Arquivo X - no entardecer de nossas vidas Escrito por Rubens Japa e-mail: rubens.truth@bol.com.br Sinópse: Estamos no inverno. As ruas, as árvores, os carros, as casas, os prédios estão cobertos de neve. Um clima muito gostoso e ao mesmo tempo tenebroso. Mulder e Scully estão de folga. Será que seus corações estão tão congelados quanto a neve que cai em seus pés? Aviso: proibida para menores. Categoria: Shipper. Apartamento de Mulder Alexandria 19:00h Nada mais importa. Nada mais resta. O que estaria fazendo? O que estaria procurando? Será que essa pergunta não seria respondida com um gesto? Um ato magnifico e chocante. A respiração, os batimentos do coração estão disparados. O suor molha suas roupas. A tensão chega no ponto em que não se pode dizer uma palavra. Elas são incompreensíveis aos gemidos que ambos não sentem mais vergonha de sentir. Agora, nada mais importa. Nada mais resta. O que estaria fazendo? O que estaria procurando? 7:00h O agente Fox Mulder, que agora, se arruma para fazer cooper no parque de Washington… estava virtualmente solitário. Seu cachorro e companheiro, Jack, tentava animar seu dono, porém sem resultados. Mulder fingia que o mesmo não estava ali, lambendo e se arrastando na sua perna. Alguns minutos antes sonhava entre quatro paredes. Sonhava com alguém muito importante em sua vida, e que por alguns segundos, tivera momentos de puro prazer. Mas de repente acordou, constrangido, envergonhado. Por quê? Será que seus sentimentos não puderam ser correspondidos? Sabemos que não. Sabemos que o receio, o medo ainda estava interagindo. Ambos poderiam ter sonhos, algo em que eles nunca conseguiram dizer um para o outro. Dizer as três palavras… as breves três palavras. Mulder já está trocado. Usa uma roupa de moletom azul e um cachecol da mesma cor. Tentava relaxar, tirar as preocupações de sua cabeça. Tinha tirado o fim de semana de folga. Nada mais justo do que descansar e relaxar um pouco. A vida de agente federal é muito dura, estressante, pesada. Seu corpo parecia estar flutuando nessa fria e gostosa manhã. Ele faz um pequeno aquecimento antes de sair de casa. Olha na janela, as árvores sendo balançadas pelo vento. De repente, ele para. Algo o deixa concentrado. Começa a nevar. Mulder consegue ver os pequenos flocos de neve encostando levemente na sua janela. Os pensamentos voltam, e junto com eles, a imagem de Scully. O que ela estará fazendo? Scully acordara cedo. Mesmo tendo o fim de semana de folga, não queria ficar deitada na cama ou sentada no seu sofá vendo alguma coisa na TV. Estava inquieta. Fazia uma faxina rápida na casa enquanto tentava esquecer o sonho que tivera essa madrugada. Um sonho que a deixou muito agitada. Enquanto tirava o pó da sua mesinha da sala de estar, sente uma pequena insatisfação. Os olhos estão fixos em um ponto muito distante da realidade. Ela percebe que estava faltando agitação, trabalho. A folga tinha chegado num dia muito inoportuno. Não queria ficar parada hoje, queria trabalhar. Seu pique estava muito bom para agüentar a rotina que o FBI impõe. Diferentemente de seu parceiro, aliás. Scully olha também para a sua janela, e percebe que está nevando. "Um dia inteiro para fazer nada" _Pensa ela. Enquanto ela olha para o nada, enquanto ela fica parada, no meio da sala. Os pensamentos se voltam para alguém… Mulder? Mulder desiste de correr, sabendo que será meio difícil conseguir ao menos ficar de pé em cima da neve que cai em abundância na rua. Suas mãos estão geladas. Seu rosto começa a ficar com uma tonalidade mais pálida. Seus olhos não apresentam emoção. O que estaria pensando? O que estaria fazendo? O que estaria procurando? O frio a faz estremecer. Vestindo apenas uma fina blusa de lã e uma calça de moletom. Estava se sentindo nua em frente a sua janela que mesmo fechada, transparecia muito frio. Ela então caminha com passos rápidos até seu quarto e procura algo quente para vestir. Jogava algumas roupas na cama. Alguns minutos antes, a mesma estava desarrumada… muito desarrumada. Os sonhos estavam refletidos na cama… a desordem e a agitação pela qual Scully tivera essa madrugada a deixou sufocada, suada e cansada… por alguns minutos… parecia ter virado realidade… Seu rosto está levemente avermelhado e pálido. Sua beleza era inconfundível. Uma delicadeza que não se pode observar através de sua personalidade forte, apenas, talvez, através de seu espelho enquanto se troca. Um barulho característico de fervura vindo da cozinha chama à atenção de Scully. A água do café estava pronto. Ela ainda não tinha tomado o café da manhã. Algumas torradas… xícara … frutas… Enquanto preparava seu café, olha o seu relógio na cozinha: 8:30h da manhã. Mulder estava sentado no sofá. Não se mexia, estava olhando para o teto, parecia estar perdido em seus pensamentos. Ele pisca os olhos… e se levanta lentamente. Caminhando até a cozinha desejava comer algo. Quando se lembra que sua geladeira e dispensa estavam vazias. Faz uma careta. Devia ter feito compras. Sempre acostumado em comer no Bureal, não se preocupava em comprar comida para levar para casa, sabendo que seria um desperdício jogar comida fora. Além disso, Mulder nunca cozinhou bem. O máximo que conseguia fazer era preparar comida semi-pronta de microondas… terrível. Sua única preocupação seria apenas comprar a ração do cachorro. Com a geladeira aberta, se apoiando na porta e olhando para dentro, faz um bico enorme. "Por que comprar uma geladeira? Eu nem uso." _Pensa Mulder. Sentada na mesa da cozinha, comendo seu delicioso café da manhã, imaginava seu parceiro. O que ele estaria fazendo essa hora? Estaria também tomando seu café? A resposta: Não. Mulder está sentado na pequena mesa do corredor. As mãos estavam entre as pernas, tentando esquentá-las um pouco. Não seria melhor usar um par de luvas? Claro que sim, mas a preguiça era tanta que apenas o movimento de abrir e fechar os olhos estava meio difícil de executar. Os mesmos estavam fixos na pequena mesa. Ele estava com fome. A situação seria a pior possível. O que estaria acontecendo com ele? Por que estava agindo dessa forma? Agindo como uma criança. Criança? Bom… é o que estamos presenciando nesse instante… De repente, se levanta e corre até o seu quarto. O que estaria pensando? O que estaria fazendo? O que estaria procurando? Ele se veste impecavelmente, mas, nada de terno ou sobretudo. Vestia uma roupa informal. Camisa do tipo POLO, calças de inverno e uma blusa bem grossa. Seu pique voltara ao normal. Faz sua higiene… e tenta arrumar o cabelo que está todo bagunçado. Rapidamente pega seus pertences: Relógio, celular, molho de chaves… logo após ouvimos a porta sendo fechada rapidamente… efeito retardado? Ruas de Washington Alguns minutos depois O controle do carro era muito difícil… As ruas estão parcialmente cobertas de neve. Está ventando muito, mas já parou de nevar. As pessoas já estavam se arriscando a sair de casa. Algumas pessoas com pressa, correndo em demasia, cobertas com roupas de frio. Correria de cidade grande não para, mesmo que esteja nevando. Mas também tinha pessoas que saiam de casa para curtir um pouco a neve… crianças brincavam… correndo e jogando neve em cima de seus amigos. Usavam roupas de frio coloridas, gorros, e protetores de orelha. Mulder chega numa parte da rua que não tem neve, consegue ter maior controle sobre seu carro. Aproveitando a oportunidade de estar dirigindo vagarosamente, observa as crianças brincando por alguns segundos. Seu destino seria chegar até o supermercado, o mais próximo de sua casa, de preferência. Já estava chegando. Precisava comprar coisas básicas de sobrevivência, como por exemplo, sementes de girassol ou talvez achocolatado em pó. Está impaciente. Ele sabe que não pode acelerar, senão seu carro vai patinar. Tenta se acalmar com música, uma que possa relaxar os nervos… Ele para no farol. Está perdido em seus pensamentos, quando de repente, algo o chama à atenção. Uma mulher muito atraente atravessa na faixa de pedestres, em frente ao carro de Mulder. Sua fisionomia era familiar. "Scully?" _Se pergunta Mulder. O farol se abre, ele estaciona numa esquina próxima. Tranca o seu carro rapidamente e tenta seguir a mulher. Ela entra numa livraria muito simpática do centro, talvez, a mais antiga do centro. Ela se chama "Old-Dreams Bookstore". Mulder anda com passos rápidos até a livraria. Ele passa em frente as vitrines exibindo livros infantis. As mesmas eram enfeitadas com luzinhas coloridas. Ele entra na loja e observa crianças sentadas no chão ouvindo estórias contadas por uma jovem com um chapéu de mago na cabeça. Também tinha algumas pessoas concentradas, andando pelos corredores de livros, procurando seus títulos e autores prediletos. As estantes que abrigavam os livros eram de mogno maciço, do lado tinha alguns computadores para leitura de preços. Muitas mesinhas com livros em promoção e também de lançamentos de diversas áreas. Tinha um pequeno bar-café no canto da loja muito convidativa. Enquanto ele fica observando a loja, uma funcionária da livraria muito sorridente aparece. _Eu poderia ajudá-lo em algo? _Não, obrigado. Eu… _Mulder observa a mulher entrando em um dos corredores da livraria. _… com licença, por favor. _Diz ele seguindo a mulher. Com passos rápidos ele entra no corredor. Misteriosamente a mulher já não estava mais lá. O estranho é que o corredor, esse em particular, só tem uma entrada. Mulder ficou ali parado, estático, confuso. Onde está a mulher? Como ela saiu? Seus olhos estão arregalados. Está abismado. A quantidade de livros era enorme, podemos ver pilhas de livros chegando até o teto. Uma escada de metal com rodinhas ajuda as pessoas a terem acesso aos livros que estão no alto. No fundo desse corredor tinha uma parede de cor parda com um quadro pendurado. Ele caminha até ela e observa atentamente. Uma linda garota está pintada na mesma. Por alguns segundos, Mulder pensou ser a mulher que estava seguindo. Pouco provável. Também não era Scully, mas, com uma fisionomia e beleza parecidas. _Ela não é linda? Mulder sente um frio na espinha. Ele se vira e vê uma garota do seu lado. _Sim… é muito. _Responde Mulder, meio assustado. _Me desculpe, eu assustei você? Eu estou procurando alguns livros antigos para fazer um trabalho. Você gosta de livros antigos? _Pergunta a garota. Ela tinha cerca de 20 anos de idade, morena, olhos azuis escuros, um corpo muito bonito, vestia uma roupa normal de adolescente: Uma camisa e uma calça jeans. Mulder nem se quer observou seus atributos. _Depende. _Responde ele. A garota olha para um livro muito bonito na estante. _Esse aqui. _Diz ela, pegando-o. _Esse livro é muito bom. _Nossa, quantas páginas tem essa relíquia? _Pergunta Mulder. _Mais ou menos 600 páginas. _Dá uma pausa. _É claro! Eu não li tudo, não consegui… depende muito de cada pessoa. _Você quer dizer a disposição, a paciência e tempo disponíveis da pessoa? _Não. Não é isso. É uma outra coisa. Mulder pega o livro nas mãos. As páginas estão amareladas. Mulder passa a mão em cima da capa empoeirada. Tira uma considerável placa de sujeira. _Humm… Tenho a impressão que esse livro não é tocado faz muitos anos. Você leu mesmo? _Sim… é que esse lugar acumula muito pó. Essa área da livraria não é bem cuidada. _Não me parece tanto… _Mulder observa o lugar, não é bem o que garota descreve. Ele lê o título: "no entardecer de nossas vidas." _Titulo interessante… em letras minúsculas mesmo? _Sim. Esse livro afirma que nós só começamos a viver realmente quando descobrimos a felicidade interior. _Felicidade interior? _O titulo está em letras minúsculas para representar que, tanto felicidade como a vida não tem hora nem dia certo para se começar ou acabar… Também depende muito de cada um. _Nossa. Isso realmente é um assunto muito difícil de ser falado, principalmente num livro… _Você acha mesmo? Você acha difícil lidar com a felicidade? _Acho que… lendo isso aqui eu vou descobrir certo? _Diz Mulder, tentando desviar um pouco a conversa. A garota sorri. _Mas que tipo de felicidade você está se referindo? _Pergunta Mulder. _Tudo. _Ela responde calmamente. _Tudo? _Eu gostaria muito que você levasse esse livro, tenho certeza que você vai gostar muito. _Responde ela sorrindo, como se no livro tivesse a resposta pela qual Mulder está querendo saber. Mulder fica encantado com a pureza e encanto que essa garota emana. _Você me convenceu. Eu vou levar sim. _Talvez… esse livro seja apenas um daqueles livros baratos de auto-ajuda, mas, para aqueles que querem começar a viver… ou que já vivem sem saber… _Ela não termina a frase. _Você diz que é difícil lidar com a felicidade, isso quer dizer que você já descobriu a sua. _Afirma ela. Mulder fica sem palavras. Seus pensamentos estão nesse momento, elaborando uma boa resposta para a simpática garota. _Como você pode saber se eu realmente descobri a felicidade? _Eu vejo nos seus olhos. _Diz. Ela de repente começa a perceber que ele fica vermelho. _Me desculpe, não estou tentando persuadi-lo. Leia o livro por favor. Entenderá o que eu estou dizendo. Mulder abre o livro e tenta achar o nome do autor. _Quando for ler esse livro, só não se esqueça que algumas palavras pode mudar o destino de uma pessoa… Enquanto ela diz isso, Mulder lê a primeira frase do livro, exatamente o que ela tinha dito. _Por favor, qual é o seu nome? _Pergunta Mulder olhando para a página amarelada. Percebendo que sua pergunta não teve resposta, levanta sua cabeça para olhar a garota que não estava mais ali. Ela sumiu… como num pensamento. Mulder novamente não entende nada. Ele observa todos os cantos do corredor, corre até a entrada e observa a livraria. Ela foi embora. Residência de Margaret Scully Mesmo horário Como o dia estava livre. Scully resolvera visitar sua mãe. Um clima muito gostoso é percebido. Ouvimos risadas e conversas informais, além de um cheiro muito gostoso de bolo vindos da cozinha da casa. _Querida, por que está tão pensativa? _Pergunta a Sra. Scully pegando duas xícaras de chá. _Hum? _Faz Scully. _Não… não é nada. _Dizia ela sentada, observando sua mãe. _Você parece preocupada. Alguma coisa de errado no trabalho? _Não, nada de errado. _Diz ela, demostrando naturalidade. A Sra. Scully senta do lado de Dana e segura sua mão carinhosamente. _Eu sinto que você está dispersa. Você veio aqui por algum motivo não é? Scully fica olhando sua mãe e de repente solta um meio sorriso. _Mãe eu… isso é muito constrangedor. _É o Fox? _Pergunta a Sra. Scully. Scully só conseguia regalar os olhos. Old-Dreams Bookstore Alguns minutos depois Ainda confuso. Mulder segurava fortemente o livro que lhe foi oferecido, por alguém que ele se quer sabe o nome. Caminhando até o balcão da livraria, Mulder chama uma funcionária. Estava querendo saber um pouco mais sobre aquele estranho livro. _Espere só alguns instantes. Vou dar uma olhada nos computadores. _Responde simpaticamente a jovem funcionária. Enquanto esperava a funcionária chegar, percebe uma mulher já de muita idade se aproximando. _Você fez uma ótima escolha. _Diz a mulher olhando para o livro. _A Sra. já leu o livro? _Na verdade não. _Dá uma pausa. _Não o que você irá ler nessas páginas. _Como assim? _Pergunta Mulder cruzando os braços. _Esse livro foi um dos primeiros a chegarem na livraria. Já fazem muito anos… _Oh, sim. _Confirma Mulder. _Me parece que alguns livros daqui vieram de antigos antepassados, prováveis parentes dos donos da livraria. Acho que desde a era medieval… Seus antepassados migraram para vários lugares, levando consigo seus livros que se diziam mágicos. Até que sua família se espalhou e uma parte dela veio parar aqui nos Estados Unidos… _Nossa. _Responde a mulher surpresa. _Isso mesmo. Como sabe? _Eu leio bastante. Gosto de vir aqui. Sempre vinha pegar alguns livros, artigos… Sempre encontro coisas interessantes. _O encanto dessa livraria nunca vai mudar, como também a desse livro que segura em suas mãos. _Me parece que esse livro é muito bom. Eu resolvi ler pois uma garota me convenceu. _Mulder olha fixamente no livro. _A senhora disse que leu esse livro… inteiro? _Sim, eu li inteiro. _Então por que não leu o que eu vou ler? Isso quer dizer, não tem sentido. _Você esqueceu o que você disse faz alguns segundos? Desde que chegou naquela livraria estava meio que sem palavras… Tudo o que via, o que sentia, deixava--o extasiado. A cada momento aparecia algo ou alguém que o deixava assustado… ou talvez… encantado? Essa mulher de idade, por exemplo. Mulder sentia que seu espirito era jovem. Tão jovem que não sentia que estava conversando com uma simples senhora de bengala que vestia roupas do tempo em que as mulheres eram impedidas de sair nas ruas desacompanhadas. Seu entusiasmo, sua energia e força de viver, refletiu em Mulder, que não parecia cansar e nem reclamar da abordagem que a mesma fez à alguns minutos atrás. _Deixe eu adivinhar: Esse livro é mágico? _Responde meio que incrédulo. _Não vejo nos seus olhos a mágica que o livro representa. _Responde a senhora. _Esse livro só pode ser lido por pessoas especiais. _Pessoas especiais? Isso tudo está muito confuso na minha cabeça. Alguns minutos atrás uma garota apareceu e me entregou esse livro, dizendo que eu deveria ler. Ela me fazia sentir algo muito estranho… Depois quando eu fui perguntar seu nome… ela desapareceu. A mulher só conseguiu dar um sorriso terno para Mulder. _A garota tem razão. Você deve ler esse livro, mas na hora certa. _E seu eu ler agora? _Abra o livro. _Responde a senhora num tom desafiador. Ainda meio contrariado, Mulder abre o livro. As páginas que à alguns minutos atrás estava cheio de letras, frases… está em branco. _Mas, como? _Pergunta ele assustado. Ele sente novamente o frio na espinha. A mulher também tinha sumido. Enquanto ele busca a senhora com os olhos sem resultados, a funcionária chega. _Me desculpe a demora. Foi um pouco difícil encontrar algo sobre esse livro. Ele foi um dos primeiros a chegar na livraria. Me parece que não foi catalogado. _Você viu uma mulher de idade aqui do meu lado? _Não senhor me desculpe. Eu fiquei aqui perto e não percebi ninguém aqui do seu lado. O que estava acontecendo? O que estaria fazendo? O que estaria procurando? Mulder então deixa o fato de lado e muda de assunto. _Por favor será que você pode me dizer nome do autor ou autora do livro? _Acho que o senhor vai ter uma surpresa. _Não tem problema, desde que cheguei aqui só tenho surpresas… A funcionária sorri para Mulder. _Está vendo aquela foto pendurada na parede? _Diz apontando para uma parede perto da entrada da livraria. O quadro era imenso, cobria boa parte da parede. Tinha uma mulher pintada, sorrindo, olhando fixamente para frente, dando a impressão de estar olhando para Mulder e para todas as pessoas que estavam presentes na livraria. _Foi ela quem fundou a livraria e escreveu esse livro, seu nome nunca foi publicado ou dito. _A funcionária encolhe os ombros. _Infelizmente ela já morreu. _Morreu? Ninguém sabe o nome dessa mulher? _Mulder se lembra da senhora que conversou com ele à alguns segundos atrás. Ele não teve dúvida, a mulher que estava no quadro era aquela senhora que esbanjava saúde e energia, só que um pouco mais jovem. _Não que eu saiba. Não está nos computadores. O único que sabe o nome dela seria seu bisneto e atual dono da loja. Ele não está no momento. Foi viajar. _Bom… não tem problema. Talvez seja algo muito secreto. _Diz Mulder num tom de brincalhão. A funcionária sorri. _Por favor, eu vou levar esse livro. _Diz Mulder pegando seu cartão. Residência de Margaret Scully Mesmo horário Scully estava olhando para fotos de quando era criança na sala de estar da casa de sua mãe. Encostada levemente na parede do lado da lareira onde estavam as fotos, estava pensativa. Ela olhava com muita ternura cada foto que segurava em suas mãos e acariciava. _Ainda pensando nele? _Pergunta a Sra. Scully chegando perto de sua filha. _Sempre. _Responde ela, virando-se para sua mãe. _Filha, esse tipo de sentimento não pode ser guardado assim. Nas poucas vezes que conversamos sobre isso, você se mostrou tão interessada e tão apaixonada por ele. Será que não chegou a hora de dizer tudo o que sente? _Esse é o problema mãe. Eu tenho medo que isso não dê certo. _Como pode dizer isso. Você nem se quer tentou. _Diz a Sra. Scully se sentando encolhida no sofá. _Eu tenho medo. _Dá uma pausa. Ela fecha os olhos. _Eu tenho medo de perdê-lo. _Diz ela tristemente. Ela abre os olhos e os deixa meio abertos, demostrando preocupação. Então olha algumas fotos de sua irmã. _O que Missy diria? _Pergunta para sua mãe. Margaret sorri para ela. _Eu não sei. Sua irmã era muito imprevisível. Talvez… ela diria que você e Fox nasceram para ficar juntos… Scully pega uma foto de sua irmã. A mesma, usava um vestido de cor pardo, estava sentada num banco de praça, sorridente, e atrás dela, uma grande árvore a protegia do sol forte. Scully olha e toca na foto com muito carinho. _Ela uma vez me disse que o Mulder era muito estranho… _Scully sorri. _E disse para mim tomar cuidado para eu não me apaixonar. _Dá uma pausa. _Ela estava certa. _Filha, se você gosta dele realmente, não pode desistir de saber o que ele sente por você. Não tenha medo… Seu amor é verdadeiro. Ele pode romper barreiras… Scully teima em não chorar. _Eu devo muito à ele. Não quero estragar minha amizade. _Você não vai acabar com sua amizade, apenas vai reforçá-la. _O que eu devo fazer então? _Pergunta Scully. _Que tal conversar com ele? Scully sorri. Carro de Mulder Ruas de Washington Vemos Mulder entrar no carro rapidamente. Coloca o livro embalado no banco do carona, e fica olhando para a rua. Fica pensativo. O que aconteceu realmente naquela livraria? Duas mulheres que tem muita coisa em comum… mesmo a diferença de idade entre elas… uma jovem e uma senhora de idade… aparecem e desaparecem na velocidade de um pensamento, não dizem seus nomes e gostam de um livro antigo, aparentemente mágico. O mais estranho de tudo isso, é que as duas dizem para Mulder ler o livro. Mas como? O livro está em branco. O que tudo isso significa? O que é tão importante para ser lido num livro sem palavras? Não deixando as perguntas o dominarem, Mulder liga o carro e segue até o supermercado. Residência de Margaret Scully _Está pronta? _Pergunta Scully. _Sim. Ainda bem que parou de nevar. Você quer mesmo passear no parque nesse frio? _Pergunta a Sra. Scully descendo as escadas da casa. _Vamos lá mãe. Não faça corpo mole. Vai fazer bem para nós duas. _Diz Scully sorrindo. Margaret não resiste aos apelos de sua filha. Pega seus pertences e sai de casa junto com Scully. _E então? Você já está melhor? _Pergunta a Sra. Scully. _Estou. Nada melhor do que passar um tempinho com a mamãe. _Diz Scully sorrindo e abraçando sua mãe enquanto caminham. _Mas que ótimo. _Diz a Sra. Scully também sorrindo. Parque de Washington Mulder resolvera passear com seu cachorro no parque. Tentava relaxar um pouco. Toda aquela coisa que aconteceu na livraria, estava querendo esquecer por alguns instantes. Ele decidiu não esquentar a cabeça. Estranho Mulder não se preocupar ou pelo menos ficar curioso sobre todas as coisas… digamos… bizarras que ele presenciou e sentiu. Alguma coisa dizia para ele não se preocupar, dizia para ele apenas seguir seu coração, seguir sua felicidade. Seria aquelas duas mulheres? As arvores estão muito bonitas, a grama, os brinquedos do parque, estão cobertos de neve. O céu está limpo. O sol que está entre algumas nuvens, teima em esquentar as pessoas que caminham pelo parque. Mulder caminha com passos rápidos, tendo dificuldades para segurar seu cachorro que está eufórico, abanando o rabo. _Calma! Calma garoto! _Dizia Mulder num tom baixo para o cachorro. Para agüentar o frio intenso, Mulder vestia uma roupa de cor parda, e muito bem agasalhado com seu gorro e um cachecol colorido. Já seu cachorro que é de uma raça adaptada para o frio intenso, não se preocupava. Algumas crianças se aproximam do cachorro de Mulder, encantados. _Posso encostar nele? _Pergunta uma garotinha. _Claro! _Mas ele não morde? _pergunta um garoto da mesma idade, seus olhos irradiavam curiosidade. _Não, ele não morde. Não precisa ter medo. _Diz Mulder calmamente. _Qual o nome dele? _Pergunta a garotinha. _Seu nome é Jack. _Oi Jack! _Diz as três crianças que estavam ali acariciando o cachorro. Mulder sorri. _E qual é a "marca" dele moço? _Pergunta um dos garotos. _Não é marca. É raça. _Corrige Mulder sorrindo. _A raça dele chama-se Akita. É um cachorro japonês. Estão vendo? Ele tem olhos puxados. _Mulder mostra os olhos de Jack. _Nossa! _Dizem as crianças alegremente. Seus olhos demostravam muita curiosidade. Scully e sua mãe caminham lentamente no parque. Estão abraçadas para ficarem aquecidas. Dificilmente conseguiam ficar por muito tempo juntas, já que o trabalho de Scully ocupa quase todo o tempo disponível. Mesmo nos raros momentos em que está em casa, é obrigada a terminar relatórios para o dia seguinte ou arrumar a casa, deixar tudo em ordem. Mas chega uma hora que tudo isso fica insuportável. Existe também o momento em que uma pessoa precisa descansar. O momento em que Scully precisa descansar. Apesar de hoje de manhã ter ficado até um pouco irritada com a decisão do Diretor Assistente Skinner de ter mandado, não sugerido, alguns dias de folga, Scully se arrependeu depois de ter visitado sua mãe, se arrependeu de seus pensamentos. _Filha, não é o Fox ali com as crianças? _Pergunta a Sra. Scully. _Sim. _Diz Scully. Ela fica maravilhada, vendo Mulder conversando e brincando com aquelas crianças. _Mãe, espere um pouco. _Diz Scully segurando sua mãe, percebendo que a mesma caminhava até Mulder. Depois de alguns minutos, as crianças vão embora. Mulder e Jack adoraram a abordagem das crianças. Estavam contagiados pela alegria e curiosidade que as crianças tinham em seus espíritos. Mulder sente o seu corpo leve, mais animado para caminhar com seu companheiro. Foi quando então Mulder viu Scully e a Sra. Margaret. Ele sorri e acena para as duas, correndo, indo em direção à elas. Alguns minutos depois Scully e a Sra. Margaret estão sentadas num banco perto do lago, observando Mulder correndo com seu cachorro. Já tinham conversado bastante, colocado a conversa em dia. Caminharam lentamente até o lago. Mulder convidou Scully e a Sra. Margaret para uma leve corrida, porém não aceitaram. Preferiam ficar sentadas. Mesmo não nevando e a temperatura ter melhorado, ainda estava muito frio. Não é recomendável correr numa temperatura tão baixa. Scully avisou Mulder antes dele começar a correr com Jack, mas não insistiu sabendo que ele não ouviria _Fox parece uma criança brincando com o seu cachorro. _Observa a Sra. Margaret. Scully não responde, apenas mexe a cabeça e observa atentamente seu parceiro. _Vem garoto! Vai lá, pega! _Grita Mulder, segurando um pedaço de pau e jogando o mesmo depois de alguns segundos. _Mulder está tão diferente. _Observa Scully. _Parece que todos os problemas, todas as pressões foram deixadas de lado. _Isso não é bom? _Pergunta a Sra. Scully. _O trabalho não é a única coisa que fazemos na vida. Devemos conciliar tudo, senão o que nos transformaríamos? _Acho que Mulder sabe. _Responde Scully observando Mulder correndo com Jack. _Bom, o passeio foi muito bom, mas eu tenho que voltar. _Diz a Sra. Scully se levantando. _Mãe fique mais um pouco. _Pede Scully, dando um sorriso de tristesa, e segurando a mão de sua mãe. _Não posso filha, tenho coisas importantes pra fazer. Eu estou indo, mas eu quero que fique, ok? Você tem bastante tempo, depois nós conversamos. O dia foi maravilhoso. Até logo Dana. _Diz a Sra. Margaret dando um sorriso terno. _Até logo mãe. _Diz Scully fechando os olhos enquanto a Sra. Margaret lhe dá um beijo na testa. Mulder olha para onde as duas estão. A sra. Margaret aproveitou e se despediu acenando para Mulder. Ele percebeu que a Sra. Margaret já estava indo embora, como estava muito longe, também apenas acenou como se depois de alguns minutos se encontrassem novamente. "Boa sorte filha" _Pensa a Sra. Margaret enquanto caminhava na pista, indo em direção à saída. O que dizer? O que pensar? O que sentir? Tantas coisas passam pela cabeça quando estão juntos. Seus rostos, seus corpos, seus pensamentos… seus… sentimentos? O que sentem um pelo outro? O que diriam um para o outro? O que eles pensam quando estão perto um do outro? O que sempre imaginamos pode ser verdade? Sabemos que sim. Sabemos que o mais puro sentimento os envolveu. Só não conseguem dizer um ao outro. Por que tem que ser tão difícil? Agora que estão ali, no parque, no meio da neve, teriam coragem? Scully sentada no banco, observando Mulder correr e brincar com seu cachorro. Imaginava, refletia. Querer saber o que se passa na cabeça do homem em que mais ama no mundo era difícil. Mais difícil do que saber o sentido da vida. Mais difícil do que escalar uma montanha de pensamentos ruins e acreditar que sairá da mesma sem um pingo de revolta e mágoas no espirito. Mais difícil do que enxergar a própria verdade que habita seu coração? Mais difícil do que não sonhar com sua paixão, agora, não mais controlável, não mais guardada? Não mais envergonhada de dizer… mais difícil, porém, nunca impossível de se dizer: Eu te amo. _Por que sua mãe saiu daqui com tanta pressa? _Pergunta Mulder terminando seus exercícios. Scully percebe que ele chegara suado, com os batimentos acelerados. Ela estremeceu, Mulder estava muito perto, tão perto que era capaz de sentir o cheiro dele. O corpo dela esquentava a medida em que observava discretamente o corpo de seu parceiro. _Ela… se lembrou de um compromisso urgente, mas acho que foi uma desculpa para chegar mais cedo em casa. Ela não gosta muito de frio. _Diz Scully encolhendo os ombros. _Parece que a minha companhia foi descartada. _Diz se levantando e cruzando os braços tentando aquecê-los. _Pois ela fez questão de me deixar aqui vendo você brincar com seu cachorro. _Você não gosta da minha companhia Scully? _Pergunta Mulder sorrindo. _Eu preciso responder? _Pergunta Scully também sorrindo, mas de uma forma mais contrariada, como se respondesse a uma provocação. _Ok. Não está mais aqui quem perguntou. _Responde Mulder. _Correndo… brincando pelo parque… me parece que já se tornaram amigos bem íntimos. _Observa Scully. _Sim, nós formamos uma dupla. Ou poderia dizer… um quinteto? _Quinteto? _Isso, quando eu não posso cuidar dele eu deixo Jack na casa dos pistoleiros. _Responde Mulder, se lembrando da cara dos três quando ele levou Jack para lá. _A princípio, os três não gostaram muito da idéia de ter um cachorro ali, mas acabaram simpatizando com Jack, já que ele não faz muita sujeira e nem atrapalha. Não é garotão? _Diz Mulder passando a mão na cabeça de Jack. _Eles conseguem cuidar dele direitinho? _Pergunta Scully se agachando, fazendo um carinho em Jack. _Claro que sim. Só fico com medo que eles o transformem no quarto membro do grupo. Fazendo Jack virar espião, sei lá, um cachorro é o último ser que alguém ousaria suspeitar. Scully sorri. _Mulder onde será que foi a frase: Não confie em ninguém? Inclusive em cachorros? _Pergunta Scully sorrindo. _Tem razão Scully. Devo me preocupar mais. Talvez existam cachorros alienígenas abduzindo cachorros terrestres… talvez uma conspiração canina não esteja em andamento? Cachorros inocentes sendo vitimas de experiências, implantes… _Mulder fica quieto! _Interrompe Scully sorrindo. Não entende como pode sair tanta besteira daquela boca. Não entende como tem tanta imaginação. Não entende como pode existir um homem assim. Mulder em resposta também sorri. _Scully já está quase na hora do almoço. Você quer me acompanhar? Apartamento de Mulder Alguns minutos depois _Mulder. _Chama Scully entrando na cozinha vendo Mulder preparar algo. _Eu não sabia que você cozinhava. _Bom, nem eu sabia. _Responde ele. _Tive algumas aulas com o Frohike e também assisti muitos programas de culinária. Essa é uma de minhas experiências. Scully cruza os braços e olha para Mulder sorrindo. _E… eu serei sua cobaia? _Exato. Mas eu garanto que, se minha comida não for do seu agrado. Eu tenho comigo meu telefone, assim poderei comprar… digamos… comida chinesa. O que acha? _Então vamos pular direto para a comida chinesa. _Responde ela sorrindo e provocando Mulder. Mulder e Scully estão muito relaxados. Enquanto Mulder preparava o almoço, Scully estava sentada na mesa do corredor lendo uma revista de OVNIS. A cada página lida, ela dava uma olhada na cozinha. Mulder cozinhando… um desastre. A cada panela ou talher que caia no chão, podia se ouvir um resmungo de Mulder, e a cada resmungo dele, Scully se continha para não dar risada. Afinal, não seria justo ficar debochando. Seu esforço na cozinha é admirável. _Mulder, está tudo bem? _Sim. Tudo bem. Mas que %@^*^%! _Grita ele baixinho. _Você quer ajuda? _Não, não precisa. Está tudo sob controle. Ela então concorda e espera impacientemente o almoço feito por Mulder. Era incrível, pela sua experiência de cozinha, que não era muita, o cheiro estava muito bom. Agora vemos Mulder, sendo guiado passo a passo por um livro de receitas que se lembrou de comprar quando foi ao supermercado. Ele estava muito engraçado, meio confuso e também um pouco nervoso. Porém, não se arrependeu de nada do que fez hoje. Sair da rotina, fazer coisas que não está acostumado em fazer, deixou o tenso Fox Mulder muito contente. Todas as preocupações foram para o espaço. O que ele queria fazer, era curtir um pouco o momento. Tentar fazer o almoço… principalmente. Scully caminha pelo quarto de Mulder. Observa tudo. A bagunça. A cama. As fotos penduradas na parede. Aquela era a realidade de Mulder. Era pelo menos parte dela. Ela senta na cama e passa sua mão na colcha de cor parda. Está quente. Quente como seu corpo que deseja estar junto dele, ali. Ela fecha os olhos e deseja… por alguns segundos… tudo aquilo que estava guardado. Tudo o que estava prestes a explodir. Todo o medo de dizer… todo o receio… toda a ansiedade… todo amor. Mas então ela abre os olhos. Envergonhada de si mesma. Por que é tão difícil segurar uma paixão que se transformou num amor tão grande e tão lindo. Por que sofre em silêncio? Por que se sente envergonhada? Será que ela mesma não aceita esse amor? Viajava em pensamentos, quando alguma coisa aconteceu. Alguma coisa a despertou. _Não! Não! _Gritava Mulder. Scully conseguia ouvir, sentir e ver uma fumaça saindo da cozinha. Ela sorri e corre até a cozinha para ajudar. _Scully, está tudo sob controle. Eu apenas esqueci uma "coisinha" no fogo. _Diz ele tossindo. _Mulder. Não seria melhor eu ajudar? _*cof cof!* _Mulder? _Scully, acho que eu preciso de ajuda. *cof cof!* Alguns minutos depois _Então Mulder. Não foi tão difícil cozinhar foi? _Diz Scully. _Foi terrível. Eu preciso aprender melhor. _Você devia escolher outra pessoa para aprender. A sua escolha não foi muito feliz. _Diz Scully, sentindo o cheirinho da comida e olhando para Mulder sorrindo. _Tem razão. Nunca devia ter pedido para o Frohike me ensinar. _Bom… _Diz Scully experimentando a comida. _Acho que você se superou Mulder. Está muito gostoso. _Mesmo? Obrigado! _Diz ele alegre. _Será que eu devo cozinhar mais vezes? _Claro. _Diz Scully degustando. _Não foi tão difícil fazer macarronada, não é? _Provoca Scully. _Eu não vou responder. _Responde Mulder. _Foi uma guerra. Bom… uma guerra bem gostosa. _Humm. _Faz Scully comendo. Alguns minutos depois Depois de comerem a macarronada, ficaram conversando na sala. Mesmo não dizendo um para o outro, percebemos que os dois estão adorando ficar ali, conversando, dando risadas gostosas, sem preocupações. Não pareciam ser os sérios agentes do FBI. Não pareciam ter tantos problemas, tanto trabalho. Uma dupla. Um casal. Juntos. Felizes. _Mulder… Por que essa repentina mudança? Eu ainda não acredito que estamos aqui conversando, sem nos preocuparmos com alguma coisa relacionada ao trabalho que temos no FBI e… _Scully acho que somos seres humanos. Deveríamos também ter um descanso. _Diz Mulder interrompendo Scully. Ela fica calada. Estando em frente a janela da sala, podia se observar a neve tocando levemente na mesma. Seu espirito está em paz. Como era bom se sentir assim. A sala de Mulder estava acolhedora. Encolhida no sofá, ela continua olhando para a neve, e também para Mulder que a observa. _Está nevando. _Diz Scully. O que você sente nessas horas? Quando você observa a neve caindo, encostando na janela, não sente uma paz interior? _Talvez. Mas eu posso garantir que eu fico com uma raiva interior quando uma pomba vem e pensa que minha janela é banheiro público. Scully dá um meio sorriso. _Mulder você não vai conseguir estragar meu bom humor. _Dá uma pausa. Ela olha para o relógio. _Tenho que ir. Minha mãe está me esperando. _Diz ela se levantando, mesmo não querendo ir, tinha um compromisso com sua mãe. _Scully. Espere um pouco. Eu tenho que contar uma coisa pra você. _Diz Mulder se levantando do sofá e indo até o seu quarto. Scully espera por alguns segundos. Mulder chega rápido, segurando um livro nas mãos. _Eu quero que você abra o livro e tente ler uma frase ou uma palavra contida no mesmo. Ela concorda. Pegando o livro em suas mãos, percebe que o mesmo era muito antigo. A capa era feita de couro e as folhas eram costuradas. "no entardecer de nossas vidas" _Lê Scully. _Tem alguma coisa aqui que vai me impressionar? É isso? _Apenas leia. _Ok Mulder, não tem nada escrito aqui. _Responde Scully abrindo o livro. _Pois eu digo que agora pouco eu abri esse livro e não estava em branco. _O que você está aprontando? _Não estou aprontando nada. Só digo o que aconteceu. _Então esse livro é mágico? _Pergunta Scully incrédula. _Não posso dizer se ele é mágico, só acho que tem alguma coisa nele que não me deixa dormir. _Não entendo. Do você está falando? Onde você encontrou esse livro? _Scully eu sei que você tem um compromisso, então, se você quiser eu digo mais tarde. _Não parece o Mulder que eu conheço. _Você quer ficar? Scully fica pensando e não acredita no que vai dizer agora. _Vamos, conte-me. Em algum lugar de Washington A neve parece não ter chegado até aquele lindo bosque, apenas algumas partes brancas tinham invadido o lugar. As árvores um pouco castigadas devido ao frio infernal, protegiam o carro que chegava ali. A velocidade era controlada. O barulho era quase imperceptível. _Mulder, foi esse lugar onde o livro descrevia? _Não sei direito. Só conheço essa parte de Washington que bate com descrição. Scully suspira e olha para Mulder nervosa. _Scully, não olhe como se eu não soubesse onde estamos. _Diz Mulder. _Nós estamos perdidos. _Responde Scully. _Não estamos. Veja. _Mulder aponta para uma cabana, perto de algumas árvores cobertas de neve. Dava a impressão que as árvores protegiam a pequena cabana. Não deixando a neve cobrir nem mesmo o telhado de madeira. _A cabana que você disse que leu no livro, acertei? _Não posso confirmar nada. Scully fica nervosa. _Mulder, eu ainda não acredito que estou aqui com você verificando um lugar que você leu num livro sem palavras. _Eu li Scully, até agora está tudo como eu imaginei. Scully suspira. _Mulder aquela história de você encontrar duas mulheres… uma jovem e uma senhora de idade pode até ser verdade. E esse livro ter sido recomendado por elas… pode ter sido tudo uma brincadeira… da maneira que você descreve os fatos, as duas mulheres parecem ser fantasmas que aparecem e desaparecem na velocidade de um pensamento. Além disso, ter sido guiado até a livraria mais antiga de toda Washington pode ter sido um mero engano. Já que você mesmo disse que se confundiu pensando ser eu quem tinha entrado na livraria. _Scully onde você está querendo chegar? Você acha que eu estou enganando você? _Não Mulder. Só estou dizendo que toda essa paranóia de fantasmas… _Scully… Não vou querer discutir com você. Se lembra quando fomos até aquela casa…? _Aquele foi um caso isolado. Poderíamos ter sonhado tudo aquilo. _Sei. Você pode pegar o livro que está no banco de trás? Scully olha para trás e pega o livro colocando-o no colo. _Agora tente ler alguma coisa nele. Ela abre o livro, sabendo que apenas encontrará o que tinha visto antes: Um livro de folhas amareladas… porém sem nenhuma frase impressa ou escrita, mas algo aconteceu. "Na minha cabana eu encontrei o que estava procurando, minha alma gêmea, meu amor. Meu espirito está completo, está repleto, do mais puro sentimento… " _Scully lê, assustada. Ela olha para Mulder. Como poderia ter acontecido isso? Não faz sentido. O carro para em frente a cabana. _Chegamos. Vem Scully. _Diz Mulder. Scully acompanha Mulder. Ela observa atentamente o lugar. Cruza os braços e pergunta curiosa e ainda assustada. _Mulder o que aconteceu com o livro? Eu vi as páginas à alguns minutos atrás… elas estavam em branco. _A Senhora de idade me disse algo quando ofereceu o livro: Apenas poderá ser lido por pessoas especiais. E ela também disse que o que ela leu nunca mais poderá ser lido e ela nunca conseguirá ler o que eu li no mesmo, como eu também nunca poderei ler o que você leu. _O que você está tentando me dizer Mulder? _Acho que esse livro, nos diz o que estamos sentindo, ou pelo menos o que iremos sentir no futuro. O que devemos fazer, e como podemos ser felizes se seguimos nossos corações. Scully de repente se arrepia quando se lembra o que leu no livro. _Parece um romance feito para ser lido diferentemente por cada pessoa. _Mulder, o livro não contém uma história. Eu apenas li uma frase. Era tudo o que tinha. _Acho que, ele está demostrando que a sua como a minha história deve ser lida por partes. Cada parte deve lembrada e refletida. _Diz ele subindo as escadas de madeira, indo em direção a porta. _Acho tudo isso complexo demais. Como um livro pode fazer isso? _Não sei Scully. Só sei que isso acontece. _E como você pode ter tanta certeza do que está falando? Mulder fica pensativo. _Acho que eu li demais as frases não escritas no livro. _E essa cabana? Mulder, pode ter um dono, alguém pode estar morando aí. _Ninguém mora aqui, pelo menos, é o que o livro diz. Mulder observa toda a área da frente da casa e acha um pequeno vaso. Instantaneamente ele levanta o vaso e encontra uma chave embaixo da mesma. Scully observa tudo surpresa, mas já suspeitando que tudo aquilo era uma armação de Mulder. Ele pega, olha a chave atentamente, coloca no buraco da fechadura, e abre a mesma. Antes de entrar Mulder observa e examina o lugar. Assustado, percebe que o lugar está limpo. Sem teias de aranha ou qualquer outra coisa que acusa-se que a cabana não era usada à muitos anos. Com passos curtos, decide entrar dentro da cabana. Observa cada canto, cada parede, chão e teto. Tudo limpo. Tinha um fogão a lenha, e uma linda lareira. O chão era forrado com madeira maciça e as janelas tinham cortinas que chegavam até o chão, impecavelmente limpas, mas pareciam ser recém colocadas. Mulder se lembra de um dos versos do livro. "Caminhe até seus sonhos. Onde uma pequena cabana o espera. Onde você poderá refletir. Onde você poderá sonhar como nos seus sonhos." Scully também estava junto de Mulder e olhava seu parceiro totalmente incrédula. _Nossa. Acho que as pessoas que não moram nesse lugar limpam diariamente a cabana. _Diz Scully sarcasticamente. _Mulder está escondendo alguma coisa de mim? _Eu também estou tentando entender Scully. _Diz Mulder colocando as coisas no chão. _Mas tudo está como no livro. Scully parecia estar com pressa, olhando incessantemente seu relógio. _Sei que você ficou fascinado com tudo isso, mas mesmo assim pretende ficar aqui? _Sim. Alguma coisa vai acontecer aqui. Além disso, eu tenho tempo… estamos de folga. A cabana parece ser bem acolhedora. Sem buracos no teto… humm perfeito. _Observa. _Mulder, eu ainda digo que esse lugar tem dono. Veja você mesmo. Está muito bem cuidado. Está limpo demais para um lugar abandonado. Quer sabe o que eu acho? _Pergunta Scully séria. _Sempre. _Responde Mulder. _Acho que alguém vai se mudar para cá logo. Dá pra perceber… você tem que concordar comigo que esse lugar está longe de ser uma cabana. _Tem razão, mas, será que a pessoa que está prestes a mudar não iria deixar tudo pronto? Quer dizer, ter posto placas na porta ou mesmo ao redor? Sei que isso está muito estranho. Mas eu quero saber o que acontece, você não? O que leu no livro? Scully fica por alguns segundos calada. _Nada que importasse. Começa a nevar forte. Mulder olha pra a janela e faz um bico. _Scully, se você pretendia ir embora, vai ter que esperar a neve passar. Scully fecha os olhos e suspira nervosa. O compromisso que tinha com sua mãe foi para o espaço. O que já tinha imaginado quando concordou em sair com Mulder. "Não posso reclamar. Fui eu quem concordou em acompanhá-lo." _Pensa Scully. Ela então olha pra a janela. _Acho não iremos sair daqui tão cedo. Está nevando muito. _Então nós estamos isolados do mundo. _Diz Mulder arrumando seu equipamento de camping. Logo após ele olha Scully nervosa olhando a neve pela janela. _Eu não sabia que ia nevar tanto. Me desculpe se você não queria vir. Mas eu não posso controlar o tempo. _Me deixe em paz. Nem eu posso acreditar que estou no meio do nada, isolada, verificando uma coisa que você achou interessante averiguar. Eu deveria estar junto de minha mãe… Jesus… Mulder eu não vou mais acompanhar você em suas aventuras… pelo menos durante minha folga. _Diz Scully nervosa. _Ok. Mas foi você quem quis vir aqui comigo. _O que eu me arrependo muito. O dia estava tão bom. Por que você quis inventar de… _Por que sou eu Scully. Você também não pode negar que o livro é estranho. Scully não responde. _A cada frase que li, a cada palavra absorvida, me deu algo, me transmitiu algo. Não sei o que é. Só sei que eu me senti muito bem. O que meu coração dizia… o que o livro me dizia para seguir… parece que algo se abriu… _Mulder eu não preciso fazer parte disso… Você encontrou esse livro. Agora se você quer saber o que acontece, faça-o sem mim. _Está errada. Se você não entendesse o que eu digo, então, por que está aqui? Comigo? Você sabia que tinha um compromisso, e mesmo assim, você me acompanhou. Sabia das conseqüências, e o que poderia vir a acontecer. Eu não forcei você. Scully não responde, mas em resposta, ela olha diretamente em seus olhos. Alguma coisa aconteceu durante esse dia. Algo bom. O que eu só precisei fazer era me abrir. E o que meu coração dizia? Encontrar, seguir minha felicidade… O que eu guardo a tanto tempo e que eu não consigo dizer… _Mulder respira fundo enquanto Scully ouve atentamente cada frase. _Eu procurava uma maneira de esquecer, mas isso era algo impossível. A cada dia que passo no FBI, é uma tortura, mas não uma tortura visível. Eu sofro quando penso nisso. Minha alma fica em pedaços. Eu tento desviar de tudo, eu tento me concentrar no trabalho e quando eu consigo torço para que meus pensamentos não voltem. Por que eu não consigo suportar. _Mulder… _Minha felicidade está tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Eu temo que essa felicidade não seja para mim. Temo que essa felicidade não esteja tão próxima. Tenho medo, porém, eu tento esquecê-lo. Mesmo que ela me odeie pelo resto da minha vida… "ela?" _Pensa Scully. _… pelo menos saberei o que ela sente por mim. Mesmo que isso abale toda a nossa convivência. A nossa amizade. O que já me matou por dentro… eu me suicidei para que não mais pensasse… Aprendi com suas experiências. Aprendi com sua persistência. Aprendi em compreendê-la. Aprendi a amá-la. Agora já disse o que poderia dizer. Dizer que a conheci a muito tempo atrás e me perguntava todas as noites mau dormidas… perguntas sobre um alguém que não sabe amar. Eu… Scully segura suas lágrimas. Enquanto observa com ternura um homem que não consegue transmitir seus sentimentos em gestos. Um homem que tem receio e medo de agir. Um homem como ela. Como ela um homem com medo de dizer as três palavras… as breves três palavras. Mulder percebe que parou de nevar. Ele estava do lado de uma porta que dava caminho para um lago congelado. Sem pensar, ele abre a porta rapidamente e corre até o lago, tentando fugir mais uma vez de uma situação pela qual tem tanto medo de encarar, porém ele conseguiu destruir um abarreira, e mesmo assim, o estava deixando ressentido. _Mulder. _Scully tenta chamá-lo de volta. O que pensar nessas horas? O que dizer e como agir? Seus sonhos viraram realidade? O que mais poderia questionar? Do que mais poderia duvidar? OH, MY LIFE IS CHANGING EVERY DAY Oh, minha vida está mudando todos os dias IN EVERY POSSIBLE WAY de todas as maneiras possíveis AND, OH, MY DREAMS E meus sonhos IT'S NEVER QUITE AS IT SEEMS Nunca é bem como parece NEVER QUITE AS IT SEEMS I KNOW I FELT LIKE THIS BEFORE Sei que me senti assim antes BUT NOW I'M FEELING IT EVEN MORE mas agora estou sentindo ainda mais BECAUSE IT CAME FROM YOU Porque veio de você Caminhando pela trilha e seguindo as pegadas de Mulder, ela vê um grande lago congelado. Mulder está sentado na beira do lago, encolhido. Scully não consegue sorrir, não consegue pensar em nada. Seu corpo está formigando. Seu coração está disparado. O que fazer agora? Caminhando lentamente até ele, ela começa a ter flashbacks de sua vida. Todas as cenas em que percebeu que Mulder a confortava. Agora que ela sabe, não deve ter mais barreiras. Tudo o que devem fazer… é dizer… é destruir a timidez e a insegurança. _Mulder? Ele não consegue olhar nos olhos de Scully. _Me desculpe. _Não se desculpe. Não faça isso comigo. _Diz ela se agachando e puxando o rosto de Mulder para si. Os dois trocam olhares… mas não como antes… é diferente. Seus rostos pálidos estão muito perto um do outro. Podia sentir a respiração. Nada mais importa. Nada mais resta. O que estaria fazendo? O que estaria procurando? Eles se beijam… se encaixam perfeitamente. Quem tomou a iniciativa? A resposta está no que você imagina… Parece uma eternidade. Suas bocas estão molhadas. Suas línguas tem perfeito entrosamento. O frio é mero coadjuvante na cena. AND THEM I OPEN UP AND SEE e então eu me abro e vejo THE PERSON FALLIN' HERE IS ME que a pessoa caindo aqui sou eu A DIFFERENT WAY TO BE Um modo diferente de ser WANT MORE Eu quero mais IMPOSSIBLE TO IGNORE (2X) Impossível ignorar THEY'LL COME TRUE que eles se realizarão IMPOSSIBLE NOT TO DO (2X) Impossível não fazer A lareira está aquecendo seus corpos nus. Os estalos do fogo se misturam aos gemidos de prazer. Entre quatro paredes eles estão sós. As sombras se misturam… os movimentos são lentos. Uma forma feminina é percebida, sendo levantada e puxada contra um corpo masculino cheio de energia. Estão suados… os pingos de amor caem no pequeno saco de dormir. Seus sentimentos são tão intensos que não se houve gritos, apenas demostram o que estão sentindo através de seus olhos… olhos que pedem cada vez mais. Entre beijos e caricias… estremecem. O exercício físico chega num ponto muito delicado… os batimentos estão acelerados… mesmo assim seus corpos querem estar juntos… querem ser um só… mesmo na explosão silenciosa. Os desejos viram realidade… tudo é possível entre essas quatro paredes. Suas mãos estão frias… refletindo a tensão que os dois estão sentindo. Os dois se completam… no inicio e no final do ritual. O orgasmo chega e ambos não desejam dormir… trocando os mesmos toques molhados… agora que estão finalmente juntos… não desejam se separar, não desejam parar… AND NOW I TELL YOU OPENLY E agora eu te digo abertamente YOU HAVE MY HEART SO DON'T HURT ME Você tem meu coração então não me magoe YOU'RE WHAT I COULDN'T FIND Você é o que eu não conseguia encontrar TOTALLY AMAZING MIND Uma mente totalmente surpreendente SO UNDERSTANDING AND SO KIND Tão compreensivo e tão gentil YOU'RE EVERYTHING TO ME Você é tudo para mim Repetir 1 CAUSE YOU'RE A DREAM TO ME Por que você é um sonho para mim DREAM TO ME Abre os olhos lentamente. Observa a sua imagem no espelho do teto da sua cama. Foi tudo um sonho… mais uma vez. Mas dessa vez não está envergonhado ou constrangido… está decepcionado. De repente Jack apareceu do nada e pulou em cima de Mulder na cama. Ele então começa a sorrir e brincar com Jack. _Então garoto? Tudo bem com você? Jack dá um latido. Mulder olha para a seu relógio: 7:00h. Ele se lembra de todas as coisas boas que aconteceram durante esse sonho. De todas as coisas que ele conseguiu fazer, simplesmente porque ele seguiu o seu coração, tentou buscar sua felicidade. E principalmente, ele conseguiu dizer o que sentia por Scully. Mas então ele se levanta da cama… decidido. Ele sabe que foi um sonho, e sabe que tudo pode ser bem diferente da realidade… porém, esse detalhe, tentará esquecer quando disser as três palavras… as breves três palavras. _Não quero que seja mais um sonho… Enquanto vemos Mulder correndo até o banheiro, encontramos um livro muito familiar em cima do criado mudo. Ele está aberto. Conseguimos ler uma frase: "Você encontrou a sua felicidade." Apartamento de Scully Scully desperta assustada. Tivera o mesmo sonho? Ela então respira fundo… olha para janela e vê a neve caindo. Quando começa a se lembrar… sorri. Fim [Olá pessoal, espero que tenham gostado. Bom, eu sei que muita gente vai querer me espancar depois desse final:P Pô outro sonho? Hehe Mas no final sempre tem essa dúvida não é mesmo? Talvez a Fic tenha uma continuação… sem sonhos, ok? Devem ter percebido erros grotescos de português. Bom. Nunca fui muito bom em português, mesmo eu tendo revisado tudo:) Falando na música, ela se chama "Dreams" da banda "The Cranberries". Gosto bastante. Escolhi essa música, porque a letra tinha alguma relação com o que os dois estavam sentindo. Por favor! Feedback!] "Os personagens desta história são de propriedade de seus respectivos criadores e empresas e não há intenção alguma de obter lucro através deste conto e que se destina unicamente à diversão dos fãs. (eXcers)" The X Files Criado por Chris Carter