não conseguia trabalhar direito e começou a temer que houvesse alguma coisa errada com a gravidez, embora todos os exames dissessem o contrário. Ainda não falara a Mulder sobre ela, o isolamento a que ele espontaneamente havia se colocado deixava-a tímida para se aproximar, não sabia o que se passava na cabeça dele e lembrava-se de que quando fora abduzida, também precisara deste tempo, queria estar só para entender o que lhe acontecera. Levantou-se lentamente para atender a porta, sua cabeça doía apesar dos remédios que havia tomado, seu corpo estava pesado, uma desagradável sensação se apoderava dela. Encostou-se na porta e a abriu lentamente, o tempo suficiente para fitar os olhos tranqüilos de Mulder antes de desmaiar nos braços dele. Ele não sabia o que fazer, apressou-se a colocá-la no sofá e correu para a cozinha em busca de uma toalha, tomando o telefone nas mãos e ligando para a emergência. Colocou a toalha sobre a testa dela e Scully acordou lentamente para encontrar a face assustada do companheiro. __ O que foi isso, Scully ? Achei que estivesse bem , ainda sente tonturas ? Desde aquela época ? O que está acontecendo ? As perguntas saiam apressadas da boca dele, o olhar apreensivo mostrava o que lhe ia à alma e ela não conseguia concatenar as idéias para responder. __ Calma, Mulder __ ela disse por fim . __ Calma ? Já chamei uma ambulância, se você não se preocupa eu faço isso por você, não pode ficar assim ! Scully ligou para a emergência, cancelando a ambulância sob o protesto indignado dele. __ Mulder eu sei o que eu tenho e estou me cuidando, não se preocupe, acho que tudo que preciso é de um chá, estou com um gosto horrível na boca, também queria tomar um banho. Mulder não deixou que ela se levantasse, na pressa de providenciar tudo o que ela havia pedido, esquecera-se de perguntar o motivo do desmaio. Deixou a banheira enchendo e providenciou o chá, voltando para a sala para encontrá-la sentada, as mãos sobre o rosto, visivelmente indisposta. __ Scully, tem certeza que não quer ir ao médico ? __ Eu sou médica, esqueceu ? O que veio fazer aqui ? __ continuou mudando de assunto. Ele se sentou ao lado dela, colocando a xícara sobre a mesa. __ Precisava te ver, achei que iria me procurar ! __fitou-a com olhar magoado. __ Pensei que quisesse ficar sozinho. Que queria colocar as coisas em ordem ! Achei que iria te atrapalhar. __ Venha __ ele chamou, puxando-a pelas mãos __ Depois do banho podemos conversar. Ele a conduziu até ao banheiro e ia ajudá-la a se despir quando ela o impediu. __ Estou bem, Mulder, posso fazer isso sozinha. Ele se sentiu constrangido, ansiava tanto por estar com ela que não entendia a reserva com que o recebia, não depois de tudo que haviam feito juntos nos últimos meses. Queria tocá-la novamente, sentir seu perfume, beijar seus lábios. Deixou-a sozinha mas seu semblante estava triste. Ela demorou no banho, a água quente ajudando-a a se livrar da sensação de mal estar e ele não agüentou esperar. Entrou no banheiro com a xícara de chá e sentou-se na borda, não sem notar o olhar perturbado que ela lhe dirigiu enquanto se encolhia, cruzando as mãos sobre os joelhos. Achou graça do jeito dela, subitamente tão tímida, uma dúvida porém começava a lhe povoar a mente. E se naquele período em que ele esteve ausente outra pessoa tomara seu lugar ? Não a julgava leviana, não tinha dúvidas dos sentimentos dela mas, não lhe passara desapercebido o jeito terno e protetor com que Skinner se dirigia e ela agora, e se ela não quisesse ficar esperando por ele ? Esses pensamentos lhe consumiam a razão e ele sentia urgência em saber a verdade. __ O que há, Scully ? Está tão distante. Estou te incomodando ? Não queria me ver ? As feições dela se suavizaram e ela voltou a relaxar. __ Há quase três meses não espero outra coisa, Mulder. Não via a hora de tê-lo novamente comigo, fiquei apavorada de pensar que não voltaria. Ele pareceu tranqüilizar-se, pegou a toalha e estendeu para ajudá-la. Quando ela se levantou ele não pôde deixar de sorrir. __ O que foi ?__ ela disse envolvendo-se rapidamente na toalha que ele lhe oferecia. __ Você está diferente, Scully __ disse com olhar percrustador __ E não é só a falta que senti de você __ disse sorrindo __ Você está...está...não sei... há alguma coisa diferente ! Ela sorriu e o puxou até a cama, desfazendo-se da toalha, enquanto ele a fitava embevecido. Colocou a cabeça sobre o peito dele e envolveu-o nos braços. __ Não imagina o quanto é bom ter você de volta, Mulder. Ele afagava os cabelos dela, deslizando as mãos pelo ombro e ela se recostou aos travesseiros, fechando lentamente os olhos enquanto ele estudava as formas dela, sentindo as mãos dele correrem pela sua pele, envolver seus seios, abriu os olhos quando ele pousou a mão sobre a barriga que se mexeu levemente. Sob o olhar assustado dele, Scully sentiu as lágrimas chegarem aos olhos e deixou que elas corressem livremente. __ Scully ?__ ele murmurou baixinho, aproximando-se e mergulhando os olhos nos dela, sentindo que as lágrimas também desciam pelo rosto __ Isso.. ? Você... não é possível ...Scully..você está grávida ? Ela balançou ligeiramente a cabeça afirmando e procurou o corpo dele para abraçá-lo enquanto ele dava largas à emoção, agarrando-se a ela , rindo e chorando ao mesmo tempo, beijando-lhe os cabelos, o rosto, apertando-a junto a si até encontrar-lhe os lábios, derramando ali toda a ternura, amor e alegria que o envolviam. __ É a primeira vez que ele se mexe ! __ ela conseguiu sussurrar no ouvido dele, ouvindo o som abafado do riso que ele soltou __Acho que também estava te esperando ! Ele se afastou secando as lágrimas, exibindo um belo sorriso, beijando a barriga dela, tocando-a suavemente, fixando os olhos nos dela, exprimindo aí tudo o que estava sentindo e que não conseguia expressar por palavras. __ Como é possível ? __ perguntou deitando-se sobre o ventre dela __ Não ! deixa pra lá ! Não quero saber, não importa ! É o nosso filho, Scully, seja qual for a forma que ele veio, é o seu milagre__ continuou, olhando-a com ternura. __ É o nosso milagre, Mulder, um premio pelo amor intenso com que você me envolveu , pelo amor imenso que eu tenho pra te dar. Ela demonstrou intenção de se levantar mas ele a reteve. __ Aonde vai ? __ Colocar uma roupa, Mulder ! __ Não __ ele insistiu __ Deixa-me sentir vocês __ pediu ainda encantado com a idéia. __ Mulder, eu estou com frio, não quer que nós peguemos uma pneumonia, não é ? __ ela sorriu, mal conseguia controlar a alegria de vê-lo ao seu lado, a expressão feliz estampada no rosto. __ Eu aqueço você, Scully __ ele continuou segurando o braço dela e a puxando de volta __ Aqueço vocês duas. __ Nós duas ? __ ela interrompeu voltando para o abraço dele __ Como sabe que é uma menina ? __Ela me contou __ Mulder continuou recolocando a mão na barriga dela com olhar sonhador. Scully se assustou, lembrou-se da época em que ele esteve internado, dos testes que faziam com ele e da afirmação de que ele podia ler os pensamentos das pessoas, ficou subitamente alarmada. __ Acha que consegue sentir os pensamentos dela, Mulder ? __ perguntou relutante. Ele ergueu os olhos para pousá-los na figura apreensiva da parceira e soube o que ela queria dizer, também tinha medo dos testes que fizeram com ele, não tinha certeza se queria se lembrar mas respondeu com carinho, tocando os lábios dela. __ Iniciei esta busca, Scully, tentando reaver o que me havia sido tirado, minha irmã era meu único elo com um mundo bom e seguro, nós nos amávamos verdadeiramente, meus pais nunca estavam presentes e nós nos apegamos um ao outro. Não era apenas a minha irmã que eu procurava, era esse lugar de paz e segurança que as famílias desfrutam, um lugar onde eu me sentia amado , onde havia pessoas que se importavam comigo , um mundo feliz __ ele se interrompeu para procurar as palavras __ Não encontrei minha irmã, tampouco consegui me aproximar dos meus pais, nunca cheguei perto desse mundo, mas agora não importa mais, não quero mais esse passado, eu encontrei você, Scully, você é esse lugar, não é amor fraternal, necessidade de aceitação ou carência que eu procuro agora, é muito maior, agora eu quero construir esse mundo com você, com nossa filha. Se eu posso ler os pensamentos dela ? Claro que sim, tanto quanto os seus, mas não é devido à minha abdução, é porque estamos completamente ligados um ao outro, fazemos parte de um mesmo sentimento. Sinto e conheço vocês duas pelo amor que nos une, Scully. __ Ah ! Mulder ! Eu amo você. __ ela completou com os olhos rasos de lágrimas, abraçando-se a ele __ Como vamos chamá-la ? Ele ficou silencioso, passando as mãos pelas costas nuas dela que sentia o calor se espalhar pelo corpo. Scully tinha dúvidas se ele ouvira a pergunta dela e levantou o rosto para fitá-lo. ___ Acho que ela merece o nome que eu sempre amei mas que somente em raros momentos pude dizer. Scully pareceu entender o que ele queria dizer, não se importaria de colocar na filha o nome da irmã dele, apenas gostaria que ele abandonasse definitivamente o passado, as tristezas, era uma vida nova mas não se sentiu no direito de desanimá-lo, apenas sussurrou lentamente, acreditando dar forma aos pensamentos dele. __ Samantha ? __ Não__ ele apressou-se em dizer ajeitando-se sobre a cama de maneira a abraçar-lhe todo o corpo, colocando os olhos no mesmo nível dos dela __ Não Scully, esse nome faz parte do passado, continuo amando Samantha mas acho que nossa filha representa o futuro, algo novo. Pensei__ ele sorriu afetuoso__ Pensei em Dana. Ela soltou uma gargalhada __ Mulder ! __ conseguiu dizer, acreditando que ele apenas se divertia. __ Não estou brincando__ continuou sério__ Você sempre será a minha Scully, gostaria de alguém para chamar de Dana, ela será forte como você, generosa e amável, porque não podemos chamá-la assim ? __ disse alisando os cabelos dela __ Vocês representam uma vida nova, pra mim, gostaria de me cercar completamente de vocês. __ Se ela for teimosa como você, Mulder, estaremos perdidos. __ Para mim basta que ela seja feliz, Scully, e linda como você. __ Achei que era impossível Mulder mas estou te amando mais hoje__ ela completou beijando-o com paixão. Ficaram abraçados, fazendo planos, trocando carícias, aquele momento era somente deles, haviam desejado aquele amor, lutaram por ele, haviam se reencontrado e aquela criança era a conquista desse sentimento, uma recompensa pelo desejo apaixonado de encontrar a verdade que agora crescia entre eles. FIM