Título - Enganos e desenganos Autora - « Mel X » E-mail - juliana@plisnet.com.br Disclaimer - Esses personagens pertencem a Chris Carter e a Fox Produções. Spoilers - Nenhum. Resumo: Mulder e Scully, acabam desaparecendo, por uma causa inexplicável. Eles reaparecem, porém, separados. Ambos continuam em Washington, e, embora continuem procurando um pelo outro, seus olhos não se reconhecem mais, podendo mudar para sempre, seus destinos. Mulder e Scully viajavam pela estrada principal, para chegarem até Boston, onde se realizaria a investigação de mais um de seus casos, porém, este era comum, e não um Arquivo X. Com o rádio ligado, os dois parceiros cantavam e conversavam, sem se importar com nada a volta deles. Ao passarem por um curva fechada, o motor do carro, simplesmente, se auto desligou. Mulder olhou assustado para Scully e disse: _ Isso me lembra um cenário de abdução. Ela fez uma cara de descrente e respondeu: _ Carros quebram sempre, não precisam ser abduzidos para ocorrer isso. _ Vou descer e ver o que houve. Mulder abriu a porta do carro, e desceu, caminhando em direção ao capo. Colocou a mão sobre a tampa, viu que esta estava fria, mesmo com os dois rodando a mais de cinco horas sem parar. Antes de abrir o capo, ele ouviu um barulho que vinha detrás de uma das árvores do acostamento. _ Scully! - chamou ele. _ O que? _ Desça do carro e venha aqui. Ela obedeceu, sem questionar o motivo, até chegar perto dele. _ O que houve? - perguntou ela, preocupada com a expressão que o parceiro fazia. _ Tem algum coisa ali. - respondeu ele apontando para a árvore, da qual soava um zumbido ameaçador. Antes mesmo dela poder olhar para a tal árvore, ambos foram cobertos por uma estranha luz, seguida de um som que ficava a cada segundo, mais e mais forte. _ Mulder! - gritava Scully desesperada. _ Scully! A luz se apagou. O som cessou. A estrada estava deserta. _____________________________________________________________ ____________ Mulder acordou espantado. Estava em seu apartamento, e sua roupa estava molhada de suor. Ele olhou para os lados, e depois para o criado mudo. Lá, estavam a chave de seu carro, o comprovante de que ele havia passado pela portaria do prédio na noite anterior, e sua credencial do FBI. Ele estava se sentindo tonto, como se estivesse de ressaca. Ele levantou, e foi até o banheiro. Ligou o chuveiro e se olhou no espelho. Estava branco como uma parede. Tomou um banho, colocou o primeiro terno que viu pela frente, e desceu até a garagem do prédio. Entrou no carro, e viu o banco do passageiro, afastado para a frente, como se alguém baixo tivesse sentado ali. Arrumou o banco, e deu partida no carro. O banho havia melhorado seu estado, mas ele sentia falta de algo, mas não sabia o que. Ao chegar no Bureau, ele foi direto para sua sala. Ao entrar, reparou numa segunda mesa além da sua. Na mesma hora, seguiu até a sala do diretor assistente e disse a ele: _ Senhor Skinner, tem uma mesa a mais na minha sala. _ Uma mesa a mais? Como? _ Não sei, cheguei e havia uma segunda mesa lá. _ Vou mandar tirá-la. _ Obrigado. Mulder saiu, e ainda teve tempo de ver dois homens retirando a estranha mesa de dentro de sua sala. Ele entrou, sentou na cadeira, e olhou para o teto. Estava tudo normal, como ele havia deixado, mas algo tinha mudado, ele não sabia o que. Sentiu um estranho perfume de mulher dentro da sala, e pensou que talvez pudessem ter invadido seu escritório durante a noite. Abriu uma das gavetas da escrivaninha, e dentro dela, viu um papel escrito: Agente Especial Dana Scully. _____________________________________________________________ ____________ Scully havia acordado estranha naquela manhã. Já tinha tomado um banho, feito uma breve sessão de relaxamento, mas ainda sentia que faltava algo dentro dela. Resolveu esvaziar sua mente, e seguir para o trabalho. Ao entrar em sua sala, no FBI, ela notou em várias fotos de extraterrestres espalhadas pelo chão. Quem poderia ter feito aquilo? Ela foi até a sala do diretor assistente, nervosa, e entrou dizendo: _ Senhor, alguém entrou no meu escritório, e jogou várias fotos de ovnis no chão. _ Quem fez isso? _ Não sei. _ Vou mandar limpar sua sala Scully, não se preocupe. _ Obrigada. Scully saiu e foi para a sua sala. Olhou alguns minutos para as estranhas fotos, até ser interrompida pela faxineiras, que rapidamente fizeram seu trabalho, limpando até o que não precisava ser limpo. Scully sentou em sua mesa, e a horrível sensação que havia sentido de manhã, voltou. Era como se ela estivesse sentindo falta de alguém, mas quem? Nem isso conseguia responder. De repente, teve uma vontade incontrolável de ligar o computador, e assim ela fez. Na tela de entrada, estava registrado que havia um e-mail para ela. Ela abriu a caixa postal, e se surpreendeu com o nome do remetente: Agente Especial Fox Mulder. _____________________________________________________________ ____________ "Quem é Dana Scully?". Era a pergunta que Mulder se fazia. Aquele nome não era estranho pra ele, mas não tinha a mínima idéia de quem seria. Mas alguém deveria saber. Ele se levantou e seguiu novamente a sala do diretor. _ Desculpe incomodá-lo senhor Skinner - disse ele - mas tenho uma pergunta. _ Já tiraram a mesa de sua sala? _ Já senhor, obrigado. _ Qual é a pergunta? _ Quem é Dana Scully? Skinner pegou o papel que Mulder estendia, estudou cuidadosamente o nome da mulher, e respondeu: _ Não tenho a menor idéia. _ Posso dar uma olhada nos registros do FBI? _ Pode, mas não vejo motivo pra isso. _ Só quero saber quem me deixou esse bilhete em branco. _ Vá em frente. Mulder fez uma pequena reverência, e saiu em direção a enorme sala dos arquivos federais. Lá, ele procurou insistentemente pela letra D, de Dana, ou S, de Scully, mas foi em vão, nada falava sobre ela. _____________________________________________________________ ____________ "Fox Mulder?". Scully se perturbava com aquele nome. Quem seria ele? Resolveu que iria descobrir, custe o que custar. Levantou, e mais uma vez, foi para a sala do diretor. _ Agente Scully? - surpreendeu-se Skinner - Já tiraram as fotos da sua sala? _ Já senhor, obrigada. _ O que quer agora? _ Será que o senhor pode me dizer quem é Fox Mulder? _ Fox Mulder? Nunca ouvi falar nesse nome. Por que? _ Recebi uma mensagem em branco, de alguém com esse nome. _ Pode ter sido engano. _ O senhor deve ter razão. Desculpe o incomodo. _ Tudo bem. Scully se virou para sair, mas antes, fez uma última pergunta: _ Posso dar uma olhada nos registros? _ Claro, mas eu não vejo motivo. _ Só pra matar minha curiosidade. _ Claro. Scully saiu, e foi direto para a sala de registros do FBI. Procurou durante horas, na letra F, de Fox, e M, de Mulder, mas não encontrou nada. _____________________________________________________________ ____________ Mulder ficou muito espantado com aquilo, e resolveu voltar para sua sala. Pensou que fosse um simples engano. Virou para mexer em algumas pastas, quando o telefone tocou. _ Mulder. - atendeu ele. _ Agente Mulder, é o senador Mathenson. _ Olá senador, como vai? _ Bem. _ O que deseja? _ Preciso de um favor seu. _ Pode falar. _ É particular, preciso que venha até meu escritório. _ Tudo bem, estou indo. _ Até mais. Mulder levantou, vestiu o paletó e saiu, a pé mesmo, pois o prédio do Senado não ficava muito longe dali. _____________________________________________________________ ____________ Scully voltou para sua sala, ainda encabulada, mas decidiu não pensar mais naquele assunto. Continuou mexendo em alguns programas do seu computador, quando uma súbita mensagem apareceu na tela, dizendo: Agente Scully, aqui é o senador Richard Mathenson, preciso falá-la urgente, no meu escritório, venha cá agora mesmo. Scully nem ousou enviar uma mensagem perguntando o motivo da urgência. Levantou, vestiu o sobretudo, e saiu a pé, pois não estava com vontade de tirar seu carro da garagem sendo o escritório do senador, há menos de dois quarteirões do FBI. _____________________________________________________________ ____________ Mulder andava pelas ruas, ainda pensando no nome Dana Scully. Ele jurava já ter ouvido muito aquele nome, mas nem constava nos registros, algo sobre ela. Perdido em seus pensamentos, ele vagava quase sem rumo, com destino ao prédio do senador Mathenson. Andava de cabeça baixa, até que por livre instinto, resolveu levantá-la. Parada, na frente dele, estava uma mulher de estatura média, ruiva, com os olhos mais azuis que o próprio céu, e o encarava insistentemente. _ Sim. - disse Mulder, espantado com o fato, de na sua mente, ele achar que conhecia aquela mulher. _ Desculpe, eu derrubei sua pasta. Mulder olhou para o chão, e viu todos os seus documentos espalhados. _ Tudo bem. - respondeu ele, com um leve sorriso forçado. A mulher seguiu seu caminho, na mesma direção que ele ia, deixando-o pra trás, agachado ao chão, recolhendo os papéis. _____________________________________________________________ ____________ Scully ia pelas calçadas, com a cabeça baixa. Tentava tirar o nome Fox Mulder de sua cabeça, mas era impossível. Ela tinha muita certeza de que já tinha ouvido aquele nome, milhares de vezes, mas não se lembrava de quem ele era. Ela pensava isso, quando sentiu seu corpo se chocar contra o de alguém. Ela olhou para a frente, e viu um homem alto, de cabelos castanhos e olhos esverdeados. O homem a encarava, sem dizer uma palavra. Scully olhou para o chão, e viu que havia derrubado a pasta que o homem carregava. _ Desculpe, eu derrubei sua pasta. - disse ela com um nó na garganta, pois bem fundo, no seu íntimo, ela sentia que conhecia aquele estranho rapaz. _ Tudo bem. - respondeu o homem, se abaixando e recolhendo os documentos da rua. Scully observou-o por mais alguns instantes, e depois seguiu caminho, ainda agoniada com a aparência daquele rapaz, que não lhe era de forma alguma, estranha. _____________________________________________________________ ____________ Mulder chegou ao prédio do senador, sufocado. Ele estava se sentindo muito mal após ter visto aquela mulher na rua. Ele deu seu nome a secretária, e subiu para a sala de Mathenson. _ Mulder, que bom que veio. - disse o senador, levantando-se e dando a mão para Mulder. _ Não poderia faltar. - respondeu Mulder, quase num murmúrio. _ Está sentindo-se bem? _ Claro. Os dois sentaram, e Mulder continuou: _ Bom, qual é o motivo de me chamar com tanta urgência? _ Algo muito estranho aconteceu. _ O que? O senador levantou de sua cadeira, e sentou numa ao lado de Mulder. Inclinou-se e recomeçou: _ Um carro desapareceu na estrada principal de Boston. _ O que há de estranho nisso? _ Desapareceu com as pessoas que estavam lá dentro. _ Bom, isso já é estranho. _ Quero que descubra o que aconteceu. _ Posso fazer isso senhor, mas também preciso de um favor seu. _ O que? Mulder tirou o bilhete em branco do bolso, com a assinatura de um nome, e entregou a ele dizendo: _ Pode me dizer quem é Dana Scully? O senador olhou estranhamente para ele, e depois, perdeu seu olhar em direção a porta. Mulder, assustado com o olhar do senador, resolveu se virar para a porta, e ver o que prendia a atenção de Mathenson. Ele se espantou mais ainda ao ver aquilo. A mesma mulher que havia esbarrado nele, no meio da rua, estava ali, conversando com a secretária. _ É ela. - disse o senador apontando para Scully. _ Como? _ Ela é Dana Scully. _____________________________________________________________ ____________ Scully havia acabado de chegar no prédio do senado. Entrou, e já na porta principal, sentiu uma tontura estranha, e uma lembrança súbita do nome Fox Mulder, com o homem que ela tinha visto na rua, vieram em sua cabeça. Ela foi até a secretária e disse: _ O senador Mathenson me chamou. _ Dana Scully? _ Isso. _ Fale com a secretária dele, pois não sei se ele pode atendê-la agora. _ Obrigada. Scully subiu até o andar da sala do senador, e disse a secretária dele: _ O senhor Mathenson me chamou. _ Claro senhorita Scully, ele me informou, mas espere um pouco, porque ele está com alguém nesse momento. _ Tudo bem. Scully continuou ali, parada, conversando com a secretária, quando olhou para a porta da sala do senador. Esta estava aberta. Ela passou a mão sobre os olhos, para ver se estava vendo bem, mas estava. O mesmo homem, com quem ela tinha trombado no meio da rua, estava ali, conversando com o senador, que a havia chamado. A sensação de mal estar recomeçou, quando ela percebeu que os dois olhavam para ela, e o senador apontava-a com o dedo. A secretária, percebendo o susto de Scully, disse a ela: _ Aquele é o agente Mulder. Scully engoliu em seco. Aquele nome de novo? _ Como? - perguntou ela engasgada, tentando fingir que não tinha entendido o que a mulher havia falado. _ Aquele homem que está conversando com o senador, é o agente especial Fox Mulder. _____________________________________________________________ ____________ Mulder levantou e foi em direção a tal Dana Scully. _ O que quer comigo? - disse ele bruscamente. _ Não quero nada com você, nem sei quem é. _ Sabe sim. Deixou um bilhete com o seu nome na minha sala. _ Eu? Você me mandou um e-mail com o seu nome. Os dois estavam um na frente do outro, e se olhando, como se já fossem velhos amigos, mas na verdade, um não tinha nenhuma lembrança do outro. Mulder olhou para a credencial de Scully e disse: _ Trabalha no FBI? Como nunca vi você? _ Eu nunca vi você lá também. _ O que faz lá? _ Agente especial. _ Eu também. _ Impossível. _ Quem é você, diga logo?? _ Eu sou quem sou, quem é você? _ Sou quem sou Scully. Só quero que não fique pregando peças em quem não conhece. _ Digo o mesmo pra você Mulder. Os dois se separaram furiosos. Mulder se despediu do senador, e desceu pelo elevador, sem olhar para trás. Scully entrou na sala de Mathenson, e ouviu o que ele já havia dito a Mulder, sobre o carro que havia desaparecido. _ Foi o que disse para o Fox Mulder? - perguntou Scully. _ É. _ Então, por que me chamou? _ Quero vocês dois juntos nessa investigação. _ Não conheço ele, só sei que fez uma brincadeira muito sem graça comigo, e me recuso a trabalhar com um homem assim. _ Por favor Scully, não seja inflexível. O Mulder é um homem muito bom e inteligente. Vocês dois vão me trazer muitos lucros nessa investigação. Formam uma dupla perfeita. _ Desculpe senhor, se quiser, faço a investigação só, ou com outra pessoa, mas com ele não. O senador respirou fundo. Scully era uma ótima cientista, e médica, e se ele tivesse que optar entre ela e Mulder, com certeza escolheria ela. _ Como quiser Scully - disse ele - vou avisar o Mulder de que não preciso mais dos serviços dele. _ Obrigada. Scully levantou, se despediu do senador e saiu. _____________________________________________________________ ____________ O senador ainda estava sentado em sua sala a noite, quando a secretária veio lhe dizer boa noite. _ Kelly - chamou ele - posso conversar com você? _ Claro senhor, aconteceu alguma coisa? _ Aconteceu sim. Estou numa enrascada. _ Por que? _ Viu o que aconteceu hoje a tarde, entre o Mulder e a Scully? _ Vi sim senhor, mas pelo que sei, eles não se conhecem, _ É, mas ambos são ótimos agentes federais, e iam me ajudar muito naquele caso que lhe contei. _ E por que não os uni? _ Scully não quer. Nem sei dizer não pra ela, mas não quero dizer não para o Mulder. O que eu faço? _ Tenho uma idéia. _ O que? _ Minta. _ Como assim? _ Diga a ele, que vai fazer o trabalho sozinho, e a ela também. Deixe que os dois reunam pistas e provas por conta própria. O senhor mesmo junta os fatos, e resolve tudo, como se ambos estivessem trabalhando juntos, quando na verdade não estão. _ Kelly, sua inteligência me espanta. Ótima idéia, mas e se descobrirem? _ Não vão descobrir, não se preocupe. _ Obrigado pela dica, vai ganhar um aumento por isso. _ Obrigada senhor. _ Pode ir agora, boa noite. _ Boa noite. Kelly, a secretária, se levantou e saiu da sala. O senador ainda continuou um tempo lá, sorrindo para si mesmo, orgulhoso do plano que faria com os dois agentes. _____________________________________________________________ ____________ No dia seguinte, Mulder foi para a estrada principal de Boston. Ele havia recebido um telefonema do senador pela manhã, e este lhe disse que ele faria todo o trabalho sozinho. Menos mal, ele pensava que teria que fazer a investigação com aquela tal de Dana Scully, que além de mentirosa, era arrogante e mesquinha. Ele olhou o asfalto, onde o carro tinha parado, olhou a grama do acostamento, mas não viu nada de estranho. Olhou para cima, e viu um radar policial, que atingia bem o ponto por onde o carro tinha passado. Mulder olhou mais em frente, e viu o posto, responsável pelo radar. Seguiu até lá, e disse ao responsável: _ Sou o agente especial Fox Mulder, e estou investigando o desaparecimento de um carro, com duas pessoas dentro, há dois dias, nessa estrada. _ O senhor quer ver o radar não é? _ Quero, como sabe? _ Intuição. Mulder seguiu o pequeno homem até o escritório principal do posto. Lá, estavam cinco monitores, responsáveis por todos os radares da pista. _ Aqui estão os registros de anteontem. - disse o homem, voltando a fita de vídeo do radar. Mulder olhou atentamente para a hora que marcava no canto da tela. Ás dez e trinta e quatro da noite, um Taurus azul marinho, com dois passageiros, passou por ali, desaparecendo logo depois. Um Taurus azul? Aquele carro não era estranho para Mulder, ele já havia visto-o em algum lugar. Claro, que haviam muitos Taurus iguais aquele pelo país, mas aquele carro, fazia o coração de Mulder bater mais forte. Ele congelou a imagem do pára-brisa de onde podia se ver a imagem dos dois passageiros. _ Amplie isso. - disse Mulder para o homem. O rapaz obedeceu. Cerca de metade da tela ampliada, era possível se ver embassamente, que se tratava de um homem e uma mulher. _ Normalize a imagem. - disse Mulder. O homem novamente obedeceu, e agora, se podia enxergar mais perfeitamente os rostos das pessoas. Era inacreditável. Ele mesmo estava dentro do carro, com a tal da Dana Scully. Estavam sorrindo, como se fossem muito amigos, até o carro desaparecer do radar. _ É o senhor! - disse o homem espantado. _ Deve ser alguém muito parecido. - respondeu Mulder, tentando esconder sua total angústia e espanto pela imagem. De repente, várias cenas vieram a sua cabeça, no mesmo instante, fazendo-o tontear e cair sentado no sofá da sala. Cenas, com ele e a tal Dana Scully, juntos, conversando e rindo, coisa que nunca havia acontecido. Completamente atordoado, Mulder pediu ao homem que imprimisse a imagem, para ele mostrar ao senador. Após pegar as cópias, ele agradeceu e saiu do posto, ainda sufocado pela estranha cena, e as lembranças irrefutáveis vindas a sua mente. _____________________________________________________________ ____________ Scully havia acabado de voltar da cena do desaparecimento do carro. Ela havia feito uma investigação no posto policial, ali perto, responsável pelos radares da pista, e tinha se arrependido completamente daquilo. Tinha obtido uma imagem do carro fantasma no radar, e a mesma imagem, ampliada e normalizada, acusava que era ela e o tal Fox Mulder que estavam dentro do carro. "Impossível", pensava ela consigo mesma. Não se conheciam, e com apenas uma conversa, eram inimigos mortais. Incomodada com os fatos que se passavam na sua vida, ela sentou no sofá, e fechou os olhos, tentando dormir, mas era quase impossível. _____________________________________________________________ ____________ Mulder chegou no seu apartamento, e desabou no sofá. Só queria dormir, e acordar, se dando conta de que tudo aquilo que se passava na sua vida, era um horrível pesadelo. Ele não poderia mostrar as cópias da imagem para o senador, pois este poderia pensar que ele tinha seqüestrado o automóvel, e por isso, havia tido aquela briga com a tal de Dana Scully, que também estava no carro. Angustiado e fora de si, Mulder decidiu procurar Dana Scully. Talvez ela tivesse a resposta para tudo aquilo. Ele pegou o telefone, e discou para a central de informações do país. _ Eu gostaria de saber o telefone de Dana Scully, por favor. - disse ele. _ Um momento. Mulder aguardou alguns segundos, e a telefonista já estava de volta, com a resposta: _ 555-0199. Precisa repetir? _ Não, obrigado. Mulder desligou, e pegou a lista telefônica. Demorou, mas encontrou: " SCULLY, Dana K. - Georgetown - Hotel Residencial No. 1070, apart. 35 - 555-0199". Ele não ia ligar, iria chegar de surpresa, assim, não daria tempo dela inventar uma desculpa qualquer. _____________________________________________________________ ____________ Scully estava quase cochilando, quando alguém bateu em sua porta. _ Quem será o maldito? - sussurrou ela para si mesma. Levantou, e abriu a porta: _ O que quer aqui? - disse ela indignada, e angustiada. _ Não vim para brigar Dana Scully, só quero esclarecer umas coisas. _ Não fui eu quem deixou aquele bilhete na sua sala. _ Não é isso. _ Então o que é? _ Posso entrar? Scully abriu caminho para Mulder, e sentou-se no sofá junto com ele. Mulder tirou do bolso, a cópia do radar policial, e entregou a ela. _ Você também viu? - perguntou Scully. _ Por que também? _ Eu estou fazendo as investigações desse caso. _ Que ironia. Sou eu quem está cuidando desse caso. _ Foi o senador que me mandou. _ A mim também. _ Como? _ Não sei, só quero saber, por que estou com você nesse carro fantasma? Scully olhou mais uma vez para a agonizante imagem e disse: _ Lembranças ficam vindo na minha cabeça direto, como se nós fossemos muito amigos. _ Comigo está acontecendo o mesmo. _ O que será? _ Só há um jeito de descobrir. Mulder levantou do sofá, puxando Scully pelo braço, e levou-a para fora do prédio. _____________________________________________________________ ____________ Duas horas depois, e os dois agentes estavam dentro do mesmo carro, dirigindo pela estrada principal de Boston. Ambos não se olhavam, e nem trocavam uma só palavra. _ O que pretende com isso? - soltou Scully brutalmente. _ Se aconteceu algo, de que não nos lembramos, ou que pode ter nos levado para dimensões diferentes, sei lá, eu vou descobrir. Scully tossiu duas vezes, como se falasse para Mulder, que ela também estava no caso. Ele entendeu a mensagem e disse: _ Nós vamos descobrir. De repente, o carro parou em meio a escuridão da pista. Mulder desceu para ver o que tinha acontecido com o motor. Scully não quis esperar, e desceu junto com ele. Ambos observavam a o automóvel, indignados com o acontecido, quando uma forte luz veio na direção deles. _ Mulder! - gritou Scully. _ Scully! A luz se apagou. _____________________________________________________________ ____________ Mulder e Scully acordaram dentro do mesmo carro no qual dirigiam. _ Você está bem Mulder? _ Estou, e você? _ Também. Eles se olharam por alguns minutos e Mulder disse: _ Lembra de mim? _ Lembro. Meu parceiro de sete anos Fox Mulder. _ Estou com uma sensação estranha. _ O que? _ O que viemos fazer aqui? _ Investigar um roubo em Boston. _ Tem certeza? _ Tenho, por que? _ Por nada, vamos voltar pra Washington. Mulder deu a partida, e voltou para o FBI. _____________________________________________________________ ____________ De volta ao Bureau, dentro da sala do diretor Skinner, Mulder dizia: _ Algo muito estranho aconteceu senhor. _ O que? _ Tenho a sensação de que algo aconteceu, mas não sei o que. _ Deixe de ser bobo Mulder, e me fale, por que voltaram sem o resultado da investigação em Boston? _ Houve uma confusão - disse Scully - que nos impediu de chegarmos a Boston. _ Que confusão? Os dois agentes se olharam e responderam juntos: _ Não sabemos. _____________________________________________________________ ____________ Na sala do porão, ambos não se falavam nem se olhavam. Algo muito estranho havia ocorrido, mas nenhum dos dois tinha consciência do que era. _ Mulder? - chamou Scully. _ O que? _ O que aconteceu com nós dois? _ Não sei Scully, mas algo aconteceu, tenho certeza, mas não me lembro. _ Nem eu. _ Mas de uma coisa eu tenho certeza. _ O que? _ Você é Dana Katherine Scully, minha parceira e melhor amiga fiel de sete anos, a quem eu posso confiar minha vida e meu coração. _ Seu coração? Mulder parou um pouco, como se tivesse dito algo errado. _ Eu disse coração? - riu ele falsamente - Eu quis dizer trabalho. _ Ah bom. Os dois separaram seu olhares. Mulder virou para sua mesa, e respirou fundo, como se ainda não tivesse ganhado coragem para dizer o que queria. Scully também se virou para sua mesa, e encostou a cabeça entre as duas mãos, pensando se o que Mulder havia dito, seria a declaração que ela havia esperado tanto, ou, apenas uma troca de palavras, como ele mesmo havia justificado. FIM