FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SPOILERS : Nenhum, mas acontece após a oitava temporada. SINOPSE : Mulder e Scully falam sobre um momento que estão vivendo OBSERVAÇÕES : Aguardo um feedback, por favor digam o que acharam. Essa fic começou a ser escrita no fórum shipper, em 11/12/00 e era uma brincadeira sobre uma música que eu e a Graça estávamos ouvindo no rádio e da qual gostávamos muito. AGRADECIMENTOS : À Graça que ajudou a escrever a estória e deu ótimas dicas pra concluí-la EM TODOS OS SENTIDOS Mulder chegou cansado em casa. Desabou no sofá, ligou o som e começou a ouvir uma música, apenas instrumental. Seus pensamentos se perderam e seus olhos buscaram algo num ponto indefinido. Ele não sabia o que procurar até que, lentamente, uma silhueta começou a se delinear em sua mente, trazendo-lhe um sorriso aos lábios. Fechando os olhos, ele mergulhou numa viagem de sensações...que até a pouco ele desconhecia, a simples lembrança da mulher que ele finalmente tinha coragem de admitir que amava, mas que não podia mais lhe pertencer. E essas lembranças, que o tornaram mais humano, trouxeram um arrepio gostoso que se espalhou por todo o seu corpo quando visualizou o momento em que a sentiu pela primeira vez, quando a beijou pela primeira vez, quando percebeu que era correspondido e suspirou ao lembrar do momento em que ambos disseram: " Eu te amo !" . Estava feliz, pois agora sabia o verdadeiro sentido da palavra amor....pois até então não sabia. Agora ele a queria de todas as maneiras que pudesse sentir, por todos os caminhos que pudessem levá- lo a partilhar a vida com ela. Sabia que não era possível, mas sonhava. Os sonhos tinham sido o alimento de sua alma durante todos aqueles anos e, sorriu, alguns dos mais impossíveis tinham se tornado realidade. Neste momento, Mulder abriu os olhos e se deparou com outro par de olhos a fitá-lo... Um sorriso brincava nos lábios da ruiva que o fitava com jeito interrogativo. _Em que lugares podem se perder a mente de um homem como este ? _ ela pensava enquanto o via abrindo aqueles indefiníveis olhos verdes _ Qual o lugar que eu poderia ocupar nesse imenso labirinto chamado Mulder....? _ Todos eles, Scully _ ele respondeu vendo-a sobressaltar-se com a resposta.Não percebeu que dera voz aos seus pensamentos _ Você está em cada recanto da minha mente. Cada palavra, gesto e pensamento que partilhou comigo. _ Havia me esquecido de sua memória fotográfica _ ela sorriu. _ Não é só na memória que você está, Scully _ ele disse tocando-a na face. _ Mulder não _ Scully disse afastando-se _ Sabe que não podemos seguir com isso. Não foi pra isso que vim até aqui_ ela completou reticente. A verdade é que, após partilharem tantas coisas juntas era praticamente impossível ficar longe dela, sem sentir o toque que, agora, ele sabia o quanto era gentil e caloroso, sem ouvir a voz que o trazia a realidade num momento para em seguida embalá-lo nas asas do sonho quando, sussurrante, dizia-lhe dos sentimentos a que ambos haviam se entregado. Porque não poderia ser simples ? Haviam concordado em se afastar como amantes para manterem a parceria. Mas quando fizeram essa promessa, não sabiam o quanto seria difícil cumprí-la. Tudo em nome de um compromisso. Para o bem estar e segurança de uma pessoa, importante demais para ambos... Mas isto fora há algum tempo. Renúncias em nome da paz. Porém não era justo pois ela, que agora era a razão em comum da vida de ambos, estava segura, e o que importava era o momento que ambos estavam vivendo naquele instante, deveria ser simples. Bastava que se deixassem levar por ele e se entregarem novamente à plenitude do amor. Amor que apesar de tudo e de todos, superou cada obstáculo imposto... e frutificou de forma inesperada e maravilhosa.... Mas o medo, que sempre estivera rondando muito próximo a eles, não os deixava seguir adiante. _ Sabe que não precisamos mais disso, Scully... _ ele a fitava com uma expressão esfomeada, nos olhos úmidos pelo desejo. O filho por quem eles tanto haviam lutado, não corria mais riscos. Milhares de exames provavam que ele era um garotinho normal...não... segundo a opinião de Mulder, ele era especial de todas as maneiras que o fruto de um amor tão grande poderia ser, mas fisicamente, ele não seria um alvo da cobiça daqueles homens. Sua fragilidade consistia apenas no fato de ser filho deles, mas esse era um perigo ao qual ele estaria preso independente de eles estarem juntos ou não. Depois de tantos meses separados devido à abdução dele, durante o período em que ela carregara sozinha o farto da tristeza e solidão, acompanhados de uma gestação que assustava devido à sua natureza surpreendente, eles finalmente podiam respirar mais tranqüilamente. Lutaram contra os que ameaçavam o filho tão inesperado quanto desejado. Porque simplesmente não podiam reatar os laços que tornaram aquela vida possível ? A resposta veio dos lábios dela. _ Mas teríamos que abrir mão do nosso trabalho, Mulder. Sua cruzada tornou-se a minha e abandonar tudo seria doloroso. Mulder buscou as mãos dela e a conduziu para o sofá, ao lado dele. Fechou os olhos e ficou pensando por alguns minutos. Para Scully não importava se ele se perdesse em contemplações pelo resto do dia. Sua mente a obrigava a agir daquela maneira, mas o toque daquelas mãos sobre sua pele era algo maior do que sua racionalidade poderia bloquear e permanecer ali era tudo quanto desejava no momento. No fundo, ansiava para que o espírito arrebatado do homem amado...tão amado... em todos os sentidos que se pudesse amar alguém, sobrepujasse todas as regras, como só ele sabia fazer. Que embotasse todos os limites racionais aos quais ela se agarrava e que, se antes eram palpáveis, agora, não passavam de tênues e frágeis contornos de uma linha ela ansiava por fazer desaparecer, mas que não tinha coragem bastante. Mulder voltou a fitá-la, com aquele desconcertante sorriso de menino,responsável por transformar completamente aquela bela face, dando- lhe um ar juvenil e ousado. _ Eu sei que estou parecendo um garoto Scully. Ávido por sentir prazer pela primeira vez na vida. Mas isso é culpa sua, eu estava bem com minha vida solitária e meus vídeos educativos. Foi você quem invadiu minha sala com aquele traje xadrez e me encarou com esses olhos lindos. Ela riu _ Invadi sua sala ? Eu fui obrigada a isso Mulder. _ E ainda é ? _ ele perguntou com ar carente. _ Claro que não _ ela ergueu a sobrancelha com ironia_ Estou apenas esperando, quase em agonia, por um ato de rebeldia seu _ ela sorriu maliciosa. Scully acariciou suavemente aquela rosto sombreado pela barba , que ela aclamava por sentir em seu pescoço novamente, e esqueceu de tudo. Beijou tão apaixonadamente que ambos, já não lembravam mais de quem eram ou porque estavam ali, deixando-se levar pelo momento de puro prazer... Eles se afastaram com a respiração ofegante. Era como se nunca houvessem se distanciado, como se os momentos de desespero que os trouxeram até ali nunca tivessem existido. Como se um sopro de vitalidade corresse por suas veias e eles se sentiam renovados. Os olhos brilhantes, os lábios que não conseguiam conter o riso de prazer e alegria, serenidade e ternura que os acolhia. Mulder trouxe-a para junto do peito. Roçando o queixo no pescoço dela, enquanto suas mãos de aninhavam seguras sobre a sua nuca e costas. _ Acho que vou sair do FBI, Scully. _ O quê ? _ ela aprumou-se para fitá-lo com o olhos arregalados _ Não pode fazer isso, Mulder. Não depois de tudo o que foi feito para trazê-lo de volta. _ E de que outra maneira eu poderia continuar com você e nosso filho ? _ ele perguntou ansioso, como se dos lábios dela pudesse surgir a resposta para a pergunta que lhe torturava a mente _ Porque eu sei que não quero mais partilhar disso aos pedaços. Quero fazer parte integral , Scully. Quero que ele me chame e saiba que eu sou o pai dele. _ Talvez se eu parasse... _ Você não pode fazer isso_ ele interrompeu imediatamente _ Os Arquivos X não fariam sentido sem você. Ela riu. _ Percebe o quê estamos fazendo ? Eu não quero que você desista e você também não quer me afastar. Não há solução Mulder. Ele segurou o rosto dela entre as mãos, fazendo carícias com os polegares. A solução brotando tranqüilamente na cabeça dele. _ E se nós esquecermos isso, apenas por um minuto e pensarmos somente no que está acontecendo agora ? _ Não será possível Mulder... _ Porque não ? _ Porque o que está para acontecer agora, jamais consumiria apenas um minuto. Ambos riram. _ Bom, vamos esquecer então por quantos minutos nós conseguirmos fazer com que esse momento se prolongue. Mulder não esperou resposta, trouxe para si o rosto que guardava tão preciosamente entre as mãos e beijou-o suavemente, seguindo pelos cabelos macios, a pele alva, as maçãs do rosto, o queixo, até chegar à boca que o esperava com igual avidez. Sentiam-se como se jamais houvessem falado de amor, jamais tivessem se amado... como crianças que se entregam às brincadeiras diárias com a mesma intensidade com que demonstram seus sentimentos. E o silêncio aliado à beleza daquele ato, apenas falava de maravilhas fundamentais, onde o que realmente tinha sentido era se amar, de todas as maneiras que pudesse se amar, por todos os caminhos que pudessem se sentir, em todos os sentidos do prazer. FIM Segue a letra da Musica : Mamão com Mel (Gonzaguinha) Parece ate que eu jamais falei no amor, parece ate que eu jamais amei, Criança e mesmo assim, bobagem, Beleza só fala maravilhas... banais... Quero amar você de todas as maneiras, que eu puder viver você, Por todos os caminhos que eu puder sentir você, Em todos os sentidos...do prazer... Ah ah, que mel, mamão com mel E eu nem preciso asas para voar... Melhor, e bem difícil de sonhar... Amar, viver, sentir a vida com você... Amar sentir você mais que prazer...