Dying From Pleasure AUTORA: Kessia Nina E-MAIL: shipperx@gmx.net DISCLAIMER: Todos eles, exceto algum que eu por ventura criar, são da 1013, Fox Network. Os outros são MEUS. Todos meus!!! SPOILERS: Tooms, Squeeze, Tithonus CATEGORIA: MSR, Mulder/Outra CLASSIFICAÇÃO: Proibida para menores de 16 anos ou pessoas mais sensíveis a cenas de sexo (nada muuuuuuuito explícito, no entanto) FEEDBACK: Sempre muito bem-vindo, afinal, é o meu salário, não é? NOTA DA AUTORA: Todas as minhas histórias estão no meu site: http://go.to/shipperx/ RESUMO: Seria Scully capaz de perdoar Mulder por tê-la traído? Seria Mulder capaz de perdoar Scully por tê-lo traído? ********************* DYING FROM PLEASURE ********************* Fazia tempo que não se sentia assim. Não queria estar com essa mulher, mas após alguns anos de celibato, tudo o que precisava era descarregar toda a sua "energia". De certa forma, acabara de entender, poderia ser com qualquer pessoa. A mulher que encaixava seu corpo maravilhosamente ao seu era perfeita. Quase tão alta como ele, tinha os cabelos loiros e os olhos negros. Muito negros. No início, assustou-se um pouco com a profundidade dos olhos da mulher, mas já estava acostumado com a profundidade dos olhos de sua parceira. O que estava sentindo por estar fazendo amor com uma mulher depois de tantos anos era única. Todas as formas de prazer até então desconhecidas por ele estavam sendo trazidas à tona. Não era um homem de sair com qualquer uma, mas essa mulher linda ali com ele não era qualquer uma. Era uma estudante de psicologia de Harvard. Extremamente inteligente e bonita. E ainda tinha partido pra cima dele no Casey's. O incrível era que, apesar de ter somente vinte anos, Kyra Neward parecia ter experiência no campo sexual de anos a fio. Mais que ele inclusive. Não que tenha tido ao longo dos anos uma vida sexual muito ativa o tempo todo, mas sabia algumas coisas que muitos homens não sabiam. E o mais incrível ainda era que ele não estava precisando fazer nada a não ser acariciar os seios da moça que se movimentava e gemia muito alto em cima dele. Ela estava fazendo todo o "serviço". Pensou ser essa a idéia das mulheres de hoje em dia: fazer todo o "serviço". Gostava de olhar para o rosto de Kyra enquanto ela gemia sem parar. Ficava excitado com isso, fazendo com que a todo momento ondas de calor, tensão e alguns tremores subissem através de sua barriga, mas que não conseguiam nunca ser terminados. "Agora não, Fox." Era tudo o que ela falava ao parar de movimentar-se por alguns momentos. Fazendo com que ele recuperasse o fôlego e pudesse continuar. Seu coração acelerava a tal ponto que tinha medo de poder começar a ouvir as batidas. Ela queria mais, pensou Mulder. Mais dele. Mais do homem que há alguns anos não via sequer uma mulher nua em sua frente a não ser Scully. Mais do homem que passava suas noites de Sábado perseguindo alienígenas ou assistindo a filmes pornográficos e vendo fotos de revistas, também pornográficas. Sabia que não deveria estar pensando tanto num momento histórico como esse, mas não podia evitar. Scully, agora mais forte que nunca, veio novamente à sua cabeça. Onde ela estaria agora? Imaginaria ela que Mulder pudesse estar com uma mulher? Será que ficaria com ciúmes? Essa última pergunta ficou martelando- o na cabeça. Será que ficaria com ciúmes? A resposta veio imediatamente: claro que sim. Ela sempre ficava com ciúmes de outras mulheres com Mulder. A sensação de culpa e traição vieram à tona. O que ele estava fazendo? Deixando de lado a mulher que ele verdadeiramente amava por causa de um momento de puro sexo? Puro prazer barato? Bom, não era tão barato assim. Havia pagado toda a conta do bar e Kyra bebera muitas coisas caras. Whisky, vodka, coquetéis. Para uma menina de vinte anos, ela estava muito adulta. Mas realmente era puro sexo, não estava fazendo amor como pensara há alguns minutos. Desde o momento que chegara ali com ela, tudo se resumiu a desejo e prazer. Foram alguns longos e torturantes minutos de provocações sexuais antes de enfim consumar o ato. Percebeu então que não deveria estar ali. Não com aquela menina. Sim, ela era uma menina. Mesmo com todo aquele corpo, todos aqueles movimentos perfeitos e sincronizados, ela era uma menina. Uma estudante de psicologia e ele estava se aproveitando dela. Não era nem totalmente maior de idade ainda. E Mulder estava fazendo sexo com uma menor. Um agente federal fazendo uma coisa dessas. Não que fosse crime, mas não era uma coisa muito boa para se ter em sua ficha. O interessante de tudo isso, percebeu Mulder naquele momento, era que ela parecia não se importar com a distância dele. Continuava movimentando-se. Não parava. Jogava sua cabeça para trás e em alguns momentos tocava entre suas pernas com as mãos, excitando Mulder ainda mais. Era como se ela estivesse sozinha e não houvesse mais ninguém ali. Ninguém com quem compartilhar o prazer. E não era isso que ele queria. Queria alguém com quem pudesse conversar sobre tudo depois. Alguém com quem contar em todos os momentos de sua vida. Alguém como Scully. Mais sentimento de culpa veio à tona e ele não pôde evitar a tristeza. Decidiu explicar toda a situação a Kyra, mas no momento em que ia abrir a boca, a porta do quarto do hotel fora arrancada à força por vários policiais e ele pôde reconhecer a voz da agente responsável dando ordem de prisão e atirando. Era Scully. ***************** Uma semana antes ***************** "Bom dia." "Bom dia, Mulder. O que você quer comigo em pleno Sábado? Eu tenho coisas para fazer." Falou irritadamente Scully. Não tinha nada pra fazer. De fato, estava até aliviada que ele a havia chamado, mas não podia admitir. "Já está irritada a essa hora da manhã?" Mulder estava sorridente. Provavelmente algum caso paranormal para resolver. Gostava de ver Scully irritada. Ela ficava engraçada e lhe dava mais vontade ainda de lhe mostrar os casos absurdos de uma forma mais empolgante. "Três agentes do FBI mortos na última semana. Todos entre quarenta e cinqüenta anos. E todos, eu digo todos, Scully, foram encontrados nus numa cama de hotel. Pelos exames médicos, todos tinham acabado de ter relações sexuais..." "Isso está parecendo mais alguém tentando imitar o filme Instinto Selvagem." Incrédula como sempre e um pouco sarcástica dessa vez. "Você viu esse filme, Scully? Nunca pensei que você fosse mulher de assistir a filmes desse gênero." "Ao contrário de você, eu vejo esses filmes sim. Mas por causa das histórias intrigantes que há por trás e não somente por causa de certas cenas imprescindíveis para o seu bom andamento." Mulder olhava com um olhar desconfiado para Scully. Obviamente ela não assistia a esses filmes por causa da história. Pelo menos ele achava. "Tudo bem. Vou fingir que acredito na doutora Scully. Por que você simplesmente não admite que gosta das cenas?" Ele queria arrancar a verdade dela de qualquer forma. Sabia que estavam se desviando do assunto, mas agora ficara intrigado. Após alguns longos segundos, ela finalmente disse sem olhar para ele. "Ok. Eu gosto das cenas. Mas só porque há uma história por trás delas. Não gosto de sexo gratuito como você." "Nem tão gratuito, Scully. Aquelas revistas e vídeos são caros!" Continuaram por fim a estudar as evidências dos crimes. Nada de muito anormal. Somente assassinatos. O grande problema era que todas as vítimas eram agentes do FBI. Na maioria das vezes, homens solitários. Não havia um motivo muito claro para os crimes. Seria passional? Não. De certa forma, não poderia alguém se apaixonar por tantos homens em tão pouco tempo. "Não fizeram exames com o fluido vaginal encontrado nas vítimas?" "Tentaram, mas a assassina era prevenida. Usou camisinha em todas as relações." "Assassina?" "Todos crêem que sim, visto que todos os homens eram heterossexuais." Convencida pela explicação de Mulder, apesar de não acreditar totalmente, ela continuou. Os dois agentes estavam saindo da sala quando foram abordados por Skinner. "Mais um morto. Hotel Nevada, em Arlington. Acharam o corpo esta manhã." Skinner estava visivelmente constrangido com aquilo e ao mesmo tempo triste. Percebendo, Scully tomou a iniciativa de perguntar. "Alguma coisa mais a acrescentar antes de irmos à cena do crime, senhor?" Ele nada respondeu. Apenas deu as costas aos agentes e saiu pelo mesmo lugar que entrou. Notando o olhar inquisidor de Scully, Mulder começou. "Acho que ele está com medo que possa acontecer com ele. Tem todas as características das vítimas." "Se for por esse motivo, você também deve ter medo." Ela sorriu de sua colocação ao perceber a reação de Mulder. "Eu????" "É, Mulder, você." Ele perguntou somente com os olhos o porquê daquilo. "Ora, convenhamos, você tem quase quarenta anos, é solteiro, solitário e está sempre à procura de aventuras, embora nunca as encontre." Ele a observou falando. Parecia estar se contentando ao falar aquilo. Parecia sentir um certo prazer em dizer que ele estava velho e solitário. Mas ele deveria admitir a si mesmo que era verdade. Ele era um velho solitário. "Me admira muito você pensar isso de mim, Scully." "Não é questão de pensar muito. Na verdade, nós dois somos dois velhos solitários. Não tem com o que se preocupar. Quer dizer, agora é bom arranjar companhia. Afinal, essa mulher está matando os solitários agentes do FBI da cidade." Terminou ela antes que entrassem no carro. ----------xxx-------------- A cena do crime era horrível. Vários fotógrafos da polícia tirando fotos do pobre agente nu deitado na cama. O incrível, ela notou, era que seu rosto não denotava dor nenhuma. Era como se o homem houvesse morrido de prazer. Como se fosse bom ter morrido sentindo o que quer que ele estivesse sentindo no momento da morte. Pelo rosto de Mulder, Scully podia dizer que ele havia pensado o mesmo que ela e também que ele estava com medo. "Não precisa ficar com medo. Ou você arranja alguém logo e de confiança...". Obviamente ela tinha que mencionar a confiança e provocá-lo ainda mais. "Ou evita se interessar por alguém por um tempo e deixar sua masculinidade descansar um pouco." Mulder nem se deu ao trabalho de dizer à Scully que já estava há um bom tempo sem liberar a sua masculinidade. E tudo por causa dela. Não se sentia muito à vontade saindo com outras mulheres depois que descobriu tudo o que sentia por Scully. Entretanto, nesse exato momento, sentiu um pouco de raiva por ela pensar aquilo dele e também não fazer nada pra mudar a situação. De certa forma, já estava cansado de tanto dar diretas e indiretas para sua parceira. "Qual é a causa da morte?" Scully perguntou ao médico no local. "Aparentemente o homem morreu de uma dose muito alta de adrenalina. Isso fez com que seu coração disparasse e parasse." "Mas o que causou tamanha liberação de adrenalina?" "Acho que a excitação. Ela foi tão grande que ele não agüentou." Intrigada com a resposta do paramédico, Scully prosseguiu. "Gostaria de fazer uma autópsia se fosse possível." ----------xxx-------------- Animada, Scully entrou em sua sala. Havia descoberto várias coisas a respeito do assassinato ao fazer a autópsia. No entanto, seu sorriso instantaneamente se dissipou ao ver uma bela moça, muito jovem, conversando animadamente com Mulder. Entrou e jogou a pasta em cima de sua mesa fazendo bastante barulho. Mulder preferiu fingir que Scully não estava ali e continuou sua animada conversa. Percebendo a insatisfação de Scully e a aparente, mas falsa, descontração de Mulder, a jovem virou-se e apresentou-se à agente. "Sou Kyra Neward, estudante de psicologia de Harvard. Estou fazendo um pequeno estágio aqui no FBI. Estava lá em cima, " Disse ela com um olhar cínico "quando ouvi falar do Spooky Mulder. Sabia que ele deveria ser muito bom para falarem assim dele. Então resolvi vir até aqui. Prazer em conhecê- la." Scully somente olhou para a menina e balançou a cabeça afirmativamente. Não se deu ao trabalho de falar mais nada. Sentou-se e começou a olhar os arquivos. Vários fatos animadores foram descobertos. Mas nenhum deles era mais importante do que a conversa que Mulder estava tendo com aquela menina naquele momento. O olhar dele dizia que ele a desejava. E que talvez, se Scully não houvesse chegado ali, talvez saíssem dali e fossem os dois às vias de fato. Não conseguia não sentir repulsa por Mulder. Como ele poderia sentir-se assim por uma garota de seus vinte anos? Ela estava sempre ali para ele. Será que não percebia? Agora sentia o estar perdendo. E o pior era que o estava perdendo para uma menina qualquer só porque ela acreditava em tudo o que Mulder dizia e porque sorria de qualquer bobagem que falasse. Além do mais, era uma estudante de psicologia. Ou seja, precisaria de ajuda em alguma coisa na universidade. Haveria uma maneira de fazer com que ela não ficasse ali? Que ela fosse transferida para um outro escritório? As risadas que Mulder dava durante a conversa irritavam Scully. Eram risadas falsas. Ela sabia. Risadas que queriam chamar sua atenção. Mas a agente estava decidida a não se deixar entregar novamente aos ciúmes e resolveu partir. Sem dizer nenhuma palavra, ela pegou seu casaco, os arquivos para estudar em casa e saiu. ----------xxx-------------- Estava deitada, mas com nenhum pouco de sono, quando ouviu batidas na porta. Era incrível como já conhecia até a batida do seu parceiro. Vestiu um roupão e dirigiu-se à porta. Mulder entrou rapidamente. Estava cansado e parecia com sono. Muito sono. "Scully." Foi tudo o que ele conseguiu dizer antes de perder os sentidos e cair no sofá. Ao chegar mais perto, preocupada, Scully tocou seu rosto em busca de febre ou alguma coisa suspeita que determinasse a causa do seu colapso. Ele abriu a boca e ela pôde sentir o cheiro. Bebida. Mulder estava completamente bêbado. Sentiu nojo. Como ele poderia ir até sua casa bêbado daquele jeito? Quem achava que ela era? Sua mãe? Tentou acordá-lo de todas as maneiras. Sem sucesso. Trouxe então um lençol de seu quarto e o cobriu. Já que não iria poder conversar, que deixasse-o dormir em paz. A ressaca no dia seguinte seria sua vingança. Deitada em sua cama, Scully só podia pensar no porquê de Mulder estar ali agora. Por que não fora até sua casa? O que poderia estar fazendo na rua a uma hora daquelas? Repreendeu-se imediatamente. Mulder era um homem adulto, dono de si próprio que decerto queria ter uma vida fora do FBI mesmo que não demonstrasse isso a ela. Mas por que ele não demonstraria? Já o havia visto em situações terríveis onde ele deixava que visse seu lado mais obscuro. Por que agora não deixaria que ela soubesse isso dele? Talvez estivesse cansado. Não. Não era isso. Havia algo mais por trás de tudo aquilo. Ela conhecia Mulder o suficiente para saber isso e também para saber quando ele estava mentindo. Repulsa foi o que sentiu ao imaginar que ele talvez estivesse com alguma mulher. Sentiu um imenso sentimento de traição subir da sua barriga até seu peito de forma que seu rosto ficasse vermelho de raiva. Era melhor, entretanto, não se deixar levar pela raiva. Não sabia o que havia acontecido e não queria presumir nada antes de ouvir o que seu parceiro teria a dizer na manhã seguinte. Durante o período em que dormira, seus sonhos foram povoados de histórias de traição. Acordou com o barulho da porta batendo. Ao olhar para a janela, viu que já estava claro. Levantou-se rapidamente, foi até a sala e viu que Mulder havia saído. Basicamente fugido dela. Tomar um banho e seguir direto para o Bureau era a única coisa que podia fazer. Esqueceria Mulder por alguns instantes e estaria livre de quaisquer ressentimentos. ----------xxx-------------- Mulder estava com a cabeça abaixada em cima dos braços quando Scully chegou. Agora não estava preocupada. Sabia que aquilo era efeito da ressaca. Decidiu começar a trabalhar. "Não sei se você vai estar interessado em saber o que descobri na autópsia ontem, mas vou dizer assim mesmo." Ele nem se deu ao trabalho de falar nada. Somente levantou a cabeça. "Ontem, ao fazer a autópsia no último corpo encontrado achei traços de uma substância estranha nunca vista antes. Nem por mim e nem por nenhum dos legistas com quem falei." Mulder pareceu interessar-se mais pelo que sua parceira falava. Tanto que voltou a fazer o que sempre fazia ao ouvi-la falar, balançar a cabeça afirmativamente. Nenhuma palavra, no entanto. "Mandei os resultados para o laboratório e encontramos traços de uma outra substância. Essa bem conhecida pelos fazendeiros..." Intrigado, Mulder não agüentou mais ficar em silêncio. "O que é?" "É algo que eles dão às vacas para que elas possam ter relações sexuais em qualquer época do ano e do cio." "E o que é a outra substância de que você estava falando?" Perguntou antes de levantar e começar a andar de um lado para o outro com uma das mãos na cintura. Típico de quando estava pensando. Feliz, agora por ver seu parceiro voltando ao seu velho eu, ela continuou. "Não sabemos o que é. Acredito ser algo capaz de mascarar o efeito desse medicamento para gado." "Mas por que alguém faria isso, Scully? Qual é o objetivo desse assassino?" "Não era assassina?" Scullly o provocou. "Talvez. Agora que você descobriu isso, não podemos dizer ao certo se estamos falando de homem ou mulher." Mulder tinha razão. Não poderiam agora Ter certeza disso. Mas ela ainda tinha a saliva encontrada em um dos mortos. "Ainda tem mais." Ele a olhou como sempre olhava ao começar a se empolgar com um caso. "Hoje vamos descobrir mais sobre a saliva encontrada no morto. Os resultados saem em três horas." "Você tem alguma teoria, Scully?" "Você tem?" Mesmo sabendo que sim, ela perguntou. "Já investigamos dois casos onde os assassinos precisavam de alguma coisa para sobreviver. Eugene Tooms foi um deles. Ele precisava do fígado de cinco pessoas. A outra foi o caso do homem cujo nome infelizmente me falha memória que não morria, mas estava procurando desesperadamente a morte ao tirar fotos de pessoas que iam morrer. Ele as via. Lembra disso?" Ela afirmou com a cabeça. "Pois bem, e se essa assassina, vamos falar assim, precisar de sexo, precisar matar alguém dessa forma para saciar alguma vontade própria ou então ser vital para sua sobrevivência?" "Mulder, não acredita mesmo que alguém precise tanto de sexo assim para sobreviver, acredita? A ponto de matar?" "Scully, todo ser humano precisa de sexo. É vital para nós. Claro que um ser humano normal pode ficar um tempo sem um contato mais íntimo." Ele olhou fundo nos olhos dela ao dizer o "íntimo". "E se essa pessoa não puder agüentar por muito tempo? Ou então, e se ela for sádica? Ou só sentir prazer com a morte?" Com seu rosto descrente de sempre, Scully acrescentou. "É uma boa teoria. Mas não acredito. Eu acho que essa pessoa está assassinando os agentes por prazer mesmo. Talvez tenha se inspirado em algum filme, gostado do que a mulher fazia e começou a fazer por si própria tudo aquilo." "É diferente. Ela não mata com uma arma qualquer. Mata praticamente de prazer. Só isso." Mais uma vez ela não acreditava que ele estivesse pensando daquela maneira. E mesmo não tendo ele próprio estado com uma mulher há algum tempo. "Todo mundo quer um pouco de prazer sexual na vida, Scully." ----------xxx-------------- Ao fim do dia, estava cansada. Tanto da investigação quanto de tudo na sua vida. A frase dita por Mulder tocou o fundo da sua alma e a fez se perguntar, mais do que nunca, qual era sua função na terra. Seria caçar alienígenas ao lado do parceiro? Ou seja, ser sempre a sombra dele? Ou teria ela um destino a ser cumprido? Filhos não poderia mais ter. Ou seja, cumprir a vontade de Deus de procriar não lhe era mais uma tarefa. Os homens a tiraram esse direito divino. Há anos não saía com ninguém. Só existia Mulder em sua vida. E era tudo o que precisava. Entretanto, sentia falta de um contato mais íntimo. Todo ser humano precisava desse contato. Inclusive ela. Apesar de não demonstrar todos os seus sentimentos, gostaria de ter alguém com quem conversar no final do dia. Com quem acordar abraçada pela manhã. Alguém que a estivesse esperando quando chegasse em casa. Ou então alguém que viesse do mesmo lugar que ela no final do período de trabalho, ou seja, Mulder. Ela realmente queria que essa pessoa fosse Mulder. Apesar de não fazer muito para demonstrar isso, queria que ele percebesse por si só. Muitas situações juntos já haviam passado. Ele já dissera a ela como se sentia, mas tudo o que fizera foi não acreditar nele e não levar o relacionamento adiante. Não podia culpar Mulder por causa disso. Ele fizera sua parte. Agora cabia a ela fazer a sua. Mas como? Como chegar para a pessoa que você ama e dizer tudo o que sente? A dor da perda, da decepção parecia insuportável para a sempre recolhida Scully. Ela não tinha coragem de dizer a ele tudo o que sentia simplesmente por medo da dor. Não havia tido sequer um relacionamento longo em sua vida por medo da terrível dor da desilusão e agora preferia ficar sozinha e com a amizade de Mulder do que sentir essa dor. O som do telefone cortou seus pensamentos fazendo com que ela se revoltasse. Não podia sequer pensar em paz! "Scully." "Scully, sou eu. Acabei de saber que acharam outro corpo. E você não vai acreditar quem é?" "Skinner?" Scully perguntou já com medo da resposta. "Sabia que você pensaria nele? Por que acha que ele se deixaria seduzir?" "Dá pra dizer logo quem foi?" "Kersh." Scully não podia acreditar. O Diretor Assistente Kersh sendo vítima de sedução. Um pequeno sorriso veio a seus lábios. Um sorriso de vingança por todas as situações constrangedoras que passaram por causa dele. Mas teve que repreender-se por estar rindo de um morto. Seus pensamentos voltaram-se então para Mulder. E se ele também estivesse correndo perigo? Ela havia brincado com ele, mas a situação estava ficando séria e era melhor que ele se cuidasse. Sabia que ele ficaria empolgado com o caso e era facilmente seduzido por um belo par de pernas. "Mulder, o que eu vou te falar agora é muito importante. Preste atenção, está bem?" Ela esperou que ele fizesse um sinal para que soubesse que estava ali. "Você tem que ter muito cuidado. Já são ao todo cinco mortos. Você pode muito bem ser o próximo." "Eu sei disso. Mas é meio difícil eu cair na armadilha dessa assassina, já que eu não saio nunca." "Mulder, pode ser qualquer pessoa. E se ela está com você em mente, ela pode te encontrar em qualquer lugar. E usar todo o seu poder de sedução com você. Como qualquer um dos outros homens, você cairia na dela." "Eu sei. Obrigado pela preocupação. Agora tenho que desligar. Aquela menina Kyra Neward está aqui e está perguntando algumas coisas a respeito dos crimes. Vou ajudá-la." Desligou o telefone antes que Scully pudesse completar seu pensamento. A preocupação com Mulder era evidente. Não se sabia nada desse assassino e do jeito que as coisas andavam, ele poderia ser qualquer um. ----------xxx-------------- Sentado no bar que costumava freqüentar, Casey's, Mulder bebia whisky. Não gostava muito do gosto, mas após três doses já não o sentia mais. Estava decepcionado consigo mesmo por causa do decorrer da investigação dos assassinatos. Nada havia ele ou Scully conseguido descobrir. Apesar de saberem o que era usado para seduzir os homens, não se sabia como eles eram atraídos para os hotéis. Mulder estava cansado de tudo aquilo. Uma semana se passara e eles não descobriram nada. Scully continuava acreditando ser aquele um caso de assassinatos comuns. Um assassino serial, talvez. E pra dizer a verdade, Mulder também já estava achando isso. Não havia evidências de nada paranormal nele. Apenas mortes. Pela primeira vez olhou para os lados para ver quem estava no bar àquela hora. Qual não foi sua surpresa ao ver Kyra Neward. A bela moça que estava com ele durante toda a investigação estava sentada no fim do balcão olhando diretamente em seus olhos. Os olhos dela eram muito profundos e denotavam o desejo que estava sentindo por Mulder. Havia muito tempo que não se sentia assim. Desejado. E tudo o que fazia era tentar chamar a atenção de Scully para que ela o desejasse. Chegava até a escolher algum terno mais especial para agradá- la. Quer dizer, tentava. Não sabia se ela reparava ou não. "Fox." Foi tudo o que Kyra teve que dizer ao pegar no seu ombro. Ele levantou-se, pegou seu casaco e saiu com ela como que hipnotizado. ***************** Dois dias depois ***************** Estou sentada numa cadeira ao lado da cama do Mulder. Ele não acordou desde que atirei nele pela segunda vez desde que nos conhecemos. Não precisava atirar nele, claro, mas meu instinto, minha possessão me fez atirar. Era como se ele estivesse me traindo ao dormir com aquela mulher. Aquela assassina. Sinceramente até agora não sei como descobri que Kyra era a assassina. Ao desligar o telefone, minha voz interior me dissera para checar as referências dela. O que descobri foi assustador. Ela já havia sido internada por ter uma necessidade constante de fazer sexo. Especialmente com homens mais velhos. Desde os trezes anos. Já havia sido inclusive julgada por uma morte, mas não conseguiram provas suficientes contra ela. Ao saber de tudo isso, não tinha mais dúvidas e pela primeira vez segui meu instinto feminino. Localizei todas as ligações dadas ao telefone de Mulder e descobri ser a maioria delas de hotéis na cidade. Fiquei um tanto chateada por Mulder ter recebido tantas ligações de outra mulher. Liguei, enfim, para todos os hotéis listados para saber se havia uma Kyra Neward por ali. Ela realmente havia dado entrada em todos. Mas somente em um ela havia realmente chegado com um homem alto e muito bonito, conforme a própria descrição da telefonista. Era a pista que precisava. Chamei todo o apoio que consegui e segui rumo ao hotel. Fui direto ao apartamento e vi a cena que está guardada até agora em minha mente e que provavelmente nunca será apagada. Cheguei e Mulder estava tendo relações sexuais com aquela estagiária assassina. Senti, inicialmente, muita vergonha por ter entrado tão repentinamente na vida íntima do meu parceiro. Mas esse sentimento passou rapidamente quando me dei conta que aquela mulher provavelmente o havia drogado e estava somente esperando o momento certo para matá- lo. Mulder mexe seus maravilhosos olhos e lábios a todo momento. Sempre penso ser uma reação, um reflexo de que está acordando. Mas estou enganada sempre. Só fui para casa uma vez nesses dois dias. E me arrependo de ter atirado nele. Primeiro dei três tiros que supostamente eram para serem acertados na garota, mas um deles alojou-se direto no peito do Mulder. Lembro até agora da sua cara de assustado antes de desmaiar. Tivemos algum trabalho para retirar Kyra de cima dele e ela morreu ali mesmo. Não sinto remorso. Ela era uma assassina cruel e perversa que planejava muito bem seu crime. Mas o motivo pelo qual não sinto remorso mesmo é porque agi como uma pessoa normal dessa vez. Como alguém que realmente foi traída. Sei que não tenho um relacionamento íntimo com Mulder, mas gostaria que tivéssemos e por isso, não estou sentindo nada em relação a ter matado Kyra. Ela me fez perceber que estou perdendo tempo demais com a minha vida e que preciso agir. Mulder está se mexendo com mais freqüência agora. Creio que está acordando. Não sei sinceramente se devo ficar aqui e esperar que ele reclame da minha conduta ou se vou embora definitivamente. Antes que eu decida, ele abre completamente os olhos e se vira pra mim. Por incrível que pareça está sorrindo. Sorrindo em minha direção. Será que se lembra do que fiz? De ter, além de destruído sua intimidade, atirado nele? "Você me salvou, G-Woman. Mais uma vez." Então ele estava ciente dos fatos. E mesmo assim estava sorrindo e agradecendo à sua maneira. Agora estou me sentindo culpada. Devo ou não devo contar a ele que seus exames de sangue não mostraram que ele estava drogado? Logo quando descobri senti raiva. Raiva porque dessa forma, ele estava com Kyra por livre e espontânea vontade. "É, mais uma vez." Melhor não contar, pensei. ***************** Epílogo ***************** Dessa vez era diferente. Seu primeiro pensamento ao descobrir que Scully havia atirado nele propositalmente e que ele de fato não estava drogado foi de brigar com sua parceira. O choque também fora grande. Afinal, ela não tinha o direito de fazer aquilo com ele. No caminho para o apartamento dela, seus pensamentos se ordenaram e ele pôde perceber o porquê dos seus atos. E nesse exato momento, o que estava acontecendo eram as conseqüências desses atos. Não fossem por eles, nada estaria tão bom. Scully era uma mulher maravilhosa, sempre foi, mas Mulder ainda não conhecia esse lado dela. O desejo estava presente o tempo todo em seus olhos enquanto sentia sua parceira e agora amante quente e úmida. Seus lábios clamavam por mais e ele sempre tinha mais para dar. Daria tudo por aquela mulher. "Por que atirou em mim, Scully?" Com o rosto um pouco contrariado, ela respondeu. "Mas... eu... já... te... respondi... isso... inúmeras... vezes..." "Fala de novo..." "Porque eu te amo." Mesmo sendo totalmente contraditório, era a verdade. Ela havia atirado porque o amava e não suportou vê-lo com outra mulher. Como de costume, percebeu que estava pensando demais num momento como aquele e ainda fazendo com que Scully perdesse sua maravilhosa concentração. Concentração que o estava levando à loucura. "Mulder...". Ele sorriu e continuou a fazer o que não tivera coragem por sete anos. ----------- Fim --------------- Obrigada a minha grande amiga Clá por ter beta lido minha história!!! Bom, o S falou que o Mulder provavelmente perceberia que a Kyra era a assassina, mas será que sim? Todo mundo sabe como os homens ficam meio doidos com um par de pernas não sabem???