Arquivos X Espionagem II Por: Ðånå danna_ax@yahoo.com.br Classificação: Shipper Disclaimer: As personagens pertencem somente a Chris Carter e à FOX. Espionagem II - - - - - - Continuação do fic 'Espionagem'. O sonho teria acabado? ............................................................. ....... Comentários: Olá a todos! Essa fic não iria sair, mas um desafio me foi imposto e aqui está ela. Como sempre, adoraria receber um feedback de quem a leu e desejo uma boa leitura. Ðånå ............................................................. ....... Apartamento de Mulder 03:20 a.m. Mulder chegara em casa havia pouco tempo, já conseguia respirar sem rir. Fechou a porta e sentou-se no sofá, passou as mãos pelo rosto e sorriu, um sorriso infantil e puro. Sentiu como se algo o cutucasse no sofá e encontrou um livro. Era um livro grosso, de capa azul e cujo tema o interessava cada vez mais nos últimos minutos. _ 'Espionagem'...?! _ ele leu. Curioso, como era de sua natureza, abriu o livro e folheou. Unknown - Suffolk, Inglaterra 1944 - 11:00 p.m. Parecia ser uma sala de reuniões, uma mesa oval e grande, alguns arquivos de aço e nada mais. Spender foi trazido por Byers e Langly, forçado. Frohike entrou logo depois e atravessou em sua frente na direção de Skinner que estava sentado numa ponta da mesa. _ Aqui está ele. _ anunciou Frohike, secamente. Skinner olhou para Spender, depois abriu uma gaveta na mesa e tirou alguns papéis. _ Jeffrey Spender... _ murmurou. Depois ergueu os olhos _ Deixe-nos à sós. Frohike, Byers e Langly, obedientemente saíram sem dizer palavra. Spender suava frio, temia o que podia estar acontecendo. Sabia que não deveria estar ali, nunca deveria Ter estado ali. Por ele, teria ignorado tudo aquilo, pro inferno com tudo aquilo. Mas não pudera. _ Sente-se, Sr. Spender _ ordenou o oficial Walter Skinner, com um fio de voz. Spender ainda relutou, mas sentou-se, sem tirar os olhos do homem que parecia exercer poder por ali. _ Então é um espião. _ revelou Skinner. Spender engoliu em seco, mas não respondeu. _ Sabe o que acontece com espiões nazistas pegos na Inglaterra, não sabe? _ Skinner falava ameaçadoramente _ Mas irei poupá-lo. _ amenizou. _ A troco de quê? _ Spender finalmente ergueu os olhos e falou, desafiando-o. _ Deve estar a par da rede de agentes duplos. Vai nos fornecer informações, Sr. Spender. _ E trair a Alemanha? _ Pode também preferir a forca. _ Skinner deu sua última palavra. Residência de Mulder 11: 20 a.m. Mulder estava deitado de bruços na cama, movia-se a todo momento, resmungando alguma coisa. Acordou-se e abriu os olhos, vendo que Scully ainda estava deitada ali. Sorriu, aliviado. Então havia sido tudo um sonho... ou talvez fosse um sinal. Acariciou seu rosto, sentiu a pele macia e estremeceu. Sorriu mais uma vez e apoiou a cabeça no braço para admirá-la. Olhou para o relógio sobre o criado-mudo e levantou-se rapidamente, vestiu as calças e observou Scully mais uma vez, saindo logo em seguida. Residência de Scully (dia seguinte) 10:02 p.m. Scully andava de uma lado para outro na sala. Mordia os lábios constantemente, inquieta. Olhou para o relógio de pulso e saiu. Hyde Park 10:30 a.m. Spender caminhava nervoso pelo bosque àquela noite fria e enevoada. Encolheu-se em seu sobretudo e tremeu. Encontraria Scully dentro em pouco, e levaria tudo que pudesse saber para Churchill, numa bandeja, ou outro entregaria, na mesma bandeja, sua cabeça. Alex Krycek vinha na direção contrária, monitorando cada passo dos agentes, tendo certeza de que o encontro transcorreria bem. Não confiava nos ingleses, nem nos alemães, tão pouco num velho fumante. Scully sentia um frio tremendo, enfiou os dedos nos bolsos do sobretudo e se embrenhou entre alguns arbustos no parque. Estava escuro. Ela parou, olhou para os lados e percebeu a aproximação de alguém. Ela tirou do bolso um pequeno espelho e só assim pôde distinguir o rosto de Spender e, mais no fundo, Krycek. _ Droga! _ murmurou. _ Jeffrey, seu idiota! Scully tinha certeza de que Spender não sabia que estava sendo seguido, tentou disfarçar. _ Agente Scully _ saudou Spender, reservadamente. Scully fez um movimento com a cabeça, tentando não olhar para Krycek, que observava a tudo, calado. _ O que há agora? _ ela encurtou o assunto. _ Ele quer os documentos _ disse Spender _ o mais rápido possível. _ Está bem. _ ela sempre fora sensata, embora não houvesse conseguido o dossiê _ Eu entregarei _ disse _ a ele. _ Agente Scully... _ Não precisa me advertir de nada, agente Spender. _ ela o interrompeu _ Eu sei o que devo fazer, farei minha parte. _ olhou para Krycek, com o canto do olho _ Agora vá. Isso já foi arriscado demais, não quer perder a cabeça, não é? Ela o fitou, inexpressiva. Ele entendeu e foi embora. Ao vê-lo desaparecer no Hyde Park, Krycek saiu de detrás de uma árvore alta e se aproximou de Scully. Ela podia sentir a presença dele, mas não ousou mexer-se. _ Perfekt _ disse ele, em alemão, sorrindo, sarcástico. _ ... _ Não confie nele, nem no velho. Scully se virou e o olhou, fitando-o nos olhos, friamente. _ E em você devo confiar? _ perguntou, desafiadoramente. _ Acha que deve? _ Não confio em ninguém. _ ela respondeu. _ O velho está tramando alguma coisa _ continuou Krycek, ignorando agora as hostilidades e voltando-se apenas ao assunto em questão. _ Não confio nos ingleses, nem nos italianos _ após uma pausa completou _ Nem nos alemães. Scully o olhou, mais fria ainda. _ Verräter! _ Não me venha com esse 'amor à Pátria'. Não há favoritismos, sabe que a única esperança alemã é esta pasta, sem ela... perdemos. _ Você não perde, Krycek. Nunca perde. Isso não é um jogo que possa manipular!! _ Isso é um jogo sim. Não sou eu quem manipula as peças, mas escolho meu lado do tabuleiro. _ Não é nazista. _ E nem você. _ ele disse _ Sei que não tem os documentos. Mas se quer continuar protegida do velho, acho bom consegui-los logo. _ ele andava em volta dela. _ Biest!!! _ ela disse, com ódio no olhar. _ Tenha uma boa noite. Unknown - Berlim 06:20 p.m. O velho Canceroso estava sentado no fundo da sala, fumando. Estava consciente de que não poderia falhar, não agora. Skinner entrou na sala e o encontrou. Fulminou-o com o olhar, carregado de ódio. _ Sr. Skinner _ Canceroso. _ O que quer aqui? _ Acalme-se, por favor. _ disse ele, cinicamente _ Como vai o centro de contra-espionagem? _ ... _ Skinner cerrou os pulsos, imaginando somente em avançar no velho _ Seus espiões informaram isso também? _ Ora, ora. Então quer dizer que já sabe dos espiões da nova rede? _ mais uma baforada _ Eficiente. Infelizmente não acredito que continuem na Inglaterra por muito tempo; a Guerra terminará logo, Sr. Skinner. _ ... _ Só vim entregar-lhe a demissão da tenente _ estendeu- lhe um envelope _ Diana Fowley. Skinner olhou para ele, como se o interrogasse. _ Hitler... _ já ia dizendo. _ Hitler perdeu a Guerra, Sr. Skinner. Nosso führer jamais descobrirá que atacarão pela Normandia... Skinner sentiu uma pontada na espinha. Um dos segredos mais bem guardados da Guerra. E fora sabido por aquele desgraçado. O Canceroso passou por ele sorrindo. _ Gute Nacht! Apartamento de Scully 06:35 p.m. Scully estava sentada numa cadeira na sala, estava pensativa, distante. Não entendia como, em tão pouco tempo, havia cometido tantos erros. Talvez estivesse sofrendo muita pressão. Até mesmo o major estava lhe fazendo pressão. _ ... Não, isso não admitiria. Ele era apenas parte do trabalho, se preciso seria capaz de matá-lo. Mas seu coração também estava lhe causando pressão. Pensava nisso a todo momento e não sabia mais o que fazer. Quando a Guerra terminasse, e sabia que isso aconteceria logo, talvez pudesse se livrar de todo o peso que carregara até agora e seguir em frente, com ou sem Mulder. Mas... e se ele descobrisse que ela era uma espiã? Isso causaria bastante dor de cabeça. Primeiro porque passaria a odiá-la, e mesmo que ela não admitisse, se preocupava com esse aspecto. Depois porque ele certamente a denunciaria, afinal, seu trabalho era mais importante. Centro do Abwehr em Londres 07:30 p.m. Scully vinha caminhando pelo corredor no subterrâneo da cidade. Caminhava a passos largos e com muita pressa, faria aquilo rápido e não haveria problemas... ela sabia que haveria. Ela parou numa sala, cuja porta de aço estava entreaberta. Entrou. Ficou frente ao Canceroso, que fumava despreocupadamente. _ Quero sair da Inglaterra. _ disse ela, inexpressiva, sentindo uma dor percorrer-lhe o peito por dentro. O Canceroso mal podia acreditar no que estava ouvindo, mas permaneceu fumando tranqüilamente. Soltou uma baforada, sem nada dizer. _ Podem me substituir. _ Sabe que não. _ disse o Canceroso, finalmente. _ Eu não quero mais. Não faço mais parte do Abwehr. _ Está 'se' dispensando? _ Estou abandonando o serviço. Fazia isso contra minha vontade, mas agora não irei mais suportar estas condições. _ falou Scully. _ Você tem que suportar. _ disse o Canceroso, como que ordenando _ É seu trabalho. _ Não é mais. _ Agente Scully _ o Canceroso suspirou, outra baforada _ A Guerra é dura. Se não agüenta mais isso, terá de suportar pela Alemanha. _ Não sou nazista. _ Sei disso. Eu também não sou. Mas isso não interessa. É uma de nossas melhores agentes, sabe que Hitler está desesperado, só não quer que saibamos disso. _ ... _ A Guerra terminará logo. Vá pra casa. _ Faz cinco anos que me dizem isso. A Guerra não me importa mais. Não faço mais parte do Abwehr! _ ela disse, revoltada, pegou um de seus distintivos e atirou no chão, saindo em seguida. Apartamento de Mulder 09:00 p.m. Mulder estava praticamente 'jogado' na poltrona na sala de estar em sua residência. Estava bastante pensativo, numa posição desleixada. Skinner estava lá, de costas, olhando pela janela. _ Uma nova rede de espionagem? _ disse Mulder, com a mão apoiando o queixo, pensativo. _ Vai Ter de pegá-los, Mulder. _ ... o que me intriga é que tenham permanecido na Inglaterra por tantos anos e nunca havíamos percebido. _ Nem todos. São agentes adormecidos, Mulder. Skinner saiu. Mulder cogitou por mais alguns minutos. Naquele momento, Scully irrompeu pela porta, com feições de desespero que havia abafado por muito tempo. Mulder, assim que a viu chegar, ergueu-se de um salto. _ Eu... _ ela começou _ Mulder, eu... preciso ir embora. _ Para onde?? E porquê??? _ Tenho que sair da Inglaterra. Mulder olhou para ela e a abraçou. Por algum motivo, que ela não desconhecia mas evitava, sentiu-se protegida, envolvida nos braços daquele homem. Ele afagou-lhe os cabelos, por um segundo ou dois, e ela ergueu a cabeça. Ele segurou seu rosto entre suas mãos e eles se encararam. Trocaram um longo e apaixonado beijo. Mulder segurou-a nos braços e subiu com ela a escada, entrando em seu quarto, fechou a porta. 01:03 p.m. Mulder estava acordado, fitando o nada enquanto acariciava os cabelos de Scully. Esta estava apoiada em seu peito, também acordada. Ambos estavam quietos e calados. Scully se remexeu entre os lençóis. _ Ficará tudo bem agora. _ disse Mulder. _ ... _ Podemos ir pra longe, nós dois. Juntos. _ Beieinander... _ ela murmurou _ nie... _ Hã? _ Mulder olhou para ela, sem entender. _ Sabe que isso nunca poderá acontecer. _ ela disse. _ Porquê não? Porquê não quer me dizer? _ Não posso. E é melhor assim. Scully voltou-se para ele, se encararam e trocaram um beijo. Ela pousou sua cabeça suavemente sobre ele novamente e adormeceu. The End